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TAXONOMIA E SISTEMÁTICA DOS
SERES VIVOS
Prof. Dr. Klebson Daniel Sodré
1 - Conceitos e princípios de sistemática e evidências
taxonômicas;
2 - Histórico dos sistemas de classificação e nomenclatura
científica;
3 - Escolas sistemáticas: sistemática tradicional, fenética,
gradista e filogenética;
4 - Classificação biológica e categorias taxonômicas: sistema de
hierarquia, categorias inferior e superior, conceitos de espécie;
5 - Conceituação e nomenclatura normatizada de espécie e
demais níveis da hierarquia taxonômica;
6 - Organização de coleções zoológicas e herbários, coleta e
preservação de material biológico.
O Homo sapiens sapiens, trás consigo uma característica
comportamental marcante, que a capacidade de
organizar ou agrupar objetos ou qualquer coisa que lhe
tenha algum tipo de utilidade prática. Quase sempre por
tentativa e erro, os Homenídeos foram capazes de criar e
manipular objetos se relacionando com o meio ambiente
de uma forma que alteraria seu próprio percurso
evolutivo.
A “criatividade” em organizar materiais úteis, e criar
utensílios a partir de objetos encontrados na natureza,
nos diferenciou de outros grupos de mamíferos.
A vida em grupo não era uma exclusividade dos
hominídeos, mas a divisão do trabalho e a hierarquia
social e outros comportamentos de sobrevivência foram
decisivos para aguçar a criatividade e sagacidade ante aos
perigos diários na luta pela sobrevivência.
Organizar os objetos por sua utilidade, ou “catalogar”
plantas, semente, frutos e líquidos em “fazem mau” e
“não fazem mau”, ou ainda, conhecer e posteriormente
identificar animais venenosos ou peçonhentos, era uma
questão de sobrevivência para a população.
É muito provável que essa criatividade ou sagacidade em
organizar, criar, passar a informação para as gerações
subsequentes tenha sido uma das responsáveis diretas do
aumento exponencial do volume do cérebro entre os
hominídeos.
Aumento
proporcional do
volume do
cérebro ao longo
da trajetória
evolutiva entre
os hominídeos.
As primeiras classificações biológicas, consideradas
racionais, surgiram na Grécia antiga (384 – 322 a.C.), as
quais formaram a base da classificação biológica atual.
Sabe-se que umas das primeiras classificações gregas
realizada pelo filosofo Aristóteles, agrupavam os animais
de acordo com o seu ambiente (aquáticos, terrestres e
aéreos) e as plantas de acordo com seu porte (ervas,
arbustos e árvores)
PLATONISMO – IDEALISMO
A FORMA, O IDEAL – ESSÊNCIA ETERNA E IMUTÁVEL
- Influenciou a Teologia Cristã – Perfeição Divina
- Os seres vivos seriam cópias imperfeitas do ser “ideal”
- Scala Naturae
- Forma fixas
- Teologia Natural (Linnaeus) – Systema Naturae
- Interpretação literal da bíblia cristã
- As espécies seriam imutáveis – FORMA E ESSÊNCIA FIXAS
Ainda no século IV, Santo Agostinho, classificou os
animais em úteis, nocivos e indiferente a
humanidade, atribuído a utilidade ao homem como
critério de classificação.
A partir do século XIV, XV e XVI os estudiosos
começaram a sentir necessidade que organizar os
seres vivos em categorias de acordo com
características naturais. Daí então, começou surgir
um tipo classificação chamada classificação
natural, pois levava em consideração as
características biológicas dos seres vivos, tais como:
estrutura corporal, funções orgânicas e hábitos.
“Deus criou e Linneu organizou”
Tudo começou em 1735 com a publicação da obra Systema
Naturae. O pequeno artigo de 11 páginas, propondo um
sistema de classificação para os seres vivos, foi reeditado
várias vezes ao longo de 23 anos.
Ao longo de sua carreira, Linneu publicou 60 livros e cerca de
300 artigos científicos, assim com, incentivou dezenas de
alunos a continuar seu trabalho em diferentes partes do
mundo.
