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1 PRÉ-HISTÓRIA Por volta de 40 mil anos atrás começava a história da humanidade: estava nascendo a arte. Cavernas do sudoeste da França e Norte da Espanha. Os homens se organizaram naturalmente: caçadores e mulheres. Foi a partir de observação, instigação, curiosidade que o homem primitivo deixou para nós suas marcas. Arte Xamanista. No Paleolítico superior encontramos as primeiras manifestações artísticas. Peleolítico (do grego) paleo = velho; lithos = pedra. Estamos na era glacial, o homem entra na caverna para se proteger do frio. Ele observa que ao encostar-se nas paredes das cavernas, que elas são úmidas e um pouco mole na camada superior. Espontaneamente ele escorre os dedos sobre esta superfície e deixa ali sua marca. Percebendo este feito ele o faz repetidas vezes em diferentes direções, vertical, horizontal, diagonal em forma de circulo, deixando assim impressões com figuras geométricas. Estes gestos são conhecidos pela história da arte como “macarrones”. Neste período o homem é nômade. O homem primitivo não para por aí, descobre que ao colocar sua mão sobre uma superfície e soprando pó de carvão, ou o pó do sangue ressecado, que ele havia raspado, sobre ela, ele consegue deixar a marca de sua mão naquela superfície, criando assim o efeito de positivo negativo que conhecemos hoje Entrando um pouco mais para o fundo das cavernas, lugares de difícil acesso, este mesmo homem elaborou pinturas de animais, que são chamadas de pinturas rupestres. Estes animais eram representados de várias maneiras: sendo flechados, agonizando, correndo, ou seja, sempre de forma naturalista. A pintura primitiva “Franco Cantábrica”: Acredita-se que o sentido dado a estas representações era o de magia. O homem pré-histórico acreditava que ao pintar o animal dominado antes de ir caçar, ela teria mais sucesso na caça. Quem fazia o “ritual” da caça era o Xamã. Por isso esta arte é conhecida como arte “xamanista”. Alguns estudiosos acreditam que estes “bruxos” na tinham um físico muito desenvolvido, eles usavam muito os seus poderes mentais. Suas tintas eram obtidas a partir de material de origem mineral, vegetal, carvão de ossos (preto), sangue seco, fezes de aves (branco), que eram misturados à gordura de animais. 2 Cores usadas: vermelhos escuros até os tons de marrom passando pelo ocre. O pincel era um bastão vegetal esmagado em uma extremidade, e mais tarde, o pincel propriamente dito, com pelo de animais em uma das extremidades. Normalmente estas pinturas aparecem em tamanho natural, e as vezes até maior chegando a ter de 4m a 5m. A arte Franco Cantábrica foi dividida em 3 períodos: Aurinhacense: atividades – caça e pesca, fabricação de armas e instrumentos de osso e sílex.(Lascaux) Solutrense: manifestações artísticas – ritos mágicos (Altamira) Madaleniense: manifestações artísticas – esculturas, baixos-relevos, desenhos e pinturas rupestres. (Altamira) Altamira caverna localizada na Espanha, foi a primeira gruta a ser descoberta, e foi uma criança que a descobriu em 1879. A gruta é baixa e seu teto está recoberto por centenas de figuras e “mãos em negativo”. Altamira é também chamada a “Capela Sistina da Pré-História”, pois pelo grande número de pinturas que a recobre, lembra, desta forma, a famosa capela do Vaticano. As pinturas da Caverna de Lascaux, França, também foram crianças os primeiros a entrar em 1940. Nela encontramos henas, touros, bisontes e mamutes. A “Sala dos Touros” é uma das pinturas rupestres mais conhecidas da Pré- História. Um dos animais representados tem cinco metros de comprimento. As cores são firmes, apesar de a pintura ter estado fechada na gruta por 30 mil anos. Em Lascaux as representações se sobrepõem umas as outras, originando um emaranhado de figuras de diferentes tamanhos e de épocas diversas. Escultura e relevo: Na escultura da arte Franco Cantábrica as mulheres eram muito representadas. Nestas representações eles valorizavam os seios, as nádegas e o ventre das mulheres. Acredita-se que a gravidez era algo inexplicável, algo mágico. Estas pequenas estátuas (10cm a 20cm), são chamadas de “Vênus Esteatopigias”. Não só mulheres foram representadas, os animais apareciam brigando, descansando, lutando e etc. Os relevos eram incisões feitas nas rochas ou pedaços de pedras soltos, também contavam com os mesmos temas das esculturas. Material usado para estas esculturas: madeira, marfim e pedra. Grutas mais conhecidas: França – Le Fourneau du Diadle Solutré Péchialet Lascaux La Magdeleine 3 Pech-Merle Cougnac Espanha - Altamira Mesolítico e Neolítico: Artes do Levante Espanhol. Arte Ibero-africana era feita por um povo denominado Grimaldi da raça negra, eles tinham predominância por representações de pessoas e animais domésticos. A diferença que percebemos nestas representações é a presença da figura humana com seus afazeres domésticos. Percebemos agora então que o homem não é mais nômade, ele já se estabeleceu em só lugar desenvolveu a agricultura, domesticou animais e já sabe fazer tramas com fibras vegetais. As figuras agora são representadas de forma estilizadas, quase que geometrizadas. Esta arte que representava o homem em suas atividades é chamada de “Pleno Sol”, por que era feita nas partes externas das cavernas. A pintura não tem mais sentido de ritual mágico, e sim narrativo e didático. Os animais e as pessoas são representados em tamanho menor e estilizados. Arte Franco Cantábrica – Período Paleolítico Superior. Arte desenvolvida dentro das cavernas para rituais de caça. Pinturas em lugares difíceis. Tinham preferências por animais de caça. Os animais eram pintados em tamanho maior que o normal. Arte do Levante Espanhol – Período Mesolítico e Neolítico. A cerâmica começa a ser desenvolvida no período Neolítico. A figura humana começa a ser representada. A agricultura e animais domésticos também. Arquitetura: Os monumentos megalíticos: estão em geral associados ao culto dos mortos, podiam ser erigidos em memória de um morto ou constituir câmaras funerárias. Distinguem-se dois tipos principais: o menir e o dólmen. O menir é um monolíto de dimensões variáveis; este bloco de pedra é colocado verticalmente sobre uma sepultura ou perto dela. Certos menires são pedras não trabalhadas, em forma de lajes; outros são talhados em ponta, no alto, alguns destes megalitos estão ornados com motivos geométricos. Menires são pedras grandes em alinhamento. O mais famoso é o de Carnac na Bretanha. Os Dolmens, quer dizer mesa. Ele se compõe de duas pedras na vertical com uma terceira horizontal, chamada de lintel em cima ligando uma a outra. Temos o Dólmen da Ile-aux-Moines, Bretanha. 4 Cromelech – uma série de menires agrupados em circulo com um dolmen no centro. Stonehenge – é o cromelech mais famoso encontrado perto de Salisburg na Inglaterra. Parece Ter sido erigido entre 1700 a 1500 a.C., dataria, portanto, de pouco depois do fim do Neolítico. Estes monumentos podem ser encontrados em numerosas regiões da Espanha e no Oeste da França e parte da Bretanha. MESOPOTÂMIA (aprox. 9000 a.C. a 300 a.C.) A Mesopotâmia (palavra que significa “região entre rios”) é na realidade uma área geográfica, onde encontramos diversas manifestações artísticas deixadas pelas populações que por ali se misturaram através dos milênios. Situada entre os rios Tigre e Eufrates, Oriente Médio, hoje é a região que compreende: Turquia, Síria e Iraque. Região árida e seca, exceto entre os rios. Ao leste = Mar Cáspio Ao Oeste = Mar Mediterrâneo Ao Norte = Mar Negro e antiga União Soviética Ao Sul = Mar Vermelhoe Golfo Pérsico CIVILIZAÇÃO: Os sumérios, vindos das regiões situadas além do Mar Cáspio, foram os primeiros povos que aí se estabeleceram, e trouxeram com eles o sentido de organização de “cidades estado”, comércio e artesanato. Os sumérios são povos de origem semita que são árabes e hebreus. A designação vem da Bíblia que menciona povos descendentes dos filhos de Sem. Em conseqüência das grandes migrações, não se pode falar de um grupo físico homogêneo semita. Traços físicos: estatura média, olhos e cabelos escuros e nariz adunco. Povos inicialmente nômades, posteriormente pastoreiros e agricultores. Um povo de grandes contribuições: Eles inventaram a escrita cuneiforme, que mais tarde se transformou em um alfabeto que serviu a todas as línguas ocidentais. Os primeiros veículos sobre rodas. Os primeiros tornos de cerâmica. Devido a constantes enchentes eles desenvolveram o estudo da astronomia. Os nossos sistemas, cronológico e astronômico, tiveram origem na Mesopotâmia. 5 Sabemos que provem destes povos também as religiões: judaísmo, cristianismo e o islamismo. A grande revolução neolítica –9000 a .C.