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PATOLOGIA I. Processo de Lesão, Degeneração e Morte Celular 1. Conceitos Fundamentais • Saúde: Não é apenas a ausência de doença, mas sim a capacidade dinâmica do organismo de se adaptar ao ambiente físico, psíquico e social, mantendo o bem-estar subjetivo e a saúde objetiva. • Exemplo: Um atleta pode ter um pequeno desvio em um parâmetro laboratorial, mas é considerado saudável por estar adaptado e funcional. • Agressão e Defesa: Agressões podem ser externas (vírus, bactérias, frio, calor, toxinas) ou internas (mutações genéticas, reações autoimunes). As defesas incluem barreiras físicas (pele/mucosas), fagocitose, inflamação, e sistemas de reparo de DNA. • Doença: É um estado de falha na adaptação a variações do meio, que se manifesta por sintomas (percebidos pelo paciente) e/ou sinais (alterações orgânicas evidenciáveis). 2. Adaptação e Lesão Celular • Adaptação: Resposta reversível a um estímulo ou estresse. • Hipertrofia: Aumento do tamanho celular devido ao aumento da síntese proteica (ex.: crescimento muscular por treino). • Hiperplasia: Aumento do número de células (ex.: proliferação do epitélio mamário na gravidez). • Metaplasia: Substituição de um tipo celular por outro mais resistente (ex.: epitélio brônquico de fumantes). • Lesão Reversível (Degenerações): Se o estímulo é leve e transitório, a célula incha e perde ATP, mas pode se recuperar. • Degeneração Hidrópica: Lesão reversível mais comum, caracterizada pelo acúmulo de água e eletrólitos no citoplasma (inchaço celular) devido à falha das bombas iônicas. • Degeneração Gordurosa (Esteatose): Acúmulo de gorduras neutras (triglicerídeos) no citoplasma, principalmente no fígado, devido a distúrbios metabólicos (ex.: etilismo crônico). 3. Morte Celular • Lesão Irreversível: Ocorre quando a célula ultrapassa o "ponto de não retorno" e não consegue reverter os danos, evoluindo para a morte. • Necrose: Morte celular desorganizada em um organismo vivo, causada por agressão intensa. Leva à ruptura da membrana e liberação de enzimas lisossomais, gerando intensa inflamação. • Exemplo: Necrose coagulativa no miocárdio após infarto por isquemia. • Apoptose (Morte Programada): Morte celular controlada, mediada por caspases, para eliminar células desnecessárias ou danificadas, sem ruptura da membrana ou indução de inflamação. Resulta na formação de corpos apoptóticos. • Exemplo: Eliminação de leucócitos ao final da inflamação e destruição de células com DNA danificado. II. Distúrbios Pigmentares e Calcificações 1. Pigmentos Endógenos (Produzidos pelo corpo) • Melanina: Principal pigmento biológico, varia de marrom a preto. É o pigmento da pele, responsável pela fotoproteção contra radiação UV. • Hiperpigmentação: Aumento de melanina (ex.: Melasma/Cloasma por alterações hormonais e exposição solar). • Deficiência: Vitiligo (perda progressiva de melanócitos, adquirida) e Albinismo (doença genética, ausência de pigmentação na pele, cabelos e olhos). • Lipofuscina: Pigmento de desgaste celular (amarelo-acastanhado) que se acumula em células pós-mitóticas e envelhecidas. • Derivados da Hemoglobina: • Hemossiderose: Aumento da hemossiderina (pigmento derivado do ferro da hemoglobina) nos tecidos, geralmente em macrófagos. Hemocromatose é um aumento sistêmico e hereditário. • Icterícia: Condição clínica causada pelo aumento plasmático de bilirrubina (pigmento biliar resultante da degradação do heme), gerando coloração amarelada na pele e mucosas. 2. Pigmentos Exógenos (Vindos de fora do corpo) • Entram por inalação, ingestão ou inoculação. São fagocitados por macrófagos, podendo causar inflamação crônica e fibrose. • Exemplos: Poeira (silicose, asbestose, pneumoconioses em mineiros) , tinta de tatuagem (pigmentos insolúveis inoculados na derme) , sais de prata (Argirismo) , chumbo (Plumbismo). 3. Calcificação Patológica • Calcificação Distrófica: Deposição anormal de sais de cálcio em tecidos previamente danificados ou necrosados. Ocorre com níveis normais de cálcio no sangue (normocalcemia). • Exemplo: Calcificação de valvas cardíacas envelhecidas ou placas de aterosclerose. • Calcificação Metastática: Depósito de cálcio em tecidos normais causado por hipercalcemia (excesso de cálcio no sangue) devido a distúrbios metabólicos (ex.: hiperparatireoidismo, insuficiência renal). • Exemplo: Depósitos de cálcio em rins e pulmões em pacientes renais crônicos. III. Distúrbios da Circulação 1. Hemorragia: Saída de sangue dos vasos. O impacto clínico depende do volume, velocidade e localização do sangramento. 