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Citopatologia ginecológica ● ANATOMIA GINECOLÓGICA A citologia, na rotina, estuda as regiões do colo do útero (ectocérvice e endocérvice) e as células da vagina. No ectorcérvice e na vagina, estuda-se a presença e nível de maturação das células epiteliais escamosas do epitélio estratificado não queratinizado. Nos níveis de maturação, encontramos: - Células basais: que são células com intensa atividade metabólica, responsáveis pela replicação celular (únicas que fazem mitose). Raramente vistas no esfregaço, exceto em casos de atrofia intensa ou ulceração da mucosa. São redondas ou ovais, com citoplasma escasso corando de roxo ou verde. O núcleo é redondo, de localização central, com cromatina uniformemente distribuída, às vezes com um pequeno nucléolo. Essas células descamam isoladamente ou representando pequenos agrupamentos. Ficam alinhadas em uma fileira só. - Parabasais: Predominam em condições fisiológicas associadas à deficiência estrogênica, como na infância, lactação e menopausa (epitélio atrófico). Apresentam tamanho variado entre 15 e 25 um e são arredondadas. O citoplasma é ligeiramente basofílico (cianofílico), com uma tonalidade menos intensa que aquela vista nas células basais. O núcleo é redondo ou oval, um pouco menor em relação ao das células basais e contêm grânulos de cromatina ou cromocentros (núcleo vesicular). - Intermediárias: Mais comuns em esfregaços no período pós ovulatório do ciclo menstrual, durante a gravidez e na menopausa precoce. O seu predomínio é relacionado à ação da progesterona ou aos hormônios adrenocorticais. Elas exibem citoplasma geralmente basofílico, poligonal, com tendência a pregueamento das suas bordas (célula navicular). O núcleo da célula intermediária é vesicular, ou seja, redondo ou oval, medindo cerca de 8um, com cromatina delicada, uniformemente distribuída e cromocentros visíveis. A abundância do citoplasma e o núcleo de tamanho menor diferenciam as células intermediárias das parabasais. As células naviculares representam um subtipo das células intermediárias e são um pouco menores, com abundante glicogênio citoplasmático, que pode corar amarelado ou acastanhado. As bordas citoplasmáticas são espessas e o núcleo é excêntrico. Essas células são mais comuns na gravidez, refletem o hormônio luteinizante, a partir do segundo mês, mas podem ser vistas em outras situações, como na segunda metade do ciclo menstrual e na fase inicial da menopausa. - Superficiais: Mais comum em esfregaços no período ovulatório do ciclo menstrual (primeira fase do ciclo em mulheres jovens), refletem a ação estrogênica. Elas são aproximadamente do mesmo tamanho das células intermediárias, também são poligonais, porém o citoplasma é mais aplanado e transparente, geralmente eosinofílico e o núcleo picnótico é caracterizado pela condensação da cromatina, que se torna escura com grânulos indistintos. O diâmetro nuclear raramente excede 5um. Não há evidências de queratinização nas células superficiais em condições normais, porém podem ocorrer estágios precursores da sua produção com o aparecimento de grânulos querato-hialinos que se mostram pequenos e escuros no citoplasma. Desde que a completa maturação do epitélio ocorreu como resultado da atuação dos estrógenos, o predomínio de células escamosas maduras com núcleo picnótico representa uma evidência morfológica excelente da atividade estrogênica. A diferenciação entre uma células superficial e uma intermediária se fundamenta na análise da estrutura nuclear. A maturação dessas células é consequência da produção de hormônios ovarianos, principalmente estrogênio, que estimula a maturação celular para receber o embrião. Já no endocérvice e no endométrio o epitélio é predominado por células colunares simples. São predominantemente secretoras e algumas são ciliadas. Na pós-menopausa, devido ao deficit de estrogênio, as células são mais baixas e carecem da atividade secretória. Durante o ciclo menstrual, sob as influências hormonais, as células endocervicais também revelam algumas modificações, como citoplasma mais alto e tumefeito na