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MECÂNICA DOS SOLOS IMECÂNICA DOS SOLOS I ANA PATRANA PATRÍÍCIA NUNES BANDEIRACIA NUNES BANDEIRA Recife, 2Recife, 2ºº SEMESTRE DE 2010SEMESTRE DE 2010 UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ CAMPUS CARIRI DISCIPLINA: MECÂNICA DOS SOLOS IDISCIPLINA: MECÂNICA DOS SOLOS I 22ºº Semestre de 2010Semestre de 2010 Compressibilidade Compressibilidade e Adensamentoe Adensamento COMPRESSIBILIDADE É a propriedade que têm certos corpos de mudarem de forma ou volume quando lhes são aplicadas forças externas. Esta compressão é atingida de várias maneiras, inclusive através do rearranjo das partículas sólidas do solo e da compressão ou expulsão da água ou do ar dos poros. COMPRESSIBILIDADE E ADENSAMENTO Um solo ao ser submetido a um carregamento sofrerá deformações. Dependendo das dimensões e rigidez da fundação e das condições do subsolo (espessura, heterogeneidade, etc), estas deformações se traduzirão em deslocamentos verticais e horizontais, que, por sua vez poderão causar danos, que podem variar de pequenas trincas e inclinações, ou até mesmo comprometer a estabilidade estrutural de uma obra. Deslocamentos verticais e horizontais decorrentes do carregamentos aplicados ao solo O estudo da compressibilidade dos solos com vista à previsão dos deslocamentos verticais de uma área carregada: TIPOS DE DESLOCAMENTOS VERTICIAS Recalques: Os recalques podem ser definidos como todo deslocamento vertical descendente que uma estrutura está sujeita. O termo “recalque diferencial” é, normalmente, referido à diferença entre os recalques absolutos ou totais entre dois elementos da fundação de uma estrutura. Levantamentos: Os levantamentos são deslocamentos verticais ascendentes que a fundação de uma estrutura estará sujeita. A causa dos levantamentos, entretanto, está, normalmente, associada às peculiaridades de algumas argilas no estado não saturado que apresenta considerável aumento de volume quando absorve água TORRE DE PISA 5 9 m 1174 - 1350 22 m Areia argilosa (4,3 m) Areia pura (6,3 m) Argila marinha TORRE DE PISA TORRE DE PISA Bulbo de pressões PRÉDIOS DE SANTOS Argila marinha Areia pouco argilosa Efeito dos recalques diferenciais sobre a Torre de Pizza. Efeitos dos movimentos verticais em um solo expansivo sobre a estrutura EXEMPLOS DE RECALQUES - Cidade do México: devido a retirada d’água e os recalques por adensamento, apresentou regiões com deformações da ordem de 14m em 2002; - Palácio de Bellas Artes (recalque diferencial de 2,0m; e em alguns locais foi de 7,0 m). - Na Califórnia uma área de 41,5 km2 apresentou um recalque da ordem de 7,5m em 1976, devido a extração de petróleo; 00 .HAV = ff HAV .= HAV ∆=∆ . 00 H H V V v ∆=∆=ε )1()1()1( )1()1( 00 0 0 0 0 e e e ee eV eVeV V V f s fss + ∆=+ −=+ +−+=∆ )1( 00 e e H H + ∆=∆ )1( . 0 0 e eHH + ∆=∆=ρ=>=> =>=> COMPRESSIBILIDADE A compressibilidade do solo é uma das principais causas do recalque, em que há diminuição do volume do solo sob a ação das cargas aplicadas. 