Existem duas razões importantes que fazem o sistema de
classificação de Linneu, ser reconhecido e utilizado até hoje.
- O uso de características estruturais naturais para
classificar as espécies;
- Um sistema de agrupamento hierárquico, capaz de dar
nome e sobrenome as espécies.
Foi Linneu que atribui o nome Homo sapiens à nossa
espécie, e se tornou um grande nome para a ciência por
conta de suas várias obras identificando espécies que levam
seu nome até hoje.
Scala Naturae
- Organização em níveis de
“complexidade”
- Progressão em direção a “perfeição”
- Ser ideal – perfeito
- Ser humano no topo da organização
terrena
Como seus antecessores e contemporâneos, Linneu,
acreditava que o número de espécies existentes era o mesmo
da época da Criação, ou seja, para ele as espécies eram fixas e
imutáveis.
Foi a teoria evolutiva que introduziu na “taxonomia”, a
dimensão temporal que explica a origem da diversidade dos
organismos, calibrando o princípio básico da classificação em
termos evolutivos.
O curioso é que a configuração geral dos grupos de seres vivos
da classificação lineana não sofreu alterações significativas
quando da introdução do pensamento evolutivo.
Lineu concluiu que características estruturais e
anatômicas eram mais adequadas para agrupar os seres
vivos.
Além disso, um dos grandes méritos de Lineu, foi
associar à classificação natural dos seres, um sistema
bem planejado, no qual foi possível dar nomes, ou seja,
uma nomenclatura biológica. O Sistema Binomial.
GÉNERO + epíteto específico
Lineu elegeu a categoria espécie como uma categoria
basal, onde agrupava indivíduos que possuíam as
características mais semelhantes possível entre si. A
segunda categoria seria o gênero, a qual incluía grupos
de espécies; logo acima de gênero estaria a categoria
família, a qual incluía grupos de gêneros; grupos de
famílias foram agrupadas na categoria ordem.
Atualmente, além dessas quatro categorias criadas por
Lineu, as ordens foram agrupadas em classes, as classes
reunidas em filos e os filos reunidos em reinos, mais três
Domínios.
Classificação dos Seres Vivos
REINO
FILO
CLASSE
ORDEM
FAMÍLIA
GÊNERO
ESPÉCIE
Esse tipo de nomenclatura ainda sugeriria um certo grau
de parentesco, uma vez que os seres vivos agrupados em
um mesmo gênero eram muitos semelhantes entre si,
mostrando que possivelmente, teriam um parente
comum.
Durante anos, Lineu trabalhou para aprimorar seu
sistema de classificação, e tal esforço lhe rendeu dez
edições de livros que classificavam animais e plantas em
grupos desde os mais semelhantes até os mais genéricos
constituindo a base de toda a sistemática existente.
•Systema naturae (1735)
•Fundamenta botanica (1736)
•Flora lapponica (1737)
•Genera plantarum (1735-1737)
•Hortus Cliffortianus (1737)
•Flora Suecica (1745)
•Fauna Suecica (1746)
•Philosophia botanica (1751)
•Species plantarum (1753)
•Clavis medicinae
duplex (1766)
•Mundus invisibilis (1767)
https://pt.wikipedia.org/wiki/Systema_naturae
https://pt.wikipedia.org/wiki/Fundamenta_botanica
https://pt.wikipedia.org/wiki/Flora_lapponica
https://pt.wikipedia.org/wiki/Genera_plantarum
https://pt.wikipedia.org/wiki/Hortus_Cliffortianus
https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Flora_Suecica&action=edit&redlink=1
https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Fauna_Suecica&action=edit&redlink=1
https://pt.wikipedia.org/wiki/Philosophia_botanica
https://pt.wikipedia.org/wiki/Species_plantarum
https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Clavis_medicinae_duplex&action=edit&redlink=1
https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Mundus_invisibilis&action=edit&redlink=1
Para Linneu, parecia óbvio demonstrar o que é uma
ESPÉCIE, pois segundo ele, as características dos
indivíduos são claras e particulares, tal qual como fora
criados por ato divino.