última metade do ciclo. Nos esfregaços, as células endocervicais apresentam citoplasma relativamente abundante, delicado, semitransparente, que coram fracamente em azul, às vezes com vacúolos. Os núcleos são redondos ou ovais, com alguma variação do tamanho, cromatina finamente granular exibindo cromocentros ou nucléolo. Quando as células são vistas lateralmente, assumem a forma colunar alta, com núcleo oval, localizado na região basal. Nessa perspectiva, quando em conjuntos, constituem os arranjos conhecidos como “fila” ou “paliçada”. Quando as células são vistas de frente, elas se agrupam em conjuntos monoestratificados, perdem a sua forma colunar e apresentam, às vezes, bordas citoplasmáticas bem definidas, lembrando um “favo de mel”. Os núcleos arredondados mostram polaridade conservada (a distância entre os núcleos é relativamente constante, não ocorrendo sobreposição nuclear). As células endocervicais nos esfregaços raramente exibem cílios, e nesse caso o seu citoplasma cora mais intensamente que aquele das células endocervicais mucossecretoras. Estas últimas mostram citoplasma distendido por vacúolo único ou múltiplo e são mais comuns em situações de irritação crônica, como gravidez, pólipos endocervicais, ou em resposta à terapia hormonal, inclusive associada ao uso de pílulas anticoncepcionais. Por causa da fragilidade do seu citoplasma, as células endocervicais podem se apresentar sob a forma de núcleos desnudos. Em algumas ocasiões durante a colheita da endocérvice com a escovinha, pode ocorrer o desgarramento de grandes agrupamentos celulares, verdadeiros microfragmentos de tecido. Ai as células endocervicais podem representar arranjos papilares e glandulares. É importante observar que não há estratificação nuclear nesses arranjos em condição normal. Entre a região do endocérvice e o ectocérvice existe a junção que chamamos de JEC A junção escamo-colunar (JEC) é a área de transição no colo do útero onde o epitélio escamoso estratificado da ectocérvice encontra o epitélio colunar simples da endocérvice. Esta é uma zona dinâmica, onde as células podem sofrer metaplasia, tem susceptibilidade maior a desenvolver câncer quando em contato com vírus do HPV. A presença de JEC na citopatologia indica que a coleta foi adequada. No exame citológico, as células da Zona de Transformação aparecem como agrupamentos ou isoladas, com um aspecto mais homogêneo e citoplasma que pode variar de claro a azul intenso, dependendo do grau de maturação. Elas refletem o processo de metaplasia, onde células glandulares se transformam em células escamosas, processo normal e importante para a proteção do colo uterino. A presença dessas células na amostra é um indicador de que a zona de transformação foi adequadamente coletada, o que é fundamental para um examede Papanicolau satisfatório, pois essa região é onde a maioria das alterações precursoras do câncer cervical ocorrem. As células do endométrio, também chamadas de glandulares, descamam aproximadamente no 12º dia do ciclo. Essas células também descamam por ocasião de aborto, no pós-parto imediato e em mulheres menopausadas na vigência de reposição hormonal. Em usuárias de DIU, as células endometriais podem ser encontradas na segunda metade do ciclo menstrual e às vezes são atípicas. Em qualquer outro período, o encontro das células endometriais é anormal, podendo se associar a endometriose, pólipos, hiperplasia ou mesmo adenocarcinoma endometrial. As células glandulares endometriais esfoliam sob forma de pequenos conjuntos tridimensionais. O citoplasma é escasso, delicado e, às vezes, vacuolizado, com bordas mal definidas. Os núcleos são pequenos, redondos, hipercromáticos com cromatina grosseiramente granular uniformemente distribuída. Em condições normais, não se identifica nucléolo. As células do estroma superficial lembram pequenos histiócitos e revelam citoplasma vacuolizado, cianofílico, com limites indistintos e um núcleo excêntrico com cromatina granular. No período entre o 4º e o 8º dia do ciclo menstrual, há um padrão muito característico de descamação endometrial nos esfregaços, conhecido como êxodo. Este