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A teoria epistemológica 
de Kuhn:Significado dos 
paradigmas e natureza particular 
das revoluções científicas
GIOVANNI REALE 
● O autor faz uma abordagem aos conceitos e a teoria 
epistemológica de Kuhn para compreender a fase em que as 
pesquisas platônicas estão. 
Questões Introdutórias
● Como se dá o avanço do conhecimento/pesquisas/ciência?
● Substituição de um paradigma por outro na pesquisas. 
1- A Ciência tradicional do seu desenvolvimento
● A ciência como conjunto de teorias, métodos e dados de fato. 
● O modo como compreende-se o seu desenvolvimento da ciência = 
cumulativa, acréscimos 
A ciência constitui “conquistas alcançadas mediante um processo de 
incremento orgânico e sistemático e mediante uma acumulação 
progressiva e constante”. 
teorias e 
fatos e 
problemas
Ciência 
 
Acréscimos
ciência 
 
Acréscimos 
ciência 
 
acréscimos 
ciência 
 
Desenvolvimento da ciência de forma linear
● Mas a ciência se desenvolve verdadeiramente por um processo 
de acréscimos, ou seja, por sucessivas e orgânicas acumulações 
sistemáticas das descobertas individuais e invenções?
A resposta de Thomas Kuhn:
● o progresso das ciências não ocorre segundo processos 
de acréscimos e continuidades mas segundo processos 
revolucionários. 
E o que isso significa?
● O texto faz Importante reconstrução das principais características e 
conceitos da natureza da revolução científica
2- Paradigmas na ciência: 
● Modelo, sistema aceito dentro da comunidade científica; é 
uma promessa de sucesso.
● Modo de olhar o mundo e de aplicar os métodos científicos 
segundo o esquema que daí deriva. 
● Concepções e convicções que constituem os pontos firmes 
da ciência num dado momento que fornecem os modelos 
para a formulação dos problemas e das suas soluções. 
 
