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2023
QUEM 
SÃO
ELAS?
MAPEAMENTO DA VIOLÊNCIA 
DOMÉSTICA EM MANHUAÇU - MG
Revista premiada pelo Desafio 8M realizado 
pela A Casa Elza em junho de 2023
ANA ROSA CAMPOS
BÁRBARA ROCHA MORATTI
VÍTOR OLIVEIRA RÚBIO RODRIGUES
DIAGNÓSTICO DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA - MANHUAÇU MG
Quem são elas?. Ana Rosa Campos; Bárbara 
Rocha Moratti; Vítor Oliveira Rubio Rodrigues. 
Vol. 1, 1ª ed. Unifacig 
Manhuaçu, 2023.
ISBN nº 978-65-89250-19-7
REALIZAÇÃO
Centro Universitário UNIFACIG
COORDENAÇÃO GERAL 
Ana Rosa Campos
3 Q U E M S Ã O E L A S ?
ORGANIZAÇÃO
Ana Rosa Campos
Bárbara Rocha Moratti
Vítor Oliveira Rubio Rodrigues
REVISÃO
Igor de Souza Rodrigues
ILUSTRAÇÃO DA CAPA
Fernanda Marques Cordeiro 
Original - Aquarela e nanquim 
Papel 100% algodão.
Elas"de Fernanda Cordeiro
Manhuaçu - MG / Outubro 2023
4 Q U E M S Ã O E L A S ?
Aléxia Tinoco Rodrigues de Melo 
Amanda Maria Saraiva de Sousa 
Ana Luisa Augusta Silva 
Anderson Soares Ribeiro Filho 
Caetano Geiler Dias
Cíntia de Matos Mesquita 
Daiana Lopes Nunes Sindra
Daniella Henrique da Silveira Colombo 
Deborah Keilla Barbosa da Silva Brito 
Dhara Daniely Oliveira 
Eduardo de Carvalho Dutra 
Fernanda Cosendei do Amaral 
Gabriel Diniz Borel 
Gabriel Henrique da Silva Freitas 
Gabrielle Monteiro de Castro Carvalho 
Iara Silva Sobrinho
Isabela Cezar Melo Afonso 
Jhonatan Henrique Máximo Moreira 
Jose Luiz De Freitas Junior 
Karoline Maria Ferreira Cunha 
Larissa Rodrigues Soares 
Laysa Estevam Firmino 
Lucas Eduardo de Sousa Azine 
Luisa Kele Dias Ponsiano 
Luiz Antônio Barbosa Caetano 
Luiz Phelype Pereira Alves 
Maic Isac Coutinho Gomes Fonseca 
Maria Júlia Maximiano de Souza 
Maria Victoria Dutra de Freitas 
Mirella Valentine Couto de Freitas 
Natane Soti Langames de Castro 
Ronei Carlos Nascimento Júnior 
Samella Nascente Alves 
Tamires Ramos Morethson 
Yasmim Aparecida Gomes Rosa 
DISCENTES COLABORADORES
5 Q U E M S Ã O E L A S ?
PREFÁCIO
INTRODUÇÃO
METODOLOGIA
CAPÍTULO I SÃO MÃES, FILHAS, DONAS DE CASA, 
GUERREIRAS
CAPÍTULO II FATORES QUE CONTRIBUEM PARA A VIOLÊNCIA 
DOMÉSTICA EM MANHUAÇU MG
CAPÍTULO III O PERFIL DAS VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA 
EM MANHUAÇU MG
CAPÍTULO I V PRISÕES EM FLAGRANTE, EM DOMICÍLIO 
EM CASOS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E O PERFIL DO AGRESSOR 
CAPÍTULO V A REDE DE PROTEÇÃO À MULHER VÍTIMA DE 
VIOLÊNCIA DOMÉSTICA EM MANHUAÇU MG
SAIBA MAIS
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
REFERÊNCIAS
7
8
10
11
19
34
51
65
76
83
85
6 Q U E M S Ã O E L A S ?
Transpor o academicismo infrutífero e displicente aos problemas enfrentados pela sociedade, sob 
a perspectiva teórica ou empírica, é um dos grandes desafios das instituições de ensino e pesquisa 
no Brasil. O problema se agrava ainda mais na área jurídica, que insiste em uma “ciência” sem 
empiria, metodologicamente precária, com discussões teóricas ensaísticas ou sem sistematicidade. 
Encharcados de artigos sentenciais cuja base é a mera opinião e a ausência de pesquisa – do tipo “é 
inconstitucional ou não é” – boa parte dos “cientistas” ligados à área jurídica tem sido blasé em relação 
aos desafios vivenciados pelo Brasil, atendo-se à discussões fora de lugar com conceitos europeus 
sem tradução para pensar as instituições nacionais. Além da desconexão entre a produção científica 
aos problemas locais, há um tipo constante de “pesquisa jurídica de gabinete” que identifica objetos 
distantes e os manipula sem qualquer aproximação com o campo, seja por meio de etnografias, 
seja por meio de observação participante ou outro recurso metodológico, como acontece com as 
pesquisas jurídicas sobre etnias indígenas.
Na contramão deste tipo de pseudociência, este trabalho opera sob demanda social, cultural e 
econômica diagnosticada no âmbito da instituição de origem. A violência doméstica em Manhuaçu-
MG carecia de uma boa radiografia, ainda que relevantes projetos tenham sido criados e desenvolvidos 
na cidade, como o Chame a Frida e o Serviço de Prevenção à Violência Doméstica (PPVD), faz-se 
necessário produzir dados mais diversificados no espectro que envolve a violência doméstica, inclusive 
para acompanhamento e monitoramento dos próprios programas, públicos ou privados.
A Revista “Quem são elas?”, produzida pelos alunos do 4º período do curso de Direito do Centro 
Universitário UNIFACIG sob a supervisão da Professora Ana Rosa Campos, cuja trajetória na área 
da violência doméstica, da segurança pública e da cidadania é, nacional e internacionalmente, 
reconhecida, utiliza recursos metodológicos diversos em prol da compreensão de questões sensíveis 
à Manhuaçu. Foram levantados boletins de ocorrência e estabelecidos critérios objetivos para a 
definição do universo amostral. Tomou-se o cuidado estatístico em relação às variáveis classe, cor, 
sexo, faixa etária, bairro, entre outras.
Este t rabalho foi premiado pela instituição A Casa Elza e pela Controladoria do Estado de Minas 
Gerais, ao reconhecerem o projeto como prática eficaz na disseminação e democratização de dados e 
informações concretas sobre o problema em questão. O resultado evidencia um diagnóstico de como 
a violência doméstica opera, quais os seus interstícios e estratificações, mecanismos de perpetuação, 
perfis da vítima e do agressor, distribuição territorial e mapeamento institucional. Na verdade, esta 
produção fixa um marco nas pautas e agendas públicas enquanto uma espécie de anuário da violência 
doméstica da cidade, diante disso, faz-se necessária a discussão, inclusão da Revista nas instituições 
como um instrumento de transparência singular produzido em Manhuaçu.
Dr. Igor de Souza Rodrigues
Coordenador do curso de Direito UNIFACIG
PREFÁCIO
7 Q U E M S Ã O E L A S ?
INTRODUÇÃO
A Organização Mundial da Saúde (OMS) define a violência como o uso intencional da força ou poder 
em uma forma de ameaça ou efetivamente, contra si mesmo, outra pessoa, grupo ou comunidade, 
que pode ocasionar lesão, morte, dano psíquico, alterações do desenvolvimento ou privação (OMS, 
2002, online). Neste sentido, especificamente contra a mulher, a violência se constitui como um 
fenômeno social persistente, multiforme e articulado por facetas psicológica, moral e física, na qual, os 
atos praticados são formas de estabelecer uma relação de submissão (vítima) e de poder (agressor), 
implicando em situações de medo, isolamento, dependência e intimidação (BANDEIRA, 2014, p. 449-
469).
Segundo Bastos (2013, p.38), “o papel social da mulher foi construído ao longo dos anos, supedâneo em 
premissas deturpadas e discriminatórias, as quais se estranharam em nossa cultura como verdadeiros 
códigos de conduta, fazendo com que a mulher se resignou a obedecer: primeiro, à autoridade do 
pai; depois, à do marido”. Esta lógica reserva às mulheres apenas as funções domésticas e a geração 
e criação dos filhos, consideradas menos importantes para a sobrevivência do grupo. Dessa forma, 
ao decorrer do tempo, foi-se moldando o arquétipo do macho protetor e provedor, com poderes 
supremos sobre a família, características essenciais do homem, bônus pater familiar e romano (PORTO, 
2014, p. 14-15). O homem passou a entender o corpo e a vontade da mulher e dos filhos como sua 
propriedade, assim, foi consolidado o entendimento por parte da sociedade machista, que o homem 
possuía o direito de utilizar a força física para coagir a mulher quando necessário (DIAS, 2007, p. 16). 
Não obstante, ditados populares, repetidos de forma jocosa, absolveram a violência doméstica, tais 
como “em briga de marido e mulher ninguém mete a colher”, “ele pode não saber porque bate, mas 
ela sabe porque apanha”. Esses, entre outros ditos repetidos como brincadeira, sempre esconderam 
uma certa conivência da sociedade para com a violência doméstica (DIAS, 2007, p. 15). 
O sentimento de fragilidade e inferioridade perante o sexo masculino esteve muito presente no dia 
a dia das mulheres, tornando-as, assim, submissas aos seus companheiros. Com isso, as mulheres 
passaram a dependerconsta” e, no segundo, 6%. Outra questão a ser 
discutida é o indicador “Zona Rural”, estando 
em 5,2% em 2021 e 6% em 2022. Abre a linha de 
pensamento sobre o procedimento utilizado em 
áreas afastadas do centro urbano e como se dá 
o desenvolvimento do atendimento às mulheres 
que estão situadas nestes lugares. Os baixos 
índices de violência registrados na Zona Rural em 
Manhuaçu/MG são frutos de sua inexistência ou 
de eventual falta de denúncias? Para Lorenzoni, 
Rodrigues e Santos (2021, p.148) as mulheres que 
vivem no campo estão, tecnicamente, isoladas 
do restante da cidade:
Consideravelmente pequena, com população 
estimada em pouco mais 90 mil (IBGE, 2021, 
online) fica preocupantemente exposto que 
qualquer mulher está vulnerável a sofrer 
violência independentemente do local, seja 
ele rural ou urbano, dito isso notasse que é 
necessário o levante de políticas públicas que 
resultem na diminuição da violência urgente, 
visto que ela ocorre em todos os lugares, até nos 
menos esperados.
42 Q U E M S Ã O E L A S ?
III.I - OS FORMULÁRIOS DE AVALIAÇÃO DE RISCO
O Formulário Nacional de Avaliação de Risco é um dispositivo presente nos boletins de ocorrência que 
possuem como fim a prevenção de crimes de violência doméstica e a redução das consequências 
resultantes desses atos que violam os direitos humanos. (CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA, 2020, 
p.1-13). Instituído pela Resolução Conjunta n.o 5 de 03/03/2020, é amparado pela Lei No 14.149 de 5 de 
maio de 2021, que prevê em seu segundo artigo, parágrafo primeiro:
Dado o exposto, nota-se a imprescindibilidade de projetar os padrões que caracterizam as vítimas de 
violência doméstica em Manhuaçu/MG, uma vez que, para produção de políticas públicas que visam 
a proteção dessas mulheres e a prevenção de possíveis crimes, é necessário identificar as condições 
socioeconômicas vivenciadas por essa população, os fatores que desencadeiam sua vulnerabilidade 
e os métodos que serão eficazes no combate à violência doméstica.
O presente capítulo visou apresentar esse perfil e explorar diferentes perspectivas que influenciam 
a suscetibilidade feminina na cidade estudada. Desta maneira, ao definir esses parâmetros e 
desenvolver os contextos necessários, tem-se um melhor entendimento dos resultados obtidos.
Nesse sentido, como afirma a juíza Luciana Lopes Rocha, a violência contra mulher “é um fenômeno 
social complexo e multifatorial e requer um modelo sociológico de compreensão, que perpassa as 
esferas individual, relacional, comunitária e social”. Tendo em vista que o crime supracitado é uma 
das principais causas de morte no país, estipular medidas de redução se faz indubitável e urgente. 
(TJMG, 2022, ONLINE)
Os formulários são divididos em 2 partes (I e II, sendo a primeira parte preenchida pela vítima e 
a segunda pelo agente que atendeu a ocorrência) e subdivididas em blocos, como “histórico de 
violência” e “sobre o autor”. (CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA, 2020, p. 1-13). Como o presente artigo 
propõe traçar o perfil das mulheres que sofreram/sofrem violência doméstica, o enfoque será nos 
blocos III e IV, nomeados como “sobre você” e “outras informações importantes”, respectivamente.
Em 2021, nota-se um impasse: dos 53 boletins analisados, apenas 11 continham o Formulário de 
Risco, situação esta que entra em debate com a Resolução citada acima. Destes 11 boletins, seis 
vítimas preencheram o formulário, enquanto 1 se recusou e 4 não tiveram condições de preenchê-
lo. Por outro lado, em 2022, todos os 49 documentos estudados possuíam o Formulário, sendo que, 
destes, 38 aceitaram preencher, 5 recusaram-se e 7 não tiveram condições.
Ademais, as vítimas de violência doméstica não estão condicionadas apenas às relações conjugais 
com o agressor, portanto, a análise dos formulários se dividirá entre “I - Relações conjugais/
matrimoniais e II - relações familiares em geral”.
Art. 2o É instituído o Formulário Nacional de Avaliação de Risco para a prevenção e o 
enfrentamento de crimes e de demais atos de violência doméstica e familiar praticados 
contra a mulher, conforme modelo aprovado por ato normativo conjunto do Conselho 
Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público.
§ 1o O Formulário Nacional de Avaliação de Risco tem por objetivo identificar os fatores que 
indicam o risco de a mulher vir a sofrer qualquer forma de violência no âmbito das relações 
domésticas, para subsidiar a atuação dos órgãos de segurança pública, do Ministério 
Público, do Poder Judiciário e dos órgãos e das entidades da rede de proteção na gestão do 
risco identificado, devendo ser preservado, em qualquer hipótese, o sigilo das informações 
(BRASIL, 2006, online ).
43 Q U E M S Ã O E L A S ?
Em 2021 e em 2022 foi apurado que a maioria das 
mulheres atendidas em Manhuaçu/MG se separaram 
recentemente do agressor ou manifestaram intenção 
de se separar. Em vista destes dados, percebe-se que o 
término da relação com o homem autor do crime não 
fornece a certeza de que as agressões irão cessar ou 
de que serão evitadas. Diante dos casos de violência 
doméstica, a atitude dos órgãos públicos deve ser de 
instruir as mulheres e possibilitar meios de se livrar 
destes vínculos com segurança. (FÓRUM BRASILEIRO 
DE SEGURANÇA PÚBLICA, et. al., 2023, p.32-33).
Das cinco vítimas presentes nos Formulários 
em 2021, 2 possuíam filhos de outro 
relacionamento, enquanto 3 tinham filhos 
com o agressor. Em 2022, com maior número 
de dados a serem analisados, observa-se 
que 12 vítimas não eram mães, mas a maioria 
possuía filhos com o autor do crime. Nos 
últimos dois anos, nenhuma vítima possuía 
filho portador de deficiência.
44 Q U E M S Ã O E L A S ?
Das vítimas mães, em 2021, todas relataram que não viviam conflitos relacionados à guarda, pensão 
ou visita dos filhos. No outro ano, a maioria das mulheres mantiveram esta resposta, porém, com um 
aumento nos índices das que enfrentaram este impasse nas relações com o agressor. Prosseguindo 
com este tópico, tanto em 2021 quanto em 2022, percebe-se uma maioria significativa de mulheres 
que indicaram que seus filhos estavam presentes em situações de violência sofridas por elas.
45 Q U E M S Ã O E L A S ?
Nos últimos 2 anos, a maioria das vítimas 
que preencheram o Formulário relataram 
que seus filhos já presenciaram alguma 
violência sofrida pelas mães e que já 
sofreram violência durante a gravidez e 
pós-parto.
Das demais vítimas, em 2021, 4 
indicaram que não estiveram 
grávidas nos últimos 3 meses, 
enquanto 01 estava. Em 2022, 29 
não estavam grávidas ou estiveram 
grávidas e 05 se encontravam 
nestas condições.
46 Q U E M S Ã O E L A S ?
Em fase percebe-se que nos dois anos pesquisados, as agressões por motivo de insatisfação 
com uma nova relação foram relativamente baixas, tendo apenas 2% no ano de 2021 e 4,6% no 
ano de 2022.
47 Q U E M S Ã O E L A S ?
Levando em consideração que o Estado 
deve fornecer uma rede de proteção às 
mulheres vítimas de violência doméstica, é 
de suma importância apresentar os dados 
da situação da moradia das mulheres que 
sofreram a violência, o formulário de risco 
aponta que, 3% das vítimas moravam em 
casas particulares em 2021, percentual esse 
que cresce para 16% no ano de 2022, já as 
mulheres que moravam em residências 
alugadas em 2021 era de 2% crescendo para 
13% em 2022, é interessante demonstrar 
nesse estudo as mulheres que moram em 
casas cedidas ou de favor que no ano de 
2022 teve 4%, faz necessário ainda salientar 
mais uma vez que a falta de informação nos 
formulários de risco, dificultou o levante do 
percentual.
Foi levantado quanto a porcentagem 
de vítimas que teriam algum tipo de 
doença degenerativa, ou deficiência, e o 
resultado foi o seguinte, no ano de 2021 
apenas 2% das mulheres tinham algum 
tipo de doença, já no ano de 2022 o 
número cai para 1%.
48 Q U E M S Ã O E L A S ?
No tocante ao formulário de risco respondido pelas vítimas 
de manhuaçu, em 2021 4% das mulheres disseram que sim,se consideram dependentes financeiramente do agressor. Já 
em 2022 essa porcentagem sobe para 7%, porém em 2021 1% 
das mulheres responderam que não, porcentagem essa que 
cresce e vai para 27% em 2022.
Para as mulheres que, de alguma maneira, sofrem violência 
doméstica, mas mantêm suas relações por dependência 
financeira de seus maridos, foi idealizado por algumas cidades 
como Juiz de Fora (Lei nº 14.424) a criação de casas abrigos 
que acolhem essas mulheres que desejam sair da casa do 
agressor, mas não possuem condições.
Dito isso, é importante a presença da coleta de informação 
acerca das mulheres que aceitariam ir para essas casas abrigos, 
para que as políticas de segurança acolham todas as vítimas, 
retirando essas mulheres do ambiente no qual ocorreu a 
agressão.
No entanto, como constante no gráfico, as mulheres não 
estão muito abertas a essa opção, no ano de 2021 apenas 1% 
das mulheres responderam que aceitariam ir para essa “casa 
Abrigo” no ano de 2022 essa porcentagem cresce para 4%. 
consideravelmente pouco, referindo ao total de mulheres 
vítimas de dependência financeira do marido.
Em 2018 o Senado Federal 
publicou um relatório intitulado 
como “aprofundando o olhar 
sobre o enfrentamento à violência 
contra as mulheres”. Do relatório, 
alguma das conclusões foram 
que elas deixam de denunciar a 
agressão, principalmente, pelo 
medo de sofrerem mais violência 
e de não conseguirem sustentar a 
si ou aos seus filhos.
