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Construção da nação estadunidense 
I) A “Marcha para o Oeste” 
 
 
- 
Após a independência, houve nos Estados Unidos grande crescimento populacional e econômico. 
 
- Ao mesmo tempo, o governo estadunidense, por meio de ocupações, anexações e compras, iniciou um 
processo de expansão territorial que transformou o país em um dos mais extensos do mundo. 
 
- Em 1803, com a compra do território da Louisiana, que pertencia à França (observe o mapa acima), o 
tamanho do país praticamente duplicou. Em 1819, com o objetivo de facilitar o trânsito de mercadorias entre 
os Estados Unidos e o Caribe, o governo estadunidense comprou da Espanha a Flórida e alguns territórios 
na região do Golfo do México. As anexações e compras prosseguiram ao longo do século XIX, e o território 
do país alcançou a costa do Pacífico. 
 
- A ideologia do Destino Manifesto colaborou para o processo de expansão territorial. A doutrina do 
"Destino Manifesto" é uma filosofia que expressa a crença de que o povo dos Estados Unidos foi escolhido 
por Deus para comandar o mundo, sendo seu expansionismo, uma expressão desta vontade divina. 
 
- De acordo com esse pensamento, as conquistas e a prosperidade econômica dos estadunidenses eram 
sinais divinos de sua predestinação. Assim, a ideologia do Destino Manifesto fundamentou a convicção de 
que os Estados Unidos estavam destinados a estender seu território do Atlântico ao Pacífico, uma vez que 
os estadunidenses teriam sido os escolhidos por Deus para levar a democracia, a experiência do 
autogoverno e os valores cristãos a territórios em poder de outros países ou de populações indígenas – 
chamados por eles de “peles-vermelhas”. 
 
- A conquista de novas terras e as agressões cometidas contra os indígenas foram, portanto, justificadas 
pelo Destino Manifesto, e contribuíram para empurrar as fronteiras dos Estados Unidos até a Costa Oeste 
do continente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Progresso Americano, 1872, de John Gast. 
 
 
Esta pintura é uma representação alegórica do Destino Manifesto. Na cena, uma mulher angelical 
segurando um livro leva a civilização para o oeste, com colonos americanos, prendendo cabos telegráficos, 
por outro lado, povos nativos e animais selvagens são afugentados. 
 
- A ocupação de novas regiões, com a consequente ampliação das áreas agrícolas, do setor industrial, do 
mercado consumidor e do sistema de transporte, favoreceu o desenvolvimento da economia do Norte e do 
Centro-Oeste dos Estados Unidos. 
 
- A chamada “Marcha para o Oeste”, ocorrida no século XIX, teve como principal característica a migração 
em massa de colonos para áreas do Oeste dos Estados Unidos, onde haviam sido encontradas jazidas de 
ouro → A CORRIDA DO OURO ou FEBRE DO OURO. A mais famosa dessas migrações foi a que ocorreu 
para a região da Califórnia, em 1849. 
 
 
- Além do impacto ambiental, a intensa migração para o Oeste provocou forte impacto demográfico na 
região. Os nativos americanos representavam, para os colonos, um empecilho à ocupação das novas 
terras. 
 
- Os Estados Unidos – que já empreendiam uma série de guerras contra os nativos desde o final do século 
XVIII (as chamadas Guerras Indígenas) – passaram, então, a promulgar leis ordenando a remoção de 
comunidades inteiras de suas terras tradicionais para outras áreas. Em 1830, o então presidente dos 
Estados Unidos, Andrew Jackson, promulgou a Lei de Remoção Indígena, que deslocou comunidades 
inteiras de seus territórios originais para outras áreas sem as condições necessárias para que se 
obtivessem seu sustento. Esse deslocamento ficou conhecido como “trilha das lágrimas”, já que os 
indígenas tiveram de marchar por milhares de quilômetros, no frio e sem suprimentos. Milhares morreram, 
ainda durante o caminho, de hipotermia, doenças e fome. 
 
 
 
 
- Com o objetivo de encorajar as pessoas a ocuparem regiões ao oeste, o governo promulga o Homested 
Act (Lei de Povoamento) em 1862, que previa a doação de um lote de terra para americanos que 
poderiam se tornar proprietários do mesmo se o mantivessem cultivados por cinco anos. 
 
 
 
 
→ RAZÕES da Marcha para o Oeste: 
 
- Aumento populacional; 
- Busca de ouro; 
- Interesses econômicos na expansão da lavoura de algodão e de tabaco ou da recém-criada 
industrialização; 
- Expansão das ferrovias; 
- Ampliação comercial em direção ao continente asiático. 
 
