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CAPÍTULO 206 ALAN MICHAEL C.ANDERSON & MICHAEL W. EYSENCK LEITURA ADICIONAL 0 ESQUECIMENTO 9 Gabrieli, J. D.E. (1998). Cognitive neuroscience of human memory. Annual Review of Psychology, 49, 87-115. INCIDENTAL Roediger, H.L.,& Guynn, M.J. (1996). Retrieval processes. In E.L. Bjork and R.A. Bjork (Eds.) Memory (Vol. 10, pp. 197-236). San Diego: Academic Press. Michael Anderson Yonelinas, A. P. (2002). The nature of recollection and familiarity: A review of 30 years of research. Journal of Memory and Language, 46, 441-517. N feriado de Natal, minha irmã perguntou, "Você lembra quando derrubou o pinhei- ro de Natal?". Eu disse: "Do que você está QUADRO 8.2 (Respostas ao Quadro 8.1) falando? Eu nunca fiz isso!". Intrigada, minha irmã disse: "Sim, você fez, não lembra?". Meu País Primeira letra da capital País Primeira letra da capital irmão acrescentou: "Sim, você quis se espre- I Noruega Oslo Coreia do Sul Seul mer às pressas atrás do pinheiro para poder 2 Turquia Ancara 12 Síria Damasco tirar uma foto da tia Dottie e do tio Jim quando 3 Quênia Nairobi 13 Dinamarca Copenhague eles subiam pela entrada da garagem, quando 4 Uruguai Montevidéu 14 Sudão Cartum você derrubou pinheiro no chão". Indignado, 5 Finlândia Helsinqui 15 Nicarágua Manágua eu disse: "O quê? Do que vocês estão falando? 6 Austrália Camberra 16 Equador Quito Vocês devem estar me confundindo com outra 7 Arábia Saudita Riad 17 Colômbia Bogotá 8 Romênia Bucareste 18 Cabul pessoa". Meu pai insistiu: "Não, você com cer- Afeganistão 9 Portugal Lisboa 19 Tailândia teza derrubou pinheiro. Foi uma grande con- Bangcoc 10 Bulgária Sofia 20 Venezuela Caracas fusão, e nós zombamos de você por causa dis- so". Ele acrescentou que se lembrava de como me senti mal por ter estragado pinheiro, ape- sar de todos dizerem que não havia problema. Eles simplesmente não podiam acreditar que eu havia me esquecido disso. Aceitei, relutante, que evento devia mes- De acontecimentos infelizes a detalhes mundanos mo ter acontecido. Fiz um esforço para me de sua vida cotidiana, muitas de suas memórias lembrar dos detalhes, mas não conseguia pen- são esquecidas. Como e por que certas memó- sar em nada. Perguntei: "Quando isso acon- rias são perdidas enquanto outras permanecem teceu? Quando eu era criança?". Minha irmã pela vida © Lambert/Archive Photos. respondeu: "Não, isso foi há uns três ou qua- Fonte: Getty tro anos, quando eu estava em Nova Fiquei chocado. Chamei meu outro irmão, e ele confirmou cada detalhe, além de lembrar o Pegue uma folha de papel e faça uma lista ano em que acontecera. De fato, eu me lembra- de tudo que fez desde o momento em que va daquele Natal em Nova Iorque, e da câmera acordou até o momento em que foi dormir on- nova de minha mãe (que eu estava usando), tem, incluindo detalhes sobre quem encontrou mas simplesmente não conseguia lembrar este e as conversas ou pensamentos que teve. É evento. Depois de vários meses e de buscas re- possível que você tenha se saído bastante bem, petidas, eu ainda não conseguia trazer à men- tendo conseguido tomar nota de uma série de te quaisquer traços da experiência. detalhes. Talvez tenha deixado de fora um ou Antes de começar a imaginar que sou am- outro pequeno detalhe, qual recordaria se lhe nésico, considere quanto de sua vida conse- fosse lembrado. A seguir, faça o mesmo para o gue lembrar. Faça uma pausa da leitura e tente mesmo dia na semana passada. Você provavel- fazer um exercício. mente ainda lembrará muitas coisas, mas com208 ALAN BADDELEY, MICHAEL C.ANDERSON & MICHAEL W. EYSENCK MEMÓRIA 209 muito mais esforço, e muito provavelmente memória, com alguma finalidade. É provável além de a distrair, às vezes causa problemas. ocorrem em nosso dia a dia. Como podemos sentirá que está esquecendo algo. Finalmente, que, para explicar a variedade completa de Nas palavras de A.J.: entender esquecimento? Um bom ponto de tente fazer mesmo, mas para dia que ocor- experiências que as pessoas têm mediante partida para a discussão desse fenômeno é re- reu exatamente um mês atrás. Faça um grande esquecimento, sejam necessárias teorias de Minha memória tem comandado minha conhecer um fato fundamental: para a maioria esforço. É bem provável que, apesar do grande ambos os tipos de esquecimento. Discutimos vida... É como um sexto sentido... Não há es- das pessoas (e organismos) esquecimento au- empenho, você não se lembre de várias coisas, esquecimento incidental aqui, e esqueci- forço nisso... Quero saber por que me lembro menta com passar do tempo. Apesar disso cer- e sim de alguns esboços mais gerais cujos de- mento motivado no próximo capítulo. de tudo. Penso sobre passado tempo todo... tamente não causar surpresa, você pode não ter talhes serão mera adivinhação, ainda assim so- É como se um ficasse passando sem considerado a natureza da relação entre a me- mente após muita reconstrução. mesmo fato desconfortável se aplica à maioria dos dias de UMA MEMÓRIA EXTRAORDINÁRIA parar. É como uma tela repartida. Eu falo mória e tempo. Se tivesse de adivinhar, você diria que as pessoas esquecem constantemen- sua vida, exceto pelos eventos verdadeiramen- Como seria se lembrar de tudo que já lhe acon- com uma pessoa e estou pensando em outra te? Para abordar essa questão, precisamos sim- te especiais e pelo passado recente. teceu? Apesar de uma tal pessoa jamais ter coisa... Como quando estamos sentados aqui plesmente medir quão propenso se é ao esque- Na verdade, considere seguinte: este exato sido encontrada, há indivíduos com memórias e estou falando com você, e na minha cabeça cimento no decorrer do envelhecimento. Mais momento em que está conscientemente tendo extraordinárias. Recentemente, Elizabeth Pa- estou pensando em algo que me aconteceu uma vez, um estudo clássico foi conduzido por esta experiência irá juntar-se se sua história rker, Larry Cahill e James McGaugh (2006) rela- em dezembro de 1982, dia 17 de dezembro, de Hermann Ebbinghaus (1913), usando a si mes- servir como um tipo de guia ao resto das ex- taram fascinante caso de A.J., uma mulher de 1982, era sexta-feira, e eu estava começando mo como participante em um teste com sílabas periências perdidas. Não conseguimos deixar 41 anos com uma impressionante capacidade meu trabalho na Gs (uma loja)... Eu só preciso sem sentido como material a ser aprendido. Eb- de nos impressionar diante da possibilidade de lembrar-se de seu passado. A.J. se lembra de ter uma experiência uma vez para ficar com- binghaus aprendeu 169 listas separadas de 13 sí- de que algo plenamente contemplado por sua cada dia de sua vida desde a adolescência, com pletamente marcada por ela... Não consigo labas sem significado, e então reaprendeu cada consciência neste momento termine se perden- extraordinário detalhamento. Mencione qual- me livrar das coisas na minha memória... lista após um intervalo que variava entre 21 mi- do por completo desta forma. É este o destino quer data ao longo de diversas décadas, e ela se Memórias felizes que mantêm minha mente nutos e 31 dias. Ele sempre descobria que havia de todas as experiências? Quando você tiver vê naquele dia, revivendo eventos e sensações como se tivessem ocorrido ontem. Ela conse- integra... Eu valorizo essas memórias, as boas ocorrido um pouco de esquecimento e utilizou 80 anos, lembrará somente 1% de sua vida em quaisquer que sejam os detalhes? Estarão todas gue dizer que dia da semana era, eventos que e as más... Não consigo me livrar das coisas a quantidade de tempo necessária para apren- der a lista novamente, como medida do quan- as suas lembranças ali, porém inacessíveis? aconteceram nos dias anteriores e posteriores por causa da minha memória, faz parte de to havia sido esquecido. Ebbinghaus descobriu A função da memória nunca é tão notá- e detalhes complexos sobre seus pensamentos mim... Quando penso nessas coisas, é um tan- uma clara relação entre o tempo e a retenção. vel e impressionante do que quando ela falha. e sentimentos, além de eventos públicos, todos to Soube há muito tempo que Você deve lembrar que no Capítulo 3 afir- Neste capítulo, consideramos os mecanismos permitindo sua verificação nos diários que ela tinha uma memória excepcional... Não acho mei que relacionamento entre a aprendiza- subjacentes ao esquecimento. Podemos ima- mantinha há mais de 30 anos. A.J. relata que que jamais quisesse ter isso, mas é um fardo. gem e a evocação era mais ou menos linear, ginar por que esquecimento deve ser trata- essas memórias são vívidas, como um filme comportando-se armazenamento da memó- do em um capítulo separado do da evocação, que passa, e cheias de emoções. Sua lembrança Parker e colaboradores (2006) denominaram ria de longa duração como uma banheira que é no qual discutimos por que esta falha. De fato, parece ser automática e não estar sob qualquer a doença de A.J. de síndrome hipertimésica, do enchida por uma torneira que corre a um volu- a falha de evocação é uma forma de esqueci- controle consciente, uma afirmação sustenta- grego thymesis, que significa lembrar. Em suma, me constante. Mas e quanto ao esquecimento? mento. Contudo, esquecimento merece uma da pelo fato de que suas recordações aconte- A.J. possui uma memória incontrolável. Está cla- Seria simplesmente como puxar a tampa do distinção especial devido ao potencial dos pro- cem de forma imediata, sem esforço. ro que a experiência de vida de A.J. é muito dife- ralo da banheira, fazendo com que as informa- cessos de esquecimento que contribuem para Poderíamos pensar que ter uma memória rente da nossa e ilustra preço que ela paga por ções sejam perdidas constantemente, ou seria a falha de evocação. Além disso, a ênfase no es- tão extraordinária seria maravilhoso. Mas isso sua memória: ela consegue se lembrar de bons a relação menos direta? Os resultados obtidos quecimento chama nossa atenção para as mu- não é nada bom. Quando coisas desagradáveis tempos à custa do sofrimento causado pela per- por Ebbinghaus são apresentados na Figura danças na evocação, com passar do tempo. acontecem, A.J. gostaria de conseguir esque- sistência dos maus tempos. Você preferiria ter a 9.1. Este gráfico representa a relação quantita- Que fatores produzem mudanças? Como seria cer, e constante bombardeio de lembranças, memória de A.J. à sua própria? Talvez esque- tiva entre a memória e tempo, denominada a vida se nunca nos esquecêssemos de nada? cimento não seja tão ruim. Mais adiante, neste de curva de esquecimento ou, às vezes, a fun- Ao abordar essas questões, as pesquisas capítulo, discutiremos a possibilidade de que ção da retenção. Como se pode ver, segundo sobre a memória têm enfocado tanto esque- TERMOS-CHAVE esquecimento tenha uma função útil. cimento incidental quanto esquecimento Esquecimento incidental: Falhas de memória TERMO-CHAVE motivado. esquecimento incidental ocorre que ocorrem sem a intenção de esquecer. Esquecimento motivado: Termo amplo que 0 FATO FUNDAMENTAL sem a intenção de esquecer; esquecimento Curva de esquecimento/função da retenção: motivado ocorre quando as pessoas se envol- engloba esquecimento intencional, bem como o DO ESQUECIMENTO Diminuição da retenção da memória em vem em processos ou comportamentos que esquecimento provocado por porém função do tempo decorrido, descrita pela primeira sem a intenção consciente. Claramente, a experiência de A.J. é atípica, à me- reduzem intencionalmente a acessibilidade à vez por Ebbinghaus. dida que a maioria de nós esquece eventos que210 ALAN BADDELEY, MICHAEL C.ANDERSON & MICHAEL W EYSENCK MEMÓRIA 211 Figura 9.1 A curva de es- As curvas de esquecimento discutidas até na aprendizagem de uma língua estrangeira Curva de esquecimento de Ebbinghaus quecimento que Ebbinghaus 100 este ponto se ocuparam principalmente da me- (neste caso, o espanhol). A característica mais (1913) obteve quando or- 90 Lista de aprendizagem mória de eventos distintos que são aprendidos impressionante do gráfico é modo como os ganizou os resultados de 80 BUP de forma relativamente precária. 