(KNOPFELMACHER; 
CAVALCANTI; PADUAN, 2021).
A condição econômica pode ser 
enquadrada como um desses 
elementos vulneráveis, pois “as 
desvantagens econômicas e 
sociais, quando relacionadas 
àquelas referentes a grupos 
populacionais, podem impor 
maiores desvantagens”. (CORTE 
IDH, 2021, p. 13)3.
49 Q U E M S Ã O E L A S ?
Nesse sentido, percebe-se a importância e a relevância dessa revista, visto que a mesma pontuou e 
irá pontuar importantíssimos pontos para o desenvolvimento dos órgãos de segurança pública que 
poderão identificar o perfil das vítimas, e suas falhas nas omissões de informação no momento do 
preenchimento dos boletins de ocorrência, bem como nos formulários de risco.
No tocante a esse capítulo, fica visível que apesar de algumas mulheres com perfis parecidos, 
nenhuma mulher está imune a sofrer violência doméstica, uma vez que o levantamento nos mostra 
desde vítimas graduadas a vítimas semianalfabetas, porém o capítulo percebe e indica os bairros 
com o maior índice de violência, a cor, a idade, a escolaridade, estado civil, a relação entre a vítima e 
o autor. O que ajudará o estado a diminuir a sua omissão em relação às mulheres que sofrem com o 
problema de "violência Doméstica” e necessitam de ajuda dos poderes da república.
50 Q U E M S Ã O E L A S ?
PRISÕES EM FLAGRANTE EM DOMICÍLIO EM CASOS 
DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E O PERFIL DO AGRESSOR
Ana Rosa Campos
Bárbara Rocha Moratti 
Vítor Oliveira Rubio Rodrigues
Karoline Maria Ferreira Cunha
CAPÍTULO 4
1
2
3
8
Graduanda em Direito pelo Centro Universitário UNIFACIG, karolinemariafcunha@gmail.com, https://lattes.
cnpq.br/4825020215812518.
Modus operandi/locução substantivo modo pelo qual um indivíduo ou uma organização desenvolve suas 
atividades ou opera. (fonte: Definições de Oxford Languages).
8
9
A violência doméstica é um tema complexo e delicado devido a sensibilidade que atinge todas 
as camadas da sociedade, sobretudo a sociedade patriarcal ainda majoritária no mundo todo. Se 
aprofundarmos no estudo de patriarcado e gênero, iremos nos deparar com distintas formas de 
manifestações e diversas instituições que sustentam a desigualdade fundamentada em sexo e 
gênero, operando, essencialmente, na submissão das mulheres e seu papel dentro do sistema de 
patriarcado. (MENDES, SORAIA; 2017, p.88).
Ao falar de violência precisamos dar rosto ao agente da agressão e, ainda, precisamos falar do modus 
operandi que eles possuem em sua maioria. Inicialmente, deve-se classificar a relação entre vítima 
e autor para identificar o começo do ciclo de violência. A presente pesquisa aponta que se tratam 
respectivamente de maridos, ex-namorados, companheiros atuais ou pessoas próximas como os 
filhos. Sendo assim, inegavelmente é feita a associação entre o agressor e a situação vulnerável que 
a vítima se encontra, uma vez que o agente se sente em posição de poder e logo o ciclo da violência 
começa a se desenvolver.
Os dados foram obtidos através do sistema da Polícia Civil de Minas Gerais e pode-se constatar que na 
cidade de Manhuaçu a principal relação entre autor e vítima se trata de ex-cônjuges, correspondendo 
a 38% dos boletins analisados. O agente pretende mostrar que o corpo e a vida da mulher são um 
território controlado por ele, a agressão e os abusos transformam o espaço da mulher em meio de 
comunicação entre disciplina e masculinidade (ANGÉLICO et al., 2014, p. 281-303).
9
51 Q U E M S Ã O E L A S ?
Tratando-se de agressores, não se 
aborda apenas a agressão, mas todas as 
razões sociais e culturais que orbitam no 
cenário da violência doméstica, em que, 
para os homens em geral a violência é 
algo condenável, mas para os agressores 
é um ato educativo (OLIVEIRA, GOMES, 
2011, p. 2401-2413)
Para a construção do perfil do agressor 
dentro da cidade de Manhuaçu/MG, terá 
partida tabulação da idade do agente 
nos anos de 2021 e 2022, tendo a maioria 
entre 30 a 35 anos, o que corresponde a 
21,5% dos boletins analisados.
52 Q U E M S Ã O E L A S ?
No que se trata a cútis/raça podemos articular 
acerca da teoria do criminoso nato do médico 
Cesare Lombroso, a qual ele defendia a ideia da 
predisposição biológica do indivíduo à conduta 
antissocial. Ainda nos dias atuais vemos que as 
pessoas tendem a creditar a pessoas pretas, 
pobres e periféricas a conduta criminosa, todavia, 
os dados analisados nos boletins de 2021 e 2022 
mostram que a massa é composta por pessoas 
que se declaram pardas, correspondendo a 43%, 
o que quebra a máxima social estigmatizada.
Tratam-se de informações importantes para o 
mapeamento, identificação e construção do perfil 
do agressor. Em 2021, foram 50 (94%) boletins a 
orientação sexual foi ignorada, posteriormente, 
em 2022, foram 43 (88%) ignorados. A respeito 
da identidade de gênero: em 2021 foram 15 
boletins constando “ignorado” e 38 como “não se 
aplica”, já em 2022, foram 14 boletins constando 
“ignorado”, e 35 como “não se aplica” sendo 
assim a pergunta sobre identidade de gênero 
não obteve resposta.
Ainda falando sobre o estigma, foi relevantemente 
observado lacunas no preenchimento de 
informações sobre o autor no boletim de 
ocorrência, dados importantes para a análise 
e desenvolvimento de políticas públicas como 
orientação sexual e identidade de gênero foram 
ignorados ou classificados como “não se aplica” 
devido às crenças culturais do responsável pela 
coleta da informação. Nesse aspecto técnico-
burocrático, gera-se um verdadeiro curto-
circuito na medida em que a ficha e os campos 
do boletim de ocorrência e demais relatórios 
passam a ser considerados apenas figurativos ou 
anódinos. 
Por outro lado, esse tipo de reação blasé à 
informação demonstra como, muitas vezes, os 
órgãos de controle oficiais são reféns de lógicas e 
julgamentos cujo próprio aguilhão é o combate.
53 Q U E M S Ã O E L A S ?
O nível de escolaridade e ocupação também 
costumam ser ignorados, nos boletins de 
2021, em 12 (22,6%) foram ignorados o nível de 
escolaridade, e a ocupação foi ignorada em 
20 (38%) boletins. No ano de 2022, o nível de 
escolaridade foi ignorado 16 vezes (32,6%), e a 
ocupação foi ignorada em 35 (71%), afetando 
diretamente no trabalho de prevenção e 
proteção das vítimas uma vez que não se tem 
conhecimento acerca do grau de instrução e 
perfil de trabalho do agente.
Desafortunadamente, a falta destes 
dados dificulta e pode comprometer a 
prevenção para coibir possíveis agentes 
dentro do seu grau de instrução, 
determinando a maneira da abordagem, 
bem como a ocupação para adaptaçãodo comportamento e linguagem do 
policial para com esses homens, sendo 
necessário identificar e neutralizar esses 
agressores. 
54 Q U E M S Ã O E L A S ?
Mandelbaum (2016, p. 422-430) descreve que, a violência doméstica está associada com a 
masculinidade, dominação e imposição, mas é preciso entender a gênese da ignorância e o epicentro 
desse comportamento, mapear a ocupação do agente é uma forma importantíssima de entender 
se existe uma co-dependência financeira da vítima, se tem a ver com dependência da vítima para 
prover a subsistência do agente, ou até mesmo se existe a violência patrimonial.
Durante o desenvolvimento dessa pesquisa, foram analisados dados a respeito do ato de violência, 
local que ocorre, como ocorre, quais os horários, os dias da semana, os instrumentos utilizados e se o 
agente estava sob efeito de álcool ou outras drogas, dessa maneira podemos trabalhar na prevenção 
através de patrulhamento, instrução e cuidado com as vítimas. Os dados analisados nos anos de 
2021 e 2022 em Manhuaçu/MG apontam que os principais tipos de violência são a psicológica e 
moral, correspondendo a 78% e 6% respectivamente. Richmond e outros (2008, p.368-377) afirmam 
que, a violência psicológica tende a ser tolerada, o que nos mostra que apesar dos altos índices de 
denúncias relativas a esse tipo de violência, ainda pouco se fala sobre ela.
55 Q U E M S Ã O E L A S ?
Fazendo uma análise a respeito do local onde ocorrem os atos de violência, constata-se que ela está, 
majoritariamente, dentro dos lares das vítimas, correspondendo a 75% dos casos e confirmando os 
dados a respeito da relação autor e vítima, reforçando a importância do trabalho do Patrulhamento 
de Prevenção à Violência Doméstica (PPVD), em muitas das vezes a vítima que faz a denúncia não 
tem o intuito de produzir o caráter punitivo ao agressor, mas de restituição da relação familiar sem 
violência, e é nesse momento que cabe o cuidado e sensibilidade com o acolhimento das vítimas 
que ainda sofrem com dependência emocional e até mesmo financeira do agressor.
56 Q U E M S Ã O E L A S ?
Os meios de agressão são os mais diversos, mas existem os de maior incidência começando pela 
verbal que é a mais relatada nos boletins de ocorrência dos anos de 2021 e 2022 de Manhuaçu/MG, 
que corresponde a 54%, seguido de aparelhos eletrônicos, que corresponde a 20,5%, e uso de arma 
branca como objetos cortantes (lâminas, navalhas), perfurocortantes (faca, garrafa de vidro quebrado, 
canivetes), contundentes (martelo, pedaço de pau, soqueira) e corto contundentes (machado, foice), 
que correspondem a 15,6%.
57 Q U E M S Ã O E L A S ?
A violência pode acontecer desde 
empurrões, espancamentos, ofensas morais, 
xingamentos e humilhações, queimaduras, 
violência sexual, uma vez que a vítima pode 
ser ameaçada a manter relação sexual com 
o parceiro mesmo contra sua vontade, e em 
todos esses casos, se a violência acontece 
dentro do ambiente familiar por uma relação 
desigual de poder entre homem e mulher 
é considerada violência doméstica sendo 
passível de denúncia e punição. Na tabulação 
feita nesta pesquisa, foi constatado que a 
violência psicológica é a maior praticada 
pelos agressores, representado em 2021 por 
81% e em 2022 por 75,5%.
Acerca dos dias da semana e horários, existe uma predominância diferente entre os anos de 2021 e 
2022, sendo em 2021 os dias da semana de maior incidência em Manhuaçu o sábado com cerca de 
26,4% da totalidade dos dados analisados, em seguida, a quarta-feira com cerca de 18,9% da totalidade 
dos dados, e posteriormente, a terça-feira que totalizou com 15,1%. Já em 2022, a maioria foi registrada 
no domingo apresentando 20,4% dos dados analisados, em seguida, a sexta-feira que apresentou 
18,4% dos casos e seguido da terça-feira que apresentou 16, 3%. Os horários foram estabelecidos a 
partir da madrugada (00:00:01 às 05:59:59), manhã (06:00:01 às 11:59:59), tarde (12:00:01 às 17:59:59), e 
noite (18:00:01 ás 23:59:59).Esses dados são de suma importância para se observar o modus operandi 
e a partir de aí estabelecer as medidas de proteção e prevenção enrustidas das políticas públicas 
que serão desenvolvidas pelo Estado.
58 Q U E M S Ã O E L A S ?
É necessário o enfoque nos endereços 
onde os autores residiam à época do 
crime, pois dessa maneira é possível 
relacionar o ambiente ao índice de 
criminalidade, elencar a respeito de ser 
um bairro periférico ou de alto padrão, 
entender as condições sob as quais 
os moradores residem e trabalham, 
relação de comércio, de bares, de 
pontos de tráfico de entorpecentes, 
pois a partir dessa análise micro é que 
se pode entender o funcionamento do 
macro e agir. No entanto, novamente 
nos deparamos com a falta dessa 
informação no boletim de ocorrência 
porque foram sumariamente ignorados 
pela autoridade policial, sendo 26% 
ignorado nos dois anos analisados 
(2021 e 2022), 7,8% em Vila Nova, 3,9% 
no bairro Santa Terezinha, 3% no bairro 
Sagrada Família, 2,9% nos bairros Santa 
Luzia, Matinha, Santana, Bom Pastor e 
Zona Rural, e 1,9 em Palmeiras e São 
Francisco de Assis.
59 Q U E M S Ã O E L A S ?
A análise sobre uso de substâncias feita na 
presente pesquisa apresenta que no ano de 
2021, 32% dos agressores estavam sob efeito 
de álcool, 13% sob efeito de drogas e 54% não 
foi informado, no ano de 2022, 24% fez uso 
de álcool, 8% fez uso de drogas e 65% não 
foi informado, sendo assim é demonstrado 
que o acesso e/ou uso nocivo de álcool e 
drogas interferem e se associam à violência 
de gênero, pois implicam na geração de 
comportamentos agressivos por parte do 
autor da violência. Ressalta - se ainda que os 
dados que apontam a não utilização de álcool 
ou drogas no momento do ato violento não 
exime a influência de tais substâncias quanto 
à situação de violência, visto que críticas ao 
hábito de consumo feitas pelas vítimas aos 
seus companheiros também são causas de 
discussões que podem levar a episódios de 
violência (D’OLIVEIRA et al., 2009, p. 299-311). 
Não obstante, é interessante a observação 
do estado civil dos agressores, que são 
comumente solteiros sendo eles 30%, e 
28% são casados no ano de 2021, no ano de 
2022, 30% são solteiros e 12% são casados, 
esse dado é importante para observar que 
geralmente esses homens passaram por 
diversos relacionamentos e assim é possível 
identificar se em todos eles houve a prática de 
violência doméstica, em comum ao estado 
civil foi identificado que os atos violentos 
foram praticados majoritariamente por 
indivíduos que não têm mais relações afetivas 
com as vítimas e entre as motivações para 
a violência destacam se o inconformismo 
com o fim da relação, ciúmes, dentre outros, 
estendendo inclusive a violência aos atuais 
parceiros, com ameaças, violência moral, 
física, entre outras.
60 Q U E M S Ã O E L A S ?
61 Q U E M S Ã O E L A S ?
Depois de discutido sobre o perfil do agressor, inicia-se a análise das prisões em flagrante em 
domicílio nos crimes de violência doméstica. Ainda que a máquina judiciária do Brasil seja lenta e 
possua diversos problemas sistemáticos, não se pode afirmar que ela é ineficiente, nas situações de 
violência doméstica se entende que a vítima corre risco iminente e não está com sua integridade 
física resguardada, por isso, a Polícia age no menor tempo hábil para retirar o agente do convívio 
social e garantir a segurança e o princípio constitucional da dignidade da pessoa humana à vítima.
Através dos canais de denúncia disponíveis a vítima, como o 190, 180, e, em Manhuaçu/MG, a vítima 
pode recorrer ao “Chame a Frida”, programa desenvolvido pela escrivã de polícia Ana Rosa Campos 
exclusivamente para atender vítimas de violência doméstica, em que a denúncia é feita através de 
um número de WhatsApp. Nos casos mais graves a polícia se desloca imediatamente com o intuito 
de atender a demanda da vítima e se necessário realizar a prisão em flagrante. A vítima também 
pode recorrer a Delegacia de Polícia, se assim preferir.Nos 102 boletins analisados por essa pesquisa, foram constatadas 16 prisões em flagrante, decorrentes 
de denúncia e ação rápida da Polícia para proteger a vida da vítima. Uma vez que a denúncia acontece 
e como previamente visto, a violência ocorre em sua maioria dentro da residência, as prisões em 
flagrante em domicílio são majoritárias.
O Supremo Tribunal Federal (STF) considerou válida a 
alteração promovida na Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) 
para permitir que, em casos excepcionais, a autoridade 
policial afaste o suposto agressor do domicílio ou do lugar 
de convivência quando for verificado risco à vida ou à 
integridade da mulher, mesmo sem autorização judicial 
prévia.” DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA E NECESSIDADE 
DE MEDIDAS EFICAZES PARA PREVENIR A VIOLÊNCIA 
CONTRA A MULHER. CONSTITUCIONALIDADE DE MEDIDA 
PROTETIVA DE URGÊNCIA CORRESPONDENTE AO 
AFASTAMENTO IMEDIATO DO AGRESSOR DO LOCAL DE 
CONVIVÊNCIA COM A OFENDIDA EXCEPCIONALMENTE 
SER CONCEDIDA POR DELEGADO DE POLÍCIA OU 
POLICIAL. IMPRESCINDIBILIDADE DE REFERENDO PELA 
AUTORIDADE JUDICIAL. LEGÍTIMA ATUAÇÃO DO APARATO 
DE SEGURANÇA PÚBLICA PARA RESGUARDAR DIREITOS 
DA VÍTIMA DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR. 
IMPROCEDÊNCIA. (ADI 6138, Órgão julgador: Tribunal Pleno, 
Relator: Ministro Alexandre de Moraes, Data de Julgamento: 
23/03/2022, Data de Publicação: 09/06/2022)
62 Q U E M S Ã O E L A S ?
A prisão em flagrante pode ser implementada pelo delegado de polícia, e na sua falta, pela 
autoridade policial, entretanto a prisão precisa ser remetida ao juiz no prazo de 24 horas para que o 
mesmo decida sobre a manutenção ou suspensão da mesma. O flagrante ocorre quando o agente 
coloca em iminente risco à vítima e seus dependentes, sendo necessário o imediato afastamento 
do agressor do local.
Para tanto, a reserva de jurisdição acontece quando, sem flagrante delito, a autoridade policial não pode 
dar entrada em qualquer domicílio sem autorização judicial, respeitando o princípio constitucional 
da inviolabilidade de domicílio. Nos casos de violência doméstica, a medida é excepcional. Por isso 
é sumamente importante a denúncia rápida para que haja celeridade no atendimento à mulher 
vitimada.
É necessário a atuação coletiva para interromper o ciclo da violência doméstica, para além da prisão 
em flagrante, a doutrina e a jurisprudência aceitam a medida protetiva da Lei Maria da Penha, que 
se trata de uma medida cautelar para proteger a vítima e seus dependentes, elas possuem tutela 
de urgência, e podem perdurar por todo o período de risco da vítima, e possuem diversas formas, 
como:
Lei 11.340, de 7 de agosto de 2006
Art. 22 Constatada a prática de violência doméstica e familiar contra 
a mulher, nos termos desta Lei, o juiz poderá aplicar, de imediato, 
ao agressor, em conjunto ou separadamente, as seguintes medidas 
protetivas de urgência, entre outras:
I - suspensão da posse ou restrição do porte de armas, com 
comunicação ao órgão competente, nos termos da Lei nº 10.826, de 22 
de dezembro de 2003;
II - afastamento do lar, domicílio ou local de convivência com a 
ofendida;
III - proibição de determinadas condutas, entre as quais:
a) aproximação da ofendida, de seus familiares e das testemunhas, 
fixando o limite mínimo de distância entre estes e o agressor;
b) contato com a ofendida, seus familiares e testemunhas por qualquer 
meio de comunicação;
c) freqüentação de determinados lugares a fim de preservar a 
integridade física e psicológica da ofendida;
IV - restrição ou suspensão de visitas aos dependentes menores, 
ouvida a equipe de atendimento multidisciplinar ou serviço similar;
V - prestação de alimentos provisionais ou provisórios.
