Prévia do material em texto
Faculdade de Minas Curso de pós graduação de enfermagem em urgência e emergência JULIANA BOIATO DE AZEREDO A IMPORTÂNCIA DO ENFERMEIRO EMERGENCISTA E SUA ATUAÇÃO NO ATENDIMENTO A OCORRÊNCIAS DE TRAUMA RIO DE JANEIRO 2024 JULIANA BOIATO DE AZEREDO A IMPORTÂNCIA DO ENFERMEIRO EMERGENCISTA E SUA ATUAÇÃO NO ATENDIMENTO A OCORRÊNCIAS DE TRAUMA Trabalho de conclusão de curso, referente à disciplina: Trabalho de Conclusão de Curso de pós Graduação Enfermagem em urgência e emergência a da Faculdade de Minas. RIO DE JANEIRO 2024 AGRADECIMENTOS Em primeiro lugar, а Deus que fez com que meus objetivos fossem alcançados, durante todos os meus anos de estudos,Aos meus pais , que me incentivaram nos momentos difíceis e compreenderam a minha ausência enquanto eu me dedicava à realização deste trabalho, À instituição de ensino faculdade de minas , essencial no meu processo de formação profissional, pela dedicação, e por tudo o que aprendi ao longo dos anos do curso. RESUMO Com o surgimento de novos problemas de saúde, como o aumento da violência e dos acidentes de trânsito, houve aumento de consultas médicas e encaminhamentos para prontos-socorros, onde enfermeiros atendem inúmeros casos todos os dias. Situações que requerem atenção, cautela e rapidez no atendimento. Então, sabendo que o enfermeiro deve cuidar, planejar o cuidado, prestar assistência, além das atividades de organização como solicitar materiais, dimensionar pessoal e coordenar a equipe e as normas, percebe-se que o profissional durante sua atuação se destaca. Diante disso tem-se como os principais objetivos deste trabalho escrever a importância da equipe de enfermagem nos atendimentos de urgência e emergência; avaliar os quais cuidados durante o atendimento; identificar os atendimentos iniciais e procedimentos e citar a importância da qualificação da equipe de enfermagem nesta área. Sumario Introdução ___________________________________________________ 6 Objetivo _____________________________________________________ 11 Desenvolvimento______________________________________________ 12 Conclusão____________________________________________________ 26 Referencias__________________________________________________ 32 6 INTRODUÇÃO As demandas de saúde da população muitas vezes se confrontam no setor de urgência e emergência, onde se busca um atendimento rápido, dinâmico e decisivo. Essas situações requerem um atendimento imediato e, por conseguinte, profissionais capacitados e qualificados, capazes de oferecer um cuidado efetivo, sistemático e competente, Nesse contexto, os enfermeiros necessitam desenvolver competências para prover e promover uma assistência de enfermagem segura, de excelência e humanizada, balizada pela liderança e gestão de processos e recursos materiais eficazes. O conceito de competência profissional envolve o conhecimento, experiências e valores pessoais, bem como o modo de atuação do indivíduo na realização do seu trabalho. Nesse sentido, os enfermeiros pautam suas ações de cuidados mediante um perfil de competências estabelecidas nas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) para o curso de graduação em enfermagem. As competências desenvolvidas pelos enfermeiros passam por um processo educativo que requer atualização contínua, dadas as inovações na área da saúde. Em relação ao aprimoramento profissional, um estudo demonstrou que diante de um atendimento de emergência, as ações educativas fragmentadas podem gerar insatisfação do profissional e a redução do nível de competência. A sensação de baixa competência, além de diminuir a satisfação no trabalho, pode aumentar o absentismo e afetar a qualidade dos cuidados prestados. Dessa forma, o mapeamento das competências profissionais em enfermagem faz-se necessário, haja vista que o enfermeiro confronta-se, diariamente, com as competências que já possui e a necessidade de desenvolver outras necessárias à sua prática, pois estão interligadas aos resultados do cuidado à saúde. Todavia, identificá-las e mensurá-las é um grande desafio e uma necessidade contínua. A enfermagem, como ciência, ainda busca a estruturação de seus valores profissionais. Para que o enfermeiro possa realmente construir sua identidade no campo da assistência e desmistificar conceitos e posturas de submissão à classe médica, é necessário abandonar intervenções ao acaso, sem planejamento, justificativa científica e reflexão. O Processo de Enfermagem, representado pela Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE), é a maior representação do método científico na profissão. A 7 SAE permite detectar as prioridades de cada paciente quanto às suas necessidades, fornecendo uma direção para as possíveis intervenções. Contudo, a aplicação da SAE enfrenta desafios, especialmente em ambientes de urgência e emergência. Com o surgimento de novos problemas de saúde, como o aumento da violência e dos acidentes de trânsito, houve um aumento significativo de consultas médicas e encaminhamentos para prontos-socorros. Nesses locais, enfermeiros atendem inúmeros casos diariamente, situações que requerem atenção, cautela e rapidez no atendimento. O enfermeiro desempenha um papel crucial no cuidado, planejamento, prestação de assistência, além das atividades de organização, como solicitar materiais, dimensionar pessoal e coordenar a equipe e as normas. Durante sua atuação, esses profissionais se destacam pela capacidade de gerenciar diversas tarefas simultaneamente e de forma eficiente (Santana, 2021). O papel do enfermeiro no serviço de urgência e emergência inclui competências clínicas, confiança na realização de consultas, gestão de pessoal e gestão logística. Exemplos dessas atividades incluem a administração de medicamentos e a avaliação de melhoria ou agravamento do estado de saúde dos pacientes. O ambiente de trabalho em urgência e emergência é caracterizado por alta rotatividade e complexidade, exigindo muita organização e responsabilidade do enfermeiro. Muitas vezes, esses profissionais recebem pacientes de outros setores devido à superlotação, obrigando-os a trabalhar em condições extremas, muitas vezes mais de 24 horas por dia. A noção de atendimento de urgência e emergência varia conforme o entrevistado. Para a Associação Médica, urgência seria um quadro grave com risco iminente de morte, enquanto emergência é um assunto grave com ou sem risco de morte. Os casos são inicialmente atendidos nas Unidades de Pronto Atendimento (UPA) e Pronto Atendimento, que são a porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS). Nesse momento, ocorre uma admissão com classificação e avaliação de risco (ACCR), organizando o serviço de acordo com a prioridade e as necessidades dos usuários. O enfermeiro realiza o acolhimento, descrito como "estar com o paciente", estabelecendo uma relação com o outro e identificando as diferentes necessidades 8 de cada usuário que chega ao serviço. Esse acolhimento repercute positivamente em um ambiente de trabalho já sobrecarregado. Os serviços de atendimento pré-hospitalar (APH) móvel são componentes essenciais da rede de atenção às urgências, acolhendo precocemente vítimas de agravos à saúde em diversos locais. Estes serviços são uma modalidade de atendimento imediato para uma variedade de solicitações, regulando o acesso dos usuários ao sistema de saúde e assegurando assistência, transporte e encaminhamento conforme as necessidades da população. O APH no Brasil é estruturado em duas modalidades: Suporte Básico à Vida (SBV) eSuporte Avançado à Vida (SAV). O SBV preserva a vida sem manobras invasivas, sendo realizado por pessoas treinadas em primeiros socorros sob supervisão médica. O SAV, por outro lado, envolve manobras invasivas de maior complexidade, realizadas exclusivamente por médicos e enfermeiros. Assim, a enfermagem desempenha um papel crucial na assistência direta ao paciente grave sob risco de morte. