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Tópico 10
Fisiologia Humana
Fisiologia Endócrina e Reprodutiva
1. Introdução
O Sistema endócrino, que está diretamente relacionado com os hormônios
(mensageiros químicos), é responsável pelo controle de quase todas as funções
corporais, desde o metabolismo, desenvolvimento, reprodução, crescimento e até
mesmo o comportamento. Os hormônios são divididos em endócrinos (liberados no
sangue por glândulas ou células especializadas e interagem com as células em outros
tecidos ou outro local no corpo) e neuroendócrinos (são hormônios secretados por
neurônios e liberados no sangue que também interagem com células em outros
tecidos ou outro local no corpo), e podem interagir entre si, com o intuito de manter a
homeostasia. Outra classificação dos hormônios está relacionada à estrutura química,
no qual podem ser classificados em:
a) Proteínas e polipeptídios: representam a maioria dos hormônios no corpo, são
hidrossolúveis e produzidos no retículo endoplasmático (RE) das células endócrinas.
Normalmente, são produzidos como proteínas sem atividade biológica, na forma de
pré-pró-hormônios e, posteriormente, sofrem clivagem enzimática no RE, formando
pró-hormônios. Estes são conduzidos para o complexo de Golgi e acondicionados em
vesículas citoplasmáticas (responsáveis pela ativação dos pró-hormônios em
hormônio pelas enzimas presentes na vesícula). Para a liberação dos hormônios
vesiculares na corrente sanguínea, é preciso que ocorra a fusão da vesícula com a
membrana celular.
b) Esteroides: são hormônios lipossolúveis, derivados principalmente do colesterol.
Devido à característica lipossolúvel, praticamente não ocorre armazenamento, pois
atravessam facilmente a membrana celular, alcançando o sangue. No entanto,
necessitam de proteínas transportados no sangue para a sua circulação.
c) Derivados do aminoácido tirosina: estes hormônios são sintetizados no
citoplasma por ação de enzimas presentes nas células glandulares da tireoide
(hormônios da tireoide) ou da medula adrenal (epinefrina e norepinefrina).
Tabela 1. Principais hormônios Glandulares
Glândula Hormônio Funções Estrutura
Hipotálamo         
Hormônio liberador de
tireotropina (TRH);
Estimula a secreção de hormônio
tireoestimulante (TSH) e
prolactina.
Peptídeo
Hormônio liberador de
corticotropina (CRH);
Causa liberação do hormônio
adrenocorticotrópico (ACTH).
Peptídeo
Hormônio liberador do
hormônio do
crescimento (GHRH);
Causa liberação do hormônio do
crescimento (GH)
Peptídeo
Hormônio inibidor do
hormônio do
crescimento (GHIH –
somatostatina);
Inibe a liberação do GH. Peptídeo
Hormônio liberador de
gonadotropinas
(GnRH);
Causa liberação do LH e FSH. Peptídeo
Dopamina ou fator
inibidor da prolactina
(PIF);
Inibe liberação de prolactina. Amina
Hipófise
anterior    
Hormônio do
crescimento
Síntese proteica e crescimento
celular.
Peptídeo
TSH Síntese e secreção de T3 e T4. Peptídeo
ACTH Síntese e secreção adrenocortical. Peptídeo
Prolactina
Desenvolvimento das mamas e
secreção de leite.
Peptídeo
FSH
Crescimento de folículo ovariano e
maturação de espermatozoide.
Peptídeo
LH
Síntese de testosterona, estimula
ovulação, formação do corpo
lúteo e síntese de estrogênio e
progesterona.
Peptídeo
Hipófise
posterior
Hormônio
antidiurético (ADH ou
vasopressina)
Reabsorção de água nos rins,
vasoconstrição e aumento de
pressão arterial.
Peptídeo
Ocitocina Deposição de cálcio nos ossos. Peptídeo
Tireoide Tiroxina (T3) e
Triiodotironina (T4)
Aumenta reações químicas
celulares e taxa metabólica
Amina
Glândula Hormônio Funções Estrutura
corporal.
Calcitonina Deposição de cálcio nos ossos. Peptídeo
Córtex adrenal
Cortisol
Interfere no metabolismo de
macromoléculas (carboidratos,
proteínas e lipídeos) e ação anti-
inflamatória.
Esteroide
Aldosterona
Reabsorção de sódio, secreção de
potássio e íon hidrogênio pelos
rins.
Esteroide
Medúla adrenal
Norepinefrina e
epinefrina
Simpatomimético Amina
Pâncreas
Insulina
Promove a entrada de glicose em
algumas células.
Peptídeo
Glucagon
Síntese e liberação de glicose do
fígado.
Peptídeo
Paratireóide Paratormônio (PTH)
Controla a concentração do íon
cálcio sanguíneo, devido à
absorção de cálcio no intestino e
rins, além de liberar cálcio dos
ossos.
Peptídeo
Testículo Testosterona
Desenvolvimento do sistema
reprodutor masculino.
Esteroide
Ovários
Estrogênio
Crescimento e desenvolvimento
do sistema reprodutor.
Esteroide
Progesterona
Desenvolvimento do aparelho
secretor das mamas.
Esteroide
A liberação dos hormônios para o sangue é regulada por diversos fatores. No entanto,
um mecanismo conhecido como feedback negativo, regula a liberação em função da
quantidade do próprio hormônio liberado. De forma resumida, o excesso de um
determinado hormônio ou a atividade exercida sobre um tecido inibe a sua própria
hipersecreção ou a atividade no tecido-alvo. Além disso, a regulação,
por feedback, pode envolver desde as etapas de transcrição gênica (produção do
hormônio), processamento e liberação dos hormônios.
Mecanismo de Feedback negativo e positivo.
Mecanismo de Ação dos hormônios
Para exercer sua ação nas células-alvo os hormônios, inicialmente, precisam interagir
com receptores específicos, que garantem a atividade apenas nos locais de interesse.
Os receptores hormonais apresentam constituição proteica e são, em geral, muito
específicos para apenas um hormônio.
A localização dos receptores nas células pode várias em função da característica
estrutural química dos hormônios, sendo as seguintes:
1. Receptores de membrana celular (superfície): devido à característica hidrossolúvel de
hormônios proteicos e das catecolaminas, não atravessam a membrana celular.
Portanto, é necessário que os receptores para estes hormônios se encontrem na
superfície das células.
Você sabia?
Uma única célula de um tecido pode conter de 2.000 a 100.000 receptores.
Esta quantidade pode aumentar ou diminuir, em resposta à exposição ao
hormônio específico, podendo reduzir a quantidade de receptores

