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Cap. 32 – Síndromes psicóticas (quadros
do espectro da esquizofrenia e outras
psicoses)
As síndromes psicóticas caracterizam-se por
experiências como alucinações e delírios,
desorganização marcante do pensamento
e/ou do comportamento ou comportamento
catatônico.
Experiência intensa de estar sendo
perseguido ou ameaçado (por pessoas ou
forças estranhas), assim como alterações
evidentes na vida pessoal, familiar e social,
são frequentes nos quadros psicóticos.
Ênfase à perda de contato com a realidade
e/ou a distorções muito marcantes na
percepção e na relação com a realidade. O
“teste de realidade”
ESQUIZOFRENIA
Sintomas negativos
Os sintomas negativos das psicoses
esquizofrênicas caracterizam-se pela perda
de certas funções psíquicas, vontade, do
pensamento, da linguagem etc.) e pelo
empobrecimento global da vida afetiva,
cognitiva e social do indivíduo.
• Distanciamento e aplainamento afetivo
ou afeto embotado;
• Um conjunto de alterações que
resultam em retração social ou
associalidade. Assim, em decorrência
de alterações nas esferas afetivas
(sobretudo apatia) e volitivas (abulia e
redução do impulso para agir
socialmente), o indivíduo vai se
isolando progressivamente do convívio
social, havendo restrição dos
interesses;
• Alogia ou empobrecimento da
linguagem e do pensamento, que se
constata pela diminuição da fluência
verbal e pelo discurso empobrecido;
• Diminuição da vontade (avolição), que
se expressa geralmente por diminuição
da iniciativa e por dificuldade ou
incapacidade de realizar ações,
tarefas, trabalhos minimamente
organizados que exijam iniciativa,
motivação, organização e persistência
• Anedonia, diminuição da capacidade
de experimentar e sentir prazer.
Busca-se atualmente identificar se os
sintomas negativos que o paciente apresenta
são primários (decorrentes de forma
intrínseca da própria esquizofrenia) ou
secundários (decorrentes de efeitos colaterais
dos medicamentos antipsicóticos, de
depressão ou de privação e isolamento
social).
Os sintomas negativos podem surgir devido à
ação inibitória de sintomas positivos – por
exemplo, o indivíduo fica pouco ativo, sem
iniciativa, isolado dos outros, pois
experimenta delírio ou alucinação que o
ameaça e impõe retaliações caso saia de seu
isolamento.
Em decorrência dos sintomas negativos,
observa-se, em uma parte das pessoas com
esquizofrenia, uma considerável negligência
quanto a si mesmo, que se revela pelo
descuido e desinteresse para consigo mesmo,
com higiene pobre, roupas malcuidadas,
descuido da aparência e/ou dos cuidados com
a saúde, cabelos sujos, dentes apodrecidos,
entre outros aspectos.
Sintomas positivos
Os sintomas positivos são manifestações
novas, salientes, do processo esquizofrênico.
• Alucinações, que são
consideravelmente frequentes, mas
também pode haver ilusões ou
pseudoalucinações. O tipo de
alucinação mais frequente é a auditiva
(alucinações audioverbais, ou seja,
“vozes” que o paciente ouve,
geralmente com conteúdo de
acusação, ameaça ou pejorativos),
mas também pode haver
alucinações/ilusões visuais, táteis,
gustativas (gosto de veneno nos
alimentos) e/ou olfativas (sentir cheiro
de pus ou de algo apodrecido dentro do
abdome, sentir cheiro de podre).
• Ideias delirantes (delírio),
frequentemente de conteúdo
persecutório, autorreferentes ou de
influência, mas pode haver delírios com
outros conteúdos ou de outra natureza.
A duração, a abrangência, o grau de
sistematização e a implicação de
“tendência à ação” dos delírios são
bem variáveis. Os delírios e as
alucinações com conteúdo
implausíveis, bizarros (eventos ou fatos
praticamente impossíveis de ocorrer),
assim como não congruentes com o
humor basal do paciente, são
indicadores robustos de esquizofrenia.
• Outras formas de distorção da
realidade ou dificuldades com o teste
de realidade, como a presença de
ideias muito deturpadas,
marcadamente bizarras, sobre a
realidade, sobre os fatos do mundo,
sobre a história do paciente, embora
não sejam necessariamente delírios,
podem estar presentes.