0 que dizer níveis de esquecimento se estabilizavam após um de seus experimentos a respeito. Sua descoberta 70 de informações que foram aprendidas de for- dois anos, com menor perda posterior a um in- RUJ de que esquecimento de Percentual retido 60 NID ma mais apurada e deliberada? Um intrigante tervalo mais prolongado, praticamente 50 anos informações acontecia com 50 LEV estudo de Bahrick, Bahrick e Wittlinger (1975) mais tarde. É como se o esquecimento ocorres- muita rapidez inicialmente e 40 rastreou 392 estudantes do ensino médio nor- se apenas até um determinado ponto, além do que depois se estabilizava é 30 te-americanos, testando sua memória para no- qual os traços de memória parecem ficar con- válida para muitos tipos de 20 mes e retratos de colegas de aula. Seu estudo gelados. Usando uma analogia para solos per- materiais aprendidos. Dados 10 de Ebbinghaus (1913). demonstrou que a habilidade não somente de manentemente congelados em regiões polares, 0 reconhecer um rosto ou um nome em meio conhecidos como permafrost, Bahrick (1984) min 20 min 60 min hs dias 6 6 dias 31 dias a um conjunto de rostos ou nomes não fami- sugeriu termo permastore para denominar liares, mas também de tentar ligar os nomes este desempenho estável na aprendizagem de Intervalo de retenção aos rostos, permanecera idiomas. segundo ponto interessante é de elevada em 30 anos. Em contraste, quanto à que a retenção geral é determinada pelo nível habilidade de recordar o nome em resposta à da aprendizagem inicial, pelo menos no que Ebbinghaus esquecimento era extremamente sobre eventos distintos, com datas determi- foto de uma pessoa, foi constatado maior es- tange à aprendizagem de um idioma estrangei- rápido no início, mas tinha sua velocidade re- náveis, dentre as quais os participantes deve- quecimento, exatamente como descoberto no ro. Portanto, para materiais bem aprendidos, a duzida gradualmente com o passar do tempo; riam responder a 40 perguntas aleatoriamen- estudo anteriormente discutido sobre a memó- curva de esquecimento parece se nivelar após a taxa de esquecimento que ele exibiu era mais te selecionadas. Os pesquisadores tiveram a ria para novos eventos importantes. um período inicial, apresentando pouco esque- logarítmica do que linear. Como em outro tra- perspicácia de utilizar a internet para atrair Harry Bahrick é professor da Ohio Wes- cimento adicional depois de longos períodos. balho de Ebbinghaus, esse resultado se mante- os participantes, permitindo que mais de 14 leyan University, que como é comum a mui- ve para teste de tempo e se aplica a uma am- mil participantes de diferentes faixas etárias e tas faculdades norte-americanas mantém SOBRE A NATUREZA DO pla variedade de condições de aprendizagem. países do mundo todo testassem sua memó- uma reunião anual para os ex-alunos. Bahrick A maioria dos estudos sobre a taxa de es- ria. Os autores testaram a memória dos seus fez um uso inteligente desta tradição para es- ESQUECIMENTO quecimento, como de Ebbinghaus, tem se informantes para esses eventos por meio de tudar a retenção dos ex-alunos em relação a A discussão sobre as funções do esquecimento ocupado de materiais altamente restritos, recordação e reconhecimento. materiais variados: desde a localização geo- levanta uma questão relacionada a algo a que se como listas de sílabas sem sentido ou pala- Os resultados obtidos por Meeter e cola- gráfica da cidade em que se localizava a uni- pode referir como "esquecimento". Os estudos vras não relacionadas. Isso seria representa- boradores (2005) demonstram que realmente versidade até 0 vocabulário de línguas estran- de Meeter e colaboradores e de Bahrick desco- tivo daquilo que acontece com as memórias ocorre um esquecimento substancial de even- geiras aprendidas na faculdade. A Figura 9.2 briram um esquecimento muito maior quando pessoais? que acontece quando um ma- tos públicos, havendo uma queda da recorda- apresenta o efeito do intervalo de memória a recuperação era testada, em comparação ao terial mais realista é recordado a intervalos ção de eventos de 60 para 30% em um único mais prolongados? Responder a essa questão ano. As curvas de esquecimento apresentaram apresenta um grande problema. Considere a um declínio inicial acentuado, seguido de uma Figura 9.2 As pessoas Retenção de idioma estrangeiro que aprenderam espanhol pergunta colocada anteriormente sobre que taxa de esquecimento mais lenta a intervalos 40 na faculdade demonstra- você estava fazendo há um ano. Se você tivesse mais prolongados, especialmente quando a 35 ram um rápido esqueci- de fornecer uma resposta, como eu saberia se evocação era testada de forma-bastante seme- Pontuação para conhecimento do Espanhol mento nos primeiros três você está correto? É extremamente imprová- lhante àquela observada no experimento com 30 ou quatro anos, seguido de vel que a informação necessária permaneça sílabas sem sentido de Ebbinghaus há mais Bom conhecimento 25 um esquecimento extra- de um século. Os autores também descobri- ordinariamente baixo nos disponível. Uma solução é perguntar aos in- 20 formantes sobre os eventos suficientemente ram que desempenho das pessoas era mui- 30 anos seguintes (Bahrick, dignos de nota a ponto de atrair a atenção to mais fraco quando se testava sua evocação, 15 1984). Aqueles que tinham um bom conhecimento da maioria das pessoas no momento em que registrando apenas 31% das respostas corretas 10 Conhecimento mais fraco continuaram com uma clara ocorreram. Essa estratégia foi seguida por com passar dos anos, se comparadas aos 52% vantagem mesmo depois de 5 Meeter, Murre e Janssen (2005), que seleciona- quando tinham apenas de reconhecer a respos- 50 anos. Dados de Bahrick ram manchetes de jornais e noticiários de tele- ta correta dentre as opções. Esses achados con- 0 (1984). 0 10 20 30 40 50 visão, todos dias, por um período de quatro ferem confiabilidade às conclusões básicas so- Anos desde término do curso em lingua espanhola anos. Eles acumularam mais de mil perguntas bre 0 esquecimento em estudos de laboratório.212 ALAN MICHAEL C.ANDERSON & MICHAEL W. EYSENCK MEMÓRIA 213 reconhecimento. De fato, este é um padrão im- memória de onde o havia guardado. Portanto, amalgamados é conhecido como consolidação. guia analisar seus resultados para descobrir portante: reconhecimento geralmente mais fá- é bastante difícil distinguir a inacessibilidade e No mínimo dois tipos de consolidação foram que efeitos as evocações mais antigas tinham na cil do que a recordação. Uma conclusão razoável a indisponibilidade. Além disso, quando as lem- propostos. De acordo com as pesquisas sobre a mensuração da capacidade posterior de evocar daí obtida é que testes de reconhecimento branças transitam do estado de rememorável consolidação sináptica, a gravação da lembran- evento. Os resultados são apresentados na Fi- revelam que com maior frequência reside na para apenas reconhecível, isso pode, em prin- ça leva tempo para se solidificar porque exige gura 9.3: itens não retestados demonstraram memória do que é mensurado pela evocação. cípio, se dever ao enfraquecimento do traço. A mudanças estruturais conexões sinápticas grande esquecimento em um período de quatro Neste caso, seria justo e acertado caracterizar perda permanente talvez não seja do tipo "tudo entre os neurônios. Estas modificações depen- anos (65% esquecidos). Um único teste era su- as falhas em lembrar informações, evidentes ou nada", mas pode ocorrer de modo gradual. dem de processos biológicos que podem levar ficiente para reduzir esquecimento, enquanto nestas funções do esquecimento, como um es- Por esses motivos, e porque a acessibilidade re- de horas a dias para se completarem (Dudai, itens testados em quatro outras ocasiões de- quecimento real, uma vez que muitos daqueles duzida é uma falha de memória, a inacessibili- 2004). Até que essas mudanças estruturais monstraram uma probabilidade impressionan- traços não recordados residem na memória? dade é considerada esquecimento. ocorram, a memória está vulnerável. As pes- temente baixa de esquecimento depois de qua- Não deveríamos reservar termo esquecimento quisas também implicam um processo conhe- tro anos (apenas 12% esquecidos). para definir a perda permanente de traços? Esta FATORES QUE NÃO FAVORECEM cido como consolidação sistêmica, que afirma Portanto, parece que memórias pessoais, questão salienta uma distinção denominada por Endel Tulving - a distinção entre a dispo- 0 ESQUECIMENTO que hipocampo é inicialmente necessário ao se evocadas periodicamente, se tornam re- armazenamento da memória e sua evocação, sistentes ao esquecimento quase da mesma nibilidade da memória no sistema cognitivo (se Os estudos de Harry Bahrick ilustram como mas sua contribuição diminui com tempo forma que ocorria nos casos de permastore está ou não armazenada) e a acessibilidade (se esquecimento, apesar de talvez inevitável para até que córtex seja capaz de evocar a me- para materiais bem aprendidos, relatado por conseguimos acessar a mémória, dado que ela diversas lembranças, pode se tornar mais len- mória por conta própria (Squire, 1992c; Dudai, Bahrick e colaboradores. Outros exemplos da está armazenada): a distinção acessibilidade/ to no caso de certos tipos de conhecimento. 2004). Conforme será discutido no Capítulo 11, melhoria da memória ocasionados pela evo- disponibilidade. Devemos considerar a ina- Quais fatores desfavorecem esquecimento? considera-se que hipocampo consiga fazê-lo cação são discutidos no Capítulo 16, sobre a cessibilidade como esquecimento ou simples- Um ponto óbvio é o de que se, para início da pela reativação recorrente de áreas do cérebro melhoria de sua memória. mente indisponibilidade? discussão, você aprende bem alguma coisa, envolvidas na experiência inicial (p. ex., as áreas Apesar de a evocação melhorar a reten- Infelizmente, reservar esquecimento para esquecimento é menos propício ou, pelo me- envolvidas quando se ouvem sons, observam ção, devemos ser cautelosos em relação a mencionar somente as memórias não disponi- nos, leva muito mais tempo. Mas existem mo- paisagens, essencialmente fazendo uma "repri- quê está sendo evocado. As pessoas são tenta- bilizadas torna impossível a própria mensura- dos de reforçar uma memória que aumente a se" da memória) até que estas áreas sejam inter- das a supor que, se estiverem recordando algo ção do esquecimento. A razão é que determinar resistência ao esquecimento mais do que ou- ligadas de modo a recriar a memória original. que aconteceu há 20 anos, estarão tendo uma se uma memória foi permanentemente perdida tros? Quais lembranças você terá aos 80 anos? Até que a memória se torne independente memória de 20 anos. Isso pode ser verdade é bem mais capcioso do que se poderia suspei- aparente nivelamento da curva de esque- do hipocampo, ela é vulnerável a manipula- se não houverem evocado a memória naque- tar. Quais seriam as nossas evidências para a cimento com passar do tempo demonstra que ções. As estimativas da duração da consolida- le ínterim. Entretanto, se tiverem evocado a indisponibilidade? Falha de evocação? É claro as lembranças não são igualmente vulneráveis ção sistêmica são variáveis, havendo-algumas memória toda, talvez estejam somente evo- que não, como estabelecem os resultados ante- ao esquecimento em todos os momentos de evidências que sugerem que ela possa levar riores. Falha de reconhecimento? Novamente, nossa história. Outra forma de descrever a rela- anos no caso dos humanos. Portanto, parece o reconhecimento pode falhar, mesmo quan- ção entre tempo e memória se dá em termos da existir um processo que fortalece as memórias A influência da proteção do teste de esquecimento do possível comprovar a presença de um traço Lei de Jost, assim denominada em homenagem com passar do tempo, retardando seu esque- 90 na memória, dada a reintegração adequada do ao psicólogo do século XIX que estabelece que, cimento, e que este processo envolve recorrên- 80 contexto. Apesar de uma experiência parecer se duas lembranças têm igual força em deter- cia de evocação de alguma maneira. + de testes perdida para sempre, talvez estímulo correto minado momento, a mais antiga será mais du- Curiosamente, a evocação intencional de determinada experiência também tem um efei- Percentual de itens recordados 70 60 simplesmente não tenha ocorrido. Como foi rável e esquecida menos rapidamente. É como 