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Teorias da Personalidade PSI026 (ENADE 2009): A conceituação de personalidade retrata a complexidade do campo do saber psicológico. A personalidade pode ser definida como o conjunto das características da pessoa que explicam padrões consistentes de sentimentos, de pensamentos e de comportamentos. As teorias de personalidade são estudadas em uma perspectiva pluralista. Sobre as teorias de personalidade, as seguintes afirmativas são feitas: I. As teorias cognitivas reforçam a visão da personalidade como um sistema ativo de processamento de informações sobre si e sobre o mundo, uma vez que não é possível abordar cognitivamente as emoções. II. As teorias psicodinâmicas descrevem a personalidade como um sistema energético marcado por forças conscientes e inconscientes, que, em conflito não resolvido, podem levar aos sintomas psicopatológicos. III. As teorias humanistas colocam em relevo as características emergentes e irredutíveis do homem, propondo o foco na experiência psicossocial e na cultural, como fontes determinantes da constituição da pessoa. IV. A psicologia evolutiva descreve a personalidade como uma função biopsicológica, com traços geneticamente herdados, cujas características foram selecionadas pela interação com o ambiente evolutivo de adaptação. Estão CORRETAS somente as afirmativas: A) I e II. B) I e IV. C) II e III. D) II e IV. E) III e IV. PSI022 (ENADE 2012): Os teóricos da personalidade divergem sobre as questões básicas da natureza humana: livre arbítrio versus determinismo, natureza versus criação, importância do passado versus presente, peculiaridade versus universalidade, equilíbrio versus crescimento e otimismo versus pessimismo (SCHULTZ, D. P. & SCHULTZ, S. E. Teorias da personalidade. São Paulo: Pioneira Thompson, 2002). Considerando as diferentes questões implícitas nas teorias da personalidade, avalie as afirmações abaixo. I. Diferenças culturais afetam o desenvolvimento da personalidade e, portanto, a natureza humana. II. As teorias da personalidade diferenciam-se porque partem de diferentes concepções da natureza humana. III. Personalidade, conceito que envolve as características pessoais, mais permanentes e estáveis, pode variar de acordo com as circunstâncias de seu desenvolvimento. IV. Aspectos internos influenciam o comportamento das pessoas em diferentes situações e definem sua personalidade. É correto apenas o que se afirma em: A) I e III. B) I e IV. C) II e IV. D) I, II e III. E) II, III e IV. 1. Livre-arbítrio vs. Determinismo Tema: Escolhemos ou somos levados? No final do século XIX, a ciência ganhava confiança como guia da verdade. As descobertas de Darwin reforçavam a ideia de que a natureza moldava o homem, e as máquinas simbolizavam a previsibilidade e controle. Foi nesse ambiente que Freud propôs que somos movidos por forças inconscientes, e Skinner afirmou que somos produtos do ambiente: o livre-arbítrio seria uma ilusão. Por outro lado, pensadores humanistas como Carl Rogers e Viktor Frankl, marcados pelos horrores da guerra, defendiam a liberdade de escolha mesmo em situações extremas. Acreditavam que a dignidade humana reside na capacidade de decidir seu caminho, mesmo frente ao sofrimento. Hoje, quando você vê alguém repetindo padrões de relacionamentos tóxicos, o que você pensa? Que ela está escolhendo, ou que repete algo aprendido ou determinado? Essa é a tensão central entre livre-arbítrio e determinismo — e talvez você a viva todos os dias, sem nomeá-la. 2. Natureza vs. Criação (Inato vs. Ambiental) Tema: Nascemos prontos ou nos tornamos quem somos? Desde os tempos de Platão e Aristóteles, a humanidade discute se somos moldados pelo que já trazemos ou pelo que vivemos. No século XX, esse debate ganhou contornos científicos. A biologia e a genética trouxeram evidências de herança de temperamento, enquanto a Psicologia do Desenvolvimento e o Behaviorismo argumentaram que o ambiente — família, cultura, experiências — é quem nos constroi. Freud acreditava que impulsos naturais eram moldados por forças sociais. Já Skinner afirmava que todo comportamento é aprendido por reforço. Mais tarde, a Psicologia Evolutiva resgatou a força da natureza, afirmando que muitos traços são