2. Receptores no citoplasma celular: devido à característica lipossolúvel de hormônios
esteroides, seus receptores ficam no citoplasma.
3. Receptores no núcleo da célula: hormônios tireoidianos se ligam aos receptores, no
núcleo, para promover sua ação.
Após a interação do hormônio com o receptor, é formado um complexo (hormônio-
receptor), que ativa o receptor por mudança conformacional, iniciando os efeitos
hormonais. Porém, de acordo com o tipo de receptor, pode haver variação no modo
de interação, podendo ser: receptores ligados aos canais iônicos, receptores
hormonais ligados à proteína G, receptores hormonais ligados às enzimas e
receptores hormonais intracelulares.
Receptor citoplasmático.
Sinalização intracelular após a ativação do receptor hormonal:
1. Receptores ligados aos canais iônicos: este tipo de receptor, quando ativado,
promove abertura (ou fechamento) de canais iônicos, proporcionando a
passagem de íons como sódio, potássio, cálcio ou outros íons. Essa modificação
do fluxo iônico promove subsequentemente os efeitos celulares mediados pelo
hormônio ligante.
2. Receptores hormonais ligados à proteína G: existem mais de 1.000 receptores
que, para exercerem suas ações, dependem de proteínas de membranas
chamadas proteínas heterotrimétricas de ligação a GTP (proteínas G), que é
formada por três subunidades alfa, ß e gama (formam um complexo). A ligação
do hormônio a porção extracelular do receptor, promove uma mudança
conformacional que ativa a proteína G e desencadeia sinais intracelulares, que
podem ser abertura de canais iônicos ou alteração de atividade enzimática no
citoplasma celular. A porção alfa da proteína G fica ligada ao difosfato de
guanosina (GDP) em situação de inativação, ou seja, sem estímulo hormonal.
Porém, quando o hormônio se liga no receptor, ocorre a ativação e a proteína G
se dissocia do receptor e troca o GDP por trifosfato de guanosina (GTP). Com
isso,a subunidade alfa se desliga das outras subunidades e ativa outras
proteínas de sinalização intracelular. Estas proteínas podem atuar em enzima
intracelulares (fosfolipase C ou adenilil ciclase) ou em canais iônico, alterando a
função celular.
3. Receptores hormonais ligados às enzimas: alguns receptores apresentam
atividade enzimática e outros associam-se a enzimas (ativando-as). O local de
ligação do hormônio nestes receptores fica na parte extracelular e, após
ativação, estes receptores atravessam (apenas uma vez) a membrana, para
terem ação no interior das células.
4. Receptores hormonais intracelulares: Os hormônios lipossolúveis, por
atravessarem a membrana celular, interagem com receptores no citoplasma ou
núcleo e formam um complexo hormônio-receptor. Este complexo ativado se
liga ao elemento de resposta hormonal (DNA regulador) ativando ou inibindo a
transcrição de genes específicos, resultando na formação de proteínas
controladoras da função celular, num período que pode levar de minutos até
dias.

Tipos de receptores de membrana.
Alguns hormônios, como já vimos anteriormente, se ligam aos receptores
extracelulares e promovem suas ações no meio intracelular, por meio de segundo
mensageiro. Existem pelo menos três moléculas que atuam como segundo
mensageiro: (1) o monofosfato de adenosina cíclico (AMPc), (2) íon cálcio e
calmodulina associada e (3) produtos da degradação de fosfolipídios de membrana.
2. Eixo hipotálamo-hipófise
O eixo hipotálamo-hipófise, como o próprio nome já diz, é um sistema de regulação
hormonal, no qual, o hipotálamo exerce efeito regulador sobre a liberação de
hormônios das duas regiões da hipófise (anterior e posterior), que resulta na
regulação hormonal de diversos órgãos e glândulas. O hipotálamo recebe estímulos
de diversas fontes do sistema nervoso (dor, pensamentos, estímulo olfatório,
concentração de nutriente, etc.) e, assim, controla a secreção da hipófise posterior por
sinais neurais, enquanto o controle exercido sobre a hipófise anterior depende de
hormônios liberadores ou inibitórios hipotalâmicos, secretados pelo próprio
hipotálamo. Estes hormônios são conduzidos do hipotálamo a hipófise anterior, pelo
sistema vasos porta hipotalâmico-hipofisário, constituído por pequenos vasos
sanguíneos.
Sistema porta hipotalâmico-hipofisário.
Hipófise
A hipófise ou pituitária é uma glândula pequena (1 centímetro de diâmetro, pesando
de 0,5 a 1 grama) dividida em duas porções: hipófise anterior (adeno-hipófise) e a
hipófise posterior (neuro-hipófise). Possivelmente, a presença destes tecidos
distintos, constituindo a hipófise, se deve ao fato de terem origem embriológica
diferentes, sendo a bolsa de Rathke responsável pela formação da hipófise anterior
(com característica epitelióide) e tecido neural do hipotálamo responsável pela
formação da hipófise posterior.
São oito os principais hormônios secretados pela hipófise, seis deles pela hipófise
anterior (hormônio do crescimento, adrenocorticotropina ou corticotropina,
hormônio estimulante da tireoide ou tireotropina, prolactina, hormônio folículo-
estimulante e hormônio luteinizante) e dois deles pela hipófise posterior (hormônio
antidiurético e ocitocina).
 Tipos celulares da hipófise anterior
A hipófise anterior dispõe de cinco tipos celulares diferentes, que produzem
hormônios específicos.
Tipos celulares da hipófise anterior e hormônios produzidos:
1. Somatotropos, produzem hormônio do crescimento humano (hGH);
2. Corticotropos, produzem hormônio adrenocorticotropina (ACTH);
3. Tireotropos, produzem hormônio estimulante da tireoide (TSH);
4. Gonadotropos, produzem hormônio gonadotrópicos, que correspondem ao
hormônio luteinizante (LH) e hormônio folículo-estimulante (FSH).

