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1 RACIOCÍNIO DE CIRURGIA – 2º SEMESTRE – GIOVANNNA VIDA RACIOCÍNIO DE CIRURGIA TEMAS • Neoplasia periampular • CA gástrico • CA de esôfago • Hepatocarcinoma • CA de cólon NEOPLASIA PERIAMPULAR NEOPLASIA PERIAMPULAR • Se localizam próximo à ampola de Vater / esfíncter de Oddi / papila duodenal ou a uma distância máxima de 2 cm • Epidemiologia o Tumores da cabeça pancreática (80-85%) o Tumores da papila duodenal (10-15%) o Tumores do colédoco – colangiocarcinoma (5%) o Tumores de duodeno (5%) CARCINOMA PERIAMPULAR DE DUODENO • Tipo histológico: adenocarcinoma dos enterócitos • Importância: pouquíssima; é o tipo mais comum de CA do intestino delgado • Clínica: o Síndrome colestática clássica o Icterícia progressiva o Obstrução duodenal o Vesícula de Courvoisier-Terrier: importante sinal semiológico • Diagnóstico: endoscopia digestiva • Prognóstico e tratamento: cirurgia de Whipple (duodenopancreatectomia) nos casos ressecávdeis (70-80%) → sobrevida em 5 anos é de 50-60% COLANGIOCARCINOMA DISTAL • Tipo histológico: adenocarcinoma do colédoco • Importância: melhor prognóstico que o CA de cabeça de pâncreas e pior prognóstico que o carcinoma da ampola de Vater; entre os colangiocarcinomas, é o de melhor prognóstico • Clínica: síndrome colestática clássica; icterícia progressiva; vesícula de Curvoisier-Terrier • Diagnóstico: CPRE • Prognóstico e tratamento: cirurgia de Whipple nos casos ressecáveis → sobrevida em 5 anos de 30-50% CARCINOMA DA AMPOLA DE VATER • Tipo histológico: adenocarcinoma, proveniente do epitélio da papila ou ampola de Vater • Importância: CA periampular de melhor prognóstico • Adenoma x Adenocarcinoma: dos tumores ampulares, 2/3 são adenocarcinomas e 1/3 são adenomas → adenoma ampular é histologicamente benigno e alta chance de transformação maligna em adenocarcinoma • Clínica: síndrome colestática clássica – icterícia lentamente progressiva de início precoce quando o tumor ainda é pequeno; alguns pacientes podem ter períodos de atenuação da icterícia no momento em que o tumor sangra para o duodeno, reduzindo seu volume → atenuação da icterícia pode vir acompanhada de melena; anemia ferropriva é comum; vesícula de Courvoisier-Terrier 2 RACIOCÍNIO DE CIRURGIA – 2º SEMESTRE – GIOVANNNA VIDA • Diagnóstico e estadiamento: CPRE – endoscopia com visão lateral para visualizar o tumor (massa ulcerada na papila) e realizar biópsia confirmatória; estadiamento pré-operatório pode ser realizado com TC e USG endoscópica • Prognóstico e tratamento: cerca de 90% dos casos são ressecáveis; cirurgia curativa é a de Whipple; mortalidade cirúrgica de 3-5%; chance de cura e sobrevida livre de doença em 5 anos é relativamente alta (40-50%) CÂNCER DE PÂNCREAS • CONCEITO: neoplasias malignas do pâncreas o Endócrino o Exócrino (95%) ▪ Adenocarcinoma ductal infiltrante do pâncreas (80%) → câncer de pâncreas • Neoplasia maligna bastante ameaçadora à vida → prognóstico desfavorável • Maioria já descobre doença com metástase ou localmente avançada • 15-20% dos pacientes são candidatos à pancreatectomia ao diagnóstico • Sem acometimento linfonodal = sobrevida 30% (5 anos) • Com linfonodo acometido = sobrevida 10% (5 anos) • CA de cabeça de pâncreas – adenocarcinoma ductal (90%) o Mais incidente entre os periampulares o 370 U/ml = pior sobrevida • Recidiva: eleva até 6 meses antes de achados clínicos ou de imagem ▪ Necessita de antígeno de Lewis (negativo 10-15%) o CEA: sensibilidade 45% e especificidade 75% o Não é possível diagnóstico apenas clínico o Fatores de riscos e sintomas suspeitos: avaliação precoce 4 RACIOCÍNIO DE CIRURGIA – 2º SEMESTRE – GIOVANNNA VIDA o Imagem ▪ Paciente com icterícia → US de abdome (descartar doenças das vias biliares; baixo custo; sensibilidade > 95% para tumores > 3 cm)• USG “doppler” avalia invasão de estruturas vasculares adjacentes ▪ Paciente sem icterícia → TC de abdome com contraste (sensibilidade 89-97%; melhor exame) → lesão hipoatenuante durante a fase venosa portal da imagem; outros possíveis achados são: dilatação do ducto pancreático ou ducto biliar comum, atrofia do parênquima e anormalidade