VI – comparecimento do agressor a programas de recuperação e 
reeducação; e
VII – acompanhamento psicossocial do agressor, por meio de 
atendimento individual e/ou em grupo de apoio. (BRASIL, 2006, 
online).
63 Q U E M S Ã O E L A S ?
O ministro Alexandre de Moraes salientou que durante a pandemia 
aumentaram os casos de violência doméstica e nesse período, 24,4% 
das mulheres brasileiras com mais de 16 anos sofreram algum tipo 
de violência ou agressão, física ou psicológica. Segundo ele, 66% dos 
feminicídios ocorreram na casa da vítima e 3% na do agressor. Em 
97% dos casos, afirmou, não havia qualquer medida protetiva contra 
o agressor.” DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA E NECESSIDADE 
DE MEDIDAS EFICAZES PARA PREVENIR A VIOLÊNCIA CONTRA 
A MULHER. CONSTITUCIONALIDADE DE MEDIDA PROTETIVA DE 
URGÊNCIA CORRESPONDENTE AO AFASTAMENTO IMEDIATO 
DO AGRESSOR DO LOCAL DE CONVIVÊNCIA COM A OFENDIDA 
EXCEPCIONALMENTE SER CONCEDIDA POR DELEGADO DE 
POLÍCIA OU POLICIAL. IMPRESCINDIBILIDADE DE REFERENDO 
PELA AUTORIDADE JUDICIAL. LEGÍTIMA ATUAÇÃO DO APARATO 
DE SEGURANÇA PÚBLICA PARA RESGUARDAR DIREITOS DA 
VÍTIMA DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR. IMPROCEDÊNCIA. 
(ADI 6138, Órgão julgador: Tribunal Pleno, Relator: Ministro Alexandre 
de Moraes, Data de Julgamento: 23/03/2022, Data de Publicação: 
09/06/2022)
Nas pesquisas de Acosta e outros (2013, p. 547 - 555.) é descrito sobre um 
novo ciclo de violência, o que ocorre para além da vitimização, a eventual 
ineficácia da lei que não consegue fazer valer as medidas protetivas, dando 
origem a mais um crime, o de descumprimento de medida judicial. Mas tal 
advento possui respaldo na lei que tipifica o descumprimento ocasionando 
a detenção de 3 meses a 2 anos, para a garantia da integridade física da 
vítima.
Vale ressaltar que a lei também apresenta respaldo sobre o vínculo empregatício, uma vez que o juiz 
deverá assegurar que a mulher que estiver afastada do local do trabalho para garantir sua integridade 
física, psicológica e moral, tenha a manutenção do seu vínculo de trabalho por até 6 meses. Por fim, 
a presente pesquisa buscou mapear, desenvolver e destrinchar os perfis presentes dentro do ciclo 
de violência, e assim como entender o perfil da vítima, é importante entender o perfil do agressor 
para que haja a neutralização e que o Estado juntamente com os Órgãos de Segurança Pública, 
possam agir, proteger, prevenir, controlar e punir a todos os agressores, mas não se esquecendo 
da reeducação desses agentes para que ao retornarem para o convívio social, passem a ter um 
comportamento virtuoso e não mais propague o ciclo de violência e até mesmo possa ajudar na 
prevenção de novos crimes.
64 Q U E M S Ã O E L A S ?
A REDE DE PROTEÇÃO À MULHER VÍTIMA DE 
VIOLÊNCIA DOMÉSTICA EM MANHUAÇU/MG
Ana Rosa Campos
Bárbara Rocha Moratti 
Vítor Oliveira Rubio Rodrigues
Luisa Kele Dias Ponsiano
CAPÍTULO 5
1
2
3
10
Tendo em vista a necessidade de proteger, 
informar, orientar e acolher mulheres vítimas 
de violência doméstica, além de prevenir 
a recorrência dos crimes e principalmente, 
quebrar este ciclo, percebe-se a necessidade da 
implementação de políticas públicas eficazes 
que complementam a legislação e incentivam 
a criação de uma rede de proteção para essas 
mulheres, cuja finalidade é garantir todos os 
direitos à mulher vítima desta modalidade de 
violência, com a pretensão de formar uma teia 
composta por diversos órgãos e entidades 
que, ao se juntarem, oferecem todo suporte 
adequado para vítimas de violência doméstica 
(DELZIOVO, 2022, p. 24).
Destarte, para que mulheres em situação de 
violência sejam atendidas, existe a Rede de 
Atendimento que se divide em quatro principais 
setores, sendo eles a segurança pública, a 
justiça, a assistência social e a saúde (CÂMARA 
DOS DEPUTADOS, 2023, online). Tais setores são 
compostos por duas categorias principalmente, 
a Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica 
e a Rede de Atendimento às mulheres que se 
encontram em situação de violência. Assim, 
no que se tange à Rede de Atendimento, 
esta contempla todos os eixos de Política 
Nacional e consiste na atuação combinada 
entre as instituições, comunidade e os serviços 
prestados por serviços governamentais e 
não-governamentais, cujo o foco principal é 
desenvolver estratégias pontuais e eficazes 
para o enfrentamento,prevenção, construção 
e garantia dos direitos dessas mulheres e 
uma assistência qualificada para elas, além da 
responsabilização dos agressores (CÂMARA 
DOS DEPUTADOS, 2023, online).
Já a Rede de Atendimento se compõe pelo 
conjunto de serviços e ações de diversos setores 
que visam humanizar e trazer mais qualidade aos 
atendimentos dessas vítimas, identificar suas 
necessidades e principalmente, encaminhar e 
conduzi-las ao caminho mais adequado para 
esse enfrentamento, porém, esta refere-se 
apenas ao eixo da assistência e do atendimento, 
sendo adjacente a rede de enfrentamento 
(CÂMARA DOS DEPUTADOS, 2023, online).
Essa Rede de Atendimento é composta por 
serviços especializados que são os Centros e 
Núcleos de Atendimento à Mulher em Situação 
de Violência, Casas Abrigo, Casas de Acolhimento 
Provisórios, também conhecidas como Casas-
de-Passagem, Delegacias Especializadas de 
Atendimento à Mulher, Núcleos nas Defensorias 
Públicas, Promotorias Especializadas, Juizados 
Especiais de Violência Doméstica e Familiar 
contra a Mulher, Central de Atendimento à 
Mulher - 180, Ouvidoria da Mulher, Serviços de 
saúde voltados ao atendimento aos casos de 
violência sexual e doméstica (CÂMARA DOS 
DEPUTADOS, 2023, online). 
Graduanda em Direito pelo Centro Universitário UNIFACIG, vinculado ao grupo de Pesquisa 
Democracia,Cidadania e Estado de Direito, luisakeledp@gmail.com, http://lattes.cnpq.
10
65 Q U E M S Ã O E L A S ?
No município de Manhuaçu/MG, no âmbito do 
Serviço de Segurança Pública, a Polícia Civil 
atua de maneira pertinente no enfrentamento 
à violência doméstica e familiar contra 
mulheres através da Delegacia Especializada 
de Atendimento à Mulher (DEAM), que conta 
com o chatbot “CHAME A FRIDA”, em conjunto 
com Polícia Militar, através da Patrulha de 
Prevenção à Violência Doméstica (PPVD), além 
da participação do conselho tutelar nos casos 
que envolvem menores de idade.
Para além disso, no Brasil existem ainda os 
serviços não especializados, ou seja, ferramentas 
que não foram criadas exclusivamente para isso, 
mas que prestam esse atendimento à mulher, 
estes são serviços de atenção básica como 
hospitais, delegacias comuns, polícia militar, 
Centro de Referência de Assistência Social 
(CRAS), Centro de Referência Especializado 
de Assistência Social (CREAS) e Centros de 
Atenção Psicossocial (CAPS) (CÂMARA DOS 
DEPUTADOS, 2023, online).
Assim, mulheres que se encontram em 
situação de vulnerabilidade, podem buscar 
suporte no âmbito social, através do CRAS, 
CREAS e CAPS, cujo objetivo é disponibilizar 
apoio social e psicológico para as vítimas. Além 
desses suportes, o município de Manhuaçu/MG 
conta com o Serviço Municipal de Assistência 
Jurídica (SMAJ), popularmente conhecido como 
Defensoria Pública Municipal, e um Núcleo de 
Práticas Jurídicas, disponibilizado pelo Centro 
Universitário UNIFACIG, que em convênio 
com a PPVD, presta atendimento à vítimas de 
violência doméstica uma vez por semana no 11º 
Batalhão da Polícia Militar de Minas Gerais (11º 
BPMMG) (UNIFACIG, 2021, online).
V.I - REDE DE ENFRENTAMENTO - SERVIÇOS 
DE SEGURANÇA PÚBLICA
No que se refere aos serviços de segurança 
pública, estes que visam assegurar à população 
no que tange qualquer tipo de violência, além de 
garantir a ordem pública, há um entendimento 
de que se faz necessário a implementação 
de alguns serviços que compõem a rede de 
enfrentamento à violência doméstica, tais que 
apesar de não serem especializados, oferecem 
suporte para as mulheres que se tornam vítimas 
de violência, sendo eles: a Polícia Rodoviária 
Federal (PRF), o Instituto Médico Legal (IML), a 
Polícia Civil (PC), a Polícia Federal (PF), a Polícia 
Militar (PM) e os Bombeiros (DELZIOVO, p. 28, 
2022)
Além das instituições acima referidas, também 
deve ser disposto serviços especializados, como 
Núcleo/Posto/Seção de Atendimento à Mulher 
e especialmente a Delegacia Especializada de 
Atendimento à Mulher (DEAM). Os serviços 
especializados de atendimento à mulher, 
se definem como recursos direcionados ao 
atendimento específico para mulheres, sendo 
estes fundamentais para o enfrentamento e 
prevenção da violência doméstica (DELZIOVO, 
p. 28, 2022).
V.II (A) - SERVIÇOS NÃO ESPECIALIZADOS DE 
SEGURANÇA PÚBLICA
O município de Manhuaçu é instituído com 
uma rede de enfrentamento bem
estruturada na esfera da Segurança Pública. 
Está presente no município em questão no 
âmbito do enfrentamento não especializado, os 
seguintes serviços:
O Instituto Médico Legal (IML), que exerce 
uma função crucial no atendimento à mulher 
violentada. Participa de maneira fundamental na 
coleta de provas e é responsável por todo laudo 
pericial, principalmente em casos de vítimas 
violentadas física e/ou sexualmente, coleta 
essa que se torna uma importante e decisiva 
prova para o processo e para a condenação do 
agressor. (SENADO, 2011, p. 32)
A Polícia Civil (PC) e a Polícia Militar (PM), as 
delegacias comuns também possuem como 
dever prestar atendimento para mulheres que 
se encontram em situação de violência, além de 
encaminhá-las para os órgãos especializados. 
(SENADO, 2011, p. 32)
66 Q U E M S Ã O E L A S ?
O Corpo de Bombeiros Militar, também possui 
o dever legal de prestar atendimento para 
vítimas de violência doméstica, tendo em 
vista que constitui a rede de enfrentamento 
no setor da segurança pública. (DELZIOVO. 
2022, p. 25)
A Polícia Federal e a Polícia Rodoviária 
Federal, não se faz presente no município de 
Manhuaçu/MG, e levando em consideração 
que o município em questão, tem se 
expandido cada vez mais e de acordo com o 
censo demográfico do IBGE, produzido em 
2021, atualmente possui um total de 92.074 
habitantes, se faz necessária a instituição 
dos referidos serviços em Manhuaçu/MG. 
(IBGE. 2023, online)”
V.III - SERVIÇOS ESPECIALIZADOS DE 
SEGURANÇA PÚBLICA
O município de manhuaçu conta com 
serviços especializados de segurança pública 
de fiscalização e repressão, a saber:
V.III.I - DELEGACIA ESPECIALIZADA DE 
ATENDIMENTO À MULHER (DEAM)
A DEAM é uma divisão especializada dentro 
da Polícia Civil que visa atender mulheres 
que se encontram em situação de violência, 
conta com uma área de convívio social, 
sala de investigação, ambulatório e sala 
de acolhimento provisório para vítimas 
que não têm para onde ir. A sua atuação 
possui caráter preventivo e repressivo, 
ou seja, possui como objetivo principal 
prevenir e investigar os crimes cometidos 
que se enquadram como violência contra 
as mulheres, como também busca ser 
um ambiente acolhedor e aconchegante, 
para que as vítimas se sintam à vontade, 
esse fator auxilia significativamente na 
investigação, considerando que ao se sentir 
acolhida, protegida e confortável, a vítima 
tende a expressar-se de forma mais ampla 
e detalhada sobre o ocorrido. (DELZIOVO, 
2022, p. 28)
V. IV ENTENDA SEUS DIREITOS
Art. 22. Constatada a prática de violência doméstica 
e familiar contra a mulher, nos termos desta Lei, o 
juiz poderá aplicar, de imediato, ao agressor, em 
conjunto ou separadamente, as seguintes medidas 
protetivas de urgência, entre outras:
I - suspensão da posse ou restrição do porte de 
armas, com comunicação ao órgão competente, 
nos termos da Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 
2003;
II - afastamento do lar, domicílio ou local de 
convivência com ofendida;
III - determinação de determinadas condutas, entre 
as quais:
a) aproximar-se da ofensa, dos seus familiares e das 
testemunhas, fixando o limite mínimo de distância 
entre estes e o agressor;
b) contato com a ofensa, seus familiares e 
testemunhas por qualquer meio de comunicação;
c) frequência de determinados locais a fim de 
preservação da integridade física e psicológica da 
ofensa;
IV - restrição ou suspensão de visitas a dependentes 
menores, ou vida de equipe de atendimento 
multidisciplinar ou serviço similar;
V - fornecimento de alimentos provisórios ou 
provisórios.
VI – comparação do agressor a programas de 
recuperação e reeducação; e (Incluído pela Leinº 
13.984, de 2020)
VII – acompanhamento psicossocial do agressor, 
por meio de atendimento individual e/ou em grupo 
de apoio. (Incluído pela Lei nº 13.984, de 2020)
§ 1º As medidas referidas neste artigo não impedem 
a aplicação de outras disposições na legislação em 
vigor, sempre que a segurança da ofendida ou as 
circunstâncias o exigiam, devendo as disposições 
serem comunicadas ao Ministério Público.
§ 2º Nas hipóteses de aplicação do inciso I, 
encontrando-se o agressor nas disposições 
mencionadas no caput e incisos do art. 6º da Lei nº 
10.826, de 22 de dezembro de 2003, o juiz comunicará 
ao respectivo órgão, corporação ou instituição 
as medidas protetivas de urgência concedidas e 
determinará a restrição do porte de armas, ficando 
o superior imediato do agressor pelo cumprimento 
da determinação judicial , sob pena de cometer 
nos crimes de prevaricação ou de desobediência, 
conforme o caso.
67 Q U E M S Ã O E L A S ?
Outrossim, os artigos 23 e 24 da referida Lei 
dispõe sobre o amparo das ofendidas:
Art. 23. Escolha o juiz, quando necessário, sem 
prejuízo de outras medidas:
I - encaminhar a ofendida e seus dependentes a 
programa oficial ou comunitário de proteção ou 
de atendimento;
II - determinar a recondução da ofensa e dos 
seus dependentes ao respectivo domicílio, após 
afastamento do agressor;
III - determinar o afastamento da ofensa do lar, 
sem prejuízo dos direitos relativos a bens, guarda 
dos filhos e alimentos;
IV - determinar a separação de corpos.
V - determinar a matrícula dos dependentes 
da ofensa em instituição de ensino básico mais 
próxima do seu domicílio, ou a transferência 
deles para essa instituição, independentemente 
da existência de vaga. (Incluído pela Lei nº 13.882, 
de 2019)
Arte. 24. Para a proteção patrimonial dos bens da 
sociedade conjugal ou daqueles de propriedade 
particular da mulher, o juiz poderá determinar, 
liminarmente, as seguintes medidas, entre 
outras:
I - restituição de bens indevidamente subtraídos 
pelo agressor ofendido;
II - transferência temporária para a celebração de 
atos e contratos de compra, venda e transação 
de propriedade em comum, salvo autorização 
expressa judicial;
III - suspensão das procurações conferidas pela 
ofensa ao agressor;
as medidas protetivas de urgência serão concedidas 
em juízo de cognição sumária a partir do depoimento 
da ofendida perante a autoridade policial ou da 
apresentação de suas alegações escritas e poderão ser 
indeferidas no caso de avaliação pela autoridade de 
inexistência de risco à integridade física, psicológica, 
sexual, patrimonial ou moral da ofendida ou de seus 
dependentes. (BRASIL, 2023, online)
Art. 38-A. O juiz competente providenciará o registro 
da medida protetiva de urgência. 
Parágrafo único. As medidas protetivas de urgência 
serão, após sua concessão, imediatamente registradas 
em banco de dados mantido e regulamentado pelo 
Conselho Nacional de Justiça, garantido o acesso 
instantâneo do Ministério Público, da Defensoria 
Pública e dos órgãos de segurança pública e de 
assistência social, com vistas à fiscalização e à 
efetividade das medidas protetivas. (Redação dada 
Lei nº 14.310, de 2022) Vigência (BRASIL, 2023, online).
Nesse diapasão, as DEAMs funcionam nos termos 
da Lei Maria da Penha, nª 11.340, de 07 de agosto 
de 2006, a qual cria mecanismos para coibir a 
violência doméstica e familiar contra mulheres. Ao 
ser vítima de violência doméstica, a mulher deve 
se dirigir à delegacia mais próxima e registrar o 
Boletim de Ocorrência contra o autor do crime, e 
tão logo requerer a uma MPU. Para além disso, é 
importante salientar que após a alteração trazida 
pela Lei n° 14.550/23, seu 4º§ dispõe o seguinte: 
Assim, a vítima poderá solicitar a medida 
protetiva na delegacia, esta lhe será concedida 
independente da tipificação penal da violência, do 
ajuizamento de ação penal ou cível, da existência 
de inquérito policial ou do registro de boletim de 
ocorrência, assim como diz o Artigo 9º em seu § 
5º, da Lei nº 14.550/23 (BRASIL, 2023, online). 
Além do mais, a Lei Maria da Penha dispõe a 
respeito de procedimentos relativos a Medida 
Protetiva de Urgência, em seu Artigo 38, a 
legislação afirma o seguinte: 
68 Q U E M S Ã O E L A S ?
Em análise aos boletins de ocorrência (REDS), constatou-se a frequência com que as vítimas 
requerem Medidas Protetivas de Urgência. 
A análise do gráfico aponta que em 2021, a solicitação de MPU foi de 50,94% por parte das vítimas 
que registraram boletim de ocorrência, sendo que no ano de 2022 houve uma queda para 48,98%. 
