Prévia do material em texto
Autores: Prof. José Carlos Roncolato da Frota Prof. José Humberto Ataulo Nunes Colaboradores: Profa. Solimar Garcia Prof. Maurício Felippe Manzalli Canais de Distribuição e Estoque Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Professores conteudistas: José Carlos Roncolato da Frota / José Humberto Ataulo Nunes José Carlos Roncolato da Frota Possui graduação em Ciências Econômicas pela Universidade Paulista (UNIP) e pós‑graduação em Formação para Educação à Distância pela mesma instituição. Atua como coordenador dos cursos de Gestão na unidade Alphaville, na qual também é professor das disciplinas de Economia e Mercado, Teoria e Prática Cambial, Negócios Internacionais, Técnicas de Negociação e Mercado de Capitais. Atuou por aproximadamente 10 anos na iniciativa privada entre cargos na área financeira e na área de compras. Junto ao Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região desenvolveu atividades como assessor econômico. Além de atuar na UNIP, tanto presencial quanto à distância, leciona em outras instituições de ensino superior e também na Coordenadoria Geral de Especialização, Aperfeiçoamento e Extensão da PUC‑SP (Cogeae) nos cursos de Recrutamento e Seleção por Competência e no curso de Gestão da Diversidade das Organizações. José Humberto Ataulo Nunes Mestre e doutor em comércio internacional pela Universidade de São Paulo (Prolam/USP). Ex‑coordenador pedagógico do curso de Logística do Pronatec e professor titular da Universidade Paulista (UNIP) na área de economia e finanças nos cursos de Gestão Financeira, Administração de Empresas, Ciências Econômicas e Direito. Possui pós‑graduação em formação de professores (2011) e graduação em Ciências Econômicas na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2002). É pesquisador nas áreas de integração financeira e produtiva da América Latina, com estudos sobre os sistemas financeiros e internacionalização de empresas, e gestor empresarial por 22 anos em empresas multinacionais na área de administração, operações e logística. © Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem permissão escrita da Universidade Paulista. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) F941c Frota, José Carlos Roncolato da. Canais de Distribuição e Estoque / José Carlos Roncolato da Frota, José Humberto Ataulo Nunes. ‑ São Paulo: Editora Sol, 2018. 192 p., il. Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e Pesquisas da UNIP, Série Didática, ano XXIV, n. 2‑063/18, ISSN 1517‑9230. 1. Cadeias de abastecimento. 2. Distribuição.3. Armazenagem. I. Nunes, José Carlos Ataulo. II. Título. CDU 658.7 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Prof. Dr. João Carlos Di Genio Reitor Prof. Fábio Romeu de Carvalho Vice-Reitor de Planejamento, Administração e Finanças Profa. Melânia Dalla Torre Vice-Reitora de Unidades Universitárias Prof. Dr. Yugo Okida Vice-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa Profa. Dra. Marília Ancona‑Lopez Vice-Reitora de Graduação Unip Interativa – EaD Profa. Elisabete Brihy Prof. Marcelo Souza Prof. Dr. Luiz Felipe Scabar Prof. Ivan Daliberto Frugoli Material Didático – EaD Comissão editorial: Dra. Angélica L. Carlini (UNIP) Dra. Divane Alves da Silva (UNIP) Dr. Ivan Dias da Motta (CESUMAR) Dra. Kátia Mosorov Alonso (UFMT) Dra. Valéria de Carvalho (UNIP) Apoio: Profa. Cláudia Regina Baptista – EaD Profa. Betisa Malaman – Comissão de Qualificação e Avaliação de Cursos Projeto gráfico: Prof. Alexandre Ponzetto Revisão: Marcilia Brito Lucas Ricardi Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Sumário Canais de Distribuição e Estoque APRESENTAÇÃO ......................................................................................................................................................7 INTRODUÇÃO ...........................................................................................................................................................8 Unidade I 1 MARKETING E CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO ................................................................................................9 1.1 A integração entre marketing e logística ................................................................................... 12 1.1.1 Canais de distribuição para consumidores ................................................................................... 15 1.2 Canais de distribuição para empresas .......................................................................................... 17 1.3 Canais de distribuição de serviços ................................................................................................. 18 1.4 Sistema multicanal .............................................................................................................................. 18 1.5 Planejamento dos canais de distribuição ................................................................................... 19 1.5.1 Venda direta versus venda indireta ................................................................................................. 19 1.5.2 Seleção de intermediários para o canal......................................................................................... 19 1.5.3 Avaliação de canais e intermediários ............................................................................................. 20 1.6 Campanhas de incentivo para os canais de distribuição ..................................................... 22 1.7 Aspectos legais na gestão de canais de distribuição ............................................................. 22 2 CADEIAS DE ABASTECIMENTO ................................................................................................................... 23 2.1 Planejamento de suprimentos e distribuição ........................................................................... 28 2.1.1 Planejamento de suprimentos........................................................................................................... 29 2.1.2 Processo de distribuição ...................................................................................................................... 51 Unidade II 3 PROCESSOS DE CONTROLE DE RECEBIMENTO E ARMAZENAGEM ............................................. 61 3.1 Recebimento de materiais ................................................................................................................ 61 3.2 Processo de armazenagem ............................................................................................................... 64 3.2.1 Classificação ABC .................................................................................................................................... 65 4 PROCESSO DE MOVIMENTAÇÃO DE MATERIAIS ................................................................................. 67 4.1 Manuseio de materiais ....................................................................................................................... 68 4.1.1 Sistema Dewey ......................................................................................................................................... 68 4.1.2 Federal Supply Classification (FSC) .................................................................................................. 69 4.1.3 Codificação de material ....................................................................................................................... 70 4.1.4 Equipamentos de espera ...................................................................................................................... 70 4.1.5 Relação símbolos e manuseio ............................................................................................................a empresa deverá buscar a metodologia que melhor se encaixa em seus planos. Conforme destaca Lemos (2006), as organizações se deparam com muitos métodos de previsão, porém existem muitos fatores a serem considerados, mas pouco detalhamento se esse ou aquele será efetivo para as decisões da empresa. Quando vários critérios são relevantes no processo de previsão e vários métodos estão disponíveis para uso, uma metodologia de escolha estruturada pode ajudar na seleção do melhor método. Uma metodologia estruturada lista os critérios importantes para o processo de previsão e direciona a escolha dos métodos que melhor satisfazem os critérios explicativos (LEMOS, 2006, p. 77). 33 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE Podemos utilizar, dessa forma, os seguintes métodos de previsão de demanda: • Modelos qualitativos. • Modelos quantitativos: — Modelos de decomposição de séries temporais. Analisaremos cada um deles. Os modelos qualitativos são utilizados quando não se possui a série histórica da demanda, deixando a cargo do gestor as decisões. “Os métodos qualitativos envolvem processos mentais de julgamento sobre possíveis desdobramentos de ações internas e externas, visando fornecer cenários futuros para a tomada de decisões” (NOVAES, 2015, p. 203). Esses modelos contam, normalmente, com o julgamento do gestor, utilizando técnicas de comparação com o objetivo de compreender os comportamentos futuros. Ballou (2006) apresenta um quadro referente aos métodos de projeção histórica, contendo os principais modelos de forma resumida: Quadro 4 Método Descrição Delphi São distribuídos questionários em sequência, buscando a opinião de cada membro da equipe. Esses questionários serão repassados diversas vezes, com as novas tabulações, visando incentivar a convergência nas respostas do grupo. Pesquisa de mercado Buscam‑se informações sobre o mercado e os produtos nele inseridos ou a serem inseridos. Painel de consenso Diversos especialistas sobre determinado assunto se reúnem buscando compreender melhor as previsões. Parte‑se do princípio que um grupo pode chegar a soluções melhor que um indivíduo. Previsão visionária Método não científico, baseado em possíveis previsões do que poderá acontecer. Estimativas da equipe de vendas Devido à proximidade com os clientes, os vendedores são excelentes termômetros para compreender a tendência da demanda. Analogia histórica Vinculado às análises de surgimento de novos produtos em relação às mercadorias produzidas. Box‑jenkins Modelos matemáticos que buscam relações entre séries temporais para subsidiar previsões futuras. Projeções de tendência Utiliza as equações matemáticas para compreender as tendências futuras. Análise do ciclo de vida Busca compreender o crescimento do produto, baseado em análise de curvas do produto. Redes neurais Utiliza a terminologia biológica dos neurônios para compreender o processo de aprendizagem e tomada de decisão. Adaptado de: Ballou (2006). 34 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade I • Modelos quantitativos: nesse método são utilizadas séries históricas, podendo ser endógenas (da própria empresa) ou exógenas (dados do mercado). Esses modelos assumem diferentes formas, de acordo com a necessidade e escolha do gestor. Modelos de decomposição de séries temporais: são utilizados no estudo da demanda passada para prever a demanda futura. É possível dizer que o que ocorreu no passado tenda a ocorrer novamente. Destaca‑se ainda que é importante que os produtos que estejam visualizados nesta série já possuam maturidade no mercado. Para não haver problemas ao longo do processo esse método é utilizado, normalmente, em períodos de um ano, pois assim a sazonalidade pode ser percebida. Observação Alguns cálculos realizados nos modelos de decomposição de séries temporais serão realizados com a ajuda de planilhas eletrônicas. O modelo de séries temporais apresenta três ramificações dele: (a) o modelo da média móvel simples, (b) o modelo da média móvel ponderada e o (c) modelo da regressão linear. Trataremos de cada um deles: Modelo da média móvel simples Este modelo é baseado em uma média aritmética simples, como o próprio nome sugere, não percebe em seu cálculo a questão da sazonalidade. A fórmula da média aritmética simples, conforme Hoffmann (2001, p. 29), é: x Xi N i N � �� 1 Para compreender, utilizaremos a tabela a seguir, que descreve a quantidade de um determinado produto vendido pela empresa: Tabela 1 Período 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 X Produto 250 260 248 231 249 264 269 270 275 279 280 294 264 No caso da média móvel simples, é comum utilizar apenas três períodos para comparação, pois a sazonalidade não está incluída. 35 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE O gráfico a seguir mostra o comportamento das vendas em determinado período, observando que são considerados os 12 períodos de um ano. 0 1 2 3 4 5 6 Período Pr od ut o X 7 8 9 10 11 12 50 100 150 200 250 300 350 Figura 12 – Vendas em determinado período, hipotético, de um produto Porém, pode haver erros escondidos nessa média que, por não abrangê‑los, pode levar o gestor a decisões incorretas. Na tentativa de minimizar esses problemas, pode‑se calcular o desvio‑padrão para a demanda desse produto. É possível entender o desvio‑padrão como uma medida de dispersão, demonstrando a regularidade de determinado conjunto de dados em função da média aritmética. “O desvio padrão é uma das medidas mais comumente usadas para distribuições, e desempenha papel relevante em toda a estatística” (STEVENSON, 2001, p. 30). Assim, a fórmula do desvio padrão é: S X X N i n � � � � ( )2 1 Para compreender a tal terminologia, utilizemos a tabela anterior. Tabela 2 Período 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 X S Produto 250 260 248 231 249 264 269 270 275 279 280 294 264 17 O cálculo, tanto da média aritmética quanto do desvio padrão, pode ser realizado via planilha eletrônica, conforme segue: 36 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade I Média aritmética Figura 13 Figura 14 Média aritmética = 264 Figura 15 37 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE Desvio padrão Figura 16 Figura 17 Desvio padrão = 17 Figura 18 38 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade I Além das planilhas eletrônicas, a calculadora HP12C, utilizada para cálculos financeiros, permite a realização da média e do desvio padrão, utilizando a sequência: Média Desvio padrão Média: (250) (Σ+) (260) (Σ+) (248) (Σ+) (231) (Σ+) (249) (Σ+) (264) (Σ+) (269) (Σ+) (270) (Σ+) (275) (Σ+) (279) (Σ+) (280) (Σ+) (294) (Σ+) (g) (0) (g) (.) Figura 19 Com este desvio padrão, é possível observar as possíveis variações existentes ao longo da série temporal apresentada. Assim, o desvio padrão auxiliará nas decisões de previsão de demanda. Para melhorar o entendimento, vamos incluir outro produto na análise. Tabela 3 Período 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 X S Produto X 250 260 248 231 249 264 269 270 275 279 280 294 264 17 Produto Y 201 312 217 253 264 258 288 293 286 242 264 291 264 33 A tabela apresentou dois produtos com o mesmo valor de média, porém com desvio padrão diferenciado. Assim, o gestor pode decidir que, com esses dados, o estoque mínimo do produto X pode ser menor que o do produto Y, pois a variação no desvio padrão determina que as variações são menores em X do que em Y. A média móvel simples deve agregar os possíveis erros existentes na previsão da demanda. Os erros estão divididos em: (i) erro simples: diferença entre a demanda real e a demanda prevista; (ii) erro absoluto:é o módulo de erro simples, desconsiderando o sinal. É preciso calcular, também, o valor da tendência de viés, que determinará se a previsão da demanda está apresentando um viés altista (de crescimento) ou baixista (de queda) na demanda. É possível, mais uma vez, realizar esses cálculos através de planilhas eletrônicas. Figura 20 39 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE Entenda, agora, como chegar aos valores de cada um dos itens: • Previsão: =MÉDIA(B3:B5) na célula C6, arrastando para as demais. • Erro simples: =B6‑C6 na célula D6, arrastando para as demais. • Erro absoluto: =ABS(D6) na célula E6, arrastando para as demais. • Desvio médio absoluto: =MÉDIA($E$6:E6) na célula F6, arrastando para as demais. • Desvio padrão dos erros: =DESVPAD(D6:D14) na célula C17. • Tendência de viés: =SOMA($D$6:F6)/F6 na célula G6, arrastando para as demais. A mesma sequência deve ser utilizada para calcular o produto Y. Com gráfico dos dois produtos é possível obter algumas informações importantes. 0 1 2 3 4 5 6 Período 7 8 9 10 11 12 50 100 150 200 250 300 350 Produto X Produto Y Figura 21 – Vendas dois produtos em determinado período hipotético Com esse gráfico é possível verificar que o produto X assume uma forma mais linear que o produto Y. A conclusão é que um produto sofre menos que outro com as possíveis oscilações do mercado. O produto X pode ter a sua demanda prevista através do modelo de média móvel simples, enquanto o produto Y, por sofrer influencias diversas, não apresenta respostas conclusivas nesse modelo. É possível, a partir de outro modelo, buscar a compreensão do que está ocorrendo com a demanda de cada um dos bens, ou seja, o modelo de média móvel ponderada. Modelo da média móvel ponderada Considerado uma derivação do modelo de média simples, o modelo de média móvel ponderada apresenta pesos diferenciados para os períodos em análise. Assim, conforme os valores se aproximam dos últimos períodos, receberão pesos maiores. O objetivo é dar maior importância aos períodos finais em relação aos períodos iniciais. 40 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade I O cálculo pode ser realizado conforme a equação a seguir: Pj= (D1 x PE1) + (D2 x PE2) + (D3 x PE3) + ..... + (Dn x PEn), sendo que: PE1 + PE2 + PE3 + ..... + PEn = 1. Em que: Pj = previsão para um determinado período j PE = peso atribuído ao período D = demanda do período Observação A soma dos pesos é igual a um para que não seja necessário dividir os resultados pela soma dos pesos. Se considerarmos pesos da seguinte proporção 0,2, 0,3 e 0,5 para os três últimos períodos para os produtos X e Y acima, teremos as seguintes respostas: Produto X P = 279 x 0,2 + 280 x 0,3 + 294 x 0,5 = 287 Produto Y P = 242 x 0,2 + 264 x 0,3 + 291 x 0,5 = 273 Assim, a demanda previsão da demanda para o próximo período do produto X será de 287 e do produto Y de 273. É importante destacar que sempre que utilizarmos pesos maiores para os últimos períodos estamos afirmando que eles terão maior influência nas previsões de demanda. Pode‑se utilizar, também, a planilha eletrônica para demonstrar esses cálculos. Assim: 41 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE Figura 22 Para alcançar os valores na planilha eletrônica, é preciso indicar os fatores de ponderação (D20, 21 e 22 e M20, 21 e 22), inserindo a seguinte fórmula na célula C6: =$D$22*B3+$D$21*B4+$D$20*B5 para o produto X. Já para o produto Y, é preciso inserir na célula L6: $M$22*K3+$M$21*K4+$M$20+K5. Nos dois casos deve‑se arrastar para as demais células, ou seja, C7:C15 e L7:L15. Para compreender a definição de média móvel, observe o exemplo a seguir: Exemplo 1 Uma adega teve sua demanda mensal por cervejas de 55, 68, 59 e 63 engradados durante os quatro últimos meses. Faça a previsão da demanda para o quinto mês usando a média móvel de quatro meses. Qual é o erro de previsão se a demanda no quinto mês for de 65 engradados? P = (55 + 68 + 59 + 63) / 4 = 61,25 engradados A previsão da demanda é de 65 engradados, logo o erro é encontrado: E = 65 – 61,25 = 3,75 Como temos uma previsão, nesse caso o mês 5, é necessário revisá‑la; assim, a demanda revisada é: Resolução P = (65 + 63 + 59 + 68) / 4 = 63,75 ou 64 engradados de cerveja. Modelo de média móvel com suavização exponencial O modelo de média móvel com suavização exponencial deriva do modelo de média ponderada e deve ser utilizado para demandas que não apresentam sazonalidade e nem tendências (CHOPRA; MEINDL, 2011). 42 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade I Utilizam‑se pesos de ponderação que deverão elevar exponencialmente quanto mais recente for o período. Assim, a fórmula para o cálculo é: Pj = α x D + (1 – α) x D j‑1 Em que: Pj = previsão para o período j D = demanda média dos últimos n períodos α = constante de suavização (0 ≤ α ≤ 1) D j‑1 = demanda real ocorrida no período anterior ao período j O valor da constante de suavização (a) varia entre zero e um. Quanto maior o valor de α, menor será a influência da demanda real do último período na previsão de demanda. (1‑ α) é a taxa exponencial com que vai cair a influência dos dados históricos de demanda, ou seja, (1‑ α) para o último mês; (1 – α)2 para o penúltimo mês; (1 – α)3 para o antepenúltimo mês e assim por diante. Convém ressaltar que a atribuição do valor um para o coeficiente α vai gerar os mesmos resultados obtidos no modelo da média móvel simples (PEINADO; GRAEML, 2007, p. 349). Considerando um fator de produção α = 0,2, hipotético, o cálculo de previsão de demanda para os produtos X e Y para um novo período será: Produto X P x x, ,� � �� � � � � � � �� � �0 2 279 280 294 3 1 0 2 294 292 Produto Y P x x, ,� � �� � � � � � � �� � �0 2 242 264 291 3 1 0 2 291 286 É possível, com as tabelas anteriores, realizar o cálculo em planilhas eletrônicas, conforme segue: 43 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE Figura 23 A inserção dos dados na planilha deve seguir a sequência: Na célula C6, digitar =$M$20*MÉDIA(B3:B5)+(1‑$D$20)*B5, arrastando para todas as células até a B13, para o produto X. Em relação ao produto Y, na célula L6, inserir =$M$20*MÉDIA(K3:K5)+(1‑$M$20)*K5, e arrastar para todas as células, até a L13. Os modelos de média móvel estudados são muito utilizados por empresas, apesar de terem aplicação para sazonalidades ou tendências, apresentando de forma generalista as informações sobre o comportamento da demanda de determinado produto. Modelo dos mínimos quadrados ou regressão linear O modelo de regressão linear ou mínimos quadrados é utilizado para previsão de demandas que apresentam tendências. Essas tendências são representadas por movimentos de alta ou de queda do produto, dentro de seu ciclo de vida. Pode‑se dizer que existe tendência quando a demanda por determinado produto mudar sistematicamente ao longo do tempo (NOVAES, 2015). O método utiliza a teoria dos mínimos quadrados para promover uma regressão linear que determina a equação da reta que melhor representa os valores da demanda passada. A partir desta equação, são extrapoladas as projeções para o futuro. A reta obtida pelo método dos mínimos quadrados é a reta que minimiza a somatória das distâncias entre cada valor de demanda ocorrido e a própria reta (PEINADO; GRAEML, 2007, p. 353). 44 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade I Logo, a equação utilizada para o modelo é: Di = a + b x Pi Em que: Di = demanda no período i a = coeficiente do nível da demanda b = coeficiente de tendência de demanda Pi = período i Vamos utilizar o exemplo a seguir para a demandade um determinado produto z. Tabela 4 Período 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Demanda (z) 343 380 353 360 362 386 390 394 398 402 Para encontrar o valor da demanda utiliza‑se a equação apresentada anteriormente, porém é necessário calcular antes o valor dos coeficientes de nível de demanda (a) e de tendência de demanda (b). Assim: a D b P� � x b n x x � � � � � � � � � � � � � i n i n i DixPi D P P nx P 1 1 2 2 Em que: D = demanda média dos n períodos Di = demanda no período i Pi = período i n = número de períodos considerados P = média dos períodos considerados 45 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE Com base na tabela de demanda para o bem z, vamos calcular a previsão de demanda para os períodos 11 e 12, e para facilitar chamaremos de mês, do determinado ano. Tabela 5 Mês Demanda D Período P D x P P2 Janeiro 343 1 343 1 Fevereiro 380 2 760 4 Março 353 3 1059 9 Abril 360 4 1440 16 Maio 362 5 1810 25 Junho 386 6 2316 36 Julho 390 7 2730 49 Agosto 394 8 3152 64 Setembro 398 9 3582 81 Outubro 402 10 4020 100 Somatório 3768 55 21212 385 É preciso, agora, calcular a demanda e o período médio da tabela: D = 3768 10 = 376,8 = 55 10 = 5,5 Para calcular a previsão de demanda, conforme dito anteriormente, é necessário encontrar os valores de A e B em primeiro lugar, assim: b � � � � � � � � � i n i n i DixPi nxD x P P nx P 1 1 2 2 � � ‑ ‑ b x x � � � � � � � 21212 10 376 8 5 5 385 10 5 52 , , ,x b = = 488 82 5 5 915 , , a = D – b x P a = 376,8 – (5,915 x 5,5) a = 344,27 46 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade I Com esses números é possível realizar a previsão da demanda para os meses de novembro e dezembro, assim: Para novembro: Di = a + b x Pi D11 = 344,27 + 5,915 x 11 = 409 Para dezembro D12 = 344,27 + 5,915 x 12 = 415 Assim, a demanda para os meses de novembro e de dezembro serão 409 e 415 unidades respectivamente. Porém, o modelo dos mínimos quadrados, utiliza apenas as tendências e não a sazonalidade, assim, é preciso buscar outro modelo que visualize essas variações. Modelos de ajustamento sazonal Normalmente as empresas se deparam com diversas mudanças em seus planos de vendas. Muitas das mudanças são provenientes da sazonalidade. Uma padaria, por exemplo, venderá menos sorvete no inverno e mais chocolate quente. Já no verão ocorrerá o contrário, mais sorvete menos chocolate quente. A sazonalidade é inerente a praticamente todos os negócios, assim, prever a demanda com esses elemento se torna algo importante para qualquer organização. Para realizar a previsão da demanda, com a sazonalidade, é utilizada a seguinte equação: Di = (a + b x Pi) x Si Em que Di = demanda no período i a = coeficiente de nível de demanda b = coeficiente de tendência de demanda Pi = período i Si = fator de sazonalidade do período i Em um primeiro momento, é utilizado um modelo de ajustamento sem a sazonalidade, ou seja, ‘dessazonalizado’. A partir desse elemento é possível, utilizando a regressão linear, encontrar o índice 47 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE de sazonalidade. Ou seja, “o quociente percentual entre a demanda real ocorrida e a demanda dessazonalizada fornece o índice de sazonalidade de cada período” (PEINADO; GRAEML, 2007, p. 358). Para encontrar os valores da demanda com sazonalidade é necessário, em primeiro lugar, calcular os valores dessazonalizados, pois como os valores não são lineares, os resultados poderão apresentar erros. O método mais utilizado é o de média móvel centrada, que é o valor aplicado sobre a média ou a tendência que possui variação dos valores médios, podendo ser expresso em quantidade ou percentual (TUBINO, 2009). Tabela 6 Índice de sazonalidade Período Demanda real Média móvel centrada Índice de sazonalidade 1 415 2 412 3 403 4 383 5 370 396 0,93 6 375 394 0,95 7 386 391 0,99 8 394 387 1,02 9 425 383 1,11 10 400 375 1,07 11 386 367 1,05 12 364 362 1,00 13 350 360 0,97 14 298 359 0,83 15 304 360 0,84 16 341 362 0,94 17 380 364 1,04 18 406 367 1,11 19 414 374 1,11 20 404 384 1,05 21 381 22 371 23 365 24 398 Demanda média 374 Para chegar ao valor da média móvel centrada, é necessário somar os períodos de 1 a 9 e dividir por 9. No próximo período, de 2 a 10, e dividir, novamente, por 9 e assim por diante. A demanda média será obtida pela soma da média móvel centrada dividida pelo seu número de períodos, ou seja, 16. 48 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade I Para calcular o índice de sazonalidade, divide‑se a demanda real pela média móvel centrada. No exemplo são encontrados dois índices de sazonalidade, devido ao ciclo do produto, ou seja, 1,07 e 1,11, logo, é necessário calcular a média entre eles, assim: IS � � � 1 07 111 2 1 09 , , , A tabela a seguir apresenta todos os demais índices de sazonalidade: Tabela 7 Índice de sazonalidade média IS1 1,09 IS2 1,05 IS3 1,00 IS4 0,97 IS5 0,83 IS6 0,84 IS7 0,94 IS8 1,04 IS9 1,11 A partir dos índices de sazonalidade, é possível realizar a previsão da demanda, criando uma nova tabela, utilizando a seguinte equação: Tabela 8 – Demanda prevista = Demanda média + Demanda média (IS‑1) Período Demanda média IS Demanda prevista Demanda real Erro 1 374 1,09 408 415 7 2 374 1,05 393 412 19 3 374 1,00 374 403 29 4 374 0,97 363 383 20 5 374 0,83 310 370 60 6 374 0,84 314 375 61 7 374 0,94 352 386 34 8 374 1,04 389 394 5 9 374 1,11 415 425 10 10 374 1,09 408 400 ‑8 11 374 1,05 393 386 ‑7 12 374 1,00 374 364 ‑10 13 374 0,97 363 350 ‑13 14 374 0,83 310 298 ‑12 49 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE 15 374 0,84 314 304 ‑10 16 374 0,94 352 341 ‑11 17 374 1,04 389 380 ‑9 18 374 1,11 415 406 ‑9 19 374 1,09 408 414 6 20 374 1,05 393 404 11 21 374 1,00 374 381 7 22 374 0,97 363 371 8 23 374 0,83 310 365 55 24 374 0,84 314 398 84 Erro acumulado 14 Existem outros modelos de previsão de demanda, porém, num primeiro momento, os modelos apresentados podem ser suficientes para a análise e tomada de decisão por parte dos gestores. Exemplo 2 Um vendedor de refrigerantes apresentou na última semana a seguinte demanda pelo seu produto: Tabela 9 Dia Segunda Terça Quarta Quinta Sexta Sábado Domingo Quant. 78 82 94 102 119 138 151 Calcular a previsão de demanda de quinta, sábado e domingo da próxima semana, utilizando o método dos mínimos quadrados. Resolução Construir a tabela a seguir: Tabela 10 Dia Demanda D Período P D x P P2 Segunda 75 1 75 1 Terça 82 2 164 4 Quarta 94 3 282 9 Quinta 102 4 408 16 Sexta 119 5 595 25 Sábado 138 6 828 36 Domingo 151 7 1057 49 Somatório 761 28 3409 138 50 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade I Calcular a demanda média e o período médio: D = = 761 7 108 71, P = = 28 7 4 Agora é preciso fazer o cálculo do coeficiente de tendência da demanda: b � � � � � � � � � � � � � i n i n i DixPi nxD x P P nx P 1 1 2 2 b x x � � � � � � � 3409 7 108 71 4 138 7 42 , x b = 365 12 26 , b = 14,04 Agora, calcular coeficiente de nível da demanda: a = D – b x P a = 100,14 – 14,04 x 4 a = 100,14 – 56,17 a = 43,98 Após esses cálculos, é possível calcular a previsão de demanda para cada período. Di = a + b x Pi Dquinta = 43,98 + 23,27 x 11 Dquinta = 43,98 + 255,97 Dquinta = 255,97 = 256 Dsábado = 43,98 + 23,27 x 13 51 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE Dsábado = 43,98 + 302,51 Dsábado = 346,49 ou 347 Ddomingo = 43,98 + 23,27 x 14 Ddomingo = 43,98 + 325,78 Ddomingo = 369,76 ou370 A previsão de demanda para refrigerantes será: quinta = 256 unidades, sábado = 347 unidades e domingo = 370 unidades. 2.1.2 Processo de distribuição A distribuição em uma empresa é algo imprescindível, pois um processo bem organizado poderá gerar economia e melhora nos lucros, mas a desorganização neste sistema trará inúmeros problemas à organização. Podemos entender que a distribuição está sendo utilizada por duas vertentes, a saber: (i) a entrada de materiais na empresa, para que assim possa produzir os bens necessários; e (ii) o envio da mercadoria até o cliente final, garantindo a entrega no prazo acordado entre as partes. Dessa forma, torna‑se importante determinar qual é o melhor canal de distribuição, assim como canais de comunicação, para que não existam ruídos e nem erros na definição de preços e prazos determinados. Assim, destacam‑se dois pontos fundamentais: (i) cumprimento das necessidades dos clientes; e (ii) custos desses atendimentos (CHOPRA; MEINDL, 2011). Outro ponto a destacar quando tratamos de distribuição é a forma como ela é classificada, de acordo com os profissionais que trabalharão com o sistema. No caso logístico, é chamado de distribuição física, neste caso os produtos serão transportados de um determinado ponto até outro. Já os profissionais de marketing denominam essa operação de canais de distribuição, originados no processo de produção, objetivando a entrega ao consumidor final (NOVAES, 2015). Podemos definir, assim, os canais de distribuição como: “deve[m] ser visto[s] como uma rede de empresas independentes que agem em sintonia de forma a criar valor para o usuário final através da distribuição de produtos” (ALCÂNTARA, 1997, p. 33). Com base na ilustração disponível em Novaes (2015, p. 163), torna‑se fácil compreender as relações entre canais de distribuição e distribuição física. 52 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade I Transporte Fabricante Atacadista Varejista Transporte Depósito da fábrica Consumidor final Depósito (centro de distribuição) Depósito varejista Distribuição física Canal de distribuição Figura 24 – Paralelismo entre canais de distribuição e distribuição física Um questionamento surge ao analisarmos a estrutura de um canal de distribuição, ou seja, não seria melhor o varejista produzir seu próprio bem, eliminando os elementos que intermediam o processo. Na realidade a resposta está relacionada aos custos de produção. Uma determinada empresa que busca ser o produtor dos bens que comercializa estaria fugindo do seu core competence, elevando os seus custos. Porém, mesmo com a estratégia de somente atuar no que é de seu interesse, diversas empresas solicitam a produção de peças com seus nomes a outros fabricantes. Como exemplo, podemos citar as redes de supermercados que possuem sua marca própria. Observação O termo core competence refere‑se à atividade principal de uma empresa. Por exemplo, uma empresa que se dedica à distribuição de mercadorias, tem como atividade principal a distribuição. As organizações que buscam alterar o seu core competence poderão incorrer em erros graves, tais como perda de mercado e elevação de seu custo total. Logo, um canal de distribuição auxiliará essas empresas a manter o seu foco, pois permitirão que os varejistas mantenham o foco em seu negócio, deixando a cargo de empresas especializadas realizarem as funções de cada etapa do processo. 53 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE Os canais de distribuição podem ser definidos de acordo com alguns tipos específicos e comuns, a saber: Varejista abastecido pelo fabricante: Fabricante Varejista Figura 25 Os varejistas são abastecidos por centros de distribuição, do próprio fabricante: Fabricante Varejista I Varejista II Centro de distribuição fabricante Figura 26 O atacadista encaminha as mercadorias para o centro de distribuição do varejista, que abastece suas lojas: Fabricante Varejista I Varejista II Centro de distribuição varejista Figura 27 As mercadorias são encaminhadas a um operador logístico, pelos fabricantes que realiza as entregas às lojas: Varejista I Varejista II Fabricante X Fabricante Y Operador logístico Figura 28 É possível identificar que os canais de distribuição possuem objetivos específicos, não generalizados, mas que facilitam a sua montagem e manutenção, de acordo com cada empresa, assim: • Velocidade de disponibilidade do produto: colocar a mercadoria no prazo e locais desejados e esperados. 54 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade I • Apresentar o produto de forma mais atraente, buscando parcerias para que a mercadoria seja visualizada e comercializada. • Realizar a integração e cooperação entre os componentes da cadeia, objetivando velocidade e organização nos pedidos realizados. • Realizar um bom serviço ao cliente, conforme definido no escopo de fornecimento. • Integração de toda a cadeia, buscando a redução de custos em todas as suas etapas. Conforme Rocha e Sousa (2017), um canal de distribuição poderá assumir tipificações diferentes, de acordo com o número de intermediários presentes nele. Se o número de intermediários for grande esse canal receberá o nome de canal longo. Canais longos podem ser constituídos por dois ou mais atacadistas: um na origem, que acumula produtos de vários produtores; outro numa posição intermediária, que garante a disseminação dos produtos por determinada região; e ainda um mais próximo a cada mercado, que coordena a distribuição do produto aos varejistas (ROCHA; SOUSA, 2017, p. 28). Outro tipo de canal é o curto que aproxima o produtor dos varejistas, facilitando o acesso aos produtos deste. “[...] utilizado pelos distribuidores de bens de consumo sem recursos a atacadistas, isto é, diretamente do produtor aos varejistas. Por exemplo, distribuidores de eletrodomésticos e de automóveis utilizam canais curtos” (ROCHA; SOUSA, 2017, p. 29). O canal direto é aquele no qual a relação acontece entre produtor e o consumidor final, normalmente devido a características específicas do mercado. Os canais diretos têm a vantagem de ser completamente controlados pelos produtos e de proporcionarem à empresa produtora um melhor conhecimento de mercado, uma vez que ele receberá as informações a respeito instantaneamente (ROCHA; SOUSA, 2017, p. 31). Novaes (2015) destaca que um canal de distribuição deve possuir quatro funções, sendo: • Indução da demanda: apresentar o produto de forma a atrair o consumidor, via campanhas publicitárias, facilidades de pagamentos, entre outros serviços. • Satisfação da demanda: gerar o comércio deste produto, garantindo um produto ou serviço de qualidade ao cliente. • Serviço pós‑venda: atendimento ao cliente em qualquer situação de dúvida ou de necessidade em relação ao produto, como recall, coleta de resíduos, troca do produto. 55 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE • Troca de informações: apresentar dados referentes aos clientes e a demanda do produto. Além das funções destacadas, a organização deverá optar por um sistema de distribuição para o seu canal, são eles: • Extensiva: a empresa utilizará canais longos para sua distribuição. Neste caso, a organização tem como grande objetivo atingir mais pontos de venda. Porém, pode haver um prejuízo nesse sistema: a perda do controle do canal, o que impactará em custos mais elevados. • Exclusiva: nesse sistema a empresa entrega a concessão de seu produto a um determinado intermediário, sendo ele o responsável pela penetração no mercado e manutenção da quantidade de vendas. É possível observar tal sistema em franquias. • Seletiva: são escolhidos postos de venda específicos para o produto em questão, não aceitandoque a mercadoria seja exposta ou vendida em qualquer local, garantindo “certa exclusividade”. • Intensiva: tipo de distribuição baseada na colocação de produtos no maior número de lugares possível, buscando atingir públicos cada vez maiores. A figura a seguir, desenvolvida por Rocha e Sousa (2017), nos ajuda a entender em quais tipos de negócios poderão ser utilizados cada sistema. Extensiva Exclusivas Seletiva Intensiva Produtos da cesta básica Lojas franqueadas Lojas de artigos esportivos Jornais diários Figura 29 – Sistemas de distribuição Em cenário cada vez mais competitivo, os canais de distribuição ou canais de marketing assumem importante papel dentro do contexto mercadológico. Isso se dá pelo fato de as empresas não conseguirem estar em todos os locais ao mesmo tempo atendendo à demanda de seus clientes. Assim, motivados pela dificuldade de competição, pelo crescente poder que os distribuidores têm, por busca incessante das organizações, em redução de custos em suas operações, na corrida alucinante pelo crescimento, que gera conflitos e stress, e pelo domínio da tecnologia, as indústrias se veem obrigadas a dividir o trabalho da distribuição de seus produtos com outras empresas, as quais acabam sendo mais especialistas nessa operação do que a própria fabricante. (MEJIDO; SZULCSEWSKI apud BALLOU, 2007, p. 57). Para realizar a implantação de um canal de distribuição eficiente, é necessário avaliar as seguintes variáveis (ROSENBLOOM, 1999): 56 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade I • Mercado: o conhecimento dessa variável é de suma importância a qualquer empresa, pois a partir dela é possível mensurar o tamanho da demanda, elementos culturais, tamanho e localização, com o objetivo de explorar o canal de distribuição em sua plenitude. • Produto: o canal deve possuir o conhecimento em sua amplitude do produto que será vendida, criando condições de satisfazer os clientes em qualquer questionamento. Além disso, com tais informações em sua forma mais ampla, as próprias revendas terão condições de armazenamento adequado de cada mercadoria. • Empresa: analisar o tamanho e o poder que a empresa possui, podendo, assim, determinar o sua força de negociação nas diferentes esferas. • Variáveis intermediárias: verificar se o canal possui condições de tratar e cuidar do produto a ele confiado. Nesse caso, é importante que o produtor tenha consciência da necessidade de apresentar informações organizadas de seus produtos, realizando, se necessário, treinamentos. • Ambiente e comportamento: conhecer o cenário no qual a empresa está situada, sabendo reconhecer o comportamento dos consumidores que está diretamente ligado a fatores sociais, políticos, econômicos, tecnológicos e tantos outros. Após serem definidas as variáveis que poderão impactar o canal de distribuição, é possível definir os canais de distribuição. Utilizando o esquema proposto por Novaes (2015), teremos: Etapa 1 • Identificação de clientes: agrupar clientes com necessidades idênticas, ou seja, os clientes, normalmente consumidores finais, que utilizarão um mesmo produto, tendo foco no cliente. Um bom exemplo são as refinarias de petróleo, que após transformarem o material bruto em combustível, encaminham a uma distribuidora que utilizará, possivelmente, dois canais de distribuição: os caminhões e os oleodutos. E, de acordo com cada cliente, será realizada a entrega. Etapa 2 • Identificação e a prioridade das funções logísticas: é necessário, após projetar os canais, definir quais serão as funções de cada um deles e, em seguida, detalhar quais as funções logísticas. Dessa forma, as funções podem ser divididas em: — Informações sobre o produto: com clientes finais cada vez mais exigentes, a quantidade e a qualidade das informações devem estar mais disponíveis. 57 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE — Customização do produto: de acordo com as necessidades do mercado consumidor, os produtos deverão passar por reavaliações técnicas. — Afirmação da qualidade do produto: apresentação de garantias extras às já existentes no produto, devido a uma necessidade específica do cliente. — Tamanho do lote: transporte e armazenamento dos produtos de acordo com as necessidades individuais de cada cliente. — Variedade: diferentes especificações técnicas dos produtos forçam o vendedor a possuí‑los em seus estoques, estando relacionados à especificidade do consumidor. — Disponibilidade: adequar a disponibilidade do produto ou serviço às necessidades de cada cliente. — Serviço pós‑venda: oferecer aos clientes serviços diversos após a compra do produto, como instalação e manutenções constantes. “A definição das funções, para cada canal, deve ser feita preferencialmente com base em informações diretamente colhidas junto aos clientes” (NOVAES, 2015, p. 180). Etapa 3 • Benchmarking: com os requisitos do canal definidos, é necessário verificar, no mercado, se as práticas propostas estarão de acordo com as necessidades e satisfação dos clientes. Etapa 4 • Revisão do projeto: com as informações obtidas no benchmarking, é possível revisar e realinhar o projeto proposto, mantendo a ideia de satisfação do cliente. Etapa 5 • Custos e benefícios: medir os custos e os benefícios associados a cada alternativa do canal de distribuição, estimando os investimentos e os mercados atendidos por cada canal. Com isso, busca‑se definir a estrutura do canal de distribuição que atenda os interesses da empresa, com o mínimo de custo e a máxima satisfação do cliente. Etapa 6 • Integração com as atividades da empresa: integrar à estrutura atual da empresa a nova realidade obtida para a comercialização do produto. Após realizar todas as etapas do processo, é necessário verificar se esse canal de distribuição (ou canais) está atingindo o objetivo proposto. Essa avaliação pode estar diretamente ligada à questão dos 58 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade I custos‑benefícios deste. Assim, podem‑se utilizar os seguintes indicadores, porém é possível criar uma gama infinita deles (MEJIDO; SZULCSEWSKI, 2007, p. 62). • Volume vendido e a vender em determinado período. • Participação de mercado. • Margem do canal. • Participação no espaço das lojas. • Estrutura de vendas do canal. • Qualidade dos serviços prestados aos consumidores. Exemplo 1 Entender a forma como os canais de distribuição funcionam nos ajuda a elaborar a melhor estratégia para uma determinada empresa. Um exemplo clássico é de uma determinada fabricante de chocolates, uma das maiores do mundo, que tinha como um dos seus principais produtos um chocolate, denominado naquele momento de C&C. Esse chocolate foi introduzido no Brasil, porém sem grande sucesso. Após alguns anos, e com o aumento do uso das redes sociais, muitos brasileiros, que viajavam para o exterior, conheceram o chocolate C&C e questionaram a produtora sobre o motivo de não haver o mesmo chocolate em terras brasileiras. Após grande estudo, o chocolate foi relançado no Brasil e a estratégia da empresa foi simples: utilizar canais diretos, ou seja, a produtora entregava diretamente aos lojistas (mercados, supermercados, lojas de conveniências) e usando o sistema de distribuição intensiva (o chocolate foi colocado no maior número possível de locais de venda). Assim, a empresa garantiu o sucesso do relançamento e atingiu o público ansioso pelo chocolate C&C. Resumo As empresas estão cada vez investindo mais em conhecimento. Esse conhecimento não é limitado apenas a sistemas informatizados, é feito em várias áreas para ter condições de saber quem é seu cliente e o que ele deseja. 