1 + e0V0 εvol = ∆v = ∆eDeformação volumétrica: Módulo de variação volumétrica: ∆σ’v mv = ∆ε Recalque Principais ensaios empregados na estimativa dos deslocamentos verticais em função das condições de carregamento. Carregamento condizente com a deformação unidimensional Empregado em situações onde a extensão da área carregada é consideravelmente superior a espessura da camada solicitada, onde as deformações horizontais podem ser consideradas nulas (aterros). Ensaios de compressão edométrica Condição de carregamento condizente com um estado de deformação bidimensional Ensaios de compressão triaxial. O ensaio de compressão triaxial é empregado em situações onde a extensão da área carregada é consideravelmente inferior a espessura da camada solicitada, onde as deformações horizontais não podem ser consideradas nulas (fundações). O aparelho utilizado para estudar as deformações volumétricas é o Oedômetro, desenvolvido por Terzaghi (ensaio oedométrico – e x logσ). Ensaios de compressão edométrica O resultado do ensaio é expresso por uma curva tensão vs deformação ou índice de vazios A inclinação da reta do trecho inicial fornece um parâmetro denominado de “índice de recompressão (Cr)”. Comportamento elástico. TRECHO DE RECOMPRESSÃO A inclinação do trecho virgem fornece um parâmetro de deformabilidade do solo denominado “índice de compressão (Cc)”. As deformações não são recuperáveis. RETA VIRGEM A inclinação do trecho do descarregamento (ou inchamento) do solo fornecerá outro parâmetro de deformabilidade, denominado “índice de expansão” (Cs), cujo valor é aproximadamente igual a Cr. σ’vm = pressão de pré-adensamento ou de sobreadensamento ou de pré-consolidação É a pressão vertical a partir da qual o solo passa a sofrer grandes deformações. A partir dele o solo começa a escoar (pressão de escoamento). É a tensão máxima anteriormente registrada. σ’vm A pressão de pré-andesamento é a pressão limite da curva de recompressão, o que corresponde ao estado de solicitação a que esteve submetida anteriormente a camada de solo PRESSÃO DE PRÉ-ADENSAMENTO (σ’p ou σ’vm) A pressão de pré-andesamento (σ’vm) pode ser determinada através de vários métodos empíricos. Os métodos mais empregados no Brasil são o de Casagrande e o de Pacheco Silva. Método de Casagrande: e0 x σv Define-se o ponto de menor raio de curvatura, a partir da qual são traçadas duas retas, uma tangente à curva e a outra paralela ao eixo das tensões. Determina-se a bissetriz do ângulo formado por essas duas retas. Prolonga-se a reta virgem até encontrar a bissetriz. O ponto de encontro terá coordenadas (evm, σ’vm). DeterminaDeterminaçção da Tensão de Prão da Tensão de Préé--adensamentoadensamento Método de Pacheco Silva: e0 x σv Traça-se uma reta horizontal, passando pela ordenada correspondente ao índice de vazios inicial e0, e prolonga-se a reta virgem até interceptar a reta horizontal. A partir dessa interseção (ponto A), traça-se uma reta vertical até interceptar a curva (B). Traça-se outra reta horizontal até sua interseção com o prolongamento da reta virgem (C). Este ponto terá coordenadas (evm, σ’vm). Ensaios de compressão triaxial. Nesse ensaio, uma amostra cilíndrica de seção S e altura h é introduzida numa câmara de compressão, revestida por uma membrana impermeável, que permite a uniformização da pressão e, ao mesmo tempo, evita a perda de água, mantendo a pressão constante. Transmite-se à amostra uma compressão lateral por meio de pressão hidrostática aplicada à amostra contida no interior da câmara. Representação esquemática de uma célula triaxial Ensaios de compressão triaxial. O resultado deste ensaio é apresentado na forma de uma curva tensão-deformação onde pode-se tirar o módulo de Young (E), pela inclinação