modelos, teorias, 
formulações de problemas
trabalho do 
cientista é 
regulado pelo:
Paradigma
- Limita o cientista a uma 
 visão, um modelo.
- Delimita o que precisa 
ser investigado.
3 A "ciência normal" como conjunto orgânico de soluções 
de "quebra-cabeças”
● A ciência normal é a fase em que os cientistas fazem ciência dentro 
do paradigma aceito. 
● É uma tentativa de realizar ou atualizar as promessas do 
"paradigma". 
● Kuhn atribui a ciência normal como conjuntos de soluções de 
quebra-cabeças. 
A ciência normal constitui a tentativa de forçar a natureza dentro dos compartimentos 
pré-fabricados e relativamente rígidos fornecidos pelo paradigma;
 A ciência normal tende à determinação analítica dos fatos considerados relevantes; 
A ciência normal procede de maneira a pôr em confronto sistemático os fatos com a teoria, ou 
seja, os fatos com as previsões extraídas da teoria do "paradigma"; e esta operação exige 
grandes esforços e grande inventividade. 
A ciência normal não visa novidades inesperadas;
Os problemas que caracterizam a "ciência normal" consiste nos esforços de articulação do 
paradigma, com vistas a superar certas ambigüidades implícitas nele, e em vista de resolver 
certos problemas sobre os quais o paradigma tinha anteriormente apenas chamado a 
atenção.
quebra-cabeças = articulação de teorias, fatos, com a natureza.
Ciência normal : 
Resultado da 
articulação =>
Paradigma 
4- O que acontece quando muitas peças começam a não se 
encaixar mais no quebra-cabeça? Surgimento de anomalias; 
A descoberta de novos fatos e de novos 
fenômenos começa com a tomada de 
consciência de "anomalias". 
A "anomalia" prepara, portanto, a via das 
descobertas de novidades. Eis as conclusões 
de Kuhn a este respeito: "Na ciência [ ... ], a 
novidade só emerge com dificuldade” 
= Crise do paradigma dominante 
 Crise do paradigma dominante: 
● Geração de incertezas; 
● Perda da nitidez do paradigma; 
● “incapacidade dos quebra-cabeças da ciência normal de resolver os problemas 
que se lhes apresentam. O fracasso das regras existentes é uma preparação 
necessária para a busca de novas regras. 
● Uma nova teoria apresenta-se sempre "como uma resposta dirigida à crise"
● Durante a crise, alguns cientistas tentam criar novos paradigmas, enquanto outros 
defendem o paradigma antigo.
● Todas as crises se encerram com o surgimento de um novo candidato a 
paradigma e com a conseqüente batalha pela sua aceitação 
Fase da "ciência extraordinária”
Ciência extraordinária e a revolução científica 
● Muitas anomalias e a impossibilidade 
de resolvê-las dentro do paradigma 
aceito coloca em curso a crise. 
● A crise abre espaço para um novo 
paradigma, a revolução científica; 
Surge um novo paradigma que promete 
mais eficiência que o em vigor. 
Ruptura do paradigma = revolução 
científica
Metáfora da Revolução:
Analogia entre o desenvolvimento científico e revoluções políticas
Revoluções políticas: começam quando um grupo da sociedade percebe que as instituições já não 
conseguem resolver os problemas atuais, muitos dos quais elas mesmas ajudaram a criar.; 
Revoluções científicas:começam quando alguns cientistas percebem que o paradigma vigente já 
não funciona mais bem para explicar certos fenômenos =>Crise
Revoluções política buscam mudar instituições.Surgem grupos defendendo o velho sistema e 
outros propondo um novo sistema. Como não há uma instância “neutra” acima das instituições que 
diga quem está certo, a disputa envolve persuasão, propaganda. 
Revoluções científicas: durante a crise, alguns cientistas tentam criar novos paradigmas, 
enquanto outros defendem o paradigma antigo.Como os paradigmas são incompatíveis entre si, 
não é possível decidir usando apenas os critérios da ciência normal, pois esses critérios já 
dependem do paradigma em questão. Assim como na política, a decisão final depende do consenso 
da comunidade científica.
A metáfora de pegar o bastão pela outra ponta; 
● Segurar um bastão por uma extremidade: a forma como você o movimenta, 
equilibra e percebe depende desse ponto de apoio. 
● Se passar a segurar pela outra ponta, o bastão continua o mesmo objeto, 
mas a perspectiva, o equilíbrio e o jeito de lidar com ele mudam 
completamente. 
● Na ciência, os dados científicos (experimentos, observações, medições) 
podem continuar sendo os mesmos. O que muda é o paradigma: o 
conjunto de conceitos, teorias e relações que organizam esses dados.
A metáfora da reorientação gestáltica: 
 A mesma imagem pode ser 
percebida de modos diferentes 
dependendo de como o observador a 
interpreta.
As manchas no papel são as 
mesmas; 
Na ciência, os dados (observações, 
medições, experimentos) podem 
permanecem os mesmos.
Mas quando muda o paradigma, os 
cientistas passam a ver esses 
mesmos dados de outra maneira; 
 Metáfora dos óculos com lentes de inversão: 
● Quando alguém coloca óculos que invertem a imagem, no início tudo parece de 
ponta-cabeça, gerando desorientação.
● Depois de um tempo de adaptação, a pessoa passa por uma fase intermediária de 
confusão, até que o cérebro se reorganiza.
● No fim, ela volta a ver o mundo de maneira coerente e estável, mas transformada: 
agora os objetos aparecem “normais”, só que dentro da lógica da inversão.
a mudança de paradigma é como trocar de lentes:
O cientista que adota um novo paradigma passa por: 
1. Crise e desorientação — porque o velho paradigma já não explica bem as coisas, mas 
o novo ainda não está consolidado.
2. Depois, há um período de visão confusa, em que velhas e novas ideias parecem se 
misturar sem clareza.
3. Por fim, ocorre uma transformação radical: ele passa a ver os mesmos fenômenos de 
forma totalmente nova, reorganizados pelo novo paradigma. 
A natureza das revoluções científicas:
“A ciência não acontece mediante desenvolvimentos cumulativos, 
que se limitam às fases da "ciência normal", mas mediante 
episódios que assinalam a substituição dos paradigmas, os quais, 
como observamos mais de uma vez, constituem o verdadeiro eixo 
de sustentaçãodo discurso científico”(p.14); 
O conhecimento científico é um processo com momentos ciência 
normal orientada por determinado paradigma e momentos de 
rupturas de paradigmas, ou seja, de revolução científica. 
● Cada paradigma tem seus próprios termos, conceitos, métodos e valores 
epistêmicos que o tornam incomparável ao anterior ou posterior. Por isso é uma 
ruptura.
● é por meio da revolução científica que a ciência progride. 
Conclusão do autor sobre o tema abordado:
Com base na teoria dos "paradigmas", entendidos como eixos de sustentação das pesquisas 
científicas, é possível reconstruir de maneira nova as interpretações de Platão. 
Paradigma criado por Schleiermacher = produziu anomalias 
Paradigma: da Escola de Tübingen = nova interpretação 
Os escritos platônicos estão numa fase de transição de paradigmas. 
Referências:
REALE, Giovanni. Para uma nova interpretação de Platão. São Paulo: 
Loyola, 1997.

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