Hipófise Posterior
As células presentes na hipófise posterior são chamadas de pituícitos, semelhantes as
células glias, e não secretam hormônios. A secreção dos hormônios da hipófise
posterior também é controlada por sinais neurais oriundos do hipotálamo. No
entanto, diferente da hipófise anterior que possui células específicas de produção
hormonal, a hipófise posterior recebe os hormônios do hipotálamo, por meio do
axoplasma de neurônios magnocelulares (localizados nos núcleos supraóticos e
paraventriculares do hipotálamo). A liberação destes hormônios ocorre nas
terminações nervosas, que são botões bulbosos, contendo vários grânulos secretores,
que se encontram próximos aos capilares. Com isso, os dois principais hormônios
secretados pela hipófise posterior, o hormônio antidiurético (ADH), também
chamado de vasopressina e a ocitocina, alcançam a corrente sanguínea, podendo
desempenhar suas ações nos tecidos-alvos.
Síntese, processamento e secreção dos hormônios antidiuréticos
(ADH) e ocitocina.
1. ADH, tem efeito antidiurético, ou seja, promove a reabsorção de água nos túbulos e
ductos coletores nos rins, tornando a urina mais concentrada. O mecanismo de ação do
ADH sobre os ductos coletores é conhecido parcialmente. O ADH se liga a receptores
presentes na membrana, ativando adenililciclase e forma AMPc. Posteriormente, ocorre
a fosforilação das aquaporinas (vesículas permeáveis a água), que, por sua vez, se
fundem à membrana celular, tornando a membrana dos túbulos e ductos coletores
permeáveis a água.
2. Ocitocina, promove a ejeção do leite pelas glândulas mamárias, principalmente após
sucção realizada pelo bebê. Na lactação, o estímulo da sucção exercida pelo bebê
estimula nervos sensoriais que conduzem sinais para os neurônios ocitocinérgicos no
hipotálamo (núcleos paraventriculares e supraópticos), o que estimula a liberação
hipofisária de ocitocina, que, ao chegar nas mamas, promove a expulsão do leito dos
alvéolos para os ductos da mama, além de promover contrações uterinas
(principalmente no final da gestação) para a realização do parto, sendo um hormônio
responsável pelo nascimento dos bebês.
O ADH é formado nos núcleos supraópticos e a ocitocina nos núcleos
paraventriculares, ambos hormônios são polipeptídeos contendo nove aminoácidos,
praticamente idênticos, variando apenas em dois aminoácidos.
Hipotálamo
O hipotálamo possui neurônios especiais que diferem da maioria dos neurônios do
sistema nervoso central, pois, ao invés de apenas transmitirem sinais de um neurônio
para o outro, eles também secretam hormônios liberadores ou inibidores
hipotalâmicos, nos líquidos teciduais. Estes hormônios são captados pelo sistema
porta hipotalâmico-hipofisário e conduzidos para a hipófise anterior para regular a
liberação dos hormônios hipofisários. A regulação hipotalâmica sobre os hormônios
hipofisários é mediada preferencialmente por hormônios liberadores, com exceção da
prolactina, que o hipotálamo exerce papel preferencialmente inibitório.
5. Lactotropos, produzem prolactina (PRL).
Você sabia?
Aproximadamente 30 a 40% das células da hipófise são do tipo
somatotrópicas responsável pela secreção de hormônio do crescimento. Além
disso, são consideradas acidofílicas (se coram com corantes ácidos). É por
isso que tumores hipofisários que secretam hormônio do crescimento são
chamados de tumores acidofílicos. O segundo tipo de células mais prevalente
na hipófise, que corresponde a 20%, é do tipo corticotrópicas, secretando
ACTH e os outros tipos celulares correspondem, individualmente, por
aproximadamente 5% do total.

Vale ressaltar que existem outros hormônios hipotalâmicos que participam do
processo de regulação hormonal.
3. Hormônio do crescimento (GH)
O hormônio do crescimento (somatotrófico ou somatotropina) é o único hormônio
hipofisário que exerce sua ação diretamente sobre quase todos os tecidos, enquanto
os outros hormônios agem por meio de glândula-alvo. Este hormônio tem
característica proteica, contendo 191 aminoácidos em cadeia única, e provoca o
crescimento de quase todos os tecidos (aumento do tamanho e quantidade de células)
e diferenciação de células específicas, tais como células osteogênicas e célulasmusculares iniciais. Nos ossos, o GH promove crescimento esquelético por diversos
mecanismo, incluindo aumento da deposição de proteínas pelas células osteogênicas
e condrocíticas, aumento da reprodução de células osteogênicas e condrocíticas, além
de promover a conversão de condrócitos em células osteogênicas. Além disso, o GH
desempenha outros efeitos metabólicos, como:
1. Aumento da síntese de proteínas e redução da degradação das proteínas;
2. Aumento da mobilização de ácidos graxos do tecido adiposo, transporte no sangue e
consumo como fonte energética;
3. Redução da utilização de glicose pelo organismo, consequentemente aumento do
consumo de gorduras.
4. Tireoide
A tireoide é umas das maiores glândulas endócrinas em um adulto (pesando
aproximadamente 20 gramas). Ela é responsável pela produção e secreção de três
principais hormônios, a tiroxina (T4), tri-iodotironina (T3) e calcitonina. A tireoide é
constituída basicamente por folículos, revestidos por células epiteliais cuboides
(secretoras de produtos para o interior do folículo). A tireoide secreta
preferencialmente a tiroxina, que representa 93% da produção hormonal, enquanto a
tri-iodotironina apenas 7%. Apesar de a tireoide produzir mais T4 que T3, nos
tecidos, ocorre conversão quase que total do T4 em T3, mediada por enzimas
desiodases. Além disso, o T3 é quatro vezes mais potente. A regulação da produção e
secreção destes hormônios depende principalmente do TSH (hormônio secretado
pela hipófise anterior). Em situações de excesso de hormônios da tireoide, ocorre a
retroalimentação negativa do Eixo hipotalâmico-hipofisário, ou seja, uma inibição da
liberação dos hormônios TRH (hipotálamo) e TSH (hipófise), resultando na redução
ou, até mesmo, parada da produção dos hormônios da tireoide.
Os principais hormônios hipotalâmicos são:
1. Hormônio liberador de tireotropina (TRH; formado por 3 aminoácidos), estimula
a liberação do hormônio estimulante da tireóide (TSH).
2. Hormônio liberador de corticotropina (CRH, formado por 41 aminoácidos),
estimula a liberação do hormônio adrenocorticotrópico (ACTH).
3. Hormônio liberador do hormônio do crescimento (GHRH, formado por 44
aminoácidos), estimula a liberação do hormônio do crescimento (GH) e do
hormônio inibidor do hormônio do crescimento (GHIH) ou somatostatina.
4. Hormônio liberador da gonadotropina (GnRH, formado por 10 aminoácidos),
estimula a liberação do hormônio luteinizante (LH) e Folículo-estimulante (FSH).
5. Hormônio inibidor da prolactina (PIH, dopamina), inibe a secreção de prolactina.

