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FISIOTERAPIA NA ESCOLIOSE: Fisioterapia na prevenção e tratamento da escoliose 1 Maria do Carmo dos Santos Silva.2 RESUMO Este trabalho de conclusão de curso tem como objetivo explorar o papel da Fisioterapia na prevenção e no tratamento da escoliose, enfatizando a importância de um acompanhamento profissional adequado para cada paciente e situação específica. A meta principal é informar e alertar sobre a possibilidade de ocorrência de escoliose em qualquer fase da vida, sendo mais comum entre adolescentes, especialmente do sexo feminino, o que torna essa fase ideal para o início do tratamento e do acompanhamento fisioterapêutico. O trabalho detalha os tipos de intervenções que podem ser realizadas, com foco em estabilizar a curvatura da coluna vertebral, aliviar sintomas, corrigir a postura e, assim, melhorar a funcionalidade e a qualidade de vida do paciente. A análise de conteúdo mostra que é viável corrigir essa anormalidade por meio de exercícios de fortalecimento, alongamentos para aumentar a flexibilidade, e o uso de coletes ortopédicos, entre outros fatores que contribuem para um resultado positivo no tratamento. Conclui-se que o êxito do tratamento é individual, pois a gravidade da curvatura, a idade do paciente e as causas envolvidas são aspectos cruciais para a obtenção de melhores resultados. Palavras-chave: Escoliose. Tratamento. Fortalecimento muscular. Correção postural. Alongamento. 1 Artigo científico apresentado a Universidade Pitagoras Unopar Anhanguera como requisito para a aprovação na disciplina de TCC. 2 Discente do curso de Fisioterapia. 1 1 INTRODUÇÃO A Fisioterapia desempenha um papel fundamental na prevenção e tratamento da escoliose, caracterizada por uma curvatura tridimensional da coluna vertebral com ângulo de Cobb superior a 10°, pode se manifestar em diversas fases da vida, sendo mais prevalente em adolescentes, especialmente do sexo feminino. A detecção precoce dessa condição é crucial, pois quando não tratada adequadamente, pode levar a dores crônicas, deformidades graves e, em casos severos, comprometer as funções pulmonares e cardíacas. Nesse contexto, a fisioterapia emerge como uma abordagem fundamental na prevenção e tratamento da escoliose, visando estabilizar a curvatura da coluna, aliviar sintomas e corrigir a postura, contribuindo significativamente para a melhoria da funcionalidade e qualidade de vida do paciente. Uma das principais vantagens da intervenção fisioterapêutica reside na sua capacidade de oferecer uma alternativa que pode evitar a necessidade de procedimentos cirúrgicos, especialmente em casos leves a moderados. Por meio de programas de exercícios específicos, é possível promover a melhora postural, o fortalecimento dos músculos estabilizadores da coluna e o aumento da flexibilidade, prevenindo o agravamento da curvatura. Este trabalho de conclusão de curso tem como objetivo principal explorar o papel da Fisioterapia na prevenção e no tratamento da escoliose, enfatizando a importância de um acompanhamento profissional adequado para cada paciente e situação específica. Para tanto, será realizada uma revisão das evidências científicas disponíveis, analisando estudos clínicos e reanálises que comprovem a eficácia das intervenções fisioterapêuticas, identificando as abordagens que geram melhores resultados e em quais condições são mais eficazes. Ao final, busca-se oferecer um panorama abrangente e atualizado das diversas técnicas terapêuticas e seus efeitos práticos no controle da escoliose. Quando se trata da prevenção e do tratamento da escoliose, o principal objetivo da fisioterapia é analisar de maneira completa os diferentes aspectos relacionados a essa condição. Para isso, busca-se avaliar as evidências científicas disponíveis, revisando estudos clínicos e reanálises que comprovem a eficácia da fisioterapia no tratamento da escoliose, identificando quais intervenções trazem os melhores resultados e em quais condições elas são mais eficazes. Em resumo, a fisioterapia é fundamental na abordagem da escoliose, oferecendo não apenas uma forma de tratamento eficaz, mas uma estratégia de prevenção e