Mas... O que é uma ESPÉCIE BIOLÓGICA?
Um passo importante para aprimorar o conceito de espécie
biológica, foi a inclusão do critério de isolamento reprodutivo
em sua definição. Assim, além de apresentar características
semelhantes, os indivíduos de uma mesma espécie devem se
capazes de se encontrar, de se reconhecer, cruzar e produzir
descendentesférteis em condições naturais (sem qualquer
interferência humana). É necessário dar ênfase ao fato que
tem que ser em condições naturais.
Espécie biológica
SE ENCONTRAREM em condições naturais, exige que
grupos de indivíduos de uma mesma população ou de
populações diferentes da mesma espécie ou até de
espécies próximas (geneticamente) se encontrem
dentro de um determinando espaço e período
reprodutivo .
SE RECONHECEREM em condições naturais, exige que
grupos de indivíduos de uma mesma população ou de
populações diferentes da mesma espécie ou até de
espécies próximas (geneticamente) se reconheçam
como pares sexuais, consideram ritos de coorte, cheiros,
atrativos físicos ou caraterísticas fenotípicas específicas
e etc.
CRUZAR E PRODUZIR DESCENTES FÉRTEIS. Existem
casos que, mesmo que indivíduos evolutivamente muito
próximos podem se encontrar se reconhecer, e cruzar,
mas seus descendentes apresentam a condição de
infertilidade, por incompatibilidade cromossômica.
Existem casos de cruzamento entre espécies que na
natureza são isoladas, mas que em cativeiro
conseguiram gerar descendentes férteis (tigre).
Quando todas essas condições acontecerem em
condições naturais (sem interferência humana),
podemos dizer que um determinado grupo de
indivíduos pertence a mesma espécie.
Um conceito bem aceito, apesar das limitações
citadas é: Espécie, é um grupo de indivíduos capazes
de cruzar entre si e produzir descendentes férteis,
em condições naturais, estando reprodutivamente
isolados de indivíduos de outras espécies.
Ainda assim, esse conceito só serve para organismos que
possuem reprodução sexuada. Além disso, existem
espécies morfologicamente idênticas (espécies
crípticas), cujas as diferenças só são detectáveis quando é
feito estudo sobre sua ecologia, morfologia, ciclo de vida,
além de aspectos genéticos e bioquímicos.
O Sistema de Classificação Biológico
O sistema de classificação e nomenclatura idealizado
por Linneu é utilizado até hoje, apesar de muitos de
seus fundamentos não condizerem com o atual
entendimentos sobre a dinâmica evolutiva das espécies.
Contudo, as hierarquias propostas por em seus
trabalhos ainda são muito utilizadas, bem como, seus
sistema de nomenclatura, e até mesmo a exclusiva
utilização de características fenotípicas para agrupar os
seres vivos.
Aristóteles (IV a.C.) começou a observar e estudar as
mais diversas formas de vida. Descobriu muitas coisas
que foram fonte de pesquisa durante séculos. Observou,
dividiu e classificou os animais “com sangue” e “sem
sangue”. Percebeu a presença de órgãos análogos e
homólogos e observou a adaptação evolutiva dos
animais e vegetais.
Os dois reinos de Aristóteles.
Na Idade Média, Alberto Magno escreveu documentos
sobre observações de plantas e animais, e, no século XIV,
diversos cientistas começaram a fazer dissecações em
cadáveres humanos, o que fez a anatomia humana
progredir consideravelmente.
Até o século XVII, os pesquisadores estudavam apenas os
seres vivos visíveis a olho nu. As áreas mais estudadas eram
Zoologia (estudo dos animais) e Botânica (estudo das
plantas).
Em meados do século XVII começam alguns estudos com
células. Este avanço foi possível com o aperfeiçoamento do
microscópio, feito pelo cientista inglês Robert Hooke.
Em 1650, com a descoberta do microscópio por Antony van
Leeuwenhoek, os cientistas e curiosos puderam aprofundar
mais seus estudos na biologia.