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU-192) foi instituído pela Portaria nº 1.864/GM como componente pré-hospitalar móvel da Política Nacional de Atenção às Urgências. Este serviço tem o objetivo de estabilizar condições vitais, reduzir a morbimortalidade e realizar o transporte para hospitais de referência, atendendo aos princípios de integralidade, universalidade e equidade. Os profissionais que atuam no APH demonstram forte relação com a profissão devido à exigência de conhecimento aprimorado e contínuo, além da capacidade de lidar com situações inesperadas e desafiadoras. A prática de enfermagem no APH envolve experiência, competência, preparo físico e autocontrole emocional para enfrentar os desafios do atendimento.Os enfermeiros no APH enfrentam desgaste físico e mental constantes, lidando com situações onde o limiar entre vida e morte está presente. As dificuldades incluem a distância do local da ocorrência, falta de segurança em áreas de risco, violência, tumulto de transeuntes, familiares ansiosos e condições adversas de trânsito, que podem atrasar o atendimento à vítima. Os enfermeiros no APH são responsáveis pela assistência direta a pacientes graves, previsão de necessidades, definição de prioridades, iniciação de intervenções e reavaliação constante durante o transporte. A prática envolve experiência e competência no atendimento, bem como preparo físico e autocontrole emocional.As principais dificuldades enfrentadas pelos enfermeiros incluem a distância do local da 9 ocorrência, insegurança em áreas de risco, violência, tumulto de transeuntes, familiares ansiosos e condições adversas de trânsito. Esses fatores contribuem para o desgaste físico e mental dos profissionais e podem atrasar o atendimento à vítima. Os sistemas de atendimento pré-hospitalar (APH) no Estado do Rio de Janeiro incluem tanto a rede privada quanto a pública. Na rede pública, os serviços são prestados pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e pelo Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ). Ambos contam com enfermeiros em suas equipes. Nas ambulâncias de suporte avançado do SAMU, a equipe é composta por um médico (chefe da equipe), um enfermeiro e um motorista e nos veículos de suporte intermediário do CBMERJ, as equipes são formadas por um oficial enfermeiro (chefe da guarnição), um cabo ou sargento (técnico de enfermagem) e um soldado ou cabo como motorista. O atendimento a vítimas politraumatizadas começou a se desenvolver nos Estados Unidos no final da década de 1970, quando cursos específicos para esse tipo de agravo começaram a ser introduzidos para profissionais de saúde. Naquela época, o trauma era visto como um problema cirúrgico. No Brasil, o atendimento pré-hospitalar começou a ser estruturado em várias cidades, adotando modelos baseados nos sistemas norte-americano e francês. O modelo norte-americano foi adotado pelos Corpos de Bombeiros Militares, enquanto o modelo francês foi adotado pelo SAMU. Uma das maiores dificuldades no atendimento pré-hospitalar no Brasil é a falta de uma legislação específica, o que resulta em várias estruturas de atendimento pré-hospitalar com peculiaridades próprias e sem um padrão nacional a ser seguido. No entanto, ao longo dos anos, houve mudanças que favoreceram a atuação dos enfermeiros, com maior participação das entidades de classe de enfermagem, impulsionando avanços nos aspectos legais. Com o aumento da autonomia, os enfermeiros podem prestar um serviço de maior qualidade, essencial em atendimentos de emergência, que requerem conhecimentos teóricos, prática bem apurada e pautada em conhecimentos científicos. No entanto, estudos apontam que ainda há uma deficiência na capacitação e atuação dos enfermeiros no Brasil, comparado a países como os Estados Unidos e a França, onde os sistemas de APH são mais desenvolvidos e consolidados. 10 O atendimento ao politrauma começa com a equipe de Atendimento Pré-Hospitalar (APH), que realiza o resgate e a assistência no local do trauma e durante o transporte até o hospital. A equipe de APH inclui órgãos como o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e serviços associados de salvamento e resgate . Esses serviços possuem regiões de atendimento e hospitais de referência previamente definidos, atuando sempre em sua área de designação . A Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (CROSS) determina o encaminhamento dos pacientes traumatizados para uma unidade de emergência próxima . O enfermeiro desempenha um papel essencial na assistência ao paciente politraumatizado na sala de emergência. A Sociedade de Enfermeiros de Trauma define que os enfermeiros de trauma garantem aos pacientes e suas famílias cuidados físicos e emocionais com base em seu conhecimento e experiência adquiridos na prática . A atuação de uma equipe multiprofissional também é crucial para garantir um melhor cuidado ao paciente, contribuindo para melhores resultados. 11 OBJETIVO Descrever as competências profissionais atribuídas por enfermeiros para atuação no mercado de trabalho na área de urgência e emergência. 12 DESENVOLVIMENTO A complexidade do trabalho dos enfermeiros, que precisam equilibrar competências administrativas, clínicas e assistenciais enquanto enfrentam desafios significativos no ambiente de trabalho. Além disso, a ênfase na educação contínua e na humanização do cuidado é vista como fundamental para o desenvolvimento profissional e a qualidade da assistência prestada. Há uma dificuldade dos enfermeiros em conquistar o respeito e a confiança necessários para estabelecer uma relação de trabalho adequada e romper com as ideologias históricas de submissão. A teoria sugere que o comportamento e a personalidade dos indivíduos se desenvolvem a partir de relações com pessoas importantes, como os enfermeiros, no caso da equipe de enfermagem. É crucial que o enfermeiro busque sempre aperfeiçoar sua prática, evitando se prender apenas às funções administrativas. A prática da enfermagem exercida com responsabilidade e atenção proporciona segurança e excelência no cuidado prestado. Os técnicos e auxiliares de enfermagem enfrentam desafios significativos em sua rotina, muitas vezes se sentindo despreparados e subservientes. A capacitação contínua, a valorização do papel do enfermeiro como líder e educador, e a necessidade de condições de trabalho adequadas são fundamentais para melhorar a qualidade da assistência prestada. A educação e a liderança dos enfermeiros são essenciais para reverter esse quadro, promovendo um ambiente de trabalho mais colaborativo e eficiente. A maioria dos enfermeiros associa a SAE à realização de uma assistência de qualidade, destacando que ela é uma ferramenta indispensável que melhora a organização e a qualidade do atendimento, reduz o tempo de internação e contribui para melhores resultados. A SAE proporciona um conhecimento