3 testes 50 discutido no Capítulo 8, bastou que eu visse se duas forças opostas estivessem em ação para to muito relevante sobre a proporção à qual a 40 o passaporte na caixa para recobrar a minha determinar a retenção ao longo do tempo; os memória é esquecida. Este fato foi ilustrado de 30 2 testes mecanismos do esquecimento, mas também forma interessante por Marigold Linton (1975), 20 algum processo que fortalece as memórias que TERMO-CHAVE que utilizou a si mesma como participante. teste 10 sobrevivem ao envelhecimento. De fato, é bas- Todos os dias, durante cinco anos, ela anotou 0 Distinção A tante aceito que novos traços são inicialmente em seu diário a ocorrência de dois eventos. A 0 2 3 4 5 6 acessibilidade se refere à facilidade com a qual uma vulneráveis à interrupção até que sejam gra- intervalos predeterminados, ela selecionava Intervalo (anos) memória armazenada pode ser evocada em um dualmente impressos na memória. processo aleatoriamente eventos do diário e avaliava sua A disponibilidade se refere temporal pelo qual um novo traço gradativa- Figura 9.3 A probabilidade de lembrar algo depende à distinção que indica se um traço está ou não ar- capacidade de recordá-los. Como ela fazia a do número de vezes que foi evocado ou trazido à men- mente se entrelaça ao tecido da memória e pelo mazenado na memória. amostragem desta forma, qualquer evento po- te. Recordar um evento reduz a taxa de esquecimento. qual seus componentes e interconexões são deria surgir várias vezes. Assim, Linton conse- Dados de Linton (1975).214 ALAN BADDELEY, MICHAEL C.ANDERSON & MICHAEL W. EYSENCK MEMÓRIA 215 cando que haviam recuperado anteriormen- muitas vezes se enquadra na realidade: nos da memória se degradam, e não somente os um vácuo mental, desprovido de repetição ou te. evento de evocação de algo é a própria esquecemos de coisas sem intenção, mesmo níveis de ativação. Portanto, as associações de experiências que possam contaminar o es- memória, com contexto e detalhes próprios. quando elas são importantes. Aqui considera- entre as próprias características pode se de- tado da memória e complicar a interpretação Quanto mais frequentemente evocamos uma mos vários dos fatores mais importantes. teriorar. Isso realmente acontece? Tal questão do esquecimento. Para piorar as coisas, mes- experiência, mais desses eventos evocados se relaciona à velha pergunta sobre se as lem- mo se esquecimento ocorrer na ausência de existirão na memória. Contanto que as in- A passagem do tempo como branças são armazenadas de forma perma- interferências, ainda não está claro se traço formações cada vez evocadas sejam corretas causa do esquecimento nente, tornando-se simplesmente inacessíveis. se tornou indisponível ou meramente inaces- e completas, esse processo ampliará a recor- Em determinado nível, a resposta parece ób- sível. Portanto, seria impossível estabelecer dação. Se as recordações forem incompletas A maioria das formas óbvias de se descrever a via: as memórias não são permanentes, e deve evidências para a decadência de forma com- ou imprecisas devido a inferências de recons- curva de esquecimento é que a memória pio- existir uma decadência. Não podemos des- portamental, ainda que ela exista. trução, que lembramos pode não ser que ra com o passar do tempo. Talvez a causa seja considerar que somos seres biológicos. Nossas aconteceu originalmente. simples assim: os traços de memória enfraque- memórias sobrevivem em meio a um tecido Correlatos de temporalidade Parece, portanto, que a evocação pode cem com o tempo. As memórias simplesmente que muda constantemente, no qual neurô- exercer um papel bastante especial na determi- desvanecem, como um cartaz exposto ao Sol e causadores do esquecimento nios morrem e as conexões enfraquecem ou nação de quais elementos da experiência serão à chuva gradativamente desaparece até que são modificadas. Sabemos, por exemplo, que Devido às razões anteriormente expostas, os preservados ao longo de nossas vidas. Cada vez texto se torne ilegível. A ideia de que as memó- um processo temporal degrada as conexões psicólogos experimentais favoreceram a visão que nos reunimos com amigos e relembramos rias enfraquecem com tempo é conhecida sinápticas entre os neurônios que sustentam de que tempo se correlaciona meramente passado, estamos implicitamente selecio- como decadência de traço. Muitos pesquisa- um comportamento recentemente aprendido com algum outro fator que causa o esqueci- nando quais memórias se estabelecerão mais dores são a favor da visão de que a decadência na Aplysia (uma lesma gigante do mar) com mento. Foram examinadas duas possibilida- firmemente. Para aqueles de nós que mantêm de traço determina parcialmente a perda das uma correspondente degradação do compor- des. Em primeiro lugar, à medida que tempo um diário, revisar eventos do dia e recupe- informações da memória de trabalho verbal tamento aprendido (Bailey e Chen, 1989). Não passa, contexto incidental no qual operamos rá-los não somente fornece um registro obje- e visual (Broadbent, 1958; Baddeley, 1986; Co- é absurdo pensar que uma degradação seme- muda gradativamente, talvez desabilitando a tivo de sua ocorrência, mas também aumenta wan, 1988; Page e Norris, 1998; Towse, Hitch e lhante ocorre nos humanos, talvez subjacente evocação de memórias mais antigas. Em se- a longevidade daquelas memórias, especial- Hutton, 2000; Gold, Murray, Sekuler, Bennett e à decadência temporal. Se os neurônios mor- gundo lugar, com passar do tempo, os indi- mente se elas forem revisitadas de tempos em 2005), embora essa abordagem tenha rem e as conexões se deterioram, a sobrevivên- víduos armazenam muitas novas experiências tempos. A evocação tem claramente um efeito os seus críticos (Nairne, 2002). A decadência cia das memórias por longos períodos de tem- semelhantes que podem interferir na evocação especial sobre a retenção. Mais adiante, discu- também exerce seu papel na forma como po de fato parece ser maior mistério. de um traço específico. Apesar de esses fatores tirei as pesquisas que demonstram que, ironi- teóricos pensam sobre priming de repetição Apesar de a decadência parecer inevitável, não refutarem a decadência, fornecem explica- camente, a recuperação também desempenha e a familiaridade, alguns propondo que esses os psicólogos experimentais justificam seu ce- ções alternativas para a curva de esquecimen- um papel importante e complementar na de- efeitos decaem rapidamente (Eichenbaum, ticismo quanto às evidências comportamen- to independentes desse processo. terminação daquilo que esquecemos. 1994; McKone, 1998; Yonelinas e Levy, 2002). tais para isso. A razão é que a demonstração Muitas propostas sobre a decadência de traço comportamental da decadência seria excep- A flutuação contextual compartilham a ideia de que a ativação dimi- cionalmente difícil. Provar que a decadência Conforme discutido no Capítulo 8, a evoca- FATORES QUE FAVORECEM nui gradativamente, mesmo quando item existe exige uma demonstração de que o es- ção depende do número e da qualidade dos ESQUECIMENTO INCIDENTAL permanece armazenado. Por exemplo, a ex- quecimento cresce com passar do tempo estímulos disponíveis durante a recordação. Saber que a evocação retarda esquecimento posição recente à palavra capacete pode ativar diante da ausência de outras atividades como Quando se utilizam estímulos irrelevantes, é útil, mas por que esquecimento ocorre em um conceito preexistente. Apesar de a ativa- o armazenamento de novas experiências ou a a recuperação pode falhar. A evocação pode última análise? Que fatores contribuem para a ção desvanecer, conceito permanece. repetição consciente. A repetição da memória falhar quando um estímulo anteriormente perda da retenção? Os psicólogos experimen- Entretanto, há outro sentido para a de- em questão deve ser controlada porque, con- relevante muda com o passar do tempo. Por tais têm tradicionalmente enfatizado esque- cadência, no qual elementos estruturais forme discutido anteriormente, a evocação exemplo, membros de uma família mudam cimento incidental, salientando o envolvimen- fortalece as memórias, que desmereceria os de aparência, fazendo com que combinem me- to de processos passivos que ocorrem como esforços de se verificar a decadência. Como nos com estímulo original associado à me- TERMOS-CHAVE produto derivado de mudanças no mundo ou discutiremos mais adiante, armazenamento mória. Além disso, quando contexto inciden- no indivíduo. Por exemplo, esquecimento Interferência: Fenômeno no qual a evocação de de novas experiências depois da decodificação tal na evocação não combina com aquele do tem sido atribuído a deterioração, mudanças uma memória pode ser perturbada pela presença de um traço precisa ser controlada porque no- momento da codificação, esquecimento tem contextuais e interferência. Essa visão passi- de traços relacionados na memória. vas memórias introduzem a interferência que maior propensão de ocorrer. Uma explicação va se encaixa no sentimento geral que quase Decadência de traço: Enfraquecimento gradual pode interromper a evocação. Se essas restri- da curva de esquecimento, então, é a de que, das memórias resultante da mera passagem do todos temos de que somos vítimas involun- ções forem levadas em consideração, indiví- à medida que 0 tempo avança, as mudanças tempo. tárias da perda de memória. Esta perspectiva duo precisará ser mantido essencialmente em de contexto aumentam em média porque o216 ALAN MICHAEL C.ANDERSON & MICHAEL EYSENCK MEMÓRIA 217 mundo muda e nós mudamos. Com tempo, de que armazenar traços similares impede encontramos novos estímulos, pessoas e situa- a evocação é conhecida como Competição de evocação ções, e temos novos pensamentos e emoções. A interferência representa um assunto sério Estímulo de evocação Estímulo de evocação Dessa forma, nosso contexto incidental será quando se considera que as pessoas são, por mais semelhante àquele em que estivemos natureza, criaturas que cultivam hábitos. pouco tempo antes e se tornará menos seme- As pessoas gostam de suas rotinas, seja ler lhante com tempo. A ideia de que a flutua- jornal de manhã, seja estacionar na mesma ção contextual contribui para esquecimen- vaga todos os dias, seja tomar café da manhã to tem sido defendida em diversos modelos de no mesmo horário. Manter as rotinas, porém, memória (p. ex., Mensink e Raaijmakers, 1988). torna a vida menos memorável. Lembramos Memória-alvo Alvo Competidor As mudanças de contexto explicam par- que jantamos na noite passada, mas não cialmente impactante fenômeno da amnésia que comemos duas semanas antes. Este es- Quinta-feira infantil, discutida em maior detalhe no Capítu- quecimento não reflete a simples passagem ao meio dia lo 12. A amnésia infantil se refere à dificuldade do tempo. Podemos nos lembrar facilmente de Eu Honda que a maioria das pessoas tem de lembrar experiências por um longo tempo se elas forem Estacionando primeiros anos de suas vidas. Uma hipótese únicas: jantar na casa do vizinho há um ano é é de que os contextos incidentais de crianças muito mais memorável do que jantar em casa Quinta-feira Sábado às ao meio dia 2h da tarde são tão enormemente diferentes daqueles dos três meses atrás. É a presença de outros traços Azul Azul adultos que as memórias da infância simples- de memória que compromete a evocação. Estacionando mente não podem ser evocadas. As crianças Devido ao aumento de uma série de traços si- Mercado Mercado Estacionando Cor não desenvolveram a linguagem, por exemplo, milares com o passar do tempo, a interferência Cor Honda portanto não têm a atmosfera linguística e Honda proporciona uma explicação objetiva para a conceitual na qual existimos quando adultos. Fazendo Eu curva de esquecimento. A ênfase na interferên- Fazendo Eu Ano Ano compras compras As crianças, com certeza, também experi- cia como fonte de esquecimento vem de longa Em frence Dirigindo À esquerda de Dirigindo mentam coisas de formas diferentes do que os data (Muller e Pilzecker, 1900) e foi alvo de pes- 2004 2004 adultos nos quais se transformam, parecendo quisas sobre a memória por quase três quartos Atrás as coisas relativamente maiores quando so- de século (ver Postman, 1971; Crowder, 