quadro é representado por numerosas células glandulares endometriais em agrupamentos redondos ou ovais, algumas vezes com uma área central escura correspondente às células estromais profundas, pequenas, alongadas e amontoadas. Ao lado desses conjuntos há numerosas células do estroma endometrial superficial. Endometriais a esquerda e endocervicais a direita. Fora as células de evolução normal do epitélio, nós temos também as células de reserva ou as chamadas metaplásicas escamosas. Nosso corpo sofre agressões constantemente e necessita realizar o reparo e a resistência no tecido para modular a função normal dele - mecanismo protetor que protege contra chances de malignidade. É uma ação protetora contra processos fisiológicos decorrentes de alterações hormonais em adolescentes, por exemplo. Ele pode ocorrer por metaplasia epidermóide indireta (hipertrofia das células de reserva > Metaplasia imatura > metaplasia madura > cura) ou por epitelização (células basais do epitélio escamoso adjacente a lesão) As células de reserva são raramente vistas em esfregaços e quando isoladas são indistinguíveis de histiócitos e células do estroma endometrial superficial. São pequenas, menores que as células parabasais, com elevada relação nucleocitoplasmática, exibindo citoplasma escasso, delicado, finamente vacuolizado, com limites mal definidos. Os núcleos são redondos ou ovais, centrais, com cromatina finamente granular ocasionalmente com cromocentros, fendas e, às vezes, pequeno nucléolo. Essas células se mostram isoladas ou dispostas em pequenos conjuntos, às vezes ligadas às células endocervicais, podendo se associar também às células metaplásicas imaturas. Células metaplásicas imaturas: São do tamanho aproximado das células escamosas parabasais. Podem ser redondas, ovais, triangulares, estreladas ou causadas, com citoplasma delicado ou denso, eventualmente com coloração bifásica (ectoplasma/endoplasma) ou vacúolos. Os núcleos são um pouco maiores que aqueles das células intermediárias, redondas ou ovais, paracentrais ou centrais, com cromatina finamente granular regularmente distribuída e às vezes nucléolo. Essas células se dispõem frequentemente em agrupamentos frouxos, como um “calçamento de pedras”. Células metaplásicas maduras: Lembram as células escamosas maduras originais, porém as primeiras apresentam citoplasma levemente mais denso e bordas citoplasmáticas mais arredondadas. As células metaplásicas maduras também podem reproduzir um “calçamento de pedras”. Além das células pertencentes ao epitélio ginecológico, nós temos também as células não epiteliais, como: Hemácias, Leucócitos, Células ovarianas e Células mesenquimais. As células mesenquimais têm a função de sustentação, ficam localizadas em todos os órgãos para dar suporte ao epitélio de revestimento e são basicamente constituídas por fibroblastos. Quando vários macrófagos se fundem, eles formam uma célula gigante contendo vários núcleos, é conhecido como célula gigante multinucleada ou célula gigante de corpo estranho. Tais células podem ser encontradas em certos estados inflamatórios e em esfregaços de mulheres há muito tempo em menopausa, sendo comum o achado de detritos em seu citoplasma. ● Ciclo Hormonal do epitélio vaginal escamoso estratificado. - Em um recém nascido, as células epiteliais da vagina refletem o ciclo hormonal da mãe até as primeiras 4 semanas de vida. Ou seja, vão apresentar um grande número de células intermediárias, com a presença de algumas naviculares. - Na infância, o padrão celular vaginal e do colo do útero é atrófico, sendo comum encontrar com predomínio a presença de células parabasais, isso ocorre porque os ovários estão inativos, o estrógeno e a progesterona são escassos. - Por volta da pré-menarca, a maturação vai acontecer, passando de um epitélio atrófico para um epitélio trófico, refletindo a funcionalidade. - Durante a idade reprodutiva juvenil, o epitélio vai refletir em fases o ciclo menstrual da menina/mulher. Desde o primeiro dia de sangramento, temos o período menstrual, com a presença de células sanguíneas no esfregaço, com predomínio de células intermediárias