específico e uma reflexão crítica sobre a organização e filosofia do trabalho da enfermagem. É vista como um instrumento importante para o gerenciamento e a otimização da assistência. Através da sistematização, os enfermeiros conseguem detectar adequadamente os problemas e prioridades dos pacientes, orientando as prescrições e métodos de intervenção. A SAE permite a construção de documentos com grande valor técnico, científico e ético-legal, úteis para faturamento, auditorias e avaliação da qualidade do atendimento. A SAE é considerada fundamental para a13 humanização do atendimento, promovendo um envolvimento mais profundo dos profissionais com os pacientes e garantindo um atendimento individualizado que respeita as peculiaridades de cada paciente. Alguns enfermeiros sugerem que a SAE deve ser aplicada apenas em pacientes com determinadas patologias ou condições especiais devido à falta de tempo no pronto-socorro. No entanto, a SAE deveria ser uma prioridade, independentemente da sobrecarga de trabalho. Há dificuldades relacionadas à descrença e rejeição dos próprios enfermeiros, que muitas vezes se limitam ao modelo técnico-burocrático e utilizam estratégias para evitar a participação no processo da SAE. Isso reflete uma falta de conhecimento específico e uma desatualização profissional. A falta de interesse e apoio da instituição é um dos principais obstáculos mencionados. Mudanças recentes na estrutura administrativa e uma fase de adequação foram citadas como razões para a falta de viabilidade na implementação da SAE. O despreparo da equipe de enfermagem, a contratação de profissionais sem o conhecimento científico e habilidades práticas adequadas, e a falta de investimento em capacitação são barreiras significativas para a implementação eficaz da SAE. A inadequação no dimensionamento de funcionários em relação ao fluxo de pacientes e a inadequação da estrutura física também foram apontadas como problemas críticos. O apoio da administração do hospital é essencial para viabilizar os recursos necessários para a implementação e manutenção da SAE. Discussões institucionais sobre a SAE e o papel do enfermeiro são pertinentes. Para que a SAE seja eficaz, é necessário investir na capacitação contínua dos profissionais de enfermagem, promovendo um entendimento mais profundo sobre a SAE e suas aplicações práticas. Desenvolver novas competências nos modos de organizar o trabalho é crucial, especialmente em setores de emergência onde os pacientes estão em estado crítico e necessitam de uma assistência altamente planejada e eficiente. A SAE, quando implementada de forma correta, pode transformar a prática da enfermagem, promovendo um cuidado mais humanizado, eficiente e holístico. Contudo, para superar os desafios, é essencial o compromisso de toda a equipe de saúde e o apoio institucional para capacitar e valorizar o trabalho dos enfermeiros. 14 O papel da enfermagem na urgência e emergência é crucial para garantir uma assistência ágil, segura e eficiente aos pacientes que necessitam de atendimento imediato devido a situações críticas de saúde. Os enfermeiros desempenham diversas funções durante o atendimento, contribuindo para o cuidado integral e humanizado dos pacientes. Os enfermeiros são responsáveis por realizar a triagem dos pacientes que chegam à unidade de urgência e emergência. A triagem consiste em avaliar rapidamente o estado clínico do paciente para identificar a gravidade do caso e a necessidade de atendimento prioritário, garantindo que os pacientes mais graves sejam atendidos com rapidez. Os enfermeiros são os primeiros profissionais de saúde a entrar em contato com o paciente, realizando uma avaliação inicial e coletando informações relevantes sobre o quadro clínico, eles devem estar preparados para intervir rapidamente em situações críticas, como parada cardiorrespiratória, choque, trauma grave, entre outras. Os enfermeiros são responsáveis por administrar os medicamentos prescritos pelo médico, seguindo as orientações de dosagem e via de administração adequadas. Em casos de urgência e emergência, o tempo de administração pode ser crucial para o sucesso do tratamento, além disso, eles podem ser responsáveis por realizar diversos procedimentos, como punção venosa, curativos, aspiração de vias aéreas, entre outros, dependendo da situação clínica do paciente. Além do cuidado físico, os enfermeiros também fornecem suporte emocional aos pacientes e seus familiares durante situações de emergência, esse acolhimento é essencial para diminuir o estresse e a ansiedade associados ao atendimento em urgência. O papel da enfermagem na urgência e emergência é vital para garantir um atendimento eficaz e humanizado. A implementação da SAE é essencial para a organização e melhoria contínua dos serviços de enfermagem, apesar dos desafios institucionais e organizacionais. Além das competências técnicas, o suporte emocional e a colaboração interdisciplinar são fundamentais para um atendimento de qualidade. A atuação do enfermeiro no atendimento pré-hospitalar (APH) é crucial e abrange uma série de responsabilidades que vão desde a participação ativa na equipe de 15 atendimento até a tomada de decisões imediatas em situações de emergência. Algumas das principais características e competências necessárias para os enfermeiros que atuam nesse setor deve ter boa condição física para lidar com o estresse e realizar atividades que demandam esforço. Além disso, devem ser capazes de tomar decisões rápidas e apropriadas em situações de alta pressão, colaboração com outros profissionais, como policiais e equipes de energia elétrica, é essencial. O trabalho em equipe é fundamental para garantir a eficácia do atendimento prestado, Os conhecimentos teórico-práticos são vitais. O enfermeiro de emergência deve estar continuamente aprimorando suas habilidades e conhecimentos. Programas de aperfeiçoamento e especialização são necessários para enfrentar a diversidade de problemas encontrados no serviço de emergência. O enfermeiro de emergência é responsável por planejar procedimentos de intervenção, acompanhar o preparo dos equipamentos e coordenar a equipe de enfermagem. Isso requer habilidades de liderança, iniciativa e criatividade, manter uma comunicação clara e sensível com as vítimas e outros profissionais de saúde é crucial, especialmente no primeiro momento do atendimento, onde o autocontrole e a calma são essenciais. A importância do Colégio Brasileiro de Enfermeiros de Emergência (Cobeem) é destacada, sendo uma entidade que promove a excelência na prática de enfermagem em emergências através de cursos, congressos e certificação de especialistas. O Cobeem também trabalha para melhorar continuamente a prática de enfermagem em emergências, promovendo a educação permanente e a publicação de trabalhos científicos relevantes. A criação e atuação do Cobeem refletem a evolução e a consolidação do papel do enfermeiro no atendimento pré-hospitalar e inter-hospitalar no Brasil, destacando a importância de uma formação contínua e especializada para garantir a qualidade do atendimento emergencial. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) é uma parte essencial da rede de atenção às urgências e emergências no Brasil, em expansão contínua desde sua criação há uma década. Enfermeiros capacitados desempenham um papel crítico neste serviço, lidando com situações complexas e estressantes que requerem cuidado e atenção à saúde dos cidadãos. A autonomia na tomada de decisões quanto ao uso de técnicas e procedimentos invasivos é uma característica fundamental desses profissionais. 