- ocorreu supostamente na antiga Mesopotâmia e no Egito, que são regiões povoadas pelos semitas. Na Mesopotâmia surgiu também por volta de 5500 a.C., sociedades organizadas com estrutura estatal e diversificação das atividades econômicas, conhecida como a primeira “revolução urbana”, à qual se seguiu com o surgimento dos grandes Impérios da Assíria e da Babilônia. Assírios, Caldeus e Acádios, povos semitas da antiguidade, moradores da Baixa Mesopotâmia, ficavam em lutas constantes pelo domínio territorial. Criaram grande número de cidades e se distinguiram pela capacidade guerreira e espírito expansionista. Sumérios e Babilônios, também povos semitas da antiguidade se destacaram por serem povos religiosos. A produção artística dos mesopotâmios estava ligada a religião, assim como também o estudo dos astros, a educação do povo, o saber e a política. Eles acreditavam na vida após a morte, e poderemos observar este fato à medida que conhecemos as suas produções artísticas. Curiosidade: Os povos semitas atuais Árabes e Judeus israelitas (hebreus), ficavam percorrendo pelas áreas das terras férteis entre os rios da Mesopotâmia até o Egito através da Síria e da Palestina. A habilidade dos judeus para o comércio e para as finanças levou-os a adquirir grande poder econômico nos países onde se fixaram, o que causou grande intolerância dos povos nativos, conduzindo com freqüência a cruéis perseguições, o genocídio mais brutal foi cometido pelo regime nazista na Alemanha, cuja perseguição levou ao extermínio de mais de 6.000.000 de judeus. Diáspora – dispersão dos judeus no decorrer dos séculos. Eles partiram para Ásia, África, Europa e Américas. A ARQUITETURA DA MESOPOTÂMIA. CARACTERÍSTICAS: O vale inferior de Tigre e do Eufrates não fornecia madeira nem pedra. Estes materiais tinham que ser trazidos de longe; mas por outro lado encontrava-se muita argila, surgindo daí uma arquitetura feita de tijolos (adobe=argila+palha). A Mesopotâmia era uma região plana sujeita a constantes inundações, por isto algumas cidades eram construídas sobre plataformas, que chegavam a medir de 15m a 25m de altura. Grandes números de cidades foram construídas sobre estas plataformas, criando verdadeiras montanhas; que eram chamadas de Tell (cidades construídas sobre plataforma). Ex.: Tell-Aviv. 6 Nesse sentido, grandes muralhas também foram construídas visando à proteção das cidades contra as constantes enchentes. Nas estruturas das construções não foram usadas colunas, pois se sabe que o tijolo seco ao sol não é suficientemente resistente. Uma construção em argila exige paredes espessas com poucas aberturas. Sabe-se também que a argila não pode servir de viga, obrigando aos construtores ao uso do arco e da abóbada. Como exemplo do conhecimento do uso de arcos e abóbadas nos telhados com plataformas e vários terraços temos os Jardins Suspensos da Babilônia. Tipos de construções: Casas: possuíam três ou quatro cômodos, e esses em torno de um pátio. Na maioria das vezes no subsolo encontravam-se tumbas. Palácios: eram construídos tanto para fins militares como domésticos, possuíam sala de trono, áreas sagradas, e áreas para fins militares, muralhas, estábulos, seleiros pátios e os templos que eram os Zigurates. Foram encontradas algumas tumbas também nos palácios. Os Zigurates eram “templos torres”, com vários andares sobre uma planta retangular e no alto havia um santuário. Ex.: Palácio de Sargão II em Corsabade e Palácio de Assurbanipal em Nínive. ESCULTURA: Estatuária: Foram encontradas figuras de orantes de 20 a 70 cm, feitos de alabastro (pedra porosa).Era a representação de figuras humanas, sentadas ou de pé, com as mãos em posição de oração. Olhos grandes e arregalados, que eram evidenciados com incrustações de conchas ou pedras. Nariz grande e sobrancelhas juntas. Bocas pequenas e cabelos esquematizados. A massa cilíndrica formada por suas vestimentas criava um efeito escultórico que resultava na simplificação das formas, o que não interferia no aspecto realista destas estátuas. Existia hierarquia por tamanho, sendo a maior mais importante, estas estátuas substituíam as pessoas nos templos (poder da imagem), quando não podiam ir ao templo orar, eles colocavam as imagens. As mais conhecidas são as estátuas de Gudéia, um grande estadista que abdicou seus direitos de glória, de governo, de rei para ser sacerdote. Estátuas de Assurnazirpal: barba ornamentada com caracóis e ziguezague, suas feições conservavam as características semíticas. Algumas cabeças também foram encontradas. Relevos: Estelas: são placas ou pedras com inscrições, às vezes comemorativas outras vezes funerárias. Essas estelas contêm relevos e textos com escritas cuneiformes para esclarecer fatos reais. Estelas são documentos. “Estelas de vitórias”: são relevos sobre finas lajes de pedras que representavam votos e vitórias dos reis. 7 “Pedras demarcatórias de fronteiras”: que também são estelas, mas com função de demarcar fronteiras chamadas Kudurru. “Estela de Hamurabi”: 1o. código da história escrita em cuneiforme. OBJETOS: Jarros, capacetes, perucas de ouro, jóias e cilindro sinete. PINTURA: Existiam os afrescos, que é uma técnica de pintura mural, onde antes de pintar passa-se argamassa e enquanto está molhada aplica-se a pintura com tinta a base de água e quando a argamassa secar a tinta se fixa. ESMALTAÇÃO: Foram encontrados muitos painéis com tijolos esmaltados de variadas cores, que ornamentavam os palácios. A técnica também foi usada para fazer objetos e jóias. O EGITO (c. 4000 a. C.) Localização: a leste do mar Mediterrâneo, no vale do rio Nilo. Civilização: Entre as culturas da Mesopotâmia e do Egito existe pouca diferença de idade, sendo que o Egito foi uma região autônoma durante a maior parte de sua história, mas apesar deste isolamento, sabe-se de suas relações comerciais com outras localidades. A exemplo disto temos a cerâmicas originárias do vale do Nilo que foram encontradas em Creta. “-O Egito é uma dádiva do Nilo”, famosa frase de Heródoto. As enchentes complicavam bastante a vida dos egípcios, que logo era superada com a baixa das águas. O solo ficava mais fértil, e a abundância de argila para as construções de casas ou sepulturas das classes inferiores. Madeira de boa qualidade era rara, só havia palmeira. Usavam o caule de lótus e de papiro nas construções. A pedra foi muito utilizada. As cheias do Nilo fazia desaparecer os limites dos campos, dando freqüentemente origem a discussões, foi, portanto, necessário criar muitocedo uma legislação para regularizar estes litígios. Foi então que surgiram os quatro regimes: Antigo Império (capital- Menfis) – c. 2900 a. C. a 2500 a. C.(construção das pirâmides) Médio Império (capital- Tebas) – c. 2150 a. C. a 1780 a. C.(melhora da economia) Novo Império (capital- Tebas) – c. 1580 a. C. a 1100 a.C. (terminam sob o domínio da Assíria) 8 Império Saíta (capital- Saís) - c. 663 a. C. a 525 a. C.(Expulsão dos semitas e a volta da arte para os egípcios) No começo da civilização havia o Alto Egito e o Baixo Egito, seguindo as extremidades do rio Nilo, mas depois houve a unificação. O sistema de governo era a monarquia. Hierarquia de poder: Faraó e sua família (nobreza) Sacerdote Escribas Povo/escravos O Faraó é o representante do Deus na terra, com poderes políticos e religiosos. Viviam em função da morte e acreditavam numa vida futura. Acreditavam na reencarnação, porém no mesmo corpo, no mesmo espírito e na mesma família. Apesar de o Faraó representar o Deus na terra, ele não era livre, era um fantoche nas mãos do clero. Os egípcios eram politeístas (acreditavam em vários deuses). Acreditavam também que o ser humano era composto por quatro elementos: O ka- ou duplo,réplica imaterial do corpo O ba- comparável à alma das religiões cristãs O khu- chispa do fogo divino O corpo. Esses quatro elementos deveriam ser conservados depois da morte: o Ba e o Khu – eram elementos espirituais, exigindo apenas orações. Não exercendo influências nas representações artísticas. O corpo, como era habitação do Ka, deveria ser mumificado e depois protegido. Os egípcios fizeram de tudo para conservar intactas suas réplicas, afinal eram habitadas pelo Ka. Curiosidades da civilização egípcia: Sua escrita: hieróglifo, onde encontramos registros, instruções de procedimentos e a história de seu povo descrita. Há também registros de poemas, contos, ensaios e narrações, formando e literatura egípcia. Métodos de calcular seguiram o ritmo da escrita, foi necessário pois eles tinham o comércio ativo. Foi possível fixar impostos com exatidão, a partir dos cálculos matemáticos, fazer levantamentos topográficos da terra, pesar as coisas, calcular distâncias e marcar o tempo. Pode-se dizer que a medicina começou no Egito. Muito embora dispusessem às vezes de conhecimentos impregnado de magia. 