59 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE Estar atento às constantes mudançasno mundo e, consequentemente, no padrão de consumo existente gera ganhos incalculáveis às organizações. A previsão do consumo se torna uma arma fundamental para aqueles que tomam decisões, pois apresentam as possíveis tendências existentes para os próximos períodos. É nesse contexto que as sazonalidades aparecem e fazem a diferença. Uma fábrica de cobertores deverá reduzir a sua produção no momento em que o verão se aproxima, se preparando e reorganizando os seus projetos para a estação mais fria, assim como a indústria de sorvetes retrai sua produção em períodos mais frios do ano. A atual estrutura das organizações não permite erros e muito menos ficar com mercadorias paradas ou deixar um importante cliente esperando para receber as mercadorias. Se preparar para atender o cliente de forma rápida e eficiente é um diferencial competitivo ao qual todas as empresas devem se atentar. Mesmo empresas que possuem diversos clientes devem saber o momento de atendimento de cada um deles, como exemplo, as grandes redes de supermercados. Porém, não se deve perder a essência de sua missão, deixando que os diversos agentes de uma cadeia de abastecimento tenham a capacidade de produzir e efetivar a sua missão nessa estrutura. Exercícios Questão 1. (IFRN, 2012) O planejamento logístico busca sempre responder a perguntas tais como: o que, como e quando visualizando a construção mais adequada desse planejamento. Assim, envolve três níveis organizacionais: operacional, tático e estratégico. Uma das principais diferenças entre eles é o horizonte temporal do planejamento. Sobre o assunto, analise as afirmativas que seguem. I – Localização de estoques e seleção de modal são decisões de nível estratégico. II – Níveis dos estoques de segurança e regras de priorização de pedidos são decisões de nível tático. III – Separação de pedidos e despacho são decisões de nível operacional. Assinale a opção que contempla somente afirmativas corretas. A) I e II. B) I e III. 60 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade I C) I, II e III. D) II e III. E) II. Resposta correta: alternativa C. Análise das afirmativas I – Afirmativa correta. Justificativa: faz parte da elaboração do planejamento estratégico logístico a escolha da correta localização do estoque bem como a seleção do modal de transporte a ser utilizado. II – Afirmativa correta. Justificativa: a manutenção de material em estoques para utilizar em momentos críticos, o chamado estoque de segurança, bem como a boa administração de pedidos no momento certo, representa ações do nível tático. III – Afirmativa correta. Justificativa: no nível operacional, após as decisões do nível tático, estão as ações de separação de pedidos bem como expedição. Questão 2. (TCE‑GO, 2009) O gerenciamento de suprimentos por meio da abordagem do Supply Chain Management tem como objetivo estratégico: A) Promover a integração logística de toda a cadeia interna de suprimentos da organização. B) Fazer a distinção entre a cadeia de suprimentos da organização, incluindo os fluxos de materiais e de informações, da cadeia externa de fornecedores e do cliente final. C) Garantir a gestão da cadeia interna, incluindo fluxos de materiais e informações, visando, principalmente, a redução de custos e racionalização do fluxo de suprimentos da empresa. D) Realizar ações colaborativas que promovam a união de forças de empresas – cliente e fornecedora, cliente e cliente, ou fornecedora e fornecedora – visando explorar as atividades logísticas em busca de vantagens mútuas. E) Agregar valor aos produtos, reduzindo prazos, melhorando o atendimento de emergências, por meio da melhor coordenação intersetorial. Resolução desta questão na plataforma. 61 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE Unidade II 3 PROCESSOS DE CONTROLE DE RECEBIMENTO E ARMAZENAGEM As empresas, após decidirem pelo canal de distribuição ideal, devem atentar‑se a outro ponto extremamente importante para qualquer organização que busque excelência no atendimento ao seu cliente, ou seja, o recebimento correto das mercadorias e a forma de armazenagem ideal para o pronto atendimento. 3.1 Recebimento de materiais O setor de recebimento de materiais é aquele que possui o primeiro contato com a mercadoria que foi encaminhada após um determinado pedido de compra. Neste setor, são realizadas a desembalagem e a conferência inicial do material. Conforme destacam Martins e Alt (2009), o recebimento de materiais está condicionada a cinco fatores inter‑relacionados: espaço físico, informática, equipamento de carga e descarga, pessoal e procedimentos internos. Se a organização possui um sistema informatizado de códigos de barras, a leitura de cada mercadoria facilitará a conferência, porém se a empresa não dispuser de tal método a verificação deverá ser feita por meio da cópia do pedido de compra, dando sequência ao processo de exame da mercadoria. Após a conferência, manual ou via sistema, o departamento emitirá um relatório de recebimento, informando se os materiais comprados foram devidamente entregues. O relatório de recebimento é, pois, uma descrição dos materiais recebidos: suas quantidades, fornecedor, o número do pedido de compra, grau e condições dos materiais e outras informações julgadas oportunas. O relatório de inspeção e teste de material pode, em alguns casos, ser feito no mesmo impresso do relatório de recebimento (DIAS, 2011, p. 291). A conferência ou inspeção do recebimento dos materiais deverá ser feita de acordo com os padrões estabelecidos pela empresa, porém não se deve utilizar a mesma metodologia para todos os fornecedores e para todos os produtos. Assim, destacam Franceschini e Gurgel (2010), existem as seguintes formas verificação: • Conferência baseada no produto: (i) itens críticos: aqueles que são de extrema importância para o produto final; (ii) itens não críticos: normalmente, materiais que auxiliarão a produção; (iii) amostras iniciais: desenvolvimento de novos produtos e novos fornecedores. 62 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade II • Conferência baseada no fornecedor: (i) fornecedor com alta qualificação: empresas vendedoras com alto padrão de qualidade, não necessitando de conferência item a item; (ii) fornecedor com média qualificação: o fornecedor possui certo controle de qualidade, logo, a conferência será por amostragem; (iii) fornecedor com baixa qualificação: empresa vendedora já apresentou problemas anteriormente, necessitando, assim, de conferência rigorosa. A inspeção de recebimento também pode ser classificada quanto a sua natureza (FRANCISCHINI; GURGEL, 2010). Assim: • Natureza: (i) qualitativa: inspeção de alguns requisitos determinados, admitindo, em alguns casos, certos problemas menos impactantes; (ii) quantitativa: utiliza‑se métodos específicos para a verificação completa dos materiais entregues. • Porcentagem: (i) conferência de 100%: os itens entregues serão conferidos; (ii) conferência por amostragem: é utilizada uma amostra aleatória do produto entregue para verificação da conformidade ou não conformidade. • Ensaio: (i) destrutivos: o produto na inspeção será finalizado, deixando, assim, de existir; (ii) não destrutivos: após inspeção e testes, os produtos se mantêm em sua forma original ou com poucas alterações. Os materiais que passaram por conferência obterão as classificações de: (i) aprovado e liberado: não é necessário mais nenhum procedimento, já podem ser encaminhados para a produção; (ii) aguardando liberação: materiais que ainda passam pelo processo de análise, não podendo ser utilizado, ainda, pela produção; e (iii) reprovado: não atende as especificações do pedido de compra, assim, serão devolvidos e não utilizados na produção. Em alguns casos específicos, podem ser solicitadas liberaçõesde produtos em caráter urgência ou em comum acordo entre comprador e vendedor. São estas as três situações: • Necessidade de urgência de produção: o material será utilizado sem os devidos resultados das análises. • Desvio: em comum acordo, o comprador altera as especificações do material descritas no pedido de compra. • Concessão: o comprador autoriza a utilização de um determinado material dado como não conforme. Na própria área de recebimento de materiais deverão existir divisões para cada tipo de inspeção realizada: Área de recebimento Área de material reprovado Área de material aprovado e disponível para a produção Área de material em análise Figura 30 – Layout da área de recebimento de materiais 63 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE Observação Ao receber e conferir as mercadorias, o setor responsável reportará ao setor de compras qualquer tipo de diferença apresentada. Outro setor que deverá ser envolvido é o de contas a pagar, pois diferenças poderão gerar descontos em notas fiscais e faturas comerciais. Novamente, mostra‑se a importância de os vários departamentos de uma organização trabalharem em conjunto. Após o recebimento das mercadorias, outro ponto importante para as organizações é a armazenagem desses bens. Assim, trataremos a partir de agora do processo de guardar os produtos recebidos. Exemplo 1 O momento do recebimento de materiais em uma empresa deve ser organizado e eficiente. Muitas organizações acabam por se perder no momento em que diversas mercadorias de diversos tipos entram em seus estoques. Assim, Abreu (2017) apresenta quatro dicas extremamente importantes para que esse processo tenha sucesso. • Agende as entregas: ao combinar com o fornecedor um dia e horário, o setor poderá se organizar e reservar espaço para receber esse produto. Além, de melhor alocar a força de trabalho e, consequentemente, a estocagem da mercadoria. • Empregados treinados: uma equipe preparada para receber, conferir e armazenar os materiais gera ganho de produtividade e de organização para empresa. O treinamento consiste em fazer a relação pedido de compra versus nota fiscal, lançamentos e baixas de pedidos e até conferência fiscal dos produtos. • Tributos dos produtos: preparar a área de recebimento para compreender os tributos existentes em cada mercadoria facilita o aproveitamento dos impostos e evita problemas com as fiscalizações. Existem sistemas informatizados que auxiliam esse momento. • Relação com fornecedores: desenvolva uma política com os fornecedores em relação às divergências que podem surgir referentes aos preços e quantidades. Essa política poderá ser, de preferência, oficializada em um contrato, assim as partes não terão problemas no momento da conferência. Essas dicas poderão auxiliar e muito no momento da entrada de mercadorias na organização. 64 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade II 3.2 Processo de armazenagem Ao pensar em um determinado local para gerenciar seu negócio, o gestor deve estar ciente de que a demanda por determinado produto pode oscilar. Não é tarefa fácil ajustar e controlar a relação existente entre demanda e estoque, mas, mesmo com todos os problemas, a forma mais tranquila de se manter o atendimento ao cliente é com a armazenagem das mercadorias. A armazenagem é “[...] a administração do espaço necessário para receber, movimentar e manter os estoques” (PAOLESCHI, 2014, p. 16). Logo, é possível compreender a armazenagem como elemento de custo de uma organização, haja vista que ela se preocupa com a quantidade de materiais que se manterá em um estoque de forma a facilitar o acesso aos produtos. A quantidade de mercadorias que ficará estocada e armazenada na empresa é determinada por análises de demanda e o modo de armazenar será determinado pela empresa. A forma mais comum de armazenamento é por porta‑paletes, devidamente acondicionados em locais que facilitem o acesso, tanto de pessoal quanto de maquinário específico. O tipo de armazenagem apresentado é destacado por corredores largos, fácil acesso às mercadorias e iluminação adequada. Saiba mais As empresas de grande porte utilizam cada vez mais a tecnologia em seu processo de armazenagem. O texto a seguir auxilia a compreender esse processo de transformação no sistema de guarda de mercadorias. RIBEIRO, P. C. C.; SILVA, L. A. F.; SILVA, S. R. S. O uso da tecnologia da informação em operações logísticas de armazenagem. Revista de Administração da UNIMEP, v. 3, n. 3, set./dez. 2005. Disponível em: . Acesso em: 25. abr. 2018. Para alcançar uma armazenagem adequada é necessário, incialmente, pensar no layout ideal para a empresa e seu tipo de negócio. O cuidado especial a se ter na formatação do espaço disponível para o armazenamento do produto é de não incluir muitos processos que sejam desnecessários. Quanto mais facilitado e rápido o acesso aos produtos, mais produtivo será o setor. Para buscar o melhor aproveitamento do espaço, Russo (2013) destaca a necessidade de se utilizar tanto a área como o volume, tanto em armazéns verticais como em horizontais. 65 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE Destacando ainda o espaço de um local destinado a armazenagem das mercadorias, é preciso utilizar a quantidade correta de recursos humanos e materiais, haja vista que as atividades relacionadas a esses dois pontos não geram retorno direto às organizações. Mesmo sem a informatização no controle dos itens armazenados, é possível desenvolver sistemas de codificação, no qual a localização das mercadorias mantém o armazém organizado e de fácil acesso. Uma forma de organizar o armazenamento é através da classificação ABC. Ela facilita o entendimento dos produtos que são preferenciais dentro da organização, dando tratamento diferenciado a cada uma das mercadorias. 3.2.1 Classificação ABC A organização dos bens de acordo com a sua importância dentro do estoque de uma empresa tem se tornado cada vez mais relevante. Tratar todas as mercadorias como idênticas gera desperdício de tempo e de pessoal, logo, um esquema bem realizado poderá e deverá tornar o atendimento aos clientes mais rápido e preciso. Para utilizar tal metodologia é necessário definir um espaço de tempo, de seis meses a um ano, do consumo existente na empresa, medido em valor monetário ou em quantidade. Após esse levantamento de dados, classifica‑se a importância dos bens em ordem do mais importante para o menos importante. Assim, os principais itens recebem a letra A, os de média importância letra B e os menos importantes a C. Assim, podemos construir um exemplo de análise ABC. Exemplo 1 Construir a curva ABC dos itens a seguir: Tabela 11 Item Consumo/ano Custo/unidade 1 23.600 0,35 2 13.000 2,45 3 25 126,00 4 7.000 12,00 5 3.500 6,30 6 4.100 42,00 7 20.000 1,86 8 6.000 8,70 9 3.200 5,20 10 1.850 41,20 Com base no consumo e no custo de cada item ao longo de um ano, é possível analisar como cada um desses bens se comporta em termos de custos, apenas multiplicando consumo pelo custo: 66 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade II Tabela 12 Item Consumo/ano Custo/unidade Custo total 1 23.600 0,35 R$ 8.260,00 2 13.000 2,45 R$ 31.850,00 3 25 126,00 R$ 3.150,00 4 7.000 12,00 R$ 84.000,00 5 3.500 6,30 R$ 22.050,00 6 4.100 42,00 R$ 172.200,00 7 20.000 1,86 R$ 37.200,00 8 6.000 8,70 R$ 52.200,00 9 3.200 5,20 R$ 16.640,00 10 1.850 41,20 R$ 76.220,00 Os custos apresentados na última coluna devem ser classificados, do maior para o menor, logo: Tabela 13 Item Consumo/ano Custo/unidade Custo total 6 4.100 42,00 R$ 172.200,00 4 7.000 12,00R$ 84.000,00 10 1.850 41,20 R$ 76.220,00 8 6.000 8,70 R$ 52.200,00 7 20.000 1,86 R$ 37.200,00 2 13.000 2,45 R$ 31.850,00 5 3.500 6,30 R$ 22.050,00 9 3.200 5,20 R$ 16.640,00 1 23.600 0,35 R$ 8.260,00 3 25 126,00 R$ 3.150,00 Total R$ 503.770,00 Após encontrar o custo total por item e o somatório de todos eles, é possível identificar o valor percentual de cada um na estrutura de estoque da empresa, assim: Tabela 14 Item Valor consumido/Valor total Percentual Acumulado 6 172.200/503.770 34,1823 34,1823 4 84.000/503.770 16,6743 50,8566 10 76.200/503.770 15,1299 65,9865 8 52.200/503.770 10,3619 76,3484 7 37.200/503.770 7,3843 83,7327 2 31.850/503.770 6,3223 90,0550 5 22.050/503.770 4,3770 94,4320 67 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE 9 16.640/503.770 3,3031 97,7351 1 8.260/503.770 1,6396 99,3747 3 3.150/503.770 0,6253 100,0000 A tabela apresentada mostra o valor acumulado dos percentuais, assim, é possível identificar que os três itens correspondem a quase 66% dos gastos realizados com materiais. Resolução Logo a classificação ABC ficará da seguinte forma: A – Itens 6, 4 e 10 – 65,98% B – Itens 8, 7 e 2 – 24,07% C – Itens 5, 9, 1 e 3 – 9,95% De acordo com alguns autores, a regra para identificar os itens a serem alocados em cada uma das letras desta análise é a seguinte: • Itens A: correspondem entre 35% a 70% do movimentado em estoque ou os mais importantes. • Itens B: correspondem entre 10% a 45% do movimentado em estoque, intermediários em termos de importância. • Itens C: valores restantes. Esses possuirão menor importância. O exemplo de aplicação apresentado anteriormente, além de demonstrar a construção da análise ABC, é conhecido, também, como digrama de Pareto, no qual os percentuais determinam o nível de atenção que o gestor deverá ter com cada item existente em seu armazém. A operação do armazenamento é algo que deve ser muito bem cuidado, tanto pelos gestores como pelos colaboradores diretamente ligados ao processo, mantendo sempre esse espaço com acesso facilitado e os produtos organizados conforme a determinação do layout existente na empresa. Além disso, deve manter as informações, seja via terminais de computadores ou via manual, sempre atualizadas para que o cliente não seja prejudicado em seus objetivos. 4 PROCESSO DE MOVIMENTAÇÃO DE MATERIAIS Existe um cuidado nas organizações no momento de transferir mercadorias de um lugar para outro ou no momento da entrega aos clientes. Uma programação de movimentação mal feita gerará custos para a empresa, pois se o transporte for mal feito o cliente poderá receber a mercadoria danificada. Por isso, é importante levantar esse questionamento: qual é o impacto de um planejamento mal pensado? 68 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade II Discutiremos esses pontos a partir de agora, objetivando compreender a importância de planejar bem as ações tanto para os clientes internos como externos. 4.1 Manuseio de materiais Quando efetuamos a compra de um determinado bem, por exemplo, um livro, não vemos todo o processo existente por trás da entrega dele. O que foi feito para que um determinado produto chegasse de forma completa ao cliente final? Para realizar todo o processo da melhor forma possível, devem‑se manusear, de forma eficiente, todos os materiais que estão destinados ao cliente. A empresa deve manter todos os seus produtos organizados de forma a facilitar a sua separação no momento da entrada de um pedido. O primeiro passo a ser dado é identificar a localização de cada produto. Pode‑se criar uma codificação especifica deixando claro em qual parte do armazém cada um estará. Um sistema mais utilizado é o alfanumérico, no qual são dadas letras e números a cada um dos produtos, facilitando, inclusive, a sua localização nos corredores do estoque. A seguir, veremos os tipos de sistemas de classificação. 4.1.1 Sistema Dewey Esse sistema, desenvolvido e utilizado inicialmente em bibliotecas, hoje é utilizado em diversas empresas e conhecido, também, como Sistema Decimal de Classificação Universal (FRANCISCHINI; GURGEL, 2010). Nesse sistema, a empresa pode definir a quantidade de elementos a serem colocados em cada um dos seus códigos, mas o padrão clássico fica da seguinte forma: Chave descritiva Chave individualizadora Chave aglutinadora 00. 00. 000 Figura 31 Com base na definição apresentada por Francischini e Gurgel (2010), a chave aglutinadora identifica um determinado grupo de materiais, por exemplo, ferragens. A chave individualizadora identificará os 69 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE produtos com semelhança dentro do mesmo grupo, por exemplo, pregos e parafusos. Já a chave descritiva identifica cada item dentro da chave individualizadora, como pregos por um determinado tamanho. Assim, o código para pregos seria 00‑00‑00 e para parafusos 00‑00‑01. Observação Cada empresa irá escolher a forma de distribuir os seus materiais em cada um desses códigos de classificação universal. Exemplo 1 O sistema de Dewey pode ser feito da seguinte forma, de acordo com cada uma das grandes áreas existentes: 600 – Tecnologia 620 – Técnica 621 – Física aplicada 621.3 – Eletrotécnica 621.38 – Eletrônica 621.388 – Televisão 621.388 5 – Sistema de comunicação 621.388 57 – Televisão a cabo 4.1.2 Federal Supply Classification (FSC) Desenvolvido incialmente pela Defesa dos Estados Unidos, foi adaptado e aperfeiçoado para ser utilizado no mundo coorporativo. São utilizados no sistema de grupos (76 no total) e classes (564 no total) para identificação de todos os bens que poderão ser adquiridos por uma determinada empresa. É composto de 11 algarismos dispostos da seguinte forma: Número de identificação Código de classe Código do grupo 00. 00. 0000000 Figura 32 70 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade II Por possuir maior flexibilidade em sua definição de grupo e classe, o FSC é, normalmente, utilizado por empresas de grande porte. Exemplo 1 Podemos utilizar como exemplo a seguinte classificação: 7520‑123‑4567 Em que: 7520 – Código de classe 123‑4567 – Número de identificação 7520‑123‑4567 – Classificação FSN. 4.1.3 Codificação de material De funcionamento similar aos demais, a codificação de materiais apresenta os materiais agrupados ou individualizados. Assim: Número do grupo Número de identificação Número de classe Número de estoque 00 00 000 0000 Figura 33 Após compreendermos as principais formas de codificar os materiais, é possível determinarmos a forma de manuseio dessas mercadorias, mantendo‑as em locais de acesso facilitado para a providência de separação. 4.1.4 Equipamentos de espera Diversas são as formas de se manter a mercadoria de forma visível para facilitar a separação e a posterior remessa ao departamento solicitante ou ao próprio cliente final. 71 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE • Estantes: são extremante úteis, principalmente por manterem os materiais abertos e com fácil visualização. Figura 34 – Modelo de estante utilizada para separação e armazenamento de materiais • Porta‑paletes: estruturas utilizadas para volumes maiores com grande capacidade de armazenamento. • Porta‑paletes dinâmico: é similar ao sistema convencional de armazenamento de paletes, porém utiliza a gravidade para fazer com que um produto chegue a uma determinada esteira transportadora. São utilizados também com sistema eletrônico, que determina a descida das mercadorias. • Cantilever: vergalhões ou tubos que servem como estante de armazenamento de diversos materiais. A organizaçãoadequada dos materiais é fundamental para evitar erros e atrasos nas entregas. 4.1.5 Relação símbolos e manuseio Diversos materiais são identificados com símbolos para que no momento do transporte não sofram avarias. Assim, temos os seguintes elementos e a sua forma de manuseio: • Frágil: representado por um cálice, indica que a mercadoria necessita de cuidados ao ser manuseada. • Manter em local seco: representado por um guarda‑chuva, é indicado para produtos que não podem ser expostos à umidade. • Manter virado para cima: a indicação de duas setas voltadas para a parte que deve ficar com a face pra cima. • Qualquer lado correto: simbolizado por duas setas, uma para cima e outra para baixo, destaca que a mercadoria pode ser mantida em qualquer um dos lados. • Transporte sem gancho: algumas mercadorias não poderão ter ganchos utilizados em seu transporte. A representação é a de um gancho com um X no meio. 72 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade II • Manter em local fresco: um sol indica que a mercadoria não pode ser exposta a temperaturas elevadas. • Produtos perigosos: representados por uma caveira, que indica que determinado produto é nocivo. Outros símbolos podem ser utilizados e, em alguns casos, além do símbolo, existem escritos determinando que o produto deve ser manuseado de forma específica. 4.2 Processo de expedição A área de expedição é um departamento que possui características próprias. Deve ser planejada visando a utilização do espaço apenas para mercadorias e produtos que já têm um destino, pois não é produtivo manter nesse setor materiais que não possuem nenhum destino pré‑definido. De posse das informações dos materiais a serem expedidos, esse setor deverá verificar a existência ou não do produto em estoque. Após isso, realizar a separação e mantendo em local apropriado, informando que esse produto tem uma destinação. É correto realizar uma conferência final antes de finalizar o despacho dos produtos, pois erros não devem acontecer para não prejudicar o sistema de trabalho e nem os custos programados da empresa. Após a conferência, a expedição, de acordo com a necessidade do cliente e os custos de sua empresa, deverá definir, junto a outros setores da empresa, qual o tipo de transporte deverá ser utilizado. Teremos, então, o modal de transporte chamado de “[...] deslocamento da carga através de um único meio de transporte em que cada transportador emite o seu próprio meio de transporte” (PAOLESCHI, 2013, p. 77). Assim, os modais de transporte existentes são: • Modal aéreo: utilizado para mercadorias de alto valor, porém em pequenos volumes. Sua principal vantagem é a velocidade na entrega e sua desvantagem está na menor capacidade de carga. • Modal ferroviário: normalmente os bens que utilizam esse tipo de transporte são os com pesos elevados, por exemplo, o cimento. Sua principal vantagem são os custos mais vantajosos, porém a desvantagem habita na flexibilidade do trajeto, praticamente inexistente. • Modal hidroviário: utilizado para escoamento da produção, principalmente de bens agrícolas. Como vantagens estão os custos baixos e a capacidade de poluir menos o meio ambiente. A desvantagem é a forte regionalização, pois não atende ao país inteiro. • Modal marítimo: utilizado para envio de mercadorias ao exterior, pois aceita grandes cargas. As vantagens estão em seus custos e em poder transportar diversos tipos de mercadorias ao mesmo tempo. A desvantagem é em relação ao custo com embalagens. 73 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE • Modal rodoviário: usado para transporte de diversos tipos diferentes de carga, desde automóveis até grãos. As vantagens residem na flexibilidade, tanto de caminhos quanto de trocas por avarias. Já as desvantagens estão no custo e na vulnerabilidade aos assaltos. • Modal dutoviário: específico para alguns tipos de produtos que são encaminhados a granel para alguns países. Apresentaremos a seguir um resumo das principais características dos modais de transporte: Quadro 5 Modal Características Ferroviário Custos fixos altos (equipamentos, terminais, vias férreas). Rodoviário Custos fixos baixos e custo variável médio (combustível, manutenção, pedágios). Marítimo Custos fixos altos (navios e equipamentos) e variável baixo. Dutoviário Custos fixos altos (dutos e linhas de transmissão interligadas). Aéreo Custos fixos/variáveis altos (aeronaves, combustíveis, manutenção). Adaptado de: Wanke (2000). O modal de transporte mais utilizado no Brasil é o rodoviário, sendo utilizado para escoamento de aproximadamente 59% da produção nacional. O segundo colocado é o modal ferroviário, com 24%, seguindo pela modalidade aquaviária (13%). Os menos utilizados são o dutoviário e o aeroviário, com 3,7% e 0,3%, respectivamente. Saiba mais Para mais informações acesse: BRASIL. Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil. Anuário Estatístico de Transportes 2010‑2016. Brasília, 2017. Disponível em: . Acesso em: 25 abr. 2018. 4.3 Estocagem Manter produtos nos estoques de uma empresa fabricante de determinado bem pode significar, em termos contábeis, perda de dinheiro, pois muito material parado é poder monetário sem uso. Porém, para um comércio, manter os principais produtos, ou seja, os de maior giro, em estoque pode ser diferencial no atendimento ao cliente. 74 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade II Para analisar qual é a estocagem ideal, é preciso antes de mais nada conhecer a demanda pelo produto fabricado ou comercializado pela empresa, conforme tratamos anteriormente. A curva ABC apresenta que determinados produtos devem ficar mais a mão da empresa do que outros. Agora, vamos verificar quais as outras formas de controlar e analisar o nível ideal de estoque. A primeira representação a ser trabalhada para o nível ideal de estoques é a curva dente de serra. 4.3.1 Gráfico dente de serra O gráfico representa as entradas e saídas de determinada mercadoria ao longo de um determinado período, definido pelo gestor e pela organização, sendo que nesse sistema se espera o estoque chegar a zero para que a reposição seja feita novamente. Assim: 250 200 150 Qu an tid ad e 100 50 0 J A J OF M A NM J S D Figura 35 – Curva dente de serra Nessa situação, é possível observar que o estoque parte de uma quantidade de produtos e é utilizado em sua totalidade. Após isso é feita a reposição, novamente, na quantidade de mercadorias do início. Mais uma vez, ele é consumido de forma total e reposto. Isso sempre ocorrerá desde que não haja nenhuma falha na estrutura prevista pelo setor de compras, ou seja, desde que o fornecedor não atrase a entrega, o consumo se mantenha linear ou que o próprio departamento de compras não produza nenhum tipo de falha. Mas, sabe‑se que todas as variáveis não são fixas ao longo do tempo, pois nenhum dos citados possui margem total de manobra sobre tais elementos. Se ocorrer qualquer um dos problemas acima, podemos verificar uma ruptura na curva dente de serra. Nos meses em que a reposição deveria ocorrer, os dentes podem ser quebrados. O gráfico ficará da seguinte forma: 75 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE 250 200 150 Qu an tid ad e 100 50 0 J A J OF M A NM J S D Figura 36 – Curva dente de serra com ruptura Nesse caso, o mais sensato para a organização seria o planejamento via estoque mínimo, para evitar possíveis falhas às quais todas as empresas estão sujeitas. 4.3.2 Estoque mínimo É possível entender o estoque mínimo ou estoque de segurança como a parcela comprada de materiais destinada a atender possíveis problemas que venham a ocorrer em algumponto do processo de compras. Estoque mínimo determina a quantidade de peças existentes no estoque, destinada a cobrir eventuais atrasos no suprimento, necessidades do controle de qualidade, trânsito e a margem de segurança para flexibilidade do processo produtivo, objetivando a garantia do funcionamento eficiente do sistema produtivo, sem o risco de falha (PAOLESCHI, 2014, p. 69). Porém, esse estoque é uma decisão individual de cada empresa; os gestores, de posse das informações referentes à demanda, buscarão o ponto ideal para não apresentar falhas em seu fornecimento. 4.3.3 Estoque médio Esse tipo de estoque é obtido por meio da média aritmética das entradas e saídas de determinada mercadoria no estoque e pode ser calculado a partir da seguinte equação: EM Q Eseg= + 2 Em que: EM = Estoque médio 76 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade II Q = Quantidade adquirida para reposição do estoque Eseg = Estoque de segurança É possível calcular o estoque médio utilizando a quantidade adquirida na curva dente de serra e definindo o estoque de segurança em 10 peças. Logo: EM = +200 2 10 EM = 100 + 10 EM = 110 peças Observando o cálculo, podemos definir que a cada momento em que o estoque se aproxime da quantidade 110 peças, é hora de iniciar, novamente, o processo de compra da determinada mercadoria. No entanto, o cálculo apresentado é para um momento de demanda linear, ou seja, para períodos sem falha, mas e se ocorrerem os tais problemas com suprimentos, como resolver? Para calcular o estoque médio com alterações ao longo do período, utilizaremos a fórmula: EM Ei n i n = =∑ 1 Em que: EM = Estoque médio Ei = Estoque no final do período i n = Número de períodos Para efetuar o cálculo utilizaremos a tabela a seguir: Tabela 15 Mês J F M A M J J A S O N D Σ Estoque 200 180 130 80 200 180 130 20 200 180 130 80 1710 EM = 1710 12 = 142,5 ou 143 Nesse caso o estoque médio é de 143 peças. 77 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE 4.3.4 Giro do estoque Outra forma de avaliar o estoque é através do seu giro. Dessa forma, busca‑se verificar quantas vezes o estoque foi renovado em um determinado período de tempo. A fórmula para esse cálculo é simples: Giro Demanda m dia no per odo Estoque m dio no per odo = é í é í Utilizando os dados da tabela de estoque médio, é possível encontrar o resultado de quantas vezes o estoque circulou pela empresa. A demanda média de um determinado produto é igual a 1.700 peças, enquanto o estoque médio é de 143 unidades, assim: Giro = 1700 143 = 11,88 = 12 vezes por ano Assim, é possível compreender que o estoque desse determinado produto gira 12 vezes ao ano pela empresa, o que significa que ele é renovado 12 vezes por ano. Exemplo 1 A empresa OYH tem a sua composição de estoque, de uma determinada mercadoria, apresentada pela tabela a seguir, nos quatro primeiros meses do ano de 2017. Ela deseja saber qual é o seu estoque médio nesse período. Além disso, a empresa deseja saber qual é o giro do estoque para essa mercadoria, que tem sua demanda média em 59 peças, nos meses em questão: Tabela 16 Meses Janeiro Fevereiro Março Abril Total Estoque 64 82 46 61 243 O estoque médio é calculado por: EM Ei n i n = =∑ 1 EM = 243 4 EM = 60,75 78 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade II O estoque médio do produto é de 61 peças. Para o giro: Giro Demanda m dia no per odo Estoque m dio no per odo = é í é í Giro = 59 61 Giro = 0,97 Resolução Em relação ao giro, é possível compreender que ao longo de quatro meses (janeiro, fevereiro, março e abril) é de aproximadamente 1 vez, apresentando, consequentemente, a renovação de 1 vez ao período. A estocagem precisa de controles além da quantidade de peças que se deve manter em suas prateleiras, por isso é necessário verificar se tudo está correto dentro do estoque, ou seja, é preciso fazer um inventário. 4.4 Inventário Paulo Sandroni (1999, p. 308), em seu Novíssimo Dicionário de Economia, define inventário como: Relação pormenorizada dos bens e valores de uma pessoa ou firma. Em direito, é o processo pelo qual se faz a exata demonstração da situação econômica de uma pessoa falecida, antes de realizar a partilha entre os herdeiros. Em contabilidade, é a base sobre a qual se faz o balanço de uma firma. Conforme essa definição, podemos compreendê‑lo como o procedimento contábil realizado pelas empresas com o objetivo de conferir se a quantidade apontada nos controles da empresa são as mesmas verificadas fisicamente. Os inventários físicos podem ser feitos de duas formas: • Periódico: normalmente realizado ao final do ano exercício – no caso brasileiro –; a contagem de todos os itens é realizada por um grupo de pessoas, não apenas do almoxarifado, visando encerrar o processo no menor espaço de tempo. • Rotativo: a contagem do estoque é feita em diversos períodos ao longo do ano e, via de regra, cada item do estoque deve ser inventariado pelo menos uma vez ao longo desse período. 79 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE Independentemente da forma utilizada pela empresa, a preparação para o inventário é sempre a mesma, a saber (FRANCISCHINI; GURGEL, 2010): • Pessoal com experiência e que conheça os materiais da seção que será inventariada. • Deverão ser impressas etiquetas de identificação de cada item com sua localização e quantidade apontada em sistema. • As etiquetas devem ser triplas para serem feitas duas contagens e, se necessário, a terceira e definitiva. • Se a empresa possuir códigos de barras, deverá imprimir as etiquetas com ele. • As equipes deverão se dividir em dois grupos, uma que fará a primeira contagem e a outra para a segunda contagem. • Após a contagem será feita a inserção dos dados no sistema; um relatório de diferenças e o inventariado serão apresentados. É possível utilizar a ficha a seguir como modelo para a contagem do estoque: Ficha de inventário Código do produto: Unidades: Descrição: Local: 3º conferência Código do produto: Unidades: Descrição: Local: ____________ _____________ Visto Conferido 3º conferência Código do produto: Unidades: Descrição: Local: ____________ _____________ Visto Conferido 3º conferência Código do produto: Unidades: Descrição: Local: ____________ _____________ Visto Conferido Figura 37 – Ficha de inventário 80 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade II Um ponto muito importante a ser destacado é que durante o período de inventário evite‑se a movimentação de materiais, tanto de entrada como de saída, pois isso poderá gerar discrepâncias no processo. Com o fim do processo de inventário, é possível realizar certas medições que facilitarão a compreensão do quão importante é o registro rígido de tudo que acontece com o estoque. Esses cálculos são denominados acurácia e podem ser realizados de duas formas: por valores e por quantidades. As fórmulas para os cálculos são: • Quantidades Acurárica = n mero de itens com registros corretos n mero total de iten ú ú ss • Valores Acurárica = valor n mero total de itens de itens com registros corretos u A título de exemplo, vamos utilizar a tabela a seguir: Tabela 17 Classificação Itens contados Itens contados em % Itens com divergência Acurácia A 5.320 5.320 / 11.632 = 45,76% 312 (5.320‑312) / 5.320 = 0,9413 B 2.980 2.980 / 11.632 = 25,62% 187 (2.980‑187) / 2.980 = 0,9372 C 3.332 3.332 /71 4.2 Processo de expedição ....................................................................................................................... 72 4.3 Estocagem ............................................................................................................................................... 73 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 4.3.1 Gráfico dente de serra .......................................................................................................................... 74 4.3.2 Estoque mínimo ...................................................................................................................................... 75 4.3.3 Estoque médio ......................................................................................................................................... 75 4.3.4 Giro do estoque ....................................................................................................................................... 77 4.4 Inventário ................................................................................................................................................ 78 Unidade III 5 GESTÃO DE ESTOQUES E CENTROS DE DISTRIBUIÇÃO ..................................................................... 84 5.1 A armazenagem e os modelos de distribuição ........................................................................ 85 5.1.1 Distribuição com carga consolidada ............................................................................................... 86 5.1.2 Modelo de distribuição transit point .............................................................................................. 86 5.2 Segmentos que se utilizam de centros de distribuição ........................................................ 87 5.3 Gestão de estoques ............................................................................................................................. 97 5.4 Decisões relacionadas aos CDs ....................................................................................................... 99 5.4.1 Local de instalação ................................................................................................................................. 99 5.4.2 Projeto .......................................................................................................................................................100 5.4.3 Análise do mix de produtos ..............................................................................................................100 5.4.4 Expansão ..................................................................................................................................................101 5.4.5 Layout ........................................................................................................................................................102 5.4.6 Dimensionamento ................................................................................................................................106 6 CD COMO VANTAGEM COMPETITIVA ....................................................................................................106 6.1 Benefícios econômicos .....................................................................................................................107 6.2 Benefícios do serviço ........................................................................................................................109 6.3 Classificação do CD: próprios, independentes, terceirizados............................................110 6.4 Distribuição em rede .........................................................................................................................110 6.5 Sistema de informações gerenciais e tecnologias aplicadas à logística ......................112 6.5.1 Sistemas integrados de gestão (ERP) ............................................................................................ 112 6.6 Gestão de custos e serviços aos clientes ..................................................................................123 6.6.1 Os trade‑offs entre transportes, estoques e serviços aos clientes ................................... 