de um trecho retilíneo inicial dentro da faixa de tensões de interesse, empregado nas fórmulas da teoria da elasticidade. Representação gráfica do resultado de um ensaio triaxial PRESSÃOPRESSÃO COMPORTAMENTO DA ARGILACOMPORTAMENTO DA ARGILA σ’v < σ’vm Solo prSolo préé--adensado (PA); deformaadensado (PA); deformaçções pequenas e reversões pequenas e reversííveis; veis; comportamento elcomportamento eláástico (OCR > 1)stico (OCR > 1) σ’v ≥ σ’vm Solo normalmente adensado (NA); deformaSolo normalmente adensado (NA); deformaçções grandes e ões grandes e irreversirreversííveis; comportamento plveis; comportamento pláástico (OCR stico (OCR ≤≤ 1)1) OCR = σ’vm σ’v OCR = Over Consolidation Ratio RSA = Razão de SobreAdensamento RPA = Razão de Pré-Adensamento σ’v = pressão efetiva verticalatual σ’vm = pressão de pré-adensamento HISTÓRIA DE TENSÕES PARÂMETROS DE COMPRESSIBILIDADE Cc = Coeficiente de compressibilidade = - ∆e / ∆logσ’v obtido da reta virgem da curva e x log σ’v Cs = Coeficiente de descompressão = ∆e / ∆logσ’v obtido da reta de descompressão da curva e x log σ’v RECALQUES recalques elásticos ou imediatos (∆Hi) – são aqueles que ocorrem imediatamente a aplicação da carga, em um curto espaço de tempo, decorrente, principalmente, da distorção do solo. recalques que se processam com o tempo (∆Ht) – são aqueles decorrentes do adensamento de camadas argilosas saturadas (∆Hc) e a fenômenos viscosos (∆Hs), tal como o adensamento secundário ou creep. Além desses, há que se destacar os recalques de colapso que ocorrem em solos não saturados (∆Hcl), quando estes são umedecidos, e os recalques decorrentes da contração de solos expansivos (∆Hct). ∆H = ∆Hi + ∆Ht Outras Causas dos Recalques Além das parcelas imediatas e os recalques com o tempo devidos ao adensamento primário e secundário, todas decorrentes da aplicação de um carregamento, os recalques pode decorrer de outros fenômenos ou causas, tais como: Rebaixamento do lençol freático – causa aumento nas tensões efetivas, acelerando o processo do adensamento em camadas argilosas. Fato semelhante ocorre em camadas arenosas fofas. Vibrações – em terrenos constituídos por solos arenosos fofos, as vibrações podem provocar a compactação do solo, resultando em recalques não previstos. A vibração devido ao tráfego em obras vizinhas ou devido a cravação de estacas ou desconfinamento do solo provocado por escavações provocam recalques. Condições climáticas – contração de camadas argilosas devido à ressecamento em estiagens prolongadas. Colapso da estrutura do solo – o colapso ocorre em alguns solos não saturados que perdem considerável resistência e rigidez quando submetido a um processo de umedecimento. Agentes químicos – alguns solos, normalmente argilosos, pode ter sua estrutura alterada pela adição de substâncias químicas agressivas (ácidos, hidróxidos, esgotos), podendo resultar em colapso da estrutura do solo. Adensamento Primário das Argilas ρ= H0 . ∆e , onde H0 é a espessura inicial da camada 1+e0 Recalque primário, comportamento drenado das argilas Para solo normalmente adensado: ρ= H0 . Cc . log σ’vf 1+e0 σ’vi Para solo pré - adensado: ρ= H0 . Cs . log σ’vf 1+e0 σ’vi Para solo pré – adensado além da pressão de pré-adensamento: ρ= H0 Cs . log σ’vm 1+e0 σ’vi + Cc . log σ’vf 1+e0 σ’vm σ σ ‘‘vvi i = = σ σ ‘‘vmvm σσ’’vfvf < < σσ’’vmvm σσ’’vfvf > > σσ’’vmvm ρ = H0. εvol Deformação