Aprendendo mais uma!
Aparentemente, as ações do GH sobre o crescimento são dependentes de
insulina, visto que alguns estudos verificaram que animais sem pâncreas
(responsável pela produção de insulina) tratados com GH não sofreram
indução do crescimento. Além disso, animais com baixa ingestão de glicose
apresentava prejuízo no crescimento. Isso se deve ao fato de que a glicose
aumenta a secreção de insulina pelas células beta do pâncreas e sua redução,
consequentemente, prejudica a liberação de insulina.

Regulação do eixo hipotalâmico-hipofisário sobre a produção dos hormônios da tireoide.
Síntese dos hormônios tireoidianos
A síntese dos hormônios tireoidianos ocorre no interior do folículo, região chamada
de coloide, constituído principalmente pela glicoproteína tireoglobulina. Esta
proteína é responsável pela formação dos hormônios tireoidianos, com a adição de
moléculas de iodeto.
Você sabia?
O iodo é necessário para a formação dos hormônios da tireoide.
Aproximadamente, 50 miligramas de iodo (iodeto), por ano, são utilizadas,
ou 1 mg/semana. Apenas 1/5 de todo o iodeto ingerido é absorvido pelo
folículo tireoidiano, o restante é excretado pelos rins. Pensando nisso, foi
adotada uma medida preventiva para evitar a deficiência de iodo e,
consequentemente, dos hormônios T3 e T4, que foi a adição de iodeto de
sódio no sal de cozinha, em uma proporção de 1/100.000 de cloreto de sódio.

Etapas para formação dos hormônios da tireoide
1. Transporte de iodeto do sangue para o folículo tireoidiano (captação de
iodeto): este transporte depende da ação da bomba de simporte de sódio-
iodeto (NIS), que transporta uma molécula de iodeto e duas de sódio do sangue
para o interior da célula (depende da ação da bomba de sódio-potássio-
ATPase, para retirar o sódio no interior da célula). A NIS é sensível à ação do
TSH, aumentando a captação de iodeto.
2. Formação de tireoglobulina: esta glicoproteína é formada pelo retículo
endoplasmático e secretada pelo complexo de Golgi para os folículos, e
contém diversas moléculas de tirosina (substrato para ligação do iodeto e
formação dos hormônios T3 e T4).
3. Oxidação do iodeto: para o iodeto conseguir se ligar à tirosina, ele precisa ser
oxidado pela enzima peroxidase (necessita de peróxido de hidrogênio e se
localiza na membrana celular), se tornando iodo nascente.
4. Organificação da tireoglobulina: é o processo de ligação do iodo a
tireoglobulina. Uma molécula de iodo se liga à tirosina, formando
monoiodotirosina. Após a ligação do segundo iodo, se forma a di-iodotirosina.
Quando uma monoiodotirosina se liga a uma di-iodotirosina, é formado o
triiodotirosina (T3) e quando duas moléculas de di-iodotirosina se ligam, é
formado a tiroxina (T4). O principal hormônio formado em quantidade é o T4.

Mecanismos celulares da tireoide.
Após o processo de formação dos hormônios da tireoide, a tireoglobulina é capaz de
comportar cerca de 30 moléculas de T4 e algumas moléculas de T3, ficando
armazenada nos folículos. Com isso, a tireoide é capaz de suprir a demanda de
hormônios tireoidianos, por aproximadamente 3 meses. É por isso que, em situações
de disfunção da tireoide, quanto a síntese, os efeitos fisiológicos somente são
observados após vários meses. A liberação dos hormônios T3 e T4 ocorre após a
captação da tireoglobulina pelos pseudópodos do folículo, formando vesículas no
interior folicular. Em seguida, proteases dos lisossomos clivam as moléculas de T4 e
T3 da tireoglobulina, ficando livres para serem liberados no sangue. No sangue, esses
hormônios se ligam com alta afinidade às proteínas transportadoras (produzidas no
fígado), como: globulina ligadora de tiroxina, pré-albumina ligadora de tiroxina e
albumina. Ao alcançar os tecidos, os hormônios penetram as células e a maior parte
da tiroxina é convertida em tri-iodotironina pelas enzimas iodinases, que retiram
iodo. Isso se deve pelo fato de T3 ter mais afinidade pelos receptores intracelulares
que T4. Os efeitos fisiológicos dos hormônios tireoidianos são mediados por
receptores nucleares ligados às fitas de DNA, que promovem posterior síntese
proteica, aumentando a concentração de proteínas e enzimas.
5. Paratireoides
Em seres humanos, são normalmente encontradas quatros glândulas paratireoides,
que parecem uma gordura marrom, localizadas na porção posterior dos polos da
tireoide. As principais células da paratireoide são as células principais (responsáveis
pela produção do paratormônio – PTH) e células oxifílicas (células principais
modificadas não secretoras de PTH).
Efeitos fisiológicos dos hormônios da tireoide
1. Os hormônios tireoidianos aumentam a atividade metabólica celular: Promove
aumento do número e da atividade das mitocôndrias, aumento da
permeabilidade das membranas celulares aos íons sódio, aumenta a ativação
da bomba de sódio e produção de calor.
2. Os hormônios tireoidianos estimulam o crescimento: promove crescimento
precoce (crianças altas, porém adulto baixos, devido ao fechamento precoce
das epífises), estimula desenvolvimento e crescimento do cérebro na vida fetal
e pós-fetal (primeiros anos).
3. Os hormônios tireoidianos influenciam os mecanismos corporais específicos:
estimulam o metabolismo de carboidratos (captação rápida de glicose,
aumento da glicólise, aumento da gliconeogênese, aumento da absorção
intestinal de glicose e secreção de insulina), estimula o metabolismode lipídeos
(reduz colesterol e triglicerídeos no plasma), aumenta o metabolismo basal,
aumenta a atividade cardiovascular (aumento o fluxo sanguíneo e débito
cardíaco, aumento da frequência cardíaca, aumento da força de contração e
aumento da pressão arterial). Promove também aumento da atividade
respiratória, motilidade gastrointestinal, função muscular e alteração da função
sexual.