manutenção da saúde da coluna. Ao reduzir a progressão da curvatura, melhorar a postura, aliviar a dor e promover a autonomia do paciente, a fisioterapia contribui significativamente para uma melhor qualidade de vida. 2 DESENVOLVIMENTO Diversos métodos fisioterapêuticos mostram-se promissores no tratamento da escoliose, com destaque para a Reeducação Postural Global (RPG) e o Pilates, que demonstram potencial para aumentar a força muscular, flexibilidade, reduzir a dor e corrigir a curvatura escoliótica, conforme as pesquisas revisadas. É importante mencionar que a coluna vertebral é uma estrutura de sustentação e manutenção da postura composta por 33 vertebras divididas em cervicais, torácicas, lombares, sacro e cóccix. Além disso, conta com duas cifoses (torácica e sacral) e duas lordoses (cervical e lombar), músculos e ligamentos (FREITAS; EDEIROS; CÂMARA, 2023). Tridimensional da coluna vertebral, a escoliose é caracterizada por uma curvatura no plano frontal, com ângulo de Cobb superior a 10°, e rotação dos corpos vertebrais. Ela pode ter e se ligar a diversas etiologias, sendo neuromuscular, congênita, neuromuscular ou vinculada a síndromes. A variante idiopática é a mais prevalente, correspondendo cerca de 80% dos casos, e pode se revelar em três faixas etárias: infantil, fase da juventude e adolescente. Segundo Liberal, Dinis e Pinto (2021), as hastes de crescimento controladas magneticamente (HCCM) trouxeram um grande avanço no tratamento da escoliose. Elas foram introduzidas pela primeira vez em 2009 e possibilitam que a coluna seja estendida de forma contínua sem precisar de novas cirurgias. Isso é possível graças a um sistema que utiliza tecnologia magnética e um controle remoto externo, o que agiliza a regulagem da haste de forma não invasiva. Um ponto positivo dessa tecnologia é que ela reduz a necessidade de cirurgias repetidas, diminuindo o risco de complicações. As HCCMs oferecem uma solução mais suave e menos prejudicial para pacientes jovens, onde o ajuste da haste pode ser feito sem a precisão de uma anestesia ou outros procedimentos invasivos. Esse progresso tornou o tratamento da escoliose mais eficaz, menos penoso e mais seguro, aprimorando a qualidade de vida dos pacientes. Existe um importante do Método chamado Schroth, um programa de fisioterapia específico e estruturado para pacientes com escoliose. O método envolve uma série de exercícios posturais, respiratórios e de estabilização da coluna, que visam melhorar a postura do paciente e, ao mesmo tempo, reduzir a curvatura da coluna vertebral. O objetivo é permitir que o paciente consiga estabilizar a coluna e evitar a progressão da escoliose, particularmente em casos mais moderados. O Método Schroth tem mostrado ser eficaz na redução da dor lombar associada à escoliose idiopática, especialmente em pacientes do sexo masculino com idades entre 12 e 20 anos (CASTILLO GÓMEZ; MONTES OLAVERRI, 2024). Além do Método Schroth, tem se o uso de órteses no tratamento conservador da escoliose. Focando na utilização de coletes ortopédicos, como o colete de Boston e o colete SpineCor, como uma forma de controlar a progressão da curvatura, especialmente em adolescentes com escoliose moderada a grave (REIS, 2023). Assim podem desempenhar um papel crucial na redução da progressão das curvaturas da coluna, retardando ou até mesmo prevenindo a necessidade de uma intervenção cirúrgica. Seu trabalho é vital na análise da adaptação dos pacientes ao uso de órteses, destacando a importância de um plano de tratamento individualizado, onde a órtese é usada juntamente com exercícios para obter melhores resultados (KURU ÇOLAK et al., 2024, p. 3661). 