volumétrica TEORIA DO ADENSAMENTO PRIMTEORIA DO ADENSAMENTO PRIMÁÁRIO DESENVOLVIDA POR TERZAGHIRIO DESENVOLVIDA POR TERZAGHI Hipóteses da Teoria do Adensamento: 1- O solo é totalmente saturado; 2- A compressão é unidimensional; 3- O fluxo d’água é unidimensional; 4- O solo é homogêneo; 5- A água e o solo são incompressíveis; 6- O solo pode ser estudado como elemento infinitesimais; 7- O fluxo é governado pela Lei de Darcy; 8- As propriedades do solo não variam no processo de adensamento; 9- O índice de vazios varia linearmente com o aumento da tensão efetiva durante o processo de adensamento; A hipótese 9 permite associar o aumento da tensão efetiva, e a correspondente dissipação de pressão neutra, com o desenvolvimento dos recalques de maneira simples, por um parâmetro fundamental no desenvolvimento da teoria, que é o “grau de adensamento”. COEFICIENTE DE ADENSAMENTO (Cv) Cv = k (1+e) γw . av Cv = k γw . mv GRAU DE ADENSAMENTO (Uz): relação entre a deformação ocorrida num elemento numa certa posição, caracterizada pela sua profundidade z, num determinado tempo (ε) e a deformação deste elemento quando todo o processo de adensamento tiver ocorrido (εt). Uz = ε εt = e1-e e1-e2 = σ-σ1 σ2-σ1 = u1-u u1 COEFICIENTE DE COMPRESSIBILIDADE (av) av = - ∆e ∆σ av = ∆e ∆u Módulo de variação volumétrica: ∆σ’v mv = ∆ε Módulo de compressão volumétrica: ∆ε D = ∆σ’v mv D = 1 av = (1+e).mv Grau (percentagem) de adensamento = Grau de acréscimo de tensão efetiva = Grau de dissipação de pressão neutra Representação esquemática da determinação de Hd Tv = cv . t Hd2 FATOR TEMPO (Tv) Tv é o fator tempo e Hd a maior distância de percolação da água. Para um estrato de argila entre duas camadas drenantes, Hd será igual a metade da espessura H desta camada. Fator tempo 2 . d v H tcT = Fator tempo, Tv U (%) Tv 0 0 10 0,0078 20 0,0314 30 0,0707 40 0,126 50 0,197 60 0,286 70 0,403 80 0,567 90 0,848 95 1,129 100 ∞ Curva de Adensamento – Porcentagem de recalque em função do fator tempo Fator tempo em função da porcentagem de recalque ∫−= 2 0 . 2 11 dzUz Hd U GRAU DE ADENSAMENTO MÉDIO (U) = porcentagem de recalque OBTENÇÃO DO COEFICIENTE DE ADENSAMENTO (Cv) MÉTODOS: Método de Casagrande (log de t): ∆H x Log t Cv = T50 . h250 t50 Traça-se duas tangentes: uma tangente à parte retilínea do final da curva e outra tangente à parte central, através de seu ponto de inflexão. O ponto de interseção corresponde ao fim do adensamento primário (t100). No tempo 1 min traça-se uma vertical até a curva e encontra-se o ponto A. Traça-se uma horizontal que determina B na abscissa de 0,25 min. O ponto C está sobre a curva, na abscissa de o,25 min. Encontra-se o ponto D, tomando a mesma distância de BC e CD. Traça-se uma horizontal no ponto D até a tangente à parte central da curva e determina-se o t0. t50 é o ponto médio da reta que liga t0 a t100. t50 e h50 correspondem a 50% do adensamento. OBTENÇÃO DO COEFICIENTE DE ADENSAMENTO (Cv) MÉTODOS: Método de Taylor (raiz de t): ∆H x raiz de t Cv = T90 . h290 t90 Traça-se uma tangente à parte retilínea inicial da curva até encontrar o eixo das ordenadas (ponto A). Arbitra-se um ponto B qualquer sobre a tangente. A distância entre este ponto e o eixo vertical é x. Determina-se o ponto C, distante 0,15x de B. Traça-se a reta AC, que secciona a curva no ponto D. As coordenadas do ponto D são t90 e ∆H90, correspondentes a U=90%.