125 Unidade IV 7 DESAFIOS EM DISTRIBUIÇÃO E ARMAZENAGEM .............................................................................139 7.1 Pessoal em logística e distribuição ..............................................................................................146 7.2 O relacionamento com os canais de distribuição .................................................................148 8 FERRAMENTAS DA QUALIDADE ...............................................................................................................149 8.1 O que é qualidade? ............................................................................................................................151 8.2 Just‑in‑time (JIT) ................................................................................................................................157 8.3 Programa 5S .........................................................................................................................................159 8.4 Housekeeping.......................................................................................................................................160 8.5 ISO 9000:2000 .....................................................................................................................................161 8.6 Modelo de excelência da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ) ................................164 7 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 APRESENTAÇÃO O atual contexto empresarial, caracterizado por ampla concorrência nos mercados, apresenta um desafio crescente para as organizações que buscam adquirir diferenciais competitivos e melhorias no atendimento aos clientes, e entre essas ações estratégicas destaca‑se a necessidade de implantação de canais de distribuição de produtos eficientes e voltados ao perfil dos clientes. Neste sentido, é necessário para a formação do gestor comercial conhecer os conceitos e as formas de operação desse importante componente da ação de vendas em função dos impactos que produzem em termos de definição de mix de produtos, política comercial e distribuição física com a formação de parcerias estratégicas de distribuição denominadas canais de distribuição para atendimento aos clientes e identificação de oportunidades de negócios. O comportamento dos clientes vem apresentando uma grande mudança com a utilização de diversos canais de compra e de pesquisa que demonstram interesse em adquirir produtos e serviços através de várias empresas e de diversas formas e localidades interagindo em vários momentos de compra, e as empresas terão que ser velozes no que se refere à gestão das estratégias de distribuição e vendas. A disciplina Canais de Distribuição e Estoques permite ao gestor comercial compreender o funcionamento das cadeias de abastecimento e distribuição em suas características estratégicas e operacionais, em que as empresas podem escolher entre manter parte ou a totalidade de seus estoques disponível em centros de distribuição (CD) próximos aos mercados com acesso rápido e entregas constantes. Para compreender essas questões, estudaremos a organização e o funcionamento de um canal de distribuição e a estrutura de um centro de abastecimento destacando aspectos logísticos, como transportes, estoques e serviços aos clientes. Inicialmente apresentaremos a integração entre as áreas de marketing e logística destacando os aspectos principais da gestão dos canais de distribuição de produtos e serviços com a utilização de modelos de negócios de venda ao consumidor, venda a empresas e venda de serviços com a utilização de intermediários na prestação de serviço logístico, como atacadistas, varejistas11.632 = 28,65% 401 (3.332‑401) / 3.332 = 0,8796 Total 11.632 Assim: (0,4576) x (0,9413) + (0,2562) x (0,9372) + (0,2865) x (0,8796) = 0,9228 ou 92,28% de acurácia. Observação As empresas multinacionais com sede em outros países e filiais no Brasil devem seguir os calendários contábeis brasileiros, realizando todos os seus inventários e balanços e publicando‑os em reais (R$) e depois em dólares (US$) ou moeda correspondente. 81 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE Resumo Os processos realizados dentro de uma organização são todos importantes e todos geram custos. Cabe às empresas buscar alternativas para redução desses custos que poderão causar grandes danos caso não sejam controlados. A área que cuida da parte de recebimento, armazenagem e estocagem de mercadorias, normalmente, está diretamente ligada a grandes custos na organização. É preciso realizar constantes arranjos e manter esse setor extremamente inserido e comprometido com os princípios determinados pela empresa. Uma simples conferência no momento do recebimento das mercadorias pode agregar valor ao produto, pois se feita corretamente evitará retrabalhos, devoluções entre outros problemas que podem atrasar a produção e ocasionar um cliente insatisfeito. O recebimento é importante, mas a guarda e armazenagem dos itens também tende a economizar para a empresa em termos de tempo. Se a mercadoria está colocada (armazenada) em um local correto e de fácil acesso, observa‑se a velocidade de atendimento, tanto do cliente interno como do externo. Uma organização que pretende auferir lucros cada vez mais expressivos precisa manter a correta forma de manusear seus produtos, observando as características diferentes que cada um dos itens possui e sabendo que ao retirá‑lo do local de armazenagem, todas as informações de como mantê‑lo devem ser seguidas desde a origem até o destino. O próprio esquema de despachar a mercadoria poderá ser fator de aumento na remuneração da companhia. Se um determinado cliente precisa de uma mercadoria com urgência, escolher o melhor modal para envio desta mercadoria fará a diferença. Em alguns casos, pode ser que a utilização de vários modais seja necessária, desde que o custo esteja dentro do planejado. A estocagem é um dos mais debatidos assuntos nas reuniões de gestores. Deve se fazer com que a demanda seja atendida e que os estoques estejam sempre organizados e com respostas imediatas às questões levantadas pela produção e demais áreas. 82 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade II Além disso, o estoque deve estar sempre organizado e com as quantidades e valores idênticos aos registrados nos sistemas informatizados, gerando a acurácia, ou seja, a precisão nos itens estocados pela organização. Exercícios Questão 1. (ENADE, 2009) Na maioria das organizações, observa‑se que cerca de 20% da quantidade de itens cadastrados corresponde a aproximadamente 80% do valor financeiro dos estoques, enquanto os 80% dos itens cadastrados restantes vão representar apenas 20% do valor do inventário total. Em síntese, um número relativamente pequeno de itens vai ser responsável por grande participação no custo ou no valor dos estoques. Para gestores de varejo, é importante classificar, por meio da curva ABC, os itens que serão comercializados. porque Os itens de categoria A devem receber uma forma de controle menos rígida dos estoques e os itens B e C devem receber um controle mais rígido. Considerando‑se essas frases, é correto afirmar que: A) A primeira é verdadeira, e a segunda é falsa. B) A primeira é falsa, e a segunda é verdadeira. C) As duas são verdadeiras, e a segunda justifica a primeira. D) As duas são verdadeiras, e a segunda não justifica a primeira. E) As duas são falsas. Resposta correta: alternativa A. Análise da questão A primeira afirmativa está correta, pois na gestão de estoque de varejo, onde existe grande quantidade de itens e cada um representa valor diferente, há necessidade da classificação dos materiais pelo método ABC, partindo dos itens mais caros (A) e que representam menores quantidades em estoques, para os itens de menores valores (B e C). A segunda afirmativa está incorreta, pois na gestão de estoque pelo sistema ABC, itens de classe A são os que representam maiores valores, demandando controle mais cuidadoso do que os itens de menor valor como os componentes das classes B e C. 83 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE Questão 2. Uma das grandes dificuldades encontradas por variadas empresas está na armazenagem, tanto de matéria‑prima quanto de produto acabado. Assim, armazenagem, manuseio e controle dos produtos são componentes importantes e essenciais do sistema logístico, pois seus custos envolvem elevada porcentagem dos custos totais logísticos de uma empresa. Sobre o assunto, a questão que se coloca é a dificuldade com que as empresas se deparam no momento de decidir com precisão o layout de seu armazém. Sobre o assunto, indique a alternativa incorreta. A) Um dos objetivos do layout de armazém é propiciar maior eficiência na movimentação de materiais, conjugada à máxima utilização do espaço disponível. B) Quando do desenho do layout de armazém, deve‑se ter em mente que itens pesados devem ser estocados em áreas de fácil movimentação. C) Itens de giro rápido devem ser colocados perto das áreas de recebimento e embarque, para que a atividade de remoção e transporte seja reduzida e contribua com o melhor desempenho da localização. D) Materiais de giro rápido e materiais de reserva devem obedecer às estratégias de armazenagem idênticas. E) Uma alternativa de layout de armazém é o da localização fixa, geralmente utilizado em pequenos depósitos, em que o aproveitamento do espaço não é crucial, pois há pequeno número de unidades para armazenagem. Resolução desta questão na plataforma. 84 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade III Unidade III 5 GESTÃO DE ESTOQUES E CENTROS DE DISTRIBUIÇÃO Antes de tudo é necessário entender a importância do centro de distribuição (CD) e a gestão de estoques de uma determinada organização. O CD é muito mais que um simples depósito: tem funções importantes, tais como receber mercadorias, armazená‑las (até que sejam expedidas), movimentá‑las, organizá‑las até a devida expedição. E é importante que tudo isso seja feito dentro de uma dinâmica adequada, que permita otimizar as operações: “A dinâmica de um armazém consiste basicamente em receber, movimentar, estocar/armazenar, movimentar e expedir, e para que isto ocorra há que se dimensionar com a maior exatidão as áreas correspondentes a este processo” (PALETTA; SILVA, 2003, p. 2). • Recebimento: a mercadoria deve ser recebida e conferida, tanto no aspecto quantidade quanto no que se refere à qualidade (Há embalagens danificadas? Há dano material?). Descarregar e inspecionar corretamente faz parte dessa etapa. • Movimentação: a mercadoria precisa ser movimentada no espaço do armazenamento. Os trâmites de receber a mercadoria e armazená‑la em espaço adequado e, posteriormente, encaminhá‑la para o setor de expedição faz parte da movimentação interna que exige meios adequados e de acordo com a necessidade (empilhadeiras, carros de movimentação interna, elevadores para prateleiras e plataformas etc.). • Armazenamento: destinação do espaço físico adequado para a mercadoria entre a sua recepção no centro de distribuição e seu posterior encaminhamento para a expedição e, consequentemente, entrega. • Expedição: ato de embalar (se for o caso) e expedir para o cliente. Colocar no modal de transporte adequado e garantir que toda a operação seja realizada de forma adequada. Lembrete A operacionalidade do CD depende de um bomplanejamento, pois de nada adianta planejar um CD para armazenar sorvetes e depois trabalhar com produtos que não exijam câmaras frias. Na questão da armazenagem há decisões específicas que determinam o sucesso do empreendimento: localização, layout, movimentação de materiais, identificação e endereçamento 85 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE do material, picking e tecnologia da informação e comunicação (MACEDO; FERREIRA, 2011 apud SILVA; SANTOS; SOARES, 2017). Quanto à localização, onde instalar o CD é decisão estratégica que deve ser tomada com bastante estudo e planejamento, considerando os recursos de transporte, os mercados a serem explorados, a facilidade de contato com a clientela e o respectivo acesso, tanto de empregados, quanto de clientes e operadores (transportadores, pessoal de manutenção etc.). Já o layout das instalações é determinante para uma operacionalidade tranquila, por exemplo, se o CD trabalhar com o sistema Primeiro que Entra, Primeiro que Sai (PEPS) poderá, perfeitamente, utilizar um armazém com duas portas: uma de entrada das mercadorias e outra de saída. Na medida em que as mercadorias chegam, podem ser armazenadas próximas à porta de saída, de forma que a operacionalidade seja garantida. Já um CD que trabalhe com o sistema Último que Entra, Primeiro que Saí (UEPS) pode trabalhar com uma única porta: as mercadorias que chegam primeiro são armazenadas no fundo do armazém. As últimas podem ser armazenadas próximas à única porta, pois em nada prejudicarão o fluxo haja vista que essas últimas serão as primeiras a serem entregues. Saiba mais Mensurar o estoque de uma organização é prática importante para todos os gestores. No artigo a seguir, é possível compreender melhor essa prática. RODRIGUES, G. L.; SOUZA, C. A.; DALFIOR, V. A. O. Avaliação do método de mensuração dos estoques em uma empresa S.A. – um estudo de caso. In: SIMPÓSIO DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO E TECNOLOGIA, 12., Resende, 2015. Anais... Resende: Associação Educacional Dom Bosco, 2015. Disponível em: . Acesso em: 14 maio 2018. 5.1 A armazenagem e os modelos de distribuição A gestão operacional dos canais de distribuição comporta várias opções em termos de recebimento de mercadorias dos fabricantes e da distribuição física dessas aos mercados revendedor e consumidor. A análise técnica bem elaborada e personalizada, conforme as características físicas e logísticas das operações de movimentação de carga, pode significar redução de custos e investimentos em estoques, bem como na estrutura física de armazenagem. Pode também criar um diferencial competitivo em termos de agilidade e rapidez no serviço aos clientes. Vejamos, a seguir, duas opções principais de gestão da distribuição física a partir dos canais de distribuição e que podem ser utilizadas por fabricantes, atacadistas, varejistas e distribuidores de produtos em geral. 86 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade III 5.1.1 Distribuição com carga consolidada Modelo de distribuição muito utilizado por fabricantes em que os canais de distribuição recebem as mercadorias, executam o descarregamento nos armazéns e recebem os produtos de diversos fabricantes provenientes de várias localidades do país. Feito o recebimento dos fabricantes, as transportadoras executam o carregamento em um único veículo de transporte de lotes recebidos de diversos fornecedores (consolidam) e realizam as entregas conforme as demandas dos clientes com pedidos completos. A B C CD X Y Z Carga consolidada Carga fracionada Fo rn ec ed or es Clientes Figura 38 O modelo de carga consolidada é muito utilizado na distribuição física em grandes centros urbanos que possuem restrições de horários para transportes de cargas ou que possuem vias locais de limitadas capacidades de absorção de tráfego e limitações de carga de descarga. 5.1.2 Modelo de distribuição transit point Nesse modelo de distribuição, as cargas recebidas dos fabricantes ou dos fornecedores, primeiramente, são redistribuídas fisicamente dentro dos canais de distribuição (varejistas, atacadistas, distribuidores, operadores logísticos, galpões). Depois, são redistribuídas para veículos de menor porte que realizam as entregas de forma pulverizada e capilar em vários pontos de vendas ou distribuição até chegarem aos consumidores finais. Fornecedor ou fabricante Transit point Cliente Cliente Cliente Carga consolidada: vários pedidos completos e misturados Não tem estoque! Pedidos fracionados completos Figura 39 No transit point os produtos recebidos já tem um destino estabelecido e não há espera pela colocação dos produtos com instalações mais simples de baixo nível de investimentos, pois não necessitam ter grandes espaços de armazenagem e nem realizar as atividades de fracionamento de embalagens (picking). 87 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE 5.2 Segmentos que se utilizam de centros de distribuição Os CDs facilitam as organizações na medida em que aproximam a distribuição dos produtos dos mercados‑alvos. Isso permite agilidade, maior flexibilidade operacional e um atendimento mais rápido e focado no cliente. Há segmentos que tradicionalmente se utilizam dos CDs, conforme o levantamento “Análise Setorial de Centros de Distribuição”, feito em 2001 pelo jornal Gazeta Mercantil, ainda bastante citado por autores da área, como Rodrigues e Pizzolato (2003) e organizações da área (ARM). Supermercados A concorrência acirrada e a grande variedade de produtos faz desse segmento um grande utilizador de CDs. A utilização de depósitos centrais permite desenvolver operações mais ágeis e dinâmicas. Figura 40 Observação Observe a enorme quantidade de produtos que o consumidor tem à disposição em um supermercado. A importância da logística está não só na otimização dos recursos das organizações, mas, também, na capacidade que elas possuem de disponibilizar produtos e serviços ao público. Eletroeletrônicos Estabelecimentos que comercializam eletroeletrônicos necessitam de CDs para a facilitação das operações. Estoques nas próprias lojas não são viáveis, haja vista que muitos eletroeletrônicos ocupam um espaço considerável, como geladeiras, fogões e máquinas de lavar roupa, por exemplo. Um estoque de muitas peças acabaria por ocupar espaço caro, que é o espaço apropriado para as vendas, como em shoppings centers. 88 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade III Saiba mais O desenvolvimento e a tecnologia são responsáveis por parte do sucesso da humanidade. Mas, paga‑se um preço por isso: a poluição. Vamos refletir sobre isso? Leia o artigo a seguir para melhor compreensão do tema: BARBOSA, V. Geração anual de lixo eletrônico passa de 40 milhões de toneladas. Exame, fev. 2018. Disponível em: . Acesso em: 14 maio 2018. Farmácias e drogarias Esse segmento possui uma série de especificidades: é muito pulverizado, dada a quantidade de medicamentos e o número de estabelecimentos de todos os tamanhos; há atacadistas que suprem o mercado e, no caso de grandes drogarias, a própria indústria faz o atendimento. Detalhe importante: medicamentos de uso restrito devem ficar guardados no estabelecimento de venda ao consumidor e são vendidos mediante identificação do cliente e com receita médica. Observação A automedicação pode trazer os mais variados problemas. Livrar‑se rapidamente de um sintoma pode resolver momentaneamente um problema, mas não deve ser um comportamento corriqueiro. Figura 41 89 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 2018 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE Saiba mais Há preocupação constante das autoridades e órgãos responsáveis com a correta utilização dos medicamentos: LEAL, A. Anvisa estuda como estimular uso racional de medicamentos. Exame, jan. 2013. Disponível em: . Acesso em: 14 maio 2018. Vendas diretas A venda direta é feita por vendedores que visitam clientes fora do estabelecimento comercial. Normalmente, levam uma amostra do produto ou, na maioria das vezes, vendem por catálogo. Anos atrás, um segmento bastante ilustrativo desse segmento era a venda de livros. As editoras possuíam distribuidores próprios ou atacadistas que distribuíam produtos vendidos em todo o Brasil. Recentemente, o segmento de cosméticos parece representar bem essa forma de comércio: vendedores ou vendedoras visitam residências e/ou empresas, fazem as vendas e, posteriormente, são realizadas as entregas. Os CDs estrategicamente distribuídos dinamizam e estimulam essa prática. Canais eletrônicos de marketing Conforme definição proposta pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE, 2000), comércio eletrônico é a realização de transação comercial por meio da internet. Ele não se limita à venda de bens e serviços e inclui a venda de serviços através de mediação eletrônica em mercados de consumo (B2C) e empresariais (B2B). Conforme Rosenbloom (2002, p. 34), canal de marketing eletrônico pode ser definido da seguinte maneira: O uso da internet para tornar produtos e serviços disponíveis de tal forma que o mercado‑alvo, com acesso a computadores ou outras tecnologias possa comprar e completar a transação de compra por meios eletrônicos interativos. Nesse sentido, podemos destacar que a utilização do marketing eletrônico comporta algumas diferenças em relação ao processo de distribuição tradicional: • Permite maior apoio às empresas ofertantes em termos de informação e disponibilização de produtos e aceite das propostas de compra dos interessados. 90 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade III • A venda não representa acesso imediato dos compradores ao produto, apesar do compromisso contratual e do acesso aos recursos financeiros por parte dos ofertantes. • A intermediação eletrônica envolve outros processos de integração eletrônica e não se limita ao uso da internet. A difusão acelerada de novos meios de comunicação digital, como a utilização de aplicativos e aparelhos celulares, demanda das empresas uma mudança nas políticas comerciais e de distribuição, através de novas configurações dos modelos de distribuição e de maior interatividade entre as transações comerciais realizadas entre os ambientes físico e virtual. Esse fato pode afetar a distribuição em três aspectos principais: • Intermediários: redução ou aumento – há a possibilidade de redução ou eliminação de canais intermediários, em razão das funcionalidades possíveis através da intermediação eletrônica e da venda direta, em termos de acesso e de busca de informações. Ao mesmo tempo, há a necessidade de novos canais de distribuição com outras características e funções, considerando a necessidade de cada empresa e a busca de maior eficiência e qualidade dos serviços prestados aos consumidores. • Velocidade: informação versus produto – a introdução dos canais eletrônicos demanda uma revisão dos sistemas de gestão de informação e de fluxo de distribuição dos canais participantes do processo de venda, devido aos fluxos vinculados à movimentação de produtos e estoques, ao pagamento e à informação on‑line aos consumidores sobre entregas e prazos. • Integração de venda: virtual versus física – a interação entre os ambientes físicos e virtuais exige das empresas uma parcela de substituição dos tradicionais pontos de venda. Isso reforça a necessidade de uma nova configuração dos canais de distribuição em operação em razão da crescente utilização dos canais eletrônicos pelos consumidores que se ampliam de forma crescente, como forma de aquisição de produtos e serviços em todas as classes sociais e da ampla gama de segmentos de mercado. A seguir, apresentaremos as etapas de venda de um produto em uma loja virtual: • Preparação do pedido: nessa fase, o comprador precisa localizar e identificar a mercadoria, obter as informações necessárias para tomar a decisão de compra, autorizar a transação financeira e transmitir o seu pedido para o site. • Processamento do pedido: a partir da transmissão do pedido, cabe ao site processar e repassar as informações do pedido para as várias entidades envolvidas no processo, como os bancos e as administradoras de cartão de crédito, os centros de distribuição e as transportadoras. — Esse procedimento pode ser completamente automatizado, o que reduz distorções nas informações, como troca do nome de cidades e endereços, troca de produtos etc. 91 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE • Atendimento do pedido: implica na confirmação da transação financeira, separação da mercadoria – ou encomenda junto ao fornecedor – embalagem, emissão da documentação fiscal e entrega ao transportador. • Entrega: corresponde ao envio da mercadoria ao destinatário. Pode ser oferecida ao comprador a possibilidade de rastreamento das mercadorias após a entrega delas ao transportador. É essencial que as empresas possuam um planejamento eficaz da execução das encomendas e de todo o processamento de pedidos dos clientes. O ciclo físico precisa aproximar‑se o mais possível do virtual, por isso é importante que possua um bom serviço a baixo custo. A entrega dos produtos no local certo requer sistemas logísticos apropriados e eficazes. Um dos grandes desafios tem sido deslocar pequenos volumes num enorme espaço geográfico. A logística é, por isso, um dos pontos mais problemáticos do negócio eletrônico. Potencialidades dos canais eletrônicos A crescente utilização dos canais eletrônicos pode conferir às empresas a conquista de vantagens competitivas ou as potencialidades de mercado, bem como pode limitar algumas atividades. Entre as potencialidades podemos destacar: • Acesso global: os meios eletrônicos conferem às empresas uma ampliação do mercado geográfico que podem conferir ampla exposição comercial dos produtos e serviços e para os consumidores uma ampliação das ofertas em termos de busca de informações, consultas e comparações de preços. • Conveniência: os meios eletrônicos criam uma mudança comportamental dos consumidores em termos de redução de esforços de deslocamentos e de gasto de tempo e recursos para as compras e pesquisas de produtos. Isso confere uma mudança na gestão do planejamento de marketing. • Disponibilidade de informações: a simplificação do acesso às informações aos consumidores permite às empresas a elaboração de uma nova estratégia de competição no mercado, baseada na prestação de serviços que permitem identificar e selecionar as formas de vendas que os consumidores podem considerar como um diferencial. • Rastreabilidade: a internet permite às empresas identificar e rastrear as operações comerciais dos consumidores e elaborar ações e programas de marketing orientados a buscas dos mercados com maior eficiência, em termos comerciais, através da interatividade. • Gestão de custos: em razão da possibilidade de redução dos custos associados a propaganda, equipe de vendas, gestão de pedidos e custos financeiros para manter estoques, os canais eletrônicos custam menos em termos de vendas e distribuição. 92 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade III Internet Telemarketing Lojas de varejo Distribuidores Parceiros de valor agregado Força de vendas Canais de marketing direto Canais indiretos Canais de vendas diretas Alto Baixo Baixo AltoCustopor transação Va lo r a gr eg ad o da v en da Figura 42 O comércio eletrônico exige CDs aptos a desenvolverem a separação, conforme a embalagem de produtos e a respectiva expedição. As vendas são extremamente fracionadas e podem abranger desde uma única peça para determinado consumidor, como um pendrive, até vários produtos num mesmo pedido. Internet e a gestão de canais de distribuição O desenvolvimento de vendas pela internet foi grande, especialmente com a ampla difusão dos meios de pagamento, como cartões de crédito e débito e com a utilização em massa da rede de computadores. Alguns aspectos devem ser considerados em termos de gestão de canais de distribuição para o futuro, levando em consideração as tendências atuais de disseminação da utilização dos canais digitais nos mercados de consumo, a saber: • As características dos clientes on‑line estão em processo de evolução e crescimento, por isso os planos de marketing precisam ser monitorados e ajustados. • Apesar da disseminação do meio, em razão da natureza física de alguns produtos, nem todos possuem o perfil de negócio ajustado aos canais eletrônicos, por isso devem ter uma estratégia comercial específica. • A utilização do comércio eletrônico nas redes de varejo está evoluindo, mas ainda é fortemente baseada em negócios físicos e restrita a grupos específicos de produtos, como eletroeletrônicos, por exemplo. 93 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE • A logística é cada vez mais utilizada nos países desenvolvidos, como parte da estratégia competitiva das empresas. A Heineken, uma das maiores fabricantes de cerveja do mundo, entrega seu produto em apenas 24 horas; a Domino´s Pizza ergueu seu império prometendo a encomenda em 30 minutos ou não cobraria pela entrega, enquanto empresas americanas do tipo courier coletam despachos num dia e entregam em qualquer parte do país até a metade do dia seguinte. A estratégia de serviços é uma visão daquilo que a organização quer ser aos olhos dos clientes. Uma estratégia de serviços competitiva deve incluir: uma promessa da empresa em benefício do cliente; a criação de um grande diferencial; a geração de valor para o cliente; e a geração de valor para os empregados. É importantíssimo desenvolver sistemas operacionais para apoiar a entrega de serviços e produtos. Seguem algumas observações importantes a respeito desse tema: • Nunca se deve prometer o que não for possível de entregar, para que sempre se entregue o prometido. • A meta de prestação de serviços é a exclusividade. O cliente aprecia ser tratado de modo especial, portanto, é fundamental conhecê‑lo e, para isso, é preciso saber ouvir e entender suas necessidades. • Lembre‑se de que o melhor serviço é o que satisfaz a quem o comprou. Nada mais justo, então, que o comprador defina as metas da organização. • Quanto maior for o número de pessoas diretamente envolvidas com o cliente, tanto menor será a probabilidade de ele ficar satisfeito. Saiba mais O mercado de cosméticos premium, aqueles oferecidos para as classes A e B, resiste à crise econômica. O artigo da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC) ilustra essa informação: SOCIEDADE BRASILEIRA DE VAREJO E CONSUMO (SBVC). Crise não impede crescimento do mercado de cosméticos premium no Brasil. São Paulo, 2017. Disponível em: . Acesso em: 14 maio 2018. As necessidades, desejos e atitudes do cliente devem ser monitorados. Sua satisfação serve como ponto focal para a corporação, para tanto a regra básica é o envolvimento da alta administração nesse monitoramento e no processo de descoberta do perfil do cliente. Pode ser um erro fatal tratar com negligência a área de treinamento. É preciso investir no desenvolvimento de pessoal. Um gerente deve conhecer minuciosamente o que está vendendo e dar, 94 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade III aos fornecedores de serviços na linha de frente, suporte e informações a respeito do mercado global e das reações dos clientes. Projetos de tecnologia de produção não são úteis apenas para ganhos em eficiência e lucratividade. Eles também têm relação direta com a satisfação interna, pois tornam o trabalho mais fácil e recompensador para o pessoal operacional. O serviço de atendimento ao cliente, enfim, é uma questão de percepção. Deve‑se olhar esse serviço com os olhos do próprio cliente. Comércio eletrônico ou e‑commerce O comércio eletrônico exige CDs aptos a desenvolverem a separação, conforme o caso a embalagem de produtos e a respectiva expedição. As vendas são extremamente fracionadas e podem abranger desde uma única peça para determinado consumidor, como um pen‑drive, até vários produtos num mesmo pedido. Saiba mais Leia o artigo: DINO. Principais tendências do e‑commerce em 2018 para empresas brasileiras. Exame, jan. 2018. Disponível em: . Acesso em: 14 maio. 2017. O desenvolvimento de vendas pela internet foi grande especialmente com a ampla difusão dos meios de pagamento, como cartões de crédito e débito e com a utilização em massa da rede de computadores. Lembrete Um gestor de sucesso deve e precisa manter‑se sempre atualizado. Indústria As indústrias são empresas que produzem produtos e serviços para ser comercializados pelos canais diretos e indiretos de vendas aos clientes finais. A utilização de CDs tem sido parte fundamental na redução de custos, buscando maior competitividade dos produtos. Nesses casos, poderão ser utilizados CDs próprios ou terceirizados, visando, assim, melhorias no processo de oferta de bens para os clientes, com tempo reduzido e melhor estratégia de formação de preços. 95 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE Saiba mais Para compreender melhor a aplicação de um CD para a indústria, leia o artigo a seguir: ALBERNAZ, H.; MARUYAMA, Ú. Benefícios na implantação dos centros de distribuição para a logística: a indústria de óleo lubrificante e o CD Suape. In: SIMPÓSIO DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO E TECNOLOGIA, 11.; Resende, 2014. Anais... Resende: Associação Educacional Dom Bosco, 2014. Disponível em: . Acesso em: 14 maio 2018. Atacadista distribuidor Os famosos atacadistas são das categorias que melhor definem a necessidade de utilização de um CD. Esses mega‑hipermercados não são fabricantes de nenhum tipo de produto, logo necessitam de grandes estoques para atender seus clientes. Porém, manter tudo em estoque é uma estratégia muito arriscada, por isso, eles se utilizam dos CDs, pois mesmo com as suas grandes estruturas, o espaço destinado à estocagem é limitado. Os atacadistas desempenham um papel importante na cadeia de vendas e distribuição, já que adquirem produtos dos fabricantes em volumes elevados para abastecer revendedores. Logo, possuem uma visão ampla do mercado, pois além do contato com os fabricantes, mantêm a proximidade com revendedores e clientes finais. Os atacadistas distribuidores podem ser classificados em dois grupos principais: generalistas e especializados. Os generalistas possuem amplo mix de produtos sem nível elevado de especialização técnica em determinada linha ou fabricante específico. Já os especializados atuam de forma mais dirigida em determinados produtos e mercados, apresentando soluções completas e amplas. Os atacadistas distribuidores podem ser classificados conforme a forma de atuação e o segmento de atuação (empresas ou varejo): • Distribuidores especializados por mercado de atuação: nesse segmento existe uma especialização do atacadista em um portfólio de produtos específicos para atender à demanda dos revendedores queatuam tanto no mercado de consumo quanto no mercado corporativo. • Distribuidores especializados por portfolio: nesse grupo, atuam os atacadistas que revendem produtos especializados, por exemplo, na área de tecnologia da informação (TI) em que alguns vendem apenas equipamentos (hardware) e outros apenas programas (software). 96 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade III • Distribuidores especializados por região geográfica: a região geográfica é um dos principais atributos dos atacadistas, pois abrange a capacidade de atendimento em termos de localização ou capilaridade. Podem ser classificados como nacionais ou regionais. • Distribuidores especializados por nicho: nesse grupo, encontramos os atacadistas que atuam em segmentos considerados nichos em termos de mix de produto, aplicação e ramo de atividade. • Distribuidores exclusivos e não exclusivos: nesse grupo estão os atacadistas que possuem algum contrato de exclusividade com os fabricantes para a distribuição. Observação É importante destacar que mesmo com grandes estruturas existentes dos atacadistas, o espaço destinado à estocagem é limitado. Operadores logísticos O termo operador logístico, aplicado aos canais indiretos de distribuição, surgiu com o advento da internet e do e‑commerce quando fabricantes e operadores de telecomunicações, entre outras, buscaram as empresas de distribuição de produtos para atender às vendas eletrônicas a fim de terceirizar atividades de logística e delivery de vendas através de canais eletrônicos. O operador logístico é aquele que presta os serviços logísticos para uma determinada organização. Há quem chame assim o profissional especializado em logística. O mercado, de forma geral, considera um operador logístico a empresa que presta serviços logísticos para outras. As maiores empresas dessa área estão reunidas na Associação Brasileira de Operadores Logísticos (Abolbrasil): Os 27 associados da Abol, com receita bruta anual de R$ 12 bilhões, representam cerca de 18% do grupo dos maiores operadores logísticos em atividade no Brasil. Arrecadam cerca de R$ 2 bilhões de impostos e encargos por ano, empregam, diretamente mais de 62 mil pessoas. Estão em todos os estados brasileiros, operam em todos os setores da economia, prestando todo o elenco de serviços logísticos, tanto nas grandes cidades quanto nos rincões mais distantes do país (ABOLBRASIL, [s.d.]). Saiba mais A Abol possui uma infinidade de materiais em seu site. Há dezenas de artigos e apresentações que auxiliam os futuros gestores a compreender a importante atuação dos operadores logísticos. Acesse: . 97 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE 5.3 Gestão de estoques A gestão de estoques nos centros de distribuição tem a finalidade de permitir o abastecimento adequado das mercadorias trabalhadas. Além de garantir as operações, também precisa estabelecer procedimentos que possam viabilizar financeiramente todo o trabalho. Ou seja, uma boa gestão de estoques significa economia. Saiba mais Você já ouviu falar de condomínios logísticos? A notícia a seguir auxiliará você a compreender essa nova formatação: CONDOMÍNIOS e operadores logísticos. Revista Logística e Supply Chain, ago. 2011. Disponível em: . Acesso em: 14 maio 2018. Figura 43 O monitoramento do estoque consiste em acompanhamento frequente, muito especialmente em três grupos específicos de indicadores (AROZO, 2006, p. 2‑4): • Indicadores de custo: dois custos principais são associados a esse grupo de indicador. O custo de manutenção do estoque e o custo associado à falta de estoque. O primeiro contabiliza os gastos com a manutenção dos níveis de estoque adequados à operacionalidade da empresa. Já 98 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade III o segundo tem o viés voltado ao custo da oportunidade: quanto custa para a empresa deixar de atender uma demanda por falta de estoque. • Indicadores de nível de serviço: o nível de serviço pode ser avaliado pela disponibilidade de alguns dos produtos envolvidos na operação e na avaliação do cliente do sentido de obter o “serviço completo”. • Indicadores de conformidade: o fluxo dos serviços, relacionado desde a demanda inicial na aquisição de matéria‑prima até o atendimento efetivo da demanda. Apesar de esses parâmetros servirem especificamente para a produção de bens industriais, os CDs podem observá‑los, comparativamente para equilibrar suas atividades de atendimento ao mercado. Entendam‑se os custos como aqueles necessários ao transporte e à manutenção das mercadorias no CD e, eventualmente, o quanto de prejuízo a falta de atendimento a algum cliente poderia custar para a imagem e o faturamento futuro do CD. Da mesma forma, o nível de serviço está associado a todas as partes envolvidas na operação, por exemplo, eventual embalagem de certas mercadorias. Já a conformidade tem a ver com o efetivo padrão de serviços a ser estabelecido e mantido como sinônimo de qualidade. Saiba mais Cada vez mais os gestores das mais diversas áreas preocupam‑se com os princípios da qualidade, o que está perfeitamente associado às preocupações modernas das organizações. O artigo a seguir demonstra essa preocupação: KLOSE, H.; IKEMORI, M. Gestão e qualidade em logística e cadeia de suprimentos. Administradores, abr. 2013. Disponível em: . Acesso em: 14 maio 2018. Ainda em relação ao estoque, as organizações contábeis estabelecem uma série de cálculos para o efetivo controle: • Inventário: consiste na relação de todos os itens que estão no estoque. O inventário serve para verificar, no momento da contagem dos itens, a exata posição física dos componentes na organização. É necessário planejar a atividade cuidadosamente, as pessoas envolvidas precisam cuidar de detalhes e se houver quaisquer divergências é necessária nova contagem (KICHEL, 2018). • Previsões de venda/consumo: baseado nas médias dos últimos meses de vendas. 99 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE • Classificação ABC: curva baseada no Princípio de Pareto, que afirma que 20% das causas são responsáveis por 80% dos efeitos. Na prática, a Curva ABC permite verificar quais os itens mais importantes e que merecem mais atenção do gestor logístico. • Outros parâmetros: o controle de estoques envolve, também, o fluxo de encomendas e entregas, prazos de pedidos e entregas, estabelecimentos de estoques mínimo e máximo, dentre outros. 5.4 Decisões relacionadas aos CDs Abordaremos agora uma série de fatores associados à instalação e à operacionalidade dos CDs em geral. Tais fatores estão associados às especificidades de cada CD, como o segmento a que vai se dedicar, às regiões de atuação etc. 5.4.1 Local de instalação O local de instalação depende de uma série de fatores que devem ser analisados no período de planejamento, no qual os dados de implantação são formulados. Questões como qual o segmento contemplado, qual o mercado que será servido e qual a clientela‑alvo precisam ser decididas para que haja uma boa localização. Outros fatores, como os modais de transporte disponíveis, também são determinantes. Já há, no Brasil, polos concentradores de atividades logísticas, contudo há oportunidades nos mais variados locais, dependendo do segmento e/ou atividade: No Brasil, existem locais que já se consolidaram como grandes polos concentradores de atividades logísticas, como alguns municípios da Grande São Paulo (Barueri, Jandira, Guarulhos), eixo da rodoviaAnhanguera (região de Jundiaí), São José dos Pinhais, no Paraná, Cachoeirinha e Canoas, no Rio Grande do Sul, Manaus no Amazonas e região de Contagem, em Minas Gerais, Recife para atender o Nordeste, entre outros. Porém conheço muitos centros de distribuição bastante lucrativos localizados fora dessas regiões como Uberaba, Cuiabá e Joinville, que, embora sejam centros de menor concentração populacional, apresentam demandas específicas a serem atendidas. O que definirá a lucratividade do investimento é a correta localização do centro de distribuição em função da necessidade específica de cada negócio (SALZANO, 2018). Fatores como custo da implantação, mão de obra e outras variáveis devem ser estudados, para uma implantação adequada. Além disso, parte importante de todo o planejamento refere‑se ao custo de utilização do transporte na operação do CD. Uma boa localização é determinante para esse contexto. Outro fator importante quanto à localização do CD diz respeito às dificuldades de locomoção nos grandes centros urbanos, que podem apresentar restrições de tráfego em dias e horários, e às praças de pedágio, que oneram de forma significativa os custos de transportes. 100 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade III Saiba mais Outros detalhes para a escolha da localização de um centro de distribuição podem ser verificados no artigo: ROSA, I.; ABREU, I.; PEDROZO, I. Avaliação da localização do centro de distribuição da empresa AES Sul Distribuidora Gaúcha de Energia em relação aos depósitos regionais. Rev. Adm. UFSM, Santa Maria, v. 9, n. 3, p. 356‑371, jul./set. 2016. Disponível em: . Acesso em: 16 maio 2018. 5.4.2 Projeto Além dos aspectos já abordados na localização, o projeto deve incluir uma série de áreas que possam ser preparadas para o conforto de possíveis clientes e funcionários. Claro que tudo dependente do tamanho pretendido. É importante destacar que um centro de distribuição, além das mercadorias que armazena, também deve preparar um ambiente que facilite o trabalho de seus colaboradores. O local deve possuir ergonomia e elementos que possibilitem o bom desenvolvimento das atividades laborais. Ainda, é possível que alguns centros de distribuição, pensando no bem‑estar de seus empregados, criem espaços de convivência, como salas de descanso, cafés, jardins entre outros. Observe‑se que os aspectos relacionados ao bem‑estar dos funcionários e, por extensão, da clientela têm a ver com qualidade de vida. Quanto mais elementos puderem ser implementados, desde que o orçamento permita, maior possibilidade de êxito poderá ser esperada. 5.4.3 Análise do mix de produtos O mix de produtos a ser considerado tem a ver com os canais de distribuição disponíveis e, em análise mais aprofundada, com os custos relativos a cada operação. Podemos compreender como mix de produtos a variedade de mercadorias existentes, em uma determinada empresa, disponível para venda. As organizações, ao buscarem definir seu mix de produtos, devem levar em consideração alguns fatores de grande importância. Podemos, assim, citar os seguintes: (i) quais os serviços ou produtos que essa empresa coloca no mercado; (ii) qual o ramo de atividade da organização; (iii) qual público deseja atingir; (iv) qual a sazonalidade da demanda; (v) qual o porte da empresa; e (vi) qual a localização da empresa. 