no contorno pancreático • Ajuda a avaliar critérios de ressecabilidade ▪ RNM: acurácia um pouco maior que TC ▪ PET – tomografia por emissão de pósitrons: detecta lesões menores que 7 mm; seguimento pós ressecção o US endoscópico (USE) / ecoendoscopia ▪ Guiar biópsia, possibilitando confirmação diagnóstica ▪ Tumores muito pequenos ▪ AAF + USE: sensibilidade 87% e especificidade 98% ▪ De escolha para o diagnóstico das lesões periampulares → invasiva, operador-dependente e de alto custo o CPRE ▪ Permite acesso direto ao colédoco e ducto pancreático ▪ Invasivo e não isento de complicações / operador dependente ▪ Permite biópsias / terapêutica o Pacientes com achados típicos e tumor potencialmente ressecável podem dispensar biópsia o Biópsia ▪ Comprovação histológica da malignidade em tumores irressecáveis ▪ BX não obrigatória se planeja cirurgia curativa ▪ Exame de imagem inconclusivo = BX US-EDA → reduz risco de disseminação tumoral (maior quando percutânea) ▪ Lesões metastáticas: BX percutânea (US ou CT); BX US-EDA o VLP para estadiamento se ▪ Ascite ▪ Tumor > 4 cm ▪ CA 19-9 > 1000 ▪ Imagem sugestiva de carcinomatose • ESTADIAMENTO o TNM → TC de abdome e pelve com contraste trifásico e radiografia de tórax; TTO e prognóstico o Estágios IA a IIB → candidatos a cirurgia o Estágios III ou superior → não são candidatos a cirurgia de imediato o Principais sítios de metástase: fígado, peritônio, pulmões e ossos 5 RACIOCÍNIO DE CIRURGIA – 2º SEMESTRE – GIOVANNNA VIDA o 4 grupos de doentes ▪ Doença metastática: cirurgia não beneficia em termos de sobrevida a curto prazo → quimioterapia + tratamento paliativo ▪ Doença localmente avançada irressecável não metastizada: podem se beneficiar de QT neoadjuvante → dependendo da resposta: exploração cirúrgica ▪ Doença ressecável borderline → QT neoadjuvante pré-operatória ▪ Doença ressecável: cirurgia precoce • TRATAMENTO o Tratamento cirúrgico = curativo o Objetivo: ressecção R0 – sem lesões microscópicas residuais o Operabilidade: paciente tem condições de ser operado? o Ressecabilidade: tumor é passível de ser totalmente removido por cirurgia? o Tumores irressecáveis → TTO inicial: paliação, quimioterapia ou quimioterapia + radioterapia ▪ Metástases a distância: fígado, peritônio, omento ou qualquer local extra-abdominal ▪ Linfonodos patológicos fora da área de ressecção: nódulo de Virchow, nódulo da Irmã Maria José ▪ Irressecável • Invasão > 180° de tronco celíaco – artéria mesentérica superior / primeiro ramo jejunal • Invasão com obstrução de veia mesentérica superior ou veia porta • Presença de metástase à distância o Tumores bordeline → TTO: quimioterapia neoadjuvante o Laparoscopia pré-operatória ▪ Objetivo: avaliar doença metastática ▪ Indicações • Tumores grandes (> 3cm) • Imagem sugestiva de doença metastática oculta • CA 19-9 elevado na ausência de icterícia o Tumores ressecáveis ▪ Cabeça e processo uncinado • Duodenopancreatectomia convencional (cirurgia de Whipple) → complexo e de alto risco o Remoção da cabeça pancreática, do duodeno, dos primeiros 15 cm do jejum, do ducto biliar comum e da vesícula biliar e uma gastrectomia parcial o Gastroduodenopancreatectomia com linfadenectomia locorregional o Preservação pilórica: cirurgida de Longmire-transverso ▪ Corpo e cauda • Pancreatectomia subtotal distal +/- esplenectomia • 5 a 7% passível de ressecção 6 RACIOCÍNIO DE CIRURGIA – 2º SEMESTRE – GIOVANNNA VIDA o Quimioterapia adjuvante → para todos que não receberam QT neoadjuvante ▪ Excelente status performance: Folfirinox (oxaliplatina, irinotecano, leucovorin e fluorouracil) ▪ Status performance comprometido: gencitabina + capecitabina o Quimioterapia neoadjuvante → crescido muito nos últimos anos ▪ Baixa taxa de ressecções com margem negativa ▪ Maus resultados a longo prazo de cirurgia + QT adjuvante ▪ Morbidade pós-cirúrgica ▪ Melhor regime: indefinido • PALIAÇÃO o Doença irressecável: quimioterapia paliativa e tratamento dos sintomas o Sobrevida em 5 anos: fator prognóstico mais importante do CA pancreático ressecado é o status linfonodal ▪ Linfonodo negativo: 30% ▪ Linfonodo positivo: 10% o Dor: opioides / bloqueio ou