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Universidade Estadual da Paraíba - UEPB Centro de Ciências e Tecnologia - CCT Departamento de Química ANÁLISE GRAVIMÉTRICA Química Analítica Análise Gravimétrica O analito (elemento ou composto) é separado de uma quantidade conhecida da amostra. Método analítico quantitativo cujo processo envolve a separação e pesagem (massa) de um elemento ou um composto do elemento na forma mais pura possível. Analisam-se amostras e determinam-se espécies químicas (ANALITOS) A análise gravimétrica compreende basicamente 3 etapas: Conversão do analito numa substância insolúvel Separação do precipitado Pesagem do precipitado Análise Gravimétrica Baseada na medida indireta da massa de um ou mais constituintes de uma amostra. A separação do constituinte (analito) pode ser efetuada por meios diversos: Precipitação Química Volatilização ou ExtraçãoEletrodeposição Vantagens da Análise Gravimétrica 1 – É exata e precisa quando se usam as balanças analíticas modernas; 2 – É possível controlar as possíveis fontes de erro; -Os filtrados podem ser ensaiados para verificar se a precipitação foi completa. -Os precipitados podem ser examinados em busca de presença de impurezas. 3 -Tem a grande vantagem de ser um método absoluto; Envolve a medição direta sem a necessidade de nenhuma forma de calibração e padrões. Desvantagem da Análise Gravimétrica APLICAÇÃO GERAL ✓ Em análises que exigem elevada exatidão. Procedimentos laboratoriais demorados, o que limita esta aplicação a um pequeno número de determinações; Não ser aplicável a análise de traços; Erros no processo de precipitação; Perdas de precipitados nas etapas de transferência, filtração, lavagem e secagem. Etapas da Análise Gravimétrica (Precipitação) (Filtração) Aquecimento Secagem/Calcinação Pesagem Decantação Sedimentação Digestão Lavagem Esfriamento do Precipitado Preparação das soluções Pesagem da amostra Interpretação dos resultados Solução-mãe Etapas da Análise Gravimétrica 1. Pesagem da amostra 2. Preparação das soluções (dos reagentes e da amostra) 3. Precipitação 4. Digestão (Sedimentação ou decantação) 5. Filtração (cadinho filtrante ou papel de filtro) 6. Lavagem do precipitado 7. Aquecimento (estufa ou mufla) 8. Esfriamento do precipitado 9. Pesagem do precipitado 10.Cálculos 11.Interpretação dos resultados Requisitos para que uma reação de precipitação possa ser utilizada num processo de gravimetria ✓ Reagente precipitante seletivo. ✓ Precipitado gravimétrico que seja pouco solúvel. ✓ Precipitado facilmente separável da fase líquida. ✓ O precipitado deve ser ele próprio uma forma de pesagem adequada ou, então, de fácil conversão em um composto de composição definida. Requisitos necessários para a Forma de Pesagem ✓ Composição perfeitamente definida. ✓ Não ser higroscópica. ✓ Conversão do precipitado em forma de pesagem seja feita sem controle da temperatura. ✓ Pequena quantidade do constituinte a determinar origine uma quantidade relativamente grande da forma de pesagem. Forma de Precipitação e Forma de Pesagem (F.P) Determinação de Cálcio em águas naturais Elemento Precipitante Forma do Precipitado Forma de Pesagem Temperatura de Aquecimento (°C) Ag HCl, HNO3 AgCl AgCl 400 Al NH3, NH4Cl Al(OH)3 Al2O3 1.200 Ba (NH4)2Cr2O7 BaCrO4 BaCrO4 110 Be NH3, NH4Cl Be(OH)2 BeO 1.200 Ca (NH4)2C2O4, NH3 CaC2O4.H2O CaO 950 Cd H2S, H2SO4 CdS CdS 110 Cl AgNO3, HNO3 AgCl AgCl 150 Mg (NH4)HPO4, NH3 NH4MgPO4.6H2O Mg2P2O7 1.050 Ni Dimetilglioxima; NH3 Ni(C4H7O2N2)2 Ni(C4H7O2N2)2 150 P MgSO4, (NH4)2SO4, NH3 NH4MgPO4.6H2O Mg2P2O7 1.100 Pb MgSO4, HNO3 PbSO4 PbSO4 600 Si HCl SiO2.xH2O SiO2 1.100 Sn H2S, H2SO4 SnS SnO2 1.100 W H2SO4 WO3. xH2O WO3 750 dimetilglioxima (Precipitante de Ni e Pd)Precipitantes orgânicos Forma de Precipitação e Forma de Pesagem Agentes precipitantes orgânicos dimetilglioxima (Precipitante de Ni e Pd)Precipitantes orgânicos Tipos de Precipitados Quanto a filtrabilidade: 1. Graudamente Cristalinos: As partículas do ppt são