1976; Seção Seção E mos pequenos. Portanto, a amnésia infantil Anderson e Neely, 1996, para revisões). Fusca Mazda Miata pode residir, em parte, nas mudanças do con- De que forma o acréscimo de experiências Episódio do estacionamento Episódio do estacionamento No 2 texto ambiental, cognitivo e talvez emocional. semelhantes à memória nos afeta de modo negativo? Para entender isso, é oportuno re- Figura 9.4 Acima, à esquerda: estímulo de evocação associado a um único alvo. Acima, à direita: estímulo A interferência tornar à discussão de uma descoberta funda- de evocação se associa a um competidor que interfere na memória do alvo. Abaixo: um exemplo mais complexo Com passar do tempo, as experiências se mental sobre o que poderia estar implicado na de com estímulos de evocação múltiplos e compartilhados, e memórias complexas contendo muitas acumulam. Como pilhas de papéis em uma interferência. No início da história das pesqui- características. Fonte: Anderson e Neely (1996). © Academic Press. Reproduzido com permissão de Elsevier. mesa, acrescentar novas memórias afeta a fa- sas sobre a memória, os pesquisadores identi- cilidade com que se encontram coisas já guar- ficaram uma característica central comum à outros itens. Por que associar novas memórias vo sobre a memória por parte dos competido- dadas. Quando as memórias são similares, este maioria das situações associadas à interferên- a um estímulo torna a evocação de um determi- res é denominada interferência. A interferên- problema tende a piorar ainda mais, como se cia: esse efeito surge sempre que um estímulo nado alvo difícil? Apesar de as teorias variarem cia aumenta com o número de competidores tivéssemos vários papéis classificados por tó- usado para acessar um alvo (Figura 9.4, na par- em relação aos detalhes, a maioria concorda que um alvo tem. Essa ideia é sustentada pela picos semelhantes sobre a nossa mesa. A ideia te superior esquerda) se associa a memórias que quando um estímulo está ligado a múltiplos tendência de diminuição da recordação com adicionais. itens, eles competem com o alvo pelo acesso à número de itens a serem lembrados aos pa- A situação de interferência canônica está consciência, ideia conhecida como pressupos- res com o mesmo estímulo, uma generalização TERMO-CHAVE ilustrada na Figura 9.4, à direita do painel em to da competição (Anderson, Bjork e Bjork, conhecida como princípio da sobrecarga de Flutuação contextual: Desvio gradual do con- sua forma mais geral, com um único estímulo 1994). Essencialmente, um estímulo ativa todos estímulo (Watkins, 1978). Em essência, à medi- texto incidental ao longo do tempo de forma tal ligado a muitos elementos associados. De acor- os seus elementos associados até certo grau, e da que um estímulo é associado a demasiados que as memórias distantes se desviem do contexto do com essa visão, a progressão de um estímulo eles "disputam" uns com os outros. Dessa forma, itens, sua capacidade de dar acesso a qualquer atual mais do que as memórias mais recentes, dimi- para um alvo depende não somente de quão quaisquer elementos associados, que não fa- um dos traços é comprometida. nuindo desta forma a potência das primeiras como fortemente aquele estímulo está associado ao zem parte da memória-alvo, são denominados Como essas ideias explicam por que estímulo de evocação de memórias mais antigas. alvo, mas também se 0 estímulo se relaciona a competidores. Em geral. qualquer efeito negati- armazenamento de memórias semelhantesMEMÓRIA 219 218 ALAN MICHAEL C.ANDERSON & MICHAEL EYSENCK Tabela 9.1 Efeitos da interferência Fenômenos de interferência Os métodos para se estudar a interferên- TERMOS-CHAVE Estímulo Verbo relacionado Uma série de situações qualitativamente dis- cia retroativa tiveram a tendência a enfocar Pressuposto da competição: Proposição teó- tintas produz interferências. Por exemplo, materiais simples que se enquadram estrei- rica de que as memórias associadas a um estímulo Exemplo Duck Crouch armazenamento de novas experiências pode tamente em situações de interferência canô- de evocação compartilhado impedem automati- camente a evocação de uma e outra mediante a interferir na evocação de outras mais antigas, nica, conforme já descritas. Este fenômeno é 2 mas memórias mais antigas podem também muitas vezes estudado utilizando-se design apresentação do estímulo. Post da interferência retroativa clássica, ilustrada Princípio da sobrecarga de estímulo: Ten- impedir a evocação de memórias recentes. 3 Court dência observada na recordação bem-sucedida de Nesta seção, revisamos alguns dos fenôme- na porção esquerda da Figura 9.5. Na condi- diminuir à medida que número de itens a serem 4 Root nos de interferências mais importantes e os ção experimental, as pessoas estudam uma lembrados associados a um estímulo aumenta. 5 Sock resultados-chave descobertos. É importante primeira lista de pares (quadro superior) e, de- 6 considerar que, apesar dos detalhes dessas si- pois, uma segunda lista. Com muita frequên- Shed tuações variarem, mecanismos subjacentes cia, pares da primeira lista (p. ex., cão-céu) causa a interferência? Considere um exemplo 7 Fence produtores do esquecimento podem, de fato, trazem suas palavras-estímulo repetidas na se- no qual você está lembrando onde estacionou 8 Lobby ser semelhantes. Na seção a seguir, considera- gunda lista, mas são colocadas aos pares com carro no shopping center que você costuma remos possíveis mecanismos. novas palavras-resposta (p. ex., cão-pedra) que 9 Stump frequentar. Enquanto estaciona, você terá as pessoas devem aprender em lugar da lista 10 Fawn codificado aspectos de sua experiência de Interferência retroativa antiga. Depois de aprendida a primeira lista, 11 estacionamento em uma memória. Outras Lodge as pessoas são geralmente testadas quanto à No início deste capítulo, você foi solicitado a memórias de estacionamentos 12 Sign primeira palavra de cada par, sendo solicitadas listar todas as coisas que fez ontem, no mes- a esta também contêm características do a lembrar a resposta da lista (p. ex., cão-?). Na 13 Bark mo dia da semana passada e no mesmo dia alvo, incluindo fato de que você conduzia condição-controle, os participantes também 14 Pine do ano passado. Se você fez este exercício, veículo, carro que dirigia (p. ex., um Hon- estudam uma primeira lista, mas procedem a 15 Bowl com certeza se confrontou com fato desa- da azul 2004) e, talvez, seu objetivo de fazer uma atividade irrelevante de preenchimento gradável de lembrar pouco do que aconteceu compras. Se importantes elementos do alvo 16 Prune de lacunas no intervalo durante qual os par- em sua vida. Por quê? Como já discutimos, a (p. ex., seus próprios conceitos de estacionar 17 Duck ticipantes na condição experimental estudam dificuldade pode derivar de diversas fontes, a segunda lista. Portanto, essas duas condições e do seu Honda) servem como estímulos para 18 Rail incluindo a decadência e a flutuação contex- a localização de seu carro, outras memórias nos permitem fazer a pergunta crucial: "Qual 19 Sink tual. Mas há uma ótima chance de que muito que compartilham essas características serão é o efeito da aprendizagem de novas informa- evocadas também. A Figura 9.4 ilustra isso 20 deste esquecimento seja proveniente da in- ções (ou seja, a Lista 2) sobre a capacidade de terferência retroativa. A interferência retro- demonstrando como a situação apresentada lembrar informações previamente estudadas Adaptado de Johnson e Anderson (2004). ativa refere-se ao esquecimento causado pela por um estímulo pode ser elevada aos vários (ou seja, a Lista 1), quanto à situação na qual codificação de novos traços de memória entre estímulos disponíveis neste exemplo (p. ex., nenhuma informação adicional foi aprendida a codificação inicial do alvo e momento do "Eu", "estacionando" e "Honda"). Portanto, a completamente distintos, sendo significado (ou seja, condição-controle)?". teste. Essencialmente, algum processo as- competição por um estímulo compartilhado é do verbo menos comum. Para cada palavra, Os achados gerais são os seguintes: (1) a in- sociado ao armazenamento de experiências tente gerar um elemento associado a seu signi- trodução de uma segunda lista altamente rela- uma forma proveitosa de se visualizar a inter- mais novas impede a capacidade de evocar ficado verbal. Por exemplo, para a palavra duck cionada debilita a habilidade de lembrar itens ferência entre traços similares. outras mais longínquas. Com cada nova ida ao A noção de competição entre itens que (pato), você geraria uma palavra como crouch da primeira lista, em comparação ao grupo- cada vez que você pega ônibus compartilham estímulos de evocação é bas- (abaixar-se) (exemplo da língua inglesa), signi- -controle; (2) aumento no treinamento dos todas as manhãs e cada dia que você passa tante geral. Por exemplo, itens na memória ficando que você pensou no significado do ver- itens da segunda lista continua a prejudicar sentado em frente ao computador no traba- não precisam ser episódios para competirem. bo. Faça isso para cada palavra com a máxima ainda mais a retenção dos itens da primeira lho, as idas ao McDonald's, trajetos de ônibus De fato, a própria evocação do significado de rapidez possível. lista à medida que treinamento prossegue. e dias no trabalho anteriores se afastam de seu uma palavra pode interferir no processo de Para falantes nativos do inglês, esta ta- Isso se aplica especialmente quando as Listas alcance mental. refa é de grande dificuldade porque evocam 1 e 2 compartilham uma palavra-estímulo (p. evocação. Para se convencer disso, tente a instantaneamente significado de substan- ex., cão, como no exemplo anterior). De fato, seguinte demonstração, ilustrada na Tabela 9.1.* Cada uma das palavras listadas nessa ta- tivo da palavra, e devem trabalhar para su- TERMO-CHAVE muitas vezes ocorre pouca interferência retro- bela tem significados de verbo e substantivo perarem a associação predominante. Se isso ativa quando pares nas duas listas não são Interferência retroativa: Tendência de as infor- ocorreu com você, experimentou a competi- relacionados. Portanto, nem todo tipo de ex- mações adquiridas mais recentemente impedirem a N. de T.: A tabela foi mantida no original devido à ção do significado do substantivo durante a periência que interfere dificulta a memória a evocação de memórias mais antigas. inexistência deste fenômeno na língua portuguesa. evocação do verbo. experiência precisa ser semelhante. Um exem-220 ALAN BADDELEY, MICHAEL C.ANDERSON & MICHAEL W. EYSENCK MEMÓRIA 221 dade real. A razão era que quase a maioria dos Esquecimento devido a eventos intervenientes Interferência retroativa trabalhos sobre a aprendizagem humana na- Tarefa de interferência retroativa 100 90 quela época era realizada em alguns poucos la- Condição- Condição -controle experimental Memória em função da aprendizagem da segunda lista 80 boratórios, dos quais todos usavam participan- Aprender Aprender Lista 10 pares Lista I pares Cão-Céu 9 Número médio de respostas corretas no grupo experimental 8 Lista 2 Percentual de nomes de times lembrados corretamente 70 tes de cursos de graduação. Se, por acaso, você 60 fosse um aluno de um desses departamentos, Cão-Céu 50 provavelmente seria solicitado a participar, por 40 várias horas, de estudos de aprendizagem ver- 30 2. Atividade de 2. Aprender Lista 2 7 20 bal. Underwood deduziu que talvez tenha sido preenchimento pares 10 a interferência das tantas listas prévias de síla- relacionados Cão-Pedra 6 Lista 0 bas sem sentido a causadora do esquecimento. 5 2 4 6 8 10 12 14 16 Felizmente, foi possível descobrir quantas listas Número de partidas intervenientes jogadas 3. Teste final Lista I 3. Teste final Lista 4 anteriores cada participante havia aprendido Cão-? 