agrupadas e presença de células endometriais devido a descamação do endométrio, com leucócitos (polimorfonucleares) abundantes para a função de lise das hemácias presentes e fagocitose dos restos celulares, também há presença de histiócitos (macrófagos inativos naturais da região vaginal) e muco em grande quantidade. - Na segunda fase, do 6º ao 12º dia, é chamada a fase estrogênica, com referência aos ovários que vão fazer a secreção de estrógeno, enquanto na região do útero está na fase proliferativa em que as células do útero vão aumentar. Esse período tem muita influência do estrogênio, havendo a presença de muitas células intermediárias e superficiais, com maior predomínio de células intermediárias agrupadas. E as células superficiais com características cianofílicas (azuladas), por estarem recém maturadas. Hemácia, leucócitos e histiócitos raros. As células endometriais podem persistir, muco abundante e comum encontrar uma microbiota lactobacilar frequente. - Fase pré-ovulatória (12º ao 13º dias), às células superficiais se tornam predominantes, células endocervicais em aspectos favo de mel. Hemácias, leucócitos e histiócitos raros. Muco mais abundante e espesso. Comum encontrar uma microbiota lactobacilar frequente. - Fase ovulatória (14º ao 15º dia), as células superficiais eosinofílicas estão em predomínio total, as células endocervicais estão presentes geralmente já em formato paliçadas.Muco característico espesso, aparenta no esfregaço a característica de muco samambaia. - Segunda fase do ciclo menstrual (fase secretora ou lutea), atividade secretora do endométrio do útero, ou fase em que os ovários estão em excreção de progesterona, havendo queda de células superficiais e aumento de células intermediárias. Durante o período em que o corpo lúteo está ativo, pode haver o encontro de células naviculares (células intermediárias com a borda dobrada), devido a resposta ao estímulo do corpo lúteo Leucócitos e Histiócitos aumentam, porque ocorre o caso de citólise e para isso a presença de células fagociticas. Muco ainda espesso. A partir da segunda fase recomeça o ciclo, salvo em casos de gravidez. - Gravidez: No primeiro trimestre há predomínio de células intermediárias naviculares, quantidade de leucócitos e mucos são pequenas. No segundo e terceiro trimestre, predomínio de células naviculares e agrupadas. Nas duas últimas semanas de gravidez, as células naviculares permanecem agrupadas, mas começam a diminuir havendo aumento das células superficiais, microbiota tem diminuição dos lactobacilos e citólise. A quantidade de glicogênio presente no citoplasma das células intermediárias depende da situação hormonal da paciente. Durante a gravidez, a quantidade de glicogênio se torna muito grande e pode levar ao deslocamento do núcleo em direção à periferia da célula. Os depósitos de glicogênio coram-se em amarelo quando é utilizada a coloração de papanicolau. Essas células ricas em glicogênio possuem a forma de um barco, dai decorre o nome de células naviculares. As células naviculares também podem ser chamadas de pérola córnea, por serem compostas por várias camadas de células intermediárias, arranjadas de modo circunferencial. - Pós parto: de imediato, tem células intermediárias e superficiais numa proporção razoável. Depois, predomínio de células parabasais, porque durante um período aquelas células vaginais e colo do útero vão ficando atrofiadas. De 45 a 60 dias, vai depender do aleitamento materno, se sim, o epitélio continua atrófico com o predomínio de células parabasais, se não, a mulher entra no ciclo menstrual novamente e se torna trófico. - No climatério (pré menopausa) a citologia vai evoluir do esfregaço trófico com predomínio de células intermediárias para o esfregaço atrófico leve com aumento de células parabasais. Lactobacilos diminuem bastante, a flora vai ser substituída pela microbiota cocoide - Na menopausa, a microbiota cocoide prevalece, e o epitélio se torna atrófico completamente. A citólise que é causada nas células em algumas fases do ciclo é decorrência da fermentação do glicogênio por lactobacilos. Uma vez que as células