Em 1735, Lineu, baseado nas semelhanças morfológicas de
plantas e de animais, criou o sistema taxonômico e a
nomenclatura dos seres vivos, que é utilizado até hoje,
mas com algumas modificações.
Em 1809, Lamarck deu um passo à frente quando publicou
um livro sobre a evolução das espécies, e em 1859, Charles
Darwin, também evolucionista, publicou um livro sobre a
origem das espécies, que é aceita até hoje como explicação
para a evolução das espécies.
No século XIX, ocorre um grande avanço na Biologia, que
passa a ser uma ciência organizada e sistematizada. Vários
pesquisadores fazem viagens para várias regiões do mundo
para expandir os conhecimentos e conhecer e catalogar novas
espécies de animais e plantas. Nesta época também ocorrem
muitos avanços importantes no estudo de fósseis e na área de
Geologia.
Em 1866, Gregor Johan Mendel, em experimentos com
ervilhas, descobriu a hereditariedade, e hoje é considerado
o pai da genética.
Com a descoberta do microscópio eletrônico, várias
estruturas celulares até então desconhecidas passaram a ser
estudadas, e Watson e Crick tiveram a oportunidade de
descobrir sobre a dupla hélice do DNA e o código
genético.
O desenvolvimento da biologia na primeira metade do
século XX revelou a necessidade de separar os seres
vivos em novos reinos. Em 1867, o biólogo Ernest
Haeckel propôs que os protistas (organismos
unicelulares) tivessem um reino próprio.
Em 1937, o biólogo francês Edouard Chatton, chamou a
atenção para o fato que as bactérias possuíam células
desprovidas de membrana nuclear, diferente de todos
os outros seres vivos.
Na década de 1960, Herbert F. Copeland, sugeriu a
divisão dos seres vivos em quatro reinos: Animália,
Plantae, Protista e Monera. Já em 1969, o biólogo norte-
americano Robert H. Whittaker, reconheceu e ampliou
as propostas de Copeland, sugerindo a divisão em cinco
reinos, colocando os fungos em um reino próprio.
Em 1969, Robert Whittaker distinguiu a estrutura dos
fungos, separando-os em um reino próprio. Estava,
então, descrito os cinco grandes reinos biológicos que
até hoje conhecemos.
Outras classificações, baseadas em observações de
bactérias mais primitivas, propõem a divisão dos
seres vivos em três grandes domínios: Bactéria,
Arquea e Eukarya, sendo este último subdividido em
oito reinos, incluindo quatros propostos por
Whittaker.
Segundo o sistema de nomenclatura binomial, os nomes
dos organismos devem ser:
- Escritos em latim ou serem latinizados, e devem
sempre ser destacados no texto onde aparecem, sendo
impresso em itálico ou grifados;
- Primeira letra do nome do gênero deve ser sempre
maiúscula e o nome da espécie com letra minúscula;
- Ao ser escrito pela primeira vez num texto, o nome
científico deve ser escrito por completo (gênero e
espécie), as demais vezes, o nome do gênero pode ser
abreviada.
- Aceita-se ainda os prefixos, super e supra para indicar
reuniões ou subdivisões de categorias.
Domínio
Reino
Filo
Classe
Subclasse
Superordem
Ordem
Subordem
Superfamília
Família
Subfamília
Tribo
Gênero
Subgênero
Espécie
Subespécie
As subespécies têm um nome composto por três
nomes, ou seja, um trinome, colocados pela seguinte
ordem: nome genérico, descritor específico e descritor
subespecífico.
Ex: Passer domesticus niloticus (o pardal encontrado
tipicamente no Vale do Rio Nilo, na África).
Todos os táxons hierarquicamente superiores à
espécie tem nomes compostos por uma única palavra,
ou seja um "nome uninominal".
A abreviatura "sp." (zoologia) é usada quando o nome
da espécie não pode ou não interessa ser explicitado.
A abreviatura "spp." (plural) indica "várias espécies".
Por exemplo: "Canis sp." significa "uma espécie do
gênero” Canis, enquanto que “Canis spp." significa
“várias espécies do gênero Canis”.