Esses números refletem a necessidade do acesso à informação e do acesso a rede de apoio no 
enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher, haja vista que em muitas das 
vezes a vítima registra a ocorrência, e em quase 50% dos casos deixa de representar pelas medidas 
protetivas de urgência. Essa observação reflete diretamente na utilização dos recursos oferecidos 
para garantia do bem estar e da integridade da vítima e seus dependentes, se houver. 
69 Q U E M S Ã O E L A S ?
V. V SERVIÇOS EXCLUSIVOS DA DEAM DE 
MANHUAÇU/MG
Além de prestar os atendimentos padronizados 
e instituídos em todas as DEAMs, é estabelecido 
na DEAM do município de Manhuaçu, três 
serviços de extrema importância denominados 
como “Chame a Frida”, nomenclatura que 
homenageia a renomada pintora e ativista 
mexicana Frida Kahlo, o “Projeto Elzas”, que 
faz referência à cantora de MPB Elza Soares, 
que durante a vida, foi vítima de violência 
doméstica e, por fim, o projeto “Diálogos Sobre 
Masculinidades", o qual se trata de um grupo 
de reeducação e conscientização de homens 
envolvidos em casos de violência doméstica.
V. VI - CHAME A FRIDA
Chame a Frida é um chatbot1 integrado ao 
aplicativo WhatsApp, idealizado pela Escrivã de 
Polícia Ana Rosa Campos, atualmente lotada 
na DEAM da Comarca de Manhuaçu-MG, que 
em março de 2020 (durante a pandemia da 
Covid-19), percebeu que era necessário ampliar 
os meios de comunicação e formas de contato 
entre a Polícia Civil e as vítimas de violência 
doméstica, tanto pelo distanciamento social 
necessário em razão da Covid-19, quanto 
pela dificuldade de as mulheres da zona 
rural entrarem em contato com a Polícia 
Civil, dado o aumento dos casos de violência 
doméstica, levando em consideração que com 
o isolamento social, as mulheres passaram 
mais tempo em suas casas, muitas vezes 
em convívio com seus agressores (BUENO; 
LAGRECA, 2022, p. 65).
O “Chame a Frida” além de ser um canal de 
denúncia para vítimas que estão em situação 
de risco, ainda oferece às vítimas e a qualquer 
pessoa informações acerca dos tipos de 
violências que podem ocorrer no âmbito 
doméstico e familiar contra a mulher, logo, 
auxilia no processo de desenvolvimento da 
capacidade de identificá-la e denunciá-la.
A cidade de Manhuaçu possui um alto 
percentual de moradores na zona rural. Com 
isso, é de suma importância a difusão dos 
meios pelos quais as vítimas tenham acesso 
facilitado à polícia, além de protocolos de como 
agir em caso de violência e principalmente a 
possibilidade de se realizar denúncias (BUENO; 
LAGRECA, 2022, p. 67)
Projetos como o mencionado acima, 
mostram-se uma ferramenta imprescindível 
no enfrentamento da violência doméstica, 
visto que atualmente, cerca de 92% dos lares 
brasileiros contam com pelo menos um 
aparelho celular e que estes possuem acesso 
ao aplicativo de WhatsApp, este que, usado 
no dia a dia como um dos principais meios 
de comunicação. Logo, a implementação e 
divulgação de tais projetos contribui para que 
as vítimas possam realizar a denúncia mesmo 
sem precisar se deslocar até uma delegacia, e 
também, possibilitam com que a vítima tenha 
conhecimento de seus direitos e de que é 
amparada pela lei (IBGE, 2015, online).
 
WhatsApp é um software para smartphones utilizado para troca de 
mensagens de texto instantaneamente, além de vídeos, fotos e áudios 
através de uma conexão à internet. (fonte: significados.com.br)11
11
70 Q U E M S Ã O E L A S ?
Ao observar a situação a partir de uma 
perspectiva distinta e empática, o projeto 
que foi inicialmente implantado na Delegacia 
de Polícia Civil da cidade de Manhuaçu/MG, 
atualmente está presente em 50 municípios 
do estado de Minas Gerais, sendo eles em 
Alpercata, Barbacena, Betim, Bocaiúva, 
Brasília de Minas, Caratinga, Claro dos Poções, 
Coração de Jesus, Dores de Guanhães, 
Espinosa, Francisco Sá, Frei Inocêncio, 
Glaucilândia, Grão Mogol, Guanhães, Itabira, 
Itacambira, Itacarambi, Itaúna, Jaíba, Janaúba, 
Januária, Juatuba, Juiz de Fora, Juramento, 
Manga, Manhuaçu, Marilac, Matias Lobato, 
Mato Verde, Mirabela, Montalvânia, Monte 
Azul, Montes Claros, Ouro Preto, Paracatu, 
Periquito, Porteirinha, Ribeirão das Neves, 
Rio Pardo de Minas, Salinas, São Francisco, 
São Geraldo da Piedade, São João da Ponte, 
São João do Paraíso, São José da Safira, 
Senhora do Porto, Taiobeiras, Três Corações 
e Varzelândia (PCMG, online, 2023) 
O projeto “Chame a Frida” se tornou 
referência no âmbito da violência doméstica, 
vez que este colabora de forma efetiva no 
enfrentamento da violência, além de já 
ter recebido diversos prêmios nacionais e 
um prêmio internacional, totalizando nove 
prêmios, sendo eles:
PRÊMIO VIVA 2020 na categoria “Justiça 
e Segurança” (Prêmio nacional da revista 
“Marie Claire” e “Instituto Avon”)
1° lugar do “PRÊMIO INOVA 2020” (do governo 
de Minas Gerais)
1o Prêmio "Innovare" (do CNJ e demais órgãos 
da justiça)
Prêmio espírito público
Prêmio Juíza Patrícia Acioli de Direitos 
Humanos
Prêmio práticas INOVADORAS do Fórum 
Brasileiro de Segurança Pública
1° primeiro lugar no ENAP (escola nacional 
de administração pública).
Prêmio internacional alemão "The Creative 
Bureaucracy Festival"
4o lugar no Prêmio Empreendedorismo 
Feminino na Segurança Pública
(Associação dos Oficiais da Polícia Militar)
O projeto Chame a Frida pode ser entendido 
como uma forma prática para a Polícia 
Civil fornecer informações a respeito da Lei 
Maria da Penha e como um instrumento de 
interlocução entre a equipe da Polícia Civil e 
a PPVD. (BUENO; LAGRECA, 2022, p. 80).
V.VII - PROJETO ELZAS
O Projeto Elzas foi instituído no município 
de Manhuaçu/MG em março de 2021 e 
pode ser entendido como um núcleo de 
atendimento à mulher. Este projeto foi 
idealizado e teve sua fundação coordenada 
pela Delegada de Polícia Adline Ribeiro de 
Mello Rodrigues e pela Escrivã de Polícia Ana 
Rosa Campos. O projeto Elzas, visa acolher 
e prestar atendimento psicológico para as 
vítimas de violência doméstica da comarca 
de Manhuaçu/MG, realizando um papel 
primordial na quebra do ciclo da violência. O 
Projeto tem como lema, “acolher, entender, 
compartilhar”, e é um ambiente onde 
qualquer vítima de violência doméstica pode 
compartilhar suas experiências e participar 
das rodas de conversa. O atendimento é 
feito com estagiários do curso de psicologia 
e acontece às quartas e quintas-feiras das 
14h30 às 17h30 na DEAM de Manhuaçu/MG.
V.VIII - DIÁLOGOS SOBRE 
MASCULINIDADES
Diálogos sobre Masculinidades, projeto 
estruturado pela escrivã Ana Rosa Campos 
e pelas psicólogas Raiane F. Coelho e Sara 
Alves de Assis é um grupo de reeducação 
e conscientização para homens autores de 
violência doméstica. O projeto tem como 
objetivo geral possibilitar que os autores 
de violência repensem suas atitudes, 
desconstruam padrões problemáticos que 
foram aprendidos socialmente, reflitam e 
se informem a respeito do tema de cada 
encontro e, através das informações, vivências 
e diálogos realizados no grupo, sejam capazes 
de transformar seu comportamento através 
de pensamentos, emoções e atitudes mais 
assertivas.
71 Q U E M S Ã O E L A S ?
A conscientização é parte fundamental para 
que haja reflexão, arrependimento e, dessa 
forma, transformação. Se quisermos realmente 
avançar na discussão e mudar os números que 
temos hoje sobre violência contra mulheres e 
meninas, precisamos trazer os homens para os 
debates. O principal caminho para mudança 
de atitude é o diálogo. Assim, os objetivos 
específicos do grupo perpassam a informação 
sobre desigualdade de gênero, direitos e 
deveres entre homens e mulheres e os papéis 
que ambos desempenham atualmente na 
sociedade, para que, dessa forma, seja possível 
romper o ciclo da violência.
Os encontros acontecem semanalmente na 
Delegacia Especializada de Atendimento à 
Mulher de Manhuaçu/MG e são conduzidos 
pela psicóloga Raiane F. Coelho. Cada encontro 
possui um tema específico e tem a duração 
de 2h. No total, são realizados 10 encontros 
estruturados em: exposição do conteúdo; grupo 
reflexivo e debates/ encerramento. 
V.IV - POLÍCIA MILITAR - PATRULHA DE 
PREVENÇÃO À VIOLÊNCIA DOMÉSTICA 
(PPVD)
PPVD ou Patrulha de Prevenção à Violência 
Doméstica é um serviço instituído pela Polícia 
Militar em todo estado de Minas Gerais; a 
patrulha é obrigatoriamente formada por 
um Policial Militar masculino e uma Policial 
Militar feminina, tendo como principal objetivo, 
prevenir a ocorrência de crimes relacionados à 
violência doméstica e familiar contra a mulher. 
Nos casos de ocorrência do crime, tem a função 
de acolher e apoiar a mulher no menor tempo 
possível. (POLÍCIA MILITAR, online, 2023)
O serviço foi iniciado em Manhuaçu/MG, em 
fevereiro de 2021 e nesses dois anos de atuação 
obteve um resultado positivo e juntamente 
com a rede de proteção conseguiu alcançar um 
número significativo da diminuição da violência 
doméstica. (POLÍCIA MILITAR, online, 2023)
Como funciona?
O serviço de prevenção a Violência Doméstica, 
é fundamental no município de
Manhuaçu/MG, por a rede de proteção estar 
interligada e de certa forma se completar. Se 
uma vítima de violência doméstica registra 
um boletim de ocorrência através do Chame a 
Frida ou diretamente na polícia civil, a PPVD é 
comunicada e presta atendimento à vítima.
Em um primeiro momento, a vítima é atendida 
pelos policiais militares que estão em patrulha 
no momento do ato, isso é chamado de 
"primeira resposta". Como “segunda resposta”, 
após uma análise minuciosa do caso, a PPVD 
entra em contato com a vítima, explica sobre o 
programa e verifica o interesse e a necessidade 
da mesma ser acompanhada pela PPVD. A 
“segunda resposta” atua de maneira mais 
pertinente no processo de quebra de ciclo da 
violência. (PEREIRA, 2023)
Durante o acompanhamento, a vítima é 
orientada sobre seus direitos, sobre a Lei Maria 
da Penha, e em caso de necessidade, é instruída 
a buscar outros serviços que compõem a rede 
de apoio, como o SUS, CRAS, CREAS e/ou 
Assistência Social. O atendimento é adaptado 
de acordo com as necessidades da vítima.
72 Q U E M S Ã O E L A S ?
Ou seja, é incumbido ao Estado o dever de 
fornecer defesa gratuita para pessoas que se 
encontram em situação de hipossuficiência, 
englobando as mulheres vítimas de violência 
doméstica que precisam ter acesso à justiça 
Assim, considerando os boletins analisados, 
observou-se que o número de vítimas
atendidas somente pela PPVD em 2021 foi 
de 70%, já em 2022, este número reduziu-se 
para 40%, além disso, foi mostrado que 21% 
das mulheres foram atendidas por ambos 
serviços. Esses números apontam que cada 
vez mais as vítimas têm buscado por suporte, 
e que a rede de proteção a vítima de violência 
doméstica no município de Manhuaçu/MG 
tem se complementado de maneira concisa 
no enfrentamento a violência doméstica. O 
acesso automático aos boletins de ocorrência 
faz com que a PPVD consiga alcançar as 
vítimas que se encontram em situação de 
violência doméstica e vulnerabilidade.
V.X - JUDICIÁRIO
No que tange à esfera judicial, juntamente 
com os Serviços de Segurança Pública, a
rede visa colaborar com a responsabilização 
dos agressores para com seus atos. O direito 
de acesso à justiça para as mulheres é um 
componente essencial do Estado de Direito 
quando se trata de políticas públicas de 
igualdade de gênero (LIMA, 2022, p. 97)
A comarca de Manhuaçu atualmente não 
possui Juizado Especializadoem Violência 
A Defensoria Pública é instituição permanente, 
essencial à função jurisdicional do Estado, 
incumbindo-lhe, como expressão e instrumento 
do regime democrático, fundamentalmente, 
a orientação jurídica, a promoção dos direitos 
humanos e a defesa, em todos os graus, 
judicial e extrajudicial, dos direitos individuais 
e coletivos, de forma integral e gratuita, aos 
necessitados, na forma do inciso LXXIV do art. 5º 
desta Constituição Federal (Redação dada pela 
Emenda Constitucional nº 80, de 2014) (BRASIL, 
1988)
e não possuem condições de arcar com tal 
custo. Esse serviço está presente no município 
de Manhuaçu/MG, e se encontra na Rua Ulisses 
Calheiros de Araújo, 193 - Bom Pastor, Manhuaçu 
- MG. 
O Ministério Público possui um papel fundamental 
no acompanhamento da rede de atendimento 
às vítimas de violência doméstica, visto que é 
responsável pela fiscalização das violações dos 
direitos fundamentais, podendo exigir através 
de meios legais que o governo municipal e/ou 
estadual, fortaleça de maneira efetiva a criação 
de políticas públicas para o enfrentamento da 
violência doméstica. (SENADO, 2011, p. 27)
Especialmente no município de Manhuaçu/MG, é 
possível encontrar o Núcleo de Práticas Jurídicas 
do UNIFACIG, que em parceria com a PPVD, 
presta atendimento jurídico às vítimas de violência 
doméstica uma vez por semana, atendimentos 
esses, coordenados e acompanhados pela 
professora da instituição Me. Milena Temer. A 
parceria prevê o atendimento mensal na sala 
PPVD e essa parceria entre o UNIFACIG e a Polícia 
Militar visa garantir às mulheres atendimento para 
resolução de conflitos interpessoais nas questões 
cíveis com profissional habilitado na área.
V.XII - SERVIÇOS ESPECIALIZADOS
Dentro do campo dos serviços especializados 
destinados à justiça para mulheres vítimas de 
violência doméstica, pode-se encontrar, Juizados 
especializados de violência doméstica e familiar 
contra a mulher ou varas adaptadas de violência 
doméstica e familiar, Promotorias Especializadas 
além de Defensorias Especializadas. Esses serviços, 
se configuram como uma versão especializada 
para as vítimas, bem parecida com os serviços 
convencionais (SENADO, 2011, p. 52).
V. XIII - ASSISTÊNCIA SOCIAL - SERVIÇO NÃO 
ESPECIALIZADO
Os serviços não especializados de atendimento à 
mulher constituem, também, portas de entrada 
da mulher na rede e são essenciais para o 
enfrentamento à violência doméstica e familiar 
contra a mulher.
73 Q U E M S Ã O E L A S ?
V.XIII.I - CENTRO DE REFERÊNCIA DE 
ASSISTÊNCIA SOCIAL (CRAS)
O CRAS (Centro de Referência de Assistência 
Social), é um serviço disponibilizado pelo 
Governo Federal juntamente com a prefeitura, 
que visa oferecer assistência e proteger 
as famílias que se encontram em situação 
de vulnerabilidade, além de assegurar o 
serviço social promovendo a inclusão social 
(MINISTÉRIO DO ESPORTE, 2019, online).
Pode este servir como de porta de entrada 
para a mulher vitimada nos serviços de rede 
de apoio, visto que por acompanhar as famílias 
de perto, o CRAS pode ser capaz de identificar 
a violência doméstica, mesmo que a vítima 
não o tenha identificado, além de encaminhar 
as mulheres para os órgãos responsáveis pelo 
acompanhamento especializado. (SENADO. 
2011, p. 30)
V.XIV - SERVIÇOS ESPECIALIZADOS DE 
ASSISTÊNCIA SOCIAL
O Centro de Referência Especializado de 
Assistência Social é uma unidade pública da 
Assistência Social que atende pessoas que 
vivenciam situações de violações de direitos ou 
de violências. (GOV, 2023, online)
XIV.I - CENTRO DE REFERÊNCIA 
ESPECIALIZADO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL 
(CREAS)
O CREAS (Centro de Referência Especializado 
de Assistência Social), tem como objetivo 
atender famílias e indivíduos que se encontram 
em situação de risco social e/ou tiveram seus 
direitos violados. Deve prestar atendimento 
especializado e oferece serviços como 
abordagem social e oferece informações, 
orientação jurídica e apoio à família. É 
importante frisar, o acompanhamento 
minucioso feito pelo CREAS e a observação 
aproximada de cada caso. (MINISTÉRIO DO 
ESPORTE, 2019, online)
V. XV - CASA-ABRIGO
Apesar de todos os serviços da rede de apoio 
serem essenciais e colaborarem de forma 
produtiva com o enfrentamento à violência 
doméstica por oferecerem suporte às mulheres 
que se encontram em situação vulnerável, 
existe um vazio e uma lacuna a ser preenchida 
quando levado em consideração o seguinte 
questionamento: para onde vão as mulheres 
violentadas que são dependentes do marido 
economicamente?
Em alguns municípios do estado de Minas Gerais 
como Juiz de Fora e Governador Valadares, é 
possível encontrar as chamadas “casas abrigo”. 
A casa abrigo é um atendimento que oferta o 
serviço de acolhimento para mulheres, vítimas 
de violência doméstica que se encontram 
em situação vulnerável, bem como de seus 
dependentes.
Casa-abrigo pode ser definido como um lugar 
seguro que oferece moradia para as vítimas 
que se encontram em uma situação vulnerável 
ocasionada pela violência doméstica. O serviço 
é confidencial e de curta duração. Atende 
a vítima, até o momento em que a mesma 
consegue reunir condições necessárias para 
retomar suas trajetórias de vida. (SENADO, 2011, 
p. 28)
É um serviço de suma importância que 
ainda não está presente no município de 
Manhuaçu/MG. Colabora de forma efetiva no 
interrompimento da violência doméstica e se 
faz essencial no enfrentamento da mesma, 
visto que que muitas das vezes a vítima não 
têm para onde ir, e assim, pode por ausência de 
recursos permanecer em situação de violência.