intermediárias são ricas em glicogênio, se tornam os maiores alvos dessas bactérias. Os esfregaços se caracterizam pela presença de numerosos núcleos isolados e detritos celulares. Esses núcleos “nus” são observados principalmente, durante a fase pré-menstrual do ciclo e durante a gravidez. A citólise deve ser diferenciada da morte celular (apoptose), que se caracteriza por condensação (picnose), ou fragmentação (cariorrexe ou apoptose) nucleares. O índice de Frost - Índice de maturação. O Índice de Frost é um parâmetro utilizado na citologia hormonal vaginal para avaliar o estado hormonal da mulher, especialmente em relação à produção de estrogênio e progesterona. Ele é baseado na observação das células epiteliais do revestimento vaginal, que sofrem alterações conforme o estímulo hormonal. Esse índice expressa a proporção entre três tipos de células: células superficiais, intermediárias e parabasais. A quantidade relativa de cada uma delas indica o nível de atividade hormonal: ● As células superficiais aparecem em maior quantidade quando há predominância de estrogênio. ● As células intermediárias aumentam quando há influência da progesterona, como na fase lútea ou na gravidez. ● As células parabasais predominam quando há falta de hormônios sexuais, como na menopausa, pós-parto ou crianças. O índice é apresentado como uma sequência numérica, indicando a porcentagem de cada tipo celular, sempre na mesma ordem: superficiais : intermediárias : parabasais. Por exemplo, um índice 70:30:0 indica um predomínio de estrogênio, enquanto um índice 0:20:80 revela um quadro de hipoestrogenismo. Quando ocorre lesão epitelial, tem-se o processo reparativo das células para suprir a lesão e aumentar a resistência do tecido. Essa lesão pode se dar por irritação crônica, inflamação e mudanças endócrinas fisiológicas. De acordo com cada lesão o corpo tem uma resposta específica, ou epitelização ou metaplasia. A epitelização é oriunda de células basais do epitélio escamoso adjacente à lesão. A metaplasia epidermóide indireta é oriunda de células de reserva subcolunares. 1. Hiperplasia das células de reserva: Células em lençol, pequenas, irregulares e poligonais, com bordas pouco definidas, citoplasma eosinofílico, agregadas, núcleo pequeno e uniforme, cromatina finamente granular, nucléolo ausente, pouco visualizada na citologia cérvico vaginal. 2. Metaplasia escamosa imatura: A maioria é redonda, ovalada, com número de células poligonais aumentando com a maturação, citoplasma denso e homogêneo, com tendência a cinofilia, com prolongamentos típicos, taxa núcleo citoplasmática aumentada, nucléolos evidentes. 3. Metaplasia escamosa madura: Células isoladas ou agrupadas com bordas distintas, arredondadas ou poliédricas, núcleo pequeno, arredondado, central, tamanho uniforme e cromatina granular. Durante esse processo, pode ocorrer interferência de fatores que possam levar a alguns carcinomas - A coleta é chamada de tríplice, pois a coleta é realizada em 3 regiões: canal vaginal, colo do útero (ectocérvice) e orifício do colo do útero (endocérvice). - A coleta dupla não pega material de parede vaginal, que podem avaliar atividade hormonal e flora vaginal. - O fixador úmido mais utilizado é o álcool etílico 95% que vai Corantes: - O lugol penetra em células saudáveis por causa do nitrogênio, já o iodo tem afinidade pelo glicogênio presente no citoplasma das células epiteliais maduras, corando-as de marrom-escuro. Células com pouca ou nenhuma quantidade de glicogênio — como as células imaturas, atróficas ou alteradas — não fixam bem o iodo, permanecendo pouco coradas ou incolores. Na flora vaginal normal predominam os lactobacilos, também conhecidos como bacilos de doderlein. Com o auxílio da cultura, pode-se descobrir a presença de numerosos outros organismos, tanto aeróbios como anaeróbios, os quais são saprófitas, porém podem se tornar patogênicos. Os lactobacilos são bastonetes gram positivos imóveis e não capsulados. São capazes de fermentar glicogênio, transformando-o em ácido lático mantendo o pH vaginal de 4,0. Além disso, a fermentação do glicogênio produz citólise das células