16 Os enfermeiros no SAMU são responsáveis pela triagem inicial dos pacientes, avaliação clínica, administração de medicamentos, realização de procedimentos invasivos, monitoramento contínuo dos sinais vitais e suporte emocional aos pacientes e familiares. Eles trabalham em estreita colaboração com médicos e socorristas, sendo essenciais para a reanimação e estabilização dos pacientes no local da ocorrência e durante o transporte. Além das atividades assistenciais, os enfermeiros no SAMU também desempenham papéis de supervisão e liderança. Eles supervisionam a equipe de enfermagem, executam prescrições médicas, tomam decisões críticas e garantem a qualidade do serviço. Este duplo papel de assistente e líder é essencial para a operação eficiente das Unidades de Suporte Avançado (USA) e das Unidades de Suporte Básico. Os desafios enfrentados pelos enfermeiros no SAMU incluem a alta demanda por agilidade, a necessidade de conhecimento técnico avançado e a pressão emocional associada à alta taxa demortalidade e situações de emergência. A participação contínua em cursos de capacitação técnica e pedagógica é crucial para que os enfermeiros possam desempenhar suas funções com eficiência e segurança. Em comparação com países como Estados Unidos e França, o Brasil ainda está em atraso na capacitação e reconhecimento dos enfermeiros no atendimento pré-hospitalar. Nesses países, os enfermeiros têm um papel mais consolidado e reconhecido, o que destaca a necessidade de expandir a atuação dos enfermeiros brasileiros para além da assistência direta, incluindo a organização e gerenciamento do atendimento. O processo de enfermagem, desenvolvido em cinco fases (histórico, diagnóstico, planejamento, implementação e avaliação), é um guia essencial para o julgamento clínico e a tomada de decisões rápidas e eficazes no atendimento pré-hospitalar. Este processo é adaptado à biomecânica e ao ABCDE do trauma, sendo aplicado eficientemente no serviço de atendimento móvel de urgência. A atuação do enfermeiro no SAMU é crucial para garantir um atendimento ágil, seguro e eficiente em situações de emergência. A combinação de conhecimento teórico, habilidades técnicas, capacidade de liderança e suporte emocional permite que esses profissionais enfrentem os desafios complexos do ambiente de urgência e emergência. A expansão e valorização do papel dos enfermeiros no Brasil, juntamente com a capacitação contínua, são fundamentais para a melhoria da 17 qualidade do atendimento pré-hospitalar e para o fortalecimento do sistema de saúde. O atendimento pré-hospitalar (APH), especialmente no contexto do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), é fundamental para a estabilização de pacientes em situações de emergência antes de chegarem ao hospital. Este atendimento envolve técnicas complexas e manobras invasivas, exigindo dos enfermeiros um domínio prático considerável. A aplicação do processo de enfermagem permite a prestação de cuidados individualizados e orienta a tomada de decisões em diversas situações. Os enfermeiros enfrentam diversos desafios no APH, incluindo a necessidade de um atendimento rápido e especializado devido ao aumento de acidentes de trânsito, violência e doenças cardiovasculares. A eficácia do suporte imediato oferecido às vítimas pode ser crucial para evitar sequelas significativas. Entre os principais desafios estão o riscos físicos e químicos como a alta velocidade das ambulâncias aumenta o risco de colisões. Além disso, os enfermeiros estão expostos a substâncias químicas usadas para desinfetar veículos e materiais, como hipoclorito de sódio e glutaraldeído, e a agentes provenientes da combustão de automóveis, os riscos biológicos como o contato com doenças infecciosas, como tuberculose, meningite meningocócica e gripe A1N1, representa um risco significativo, especialmente quando o diagnóstico prévio do paciente não está disponível. Este risco é frequente em serviços de emergência, que servem como porta de entrada para hospitais, os riscos psicossociais que os enfermeiros enfrentam agressões físicas e verbais, ruídos constantes e cobranças da população. A pressão emocional e o estresse associados ao atendimento de emergências e à alta mortalidade de pacientes podem levar ao desenvolvimento de patologias psicológicas, como ansiedade e depressão, trote telefónico que é o principal estressor identificado é a ocorrência de trotes telefónicos, que desperdiçam tempo e recursos que poderiam ser destinados a verdadeiras emergências. Isso pode influenciar negativamente os resultados do atendimento e aumentar a morbimortalidade, as condições de trabalho e reconhecimento como baixos salários, condições de trabalho inadequadas e a falta de reconhecimento profissional contribuem para a insatisfação e desmotivação dos profissionais de enfermagem. Essa insatisfação pode afetar negativamente as relações de trabalho e a qualidade do atendimento. 18 A capacitação contínua é essencial para que os enfermeiros possam lidar eficazmente com as complexidades do APH. Participação em cursos de capacitação técnica e pedagógica, revisão de protocolos de atendimento e desenvolvimento de materiais didáticos são atividades fundamentais para manter a qualidade do serviço e garantir a segurança tanto dos pacientes quanto dos profissionais.Os enfermeiros desempenham um papel crucial no atendimento pré-hospitalar, enfrentando desafios significativos que incluem riscos físicos, químicos, biológicos e psicossociais. A necessidade de capacitação contínua e o reconhecimento profissional são essenciais para melhorar as condições de trabalho e a qualidade do atendimento. A valorização e a expansão do papel dos enfermeiros no APH são fundamentais para consolidar o Sistema de Atenção às Urgências como uma estratégia eficaz na atenção à saúde. A mídia pode desempenhar um papel importante na melhoria da qualidade do serviço de atendimento móvel, auxiliando na compreensão da população acerca da real função do SAMU. Programas de capacitação para leigos devem envolver indivíduos que atuam em ambientes escolares, empresariais e instituições públicas. A mídia, ao comunicar e informar, pode influenciar as condutas das pessoas, ajudando a construir uma compreensão mais clara e valorizada do trabalho dos profissionais de APH. a equipe de enfermagem deve atuar de forma ágil e eficaz para reduzir a gravidade das lesões e as taxas de mortalidade em vítimas de politraumatismo. Este enfoque é crucial no contexto do atendimento pré-hospitalar, onde a rápida intervenção pode fazer a diferença entre a vida e a morte. Destacam que os traumas podem levar a sequelas que resultam em deficiências, limitando a capacidade das pessoas de realizar atividades cotidianas. O processo de reabilitação dessas vítimas frequentemente é acompanhado por distúrbios emocionais, como a depressão, que podem interferir na recuperação e na avaliação da qualidade de vida dos pacientes. Apontam que os acidentes de trânsito resultam em óbitos ou sequelas nas vítimas, além de altos custos para recursos médico-hospitalares e seguros. Eles destacam que os fatores que interferem na sobrevida do paciente após um trauma incluem a gravidade das