neurólise do plexo celíaco o Icterícia: Stent na área obstruída ou by-pass cirúrgico (colecistojejunostomia ou coledocojejunostomia) → CPRE + prótese; derivação BD o Obstrução gástrica: Stent duodenal endoscópico / gastroenteroanastomose → EDA com prótese; derivação BD by-pass OBS.: Indicações de drenagem da via biliar: bilirrubina >20 mg/dL; sinais de colangite; pacientes em que a cirurgia irá demorar mais de 2 semanas; pacientes sintomáticos com prurido e anorexia • COMPLICAÇÕES o Fístula: pancreática (mais comum) o Pseudoaneurisma de artéria esplênica: arteriografia + angioembolização o Sangramento: artéria gastroduodenal • SEGUIMENTO o Acompanhamento após TTO curativo ▪ Anos 1-2: anamnese, EF, CA 19-9 e CT tórax, abdome e pelve a cada 3-6 meses ▪ Anos 3-5: anamnese, EF, CA19-9 e CT tórax, abdome e pelve a cada 6-12 meses ▪ Após ano 5: individualizar acompanhamento 7 RACIOCÍNIO DE CIRURGIA – 2º SEMESTRE – GIOVANNNA VIDA CÂNCER GÁSTRICO ADENOCARCINOMA GÁSTRICO EPIDEMIOLOGIA E FATORES DE RISCO • 2022: Brasil → 6º em mulheres e 4º em homens • Mudança no perfil epidemiológico o Adenocarcinoma é o tipo de CA gástrico mais comum o Queda na incidência desde meados do século passado ▪ Modificações na dieta e melhor compreensão científica da nutrição ▪ Melhor conservação dos alimentos ▪ Melhores condições sanitárias o Erradicação do H. pylori o Destaque para os fatores genéticos • Fatores de risco externos (modificáveis) o H. pylori (cepa A): pangastrite → atrofia* → metaplasia* → displasia → câncer ▪ * lesões pré-neoplásicas o Nutricionais ▪ Alimentos ricos em sal, nitratos, defumados e conserva (nitrogenados) → liberação de aminas heterocíclicas ▪ Baixo consumo de frutas, fibras, proteínas e gorduras ▪ Obesidade o Gastrectomia (> 25 anos após) ▪ Gastrectomia parcial com reconstrução a Billroth II → gastrite por refluxo alcalino → metaplasia → câncer o Tabagismo (aumenta o risco de todos os CA do TGI) e álcool • Fatores individuais e genéticos (não modificáveis) o Fatores individuais ▪ Sexo masculino ▪ Idade > 55 anos ▪ Etnia oriental ▪ Gastrite atrófica autoimune / anemia perniciosa e metaplasia intestinal ▪ Doença de Menetrier ▪ Tipo sanguíneo A ▪ História familiar ▪ Genético: superprodução de ácido + super expressão IL-1B o Câncer gástrico genético ▪ Perda da E-caderina (mutações CDH1) ▪ Síndrome de Li Fraumeni (mutação da p53) o CA de cólon genético ▪ Polipose adenomatosa familiar (PAF) – mutação APC ▪ Síndrome de Lynch ▪ Síndrome de Peutz-Jeghers (mutação STK11/LKB1) APRESENTAÇÃO CLÍNICA • Sintomas ausentes ou inespecíficos • Diagnóstico costuma ser tardio • Predomina em homens acima dos 60 anos • Atenção para sinais de alarme, sinais clínicos de metástase e síndromes paraneoplásicas o Sinais de alarme ▪ Disfagia ▪ Impactação ▪ Anemia ▪ Sangramento ▪ Perda de peso ▪ Vômitos de repetição 8 RACIOCÍNIO DE CIRURGIA – 2º SEMESTRE – GIOVANNNA VIDA o Sinais clínicos de metástase ▪ Sinal de Troiser: palpação de linfonodo endurecido na fossa supraclavicurar esquerda ▪ Nodo de Virchow: linfonodo nessa topografia ▪ Ascite ▪ Sinal da Irmã Maria José:nodulação neoplásica ▪ Nodo de Irish (linfonodo na linha axilar anterior) ▪ Prateleira de Blumer ▪ Tumor de Krukenbert (tumor exofítico nos ovários) o Sinais de síndromes paraneoplásicas ▪ Acantose nigricans ▪ Trousseau ▪ Leser-Trélat (manchas acastanhadas no dorso que aparecem subitamente) INVESTIGAÇÃO E CLASSIFICAÇÕES • Paciente > 50 a 55 anos ou sinais de alarme ou baixa resposta ao IBP (dispepsia crônica) → endoscopia digestiva alta • EDA – classificações o Classificação japonesa de CaG precoce (independente do N) ▪ T1a: mucosa ▪ T1b: submucosa ▪ T2: muscular ▪ T3: subserosa ▪ T4a: serosa ▪ T4b: além da serosa; contiguidade o Classificação de Borrmann: aspecto macroscópico do tumor ▪ Borrmann I: lesão polipoide ou vegetante, bem delimitada ▪ Borrmann II: lesão ulcerada, bem delimitada, bordas elevadas ▪ Borrmann III: lesão ulcerada, infiltrativa em parte ou em todas as suas bordas ▪ Borrmann IV: lesão difusamente infiltrativa, limites imprecisos (linite plástica) o Classificação de Lauren → aspecto microscópico do tumor ▪ Intestinal: vem