intermediárias.A citólise intensa pode ser acompanhada de secreção vaginal exagerada. A alteração da flora vaginal normal pode levar a quadros infecciosos multi bacterianos (vaginose bacteriana). A alteração da flora vaginal encontra-se alterada com a queda ou ausência dos bacilos de Doderlein. A vaginose bacteriana é a substituição dos lactobacilos por bactérias anaeróbias ou facultativas como a Gardnerella vaginalis, bacteroides, Mobiluncus sp e Mycoplasma sp. Tem como sintomas o corrimento fino-branco-acinzentado, frequentemente com odor fétido (de “peixe”) que se acentua após relação sexual e no período menstrual. A presença de clue cells são patognomônicas da gardnerella vaginalis. E além disso a ausência de neutrófilos. Mascara a ação do HPV (identifcação de coilócitos) porque faz o núcleo das células ficar picnótico) Candida ou Monília, é um fungo que causa coceira desconfortável, devido a umidade, o muco e do glicogênio, é um ambiente mais propício à habitação. Possui característica de hifa ou dos esporos no esfregaço cérvico-vaginal. Trichomonas vaginalis protozoário que aparece nos esfregaços como estruturas redondas ou ovais, O citoplasma geralmente cora cinza-azulado e pode conter grânulos vermelho-amarronzados. O núcleo é excêntrico, semitransparente, levemente basofílico, mal definido. Sempre apresenta exsudato purulento difuso, comum o acúmulo de neutrófilos se sobrepondo às células epiteliais degeneradas conhecidas como “balas de canhão”. são parasitas que podem aparecer também em conjunto com outra bactéria. É mais comum em mulheres idosas e está relacionada à falta de higiene. Induz uma agressão bem intensa ao epitélio vaginal. As alterações geralmente visualizadas são pseudoeosinofilias, halos perinucleares e tumefação nuclear. Pode ocorrer também necrose representada por cariorrexe e cariólise. Esfregaços que possuem agentes etiológicos possuem um halo perinuclear ao redor do núcleo. Actinomyces - Esta bactéria é geralmente associada ao uso de DIU, numa frequência aproximada de 10%. No esfregaço, esses micro-organismos se apresentam como estruturas filamentosas, ramificadas em ângulo agudo, basofílicas. Os filamentos se irradiam a partir de um centro denso e escuro. Leptothrix vaginalis - São bactérias filamentosas encurvadas em forma de S, U ou se apresentam enoveladas. Associam-se a Trichomonas em 75% a 80% dos casos. Vírus Herpes simplex genitalis - É um vírus que determina lesões cutâneas e mucosas sob a forma de pápulas ou vesículas que se rompem na sua evolução, com consequente desenvolvimento de erosões. Nos esfregaços há características celulares distintas. As alterações ocorrem nas células escamosas parabasais, metaplásicas imaturas e endocervicais. Provocam inicialmente citomegalia (aumento da célula como um todo) e cariomegalia (aumento nuclear). Depois o núcleo adquire um aspecto fosco, devido a alterações da estrutura cromatínica. A cromatina restante se amolda contra o folheto interno da membrana nuclear, determinando o espessamento da borda nuclear. Encontramos também multinucleação com amoldamento nuclear e às vezes inclusões intranucleares. O citoplasma das células acometidas é denso, opaco, devido a alterações do citoesqueleto e à necrose por coagulação. Cervicite crônica Folicular - Representa uma condição inflamatória caracterizada pela proliferação de folículos linfoides com centros germinativos no estroma do colo uterino. Pode ocorrer em qualquer idade, porém é mais comum em mulheres pós-menopausadas. Aproximadamente metade dos casos é associada com infecção por Chlamydia trachomatis. A cervicite folicular é diagnosticada em cerca de 0,5% dos esfregaços cervicais. Nas amostras citológicas há linfócitos em diferentes estágios de maturação predominantemente inativados. Esses linfócitos podem apresentar ocasionais mitoses. Identificam-se ainda macrófagos de corpos tangíveis (contendo linfócitos degenerados intracitoplasmáticos) e às vezes capilares Na citologia, as neoplasias do trato genital feminino são classificadas conforme o grau de comprometimento das células epiteliais e sua capacidade de invasão. A Lesão