lesões, o estado clínico apresentado, o atendimento inicial recebido e o mecanismo causador do trauma. O atendimento ao trauma segue uma sistematização por meio do protocolo do Colégio Americano de Cirurgiões, 19 conhecido como The Advanced Trauma Life Support (ATLS), que estabelece o ABCDE do trauma. Este protocolo padroniza as condutas a serem seguidas no atendimento e é dividido em duas etapas ABCDE Primário que é Focado na estabilização dos sinais vitais e no reconhecimento de lesões. As etapas do ABCDE são A (Airway) que e a manutenção da via aérea com controle da coluna cervical,B (Breathing) a avaliação e suporte da respiração, C (Circulation) o controle de hemorragias e manutenção da circulação, D (Disability) a avaliação neurológica e a E (Exposure) que e a exposição e controle do ambiente para identificar lesões adicionais. O ABCDE Secundário Realiza uma abordagem completa através da manutenção da monitorização dos sinais vitais e do exame físico céfalo-podálico (da cabeça aos pés), permitindo uma avaliação mais detalhada e a identificação de outras lesões ou condições que não foram detectadas inicialmente. Essa sistematização é essencial para garantir um atendimento estruturado e eficaz, aumentando as chances de sobrevivência e recuperação dos pacientes vítimas de trauma. O trauma torácico (TT) ocorre quando uma força externa impacta a caixa torácica, resultando em alterações na fisiologia e anatomia dos órgãos torácicos, que são cruciais para a perfusão, ventilação e manutenção da oxigenação. As principais causas de TT incluem acidentes de trânsito, quedas de grandes alturas, agressões e lesões por esmagamento. Se não tratado adequadamente e de forma rápida, o TT pode levar a complicações severas, como falência múltipla de órgãos. A hipóxia, hipertermia, hipercapnia, acidose e choque são frequentemente resultados de um tratamentoinadequado e imediato. O atendimento inicial à vítima de politraumatismo em ambiente hospitalar ocorre no setor de emergência, visando estabilizar o equilíbrio fisiológico. A equipe de enfermagem realiza a avaliação primária e secundária das lesões para reduzir a mortalidade e conter agravos. O enfermeiro tem um papel crucial na avaliação, reconhecimento das lesões e no comando da assistência de enfermagem para garantir um atendimento seguro e efetivo. A presença de fraturas no esterno pode indicar uma lesão cardíaca oculta, enquanto fraturas nas costelas podem sugerir contusão pulmonar subjacente. A ausculta de murmúrios vesiculares pode ajudar na identificação de tais lesões. 20 O atendimento ao trauma torácico exige uma resposta rápida e eficaz para evitar complicações severas e reduzir a mortalidade. A sistematização do atendimento, através de protocolos como o ABCDE do trauma, e a atuação coordenada da equipe de enfermagem são fundamentais para o sucesso do tratamento. a importância do enfermeiro no atendimento pré-hospitalar (APH) para oferecer os cuidados necessários às vítimas de traumatismo raquimedular (TRM). A atuação do enfermeiro, conforme os protocolos de imobilização internacionais, é essencial para fornecer suporte adequado à equipe de enfermagem, reduzir sequelas e evitar maiores danos. O TRM é frequentemente resultado de acidentes de trânsito e quedas, sendo mais comum entre jovens do sexo masculino e idosos . Isso se deve a uma combinação de fatores sociais, culturais e biológicos que expõem esses grupos a um maior risco de trauma. A atuação do enfermeiro no APH é crítica para o manejo eficaz de TRM. Os protocolos de imobilização, como o uso de colares cervicais e pranchas rígidas, são seguidos rigorosamente para estabilizar a coluna vertebral e minimizar o risco de danos adicionais. A presença e atuação dos enfermeiros no atendimento pré-hospitalar são essenciais para o manejo adequado de vítimas de TRM. Seguindo protocolos de imobilização internacionais, os enfermeiros contribuem significativamente para a redução de sequelas e a prevenção de danos adicionais, proporcionando um atendimento seguro e eficiente às vítimas de trauma. A demanda recorrente de traumas raquimedulares (TRM) reforça a importância do enfermeiro em guiar a situação com maestria e atuar de forma precisa, utilizando técnicas corretas para reduzir danos e minimizar sequelas traumáticas. O TRM, causado por acidentes automobilísticos, motociclísticos, lesões por armas de fogo ou armas brancas, pode levar a sequelas neurológicas graves e limitantes, como paraplegia e tetraplegia, e implica em tratamentos extensos com possíveis complicações como lesões por pressão e trombose venosa profunda. O enfermeiro desempenha um papel crucial no atendimento pré-hospitalar, especialmente no manejo de TRM, as principais responsabilidades são a imobilização do Paciente Utilizando técnicas adequadas para imobilizar a coluna vertebral do paciente é essencial para evitar agravamento das lesões. O uso correto 21 de colares cervicais, pranchas rígidas e outros dispositivos de imobilização é fundamental, acalmar o Paciente a fim de reduzir a agitação do paciente é importante para prevenir o agravamento das lesões. O enfermeiro deve tranquilizar o paciente durante o primeiro contato e as intervenções Rápidas como todas as intervenções devem ser realizadas rapidamente para diminuir o tempo de permanência no local do acidente. A imobilização correta é imprescindível para a estabilização do paciente com TRM. A apresentação clínica inicial pode ser revertida com a aplicação adequada do colar cervical, ajustado de acordo com a gravidade da lesão. A estabilização neutra da coluna vertebral ajuda a reduzir movimentos e evitar lesões secundárias. A atuação do enfermeiro no atendimento pré-hospitalar é essencial para o manejo adequado das vítimas de TRM. Seguir protocolos de imobilização internacionais, realizar intervenções rápidas e precisas, e utilizar técnicas adequadas de estabilização são fundamentais para reduzir danos, evitar complicações e melhorar o prognóstico dos pacientes. A atuação do enfermeiro no Setor de Emergência Hospitalar (SHE) é complexa e dinâmica, exigindo habilidades técnicas, operacionais e avaliativas, além de uma compreensão profunda das características do ambiente e do perfil clínico dos pacientes. O SHE é caracterizado por um ambiente diferenciado, complexo e dinâmico, onde o enfermeiro realiza procedimentos específicos, como passagem de sondas e cuidados intensivos com pacientes graves. Além disso, o acompanhamento constante dos pacientes é essencial, visto que a condição deles pode se agravar rapidamente. A dimensão gerencial do trabalho do enfermeiro no SHE envolve a organização do ambiente e do atendimento para proporcionar um cuidado adequado aos pacientes. A tomada de decisão é crucial para definir a ordem dos atendimentos e lidar com demandas emergenciais, tanto administrativas quanto assistenciais. O planejamento e a organização do cuidado começam com a avaliação inicial dos pacientes na passagem de plantão. O remanejamento dos pacientes baseado no estado clínico confere autonomia ao enfermeiro e contribui para a organização do setor. O papel do enfermeiro no SHE é vital para garantir a qualidade do atendimento e a segurança dos pacientes. A combinação de habilidades técnicas, operacionais e 22 gerenciais permite que o enfermeiro lide eficazmente com a complexidade e dinamismo do ambiente de emergência, proporcionando um