Assista ao vídeo abaixo, que mostra a diferença do hipotireoidismo e
hipertireoidismo.

Você sabia?
Durante procedimento de tireoidectomia total ou parcial, é possível e
frequente ocorrer a retirada de glândulas paratireoides. No entanto, a

Posição anatômica das glândulas paratireoides.
Paratormônio
O paratormônio tem característica proteica, formado por 84 aminoácidos, todavia,
inicialmente, é sintetizado pelos ribossomos das células principais na forma de pré-
pró-hormônio (com 110 aminoácidos). Em seguida, sofre clivagem, formando o pró-
hormônio (com 90 aminoácidos) e somente depois de uma nova clivagem (ocorre no
retículo endoplasmático e complexo de Golgi) formará o hormônio ativo. Este
hormônio é armazenado em grânulos secretores no citoplasma e em situações de
baixos níveis de cálcio, no sangue, eles são liberados na circulação sanguínea. O PTH
desempenha papel de grande importância na regulação das concentrações de cálcio
(aumentando) e fosfato (diminuindo) no sangue, por meio da atuação sobre tecidos
como ossos, rins e intestino. Esta ação do paratormônio, quando em excesso, pode
causar hipercalcemia (excesso de cálcio no sangue), assim como o inverso também
pode ocorrer, hipofunção das glândulas causa hipocalcemia (pouco cálcio no sangue).
A secreção do PTH é sensível à concentração de cálcio iônico no sangue. Reduções
mínimas de cálcio já são suficientes para aumentar a secreção do PTH. Em situações
em que o cálcio iônico plasmático se encontra elevado (excesso de cálcio ou vitamina
D na dieta ou reabsorção óssea exagerada), ocorre diminuição da atividade e volume
das glândulas paratireoides. Essas variações de cálcio no líquido extracelular são
captadas por receptores sensíveis ao cálcio (CaSR), presentes nas membranas das
células da paratireoide.
retirada de até duas glândulas não afeta de forma considerável a função
fisiológica exercida por essas glândulas, mas a retirada de três glândulas
causa hipoparatireoidismo transitória. É transitório, pois esta glândula
remanescente sofre hipertrofia, capaz de suprir a necessidade hormonal de
todas as glândulas.
Efeitos do Paratormônio sobre as concentrações de cálcio e
fosfato
Sobre os níveis de cálcio e fosfato, existem alguns mecanismos responsáveis
pelo aumento de cálcio e redução de fosfato no sangue causado pelo PTH, (A)
aumento da absorção de cálcio e fosfato a partir dos ossos (reabsorção
óssea), (B) diminuição da excreção de cálcio e aumento de fosfato pelos rins e
(C) aumento da absorção de cálcio e fosfato pelos intestinos.
1. O paratormônio, por meio do mecanismo de fase rápida, se liga aos receptores
presentes nos osteócitos e osteoblastos (por meio do segundo mensageiro
monofosfato cíclico de adenosina – AMPc) que ativa a bomba de cálcio e retira
sais de fosfato de cálcio do liquido ósseo para o líquido extracelular. Outro
mecanismo importante é conhecido como fase lenta (demora dias ou até
semanas), onde o PTH retira fosfato de cálcio pela ação de osteoclastos (por
meio do AMPc). Esta ativação ocorre de modo indireto, visto que osteoclastos
não apresentam receptores para o PTH, possivelmente osteócitos e
osteoblastos, após ativação pelo PTH, estimulam um sinal secundário chamado
ligante de osteoprotegerina (transformam pré-osteoclastos em osteoclastos
maduros). Além disso, ocorre a formação de novos osteoclastos.
2. O PTH reduz a absorção tubular proximal de íons fosfato ao mesmo tempo que
aumenta a reabsorção de cálcio.
3. O aumento da absorção de cálcio e fosfato pelos intestinos se deve ao fato de
o PTH aumentar a vitamina D (formação do 1,25-di-hidroxicolecalciferol nos
rins) que, por sua vez, aumenta a formação da calbindina (proteína ligante de
cálcio das células epiteliais intestinais) que transporta cálcio para o citoplasma
celular.