Intraepitelial de Baixo Grau (LSIL) é caracterizada por alterações celulares associadas principalmente à infecção pelo vírus HPV. Um dos principais achados citológicos é a coilocitose, que corresponde à presença de vacúolos perinucleares nas células escamosas. Essas alterações refletem um processo viral ativo, geralmente restrito ao terço inferior do epitélio, com menor risco de progressão para câncer. Já a Lesão Intraepitelial de Alto Grau (HSIL) representa alterações celulares mais significativas, que afetam camadas mais profundas do epitélio e têm maior potencial de evolução para neoplasia maligna. Nesses casos, as células apresentam atipias mais marcantes, com núcleos aumentados, hipercromáticos e desorganização da arquitetura celular. Essa lesão pode corresponder, histologicamente, ao carcinoma in situ, ou seja, um câncer que ainda está limitado ao epitélio de revestimento, sem ultrapassar a lâmina basal. Quando ocorre a ruptura da lâmina basal e as células tumorais invadem os tecidos subjacentes, caracteriza-se o carcinoma invasor, que possui potencial para se disseminar local ou sistemicamente. A diferenciação entre uma lesão in situ e uma lesão invasora é feita pela avaliação da integridade da lâmina basal em exames histológicos. No carcinoma in situ, o epitélio apresenta uma perda da estratificação normal (basal, parabasal, intermediária e superficial), ficando completamente desorganizado, mas sem invasão. Já na lesão invasora, observa-se a penetração das células neoplásicas para além da lâmina basal, atingindo o tecido conjuntivo. Outro ponto importante na análise citológica é a observação de células escamosas na urina. Em mulheres, a quantidade de células escamosas na urina costuma ser maior do que nos homens, devido à presença de uma área de revestimento epitelial mais extensa no trato genital feminino, especialmente na vagina e uretra. Isso favorece o desprendimento dessas células, que acabam sendo eliminadas na urina. Um fenômeno comum em esfregaços com células parabasais, especialmente em contextos inflamatórios, é a chamada pseudo-eosinofilia. Trata-se da coloração amarelada ou avermelhada que essas células podem adquirir, em especial quando coradas pelo método de Papanicolaou. Essa alteração ocorre devido ao processo inflamatório, que modifica a composição e a afinidade tintorial do citoplasma, interferindo na forma como as células reagem ao corante. Importante destacar que essa coloração não representa eosinofilia verdadeira, mas sim uma resposta celular ao ambiente inflamatório. Coilócitos são células escamosas alteradas, geralmente observadas em exames citopatológicos (como o Papanicolau), e são fortemente sugestivas de infecção pelo papilomavírus humano (HPV). Essas alterações celulares incluem aumento do volume nuclear, hipercromasiae um halo perinuclear claro, característicos da ação citopática do HPV. Embora a presença de coilócitos indique infecção por HPV, nem sempre está associada a tipos carcinogênicos do vírus. O HPV possui diferentes tipos, classificados em baixo risco oncogênico (como os tipos 6 e 11, geralmente associados a verrugas genitais e lesões benignas) e alto risco oncogênico (como os tipos 16 e 18, mais frequentemente relacionados a câncer cervical e outras neoplasias anogenitais e orofaríngeas). A capacidade oncogênica dos tipos de alto risco está relacionada à sua integração ao DNA da célula hospedeira. Quando isso ocorre, os genes virais E6 e E7 são expressos de forma desregulada, levando à inibição dos genes supressores tumorais p53 e Rb, o que favorece a progressão para neoplasias. Em resumo: ● Coilócitos indicam infecção por HPV, mas não especificam o tipo (baixo ou alto risco). ● A carcinogênese está relacionada principalmente aos tipos 16 e 18, que possuem maior propensão a integrar seu DNA ao da célula hospedeira e induzir alterações malignas. ● A presença de coilócitos pode ou não estar associada à progressão para câncer, dependendo do tipo viral e da resposta imunológica do hospedeiro. ● A presença de coilócitos significa que o vírus está se reproduzindo dentro da célula. Pseudoeosinofilia é um artefato