9 Obras de irrigação em grande escala que levava água até os campos mais afastados e também os sistemas de diques foram encontrados. Todo este avanço se transforma em riqueza material, ou seja, vendiam bem sues inventos. Por volta de 2600 a.C., barcos de comércio egípcio, com cargas de: lentilhas, tecidos, papiro e outros produtos do país aventuravam-se regularmente pelo Mar Vermelho e pelo Mediterrâneo. O comércio por terra era feito com a Núbia, África e o Oriente Antigo. Constavam também no seu comércio mercadorias como: cobre. Ouro, prata, marfim, madeiras raras, lápis-lazúli, turquesa, mirra, especiarias, peles de animais exóticos e plumas de avestruz. Arquitetura: Como moravam os egípcios: As casas de moradia eram construídas de argila (adobe). As casas do povo em geral modestas e de tamanho também modesto. Feitas de tijolos com madeira, similares as da Mesopotâmia. Já as casas (os palácios) dos faraós eram dotadas de todo o conforto necessário, havendo a mistura de materiais: pedra, tijolo e madeira. As mastabas que eram túmulos do Antigo Império, feitos de pedras, assim como também as pirâmides e os templos. Temos nos palácios o uso de degraus para entrada, poucas aberturas ou quase nenhuma, muitas esculturas e o uso de colunas que tinham a função de sustentação. Os capitéis das colunas egípcias foram inspirados em flores ou folhas de certas plantas: Capitel lotiforme: representava várias flores fechadas sobre os caules da coluna em feixe, ou uma só flor fechada com o fuste cilíndrico. Capitel papireforme: inspirado em um feixe de papiro amarrado. Capitel campaniforme: inspirado na flor de lótus aberta, que se assemelha a uma campainha invertida, decorada com pétalas. Capitel palmiforme: ornado por folhas que se afastam do fuste, e geralmente mais recente. No Antigo Império as colunas se apresentavam fazendo parte da parede da construção e eram chamadas de colunas em feixe. Sem ornamentação como as mais recentes. O gosto pela decoração, pó vezes, chega a enfraquecer a intensidade do sentido religioso. Todas as suas construções seguiam as orientações dos pontos cardeais. As paredes de suas construções eram inclinadas para que dessa forma fossem mais bem conservadas. Suas construções, por vezes, aproveitavam as encostas como temos o Templo de Ramisés II em Abu Simbel (séc. XIII a.C.). O desejo ardente de sobrevivência nos egípcios se manifestava principalmente na arquitetura sacra. Para as divindades imortais era preciso residências indestrutíveis, por acreditarem numa outra vida mais longa do que a permanência 10 do homem na terra, exigindo sepulturas inalteráveis. Por outro lado os palácios reais tinham um caráter temporário. As dimensões e as formas geométricas da arquitetura egípcia conferem-lhe um caráter tão imponente como austero. Escultura: Material: madeira, pedras duras como o basalto, o diorito e o granito que foi mais utilizado. Antigo Império: realista nas representações de pessoas comuns e idealizadas, como as dos faraós, para marcar seu caráter semidivino. Médio Império: estilizada e convencional. As estátuas dos faraós são idealizadas, seu caráter particular está atenuado, devendo os seus traços evocar, antes de tudo, o poder e a imortalidade. O desejo de imortalidade comanda a escolha dos materiais e as proporções das obras (muito grande). Seguiam também a lei da frontalidade, as peças eram feitas para serem vistas de frente, no caso da pintura isto fica mais evidenciado. Esta característica confere a obra certa ausência de dinamismo. Muitos de suas esculturas continha também à presença de pintura. Relevos: Três métodos: Baixo-relevo: esculpir as figuras com ligeira saliência. Alto relevo: as figuras são esculpidas, mas o último plano não é talhado em profundidade, de modo que o trabalho não se desprega da superfície da pedra. Gravura: consiste em gravar unicamente os contornos das figuras nas pedras. Os relevos ornamentam as paredes dos templos e dos santuários. A sua finalidade era contar os altos dos reis, as atividades humanas necessárias à vida futura. São verdadeiros filmes, fáceis de ser compreendidos, conferindo-lhes um caráter didático. Muitas vezes os egípcios chegavam a escrever hieróglifos nos espaços vazios, devido ao desejo de registrar o maior número de fatos. Pintura: A pintura egípcia não conhecia a sombra. As cores usadas eram muito reduzidas: O vermelho tijolo: é para a pele dos homens. Ocre amarelado: para a pele das mulheres Preto: cabelos e olhos. Outras cores eram usadas para os adornos e os ornamentos. A fim de chamar a atenção para uma determinada figura, desenha-se esta com uma escala maior. Não representavam a perspectiva. Obedeciam as leis da frontalidade. Contavam histórias, feitos dos reis, cenas domésticas, cerimônias e etc. Havia muitas regras e convenções a serem seguidas. 11 O artista não tinha o reconhecimento que tem hoje, não existia esta classe separada, e sabe-se que grandes obras artísticas foram construídas sobre coação e sobre o regime de escravidão. A ARTE DO MAR EGEU – ILHA DE CRETA Situada no Mediterrâneo, a ilha de Creta nos revela um mundo diferente do que estávamos acostumados nestes períodos que compõem os povos da antiguidade. A história de Creta, a partir de aproximadamente 2800 a. C., costuma ser dividida em três grandes fases: Minóco Antigo2800 - 2100 Mnóico Médio 2100 - 1580 Minóico recente 1580 - 1100. Deteremos-nos na época da reconstrução dos palácios, onde começa o grande esplendor da civilização cretense, a partir de 1700 a.C. CIVILIZAÇÃO: A posição central no Mediterrâneo, por certo favorecia o intenso comércio que Creta fazia com: Egito, Síria, Mesopotâmia e os povos das Cíclades (Grécia). Sabe-se através de estudos que por volta de 1400 a.C. houve um colapso da civilização minóica, possivelmente em razão de um maremoto causado pela erupção de um vulcão que fez desaparecer quase totalmente a ilha de Thera, hoje Santorim. Pelo número significativo de estatuetas femininas encontradas em Creta, percebe- se a importância da figura feminina na formação social. Sociedade monárquica-Rei Minos, de onde se originou o termo “civilização minoica”. Religiosamente, a supremacia da mulher cretense é inegável e óbvia; é a sacerdotisa: os sacerdotes surgiram mais tarde e apenas como acólitos. Afinal, a augusta divindade de Creta é a Grande Mãe... Não foi por ironia que Plutarco afirmou que os cretenses chamavam a seu país não de pátria (de patér, pai), mas de mátria (de máter, mãe). Na ilha de Minos a mulher não governava, mas reinava. (Junito de Souza Brandão, Mitologia grega, 1991, p. 61). CURIOSIDADE: Nas escavações feitas em Creta foi encontrada uma oficina de fiar e tecer, provavelmente uma pequena indústria têxtil, que trabalhava para o povo em geral. 12 Grandes depósitos de moluscos foram encontrados em Creta de onde se extraía a púrpura para tingir tecidos. As outras tinturas feitas com pigmentos vegetais e minerais. Os homens cretenses, bem como as mulheres, exibiam uma cintura extremamente fina, o que somente poderia ser conseguido com o uso de um cinto rígido desde a infância. ARQUITETURA: Palácios com salas amplas, e com soluções mais evoluídas em questão de aproveitamento de espaço. Um pátio ao centro, que servia também para iluminação, com diferentes elementos dispostos ao redor deste pátio. Dois ou mais andares, o que exigia conhecimento arquitetônico além do rudimentar. Uma sala principal chamada de mégaron, salas das mulheres ou thálamos que se comunicava com o mégaron por meio de corredores sinuosos fáceis de vigiar. Usaram muita madeira na construção destes palácios, e por isso desapareceram, sabemos de sua existência através da pintura. A madeira era usada na elaboração das escadas, dos pisos, tetos, vigas e das colunas. As colunas tinham aparência de tronco de cone, e capitel eqüino (design comum aos ouriços-do-mar, encontrados no Atlântico e no Mediterrâneo, com forma discóide), característica da arquitetura cretense. Os palácios de Cnosso e Tirinte são os mais conhecidos. Túmulos, como o “Tesouro de Atreu”, também foram encontrados em Creta. O material usado para estes túmulos era a pedra, e o elemento arquitetônico era a abóbada. Os túmulos eram feitos em encostas. ESCULTURA: Uma única escultura de monumental foi encontrada que é a “Porta das Leoas”, na Acrópole de Micenas. As outras esculturas de pequenas dimensões são estatuas de deusas que seguram serpentes nas mãos, com seios expostos, pequenas estatuas de touro, acrobatas. O material variava: ouro, marfim, madeira e cerâmica esmaltada. Outros objetos como: os dois copos de ouro de Váfio, são verdadeiras obras primas, máscaras funerárias. Nas tumbas foram encontrados: anéis, braceletes, golas, presilhas de cabelo, colares de lápis-lazúli, ágata, ametista e cristal de rocha intercalados com pérolas. A cerâmica aparece com elevado nível de desenvolvimento. Na gruta de Camares foram encontrados vasos de mesmo nome. Sua cerâmica é de fina espessura, chamada de casca de ovo, decorados com figuras marinhas. Tinha também os “ritones”, vasos em forma de touro de cerâmica rústica ou vitrificada, certamente com valor ritual, por ser encontrado nas grutas. 