cuidado adequado e eficiente. O trabalho do enfermeiro no SHE é caracterizado pela complexidade e dinamismo, exigindo habilidades técnicas e gerenciais para proporcionar cuidados eficazes aos pacientes em estado crítico. A seguir, detalham-se as principais atividades e desafios enfrentados pelos enfermeiros nesse contexto, com base em depoimentos de profissionais. A rotina de passagem de plantão é fundamental para captar informações dos pacientes e avaliar suas condições iniciais. Isso permite ao enfermeiro planejar suas atividades e garantir a disponibilidade de recursos materiais e humanos. O gerenciamento do cuidado envolve a articulação entre as dimensões gerenciais e assistenciais. O enfermeiro deve equilibrar a prestação de cuidados diretos com a organização e planejamento do ambiente de trabalho, muitas vezes lidando com situações imprevistas. O trabalho do enfermeiro no SHE é multifacetado, demandando habilidades de organização, tomada de decisão rápida e eficaz, e a capacidade de gerenciar recursos e pessoal em um ambiente de alta pressão. A autonomia e a capacidade de adaptação são essenciais para garantir a qualidade e a continuidade do cuidado, mesmo diante das constantes interrupções e desafios inerentes ao ambiente de emergência. O estudo incluiu profissionais de enfermagem com experiência, mas com tempo relativamente curto de trabalho no setor de emergência, em parte devido à contratação em um grande concurso realizado cerca de três anos antes. O perfil dos participantes revelou uma leve predominância feminina e um elevado nível de formação, o que difere de outros contextos onde predominam profissionais masculinos, mais experientes e com qualificações avançadas. Essa variação é influenciada por fatores culturais, especialmente em países subdesenvolvidos, onde há uma maior presença de mulheres na enfermagem e menor qualificação . O ambiente do SHE é caracterizado pela superlotação e pela permanência de pacientes além do necessário para o atendimento agudo, resultando em uma grande quantidade de pacientes com necessidades contínuas de cuidados de diferentes níveis de complexidade . Esta situação é comum internacionalmente e aumenta a 23 carga de trabalho da enfermagem, comprometendo a qualidade dos cuidados e a segurança dos pacientes . A presença de pacientes internados compromete o atendimento a novas emergências, pois os cuidados contínuos demandam mais tempo dos enfermeiros. Estudos mostram que um maior número de pacientes sob cuidado de um único enfermeiro aumentao tempo necessário para avaliação e diagnóstico, impactando negativamente o rendimento do serviço de emergência e os resultados dos pacientes . Essa sobrecarga e as dificuldades para fornecer cuidados adequados a pacientes com permanência prolongada também são relatadas em hospitais da Suécia . O choque entre o cuidado contínuo e o cuidado de emergência pode levar a uma perda de identidade para o enfermeiro. Profissionais de emergência esperam lidar com demandas limítrofes de vida, mas, à medida que seu trabalho é tomado por cuidados contínuos, há uma perda de clareza de papéis e controle do ambiente . O SHE recebe um número elevado de pacientes que demandam cuidados intensivos, refletindo o nível de complexidade do setor. O uso inadequado dos serviços de alta complexidade é frustrante e uma fonte de sobrecarga para a equipe, dificultando o atendimento a pacientes mais graves . Nesse cenário, a coordenação e delegação de tarefas são essenciais, exigindo competência clínica e domínio do setor. O trabalho em equipe é crucial para proporcionar um cuidado adequado, com cada membro executando suas tarefas de forma especializada e rápida . O enfermeiro no SHE desempenha um papel central no gerenciamento do cuidado, planejando, executando e coordenando diferentes tarefas. A priorização com base na avaliação das necessidades dos pacientes é uma estratégia chave. Devido à gravidade dos pacientes, os enfermeiros desenvolvem competências clínicas específicas e realizam atividades burocráticas para assegurar a continuidade do cuidado . A adaptação ao ambiente do SHE implica planejamento e organização das ações, priorizando pacientes com sinais de agravamento. A definição de prioridades é uma adaptação ao ambiente, onde o enfermeiro hierarquiza atividades e planeja o cuidado. O SHE é um sistema complexo e adaptativo, onde o comportamento individual e coletivo se transforma e organiza em níveis macro e microscópicos . 24 A tomada de decisão é uma competência fundamental, baseada na avaliação global das necessidades dos pacientes para definir prioridades. Este princípio é crucial no atendimento emergencial, onde o tempo é essencial para salvar vidas . A autonomia do enfermeiro é ressaltada na definição de prioridades e no planejamento do cuidado. O enfermeiro é responsável pela organização, gerenciamento e avaliação do atendimento, conferindo maior valorização profissional . O ambiente dinâmico do SHE requer que os enfermeiros estejam sempre preparados para novas emergências, antecipando necessidades e reorganizando recursos materiais e humanos . O atendimento no SHE é dinâmico e exige dos enfermeiros uma combinação de habilidades clínicas, gerenciais e de tomada de decisão rápida e eficaz. A superlotação e a necessidade de gerenciar cuidados contínuos e emergenciais simultaneamente aumentam a carga de trabalho e a complexidade do ambiente. No entanto, a colaboração em equipe e a autonomia dos enfermeiros são fundamentais para proporcionar um cuidado de qualidade e garantir a segurança dos pacientes. Estudos que exploram as peculiaridades e desafios do cenário de emergência são essenciais para empoderar os enfermeiros e promover uma prática mais autônoma e eficaz . O trabalho dos enfermeiros no Serviço Hospitalar de Emergência (SHE) é caracterizado pela necessidade de gerenciar múltiplas tarefas simultâneas, frequentemente interrompidas, o que é uma característica inerente ao ambiente de emergência . O termo "apagar incêndio" foi usado pelos participantes para descrever essa dinâmica, que não se resume apenas à priorização de tarefas, mas também ao ritmo intenso e às constantes interrupções que fragmentam o cuidado prestado . Os enfermeiros descrevem seu cuidado como "intermitente", pois as interrupções obrigam a fragmentar o atendimento em diversos momentos, podendo ou não retomá-lo. A carga cognitiva exigida por essas tarefas complexas aumenta o impacto das interrupções, devido às limitações da memória humana em processar múltiplas entradas de informação simultaneamente . No entanto, um estudo realizado na Suécia apontou que a multitarefa é vista como um aspecto atraente do trabalho no SHE, com os enfermeiros considerando natural iniciar novas tarefas sem finalizar as anteriores . 