O psicopatólogo alemão Kurt Schneider
(1887-1967) propôs que alguns sintomas, que
poderiam ser incluídos junto ao grupo dos
sintomas positivos, teriam um peso maior para
o diagnóstico da esquizofrenia, denominados,
então, “sintomas de primeira ordem”.
1. Percepção delirante. Uma percepção
normal recebe instantaneamente uma
significação delirante. Essa vivência
delirante ocorre de modo simultâneo ao
ato perceptivo, em geral de forma
abrupta, maciça, como uma espécie de
“revelação”. Para Schneider (1992),
essa é a forma fundamental do delírio
na esquizofrenia.
2. Alucinações auditivas características.
São as “vozes” que acompanham as
ações do paciente com observações,
que fazem comentários; ocorrem na
forma de fala e resposta ou vozes que
comandam a ação do indivíduo. Elas
transmitem ordens ao paciente ou
fazem comentários sobre seus atos.
3. Eco do pensamento ou sonorização do
pensamento. O indivíduo escuta seus
pensamentos ao pensá-los;
4. Difusão, divulgação ou publicação do
pensamento. Nesse caso, o indivíduo
tem a sensação de que seus
pensamentos são ouvidos ou
percebidos claramente pelos outros,
quando os pensa.
5. Roubo do pensamento. Experiência na
qual o indivíduo tem a sensação de que
seu pensamento é inexplicavelmente
extraído de sua mente, como se fosse
roubado.
6. Distúrbios da vivência do eu. Vivências
de influência sobre o corpo ou sobre a
vida mental:
• Vivências de influência sobre o
corpo. São experiências nas
quais o paciente sente que uma
força ou um ser externo age
sobre seu organismo, sobre
seus órgãos, emitindo raios,
ondas, sinais elétricos ou
eletromagnéticos, influenciando
as funções corporais, tocando
seus genitais, tendo relações
sexuais consigo; uma bala de
revólver gira dentro de meu peito
ou uma força pressiona meu
cérebro, ou, ainda, sou
penetrada à noite pelo demônio.
• Vivências do “fabricado” ou do
“feito” por outros (ou por forças
externas) impostas ao indivíduo
nos campos da sensação, do
sentimento, das tendências, do
impulso, da vontade ou do
pensamento. Referem-se à
experiência de que algo
influência de forma maciça seus
sentimentos, impulsos,
vontades ou pensamentos.
Essas vivências têm a peculiar
qualidade de serem
experimentadas como algo
“feito” ou “fabricado” e imposto
de fora; é a vivência de uma
imposição estranha – um chip de
computador foi instalado em
minha cabeça e comanda meus
pensamentos (ou sentimentos,
impulsos, vontades).
Os sintomas de primeira ordem indicariam
profunda alteração da relação eu-mundo, uma
alteração radical do self, de “membranas” que
delimitariam o eu/self em relação ao mundo,
uma perda marcante da dimensão da
intimidade. Ao sentir que uma força, um
comando (sob a forma de “raios”,
“transmissões”, “ondas”), é imposto de fora,
feito a sua revelia, o indivíduo vivencia a perda
do controle sobre si mesmo, a invasão maciça
de algo do mundo externo sobre seu ser
íntimo.
Esse tipo de experiência psicótica, dos
pensamentos mais íntimos serem
imediatamente percebidos por outras
pessoas, de pensamentos/ sentimentos/
vontades serem impostos de fora para dentro
do eu, em conjunto com a experiência de
difusão ou publicação do pensamento,
expressa a vivência de uma considerável
“fusão” do eu com o mundo, um avançar
terrível do mundo público sobre o privado,
assim como um extravasamento involuntário
da experiência interior, íntima e pessoal, sobre
o mundo circundante.
Sintomas de desorganização (síndrome de
desorganização)
Essa síndrome tem certa correspondência ou
semelhança com o subtipo classicamente
denominado esquizofrenia hebefrênica.
• Pensamento progressivamente
desorganizado, de leve afrouxamento
das associações, passando por
descarrilamento do pensamento até a
total desagregação e produção de um
pensamento totalmente
incompreensível,totalmente
incoerente. Nesses casos, geralmente
é observada a fragmentação da
progressão lógica do discurso.
• Discurso que revela tangencialidade e
circunstancialidade em níveis não
totalmente desorganizados da
linguagem/pensamento. A presença de
neologismos eventualmente é incluída
aqui, mas pode também ser
classificada junto aos sintomas
positivos.
• Comportamentos desorganizados e
incompreensíveis, particularmente
comportamentos sociais e sexuais
bizarros e inadequados, observados
em vestimenta, adornos, aparência e
expressão geral bizarra.