13 PINTURA: Técnica do afresco em murais nas paredes dos palácios, com influência da pintura egípcia pela presença da lei da frontalidade (não é contudo tão generalizada) e o uso das cores chapadas. Contudo em Creta, uma ligeira modulação da cor aparece por vezes no limite das zonas, de modo que estes afrescos são menos severos do que os egípcios. O homem com a cor avermelhada e as mulheres amareladas, também nos remetem a cores usadas no Vale do Nilo. Sintetização das formas, ritmo linear, as silhuetas parecem se animar. É freqüente a presença de touros nas pinturas. As faixas ornamentais em torno das pinturas, com formas estilizadas. Os principais temas: desfiles, atividades da vida cotidiana, representação da fauna e da flora, sobretudo da marinha. GRÉCIA Resumo dos períodos da Arte Grega: Períodos Arte Épocas aproximadas Pré-helênico Cicládica ou egéia 2700 a 1600 a.C. Minóica ou cretense Micênica 1600 a 1150 a.C. Helênico Idade das Trevas 1000 a 700 a.C. Arcaico 700 a 480 a.C. Clássico 480 a 323 a. C. Helenístico Império Grego 323 a 30a . C. (Magna Grécia) ARTE GREGA: Complementação da Arte Egeia (Estuda na parte de Creta) Arte Pré-Helênica: Quando o Egito estava se desenvolvendo a Grécia estava surgindo. Os dóricos que habitavam todas as ilhas, principalmente a Península Balcã, onde a fica Grécia. ARTE CICLÁDICA: Tem esse nome por ter se desenvolvido nas ilhas Cíclades, também conhecida como arte Egéa, porque as ilhas Cíclades estão situadas no Mar Egeu. As produções artísticas mais importantes das ilhas foram: 14 Os Ídolos Cicládicos com 70cm a no máximo100cm de altura, formas bem simplificadas, nariz triangular, ombros com ligeira inclinação, geometria cilíndrica. Estes ídolos estão as vezes de pé, outras vezes sentados tocando instrumentos. As panelas Cicládicas, com formas circulares e ornamentadas com espirais, feitas de cerâmica. ARTE MICÊNICA: As cidades mais importantes onde se desenvolveu a arte Micênica foram Micenas e Tirinto, que eram habitadas por povos guerreiros que dominaram todo o mediterrâneo. Sua arte é voltada para a representação da guerra ou da caça. A arquitetura da arte Micênica era como a de Creta no que diz respeito aos palácios. As casas foram destruídas pelo tipo de material que eram feitas (madeira e argila). A escultura teve destaque pela monumental porta dos leões, que fica na entrada da cidade de Micenas. As artes menores são: máscaras funerárias em ouro, os canecos também em ouro e o vaso dos “semeadores” feito de pedra esculpida. Este material foram encontrados nas tumbas. A principal tumba é a “Tesouro dos Atreus”, que tem forma circulas uma passagem com um corredor estreito e coberto por uma falsa cúpula. A pintura mural e a cerâmica tinham características da pintura de Creta. ARTE GREGA: Período Helênico – 1000 a 323a.C. Idade das trevas – 1000 a 700a.C. Arcaico- 700 a 480 a.C. Clássico – 480 a 323a.C. ARQUITETURA: Na idade das trevas é desconhecida, nesse período já existiam os templos que eram feitos em madeira. No período arcaico o templo era feito em pedra e já apareciam duas ordens: 1o. Ordem Dórica – considerada com forma masculina pela estrutura sinuosae forte dos capteis. 2o. Ordem Jônica – considerada com forma feminina pela delicadeza das volutas dos capitéis. Uma ordem arquitetônica é composta de: base, coluna e entablamento ou piso, sustentação e cobertura. 15 Acrópole – colina das cidades gregas onde abrigavam os edifícios sagrados dos deuses. Na acrópole havia o propileu que era o portão de entrada do templo e o temeno que também era um espaço sagrado como um altar. As cerimônias religiosas eram feitas fora dos templos, essas cerimônias eram feitas com animais, que depois de mortos eram examinados pelo oráculo, tiravam suas vísceras e com o resto fazia-se um grande churrasco. Na frente dos templos dóricos eram colocadas colunas em números pares. Nas laterais eram o dobro das colunas da frente mais uma. Ex.: Parthenon (oito colunas na frente e dezessete em cada lateral). O Parthenon é um templo períptero, ou seja, rodeado de colunas. Nos templos jônicos eram colocadas colunas na frente e atrás e as laterais eram formadas por grossas paredes. Ex.: Erecteion Cariátides são colunas em forma de figuras de mulheres, o Erecteion que fica na Acrópoles de Atenas, é o único templo que possui Cariátides. TEATROS GREGOS: Os gregos gostavam da vida ao ar livre, e as construções de seus teatros não fugiram a regra, eles eram construídos nas encostas das colinas onde havia o aproveitamento da acústica natural. A planta sempre semicircular e dividida em três partes principais: arquibancadas em pedras, com sistema de escoamento de água nas laterais, no centro uma parte circular chamada de orkestra, onde havia no centro a imagem do deus Dionísio. Por fim havia o palco de forma retangular com uma parede atrás onde ficavam dezenas de compartimentos (camarins). ESCULTURA GREGA: 1a. fase (idade das trevas) A escultura é considerada como arte por excelência grega, quer dizer, os gregos chegaram ao máximo de conhecimento técnico e estético sobre esta arte. Começa na idade das trevas no período arcaico com um estilo dedálico, de aspecto muito simples, feitas em série e o material utilizado era a terracota. As formas eram simplificadas, as mulheres sempre vestidas e os homens sempre nus, suas cabeças eram de forma oval. Eram imagens dedicadas aos deuses e às vezes eram os próprios deuses. Elas mediam cerca de 1,20m de altura. 16 2a. fase (período arcaico). Fase dos couros e das coris. Couros eram figuras masculinas nuas, em posição de passo aberto, anatomia esquematizada. Imagens com aspecto bastante rígido. As coris, figuras femininas, vestidas com seus peplos, no início com drapeamento moderado, mais tarde bastante drapeado e detalhes como pregas, também com aspecto rígido. Os materiais são, sobretudo o mármore e o bronze. Tanto os couros quanto as coris eram de função religiosa, e os dois têm como característica o sorriso “arcaico”.‟ 1 As esculturas do 1o. período, até o clássico, eram idealizadas, só no período helenístico que elas tomaram o aspecto realista. Na 3a. fase, no período austero já existia alguns elementos como a figura composta no eixo vertical; uma perna fixa e a outra mais à frente. O ombro com uma leve inclinação, rosto sereno, sem o sorriso, o nariz reto se alongando na linha da testa. Também temos a anatomia mais detalhada com rosto compenetrado. ESCULTURA DO PERIODO CLÁSSICO: (período helênico) O período clássico foi marcado pela escultura com o ideal de beleza, atingindo o máximo no século Va.C., século de ouro, do período de Péricles, com as esculturas de Fídias. Fídias usava “o número de ouro”, era uma proporção que dava o máximo de equilíbrio visual à escultura. O que caracteriza o período clássico é a proporção ideal. Havia uma predominância nas representações de jovens atletas e deuses, e o corpo sempre em movimento. Os materiais mais utilizados foram o mármore e o bronze. A maior parte das obras de arte só chegou aos nossos tempos devido as cópias romanas, se perdendo as originais nas guerras, que eram derretidas para fabricação de armas. Sabemos através de historiadores que as esculturas originais da Grécia eram pintadas, tinham vestes coloridas e detalhes em ouro e pedras preciosas, já as cópias romanas não eram pintadas. A partir deste período o artista deixa de ser anônimo, onde podemos destacar os artistas da primeira fase: Fídias: fez o frontão e o friso completo do Parthenon. Foi o escultor mais importante desta fase, fez a estatuía da deusa Atena. Policleto: Fez o “cânon de sete cabeças”. Significava que a escultura da figura humana tinha a altura proporcional à sete vezes a medida da cabeça. O pé seria três vezes o tamanho da palma da mão, uma de suas obras: “ o Dorifo”. 17 Miron: suas esculturas estão sempre em ação, por isso fazia muitos atletas, como exemplo tem “o Discóbolo”. Escopas: No século IV a.C. através da obra de Escopas temos vestígios de emoções representadas nas expressões faciais de suas esculturas, o que confirma o seu grande interesse pela figura humana e não divina.Suas representações quase sempre têm aparência atormentada. Suas obras: “Demeter de Cnido” e “Hermes de Olímpia”. Praxíteles: foi o primeiro escultor a esculpir figuras femininas nuas. Suas obras: “Hermes com Dionísio menino”. Praxíteles usava uma técnica de disfarçar os suportes das estátuas, cobrindo-os com o próprio material criando às vezes um panejamento ou uma vegetação. Lisíppo: último dos escultores do período clássico. Esculpiu “Alexandre Magno”. Lisíppo implantou o cânon de oito cabeças, por isso suas esculturas são maiores. PERÍODO HELENÍSTICO: Caracterizado pelo grande império grego, quando começa a Grécia começa a conquistar territórios. O mundo helenístico vai além das fronteiras, com a presença de mistura de tendências: clássicas, helênicas, e regionais, sofrendo influências de culturas muito amplas. ARQUITETURA: Acréscimo de mais uma ordem arquitetônica: a ordem Corinthia, que é uma evolução da ordem jônica, caracterizada pelo capitel com volutas simples e folhas de acanto, adquirindo um aspecto mais decorativo. Nesse momento também se encontra a utilização de plantas de base circular, bem como construções com a utilização de ordens arquitetônicas misturas: dórica com corinthia, jônica e conrinthia, etc. ESCULTURA: Continua no caminho da escultura clássica. Na “Grécia clássica” foram iniciadas a valorização do homem com sua capacidade intelectual. As quatro tendências da escultura: 1a: Equilíbrio entre a forma perfeita e a real: “Colosso de Rhodes” – feito por um aluno de Lisippo era de bronze, considerado como uma das sete maravilhas do mundo, representava o deus sol. Localizava-se na entrada do porto, onde os navios, para entrarem, deveriam passar por baixo da escultura. 