Calcitonina
Outro hormônio importante na regulação da concentração de cálcio no sangue é a
calcitonina, mas este hormônio não é produzido pela paratireoide e sim pelas células
parafoliculares (células C) da tireoide. A calcitonina também é um hormônio
peptídico (composto por 32 aminoácidos) e seu efeito principal é a diminuição
plasmática de cálcio, apresentando efeito oposto ao do PTH. Isso se deve,
preferencialmente, pela diminuição da ação de osteoclastos (redução do efeito
osteolítico) e formação de novos osteoclastos, contribuindo para uma maior
deposição de cálcio nos ossos. Além disso, a calcitonina diminui a absorção de cálcio
intestinal e renal. Semelhante ao PTH, a secreção de calcitonina também é sensível à
concentração de cálcio iônico no sangue, todavia ocorre de modo inverso. Níveis
elevados de cálcio plasmático estimulam a secreção de calcitonina, que promove a
redução de cálcio.
Regulação hormonal do níveis de Cálcio.
6. Glândula adrenal
As glândulas adrenais localizam-se sobre os rins, direto e esquerdo, e estruturalmente
são constituídas por duas porções, sendo elas: a medula (região central, responsável
pela produção de catecolaminas) e o córtex (região que envolve a medula,
responsável pela produção de corticoesteroides).
Glândula adrenal.
Tabela 2. Hormônios esteroides adrenais e suas atividades mineralocorticoides e
glicocorticoides.
Hormônio
Quant. média
secretada
(mg/24/h)
Atividade
glicocorticoide
Atividade
Mineralocorticoide
Cortisol 15 1,0 1,0
Corticosterona 3 0,3 15,0
Aldosterona 0,15 0,3 3.000
Desoxicorticosterona 0,2 0,2 100
Córtex adrenal
O córtex secreta os hormônios corticoesteroides. Dentre os principais hormônios
desta classe, destacam-se os mineralocorticoides (aldosterona) e glicocorticoides
(cortisol e corticosterona), além de hormônios androgênicos. A região cortical das
glândulas adrenais é composta por três camadas: zona glomerulosa, fasciculada e
reticular.
Os hormônios adrenocorticais são esteroides derivados do colesterol que, por sua vez,
após ser conduzido pelo LDL para as glândulas adrenais, pode alcançar a mitocôndria
das células presentes nas três zonas corticais e, dependendo das enzimas específicas
presentes, formar os diferentes hormônios.
Mineralocorticoides
Os hormônios com ação mineralocorticoide têm como principal efeito a influência
sobre os minerais (sódio e potássio) presentes nos líquidos extracelulares. Isso ocorre
pela ligação destes hormônios aos receptores mineralocorticoides, provocando o
aumento da reabsorção de sódio e excreção de potássio pelas células principais dos
túbulos renais. Com isso, ocorre o aumento de sódio no plasma (consequentemente
estimula a ingestão hídrica, podendo elevar a pressão arterial) e redução de potássio
no sangue (hipocalemia; pode causar fraqueza muscular), devido à maior eliminação
na urina. O principal mineralocorticoide secretado pelas adrenais é a aldosterona
Camadas do córtex adrenal
1. Zona glomerulosa: é a camada mais externa da glândula adrenal (representa
aproximadamente 15% do córtex) e é responsável pela produção de
aldosterona.
2. Zona fasciculada: é a camada mais espessa e se encontra na porção medial do
córtex (representa aproximadamente 75% do córtex) e é responsável pela
secreção de cortisol e corticosterona (glicocorticoides), como também secreta
androgênios e estrogênios em pequena quantidade. A regulação da secreção
destes hormônios é realizada pelo eixo hipotalâmico-hipofisário.
3. Zona reticular: é a camada mais interna do córtex e secreta androgênios
adrenais (desidroepiandrosterona e androstenediona), estrogênios e
glicocorticoides.

que, embora seja um dos mais potentes hormônios retentores de sódio, quando em
excesso, promove apenas retençãotransitória. Isso se deve ao aumento da
quantidade de sódio no plasma. Ocorre o aumento do volume de líquido e,
consequente, a elevação da pressão arterial e, em resposta, outros mecanismos são
ativados para regulação da pressão arterial. A aldosterona também promove
reabsorção de sódio nas glândulas sudoríparas, salivares e nas células epiteliais do
intestino, promovendo a conservação do sódio corporal.
O mecanismo de ação da aldosterona ocorre após ligação aos receptores
mineralocorticoides (MR), presentes no citoplasma, que formam o complexo
hormônio receptor, capaz de se difundir para o núcleo, interagir com o DNA e
produzir proteínas (adenosina trifosfatase sódio-potássio e proteínas dos canais
epiteliais de sódio – EnaC), responsáveis pelo estimulo de reabsorção de sódio. Em
situações em que a secreção de aldosterona é interrompida, ocorre o aumento da
excreção de sódio na urina e a diminuição do líquido extracelular, resultando em
choque circulatório, devido à desidratação extracelular grave e redução do volume
sanguíneo, podendo levar à morte em poucos dias ou semanas, se não houver
tratamento adequado.
Em relação à regulação da secreção de aldosterona, existem pelo menos quatro
fatores importantes, citados na tabela 3 em ordem de importância.
Tabela 3. Fatores reguladores da secreção de aldosterona.
Fatores Relação com a secreção de aldosterona
Elevação da concentração de
íons potássio no líquido
extracelular
Promove aumento acentuado da secreção de
aldosterona.
Elevação da concentração de
angiotensina II no líquido
extracelular
Promove aumento acentuado da secreção de
aldosterona.
Elevação da concentração de
íons sódio no líquido
extracelular
Reduz muito pouco a secreção de
aldosterona.Importante para a secreção de aldosterona,
papel permissivo de liberação.
ACTH
Importante para a secreção de aldosterona, papel
permissivo de liberação.
Glicocorticoides