101 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE Quando sua empresa possui seu mix de produtos e mix de canais de distribuição bem mapeados e organizados, fica muito mais fácil realizar análises, auxiliando na compreensão de porque um determinado produto vende mais em uma região que outra, analisar o desempenho entre filiais da mesma região, comparar a rentabilidade de linhas de produtos diferentes, entre outros. Também ajuda bastante realizar a análise de quais produtos vendem mais por estação do ano, por região e até mesmo a relação entre a venda de dois produtos, onde um impulsiona a venda de outro, e muitas vezes sua empresa desconhece essa relação. Mas um dica importante é sempre realizar a análise de vendas do mix de produtos levando em consideração também o mix de canais de distribuição, pois como já comentamos anteriormente, um produto pode vender muito bem em um canal, mas ser um “abacaxi” em outro. E não se esqueça que sua análise não deve considerar apenas a receita gerada, mas quais são as deduções, custos e despesas relacionadas a cada produto ou canal de distribuição (PAULA, 2014). Uma forma mais fácil de compreender a ideia de mix de produtos é em relação aos cardápios de restaurantes. Muitos acabam colocando em seu menu uma quantidade exagerada de pratos com os mais diversos ingredientes. Isso pode gerar confusão na definição do conceito do restaurante e também junto aos clientes, pois essa variedade se mistura e atrapalha o paladar dos consumidores. Também existem restaurantes que possuem cardápios enxutos ou sazonais, ou seja, no inverno o prato principal é algum tipo de sopa e no verão as saladas estão mais presentes. Assim, o cliente (consumidor) sabe exatamente o que esperar do local. Saiba mais A ideia de restaurantes com menu enxuto tem se tornado tendência entre diversos empresários. A matéria a seguir mostra essa tendência de especializar o mix de produtos: PORTINARI, N. Restaurantes investem em prato único para se diferenciar e cortar custos. Folha de São Paulo, São Paulo, 29 maio 2015. Disponível em: . Acesso em: 16 maio 2018. 5.4.4 Expansão Considerando que a expansão das atividades exige investimentos para dinamizar entregas e, consequentemente, atender melhor aos clientes, a expansão da rede de centros de distribuição permite ganhar mercados e agilizar operações regionais. 102 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade III É possível observar que grandes redes investem cada vez mais em sua diversificação, para atender os clientes em seus mais variados desejos. Logo, manter estoques de “enormidade” de produtos não é funcional, fazendo com que as organizações busquem, cada vez, ampliar a utilização dos centros de distribuição (CD). Saiba mais Observe como grandes organizações utilizaram centros de distribuição na expansão dos seus negócios: LOGÍSTICA sustentará plano de expansão do Walmart no mercado nacional. OMC Consult, [s.d.]. Disponível em: . Acesso em: 17 maio 2018. DROGARIA Onofre usa CD para faturar R$ 1 bilhão. Logweb, jul. 2018. Disponível em: . Acesso em: 17 maio 2018. MAKRO reforça logística e terá mais 4 centros de distribuição. Portal Transporta Brasil, set. 2009. Disponível em: . Acesso em: 17 maio 2018. 5.4.5 Layout Os centros de distribuição devem adequar seus projetos de layout de acordo com a sua utilização. De forma geral, dois layouts são destacados na literatura especializada (RODRIGUES; PIZZOLATO, 2003, p. 4‑5): layout baseado no princípio de fluxo e layout baseado no giro dos produtos. Layout baseado no princípio de fluxo Neste tipo de layout o objetivo é evitar que os produtos atrapalhem o desempenho do CD. Os produtos passam a ser recebidos em uma das portas do CD. A sua armazenagem ficará no meio da estrutura e a saída ou expedição de mercadorias será feita por outra porta. O fluxo de produtos deve ser projetado em linha reta, sendo armazenados ou não, para evitar congestionamentos. Assim, osprodutos devem ser recebidos numa ponta da instalação, armazenados no meio e despachados pela outra ponta da instalação (RODRIGUES, PIZZOLATO, 2003, p. 4). 103 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE A figura a seguir demonstra a dinâmica do layout baseado no princípio de fluxo: Área de recebimento Área de armazenagem Área de separação de pedidos Área de embalagem ou unitização Área de expedição Docas de recebimento Docas de expedição Fluxo de produtos Figura 44 Utilizando a o layout por fluxo de produtos, é possível desenhar o CD de outras três formas: Tipo U Armazém Recepção Expedição Figura 45 – Fluxo de materais formato U Tipo L Armazém Recepção Expedição Figura 46 – Fluxo de materais formato L 104 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade III Tipo I Recepção Expedição Armazém Figura 47 – Fluxo de materais formato I Layout baseado no giro dos produtos Em um layout focado no giro dos produtos, o ideal é manter os produtos que possuem maior rotatividade em pontos estratégicos de saída, o que facilita a movimentação dessas mercadorias. [...] os produtos de maior giro devem ser colocados na região mais próxima da separação. As esteiras eliminam a movimentação na recepção da lista de produtos e no envio para o despacho. Existe uma área reservada para armazenagem e coleta de produtos de pequenas dimensões e alto volume. Deve ser planejada uma área para o recebimento de produtos que alimentarão as regiões (RODRIGUES; PIZZOLATO, 2003, p. 5). A figura a seguir ajuda a entender melhor o layout baseado no giro de produtos: Figura 48 105 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE Saiba mais O layout dos centros de distribuição são componentes importantes de sua operacionalização. Os textos a seguir auxiliarão no conhecimento dessas estruturas. O ARRANJO físico do centro de distribuição (CD). Scala Logística, set. 2017. Disponível em: . Acesso em: 17 maio 2018. ESTRUTURAS de armazenagem: em busca do layout perfeito. Logweb, mar. 2010. Disponível em: . Acesso em: 17 maio 2018. Outros aspectos operacionais devem ser considerados na escolha da localização de galpões e centros de distribuição a serem utilizados para o armazenamento e a distribuição dos produtos no mercado, como: • Pé direito de, pelo menos, 11 metros na vertical, que permite melhor utilização do espaço e a utilização de empilhadeiras. • Existências de docas com plataformas niveladoras para carga e descarga de caminhões com alturas diferentes. • Largura das ruas que permita o tráfego de veículos de diversos portes e capacidade de carga. • Qualidade do piso em concreto para suportar elevados volumes de carga e tráfego de empilhadeiras carregadas. • Galpões com iluminação natural que permita redução de custos com energia e gastos elevados com equipamentos de refrigeração. • Ventilação natural. • Aprovação do corpo de bombeiros para ações emergenciais em caso de acidentes perigosos. • Possuir equipamentos de prevenção de segurança como sprinkler, hidrantes e extintores com adequada sinalização de rotas para os veículos e rotas de fugas em caso de ocorrências. • Estacionamento para veículos de menor porte. 106 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade III • Estrutura de segurança e vigilantes para evitar roubo de cargas e avarias com monitoramento 24 horas com câmeras que reduzem custos com seguros. 5.4.6 Dimensionamento Assim como os outros itens já abordados, o dimensionamento de um terminal logístico está associado a uma série de fatores estabelecidos já na fase inicial de implantação: a fase de planejamento. Se o CD for armazenar e distribuir eletrodomésticos, terá toda uma característica e um dimensionamento diferente daquele que for distribuir balas, por exemplo. Além disso, caso haja diversidade de mercadorias, é necessário planejar áreas diferentes de armazenamento, com materiais e equipamentos específicos para cada segmento. As decisões em relação ao dimensionamento incluem o tipo e a quantidade de equipamento utilizado, o tipo e a capacidade de carga armazenada na instalação, o modo em que as operações são realizadas no terminal e como o equipamento é usado, e o layout do terminal (OLIVEIRA, CORREIA, 2010, p. 6). 6 CD COMO VANTAGEM COMPETITIVA Os CDs se constituem em excelentes vertentes de operação logística, pois sua operação permite viabilizar entregas, diminuindo o tempo de espera dos clientes e tornando a organização mais competitiva. As vantagens competitivas estão relacionadas ao contexto da organização: o que pode ser num determinado momento uma vantagem pode não ser num outro momento. Um exemplo é o período de recessão, no qual ter unidades como um CD pode representar um custo não suportável. De qualquer maneira, há vantagens e desvantagens. Santos (2006, p. 37‑38) relacionou as principais: Vantagens: • Melhora nos níveis de serviço em função de reduções no tempo e no desempenho das entregas ao cliente/usuário. • Reduz os gastos com transporte de distribuição. • Facilita a gestão de materiais. • Tende a melhorar o nível de serviço e o atendimento de pedidos completos isentos de danos, avarias e não conformidades. • Reduz a burocracia. • Reduz custos de armazenagem. • Reduz custos de inventários. 107 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE • Reduz custos de controle. • Reduz custos de comunicação. • Aumenta a produtividade. Desvantagens: • Aumento nos custos de manutenção de estoques em função de aumentos nos níveis de estoque de segurança necessários para proteger cada armazém contra incertezas da demanda. • Aumento nos gastos com transporte de suprimento. • Menor segurança física dos materiais. • Menor flexibilidade de rotas. • Diminuição da proximidade com o cliente. • Aumento nos custos de inventário. As vantagens e desvantagens dependem do contexto de cada organização e de cada CD em particular. 6.1 Benefícios econômicos A união entre a gestão de CD e logística com a administração financeira possui estreita relação que pode ser melhor compreendida através da análise de alguns pontos comuns a essas áreas: • Preocupação com a utilização dos recursos de forma adequada tanto físicos quanto financeiros. • Alocação dos recursos de forma eficiente de modo a maximizar o retorno esperado. • Redução contínua de custos e eliminação de desperdícios ou perdas. • Gestão de investimentos e financiamentos que agregam valor aos acionistas. A logística bem planejada e executada através da utilização dos CDs permite às organizações acelerar o fluxo de caixa através da gestão eficiente de estoques em níveis mínimos que aumentam a disponibilidade de capital e liquidez financeira para honrar os compromissos operacionais e reduzir as dívidas bancárias. Ainda como reflexo da gestão eficiente dos estoques, as organizações podem reduzir custos com despesas de armazenagem, aluguéis com área locada, serviços terceirizados, seguros, equipamentos, manutenção e mão de obra. 108 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade III Benefícios aos clientes A logística integrada ao marketing e com um bom planejamento de canais de distribuição permite aos clientes agregarem valor aos produtos adquiridos em razão das vantagens conquistadas com qualidade no processo de distribuição. Listamos, a seguir, alguns benefícios percebidos pelos clientes com a qualidade dos serviços logísticos prestados: • Benefícios percebidos: pontualidade, respostas rápidas, flexibilidade,confiança. • Custos de propriedade: menos estoques, menores faltas, baixo índice de reposição e menos despesas administrativas. Por fim, a correta gestão logística de distribuição culmina em um processo de agregar valor ao valor percebido pelos clientes, o que pode gerar um processo de fidelização comercial e, portanto, colaborar com a sustentabilidade no mercado em longo prazo. A economia na implantação de um CD é considerável, pois alguns fatores são diretamente desonerados, por exemplo, a devolução de mercadorias por avarias. O CD, mais próximo do mercado‑alvo, permite operacionalizar de forma mais racional o fracionamento da carga, os roteiros de entrega e, se for o caso, a embalagem da mercadoria. Índices como prazos de entrega também são influenciados e, consequentemente, a satisfação dos clientes aumenta, gerando um faturamento maior. Considerando a implantação de um CD na indústria de óleo lubrificante, Albernaz e Maruyama (2014, p. 11‑12) comentam: Em números absolutos ficou estimado que a redução nos custos de transportes girasse na faixa de R$ 400.000,00 a R$ 550.000,00 por ano, estes valores estão baseados nos volumes atuais e estimativas de crescimento respectivamente. Além da redução de custos, a operação iniciada a partir do CD de Suape proporcionou um aumento de vendas em torno de 16% no primeiro ano de operação chegando a um volume médio mensal de vendas de 1.700 barris. Um volume ainda modesto para as ambições da empresa que tem o interesse de chegar a vendar cerca de 3.500 barris por mês na região. A segurança certamente influencia na competitividade dos serviços prestados no Brasil, o que impacta diretamente nos custos de uma empresa e que serão, obviamente, repassados para os preços. 109 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE Saiba mais A notícia a seguir ilustra tal preocupação com a segurança nas fronteiras brasileiras: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE LOGÍSTICA E TRANSPORTE DE CARGA. Brasil é 6º país mais perigoso para transporte de carga. Brasília, dez. 2017. Disponível em: . Acesso em: 17 maio 2018. 6.2 Benefícios do serviço Os benefícios ou vantagens da implantação de um CD são múltiplos. A partir de um caso concreto analisado em uma empresa, Fernandes et al. (2010) relacionaram: • Redução do custo final do produto. • Incentivos fiscais. • Potencial aumento nas vendas e consequente oportunidade de aumento de market share. • Aumento da competitividade. • Aumento do nível de serviço para o cliente. • Redução de estoque. • Redução de gastos com armazenagem externa. • Otimização do capital empregado. • Diminuição do tempo de entrega. • Aumento da disponibilidade e da exposição de seus produtos em uma região com potencial aumento de vendas. • Inibir o crescimento de importação (concorrência). 110 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade III Dependendo do segmento, localização, nível de distribuição e concorrência, os benefícios poderão ser maiores ou menores e, ainda, estarem relacionados a todos esses itens ou restritos a alguns deles. Lembrete Market share (fatia de mercado) é o grau de participação de uma empresa no mercado, em relação à venda de determinado produto. 6.3 Classificação do CD: próprios, independentes, terceirizados Os CDs podem ser constituídos pelas próprias empresas que deles necessitam e, a partir de então, assumem seus custos de construção e viabilização, ou essas mesmas empresas podem se utilizar do serviço de terceiros. Há operadores logísticos no mercado que constroem os CDs e os locam para as empresas interessadas. A decisão de terceirizar ou não está sempre ligada à competitividade: Nota‑se que empresas com maior agilidade e flexibilidade, e com melhor sincronismo nas suas operações dentro da cadeia de suprimentos podem se tornar mais competitivas e dessa forma continuar no mercado. Com o objetivo de buscar a diferenciação e estabelecer vantagens competitivas em relação aos seus concorrentes, as empresas precisam tornar sua cadeia de suprimentos mais ágil, eficiente e competitiva, e, uma das principais alternativas encontradas foi a terceirização dos serviços logísticos (ROLIM; FERREIRA, 2014, p. 12). Os CDs independentes são aqueles não ligados diretamente às lojas físicas, como os de atacadistas. 6.4 Distribuição em rede A distribuição em rede envolve um conjunto de lojas ou de atacadistas que se dedicam a um mesmo segmento, criando uma rede de abastecimento, na qual o produto pode ser encontrado nas mais diferentes regiões e, muitas vezes, em todo o país. Esse termo também é utilizado por alguns autores no sentido de criar um roteiro que propicie a distribuição de forma racional. Por exemplo, mapear a localização de compradores e instalar o CD em local que facilite o trânsito das entregas. A partir do levantamento realizado junto às indústrias e cooperativas do município, iniciou‑se a composição de um modelo de distribuição em rede, representadas por um grafo (*), onde os “nós” do grafo podem representar a localização geográfica de cada uma das empresas e as “arestas” dos grafos as 111 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE distâncias entre cada uma delas e um ponto estratégico, cujas coordenadas cartesianas constituíram as variáveis do modelo (MORAIS; FREY; SAVASSA, 2016, p. 3). Lembrete Grafo é um conceito da álgebra é uma figura com elementos unidos por arcos. Exemplo 1 No momento de decidir a localização ideal para o Centro de Distribuição, podendo ser independente, próprio ou terceirizado, é importante tomar algumas decisões. São elas: • Estrutura do galpão escolhido: não apenas o custo deve ser levado em consideração, mas também a estrutura necessária para que o galpão seja considerado como um bom local para a guarda dos produtos da organização. • Relação de distância com o local de fabricação: em alguns momentos, colocar o estoque de mercadorias em um determinado galpão apenas pelos custos não é produtivo. Uma distância muito grande entre o fabricante e o seu ponto de armazenagem pode gerar custos e atrasos maiores do que o previsto. • Facilidade para vários tipos de comércio: se a estrutura da organização visa enviar produtos ao exterior, é necessário que o armazém esteja devidamente equipado e que possua condições e facilidade para o escoamento das mercadorias. • Especificidades do produto: cada produto necessita de um processo de armazenagem diferenciado. Assim, é importante buscar um local que possua característica ideias para cada produto. Se essa mercadoria necessitar de condições especiais de armazenamento, esse CD deve estar devidamente preparado para ela. • Custo total da mão de obra: as organizações não podem esquecer que não é apenas salário que será considerado na composição dos custos de produção de uma empresa. Logo, ao buscar um galpão distante de grandes centros haverá maiores custos de transportes para os empregados, benefícios diferenciados, e todos esses elementos poderão, ou não, encarecer a folha de pagamentos. • Estrutura do parque de estacionamento: outro ponto que pode gerar problemas com o tempo é o tamanho do estacionamento do CD. Ao estudar as possibilidades, a organização deve, imediatamente, prever o tamanho dos caminhões que circularão por esse local, para não ser pega de surpresa com a impossibilidade de entrada de um ou outro transportador no local. 112 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade III Ao observar esses pontos, a empresa poderá tomar decisões mais assertivas em momento delicado. 6.5 Sistema de informações gerenciais e tecnologias aplicadas à logística Como apoio esuporte para a administração, é necessário que as organizações desenvolvam um sistema de informações gerenciais (SIG) no qual, por meio da transformação de dados em informações, os gestores possam exercer e atuar de forma efetiva nos negócios e processos (OLIVEIRA, 2010). Sistema de informaçãoPessoas Processos Tecnologia Ambiente externo Mercado Problemas sociais Governo Economia Figura 49 A disponibilidade de informação é considerada a matéria‑prima e o produto acabado da atividade de sistemas gerenciais, que devidamente estruturada pode contribuir para as organizações se tornarem mais dinâmicas e permite aos gestores a atualização necessária sobre a evolução dos trabalhos sob sua competência, facilitando a tomada de decisão. 6.5.1 Sistemas integrados de gestão (ERP) A introdução dos sistemas integrados de gestão empresarial, conhecidos nas organizações como ERP (enterprise resources planning), surgiu na década de 1990 com a necessidade da integração de controle e da gestão de processos. Essas tinham um enfoque tradicional, vertical e fragmentado, que exigiu uma mudança no comportamento dos funcionários e na execução das tarefas, que passariam a se basear nos requisitos das novas tecnologias. Os sistemas ERP permitem às organizações uma base de dados única que suporta vários processos, como recursos humanos, logística, finanças, contabilidade e vendas, exigindo uma atitude de integração de todos na execução das tarefas de trabalho. 113 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE Vendas e distribuição Finanças e controlling Produção Apoio a serviços Gestão de recursos humanos Reporting Gestão de materiais Pessoal administrativo Pessoal operacional Representantes de vendas e serviços Colaboradores Níveis de gestão Fornecedores Cl ie nt es Base de dados central Figura 50 A introdução de sistemas ERP, que são estruturados em módulos de processos nas organizações, criou uma base de dados integrada e dinâmica, otimizando o fluxo de informações, reduzindo as atividades manuais, eliminando as atividades redundantes, padronizando as rotinas de trabalho e o controle a partir de um único sistema de informação em toda a empresa. Isso reduz custos e tempo e ainda melhora o nível de atendimento aos clientes. Os principais fornecedores de sistemas ERP, como Oracle, SAP, entre outros, focam na difusão dos sistemas para as pequenas empresas e em projetos customizados específicos, já que a aquisição e a implantação desses programas acabam tendo custos iniciais elevados, possíveis apenas às grandes e médias empresas. A introdução de novas tecnologias de comunicação, como o correio eletrônico (e‑mail), a teleconferência e outras, permitiu a condução de novas modalidades de trabalho individual e em grupo, dentro e fora das organizações. Lembrete As modernas tecnologias de informação e comunicação (TIC) permitem às empresas executar e monitorar os serviços logísticos em tempo real e interagir com todos os integrantes do canal de distribuição em um processo contínuo de um modo que permite aos responsáveis pela gestão dos serviços aos clientes mantê‑los em constante acompanhamento do status das entregas solicitadas nos pedidos de vendas. Para Gonçalves (2002), a adoção de novas tecnologias de informação e comunicação permite às organizações ampla gestão e modelagem de seus processos por meio da automatização de tarefas e de novas formas de execução dos processos. Permite também que as organizações redefinam a operação 114 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade III das atividades de apoio e a sua integração, automatizem a execução de tarefas, coordenem melhor os trabalhos e monitorem o desempenho operacional e a gestão dos clientes. Compras Cotação 1 Cotação 2 Cotação 3 Cotação n Cadastro de fornecedores Material Decisão NF Fornecedores Fornecedor Cotações Pedido de compra Pedido de cotaçãoRequisição de compra Controle de estoque Armazenagem Recebimento Figura 51 A quantidade de dados que o setor de distribuição e estoques gera é grande e, com isso, tornam‑se necessários meios tecnológicos para gerir, acompanhar as rotinas e controlar as informações das operações. Nesse sentido, podemos dizer que o investimento em tecnologia permite acompanhar e controlar melhor todos os processos de trabalho, além de reduzir custos e aumentar a produtividade. Assim, investimentos em tecnologia de informação são essenciais para que as operações sejam realizadas de forma mais confiável, segura, com menores índices de erros e necessidade de retrabalho. Até a década de 1980, a tecnologia de informação em operações nas empresas estavam limitadas às grandes indústrias e às filiais das empresas multinacionais instaladas no Brasil e operavam de forma isolada e independente em processamentos diários de dados. Hoje, empresas de todos os portes utilizam modernos sistemas integrados de gestão (ERP) de fabricantes nacionais e internacionais, como SAP, BAAN, Oracle, Microsiga, entre outros do mercado, que permitem a união dos processos organizacionais de produção, compras, planejamento e controle da produção (PCP), armazenagem, distribuição, finanças, vendas e atendimento ao cliente. De maneira geral, podemos classificar em quatro grupos as tecnologias, a saber: • Hardwares: as principais aplicações para a área de logística são microcomputadores, código de barras, coletores de dados e radiofrequência (RFID), GPS e computadores de bordo. 115 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE • Softwares e aplicativos: os mais utilizados são os roteirizadores e os programas de gestão como WMS, TMS, CRM e EDI. • Armazenagem de dados: banco de dados central ou em nuvens (cloud computing) para suportar os sistemas de negócios. • Certificação e assinatura digital: programas que suportam a segurança das informações e dados transacionados (criptografia). Uma vantagem com a utilização de tecnologias tanto em termos de equipamentos (hardware) como programas (software) na cadeia de distribuição é a integração entre os processos das empresas que permitem uma comunicação eficiente e realizada em tempo real, possibilitando aos operadores dos processos (vendas, produção, transportes) a disponibilidade de informações rápidas que agilizam a execução das entregas e o atendimento aos clientes, aprimorando o relacionamento entre fornecedores, canais de distribuição e clientes. Seguem algumas vantagens da utilização de tecnologias da informação para a gestão de negócio: • Acesso a informações estratégicas e rapidez na tomada de decisão. • Controle e gestão total das operações realizadas e em processamento. • Identificação das falhas e desvios nos processos. • Apuração rápida dos resultados e do desempenho das vendas e entregas. Entre os processos que podem ser mais eficientes, a partir das tecnologias de informação, podemos citar: Rastreabilidade de cargas e entregas Essa aplicação da tecnologia permite que as empresas acompanhem o status dos transportes, sinalizando ocorrências em tempo real, o que facilita a velocidade da gestão operacional e permite o acompanhamento das entregas pelos clientes. A rastreabilidade pode ser usada não apenas como ferramenta de segurança, mas também para avaliar a possibilidade de mudanças nas rotas para fugir de congestionamentos e reduzir problemas de restrições de horários, comuns nas áreas urbanas. Algumas vantagens da automação da gestão das entregas são: • Acompanhar real‑time das entregas em processamento. • Reduzir as devoluções das mercadorias e evitar entregas escalonadas. 116 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade III • Resolver previamente os problemas antes da chegada aos clientes. Fluxo da informação norastreamento Fluxo do produto na cadeia produtiva Produtor Packing/processador Distribuidor/processador Varejo Consumidor Figura 52 Como podemos verificar no fluxo apresentado na figura, conforme os produtos seguem fisicamente rumo ao consumidor, no processo logístico de distribuição física, existe a necessidade de integração entre os vários operadores (produtor, distribuidor, varejistas) responsáveis por uma parte do processo total que precisa de rastreabilidade real‑time integrada através de sistemas de monitoramento que visam atender os pedidos de vendas dentro dos prazos solicitados. Lembrete Novas tecnologias de informação (TI) em logística surgem com frequência. Porém, antes de implantarem os sistemas, as empresas devem calcular a relação custo‑benefício e verificar a aderência com as tecnologias em operação, bem como as ferramentas utilizadas por outras áreas integradas, como vendas e produção, para evitar problemas de incompatibilidade e suporte técnico. Gestão de fretes As plataformas de frete são um recurso que trazem vantagens para as empresas que podem controlar o custo dos transportes e documentos, fazer o cálculo de frente e auxiliar o gestor da administração dos transportes. Seguem algumas vantagens da automação da gestão de operações de fretes: • Redução do tempo de controle das solicitações de fretes e de consultas de cotações com as transportadoras cadastradas. • Melhoria na gestão dos pagamentos dos fretes contratados. Gestão de estoques As tecnologias permitem ter um sistema que automatiza os processos, eliminando trabalhos manuais, reduzindo erros e retrabalhos e aumentando a segurança e a confiabilidade das 117 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE informações, pois permitem acompanhar rotinas de recebimento, armazenagem, expedição, emissão de documentos, gestão de inventários, além do acompanhamento do giro dos materiais, trocas e devoluções. Relacionamento com os clientes A tecnologia denominada CRM (Gestão do Relacionamento com o Cliente) ajuda na gestão dos processos de negócios com foco na satisfação dos clientes, por meio de uma base de dados com informações. Esse é um sistema voltado para a área comercial que pode ser usado para gerar informações sobre a avaliação dos clientes. Integração entre e‑commerce e transportes A gestão está centralizada pelos correios, que fazem cerca de 90% das entregas. Existem softwares e aplicativos que integram os meios virtuais e oferecem opções de entrega para clientes com algumas transportadoras que fazem integrações, como a Direct, a JadLog, a UPS e a DHL. Automação nos armazéns Em muitas fábricas dos países desenvolvidos, existe a participação de pessoas em tarefas rotineiras e repetitivas e quase não há sistemas automatizados, como robôs que tomam conta de operações. Entre as atividades que foram automatizadas, estão a separação e a conferência de cargas. Talvez, essa não seja a inovação mais imediata, principalmente porque o investimento é alto e estamos passando por um momento de crise, mas, logo, será uma mudança necessária para manter a competitividade do país. Um sistema de coordenação de armazéns fornece a rotação dirigida de estoques e condutas inteligentes de separação de pedidos e a consolidação automática de cargas, para melhorar o uso do espaço e do tempo, cortando custos para o usuário. Esse sistema fica incumbido de colher dados – como o tempo de permanência de mercadorias nas prateleiras, por exemplo – e conferir informações, sendo uma ferramenta interessante para as empresas que atuam com galpões logísticos. Utilização de aplicativos A comunicação é essencial no transporte de cargas. Embora já existam os Sistemas de Gerenciamento de Transporte (TMS), esse fluxo geralmente não envolve diretamente o motorista e os clientes normalmente recebem a informação que é repassada pela transportadora. Outra tendência é o uso de aplicativos como o Truckpad e o Quero Frete, que aumentam a eficiência e eficácia no uso dos veículos, facilitando a tarefa de encontrar cargas de retorno. 118 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade III A tecnologia mobile aprimora a gestão de equipes externas, permitindo o acesso ao sistema e aos dados de qualquer lugar. Dessa forma, ela pode auxiliar gestores e colaboradores que atuam viajando e mesmo por motoristas, os quais podem reportar seu status de viagens ou comunicar qualquer ocorrência. Em tempos em que a comunicação rápida acaba sendo um grande diferencial, a tecnologia mobile exerce uma função fundamental para assegurar que o fluxo de informações seja sempre constante e fluído. Caminhão inteligentes Outra tendência que vem ganhando bastante força, proporcionada pelo desenvolvimento da tecnologia, é a possibilidade de que os caminhões estejam o tempo todo conectados, tanto com outros veículos quanto com o próprio empreendimento. Isso faz com que ocorram trocas de informações em tempo real no tocante a localização, status do transporte e ocorrências, mantendo a comunicação fluida. Softwares de gestão Softwares são criados e desenvolvidos por empresas da área de tecnologia e fornecem soluções técnicas de gestão empresarial de vários segmentos de mercado e áreas de aplicação. Podem ser implantados através de soluções completas (em todas as áreas da empresa) ou de forma customizada (ajustada às necessidades e demandas específicas). Destacamos, a seguir, as principais aplicações para a gestão de centros de distribuição e estoques: Warehouse Management System (WMS) – Gestão de armazéns Sistema responsável por controlar as movimentações de estoque independente dos métodos escolhidos. A vantagem da sua utilização é a possibilidade de controle e gestão de vários Stock Keeping Unit (SKU) ou Unidade de Manutenção de Estoque, sem limites e de forma organizada, o que possibilita o aumento da produtividade. Os WMSs do mercado geralmente possibilitam o controle de multiprodutos por shelf‑life (vida útil), lote, tipo de produto (congelado, resfriado, climatizado ou temperatura ambiente). É também através dele que se obtém o endereçamento (rua, altura e profundidade) de cada item, entradas e saídas, por exemplo, o próprio sistema sugerir o local físico de estocagem das novas entradas. 119 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE Gestão de armazém Estoque Fábrica Consignação de materiais Expedição Importação Distribuição Recebimento de materiais Pedido/contrato de compra Planejamento de produção Planejamento de vendas Figura 53 – WMS Além de tais controles, é através do WMS que se recepcionam os pedidos (internos ou externos) e se cria a lista de reabastecimento para o picking (separação e preparação de pedidos). Também se obtêm os dados do pré‑inventário e depois se ajustam as quantidades decorrentes do inventário. Ainda é possível medir a assertividade e a acuracidade com as informações obtidas pelo WMS. Por fim, existem vários WMS no mercado de empresas distintas e preços diferentes. Caberá ao gestor avaliar os recursos e ver qual é mais aderente ao seu perfil operacional e que lhe proporcionará melhor gestão com o menor custo. Transportation Management System (TMS) – Gestão de transporte Sistema que apesar de poder ser integrado também com o WMS, não é igual a ele, pois embora sirva ao mesmo objetivo, sua finalidade é exclusivamente relacionada à gestão do transporte, o que envolve a frota, a documentação, o combustível, a criação e a gestão de tabelas de frete, a gestão de manutenção preventiva e corretiva e demais atividades relacionadas à atividade. Um bom TMS, além dessas funcionalidades básicas, possibilita também a emissão do Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas (CTRC) e já consolida os pedidos e realiza a roteirização das cargas, propondoe distribuidores. Serão descritos os principais processos que compõem a cadeia de abastecimento das empresas dando ênfase na importância das informações recebidas da área comercial e marketing através da elaboração da previsão de vendas, que é a base de informações e dá suporte à gestão da distribuição física das empresas através de três processos logísticos: logística de suprimentos, logística de produção e logística de distribuição. Destacaremos como acontece a gestão operacional dos processos de recebimento de mercadorias nas localidades industriais e nos centros de distribuição descrevendo de que forma são realizados os procedimentos de recebimento e descarga de mercadorias e o processo de armazenagem e localização dentro dos armazéns demonstrando como são realizados a expedição e o envio de mercadorias aos clientes. Em seguida ressaltaremos a gestão de estoques e mostraremos como as organizações planejam, controlam e administram os estoques necessários à condução dos fluxos de compras, produção, distribuição e envio aos intermediários que participam dos canais de distribuição física e aos centros de distribuição. 8 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Por fim apresentaremos as principais tecnologias de informação e comunicação que dão suporte ao controle e às operações logísticas. Também serão descritos os principais requisitos de qualidade necessários à condução dos processos de compras, produção e vendas dando suporte à prestação de serviços aos clientes. Como questão central de forte envolvimento com a gestão comercial a ser destacada, abordamos o tema da gestão da demanda do mercado e dos estoques regulares em que se verifica ampla integração com a área de logística conhecida como logística integrada. INTRODUÇÃO A gestão da distribuição física corresponde aos processos de administração de produtos com a finalidade de torná‑los disponíveis para as trocas comerciais conforme os padrões técnicos e comerciais estabelecidos nos processos de compra e venda (TELLES, 2006, p. 26). A utilização de canais de distribuição envolve: a gestão das estruturas elaboradas para a operação das atividades executadas por todos os agentes que participam da cadeia de suprimentos e da cadeia de distribuição aos mercados em termos de atacado, varejo e distribuidores; e aspectos operacionais tradicionais, como gestão de estoques, transportes, serviços aos clientes, e estabelecer a conexão entre as operações de produção e venda. Em função das características e do elevado número de agentes que envolve, a distribuição é fonte de custos e compõe parte substancial dos custos totais de vendas, porém, ao contrário das funções preços e promoção, que permitem uma resposta rápida às mudança nas condições de mercado, não são rapidamente mudadas em função dos elevados investimentos necessários e do envolvimento comercial contratual com os agentes envolvidos, como atacadistas, varejistas e distribuidores. Portanto, precisam de maior rigor em termos de planejamento e visão estratégica de longo prazo. A partir dessas condições, nota‑se que o atendimento ao cliente no prazo e na qualidade não é apenas o cumprimento de contrato, mas uma condição para manter as relações comerciais futuras. A construção de canais de distribuição eficientes permitem o aproveitamento de novas oportunidades estratégicas especificas e únicas, constituindo‑se em fonte de criação de vantagens competitivas sustentáveis. Neste sentido, a gestão dos canais de distribuição e dos estoques, que representam, em termos práticos, o fluxo de produtos e a estrutura que o sustenta, configura‑se em um processo administrativo que pode ser entendido como a efetiva gestão do contato com o mercado em termos de entrega real contida nos produtos. Ele define o padrão do serviço ao cliente e exige visão de longo prazo, pois influencia diretamente o resultado das organizações. A adequada gestão dos canais e estoques é crucial para o sucesso das organizações, refletindo a eficiência da composição entre o atendimento das demandas dos clientes e o resultado dos negócios de produtores e intermediários Bons estudos! 9 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE Unidade I 1 MARKETING E CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO Canais de distribuição podem ser vistos como sistemas de fluxo e transporte que demandam uma estrutura física e comercial, exigindo uma área de armazenagem, a contratação de meios de transportes, a posse própria ou contratada de instalações de armazenagem e expedição, bem como a aquisição de materiais e formação de estoques que dão suporte para os processos de produção e venda (TELLES, 2006, p. 27). A estrutura comercial se estabelece através de um conjunto de relacionamentos comerciais, fontes de financiamentos, parcerias comerciais e acordos ou contratos entre os agentes da cadeia distributiva que surgem entre produtores e consumidores. Conforme a estrutura que existe em cada organização, configuram‑se diferentes possibilidades de gestão em função das características dos produtos, mercados e especificações que distinguem a estrutura de um canal. Como exemplo, podemos destacar a distribuição internacional de barras de aço como um negócio que envolve um número limitado de produtores e consumidores compatível com um número limitado de intermediários. A gestão empresarial atual busca a integração e a otimização dos recursos empresariais aliadas a um desempenho econômico e financeiro compatíveis com as expectativas dos investidores e como forma de ação e gestão direcionam esforços no sentido de integrar os vários processos organizacionais. Dentre as questões abordadas neste livro‑texto, destaca‑se a integração entre a área comercial e o marketing, enquanto elementos centrais da gestão dos clientes e da área de logística, elo central das ações operacionais que tem como função primordial atender às expectativas dos clientes em termos de prazo e pontualidade. O marketing empresarial está relacionado à noção de troca, ou seja, avalia que existem duas partes interessadas em uma transação e que possuem necessidades que precisam ser atendidas através dos negócios. Nesse sentido, a estratégia de marketing das empresas tem a função de agir para que os consumidores sejam atraídos pelas qualificações dos produtos e serviços ofertados e que podem ser descritos conforme o composto de marketing. O composto (mix) de marketing visa a combinação das variáveis controladas pelas empresas, ou seja, os 4P, com o objetivo de criar valor para os clientes e atingir as necessidades da empresa através de uma conexão entre os mercados e as empresas ofertantes. 10 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade I Mix de marketing Produto Preço Promoção Praça Figura 1 Com relação ao componente praça ou distribuição, identificamos um dos elementos centrais para o alcance das metas das empresas e da satisfação das necessidades dos clientes. A função distribuição apresenta algumas definições similares na gestão empresarial, como canais de distribuição ou ainda canais de marketing. Conforme Telles (2006), canal de distribuição é a estrutura formada por unidades internas de uma firma (filiais de vendas), por agentes e distribuidores externos (fabricantes, varejistas, atacadistas, representantes), através dos quais os produtos e serviços são comercializados. Distribuição é o processo de disponibilização de um produto do fabricante para o cliente resultante de trocas entre estes e eventuais organizações de intermediação que asseguram a continuidade da produção e do consumo. A disseminação da utilização de canais de distribuição é uma prática antiga nas atividades logísticas de distribuição física. Desse modo, a utilização de elos intermediários, ao contrário do senso comum de que apenas aumentam os custos das transações comerciais,a melhor consolidação de cargas e ordem de entregas no melhor trajeto, sempre levando em consideração os parâmetros estabelecidos e específicos de cada cliente, como restrição de tipo de veículo, horário e etc. Pela complexidade da distribuição, é através do TMS que se registram as ocorrências e se controlam eventuais devoluções e reentregas, além de diversos relatórios gerenciais. 120 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade III Assim como o WMS, existem vários TMSs no mercado de empresas distintas e preços diferentes, caberá ao responsável avaliar os recursos e ver o qual é o mais aderente ao perfil operacional e que proporcionará uma melhor gestão com o menor custo. Customer Relationship Management (CRM) – Gestão de clientes Esse sistema responsável pela gestão e medição do relacionamento com os clientes (internos e externos) envolve ações de marketing, vendas e serviços. Ele visa auxiliar em atividades de atendimentos complexos e de alto tráfego, de triagem, de consolidação de informações para fins estatísticos e para subsidiar a tomada de decisão. Através das informações obtidas pelo CRM é possível antecipar as necessidades e identificar potenciais novos clientes. Vendas Suporte M ar ke tin g Se rv iç osCRM Figura 54 Radio Frequency Identification (RFID) – Identificação por radiofrequência Essa tecnologia utiliza a frequência de rádio para captura de dados, que, em geral, armazenam um número de série (como um RG) responsável por identificar o que quer que seja controlado, seja ele um produto, objeto ou pessoas. Esse sistema pode ser utilizado para controle de estoque, o qual possibilita a rastrear e controlar o Stock Keeping Unit (SKU) ou Unidade de Manutenção de Estoque com maior eficácia e precisão pela captura automática de dados para identificação do produto. A captação dá‑se através de dispositivos eletrônicos, conhecidos como etiquetas eletrônicas, tags, RF tags e transponders, que emitem sinais de radiofrequência para leitores que captam essas informações e que, por sua vez, diminuem as possibilidades de erros humanos, além de reduzir o desperdício, limitar roubos, aumentar a produtividade e simplificar a logística ou supply chain. 