3 Figura 9.6 Este gráfico, mostrando a memória dos em outros experimentos e plotar volume de 0 5 10 20 jogadores de rúbgi para nomes de times contra esquecimento em um período de 24 horas em Número de testes de treinamento da Lista 2 quais jogaram recentemente, demonstra a tendência de função dessa experiência prévia. De fato, os alu- eventos recentes interferirem na memória de eventos nos que não haviam participado de quaisquer Figura 9.5 Esquerda: a tarefa de interferência retroativa na qual participantes aprendem duas listas de pares de similares do passado. Dados de Baddeley e Hitch (1977). experiências prévias se lembraram de 80% da palavras, em série. Um grupo-controle se abstém da aprendizagem da segunda lista. Direita: resultados finais de recor- lista de itens após 24 horas, enquanto alunos dações estimuladas (para ambas as listas) por meio dos testes de treinamento da Lista memória para a Lista 2 aumenta com a prática, enquanto a Lista diminui com a prática da Lista 2. Dados de Barnes e Underwood (1959). mas sim naquela manhã. Naquela tarde, eu ha- com 20 ou mais testes de aprendizagem ante- via estacionado carro em outra via íngreme riores de listas diferentes lembraram menos do mais adiante, coisa totalmente diferente e in- que 20% 24 horas depois. A interferência pro- plo típico de interferência retroativa é ilustrado do nome do último time com quem haviam jo- comum. Fui uma vítima infeliz da interferência ativa teve um enorme efeito sobre a retenção, na porção direita da Figura 9.5, que foi retirada gado, time antes deste, e assim por diante. Foi proativa, ou da tendência de memórias ante- determinando amplamente grau de esqueci- de um estudo clássico de Barnes e Underwood comprovado que a maioria dos jogadores havia riores interferirem na evocação de experiências mento após um intervalo prolongado. (1959). Vale notar que à medida que os parti- estado ausente de alguns jogos, devido a lesões e conhecimentos mais recentes. A maioria de Os experimentos que examinaram a inter- cipantes recebiam cada vez mais treinamento ou outros compromissos de forma que, para nós está habituada à irritação da interferência ferência proativa muitas vezes utilizaram um para memorização da segunda lista de pares, um determinado jogador, o último jogo havia proativa. Ela ocorre, por exemplo, quando não modelo experimental altamente relacionado sua memória daqueles pares melhorava, en- ocorrido na semana anterior, e para outro po- conseguimos nos lembrar de nossa nova senha ao modelo da interferência retroativa descrito quanto sua retenção dos pares da primeira lista deria ter ocorrido duas semanas, ou mesmo um porque a anterior intervém durante a recorda- anteriormente. paradigma da interferência piorava um pouco. Sabemos que este aumento mês antes. Foi, portanto, possível confirmar se ção, recusando-se a ser ignorada ou abandona- proativa (Figura 9.7) se parece com modelo da do esquecimento não se deve à mera passa- o esquecimento dependia do tempo decorrido da simplesmente porque perdeu a validade. Ou interferência retroativa, exceto em relação ao gem do tempo porque na condição-controle a ou do número de jogos intervenientes. resul- quando, inadvertidamente, chamamos nosso seguinte: (1) o paradigma da interferência pro- mesma quantidade de tempo se passou entre a tado foi claro. tempo foi relativamente irrele- parceiro atual pelo nome do parceiro anterior ativa testa a memória dos indivíduos quanto aprendizagem dos pares e o teste final. Portan- vante enquanto o número de jogos intervenien- em um momento de pura falta de sorte. Em às respostas da Lista 2, em vez das respostas à to, aprender algo novo pode dificultar a memo- tes foi crucial, indicando que esquecimento se cada caso, os eventos ou fatos bem codificados Lista 1; e (2) na condição-controle, período de rização de forma substancial. devia mais à interferência do que à decadência impõem sua "mente maldosa", dificultando a descanso (ou de desempenho de tarefas irrele- Mas seriam as lições de materiais artificiais de traço. Aparentemente, a memória de terem evocação de algo mais recente. vantes) substitui a aprendizagem da Lista 1 pela de laboratório aplicáveis a experiências pes- jogado uma partida inteira de rúgbi poderia se Apesar de termos enfatizado como a inter- aprendizagem da Lista 2. Portanto, este mode- soais? A possibilidade de se demonstrar que tornar menos acessível simplesmente porque ferência retroativa afeta a retenção de longa du- lo nos permite explorar como conhecimento algo como a interferência retroativa ocorre com eles haviam jogado várias partidas desde então. ração, a interferência proativa desempenha um previamente adquirido (ou seja, Lista 1) conse- memórias reais seria proveitosa. Tais estudos importante papel na determinação da taxa de gue prejudicar nossa habilidade de relembrar existem e geralmente confirmam a importân- A interferência proativa esquecimento. Isso foi demonstrado de modo novas informações (ou seja, Lista 2), em relação cia da interferência retroativa. Em um estudo Uma tarde, eu subi até topo de uma via ex- dramático por Benton Underwood a uma situação na qual conhecimento prévio de Hitch e Baddeley, jogadores de rúgbi foram cepcionalmente íngreme nos arredores do De- (1957) se interessava por explicar por que os não havia sido aprendido (controle, Lista 2). Es- solicitados a lembrar os nomes dos times con- partamento de Psicologia e descobri, horrori- participantes que haviam aprendido uma lista tudos usando o procedimento da interferência tra os quais haviam jogado anteriormente na zado, que meu carro havia sido roubado. Após de sílabas sem sentido apresentavam tanto es- proativa têm demonstrado que as pessoas são temporada (Baddeley e Hitch, 1977). A Figura um momento de reflexão, percebi que não quecimento após 24 horas. Ocorreu-lhe, então, mais propensas a esquecer itens de uma lista 9.6 apresenta a probabilidade de sua lembrança havia estacionado meu carro lá naquela tarde, que a interferência proativa era uma possibili- depois de-terem estudado outra anteriormente.222 ALAN BADDELEY, MICHAEL C.ANDERSON & MICHAEL EYSENCK MEMÓRIA 223 Se instinto de prontidão das pessoas de Interferência proativa fornecer estímulos é por vezes prejudicial à memória, que aconteceria se um grupo de Tarefa de interferência proativa Condição Condição Memória em função de listas aprendidas anteriormente pessoas se reunisse e tentasse, de forma colabo- controle experimental 90 rativa, lembrar coisas que todos tivessem expe- 80 Atividade de rimentado e aprendido? A recontagem de uma preenchimento Aprender pares Lista Cão-Céu 70 pessoa estimularia outras a lembrarem mais de- Cão Pedra pares Cão-Pedra Número médio de respostas 60 talhes, ou estímulos teriam causado uma in- 2. Aprender pares corretas na Lista 2 50 capacidade parcial? Trabalhos recentes indicam 2. Aprender Lista 2 Lista 2 40 Condição que quando pessoas se reúnem para lembrar o experimental relacionados 30 que cada uma aprendeu elas se lembram de me- Você alguma vez já entrou em uma loja e es- 20 nos ao recordar informações em grupo do que queceu que pretendia comprar? A culpa é da 10 quando cada uma lembra as informações sepa- 3. Teste final Lista 2 3. Teste final Lista 2 dificuldade de estímulo parcial, a tendência de Cão-? 0 que a presença de certos itens como estímulos radamente, e seus resultados se combinaram 0 5 10 15 20 de evocação (como os CDs expostos na entrada em um escore comum. Esse fenômeno, conheci- Número de listas prévias da loja) de dificultar nossa habilidade de evocar do como inibição colaborativa, pode surgir de outros itens dentro do mesmo conjunto (o CD mecanismos que produzem a inibição parcial Figura 9.7 Uma tarefa de interferência proativa na qual participantes aprendem duas listas de pares de pa- desejado). Fonte: Shutterstock de estímulos (Weldon e Bellinger, 1997). Se lavras. Um grupo-controle se abstém da aprendizagem da primeira lista. Direita: uma metanálise do teste final de membros do grupo estiverem gerando muitos dados de recordação estimulada após um intervalo de 24 horas, dada a variação de número de listas anteriores. itens enquanto você está ouvindo, a interferên- memória da Lista 2 diminui à medida que número de listas prévias aumenta. Adaptado de Underwood (1957). dade de estímulo parcial porque fornecimen- cia que isso causa pode perturbar a sua evoca- to de parte do conjunto (neste caso, parte da ção. Portanto, as pesquisas sobre estímulo volume de interferência proativa é mais alto ex., categoria) de itens na memória (Mueller e categoria) como estímulos dificultava a lem- parcial ajudam a explicar efeitos do esforço quando as duas listas partilham mesmo estí- Brown, 1977). A descoberta básica foi feita por brança dos itens restantes. estímulo parcial em grupo para a geração de uma diversidade de mulo. Os efeitos da interferência proativa são os Slamecka (1968), que pediu que as pessoas es- pode ser uma das razões porque cada CD de novas ideias e lembranças. mais graves quando se testa a recordação em tudassem listas compostas de palavras de di- músicas que "anotamos mentalmente" para lugar do reconhecimento. versas categorias (p. ex., árvores, pássaros). No comprar na próxima vez em que estivermos na 0 esquecimento induzido teste final, algumas pessoas recebiam alguns loja desaparece de nossa mente no momento pela evocação A dificuldade de estímulo parcial membros de cada categoria como estímulos em que entramos e olhamos atentamente os Uma característica irônica da memória huma- A recente exposição de mais competidores para ajudá-las a recordar dos restantes; ou- itens expostos nas prateleiras. aumenta nossos problemas na evocação da tras não receberam estímulo algum desse tipo. na é a de que próprio ato de lembrar causa A ideia de que fornecimento de dicas memória-alvo. Por exemplo, a maioria de nós Preocupante foi o fato de que essas pessoas o esquecimento. Não que a recordação preju- possa dificultar a memória é tão surpreen- lembraram dos itens restantes apesar de não dique a memória para a experiência evocada. já esqueceu o nome de alguém e contou com dente quanto irônica. Em retrospecto, porém, terem recebido estímulos. Slamecka esperava Antes, a evocação pode prejudicar a lembran- a ajuda de um bem-intencionado amigo a faz bastante sentido, haja vista a situação de que os estímulos ajudassem a lembrar os itens ça de outras memórias ou fatos relacionados fornecer palpites sobre o nome que estamos interferência descrita inicialmente. Presumi- ao item evocado. Anderson e colaboradores buscando. A menos que o amigo tenha a sorte não estimulados. Para sua surpresa, quando velmente, um conjunto de itens se define por a recordação era pontuada para itens não (1994) se referiam a este fenômeno como es- de adivinhar nome correto, parece que suas alguns estímulos comuns (p. ex.,fruta ou pás- sugestões geralmente complicam o proble- estimulados, as pessoas que haviam recebido quecimento induzido pela evocação. saros), aos quais vários itens estão associados. ma ainda mais. Às vezes, a memória falha em estímulos tiveram um desempenho pior do Se a apresentação de alguns itens do conjunto um ponto bem mais sobrecarregada que aquelas que não haviam recebido estímulo fortalece suas associações ao estímulo, talvez TERMOS-CHAVE do amontoado de adivinhações incorretas, algum! Isso se tornou conhecido como dificul- itens mais fortes proporcionem uma maior Inibição colaborativa: Fenômeno no qual um sua mente gera um nome errado. Se isso lhe competição durante a recuperação de itens grupo de indivíduos se lembra substancialmente aconteceu, você teve a primeira experiência não estimulados, dificultando a evocação. A TERMO-CHAVE de menos material coletivamente do que o de- com o fenômeno da dificuldade de estímulo ideia de que os estímulos acrescentam mais sempenho combinado de cada membro do grupo parcial. Dificuldade de estímulo parcial: Quando a competição é consistente com a descoberta de individualmente, ao recordar sozinho. A dificuldade de estímulo parcial se refe- apresentação de parte de um conjunto de itens (p. que, à medida que mais membros do conjunto Esquecimento induzido pela evocação: re à tendência de a lembrança-alvo ser difi- ex., uma categoria, uma lista mental de filmes que são fornecidos como estímulos, pior se torna Tendência de a evocação de alguns itens-alvo da você pretende alugar) impede sua habilidade de memória de longa duração dificultar a habilidade de cultada pelo fornecimento de estímulos de a memória para os restantes (ver Nickerson, recordar os itens restantes do conjunto. recordar outros itens