reduzindo sua incidência • Homem idoso: estômago distal • Forma glândulas bem diferenciadas • Lesões precursoras: atrofia gástrica e metaplasia intestinal • Fatores de risco: H. pylori e dieta • Fatores genéticos: PAF e Lynch / p53 • Disseminação hematogênica tardia • Prognóstico bom ▪ Difuso • Mulher jovem: estômago proximal • Não tem glândulas, é indiferenciado • Sem lesão precursora / células em “anel de sinete” • Fatores genéticos: mutação CDH1 (reduz E-caderina) / sangue A / p53 • Disseminação linfática / contiguidade • Péssimo prognóstico 9 RACIOCÍNIO DE CIRURGIA – 2º SEMESTRE – GIOVANNNA VIDA ESTADIAMENTO - TNM • Diagnóstico do adenocarcinoma gástrico: EDA com biópsias e confirmação histopatológica • TNM: define se a doença é confinada ou avançada (+50% dos casos), indicando tratamento curativo x paliativo • Componentes avaliados o T: grau de infiltração do tumor na parede gástrica o N: número de linfonodos regionais acometidos o M: presença de metástase à distância → • Critérios de ressecção endoscópica curativa → não vai precisar de estadiamento o Tumor bem diferenciado o Ausência de ulceração o Invade até mucosa o Menor do que 2 cm o Sem acometimento linfonodal o Ausência de invasão linfovascular 10 RACIOCÍNIO DE CIRURGIA – 2º SEMESTRE – GIOVANNNA VIDA • Métodos complementares o Metástase à distância (pulmões, fígado e ossos) → TC de tórax, abdome e pelve o Sistema linfático → PET-SCAN (TC com emissão de pósitrons) o Invasão locorregional → ecoendoscopia (US endoscópico) o Invasão da parede gástrica → ecoendoscopia (US endoscópico) o Ecoendoscopia (US endoscópico) ▪ Exame de maior acurácia para avaliar os componentes T e N no estômago o Laparoscopia diagnóstica ▪ Evidências de tumor com invasão profunda na parede gástrica e/ou linfonodo positivo, porém com incerteza sobre MTX peritonial → micrometástases no peritônico: pingo de vela TRATAMENTO CONFORME ESTADIAMENTO • Metástase ou invasão de estruturas irressecáveis → tratamento paliativo o QT intraperitoneal = HIPEC ▪ Terapia hipertérmica intraperitoneal ▪ Para carcinomatose peritoneal → QT paliativa ▪ Associar cirurgia citorredutora ▪ No CaG: sem benefício significativo se comparado à QT paliativa • Se não → proposta curativa (OBS.: TTO cirúrgico padrão: gastrectomia com linfadenectomia à D2) o CA gástrico precoce (T1) → invade mucosa (T1a) ou submucosa (T1b); mesmo que acometa linfonodos (N+) ▪ T1a; 2 cm; ulcerado; com linfonodos; indiferenciado → tratamento cirúrgico padrão • Risco – TTO cirúrgico padrão o Baixo risco: T1b, T2; sem linfonodos; bem diferenciado → cirurgia exclusiva o Alto risco T3, T4; linfonodos (N+); indiferenciado; “linitis plástica”; “anel de sinete” → terapia neoadjuvante, QT pré-operatória ▪ Terapia neoadjuvante • Neoadjuvância com uso de FLOT (5 fluorouracil + oxaliplatina + leucovorin + taxano) • Aumenta possibilidade de ressecção curativa • Elimina disseminação precoce da doença • Permite avaliação in vivo da resposta ao TTO • Paciente obstruído e/ou sangramento = provavelmente não tolerará neo • Extensão da gastrectomia o Tumores do estômago distal → gastrectomia subtotal + linfadenectomia à D2 o Tumores do estômago proximal → gastrectomia total + linfadenectomia à D2 o OBS.: total → Y de Roux; subtotal → Billroth II ou Y de Roux (preferência) • Extensão da linfadenectomia à D2 → ressecar, no mínimo, 15 linfonodos 11 RACIOCÍNIO DE CIRURGIA – 2º SEMESTRE – GIOVANNNA VIDA TUMOR ESTROMAL GASTROINTESTINAL (GIST) ETIOPATOGENIA • Tumor estromal (tecido conjuntivo) → subepitelial • Células intersticiais de Cajal (envolvidas na peristalse) → neoplasia mesenquimal plano submucoso (tumor não epitelial) • Mutação no cromossoma 4 → proto-oncogene c-KIT (CD117) • Estômago (40 a 60%; melhor prognóstico); delgado (30%) e cólon (15%) → pior prognóstico APRESENTAÇÃO CLÍNICA • Mesma distribuição entre os sexos, após 40-50 anos • 70% dos casos são assintomáticos e indolentes • Lesões grandes: dor abdominal, anemia e sangramento • Lesões muito grandes: ruptura para cavidade • Agressivos em 30% dos casos: MTX para fígado e peritônio (contiguidade) → não se dissemina pelo sistema linfático DIAGNÓSTICO • Identificados ao acaso durante EDA → abaulamento da mucosa • Diagnóstico definitivo: ecoendoscopia com punção (US endoscópico) o Histopatológico: células fusiformes o Imuno-histoquímica: marcadores CD117, PKC-Theta, DOG-1, CD34 e PDGF-RA ▪ PDGF-RA (receptor alfa do fator de crescimento derivado de plaquetas): associado ao GIST hereditário (autossômico dominante) ESTADIAMENTO • Localização da lesão o Estômago: comportamento benigno em 70% dos casos o Delgado, cólon e outros sítios: comportamento maligno em 50 a 70% dos casos • Qualquer GIST fora do estômago é cirúrgico • TC: avaliar MTX hepática e peritoneal 12 RACIOCÍNIO DE CIRURGIA – 2º SEMESTRE – GIOVANNNA VIDA TRATAMENTO • Tratamento cirúrgico: indicado para lesão > 3 cm ou mitoses > 5/50 c.g.a. • Ressecção cirúrgica o Excisão da lesão (ressecção “em cunha”) o Lesões gigantes na grande curvatura → gastrectomia • Cuidado na manipulação cirúrgica • Tumores c-KIT + avançados ou metastáticos: mesilato de imatinibe (inibidor dos receptores da tirosina-quinase) LINFOMAS GÁSTRICOS • TGI é o principal sítio extranodal dos linfomas, quase 80% deles no estômago • Linfoma MALT → predomina em áreas de alta prevalência de H. pylori o Mucosa Associated Lymphoid Tissue o Linfoma não-Hodgkin de pequenas células B associado às mucosas o Tem relação com H. pylori • Linfoma difuso de grandes células B o Pode surgir espontaneamente ou a partir do MALT o Alto grau, com maior potencial de disseminação o Não tem relação com H. pylori LINFOMA MALT • Apresentação clínica o Linfoma indolente (baixo grau) o H. pylori estimula a doença em 80% dos casos o Maior prevalência em homens após 50 a 60 anos o Translocação cromossômica t(11;18) – MALT1 o Sintomas: epigastralgia (90%), anorexia (50%) e perda de peso (20%) o Sintomas “B” são raros • Diagnóstico: EDA com biópsias o Histopatológico: pequenas células linfoepiteliais atípicas o Imuno-histoquímica: CD9+, CD20+, CD22+ (baixa expressão do Ki-67) o Avaliar a profundidade da lesão: ecoendoscopia o Lesão infiltrativa = tomografia (para investigar disseminação) • Tratamento o Erradicação da H. pylori: remissão em 80% dos casos o Refratários à erradicação da bactéria: radioterapia isolada ou associada a QT o Casos disseminados ou complicados: QT (rituximabe) 13 RACIOCÍNIO DE CIRURGIA – 2º SEMESTRE – GIOVANNNA VIDA CÂNCER DE ESÔFAGOEPIDEMIOLOGIA • 2020 – Brasil: homens (6º CA mais incidente e 5º em mortalidade) • Carcinoma escamoso x Adenocarcinoma o Sinônimos do carcinoma escamoso: escamocelular, espinocelular, epidermoide, “CEC” o Carcinoma escamoso ▪ Tumor que surge do epitélio nativo do esôfago ▪ Mais prevalente no Brasil e no mundo, porém em queda o Adenocarcinoma ▪ Surge de glândulas (metaplasia intestinal → epitélio modificado) ▪ Prevalece nos países desenvolvidos e em crescimento mundial FATORES DE RISCO - CEC • Tabagismo e etilismo em grande volume • Acalásia • Lesão por HPV • Tumores de cabeça e pescoço • Ingestão cáustica • Irradicação prévia • Hábito de bebidas > 64°C (sul do Brasil) • Tilose palmoplantar → síndrome de Howel-Evans • Síndrome de Plummer-Vinson ou Paterson-Kelly (anemia ferropriva + disfagia por membrana no esôfago) • OBS.: refluxo NÃO é fator de risco para CEC LOCALIZAÇÃO – CEC • Esôfago cervical 5% • Esôfago torácico superior 15% • Esôfago torácico médio 50% • Esôfago torácico distal 30% • Quando invadem podem acometer: árvore respiratória, grandes vasos e linfonodos mediastinais RESUMO – CEC • Home, negro, > 60 anos • Tabagismo e etilismo • Terço médio do esôfago • Baixo consumo de fibras, frutas, folato, retinol (vit. A) e riboflavina (vit. B2) • Acalasia, irradiação prévia, ingestão cáustica, tumores de cabeça e pescoço, HPV, tilose, sd. De Plummer-Vinson FATORES DE RISCO – ADENOCARCINOMA • DRGE → esôfago de Barrett → displasia → adenocarcinoma • Obesidade • Tabagismo • Cor branca • Sintomas persistentes > de 5 anos LOCALIZAÇÃO – ADENOCARCINOMA • Esôfago distal 85% (últimos 5 cm do esôfago) • Disseminação: pericárdio, diafragma, peritônio e linfonodos abdominais RESUMO – ADENOCARCINOMA • Home, branco, > 40 anos • DRGE, Barrett, obesidade e tabagismo • Esôfago distal e JEG 14 