18 É do período helenístico, se apresenta de forma idealista e realista. “Vênus de Milo” – Mede 2,03m de altura, está no museu do Louvre, é de mármore e de autor desconhecido. “Vitória da Samotrácia” – mede 2,45m de altura, feita para ser colocada na proa de uma embarcação, para comemorar uma vitória naval dos gregos sobre forças invasoras. A guerra da Samotrácia. Feita em mármore cor de rosa. 2a. Tentativa de realismo: Os artistas mostram velhos embriagados, crianças com seus animais, etc, sempre com a tentativa de tornar a escultura com aparência realista, produzindo trabalhos inspirados em cenas reais. O período helenístico era a busca do aperfeiçoamento técnico e real, valorizando o tamanho real, e não ideal como no clássico. Os artistas usavam modelos para fazer seus trabalhos. 3a. Grupos escultóricos: “Grupo do Laoconte e seus filhos” – são três figuras esculpidas aparentando ar de desespero. Ogrupo do Laoconte faz parte de duas tendências de grupos escultóricos e cenas dramáticas. 4a. Cenas dramáticas: Esculturas de um chefe gaulês que mata a mulher e se suicida. A escultura é dotada de toda dramaticidade que pede uma situação de assassinato seguido de suicídio. RELEVOS: *Helênico *Helenístico São usados nos túmulos, nas ornamentações dos templos, santuários e fazem parte da arquitetura, ocupando todo o espaço deixado pela arquitetura. Os frontões são bens exemplos. A temática é representada com agrupamento de pessoas e animais (cavalos), atingindo movimentos mais livres e rompendo convenções. A arte do relevo é uma arte narrativa com cenas do cotidiano, jogos, lutas, procissões e festividades. Os dois tipos de relevos são: Alto relevo – quando sai da placa mais da metade da figura. Baixo relevo – quando fica próximo da placa. Incisão – é quando se faz apenas sulcos na placa. Os relevos aparecem sobretudos nas estelas funerárias. No período arcaico os relevos são compostos de figuras rígidas. Normalmente representadas em passo fechado. No período clássico, as figuras são mais elaboradas e dotadas certa leveza. Há a busca da forma perfeita, esculturas com braços em movimentos e passos abertos. 19 No período helenístico são mais dramáticas e movimentadas. Há também valorização da técnica, contraste de texturas da pele e da roupa. Hermes e Dionísio são do período helenístico, eles apresentam expressão de angustia. “A procissão das panatenéias”, baixo relevo do período clássico, encontra- se no Parthenon. Pintura Grega Da pintura grega antiga não resta hoje mais do que reduzidos vestígios, e dela pouco se sabe com segurança. Isso não significa que não houve produção. Fontes literárias da época nos trazem a identificação do cultivo da pintura em várias técnicas desde o período arcaico, com o desenvolvimento de várias escolas distintas, com artistas que foram celebrados por seus contemporâneos e cuja fama chegou aos nossos dias, como Polignoto, Zeuxis e Apeles. Mas devido à fragilidade dos materiais quase tudo se perdeu, exceto alguns notáveis murais em tumbas dos séculos IV e III a.C., especialmente em Vergina, na Macedônia. Sobrevive, por outro lado, expressiva produção de pintura aplicada à decoração de objetos utilitários, como os vasos. PINTURA GREGA: (período helenístico). O que temos de demonstrativo da pintura mural grega é o que foi encontrado em Pompéia, pois sabemos que a arte romana usou a arte grega como modelo. E a partir da pintura de Pompéia podemos ver que o grego já representava de maneira simplificada a perspectiva. Pintura na cerâmica: Os originais gregos existem até hoje, podemos vê-los espalhados em muitos museus pelo mundo afora. Existiam três técnicas de pintar a cerâmica: 1a.- Figura negra: pintava-se a figura de negro, contornando a silhueta com buril fazendo sulcos e preenchendo com outras cores. O traço desta produção é rígido. 2a.- Figura vermelha: a figura fica da cor natural da cerâmica (vermelha), e o resto eles pintavam de negro dando possibilidades maiores ao artista, não precisando fazer o sulco na cerâmica, o que facilitava o trabalho. ARTE ETRUSCA (séc.: X a III d.C.) 20 A chegada do Oriente civilizado ao Ocidente fez-se por duas vias: através das regiões danubianas da Europa Central e Marítima, ao longo das costas do Mediterrâneo. Com a chegada do metal (o cobre e depois o bronze), a evolução do Ocidente acelera e desenvolve com isto potentes civilizações como: Cartago, Celtas e os Etruscos. Bronze – em Sardenha –(civilização sarda). Encontramos figurinhas de guerreiros armados. Suas representações apresentam características modernas como: formas alongadas (filiforme) semelhantes a obras de Giacometti e Richier. Ferro – Europa Ocidental em Hallstatt (tribo) (Áustria), descoberta de uma grande necrópoli. Etruscos – Itália Central. Gauleses –(Celtas) – Alemanha, França e Suíça – grande fabricação de objetos em metal com extremo domínio de técnica. La Tène (tribo) na Gália – escultura em bronze – uma “dançarina” e uma Vênus “helenística”. A Gália e conquistada por Roma e deixa que a arte romana a influencie, mas contudo conserva o aspecto geometrizado de suas figuras humanas. Cartago – ao sul da bacia do mediterrâneo, elo entre o mundo Egeu e o Próximo Oriente. Fundada por fenícios que estavam em dificuldades pelo crescente poder dos Assírios. Pelo seu posicionamento estratégico, manteve comércio com a Sicília, Sardenha, Espanha e Tunísia. Roma, sua grande rival, empreendeu as Guerras Púnicas, onde Cartago foi vencida e seus habitantes foram chacinados. Púnico – relativo a Cartago e também a traidor. Quase nada restou depois das Guerras Púnicas. Somente em algumas partes subterrâneas dos túmulos foram encontradas: esculturas, máscaras funerárias e outros objetos em barro e pasta de vidro. Arte muito influenciada pelos gregos e pelos egípcios (formas arcaicas). EX.: Tampa do Sarcófago “da Sacerdotisa” representava talvez a “Deusa TaniT”. “A Dama de Elche”. Etruscos – não sabemos ao certo sua origem – Norte? Ásia? Mediterrâneo Ocidental? Situado entre o mar Tirreno, o Arno e o tibre. Exímios metalúrgicos, os etruscos alimentam o comércio exterior com suas produções. No fim do século VII a.C. os etruscos estendem-se para o sul e fundam Roma . Mais tarde, no séc VI a.C. ocupam a Campânia e fundam Cápua. No fim do séc. VI a.C. atravessam os Apeninos e se espalham para o norte. Repelidos pelos povos itálicos principalmente os gauleses, acontece sua decadência. A Etruria então é reduzida a sua própria fronteira e cai em hegemonia romana. Em sua arte temos a pedra reservada para os túmulos e as fortificações. 21 Para a arquitetura os etruscos usaram a madeira e o tijolo cru ou cozido. Razão pela qual nada temos, a não ser através de textos romanos ou através de modelos reduzidos de terracota para uso votivo. Templos – planta retangular, pórtico com dois pares de colunas ... Coluna toscana e o uso do arco. Arquitetura funerária: havia a intenção de entregar o morto a terra. Túmulos hipogeus, ou seja, subterrâneos, assinalado ao nível do solo. A parte interna do túmulo apresentava uma cobertura horizontal sustentada por pilares ou as vezes por cúpulas. Crença: através do aspecto do túmulo o defunto continua a viver para além da morte, (presença de mobiliário – bancos, poltronas de pedras, etc.). Cenas de banquetes, festas e de danças são pintadas nas paredes, e também cenas domésticas. A pintura não é decorativa exclusivamente, tem a função de recriar a vida do morto pelo significado das imagens (magia). Temas – paisagens, animais e sobretudo cenas da vida cotidiana. Séc. V a.C. – desenhos coloridos e mais bem elaborados. Ex.: Túmulo dos leopardos. A crise política e econômica dos séculos IV e III, aparecem nas pinturas. Agora não há mais pinturas de festas, e aparecerem rostos desolados e pensativos nos banquetes fúnebres, como se estivessem meditando sobre a morte. Ex. o túmulo dos escudos que pertencia a família dos Velcha e retratam a melancolia da aristocracia decadente. Escultura – material – argila e bronze. Seu aspecto e parecido com a escultura arcaica grega. Ex. Apolo de Veies. Interesse pelo rosto humano que acabaram por inventar o retrato, através da escultura funerária. Os canopos – vasos cinerários antropomorfos – o corpo do defunto é reduzido à forma do vaso e a cabeça é a tampa. Tampas de sarcófagos – corpos deitados, os rostosrecebem destaque de acabamentos. Bronze – objetos, vasos de formas elegantes e requintadas. Loba e quimera de Arezzo, animal trabalhado de forma sintética. Cabeças de bronze – realismo característico desta arte. ROMA (c. de 753 a.C. até 476 dc.) Roma foi criada entre sete colinas, duas dessas habitadas por Latinos e Sabinos que eram povos pastores e religiosos. Os Etruscos eram povos guerreiros e tinham comércio expressivo com a Grécia, fundando a cidade de Roma com um acordo feito entre os Sabinos e os Latinos. Períodos: 22 1o.