• Afeto inadequado, marcadamente
ambivalente, incongruente e em
descompasso franco entre as esferas
afetivas, ideativas e volitivas pode
serincluído como parte da síndrome de
desorganização. Tal incongruência ou
desarmonia interna foi reiteradamente
pensada como um dos elementos
centrais da esquizofrenia.
Síntomas psicomotores e catatonia
Alterações psicomotoras também são
verificadas na forma de estereotipias de
movimentos (atos, gestos, atitudes mais
complexas que os tiques, repetidos de forma
mecânica, sem finalidades), maneirismos
(gestos complexos, repetidos, que parecem
ter um objetivo e significado para o indivíduo,
mas que são percebidos pelo observador
como algo excessivo, excêntrico e muito
bizarro) e posturas bizarras. Alguns pacientes
fazem caretas, vestem roupas e usam
adornos bizarros.
A síndrome catatônica ou catatonia é a
manifestação psicomotora mais marcante na
esquizofrenia. Na catatonia, embora os
pacientes apresentem o nível de consciência
preservado, podem revelar sintomas de
estupor (diminuição marcante até ausência de
atividade psicomotora, com retenção da
consciência, mutismo e negativismo; o
paciente fica no leito, parado, sem fazer nada,
sem responder a solicitações, sem se
alimentar e às vezes sem sair para urinar ou
defecar).
Também pertencem à catatonia a flexibilidade
cerácea, ou catalepsia (o paciente fica na
posição que o colocam, mesmo em posições
dos membros contra a gravidade), a ecolalia
(repetir mecanicamente palavras do
interlocutor) e/ou a ecopraxia (repetir
mecanicamente atos dos outros). Um grupo
menor de pacientes em catatonia apresenta,
alternadamente com a lentificação e o
estupor, momentos de muita agitação
psicomotora, às vezes com agressividade
impulsiva, aparentemente imotivada
(chamada de “excitação catatônica” ou “furor
catatônico”). Cabe salientar que, na CID-11, a
catatonia é também considerada uma
síndrome psicopatológica autônoma, situada
na “vizinhança” da esquizofrenia.
Sintomas/prejuízos cognitivos
Há alterações cognitivas difusas na doença,
que, na maior parte das vezes, precedem
mesmo o surgimento dos sintomas psicóticos
e são muito relevantes, pois afetam
marcadamente a evolução funcional dos
pacientes. Alterações cognitivas na
esquizofrenia incluem os seguintes domínios
da cognição: atenção, memória episódica,
memória de trabalho, velocidade de
processamento e funções executivas frontais
(inclusive fluência verbal). São
particularmente importantes, pelas suas
repercussões para a vida social e socioafetiva
do indivíduo, as alterações da cognição social.
Aqui se verifica déficit em teoria da mente
(sistema de inferências ligado à compreensão
de intenções, disposições e crenças dos
outros e de si mesmo).
Também em relação à cognição social,
observam-se dificuldades na percepção e no
gerenciamento de emoções (perceber e
compreender as emoções a partir de pistas
faciais, tom de voz, gestos) e déficit na
percepção social (compreender o contexto
social, decodificar e identificar dicas sociais de
acordo com o ambiente).
Por fim, a cognição social pode estar
prejudicada em relação ao viés ou estilo de
atribuição, que é o modo como se inferem as
causas dos acontecimentos referentes às
outras pessoas, a si mesmo ou a fatores
ambientais.
Sintomas de humor
Há redução da experiência e da expressão
emocional em muitos pacientes (vista também
como uma dimensão dos sintomas negativos).
Em contraste com tal redução, os indivíduos
apresentam com frequência aumento da
reatividade emocional (sobretudo quando
também apresentam sintomas positivos,
quando expostos a muitos estímulos). Essa
combinação de redução da expressão
emocional com maior reatividade emocional
tem sido denominada de “paradoxo emocional
da esquizofrenia”.
Pessoas com esquizofrenia apresentam taxas
mais altas do que a população em geral de
sintomas ansiosos e depressivos, bem como
depressão clínica. Os sintomas ansiosos são
dos diversos tipos: ansiedade generalizada,
ataques de pânico, ansiedade/fobia social e
sintomas obsessivo-compulsivos. Os
sintomas de humor podem também surgir
atrelados a sintomas da esquizofrenia ou a
efeitos colaterais dos antipsicóticos (chamada
de “disforia dos neurolépticos”).