121 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE Independentemente do software ou hardware utilizado, um ponto de atenção é a questão dos custos, os quais se não acompanhados de perto podem gerar investimentos desnecessários com a infraestrutura, pela falta do correto dimensionamento e planejamento de demanda. Nesse caso, escolher o subsistema justo para sua operação é um passo indispensável e de grande importância no processo de melhora e profissionalização da atividade. Mapas digitais Vemos, atualmente, uma grande explosão de bancos de dados nas organizações em razão da ampliação da capacidade de processamento dos computadores. A evolução da informática se deu através do aumento da capacidade de processamento com o uso de microprocessadores que permitem a criação de grandes bancos de dados (big data) com acesso fácil e rápido, em tempo real, que podem se transformar em informação e conhecimento. O mapeamento digital é um processo no qual um conjunto de dados são compilados e formatados em uma imagem virtual, sua função principal é a representação exata de uma área, detalhando os principais eixos limitadores. Esse processo pode ser usado em várias aplicações, como no marketing, e se apoia em satélites que permitem a atualização por meio de softwares de sincronização com servidores potentes. Os mapas digitais são largamente usados e servem como base para vários tipos de análises e para o planejamento de novos empreendimentos, por exemplo, podemos utilizá‑los para visualizar a localização de consumidores e para planejar locais de venda de forma visualmente simples. A utilização de mapas profissionais é necessária para empresas com negócios na área de varejo (B2C) e industrial (B2B). Esses mapas precisam estar conectados com os bancos de dados de mercado das organizações e com os códigos postais (CEP) das localidades que dependem de um sistema cartográfico confiável, senão pode comprometer a qualidade das análises geradas. Para as organizações que atuam ou pretendem entrar em mercados externos, a ausência de mapas cartográficos atualizados ou sem uma codificação de qualidade pode comprometer o uso de mapas digitais. Portanto, as organizações precisam dispor de outras ferramentas de fonte de informação, como satélites para a análise de mercados potenciais. As principais funções dos mapas digitais são: • Possibilitar a visualização dos dados de mercados locais e internacionais, com localização de consumidores, pontos de venda e local dos concorrentes. • Realizar o armazenamento do banco de dados de mercado das organizações, com atualizações constantes que permitem a tomada de decisão ágil e precisa. Além da visualização dos dados, os mapas digitais podem colaborar com arquivos dos bancos de dados das organizações por meio de atualizações constantes, conferindo dinamismo e consistência nas informações que serão suporte para a tomada de decisão dos gestores. 122 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade III Com a utilização dos mapas digitais, é possível a visualização dos mercados através de softwares específicos com alta capacidade de processamento de dados que fazem a interface entre os dados internos comerciais, disponíveis nos sistemas das organizações, com dados externos de mercado e mapas cartográficos externos, desenvolvidos por consultorias de mercado ou de utilidade pública. Os mapas digitais permitem as seguintes aplicações principais: • Visualização da distribuição espacial dos consumidores por CEP ou rua. • Análise da dispersão geográfica do mercado. • Planejamento territorial das vendas. • Integração ao MS Office. A integração entre banco de dados com informações de mercados, a grande capacidade de processamento de softwares específicos e a disposição gráfica dos mapas digitais permitem às organizações criar um amplo leque de informações sobre potenciais de vendas e identificar as oportunidades de expansão comercial em locais pouco aproveitados ou subutilizados. Além das aplicações de marketing, as informações geradas através dos mapas digitais podem colaborar com a gestão eficiente de outras áreas das organizações, como a controladoria e a logística. Por fim, cabe destacar que a parte técnica do mapeamento geográfico pode envolver a realização de parceiras com institutos públicos de pesquisa e opinião como o IBGE, o Ipea, o Inpe e outros que atuam com bases geográficas e demográficas na condução das pesquisas públicas que podem ser adaptadas para o setor privado empresarial. Eletronic Data Interchange (EDI) Essa tecnologia permite o envio e o recebimento de dados e documentos através de meios eletrônicos de forma padronizada, nos quais esses documentos são gerados nas operações diárias, como pedidos de vendas, ordens de compra, avisos de embarque de mercadoria e documentos de pagamentos, e são transmitidos de forma codificada entre as empresas que possuem esse sistema e acessam os documentos através das redes de comunicação. Esse processo apresenta algumas vantagens, como: • Enviar e receber elevados volumes de informações com segurança. • Reduzir a quantidade de erros no processamento de pedidos. • Disponibilizar informações sem necessidade de impressão. • Utilizar a internet como base de transmissão de dados. 123 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE Além disso, desde o embarque, a partir da ligação com a emissão das notas fiscais de venda das empresas embarcadoras, permite o monitoramento das operações de carregamento e entrega. 6.6 Gestão de custos e serviçosaos clientes Para atender às necessidades sempre crescentes dos clientes e ao aumento da concorrência, as empresas que atuam nos mercados através da utilização de canais de distribuição precisam de uma rígida gestão dos custos. Devido ao porte das operações e dos valores envolvidos com esses custos que compõem parte significativa dos gastos totais de logística, pode ocorrer uma grande dispersão financeira conforme o mercado de atuação e a estrutura de canais de distribuição adotada. De acordo com a pesquisa realizada por Wanke (2002), os principais custos logísticos de distribuição física são: Tabela 18 – Custos da distribuição física (% vendas) Transportes 3,34% Armazenagem 2,02% Estoques 1,72% Serviços ao cliente e pedidos 0,43% Administração 0,41% Adaptado de: Wanke (2000). De forma detalhada podemos decompor os custos logísticos da distribuição física em alguns aspectos específicos, conforme a relação a seguir: Embalagens e materiais de movimentação Materiais e insumos auxiliares utilizados na movimentação de produtos como madeira, papelão, plásticos e materiais auxiliares. Movimentação e manuseio de materiais Custos de movimentação física dos materiais dentro dos centros de distribuição associados à busca e à entrega de materiais para produção, suprimentos, estocagem e expedição, além dos custos de mão de obra. Custos de armazenagem Custos de manutenção de local para estocagem e toda a infraestrutura necessária, pessoal para operação e manutenção, além de aluguel e taxas. 124 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade III Custos de transportes Grupo de maior peso nos custos totais de logística. Os custos com fretes são fortemente influenciados pela localização dos CDs e do modal de transportes usado, tanto na compra de matérias primas e materiais de revenda como na distribuição física dos produtos para o mercado. Os principais fatores são distância, volumes, especificações técnicas, riscos operacionais e condições dos locais de entrega e prazo de entrega. Custos de estoques Manter estoques altos, de forma geral, compromete o desempenho operacional e financeiro das empresas, por isso, deve‑se evitar, na medida do possível. Respeitando as condições de mercado, como sazonalidades, vendas, oportunidades de negócios e condições favoráveis na aquisição de materiais e produtos acabados para revenda, além de suportar a função clássica de segurança contra imprevistos e manter a linha de produção em funcionamento. Conforme o perfil do mercado de atuação (interno ou externo), a localização dos canais de distribuição e dos clientes, bem como a estrutura física de estocagem, os investimentos em estoques podem ser elevados e demandam uma qualidade elevada na gestão dos recursos. Estoques são custos que excedem unicamente os valores de compra e manutenção, extrapolam a gestão de espaço nas indústrias, centros de distribuição e nos pontos de vendas e oneram também as despesas com seguros, impostos e gestão de riscos. Custos de faltas Os custos de faltas de produtos é um custo amplo, que pode ser estimado em bases hipotéticas quando se trata de falta de matéria‑prima ou insumo. As consequências podem ser calculadas com precisão, em termos de parada de produção. Porém existem os custos da falta de produtos para as vendas, que nem sempre podem ser calculados. Quando uma cotação de venda é colocada ou negada por algum potencial cliente, que pode precisar de produto em prazos curtos e imediatos, também afeta a programação da área de expedição, armazenagem e a programação das entregas. Isso pode ocasionar custos adicionais de fretes, por exemplo, em caso de entregas divididas devido à falta de todos os produtos pedidos pelo cliente. Lembrete Quando falamos na gestão de custos logísticos, não podemos esquecer de que representam cerca de 2/3 dos custos totais de distribuição, conforme o segmento de mercado. Nesse sentido, a gestão eficiente pode representar um diferencial competitivo permitindo uma política comercial agressiva em termos de preços. 125 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE 6.6.1 Os trade‑offs entre transportes, estoques e serviços aos clientes Trade‑off é uma expressão inglesa adotada no vocabulário empresarial que significa uma relação de troca entre duas variáveis inter‑relacionadas em que a falta de um recurso pode ocasionar a perda de outro recurso ou processo administrativo e operacional. Conforme Wanke (2000), existem duas situações comuns nas empresas no que se refere à interação entre a área comercial e a área de logística, a saber: Transportes e serviços aos clientes O impacto do transporte até o cliente é significativo e compõe parte importante da avaliação que os clientes fazem da qualidade e seriedade da empresa fornecedora, para a aquisição e para novas demandas. Questões como pontualidade, tempo de entrega, capilaridade, ou seja, a capacidade de atingir locais distantes e remotos, são fatores decisivos. Assim, quando as empresas possuem uma gestão de entregas e transportes eficiente, a consequência é uma melhora nos níveis dos serviços prestados. A troca refere‑se ao custo que as empresas incorrem ao manter uma grande quantidade de transportadores alocados com frota à disposição e pessoal para atender a todas as entregas dentro de prazos curtos, o que eleva os custos em certa medida. Portanto, existe uma troca ou trade‑off entre manter frotas grandes sempre disponíveis para atender todas os pedidos e a possibilidade de, em outro sentido, perder entregas ou pedidos pela falta de veículos disponíveis. Estoques e transportes Entre as dificuldades que podem ocorrer na área de transporte, podemos apontar as dificuldades que surgem quando os produtos a serem embarcados não estão totalmente disponíveis na área de expedição para carregamento nos veículos. Isso também causa impactos no nível de serviço logístico. O ponto central de discussão está no nível de estoques; as empresas devem operar de modo a permitir a melhor gestão de transportes, visando entregas únicas e completas com materiais disponíveis no exato momento do carregamento e evitando idas e vindas com impactos claros nos custos de frete. Esse aspecto, por sua vez, está diretamente relacionado à política estabelecida junto aos canais de distribuição que representam a proximidade junto aos clientes e podem decidir a agilidade dos pedidos de vendas entregues pontualmente. 126 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade III Quadro 6 – Comparativo: estoques em único local versus várias localidades Centralização de estoques Descentralização de estoques Política de estoques rápida Política de antecipação de demanda Custos com transporte Custos com estoques Utilização de transporte expresso Utilização de carga consolidada Localização afastada dos clientes Localização próxima dos clientes Menor dependência previsão venda Maior dependência previsão venda Custos logísticos Custos fiscais Por outro lado, a área de supply chain pode preferir manter políticas de manutenção de estoques limitados ou just in time (JIT) sem excessos de volumes e prazos, o que nem sempre coincide com os objetivos das áreas de produção (que preferem lotes maiores de produção) e/ou com o dos gestores de transportes e expedição (que preferem entregas completas e únicas). É evidente que a política de estoques precisa ser conhecida e divulgada para as áreas envolvidas. Também devem ser analisadas as limitações físicas de cada uma, conhecidas como “gargalos” operacionais, sem perder a necessidade de promover a eficiência e agilidade que os processos atuais exigem das empresas. Serviços aos clientes Com a difusão no meio empresarial, na década de 1990, dos conceitos de supply chain, como forma de atuação integrada e voltada para o atendimento das necessidades dosclientes, e também com a difusão das normas série ISO 9000, as prioridades dos processos de logística deslocaram‑se dos processos internos para o processo de atendimento aos clientes. Como consequência desta mudança para uma nova configuração logística, antes voltada para critérios internos e para aspectos externos com foco nos clientes, um grande número de empresas teve que se reorganizar, criando áreas específicas para a gestão logística, através de departamentos de serviços aos clientes. Integrante da área denominada supply chain, o serviço ao cliente atua de forma direta com as seguintes atribuições: • Processamento de pedidos. • Faturamento. • Pós‑venda. • Avaliação de qualidade e satisfação. • Fidelização. 127 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE Preparação do pedido • Requisição de produtos ou serviços Relatório da situação • Rastreamento • Comunicação ao cliente sobre situação atual Transmissão do pedido • Transmitindo as informações do pedido Atendimento do pedido • Retenção, produção ou compra do produto • Embalagem para despacho • Programação de entrega • Preparação da documentação de embarque Entrada do pedido • Verificando o estoque • Verificando a exatidão dos dados • Conferindo o crédito • Pedido em atraso/ cancelado • Transcrição • Faturamento Figura 55 – Etapas do processamento de pedidos Para Bowersox e Closs (2001, p. 71), o serviço ao cliente é: “um processo cujo objetivo é fornecer benefícios significativos de valor agregado à cadeia de suprimento de maneira eficiente em termos de custo”. Como resultados da gestão das atribuições, listadas na figura anterior, espera‑se, da área de serviço aos clientes, a gestão dos seguintes aspectos: Tabela 19 – Principais reclamações dos clientes Atrasos nas entregas 44% Problemas de qualidade 31% Produtos avariados/danificados 12% Itens faltantes 13% Fonte: Ballou (2006). De acordo com as principais atribuições do serviço ao cliente, podemos descrever as atribuições mais importantes dessa área, conforme os seguintes aspectos: • Disponibilidade de produtos: capacidade de fornecer as necessidades colocadas, através dos pedidos de vendas dentro dos padrões solicitados. • Prazos de entregas: gerenciar os prazos dentro da cadeia produtiva de forma a atingir os prazos entre o pedido e a entrega efetiva. • Confiabilidade: representa a gestão da continuidade do processo de venda pela aquisição de novas vendas através da confiança operacional. • Acuracidade: representa a precisão das informações prestadas através de uma combinação entre qualidade e quantidade. 128 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade III Indicadores de desempenho da área de serviço ao cliente podem ser realizados por meio da medição de alguns parâmetros técnicos logísticos, como: • Número de pedidos entregues dentro do prazo solicitado. • Número de pedidos solicitados dentro dos prazos estabelecidos. • Quantidade de produtos entregues ou transportados com avarias. • Porcentual de pedidos devolvidos em relação ao total entregue. • Valor das devoluções em relação ao total faturado. • Número de produtos faltantes no ato do carregamento. • Porcentual de pedidos entregues com todos os itens. • Quantidade de reclamações recebidas em relação às entregas. • Tempo médio de processamento de pedidos. • Erros de emissão de documentos. Tabela 20 – Penalidades impostas pelos clientes por falha no serviço Redução dos volumes 30% Advertência 27% Troca de fornecedor 18% Recusa de novos produtos 9% Fonte: Ballou (2006). Para Ballou (2006), os clientes nem sempre declaram ou informam quando ocorrem problemas com as entregas realizadas e podem apenas reduzir os volumes comprados, bem como trocar de fornecedor. Por isso, um trabalho de pós‑venda através do monitoramento da periodicidade de compras deve ser conduzido como forma de detectar problemas nem sempre perceptíveis ou identificados. Observação Quando falamos em serviços, queremos englobar todos os aspectos que são percebidos pelos clientes, independentemente dos produtos vendidos. Existe uma avaliação tanto para os itens tangíveis como para os aspectos intangíveis. Por exemplo, em uma entrega de uma refeição, os clientes avaliam a qualidade do produto e o tempo de entrega conforme o pedido solicitado. 129 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE Nível de serviço logístico (NS) O indicador de desempenho mais utilizado para a avaliação do desempenho do atendimento aos clientes é conhecido como nível de serviço (NS). Esse é um indicador da qualidade dos trabalhos envolvidos no atendimento aos clientes e apura o resultado dos atendimentos em um único indicador, consolidado a partir das variáveis determinadas cujo objetivo é atingir níveis de serviços cada vez maiores que representam a efetiva competência logística da empresa. Como se trata de um índice médio ponderado, que pode variar de 1% a 100%, com base no desempenho de várias etapas dos processos, existem vários níveis de serviço em razão da alocação e do peso das atividades atribuídas. Por exemplo, se a empresa decide que não quer perder vendas por falta de produto, poderá elevar os estoques de segurança, o que, por sua vez, poderá comprometer os recursos financeiros à disposição para o capital de giro operacional. Dessa forma, teremos um NS elevado em termos de transportes. Outra característica do NS refere‑se à possibilidade de se determinar um valor (1% a 100%) conforme a importância de determinado cliente ou do produto e, assim, atuar de forma diferenciada para cada aspecto de caráter estratégico. No caso de um cliente classificado como cliente classe A (muito importante) a empresa pode estipular um NS de 90%, enquanto para um cliente classe C (pouco importante) a empresa poderá atribuir um NS menor (cerca de 70%). Evidentemente, as ponderações e classificações atribuídas podem elevar custos totais dos serviços logísticos prestados aos clientes. Exemplo de cálculo do NS: NS = 1 – 4/52 = 0,923 ou 92,3% onde NS = 1 – número de falhas nas entregas número de entregas realizadas Entre os principais requisitos, incluídos pelas empresas na composição do NS a ser gerenciado pela área de serviços aos clientes, podemos destacar: a utilização correta dos procedimentos padronizados; o nível de compromisso com as entregas realizadas; os níveis de estoques por grupo de produtos ou materiais; as instalações técnicas e o nível de atendimento dos pedidos colocados e seu devido acompanhamento dentro das condições solicitadas, bem como a agilidade no fluxo de informações aos envolvidos e aos principais clientes. Podemos concluir que cada NS tem seu próprio custo que deve ser suportado pelo grupo selecionado de clientes para atendimento dentro da estratégia de negócios das empesas, em que níveis maiores de NS representam níveis maiores de custos de atendimentos. 130 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade III Segundo Correa (2010, p. 15), um modelo hipotético de atribuição de NS para empresas de grande porte com elevado número de clientes e pedidos pode ser exemplificado conforme a tabela a seguir: Tabela 21 – Nível de serviços por nível de clientes Pacote de serviço Clientes classe A Clientes classe B Clientes classe C Nível de serviço 98% 92% 88% Prazo de entrega 3 dias 7 dias 14 dias Tempo de retorno 1 hora Mesmo dia 3 dias Atendimento Exclusivo Representante Website Prazo de pagamento 30/60/90 dias 30/60 dias 30 dias Fonte: Corrêa (2010, p. 15). As atribuições dos níveis de serviços (NS) conferem um caráter de cunho estratégico e comercial às atividades logísticas. Portanto, precisam de ampla discussão e avaliação entre a área de supply chain e vendas/marketing deforma a garantir a efetiva atenção, bem como preservar a sustentabilidade financeira da empresa em longo prazo. Ao unir essas áreas mencionadas, as empresas estabelecem um novo nível de aproximação com os clientes tanto física quanto no mercado. Isso permite uma melhora na avaliação ampla das condições de operação dos mercados que podem qualificar melhor o tempo de resposta da empresa em relação às mudanças que acontecem ou poderão acontecer no futuro. Essas reavaliações periódicas podem trazer consequências em termos de mudanças no mix de produtos oferecidos, nos prazos de entrega e na política comercial e criar vantagens competitivas em relação aos concorrentes. Observação O nível de serviço (NS) deve ser calculado a partir de critérios técnicos a partir do perfil comercial e estratégico dos clientes e dos produtos vendidos, conforme a carteira de clientes da empresa. Clientes classe A devem ter nível de serviço diferenciado em relação aos clientes classe C. Indicadores de desempenho e produtividade Melhorar a produtividade e a eficiência operacional e também a qualidade na gestão dos clientes é o objetivo central da maioria das empresas. Para tanto, é necessário medir e avaliar o desempenho de cada processo envolvido. 131 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE Em termos de eficiência logística, é necessária, portanto, a avaliação métrica dos processos que a compõem. Para isso, é preciso ter indicadores de desempenho que permitem, dentro do modelo de gestão da qualidade, monitorar tanto a qualidade interna quanto a externa dos parceiros envolvidos, como canais de distribuição, atacadistas, varejistas, representantes, distribuidores, transportadoras e demais integrantes dos fluxos de atendimento. Conforme Pires (2005, p. 227), os indicadores de desempenho podem ser divididos em dois grupos principais: o primeiro avalia o desempenho da empresa conforme o nível de atendimento aos clientes e o segundo avalia a performance da empresa em relação aos concorrentes de mercado. Os indicadores de desempenho interno podem ser: • Atendimento aos clientes. • Gestão de estoques. • Armazenagem. • Entregas e transportes. Vejamos a seguir um quadro com os principais indicadores de desempenho internos das empresas: Quadro 7 – Indicadores de desempenho interno Indicador Descrição Cálculo Pedidos completos no prazo Entregas dentro do prazo e das especificações Entregas completas/total entregue Fill rate % pedidos entregues integralmente % pedidos integrais/entregas totais Acuracidade do inventário Saldo entre estoque físico contábil % estoque físico/estoque no sistema Stock out Pedidos não atendidos por falta de estoques Valor venda perdida por falta Baixo giro Produtos em estoque sem movimentação % estoque parado/estoque total Tempo de cargas/descarga Tempo de espera de veículos no carregamento Tempo médio entre chegada e saída Pedidos atendidos/dia Nº pedidos expedidos $ volumes do dia/volume total Custo transporte/total Valor gasto por mês com fretes Gasto com fretes/gastos totais de logística % capacidade de carga Avaliação da capacidade ociosa dos veículos % carga expedida/capacidade dos veículos Adaptado de: Ângelo (2005). Além da necessidade de efetuar um processo de avaliação periódica dos procedimentos internos, as empresas precisam realizar o monitoramento das atividades envolvidas com os procedimentos externos, que são realizados todos os dias, através de prestadores de serviços diretos ou indiretos. Isso pode colaborar no processo de avaliação de prestadores de serviços e identificar falhas e lacunas que podem criar a necessidade de troca dos prestadores de serviços logísticos (PSL). 132 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade III Quadro 8 – Indicadores de desempenho externo Indicador Descrição Cálculo Pedidos completos no prazo Entregas dentro do prazo e das especificações Entregas completas/total entregue Entregas devolvidas Nº entregas devolvidas parcial ou total % entregas devolvidas/entregas totais Recebimentos conforme solicitado Nº de pedidos recebidos conforme especificado nos pedidos de compra % produtos conforme/total de produtos entregues Tempo de entrega (lead‑time) Tempo de entrega dos fornecedores % entregas no prazo/data efetiva de entrega Adaptado de: Ângelo (2005). Os indicadores de desempenho devem ser calculados a partir de metodologias técnicas conhecidas, amplamente divulgadas com regularidade e criteriosa base documental, permitindo aos gestores responsáveis pelos processos agilizar a tomada de decisão para correção de rumos e mudanças que possam ser necessárias. Vejamos, a seguir, um estudo de caso sobre distribuição e marketing: Fantástica, a fábrica de chocolate Fantástica é uma empresa de alimentos que produz leite, chocolate, achocolatados, biscoitos e iogurte. A área de marketing da empresa descobriu que os clientes (atacadistas e varejistas, supermercados e lojas de departamentos) estavam muito insatisfeitos com o fornecimento de produtos. Muitas vezes, os pedidos chegavam aos pontos de vendas incompletos e com atrasos, porque não havia disponibilidade de todos os produtos. Além disso, muitos produtos chegavam danificados, por descuido no transporte e no processo de carregamento nos caminhões e no processo de descarregamento nos pontos de vendas. Atender o cliente é um processo que exige um complexo arranjo logístico e a Fantástica deveria ser capaz, por exemplo, de receber um pedido grande, com inúmeros itens e entregá‑los completos e sem danos, dentro de 24 horas, em Salvador, Campinas ou Porto Alegre, porém a empresa tinha adotado a prática de entregar o que houvesse no estoque. Assim, os pedidos grandes, cujos itens não estivessem disponíveis nos depósitos, eram frequentemente entregues com atraso e incompletos com saldos pendentes aguardando produção e reposição, procedimentos estes, que aumentavam os custos das operações e os retrabalhos ineficientes promovendo a insatisfação dos clientes. 133 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE O pessoal de logística, responsável pelo processamento dos pedidos, queria resolver esse problema com previsões de vendas mais precisas. Disse o gerente de logística para o gerente de marketing: — Vocês devem informar as vendas por item, ou seja, quantos iogurtes, barras de chocolate e pacotes de biscoito de cada tipo para o mês que vem, e não adianta vocês informarem o total de vendas. Respondeu o gerente de marketing: — Previsão detalhada assim é impossível, pois existem muitas variáveis que interferem, como clima, situação financeira dos clientes, economia local. Tudo afeta as vendas. — Por exemplo, basta chover no Sul que a renda local melhora e as vendas aumentam. Não existe um padrão estável. O país é muito grande e cada local é um local. — E se a quantidade de itens fosse diminuída? Eu acho um exagero barras de chocolate com tantos pesos diferentes, iogurtes com tantos sabores, todos esses tipos de sorvetes com embalagens diferentes. — Você está ficando louco! Cada produto tem um nicho próprio de mercado. Se for tirado da linha, isso significará perder o nicho do mercado, logo, vem a concorrência e toma conta. — Para mim, a solução é trabalhar com estoques mais elevados e entregas mais frequentes. — Com os recursos atuais, a área de logística mal consegue trabalhar, e para elevar os estoques vou precisar construir mais depósitos, comprar mais caminhões e contratar mais gente. Além disso, as fábricas vão ter que aumentar a produção. A discussão prosseguiu. O gerente financeiro foi envolvido e disse: — Espero que o pessoal de marketing possa justificar o investimento. A empresa já está no limite da imobilização de capital. Os acionistas não irão concordar com mais esse custo se isso não tiverum retorno com vantagem competitiva evidente. Para mim, é um problema de planejamento e coordenação, e não de insuficiência de produção. Adaptado de: Maximiano (2002). 134 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade III Exemplo de aplicação Questões para reflexão: O que significa “qualidade de serviço“ para a empresa neste caso apresentado? De qual área da empresa cabe a maior responsabilidade pela qualidade do serviço ao cliente? Resumo O objetivo desta unidade foi a de mostrar ao estudante as noções gerais das funções dos CDs, tais como receber mercadorias, armazenar, movimentar, organizar e expedir. Na sequência, foram abordados alguns dos segmentos que mais se utilizam dos CDs, como os supermercados, com sua grande variedade de produtos; as farmácias e drogarias, segmento bastante pulverizado, com algumas características próprias, como o controle de medicamentos específicos; e os eletroeletrônicos, que se fossem estocados nas lojas de vendas ocupariam um grande espaço. Foram, também, apresentados a venda direta, em que os vendedores visitam as empresas e/ou clientes; o e‑commerce, como atividade consequência da difusão da internet e dos meios de pagamento, como cartões de crédito e débito; as indústrias, que buscam locais para economizar, sejam com CDs próprios ou terceirizados; os atacadistas, que na prática de compra de produtos, precisam de local apropriado para estocá‑los; e os próprios operadores logísticos, que podem adquirir espaços para locar ou terceirizar certas operações. Em seguida foram abordados os conceitos de gestão de estoques, no que concerne aos indicadores de custo, nível de serviço e de qualidade, cada um deles como uma ferramenta de acompanhamento do gestor. Ainda, na gestão de estoques foram abordados os conceitos de inventário, que consiste na relação de todos os itens do estoque para a conferência física; as previsões de venda/consumo, como formas de controle de possíveis compras e produção baseadas nas médias de consumo dos meses anteriores; e a classificação ABC, baseada no princípio de Pareto, importante ferramenta que prioriza as ações do gestor no ambiente das organizações. Outros parâmetros que também devem ser monitorados são os prazos de pedidos e entregas, o fluxo de entregas e o estabelecimento de estoques mínimo e máximo. 135 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE A instalação de um centro de distribuição depende de vertentes que precisam ser analisadas na fase de planejamento, pois considerações como o tipo de mercado a ser atingido e base de clientes são determinantes para a escolha correta. Tais decisões afetam outras igualmente importantes, como a utilização de modais de transporte e seus custos de utilização. No Brasil há polos concentradores de atividades logísticas, embora qualquer lugar, em tese, guarde oportunidades dependendo das escolhas que a organização fizer. Além da localização, o projeto de um CD deve incluir áreas para serem utilizadas por clientes e funcionários. Evidentemente que tais espaços dependem muito do projeto, mas pensar no bem estar do pessoal pode fazer a diferença. Se for possível, uma área de lazer e, até, áreas comuns que possam ser compartilhadas com a comunidade. O mix de produtos envolvido na operação do CD deve levar em consideração os canais de distribuição disponíveis e, obviamente, os custos relativos a toda operação. Mapear adequadamente quais os produtos e os meios de distribuição de cada região operada pelo CD ajuda a criar uma compreensão do mercado de distribuição e, até mesmo, otimizar determinadas operações para um atendimento mais ágil. A expansão das atividades é consequência da necessidade que o desenvolvimento impõe. A expansão propicia a conquista de novos mercados e a diversificação dos produtos. Por fim, o dimensionamento está voltado para os tipos de produtos que serão armazenados, além dos tipos de materiais e equipamentos envolvidos na operação. Os CDs permitem viabilizar entregas com a diminuição do tempo de espera dos clientes, tornando a organização mais competitiva. Outras vantagens competitivas estão relacionadas ao funcionamento da organização, mas a redução de certos custos, como os de armazenagem, controle e comunicação, a diminuição da burocracia e o aumento da produtividade podem ser relacionados. Algumas desvantagens também são citadas, como o aumento do controle com a segurança, menos flexibilidade das rotas, dentre outros. Há economia na implantação de um CD em razão de alguns fatores, como a devolução de mercadorias por avarias. O CD, estando mais próximo do cliente, pode gerenciar de forma mais eficiente o fracionamento da carga, as entregas e outros itens. 136 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade III Os CDs podem pertencer às próprias empresas que deles se utilizam ou pertencer a terceiros. Operadores logísticos podem construí‑los e locarem para as empresas interessadas. A empresa decide se deve terceirizar ou não, sempre preocupada com a competitividade do mercado. Exercícios Questão 1. Conforme Marco Aurélio P. Dias, em sua obra Administração de Materiais: uma abordagem logística (2007, p. 23), “a meta principal de uma empresa é, sem dúvida, maximizar o lucro sobre o capital investido em fábrica e equipamentos, em financiamentos de vendas, em reserva de caixa e em estoques.” Ainda: “a função da administração de estoques é justamente maximizar [...] o efeito lubrificante no feedback de vendas não realizadas e o ajuste do planejamento da produção”. Acerca do assunto gestão de estoques, avalie as proposições: I – Um dos objetivos principais do controle de estoque é a otimização dos investimentos realizados em estoques tanto de matéria‑prima quanto de material em processo e produto acabados, uma vez que representam capital investido. II – Os níveis de estoque de produtos acabados devem ser considerados de forma totalmente independente dos níveis de estoque de matéria‑prima, pois não há interdependência entre os dois métodos de gestão. III – Deve‑se manter o volume de estoque elevado para que seja possível atender rapidamente a pedido de clientes; ao mesmo tempo, a redução do estoque é importante para que seja possível diminuir o capital investido neste tipo de ativo. Dessa forma, cabe à organização conciliar os objetivos de diversos departamentos de uma organização. IV – A administração de estoques exige que todas as atividades envolvidas com controle de estoques, qualquer que seja a forma, sejam integradas e controladas num sistema de quantidades e valores, prevalecendo sempre as necessidades das maiores categorias de gastos. É possível afirmar que somente estão corretas: A) I e II. B) II e III. C) II e IV. 137 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE D) III e IV. E) I e III. Resposta correta: alternativa E. Análise das afirmativas I – Afirmativa correta. Justificativa: o que é apresentado na afirmativa I corresponde exatamente ao principal objetivo do controle de estoques. II – Afirmativa incorreta. Justificativa: há forte interdependência entre a gestão de estoques de produtos acabados e a de matéria‑prima, pois a produção necessita de matéria‑prima para elaborar os produtos finais; desta forma, ao gestor de estoque cabe conciliar o montante de estoque de matéria‑prima de acordo com a necessidade de manutenção de estoque de produtos acabados. III – Afirmativa correta. Justificativa: o que é apresentado na afirmativa compreende um dos principais conflitos departamentais das organizações: o setor de vendas prefere níveis elevados de estoque, pois assim consegue maior poder de barganha quando da oferta de seus produtos; por outro lado, o setor administrativo financeiro prefereníveis baixos de estoque, pois pensa na melhoria de fluxo de caixa, uma vez que estoque é custo. IV – Afirmativa incorreta. Justificativa: a afirmativa está incorreta, pois não devem ser privilegiados maiores categorias de gastos. Nem sempre maiores categorias de gastos são os principais atores num processo de produção e gestão de estoques. Como a afirmativa sugere a integração entre diferentes categorias de gastos, todas devem ser tomadas como importantes. Questão 2. (IFRN, 2012) Para que se tenha um processo de comercialização completo, são necessários canais de distribuição para que os produtos cheguem ao seu destino. Sobre canal de distribuição é correto afirmar que: A) serve como o caminho a ser percorrido pela empresa em busca de uma possibilidade de lucro ou prejuízo. B) é entendido como um grupo de entidades interessadas, que assume a propriedade de produtos ou viabiliza sua troca, durante o processo de comercialização, do fornecedor inicial até o comprador. 138 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade III C) mostra‑se como uma maneira de distribuir o produto ou serviço em várias possibilidades de construção de cadeia. D) é definido como um sistema com relacionamentos esporádicos entre entidades que participam do processo de compra e venda de produtos e serviços. E) os canais de distribuição são utilizados de forma idêntica por todas empresas, independentemente de seu ramo de atividade. Resolução desta questão na plataforma. 139 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE Unidade IV 7 DESAFIOS EM DISTRIBUIÇÃO E ARMAZENAGEM O processo de distribuição e armazenagem é um desafio muito grande aos profissionais dessa área. Esse processo está associado à movimentação física de materiais, em geral de um fornecedor para um cliente. Dessa forma, a distribuição envolve atividades internas e externas, acompanhadas de documentos legais. Podem ser divididos em funções diretas, como: recebimento e armazenagem; controle de estoques; administração de frotas e fretes; separação de produtos; cargas de veículos; transportes; devoluções de materiais, entre outras. Em um país como Brasil, vários são os desafios enfrentados pelos profissionais, não apenas de logística, mas das mais diversas áreas. Há várias regiões, cada uma com as suas especificidades, em que as necessidades devem ser supridas com o estudo e a pesquisa pertinente, como na utilização dos modais de transporte. Ainda, a respeito dos transportes, os profissionais questionam uma série de fatores, como a gestão das transportadoras, a segurança nas estradas, o emprego adequado de tecnologias da área, a rapidez nas entregas, dentre outros fatores (OS 7 MAIORES..., 2017). Profissionais e empresas especializadas no ramo, elencam os principais desafios (ARMAZENAGEM..., 2017): • Conservar a qualidade do produto, mantendo inalteradas suas características. • Controlar a quantidade estocada. • Maximização do uso de todos os espaços. • Eficiência na movimentação dos itens. • Reduzir custos relativos à armazenagem. • Aproveitamento eficaz dos recursos: humanos e equipamentos. • Controle de datas (FIFO). Outros itens também são destacados, como concentração no transporte rodoviário, escassez de mão de obra qualificada, controle de estoque ineficiente e descarte de itens devido à preocupação com o meio ambiente (OS PRINCIPAIS..., 2018). 140 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade IV Saiba mais Desafios nas atividades logísticas: CARDOSO, J. G.; PINTO, C. A. S.; ERDNANN, R. H. Estruturação logística: uma proposta contextualizada a realidade de pequenas empresas. In: ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO, 23., Ouro Preto, 2003. Anais..., Ouro Preto: Associação Brasileira de Engenharia de Produção. Disponível em: . Acesso em: 17 maio 2018. MACHLINE, C. Cinco décadas de logística empresarial e administração da cadeia de suprimentos no Brasil. Rev. Adm. Empres. São Paulo, v. 51 n. 3, maio/jun. 2011. Disponível em: . Acesso em: 17 maio 2018. KAWANO, B. R. et al. Estratégias para resolução dos principais desafios da logística de produtos agrícolas exportados pelo Brasil. Revista de Economia e Agronegócio, 2012. Disponível em: . Acesso em: 17 maio 2018. Logística reversa Muitos desses desafios precisam e devem ser enfrentados com conhecimentos específicos, nas áreas da gestão. Um desses desafios está ligado à logística reversa. Conforme o Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos: A logística reversa é um instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada (SINIR, [s.d.]). Esse é talvez um dos maiores desafios da logística moderna. Aliás, as preocupações com o meio ambiente e com a sustentabilidade talvez sejam as diretrizes que sustentarão as organizações no século XXI e seguintes. 141 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE Os dois fluxos de consumo Conforme podemos notar no fluxograma a seguir, existem dois fluxos dos produtos em termos de distribuição física. O primeiro inicia‑se no sentido do fornecedor para o consumidor, envolvendo fabricantes, distribuidores e varejistas. Os produtos são enviados aos consumidores, porém não retornam, e os resíduos e matérias são descartados em aterros sanitários e lixões públicos. Transportador Distribuidor Fábrica Varejo Consumidor Logística reversa Suprimentos Operações Distribuição física Figura 56 O segundo é o fluxo reverso que ocorre no sentido do consumidor para o fabricante em que atuam, de forma geral, outros agentes, como catadores de lixo, empresas de reciclagem e comerciantes. Na logística reversa, estabelece‑se um fluxo de retorno ou devolução dos produtos, embalagens e resíduos ao ponto de origem através da estrutura convencional de entrega e de novas formas de retorno desenvolvidas para esta finalidade. A vida útil dos produtos não acaba com o consumo, já que alguns lotes podem ser danificados, estar vencidos ou apresentar problemas de funcionamento. Nesses casos, precisam retornar ao fluxo logístico reverso para a correção e o reprocessamento industrial. Aliado a pressões sociais crescentes por questões ambientais, as empresas podem identificar motivos adicionais para adotar a reutilização reversa, como: • Legislação ambiental. • Redução de custos com aquisições novas. • Reaproveitamento e reciclagem. • Marketing ecológico. • Rentabilidade com produtos reversos. 