Dentre os glicocorticoides produzidos pelas glândulas adrenais, o hormônio que
desempenha a maior atividade (95%) é o cortisol, também conhecido como
hidrocortisona. Este glicocorticoide é de extrema importância para a manutenção da
vida animal à longo prazo, pois interfere no metabolismo de proteínas, carboidratos e
lipídeos, além de ser importante para a regulação de processos inflamatórios e
estresse.
Principais efeitos do cortisol
1. Reduz a utilização celular de glicose: cortisol prejudica a ação da insulina em promover a
entrada de glicose nas células (principalmente músculos), aumentando a glicemia.
2. Estímulo a gliconeogênese: o cortisol estimula a conversão de proteínas em glicose pelo
fígado, por aumentar as enzimas responsáveis por esta conversão e por mobilizar
proteínas principalmente dos músculos para o fígado.
3. Reduz proteínas celulares: ocorre redução da formação de RNA e subsequente síntese
de proteínas, principalmente nos músculos (causando fraqueza) e tecidos linfoides
(prejudicando as funções imunológicas).
4. Mobiliza ácidos graxos: cortisol mobiliza ácidos graxos do tecido adiposo para ser
utilizado como fonte de energia, muito em função do menor transporte de glicose para
os adipócitos. Pode gerar obesidade devido à deposição excessiva de gordura,
principalmente na região torácica e na cabeça.
5. Resistência ao estresse: em situações de estresse (por trauma, infecção, calor ou frio
intenso, cirurgias, entre outros) ocorre rápida liberação de ACTH pela hipófise, que
estimula a liberação de cortisol. Possivelmente, a secreção de cortisol em situações de
estresse ocorre com o intuito de fornecer fontes energéticas e aminoácidos para
sínteses de substancias intracelulares essenciais.
6. Efeito anti-inflamatório: a inflamação apesar de ser um processo fisiológico, em
situações em que a inflamação dura muito tempo pode ser mais lesiva que o próprio
trauma. O cortisol tem ação anti-inflamatória, principalmente por evitar a formação de
prostaglandinas e leucotrienos, por bloquear a enzima fosfolipase A2, resultando nos
seguintes efeitos: (a) estabiliza a membrana dos lisossomos, evitando a ruptura e
liberação de enzimas proteolíticas que levariam a lesão celular; (b) reduz a
permeabilidade dos capilares; (c) reduz a migração de leucócitos para a área inflamada e
fagocitose das células lesadas; (d) suprime o sistema imune, reduzindo a reprodução de
linfócitos; (e) reduz a febre por reduzir a liberação de interleucina-1 dos leucócitos.
7. Cortisol aumenta a reabsorção óssea, diminui a absorção intestinal de cálcio e aumenta a
excreção renal de cálcio: promove apoptose de osteoblastos e osteócitos, além de
ativar osteoclastos, resultando na retirada de cálcio dos ossos. Além disso, com a
diminuição da absorção intestinal e aumento da excreção renal, ocorre hipocalcemia,
podendo causar osteoporose a longo prazo.
7. Aparelho reprodutor
Os aparelhos reprodutores, tanto masculino quanto feminino, são responsáveis pela
produção de diversos hormônios importantes para o desenvolvimento, maturação
sexual e desenvolvimento das características sexuais.
Sistema reprodutor masculino
No sistema reprodutor masculino, os testículos secretam hormônios esteroides
denominados androgênios, que recebem este nome por apresentarem efeitos
masculinizantes. Dentre os principais androgênios, destacam-se a testosterona, di-
hidrotestosterona e androstenediona. O principal hormônio esteroide e com maior
produção pelos testículos é a testosterona, este hormônio é produzido pelas células
intersticiais de Leydig, a partir do colesterol ou da acetilcoenzima A. Por ser um
esteroide e apresentar característica lipossolúvel, para ser transportado no sangue
precisa se ligar a albumina (ligação fraca) ou a globulina ligada ao hormônio sexual
(ligação forte). A testosterona, apesar de ser o principal hormônio produzido pelos
testículos, sofre conversão nos tecidos (em especial na próstata) em um hormônio
mais ativo que é a di-hidrotestosterona, pela ação da enzima 5-alfa-redutase. Nas
células de Sertoli (dos testículos) e no fígado a testosterona sofre conversão em
estradiol, pela ação da enzima aromatase. Ainda não se sabe ao certo a função
desempenhada pelo estradiol no homem, mas, possivelmente, está relacionada com a
espermatogênese (síntese de espermatozoide).
Anatomia do sistema reprodutor masculino e o efeito da testosterona no corpo.
Principais efeitos da testosterona
1. Desenvolvimento fetal: a testosterona é importante para o desenvolvimento
das características do corpo masculino (formação do pênis e saco escrotal) e
na vida embrionária sua produção ocorre na sétima semana. No cromossomo
masculino ,existem um gene chamado de região determinante do sexo no Y
(SRY), responsável por produzir o fator de determinação testicular (proteína
SRY), que inicia a cascata que estimula a diferenciação da crista genital em
células secretoras de testosterona para formar os testículos.
2. Descida dos testículos: durante o período gestacional (últimos 2 meses), a
testosterona também é importante para promover a descida dos testículos
para o saco escrotal.
3. Desenvolvimento das características sexuais adultas: promove crescimento do
pênis e testículo, induz crescimento dos pelos corporais (púbis, abdômen, face,
etc.), reduz crescimento de cabelo, na parte superior da cabeça, promove
hipertrofia da mucosa laríngea e alargamento da laringe (voz grave
característica do sexo masculino), desenvolvimento muscular causado pelo
aumento da formação proteica na região muscular (função anabólica), aumenta
a matriz óssea e retenção de cálcio.