Tais sintomas podem ocorrer antes da
eclosão dos sintomas positivos, nos quadros
com atividade psicótica, entre os surtos, ou
nos períodos após os surtos (no caso de
sintomas depressivos, denomina-se
“depressão pós-psicótica”).
Outras características e sintomas
associados à esquizofrenia
A falta de insight é um elemento importante da
maioria dos pacientes, os quais, em geral, não
acham que têm qualquer problema ou doença;
às vezes, reconhecem a presença dos
sintomas, mas atribuem-nos a outras causas
ou fatores (nervosismo, influências espirituais,
religiosas, ação do demônio, dificuldades na
vida que todos têm etc.).
É também comum os pacientes negarem que
tenham necessidade de tratamento,
acompanhamento médico e/ou psicológico ou
tratamento medicamentoso. O insight e sua
falta não são, de modo geral, um fenômeno do
tipo “tudo ou nada”; há graus de insight e
áreas dele mais prejudicadas ou não; por
exemplo, uma pessoa com esquizofrenia
pode não ter insight algum sobre o caráter
patológico de sua condição, mas reconhece
que necessita de ajuda para dificuldades nas
relações familiares e por isso aceita o uso de
medicação antipsicótica e intervenções
psicossociais para a doença.
Nos surtos psicóticos, quando há necessidade
de internação, os pacientes com bastante
frequência a recusam, mesmo após terem
apresentado comportamentos francamente
disfuncionais ou destrutivos, como agressões
graves a pessoas ou destruição de objetos na
casa, entre outros.
Pacientes com esquizofrenia apresentam
sintomas neurológicos inespecíficos
(neurological hard e principalmente soft
signs): prejuízo na função olfativa (déficits na
identificação e na discriminação de odores),
hipoalgesia (sensibilidade diminuída à dor) e
alterações da motilidade dos olhos
(anormalidades oculomotoras, dos
movimentos sacádicos dos olhos).
Também podem apresentar prejuízo nas
habilidades de coordenação motora fina e de
sequenciamento de tarefas motoras
complexas, presença aumentada de reflexos
primitivos de liberação cortical, assim como
maior prevalência de mancinismo (predomínio
da mão esquerda ou dominância lateral mista,
o que indica, possivelmente, anomalia da
dominância hemisférica cerebral).
Transtorno delirante (paranoia) e
esquizofrenia tardia
Duas formas de psicose que são próximas à
esquizofrenia, mas se distinguem dela por
uma preservação significativa da
personalidade, da afetividade e das funções
cognitivas.
1. Transtorno Delirante (Antiga "Paranoia")
• Desenvolvimento de um delírio bem-
organizado e sistematizado (ex.:
perseguição, grandeza, ciúme). Esse
delírio age como um "corpo estranho"
ou "cisto" na psique, sem contaminar
outras áreas da personalidade.
• Preservação da clareza de
pensamento, vontade e ação.
• Ausência de desorganização mental
marcante ou sintomas negativos (como
embotamento afetivo).
• Alucinações, se presentes, são
secundárias e relacionadas ao tema do
delírio.
• Epidemiologia e Curso: Surge
geralmente após os 40-50 anos, tem
curso crônico e estável, podendo durar
anos. É um diagnóstico heterogêneo,
com a maioria doscasos sendo
persistentes (a ideia clássica de
paranoia), enquanto uma minoria pode
remitir ou evoluir para esquizofrenia.
2. Esquizofrenia Tardia / Parafrenia
• É uma entidade da tradição
psicopatológica (não oficial nos
manuais atuais como CID-11 e DSM-5)
que se refere a uma psicose de
aparecimento muito tardio (após os 50-
60 anos).
• Apresenta delírios e alucinações (estas
são mais comuns e proeminentes do
que no Transtorno Delirante).
• A chave, assim como na paranoia, é a
relativa preservação da personalidade
e da afetividade. Qualquer alteração
está diretamente ligada ao conteúdo
dos delírios e alucinações.
• É visto por muitos como uma forma
tardia de esquizofrenia com um
prognóstico melhor devido à
preservação da personalidade.
Na esquizofrenia típica, há um
comprometimento global da pessoa, com
desorganização do pensamento, sintomas
negativos (como apatia e isolamento) e
prejuízo generalizado do funcionamento.
Tanto no Transtorno Delirante quanto na
Parafrenia, a estrutura básica da
personalidade permanece intacta fora do
sistema delirante ou das experiências
alucinatórias.