- Período da monarquia: vai de 753 a 509 a.C. Era uma dinastia de reis. Rômulo foi o primeiro rei. Roma foi fundada nesse período. Com a derrota dos Tarquinos, acabou o poderio Etrusco, foi então proclamada a república. 2o.- Período republicano: vai de 509 a.C. a 27 d.C. O governo passa a ser público. Otaviano recebe do senado o titulo de augusto, chefe do estado = 1o. ministro, supremo do governo. Era eleito por voto dos cidadãos. Cristo nasce no período republicano. 3o.- Período do Império: vai de 27 a 476 d. C. É nesse período que o império romano do ocidente cai em decadência. CIVILIZAÇÃO: Existia a devoção a deusa Vesta – protetora dos lares. O pai era uma figura muito importante, dominador. A religião em Roma não era muito sólida, a classe dominante assumiu a religião grega, só que modificaram os nomes dos deuses. Ex.: Dionísio = Baco ARQUITETURA: Principais características: Uso do arco A cúpula Ordens arquitetônicas sobrepostas: dóricas, jônicas e por vezes a compósita; que é uma criação romana. A falsa coluna, não utilizada para sustentação, só é usada de forma decorativa. A abóbada de berço. Frisos Elementos geométricos na abóbada que serviam para dar mais leveza visual, com função de embelezar. Os romanos usavam sobretudo tijolos de vários tamanhos e formas de acordo com o tipo de construção. O tijolo de forma retangular servia para as partes mais arredondadas das abóbadas. Usavam madeira para andaimes, portas e janelas. A pedra de cantaria, também era uma pedra que poderia ser trabalhada assim como o mármore e o granito. As construções eram feitas com um material chamado de tufo, que era pulverizado e depois de molhado se tornava um tipo de concreto. As paredes eram feitas com a técnica do “ a sacco”, que consistia na construção de duas paredes de tijolos e entre elas jogavam pedras, tijolos e por último o tufo. O tufo também é chamado de “pozzolana”. 23 Roma tem uma arquitetura muito ampla. Os romanos não se preocupavam em juntar naturezas e arquitetura, por exemplo as arquibancadas dos teatros eram construídas por altas paredes, diferente da arquitetura grega, que aproveitava a inclinação das colinas para a construção das arquibancadas. Alguns tipos de arquitetura em Roma: Odeons – pequenos teatros para música. Termas – salas para banhos, massagens, bibliotecas, ginástica. Era como um clube. A construção era muito grande chegava a medir 400x240 m de área, exemplo temos as “Termas de Caracala”. Templos – estavam sobre um podium, sua arquitetura era parecida com a dos gregos. Suas bases variavam de retangulares, redondas e poligonais, sendo esta última inventada pelos romanos. Usavam também as ordens arquitetônicas... Exemplo: “Templo do Panteon”, que era o templo de todos os deuses. O templo não era um lugar de cerimônias religiosas, e só entravam nos templos os sacerdotes. Anfiteatros – são dois teatros de forma oval. O “Coliseu” é o mais importante, e depois o de “Arena” que se encontra em Verona. Colunas votivas – de caráter narrativo, tinham a função de ornamentar a cidade e lembrar as pessoas os feitos dos imperadores, era narrada toda a história de guerras, era esculpida em relevos. Arcos de triunfo – Ornamentavam as cidades e narravam também os feitos dos imperadores. Exemplo: Arco de Tito, arco de Constantino e Arco de VII Severo. Fontes – as águas eram trazidas para as cidades, canalizadas pelos aquedutos Ornamentavam as cidades, serviam também de estradas. A população se abastecia de água através das fontes. Estradas – “Via Ápia”, ligava Roma até Cápua. Circo – tinha a forma oval, com uma espina (servia para dividir a estrada). Tinha 600m de comprimento, com tribuna do imperados e arquibancadas, esses circos eram destinados as corridas de carros (bigas). Tinham portas e arcos na entrada. 24 Hipódromo – destinados a corridas de cavalos. Tumbas – podiam ser em forma de pirâmides, monumentais ou em forma de templo. O povo de uma forma geral era cremado. Os cristãos por se negarem a cremar os corpos, eram enterrados nas “coemetrias” – que são galerias subterrâneas. A terra tirada para fazer estas tumbas servia para fazer a “pozzolana”, hoje estas “coemetrias” são cemitérios. Exemplo de tumbas: “Caio IV” – piramidal, “cecília Metela” – monumental. Basílica – tribunal de justiça ligado ao comércio, tribunal de pequenas causas. Cúria – sede do senado romano destinado a pessoas idosas. Fórum – praça onde ficavam os edifícios públicos mais importantes da cidade. Sua forma era retangular. Comidium – podium (lugar alto) serviam para fazer comícios. Casa Romana: Domus – as casas mais importantes foram as da cidade de Pompéia e as casas da classe média, que eram de pequenos comerciantes. De uma forma geral as casas romanas não tinham janelas com vista para fora, as janelas estavam voltadas para o pátio interno. Tinham apenas uma porta de entrada que dava acesso ao vestíbulo e chegava até ao pátio, chamado de atrium, este pátio tinha um peristilo (varanda com um pátio ao centro contronado por colunas). Todo pátio tinha um tanque onde era coletada a água da chuva, chamado de impluvium. O atrium era a parte mais importante da casa, tinha estátuas, máscaras mortuárias do patriarca. Este atrium dava acesso a outras partes da casa como: dormitórios, tablinio, (sala de recepção para receber visitas), bibliotecas, geneceu (lugar onde as crianças brincavam) e o triclínio (sala de almoço). Características das casas: Fechada por fora e aberta para dentro. Jardins internos. Não tinha pé direito alto. Cômodos pequenos. Pisos normalmente de mosaico, sobretudo mos espaços nobres como o atrium. Pinturas nas paredes, principalmente no peristilo. Sauna interna para banho quente. Quando a casa era de um comerciante, tinha uma porta exclusiva para o comércio. 25 A família era formada por: pai, mãe, filhos, agregados, escravos e etc., por isso que as casas tinham tantos compartimentos. Vila –casa de campo romana que quase desapareceu. A vila renascentista se inspirou na vila romana. Insulae - casa de aluguel, chegando a ter cinco unidades, com vários cômodos, cozinha comum a todos, sem higiene adequada. Palácios – residências dos imperadores tinham nesses palácios: templos, guardas, termas, parte para visitas, apartamentos de mulheres, salas de recepções, templo de Júpter, atrium e etc. era todo murado, com grandes portões de entrada. Exemplo: “Palácio de Deucleciano”. Escultura Romana: De caráter urbano, político e para perpetuar o nome dos imperadores. Suas representações eram feitas com suas roupas militares, muitas medalhas, conferindo assim mais importância. Todos os traços eram individuais, bem realistas. O busto retrato foi uma criação romana, sendo muito difundida em cera e depois em bronze. Nas esculturas romanas o lado físico e o rosto expressivo eram bastante captados pelo artista. Praxíteles (primeiro grego a representar uma mulher nua) foi muito copiado por Roma, suas estátuas enfeitavam os peristilos os atriuns nas fontes das casas. Esculturas tipicamente romanas:Estatuas eqüestres – monumentos de esculturas nas praças das cidades para enfeitar. Exemplo: Estátua Eqüestre de Marco Aurélio. Estátuas dos deuses – são cópias gregas e os romanos não davam tanta importância. Relevos – os baixos-relevos nos altares e ara paces-altar construído em honra a Augusto, todo ele é coberto de relevo. Retratos dos imperadores – os relevos tem caráter histórico e narrativo. Nas tumbas e nos sarcófagos tinham relevos funerários, sobretudo o casal que era enterrado junto, mostrando um busto retrato com algumas figuras da mitologia romana. 26 As ornamentações em relevo – tinham as guirlandas, que eram usadas nas festas pagãs esculpidos com flores e frutos. Usavam também nos frisos elementos estilizados bem coloridos. Pintura romana: Foram encontradas nas casas de Pompéia e Herculano: Pintura mural com a técnica do afresco. Esta pintura cobre quase que totalmente as paredes das casas. Faziam o “trompe-l’oeil”. São quatro os estilos da pintura: 1- Estilo de incrustação – consiste na imitação de material de acabamento – imitando mármore, madeira. 2- Estilo arquitetônico – consiste na imitação de elementos da arquitetura – colunas, frisos, capitéis, molduras. Estes dois estilos têm como base uma valorização da parede. 3- Estilo ornamental – consiste numa evolução do 2o. estilo, consiste na imitação de elementos da arquitetura mais decorado com elementos da flora. 