25 O estudo identificou todas as competências básicas apresentadas em uma matriz de perfil de competência para enfermeiros em emergências brasileiras, recentemente validada. As competências necessárias para atuar no SHE incluem desempenho assistencial, trabalho em equipe, liderança, humanização, relacionamento interpessoal, direcionamento para resultados e proatividade . Essas competências permitem que os enfermeiros busquem a excelência assistencial e operacional, desenvolvendo mecanismos cognitivos para manter o foco no raciocínio clínico necessário ao gerenciamento e prestação de cuidados aos pacientes. O estudo foi realizado em um único cenário hospitalar de emergência e somente a partir da perspectiva dos enfermeiros. Portanto, é sugerido que novos estudos incluam serviços de emergência de outros locais e outras categorias profissionais da saúde para ampliar a compreensão da problemática . A pesquisa ressaltou a importância do trabalho dos enfermeiros no SHE e sistematizou seu escopo de atuação, aumentando sua visibilidade profissional. Além disso, contribuiu para a construção de novos conhecimentos sobre o papel dos enfermeiros, fornecendo subsídios para a melhoria dos processos de trabalho no SHE . Essa abordagem destaca a complexidade do trabalho dos enfermeiros em serviços de emergência e a importância de suas competências e adaptações cognitivas para gerenciar um ambiente tão dinâmico e exigente. Ao mesmo tempo, reconhece a necessidade de estudos adicionais para uma compreensão mais ampla e inclusiva do ambiente de emergência hospitalar. 26 CONCLUSÃO O processo de trabalho do enfermeiro no Serviço Hospitalar de Emergência (SHE) é moldado pelas especificidades do cenário de emergência, destacando-se pelo gerenciamento, assistência e gerenciamento do cuidado. Este processo é intrinsecamente ligado à constante necessidade de tomada de decisão, essencial para o desenvolvimento da assistência. A assistência é guiada por critérios clínicos e pelas necessidades dos pacientes, baseando-se em um processo contínuo de observação e avaliação. Isso permite estabelecer prioridades e organizar o trabalho de forma intermitente, combinando ações contínuas e ações imediatas/prioritárias. A expressão "apagar incêndio" ilustra bem o gerenciamento do cuidado no SHE, destacando a realidade de interrupções frequentes e a execução simultânea de múltiplas tarefas. Essa metáfora reflete a necessidade de gerenciar de forma eficaz o fluxo e a demanda de pacientes, que configuram o contexto ambiental do trabalho. A gestão do cuidado envolve não só a priorização de tarefas, mas também a habilidade de lidar com imprevistos e manter a continuidade do atendimento, apesar das interrupções. A demanda e o fluxo de pacientes no SHE têm um impacto direto na configuração do processo de trabalho dos enfermeiros. A natureza imprevisível e a alta demanda do ambiente de emergência exigem uma constante adaptação e reavaliação das prioridades. Isso reforça a importância do gerenciamento eficiente do cuidado, garantindo que as necessidades dos pacientes sejam atendidas de maneira rápida e eficaz, mantendo a qualidade do atendimento mesmo diante de desafios significativos. O processo de trabalho dos enfermeiros no SHE é complexo e multifacetado, exigindo uma combinação de competências gerenciais e assistenciais. A expressão "apagar incêndio" captura a essência do gerenciamento do cuidado nesse ambiente, destacando a importância da tomada de decisão rápida e eficaz em um cenário marcado por interrupções frequentes e alta demanda. A capacidade de adaptação e a priorização constante são cruciais para assegurar que o atendimento aos pacientes seja realizado de forma eficiente e segura, mesmo nas condições mais desafiadoras. 27 O trauma torácico é uma condiçãograve que pode levar a complicações severas e morte, exigindo cuidados rápidos e eficazes. Esses cuidados incluem suporte ventilatório, drenagem torácica e analgesia, todos essenciais para estabilizar o paciente e minimizar danos adicionais. A importância de um atendimento sistematizado é evidente, pois contribui para a redução de complicações e óbitos associados ao trauma. O papel do enfermeiro é crucial nesse contexto. Ele é responsável pela avaliação inicial e contínua do paciente, utilizando técnicas de inspeção, ausculta, percussão e palpação para identificar sinais de trauma, como assimetria torácica, hematomas, crepitações ósseas, enfisema subcutâneo e alterações nos murmúrios vesiculares. A abordagem da enfermagem é holística, visando o cuidado integral do paciente. Com base nos diagnósticos de enfermagem, o enfermeiro direciona as intervenções necessárias para alcançar os melhores resultados possíveis no atendimento ao paciente traumatizado. Ao descrever as principais etapas do atendimento de emergência, observa-se que os estudos envolvendo a equipe de enfermagem são escassos e muitas vezes limitados a um único tipo de atendimento, como o trauma. Isso indica a necessidade de mais pesquisa e produção teórica na área, incentivando a criação e utilização de protocolos de atendimento que beneficiem tanto as equipes de saúde quanto os pacientes. Os enfermeiros que atuam em emergências estão expostos a diversos riscos, como contaminação com material biológico, estresse, risco cardiovascular e problemas auditivos. É crucial que esses profissionais estejam cientes desses riscos e adotem medidas de prevenção adequadas. O traumatismo raquimedular (TRM) é uma lesão que afeta a coluna vertebral e pode resultar em danos parciais ou totais, com consequências graves, como a tetraplegia. O papel do enfermeiro, juntamente com a equipe de Atendimento Pré-Hospitalar (APH), é crucial para identificar rapidamente as ameaças à vida, prevenir complicações, proteger e promover a recuperação da saúde do paciente. O atendimento pré-hospitalar de qualidade é essencial para garantir bons resultados, principalmente através da imobilização correta. Uma imobilização inadequada pode agravar os danos, tornando vital que os profissionais de saúde transmitam 28 segurança e tranquilidade ao paciente. Pesquisas indicam a necessidade de decisões rápidas e seguras devido à natureza grave do trauma. Para proporcionar um suporte eficiente e de qualidade, os profissionais de saúde devem estar bem capacitados. Isso implica um constante aprimoramento dos conhecimentos teóricos e práticos para garantir um plano de cuidado melhor, individualizado e integral, atendendo às necessidades específicas da vítima. A capacitação adequada não apenas salva vidas, mas também evita possíveis sequelas. Os portadores de TRM enfrentam muitos desafios, e o apoio psicológico e emocional é uma parte vital do atendimento. Os profissionais de saúde devem ajudar os pacientes a se adaptarem às suas novas limitações e facilitar sua reintegração na sociedade. Esse apoio contribui para uma melhor qualidade de vida e bem-estar dos pacientes, além de promover sua inclusão social. Diante da gravidade e complexidade do TRM, é essencial que os enfermeiros e a equipe de APH estejam bem treinados e preparados para agir rapidamente e com segurança. A formação contínua e o desenvolvimento de habilidades práticas são fundamentais para garantir um atendimento de qualidade, minimizando sequelas e promovendo a recuperação e reintegração social dos pacientes. A urgência e emergência são situações que exigem um atendimento rápido e eficaz para prevenir complicações graves ou salvar vidas. O papel do enfermeiro nesses contextos é fundamental, abrangendo desde a triagem e classificação dos pacientes até a assistência direta durante a urgência ou emergência. o enfermeiro desempenha um papel central e crucial na urgência e emergência, sendo responsável pela triagem, classificação, estabilização, monitoramento e coordenação da equipe. Sua atuação visa garantir uma resposta rápida, eficiente e segura para os pacientes, salvaguardando suas vidas e promovendo uma assistência de qualidade durante essas situações críticas. A formação e