2. Hiperemia e Congestão: • Hiperemia: Aumento ativo do fluxo sanguíneo para um tecido devido à dilatação arteriolar (ex.: em inflamação aguda ou exercício). O tecido fica vermelho (eritema). • Congestão: Acúmulo passivo de sangue em um tecido devido à dificuldade de escoamento venoso (ex.: insuficiência cardíaca). 3. Trombose: Formação de um coágulo (trombo) dentro de um vaso, que obstrui o fluxo sanguíneo. A tríade de Virchow (lesão endotelial, anormalidade no fluxo, hipercoagulabilidade) é a base da patogênese. Estase (fluxo lento) é o principal fator na trombose venosa. 4. Embolia: Presença de uma massa solta (sólida, líquida ou gasosa) transportada pelo sangue até um local distante, causando obstrução vascular. A maioria é tromboembolismo (trombo desalojado). 5. Isquemia e Infarto: • Isquemia: Redução ou interrupção do fluxo sanguíneo para um tecido. É mais grave que a hipóxia isolada, pois faltam oxigênio e nutrientes. • Infarto: Área de necrose tecidual causada por isquemia prolongada, geralmente por obstrução arterial. • Exemplo: Infarto agudo do miocárdio (IAM). 6. Edema: Acúmulo de líquido extravascular nos tecidos (inchaço). Causado por aumento da pressão hidrostática ou redução da pressão osmótica plasmática. 7. Choque: Condição de hipoperfusão tecidual (falência circulatória) com redução do débito cardíaco ou volume sanguíneo circulante, resultando em hipóxia celular e risco de falência orgânica. • Choque Hipovolêmico: Diminuição do débito cardíaco por perda de volume sanguíneo (ex.: hemorragia grave). • Choque Cardiogênico: Baixo débito cardíaco por falência da bomba miocárdica (ex.: infarto extenso). • Choque Séptico: Associado à inflamação sistêmica por infecção grave, causando vasodilatação e redução do fluxo. IV. Inflamação, Reparo Tecidual e Neoplasias 1. Inflamação • É a resposta protetora dos tecidos vascularizados a lesões, essencial para a sobrevivência. • Inflamação Aguda: Resposta rápida e de curta duração (horas a dias), caracterizada por alterações vasculares e recrutamento de leucócitos (neutrófilos). • Sinais Cardinais: Rubor (vermelhidão), tumor (edema), calor (ardor), dor (dolor), e perda de função. • Inflamação Crônica: Resposta prolongada (meses) com destruição tecidual e tentativas de reparo. Caracterizada por infiltrado de células mononucleares (macrófagos e linfócitos) e fibrose. • Exemplo: Artrite reumatoide, tuberculose, silicose. 2. Reparo Tecidual • Objetivo: Restauração da arquitetura e função após lesão. • Regeneração: Substituição do tecido lesado por células iguais. O fígado é um órgão estável com extraordinária capacidade regenerativa. • Cicatrização (Fibrose): Reparo pela deposição de tecido conjuntivo. Ocorre em lesões extensas ou em tecidos com baixa capacidade regenerativa (ex.: coração, neurônios). • Primeira Intenção: Ocorre em feridas limpas com bordas aproximadas (ex.: sutura). • Segunda Intenção: Ocorre em grandes feridas, com perda tecidual e inflamação intensa, envolvendo contração da ferida. 3. Neoplasias (Tumores) • Neoplasia/Tumor: Distúrbio de proliferação celular clonale excessiva, que cresce independentemente dos sinais fisiológicos. • Benignos: Crescimento progressivo e lento, são bem delimitados, não invadem tecidos adjacentes e não formam metástase. • Malignos (Câncer): Crescimento rápido e irregular, são menos diferenciados, invadem tecidos e possuempotencial de metástase (disseminação para outros locais). • Carcinogênese (Bases Moleculares): • Proto-oncogenes: Genes que promovem a proliferação celular normal. Mutações neles geram oncógenes, que codificam oncoproteínas que promovem o crescimento celular descontrolado. • Genes Supressores de Tumor: Genes que freiam a proliferação celular e reparam o DNA (ex.: RB e TP53). A perda de função desses genes é uma marca da carcinogênese. • Evasão da Apoptose: Células cancerígenas desativam as vias da morte celular para se manterem viáveis. • Epidemiologia: O tabagismo é o principal fator de risco global para o câncer, associado a cerca de 22% das mortes. • Estadiamento (TNM): Classificação da agressividade baseada no Tumor primário, envolvimento de Linfonodos (N) e Metástase PATOLOGIA I. Processo de Lesão, Degeneração e Morte Celular II. Distúrbios Pigmentares e Calcificações III. Distúrbios da Circulação IV. Inflamação, Reparo Tecidual e Neoplasias