4- Estilo ilusionista ou cenográfico – é uma síntese dos três estilos anteriores, com a presença da perspectiva com a finalidade de ampliar o espaço local. Estes dois últimos estilos anulam a parede e ampliam os espaços. Temas usados na pintura são: Paisagens urbanas Paisagens com ruínas Paisagens campestres Paisagens com imagens do cotidiano Retratos de forma bem realistas Cenas mitológicas, principalmente as proezas heróicas inspiradas na Ilíada e na Odisséia Cenas dramáticas Natureza morta (composição com frutas, legumes, flores e as vezes animais de caça). Pintura para decoração: Candelabros Pequenos gênios Arabescos Elementos da flora Molduras e frisos 27 A pintura romana tinha um aspecto impressionista, quando o artista fazia pinceladas rápidas e a utilização do claro escuro. INICIO DA ARTE CRISTÃ (C. DE 100 d.C. até 476 d.C.) Arte Paleocristã arte primitiva dos cristãos = arte dos 1º cristãos A cultura romana foi adaptada pela cultura helenística, mas com o decorrer do tempo outras religiões foram surgindo como religiões vindas do Egito e da Índia. Temos também o surgimento do cristianismo em Roma, e com o seu crescimento, os cristãos passaram a ser perseguidos, principalmente as classes mais pobres. Os romanos justificavam as perseguições aos cristãos pela nova filosofia de vida que transformava o comportamento das pessoas. A participação das mulheres foi de grande importância para a expansão do cristianismo, principalmente na classe dominante. Com a expansão do cristianismo nas classes dominantes, e a falta de um espaço para os cultos, as famílias doavam suas casas, que eram reformadas para se transformar em batistérios. Períodos da arte paleocristã: 1º Período – Catacumbário: Cerca de 200 d.C. até 313 d.C. – as reuniões eram feitas nas catacumbas ou galerias abandonadas. O período catacumbário só chegou ao fim quando Deucleciano (Imperador Romano) fez uma matança geral com os cristãos, colocando todos eles no Coliseu para serem devorados pelos leões, foi um verdadeiro massacre, uma covardia. A religião cristã passou a ser permitida depois da reunião do Edito de Milão, organizada pelos dirigentes romanos em 313 d.C., no governo de Constantino. A partir desse período passaram a ser construídas as Basílicas. 2º Período – Basilical: Cerca de 310 d.C. até 476 d.C. – Fim do período paleocristão. Com a queda do Império Romano do Ocidente houve uma dissociação com a invasão dos bárbaros. A partir desse período os cristãos puderam construir suas basílicas. Com o número de grandes seguidores, os templos deveriam ser grandes para se reunirem e discutir sobre a bíblia. 28 Os cristãos buscavam seus modelos nas basílicas romanas, como adaptação também da casa romana. A única coisa que se relacionava com a basílica era a sua construção, sua função eram totalmente diferentes. PERÍODO CATACUMBÁRIO ARQUITETURA: I que restou deste período foram algumas casas na cidade de Dura-Europos, que se mantém conservadas até hoje. As outras foram destruídas ou construídas outras igrejas por cima. ESCULTURA: Os cristãos eram contra os pagãos por eles representarem seus deuses através da escultura, por isso no início os cristãos eram contra a representação através de imagens, sendo assim neste período praticamente não existem esculturas. O que existe são relevos em sarcófagos, muito parecidos com os relevos romanos pagãos, apenas o que mudava era o tema: O Bom Pastor, e em cima do sarcófago tinha a imagem do morto. PINTURA: Ao contrário da escultura a pintura foi muito difundida, era uma forma de passar aos fiéis as mensagens do antigo testamento. Suas técnicas eram simples, assim como os próprios cristãos, eles mesmos eram os pintores (amadores e escravos). Técnica: de traços rápidos figura sugeridas mais do que representadas. Composição: com enquadramento geométrico ou enquadramento com elementos geométricos. Pintadas nos tetos de círculos. Principais temas: História de Jonas na baleia, representando o poder de Deus para salvar os fiéis, das garras da morte. Os três hebreus na fornalha em posição de prece de braços abertos. A pomba que representavam a paz e o Espírito Santo. A cruz – martírio de Cristo. O cálice – o santo graal. O anjo. A ressurreição de Lázaro. Na arte dos primeiros cristãos não havia a representação do inferno, pecado, castigo e do demônio. Entre os símbolos: o homem e a mulher entre flores que representavam o paraíso. A filosofia cristã era de esperança, paz e fé na vida eterna. PERÍODO BASILICAL 29 ARQUITETURA: Arte sempre ligada ao cristianismo. As basílicas paleocristãs foram adaptadas das basílicas e das casas romanas. Muitos dos nomes dados às basílicas eram de pessoas que faziam grandes doações. ESCULTURA: São relevos encontrados nos sarcófagos e alguns objetos de culto (cálice de prata, ouro e bronze) que receberam relevos. PINTURA: Vista de uma forma importante para as mensagens do Antigo e do Novo Testamento, com finalidade didática para difundir a doutrina, sempre de caráter narrativo simbólico. ARTE BIZANTINA 476 d.C. – 1453 d.C. Com a queda do Império Romano do Ocidente, começa o Império Bizantino. Bizâncio é a capital do Império Romano com todos os monumentos da arte romana. Bizâncio que hoje é a Turquia possuía arte romana. Constantino mudou o nome da cidade de Bizâncio para Constantinopla, e com a invasão dos turcos passou a se chamar Istambul. Nas igrejas bizantinas, o cristianismo foi muito importante, passando a ser a religião oficial sofrendo influências orientais. As igrejas bizantinas eram muito ricas nas suas construções e ornamentações, se repetindo muito a estética oriental com influência helenística. Ravena se tornou um grande centro bizantino apesar de se localizar na Itália. Os três centros mais importantes da Arte Bizantina são: Bizâncio Ravena Veneza A arte bizantina é uma arte totalmente vinculada ao Império, oficialmente dirigida pela igreja que detém o poder do Império Romano do Oriente, mostra o triunfo da igreja. Uma arte voltada para a propagação da fé. Os períodos são divididos em três:30 1ª idade de ouro: de 476 d.C. até 867 d.C. – marca a mudança da cidade de Bizâncio para Constantinopla, é a divisão da arte Paleocristã para a arte Bizantina. Marca o fim da crise da Querela dos Iconoclastas. Crise da igreja devido a pensamentos diferenciados. Um grupo era a favor da representação através de imagens – os monges. Outro grupo não era a favor da representação através de imagens – papa e imperadores. Iconoclastas = destruidores de imagens. As imagens feitas neste período eram dotadas de certo realismo, diferentes das imagens rígidas da escultura romana. O receio dos imperadores era a proximidade dos monges com o povo para a elaboração das imagens. A querela durou mais ou menos cem anos. Quebraram muitas imagens, não restando praticamente nada. Finalmente a querela chega ao fim com a vitória dos monges, que foi comemorada com uma grande festa na igreja de Santa Sofia. Durante o período da crise foram feitas várias figuras ligadas a flora e a fauna – abstratas, e surge também uma pintura mais forte, bem no estilo helenístico. 2ª idade de ouro: - 867 d.C. até 1204 d.C. – No fim da crise, o imperador era Basílio I, ele fazia parte da dinastia da Macedônia. Cruzadas – era um exército formado pelo povo, para lutar a favor da igreja do Ocidente. A partir de 1050 começa o conflito entre Ocidente e Oriente. Em 1204, é quando surge a 4ª cruzada que domina Bizâncio. Os venezianos iniciam um período de luta. O ocidente era a favor do celibato, acredita-se que surge este movimento para que os padres não se casassem, não dividindo assim os bens da igreja, acumulando desta maneira mais bens para que pudessem construir novas igrejas, e se impondo diante dos senhores feudais. Surge deste modo uma nova crise na igreja. Logo depois desse conflito o Império Romano do Oriente se perde e é preciso gastar muito recurso, é então que é preciso buscar o apoio do Ocidente. O papa organiza uma cruzada para buscar a Terra Santa. Bizâncio que não aceitou ajuda na 1ª, 2ª, 3ª cruzadas, se viu obrigado agora a aceitar, na 4ª cruzada, dando fim a idade do Ouro. 3ª Arte Bizantina Tardia – Nessa época a arte sofre uma decadência, e perde todo o seu poder. 1453 com a tomada de Constantinopla, Constantino Dragasés, o último Imperador cristão do Oriente é vencido por Maomé II. ARQUITETURA BIZANTINA 31 Nas duas idades do Ouro a marca mais importante da arquitetura bizantina é a cúpula, com características de representar a cúpula celeste. Era uma cúpula estruturada na vertical e não na horizontal como no Panteon. Abriam-se janelas em toda a volta como a Igreja de Santa Sofia, com 55m de altura. “Desce do céu por correntes de ouro”. Assim era conhecida a cúpula de Santa Sofia. As igrejas na tinham só uma cúpula central, como também outras em sua volta. Toda igreja bizantina tem cúpula. A característica mais forte é a planta centralizada com uma cúpula no centro, onde é o espaço principal. A Santa Sofia tem uma planta retangular centralizada com espaços que indicam uma cruz grega, ou seja, os quatro braços do mesmo tamanho. A Igreja dos Santos Apóstolos tem uma planta em forma de cruz latina, três braços do mesmo tamanho e um mais alongado. As plantas podem ser: Cruz grega Quadrada Quadrada com cruz grega Octogonal Circular Cruz latina As características são: Muitos ângulos externos. Formas arredondadas internas. Interior rico em ornamentação. Exterior simples e rude. Uso de contrafortes nas laterais com arco de meio ponto. Contrafortes = paredes grossas nas laterais para sustentar os arcos de meio ponto. Rica decoração de relevos com símbolos cristãos. Decoração interna com revestimentos em vários tipos de mármores. Mosaicos que revestem partes importantes da igreja. Capitéis decorados com aparência Islâmica, com rendilhados e