Aprendendo mais uma!
As células de Leydig são importantes na secreção de testosterona em diversas
fases da vida do homem, principalmente após o nascimento (primeiros
meses de vida) e após a puberdade. Na fase fetal, a produção testicular de
testosterona é induzida pela gonadotropina coriônica, oriunda da placenta.

Mecanismo de ação da testosterona
A testosterona e di-hidrotestosterona, por serem lipossolúveis,atravessam a
membrana celular e se ligam aos receptores citoplasmáticos, formando um complexo
(hormônio-receptor), que se dirige para o núcleo e induz a transcrição do DNA em
RNA e posterior síntese proteica. Estas proteínas formadas são responsáveis pelo
desenvolvimento das características sexuais masculinas. Outro mecanismo de ação
possível destes hormônios ocorre após ligação a receptores de membrana, sendo uma
ação rápida, por não precisar da produção de proteínas para sua ação final. Este
mecanismo é conhecido como ação não genômica dos esteroides, porém, mais
estudos são necessários para compreender os efeitos mediados por esta via de ação.
Sistema reprodutor Feminino
Sistema reprodutor feminino – Ovário.
No sistema reprodutor feminino, os ovários são responsáveis pela produção e
secreção de estrogênios e progestinas, cujos principais representantes destas classes
são estradiol e progesterona, respectivamente. Estes hormônios apresentam um
padrão de secreção variado durante o ciclo sexual mensal (dura, em média, 28 dias).
Os hormônios gonadotrópicos hipofisários (LH e FSH) fazem com que alguns
folículos comecem a crescer nos ovários (aproximadamente dez folículos). Contudo,
apenas um desses folículos amadurece e ovula na metade do ciclo. Após a ovulação,
as células foliculares amadurecem, formando o corpo lúteo, que produz de forma
acentuada estrogênio e progesterona. Por serem esteroides e apresentarem
característica lipossolúvel, assim como a testosterona, para serem transportados no
sangue, também precisam se ligar à albumina ou às globulinas, de ligação específica
de estrogênio e progesterona. Além disso, esses hormônios sofrem degradação
metabólica no fígado, originando metabólitos inativos, o estrogênio se transforma em
estriol e a progesterona em pregnanediol.
Ciclo menstrual e níveis hormonais.
Ciclo menstrual, fase lútea e folicular.
Já na fase adulta, a produção de testosterona pelos testículos é influenciada
pelos hormônios gonadotrópicos da hipófise anterior. Nesses períodos, a
produção de testosterona é bem elevada, porém, na infância (até 10 a 13
anos) as células de Leydig praticamente desaparecem, quase não secretando
testosterona.
Funções e características dos hormônios sexuais
femininos
Basicamente, o estradiol promove a proliferação e o crescimento de células
responsáveis pelo desenvolvimento das características sexuais femininas. Já a
progesterona prepara o útero para a gravidez e as mamas para lactação.
Regulação da secreção hormonal pelo eixo hipotalâmico-
hipofisário
A secreção dos hormônios sexuais, tanto do sexo masculino quanto feminino, é
regulada por hormônios do eixo hipotalâmico-hipofisário, iniciando pela secreção
hipotalâmica do hormônio liberador de gonadotropina (GnRH, secreção pulsátil). O
GnRH estimula a secreção de dois hormônios glicoproteicos hipofisários
(adenohipófise), o FSH e o LH, no entanto, a secreção do LH é mais sensível ao
GnRH, tendo uma liberação rápida, enquanto o FSH tem uma liberação mais lenta.
O LH no homem é responsável por estimular as células de Leydig, nos testículos a
produzir testosterona. No sexo feminino, altera as células da granulosa e tecais
internas, transformando células luteínicas, promovendo o crescimento folicular, a
secreção de progesterona e a ovulação.
No sexo masculino, o FSH estimula o crescimento das células Sertoli dos túbulos
seminíferos e também a secreção de substâncias responsáveis pela espermatogênese.
No sexo feminino, o FSH estimula também o crescimento de novos folículos, secreção
de estrogênio e crescimento e desenvolvimento dos ovários.
Como dito anteriormente, o excesso dos hormônios gonadotrópicos promove a
inibição do eixo hipotalâmico-hipofisário (feedback negativo), resultando na redução
da liberação do GnRH e, posteriormente, dos próprios hormônios nas gônadas. Outro
mecanismo responsável pela interrupção na produção dos hormônios produzidos
Principais efeitos do estradiol
1. Desenvolvimento do útero e órgãos sexuais femininos: os ovários e as tubas
uterinas e a vagina aumentam de tamanho por influência do estradiol.
Histologicamente, ocorre alteração do epitélio vaginal, para aumentar a
resistência a infecções e traumas mecânicos, que muda de cuboide para
estratificado. A genitália externa também sofre modificações consideráveis,
como aumento da deposição de gordura na púbis e grandes lábios, além de
ocorrer aumento dos pequenos lábios. As mamas são influenciadas pelo
estrogênio, sofrendo desenvolvimento dos estromas, dos ductos e deposição
de gordura.
2. Efeito sobre o sistema esquelético: estradiol estimula o crescimento ósseo, por
estimular o fator inibitório de osteoclastogênese, que inibe a ação dos
osteoclastos. Após a menopausa, a produção de estrogênio cai bruscamente,
parando o efeito inibitório dos osteoclastos, podendo causa osteoporose se
não tratado.
3. Efeito sobre o metabolismo de proteínas e gorduras: causa aumento de
proteínas corporais, que contribui para o crescimento dos órgãos sexuais.
Aumenta o metabolismo de gorduras, causando deposição corporal e em locais
característicos da aparência feminina, como mama, glúteo e coxas.
Principais efeitos da progesterona:
1. Alterações secretórias no útero e tubas uterinas: o principal efeito da
progesterona é estimular a secreção de substâncias no útero (preparar o útero
para implantação do ovulo fertilizado) e nas tubas uterinas (revestimento
mucoso).
2. Desenvolvimento das mamas: a progesterona é responsável pelo
desenvolvimento e crescimento dos alvéolos e lóbulos mamários, tornando-os
aptos para a secreção de leite.

Você saberia dizer o que estimula a puberdade e por que, normalmente, se
inicia após os 11 anos?
A puberdade é o período em que ocorre desenvolvimento das características
sexuais. Em relação ao sexo feminino, é o início dos ciclos sexuais mensais
estimulado pela liberação hipofisário de LH e FSH, que estimulam a secreção
de estradiol e progesterona pelos ovários. Na infância, os hormônios
gonadotrópicos hipofisários permanecem inativos, retornando normalmente
entre os 9 e 12 anos, e isso aumenta em 20 vezes a produção de estradiol e
progesterona. Vale lembrar que o primeiro ciclo menstrual se chama
menarca.

pelas gônadas envolve um hormônio produzido no corpo lúteo ou células de Sertoli,
chamado inibina. Este hormônio inibe a secreção de FSH e LH pela hipófise anterior.
8. Conclusão
Neste tópico, observamos o mecanismo geral de ação dos hormônios e a importância
dos hormônios, em relação ao funcionamento de diversos órgãos do corpo humano,
mediado pela interação hormônio-receptor, que promove alterações celulares
importantes. Foi possível compreender as estruturas responsáveis pelas secreções e a
constituição de cada secreção hormonal, com destaque para o eixo hipotalâmico-
hipofisário, tireoide, paratireoide, adrenal. Vimos, também, o processo de síntese dos
hormônios relacionados ao aparelho reprodutor e a interferência destes hormônios
no desenvolvimento e diferenciação das características sexuais masculinas e
femininas.
O conhecimento adquirido neste tópico irá permitir que você possa explorar, de
forma mais embasada, tecnicamente falando, esses elementos relacionados às
secreções hormonais, ao processo de interação hormônio-receptor, aos mecanismos
de ação dos hormônios e aos efeitos fisiológicos; entender e procurar mais
informações referentes ao tema, o que será de grande utilidade para o exercício
profissional, visto que cumprem papel de grande importância para o bom
funcionamento de todos os seres vivos.
9. Referências
AIRES, M.M. Fisiologia. 2 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. 1999.
COSTANZO, L.S. Fisiologia. 2 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.
HALL, J. E; GUYTON, A. C. Guyton & Hall tratado de fisiologia médica. 13. ed.
Rio de Janeiro: Elsevier, 2017.
YouTube. (2017, Junho, 17). Elsevier. Ciclo menstrual – Homem virtual – Guyton &
Hall. 2min53. Disponível em: .YouTube. (2015, maio, 11). Tireoidesbem. Entendendo o hipotireoidismo e
hipertireoidismo. 3min22. Disponível em: .
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