3 DESENVOLVIMENTO Os benefícios da Reeducação Postural Global (RPG) têm sido amplamente reconhecidos no tratamento da escoliose idiopática juvenil pois age diretamente na correção postural, auxilia com o alíviode algias, permite uma melhora dos problemas articulares e musculares, proporciona relaxamento, melhora da função respiratória e o equilíbrio. Pode-se observar, a importância da Fisioterapia especializada adotando o RPG, pois o mesmo configura-se como uma abordagem terapêutica profícua na gestão da escoliose idiopática, promove a tonicidade da musculatura estabilizadora, aprimora a maleabilidade das cadeias miofasciais, fomenta o realinhamento postural, contribuindo para a redução da progressão das curvaturas e elevação da qualidade de vida dos pacientes (DOS SANTOS; DE SOUZA LEAL; PEREIRA, 2023) Para a execução do RPG, torna-se imprescindível a realização de uma detalhada anamnese do paciente, complementada por exames específicos que avaliem retrações musculares, seleção criteriosa da postura terapêutica a ser abordada e pontos de reequilíbrio. Faz-se necessário identificar os momentos em que as algias se intensificam ou geram maior desconforto. O tratamento prioriza a reestruturação postural, na qual cada postura selecionada é trabalhada em associação com técnicas respiratórias específicas, potencializando os benefícios terapêuticos. As condutas terapêuticas são ajustadas conforme a necessidade clínica do paciente, possibilitando, em cada sessão, uma nova reavaliação diagnóstica. O Pilates tem sido considerado uma estratégia eficaz no tratamento da escoliose idiopática com curvaturas de pequeno grau, promovendo a melhoria postural, fortalecimento muscular e aumento da flexibilidade, conforme demonstrado por Vasconcelos (2019) Os exercícios do Pilates não apenas auxiliam os movimentos, mas também incrementam a instabilidade da coluna vertebral, exigindo uma ativação mais intensa dos músculos estabilizadores. A técnica de Pilates é subdividida em duas categorias principais: exercícios no solo (acessórios como bola, rolo, magic circle, entre outros), que possuem uma natureza preponderantemente pedagógica, concentrando-se no aprendizado da respiração e no desenvolvimento do centro de força e exercícios que proporcionam uma ampla variedade de movimentos, que são com o uso de aparelhos (MCMILLAN et al., 1998, p. 101). Entre 80% e 90% dos casos de escoliose são classificados como idiopáticos, ou seja, sem uma causa conhecida. A identificação só pode ser estabelecida logo após a eliminação de outros fatores causais que possam causar uma deformidade na coluna vertebral, como modificações na densidade dos tecidos ou assimetria na musculatura (DE MOURA et al. (2014). A escoliose está diretamente relacionada ao desenvolvimento completo da crista ilíaca. Enquanto essa estrutura não estiver completamente consolidada ou fechada, a curvatura da patologia tende a progredir. O processo de fechamento ocorre da espinha ilíaca anterior em direção à posterior, dividindo a crista em quatro partes iguais. O indivíduo com escoliose pode não apresentar queixas de sintomas específicos, percebendo apenas uma alteração postural. No entanto, é comum que relate dores localizadas ou outros sintomas tipos de associados, como dormência, sensação de queimação e alterações na marcha. A postura do corpo é fundamental para a manutenção do alinhamento adequado, sendo que hábitos incorretos podem gerar tensões nas estruturas de suporte e ocasionar os desvios posturais. A escoliose, caracterizada por uma curvatura lateral da coluna, pode ocorrer desde a infância e agravar-se na adolescência. Tendo em vista que múltiplas causas são consideradas significativas quando a curvatura ultrapassa 10 graus. Sua progressão depende de fatores como sexo, idade de início e grau da curvatura, com maior risco em meninas e naqueles com curvaturas mais acentuadas. Tradicionalmente, a escoliose é diagnosticada e monitorada por meio de radiografias, mas devido à exposição à radiação e ao custo, alternativas como avaliações posturais não invasivas são cada vez mais consideradas como opções. A biofotogrametria computadorizada é um método quantitativo confiável para acompanhar a evolução da curvatura (IUNES et al., 2010). O estudo de Fiorelli et al. (2014) descreve a aplicação da cinesioterapia no tratamento da escoliose idiopática juvenil, com foco em um relato de caso específico. A intervenção consistiu em um programa de exercícios posturais realizado ao longo de nove meses, com sessões semanais. O tratamento envolveu uma combinação de alongamentos, fortalecimento muscular e autocorreção postural, utilizando equipamentos como bolas suíças. A avaliação antes e após a