Facilmente confundível com a anterior são as
abreviaturas "ssp." (zoologia), que indicam uma
subespécie não especificada.
As abreviaturas "sspp." indicam plural, ou seja, "um
número não especificado de subespécies".
A abreviatura "cf." é utilizada quando a identificação da
espécie requer confirmação por ser incerta ou estar a
ser citada através de uma referência secundária não
verificável. Por exemplo Corvus cf. corax indica "um
pássaro similar ao corvo-comum, mas não identificado
com segurança como sendo da espécie.
É bem usual, em algumas nomenclaturas, incluir o
nome do autor que primeiro descreveu a espécie, logo
depois do nome da espécie, seguido do ano em quefoi
publicada aquela descrição.
A partir de meados do século XIX passou a ser aparente a
necessidade de um corpo de regras que governassem de
forma inequívoca a atribuição de nomes científicos. Tais
normas, atualmente, compõem os códigos de
nomenclatura: o ICZN (Código Internacional de
Nomenclatura Zoológica), governando a atribuição de
nomes a animais; o ICBN (Código Internacional de
Nomenclatura Botânica), governando a atribuição de
nomes a plantas, incluindo os fungos, algas e
cianobactérias; e o ICNB (Código Internacional de
Nomenclatura Bacteriológica) governando a
nomenclatura de bactérias e vírus.
Cada grupo taxonômico só pode ter um nome correto, o
mais antigo e que esteja de acordo com as regras do
ICBN.
- Nome correto ou epíteto correto - é um nome ou
epíteto legítimo que deve ser adotado de acordo com as
regras existentes.
- Nome legítimo é aquele validamente publicado e proposto de acordo
com as regras.
- Nome validamente publicado é aquele: 1 - efetivamente publicado (em
uma revista ou livro de grande circulação); 2 - publicado de acordo com as
normas para cada categoria; 3 - publicação com uma descrição e/ou
diagnose latina; 4 - indicação de tipo nomenclatório
Por convenção, os nomes dos animais são escritos em latim
ou língua latinizada. É recomendável, portanto, que se
tenha algumas noções desse idioma para que se possa
entender a nomenclatura. As palavras latinas são
declináveis, havendo seis casos: nominativo, genitivo,
dativo, acusativo, ablativo e vocativo. Os casos que
interessam em termos da nomenclatura zoológica são os
dois primeiros (nominativo – artigo singular e plural;
genitivo - locução adjetiva singular e plural).
Na primeira declinação (nominativo), as terminações são
a - singular (ae) - plural; e (genitivo), ae - singular
(arum) – plural, para o nominativo e o genitivo,
singular e plural, respectivamente. Assim, no
nominativo, diz-se “a floresta”, silv+a = silva e “as
florestas”, silv+ae = silvae; enquanto no genitivo ter-se-
ia “da floresta”, silv+ae e “das florestas”, silv+arum =
silvarum. Como exemplo, pode-se citar “a águia da
floresta”, Aquila silvae ou “as águias das florestas”, Aquilae
silvarum.
3. O epíteto ou designação específica pode ser de diferentes
categorias.
- um substantivo no nominativo singular. Ex: Bos taurus
(onde, Bos = boi, em latim e taurus = boi, em grego);
- um adjetivo, concordando em caso (nominativo), gênero
gramatical (masculino, feminino ou neutro) e número (singular)
com o nome do gênero. Exs: Bos indicus (Bos = boi e indicus = da
Índia, ambos nomes masculinos); Lycosa ornata (ambos nomes
femininos); Paramaecium caudatum (ambas palavras neutras);
- um substantivo no genitivo (singular ou plural). Ex: Aphis
gossypii (Aphis, um inseto = pulgão) + gossypii, do
algodoeiro), Panonychus citri (Panonychus, um ácaro + citri,
das plantas cítricas);
- um adjetivo, usado como substantivo no genitivo e
derivado do epíteto da espécie à qual o animal está associado.
Ex: Macrocheles muscaedomesticae (um ácaro), predador de
Musca domestica, inseto muito comum chamado de mosca
doméstica; Lernaea lusci (um crustáceo), parasito de Gadus
luscus (um peixe).