De Acordo com BANDEIRA & MELO (2014) os dados da 
MUNIC/IBGE – Pesquisa de Informações Básicas Municipais 
(2009) apontaram no período, a existência de casa abrigo 
em 262 municípios, 475 Delegacias Especializadas de 
Atendimento à Mulher espalhadas em 397 cidades, 469 
municípios com Núcleos Especializados de Atendimento 
à Mulher nas Defensorias Públicas e 274 municípios com 
Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a 
Mulher. (MEDEIROS. 2018, p. 103)
74 Q U E M S Ã O E L A S ?
Cabe à Secretaria de Políticas para as Mulheres e pelos 
parceiros do Governo Federal no Pacto Nacional pelo 
Enfrentamento à Violência contra a Mulher, oferecer 
o mínimo de dignidade para essas mulheres, no ato 
de fornecer políticas públicas que visam a criação 
das casas abrigos e o fortalecimento da rede de 
atendimento à violência doméstica. (LIMA, 2022, p. 17)
V.XVI - SAÚDE (SERVIÇOS NÃO ESPECIALIZADOS)
No âmbito da saúde, temos serviços não especializados 
que prestam atendimento às vítimas, sendo eles 
Hospitais gerais (incluindo o Sistema Unificado de 
Saúde - SUS), Unidade de Pronto Atendimento e 
Unidades Básicas de Saúde (UBS), serviços esses 
que em caso de violência física e/ou sexual, estarão 
de prontidão para atender as vítimas. Todos esses 
serviços estão presentes no município de Manhuaçu. 
V.XVII - SERVIÇOS ESPECIALIZADOS
Em relação à saúde especializada para o atendimento 
à mulher violentada, temos o chamado “Serviço de 
atenção às pessoas em situação de violência sexual”, 
que conta com profissionais do SUS para atender as 
vítimas. É composto por atendimentos de assistência 
médica, enfermeiros, psicólogos e assistência social 
às mulheres vítimas de violência doméstica física e/
ou sexual, além de auxiliar na interrupção da gravidez 
em casos de estupro, como previsto no código penal 
brasileiro, em seu artigo 213 e 128 
O município de Manhuaçu/MG, não conta 
com tal serviço especializado, cabendo ao 
governo municipal, incentivar a criação 
de tal atendimento, visto que é dever do 
Estado fortalecer a rede de atendimento às 
vítimas de violência doméstica.
A violência doméstica e familiar contra a 
mulher é um problema sério e alarmante 
que afeta milhões de mulheres em todo o 
mundo. É fundamental que a sociedade 
como um todo se una no enfrentamento 
dessa forma de violência, promovendo 
a conscientização, a educação e a 
implementação de políticas eficazesde prevenção e proteção. Além disso, 
é necessário que as vítimas sejam 
encorajadas a denunciar os casos de 
violência, oferecendo-lhes o suporte 
necessário para romper o ciclo de abuso. 
Somente através de um esforço coletivo e 
contínuo será possível criar um ambiente 
seguro. Assim, entende-se a necessidade da 
criação de políticas públicas que colaborem 
de forma efetiva no funcionamento da 
rede, como a construção de casa-abrigo no 
município e defensorias especializadas para 
a proteção e auxílio das mulheres vítimas 
de violência doméstica no município de 
Manhuaçu/MG.
Art. 213. Constranger alguém, mediante violência ou 
grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou 
permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso: 
(Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009)
Pena - reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos. (Redação 
dada pela Lei nº 12.015, de 2009)
Art. 128 - Não se pune o aborto praticado por médico: 
(Vide ADPF 54) Aborto no caso de gravidez resultante 
de estupro
II - se a gravidez resulta de estupro e o aborto 
é precedido de consentimento da gestante ou, 
quando incapaz, de seu representante legal.
 
75 Q U E M S Ã O E L A S ?
SAIBA MAIS
ONDE REIVINDICAR SEUS 
DIREITOS NA CIDADE DE 
MANHUAÇU-MG
Procuradoria Especial da Mulher Câmara 
Municipal de Manhuaçu
e-mail:procuradoriadamulher@manhuacu.
mg.leg.br
Rua Hilda Vargas Leitão de Almeida, 141 - Alfa 
Sul, Manhuaçu - MG, CEP
36904-153
CHAME A FRIDA - Atendente virtual (chatbot)
DELEGACIA ESPECIALIZADA DE 
ATENDIMENTO À MULHER (DEAM) 
Avenida Melo Viana, 222, Bom Pastor, 
Manhuaçu-MG, CEP 36902-290.
Telefone: (31) 99410-0807 (Chame a Frida); (33) 
3331-1020 (DEAM)
CENTRAL DE ATENDIMENTO À MULHER
Telefone: 180
5a PROMOTORIA DE JUSTIÇA
Avenida Barão do Rio Branco, 94, Baixada, 
Manhuaçu-MG. Telefone: (33) 3332-1870/(33) 
3331-7286
PPVD - 11o BPM PMMG
Rua Sentinela do Caparaó, 01, São Jorge, 
Manhuaçu-MG.
DEFENSORIA PÚBLICA MUNICIPAL
Rua Ulisses Calheiros Araújo, 193, Bairro Bom 
Pastor, próximo ao Fórum, Manhuaçu-MG. 
Telefone: (33) 3331-2681
NÚCLEO DE PRÁTICAS JURÍDICAS - UNIFACIG
Av. Getúlio Vargas, 485 - Coqueiro, Manhuaçu - 
MG Telefone: (33) 3331-7000
CRAS
Rua Monsenhor Gonzalez, 498, Prédio do 
Centro Cultural, Centro, Manhuaçu-MG 
Telefone: (33) 3332-3800
CREAS
Rua Reverendo Antonio Godoy, 38, ao lado da 
3a Igreja Presbiteriana, Centro, Manhuaçu-MG.
Telefone: (33) 3332-3264.
CAPS
Rua Melin Abi Ackel, 600, Todos os Santos, 
Manhuaçu-MG. Telefone: (33) 33331-3655
Como funciona o acionamento do “CHAME 
A FRIDA”?
#ParaTodosVerem
O processo de atendimento virtual funciona da 
seguinte maneira: a vítima aciona a Frida com 
uma mensagem de texto através do número 
do aplicativo Whatsapp e recebe a seguinte 
mensagem:
76 Q U E M S Ã O E L A S ?
 Imagem 4: Conversa com a Frida
77 Q U E M S Ã O E L A S ?
Fonte: CASOTECA, FBSP, 
2021/2022
78 Q U E M S Ã O E L A S ?
Imagem 6: Conversa com a Frida
Fonte: CASOTECA, FBSP, 2021/2022
79 Q U E M S Ã O E L A S ?
Imagem 7: Conversa com a Frida
Fonte: CASOTECA, FBSP, 2021/2022
80 Q U E M S Ã O E L A S ?
 Imagem 8: Conversa com a frida
Fonte: CASOTECA, FBSP, 2021/2022
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Imagem 9: Conversa com a frida
Fonte: CASOTECA, FBSP, 2021/2022
82 Q U E M S Ã O E L A S ?
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Diante dos pontos apresentados neste trabalho, enaltece-se a importância do 
conhecimento, não só pela sociedade, mas principalmente pelas mulheres, acerca 
da violência doméstica e familiar contra meninas e mulheres, a qual ocorre todos 
dias e em diversos lugares, principalmente dentro do local que deveria ser seguro: o 
próprio lar. O mapeamento de dados da violência doméstica na cidade de Manhuaçu/
MG contribui não apenas para o conhecimento das vítimas, mas está diretamente 
relacionado à criação e implementação de políticas públicas que possam colaborar 
com o enfrentamento da violência doméstica no município. 
Mostrando o que seria a violência doméstica, suas nuances e as tragédias que traz 
para o corpo, mente e desenvolvimento das mulheres, além dos efeitos que tal mal 
gera para a sociedade, o trabalho ressaltou que também é dever de cada um repassar 
informações e lutar contra a influência patriarcal opressora que subjuga as mulheres. 
É dever de cada um desmistificar a ideia de que “em briga de marido e mulher não 
se mete a colher”, desmistificando vários jargões populares ultrapassados e de efeitos 
perversos.
Apontou-se também que a principal atuação do poder público precisa estar focada em 
proteger a vítima, afastando-a do perigo iminente. É preciso transcender os moldes 
tradicionais a fim de garantir os direitos das mulheres de forma efetiva. Para tanto, é 
necessária a aplicação e legitimação de leis que busquem a garantia dos direitos da 
mulher e do uso real dos programas destinados ao acolhimento e ressocialização dos 
agressores. 
Um ponto crítico percebido foi a dificuldade no levantamento de dados importantes e 
sensíveis para entender o fenômeno da violência doméstica, isso porque foi percebida 
a ausência do registro completo de informações nos boletins de ocorrência, tais como 
orientação sexual, escolaridade, profissão, dependência financeira e consumo de 
substâncias potencializadoras como álcool e drogas pelo agressor. Tais dados são de 
suma importância para fins de pesquisa e a falta deles acarreta um déficit que pode 
dificultar no fornecimento de estatísticas mais precisas e relevantes para a sociedade, 
especialmente para que sirvam de base para se avaliar projetos existentes e para a 
implementação de novas medidas de políticas públicas.
O ideal seria que os boletins de ocorrência fossem registrados com o preenchimento de 
todos os dados necessários e que os agentes responsáveis por tal preenchimento não 
desconsiderassem aquilo que julgam desnecessário ou irrelevante, já que assim poderia 
se garantir que estes dados chegassem ao poder público, evitando as chamadas “cifras 
ocultas”, posto que estes dados podem ser de grande diferença dentro da realidade 
de uma região, principalmente no que se refere a violência doméstica (fenômeno tão 
multifacetado, de contornos tão completos). 
 
83 Q U E M S Ã O E L A S ?
Ante o exposto, ressalta-se a necessidade de estudos como este, que trabalhem com um olhar 
mais apurado sobre a violência doméstica, vez que alimentam as estatísticas para o poder público, 
tanto em esfera federal, como estadual e municipal. Ainda mais, trabalhos como estes ajudam a 
conhecer e a entender as demandas sociais, o que possibilita a promoção de políticas públicas de 
enfrentamento a violência doméstica. O estudo pontuou as características das práticas criminosas, 
os perfis das vítimas e seus comportamentos, informações sobre os agressores, possibilitando um 
novo olhar sobre a violência doméstica em Manhuaçu e o que pode ser modificado, como por 
exemplo a criação de uma casa abrigo no município.
Existe em Manhuaçu a Procuradoria Especial da Mulher e espera-se que o presente trabalho sirva 
como guia para a articulação de novas políticas públicas ou revisão/aprimoramento dos programas já 
existentes, traçando novos caminhos para que todos os responsáveis atuem de maneira coordenada 
e em rede. 
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Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher; dispõe sobre a criação 
dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; altera o Código de Processo Penal, 
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homicídio, e o art. 1º da Lei nº 8.072, de 25 de julho de 1990, para incluir o feminicídio no rol dos crimes 
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files.wordpress.com/2017/06/2001-violencia-domc3a9stica-alyc-colombara-y-pelizzari-viii-egal.pdf.economicamente e emocionalmente de seus companheiros, admitindo as mais 
diversas manipulações e violências por parte de seus companheiros para manter a aparência de estar 
vivendo em um casamento perfeito.
Ana Rosa Campos
Bárbara Rocha Moratti 
Vítor Oliveira Rubio Rodrigues
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Mestre em Segurança pela Universidade do Estado de Minas Gerais, anarosacampos.arc@gmail.com, 
http://lattes.cnpq.br/2644507036369672.
Graduanda em Direito pelo Centro Universitário UNIFACIG, vinculada ao grupo de Pesquisa Direitos 
Fundamentais, barbaramoratti2014@gmail.com, http://lattes.cnpq.br/8364270609782589. 
Graduando em Direito pelo Centro Universitário UNIFACIG, vinculado ao grupo de Pesquisa Direitos 
Fundamentais, vitoroliveirarubio@gmail.com, http://lattes.cnpq.br/0507129925538189. 
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Diante desse contexto de violência, a Lei 11.340/06, conhecida como “Lei Maria da Penha” simboliza 
o fruto de uma exitosa articulação do movimento de mulheres brasileiras ao identificar um caso 
emblemático de violência contra a mulher e ao extrair as potencialidades do caso, pleiteando reformas 
legais e transformações de políticas públicas (PIOVESAN, 2014, p. 383). 
Dessarte, a Polícia Civil e a Delegacia da Mulher nas questões relacionadas à violência contra a mulher, 
possuem papéis relevantes, oferecendo serviços de escuta qualificada, acolhimento da vítima e, a partir 
da identificação da situação problema, trabalho social com a família da vítima e acompanhamento 
sistemático da situação. Por ser uma profissão operadora de direitos, um dos papéis desses profissionais 
é a orientação e informação sobre os direitos das mulheres, formando grupos para que as mulheres 
possam socializar suas experiências, melhorar a autoestima e seu papel na sociedade, além de atuar 
de maneira pontual na prevenção e repressão da violência doméstica. Logo, é importante atentar-se à 
formulação de políticas públicas que tragam presente o recorte de gênero. 
9 Q U E M S Ã O E L A S ?
A presente pesquisa tem como objetivo 
mapear a violência doméstica da cidade 
de Manhuaçu, Minas Gerais, identificando 
os fatores que levam a violência na 
cidade e o perfil da vítima e do agressor. 
Para tanto, será utilizada a abordagem 
quanti-qualitativa do banco de dados 
selecionado, na qual serão analisados os 
boletins de ocorrência da Delegacia da 
Mulher da cidade de Manhuaçu/MG, do 
período de janeiro de 2021 a dezembro de 
2022, por meio da plataforma do Sistema 
Integrado de Defesa Social (SIDS) para 
acesso ao Registro de Eventos de Defesa 
Social (REDS). Não obstante, constata-se 
que no ano de 2021 a delegacia da Mulher 
registrou 529 Boletins, enquanto no ano 
de 2022 registrou 485. O presente projeto 
utilizou uma análise por amostragem, na 
qual foram analisados 10% dos boletins de 
cada ano.
METODOLOGIA
10 Q U E M S Ã O E L A S ?
CAPÍTULO 1
SÃO MÃES, FILHAS, DONAS DE CASA, GUERREIRAS
Ana Rosa Campos
Bárbara Rocha Moratti 
Vítor Oliveira Rubio Rodrigues
Anderson Soares Ribeiro Filho
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A formação da família vem de uma 
visão patriarcal, na qual o homem possui 
responsabilidades financeiras e sociais para com 
a casa, assim, necessitando passar a imagem 
desse “ser principal”, logo, requerendo os seus 
direitos, como status, o homem, o “macho 
provedor”, engloba como o seu patrimônio o 
lar e todos que dependem de sua subsistência 
(RUZYK, 2005, p. 118-119). 
A influência patriarcal na sociedade, introduziu 
uma imagem social e política de alguém que 
provia e administrava o patrimônio familiar 
e, sendo assim, exercia a figura de líder 
autoproclamado, a razão e decisão sobre a 
casa, sobre os filhos, sobre a mulher, ou seja, 
centralizava a autoridade familiar e patrimonial 
no homem da casa (PESSOA, 1997, p. 23). Não 
obstante, esta lógica atribuiu à mulher o papel 
de submissa e dona de casa, vez que nas 
estruturas familiares, desde a mais tenra idade, 
ensinavam à mulher quais comportamentos 
deveriam ser adotados, até mesmo por meio 
de brincadeiras e lazer, reafirmando que ela 
deveria se casar e ficar com os cuidados da 
casa. Assim, o desenvolvimento da mulher 
foi voltado para suprir esse papel, cultivando 
virtudes para quando encontrassem um 
bom homem, baseados em suas aptidões e 
desenvolvimento econômico, se casar e formar 
uma família (RUZYK, 2005, p. 118-119).
Com efeito, ao decorrer do tempo, essa visão 
alimentada pela sociedade da objetificação 
e submissão da mulher trouxe um resultado 
à cultura ocidental, e, tal visão, colocava 
em xeque a utilidade da mulher nos papéis 
sociais, questionando o seu valor ético e 
moral, sociedade esta que, buscava a mulher 
“bela, recatada e do lar”. Contudo, essa visão 
romantizada de “família feliz” só ficava em 
aparências, visto que “a mulher sempre 
foi discriminada, desprezada, humilhada, 
coisificada, objetificada, monetarizada” (DIAS, 
2018, p. 35). 
Graduando em Direito pelo Centro Universitário UNIFACIG, vinculado ao grupo 
de Pesquisa Democracia,Cidadania e Estado de Direito,asrfilho@gmail.com, 
https://lattes.cnpq.br/9161119224445900. 
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11 Q U E M S Ã O E L A S ?
GRÁFICO 1: AFAZERES DOMÉSTICOS E CUIDADO DE PESSOAS EM 2018 - Fonte 
(IBGE,2018)
Almeida (2020, p. 22-23) explana que o sistema educacional reforçava a ideia 
de que o principal lugar da mulher no mundo era o lar, ao lado de seu marido, 
cuidando dos filhos e da casa, vez que a sociedade aceitava que a mulher 
exercesse apenas algumas profissões, sendo estas profissões consideradas 
como “menos prestigiadas”, como a enfermagem e o magistério (ALMEIDA, 
2020, p. 22-23).
A fim de garantir a submissão das mulheres em relação aos homens, eram 
usadas formas de violência mais sutis, que limitavam as mulheres aos cuidados 
da casa e dos filhos e para a procriação. Para tanto, Almeida (2020, p. 22-23) 
explana que “ainda que a emancipação feminina tenha ocorrido em várias 
esferas da sociedade, dados estatísticos comprovam que as mulheres ainda 
são as principais responsáveis pelos cuidados com a casa e com os filhos”. 
As afirmações de Almeida podem ser comprovadas pelo último censo realizado 
pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE em 2018: os dados 
refletem o esperado na sociedade patriarcal, ou seja, que a mulher negligencie 
suas próprias necessidades em prol das necessidades da família, conforme lhe 
ensinado desde a tenra idade. Vejamos o gráfico a seguir:
12 Q U E M S Ã O E L A S ?
Percebe-se que o quantitativo de horas semanais dedicadas pelas mulheres é praticamente superior 
ao dobro das horas de contribuição doméstica dos homens, outro dado importante é que quase 
todas as mulheres realizam trabalhos domésticos (93%) e esse número é ainda mais explícito quando 
elas estão em posição de cônjuge, chegando próximo aos 98% (IBGE, 2018, online). Outro dado 
importante de se ressaltar do gráfico do IBGE é que, mulheres ocupadas, ou seja, que trabalham 
fora de casa, realizam ainda mais trabalhos domésticos, isto devido a necessidade de manter a casa 
em ordem e por se tratar culturalmente de um dever feminino (IBGE, 2018, online).
Neste sentido, a ausência de qualificação profissional, a dinâmica familiar e os baixos rendimentos 
femininos contribuíram para que o homem tivesse o sentimento de posse em relação à mulher, 
gerando um sentimento que legitima a prática da violência (BIANCHINI, 2022, p.20). As mulheres 
visavam assegurar igualdade de acesso aos recursos econômicos, incluindo a terra, o crédito, a ciência, 
a tecnologia, a capacitação profissional, a informação, a comunicação e os mercados, como meio de 
promover o avanço e o fortalecimento das mulheres e meninas, inclusive através da promoção de 
sua capacidade de exercer os benefícios do acesso igualitário a estes recursos, para o que se recorre, 
dentre outras coisas, à cooperação internacional (TROMBKA, 2015, p. 95).
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TROMBKA, Ilana. Mulher. Brasília: Secretaria de Editoração e Publicações, 2015.