intervenção mostrou uma redução significativa na curvatura da coluna, com a medição do ângulo de Cobb passando de 16 para 4 graus, indicando a eficácia do tratamento para correção postural usando as técnicas da cinesioterapia. Mesquita Cordeiro et al. (2020) investigou a aplicação de técnicas cinesioterapêuticas no tratamento da escoliose idiopática em adolescentes. Essa pesquisa fez analises de vários casos clínicos diferentes, os quais mostraram que métodos como o de Schroth são muito eficazes para melhorar a postura, aumentar a força muscular e a capacidade respiratória dos pacientes. No entanto, as diferentes mudanças nos protocolos de tratamento, como intensidade e frequência dos exercícios, a variabilidade nos métodos de tratamento dificulta a identificação de uma abordagem universalmente superior para todos os casos. O estudo conclui que, embora esses tratamentos proporcionem benefícios, não existe um consenso sobre a melhor abordagem, dada a variação nas intervenções utilizadas para cada indivíduo. A prática de fortalecimento muscular e alongamento traz inúmeros benefícios à saúde, especialmente no que se refere às capacidades motoras e à qualidade de vida. O alongamento, largamente presente em academias e atividades físicas, ajuda na flexibilidade e amplitude muscular, contribuindo para a prevenção de lesões em atividades esportivas e para a melhora da mobilidade articular. Além disso, ele ajuda positivamente na postura, ao equilibrar as forças musculares e liberar músculos encurtados. Já o fortalecimento muscular visa aumentar a força, o tônus e a resistência dos músculos. Esse fortalecimento favorece o equilíbrio muscular, contribuindo tanto para a reeducação postural quanto para a robustez das articulações, aprimorando o desempenho e mitigando o risco de lesões (NASCIMENTO et al., 2023). Elisa Bizetti Pelai (2014) analisa os efeitos das técnicas osteopáticas estruturais na postura e flexibilidade de adolescentes com escoliose idiopática. De acordo com o estudo, esse tipo de escoliose impacta profundamente a postura e a flexibilidade, limitando a mobilidade e prejudicando a qualidade de vida dos adolescentes. A pesquisa teve como finalidade avaliar como abordagens estruturais da osteopatia podem melhorar essas limitações, focando em métodos voltados a corrigir desvios posturais e restaurar a mobilidade. As técnicas osteopáticas são realizadas em sessões periódicas e incluem manobras específicas para aliviar a tensão nos músculos e articulações adjacentes à curvatura e realinhar a coluna. Pelai descreve como essas técnicas podem alterar a postura dos pacientes, destacando a melhoria na simetria corporal e no equilíbrio muscular. Alguns dados indicam que a osteopatia pode ser eficaz no tratamento da escoliose, proporcionando vantagens tanto na postura quanto na flexibilidade, o que pode atenuar e otimizar a função física dos adolescentes. Pelai conclui que as técnicas osteopáticas estruturais configuram uma estratégia promissora para o manejo da escoliose idiopática em adolescentes e ressalta a importância de mais estudos para investigar os impactos prolongados dessa abordagem terapêutica, bem como sua efetividade em diversos estágios de curvatura. A escoliose pode gerar dificuldades durante o treino de musculação, mas com os devidos cuidados, os indivíduos com essa condição podem praticar exercícios com segurança e benefícios. É fundamental ajustar o plano de exercícios para prevenir excessos e posturas que possam piorar a curvatura espinhal ou provocar danos. Parte superiordo formulário Parte inferior do formulário As técnicas corretas na musculação são fundamentais para garantir a eficácia do treinamento e prevenir lesões musculoesqueléticas. Entre as lesões mais frequentes estão os problemas na coluna vertebral, especialmente na região lombar. Essas lesões são muitas vezes resultantes de movimentos inadequados, como as rotações da coluna, que afetam os ligamentos intervertebrais e reduzem a estabilidade na região lombar. Esses movimentos inadequados são prejudiciais, comprometendo a integridade da coluna e aumentando o risco de danos a longo prazo (LAMOTTE et al., 2003). A musculação tem a função