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Varroidae, Laelapidae e Metastigmata A família Varroidae é composta por ácaros especializados no parasitismo de abelhas. As abelhas são consideradas insetos de produção, pois o mel e seus subprodutos são amplamente apreciados e possuem diversas qualidades terapêuticas. Qualquer fator que impacte a produção das abelhas pode resultar em significativas perdas econômicas. As abelhas são animais altamente organizados, distribuídos em grupos que desempenham diferentes atividades, como reprodução, coleta de néctar e defesa da colônia. Essa divisão de tarefas é fundamental, pois a reprodução também é estruturada em subgrupos específicos dentro da comunidade de abelhas. Do ponto de vista biológico, a abelha apresenta um comportamento ovíparo, depositando seus ovos dentro dos favos de mel, que posteriormente são lacrados. A fêmea do gênero Varroa realiza a postura de seus ovos juntamente com os da abelha, ou seja, dentro dos favos. A abelha passa por uma metamorfose completa, apresentando uma forma larval distinta da forma adulta. A Varroa inicia seu parasitismo ainda na fase larval da abelha, pois, assim que o ovo eclode, o ácaro já está presente. O ciclo de vida do ácaro é mais rápido do que o da abelha. Uma larva atacada pela Varroa apresenta desenvolvimento reduzido e sofre prejuízos significativos nessa fase de vida. Como o parasitismo persiste durante todo o desenvolvimento, a abelha acaba emergindo já com o ácaro acoplado ao seu corpo, o que compromete sua vitalidade. O favo é protegido por uma camada de cera, o que torna ineficaz a penetração de qualquer tipo de produto. Essa condição evidencia a complexidade do controle de uma infestação por membros do gênero Varroa em uma colmeia. O médico veterinário é o profissional responsável pela inspeção do mel antes de sua comercialização, portanto, é essencial compreender a importância dos ácaros do gênero Varroa. E em casos de infestação, a colmeia deve ser isolada, uma vez que não há produto químico eficaz para o controle dessa situação. Principal via de profilaxia/Controle O cruzamento de variedades africanas com europeias é utilizado devido à maior rusticidade das abelhas africanas, que sofreram pouca seleção iatrogênica, ou seja, intervenção humana nos processos de seleção genética. Esse cruzamento é realizado porque as abelhas nativas do país, embora apresentem em sua maioria baixa produção de mel, são relativamente resistentes. A rusticidade das abelhas africanas as tornam mais agressivas, enquanto as europeias apresentam comportamento mais dócil, o que contribui para uma maior produção de mel em comparação aos outros grupos. Laelapidae Os ácaros da família Laelapidae têm como principais hospedeiros roedores (murinídeos) de biotérios. O bioterismo é de grande importância para a medicina veterinária, pois envolve o uso de animais de laboratório em pesquisas biomédicas. Esses animais são empregados em estudos de anatomia, fisiologia, imunologia, parasitologia, entre outros. A vivissecção é a prática de utilizar animais vivos com o objetivo de realizar estudos científicos. Os principais gêneros da família Laelapidae são Laelaps e Echinolaelaps. SPF (Specific Pathogen Free): livres de alguns patógenos específicos; PF (Pathogen Free): livres de patógenos, ou seja, sem contato com qualquer tipo de agente patogênico; Bioterismo: local onde animais são criados de forma controlada, com o objetivo de utilizá-los como modelo vivo em pesquisas ou para a obtenção de subprodutos; Metastigmata Família Ixodidae Conhecidos como carrapatos duros, apresentam alto potencial biótico. Uma fêmea pode realizar a oviposição de até 15.000 ovos e após esse processo, morrem. A postura dos ovos ocorre de forma contínua. Por exemplo, espécies como Amblyomma rotundatum podem gerar até 15.000 ovos viáveis. Os carrapatos de espécies domésticas apresentam menor capacidade reprodutiva em comparação aos carrapatos de outras espécies, podendo eclodir aproximadamente de 3.000 a 4.500 ovos por fêmea. Além disso, nesta família, os carrapatos alimentam-se de sangue de forma contínua. Família Argasidae São conhecidos como carrapatos moles e apresentam potencial biótico menor em comparação aos ixodídeos. A oviposição é fracionada, ou seja, a fêmea deposita aproximadamente 50 a 100 ovos por vez. Os carrapatos duros possuem um escudo quitinoso no dorso, ou seja, uma estrutura enrijecida semelhante à queratina. Já os carrapatos-moles não apresentam esse escudo quitinoso. As fêmeas apresentam maior longevidade e são espécies nidícolas, ou seja, tendem a permanecer nos ninhos de seus hospedeiros. Nessa família, a alimentação também ocorre de forma fracionada. De modo geral, os carrapatos são seres oligoxenos e podem transitar entre diferentes grupos de hospedeiros. Por exemplo, um carrapato que se alimenta de um animal doente e pode em seguida parasitar outros animais. Durante esse processo, as peças bucais do carrapato podem estar contaminadas, transmitindo doenças para os animais sadios. Ciclo básico Ixodidae Ovo → Larva → Ninfa → Adulto Em algumas espécies, especialmente das famílias que apresentam reprodução complexa, o ciclo inclui: Ovo → Larva → Ninfa → Partenógina → Quenógina → Teleógina. Partenógina: fêmea adulta não fertilizada. Quenógina: fêmea adulta recém-fertilizada, iniciando o engurgitamento, ou seja, o processo de alimentação sanguínea. Teleógina: fêmea completamente engurgitada. Argasidae O ciclo de vida é descrito como: Ovo → Larva → Ninfas 1 a 8 → Adultos machos e fêmeas. As ninfas das fases 1 a 8 podem entrar em hipobiose, sobrevivendo à inanição por até cinco anos. Dessa forma, uma colônia consegue persistir por até cinco anos na ausência de hospedeiros, ampliando seu período ninfal e garantindo a sobrevivência da população. A subordem Astigmata é composta por ácaros que apresentam ausência de estigma respiratório, realizando a troca gasosa através do exoesqueleto. Além disso, não possuem olhos e são responsáveis pela produção de sarna. Já os ácaros da subordem Prostigmata estão associados à formação de crostas na pele.