capacitação contínua dos enfermeiros são essenciais para manter a excelência no atendimento e assegurar que os pacientes recebam os melhores cuidados possíveis em momentos de urgência e emergência. A importância de uma abordagem contínua e integrada para o desenvolvimento profissional dos enfermeiros em urgência e emergência. Identificar e trabalhar nas áreas de fragilidade, enquanto se fortalece as competências já existentes, é crucial 29 para garantir uma assistência de qualidade e eficaz, contribuindo para a saúde e segurança dos pacientes em situações críticas. A equipe de enfermagem expressou o desejo de ver o enfermeiro mais próximo e atuante, valorizando o conhecimento teórico e científico que este profissional possui. No entanto, na prática, muitos hospitais ainda seguem um modelo biomédico e tecnicista, que limita a participação ativa de toda a equipe de enfermagem. O enfermeiro muitas vezes se torna invisível na representatividade da equipe de saúde, concentrando-se mais na administração do serviço hospitalar do que no gerenciamento da assistência, o que contribui para a perda de identidade profissional e subestimação da SAE. A predominância do tecnicismo e do modelo biomédico restringe a expressão e a participação reflexiva da equipe de enfermagem, limitando seu poder de transformação do contexto em que se encontram. Mesmo com a preocupação de alguns funcionários em desenvolver uma assistência holística e humanista, a prática ainda não reflete esses anseios. Para o sucesso na implantação da SAE, é fundamental enfatizar a relevância da participação de toda a equipe de saúde em um processo de trabalho integrado. Algumas instituições já promovem discussões que envolvem todos os profissionais, o que tem contribuído para o desenvolvimento de uma assistência de qualidade. Essas discussões favorecem o respeito e a concretização das atribuições específicas de cada profissional dentro da equipe. A implementação da SAE enfrenta desafios significativos devido à falta de apoio institucional, ao distanciamento do enfermeiro da prática assistencial direta e ao enfoque administrativo predominante. Para superar esses obstáculos, é necessário promover uma cultura de trabalho integrado e colaborativo, onde todos os profissionais de saúde participem ativamente. Discussões interprofissionais e valorização do conhecimento teórico e científico dos enfermeiros são essenciais para desenvolver uma assistência de saúde de qualidade e humanizada. A presença do enfermeiro no Atendimento Pré-Hospitalar (APH) remonta à origem dessa necessidade na sociedade, evidenciando a contribuição significativa da enfermagem para a melhoria desse tipo de serviço. Mesmo sendo uma área em desenvolvimento, a atuação do enfermeiro no APH é essencial e consolidada, fazendo dele uma peça fundamental na equipe multidisciplinar. 30 A atuação do enfermeiro, apesar de limitada em alguns aspectos, é crucial para a melhoria da qualidade do atendimento no APH. Seu domínio de conhecimentos científicos permite um melhor prognóstico para os pacientes, seja em situações clínicas ou traumáticas. O tempo é um fator crítico no APH, e a presença de um enfermeiro qualificado pode salvar vidas. O papel da equipe de enfermagem, tanto no Brasil quanto em outros países, precisa ser constantemente discutido. A atuação dos enfermeiros, embora limitada por aspectos legais, mostra-se vital para o atendimento pré-hospitalar. Para aumentar a autonomia e a eficácia dos enfermeiros, é fundamental desenvolver núcleos de ensino e pesquisa específicos para essa área. Para melhorar a atuação dos enfermeiros no APH e assegurar um atendimento de qualidade às vítimas, é necessário aprofundar a discussão sobre suas intervenções e funções. Isso não deve ser visto apenas como uma luta de classes, mas como um esforço paraaprimorar o atendimento pré-hospitalar. A presença do enfermeiro no APH é indispensável e sua atuação, apesar das limitações, contribui significativamente para a qualidade do atendimento. Desenvolver núcleos de ensino e pesquisa, superar barreiras legais e promover uma discussão constante sobre o papel do enfermeiro são passos essenciais para fortalecer a atuação desse profissional e, consequentemente, melhorar o atendimento prestado às vítimas. A valorização contínua do conhecimento teórico e prático dos enfermeiros, aliada a uma abordagem integrada e multidisciplinar, é fundamental para o progresso e eficácia do APH. A atuação do enfermeiro no Atendimento Pré-Hospitalar (APH) e no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) é repleta de desafios e oportunidades que proporcionam aprendizado e satisfação profissional. A principal responsabilidade desses profissionais é a reanimação e estabilização do paciente no local de ocorrência e durante o transporte para um atendimento fixo. O trabalho envolve técnicas complexas e manobras invasivas, justificando a presença de enfermeiros e médicos na ambulância. a importância do enfermeiro no APH/SAMU como um elo primordial para um atendimento de qualidade. Apesar dos desafios, a atuação dos enfermeiros é essencial e pode ser potencializada através de discussões sobre o trabalho, melhorias nas condições organizacionais, utilização adequada de EPIs e suporte psicológico. Espera-se que este estudo incentive discussões amplas sobre a prática 31 da enfermagem no APH, possibilitando avanços que promovam uma prática mais satisfatória, qualificada e segura. Através da implementação dessas recomendações, espera-se melhorar a qualidade da assistência prestada no APH/SAMU, aumentar a satisfação profissional dos enfermeiros e promover um ambiente de trabalho mais seguro e eficiente. 32 REFERÊNCIAS: Processo de trabalho do enfermeiro em um serviço hospitalar de emergência Simone Kroll RabeloI, Suzinara Beatriz Soares de Lima, José Luís Guedes dos SantosII, Valdecir Zavarese da CostaI, Emilene ReisdorferIII,Tanise Martins dos SantosI, Jocelaine Cardoso GracioliI ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NA UNIDADE DE URGÊNCIA E EMERGÊNCIA A VÍTIMA COM TRAUMA TORÁCICO, Thayla Cristina Dias, Fábio Henrique O papel do enfermeiro no atendimento de urgência e emergência: uma revisão de literatura, P. R. Souza, H. O. Chagas Atuação do enfermeiro no atendimento pré-hospitalar mediantes situações de trauma raquimedular, Maria Laura Beatriz Nascimento Cardoso Luana Ruthiele Chagas Lucena, Stefany Valery Gomes dos Santos, Vitória Sandrielle Santos Silva , Layanne Nayara Silva, Lais Alves Rodrigues, Larissa Stefanni Silvano de Miranda , Paulo Isaac de Souza Campos URGÊNCIA E EMERGÊNCIA E O PAPEL DO ENFERMEIRO, Leidy Laura Da Silva e Fabisleine Cabral Competências profissionais dos enfermeiros de unidades de urgência e emergência: estudo de método misto, Kemilys Marine Ferreira, Alexandre Pazetto Balsanelli, José Luís Guedes dos Santos Sistematização da assistência de enfermagem em serviços de urgência e emergência: viabilidade de implantação, Monica Antonio MariaI , Fátima Alice Aguiar QuadrosII, Maria de Fátima Oliveira Grassi Atuação do enfermeiro no atendimento pré-hospitalar de emergência, Rodrigo Pereira Costa Taveira, Jorge Luiz Lima da Silva, Robson Damião de Souza, Vittória Thiengo Silveira Moreira Rego,Vinicius Fonseca de Lima,Rafael da Silva Soares ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NO ATENDIMENTO PRÉ- HOSPITALAR: DIFICULDADES E RISCOS, mastereditora