de ajudar a fortalecer os músculos que oferecem suporte à coluna vertebral, estimulando maior estabilidade e equilíbrio muscular, o que pode ser útil para controlar a evolução da escoliose e prevenir o agravamento da condição. Por isso, é crucial que o treinamento seja ajustado às exigências particulares daqueles que apresentam escoliose, com o na postura correta, no alongamento e no fortalecimento muscular, prevenindo excessos de peso e gestos que possam ocasionar lesões. A orientação de um profissional qualificado é fundamental para garantir que a musculação seja feita de forma confiável e segura para pessoas com escoliose.Parte superior do formulário Diversos métodos fisioterapêuticos mostram-se promissores no tratamento da escoliose, com destaque para a Reeducação Postural Global (RPG) e o Pilates, que demonstram potencial para aumentar a força muscular, flexibilidade, reduzir a dor e corrigir a curvatura escoliótica, conforme as pesquisas revisadas. Esses benefícios decorrem de técnicas específicas que envolvem alongamento, fortalecimento e mobilização da coluna vertebral. Após reavaliar os tratamentos propostos para escoliose e seus benefícios, podemos observar que existem diferentes intervenções que podem ser aplicadas para a correção de desvios posturais. Embora essas abordagens não se destacam-se umas às outras, elas podem ser complementares ou voltadas para necessidades particulares, conforme cada caso (TOLEDO et al., 2011). A idiopatia na escoliose é definida pela rotação axial vertebral, que ocorre simultaneamente ao desvio lateral da coluna. Essa rotação é um fator importante para desenvolvimento e agravamento da deformidade. A intensidade da rotação axial está correlacionada com o desvio lateral das vértebras, sendo mais acentuada nas proximidades do ápice da curvatura. Contudo, a origem dessa interação entre o desvio lateral e a rotação axial ainda não é totalmente compreendida, embora pesquisas anteriores apontem para a relevância dessa correlação no progresso da escoliose. As escolioses podem ser tipificadas em estruturais e não estruturais (ou funcionais). São corrigidas, as curvas, quando o paciente está deitado ou durante a radiografia com inclinação lateral. Quando denominadas primárias ou progressivas, as escolioses estruturais, exibem uma curvatura lateral fixa na coluna, a qual não é redimensionada durante a radiografia com inclinação lateral, podendo ter uma manifestação precoce e um desenvolvimento progressivo. As escolioses não estruturais, igualmente denominadas secundárias e não evolutivas, frequentemente resultam de fatores como diferença no comprimento das extremidades inferiores, assimetria da pelve, lesões inflamatórias ou escoliose psicogênica (FERREIRA et al., 2009). Em relação a elasticidade da curvatura, ela desempenha um papel crucial na compreensão da evolução da escoliose, afetando tanto a categorização da deformidade quanto as alternativas terapêuticas disponíveis. A escoliose adulta tende a ser mais rígida e severa do que a idiopática do adolescente, as curvas maiores normalmente apresentam menor flexibilidade do que as menores. Em muitos casos, a curvatura pode ser diminuída com o uso de técnicas de correção, como deslocamento e alongamento da coluna. A radiografia com inclinação lateral é o método predominante empregado na avaliação da evolução da escoliose. Contudo, a correlação entre a elasticidade da curvatura e variáveis como a faixa etária e a magnitude da deformidade ainda não é totalmente elucidada.Parte superior do formulário É fundamental avaliar como as limitações de movimento lateral podem impactar a coluna vertebral, havendo ajustes posturais adequados em pacientes com escoliose idiopática. Estudos sobre diversas terapias para essa condição não mostram resultados claros e conclusivos. No enquadramento da escoliose, o desequilíbrio muscular pode ser compensado com exercícios de inclinação lateral ou terapias avançadas, combinadas com outros tratamentos, como o uso de coletes ortopédicos e estimulação elétrica. Movimentos frequentes dentro de amplitudes normais também podem afetar a maleabilidade da coluna, sucedendo as alterações em suas curvas naturais