cristais individuais bem desenvolvidos. São os mais favoráveis para fins de análise gravimétrica. São densas e sedimentam rapidamente, esses tipos de precipitados se distinguem, principalmente, quanto ao tamanho das partículas, o que é uma característica muito importante, pois dela depende, a facilidade de filtração. Exs: NH4MgPO4.6H2O, KClO4 e K2PtCl6. KClO4, AgCl 2. Pulverulentos ou finamente cristalinos: Consistem em agregados de diminutos cristais individuais. São densos e sedimentam rapidamente. Às vezes, oferecem dificuldades a filtração, pois a presença de pequenos cristais obriga o uso de filtros de textura densa e lentos. Exs: BaSO4 e CaC2O4 Tipos de Precipitados Quanto a filtrabilidade: 3. Grumosos: Resultam da floculação de colóides hidrófobos. São bastante densos, pois eles arrastam pouca água. A floculação pode ser efetuada por adição de eletrólitos, aquecimento e agitação. Os agregados de partículas coloidais são facilmente retidos pelos meios filtrantes usuais. Exs: haletos de prata, AgClO. 4. Gelatinosos: Resultam da floculação de colóides hidrófilos. São volumosos, têm a consistência de flocos e arrastam quantidades consideráveis de água. Oferecem dificuldades à filtração e à lavagem. Exs: Fe(OH)3, Al(OH)3, sílica hidratada, etc. Tipos de Precipitados ANÁLISE GRAVIMÉTRICA Parte 2 Tipos de Precipitados • Precipitados graudamente cristalinos – KClO4, AgCl • Precipitados pulverulentos ou finamente cristalinos - BaSO4 e CaC2O4 • Precipitados grumosos ou floculosos - AgClO • Precipitados gelatinosos - Al(OH)3 Pelo tamanho de partícula ✓ Coloidais: Ø entre 10-7 a 10-4 cm/ invisíveis; não decantam facilmente e não são facilmente filtráveis. ↑SR ✓ Cristalinos: Ø > 10-2 cm/decantam espontaneamente, fácil filtrar. ↓SR Sr = 𝑄−𝑆 𝑆 Supersaturação relativa Concentração instantânea do soluto (Q) e a solubilidade do precipitado (S) no estado de equilíbrio. Efeito do Íon comum - Solubilidade do ppt pH - maior a seletividade da reação Temperatura Solventes orgânicos Tempo Fatores que podem influir na solubilidade dos precipitados O efeito da temperatura ✓ O aumento da temperatura gera dois efeitos, um indesejável e outro desejável : Por um lado aumenta a solubilidade dos precipitados; Por outro lado diminui a viscosidade da solução, o que assegura uma filtração mais rápida. O efeito da presença de solventes orgânicos ✓ A presença de solventes orgânicos miscíveis diminui, em alguns casos enormemente, a solubilidade do precipitado. Efeito colateral: existe a possibilidade de precipitação de outros eletrólito. O efeito do tempo De maneira geral, quanto maior o tempo, mais completa é a precipitação. Fatores que podem influir na solubilidade dos precipitados Formação de Precipitados A precipitação pode compreender dois processos distintos: A nucleação – formação de núcleos primários Crescimento dos cristais Formação do precipitado Nucleação é um processo que envolve um número mínimo de átomos, íons ou moléculas que se juntam para formar um sólido estável. Formação de Precipitados Quanto ao “Crescimento dos cristais” Quando o reagente adicionado gerar uma supersaturação relativa elevada ↑SR, a velocidade de formação de novos núcleos excederá bastante a velocidade de crescimento das partículas, como resultado tem-se um precipitado finamente cristalino ou coloidal. Supersaturação relativa for mantida baixa ↓SR, a velocidade de crescimento, com a deposição de material sobre as partículas já existentes pode prevalecer sobre a taxa de nucleação, gerando um precipitado graudamente cristalino. Sr = 𝑄−𝑆 𝑆 Supersaturação Relativa – SR (Q - S) Q concentração instantânea do soluto (concentração dos íons em solução no instante anterior ao da precipitação) S solubilidade do precipitado no estadode equilíbrio. Supersaturação relativa do sistema é dada por (Q – S)/S, Formação de Precipitados Para obter bons resultados, e um precipitado “puro” que possa ser recuperado com alta eficiência Ter baixa solubilidade Ser fácil de recuperar por