RACIOCÍNIO DE CIRURGIA – 2º SEMESTRE – GIOVANNNA VIDA • Alto consumo de gorduras, proteína animal e nitrosaminas • Acalásia (minoria dos casos) QUADRO CLÍNICO • Assintomático em fases iniciais • Maioria tem diagnóstico já em fases avançadas • Disfagia rapidamente progressiva (obstrução > 60%) - 40 anos com disfagia ou sintomas esofágicos crônicos • Sem acesso a EDA → esofagograma baritado (sinal da “maça mordida”) ESTADIAMENTO E TRATAMENTO • Metástase, invasão e linfonodos → tomografia e PET-SCAN • Infiltração na parede e linfonodos → ecoendoscopia (exame de maior acurácia para avaliar os componentes T e N no esôfago) • T4a (PPPD) → ressecável • T4b → irressecável • Descartar invasão de vias aéreas o Tumores de esôfago cervical → videolaringoscopia o Tumores de esôfago torácico → broncoscopia • Metástase (M1) ou invasão de estruturas irressecáveis (T4b – aorta, via aérea e coluna vertebral) + linfonodomegalia não regional → tratamento paliativo o Quimio e radioterapia paliativas o Tratamentos endoscópicos ▪ Dilatação endoscópica ▪ Prótese metálica transtumoral (estenose e fístulas) → manter patente a luz e reduzir débito de fístulas ▪ Terapia fotodinâmica ▪ Laser (neodímio-ítrio-alumínio-grana – Nd:YAG) o Dietas líquidas ou pastosas; nutrição enteral • Sem metástase e invasão → proposta curativa → ecoendoscopia o CA de esôfago precoce ▪ Tumor na mucosa (T1a) e até submucosa (T1b) ▪ Sem acometer linfonodos (N0) ▪ T1a, 2 cm, ulcerado, pouco diferenciado ou invasão linfovascular → tratamento cirúrgico o CA de esôfago avançado ▪ T2 em diante ▪ Acomete linfonodos (N+) ▪ TTO: cirurgia (esofagectomia com linfadenectomia) 15 RACIOCÍNIO DE CIRURGIA – 2º SEMESTRE – GIOVANNNA VIDA ▪ T2 > 2 cm, ulcerado ou indiferenciado / tumores de esôfago cervical / linfonodo + / T3 ou T4 → tratamento neoadjuvante → cirurgia ▪ CA escamoso pode regredir totalmente com TTO neoadjuvante o Tratamento curativo ▪ Tumores de esôfago cervical • Escamosos: respondem bem a QT e RT • Tentar terapia neoadjuvante • Até 25% entram em remissão ▪ Tumores de esôfago torácico • Terapia neoadjuvante (T3, T4, N+, alto risco) • Cirurgia padrão: esofagectomia total com linfadenectomia mediastinal ▪ Tumores de esôfago distal / JEC • Adenocarcinoma: responde menos QT e RT • Terapia neoadjuvante + cirurgia • Seguir classificação de Siewert o Transtorácico: maior morbimortalidade, menor recidiva o Transhiatal: menor morbimortalidade, maior recidiva o Tipo 1 (adenocarcinoma de esôfago distal): acesso torácico com esofagectomia total + linfadenectomia torácica estendida o Tipo 2 (verdadeiro carcinoma da cárdia): preferir via torácica: esofagectomia total + gastrectomia D2 + linfadenectomia torácica o Tipo 3 (carcinoma gástrico subcárdico): gastrectomia total à D2 + esofagectomia distal + linfadenectomia esofágica distal • Tipos de esofagectomia o Mais realizada: em 3 campos de Mc Keown ▪ Toracotomia direita + laparotomia supraumbilical mediana com anastomose cervical à esquerda ▪ Maior morbidade com menor recidiva o Esofagectomia transhiatal com anastomose cervical ▪ Via abdominal – laparotomia ou laparoscopia ▪ Menor morbidade, maior recidiva e menor ressecção linfonodal o Esofagectomia transtorácica à Ivor-Lewis ▪ Laparotomia + toracotomia direita + anastomose intratorácica ▪ Maior risco de mediastinite, todavia sem fístula cervical • Tratamento – resumo o Restrito à mucosa (T1a) N0 = ESD o Restrito à submucosa (T1b) N0 = esofagectomia upfront o Outros ressecáveis (T3 e T4a ou N+) = neoadjuvância ▪ Protocolo Cross: melhor resposta em CEC • Carboplatina + paclitaxel + 41.4 Gy por 5 semanas • Cirurgia após 5 semanas do término ▪ Protocolo Magic Trial: adenocarcinoma de TEG • Flot neoadjuvante sem RT • Lembrar: sempre após neo → cirurgia (esofagectomia com linfadenectomia; reconstrução do tubo gástrico) 16 RACIOCÍNIO DE CIRURGIA – 2º SEMESTRE – GIOVANNNA VIDA HEPATOCARCINOMA CARCINOMA HEPATOCELULAR • Tumor primário maligno do fígado mais frequente • Distribuição mundial heterogênea → segue a distribuição da hepatite B • Incidência está aumentando • Predominante em homens (60-70 anos) • Tumor silencioso e, muitas vezes, agressivo • Principal fator de risco: cirrose hepática • Hepatite B é fator de risco independente da presença de fibrose avançada e cirrose FATORES DE RISCO • Cirrose hepática • Hepatite B o Fatores associados ao HBV e risco de CHC: cirrose, alta viremia, HBeAg positivo, sexo masculino, doença de longa duração, etilismo, tabagismo, coinfecção com hepatite C ou D ou HIV e história familiar de CHC • Hepatite C (depende da presença de fibrose avançada e cirrose) • Outros fatores de risco: doença hepática gordurosa não alcoólica, doença hepática alcoólica, hemocromatose, colangite biliar primária e aflatoxina (Aspergillus) MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS • Maioria: assintomáticos • Dor abdominal, emagrecimento e icterícia • Descompensação hepática → encefalopatia, ascite RASTREAMENTO • Em quem? Todo paciente com fator de risco para CHC (especialmente pacientes com cirrose hepática de qualquer etiologia e hepatite B crônica) • Como? Ultrassonografia de abdome + dosagem de alfafetoproteína sérica • Periodicidade? A cada 6 meses DIAGNÓSTICO • TC ou RM com contraste venoso e estudo dinâmico (trifásico) o Hipercaptação de contraste na fase arterial (realce em fase arterial da infusão de contraste) o Wash-out (lavagem) precoce nas fases portal e tardia ou de equilíbrio o Hipervascularizados; minoria é hipovascular; hipodenso na maioria • Alfafetoproteína (pode estar normal) • Biópsia raramente é indicada (dúvidadiagnóstica) • Exames complementares o Alfafetoproteína (AFP) ▪ Principal marcador tumoral ▪ Proteína oncofetal produzida no fígado ▪ Elevada no hepatocarcinoma em 70-90% dos casos ▪ Aumentada em metástases, tumores de testículos, ovários, gestação ▪ AFP > 20 ng/ml em cirrótico = investigar ▪ AFP > 400 ng/ml em cirrótico = altamente específico para CHC o Ultrassonografia ▪ Seguimento em pacientes de risco ▪ Sensibilidade de 65-80% com especificidade >90% ▪ Ao doppler, padrão de vascularização arterial em nódulos suspeitos ▪ Ampla disponibilidade e baixo custo 17 RACIOCÍNIO DE CIRURGIA – 2º SEMESTRE – GIOVANNNA VIDA ESTADIAMENTO (BCLC) E TRATAMENTO • Exames o Laboratorial ▪ Hepatograma ▪ Hemograma ▪ Plaquetas ▪ Função renal ▪ AFP ▪ Sorologias para hepatites virais o TC de tórax e abdome o EDA o Av. hipertensão portal o Cintilografia óssea • Decisão terapêutica se baseia o Função hepática de base o Presença de hipertensão portal o Estadiamento tumoral o Performance status do paciente • Contraindica ressecção com aumento de mortalidade o Hipertensão portal (pressão portal > 10 mmHg e/ou gradiente de pressão v. porta – v. cava inferior > 6 mmHg) o Clínico-laboratoriais (esplenomegalia, plaquetopenia 10; Child B-C; múltiplos segmentos distintos ▪ Transplante hepático ▪ Injeção de etanol ▪ Radioablação o Tratamentos paliativos ▪ Quimioembolização transarterial (TACE) ▪ Terapia sistêmica – Sorafenibe • Tratamento cirúrgico curativo → Child A + MELD 2cm FP > 400 ng/ml + 1 imagem* ou 2 imagens* CHC 20 ng/ml CT abdome AFP normal Rastreamento USG + AFP 6/6m 18 RACIOCÍNIO DE CIRURGIA – 2º SEMESTRE – GIOVANNNA VIDA • Tratamento: injeção de etanol e radioablação (ablação por radiofrequência – microwave) → induz necrose do tumor o Tumores 10 • MELD Score = 3.78 x log (bilirrubina) + 11.2 x log (INR) + 9.57 x log (creatinina) + 6.43 INDICAÇÕES ESPECIAIS DE TRANSPLANTE • CHC • Sd. Hepatopulmonar • Encefalopatia persistente • Ascite refratária • Colangite de repetição • Polineuropatia amiloidótica familiar • Doença policística extensa URGÊNCIA DO TRANSPLANTE • Hepatite fulminante • Disfunção primária do enxerto • Trombose da artéria hepática do enxerto METÁSTASES HEPÁTICAS • Tumor maligno do fígado mais frequente • CA colorretal é o sítio primário mais comum • Há possibilidade de ressecção em metástases de tumores colorretais, geniturinários e neuroendócrinos do íleo • Geralmente são lesões hipovasculares 20 RACIOCÍNIO DE CIRURGIA – 2º SEMESTRE – GIOVANNNA VIDA CÂNCER DE CÓLON PÓLIPOS CONCEITOS BÁSICOS • Pólipo intestinal: massa ou estrutura que se projeta no lúmen do intestino a partir da parede intestinal CLASSIFICAÇÃO • Pólipo sésseis (base larga e menor projeção) x Pólipos