e nas curvas da escoliose. Atividades físicas e diárias podem influenciar numa grande melhoria ao tratamento da escoliose. Parte inferior do formulário Parte inferior do formulário 4 REVISÃO DE ARTIGOS QUE TRATTAM DE INTERVENÇÃO E TRATAMENTO COM ENFASE EM METODOS TERAPEUTICOS. Nesta pesquisa, foi realizada uma revisão de artigos científicos, livros e outras fontes confiáveis de informação, como bases de dados acadêmicas reconhecidas, como PubMed, Scielo e Google Scholar. Demos prioridade a estudos e publicações mais recentes que tratam de intervenções e avanços no tratamento da escoliose, com ênfase em métodos terapêuticos como o Método Schroth, a Reeducação Postural Global (RPG), cinesioterapia, osteopatas, órteses, Pilates, entre outros. Com base nesses artigos, discutimos os efeitos dos métodos no controle e tratamento da escoliose em diferentes idades e graus de curvatura. Os critérios para seleção incluíram a qualidade dos estudos metodológicos, buscando sempre a relevância para o tema e a aplicabilidade prática. Isso nos permitiu incluir uma variedade de fontes complementares que enriquecem o conteúdo. Assim, ao reunir dados sobre técnicas terapêuticas e seus efeitos práticos no controle da escoliose, buscando oferecer um panorama abrangente e atualizado, com diferentes abordagens e destacando os benefícios e limitações de cada uma. No desenvolvimento desta pesquisa, foi utilizada uma metodologia de revisão bibliográfica, que envolve a consulta e análise de materiais já publicados sobre o tema. Esse método permitiu o levantamento e compreensão crítica de diversas intervenções aplicadas no tratamento da escoliose, com base em estudos e experiências documentadas em fontes acadêmicas confiáveis. Foram analisados diversos materiais selecionados de acordo com critérios de relevância, qualidade metodológica e atualidade. O processo de escolha das fontes levou em conta estudos bem fundamentados, que tivessem embasamentos teóricos e comprovados no tratamento da escoliose. As características de alguns artigos selecionados estão descritas no quadro 1 e 2. Quadro 1. Estudos analisados Autor Características da amostra Tipo de Intervenção Tempo e duração da intervenção Resultado Monte-Raso et al 12 indivíduos com idade média de 20 anos e sexo não revelado dividido em 2 grupos (1 com n=8: com mais de 30 atendimentos em grupo 2 com n=4: com menos de 30 atendimentos Isostretching Frequência de 3 x na semana. Durante 54 sessões com tempo de 60 minutos Foi eficiente no alinhamento da coluna torácica nos dois grupos, assim como na melhoria da flexibilidade no grupo 1. Contudo, não apresentou eficácia para corrigir as assimetrias posturais nos planos frontal e posterior. Lunes et al 16 indivíduos com idade média de 15 anos com 3 pacientes do sexo masculino e 13 do sexo feminino Método Klapp Duração de 10 semanas com frequência de 2 x na semana. Durante 20 sessões com tempo de 70 minutos Indicam uma melhoria na assimetria do tronco e na flexibilidade. Contudo, não demonstraram eficácia nas assimetrias pélvicas, no alinhamento cefálico, e não ocorreram alterações nas curvaturas da coluna vertebral Toledo et al 20 indivíduoscom idade média de 10 anos, 11 do sexo masculino e 9 do sexo feminino dividido em 2 grupos (RPG: com n=10 e GC com n=10) RPG Duração de 12 semanas com frequência de 2x na semana. Sessões com tempo de 25 a 30 minutos. O GRPG demonstrou redução substancial no ângulo da escoliose, enquanto o GC apresentou elevação não significativa. Segura et al 8 indivíduos com idade média entre 10 e 16 anos do sexo feminino. RPG Frequência de 2x na semana. Durante 40 sessões com tempo de 45 minutos. Declínio substancial no ângulo da escoliose, apesar de não haver variação na assimetria dos membros inferiores. Araújo et all 31 indivíduos com idade média entre 18 e 25 anos do sexo feminino. Dividido em 2 grupos (Controle: n=11 e Grupo Experimental: n=20) Pilates Duração de 3 meses durante 24 sessões com tempo de 60 minutos. Redução substancial na intensidade da algia no grupo experimental. Miotti de Moura et all 1 indivíduo com idade média de 11 anos do sexo feminino Pilates Duração de 4 semanas com frequência de 3x