relacionados àqueles alvos. evocação abstraídos do mesmo conjunto (p. 1984, para uma revisão).224 ALAN MICHAEL C.ANDERSON & MICHAEL W. EYSENCK MEMÓRIA 225 fenômeno do esquecimento induzi- Efeitos semelhantes foram demonstrados com TERMO-CHAVE do pela evocação é geralmente estudado materiais contextuais complexos quando por meio de um procedimento conhecido Paradigma da prática de evocação: Proce- teste envolvia respostas curtas ou ensaios, como paradigma da prática de evocação dimento utilizado para estudar esquecimento mas não provas de múltipla escolha (Carroll, (Anderson et al., 1994), que é ilustrado na induzido pela evocação. Campbell-Ratcliffe, Murnane e Perfect, 2007). Figura 9.8. Nesse procedimento, as pessoas Portanto, devemos tomar cuidado sobre que primeiramente estudam categorias simples deixar de fora quando estamos estudando por- Se a evocação causa esquecimento, os es- de palavras, como frutas, bebidas e árvores que a omissão de material acelerará seu es- tudantes deveriam se preocupar com o modo com vistas a um teste de memória posterior. quecimento. como estudam para seus exames acadêmicos. A seguir, elas são solicitadas a recordar repe- A evocação seletiva ocorre frequentemen- Considere dilema de alunos que têm pouco tidamente alguns dos exemplos, de algumas te na vida cotidiana. Uma situação que merece tempo para se prepararem. Devem priorizar das categorias, que acabaram de estudar. Por atenção surge quando os policiais, detetives e esquecimento induzido pela evocação sugere seu tempo, e surge a questão sobre que re- exemplo, participantes podem receber es- advogados interrogam uma testemunha após que a revisão seletiva de fatos dificulta mate- visar. As pesquisas sobre o esquecimento in- tímulos fruta-ou- para a evocação do item um crime. Responder a interrogatórios certa- rial não revisado. Que implicações isso teria em duzido pela evocação sugerem que a revisão procedimentos utilizados em interrogatórios, por laranja. Após a prática de evocação, é apli- mente exige evocação. John Shaw, um psicólogo seletiva de fatos dificulta a recordação do ma- exemplo, em uma audiência no tribunal? © Tim que havia sido defensor público em Los Angeles, cado um teste no qual os participantes são Fonte: Corbis terial não revisado, especialmente do material deduziu que este questionamento poderia pre- solicitados a recordar todos os exemplos que relacionado. Neil Macrae e Malcolm MacLeod judicar as memórias das testemunhas quanto lembram ter visto em cada categoria. Clara- (1999) testaram esta ideia fornecendo a seus ao material não questionado, intuição baseada mente, neste teste final, as pessoas recordam na cena "Tornando-se um pirata", as crianças alunos fatos como que aprenderiam em em experiências com alguns de seus clientes. eram solicitadas a içar uma bandeira, bater um bastante bem os exemplos que praticaram. sala de aula. Os participantes estudaram 10 Para examinar essa possibilidade, Shaw, Bjork e Mais interessante, contudo, é como elas re- tambor, vestir roupas de pirata, cumprimentar fatos de geografia sobre duas ilhas fictícias Handal (1995) pediram a um grupo de partici- um pirata e colocar seu nome no livro dos cordam os exemplos não praticados restan- (Tok e Bilu; por exemplo, a língua oficial de Tok pantes para imaginar que haviam ido a uma fes- piratas, enquanto na cena "Ganhando a chave" tes (p. ex., fruta-banana), em comparação é francês, e principal produto de exportação ta e, ao sair, se deram conta de que sua carteira lhes era pedido para alimentar um pássaro, com itens das categorias da linha de base de Bilu é cobre). Os alunos desenvolveram a havia sumido. Os participantes então assistiam usar um telescópio, conduzir um barco de pi- também conhecidas, mas nenhum desses prática de evocação. Para uma das ilhas, pra- a imagens do apartamento de um estudante, ratas e fazer uma dança. Nos três dias seguin- exemplos recebe prática de evocação (p. ticaram a evocação de cinco entre dez fatos. prestando atenção aos detalhes contidos ali de tes, as crianças discutiram evento com outro bebidas-scotch). De modo impressionante, Seguiu-se um teste final estimulado pelo nome modo a ajudar a polícia na investigação. Os sli- pesquisador, que lhes fez perguntas apenas como se vê na Figura 9.8, a prática da evoca- de cada ilha. Macrae e MacLeod descobriram des continham uma série de itens domésticos, sobre algumas partes, como "Conte-me sobre ção amplia a recordação de itens treinados que a prática facilitava a lembrança posterior além de duas categorias de itens cruciais (ou animal que você alimentou". No último dia, (p. mas dificulta a de itens de fatos praticados (70%) sobre fatos da linha seja, moletons da faculdade e livros do curso). Os as crianças recordavam menos os elementos relacionados (p. Portanto, de base da ilha não praticada (38%), mas à participantes recebiam perguntas estruturadas não discutidos do que grupo-controle de parece que próprio ato de lembrar causa o custa da incapacitação da retenção de fatos sobre alguns dos objetos (p. ex., moletons) du- crianças que não participaram de discussão esquecimento. relacionados, porém não praticados (23%). rante a fase do interrogatório. De modo consis- alguma. Conroy e Salmon especularam que a tente com a experiência de Shaw, foi descoberto memória que as crianças têm dos anos de seu Figura 9.8 Neste exem- que-interrogar as pessoas sobre certos itens difi- crescimento é moldada pela forma como os plo, os participantes desem- cultava a memória de itens relacionados. Assim, pais e familiares lembram coisas, tornando-se penham a prática da evoca- Esquecimento induzido pela evocação esquecimento induzido pela evocação teria aspectos não discutidos menos acessíveis ção laranja, mas não de Fruta Bebida implicações significativas sobre como as teste- com o passar do tempo. banana ou quaisquer mem- bros da categoria bebida munhas deveriam ser interrogadas. Se as discussões com outras pessoas sobre (linha de base). Os escores Se a evocação incapacita a memória, então um passado compartilhado podem levar ao do teste final indicam que, a simples discussão de uma experiência com esquecimento daquilo que não é discutido, en- em relação à linha de base, alguém pode alterar fato de lembrar que foi tão esquecimento pode, de certa forma, ser a prática facilita a lembrança omitido. Conroy e Salmon (2006) examinaram contagioso. Um amigo que esqueceu de algu- dos itens treinados, enquan- 73% 38% 50% 50% essa ideia fazendo crianças pequenas partici- mas partes de uma experiência deixará de fora to os itens não treinados de par de uma apresentação escolar intitulada categorias praticadas sofrem as partes esquecidas durante a recordação do esquecimento induzido Laranja Banana Vinho Gin "Visitando o pirata", durante a qual as crian- dela. A lembrança seletiva de um indivíduo po- pela evocação. Adaptado de ças se envolviam em uma série de atividades deria causar o esquecimento de material não Anderson (2003). dentre uma variedade de cenas. Por exemplo, discutido em Alexandru Cuc, Jonathan226 ALAN MICHAEL C.ANDERSON & MICHAEL EYSENCK MEMÓRIA 227 Koppel e William Hirst (2007) analisaram essa evento se torna mais uniforme com passar Os mecanismos de interferência McGeoch em sua resposta de teoria da compe- possibilidade em um recente trabalho sobre do tempo. Ele pode também representar uma Como ilustra a discussão anterior, muitas si- tição (1942), versões modernas que viriam a esquecimento socialmente compartilhado forma de manipulação política, quando si- tuações de "interferência" dificultam a reten- ser conhecidas como bloqueio associativo induzido pela evocação. Outro estudo repetiu lêncio sobre certos fatos ou eventos é delibera- ção. Apesar de tais fenômenos descreverem 0 (ver Anderson et al., 1994). experimento de Anderson e colaboradores do, e a mídia de massas é usada para divulgar momento em que surge esquecimento, não pressuposto central à hipótese de blo- (1994; discutido anteriormente) com uma ligei- certos elementos do passado. Como salientam explicam como ele ocorre ou seja, não espe- queio é a ideia de que as memórias compe- ra modificação: duas pessoas sentavam lado a Cuc e colaboradores, "o silêncio nem sempre cificam seus mecanismos de funcionamento. tem pelo acesso à consciência quando lhes é lado, estudando os mesmos pares. Na fase de vale ouro". Por que a apresentação de estímulos dificulta fornecido um estímulo compartilhado. grau prática da evocação, contudo, um participante Portanto, a evocação parece consistir em a evocação? Por que ocorre esquecimento de interferência deveria aumentar à medida praticava a evocação, enquanto o outro ficava um fator preponderante na modelagem da induzido pela evocação? Por que a aprendiza- que estímulo se associa mais fortemente ao sentado em silêncio e observava, monitorando memória, para bem ou para o mal. Confor- gem de algo novo dificulta a retenção de infor- competidor, demonstrando que Anderson e as lembranças de seu parceiro para verificar se me discutido anteriormente, as observações mação previamente adquirida? Em primeiro colaboradores (1994) denominam competição estavam corretas. Então, ambos fizeram tes- de Marigold Linton indicam que a evocação lugar, consideremos mecanismos clássicos de força. Mas como um competidor mais forte te final. Como esperado, participante que de- amplia a longevidade da memória, mas propostos para explicar a interferência, e de- dificulta a evocação? Considere um exemplo senvolveu a prática da evocação demonstrou resultados atuais demonstram que, quando a monstrar como eles podem se estender à de esquecimento induzido pela evocação no esquecimento por ela induzido. De modo evocação é incompleta, os benefícios podem explicação de fenômenos como estímulo qual você tenta recordar banana depois de surpreendente, porém, observador silencio- ser compensados pelo esquecimento de outras parcial e esquecimento induzido pela evoca- ter praticado fruta-laranja. De acordo com a também apresentou takefeito. Cuc e cola- coisas. Para se entender a importância de tal ção. Então, vamos considerar uma visão mais teoria do bloqueio, os estímulos no teste final boradores observaram mesmo efeito quando descoberta, precisamos somente considerar o recente pela qual os processos inibitórios as- (p. ex.,fruta) de recordar banana levam o indi- usaram histórias, bem como quando as pes- quão invasivo é este processo básico em nossa sociados à evocação causam esquecimento. víduo a evocar acidentalmente o termo mais soas tinham a oportunidade de discuti-las li- experiência cognitiva cotidiana. Ou seja, qual- praticado, laranja. Uma vez evocada, laranja vremente entre si: elementos não discutidos quer ato cognitivo que faz referência aos tra- da história por um dos parceiros eram mais ços de memória armazenados, o que provavel- bloqueio associativo terá maior destaque, por haver sido praticada provavelmente esquecidos pelo outro. Parece mente representa todos os processos, emprega Uma vez, enquanto lembrava termo inglês novamente, tornando-se mais propensa a ser acidentalmente evocada. Desta forma, ciclo que quando estamos entre outros, discutindo a evocação. Se a evocação é uma fonte de es- para que os americanos chamam de Christ- eventos passados, recordamos espontanea- quecimento, acessar que já sabemos pode mas ornament (enfeite de Natal), eu persisten- continuaria, porque, a cada evocação aciden- mente aqueles eventos junto daquele que está contribuir para o esquecimento, independente temente recordava Christmas balls (bolas de tal, a resposta errada se torna mais forte. Por recontando e, ao fazer isso, nos sujeitamos ao da codificação da experiência nova. papel da Natal), como os belgas chamam as Christmas fim, as pessoas podem simplesmente desistir. esquecimento induzido pela evocação para evocação como causa do esquecimento levou ornaments, em vez de Christmas baubles. As Assim, de acordo com a teoria do bloqueio, tudo que falante deixa de mencionar. Neste a uma nova perspectiva do por quê de uma Christmas balls continuavam a interferir até as pessoas esquecem exemplares não pra- caso, esquecimento induzido pela evocação situação de interferência estar associada ao que acabei