90 Q U E M S Ã O E L A S ?por um lugar de independência, de assegurar de seus valores, questionando 
o que lhe era imposto, principalmente porque a sociedade já vinha sinalizando que seu trabalho não 
mudaria a divisão no âmbito familiar e muito menos diminuiria a opressão e violência que sempre 
sofreu em seu lar.
Desse modo, criou-se um desequilíbrio no poder desempenhado pelo homem e pela mulher, haja 
vista que foi imposta uma hierarquia autoritária à mulher desde o seu nascimento, primeiramente 
por seus pais e, posteriormente, pelo homem escolhido para o casamento. Assim, o homem teve 
e sentiu a autoridade legitimada, validada para realizar as violências, que começam com simples 
xingamentos e desmoralização e, por vezes, passavam de forma rápida e discriminada para as 
agressões físicas e psicológicas (BIANCHINI, 2022, p.20). 
13 Q U E M S Ã O E L A S ?
Tais abusos sobrevêm à mulher com o pressuposto de obrigação: caso ela não corresponda a essa 
expectativa, então, que seja punida - o que normalmente ocorre de todas as formas no âmbito 
familiar, por menor que seja o vínculo para com a mulher, não sendo necessariamente uma agressão 
direcionada pelo marido, mas também de outros familiares e até mesmo pelos filhos. O uso da 
violência social chegou ao ponto em que o homem já não detém mais o controle de suas práticas, 
levando à inércia da mulher, subjugada em tais situações “rotineiras” (BIANCHINI, 2022, p.20). 
Violências essas vezes, se abster diante desta situação, marcadas pelas agressões, que geralmente 
começavam com simples palavras de desafetos, utilizadas com o intuito de desmoralizar, diminuir, 
de fragilizar, de “mostrar o seu devido lugar” (BIANCHINI, 2022, p.20).
A luta pelos direitos das mulheres é uma busca pelos direitos humanos, resguardados inclusive 
pela constituição. Essa busca pela harmonia vem da vontade em viver com os mesmos direitos e 
responsabilidades no ambiente familiar, igualdade de alternativas e recursos, fundamentais para seu 
próprio bem-estar e de suas famílias, como também para a consolidação da democracia (TROMBKA, 
2015, p. 91). Assim, a busca por um lugar que valorizasse a força e os desejos das mulheres levou a 
uma reestruturação que segundo DIAS (2013, p.102):
Ainda que lenta, a emancipação 
jurídica da mulher forçou o declínio da 
sociedade conjugal patriarcal. (...) Hoje 
a mulher, na plenitude de sua condição 
feminina, é parte fundante da estrutura 
social e passou a exercer funções 
relevantes para sua emancipação 
pessoal e profissional, para a sociedade 
e para a família.
14 Q U E M S Ã O E L A S ?
Por conseguinte, toda estrutura familiar, antes 
patriarcal, autoritária e machista, verte-se numa 
luta por direitos igualitários, com a mulher 
tomando suas decisões: se quer ser dona de 
casa ou trabalhar fora, dado a sua emancipação 
profissional, com o direito de fazer suas escolhas 
dentro e fora de casa, sendo independente 
(DIAS, 2013, p.102). A busca pela igualdade possui 
diversas barreiras, e uma delas é entender as 
diferenças entre homem e mulher: a mulher 
não quer tratamento privilegiado, mas sim que 
suas diferenças físicas, hormonais e históricas, 
sejam levadas em consideração, para que 
continuem abrindo espaço na sociedade, essas 
diferenciações precisam ser tratadas dentro do 
princípio de igualdade, e que essa igualdade não 
esteja apenas na formalidade, mas também, na 
aplicabilidade da lei (DIAS, 2013, p.103).
A Convenção Interamericana para Prevenir, 
Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher – 
Convenção de Belém do Pará –, ratificada pelo 
Brasil em 27 de novembro 1995, promulgada 
pelo Decreto nº 1.973/1996, caracteriza 
violência de gênero como ofensa à dignidade 
humana e manifestação das relações de poder 
historicamente desiguais entre mulheres e 
homens”, características essas debatidas e 
apresentadas por diversos doutrinadores, em 
que a violência, em todos os seus aspectos 
atacam diretamente princípios importantes 
como o da dignidade da pessoa humana e o da 
liberdade (BRASIL, 1996, online).
Deste modo, a violação dos princípios de 
igualdade dado pela descriminação de gênero 
sobre a mulher também fere outro princípio, 
que é o da dignidade da pessoa humana, uma 
vez que, a mulher que é objetificada, perde seu 
poder de opinião, de expressar seus valores e 
ideais e de produzir, dificultando sua produção, 
seja no lar ou perante a sociedade, precisando 
competir de maneira desigual com os homens, 
que as oprimem por julgá-las serem mais 
fracas, pelas características de submissão 
previamente estabelecidas, obstruindo assim 
o seu bem-estar não só com a sociedade mas 
também em seu ambiente familiar. (TROMBKA, 
2015, p. 134).
Neste sentido, visando coibir as práticas de 
violência contra a Mulher, criou-se em 2022 o 
Decreto n° 4.377, que promulgava a Convenção 
para Eliminação de todas as Formas de 
Discriminação contra a Mulher, a CEDAW, 
adotada pela Assembleia Geral da ONU em 18 
de dezembro de 1979, e ratificada pelo Brasil em 
01 de fevereiro de 1984 aborda essa violência 
com um nome diferente, buscando por um 
novo entendimento, conhecido como violência 
de gênero. 
No ano de 2017 o Comitê CEDAW elaborou a 
Recomendação Geral 35 (e que, por sua vez, 
atualiza a Recomendação Geral 19, de 1992), 
este que por sua vez, já possuía o foco voltado 
a violência de gêneros, buscando apresentar 
a diferença que necessitava de existir no 
tratamento de certas violências, na qual o foco 
era a vítima mulher. Nela, a expressão “violência 
de gênero contra as mulheres" é usada como 
um termo mais preciso, que torna explícitas 
as causas que se baseiam no gênero, como o 
abuso que o homem tem para com a mulher, 
desrespeitando suas características naturais 
diversas, e como e os impactos da violência 
tem repercussão na vida das vidas, trazendo 
marcas, traumas e inseguranças (BRASIL, 2002, 
online). Essa realidade é refletida nos números 
por trás das violências contra a mulher, que 
segundo o Ministério dos Direitos Humanos e 
da Cidadania (2020, online): 
 
A violência doméstica e familiar é a 
principal causa de feminicídio no Brasil 
e no mundo. Trata-se da violência que 
mata, agride ou lesa a mulher. Esse tipo de 
violência pode ser cometido por qualquer 
pessoa, inclusive por outra mulher, que 
tenha uma relação familiar ou afetiva com a 
vítima. Com isso, os agressores geralmente 
moram na mesma casa que a mulher em 
situação de violência. Pode ser o marido, o 
companheiro, pai, mãe, tia, filho…
15 Q U E M S Ã O E L A S ?
instrumento social de imposição à mulher 
de um papel social de submissão e 
obediência; marcada pela sedimentação 
de relações de poder; manifestação da 
distribuição historicamente desigual de 
poder nas relações sociais entre homem e 
mulher; instrumento de opressão. 
Logo, vê-se que a violência doméstica é algo que acontece em todos os planos da relação familiar, 
sejam verticais (ascendentes e descendentes), quanto horizontais (como irmãos, primos), que deturpa 
a imagem de lar, de local seguro e afeto, sendo este apenas o estopim para a tragédia, o feminicídio, 
o ápice do descontrole familiar, gerado pela tentativa do domínio sobre alguém que é objetificado e 
controlado como parte da casa, como pertence de alguém.
Segundo a Lei n° 11.340, conhecida como Lei Maria da Penha, em seu art 7º, a violência doméstica 
é subdivida em cinco tipos: “violência física, psicológica, sexual, patrimonial e moral’’. Sendo assim, 
percebe-se que as violências contra a mulher são praticadas de diversas formas, até mesmo 
através de “brincadeiras”, que para a sociedade soam como algo inofensivas, mas para as mulheres 
geram impactos e marcas em sua moral e em seu psicológico. Além disso, criam sentimentos de 
incapacidade, inutilidade e objetificação. Então, frases de cunho aparentemente inofensivos como 
‘’lugar de mulher é na cozinha’’, ou ‘’mulher no volante perigo constante’’, “mulher não faz nada 
direito”, precisam ser entendidas como violência, que trazem malefícios paraa mulher em seu 
lar e para a sociedade (BRASIL, 2006, online). Segundo Bianchini (2022, p.23), em sua análise em 
processos penais, constatou que os agressores tinham alguns pensamentos acerca do crime que 
haviam cometido, eles os entendiam como: 
16 Q U E M S Ã O E L A S ?
Deste modo, percebe-se que todo aquele contexto que dominação e submissão na relação tem um 
efeito forte e determinado que cria uma sensação de legitimação dos atos, baseado na segurança 
que o agente tem em relação à sociedade, acreditando que ela o apoiará, uma vez que a mulher é, 
por ele, considerada de sua posse e que ninguém "deve meter a colher". 
Bianchini (2016, p.218) destaca que “não é mais suficiente um direito penal supostamente neutro 
em termos de gênero, assim substituído pela criminalização gênero-específica”. Declarando a 
necessidade da elaboração de leis penais contra um gênero específico, no caso, o feminino, devido 
ao grande número de acontecimentos, que se repetem contra a mulher, dando assertividade à 
importância de se legislar em prol da defesa de um lado que está fragilizado perante a lei, em que as 
vigências atuais não cerceiam o agressor, de modo a evitar o cometimento de crimes contra alguém 
que julgam ser “mais frágeis”.
Violência de gênero contra as mulheres é um termo usado com mais precisão, que torna explícitas 
as causas que se baseiam em gênero, suas diferenças e seus impactos. Essa expressão fortalece a 
compreensão dessa violência como um problema social e não apenas individual, que mostra que 
um grupo está sendo lesado em relação a outro, quando apenas a igualdade não é o suficiente 
para equilibrar os dois lados, requerendo respostas abrangentes, para além de eventos específicos, 
buscando o tratamento para os agressores individuais e também para as vítimas/sobreviventes, 
buscando evitar novas reincidências e tão pouco a aceitação destes atos como algo “normal” 
(BIANCHINI, 2022, p.29-30).
Acerca da Lei Maria da Penha, Sanches (2008) pondera que: “foi um marco legal importante para a 
proteção das mulheres vítimas de violência doméstica". No entanto, Sanches também adverte que 
ainda há desafios a serem enfrentados, ainda há aquelas lacunas socioculturais a serem transpassadas, 
como também a falta de estrutura adequada para a implementação da lei e a necessidade de 
conscientização da sociedade sobre a gravidade da violência doméstica (SANCHES, 2008, p.21)
A Lei Maria da Penha representa um grande marco, um avanço na proteção dos direitos das mulheres, 
principalmente contra a violência doméstica, mas a sua efetividade depende não apenas da sua 
aplicação e implementação, mas também de uma mudança sociocultural que enfrente as raízes 
desse problema patriarcalista, para que nunca se normalize novamente a taxação, objetificação e o 
menosprezo com a mulher, para que elas tenham voz para serem acreditadas em suas denúncias e 
principalmente amparadas em seu momento de dificuldades (SANCHES, 2008, p.21).
 
17 Q U E M S Ã O E L A S ?
A Lei Maria da Penha representa um grande 
marco, um avanço na proteção dos direitos das 
mulheres, principalmente contra a violência 
doméstica, mas a sua efetividade depende não 
apenas da sua aplicação e implementação, mas 
também de uma mudança sociocultural que 
enfrente as raízes desse problema patriarcalista, 
para que nunca se normalize novamente a 
taxação, objetificação e o menosprezo com 
a mulher, para que elas tenham voz para 
serem acreditadas em suas denúncias e 
principalmente amparadas em seus momentos 
de dificuldades (SANCHES, 2008, p.21). 
O feminicídio era até há pouco tempo 
considerado, não só pela sociedade, mas 
também por boa parte da doutrina e da 
jurisprudência, equivocadamente como 
um “crime passional”, ou seja, praticado em 
contexto de sentimentos de amor e paixão, por 
um furor do momento levado pela emoção, o 
feminicídio passou a fazer parte da legislação 
penal brasileira somente no ano de 2015, mesmo 
sendo evidente o fato de que se trata da maior 
causa de mortes violentas femininas em todo o 
mundo, conforme confirmam há anos coletas 
de dados e produção de estatísticas pela 
OMS e pelos Ministério dos Direitos Humanos 
(BIANCHINI, 2022, p.329).
Desde que se começou a falar da necessidade 
de uma “Lei do Feminicídio” no Brasil, fez-se 
constante a seguinte indagação: “por que a lei 
penal deveria diferenciar homicídios quando 
se trata de vítima homem ou mulher?” Essa é 
uma questão que ainda inquieta integrantes da 
comunidade em geral e doutrinadores na área 
jurídica, quando chocados contra o princípio de 
igualdade, mas como abordado anteriormente, 
vê-se a necessidade de compreender as 
limitações da diferença de gênero e também a 
frequência em que ocorre o feminicídio no país, 
precisando este uma atenção maior voltada 
para seu cerceamento (BIANCHINI. 2022, p.331).
O legislador optou pela criação do feminicídio, 
ao qualificar o homicídio, ou seja, agravando o 
crime de matar alguém, quando a vítima é uma 
mulher, enumerando as três situações em que 
o crime cometido contra a mulher por razões 
de condição de ser do sexo feminino, sendo 
segundo o Código Penal (art. 121, § 2º-A, incluído 
pela Lei nº 13.104/2015): “(i) violência doméstica 
e familiar, (ii) menosprezo ou (iii) discriminação 
à condição de mulher”. Bianchini disserta que 
o crime de homicídio contra a mulher nestes 
casos citados, sempre foi considerado como 
uma espécie de homicídio qualificado, porém 
levado de maneira simbólica, caracterizada 
como “motivo torpe”, mais uma vez ignorando 
o princípio da dignidade da pessoa humana 
(BIANCHINI. 2022, p.331-332).
Por fim, as orientações relacionadas à estudos, 
aos assuntos citados, que serão usados para o 
favorecimento de penalidades em relação ao 
crime contra mulheres, devem levar em conta 
históricos de minimização de gênero por conta 
do direito penal, para que o legislador possa 
elaborar leis considerando todo o processo 
que as mulheres precisaram passar para 
conseguir sua liberdade do sistema patriarcal 
e das amarras impostas pela sociedade 
como empregadas de suas próprias casas, 
principalmente de suas vielas emocionais 
marcadas por constantes agressões físicas e 
emocionais por “insubordinação”, buscando 
elaborar leis que tragam a devida proteção às 
mulheres (BIANCHINI, 2022, p.20).
Infere-se, portanto, que para combater a 
violência doméstica é necessário um conjunto 
de ações que envolvam a educação, a 
conscientização, o apoio psicológico e social às 
vítimas, além da reeducação dos agressores, 
para que estes possam perceber que suas 
ações não são legitimadas pelo Estado nem 
pela sociedade. É necessária a atuação forte 
do Estado, com a criação de políticas públicas 
efetivas, a ampliação do acesso à justiça e 
o fortalecimento do sistema de proteção à 
mulher, desenvolvendo casas de apoio, onde 
mulheres podem se restabelecer e continuar 
de um novo ponto de partida (SANCHES, 2008, 
p.22).
18 Q U E M S Ã O E L A S ?
Graduanda em Direito pelo Centro Universitário UNIFACIG, vinculado ao grupo de Pesquisa 
Democracia, Cidadania e Estado de Direito, mariajuliamaximiano32@gmail.com, 
http://lattes.cnpq.br/7237841299984821.
CAPÍTULO II - FATORES QUE CONTRIBUEM PARA A 
VIOLÊNCIA DOMÉSTICA EM MANHUAÇU - MG
 Ana Rosa Campos
Bárbara Rocha Moratti 
Vítor Oliveira Rubio Rodrigues
 Maria Julia Maximiano de Souza
CAPÍTULO 2
Situada na Zona da Mata mineira, a cidade 
de Manhuaçu passa a ser objeto do presente 
estudo. A esse respeito, cabe ressaltar 
que a cidade em análise tem por principal 
atividade econômica a cafeicultura, é polo da 
microrregião de Manhuaçu, oferecendo uma 
série de serviços e atividades, podendo ser 
considerada uma média cidade, essa última 
característica não impede a ocorrência de 
diversos problemas sociais, uma vez que as 
mazelas, antes pertencentes apenas às grandes 
capitais, agora tomaram municípios de médio 
e pequeno porte (SAFFIOTI, 2015, p.11). 
A priori, ressalta-se que o perfil da violência 
traçado no presentecapítulo tem por objetivo 
apontar os fatores que contribuem para 
a perpetuação da violência doméstica no 
município. Ademais, é importante ressaltar 
que os fatores contribuintes não são as únicas 
causas das ocorrências, mas sim pontos que 
devem ser observados pelo poder público a 
fim de mitigar as consequências da violência 
doméstica.
Sob primeira análise, a presente pesquisa tem 
por base os casos de violência doméstica contra 
a mulher registrados pela Polícia Civil na cidade 
de Manhuaçu/MG, observando-se diversos 
fatores. Assim, o gráfico a seguir apresenta 
uma comparação entre os quantitativos do 
tipo de violência que ocorreram nos dois 
anos em análise. O primeiro dado que salta 
aos olhos é a discrepância entre o número de 
casos de ameaças e as demais modalidades 
de violência registradas no município de 
Manhuaçu, sendo no primeiro ano em análise 
(2021) representavam 77,8% das ocorrências e 
77,6% de 2022. Ostentar um quantitativo maior 
do que a soma de todos os outros tipos de 
violência indica a errônea banalização de certas 
atitudes criminosas contra mulheres, como 
demonstra o gráfico abaixo.
5
1
2
3
5
5
19 Q U E M S Ã O E L A S ?
A esse respeito, Saffioti explana sobre o 
fenômeno de punibilidade seletiva, uma 
vez que enquanto não há graves lesões ou 
sequelas aparentes e irreversíveis, tais ações 
não são repudiadas de maneira veemente 
tanto pela sociedade quanto pelo estado. 
Tal modalidade de violência carece de uma 
atenção maior, visto que além de se mostrar 
uma agressão a um bem jurídico, também se 
apresenta como antecessor a diversos outros 
crimes como lesão corporal e homicídio 
(SAFFIOTI, 2010. p.18 - 19).
No que tange aos demais casos registrados, 
observa-se que a injúria apresentou um 
número mais elevado em comparação às 
outras formas em que a violência se deu, 
correspondendo a aproximadamente 9,4 % do 
total dos casos analisados no ano de 2021. Tal 
ponto, evidencia um aspecto que passa pelo 
mesmo fenômeno de punibilidade seletiva, 
vez que a injúria não afeta o plano físico da 
vítima e, portanto, pode ser banalizado pela 
sociedade. 
Tomando como base a diferenciação disposta 
no art. 7º da Lei Maria da Penha acerca 
dos tipos de violência, que traz a definição 
de violência física como sendo “qualquer 
conduta que ofenda sua integridade ou saúde 
corporal” (BRASIL, 2006), observa-se que, do 
quantitativo das ações praticadas:
Configura-se violência física os casos de lesão 
corporal e agressão, sendo por tanto essa 
forma de violência correspondente por 1,9% 
do total de casos analisados do ano de 2021 e 
4,1 % do total de casos analisados no ano de 
2022 (BRASIL, 2006);
20 Q U E M S Ã O E L A S ?
Tal percepção faz com que o agressor 
se sinta no direito de punir, física e 
psicologicamente a vítima se ela não 
estiver de acordo com o que ele deseja e 
de atentar contra sua moral e patrimônio. 