na semana. Durante 10 sessões com tempo de 60 minutos Melhoria postural no alinhamento cefálico, dos ombros, escápulas, ângulos de Talles, tronco, abdômen e pelve. Incremento da flexibilidade e da força dos músculos flexores e extensores do tronco. Fiorelli et all 1 indivíduo com idade média de 11 anos do sexo feminino Cinesioterapia Não revelado Diminuição expressiva do ângulo da escoliose. Nos sete estudos revisados, participaram 111 indivíduos, sendo 63 mulheres (56,76%) e 48 homens (43,24%), enquanto um estudo, com 12 participantes, não revelou o sexo dos envolvidos. Em dois estudos, a média de idade dos participantes foi entre 18 e 25 anos, e nos outros cinco, a idade foi igual ou inferior a 15 anos, sendo 11 anos em dois desses estudos. A duração das intervenções variou entre os estudos: um não especificou o tempo, dois tiveram entre 10 e 12 sessões, outros dois entre 20 e 24 sessões, um com 40 sessões, e um alcançou o máximo de 54 sessões. Os estudos que utilizaram RPG, como os de Toledo et al. e Segura et al., demonstraram redução substancial no ângulo da escoliose, reforçando a eficácia dessa técnica na correção da curvatura. Quadro 2. Detalhamento das técnicas utilizadas nas análises selecionadas. Técnica / Autor Descrição Isostretching Monte-Raso et al Exercícios isométricos excêntricos, nos quais o tempo de manutenção das posturas é determinado por três respirações profundas e prolongadas, nas posições deitada, em quadrúpede, em pé, utilizando faixa elástica e kettlebell. Um total de 67 posturas. Método Klapp Lunes et al Exercícios: alongamento, rastejar ao nível do solo, deslizamento para frente, deslizamento lateral, rastejamento lateral, arco amplo, rotação do braço e curva extensa. RPG Toledo et al Foram adotadas as posturas 'rã no chão' e 'rã no ar'. A evolução das posturas segue conforme o controle da respiração, a habilidade de manter o alinhamento e as correções necessárias, variando de acordo com as condições específicas de cada indivíduo. RPG Segura et al Posturas na posição ereta e rã no ar. Pilates Araújo et al Aquecimento: caminhada de 8 minutos. Alongamento da coluna para frente, rotação superior, puxada da perna à frente, postura de prece. Parte específica: foram aplicados exercícios com bola Suíça e equipamentos específicos da técnica de pilates. Foram realizados doze exercícios, com 10 repetições cada. Pilates Miotti de Moura et al Preparação: rotação para baixo em pé, alongamento em posição supina e prona. Parte específica: foram aplicados exercícios do método pilates no solo e com acessórios, com 10 repetições para cada exercício. Volta à calma: essa fase consistiu em três movimentos, com duração de cinco minutos cada um. Cinesioterapia Fiorelli et al Retroversão pélvica, 10 minutos. Pés apoiados na bola Suíça com elevação da pelve, 12 séries de 3 repetições. Quadril em flexão de 90°, joelhos ligeiramente dobrados, membros superiores flexionados, com as mãos e os pés apoiados na bola Suíça, realizando 10 séries. Exercícios da série de Williams, com 8 séries, mantendo cada posição por 15 segundos. Os artigos analisados destacaram vários benefícios após a realização dos exercícios propostos. Entre eles, estão a melhoria na postura e no alinhamento da coluna torácica, o aumento da flexibilidade e a diminuição da assimetria do tronco. Também foi observada uma redução na intensidade da dor, um melhor alinhamento de diferentes partes do corpo, como cabeça, ombros, escápulas, tronco, abdômen e pelve, além do fortalecimento dos músculos flexores e extensores do tronco e uma diminuição do ângulo da escoliose. No entanto, em alguns casos, os exercícios não mostraram resultados eficazes na correção de assimetrias na pelve, no alinhamento da cabeça, nas curvaturas vertebrais ou na discrepância entre os membros inferiores. Este estudo teve como principal objetivo explorar as opções de tratamento da escoliose descritas na literatura atual e seus benefícios. A maior parte dos estudos revisados envolveu jovens do sexo feminino, o que é esperado devido à prevalência da escoliose idiopática nessa população. Wajchenberg et al. destacam que fatores genéticos e ambientais influenciam a condição, mas