142 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade IV A logística reversa de produtos está dividida em dois fluxos reversos produtivos, a saber: logística pós‑consumo e logística pós‑venda, que veremos em detalhes. Logística reversa pós‑consumo Neste fluxo reverso consideram‑se as movimentações físicas de produtos e materiais descartados gerados pelo descarte dos consumidores após sua utilização ou finalidade e produtos que estão com validades vencidas e devem retornar ao ciclo produtivo, de forma direta ou indireta, através dos processos de reuso, reciclagem ou desmanche. Esse processo está em evolução e crescimento em razão das mudanças nos padrões de produção industrial, com produtos de validade de menor prazo e durabilidade, além da crescente utilização de componentes descartáveis e excesso de utilização de plásticos. Issosignifica que o ciclo de vida útil dos produtos industriais está em redução e demanda um processo logístico reverso mais eficiente e contínuo, com pressões sobre o sistema público de recebimento de resíduos sólidos, sobrecarregando a necessidade de aterros sanitários para descarte e reciclagem. Uma atenção especial deve ser dada ao fluxo reverso na sociedade atual, que apresenta elevado consumo de produtos eletrônicos. Por exemplo, baterias à base de produtos químicos nocivos à saúde humana e com alto poder de contaminação de solo e água, que precisam de uma logística reversa mais acurada e qualificada, o que vai além do simples descarte sanitário. As principais destinações dos produtos desse ciclo reverso são: aterros sanitários, lixões públicos, desmanches particulares, processos de remanufatura industrial, leilões, revenda, sucateamento e incineração. Fornecedores de matéria‑prima Distribuição/varejo Fabricantes Consumidor Pós‑venda Pós‑consumo • Devoluções • Garantias • Problemas de qualidade • Avarias • Produtos inservíveis ao primeiro proprietário Figura 57 ‑ Tipos de fluxo reverso 143 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE Nos últimos anos, nota‑se uma crescente conscientização social e empresarial com a criação do chamado selo verde (ecologicamente correto) em relação à necessidade de reaproveitamento de materiais descartados no processo de consumo. Algumas ações, como a reciclagem, o reúso e o desmanche produtivo estão em crescimento. Saiba mais O desenvolvimento sustentável é considerado atualmente um valor que agrega aos produtos e serviços empresariais maior poder de mercado em todos os setores de atuação e a logística reversa colabora nesse processo, reduzindo custos sociais, públicos e privados, através de ações, como reciclagem, reúso e desmanche. Recomendamos, para melhor compreensão do tema, a leitura de: GUARNIERI, P. Logística reversa. São Paulo: Clube dos Autores, 2010. Logística reversa pós‑venda Nesse fluxo reverso, encontram‑se as movimentações físicas dos produtos que retornam ao fluxo de produção sem que exista o consumo. Isso ocorre quando há a necessidade de devolução de produtos, por diversos motivos, como: produtos vencidos ou fora das especificações técnicas corretas; produtos que apresentam vícios ou defeitos de fabricação e utilização; produtos enviados em consignação e que não foram vendidos; produtos que encalham ou perdem a força comercial e precisam retornar aos fabricantes; ou produtos que precisam voltar aos fabricantes para consertos ou trocas de peças defeituosas (recall). Ao contrário do fluxo pós‑consumo, que costuma enviar os produtos e materiais usados para o sistema público de descarte, normalmente a aterros sanitários, os produtos retornam aos fabricantes ou aos canais de distribuição e vendas utilizados no fluxo tradicional. Depois são avaliados e destinados de volta ao processo de venda ou enviados aos fabricantes, para reaproveitamento dentro do processo produtivo. Ecologia e reciclagem de produtos A questão da reciclagem como processo econômico e ecológico reduz impactos sobre o meio ambiente e permite economias de retorno ao processo, que pode, conforme as condições específicas temporais dos mercados, produzir novas fontes de produção com custos menores e preços mais acessíveis aos consumidores. A reciclagem tem como característica central a função de coletar os materiais descartados nos pontos de descarte e consumo ou mesmo nos pontos de destinação final, como aterros sanitários. 144 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade IV Após um processo de limpeza e separação com avaliação das condições de uso, ocorre a reciclagem produtiva, em que se destacam alguns grupos tradicionais de materiais, como papelão descartado no consumo, vidros, alumínio, plásticos PET, aços, lubrificantes, pneus e embalagens de papel. Sistemas públicos de logística reversa A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) cita os três modelos existentes para os sistemas de logística reversa: PEV, Coleta Seletiva ou Central de Triagem/Entidades de Catadores (por exemplo: embalagens de cosméticos, produtos de limpeza, alimentos, bebidas etc.); coleta em pontos de entrega voluntários (PEVs) (por exemplo: pilhas, celulares, óleo comestível etc.) e coleta por sistema itinerante junto ao comércio (por exemplo: pneus, óleo lubrificante, baterias automotivas etc.). É possível destacar os graves problemas enfrentados pelo Brasil em termos de infraestrutura. O principal modal de transporte é o rodoviário, pois cerca de 58% de toda a produção nacional circula por estradas. Já as ferrovias, segundo modal mais importante, abarcam apenas 25% da produção (KAWANO et al., 2012). Ainda, conforme Kawano et al. (2012, p. 84), um outro problema é mais preocupante, o estado de conservação das estradas: Dos 90.945 km de rodovias do país, 41,20% delas foram classificadas como boas ou ótimas, englobando vias com sinalização adequada, pavimentação de boa qualidade e geometria da via adequada para transportes de passageiros e de carga. Verifica‑se que a maior parte das rodovias em boa qualidade se localiza no estado de São Paulo e, dessa parcela, uma quantia considerável está sob regime de concessão de pedágios. O gráfico a seguir apresenta a distribuição da utilização do transporte em território brasileiro, dividida por modal. 0,4% 4,2% 13,6% 20,6% 61,2% Rodoviário Ferroviário Hidroviário Dutoviário Aéreo Figura 58 – Distribuição por modal de transporte das cargas brasileiras 145 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE Os outros modais transportes – hidroviários, marítimos, aeroviários e dutoviários – apresentam problemas que interferem diretamente na tomada de decisão de qualquer gestor. As hidrovias brasileiras, apesar do potencial latente, carecem de investimentos, tanto na estrutura quanto na forma de exploração dos rios e lagos existentes e disponíveis para o transporte de cargas. O transporte dutoviário nem sempre pode ser utilizado, pois alguns tipos de mercadorias não conseguem ser transportadas por ele. Normalmente, os produtos que circulam por esse modal são os minérios, gases e petróleo. O modal aeroviário é utilizado apenas para mercadorias pequenas, pois quanto maior for o volume, maiores serão os custos para transportar essas mercadorias. Uma ótima opção seria o modal ferroviário, porém a falta de investimentos, assim como nas hidrovias, acaba atrapalhando a circulação livre de mercadorias por um modal tão importante em outros países. Observação No Brasil, o meio de transporte mais utilizado é o rodoviário, sendo que a produção escoa, incialmente, por esse modal e, posteriormente, por outro, o que damos o nome de transporte multimodal. A tabela a seguir auxilia na compreensão de como o Brasil está se utilizando dos diversos modais em relação aos demais países. Tabela 22 Países Ferroviário Rodoviário Hidroviário Rússia 81% 8% 11% Canadá 46% 43% 11% Austrália 43% 53% 4% Estados Unidos 43% 32% 25% China 36% 50% 14% Brasil 21% 61% 14% Fonte: Brasil (2012). 146 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade IV Saiba mais Algumas áreas da Logística têm a ver com desafios múltiplos, como questões relativas ao meio‑ambiente. Esses elementos ficam claros no artigo: COMPER, I. C.; SOUZA, F. O.; CHAVES, L. D. Caracterização e desafios da logística reversa de óleos lubrificantes. Revista em Gestão, Inovação e Sustentabilidade, v. 10, n. 1, p. 71‑88, 2016. Disponível em: . Acesso em: 17 maio 2018. 7.1 Pessoal em logística e distribuição Atualmente, um profissional deve possuir algumas características que o diferenciará dos demais.Queiroz (2015) destaca as principais características do profissional moderno: • Persuasivo: atualmente, os profissionais devem convencer constantemente que suas ideias são boas e podem ser aplicadas na estrutura da organização. • Bom de grupo: saber trabalhar em equipes diferencia os profissionais, pois um colaborador que não tem essa capacidade pode atrapalhar o grupo e gerar conflitos improdutivos. • Forte emocionalmente: atualmente os profissionais estão expostos a longos períodos de trabalhos e com prazos cada vez mais limitados. Não conseguir lidar com a pressão existente poderá transformá‑lo em apenas mais um no mercado. • Perfil analítico: analisar situações e encontrar possíveis soluções é primordial em qualquer tipo de organização e para qualquer tipo de trabalhador. • Ousadia: o mercado determina que o novo profissional deve ser ousado, principalmente, no momento de apresentar projetos e ideias às organizações, mas sem exagero. • Comprometimento: o profissional que é comprometido com aquilo que faz e com os resultados obtidos pela empresa está à frente dos demais. • Paciência: pode‑se ver de duas formas a questão de ser paciente, a primeira está relacionada a esperar o momento correto de tomar as decisões e a segunda remete à negociação, pois nem sempre o profissional terá todas as ferramentas em mãos para finalizar um determinado processo. Pode‑se acrescentar a todas essas características outra que não pode ser subestimada em momento algum em nosso mundo moderno, o conhecimento, seja ele teórico ou técnico. 147 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE Observação Atualmente as organizações buscam profissionais que possuam conhecimento em diversas áreas de uma empresa; os colaboradores muito restritos não são mais desejados, independentemente do porte da companhia. Os profissionais de logística também devem possuir características especificas para desempenhar suas funções. Martins (2017) destaca quinze habilidades necessárias para esse profissional: • Conhecimento teórico e prático. • Liderança. • Raciocínio lógico. • Flexibilidade. • Conhecer ferramentas tecnológicas aplicadas à área. • Relacionamento. • Capacidade de adaptação. • Planejamento. • Capacidade de trabalhar sob pressão. • Visão estratégica. • Fluência em inglês. • Visão global. • Dinamismo. • Habilidade de comunicação. • Proatividade. Tais características se coadunam com as de profissionais modernos, que atuam num mundo cada vez mais globalizado. E parece ser esta a inclinação da moderna atividade logística. 148 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade IV A quantidade de atividades e as inúmeras responsabilidades acabam exigindo um profissional capaz de lidar com múltiplos desafios e com grande capacidade de adaptação: “Atualmente com as mudanças tecnológicas e as mudanças nos ambientes de trabalho, cada vez mais o profissional de logística precisa se modelar a este novo perfil, talvez a palavra correta para definir este profissional seja resiliência” (LUNA, 2011). Saiba mais Sobre as pessoas nas atividades logísticas: FIGUEIREDO, K. O Papel das pessoas na prestação do serviço logístico. Ilos, ago. 2009. Disponível em: . Acesso em: 17 maio 2018. LISBOA, A. M. et al. Desafios da gestão de pessoas em empresas do segmento logístico de distribuição de bebidas. Revista Gestão & Tecnologia, Pedro Leopoldo, v. 11, n. 1, p. 68‑86, jan./jun. 2011. Disponível em: . Acesso em: 17 maio 2018. QUANTO ganha um Logístico? Guia da Carreira, [s.d.]. Disponível em: . Acesso em: 17 maio 2018. 7.2 O relacionamento com os canais de distribuição O relacionamento entre os diversos tipos de organizações envolvidas no processo logístico de distribuição e armazenagem de produtos, bem como o atendimento aos pedidos de vendas, envolvem, via de regra, a necessidade de contratos de prestação de serviços, nos quais devem ser discriminados de forma clara e precisa as atribuições de cada parte envolvida na operação, baseadas em relações de confiança e compromisso. Para que o relacionamento se desenvolva de forma satisfatória é preciso que existam regras claras e alinhadas à política comercial das organizações, por isso o ambiente deve ser de ampla confiabilidade. A seguir, destacamos alguns aspectos que envolvem esse importante nível de atuação profissional: • Regras claras: esse grupo consiste na elaboração de parâmetros de avaliação e controle de atuação através de procedimentos formalizados e assinados em que são discriminados os deveres e obrigações de cada parte envolvida no contrato. Para tanto deve ser desenvolvido um relacionamento baseado no comprometimento mútuo. • Transparência: esse aspecto lida com a abertura ampla entre os parceiros em termos de negócios e com a gestão diária dos pedidos de vendas, em que os problemas de pontualidade e entrega são discutidos de forma limpa e clara. 149 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE • Apoio ao canal: apoiar o canal de distribuição significa desenvolver uma relação de parceria real com suporte tanto nos aspectos de pré‑venda como nos pós‑venda e na gestão dos negócios, além de treinamentos específicos para a área comercial de forma a melhorar a capacitação técnica dos funcionários dos canais de distribuição. • Comunicação corporativa: o processo de comunicação dos fabricantes com os canais de distribuição é um tema relevante para a eficiência dos negócios. As dificuldades devem ser discutidas de forma aberta e profissional notadamente em campanhas de incentivos para os vendedores com metas e bônus a serem distribuídos conforme o desempenho da área de vendas. 8 FERRAMENTAS DA QUALIDADE A importância da gestão da qualidade e processos vem da busca constante de competitividade, que obriga as organizações a garantirem que seus produtos e serviços sejam produzidos em conformidade com padrões técnicos eficientes e sustentáveis, por meio de projetos de certificação internacional. Os processos fazem parte do universo da gestão da qualidade, pois permitem às organizações o crescente aprimoramento necessário para acompanhar a evolução dos mercados, que apresentam um ritmo de mudanças radicais e profundas. A gestão da qualidade é uma prática administrativa de negócios que vai além das características físicas dos produtos e serviços. É definida como um conjunto de ações e procedimentos que conduzem as organizações a uma configuração focada no atendimento das necessidades dos clientes, visando suas necessidades. Quadro 9 – Qualidade e produtividade Aspecto Produtividade Qualidade Abordagem Modo de uso dos recursos atuais Satisfação dos clientes Avaliação Eficiência dos processos Eficácia dos processos Foco Esforço Resultados Estrutura Como fazer O que fazer Treinamento Fazer as coisas certas Fazer as coisas certas Fonte: Oliveira (2009, p. 45). O conceito de qualidade evoluiu com o passar dos anos, saindo dos requisitos e especificações técnicas dos produtos sem defeitos de fabricação e avançando para a qualidade operacional dos processos. A qualidade não se configura mais como um diferencial, dado que já está incorporada ao mercado, e quem não respeita suas premissas não consegue manter um desempenho sustentável nos negócios. A normalização é uma metodologia de gestão focada em orientar as organizações a conseguirem melhorias na qualidade dos processos e, por conseguinte, determina a padronização das atividades e tarefas que devem ser continuamente melhoradas. 150 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade IVA normalização é a atividade que estabelece prescrições destinadas (comuns repetitivas) em relação a problemas existentes ou potenciais, a fim de obter excelência na condução dos processos de utilização. A normalização, enquanto método de gestão de processos, permite às organizações uma série de benefícios, como: • Utilização adequada dos recursos organizacionais, como equipamentos, materiais e pessoal. • Padronização da produção com ganhos de escala e escopo. • Promoção da especialização da mão de obra com ganhos de produtividade. • Redução do consumo e do desperdício de recursos. • Especificações comuns para insumos, matérias‑primas e equipamentos. • Produtividade elevada e maior controle de operação dos processos. A normalização estabelece regras que devem ser respeitadas pelos funcionários e estabelecidas por meio de consenso. As avaliações devem ser feitas de forma isenta e transparente, sem interesses pessoais. Quadro 10 – Normas de gestão da qualidade ISO 9000 Fundamentos e vocabulário ISO 9001 Requisitos ISO 9004 Diretrizes para melhoria do desempenho Fonte: Marshall Junior (2010, p. 76). Além das normas citadas, são normas complementares a ISO 9011, que estabelece diretrizes para auditorias no SGQ (ou ambiental), e a ISO 10005, que normatiza os planos de qualidade. Objetivos e benefícios O objetivo central das normas ISO série 9000 é proporcionar às organizações normas que permitam atender e fidelizar as necessidades dos clientes em termos de especificações técnicas de produtos/ serviços, assegurando qualidade na gestão dos processos, que devem ser executados conforme as normas do Sistema Geral de Qualidade (SGQ). O sistema de qualidade de uma empresa é composto de um manual de qualidade e de procedimentos que orientam como as tarefas devem ser executadas de forma detalhada, com a qualificação dos responsáveis por cada processo e a manutenção de controles e documentos (MARSHALL JUNIOR, 2010). 151 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE As normas da família ISO 9000 têm os seguintes propósitos fundamentais: • Resolver as dificuldades encontradas nas pequenas empresas que não possuem especialistas em gestão de qualidade para implantar as normas. • Ajustar as normas aos setores de serviços, como saúde, educação e TI, que possuem especificidades diferentes da versão original mais industrial. • Contemplar as necessidades dos clientes, que mudam constantemente. • Adequar a estrutura da norma e o conteúdo dos requisitos à orientação voltada para os processos. • Orientar a gestão das empresas no sentido da melhoria contínua e constante. 8.1 O que é qualidade? Ao consultar as normas técnicas (ISO 9000) a qualidade é definida como o grau no qual um conjunto de características inerentes satisfaz a requisitos específicos. A qualidade passou por vários estágios ao longo de sua história. Quatro foram bastante marcantes: “a inspeção de produtos, o controle do processo, os sistemas de garantia da qualidade e a gestão da qualidade total” (CARPINETTI; GEROLAMO, 2017, p. 9). Apesar dos vários conceitos obtidos ao longo desses estágios, alguns pontos precisam ser absolvidos, como o atendimento ao cliente, fazer com que o cliente receba efetivamente o produto pelo qual espera e ainda, na gestão da qualidade total, o encantamento ao cliente. Encantar o cliente significa entregar a ele um produto ou serviço melhor do que aquele que ele esperava. Saiba mais Conheça mais a respeito da qualidade: ESPUNY, H. G. O que é qualidade? Administradores, jul. 2008. Disponível em: . Acesso em: 17 maio 2018. NOBREGA, G. A. Qualidade: histórico e ferramentas. Administradores, jun. 2017. Disponível em: . Acesso em: 17 maio 2018. Para ilustrar a evolução da qualidade, algumas caraterísticas básicas de cada estágio devem ser discutidas, conforme Evangelista (2014): 152 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade IV Inspeção (antes da industrialização) Objetivo: separar produtos bons dos ruins. Esta fase foi caracterizada por um esforço centrado na preocupação de garantir a entrega de bons produtos, separando aqueles que tiveram problemas na produção. A noção de qualidade, nesta fase, era baseada na estética e não na funcionalidade do produto. Controle de qualidade (após a industrialização) Objetivo: produzir a qualidade de acordo com as especificações. Nesta fase a ênfase era na especificação. O produto deveria ser produzido exatamente como fora especificado na fase de projeto/planejamento. A produção passou a especializar o funcionário e a qualidade passou a se preocupar com a produção em massa. Garantia de qualidade (década de 1930 e 1940) Objetivo: manter a qualidade estável na empresa e procurar melhorá‑la. Esta fase foi caracterizada pelo amplo desenvolvimento na qualidade em duas vertentes: a primeira foi a necessidade de garantia da qualidade por parte do exército americano haja vista a Segunda Guerra Mundial. Além disso, surgiram os primeiros trabalhos científicos na área (Shewhart, Dodge, Roming e Deming) e a utilização de ferramentas como gráficos e amostragem. Gestão da qualidade total (década de 1960, 1970 e 1980) Objetivo: satisfação do cliente. Esta fase desenvolve o conceito de que a qualidade é responsabilidade de todos os envolvidos. A responsabilidade da alta direção é estabelecida e formalizada. Surgem trabalhos especializados de autores como Feigenbaum, Deming e Ishikawa. Inaugura‑se a era da gestão estratégica da qualidade. Observação A qualidade pode ser expressa nos mais diversos aspectos da vida. O gestor precisa estar bem para desenvolver um bom trabalho. A seguir, destacamos as principais características da gestão da qualidade total (TUBINO, 2009, p. 44): • Produção orientada pelo cliente. 153 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE • Lucro pelo domínio da qualidade. • Priorização da qualidade. • Voltada para ações. • Age com base em fatos. • Controle total dos processos. • Responsabilidade na fonte. • Controle do processo de produção. • Operações a prova de falha e padronizada. Além dessas quatro características, outro ponto fundamental a se destacar são as diversas ferramentas existentes para mediação e avaliação da qualidade. Iremos analisar de forma resumida cada uma delas. • Diagrama de Pareto: nesse sistema os problemas são divididos em parte. • Diagrama de Ishikawa (causa‑efeito): neste tipo de ferramentas são desenvolvidas as relações existentes entre efeitos e as causas de um determinado problema. Materiais Máquinas Métodos Meio ambiente Mão de obra Medidas Efeito Figura 59 • Histogramas: apresenta as variações existentes entre os processos ao longo de determinado período. • Folhas de verificação: documento preparado na forma de planilha para realizar a coleta de dados de determinado processo. • Diagrama de dispersão: representação gráfica de variáveis que podem influenciar um determinado processo. • Cartas de controle: gráficos produzidos para realizar o controle de um processo. • Fluxograma: gráficos que apresentam a sequência lógica das etapas de um processo. 154 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade IV • Brainstorm: reunião de um grupo com o objetivo de apresentar soluções diversas para um determinado problema. • Benchmarking: análise de um tipo de processo, e o seu sucesso, utilizado por outras organizações. Essa técnica de apoio à gestão de melhorias dos processos organizacionais foi desenvolvida na empresa Xerox Corporation, com sede nos Estados Unidos da América, em 1970. Ela tem como objetivo criar um procedimentopadronizado de avaliação da satisfação dos clientes em relação aos produtos e serviços da organização comparando‑os com os produtos e serviços oferecidos no mercado por empresas concorrentes com reconhecida avaliação positiva dos clientes. Isso permite o aprimoramento das práticas organizacionais. A utilização do benchmarking permite às organizações identificarem os gargalos e as limitações em seus produtos e processos. Tal identificação pode ser realizada através de comparações avaliativas que permitem superar os concorrentes e conquistar um diferencial competitivo de mercado. O benchmarking pode ser estruturado a partir de três modelos principais, a saber: • Interno: estabelecer padrões de desempenho comparado de processos próprios. • Competitivo: realizar análises comparativas de desempenho comercial com os principais concorrentes de mercado. • Funcional: proceder comparações com empresas não concorrentes e de outros setores de atuação comercial. Definido o tipo de benchmarking, as organizações podem elaborar, internamente ou com a colaboração de consultorias especializadas, o seguinte cronograma de implantação: • Planejamento com a formação da equipe de trabalho, que deverá selecionar as melhores práticas a serem usadas como referenciais e escolher a forma de coleta de informações, por meio da condução de entrevistas e questionários. • Coleta de dados internos e externos, que serão utilizados como referenciais. • Analise das informações coletadas, identificando as diferenças entre o desempenho próprio e o externo. • Implementação do projeto com a elaboração das metas de desempenho e as metas a serem alcançadas, conforme o cronograma definido. Vejamos um exemplo possível de benchmarking no mercado de hotelaria. 155 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE Quadro 11 Processo Atributos Benchmarks Escolha do hotel Familiaridade com a marca, preço e qualidade McDonald’s, Gateway, Barnes & Noble e HP Sistema de reservas Disponibilidade e atendimento telefônico pela internet Coca‑Cola, Amazon e empresas aéreas Acesso Localização favorável e serviços 24 horas McDonald’s, lojas de conveniências e caixas eletrônicos Chegada Identificação das áreas e facilidade de uso Disney, parques temáticos e aeroportos Recepção Cordialidade, discrição e ambiente agradável Walmart, Club Med e hotéis internacionais Check‑in Velocidade de atendimento sem filas ou dificuldades Locadora Hertz, caixas de supermercados e Disney Carregadores de bagagem Formalidade de atendimento com educação e cortesia Turismo de cruzeiros e joalherias • 5W2H: ferramenta destinada ao planejamento de ações, no qual são respondidas as perguntas O quê? Quando? Por quê? Onde? Como? Quem? Quanto? 5W2H O QUÊ (what?) PORQUE (why) ONDE (where) QUANDO (when) QUEM (who) QUANTO (how much) COMO (how) Objetivo, meta Motivo, benefício Responsável, equipe Custo ou quantidadeAtividades, processo Data, cronograma Local, departamento Figura 60 • Ciclo PDCA: determina as etapas necessárias para controlar processos. São elas: planejar, executar, checar e agir. Act Agir Plan Planejar Check Checar Do Fazer • Ação corretiva no insucesso • Padronizar e treinar no sucesso • Localizar problemas • Estabelecer planos de ação • Verificar atingimento de meta • Acompanhar indicadores • Execução do plano • Colocar o plano em prática Figura 61 – Ciclo PDCA 156 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade IV Lembrete As diversas ferramentas da qualidade podem ser utilizadas em conjunto ou mesmo individualmente, sendo que a organização e o gestor são os responsáveis por definir qual o melhor conjunto ou a melhor delas a serem apropriadas pela empresa. Exemplo de aplicação A empresa ABC quer identificar e buscar soluções para os problemas apresentados pelos seus produtos e os diversos chamados realizados em seu SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor). Para isso definiu que utilizará o diagrama de Pareto, separando os problemas, e buscará a compreensão do todo. A organização deverá inicialmente definir como e em qual período serão feitos os levantamentos dos dados. Após tal realização foi criada a seguinte tabela: Tabela 23 Motivos de problemas Frequência que ocorre Defeito no produto 51 Demora na montagem 40 Atendimento 28 Problemas no site da empresa 31 Somatório 150 De posse da tabela, ou da folha de verificação, é possível identificar o percentual de ocorrência de problemas, dividindo o somatório por cada uma das frequências que o problema ocorre. Cria‑se uma nova tabela: Tabela 24 Motivos de problemas Frequência que ocorre Percentual Defeito no produto 51 34% Demora na montagem 40 26,67% Atendimento 28 18,67% Problemas no site da empresa 31 20,66% Somatório 150 100% 157 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE Assim, é possível criar um gráfico que apresentará quais os problemas existentes na empresa, sendo apresentado aquele com maior incidência de reclamações: 60 100% 50 80% 40 60% 30 40%20 10 20% 0 Defeito no... Problemas no... Demora na... Atendimento 0% Figura 62 ‑ Problemas na empresa ABC Saiba mais COELHO, T. 15 regras de ouro para administrar o tempo e viver melhor. Administradores, jul. 2012. Disponível em: . Acesso em: 17 maio 2018. 8.2 Just‑in‑time (JIT) O programa just‑in‑time surgiu no Japão, na década de 1970, com a preocupação de estabelecer certa sintonia entre as vendas e a produção, economizando os custos com estoques desnecessários. A tradução literal do nome é no “tempo certo”. O desenvolvimento dessa vertente gerencial é atribuído à Toyota Motor Company. Souza, Santos e Chaves (2014, p. 62) citam alguns conceitos relacionados ao just‑in‑time: Esta filosofia é composta de práticas gerenciais que podem ser aplicadas em qualquer parte do mundo. Algumas expressões são geralmente usadas para traduzir aspectos da filosofia just‑in‑time, tais como: • Produção em estoque. • Eliminação do desperdício. • Manufatura de fluxo contínuo. • Esforço contínuo na resolução de problemas. • Melhoria contínua dos processos. 158 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade IV O programa JIT apresenta características específicas para o sistema de produção que o adota, conforme destacado por Lima (2008): • Just‑in‑time é um programa que deve ser utilizado para produções com menor número de produtos, não sendo ideal para empresas com grande diversificação da sua produção. Isso ocorre porque organizações que extraem produtos diferentes de seu processo produtivo necessitam de maior flexibilização. • Para o sistema JIT o tipo de produção ideal é o por células, pois ao montar linhas de produção menores e mais especializadas, o tempo com preparações será reduzido. • Utilização de equipes pequenas, porém plurais em sua forma de trabalho, encaminhando para as próximas etapas de trabalho produtos em perfeito estado e com erro zero, não atrapalhando a continuidade do processo produtivo. • Os encarregados das equipes têm autonomia total para paralisar a produção no momento de um erro encontrado e essa parada deve ser mantida até que o erro seja sanado. • O controle de qualidade deverá ser realizado pelas equipes no processo de produção com o objetivo de alcançar a qualidade total. • Os tempos para a realização dos processos são os únicos elementos de flexibilidade, assim, reduzir um tempo na produção de um determinado produto facilitará a realização de outra atividade. Segundo Corrêa (2013), os problemas mais comuns no processo produtivo podem ser elencados nestes três grandes grupos: • Problemas de qualidade: quando alguns estágiospermite elevar a produtividade e a eficiência dos processos logísticos e, portanto, reduz os custos totais e permite menores preços e aumento do mercado consumidor. Lembrete Marketing é o conjunto de instituições e os processos que envolvem a criação, comunicação, entrega e a troca de ofertas que possuem valor para os clientes, parceiros e a sociedade em geral (KOTLER, 2013, p. 9). Dentro da estratégia de marketing das empresas, destacamos a necessidade de elaboração de uma estratégica de distribuição que é composta de canais de distribuição ou marketing e da distribuição física através do gerenciamento logístico. 11 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE Conforme o setor de atuação, mercado para indústrias ou empresas e mercado para consumidores, as empresas constroem estratégias diferenciadas de distribuição com a utilização de intermediários, buscando aumento da eficiência dos processos logísticos de produção, das vendas e compras e do valor percebido pelos clientes em uma estratégia de criação de valor e diferenciação competitiva. Os principais grupos que participam no ambiente de marketing são: • Empresa: produção, finanças, comercial, recursos humanos, logística etc. • Mercado: consumidores, intermediários, concorrentes, fornecedores. • Ambiente: economia, legislação, tecnologia, cultura, política, governos. Telles (2006, p. 25) nos mostra a importância da distribuição no mercado de refrigerantes: O mercado de refrigerantes, principalmente pela característica de conveniência do produto, depende de forma decisiva da distribuição e um dos pilares de sustentação da liderança da Coca‑Cola é a sua competência na gestão dos canais de marketing. Expressões populares lembradas, como “Coca‑Cola a menos de 100 m de todos os habitantes do planeta”, só fazem sentido se encontram nos objetivos, estratégias e gestão da organização, sólidos indicações de orientação para a distribuição. Mudanças do ambiente competitivo ao longo do tempo implicam alterações de estratégia e uma destas alterações ocorreu com o desenvolvimento das embalagens plásticas PET. A introdução desta tecnologia reduziu a principal barreira de entrada no mercado, ou seja, os custos de distribuição física, pois a tecnologia anterior, baseada nas embalagens de vidro, obrigava às empresas a utilização de canais reversos que condicionavam a venda à troca de embalagens que impunham um elevado custo operacional de retorno em localidades distantes e limitadas. Neste sentido, ampliar o mercado físico, representava aumentar os custos da de produção com várias plantas de fábricas e maior logística reversa de vidros em ambientes altamente capilares com milhares de pontos de vendas e distribuição. Nessa condição, a constituição de uma rede de distribuidores era um obstáculo aos novos concorrentes entrantes. Com a tecnologia PET, a variável distribuição foi derrubada por causa de um novo padrão de concorrência que favoreceu a entrada de outros produtos, como as conhecidas tubaínas, 12 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade I produzidas por fabricantes locais de menor porte e com aspectos regionais de mercado especializado. Na maioria dos mercados, alterações de base externa como tecnologias, cultura e regulamentação técnica tendem a provocar mudanças nos mercados com impactos diretos nos modelos de entrega física. Neste sentido, destacamos a importância do P como uma das mais importantes fontes e origens de vantagens competitivas sustentáveis, seja pelo lado dos custos bem como pelo benefício percebido pelos clientes. Ao contrário das variáveis preço e promoção, que permitem respostas rápidas em termos de mercado e competição por serem mais flexíveis, a variável distribuição não comporta alterações amplas no curto prazo. Por isso, ela deve estar entre as decisões de cunho estratégico de longo prazo devido aos volumes de recursos envolvidos na sua elaboração e na sua efetiva aplicação nos mercados. 1.1 A integração entre marketing e logística A gestão de processos pode ser entendida como a construção de uma estrutura eficaz em seus objetivos e que permite a busca de padrões superiores de eficiência em termos de oferta de produtos com relação ao consumo de recursos materiais e patrimoniais (TELLES, 2006, p. 132). A logística é um processo que pode ser definido como o fornecimento de serviços empresariais de entrega e fluxo, que evoluíram com as mudanças recentes nas condições estruturais dos mercados, caracterizadas pela globalização e pelo aumento da extensão geográfica dos mercados e pela necessidade de ter e enviar informações rapidamente, aliadas a mudanças no comportamento dos consumidores, cada vez mais exigentes em termos de necessidades e expectativas. Tudo isso traz desafios à gestão empresarial, que precisa unir as estratégias comerciais de marketing às especificações das atividades logísticas (WANKE, 2000). Produto Praça Serviço ao cliente Processamento de pedidos Preço Compras ou vendas Estoques Promoção Transporte Armazenagem Marketing mix Sistema logístico Política de canais de distribuição Padrões de serviço por canal – disponibilidade de produtos, prazos etc. Missão da logística: Cumprir os padrões de serviço dos canais de distribuição de forma eficiente Figura 2 13 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE A partir deste perfil de mercado e de consumidores, surge a necessidade de aquisição de novas competências através de uma nova ação logística mais direcionada para as expectativas dos clientes, buscando maior eficiência e agilidade nos processos de entregas, em bases de custos que sejam sustentáveis para as empresas. A integração entre logística e marketing incorpora as necessidades de prestação de serviços eficientes como parte do planejamento estratégico de marketing. Como parte desta integração, a gestão dos canais de distribuição destaca‑se como elo entre as empresas e as demandas logísticas de entrega e disponibilização de produtos e serviços ao mercado. Na figura apresentada, vemos que existe uma integração das atividades de logística com as de produção e marketing, que têm como ponto central a prestação de serviços aos clientes através das políticas de gestão dos canais de distribuição. Essas atividades envolvem três processos estratégicos das empresas: • Cadeia de abastecimento (supply chain management). • Administração de produção e operações. • Gestão de vendas e marketing. Nesse contexto, vamos estudar a atuação dos canais de distribuição e os clientes, em que se criam os fluxos de informações e materiais que permitem às empresas aumentar o nível de serviço prestado aos clientes com qualidade e rapidez. Lembrete Quando estudamos as características da logística integrada e suas ações dentro das empresas, devemos ter em mente dois paradigmas centrais de gestão eficiente, ou seja, tempo e lugar. Com a ampliação dos mercados e a introdução de novas tecnologias de gestão como a internet, os desafios que as empresas precisam vencer em relação a esses dois paradigmas são cada vez maiores, exigindo maior capacitação técnica e habilidades pessoais dos gestores. Os canais de distribuição podem ser vistos como sistemas de fluxo e transporte que demandam grandes investimentos em estruturas físicas, compostas, em grande parte, por armazéns, meios de transportes, veículos, depósitos e equipamentos de movimentação que atuam no sentido de garantir os fluxos entre a produção e o consumo. A estrutura transacional, ou seja, entre os participantes dessa cadeia e entre a produção e o consumo, é definida a partir das características dos produtos e dos mercados e envolve acordos comerciais e contratos de prestação de serviços em ampla gama de relações comerciais entre as empresas. 14 Redo processo de produção apresentam problemas de qualidade, gerando refugo de forma incerta, o estoque, colocado entre estágios iniciais e posteriores, continua sendo trabalhados, sem sofrer com as interrupções que ocorrem em estágios anteriores. • Problemas de quebra de máquina: quando uma máquina para por problemas de manutenção, os estágios posteriores do processo alimentados por essa máquina têm que parar, caso não haja estoque suficiente para que o fluxo de produção continue, até que a máquina seja reparada e entre em produção normal novamente. • Problemas de preparação de máquina: quando uma máquina processa operações em mais de um componente ou item, é necessário preparar a máquina a cada mudança de componente a ser processado. Essa preparação representa custos referentes ao período inoperante do equipamento e à mão de obra requerida na operação. 159 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE As ideias básicas do JIT são três: a primeira é “eliminar funções e sistemas desnecessários ao processo global da manufatura”; a segunda “é a melhoria contínua (Kaizen)”; e a terceira é “entender e responder às necessidades dos clientes” (ALVES, 1995). Saiba mais Os dois artigos a seguir ajudam na compreensão dos benefícios e das limitações do sistema just‑in‑time (JIT). LIMA, M. D. R. O que é just in time? Administradores, mar. 2008. Disponível em: . Acesso em: 17 maio 2018. ANTUNES JÚNIOR, J. A. V.; KLIEMANN NETO, F. J.; FENSTERSEIFER, J. E. Considerações críticas sobre a evolução das filosofias de administração da produção: do “jus in case” ao “just in time”. Rev. Adm. Empres. São Paulo, v. 29 n. 3, jul./set. 1989. Disponível em: . Acesso em: 17 maio 2018. 8.3 Programa 5S O Programa 5S parece ter nascido entre as donas de casa japonesas, e os empresários decidiram aproveitá‑lo como complemento aos programas de qualidade. Esse programa pode ser conhecido por outros nomes, porém 5S é o mais utilizado e vem das iniciais das cinco técnicas que o compõem: • Seiri: senso de utilização – tem a ver com a correta utilização de máquinas, equipamentos e espaços, é preciso manter tudo organizado e sem sujeira. • Seiton: senso de organização – importa na disponibilidade dos recursos necessários ao trabalho, cada elemento deve estar em seu local e devidamente identificado. • Seiso: senso de limpeza – tem a ver com a eliminação da sujeira e de objetos estranhos à rotina de trabalho; a limpeza do local de trabalho facilita a identificação de problemas. • Seiketsu: senso de padronização e saúde – se reflete num ambiente saudável e na melhoria dos aspectos físicos do local de trabalho, que gerará qualidade de vida aos colaboradores da empresa. • Shitsuke: senso de disciplina ou autodisciplina – comprometimento pessoal de cada um com a organização e com todas as etapas anteriores. 160 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade IV Ao tratar o programa 5S é importante que todos os empregados da organização estejam devidamente engajados no processo, independente do nível hierárquico. Logo, a alta administração deve ser incentivadora e participante de toda a estrutura 5S. Figura 63 Saiba mais O programa 5S pode se tornar um diferencial competitivo para as empresas, o artigo a seguir pode auxiliar na compreensão dessa relação 5S versus competitividade: SANTOS, E. de F. et al. A inserção do programa de qualidade total 5S como diferencial competitivo nas organizações. XV Jornada Científica da Unesc, Cacoal, n. 1, 2017. Disponível em: . Acesso em: 18 maio 2018. 8.4 Housekeeping O programa Housekeenping preza por gerar um ambiente agradável aos empregados da organização, buscando o aumento da produtividade com redução e/ou eliminação desperdícios, limpeza e arrumação dos ambientes. Alguns autores divulgam o 5S e o Housekeeping como se fossem os mesmos programas (DUDA, 2005). Não parece haver diferenças significativas entre as práticas com os nomes diferentes. A não ser na questão do comprometimento, que na cultura japonesa é mais evidenciado, devido, principalmente à filosofia confucionista (SANTOS JÚNIOR; BARBOSA; PRATES, 2012, p. 4). 161 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE Saiba mais Os casos concretos auxiliam o gestor a conhecer a aplicação das ferramentas de forma efetiva. Leia o artigo: SANTOS JUNIOR, P. A.; BARBOSA, J. C.; PRATES, G. A. Implementação de um sistema 5S em empresa do ramo moveleiro localizada na região de Itapeva SP. Qualitas, Campina Grande, v. 13, n. 1, 2012. Disponível em: . Acesso em: 18 maio 2018. 8.5 ISO 9000:2000 Conforme Oliveira (2009, p. 94), normalização “é a atividade que estabelece, em relação a situações existentes ou potenciais, recomendações destinadas à atualização comum e repetitiva com objetivo de obtenção do grau ótimo em um dado contexto”. As normas asseguram as características desejáveis de produtos e serviços, como qualidade, segurança, confiabilidade, eficiência, intercambialidade, bem como respeito ambiental – e tudo isso a um custo econômico. Objetivos da normalização Segurança Intercambialidade Controle da variedadeCompatibilidade Comunicação Eliminação de barreiras técnicas e comerciais Proteção do produto Proteção do meio ambiente Figura 64 162 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade IV Conforme Oliveira (2009), os principais objetivos da normalização são: • Economia: proporcionar diminuição da variedade de produtos e procedimentos. • Comunicação: proporcionar meios eficientes para troca de informação entre o fabricante e o cliente, melhorando a confiabilidade. • Segurança: proteger a vida humana e a saúde, proteger o consumidor prover a sociedade de meios eficazes para aferir qualidade aos produtos. • Eliminar barreiras técnicas e comerciais para evitar a existência de regulamentos conflitantes em diferentes nações, facilitando o comércio. Marshall Junior (2010) também destaca esses objetivos da normalização, segundo a ABNT: Quadro 12 Objetivo Significado Economia Proporcionar a redução da crescente variedade de produtos e procedimentos. Comunicação Proporcionar meios mais eficientes de troca de informações entre o fabricante e o cliente, melhorando a confiabilidade das relações comerciais. Segurança Proteger a vida e a saúde. Proteção ao consumidor Prover a sociedade de meios eficazes para aferir a qualidade dos bens e serviços. Eliminação de barreiras técnicas e comerciais Evitar a existência de regulamentos conflitantes sobre bens e serviços em diferentes países, facilitando, assim, o intercâmbio comercial. Fonte: Marshall Junior (2010, p. 103). Para Marshall Junior (2010), a normalização está presente na elaboração dos produtos (bens ou serviços), na transferência de tecnologia e na melhoria da qualidade de vida, por meio de normas relativas à saúde, à segurança e à preservação do meio ambiente, entre muitas outras. A Norma ISO‑9000 orienta os programas de qualidade nas organizações e as empresas que a aplicam podem se certificar após passarem por uma auditoria. A International Organization for Standardization (ISO), ou Organização Internacional para Padronização, em português, é uma entidade de padronização e normatização e foi criada na Suíça, em 1947. O conjunto de normas denominado ISO apresenta elementos para a gestão da qualidade, baseado em regras internacionais. Assim, é possível elencar oito princípios básicos nos quais ela está centrada: • Foco no cliente: atenderbem o cliente é algo inerente a toda organização, além disso, deve‑se atraí‑lo com o objetivo de satisfazer suas necessidades presentes e futuras. • Liderança: os responsáveis pela organização devem criar um ambiente propício para a implementação e manutenção das regras ISO, visando atingir os objetivos propostos. 