herdados de nossos ancestrais porque ajudaram na sobrevivência. Hoje, quando vemos uma criança agressiva, dizemos que ela “já nasceu assim” ou que “foi influenciada pela (má) criação dos pais”? Esse dilema continua presente nos debates sobre educação, justiça e até nas redes sociais, quando tentamos entender por que as pessoas são como são. 3. Passado vs. Presente Tema: Somos nossa infância ou nosso agora? Freud afirmava: o adulto é, acima de tudo, o resultado de sua infância. Conflitos não resolvidos, traumas e experiências precoces moldam desejos e defesas. Essa visão influenciou boa parte do século XX. Já os behavioristas ignoraram o passado e olharam para o comportamento atual, observável e mensurável. Carl Rogers focou no aqui-agora da experiência subjetiva: o que você sente agora é mais importante do que o que aconteceu antes. Hoje, a neurociência revela que o cérebro é plástico — muda com a experiência — e que tanto eventos passados quanto o presente impactam nossas emoções e decisões. A Terapia Cognitiva procura ressignificar crenças antigas a partir de vivências atuais. Quando alguém não consegue confiar nas pessoas, você pensa que é “por algo do passado” ou “por causa das últimas experiências”? Essa questão afeta tanto nossa forma de ajudar alguém quanto o modo como vemos a nós mesmos. 4. Peculiaridade vs. Universalidade Tema: Cada pessoa é única ou somos todos iguais por dentro? Ao longo da história da Psicologia, alguns teóricos buscaram identificar características comuns a todos — padrões universais de funcionamento humano. É o caso das teorias de traços (como Big Five), ou da Psicologia Evolutiva. Já outras abordagens, como a Psicanálise e o Humanismo, valorizam o modo singular com que cada pessoa organiza seus afetos, histórias e escolhas. A ideia de universalidade também está presente nos testes psicológicos padronizados, que tentam comparar indivíduos entre si. Já na clínica, buscamos compreender o que é único em cada sujeito: o seu modo de sofrer, desejar e se relacionar. Se dois pacientes têm depressão, podemos tratá-los da mesma forma? Ou cada um exige uma escuta única? E as medicações, por que funcionam em tantos casos? A tensão entre o que é comum e o que é singular está presente tanto na pesquisa quanto na prática clínica — e a maneira como você pensa isso afeta o modo como você será psicólogo(a). 5. Equilíbrio vs. Crescimento Tema: A alma humana busca estabilidade ou transformação? Para Freud, a meta do psiquismo era restaurar o equilíbrio perdido — reduzir tensões internas causadas por conflitos. A saúde era, portanto, ausência de sofrimento. Essa lógica também aparece em abordagens que buscam eliminar sintomas ou restaurar um estado anterior. Mas para os teóricos humanistas e existenciais, o sofrimento não é apenas algo a ser eliminado, mas uma oportunidade de amadurecimento. Carl Rogers via a tendência à autorrealização como inata. Viktor Frankl via sentido até no sofrimento, desde que pudéssemos escolher uma atitude frente a ele. Quando você se sente mal, busca “voltar ao normal” saindo da crise ou “entender o que precisa mudar” mergulhando na crise? Essa diferença molda a maneira como vemos saúde mental: é apenas estabilidade, ou é crescimento? 6. Otimismo vs. Pessimismo Tema: Podemos mudar ou somos limitados? A visão de ser humano na Psicanálise clássica é, em parte, trágica: há desejos inatingíveis, conflitos insolúveis e sofrimento inevitável. Já o Behaviorismo vê o ser humano como programável, mas não livre. Ambas as abordagens, de certo modo, reduzem a possibilidade de escolha. Já as correntes humanistas e cognitivas trazemuma visão mais otimista: o ser humano pode crescer, mudar, reconfigurar sua história. A resiliência, a criatividade e a responsabilidade aparecem como forças possíveis. Hoje, frente a crises pessoais ou sociais, temos escolhas a fazer: validar o sofrimento do indivíduo ou validar sua capacidade como agente de mudança? O modo como você responde a essa pergunta influencia desde sua prática clínica até suas escolhas pessoais. 1. Livre-arbítrio vs. Determinismo 2. Natureza vs. Criação (Inato vs. Ambiental) 3. Passado vs. Presente 4. Peculiaridade vs. Universalidade 5. Equilíbrio vs. Crescimento 6. Otimismo vs. Pessimismo