Em sequência, observou-se também 
o aspecto espacial das ocorrências, 
revelando características de importância 
para entender o fenômeno em análise na 
cidade de Manhuaçu. Ao observar o local 
em que a violência aconteceu, é possível 
constatar um número alarmante de 
casos que ocorreram na casa da própria 
vítima. No ano de 2021, os casos em que 
a vítima teve seu próprio lar como local 
do crime correspondem a 69,8% do total 
de boletins analisados, em 2022, por sua 
vez, os casos com essa mesma realidade 
correspondem a 69,3% do total analisado 
- como é possível verificar no gráfico em 
sequência. 
Os quantitativos dos dois anos revelam 
que essa é uma característica recorrente 
no município.
Quanto à violência psicológica, que em resumo é toda ação que cause prejuízos emocionais e 
psicológicos, tem-se os casos de ameaça e perseguição, que correspondem no ano de 2021 à 
expressivos 77,8% dos casos e em 2022 à 81,7% do total dos casos analisados; 
Já quanto à violência sexual, tem-se os casos de estupro de vulnerável, registrado apenas no ao 
de 2022 e representando 2% dos casos em análise; 
A respeito da violência patrimonial se encaixam os casos em que houve dano, furto e roubo. No 
ano de 2021 a porcentagem de casos que se encaixavam nessa forma de violência foi de 3,8%, já 
no ano de 2022, essa modalidade apresentou o quantitativo de 6,1% dos casos; 
No que tange a violência moral, se configurou nos casos em que ocorreu injúria e difamação, o 
que representa 11,2 % do total de casos do ano de 2021 e 4 % do ano de 2022. 
Tem-se ainda a qualificação do feminicídio, acrescentada como sexta forma de violência 
posteriormente à publicação da Lei Maria da Penha, no qual, o homicídio se dá em razão da vítima ser 
do sexo feminino (CUNHA, 2022, p. 91-92). Analisando, portanto, a incidência da referida modalidade 
no município de Manhuaçu, observa-se que no ano de 2021 o crime de feminicídio corresponde a 1,9 
% (modalidade tentada) e, no ano de 2022, neste caso representa 2% (modalidade consumada). Há 
que se reiterar que um dos fenômenos por trás do grande número de mulheres que sofrem violência 
doméstica é a percepção de posse e superioridade do homem sobre a mulher, como mencionado 
no capítulo anterior. 
21 Q U E M S Ã O E L A S ?
A esse respeito, é pertinente ressaltar que 
essa realidade já vinha sendo denunciada 
em outras pesquisas em território brasileiro 
e, mesmo a violência se revelando de 
maneira heterogênea em variadas regiões, 
há de se observar determinados aspectos 
dos quais a grande maioria partilha 
(BEZERRA; RODRIGUES, 2021, online). 
É preciso questionar, portanto, quais as 
implicações dessa realidade, vez que o 
ambiente "casa" possui certa privacidade, 
fazendo com que a agressão não seja 
percebida pela sociedade imediatamente, 
o que diminui a possibilidade de punição 
e controle social. Outros pontos a serem 
abordados no presente capítulo também se 
alinham à realidade apresentada no gráfico 
acima como, por exemplo, a dependência 
financeira ou a relação familiar mantida com 
o agressor, fazendo com que muitas vítimas 
se sintam coagidas e não denunciem a 
agressão sofrida. 
Visto que, o objeto da pesquisa é uma 
cidade de médio porte, também deve se 
levar em conta a cultura patriarcal presente 
na sociedade, que entrega ao homem o 
poder sobre a mulher, que, muitas vezes, 
julga o homem como apto a corrigi-la 
com violência. Não obstante, há que se dar 
atenção aos números menores da pesquisa, 
que indicam as novas formas com as 
quais a violência se revela. Dá-se destaque 
principalmente aos casos oriundos do 
ambiente virtual. No ano de 2021 os casos 
que ocorreram neste ambiente representam 
15,1% e no ano de 2022 representam 20,4% 
do total, aumentou a quantidade de crimes 
praticados no ambiente virtual relacionados 
à violência contra a mulher no último 
ano em Manhuaçu. Esse cenário merece 
atenção do poder público, uma vez que o 
sistema jurídico brasileiro ainda carece de 
legislação eficaz que trate especificamente 
de crimes ocorridos em meios digitais e a 
sociedade, por sua vez, passa a criar novos 
padrões de comportamento e consumo 
como consequência do desenvolvimento 
tecnológico e da globalização (PRIORE, 
2013, p 155).
22 Q U E M S Ã O E L A S ?
Nesse sentido, há que se considerar 
características próprias dos crimes virtuais 
que podem ser ou vir a ser posteriormente, 
fatores potencializadores da violência como 
por exemplo, a percepção de impunidade na 
internet e a carência de legislação que tipifique 
amplamente acerca das condutas criminosas 
praticadas no ambiente virtual, razão pela 
qual há de se dar atenção aos motivos ainda 
desconhecidos do porquê este tem sido um 
ambiente de recorrência dos crimes contra a 
mulher (MONTEIRO NETO, 2008, p. 10).
Prosseguindo com a análise dos dados, observa-
se que no ano de 2021 um quantitativo de 11,3% 
dos casos aconteceu em lugar público e, no ano 
de 2022, representou 6,1 % dos casos analisados. 
Há que se considerar que o fato da ação dos 
agressores não ser mitigada por se tratar de 
um lugar público leva a percepçãoque ainda 
reside no senso comum de parte da sociedade 
do município a ideia de que o homem possui 
autoridade sobre a mulher e que está certo em 
"corrigi-la" quando esta não se mantém nos 
padrões de submissão. (BEZERRA, LIMA, 2022, 
p. 97)
O gráfico a seguir apresenta a informação 
se a vítima morava ou não com o autor do 
crime. Observamos que no ano de 2021 foram 
aproximadamente 45,3% das ocorrências e, 
no ano de 2022, foram 38,8% das ocorrências. 
Levando em consideração o dado já levantado 
nesse estudo, de que grande parte das 
agressões foram na casa da vítima, percebe-se 
que o ambiente casa, residindo os dois juntos 
ou não, continua sendo um lugar de grande 
recorrência para a prática da violência. No 
primeiro caso (reside com a vítima) fica bastante 
evidente a noção de domínio territorial no 
ambiente “familiar” controlado pelo homem; 
no segundo caso (não morava com o agressor) 
demonstra que a lógica patriarcal, controladora 
do homem ultrapassa o local de sua moradia, 
perpetuando-se em outros espaços como o 
local de moradia da vítima. 
A cultura conhecida como “roupa suja se lava 
em casa” apresenta-se também como possível 
fator que fomenta a violência de gênero na 
realidade vivida por mulheres que moram 
com seus agressores. Muito comum nos casos 
de violência doméstica, alguns conflitos são 
tratados como privados e familiares, vez que 
ambos residem sob o mesmo teto, e levam a 
formação de outro fator que se coloca como 
impeditivo ao rompimento do ciclo da violência 
(PAIXÃO; BEATO FILHO, 1997, p.241) 
23 Q U E M S Ã O E L A S ?
Não havia por que mobiliar a cabeça da mulher 
com informações ou conhecimentos, já que seu 
destino primordial – como esposa e mãe – exigiria, 
acima de tudo, uma moral sólida e bons princípios. 
Ela precisaria ser, em primeiro lugar, a mãe virtuosa, 
o pilar de sustentação do lar, a educadora das 
gerações futuras. A educação da mulher seria feita, 
portanto, para além dela, já que sua justificativa 
não se encontrava em seus próprios anseios 
ou necessidades, mas em sua função social de 
educadora dos filhos ou, na linguagem republicana, 
na função de formadora dos futuros cidadãos 
A respeito da localidade em que as vítimas residem, observa-se a maior recorrência da zona urbana, 
não sendo esta uma informação que pode ser usada para concluir que na zona rural as mulheres se 
encontram em segurança, visto que mesmo em menor quantidade, não são nulos os casos nessas 
localidades e podem existir menos denúncias neste contexto. No ano de 2021, a percentagem de 
vítimas que residiam na zona urbana representava aproximadamente 84,9%, enquanto 15% residia 
na zona rural. Em 2022, observou-se que 91,8% das vítimas residia na zona urbana, enquanto 8,1% na 
zona rural.
Nesse viés, é importante levar em consideração que 18,52% 
da população do município reside na zona rural, sendo 
uma porcentagem acima da média nacional de 15,28% e da 
região sudeste de 7 % (IAS, 2015, online), o que pode indicar, 
inclusive, proporcionalidade da violência contra a mulher 
e das denúncias no ambiente rural e ambiente urbano. 
Contudo, como o domínio patriarcal, masculinizado ainda 
é mais intenso no ambiente rural, sobretudo pela seguinte 
problemática: a possibilidade das vítimas que vivem na 
zona rural denunciarem menos por estarem mais distantes 
das delegacias, do aparato de conscientização e de controle 
social. 
Historicamente, a falta de conhecimento, ou de uma 
educação pautada na sociedade machista mostrou-
se aliada à perpetuação da violência de gênero. Tal 
característica pode estar diretamente associada aos fatores 
que fazem com que muitas mulheres não entendam a 
gravidade da situação em que estão vivendo neste sentido, 
Louro expõe que:
24 Q U E M S Ã O E L A S ?
Ao observar o mapa do ano de 2022, é possível verificar que o bairro com o maior número de 
casos registrados foi o Sagrada Família, correspondendo a aproximadamente 12,2% do total de casos 
registrados. Há que se ressaltar, no entanto, que neste ano também foi registrado um percentual 
alto de casos no distrito Vila Nova, correspondendo à aproximadamente 14,2% dos casos. Tal distrito 
se localiza em uma área afastada do centro urbano da cidade, logo, distante da delegacia e dos 
órgãos que atuam na proteção da mulher. 
Em vista disso, a dificuldade encontrada por essas vítimas em acionar a polícia pode ser também 
um fator que contribui para o alto número de casos nessa localidade, visto que, como já apresentado 
neste capítulo, a maior parte das mulheres sofrem violência dentro da própria casa, assim, deslocar-
se uma longa distância para realizar a denúncia se torna um obstáculo para a vítima, e também pode 
se apresentar como uma segurança para o agressor de que o ocorrido não chegará ao conhecimento 
das autoridades.
 
Logo, há que se dar importância aos meios de proteção à mulher e também aos meios pelos quais a 
mulheres que se encontram em contextos em que a violência é normalizada possam compreender 
que elas possuem direitos que lhes garantem a dignidade e, com o mesmo grau de importância, 
como os órgãos capacitados podem oferecer a ajuda que precisam. 
No que tange a localidade em que a vítima sofreu a violência, foi possível apontar os bairros de 
Manhuaçu que mais tiveram registro de ocorrências. O mapa a seguir apresenta a distribuição dos 
casos no perímetro urbano do município. No ano de 2021, o bairro do Bom Pastor foi o local com 
maior número de denúncias registradas, correspondendo a aproximadamente 11,3% do total de 
casos. Cabe salientar que em tal bairro está situada a 3ª Delegacia Regional de Segurança Pública, 
o que leva ao questionamento se o Bom Pastor tem sido realmente o bairro com maior número 
de mulheres sofrendo violência ou se esse número de denúncias se deve ao fato de lá as mulheres 
possuírem mais contato, conhecimento da estrutura e facilidade de acesso aos meios legais de 
proteção.
25 Q U E M S Ã O E L A S ?
26 Q U E M S Ã O E L A S ?
Acerca da dependência financeira, cujos dados estão representados no gráfico abaixo, ressalta-se 
que no ano de 2021 tal informação não estava presente na maior parte dos boletins analisados. 
No ano de 2022, por sua vez, o número de boletins que não apresentam o referido dado é menor. 
Todavia, ainda não é nulo como demonstra o gráfico abaixo. É importante ressaltar, que apenas os 
boletins de 2022 possuem o formulário de risco, no qual possui o questionário para ser respondido 
pela vítima, com essa e várias informações importantes como por exemplo se o autor estava sob o 
efeito de álcool ou entorpecentes, grau de escolaridade da vítima e agressor etc. Aproximadamente 
16,7 % dos boletins em estudo não apresentam essas informações, faz-se necessário, portanto, 
atenção e aumento da produção de dados pelos órgãos de controle oficial, pelos Poderes e pelas 
instituições de pesquisa. Pontua-se ainda a necessidade da coleta de tais dados, uma vez que as 
políticas públicas são formuladas a partir do entendimento das necessidades sociais locais:
No que tange aos boletins em que essa informação foi preenchida, no ano de 2021 os números 
são bem próximos, sendo aproximadamente 5,6 % não dependentes financeiramente de seus 
companheiros e 7,4 % dependente financeiramente de seus companheiros, evidenciando que no ano 
em questão o número de mulheres que eram dependentes financeiramente de seus agressores foi 
maior. Constata-se, ainda, que no ano de 2022, aproximadamente 67,3% das vítimas que denunciaram 
as agressões declararam que não possuem dependência financeira de seus companheiros. 
Nesse viés, não é possível associar o aspecto financeiro como sendo um motivador da ação violenta, 
mas pode ensejar a hipótese que as mulheres que não dependem da renda do agressor possuem 
um impeditivo a menos para realizar a denúncia, justificando a maior parte das vítimas que chegam 
ao conhecimento da polícia não estarem encaixadas nessa situação. Sob tal aspecto, não se pode 
desprezar a relação depoder que o dinheiro estabelece em conjunção ao patriarcado, uma vez que 
o "provedor do lar" possui por natureza, inquestionável, o direito de estabelecer as regras da casa 
(VERAS; SILVA, 2018, p.60).
Alinhado à perspectiva analisada nos mapas da distribuição espacial dos casos, observa-se que os 
bairros em que houve maior número de denúncias não estão localizados em si em áreas carentes do 
município. Tendo em vista que no ano de 2022, no qual um número maior de boletins apresentou a 
informação acerca da dependência financeira, é necessário refletir se os bairros que apresentaram 
maior número de denúncias são mesmo as localidades onde ocorre maior violência doméstica ou se 
as vítimas desses locais denunciam em maior quantidade por não existir impeditivos relacionados 
à dependência financeira.
27 Q U E M S Ã O E L A S ?
Após a análise territorial dos casos estudados, a pesquisa buscou apontar também as recorrências 
de violência por dias da semana e horário em Manhuaçu. Analisando primeiramente os dados de 
2021, nota-se que os três dias com o maior quantitativo de casos foram, respectivamente, o sábado 
com aproximadamente 26,4% do total de casos analisados; logo após encontra-se a quarta-feira 
com aproximadamente 18.9 % dos casos; e a terça-feira com 15,1%. Já no ano de 2022, observa-se que 
primeiramente o domingo com 20,4% dos casos, seguido da sexta-feira com 18,4% dos casos e da 
terça-feira que apresentou 16,3% do total de casos em análise. 
Não se pode, portanto, negligenciar o fato de que nos dois anos os finais de semana se encontram 
na lista de dias em que mais casos foram registrados. Os dados demonstram a concentração das 
agressões aos finais de semana. Alinhado à dados aqui já apresentados como, por exemplo, o grande 
número de vítimas que sofreram a violência em seus lares e moram com os seus agressores, é 
necessário questionar se isso se dá por motivos específicos como por exemplo o fato de no final de 
semana o homem estar mais presente em casa e, por isso, tem-se um período maior para que a 
postura agressiva se revele. Outro fator considerável pode ser o costume de ingerir bebida alcoólica/
fazer uso de entorpecentes nesses dias.
28 Q U E M S Ã O E L A S ?
A respeito do horário, dividiu-se: manhã (06:00:01 às 11:59:59), tarde (12:00:01 às 17:59:59), noite (18:00:01 
às 23:59:59) e madrugada (00:00:01 às 05:59:59). Diante disso, observa-se uma divisão heterogênea, 
como mostra o gráfico abaixo. No ano de 2021, o horário da manhã representou aproximadamente 
25,9% dos casos e, no ano de 2022, foi de 41,7%. Já no horário da tarde, observa-se que no ano de 2021 
o percentual chegou próximo de 24,1% e no ano de 2022 em torno de 16,7%. Já no horário da noite, 
observou-se que no ano de 2021 representou cerca de 38,9% e no ano de 2022 aproximadamente 
37,5%. O horário da madrugada representou nos anos de 2021 e 2022 respectivamente 11,1% e 4,2%. 
29 Q U E M S Ã O E L A S ?
Seguindo a mesma linha de raciocínio, observa-se que um número bem alarmante de casos 
foi registrado no horário da noite (tanto em 2021, quanto 2022), sendo este o momento em que, 
geralmente, o homem está em casa (local cujas agressões mais ocorrem), logo, a vítima corre um 
risco maior de ser agredida. Alinhado a isso, há também a cultura de ingerir bebidas alcoólicas, que 
não levam o homem a agredir a mulher em si, mas potencializa a postura agressiva (BEZERRA; 
LIMA, 2018, p.95). Deve-se atentar também aos meios de proteção à mulher, que precisam ser 
capazes de atender as vítimas que sofreram a violência fora do conhecido horário comercial, e 
resguardando a proteção da vítima. 
No que tange a relação entre autor da agressão e vítima, tem-se a confirmação da máxima que 
a violência contra a mulher se revela predominantemente no contexto familiar, uma vez que 
exacerbado número de autores da violência são ou já foram companheiros ou maridos das vítimas 
(MDH, 2020, online) .
Com base no gráfico 11 conclui-se que todas as vítimas possuíam ou possuíram em certo momento 
um laço sentimental ou familiar com o autor. Tal característica aponta para uma das justificativas 
dos crimes que não chegam ao conhecimento do poder público visto que este vínculo faz com 
que, muitas das vezes, a vítima, mesmo desejando a cessação da violência, não queira processar o 
autor (BRASIL, 2018 p. 74). A percepção de poder do homem sobre a mulher dentro do seio familiar 
como herança de uma sociedade patriarcal, por hora em processo de desconstrução, mas que 
ainda é responsável por várias sequelas sociais quanto a violência de gênero (SAFFIOTI, p.48). 
30 Q U E M S Ã O E L A S ?
Observou-se ainda a correspondência entre 
o consumo de bebidas alcoólicas ou drogas 
e a violência. No gráfico a seguir, apresenta-
se os dados coletados sobre essa questão, 
podendo constar que no ano de 2021 em 
aproximadamente 20,8 % dos casos o autor 
estava sob o efeito de bebidas alcoólicas. Em 
1,9% dos casos o autor faz uso com frequência, 
mas não se encontrava sob efeito do álcool no 
momento da ação. Em 60,4% dos casos essa 
informação não foi acrescentada ao boletim. 
No ano de 2022, observou-se que 16,3% dos 
casos o autor estava sob o efeito de bebidas 
alcoólicas. Em 12,2% dos casos o autor faz uso 
com frequência, mas não se encontrava sob 
efeito do álcool no momento da ação. Em 34,7 
% essa informação não está no boletim. 