163 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE • Envolvimento de pessoas: todo o pessoal, independentemente do nível hierárquico, deverá ser incluído, pois cada um possui características diferenciadas e que poderão ajudar no desenvolvimento da organização. • Abordagem de processo: apresentar e desenvolver os processos internos facilitará a compreensão, além do envolvimento, de todos. • Abordagem sistêmica para a gestão: para atingir seus objetivos, uma organização deve, antes de mais nada, se apresentar de forma organizada para melhor identificação, entendimento e gerenciamento. • Melhoria contínua: busca constante do objetivo de melhoria contínua, focada na qualidade total. • Tomada de decisão: para que as decisões sejam eficazes é necessário análise de dados e informações de cunho importante. • Relações com fornecedores: como o cliente e o fornecedor são interdependentes, é necessário que os benefícios sejam mútuos. A citada norma teve várias versões. A última atualização é a ISO 9001:2015. A seguir um resumo de Chaves e Campello (2016): [ISO] Conta com 162 países membros e 3.368 comitês técnicos (TC – Techical Comitee), sendo que a ISO 9000 é elaborada pelo comitê ISO/TC 176. Desde seu lançamento, em 1987, as normas da série ISO 9000 foram evoluindo em sua estrutura, requisitos e enfoque. As três normas certificáveis série ISO 9000:1987 tinham como grande enfoque a garantia da qualidade, tal qual a Britânica BS‑5750. Em 1994 as três normas (9001, 9002 e 9003) continuam com o enfoque de garantia da qualidade, porém, amplia‑se o conceito de Sistemas de Gestão da Qualidade (SGQ). Em 2000 a norma passa a ser ISO 9001, além do enfoque em sistema de gestão da qualidade, traz a gestão por processos, deixando explícito o uso do PDCA (Plan, Do, Check, Act), definindo os oito princípios da qualidade. A versão de 2008 não traz novidades significativas em relação à versão de 2000, o que decepcionou muitos profissionais ávidos por muitas alterações. Em 2015, finalmente chega a última versão ISSO 9001:2015, desenvolvida sob a ótica do Anexo SL, de 2012, também conhecido como ISSO Draft Guide 83 ou estrutura de alto nível, que define um padrão de requisitos normativos a serem utilizados para todas as normas ISO. A ISO 9001:2015 era muito esperada e teve grande envolvimento mundial e com muitas novidades, dentre elas a gestão de riscos, novas terminologias, redução de oito para sete princípios da qualidade, entre outros. 164 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade IV A norma pode ser assim identificada (INMETRO, [s.d.], p. 1): A ABNT NBR ISO 9001 é a versão brasileira da norma internacional ISO 9001 que estabelece requisitos para o Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ) de uma organização, não significando, necessariamente, conformidade de produto às suas respectivas especificações. O objetivo da ABNT NBR ISO 9001 é prover confiança de que o fornecedor poderá fornecer, de forma consistente e repetitiva, bens e serviços de acordo com o que empresa especificou. A ABNT NBR ISO 9001 não especifica requisitos para bens ou serviços os quais a empresa está comprando. Isto cabe a ela definir, tornando claras as suas próprias necessidades e expectativas para o produto. Suas especificações podem se dar através da referência a uma norma ou regulamento, ou mesmo a um catálogo, bem como a anexação de um projeto, folha de dados, etc. Observe a figura a seguir, que apresenta o sistema de Gestão da Qualidade, baseado na Norma ISO 9001: Melhoria contínua do sistema de gestão de qualidade Produto Responsabilidade de direção Medição, análise, melhoria Gestão dos recursos Cliente (e outras partes interessadas) Cliente (e outras partes interessadas) Requisitos Satisfação Entrada Legenda Saída Realização do produto Atividades que agregam valor Fluxo de informação Figura 65 – Modelo de um sistema de gestão de qualidade baseado em processo (NBR ISO 9001) 8.6 Modelo de excelência da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ) Os referidos sistemas de gestão certificáveis possuem objetivos distintos e são formados por um conjunto de requisitos comuns e por um conjunto de requisitos específicos. Esses sistemas apresentam elevada aderência ao Modelo de Excelência da Gestão (MEG) da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ), conforme podemos verificar a seguir: 165 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE Quadro 13 – Integração MEG versus normas MEG/FNQ Requisito Norma Item Processos principais, negócio e apoio Desenvolvimento de novos produtos para atender aos requisitos dos clientes 9001: 2008 7.3 Projeto e desenvolvimento Responsabilidade social e ambiental Identifica o tratamento dos impactos sociais e ambientais de produtos e processos desde o projeto até o descarte 14001: 2004 e 16001: 2004 4.3 Aspectos ambientais e 3.3 responsabilidade social Qualidade de vida Riscos à saúde ocupacional e questões de segurança 18001: 2007 4.3 Identificação de perigos, riscos e controle Fonte: Ribeiro Neto, Tavares e Hoffmann (2012, p. 336). A integração dos sistemas de gestão certificáveis permite às organizações confrontar os requisitos definidos com o MEG da FNQ para uma avaliação da gestão. Os sistemas de gestão certificáveis possuem objetivos distintos e são formados por um conjunto de requisitos comuns e um conjunto de requisitos específicos. Esses sistemas apresentam elevada aderência ao MEG da FNQ. O MEG tem como foco promover a excelência na gestão das organizações do Brasil por meio do atendimento às expectativas dos interessados e está estruturado em um conjunto de princípios denominados fundamentos da excelência, identificados em organizações de classe mundial e alinhados aos princípios de gestão. Observação Empresas classe mundial são aquelas que estão em condições de competir em vários mercados internacionais com produtos e serviços de reconhecida qualidade, além de possuírem sistemas de gestão internacionais certificados em diversas unidades de produção e atuação em diversos segmentos de mercados. As organizações são sistemas vivos integrantes de ecossistemas complexos com os quais elas interagem e dos quais elas necessitam. A excelência de uma organização depende, fundamentalmente, de sua capacidade de perseguir propósitos em completa harmonia com seu ecossistema. Entre as organizações, existe uma grande variedade de modelos de gestão, algumas possuem modelos avançados e outras demonstram grande nível de padronização, mas o importante é que as empresas precisam definir uma sistemática para gerenciar seus processos. 166 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade IV Algumas empresas apresentam melhores resultados que outras. Já algumas apresentam o comportamento de classe mundial, se destacando perante outras empresas no mundo todo. O que faz com que essas empresas tenham tanto sucesso? Para responder à questão, organismos internacionais de gestão da qualidade avaliaram as grandes empresas do mundo e identificaram os fatores que definem uma empresa de classe mundial: Fundamentos → conceitos que expressam as organizações de classe mundial Mas como se expressam esses conceitos de uma forma tangível dentro das organizações? Requisitos → são as características tangíveis (mensurável quantitativa ou qualitativamente) que constroem os fundamentos Mas como esses requisitos se inserem dentro de um frameworkcapaz de reproduzir de forma lógica a condução de um negócio? Itens/critérios → são agrupamentos de requisitos afins feitos por meio de uma lógica predefinida Figura 66 As organizações consideradas referenciais de excelência em nível internacional são aquelas que têm prosperado, têm alcançado a liderança internacional em suas respectivas áreas, são exemplos reconhecidos de atuação e apresentam harmonia com o meio ambiente e integração com a sociedade. Logo, surgiram os fundamentos da excelência presentes no MEG, que concentram as melhores práticas de gestão observadas no mundo. Tais fundamentos são revisados anualmente e adotam o princípio do PDCA (melhoria contínua). Todas as empresas que adotaram essa abordagem obtiveram melhoria nos processos e resultados, pois a ênfase está na forma de usar as técnicas de gestão e qualidade. Observação A certificação e a acreditação dos sistemas de gestão devem ser realizadas por um organismo certificador (OC) credenciado pela ABNT. Outro ponto importante é considerar que esse não é um método prescritivo, como uma receita de bolo, mas uma autoavaliação que possibilita fazer um diagnóstico mais preciso dos pontos e das áreas nas quais as possibilidades de melhoria podem ocorrer, respeitando as particularidades de cada empresa e de cada negócio. 167 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE O MEG está estruturado em oito fundamentos e temas específicos de gestão que expressam conceitos reconhecidos internacionalmente. Tais conceitos se traduzem em práticas ou fatores de desempenho encontrados em organizações líderes de classe mundial, eles buscam constantemente o aperfeiçoamento e a adaptação às mudanças globais. Sua leitura permite ao administrador tomar conhecimento do estado da arte em conceitos que devem ser seguidos por todas as empresas, de quaisquer tamanhos e de quaisquer segmentos – público ou privado –, incluindo as organizações não governamentais. Pensamento sistêmico Esse fundamento consiste em entender os relacionamentos interdependentes entre os diversos componentes da empresa e também entre a empresa e o ambiente externo. As empresas que pensam de forma sistêmica não apresentam disputas insalubres entre áreas e pessoas, não existem “muros” entre os departamentos. Todos têm consciência de que são um elo em toda a cadeia produtiva e de que fazem parte de uma organização cujo objetivo é atender ao cliente. Temas: alinhamento e tomada de decisão. Compromisso com as partes interessadas Numa perspectiva de curto e longo prazos, com estratégias e processos, as organizações estabelecem pactos com as partes interessadas e suas inter‑relações. Temas: requisitos das partes interessadas, clientes e relacionamento com as partes interessadas (fornecedor e força de trabalho). Aprendizado organizacional e inovação Consiste em buscar e alcançar um novo patamar de conhecimento para a empresa por meio de percepção, reflexão, avaliação e compartilhamento de experiências. Uma empresa que adota este fundamento é uma empresa viva e criativa, que se renova e que se adapta rapidamente às novas condições do mercado. Temas: aperfeiçoamento, conhecimento, competências essenciais e inovação. Adaptabilidade Esse fundamento descreve, diante das novas demandas das partes interessadas, as alterações no contexto, a flexibilidade e a capacidade de mudança em tempo hábil. Temas: capacidade de mudar e flexibilidade. 168 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade IV Liderança transformadora Atuação de líderes de forma ética, inspiradora, exemplar e comprometida com a excelência. Compreende os cenários e as tendências do ambiente e os possíveis efeitos sobre a organização e suas partes interessadas, em curto e longo prazos, mobilizando as pessoas em torno de valores, princípios e objetivos da organização. Explora as potencialidades das culturas e prepara novas lideranças. Temas: valores e princípios organizacionais, governança, cultura organizacional, olhar para o futuro e sucessão. Desenvolvimento sustentável Esse fundamento demonstra o compromisso da organização em responder aos impactos de suas decisões e atividades na sociedade e no meio ambiente. Visa contribuir para a melhoria das condições de vida das gerações futuras por meio de comportamento ético e transparente. Temas: econômico‑financeiros, ambientais e sociais. Orientação por processos É a compreensão e a segmentação do conjunto das atividades e processos da organização que agreguem valor às partes interessadas, sendo que a tomada de decisões e a execução de ações devem ter como base a medição e a análise do desempenho, levando em consideração as informações disponíveis e incluindo os riscos identificados. Adotar este fundamento significa enxergar a empresa como uma coleção de processos interligados e interdependentes com um propósito comum, além de tomar decisões com base em fatos e dados, aumentando a probabilidade de uma decisão mais acertada. Geração de valor Gerar valor é alcançar resultados consistentes e assegurar a perenidade da organização pelo aumento de valor tangível e intangível de forma sustentável para todas as partes interessadas. Empresas que adotam esse fundamento sempre objetivam agregar valor para todos: sócios, funcionários, clientes, sociedade etc. Temas: resultados sustentáveis. Estrutura atual do MEG A representação do MEG da FNQ organiza os oito fundamentos de forma sistêmica, evidenciando o caráter interativo e complementar e visando à geração de resultados. 169 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE Os vários elementos do Modelo encontram‑se imersos num ambiente de informação e conhecimento e relacionam‑se de forma harmônica e integrada, sempre voltados para a geração de resultados. A seguir, podemos identificar a versão antiga e atual do MEG com a representação de seus elementos constituintes: É importante ressaltar que a implantação do MEG deve partir da incorporação dos fundamentos da excelência da organização e, na sequência, do uso das práticas para atender aos critérios. O MEG – como resultado da evolução do PNQ desde 1992 – apresenta‑se atualmente na forma de instrumentos de avaliação com questões específicas, bem como com fatores de avaliação. Dessa forma, busca avaliar o estágio da gestão das organizações para que se candidatem, ou não, ao PNQ ou a prêmios regionais e setoriais. Em todas as versões, o Modelo apresenta‑se de forma integral, porém com perguntas com menor nível de detalhe para o estágio intermediário e iniciante. Saiba mais Alguns textos trazem reflexões importantes sobre a necessidade da Norma ISO‑9000: CAMPOS, W. Todas as empresas precisam ter ISO? Administradores, jul. 2011. Disponível em: . Acesso em: 18 maio 2018. ROSA, G. M.; TOLEDO, J. C. Estudo de caso de implementação, certificação e manutenção da NBR ISO 9001 no contexto hospitalar. In: ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCÃO, 36., João Pessoa, out. 2016. Anais... João Pessoa: Associação Brasileira de Engenharia de Produção. Disponível em: . Acesso em: 18 maio 2018. COSTA, S. de S. Avaliação e gestão do risco na perspectiva da norma ISO 9001:2015. 2017. Dissertação (Mestrado em Engenharia e Gestão da Qualidade). Universidade do Minho, Braga, 2017. Disponível em: . Acesso em: 18 maio 2018. Exemplo de aplicação Uma lavanderia de médio porte localizada no Estado de São Paulo começou a se deparar com alguns problemas típicos de empresas que possuem organização, mas nada muito detalhado. Os gestores 170 Re vi sã o: M ar ci lia- D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade IV constantemente se viam obrigados a resolver problemas como: (i) roupas que mancharam no processo de lavagem, (ii) descarte de resíduos, (iii) reclamações de algum cliente pelo atraso na entrega das roupas. Cansados de investirem dinheiro e o retorno estar comprometido por erros grotescos, resolveram buscar ajuda, e a solução foi aplicar um programa de qualidade total. Assim, após pesquisarem com outras lavanderias de mesmo porte ou de porte maior, foram destinados à ISO 9001. Usando o fluxograma do modelo de gestão, passaram a monitorar todos os processos realizados dentro da empresa. Assim, a relação na lavanderia passou a ser feita da seguinte forma: Atendente Passagem Lavagem Embalagem e despacho • Recebe a roupa e registra no sistema • Tem a responsabilidade de verificar se possui algum tipo de problema e entrega à lavagem • Recebe da lavagem e mais uma vez confere se está em conformidade • Executa a passagem e encaminha para a embalagem • Recebe a roupa e verifica, novamente, possíveis problemas • Executa a lavagem • Após secagem, verifica possíveis problemas e entrega à passagem • Faz a conferência final da roupa e coloca em embalagem apropriada • Entrega ao cliente no prazo combinado Figura 67 Com um fluxo bem definido, a lavanderia obteve, mesmo com aumento no número de processos de conferência, redução no número de reclamações em relação ao seu problema de prazos e possíveis danos às roupas. Os demais problemas, também, são solucionados com a inserção do Sistema de Qualidade Total da norma NBR ISO 9001. 171 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE Resumo Vários são os desafios modernos enfrentados pelos profissionais da logística e na área dos transportes, como a segurança nas estradas, a rapidez nas entregas, dentre outros. Profissionais e empresas especializadas também discutem a quantidade a ser estocada, a qualidade do produto, a maximização dos espaços, o aproveitamento dos recursos e a movimentação adequada de materiais. Outros itens também são destacados, como concentração no transporte rodoviário, escassez de mão de obra qualificada, controle de estoque ineficiente e descarte de itens, devido à preocupação relacionada ao meio ambiente. Seguem as principais características que o profissional de logística deve possuir: conhecimento teórico e prático, liderança, raciocínio lógico, flexibilidade, tecnologia – conhecer ferramentas como Enterprise Resource Planning (ERP), Warehouse Management System (WMS) e Transport Management System (TMS) –, capacidade de relacionamento, capacidade de adaptação e planejamento, capacidade de trabalhar sob pressão, visão estratégica, fluência em inglês (pelo menos em nível instrumental), visão global, dinamismo, habilidade de comunicação e proatividade. Os profissionais de logística, tais quais outros profissionais modernos, atuam num mundo cada vez mais globalizado. A quantidade de atividades e as inúmeras responsabilidades acabam exigindo um profissional capaz de lidar com diversos desafios e precisam ter, sempre, grande capacidade de adaptação. A definição de qualidade depende dos vários estágios pelos quais passou ao longo de sua história, em especial quatro deles: “a inspeção de produtos, o controle do processo, os sistemas de garantia da qualidade e a gestão da qualidade total”. A palavra‑chave é o atendimento ao cliente, fazer com que o cliente receba o produto que espera e pelo qual pagou. Na gestão da qualidade total, fazer o cliente se encantar é oferecer algo a mais do que ele esperava. A qualidade passou por vários períodos históricos. Primeiramente, pela era da inspeção, na qual o objetivo era a separação dos produtos ruins 172 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade IV ou não conformes. A segunda fase foi a do controle de qualidade, com a preocupação nas especificações dos produtos. Posteriormente, nas décadas de 1930 e 1940 surgiu a garantia de qualidade, cuja tônica era manter a qualidade da empresa estável e o surgimento de trabalhos científicos na área. Já nas décadas de 1960, 1970 e 1980 surgiu a qualidade total, com o viés da satisfação do cliente. Uma das ferramentas da qualidade, o just in time (JIT) apareceu no Japão, na década de 1970, estabelecendo certa sintonia entre as demandas do mercado e a produção da empresa, racionalizando os custos com estoques desnecessários. A tradução do nome é “no tempo certo”. Foi uma prática desenvolvida pela Toyota Motor Company. O just in time é composto de práticas que podem ser aplicadas em qualquer parte. Algumas expressões utilizadas são produção em estoque, eliminação do desperdício, manufatura de fluxo contínuo, esforço contínuo na resolução de problemas e melhoria contínua dos processos. Os problemas mais comuns são os problemas de qualidade, os problemas de quebra de máquina e os problemas de preparação de máquina. Outra ferramenta utilizada é o programa 5S, que os empresários japoneses aproveitaram de práticas desenvolvidas nas residências e utilizaram como complemento os programas de qualidade. Os 5S são abreviaturas de: seiri (senso de utilização); seiton (senso de organização); seiso (senso de limpeza); seiketsu (senso de padronização e saúde); e shitsuke (senso de disciplina ou autodisciplina). Em relação à ferramenta Housekeeping, alguns autores acreditam que é o mesmo que a 5S, com a diferença apenas no nome. Contudo, o comprometimento oriental é reconhecidamente maior quando se trata da implementação e manutenção dos conceitos abordados. A Norma ISO‑9000 estabelece orientações para as empresas que querem se certificar, após passarem por uma auditoria. Em 2015, finalmente chega a última versão ISO 9001:2015, desenvolvida sob a ótica do Anexo SL, de 2012, também conhecido como ISO Draft Guide 83 ou estrutura de alto nível, que define um padrão de requisitos normativos a serem utilizados para todas as normas ISO. Trouxe a gestão de riscos, novas terminologias e a redução de oito para sete princípios da qualidade, entre outros. 173 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE Exercícios Questão 1. (FAURGS, 2012) Conforme afirma Paulo Roberto Bertaglia em seu Logística e Gerenciamento da Cadeia de Abastecimento (2010, p. 386), o just‑in‑time é um método de gerenciamento da manufatura desenvolvido pelos japoneses nos anos 1970 [...] resumindo‑se basicamente em um conjunto integrado de atividades cujo objetivo é fabricar altos volumes de produção usando um estoque mínimo de matéria‑prima, material de embalagem, estoques intermediários e produtos terminados. [...] Fundamentalmente, o JIT se baseia no conceito de “puxar”, ou seja, produzir contra uma demanda. Em relação ao sistema de estoque just‑in‑time (JIT), assinale as afirmações a seguir com V (verdadeiro) ou F (falso). I – ( ) Os fornecedores entregam peças no momento exato em que elas se tornam necessárias para o processo de produção da organização compradora. II – ( ) Utilizado adequadamente, esse sistema mantém os custos em nível mínimo. III – ( ) Utilizado adequadamente, esse sistema mantém os estoques em nível máximo. IV – ( ) Utilizado adequadamente, mantém o armazenamento em nível mínimo. V – ( ) Os fornecedores entregam peças após constatada a falta da peça no processo de produção da organização compradora. A alternativa que preenche corretamente os parênteses, de cima para baixo, é: A) V – V – F – V – F. B) V – F – F – V – F. C) F – V – V – F – V. D) F – F – V – V – V. E) V – V – F – F – F. Resposta correta: alternativa A. 174 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade IV Análise das afirmativas I – Afirmativa verdadeira.Justificativa: um dos princípios norteadores do JIT é o de que fornecedores devem entregar meios de produção solicitados no momento exato em que se tornem necessários para o processo de produção da organização compradora. II – Afirmativa verdadeira. Justificativa: uma das razões da adoção do JIT por parte das empresas é a possibilidade de redução de custos com manutenção de estoques baixos. III – Afirmativa falsa. Justificativa: devido a entrega de matéria‑prima ser no exato momento em que a produção necessita dos meios de produção, a empresa compradora administra baixos níveis de estoques. IV – Afirmativa verdadeira. Justificativa: a boa adequação do JIT às necessidades da empresa auxiliará na diminuição dos espaços destinados ao armazenamento, tanto de meios de produção quanto de produtos acabados. V – Afirmativa falsa. Justificativa: se os fornecedores entregarem peças após a constatação da falta da peça no processo de produção da organização compradora, o processo de produção sofrerá interrupção durante o período de falta da peça. Questão 2. (CESGRANRIO, 2011) A empresa XYZ deseja implantar um sistema de gestão de qualidade (SGQ) baseado na Norma ISO 9001:2000. Para isso, criou um manual de qualidade que contém: I – o alcance do sistema do SGQ, com uma lista das exclusões ao SGQ, mas não as justificativas dessas exclusões. II – as referências a todos os procedimentos documentados estabelecidos para o SGQ, mas não os procedimentos propriamente ditos. III – uma descrição da interação entre os processos do SGQ. A respeito dessas informações especificamente, o manual está em conformidade com a Norma? A) Sim e contém informações adicionais não exigidas. 175 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE B) Sim, porque contém todas as informações relevantes. C) Não, pois deveria conter as justificativas dessas exclusões. D) Não, pois deveria conter os procedimentos propriamente ditos. E) Não, pois deveria conter as justificativas das exclusões e os procedimentos propriamente ditos. Resolução desta questão na plataforma. 176 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 FIGURAS E ILUSTRAÇÕES Figura 2 WANKE, P. O papel do transporte na estratégia logística. Ilos, São Paulo, 2000. Disponível em: . Acesso em: 19 jun. 2017. Figura 3 SHOPPING‑1073449_960_720.PNG. Disponível em: . Acesso em: 25 jun. 2018. Figura 8 BALLOU, R. H. Gerenciamento da cadeia de suprimentos: logística empresarial. 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2006. Adaptada. Figura 24 NOVAES, A. G. Logística e gerenciamento da cadeia de distribuição. 4. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015. p. 163. Figura 29 ROCHA, M. D. A.; SOUSA, J. M. Canais de distribuição e geomarketing. São Paulo: Saraiva, 2017. p. 32. Figura 30 FRANCISCHINI, G. P.; GURGEL, F. A. Administração de materiais e do patrimônio. São Paulo: Cengage Learning, 2010. p. 116. Figura 34 741PX‑NUVOLA_INDUSTRIAL_SHELF.SVG.PNG. Disponível em: . Acesso em: 25 jun. 2018. Figura 40 B21DARIO104.JPG. Disponível em: . Acesso em: 25 jun. 2018. 177 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Figura 41 800PX‑DRUGSTORE_2008‑07_%282885093355%29.JPG. Disponível em: . Acesso em: 25 jun. 2018. Figura 42 KOTLER, P. Marketing essencial: conceitos estratégias e casos. São Paulo: Pearson Education, 2013. p. 478. Figura 43 WAREHOUSE_WHITE_CHARCOAL_BINCHOTAN_OF_VIETNAM_BINCHOTAN_JOINT_STOCK_COMPANY%2C_ PICTURE_2.JPG. Disponível em: . Acesso em: 25 jun. 2018. Figura 44 BOWERSOX, D.; CLOSS, D. Logística empresarial: o processo de integração da cadeia de suprimento. São Paulo: Atlas, 2001. Adaptada. Figura 48 RODRIGUES, G. G.; PIZZOLATO, N. D. Centros de distribuição: armazenagem estratégica. In: ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO, 23., 2003, Ouro Preto. Anais... Ouro Preto: Associação Brasileira de Engenharia de Produção, 2003. p. 6. Disponível em: . Acesso em: 25 jun. 2018. Figura 58 BRASIL. Ministério dos Transportes. Projeto de reavaliação de estimativas e metas do PNLT: relatório final. Brasília, 2012. Adaptada. Disponível em: . Acesso em: 28 maio 2018. Figura 63 FILE:RESOURCE_CORNER_5S_SAFETY_CLOSE‑UP_SCANFIL_SIERADZ.JPG. Disponível em: . Acesso em: 25 jun. 2018. Figura 64 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). Objetivos. São Paulo, [s.d.]. Adaptada. Disponível em: . Acesso em: 25 jun. 2018. 178 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Figura 65 VALLS, V. M. O enfoque por processos da NBR ISO 9001 e sua aplicação nos serviços de informação. Ciência da Informação, Brasília, v. 33, n. 2, p. 172‑178, maio/ago. 2004. p. 176. Disponível em: . Acesso em: 25 jun. 2018. Figura 66 FUNDAÇÃO NACIONAL DA QUALIDADE CRITÉRIOS DE EXCELÊNCIA (FNQ). Modelo de excelência da gestão (MEG): guia de referência de excelência da gestão. São Paulo, 2013. Adaptada. Disponível em: . Acesso em: 25 jun. 2018. REFERÊNCIAS Audiovisuais O RESGATE do soldado Ryan. Dir. Steven Spielberg. Estados Unidos: Paramount Pictures, 1998. 169 minutos. Textuais ABREU, E. 4 dicas práticas para melhorar o recebimento de produtos na sua loja, fev. 2017. Disponível em: . Acesso em: 25 jun. 2018. ALBERNAZ, H.; MARUYAMA, Ú. Benefícios na implantação dos centros de distribuição para a logística: a indústria de óleo lubrificante e o CD Suape. In: SIMPÓSIO DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO E TECNOLOGIA, 11., Resende, 2014. Anais... Resende: Associação Educacional Dom Bosco, 2014. Disponível em: . Acesso em: 25 jun. 2018. ALCÂNTARA, R. L. C. A gestão estratégica dos canais de distribuição: um exame evolução e do atual estágio do relacionamento entre o atacado de entrega e a indústria. 1997. Tese (Doutorado em Administração). Fundação Getúlio Vargas. São Paulo, 1997. Disponível em: . Acesso em: 25 jun. 2018. ALVES, J. M. O sistema just in time reduz os custos do processo produtivo. CONGRESSO BRASILEIRO DE GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS, 2. Campinas, 1995. Anais... Campinas: Associação Brasileira de Custos, 1995. Disponível em: . Acesso em: 18 maio 2018. ÂNGELO L. B. Indicadores de desempenho logístico. Gelog UFSC, Santa Catarina, 2005. Disponível em: . Acesso em: 22 jun. 2018. 179 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 ANTUNES JÚNIOR, J. A. V.; KLIEMANN NETO, F. J.; FENSTERSEIFER, J. E. Considerações críticas sobre a evolução das filosofias de administração da produção: do “just‑in case” ao “just‑in‑time”.Rev. Adm. Empres. São Paulo, v. 29 n. 3, jul./set. 1989. Disponível em: . Acesso em: 17 maio 2018. ARMAZENAGEM logística: conheça os principais desafios e oportunidades. Brasil Maxi Logística, nov. 2017. Disponível em: . Acesso em: 27 abr. 2018. AROZO, R. Monitoramento de desempenho na gestão de estoque. Centro de Estudos em Logística, Rio de Janeiro, 2006. Disponível em: . Acesso em: 22 maio 2018. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE LOGÍSTICA E TRANSPORTE DE CARGA. Brasil é 6º país mais perigoso para transporte de carga. Brasília, dez. 2017. Disponível em: . Acesso em: 17 maio 2018. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE OPERADORES LOGÍSTICOS (ABOLBRASIL). Associados, [s.d.]. Disponível em: . Acesso em: 27 abr. 2018. BALLOU, R. H. Gerenciamento da cadeia de suprimentos: logística empresarial. 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2006. BARBOSA, V. Geração anual de lixo eletrônico passa de 40 milhões de toneladas. Exame, fev. 2018. Disponível em: . Acesso em: 14 maio 2018. BOWERSOX, D.; CLOSS, D. Logística empresarial: o processo de integração da cadeia de suprimento. São Paulo: Atlas, 2001. BRASIL. Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil. Anuário Estatístico de Transportes 2010‑2016. Brasília, 2017. Disponível em: . Acesso em: 25 abr. 2018. ___. Ministério dos Transportes. Projeto de reavaliação de estimativas e metas do PNLT: relatório final. Brasília, 2012. Disponível em: . Acesso em: 28 maio 2018. CAMPOS, W. Qual a origem do 5S? Administradores, mar. 2009. Disponível em: . Acesso em: 18 maio 2018. ___. Todas as empresas precisam ter ISO? Administradores, jul. 2011. Disponível em: . Acesso em: 18 maio 2018. 180 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CARDOSO, J. G.; PINTO, C. A. S.; ERDNANN, R. H. Estruturação logística: uma proposta contextualizada a realidade de pequenas empresas. In: ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO, 23., Ouro Preto, 2003. Anais..., Ouro Preto: Associação Brasileira de Engenharia de Produção. Disponível em: . Acesso em: 17 maio 2018. CARPINETTI, L. C. R.; GEROLAMO, M. C. Gestão da qualidade ISO 9001:2015: requisitos e integração com a ISO 14001:2015. São Paulo: Atlas, 2017. CASTILHO JÚNIOR, N. C. O comércio eletrônico e sua aplicação no planejamento e gestão do processo de compras da cadeia de suprimentos: um estudo da indústria química. 2002. Dissertação (Mestrado em Administração). Fundação Getúlio Vargas, São Paulo, 2002. Disponível em: Acesso em: 7 maio 2017. CHAVES, S.; CAMPELLO, M. A qualidade e a evolução das normas série ISO 9000. In: SIMPÓSIO DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO E TECNOLOGIA, 8., Resende, 2016. Anais... Resende: Associação Educacional Dom Bosco, 2016. Disponível em: . Acesso em 19 maio 2018. CHOPRA, S.; MEINDL, P. Gestão da cadeia de suprimentos: estratégias, planejamento e operações. 4. ed. São Paulo: Prentice Hall, 2011. COELHO, L. C.; FOLLMANN, N.; RODRIGUEZ, C. M. T. O impacto do compartilhamento de informações na redução do efeito chicote na cadeia de abastecimento. Gestão & Produção, São Carlos, v. 16, n. 4, p. 571‑583, out‑dez. 2009. Disponível em: . Acesso em: 7 maio 2018. COELHO, T. 15 regras de ouro para administrar o tempo e viver melhor. Administradores, jul. 2012. Disponível em: . Acesso em: 17 maio 2018. COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO (CETESB). Modelos existentes para os sistemas de logística reversa – SLR. Disponível em: . Acesso em: 18 maio 2018. COMPER, I. C.; SOUZA, F. O.; CHAVES, L. D. Caracterização e desafios da logística reversa de óleos lubrificantes. Revista em Gestão, Inovação e Sustentabilidade, v. 10, n. 1, p. 71‑88, 2016. Disponível em: . Acesso em: 17 maio 2018. CONDOMÍNIOS e operadores logísticos. Revista Logística e Supply Chain, ago. 2011. Disponível em: . Acesso em: 14 maio 2018. CORRÊA, H. L. Gestão de redes de suprimento: integrando cadeias de suprimento no mundo globalizado. São Paulo: Atlas, 2010. 181 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CORRÊA, J. S. O que são processos produtivos? Administradores, nov. 2013. Disponível em: . Acesso em: 21 maio 2018. COSTA, S. de S. Avaliação e gestão do risco na perspectiva da norma ISO 9001:2015. 2017. Dissertação (Mestrado em Engenharia e Gestão da Qualidade). Universidade do Minho, Braga, 2017. Disponível em: . Acesso em: 18 maio 2018. DIAS, M. A. P. Administração de materiais: princípios, conceitos e gestão. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2011. DINO. Principais tendências do e‑commerce em 2018 para empresas brasileiras. Exame, jan. 2018. Disponível em: . Acesso em: 14 maio. 2017. DROGARIA Onofre usa CD para faturar R$ 1 bilhão. Logweb, jul. 2018. Disponível em: . Acesso em: 17 maio 2018. DUDA, M. A. Programa 5S – housekepping. Administradores, out. 2005. Disponível em: . Acesso em: 18 maio 2018. ESPUNY, H. G. O que é qualidade? Administradores, jul. 2008. Disponível em: . Acesso em: 17 maio 2018. ESTRUTURAS de armazenagem: em busca do layout perfeito. Logweb, mar. 2010. Disponível em: . Acesso em: 17 maio 2018. EVANGELISTA, S. Um breve histórico da qualidade. Administradores, ago. 2014. Disponível em: . Acesso em: 3 abr. 2018. FERNANDES, B. C. et al. Impactos da utilização de centros de distribuição na logística de distribuição de produtos acabados. Revista de Literatura dos Transportes, v. 5, n. 3, 2011. Disponível em: . Acesso em: 21 maio 2018. FIGUEIREDO, K. O papel das pessoas na prestação do serviço logístico. Ilos, ago. 2009. Disponívelem: . Acesso em: 17 maio 2018. FRANCISCHINI, G. P.; GURGEL, F. A. Administração de materiais e do patrimônio. São Paulo: Cengage Learning, 2010. 182 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 GARCIA, E. S. et al. Gestão de estoques: otimizando a logística e a cadeia de suprimentos. Rio de Janeiro: E‑Papers, 2006. GONÇALVES, J. E. L. As empresas são grandes coleções de processos. Revista de Administração de Empresas, São Paulo, v. 40, n. 1, jan./mar. 2000. Disponível em: . Acesso em: 25 jun. 2018. GONÇALVES, M. E.; MARINS, F. A. S. Logística reversa numa empresa de laminação de vidro: um estudo de caso. Gestão & Produção, São Carlos, v. 13, n. 3, p. 397‑410, set./dez. 2006. Disponível em: . Acesso em: 25 jun. 2018. GUARNIERI, P. Logística reversa. São Paulo: Clube dos Autores, 2010. HOFFMANN, R. Estatística para economistas. São Paulo: Pioneira. Thomson Learning, 2001. INDICADORES de qualidade e produtividade. Revista Logística e Supply Chain, maio 2014. Disponível em: . Acesso em: 21 maio 2018. INSTITUTO NACIONAL DE METROLOGIA, QUALIDADE E TECNOLOGIA (Inmetro). O que significa a ABNT NBR ISO 9001 para quem compra? Comitê Brasileiro de Qualidade: Brasília, [s.d.]. Disponível em: . Acesso em: 18 maio. 2018. KAWANO, B. R. et al. Estratégias para resolução dos principais desafios da logística de produtos agrícolas exportados pelo Brasil. Revista de Economia e Agronegócio, 2012. Disponível em: . Acesso em: 17 maio 2018. KEYNES, J. M. A tract on monetary reform. London: Macmillan and St. Martin’s Press for The Royal Economic Society, 1923. KICHEL, V. Dez passos para fazer um inventário de estoque. Administradores, fev. 2018. Disponível em: . Acesso em: 27 abr. 2018. KLOSE, H.; IKEMORI, M. Gestão e qualidade em logística e cadeia de suprimentos. Administradores, abr. 2013. Disponível em: . Acesso em: 14 maio 2018. KOTLER, P. Marketing essencial: conceitos estratégias e casos. São Paulo: Pearson Education, 2013. LAMBERT, D. M.; COOPER, M. C. Issues in supply chain management. Industrial Marketing Management, v. 29, n. 1, p. 65‑83, jan. 2000. 183 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 LEAL, A. Anvisa estuda como estimular uso racional de medicamentos. Exame, jan. 2013. Disponível em: . Acesso em: 14 maio 2018. LEMOS, F. O. Metodologia para seleção de previsão de demanda. 2006. Dissertação (Mestrado em Engenharia da Produção). Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 2006. Disponível em: Acesso em: 25 jun. 2018.. LIMA, M. D. R. O que é just in time? Administradores, mar. 2008. Disponível em: . Acesso em: 17 maio 2018. LISBOA, A. M. et al. Desafios da gestão de pessoas em empresas do segmento logístico de distribuição de bebidas. Revista Gestão & Tecnologia, Pedro Leopoldo, v. 11, n. 1, p. 68‑86, jan./jun. 2011. Disponível em: . Acesso em: 17 maio 2018. LOGÍSTICA sustentará plano de expansão do Walmart no mercado nacional. OMC Consult, [s.d.]. Disponível em: . Acesso em: 17 maio 2018. LUNA, R. A. Perfil do profissional de logística. Site da Logística, maio 2011. Disponível em: . Acesso em: 18 maio 2018. MACHLINE, C. Cinco décadas de logística empresarial e administração da cadeia de suprimentos no Brasil. Rev. Adm. Empres. São Paulo, v. 51, n. 3, maio/jun. 2011. Disponível em: . Acesso em: 17 maio 2018. MAKRO reforça logística e terá mais 4 centros de distribuição. Portal Transporta Brasil, set. 2009. Disponível em: . Acesso em: 17 maio 2018. MARSHALL JUNIOR, I. et al. Gestão da qualidade. 10. ed. Rio de janeiro: Editora FGV, 2010. MARTINS, P. G.; ALT, P. R. C. Administração de materiais e recursos patrimoniais. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2009. MARTINS, R. 15 habilidades que todo profissional de logística deve desenvolver na carreira. CargoX Transportadora nov. 2017. Disponível em: . Acesso em: 18 maio 2018. MAXIMIANO, A. C. A. Teoria geral da administração: da revolução urbana à revolução digital. São Paulo: Atlas, 2002. MEJIDO, J. L. T.; SZULCSEWSKI, C. J. Administração estratégica de vendas e canais de distribuição. São Paulo: Atlas, 2007. 184 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 MONTELLA, M. Economia passo a passo. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2004. MORAIS, D. M. G.; FREY, J. H.; SAVASSA, L. P. Estudo da distribuição ótima das unidades coletoras de materiais reciclados em São Bernardo do Campo – um mapa para o investidor social. CONGRESSO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE, 23., Poços de Caldas, 2016. Anais... Poços de Caldas, 2016. Disponível em: . Acesso em: 18 maio 2018. NOBREGA, G. A. Qualidade: histórico e ferramentas. Administradores, jun. 2017. Disponível em: . Acesso em: 17 maio 2018. NOVAES, A. G. Logística e gerenciamento da cadeia de distribuição. 4. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015. O ARRANJO físico do centro de distribuição (CD). Scala Logística, set. 2017. Disponível em: . Acesso em: 17 maio 2018. OLIVEIRA, D. Administração de processos: conceitos, metodologia e práticas. São Paulo: Atlas, 2009. OLIVEIRA, L. K.; CORREIA, V. A. Metodologia para determinação da localização e dimensionamento de terminais logísticos integrados. In: PANAM, 16., Lisboa, 2010. Anais... Lisboa, 2010. Disponível em: . Acesso em: 18 maio 2018. OS 7 MAIORES desafios da logística de transporte e como superá‑los. Patrus, nov. 2017. Disponível em: . Acesso em: 25 jun. 2018. PALETTA, M. A.; SILVA, A. G. Otimizando o layout do armazém através da movimentação eficiente de materiais. Jundiaí: Centro Universitário Padre Anchieta, 2003. Disponível em: . Acesso em: 21 maio. 2018. PAOLESCHI, B. Almoxarifado e gestão de estoques. 2. ed. São Paulo: Erica, 2013. ___. Estoques e armazenagem. São Paulo: Érica, 2014. PAULA, G. B. Análise de vendas: como montar um mix de produtos e mix de canais de distribuição para sua empresa. Treasy Planejamento e Controladoria, fev. 2014. Disponível em:blog/analise‑de‑vendas‑mix‑de‑produtos‑mix‑de‑canais‑de‑distribuicao>. Acesso em: 18 maio 2018. PEINADO, J.; GRAEML, A. R. Administração da produção: operações industriais e de serviços. Curitiba: UnicenP, 2007. PIRES, S. R. I. Gestão da cadeia de suprimento. São Paulo: Atlas, 2005. 185 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 PORTINARI, N. Restaurantes investem em prato único para se diferenciar e cortar custos. Folha de São Paulo, São Paulo, 29 maio 2015. Disponível em: . Acesso em: 16 maio 2018. OS PRINCIPAIS desafios enfrentados pelas empresas de logística. Pamcard, fev. 2018. Disponível em: . Acesso em: 27 abr. 2018. QUANTO ganha um Logístico? Guia da Carreira, [s.d.]. Disponível em: . Acesso em: 17 maio 2018. QUEIROZ, E. S. As principais características que profissional moderno precisa ter para manter‑se competitivo. Administradores, out. 2015. Disponível em: . Acesso em: 18 maio 2018. RIBEIRO NETO, J.; TAVARES, J.; HOFFMAN, S. Fundamentos dos sistemas de gestão. 3. ed. São Paulo: Senac, 2012. RIBEIRO, P. C. C.; SILVA, L. A. F.; SILVA, S. R. S. O uso da tecnologia da informação em operações logísticas de armazenagem. Revista de Administração da Unimep, v. 3, n. 3, set./dez. 2005. Disponível em: . Acesso em: 25. abr. 2018. ROCCATO, P. L. A Bíblia de canais de vendas e distribuição. São Paulo: M. Books do Brasil, 2008. ROCHA, M. D. A.; SOUSA, J. M. Canais de distribuição e geomarketing. São Paulo: Saraiva, 2017. RODRIGUES, G. G.; PIZZOLATO, N. D. Centros de distribuição: armazenagem estratégica. In: ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO, 23., Ouro Preto, 2003. Anais... Ouro Preto: Associação Brasileira de Engenharia de Produção, 2003. Disponível em: . Acesso em: 27 abr. 2018. RODRIGUES, G. L.; SOUZA, C. A.; DALFIOR, V. A. O. Avaliação do método de mensuração dos estoques em uma empresa S.A.: um estudo de caso. In: SIMPÓSIO DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO E TECNOLOGIA, 12., Resende, 2015. Anais... Resende: Associação Educacional Dom Bosco, 2015. Disponível em: . Acesso em: 14 maio 2018. ROGERS, P.; RIBEIRO, K. C. S.; ROGERS, D. Avaliando o risco na gestão financeira de estoques. In: SIMPÓSIO DE ADMINISTRAÇÃO DA PRODUÇÃO, LOGÍSTICA E OPERAÇÕES INTERNACIONAIS, 7., São Paulo, 2004. Anais... São Paulo: FGV‑EAESP, 2004. Disponível em: . Acesso em: 22 maio 2018. 