 
→ Consequências da Marcha para o Oeste: 
 
- Crescimento demográfico; 
- Desenvolvimento econômico baseado em pequenas propriedades e criação de um mercado interno, 
- Extermínio de populações indígena e confinamento de tribos em reservas, 
- Matança indiscriminada de manada de búfalos, o principal sustento de várias tribos indígenas, o que 
também contribuiria para fragilizar estes povos, 
- Aumento das diferenças entre as regiões do Norte e do Sul que adotaram modelos econômicos distintos e 
que culminariam na Guerra de Secessão ou Guerra Civil Americana. 
 
 
Obs.: O Cowboy e o Velho Oeste → Criação cinematográfica americana, que glamorizou a figura do homem 
branco na conquista do oeste. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
II) Guerra de Secessão ou Guerra Civil Americana (1861-1865) 
 
- Desde a independência dos EUA, as divergências entre as elites do Norte e do Sul não paravam de 
crescer. Vale destacar as questões sobre: 
 
a) Tarifas sobre importações → Nortistas – ou yankees, como eram chamados – desejavam que os 
impostos sobre as importações fossem altos o bastante para proteger sua produção industrial. Já os 
sulistas, por sua vez, queriam impostos baixos para baratear os produtos importados. 
 
b) Escravidão → A partir de meados do século XIX, a posição dos nortistas se transformou em franca 
hostilidade aos donos de escravos do Sul. O crescimento demográfico do Norte reforçou a representação no 
Congresso dos setores antiescravistas. Mesmo assim, pactos foram assinados no intuito de manter o 
equilíbrio entre o Norte e o Sul. Um deles foi o Compromisso de 1850, que definia a escravidão como uma 
questão a ser decidida pelos legisladores de cada estado. 
 
 
- A ruptura consolidou-se nas eleições de 1860, dante da vitória do republicano Abraham Lincoln, nortista e 
abolicionista, fazendo com que os estados do Sul deixassem a União para formar um novo país: os Estados 
Confederados da América. 
- A União considerou ilegal a iniciativa, dando início, em 1861, a uma guerra civil que ficou conhecida como 
Guerra de Secessão. O conflito deixou aproximadamente 610 mil mortos e terminou com a derrota do Sul 
pelas tropas nortistas. Durante a guerra civil, foram promulgadas duas leis de enorme importância para a 
história dos Estados Unidos: o Homestead Act (Lei de Povoamento) e a 13a Emenda da Constituição dos 
Estados Unidos, que abolia a escravidão no país. 
 
OBS.: Em 1863, em meio à guerra civil, o presidente Abraham Lincoln proclamou a Lei de Emancipação dos 
escravos por meio do documento reproduzido parcialmente a seguir. 
 
“Que no dia 1º de janeiro de 1863, todas as pessoas mantidas como escravas dentro de qualquer estado ou de uma designada parte 
de um estado, cujo povo estivesse em rebelião contra os Estados Unidos, fossem dessa data em diante, e para sempre, livres; e o 
governo executivo dos Estados Unidos, incluindo sua autoridade militar e naval, reconhecerá e manterá a liberdade dessas pessoas e 
não fará nenhum ato [...] com o fim de reprimir-lhes os esforços para obter sua verdadeira liberdade. […] 
E por meio dessa proclamação, ordeno às pessoas assim declaradas livres que se abstenham de toda violência, a não ser em caso de 
necessária autodefesa; e recomendo-lhes que, em todos os casos permitidos, trabalhem fielmente mediante salários razoáveis.” 
 
LINCOLN, Abraham [1 jan. 1863]. SYRETT, H. Documentos históricos dos Estados Unidos. São Paulo: Cultrix, 1960. p. 219-220. 
 
- Somente em abril de 1865, a lei que proibia a escravidão em todo o território estadunidense foi aprovada 
e, em dezembro daquele ano, setemeses após o fim da Guerra de Secessão, foi registrada como a 13ª 
Emenda da Constituição dos Estados Unidos. 
 
- Em 1870, entrou em vigor a 15ª Emenda, que proibia a discriminação dos eleitores por motivos raciais. 
Porém, a ampla autonomia jurídica que a Constituição garantia a cada estado possibilitou a aprovação, em 
alguns deles, de leis institucionalizando a discriminação racial. Esse mecanismo legal, somado à ação de 
grupos racistas como a Ku Klux Klan e às pressões dos grandes fazendeiros do Sul do país, manteve a 
população negra afastada das urnas. Mesmo após o fim da escravidão, os negros permaneceram à margem 
da sociedade. 
- Entre o final do século XIX e início do século XX, em certos estabelecimentos particulares, como hotéis e 
restaurantes, assim como em algumas instituições públicas, os negros eram segregados dos brancos 
através de legislações municipais e estaduais → As Leis Jim Crow.

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