Transtornos psicóticos agudos, breves e
transitórios
Os Transtornos Psicóticos Agudos, Breves e
Transitórios são quadros psicóticos de início
súbito, curta duração e recuperação completa,
que se distinguem da esquizofrenia
principalmente pelo bom prognóstico e pela
ausência de deterioração permanente.
• Início Agudo e Curta Duração: Os
sintomas eclodem rapidamente,
atingindo o pior estágio em até duas
semanas.
• A duração total do episódio é breve: até
1 mês (DSM-5) ou até 3 meses (CID-
11), sendo comum durar de poucos
dias a um mês.
Sintomas "Esquizofreniformes": A
apresentação clínica pode ser muito similar à
da esquizofrenia, incluindo:
• Delírios (frequentemente paranoides).
• Alucinações (auditivas e visuais são
comuns)
• Discurso e comportamento
desorganizados.
• Sintomas catatônicos (em alguns
casos).
Características de Bom Prognóstico:
• Sintomas Floridos e Mutáveis: O
quadro é caracterizado por sintomas
intensos ("exuberantes") que mudam
rapidamente de tipo e intensidade, até
mesmo no mesmo dia.
• Frequente Associação com Estresse:
Muitos casos (mas não todos) são
desencadeados por um estressor
significativo (ex.: trauma, perda,
acidente).
• Recuperação Completa: Após a
remissão dos sintomas, há um retorno
completo ao nível de funcionamento
anterior. Não há desenvolvimento de
sintomas negativos (como apatia) ou
prejuízo cognitivo permanente.
Diagnóstico Diferencial (Com o que pode ser
confundido):
• Transtorno de Estresse Pós-
Traumático (TEPT): Pode compartilhar
a presença de estressor, mas no TEPT
os sintomas centrais são revivência,
evitação e hiperexcitação, e não
delírios/alucinações típicas de uma
psicose.
• Transtornos Dissociativos: Quadros
dissociativos graves podem imitar
psicose, mas geralmente envolvem
alterações de identidade, memória e
consciência, e são enquadrados em
um contexto histérico (conversivo)
• Transtornos de Personalidade:
Personalidades prévias, especialmente
do Cluster B (Borderline, Histriônica) e
Esquizotípica, são fatores de risco ou
predisponentes. Indivíduos com traços
de "psicoticismo" são mais vulneráveis
a desenvolver esses episódios breves,
muitas vezes em resposta a
estressores.
Enquanto a esquizofrenia tem um curso
geralmente crônico e deteriorante, o
transtorno psicótico breve é, por definição,
transitório e não deixa sequelas. A presença
de um estressor desencadeador, o início ultra-
rápido e a natureza mutável dos sintomas são
fortes indicadores de um bom prognóstico e
ajudam a diferenciá-lo do início de uma
esquizofrenia.
Transtorno esquizoafetivo
O transtorno esquizoafetivo é uma condição
psiquiátrica complexa na qual os sintomas de
duas doenças distintas se manifestam
simultaneamente ou de forma muito próxima
no mesmo episódio:
1. Sintomas de Psicose (como na
Esquizofrenia): Delírios, alucinações,
pensamento desorganizado.
2. Sintomas de Humor (Transtorno do
Humor): Sintomas de um episódio
Depressivo Maior ou de Mania (euforia,
energia excessiva) ou Misto.
A principal característica é a concomitância ou
sobreposição destes dois grupos de sintomas.
Critérios Diagnósticos por Manual:
Para a CID-11 (Classificação Estatística
Internacional de Doenças): Exige que os
sintomas psicóticos e os sintomas de humor
(depressivos ou maníacos) ocorram juntos, no
mesmo episódio, por um período de pelo
menos um mês.
Para o DSM-5 (Manual Diagnóstico e
Estatístico de Transtornos Mentais): Os
critérios são mais específicos para diferenciar
o transtorno esquizoafetivo de um episódio de
humor com psicose (ex.: depressão psicótica).
São necessários dois requisitos principais:
1. Sintomas Psicóticos sem Humor
Alterado: Deve haver um período de
pelo menos duas semanas em que os
delírios ou alucinações estejam
presentes na ausência de um episódio
depressivo ou maníaco. Isso
demonstra que a psicose é
independente e não meramente uma
consequência do humor extremo.
2. Predomínio dos Sintomas de Humor:
Os sintomas de um episódio
depressivo maior ou maníaco devem
estar presentes durante a maior parte
da duração total da doença (tanto na
fase ativa quanto na residual).