186 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 ROLIM, J. R.; FERREIRA, M. C. Causas da terceirização logística: estudo de caso da empresa Continental do Brasil. E‑Faceq, Jandira, ano 3, n. 3, maio 2014. ROSA, G. M.; TOLEDO, J. C. Estudo de caso de implementação, certificação e manutenção da NBR ISO 9001 no contexto hospitalar. In: ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCÃO, 36., João Pessoa, out. 2016. Anais... João Pessoa: Associação Brasileira de Engenharia de Produção. Disponível em: . Acesso em: 18 maio 2018. ROSA, I.; ABREU, I.; PEDROZO, I. Avaliação da localização do centro de distribuição da empresa AES Sul Distribuidora Gaúcha de Energia em relação aos depósitos regionais. Rev. Adm. UFSM, Santa Maria, v. 9, n. 3, p. 356‑371, jul./set. 2016. Disponível em: . Acesso em: 16 maio 2018. ROSENBLOOM, B. Canais de marketing: uma visão gerencial. São Paulo: Cengage Learning, 2014. RUSSO, C. P. Armazenagem, controle e distribuição. Curitiba: InterSaberes, 2013. SALZANO, W. Localização de centros de distribuição. Revista Logística e Supply Chain, 2018. Disponível em: . Acesso em: 27 abr. 2018. SAMPAIO, M. E. C. O que é planejamento? Administradores, jan. 2008. Disponível em: . Acesso em: 21 maio 2018. SANDRONI, P. (Org.) Novíssimo dicionário de economia. São Paulo: Editora Best Seller, 1999. SANTOS, A. Centros de distribuição como vantagem competitiva. Revista de Ciências Gerenciais, v. 10, n. 12, 2006. Disponível em: . Acesso em: 21 maio 2018. SANTOS, A. M.; RODRIGUES, I. A. Controle de estoque de materiais com diferentes padrões de demanda: estudo de caso em uma indústria química. Gestão & Produção, São Carlos, v. 13, n. 2, p. 223‑231, maio/ago. 2006. Disponível em: . Acesso em: 28 maio 2018. SANTOS, E. de F. et al. A inserção do programa de qualidade total 5s como diferencial competitivo nas organizações. XV Jornada Científica da Unesc, Cacoal, n. 1, 2017. Disponível em: . Acesso em: 18 maio 2018. SANTOS JUNIOR, P. A.; BARBOSA, J. C.; PRATES, G. A. Implementação de um sistema 5S em empresa do ramo moveleiro localizada na região de Itapeva SP. Qualitas, Campina Grande, v. 13, n. 1, 2012. Disponível em: . Acesso em: 18 maio 2018. SILVA, D. A. da; SANTOS, A. N. dos; SOARES, A. M. Diagnóstico da gestão de armazenagem em uma empresa do setor de distribuição. In: CONGRESSO ACADÊMICO FACULDADE SAGRADA FAMÍLIA, 4., 187 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Ponta Grossa, 2017. Anais... Ponta Grossa: Faculdade Sagrada Família, 2017. Disponível em: . Acesso em: 27 abr. 2018. SISTEMA NACIONAL DE INFORMAÇÕES SOBRE A GESTÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS (SINIR). [s.d.]. Disponível em: . Acesso em 18 maio 2018. SOCIEDADE BRASILEIRA DE VAREJO E CONSUMO (SBVC). Crise não impede crescimento do mercado de cosméticos premium no Brasil. São Paulo, 2017. Disponível em: . Acesso em: 14 maio 2018. SOUZA, W. C.; SANTOS, J. P.; CHAVES, L. E. Just in time: a aplicação de seu conceito, características e objetivo em um estudo de caso em indústria de autopeças. Revista de Ciências Gerenciais, v. 17, n. 25, 2013. Disponível em: . Acesso em: 3 abr. 2018. SOUZA, W. R.; AUGUSTO, E. P.; SANTOS, M. K. Viabilidade e análise da importância do 5S para a competitividade organizacional em uma empresa. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO EM ENGENHARIA, 42., Juiz de Fora, 2014. Anais... Juiz de Fora: Associação Brasileira de Educação em Engenharia, 2014. Disponível em: . Acesso em: 21 maio 2018. STEVENSON, W. J. Estatística aplicada à administração. São Paulo: Harbra, 2001. TELLES, R. Canais de marketing e distribuição: conceitos, estratégias, gestão, modelos de gestão. São Paulo: Saraiva, 2006. TUBINO, D. F. Planejamento e controle da produção: teoria e prática. 2. ed. São Paulo: Atlas,2009. VALLS, V. M. O enfoque por processos da NBR ISO 9001 e sua aplicação nos serviços de informação. Ciência da Informação, Brasília, v. 33, n. 2, p. 172‑178, maio/ago. 2004. Disponível em: . Acesso em: 25 jun. 2018. WANKE, P. O papel do transporte na estratégia logística. Ilos, São Paulo, 2000. Disponível em: . Acesso em: 19 jun. 2017. WOLFFENBÜTTEL, A. O que é? Desvio padrão. Desafios do desenvolvimento, n. 23, ano 3, 2006. Disponível em: . Acesso em: 21 maio 2017. Site . 188 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Exercícios Unidade I – Questão 1: INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA RIO GRANDE DO NORTE (IFRN). Concurso Público Grupo Magistério 2012: Logística. Questão 8. Disponível em: . Acesso em: 24 jul. 2018. Unidade I – Questão 2: TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DE GOIÁS. Concurso público para provimento de cargos de Analista de controle externo / Planejamento e desenvolvimento organizacional: Conhecimentos gerais / Conhecimentos específicos I. Questão 73. Disponível em: . Acesso em: 24 jul. 2018. Unidade II – Questão 1: INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA (INEP). Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE) 2009: Tecnologia em Processos Gerenciais. Questão 33. Disponível em: . Acesso em: 24 jul. 2018. Unidade III – Questão 2: INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA RIO GRANDE DO NORTE (IFRN). Concurso Público Grupo Magistério 2012: Logística. Questão 9. Disponível em: . Acesso em: 24 jul. 2018. Unidade IV – Questão 1: FUNDAÇÃO DE APOIO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RS. Concurso Público de Analista Judiciário (2012). Área Administrativa. Questão 9. Disponível em: . Acesso em: 24 jul. 2018. Unidade IV – Questão 2: CESGRANRIO. Petrobras: Analista de sistemas júnior ‑ área software 2011. Questão 22. Disponível em: . Acesso em: 24 jul. 2018. 189 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 190 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 191 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 192 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Informações: www.sepi.unip.br ou 0800 010 9000vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade I Conforme Telles (2006, p. 28) as características dos canais de distribuição podem ser associadas a partir das funções que exercem dentro da operação logística como um todo, a saber: • Funções transacionais: ações relacionadas a compra e venda que envolvem riscos na operação, propriedade, transporte, armazenagem e gestão. • Funções logísticas: ações relacionadas com atividades de disponibilização de produtos para venda em certo local ou ponto de venda, gestão de estoques e distribuição física e gestão do fluxo de forma contínua. • Funções de facilitação: ações relacionadas ao estímulo das vendas que envolvem aspectos financeiros e a troca de informações entre os players dos mercados e avaliação geral dos negócios. As funções descritas podem ser desenvolvidas pelos canais de distribuição a partir da estrutura dos acordos e modelos estabelecidos conforme as características dos produtos e dos mercados. Elas são estabelecidas com base nos fluxos envolvidos nas operações comerciais: • Fluxo físico: envolve o processo de transporte e deslocamento. • Fluxo de propriedade: sequência de negócios que são realizados entre as organizações participantes do canal com os devidos encargos sobre perdas, roubos, extravios, roubos e encalhes e perdas. • Fluxo de pagamento: apura as transferências de recursos financeiros que remuneram os agentes do canal. • Fluxo de informações: estabelece a forma de troca de dados e informações das operações comuns. • Fluxo de promoção: gastos com estímulos à venda para os consumidores que são divididos entre os agentes do canal. A gestão dos fluxos descritos deve ser definida conforme a importância que tem na área de atuação, o processo de entrega e a forma de gerenciamento integrada, respeitando as características dos produtos e dos mercados. A definição da estratégia de distribuição pode ser dividida a partir de três grupos principais de mercados: produtos industriais (empresarial), produtos ao consumidor (varejo) e serviços. As principais modalidades de negócios são: • Canais de produtos ao consumidor. • Canais de produtos para empresas. • Canais de serviços. 15 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE 1.1.1 Canais de distribuição para consumidores Os consumidores possuem opções para adquirir produtos e serviços, por exemplo, lojas virtuais na internet, lojas físicas de atacado e varejo, varejistas sem loja e grandes redes nacionais e internacionais. O varejo é o setor que tem contato direito com os consumidores. Isso inclui as atividades relativas à venda de produtos e serviços diretamente ao consumidor para uso pessoal e não comercial. O varejo pode posicionar‑se em quatro níveis: autosserviço, autoatendimento, serviço limitado ou serviço completo ou de redes. Figura 3 Os produtos ao consumidor podem ser classificados em dois grupos de acordo com o valor atribuído e variam conforme o local ou região. São eles: produtos de primeira necessidade e produtos de consumo esporádico. Em termos de estrutura empresarial, as organizações que atuam no varejo apresentam as seguintes modalidades físicas: • Lojas de especialidades. • Lojas de departamentos. • Hipermercados e supermercados. • Shoppings centers. • Lojas de conveniência. • Lojas de desconto. • Lojas de fábrica. • Lojas virtuais. 16 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade I As opções listadas permitem às empresas criar estratégias diferenciadas em termos de canal de distribuição, que precisam considerar a localidade e o perfil do cliente. Conforme o modelo utilizado para atingir os consumidores, a estratégia de canal precisa ser elaborada. Local de instalação do varejo No comércio internacional, a entrada das empresas de varejo costuma ocorrer de forma gradativa e evolui conforme os negócios, que dependem muito da estratégia de localização dos canais de distribuição e venda. A instalação do ponto de venda ou de produção é fundamental, pois é cara e precisa ser conduzida de forma profissional com amplo planejamento de mercado, priorizando localidades centrais com potencial de venda. Instalar apenas uma loja no exterior, via de regra, não é suficiente para aproveitar as oportunidades, por isso as organizações preferem contratar redes locais de varejo, para a distribuição dos produtos importados, que estejam bem localizados e perto dos consumidores. Produtor Produtor Produtor Produtor Consumidor Consumidor Varejista Varejista Atacadista Varejista Atacadista Agente Consumidor Consumidor 1 2 3 4 Figura 4 – Níveis de canais de distribuição Torna‑se necessário contratar os canais de distribuição que estão localizados em determinados locais, como em áreas comerciais centrais, em shoppings centers, em galerias de bairros, em stand centers e em lojas independentes de rua. Lembrete Canais de distribuição ou canais de marketing são as pontes entre os fabricantes e os consumidores e desempenham um papel importante para a eficácia operacional das empresas tanto nos mercados nacionais como internacionais e são representados por atacadistas, varejistas, distribuidores, representantes e agentes comerciais. 17 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE 1.2 Canais de distribuição para empresas Produtos industriais, ou seja, que serão vendidos para empresas, necessitam de uma estratégia diferente, em razão do menor número de clientes. Logo, é necessário um plano de marketing diferenciado, visto que seus produtos são destinados a empresas que compram para utilizá‑los em um processo de produção para a criação de outros produtos. Por esse motivo, possuem uma estrutura de mercado diferenciada, em termos de preferências de aquisição e escolha de fornecedor, que costuma ser mais técnica e profissional. Logo, precisam ser bem gerenciadas por meio de uma coordenação maior entre compradores e vendedores em relação a especificações técnicas, novos desenvolvimentos, logística e confiança. O mercado industrial, por sua vez, está condicionado ao ciclo de negócios do mercado ao consumidor e consiste de todas as organizações que compram produtos utilizados na produção de outros produtos que são vendidos para terceiros e possuem características singulares. Quadro 1 – Características dos produtos industriais Características Descrição Menos compradores, porém maiores. Empresas compram volumes maiores do que consumidores. Compra profissional. Empresas possuem políticas de aquisição e gestão profissional. Compra direta. Empresas compram dos fabricantes sem intermediários. Concentração geográfica. Empresas concentram‑se nos grandes centros comerciais de mercado. Negociação. Empresas exigem experts com qualificação técnica e comercial. Fonte: Kotler (2013, p. 115). Podemos classificar os produtos industriais em dois grupos: • Matérias‑primas: insumos para a produção manufatureira e produtos naturais que serão processados na indústria alimentícia. • Bens de capital: máquinas e equipamentos para instalações ou escritórios. De forma geral, podemos afirmar que o processo B2B compreende a maior parte do padrão utilizado pelas organizações, com negócios no exterior em razão das melhores condições de atendimento aos consumidores e da distribuição com ampla utilização de importadores, atacadistas e representantes. Observação Produtos para os consumidores (B2C) e produtos para empresas (B2B) precisam de abordagens diferenciadas em termos de canal de distribuição e logística, que precisam ser consideradas antes da seleção do melhor canal de envio dos produtos aos destinatários finais. 18 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade I 1.3 Canais de distribuição de serviços Os serviçosconstituem‑se, cada vez mais, parte integrante das estratégias de marketing das empresas. Notadamente, com o rápido desenvolvimento tecnológico, os produtos industriais mudam as características funcionais. Isso permite maior integração através da internet (internet das coisas) e assume aspectos de diferenciação, abrindo possibilidade para produtos personalizados com suporte de tecnologias avançadas. A principal característica dos serviços é serem intangíveis, determinando que o consumo ocorra no mesmo momento da produção, embora a satisfação esteja vinculada ao efeito percebido nos clientes. Considerando‑se estas diferenciações, o modelo de venda direta, sem intermediários, costuma ser o modelo de marketing mais usado, porém, a distribuição pode ser descentralizada como no caso de agências de viagens, consultorias de contratação e empregos e serviços terceirizados de prestação. Lembrete Internet das coisas é uma rede de objetos físicos, veículos, prédios e outros que possuem tecnologia embarcada, sensores e conexão com rede capaz de coletar e transmitir dados. A internet das coisas é uma extensão da internet que proporciona aos objetos do dia a dia, com capacidade computacional e de comunicação, se conectarem a internet. A conexão com a rede mundial de computadores viabilizará, primeiro, controlar remotamente os objetos e permitir que os próprios objetos sejam acessados como provedores de serviços. A distribuição de serviços tem como características a utilização de organizações intermediárias que atuam como agentes, corretores e varejistas de serviços, pois estocam e revendem em lotes menores e customizados de acordo às necessidades específicas dos consumidores. 1.4 Sistema multicanal As estratégias de definição de canais de distribuição acima descritas podem ser combinadas entre si, conforme a localidade ou características dos consumidores, ou seja, as empresas podem elaborar uma estratégia que combine as opções acima, a qual denominamos multicanal. Conforme Telles (2006, p. 36), as empresas frequentemente utilizam estratégias de distribuição com canais múltiplos para atingir vários mercados onde as empresas podem vender os produtos diretamente aos consumidores e também vendem para varejistas e distribuidores que, por sua vez, podem revender a outros comerciantes locais. O segmento de automóveis é outro exemplo de sistema multicanal, visto que as montadoras vendem aos consumidores através dos varejistas e da venda direta realizada através da internet. 19 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE 1.5 Planejamento dos canais de distribuição A gestão dos canais de distribuição, por sua característica estratégica, em termos de longo prazo, envolve maior alocação de recursos e investimentos e maiores custos de mudanças em função das alterações nas condições dos mercados, e algumas variáveis críticas assumem maior importância na definição da estratégia de entregas. 1.5.1 Venda direta versus venda indireta A decisão pela utilização da venda direta ou através da venda indireta (uso de intermediários) envolve aspectos de caráter estratégico e informações de cunho operacional e técnico, e a primeira variável para avaliação é o tamanho do mercado em foco e o volume de negócios. Neste modelo, quando as dimensões do mercado podem ser classificadas como grande, elas indicam uma preferência pelo modelo de venda indireta, enquanto para a distribuição em mercados pequenos existe a predileção para a venda direta. A forma de mensuração dos mercados entre pequenos e grandes dependerá de variáveis específicas como quantidade de clientes atuais e potenciais e o valor do faturamento estimado. As características dos produtos vendidos também devem ser consideradas no tocante à definição do modelo de distribuição a ser adotado, em função do nível tecnológico, ciclo de vida, tipo de produção e nível de estoques necessários a sua movimentação logística que podem, juntos, influenciar o nível de investimento total necessário para operação do negócio. A soma de duas variáveis (disponibilidade de recursos e necessidade de controle sobre o canal) define a decisão de adoção da venda direta ou indireta. 1.5.2 Seleção de intermediários para o canal A seleção das empresas que irão desenvolver o trabalho de intermediar a distribuição decorre de uma ampla investigação cuja profundidade e detalhamento dependerá da estratégia de distribuição, da sua relevância para o negócio e da disponibilidade de recursos financeiros. Uma base para a avaliação e escolha dos intermediários deve prever: • Prospecção e identificação dos intermediários qualificados. • Seleção e avaliação comparativa dos intermediários selecionados. • Efetivação e definição dos intermediários que serão membros do canal. A avaliação dos intermediários selecionados deve ser precedida de uma análise técnica com atribuição de pesos específicos para cada qualificação ou competência avaliada. 20 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade I Vejamos a seguir alguns quesitos que devem compor o processo de avaliação de empresas para atuação como intermediários do processo de distribuição: Quadro 2 – Quesitos para seleção de membros do canal de distribuição 1 O intermediário se interessa por nossa linha de produtos de fato? 2 O intermediário está bem estabelecido de fato? 3 O intermediário possui boa reputação junto aos seus clientes? 4 O intermediário trabalha com outras linhas similares? 5 O intermediário apresenta qual situação financeira? 6 O intermediário possui instalações de que porte? Fonte: Telles (2006, p. 147). A efetivação do intermediário selecionada deve ser confirmada através da assinatura de um contrato de prestação de serviços com todas as atribuições mútuas descritas, bem como prever as reavaliações e rescisões em que a busca de construção de uma parceria de longo prazo e de interesse sejam as bases. Esse contrato deve prever a construção de ações de desenvolvimento de mercados como a cooperação promocional e suporte técnico e administrativo. 1.5.3 Avaliação de canais e intermediários A avaliação na gestão dos canais e dos intermediários deve estar focada na parte operacional das atividades que cada um deve realizar. No entanto, essa avaliação está sujeita a variações, como o nível de controle que um fabricante possui sobre os intermediários, o grau de independência na gestão dos trabalhos de rotina, a complexidade dos produtos (padrão ou específico) e a quantidade de empresas intermediárias envolvidas em toda a gestão até chegar ao consumidor ou empresa no final. Nesse sentido, quanto maior for o grau de controle sobre os intermediários, maior será a qualidade do processo de acompanhamento e de avaliação e quanto menos complexos os produtos, em geral, menores serão as exigências de conhecimento e a necessidade de controle e monitoramento por parte do fabricante. Para Telles (2006, p. 152), o processo de avaliação dos intermediários e dos canais deve ser realizado considerando‑se fatores que vão além do desempenho operacional e deve comportar aspectos de cunho estratégico, por exemplo, conhecer de forma mais aprofundada as condições estruturais operacionais dos negócios dos canais e dos intermediários com informações para análise estratégicas. 21 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE Quadro 3 – Indicadores de avaliação de canais de distribuição Dimensão Métrica variável Desempenho em vendas Vendas (unidade/ano) Faturamento (US$/ano) Participação de mercado (%) Gestão de estoque Volume médio (unidades) Giro (mensal) por dia Capacidade de vendas Nº de vendedores Fonte: Telles (2006, p. 153). O processo de avaliação dos intermediários e dos canais deve ser conduzido de forma profissional e baseado em métricas de avaliação do desempenho.Podemos destacar alguns aspectos considerados essenciais, como: • Volume e evolução das vendas (fluxos e variações). • Condições de estocagem (manutenção e gestão). • Capacidade de venda (potencial e efetiva). • Comportamento (prioridade e atendimento). • Concorrência (outros intermediários e produtores). • Crescimento futuro (cobertura, estoques, vendas). Os procedimentos regulares de avaliação do desempenho dos intermediários e dos canais devem ser formais e realizados regularmente, pelo menos anualmente, com apuração isenta, profissional e transparente, de forma a gerar ações de mudanças e elaboração de um plano de ação e melhoria do desempenho geral. Observação Avaliar o desempenho dos canais de distribuição e os intermediários é um procedimento que deve ser transparente e formal, com todas as avaliações e medições realizadas a partir de documentação comprovada e informações elaboradas a partir do registro em sistemas. Deve ser de fácil acesso a todos os envolvidos. 22 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade I 1.6 Campanhas de incentivo para os canais de distribuição A gestão dos canais de distribuição pode envolver, conforme termos específicos em contratos de prestação de serviços, a alocação de recursos para o marketing dos produtos e serviços nos canais. Entre as ações que podem ser desenvolvidas, podemos destacar: • Campanhas motivacionais e de premiação: para os canais conforme as metas de vendas alcançadas que devem ser previstas na verba de marketing dentro do orçamento total ou um percentual das vendas para essa finalidade. • Campanha de captação de revendedores: no caso de a meta de expansão da rede de revendedores constar no plano de marketing, a empresa deverá alocar recursos para essa finalidade. • Materiais de apoio: nesse grupo, devem‑se prever as despesas com a confecção de materiais promocionais de apoio aos canais, como eventos, treinamentos, brindes e folhetos. • Showroom: caso seja necessário, deve‑se estimar a necessidade de produtos para montagem de showroom nos canais de distribuição. 1.7 Aspectos legais na gestão de canais de distribuição A operação dos canais de distribuição precisa ser estruturada através de vínculos contratuais onde devem estar discriminadas em detalhes as obrigações e direitos de cada parte integrante do canal. Para Kotler (2013, p. 533), existe um conjunto de ações que devem ser claramente descritas nos contratos de prestação de serviços ou de compra e venda entre os agentes participantes dos canais de distribuição. • Direitos e contratos de exclusividade: entre os intermediários que compõem o canal de distribuição devem ser assinados acordos formais que envolvem direitos de exclusividade de venda entre o produtor e o intermediário escolhido. Nesse caso, o produtor aloca a oferta de seus produtos e serviços para os intermediários de modo a evitar que eles distribuam os produtos dos concorrentes. • Direitos e exclusividade de atuação territorial: ocorrem quando um produtor vende seus produtos com uma única empresa em determinada localidade e essa empresa se limita a vender apenas na região acordada. • Contratos com vínculo condicionado: nesse grupo, são realizados os acordos de compra e venda subordinados à aquisição de outros produtos. Isso pode ser denominado imposição, obrigação ou coerção à compra de linha completa e pode ser considerado ilegal. • Direitos de fornecimento dos revendedores: nesse grupo, ocorre a condição em que se dá a liberdade aos produtores de selecionar os intermediários para compor os canais de distribuição. Nesse caso, os intermediários escolhidos se comprometem a não descontinuar o fornecimento aos mercados sem uma razão justa e comprovável. 23 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE Após as qualificações iniciais sobre a estrutura básica dos canais de distribuição e marketing e a integração entre o marketing e a área de logística, vamos detalhar de forma técnica a gestão dos intermediários envolvidos nos processos de distribuição e na gestão de estoques. Saiba mais Para você ter uma ideia melhor da origem militar da logística, recomendamos o filme inspirado em uma história real da Segunda Guerra Mundial que demonstra como as ações de movimentação de tropas se desenvolveram ao longo da história. Não deixe de assistir: O RESGATE do soldado Ryan. Dir. Steven Spielberg. Estados Unidos: Paramount Pictures, 1998. 169 minutos. 2 CADEIAS DE ABASTECIMENTO O homem vem evoluindo ao longo dos tempos, assim como o processo produtivo que o tem acompanhado. Basta observar como era feito o comércio nos períodos mais longínquos de nossa história. Destaca‑se o período em que mercadorias eram trocadas por outras mercadorias, o chamado escambo. Nesse tipo de sociedade, o produtor de um determinado produto procurava o bem que desejava e oferecia a sua mercadoria em troca. O esquema a seguir apresenta esse sistema simples de troca. Agricultor 1 Agricultor 2 Arroz Maçã Figura 5 – Esquema de trocas simples: escambo Nesse sistema de trocas simples era necessário apenas que um produtor encontrasse o outro, ou seja, que houvesse a dupla coincidência de desejos. No entanto, nem sempre se conseguia esse tipo de troca, pois o produtor de arroz deseja trocá‑lo por maçãs, mas o contrário não é verdadeiro, já que o agricultor que produz maçãs deseja trocá‑las por abóboras. Como resolver tal situação? A resposta é: por meio da inserção da moeda. A figura seguinte apresenta o esquema com três produtos com objetivos diferentes. 24 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade I Agricultor 1 Necessita vender arroz e comprar maçã Agricultor 2 Necessita vender maçã e comprar abóbora Agricultor 3 Necessita vender abóbora e comprar arroz Maçã AbóboraArroz FM FM Fluxo monetário (FM) Figura 6 – Esquema de trocas com inserção da moeda É possível observar que em um sistema de trocas simples, os aspectos logísticos são deixados de lado. Nesse tipo de sociedade, sem complexidade, os produtores realizavam as trocas entre eles. Lembrete É importante destacar que o escambo, ou seja, troca de bens por bens, existiu até a complexidade das trocas aumentar, após isso o sistema de trocas com algum ativo, fazendo papel de moeda, deu início ao que chamamos de capitalismo. Em um sistema de trocas complexas, há uma mudança na importância da logística. É possível observar que existe a necessidade de organização para buscar os produtos que se quer vender e o que se deseja comercializar. Mas nos enganamos se dissermos que todos os produtores se utilizaram de aspectos logísticos ao mesmo tempo. O termo logística foi utilizando durante muito tempo para referir‑se às questões bélicas, ou seja, toda a estratégia militar. Porém, a evolução das necessidades humanas e das relações comerciais alteraram sua definição: Logística [...] inclui os processos de planejar, implementar e controlar de maneira eficiente e eficaz o fluxo e a armazenagem de produtos, bem como os serviços e informações associados, cobrindo desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o objetivo de atender aos requisitos do consumidor (GONÇALVES; MARINS, 2006, p. 398). 25 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE Com tal definição é possível identificar, conforme destaca Novaes (2015), que a logística agrega diversos valores, tanto à produção quanto ao consumidor. São eles: valor de lugar, de tempo, de qualidade e de informação. O conceito de valor de lugar está atrelado à mercadoria desde seu local de partida até o seu destino, ou seja, do fabricante ao consumidor final. O valor tempo determina a velocidade na qual o produto é entregue, sendo necessário contabilizá‑lo, pois muitos produtos podem perder o seuvalor se não são disponibilizados em prazos determinados. A entrega de determinada mercadoria no prazo correto precisa, também, de um controle rígido. Saber se todas as especificações do produto foram devidamente respeitadas agrega ao bem o valor qualidade. Dar condições ao cliente de monitorar em qual estágio de entrega encontra‑se sua mercadoria é outro ponto fundamental para as organizações. Neste caso, são utilizados sistemas de informação eficazes e precisos, tendo, desta forma, o valor informação. Ao observar que a logística agrega valores aos produtos, é possível desenhar um esquema simples para descrever os arranjos existentes em tal processo. Fornecedor Fábrica Cliente Transporte Transporte Figura 7 – Fluxo logístico convencional Atualmente, a ação apenas de transportar mercadorias de um fornecedor para o fabricante e posteriormente para o cliente não resume os trabalhos logísticos. Assim, esse processo não se resume a levar os produtos até o local de destino, pois muitos outros fatores estão envolvidos. Logo, a gestão da cadeia de abastecimento surge no intuito de melhorar esses processos: Ela pode ser definida como: [...] todas as partes envolvidas, direta ou indiretamente, na realização do pedido de um cliente. Ela inclui não apenas o fabricante e os fornecedores, mas também transportadoras, armazéns, varejistas e até mesmo os próprios clientes. [...] inclui todas as funções envolvidas na recepção e na realização de uma solicitação do cliente. Essas funções incluem – mas não estão limitadas a – desenvolvimento de produto, marketing, operações, distribuição, finanças e serviço ao cliente (CHOPRA; MEINDL, 2011, p. 3). Assim, é possível compreender que a cadeia de abastecimento não está restrita a produção e distribuição, mas vai muito além dessas definições. Pode‑se dizer que ela integra todas as áreas existentes dentro de uma organização. 26 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade I A figura a seguir busca compreender de que forma a chamada cadeia de abastecimento atua. A cadeia de suprimentos (abastecimento) Fluxos da cadeia de suprimentos (abastecimento)O ambiente global Coordenação intercorporações (intercâmbio funcional, fornecedores terceirizados, gestão de relacionamentos, estruturas de cadeia de suprimentos) Coordenação interfuncional (confiança, compromisso, risco, dependência, comportamentos) Marketing Vendas Pesquisa e desenvolvimento Previsão Produção Compras Logística Sistemas de informação Finanças Serviços ao cliente Fornecedor do fornecedor Fornecedor Firma focal Cliente do cliente Cliente Satisfação do cliente / valor / lucratividade / vantagem competitiva Figura 8 – Modelo de gerenciamento da cadeira de abastecimento A figura a seguir apresenta como é possível compreender a chamada cadeia de abastecimento: Empresa 6 Empresa 9 Empresa 5 Empresa 7 Empresa 8 Empresa 10 Consumidor final Empresa 1 Empresa 2 Empresa 3 Empresa 4 Figura 9 – Cadeia de abastecimento Para melhor entender a cadeia de abastecimento, podemos utilizar como exemplo a indústria aeroviária nacional, seguindo o esquema a seguir: Fornecedor de combustível (atacado) Companhia aérea Cliente (passageiro) Fornecedor de alimentação (atacado) Distribuidor de combustível (varejo) Distribuidor de alimentos (varejo) Figura 10 – Cadeia de abastecimento A cadeia de abastecimento é ponto nerval de uma organização, pois atua diretamente no desempenho das empresas, na busca de melhorar suas relações com os clientes, impactando nos custos e processos produtivos das companhias. 27 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE A definição de Pires (2005, p. 47) nos auxilia a compreender a relação existente em uma cadeia de abastecimento: “[...] [não é apenas] fluxo de produtos e informações no sentido fornecedor‑cliente, já que existe também um importante fluxo de informação, de reclamações e de produtos, entre outros, no sentido cliente‑fornecedor”. É necessário observar duas leis que regem a cadeia de abastecimento como um todo, a saber: • Efeito chicote de boi: determina que as empresas que estão no topo da cadeia estão mais sujeitas às volatilidades de demanda e de estoque. Isso significa que para os fornecedores do topo da cadeia, as pequenas ocorrências na economia, podem refletir como efeitos mais pronunciados. Uma lição extraída desta constatação é a de que nenhuma empresa encontra‑se isolada, e sim, dependente uma das outras, em rede de suprimento e distribuição (CASTILHO JÚNIOR, 2002, p. 85). • Ampliação da velocidade evolutiva: quanto mais baixa for a posição na cadeia de uma empresa, mais rápido será o ciclo de evolução do negócio. Tomemos como exemplo, o ritmo de mudanças implementadas em uma indústria de fiação. Em seguida, uma indústria têxtil que produzirá tecidos com estes fios. Então, confecções que com os tecidos produzirão peças de vestuário. Finalmente, imagine a velocidade dos ciclos de negócios nas lojas que escolherão roupas de várias confecções, obedecerão às tendências da moda, que se modificam rápida e constantemente (CASTILHO JÚNIOR, 2002, p. 86). Saiba mais Para compreender melhor o chamado efeito chicote de boi e a ampliação da velocidade evolutiva, leia o artigo: COELHO, L. C.; FOLLMANN, N.; RODRIGUEZ, C. M. T. O impacto do compartilhamento de informações na redução do efeito chicote na cadeia de abastecimento. Gestão & Produção, São Carlos, v. 16, n. 4, p. 571‑583, out./dez. 2009. Disponível em: . Acesso em: 7 maio 2018. Além das leis existentes para a cadeia de abastecimento, três outros aspectos devem ser observados, são eles: (i) os membros desta cadeia; (ii) as dimensões estruturais existentes nela; e (iii) os elos nos processos do negócio (LAMBERT; COOPER, 2000). Destacando cada um deles: 28 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade I • Membros da cadeia: são todas as empresas que contribuem de forma direta ou indireta com a cadeia. Podem ser divididas em membros primários (produzem para determinado cliente gerando valor) e membros de apoio (fornecem recursos e outros insumos, tangíveis e intangíveis). • Dimensões estruturais: dois tipos de estruturas são observadas. — Horizontais: a posição horizontal da companhia determina a sua importância nos processos dos negócios. — Verticais: ligada ao número de empresas nas camadas, busca compreender a complexidade existente de cada companhia nas respectivas camadas. • Elos nos processos do negócio: forma como as atividades da cadeia estão organizadas para atender clientes ou mercados específicos. Assim, a cadeia de abastecimento deve ser observada em uma companhia, pois sem o devido planejamento, essa organização pode ser prejudicada. Vamos, a partir de agora, pensar na questão planejamento. 2.1 Planejamento de suprimentos e distribuição A definição de planejamento pode ser descrita da seguinte forma: [...] é um processo contínuo e dinâmico que consiste em um conjunto de ações intencionais, integradas, coordenadas e orientadas para tornar realidade um objetivo futuro, de forma a possibilitar a tomada de decisões antecipadamente. Essas ações devem ser identificadas de modo a permitir que elas sejam executadas de forma adequada e considerando aspectos como o prazo, custos, qualidade, segurança, desempenho e outras condicionantes. Um planejamento bem realizado oferece inúmeras vantagens à equipe de projetos (SAMPAIO, 2008). Logo, uma organização que não realiza planejamento de suas atividades, nas mais diversas esferas do organograma, terá problemas para remendar os problemas que vierem a surgir. Pode‑sedividir o planejamento em três níveis de decisões, a saber: • Estratégicas: são consideradas decisões de longo prazo. • Táticas: são as decisões que estão ligadas a períodos menores que um ano. • Operacionais: envolvem decisões semanais ou diárias. Com o planejamento é possível identificar quais são os gargalos existentes e, se necessário, propor soluções e alterações para todos os componentes da empresa. 29 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE O planejamento estratégico em canais de distribuição deve considerar todos os elos da cadeia logística adotada em que exista liberdade das ações regionais em relação ao planejamento global, sem perda de oportunidades de negócios, porém alinhadas com a estratégia global. Entre os principais aspectos que devem ser considerados na elaboração do planejamento estratégico de canais de distribuição podemos destacar: • Objetivo do planejamento estratégico. • Visão e missão empresarial. • Cenários de negócios em longo prazo. • Dados históricos de vendas e operações. • Visão geral do mercado e da concorrência. • Desafios atuais e futuros. • Resultados previstos. • Plano de ação tático. • Orçamento previsto. Lembrete O planejamento operacional deve conter todas as atividades relacionadas à gestão dos canais de distribuição e envolver todos os intermediários que participam dos processos, como: vendas, marketing, produção, supply chain, compras, expedição, armazenagem e os centros de distribuição de forma que todas as ações operacionais fiquem integradas em um plano único. 2.1.1 Planejamento de suprimentos O planejamento de suprimentos deve levar em consideração, de antemão, as questões acerca da demanda. Lembrete A demanda é definida pela quantidade que os consumidores desejam adquirir de determinada mercadoria e não a efetivação da compra em si. 30 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade I A previsão da demanda é importante para qualquer gestor iniciar o seu planejamento de suprimentos. Mesmo com a previsão, problemas podem ocorrer, mas com uma boa previsão, eles poderão ser minimizados. Conforme destacado por Chopra e Meindl (2011) e por Novaes (2015), ao se realizar a projeção da demanda é necessário levar em consideração alguns pontos: Projeções Determinar o valor esperado e possíveis erros. Projeções de longo prazo estão sujeitas a erros Dados agregados apresentam resultados mais precisos. Figura 11 – Projeção de demanda e seus pontos importantes Cada um desses elementos deve ser analisado com cuidado: • Determinar o valor esperado e os possíveis erros: levantar o valor médio estimado da demanda e prever possíveis erros (desvio‑padrão) que possam acontecer. • Projeções de longo prazo estão sujeitas a erros: devido às influências do ambiente externo, o longo prazo é menos preciso que o curto prazo. As situações econômicas, as condições climáticas entre outros elementos, podem prejudicar a projeção da demanda em um prazo mais extenso. Destaca‑se aqui a frase do economista John Maynard Keynes: “A longo prazo todos estaremos mortos” (KEYNES, 1923, p. 65). • Quanto maior for a agregação dos dados, maior será a exatidão da previsão de demanda. Observação Desvio padrão pode ser definido como o grau de variação de um conjunto de elementos e serve para dizer o quanto os valores dos quais se extraiu a média são próximos ou distantes da própria média (WOLFFENBÜTTEL, 2006). Para que uma empresa realize a sua previsão de demanda de forma correta ela deve utilizar fatores quantitativos e fatores subjetivos, conjuntamente. Pode‑se entender que, observando o estoque de determinado produto ele esteja em baixa, porém, sabe‑se que uma onda de calor se aproxima, logo, não é necessário esse ou aquele produto, mas ampliar a quantidade de mercadorias que serão consumidas devido ao aumento da temperatura. Assim, não só fatores quantitativos devem ser levados em consideração, mas, também, os que dependem da análise do gestor. 31 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ESTOQUE É possível incluir, como fatores para a tomada de decisão em relação à demanda, os seguintes elementos (CHOPRA; MEINDL, 2011): • Observações passadas. • Velocidade na reposição de mercadorias. • Marketing. • Economia. • Políticas de desconto. • Concorrentes. Esses elementos serão auxiliares no processo de ressuprimento da demanda de uma mercadoria. É importante destacar, ainda, que os níveis de demanda são outro ponto crucial para as organizações, ainda pensando em uma cadeia de abastecimento. Esses níveis estão compreendidos em (BALLOU, 2006): • Demanda espacial e demanda temporal: a demanda possui tempo e espaço. O gestor da área deve estar preparado para compreender como a procura por determinada mercadoria ocorre em diferentes regiões e em diferentes períodos. • Demanda irregular e demanda regular: a demanda regular está pautada em produtos que possuem certa linearidade em seu padrão. Já a demanda irregular é definida por bens que possuem baixa rotação, por existirem, normalmente, poucos clientes que os consomem. • Demanda dependente e demanda independente: a demanda independente está diretamente relacionada a um número grande de compradores que adquirem mercadorias em um montante menor, pois todas elas buscam adquirir produtos, não estando atrelada à produção específica. A demanda dependente sugere programas definidos de produção, determinando que a compra de uma mercadoria poderá ser utilizada em um bem específico. Conforme apresenta Novaes (2015), existem seis requisitos básicos para realizar uma previsão de demanda satisfatória, a saber: • Horizonte: é necessário que os gestores da organização definam quais são os objetivos estratégico, tático e operacional, deixando claro qual linha seguir em cada um deles, para que não se façam projeções incorretas com prazos errôneos. • Detalhe dos dados: como as informações para a tomada de decisões estão sendo entregues aos gestores. É possível mensurar o tamanho da demanda de forma incorreta caso os dados estejam super ou subestimados. 32 Re vi sã o: M ar ci lia - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 27 /0 6/ 20 18 Unidade I • Amostra: o gestor deve ter em mãos todas as referências da amostra na qual irá basear as suas projeções. É importante saber que nem sempre um excesso de dados irá auxiliar na tomada de decisões, da mesma forma que a ausência de elementos amostrais pode prejudicar o momento de definir a demanda. • Controle das previsões: para possibilitar a correção de erros, haja vista que as previsões estão em ambientes de médio e longo prazo, é necessário avaliar e corrigir eventuais problemas constantemente. • Grau de estabilidade: a análise de cada produto que irá ser adquirido pelo gestor deve possuir os fatores diretamente ligados a ele. No caso de alimentos, a demanda tende a ser estável, podendo alterar para os chamados bens substitutos. Em relação aos chamados bens de luxo, a demanda por eles é extremamente instável, pois dependerá de uma série de fatores conjunturais. • Organização: as empresas devem manter arquivos de suas séries históricas de demanda, possibilitando a escolha de um método de previsão específico e não promover alterações, sem justificativas, em suas escolhas. Saiba mais Os bens, segundo os economistas, podem ser divididos em bens tangíveis e intangíveis, intermediários e finais, de capital e de consumo, duráveis e não duráveis. Para compreender melhor cada um deles, leia: MONTELLA, M. Economia passo a passo. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2004. Após definir os requisitos, chega o momento de conhecer os métodos existentes para a previsão da demanda. A definição do método para a realização de tal previsão não é algo simples. Além de analisar os requisitos descritos anteriormente,