ainda sem uma resposta definitiva, sendo as meninas mais suscetíveis. Vieira et al. observaram sinais de escoliose em crianças com teste positivo de Adams, embora isso possa ser apenas uma atitude escoliótica relacionada ao desenvolvimento musculoesquelético. A maioria dos estudos mostrou melhora significativa no ângulo da escoliose, apesar de limitações nas amostras e algumas informações incompletas. A restrição a artigos em português também limitou a pesquisa, mas não comprometeu os resultados. Os tratamentos conservadores, como a fisioterapia, mostraram resultados positivos em 81,08% dos casos, inibindo a progressão da escoliose e reduzindo a necessidade de tratamentos invasivos. Viola et al. destacaram que a fisioterapia e a cinesioterapia diminuíram o número de cirurgias de coluna, reduzindo custos e exposição a procedimentos invasivos. A técnica de Reeducação Postural Global (RPG) também foi eficaz na redução da curva escoliótica e em outros benefícios, como aumento de flexibilidade e força muscular. Outro estudo evidenciou a eficácia imediata do RPG na postura de mulheres com encurtamento muscular, mostrando melhora na posição da cabeça e ombros. O método Pilates, por sua vez, contribuiu para redução de dores e estabilização da coluna, especialmente em casos de lombalgia crônica. Conclui-se que há diversas intervenções eficazes para tratar desvios posturais, como escoliose. Não há uma técnica superior, mas sim abordagens que podem ser complementares e específicas para diferentes condições. 5 CONCLUSÃO O principal objetivo desta pesquisa foi entender a escoliose, focando em suas causas, desenvolvimento e opções de tratamento. O intuito é oferecer uma visão mais clara sobre essa condição e quais abordagens podem ser mais eficazes no tratamento. Através de uma análise cuidadosa da literatura disponível e da revisão de estudos de caso, foram identificados os principais fatores de risco associados à escoliose, como genética, desequilíbrios musculoesqueléticos e posturas inadequadas. Também foram examinadas as consequências para o sistema respiratório e a qualidade de vida dos pacientes. Os resultados deste trabalho foram significativos ao mostrar que a detecção precoce e tratamentos personalizados, como exercícios de fortalecimento, além do uso de coletes ortopédicos ou cirurgia em casos mais graves, podem ajudar a retardar a progressão da escoliose e melhorar a qualidade de vida dos afetados. Entre as orientações sugeridas para o tratamento e controle da escoliose, destacam-se a importância de atividades de educação postural, o incentivo a atividades físicas que promovam simetria corporal, como o pilates e a musculação, e o acompanhamento frequente com profissionais de saúde especializados. Além disso, é recomendadauma abordagem interdisciplinar para o tratamento, envolvendo ortopedistas, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais. Chega-se à conclusão de que, apesar de a escoliose ser uma condição persistente e que pode evoluir ao longo do tempo, as inovações nos métodos de diagnóstico e tratamento têm trazido avanços significativos no controle da doença. Isso possibilita que os pacientes levem uma vida mais plena e saudável. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARAÚJO, Maria Erivânia Alves de et al. Redução da dor crônica associada à escoliose não estrutural, em universitárias submetidas ao método Pilates. Motriz: Revista de Educação Física, v. 16, p. 958-966, 2010. CASTILLO GÓMEZ, Gabriela Alejandra; MONTES OLAVERRI, Joselyn Andrea. Revisão de literatura sobre os efeitos terapêuticos do método Schroth na redução da dor lombar associada à escoliose idiopática em pacientes do sexo masculino com idade entre 12 e 20 anos. 2024. DA COSTA, Carla Moreira; FERNANDES, Isabela Bianca Rodrigues; GOMES, Eriston Vieira. HEMIVERTEBRA: A CASE REPORT. REVISTA SAÚDE MULTIDISCIPLINAR, v. 14, n. 1, 2023. DE MOURA, Pâmela Miotti et al. Efeito do método Pilates sobre a escoliose idiopática: estudo de caso. Scientia Medica, v. 24, n. 4, p. 391-398, 2014. DOS SANTOS, Ana Maria Gomes; DE SOUZA LEAL, Simone; PEREIRA, Rejane Goecking Batista. 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