pedunculados (base estreita e maior projeção) • Pólipos neoplásicos x Pólipos não neoplásicos o Não neoplásico → benigno ▪ Hiperplásico: mais comum; 75% de componente tubular; menos atipias; menor malignização • Tubuloviloso (10-25%): mistura; taxa intermediária de malignização • Viloso (5-10%): >75% de componente viloso; mais atipias; maior malignização ▪ Adenoma avançado: adenoma viloso; displasia de alto grau; > 1 cm SEQUÊNCIA ADENOMA-CARCINOMA • Mutação do gene APC • Ativação do K-RAS • Mutação do gene DCC • Mutação do gene p53 CLASSIFICAÇÃO DE HAGGITT • Classifica o grau de penetração de um adenocarcinoma no pólipo • Carcinoma invasivo: células malignas se estendem através da muscular da mucosa do pólipo SÍNDROMES HEREDITÁRIAS QUE PREDISPÔEM AO CCR • Síndromes de polipose adenomatosa familiar o Classificação ▪ Polipose adenomatosa familiar • PAF clássica • PAF atenuada: 10 a 99 pólipos adenomatosos; surge mais tardiamente; mais proximal • SD Gardner: tumores extraintestinais benignos + anormalidades dentárias • SD Turcot: tumores do SNC (meduloblastoma) ▪ Polipose associada ao MUTYH o Polipose adenomatosa familiar ▪ Autossômica D / mutação do gene APC / centenas a milhares de adenomas TGI ▪ Hipertrofia congênita do epitélio retiniano 21 RACIOCÍNIO DE CIRURGIA – 2º SEMESTRE – GIOVANNNA VIDA ▪ Ostemas / tumores desmoides / dentes supranmerários ▪ Risco 100% de evoluir com CA colorretal → proctocolectomia com anastomose ileoanal (adolescência / início da terceira década) • Síndromes de polipose hamartomatosa familiar o Síndromes PTEN-hamartoma ▪ SD Cowden ▪ SD Bannayan-Riley-Ruvalcaba o Polipose juvenil familiar o SD Peutz-Jeghers (máculas hipercrômicas na cavidade oral, lábios e extremidades) • Câncer colorretal hereditário não-poliposo (SD Lynch) o Autossômica dominante → mutação nos genes de reparo (MLH1, MSH2, PMS2) o Instabilidade de microssatélites o Não há múltiplos pólipos no TGI o CCR (10-47%) mais comum à direita / CA de endométrio CÂNCER COLORRETAL EPIDEMIOLOGIA • 2020 – Brasil: homens (3º) e mulheres (2º) – excluindo-se CA de pele não melanoma • Neoplasia do TGI mais incidente no Brasil e no mundo • Mais comum em idosos, homens e países desenvolvidos • Incidência crescente em > 50 anos • 70-80% esporádica; 20-30% hereditário FATORES DE RISCO • Idade • Homens • Etilismo e tabagismo • Obesidade • Afro-americanos • Carne vermelha • História pessoal; história familiar • Colecistectomia; radioterapia abdominopélvica • DII; DM; fibrose cística • Transplante renal • Pólipos adenomatosos; pólipos > 1 cm; pólipos de alto grau (adenoma viloso) • Síndromeshereditárias • Bloqueio androgênico • Acromegalia FATORES DE PROTEÇÃO • Dieta (fibras, frutas e vegetais) e alho • Vitaminas D e B6 • Magnésio, cálcio e ômega 3 • Atividade física • AINEs, AAS, estatinas, ácido fólico, bifosfonados, inibidores da angiotensina II, terapia de reposição hormonal e ACO MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS • Alteração do hábito intestinal • Sangramento via retal o Hematoquezia: sangue vivo; esquerda e próximo do ânus o Melena: sangue digerido; à direita • Dor abdominal (esquerda) • Anemia ferropriva • Perda de peso 22 RACIOCÍNIO DE CIRURGIA – 2º SEMESTRE – GIOVANNNA VIDA • Massa abdominal palpável • Tumor retal: tenesmo, dor retal, redução do calibre fecal (fezes em fita) RASTREAMENTO • Neoplasia rastreável: prevenção secundária • Fatores que influenciam no rastreio do CCR o Idade do paciente o Síndromes hereditárias associadas a CCR o História familiar ou pessoal de CCR o Presença de pólipos adenomatosos ou serrilhados o Doença inflamatória intestinal o Exposição à radioterapia abdominal • População de risco médio (“average-risk”) o MS: 50-75 anos o População normal: ▪ Idade de início 50 anos ▪ Colonoscopia a cada 10 anos ▪ Sangue oculto nas fezes anual • História familiar de CCR o CCR ou adenoma avançado em parente de 1º grau ≥ 60 anos ▪ Início com 40 anos ▪ Colono 10/10 anos ▪ PSO anual o CCR ou adenoma avançado em 2 parentes de 1º grau ▪ Início com 40 anos ou 10 anos antes do caso mais jovem ▪ Colono 5/5 anos ▪ PSO anual o CCR ou adenoma avançado em parente de 1º grau