filtração Não ser reativo com o ar, a água... O analito não seja apenas uma pequena porção do precipitado. Características de um precipitado Mecanismo da Precipitação ✓ As características físicas de um precipitado são parcialmente determinadas pelas condições que prevalecem no momento de sua formação. Sr = 𝑄−𝑆 𝑆 Concentração dos reagentes Temperatura Velocidade de adição dos reagentes Solubilidade do precipitado no meio em que se origina Supersaturação (Q - S) Q concentração instantânea do soluto (concentração dos íons em solução no instante anterior ao da precipitação) S solubilidade do precipitado no estado de equilíbrio. Supersaturação relativa Supersaturação relativa do sistema é dada por (Q – S)/S, ✓ A influência desses fatores é melhor compreendida ao se considerar a supersaturação relativa do sistema. Al(OH)3 Precipitação Coloidal - ↑ SR (grande) Precipitação: partículas são coaguladas (aglomeradas) Coagulação pode ocorrer: ✓ Por aquecimento e/ou ✓ Por agitação e/ou ✓ Por adição de eletrólito. Perdas na precipitação coloidal peptização → inverso da precipitação É o processo pelo qual o colóide coagulado retorna ao estado disperso original. Peptização - ocorre durante a lavagem do precipitado: Parte do eletrólito constituinte da partícula coloidal (colóide) é lixiviado com o solvente de lavagem. Em condições de supersaturação elevada, o número de núcleos gerados homogeneamente, aumenta muito com o grau de supersaturação relativa. Mecanismo da Precipitação Precipitação Cristalina Cristais - ↓ SR Favorecem a formação de cristais (↓SR → ↑S e/ou ↓Q): ✓ Temperaturas elevadas (↑ S); ✓ Soluções diluídas; adição do precipitante lenta e sob agitação eficiente (↓ Q); ✓ Controle de pH se a formação depender do pH. Mecanismo da Precipitação Envelhecimento dos Precipitados 1. Amadurecimento de Ostwald: Envelhecimento do Precipitado ✓ Um precipitado, recentemente formado, pode sofrer vários tipos de modificações, quando deixado em contato com a solução-mãe, durante um tempo considerável. ✓ O envelhecimento é o conjunto de modificações estruturais irreversíveis que os precipitados podem sofrer por efeito da digestão. Trata-se do processo de Digestão do Precipitado. Contaminação dos precipitados ✓ É o arrastamento de substâncias estranhas pelo precipitado. ✓ As partículas do precipitado, depois de filtrado, normalmente retém, mecanicamente, um pouco da solução-mãe, ✓ Com substâncias estranhas dissolvidas, porém esse tipo de contaminação é facilmente removido com a lavagem do precipitado. I) Coprecipitação: ✓ Contaminação do precipitado por arrastamento de substâncias, normalmente solúveis, durante a separação da fase sólida. ✓ A extensão com que os diferentes tipos de coprecipitação, afetam a pureza de um precipitado depende: Da natureza da fase sólida, da composição da solução e das condições de formação do precipitado. Contaminação dos precipitados Tipos de coprecipitação: ✓ Por adsorção superficial – O contaminante é um composto formado por íons, adsorvidos na superfície do sólido com íons de carga oposta presentes na solução. (AgNO3 coprecipitado em AgCl) ✓ Por inclusão isomórfica – O íon arrastado possui características tais que lhe permitem alojar-se na rede cristalina do precipitado, sem causar tensões e distorções apreciáveis, e formar um cristal misto. (PbSO4 em BaSO4 de BaCl2+PbSO4) ✓ Por inclusão não isomórfica – O contaminante e o precipitado não são tão semelhantes, mas ainda o bastante para serem um pouco solúveis um no outro. (Aprisionamento no crescimento do cristal) ✓ Por oclusão – O contaminante é aprisionado e forma imperfeições no interior dos cristais do precipitado. (Aprisionamento em cristais crescendo juntos) Cristal impuro e imperfeito A pós-precipitação ocorre durante a digestão, no processo de envelhecimento do precipitado. Contaminação dos precipitados II) Pós-precipitação: ✓ É uma forma particular de contaminação, em que a o contaminante se deposita sobre o precipitado formado como fase pura. ✓ Em contraste com a coprecipitação, a pós-precipitação aumenta com o tempo de digestão. É uma forma particular de contaminação em que completada a separação do precipitado como fase mais ou menos pura, forma-se gradualmente uma segunda fase, também pouco solúvel. Métodos para diminuir a contaminação dos precipitados As fases sólidas obtidas por precipitação, segundo as técnicas usuais da análise gravimétrica, estão sujeitas a diferentes formas de contaminação, as quais podem ser evitadas ou diminuídas por: • Uso de precipitante seletivo. O que é quase impossível, uma vez que, temos substâncias que em solução precipita mais de um elemento. • Precipitação em condições de baixa supersaturação - favorece a formação de cristais grandes e bem desenvolvidos e, ao mesmo tempo, reduz a um mínimo a adsorção superficial e a oclusão. • Precipitação com a técnica da precipitação em meio homogêneo, com solução diluída quente, com boa agitação e lenta adição dos reagentes. • A digestão por um tempo mais ou menos prolongado pode ser utilizada em certos casos para obtenção de fases sólidas mais puras. • A lavagem do precipitado remove as impurezas contidas na solução-mãe, mecanicamente retidas pelas partículas, bem como as impurezas superficialmente adsorvidas. • Um meio importante para a purificação dos precipitados é a reprecipitação. Ela é particularmente útil quando ocorre uma forte contaminação da fase sólida separada. A técnica consiste em dissolver a fase sólida e repetir a precipitação. Métodos para diminuir a contaminação dos precipitados ✓ Lavagem ✓ Obtenção do precipitado em condições de baixa saturação (favorece a formação de cristais grandes) ✓ Em certos casos, digestão do precipitado. Reprecipitação ✓ Um importante meio de purificação dos precipitados. ✓ Consiste em dissolver o precipitado e repetir a precipitação. ✓ A reprecipitação é eficaz face a qualquer tipo de contaminação. Cálculos Fundamentais Os cálculos são relativamente simples onde se deseja encontrar a massa do analito e o seu percentual na amostra analisada. São cálculos estequiométricos onde as Leis de Lavoisier e Proust se fazem presentes. 1) Cálculo do fator gravimétrico (F) ( ) ( ) / . . / Massa molar doanalito g mol F Massa molar da F P g mol = 2) Cálculo da massa do analito: 3) Cálculo da percentagem do analito: % % 100 ( ) ( ) x x x Percentagem do analito na amotra analisada m x m massa do analito g Q Q massa da amostra analisada g = = = = *Forma de Pesagem: (F.P) substância ou composto de composição química definida, que contém o analito ou equivalente a ele. É través da forma de pesagem que são realizados os cálculos para a determinação da concentração do analito. Cálculos Gravimétricos Onde: A = Peso do Cadinho com o resíduo; B = Peso do Cadinho Vazio; P.A = Peso da Amostra; F = 0.5885 = Fator de Conversão (Gravimétrico) de BaSO4 para Ba. O cálculo normalmente é a diferença da pesagem do cadinho com o precipitado calcinado, resíduo, e o cadinho vazio x 100 e dividido pelo peso da amostra inicial, obtendo a porcentagem em óxido. Caso queira o resultado em metal basta multiplicar a porcentagem obtida pelo fator de conversão (óxido/metal) do elemento em análise em questão. ( ) ( ) / . . / Massa molar doanalito g mol F Massa molar da F P g mol = 34 BACCAN N., ANDRADE, J. C. DE, GODINHO, O. E. S., BARONE, J. S. Química Analítica Quantitativa Elementar. 3ª Edição, Edgard Blucher Editora. 2003. SKOOG, WEST, HOLLER, CROUCH, Fundamentos de Química Analítica. Traduçãoda 8ª. Edição americana. 1ª Edição, Thomson Pioneira Editora. 2005. HARRIS, D. C. Análise Química Quantitativa. 7ª Edição, LTC Editora, 2008. MENDHAM, J, DENNEY, R C, BARNES, J D, THOMAS, M J K. Vogel – Análise Química Quantitativa. 6ª Edição, LTC Editora, 2003. OHLWEILER, O. A. Química Analítica Quantitativa. Vol. II. 2ª Edição, LTC Editora, Rio de Janeiro, 1976. ALEXÉEV, V. Análise Quantitativa. 1ª Edição. Editora Lopes da Silva, 1983. 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