desistindo. Em essência, Christmas ticados porque as associações de memória pode ser um mecanismo pelo qual a memória esquecimento (Figura 9.9). Discutiremos bre- balls bloqueava Christmas baubles. praticadas dominam a evocação. bloqueio coletiva de uma sociedade sobre determinado vemente essa perspectiva. Após uma dispersão para outras ativi- pode também explicar princípio da sobre- dades, a resposta correta "surgiu" na mente. carga de estímulo: quanto mais as memórias Figura 9.9 Esquerda: os Talvez uma experiência do tipo "na ponta da se associam ao estímulo, maior é a propensão itens praticados bloquea- língua" pudesse explicar a interferência. Por de evocar acidentalmente a resposta errada, vam a evocação-alvo duran- Explicações potenciais para Método de sondagem independente exemplo, na interferência retroativa, os in- colocando em ação processo de bloqueio. te teste final, produzindo esquecimento induzido pela evocação divíduos esquecem as respostas da primeira Neste caso, a razão de não conseguirmos nos esquecimento induzido Fruta Fruta Macaco lista porque estímulo usado para acessá-las lembrar do jantar de quatro meses atrás é pela evocação. De modo agora evoca as respostas da segunda lista. No alternativo, a conexão entre Desaprendi- estímulo e alvo podia ter estímulo parcial, a apresentação de estímulos Bloqueio? zagem? sido desaprendida durante exemplares fortalece sua associação com a TERMO-CHAVE a prática da evocação. A ini- Inibição? categoria, levando-os a se intrometer sempre Bloqueio associativo: Processo teórico que bição envolve uma redução que sujeitos tentam evocar exemplares não explica, por hipótese, efeitos da interferência da própria ativação da me- estimulados. De qualquer forma, um estímulo durante a evocação à medida que estímulo falha mória-alvo. Direita: apenas a evoca um competidor mais forte, levando-nos em evocar um traço-alvo porque ele repetida- inibição prediz corretamen- Laranja Banana Laranja Banana te que esquecimento se a perseverar, sem sucesso, em algo que sabe- mente evoca um competidor mais forte, levando as pessoas a abandonarem esforços de recupe- generaliza para estímulos mos ser incorreto. A ideia de que este pro- rar alvo. independentes. cesso explica a interferência foi proposta por228 ALAN BADDELEY, MICHAEL C.ANDERSON & MICHAEL W. EYSENCK MEMÓRIA 229 fato de que a evocação traz à mente apenas visão pode explicar esquecimento induzido hábito útil e mais do que aprendido se tornou, recordar de modo geral, estejamos testando-a jantares recentes, até que desistimos. pela evocação se considerarmos que, durante naquele momento, uma resposta inadequada com fruta como estímulo ou, digamos, outro a sua prática de evocação, os itens em compe- a ser desativada, de modo que uma resposta elemento associado não relacionado, como A desaprendizagem associativa tição se intrometem e são "punidos". Da mes- alternativa, porém mais adequada, possa ser Em outras palavras, a inibição de- ma forma, essa visão explica a interferência dada. Os humanos e outros organismos têm a termina que esse esquecimento induzido pela Suponha que um conhecido descreva uma conversa em uma festa que ocorreu há muitos retroativa. Portanto, enquanto segundo a hi- capacidade de cessar respostas, para permitir evocação se generalize para novos estímulos, anos. Você poderia se lembrar, com detalhes, pótese do bloqueio atribui-se esquecimento uma alternativa ou a interrupção de todas as exibindo, desta forma, uma independência a competidores muito fortes, na da desapren- respostas. Supõe-se que cessar seja alcança- de estímulo. Em contraste, tanto bloqueio dos elementos da festa, incluindo a presen- dizagem declara-se que as associações ao alvo do por um mecanismo inibidor de respostas. A quanto a desaprendizagem atribuem esque- ça desse amigo, conversas diversas e vários são demasiado fracas. inibição reduz o nível de atividade da resposta; cimento a problemas de associação que ligam eventos divertidos. Entretanto, você pode se As hipóteses da desaprendizagem e do cessar sua produção de forma análoga à inibi- fruta ou banana ou laranja. Por isso, de acor- esquecer de ter discutido algo com seu amigo, bloqueio não são incompatíveis. De fato, de ção de um neurônio reduziria sua influência do com essas teorias, esquecimento induzi- apesar das mais confiantes confirmações dele acordo com modelo clássico de dois fatores sobre outros neurônios. do pela evocação deveria ser dependente de mesmo quando você lembra claramente ha- de interferência retroativa (Melton e Irwin, As mesmas demandas confrontadas com estímulos. Ou seja, contanto que você troque ver discutido assunto. Subjetivamente, pare- ce que sua memória se fragmentou, dificultan- 1940), ambos mecanismos são necessários. encerramento de respostas intervenientes para outro estímulo, como macaco, que evita a Vale enfatizar, contudo, que é difícil estabele- ocorrem para as ações internas, como a evo- associação mais forte de fruta com laranja e a do seu julgamento sobre como os elementos cer evidências para a desaprendizagem pelos cação. Conforme discutido na seção sobre a associação potencialmente mais fraca de fruta da experiência se reúnem. Essa fragmentação aparente pode refletir os danos às associações mesmos motivos que tornam difícil provar interferência proativa, se alguém pede nosso com banana, não se deveria encontrar dificul- entre elementos daquele evento causados pelo que as memórias são permanentemente es- número de telefone, podemos automatica- dade alguma para banana. 0 esquecimento quecidas, conforme discutido neste capítulo. mente lembrar nosso número antigo, apesar dependente de estímulos tem sido observado armazenamento de experiências subsequen- Ainda, apesar de bloqueio explicar por que de termos trocado de número. Lembrar novo em diversas ocasiões (Anderson e Spellman, tes. Talvez tais danos sejam subjacentes à mi- esquecimento parece crescer em magnitude número requer que se suspenda a evocação do 1995; ver Anderson, 2003, para uma revisão), nha incapacidade de lembrar ter derrubado à medida que os competidores se fortalecem, antigo, que pode ser alcançado pela inibição. indicando que a inibição desempenha efetiva- pinheiro de Natal. não há razões para se duvidar de que fortale- Se número antigo for inibido, porém, ficará mente um papel como causa do esquecimento As pesquisas sobre a hipótese da desa- cimento de um competidor, por si só, produz mais difícil recordar, mesmo que ele permane- induzido pela evocação. prendizagem da interferência retroativa (Mel- esquecimento, como será ilustrado brevemen- ça disponível. No contexto do esquecimento De acordo com a hipótese da inibição, ton e Irwin, 1940) são relevantes a essas ideias. De acordo com tal hipótese, a associação entre te. Por essas razões, surgiu uma visão alterna- induzido pela evocação, banana pode ser ativa- precisamos superar a interferência enquanto tiva que atribui o esquecimento à interferência da e interferir durante a evocação de fruta-ou-. a evocação provoca a inibição. Neste caso, a um estímulo e um traço enfraquece sempre de processos inibitórios. Para facilitar a evocação de laranja, talvez ba- evocação ativa dos itens praticados deveria que esse traço é evocada de modo inadequa- nana seja inibida, sendo a recuperação daque- ser necessária para induzir esquecimen- do. Com efeito, elo entre o estímulo e alvo é "punido". Por exemplo, suponha que você ten- Inibição como causa le item dificultada pela inibição persistente. to dos competidores. Por exemplo, a simples Banana, como hábito de olhar para nosso substituição de tentativas da prática da evo- te evocar uma senha nova para a conta de seu do esquecimento pulso, pode ser inibida para apoiar objetivos cação (p.ex.,fruta-ou-), sendo possível reestu- e-mail. De acordo com a visão da desaprendi- A discussão anterior levanta um ponto impor- naquele momento. Estariam os processos ini- dar fruta-laranja múltiplas vezes para eliminar zagem, se você recordar a senha antiga e se der tante: às vezes a acessibilidade de um traço é bitórios envolvidos durante a evocação? esquecimento posterior de competidores conta do erro, a associação entre a nova senha inadequada. A evocação de um alvo pode ser Uma área de pesquisa que tem examina- como banana. 0 esquecimento deveria desa- e a original enfraquece, diminuindo as chan- perturbada por competidores altamente aces- do papel da inibição durante a evocação é parecer porque pedir que as pessoas estudem ces de que a antiga senha seja recordada no síveis, e as pessoas precisam de uma forma de esquecimento induzido pela evocação (Levy e fruta-laranja elimina quaisquer disputas de futuro. Caso a senha antiga seja "punida" com limitar essa distração. Apesar de a desaprendi- Anderson, 2002). A inibição faz diversas predi- recuperarem laranja e, portanto, quaisquer suficiente frequência, a associação pode enfra- zagem ser um modo de conseguir isto, outro ções sobre esquecimento induzido pela evo- necessidades de resolver a interferência de quecer de forma tal que não ative mais traço; é inibir traço ofensivo. Considere-se uma cação que não são estabelecidas por teorias de banana. Essa propriedade de especificidade de estímulo será desacoplado da resposta. Essa analogia. Suponha que você normalmente use bloqueio ou desaprendizagem. De acordo com recuperação é uma característica consistente um relógio de pulso, mas que um dia a pulseira a inibição, desenvolvimento da prática da do esquecimento induzido pela evocação (ver TERMO-CHAVE se parte e o relógio não pode mais ser usado. evocação em fruta-laranja dificulta a recorda- Anderson, 2003). Portanto, apesar de tanto a Se alguém lhe perguntar as horas, talvez você ção de banana porque banana, à medida que a prática da evocação quanto as exposições ao Desaprendizagem: Proposição de que elo olhe para o pulso por reflexo, mesmo sabendo memória (como a consulta ao relógio de pulso) estudo adicional fortalecerem a memória para associativo que liga um estímulo a um traço de me- que relógio não está ali. Isso pode acontecer é inibida por mecanismos redutores da ativa- os itens praticados em grau equivalente, so- mória enfraquece sempre que recuperado errone- várias vezes antes de aprender a consultar um ção. Se banana for realmente inibida, pode- mente a prática da evocação dificulta a reten- amente mediante a busca de um traço diferente. relógio de parede. que é normalmente um mos deduzir que banana seria mais difícil de ção de competidores não praticados. Parece230 ALAN BADDELEY, MICHAEL C.ANDERSON & MICHAEL EYSENCK MEMÓRIA 231 haver algo especial sobre a necessidade de rea- por exemplo, mostram que é possível forta- Tabela 9.2 As propriedades do esquecimento induzido pela evocação lizar uma busca na memória e evocar alguma lecer itens praticados por meio de estudo Propriedade do coisa que induz ao esquecimento, consistente repetido, sem desabilitar os competidores esquecimento induzido com a ideia de que a inibição esteja envolvi- não praticados. Se fortalecimento de itens pela evocação Descrição da. Contudo, essa descoberta não favorece a praticados fosse suficiente para causar esquecimento, deveríamos ter observado Independência de A tendência ao esquecimento causado pela inibição de generalizar para novos hipótese do bloqueio, aquilo que prediz que estímulo estímulos-teste na tentativa de avaliação independente (p.ex., macaco-b- para fortalecimento de formas praticadas deveria esquecimento sob essas circunstâncias. De banana, originalmente estudado com o estímulo fruta). dificultar a recordação dos competidores, sem fato, fortalecimento de um competidor considerar se fortalecimento se realiza por pode não ser necessário de forma alguma Especificidade de A evocação ativa da memória é necessária para induzir esquecimento de para disparar esquecimento induzido pela evocação informações relacionadas. Por exemplo, ter de evocar laranja, dada fruta-ou-, evocação ou por estudo. gera o esquecimento induzido pela evocação de competidores não praticados Se processos inibitórios superam a in- evocação. Em um recente estudo, Benjamin (p. ex., banana), enquanto que simplesmente estudar o pareamento intacto terferência dos