Nesse viés, é imprescindível observar que há 
um número significativo de casos em que o 
autor estava sob efeito do álcool, sobretudo 
quando consideramos os dias e os horários 
da recorrência de violências em Manhuaçu. 
Tendo em vista a necessidade de uma análise 
cuidadosa com os fatores em estudo, há 
que se esclarecer em primeiro plano que o 
motivo da agressão não deve ser associado 
exclusivamente ao efeito da bebida em si, 
uma vez que tal colocação diminui a culpa do 
agressor (RAMOS, 2010, p. 151). A questão não 
é apenas farmacológica (dos efeitos biológicos 
do álcool, até porque inúmeras pessoas o 
consomem nem por isso praticam agressões 
e violências). Contudo, quando o consumo de 
álcool opera em um contexto singularizado 
pelo patriarcalismo, ainda que inconsciente, 
potencializando ou fazendo aparecer uma 
relação conflitual entre os envolvidos, pode 
ser um elemento envolvido no contexto de 
violência. O consumo desregrado de bebidas 
alcoólicas atua como inibidores da razão e com 
isso podem potencializar conflitos existentes 
(VERAS, SILVA, 2018, p. 56)
É necessário também considerar que por se tratar 
de violência de gênero, o fator determinante 
da agressão é a relação de superioridade 
que o homem estabelece contra a mulher. 
O álcool atua, portanto, como acelerador ou 
potencializador da atitude violenta do agressor 
como pontuado por Corrêa:
Destarte, quando um homem está bêbado e agride 
uma mulher, não podemos afirmar que ele fez isso 
simplesmente por estar fora de si. Porque, se quem 
apanha é mulher, e não o vizinho, o amigo, o dono 
do bar, isso significa que ele está, mais uma vez, 
impondo seu poder sobre ela, e não quer dizer que 
ele não faria isso sóbrio. (CORRÊA, 2012, p. 40)
31 Q U E M S Ã O E L A S ?
Três situações parecem hipoteticamente 
possíveis: 1) o homem bebe porque tem 
vontade de agredir a esposa [...] 2) o homem 
bebe e bate na esposa aproveitando-se do álibi 
que a embriaguez proporciona [...]; 3) o homem 
bebe e- por qualquer pretexto – bate na esposa 
[...] Em todos os casos, a disposição para bater 
na mulher já estaria no homem, sob a forma de 
uma vontade explícita ou como possibilidade 
latente, à espera de uma oportunidade e de 
um pretexto para manifestar e atuar. Ela pré-
existiria e coexistiria com a ação do álcool no 
organismo, mas dela se beneficiaria devido aos 
efeitos psicológicos que a bebida provoca. 
No tocante à questão do uso de drogas, é pertinente 
ressaltar os mesmos pontos observados nos dados 
sobre o consumo de bebidas alcoólicas. O fato de o 
autor estar sob o efeito de entorpecentes não deve 
serlevado como única motivação do crime, mas sim 
como potencializador de uma concepção de mundo 
constituída pré-uso. Nesse viés, observa-se: É preciso dar importância à percepção que 
fica para a vítima após sofrer uma agressão 
no contexto em que o autor está sob efeito 
de álcool ou outras drogas. Além de se 
apresentar como fator potencializador, 
essa característica ainda pode se tornar 
motivo pelo qual a vítima entenda que tal 
situação se deu apenas pelo consumo de 
tais substâncias e releve a agressão sofrida. 
Nesse sentido, Maria Amélia de Azevedo 
(1985, p. 147) expõe três situações que 
podem decorrer do pensamento de que o 
álcool é o culpado pela agressão:
32 Q U E M S Ã O E L A S ?
Cifras ocultas ou criminalidade oculta são os fatos criminosos que não chegam ao conhecimento das 
autoridades estatais competentes. (BRASIL. Violência contra a mulher: um olhar do Ministério Público 
brasileiro, p.13)
6
A percepção que minimiza a ocorrência de agressão em razão do consumo de álcool precisa ser 
combatida, já que esta pode ser tanto um fator para aumentar o número de casos de violência no 
município e servir de uma espécie de álibi para que o agressor não seja denunciado. Tal estudo 
mostra sua importância para a compreensão deste fenômeno social complexo que é a violência 
e os detalhes que se apresentam quando se fala em violência de gênero. Assim, nesse sentido, 
a principal atuação do poder público precisa estar focada em proteger a vítima, afastando-a do 
perigo iminente, e transcender os moldes tradicionais a fim de garantir a efetividade de seu objetivo 
(SCARANCE, 2015, p.120). 
Destaca-se a necessidade de estudos que trabalhem um olhar mais apurado da violência contra a 
mulher, vez que estes servem de base para o poder público, em esfera federal, estadual e municipal. 
O presente capítulo trabalhou as características da violência contra a mulher no município de 
Manhuaçu e observou que determinados fatores aparecem repetidamente nos casos de violência 
contra a mulher como por exemplo o vínculo familiar e emocional entre vítima e agressor, a distribuição 
espacial dos casos e a relação entre o consumo de álcool, entorpecentes e a potencialização da 
violência, evidenciando pontos que carecem de mais atenção do poder público a fim de mitigar o 
problema social.
Diante disso, em resumo observou-se um extrato ligado às seguintes estruturações da violência na 
cidade de Manhuaçu: nos últimos anos, a violação penal predominante nos casos de violência contra 
a mulher é a ameaça. Sobre o local do crime, a maior parte das violações ocorreu no ambiente 
doméstico, tanto no ano de 2021 quanto no ano de 2022, sendo lar do agressor ou não, seguido pelo 
ambiente virtual, que no ano de 2022 ultrapassou os logradouros públicos. Sobre os dias e horários, 
percebeu-se concentração das ocorrências nos dias de finais de semana (sexta-feira, sábado e 
domingo no caso de 2022) e horários noturnos. 
Sobre o agressor, percebeu-se intensa concentração na figura do companheiro e do ex-companheiro, 
em detrimento de todas as outras mencionadas. Ressalta-se que uma das dificuldades deste tipo de 
levantamento é a pequena disponibilidade de dados, além dos inúmeros casos que não chegam ao 
poder público, as chamadas cifras ocultas. Dentre os dados coletados, é possível observar que além 
de existirem fatores que fomentam a violência doméstica, há ainda a necessidade de se estudar os 
inibidores que fazem com que a mulher não denuncie a agressão sofrida, como a questão da renda.
Há que se dar importância à criação de mecanismos capazes de levar informação de forma clara e 
objetiva às mulheres e também meios que permitam o acesso aos órgãos de proteção aos finais de 
semana e fora do horário comercial, visto que a presente pesquisa apontou números alarmantes de 
casos nessas circunstâncias, além de programas de atendimento às vítimas após a denúncia a fim 
de que o medo de retaliação não seja um impeditivo para que as vítimas levem ao conhecimento 
das autoridades as agressões sofridas.
6
33 Q U E M S Ã O E L A S ?
O PERFIL DAS VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA 
EM MANHUAÇU/ MG
Ana Rosa Campos
Bárbara Rocha Moratti 
Vítor Oliveira Rubio Rodrigues
Lucas Eduardo de Sousa Azine
CAPÍTULO 3
1
2
3
7
A alta incidência da violência doméstica contra a mulher, impele a urgência de ações preventivas, 
corretivas e informativas, para tanto é notória a necessidade da existência de familiarizar-se com 
o perfil da mulher vitimizada. Relativo a isso, a fim de auxiliar na criação de políticas públicas que 
evitem os danos e as intercorrências físicas e psicológicas na mulher agredida, esse capítulo traz 
a bordo o estudo do perfil da vítima de violência doméstica, tabuladas na cidade de Manhuaçu, 
apontaremos dados como local, idade, profissão, dentre outros pontos, que nos levaram à luz de 
um simples questionamento: afinal, existe um perfil entre as vítimas de violência doméstica?
A antropologia traz em seus estudos o conceito de alteridade como precursor das pesquisas 
de outras sociedades e comportamentos, ao apontar a necessidade de realizar uma conexão 
entre o contexto social observado e a situação apontada, para um resultado satisfatório e que 
compreenda as nuances culturais que provocaram algum fato. (MALINOWSKI, 1978, p.18). De 
forma análoga, nota-se a importância de delinear o perfil das vítimas de violência doméstica para 
identificar os cenários enfrentados e as questões econômicas, políticas, raciais e demográficas que 
determinam a suscetibilidade feminina e, consequentemente, a exposição à violência, agravadas 
pela desigualdade social. (CARNEIRO, 2003, p.11-17).
Graduando em Direito pelo Centro Universitário UNIFACIG, lucasazineeduardo26@
gmail.com, http://lattes.cnpq.br/0583931942123930cnpq.br/9161119224445900. 
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34 Q U E M S Ã O E L A S ?
A obtenção de informações acerca do perfil das vítimas de violência doméstica em Manhuaçu 
poderá resultar em um conjunto de referências que permitirão a realização de um estudo social 
que analisa os parâmetros que desencadeiam a situação de vulnerabilidade feminina na sociedade.
Em 2021, verifica-se que grande parte das mulheres em situação de violência possuíam entre 
26 a 35 anos, como exposto no gráfico abaixo. Em contrapartida, em 2022, 30% das vítimas se 
encontravam entre 18 a 25 anos. Em ambos os anos, constata-se proeminência do perfil com faixa 
etária jovem. Constata-se, ademais, uma diferença significativa da quantidade de vítimas entre 36 
a 45 anos nos dois anos analisados, uma vez que em 2021, representavam 15,8% e, no segundo ano, 
28%:
35 Q U E M S Ã O E L A S ?
Em relação ao estado civil, em 2021, 33,3% das vítimas eram casadas. Em 2022, 40% estavam solteiras. 
Relacionando estes dados à faixa etária, observa-se que, no primeiro ano, a maioria das mulheres 
tinham mais de 26 anos, e, no segundo ano, as vítimas se encontravam majoritariamente entre 18 
a 25 anos. Segundo o IBGE, a média de idade dos brasileiros que se casaram se elevou aos 30 anos, 
fator que influencia esta assimetria no estado civil dos dois anos (IBGE, 2021, p.5).
Um ponto a ser destacado nesta pesquisa é a omissão de informações que indicam a Orientação 
Sexual e Identidade de Gênero das vítimas. Em ambos os anos, percebe-se a ausência destes dados, 
apontados nos boletins como “ignorado”, em relação à Sexualidade, em 98% dos casos, em 2021, e 
82% em 2022. A questão de gênero é ainda mais dúbia, com as indicações “não se aplica” e “ignorado” 
em todos os boletins. Diante disso, é preciso salientar a relevância que a coleta dessas características 
possui na sociedade e esclarecer os motivos da sua escassez nos registros da Polícia Civil de Minas 
Gerais.
As unidades “Orientação Sexual” e “Identidade de Gênero” são implementações realizadas pelo 
Conselho Nacional de Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos de Lésbicas, Gays, 
Bissexuais, Travestis e Transexuais, que consideram os princípios constitucionais acerca dos direitos 
36Q U E M S Ã O E L A S ?
37 Q U E M S Ã O E L A S ?
(...) como é possível que o racismo, a 
discriminação racial e a violência racial 
permaneçam como tema periférico no 
discurso, na militância e em boa parte 
das políticas sobre a questão da violência 
contra a mulher? Só podemos atribuir isto 
à conspiração de silêncio que envolve o 
tema do racismo em nossa sociedade e à 
cumplicidade que todos partilhamos em 
relação ao mito da democracia racial e 
tudo o que ele esconde. Historicamente, 
as políticas públicas para mulheres no 
Brasil, partem de uma visão universalista 
e generalizante de mulher, incapaz desse 
simples questionamento, afinal que cara 
têm as mulheres deste país? (CARNEIRO, 
2003, p.15-16).
O processo de colonização, escravidão e a 
miscigenação forçada são elementos que 
influenciam diretamente a desigualdade 
social percebida entre as camadas racializadas 
no Brasil. As mulheres pretas e pardas são 
as mais expostas no tocante à violência 
doméstica, consequência instantânea da 
segregação racial e a redução dos direitos 
humanos fundamentais. Ainda assim, as 
questões raciais e o estudo social para este 
grupo de vítimas é considerado insuficiente. 
De acordo com Carneiro (2003):
O Brasil é um país com histórico conturbado 
e que carrega raízes escravocratas que 
alimentam a vulnerabilidade de mulheres 
não-brancas, sendo assim, esta questão 
no cenário de violência é um assunto que 
necessita de recorte étnico e racial que 
promova uma democratização na abordagem 
do registro, para confrontar este impasse e 
garantir políticas especializadas (OLIVEIRA, 
2003, p.181-182). Depreende-se que apesar do 
conturbado contexto histórico do nosso país, 
todas as mulheres estão vulnerabilizadas a 
sofrer violência doméstica. 
Em Manhuaçu, uma cidade com aproximadamente 
91.169 (IBGE,2023, ONLINE) em 2021, 45,6 % das 
mulheres acometidas por violência eram pardas, 
em 2022 esse dado sobe 4,4% indo para 50%, 
seguidos de mulheres brancas que em 2021 teve 
29,8% e em 2022 30%, posteriormente vem as 
mulheres negras com 22,8% 2021, porcentagem 
essa que decai para 10% em 2022.
Outrossim, é necessário pontuar a porcentagem 
crescente de “ignorado”, no contexto já citado, 
é de suma importância que esses dados não 
sejam ignorados, haja vista que dificulta o papel 
dos agentes públicos na promoção de políticas 
públicas, que resultem na diminuição da violência 
doméstica face a determinados grupamentos. 
Os indivíduos da cor parda esteve mais presente 
como vítima nos boletins analisados nos dois 
últimos anos. Se levado em conta o grupo de não-
brancos (SANTOS, 2005), é possível perceber que 
as ocorrências se destinaram majoritariamente a 
este segmento.
38 Q U E M S Ã O E L A S ?
É sabido que a violência atinge mulheres de diferentes classes sociais, entretanto, outros agentes 
influenciam para que um grupo seja mais atingido que outro. Um desses agentes é a escolaridade, 
que está diretamente relacionada ao status socioeconômico e o acesso à informação e resultam em 
uma dependência financeira maior do agressor. (DINIZ et. al., 2007, p. 20).
Este estudo demonstra que em 2021 a porcentagem de mulheres que não finalizaram o ensino 
fundamental chegou a 28%, e as vítimas alfabetizadas em 26,3%. Em 2022, nota-se uma diferença 
explícita: apesar dos dados de mulheres com Ensino Fundamental Incompleto estarem em 24%, a 
quantidade de vítimas com Ensino Médio Completo se igualou, abrindo espaço para discussão de 
que todas as mulheres estão suscetíveis à violência, apesar de algumas serem mais vulneráveis que 
outras. Acredita-se que as pessoas do sexo feminino com maior acesso à educação possuem menor 
tolerância com comportamentos violentos e, por conseguinte, maior aproximação às redes de 
proteção às vítimas, fator esse negligenciado para as mulheres de menor escolaridade. (FUNDAÇÃO 
PERSEU ABRAMO, 2010, online).
39 Q U E M S Ã O E L A S ?
A pesquisa revela ainda pontos interessantes a serem mencionados: no ano de 2021, 38,6% dos 
agressores eram cônjuges ou companheiros e em 2022 essa porcentagem despenca para 22%. No 
caso do agressor ex-companheiro, em 2021, foi de 31,6% dos casos para os preocupantes 50% em 
2022. Estes resultados despertam um questionamento acerca do fator da agressão partida do ex-
cônjuge ter subido: o descontentamento do término pode ser a motivação para os elevados índices 
de violência doméstica? Este levantamento pode ser respondido com base em dados trazidos pelo 
Formulário Nacional de Avaliação de Risco, que será exposto ao final deste capítulo.
Em atenção aos dados obtidos acerca da relação 
entre a vítima e o autor, denota-se a predominância 
das classes “cônjuge/companheiro” e “ex-cônjuge/ex-
companheiro”. 
Neste contexto, segundo Scott (1986, p.1069), o gênero 
funciona como meio para estabelecer relações de 
poder. Para determinar esta superioridade moral que 
é direcionada aos homens, a violência contra mulher, 
em todas as suas faces, é utilizada como meio de 
atingir e comprovar esta ideologia. 
Sofrer violência na infância torna as pessoas 
inseguras, com baixa auto estima, com ausência 
de senso crítico sobre a violência e dificuldades 
de estabelecer relações positivas. Estas 
consequências repercutem na escolha que a 
mulher fará de seu futuro marido, bem como na 
sua reação frente à violência.
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A ocupação/profissão das vítimas nos anos 
analisados se integra com os estudos anteriores 
sobre a posição socioeconômica das mulheres 
na sociedade e o grau de vulnerabilidade que 
determina o enfrentamento à violência. As 
posições de gênero influenciam diretamente 
nos grupos contemporâneos e a forma com 
que o poder está repartido, causando efeitos no 
cotidiano na esfera pública. A questão financeira 
é um dos componentes dessas posições e, assim 
como a raça, a classe social é uma condição 
evidente e resolutiva para a desigualdade de 
gênero (SAFFIOTI, 2013, p.97).
De maneira inicial, aponta-se a falta de alguns 
dados nos boletins de ocorrência da Polícia Civil 
- fato recorrente na maioria das instituições de 
controle. Nos dois anos inspecionados, a categoria 
“não consta” aparece como maioria nos índices, 
conforme o gráfico abaixo indica. Em 2021, 7% 
das mulheres eram lavadeiras, 7% aposentadas, 
seguidamente de lavradoras na mesma 
quantidade. Em 2022, as profissões de renda 
mínima continuam com maior porcentagem, 
sendo 6% das vítimas “do lar”, 4% vendedoras e 4% 
trabalhando com serviços gerais.
Apesar desta rede de mulheres ser 
preponderantemente composta por pessoas 
em posições sociais com baixo prestígio e baixos 
salários, tem-se exposto algumas porcentagens 
de mulheres com profissões com rendimento 
lido como alto: em 2022, 2% das vítimas eram 
dentistas, 2% advogadas e 2% empresárias. Estes 
resultados demonstram que, apesar das vítimas 
de menor renda comporem o maior alvo da 
violência doméstica em Manhuaçu/MG, nenhuma 
mulher está completamente imune a ela.
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A organização do espaço geográfico no campo, 
onde as famílias residem distantes umas das 
outras, a dificuldade de deslocamento, acesso 
à comunicação, os(as) filhos(as) muitas vezes 
pequenos e a falta de dinheiro tornam-se 
empecilhos, dificuldade para buscar outras 
alternativas (LORENZONI; RODRIGUES; SANTOS, 
2021, p. 148)
As questões demográficas também são itens 
indispensáveis para identificar o perfil das vítimas 
de violência doméstica. Nos boletins estudados, 
em 2021, o bairro Bom Pastor aparecia como local 
onde a maioria das vítimas residiam na época 
do crime, com 10,5%. Não muito distante, Santa 
Terezinha com 8,7% e Santana e Matinha com 7%. 
No outro ano, o bairro com maior incidência dos 
crimes contra à mulher foi Vila Nova, com 14% de 
vítimas, seguido por Santa Luzia (8%). Os bairros 
Baixada, Coqueiro, Engenho da Serra, Sagrada 
Família dividem a mesma porcentagem, 6%.
Novamente, dados não descritos aparecem nos 
gráficos. No primeiro ano, 5,2% apontavam “não

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