Os Epitetos são descritivos: O nome da maioria das
espécies descritas indica alguma característica desse
táxon, por exemplo a cor, hábito, forma da estrutura,
local da descoberta.
Exs.: Solanum melanocarpum - tem os frutos escuros;
Paepalanthus scandens - tem o hábito escandente;
Paepalanthus angustifolius - tem as folhas estreitas;
Paepalanthus brasiliensis - é uma espécie que vive no
Brasil;
4. Nomes dados em homenagem a alguém (=
patronímicos), seguem certas normas:
ICBN - Se o homenageado for homem:
- Se o nome termina em vogal diferente de a ou em y,
acrescentar um - i. Ex.: Pirani = piranii; Harley=harleyi;
- Se o nome termina em a acrescentar - e. Exs: Balansa =
balansae ; Pinna = pinnae.
- Se termina em consoante acrescentar - ii. Ex.: Vanin =
vaninii.
ICZN - Se o homenageado for homem basta acrescentar a
desinência - i. Exs.: Pirani - piranii; Harley - harleyi;
Balansa - balansai; Pinna - pinnai; Vanin, vanini.
Ex: Trypanosoma cruzi (homenagem a Oswaldo Cruz).
ICZN e ICBN- se for mulher, forma-se o epíteto
adicionando-se “ae” ao nome da pessoa, ou “e” se já
terminar por “a”. Ex: Ogma isabelae (a Isabel); Tetranychus
escolasticae.
5. O nome da espécie deve constar acompanhado do
nome(s) da(s) pessoa(s) que a descreveu(ram) e da data (=
ano) da publicação. Uma vírgula vem entre o(s) nome(s)
do(s) descritor(es) e a data. Ex: Xiphidorus yepesara
Monteiro, 1976; Scutellonema erectum Sivakumar & Khan,
1981; Calacarus flagelliseta Flechtmann, Moraes & Barbosa,
2001.
6. O criador do nome da espécie é aquele que primeiro a
caracteriza (chamada de Lei da Prioridade).
7. Uma espécie pode ser transferida de um gênero para
outro. Nesse caso, o nome do autor/descritor (ou nomes)
e a data passam a figurar entre parêntesis, seguidos do
nome de quem fez a mudança e a data de proposição
desta. Ex: em 1893, Nathan Cobb descreveu o nematóide
Tylenchus similis, um parasito de bananeiras, resultando o
nome específico Tylenchus similis Cobb, 1893. Décadas
depois, em 1949, outro autor, Gerald Thorne, transferiu a
espécie para o gênero Radopholus; tal ação resultou em
que o nome da espécie passasse a ser referido como
Radopholus similis (Cobb, 1893) Thorne, 1949.
8. Os grupos superiores à espécie são uninomiais. A
formação dos nomes de tribo, subfamília, família e
superfamília dá-se acrescentando-se, respectivamente, os
sufixos ini, inae, idae e oidea ao radical do nome do
gênero mais representativo, levado ao genitivo. Ex:
Tetranychus (gênero) => Tetranychi (genitivo) =>
Tetranych (= radical) e deste irão resultar as designações
Tetranychini (tribo), Tetranychinae (subfamília),
Tetranychidae (família) e Tetranychoidea (superfamília).
9. Os nomes de famílias são sempre proparoxítonos e
como tais devem ser pronunciados. Ex: pronuncia-se
Tetranychidae como ‘Tetraníquide’; Trypanosomatidae
como Tripanossomátide.
O objetivo da nomenclatura biológica é possibilitar
a comunicação e a indexação das informações
existentes sobre os organismos. A nomenclatura
assegura nome único e distinto para cada táxon, e
promove a estabilidade e a universalidade dos
nomes científicos.
Apesar das regras existentes terem como objetivo
garantir que cada nome é único e que não há
ambiguidades na nomenclatura, na prática algumas
espécies têm vários nomes científicos em circulação
na literatura, o uso de cada um deles dependendo
da opinião taxonômica do autor do texto.