competidores, volume de Storm, Elizabeth Bjork, Robert Bjork e John (fruta-laranja) não. esquecimento induzido pela evocação deveria Nestojko (2006) tiveram a brilhante ideia de depender do grau de interferência durante a verificar se era uma mera tentativa de recu- Independência de grau em que competidores são fortalecidos pela prática da evocação não força se relaciona com volume do déficit de esquecimento induzido por ela. prática da evocação. Se outros associados de peração que criava esquecimento induzido Portanto, fortalecimento de um item pela apresentação de um par intacto um estímulo não causam a interferência, a ini- pela evocação. Os participantes deste para- (fruta-laranja) não induz o esquecimento induzido pela evocação, enquanto bição deveria ser desnecessária. Em uma anti- digma de prática da evocação praticaram envolvimento em tentativas de evocação impossíveis (p. ex., fruta-lu-) ainda ga demonstração disso, Anderson e colabora- estímulos de evocação, para algumas ca- resulta no esquecimento de competidores não praticados. dores (1994) variaram se itens que estavam tegorias, que eram estímulos de completar. Dependência da A interferência de competidores durante a evocação de alvos é necessária competindo eram exemplos de alta frequência Assim, por exemplo, teriam de completar interferência para que esquecimento induzido pela evocação destes competidores de suas respectivas categorias (p. ex., fruta-ba- estímulo fruta-lu- mesmo que nenhuma fru- ocorra. Portanto, competidores de alta frequência (p. ex., fruta-banana) nana) ou exemplos de baixa frequência (p. ta comece por lu. De modo impressionante, que impõem uma competição maior do que os de baixa frequência (p. ex., Intuitivamente, poderíamos apesar de as pessoas não conseguirem com- fruta-goiaba) são mais propensos à inibição do que o oposto. imaginar que um exemplo de alta frequên- pletar quaisquer desses testes de prática da cia como banana resistiria ao esquecimento, evocação, elas demonstraram mesmo vo- enquanto um item de baixa frequência seria lume de esquecimento induzido pela evo- empregamos para reenfocar aquilo que espera- a perda da memória de fatores que simples- mos evocar em nossa memória. Por um lado, mente acontecem, como mudanças alea- vulnerável. A analogia do exemplo do relógio cação para os exemplares não praticados de pulso, contudo, sugere que oposto seja restantes, da mesma forma como para as ca- parecem irônicos mecanismos que usamos tórias no ambiente e acréscimo de traços à verdadeiro. É exatamente porque se olha para tegorias nas quais as tentativas de prática da na evocação direta serem aqueles que contri- memória. Apesar de tais processos contribuí- pulso por reflexo quando relógio não está evocação não permitiam preenchimento. buem, em última análise, para esquecimento. rem para esquecimento, as pesquisas sobre Portanto, esforço para extrair um traço da Por outro lado, como sugere Robert Bjork, esse a inibição sugerem uma visão diferente. De ali que se deve inibir essa resposta para evitar que isso aconteça. Neste caso, os exemplos de memória diante da interferência é importan- esquecimento pode se adaptar, uma vez que acordo com uma visão de controle inibitó- alta frequência, como fruta-banana, podem te para provocar o esquecimento induzido ajuda a reduzir a interferência de informações rio, muito do esquecimento que experimen- priorizar alvos por inibição porque eles vêm pela evocação, não o fortalecimento de itens que deixam de ser tão relevantes quanto antes tamos surge da necessidade de controlar à mente prontamente, ao passo que exem- praticados. Essa propriedade é denominada (Bjork, 1989). Se a informação permanece na processo de evocação diante da competição. plares de baixa frequência não podem ser ini- independência de força. memória e pode ser revivida (p. ex., por reex- É processo pelo qual combatemos a inter- bidos. É exatamente isso que Anderson e Todas juntas, as propriedades da inde- posição), o esquecimento é bastante funcional. ferência a inibição de traços em competi- laboradores descobriram. Essa propriedade é pendência de estímulo, a especificidade de ção que precipitam esquecimento, não a conhecida como dependência da interferência, evocação, a dependência da interferência e a UMA VISÃO FUNCIONAL DO mera presença de outros traços de memória. ou tendência ao esquecimento induzido pela independência de força convergem para sus- Conforme essa visão, a redução da acessibi- evocação que é provocado pela interferência tentar um papel de inibição como fonte do ESQUECIMENTO INCIDENTAL lidade de traços que competem é adaptiva de um item que compete. esquecimento (Tabela 9.2). Neste caso, isto su- Os psicólogos experimentais têm tradicio- porque facilita a evocação, mas também por- Uma característica importante do esque- gere que muitas das nossas experiências com nalmente enfocado mecanismos passivos que torna mais fáceis as evocações seguintes cimento induzido pela evocação que depõe esquecimento podem surgir da necessidade do esquecimento, incluindo a decadência das mesmas informações, reduzindo a com- contra as teorias de bloqueio é a de que de se controlar a interferência. É exatamente de traço, as flutuações contextuais, o uso petição futura. Tais observações salientam volume de esquecimento não parece se re- por esse motivo que somos distraídos por in- de estímulos de evocação inadequados e os que processos inibitórios são bastante lacionar à força alcançada por associações formações irrelevantes às processos de interferência, como o bloqueio. adaptivos. Essa visão funcional conceitua praticadas em resultado da prática. As pes- nossas memórias aquelas "olhadas" involun- A suposição tem sido de que as pessoas são esquecimento como resultado positivo, sa- quisas sobre a especificidade da evocação, tárias em nosso "relógio de pulso mental" que vítimas passivas do esquecimento, surgindo lientando como funcionamento adequado232 ALAN BADDELEY, MICHAEL C.ANDERSON & MICHAEL EYSENCK MEMÓRIA 233 do sistema de memória deve ser tão benéfico to, em vez de vítimas de forças além de nos- ao esquecimento quanto à lembrança (Bjork, controle, muitos casos de esquecimento mente podem impedir a evocação de memórias mais antigas, conhecidos como interferência 1988; Anderson e Spellman, 1995; Anderson, estão ligados aos próprios mecanismos que retroativa. Supõe-se que tanto a interferência proativa quanto a retroativa contribuem para 2003; Bjork, Bjork e Macleod, 2006). Portan- possibilitam controle efetivo da cognição. aumento do esquecimento com passar do tempo, da mesma forma que tempo se corre- laciona com armazenamento de traços semelhantes. Na dificuldade do estímulo parcial, a apresentação de certos materiais como estímulos para a evocação de outras memórias rela- RESUMO cionadas dificulta a retenção, demonstrando que, mesmo depois do armazenamento de tra- a exposição recente a alguns deles dificulta a recordação de outros. As pesquisas também Gostemos ou não, maioria das experiências de vida é esquecida. Quais são os mecanismos indicam que a evocação dificulta a retenção de traços relacionados, conhecido como esque- subjacentes ao esquecimento? Para responder a essa pergunta, devemos primeiramente en- cimento induzido pela evocação. tender as características do esquecimento, incluindo a extensão do problema e que cons- Os mecanismos subjacentes à interferência têm sido objeto de pesquisas há muito tempo. titui. fato fundamental é que esquecimento aumenta à medida que tempo passa. As As teorias de bloqueio atribuem a interferência à tendência de traços mais fortes persistirem pesquisas sobre a curva de esquecimento revelam que a taxa de esquecimento se precipita na intrusão durante a evocação de traços mais fracos, levando o indivíduo a desistir da busca. inicialmente para, então, nivelar-se gradativamente segundo uma forma logarítmica. Muitos As teorias de desaprendizagem propõem que a interferência causa mudanças destrutivas às tipos de informações seguem este padrão, apesar de a taxa de esquecimento variar dependen- associações subjacentes a um traço resultantes de mecanismos de aprendizagem que pena- do da natureza do teste e de quão bem a informação é aprendida. Recordar é mais difícil do lizam evocações inadequadas. As teorias de inibição propõem que o esquecimento surge, em que reconhecer, e este último revela evidências de retenção não observadas na recordação. parte, da supressão de traços que interferem com mecanismos inibitórios para resolver a com- esquecimento é bastante reduzido quando as informações são bem aprendidas, especialmen- petição. As pesquisas que o paradigma do esquecimento induzido pela evocação têm te quando evocadas repetidamente. proporcionado evidências específicas a favor da visão inibitória. Essas pesquisas indicam que Os psicólogos experimentais distinguem acessibilidade e disponibilidade de um conheci- um pouco do esquecimento que experimentamos se origina de uma consequência adaptiva de mento ou informação, referindo-se à perda de disponibilidade como a eliminação de um item controlar processo de evocação. Esta visão destaca, de modo mais amplo, a noção de que o armazenado. Tanto déficits de acessibilidade quanto a disponibilidade são considerados esquecimento às vezes é desejável. Como ilustra caso de A.J., ter uma memória perfeita pode esquecimento. É difícil determinar se um traço foi permanentemente perdido; contudo, tam- ser um fardo. Abordaremos esse assunto em maior detalhe no Capítulo 10, sobre esqueci- pouco se é possível supor que a evocação correta de estímulos não foi encontrada. Portanto, mento motivado. apesar da possível existência do esquecimento permanente, sendo inclusive provável quando se considera sistema biológico sobre qual repousa a memória, permanece difícil estabele- cer a causa dessa possibilidade por meio somente de evidências comportamentais. LEITURA ADICIONAL Para se entender o fato fundamental de que esquecimento aumenta com tempo, diver- sas propostas foram oferecidas. A maioria das abordagens objetivas propõe que as memórias Anderson, M. C., & Neely, J. H. (1996). Interference and inhibition in memory retrieval. In E.L. Bjork enfraquecem com passar do tempo. Apesar de a decadência de traço ser provavelmente & R. A. Bjork (Eds.), Memory: handbook of retrieval and cognition ed.). (pp. 237-313). San Diego: uma realidade biológica e de haver algumas evidências em não humanos, estabelecer um caso Academic Press. de decadência no nível comportamental é difícil porque carece do controle da influência de Levy, B.J., & Anderson, M. C. (2002). Inhibitory processes and the control of memory retrieval. Trends outros fatores de esquecimento conhecidos, estabelecendo que as memórias tenham sido per- in Cognitive Sciences, 6, 299-305. manentemente perdidas. Uma abordagem diferente consiste em supor que não é tempo, por si só, que causa esquecimento, mas algum fator correlacionado com o tempo, como a Smith, S. M., & Vela, E. (2001). Environmental context-dependent memory: a review and meta-analy- sis. Psychonomic Bulletin and Review, 8(2), 203-220. flutuação contextual ou a interferência. Ambas as teorias podem acomodar as características básicas da curva de esquecimento, ao mesmo tempo que explicam as misteriosas memórias de vida longa que seriam difíceis de explicar se a decadência fosse uma causa primária do esquecimento. A ideia de que memórias similares interferem umas nas outras durante a evocação tem ocupado uma posição central nas teorias do esquecimento. A situação fundamental de inter- ferência se origina quando o estímulo de evocação se associa a traços múltiplos. Quando um estímulo é apresentado à evocação de um alvo, os outros elementos associados àquele estímu- lo competem com alvo pelo acesso à consciência. Quanto mais competidores ligados a um estímulo, pior é a recordação de quaisquer desses itens, uma generalização conhecida como princípio da sobrecarga de estímulo. Muitos fenômenos de interferência têm sido descobertos. Por exemplo, traços previamen- te codificados podem perturbar a evocação de traços recentemente aprendidos, uma desco- berta conhecida como interferência proativa. Da mesma forma, traços codificados recente-