citológico observado principalmente em exames de citologia ginecológica (como o Papanicolau). Ocorre quando células basais ou parabasais (frequentemente presentes em inflamações ou reparos epiteliais) assumem uma coloração rosada intensa, semelhante à eosinofilia verdadeira, ao serem coradas com eosina. Essa coloração intensa, no entanto, não reflete a presença de eosinófilos ou uma resposta imune específica, mas sim uma reação inespecífica à coloração. Ela está relacionada a: ● Processo inflamatório ou regenerativo, que deixa a célula mais vulnerável. ● Sensibilização da célula causada por alterações em sua permeabilidade ou composição citoplasmática. ● Afinidade aumentada ao corante ácido (eosina), resultando em coloração mais intensa do citoplasma. Em resumo: ● Pseudoeosinofilia não representa eosinofilia verdadeira. ● É observada em células basais e parabasais submetidas a inflamação, trauma ou regeneração. ● É um artefato da coloração e não tem significado patológico específico por si só, embora possa indicar contexto inflamatório. O HPV (Papilomavírus Humano) infecta preferencialmente células da camada basal do epitélio escamoso, geralmente por meio de microlesões na mucosa. Após a infecção, o vírus interfere no ciclo normal de maturação e diferenciação celular, levando a alterações morfológicas e funcionais progressivas no epitélio. Nos casos de lesões intraepiteliais de alto grau (HSIL – High-grade Squamous Intraepithelial Lesion), os efeitos do vírus são mais profundos e extensos. O padrão de maturação celular torna-se desorganizado, e as células perdem suas características típicas de diferenciação. Há uma proliferação atípica desde as camadas basais até as mais superficiais, com presença de: ● Hipercromasia nuclear ● Aumento da relação núcleo/citoplasma ● Pleomorfismo nuclear ● Mitose atípica, inclusive em camadas superiores do epitélio Nessa fase, o padrão celular pode ser descrito como indeterminado ou imaturo, pois as células já não seguem o ciclo de maturação esperado para o epitélio escamoso. Isso reflete o impacto direto da atividade oncogênica dos genes virais E6 e E7, que inibem proteínas reguladoras do ciclo celular como p53 e Rb. Em resumo: ● O HPV interfere na maturação e diferenciação do epitélio, principalmente em infecções persistentes por tipos de alto risco. ● Nas lesões de alto grau (HSIL), observa-se desorganização do epitélio e atipias celulares marcantes, refletindo risco aumentado de progressão para carcinoma. ● O padrão celular indeterminado nesta fase expressa a perda de identidade morfológica das células pela interferência viral. Proteínas oncogênicas bloqueiam as antiangiogênicas e tomam a autonomia do metabolismo celular em que está habitado. Verrugas e coilocitoses são mais comuns em vírus HPV de baixo risco, porque esses estão interessados em replicação. Os de alto risco estão interessados em integração de DNA. NCI I → Lesão de baixo grau, geralmente relacionada à infecção por HPV de baixo risco. → Muitas vezes regride espontaneamente, especialmente em mulheres jovens. NCI II e NCI III → Lesões de alto grau, com maior risco de progressão para carcinoma invasor se não tratadas. → Geralmente requerem acompanhamento rigoroso e, muitas vezes, tratamento cirúrgico (como a conização). As escamas córneas são células epiteliais mortas, anucleadas, que fazem parte da camada mais superficial do epitélio pavimentoso estratificado queratinizado. Essas células são o resultado do processo de queratinização, no qual as células epiteliais, à medida que se diferenciam e migram em direção à superfície, passam por alterações estruturais, perdem seus núcleos e se tornam ricas em queratina, uma proteína resistente e impermeável. Na citologia vaginal, a presença de escamas córneas não é um achado comum em condições fisiológicas. Elas podem surgir em situações de hiperqueratinização do epitélio vaginal, o que pode estar associado a alterações hormonais, irritações crônicas, infecções persistentes ou lesões associadas ao HPV, especialmente em casos de leucoplasia ou outras condições que induzam a queratinização anormal da mucosa vaginal.