Sinonímia Biológica
Se um táxon tiver dois ou mais nomes distintos, ocorre
sinonímia. Pelo princípio da prioridade, vale o nome
mais antigo e os mais recentes são considerados
sinônimos. Ex.: Se Erodiscus Schoenherr, 1825 =
Atenistes Pascoe, 1870, vale o primeiro.
Homônimos não são aceitos dentro dos grupos da
família e do gênero. Se dois táxons diferentes receberem
o mesmo nome, o homônimo mais recente deve ser
rejeitado e substituido (lei da prioridade).
Exs.: Rhina Schaeffer, 1760 (gênero de uma raia) e Rhina
Fabricius, 1801 (gênero de besouro); o nome do último
gênero teve de ser modificado, passando para
Rhinostoma Rafinesque, 1815. No grupo da espécie são
proibidas homonímias dentro de cada gênero. Caso isso
venha a ocorrer, os nomes serão considerados sinônimos,
o nome mais antigo será considerado válido e o mais
recente substituído.
Biocódigo (“BioCode”)
Os sistematas de todo o mundo estão pensando em
uniformizar a nomenclatura biológicas com a adoção de
um Código Biológico (“Biocode”), patrocinado pela
“International Union of Biological Sciences” (IUBC),
e que tinha a previsão de ser implantado a partir do ano
2000. No entanto isso não aconteceu.
O novo código tentaria uniformizar os princípios, regras
e termos dos atuais 4 códigos vigentes (ICBN, ICZN,
ICNB e ICNCP) e deveriavaler somente para nomes
criados a partir da data de sua implementação.
Como principais mudanças, além das já citadas
uniformizações, podem ser listadas:
a criação de uma nova categoria acima de Reino, o
Domínio, para procariotos e eucariotos; obrigatoriedade
da descrição de novas espécies em latim ou inglês, a
manutenção das categorias usadas no ICNB - mais a
categoria Superfamília e a menção de autores como
adotada no ICZN.
A principal e mais pesada crítica à adoção de um código
unificado é que os sistematas teriam que lidar com dois
códigos diferentes (com tudo o que isso implica em
conhecimento dos meandros de regras e
recomendações), um para os nomes já estabelecidos -
que somam cerca de 1.500.000 -, e outro para os que
venham a ser criados.
De acordo com o Código Internacional de
Nomenclatura Biológica, algumas categorias devem
apresentar, em seu nome uma terminação ou
desinência, a qual permite identifica-la. Por
exemplo a desinência idea, para designar a
categoria família, no caso dos animais, ou aceae
para a categoria família, no caso das plantas.
CATEGORIAS DA HIERARQUIA TAXONÔMICA
BOTÂNICA BACTERIOLOGIA ZOOLOGIA
REINO REINO
Sub-Reino
(Superfilo)
DIVISÃO {- phyta} (Divisão) FILO
{- mycota}
Subdivisão {- phytina} (Subdivisão) Subfilo
{- mycotina}
Superclasse
CLASSE {- phyceae} CLASSE CLASSE
{- mycetes}
{- opsida}
Subclasse {- idae} (Subclasse) Subclasse
Infraclasse
(Superordem) (Superordem)
ORDEM - ales ORDEM - ales ORDEM
(Subordem) - ineae (Subordem) - ineae Subordem
Infraordem
Superfamília {-oidea}
CATEGORIAS DA HIERARQUIA TAXONÔMICA
BOTÂNICA BACTERIOLOGIA ZOOLOGIA
FAMÍLIA - aceae FAMÍLIA - aceae FAMÍLIA - idae
Subfamília - oideae Subfamília - oideae Subfamília - inae
(Supertribo)
Tribo - eae Tribo - eae Tribo {- ini}
Subtribo - inae (Subtribo) - inae Subtribo {- ina}
GÊNERO GÊNERO GÊNERO
Subgênero (Subgênero) Subgênero
Seção Seção
Subseção Subseção
Série Série
Subsérie Subsérie
ESPÉCIE ESPÉCIE ESPÉCIE
Subespécie (Subespécie) Subespécie
Variedade
(Subvariedade) Forma (Subforma)