formas abstratas. Uso do arco pleno e arco de meio ponto. Os materiais empregados variavam com a região, inclusive o material dos mosaicos e os mármores. O altar não podia ficar no centro da cúpula, foi então construído a abside para colocar o altar sempre para o leste. Os símbolos usados nos mosaicos: Os quatro evangelistas: 32 São Marcos = leão São João = anjo São Mateus = águia São Lucas = boi O Cristo sobre o globo terrestre, chamado também de Cristo Pantocrato, sempre se apresentando como salvador. Os apóstolos. Os anciãos do apocalipse. Algumas cenas do Antigo e do Novo Testamento. As representações dos milagres de Cristo. Cristo em posição central envolto com anjos. Estes mosaicos não passavam nada de negativo. Não há evidências de representações do demônio, de penitências, traição de Judas e nem a negação de São Pedro. As três igrejas mais importantes: Santa Sofia (Constantinopla) Santos Apóstolos (Constantinopla) São Sergio (Constantinopla) Em Ravena as igrejas mais importantes: Santo Apolinário o Novo Santo Apolinário In Classe São Vital Em Veneza São Marcos – estilo bizantino da 2ª idade de ouro, igreja de mesmo modelo de Santos Apóstolos, como cinco cúpulas com planta em cruz grega. São Salvador – é do período tardio com três cúpulas com abside (espaço circular na extremidade da igreja). MOSAICOS BIZANTINOS Arte por excelência bizantina. São formados por tesselas - (peças que compõem um mosaico). O mosaico bizantino tem sempre uma linha circulando as figuras. Suas características são: Presença de contorno Posição estática e simbólica Várias situações numa mesma cena Ausência de perspectiva Ausência de anatomia Deformação da figura e 33 Cores simbólicas o O branco – verdade, usado na veste de Cristo. o O vermelho – o sol, o fogo, o sangue, usado nas asas do anjo Serafim e o manto de Cristo. o O azul – a noite, a lua, o céu. Usado mais tarde para o manto de Nossa Senhora. o O verde – esperança, vegetação. A pintura e o mosaico em termos de temas são os mesmos. É no mosaico que existe um triunfo da estética Oriental e Ocidental helenística. Mosaico quer dizer: artes das musas, uma arte que precisa ter paciência para desenvolvê-la. ESCULTURA BIZANTINA: Quase toda escultura desapareceu com a crise dos iconoclastas, o que restou são poucos exemplares: Uma cabeça de um imperador Acádio, como olhos grandes, cabelos estilizados, olhar de contemplação. É um busto retrato. Pequenos objetos dedicados ao culto, na maior parte das vezes em ouro, prata e com algumas pedras preciosas. A cadeira do arcebispo Maximiniano de Ravena, em madeira e marfim com símbolos cristãos esculpidos. (pode ser considerada uma escultura). PINTURA BIZANTINA: Temos duas tendências: 1ª Tendência helenística Caráter naturalista Movimento das vestes 2ª Tendência oriental: Lei da frontalidade Ausência de perspectiva Caráter simbólico Figuras estáticas. Tipos de pinturas: Afrescos nas igrejas Iluminuras de manuscritos ou miniaturas são ilustrações dos textos. Toda pintura era de caráter narrativo. Os temas eram bíblicos com iconografia cristã. Não havia preocupação em mostrar uma narração em ordem e sim dois ou três momentos diferente, sem seqüência. 34 Observa-se certa simetria e um equilíbrio nos desenhos. O artista bizantino é anônimo. ARTE ROMÂNICA (aprox. séculos XI e XII) Período da história da arte na Europa ocidental que abrange basicamente os séculos XI e XII, caracterizado pelo auge do feudalismo, pela variedade regional de estilos, predominância da arquitetura religiosa, rica decoração de fachadas e capitéis de colunas, usode arcos plenos, abóbadas de berço e arestas, espigões e contrafortes, e pela criação de abundante imaginária. Feudalismo – sistema econômico, político e social que se fundamenta basicamente sobre a propriedade da terra, cedida pelo senhor feudal ao vassalo em troca de serviços mútuos (proteção por parte do senhor e servidão por parte do vassalo) e que caracteriza a sociedade feudal (surgida após as invasões germânicas na Europa, a sociedade feudal desenvolveu-se do período que vai do século IX ao XIII). Sobre a influência do apocalipse no ano 1000d.C. a igreja passou a organizar as cruzadas para a Terra Santa para a reconquista de Jerusalém e o túmulo de Cristo. Surge neste período uma série de rotas de peregrinações que saía da Itália e da França com destino a Santiago de Compostela na Espanha. As cruzadas influenciaram positivamente todo o comércio da região. Traziam também recursos para toda a rota de peregrinação e com isso a igreja foi conseguindo posses, terras. etc... As doações de terras e de bens eram feitas em troca da salvação quando chegasse o juízo final. No período medieval não havia muitos horizontes. As perspectivas de vida para os filhos conseqüentemente eram muito pequenas, a maioria ia para os mosteiros ou trabalhavam em profissões menos valorizadas: cozinheiros, carpinteiros, sapateiros, ferreiros, etc... Essa dificuldade fez com que os mosteiros de multiplicassem na Europa, e dentro dos mosteiros houve uma diversidade de cultura bastante expressiva. Foi observada também a necessidade de uma constante manutenção nos mosteiros aumentando o número de pedreiros que atuavam inclusiva na elaboração de esculturas, que mais tarde estes pedreiros se uniram numa confraria dando origem às marcenarias. A arte nesse período continua a ser anônima, mas a mão-de-obra começa a ser valorizada, fazendo com que esses profissionais (escultores e pintores), começassem a ter fama. 35 Em todo o período medieval sente-se a presença da opressão e da autoflagelação, e mesmo depois do ano 1000, que não houve o apocalipse, ainda existia a autoflagelação, é a partir daí que começa a aparecer o demônio, as trevas, o castigo, o inferno e a inquisição. Dentro deste aspecto da sociedade medieval a arte seria opressiva, rígida e controlada. Na arquitetura todos os ambientes seriam escuros, com galerias no alto das construções, de onde os monges passavam e observavam os que estavam presentes na igreja. É nesta época que surgiu a ordem dos beneditinos, hoje onde originalmente foi sua sede existe a maior biblioteca da Europa. Com esta ordem foi criado o mosteiro de Cluny, Borgonha (França), que se tornou o modelo para outros mosteiros e o berço da reforma. Dentro do sistema de hierarquia nesse período temos: os nobres, a cavalaria, o clero, os burgueses e os camponeses. A arte românica é uma arte heterogenia onde as origens étnicas da diferentes populações interferem nas soluções arquitetônicas. Os mosteiros são inseridos em ambientes rurais, deferente do gótico que é uma arte das cidades. Os períodos da arte românica se dividem em: Românico primitivo – 1000 a 1100 Alto românico – 1100 a 1180 Românico tardio – 1180 a 1240 ARQUITETURA ROMÂNICA: Tipos:Religiosa – mosteiros e igrejas Civil – castelos, fortificações e casas A ARQUITETURA NOS MOSTEIROS: As partes dos mosteiros são: Biblioteca Campo santo (cemitério) Oficina (pinturas dos livros, iluminuras ou miniaturas) Despensa Cozinha 36 Sala capitular (sala de reuniões) Refeitório Atrium Pátio Pocilga Estábulo As celas (cômodo muito fechado, eram os quartos, muito simples, despojado de qualquer coisa que se refere à riqueza, um ambiente opressor e escuro) Instalações sanitárias Farmácia Ferraria Igreja, com uma cripta subterrânea sob o altar (catacumba) Era uma construção auto-suficiente, fácil de entrar, difícil de sair. Construídos no alto do morro, ambiente rural. CARACTERÍSTICAS GERAIS DA ARQUITETURA ROMÂNICA: Pequenas aberturas Construções muito sólidas e fechadas Predominância do cheio sobre o vazio Abóbada de berço Arco pleno ou arco de meio ponto Abóbada de arestas Paredes grossas Uso de contrafortes Os materiais variavam de região para região CARACTERÍSTICAS DAS IGREJAS ROMÂNICAS: Localizada, sobretudo nas aldeias, é uma evolução da basílica cristã. Tem planta em forma de cruz latina Com o desenvolvimento românico nas rotas de peregrinação as relíquias foram colocadas nas capelas radiais e na abside. Fizeram o deambulatório, uma espécie de corredor atrás do altar para que pessoas caminhassem e não se aproximassem muito das imagens. Na igreja românica há a presença da torre sineira, que varia de aspecto de região para região: o Na França ela sempre faz parte da fachada ou do cruzeiro o Na Itália, sempre separada da igreja A cripta sob o altar Galerias no alto formavam alguns espaços vazios 37 ALGUNS ELEMENTOS DA ARQUITETURA: O portal da igreja: Mainel; (d) Lintel – (b) Tímpano ou mandorla (a) Arquivioltas – (c) Umbrais (e) Porta (f) ESCULTURA ROMÂNICA: Diretamente vinculada à arquitetura e a representação transmitindo um forte sentimento religioso, recriando a imagem da igreja triunfante. Tem caráter didático e simbólico. OS TEMAS SÃO: Sagrada escritura Cultura popular Alegorias das estações Representação de fábulas populares Atividades dos camponeses O céu E o inferno A virtude e o vício Temas vinculados a Virgem Maria, porém mais freqüentes no período gótico. O Cristo envolto numa mandala sentado sobre um trono na parte do tímpano 38 Apocalipse e o juízo final Algumas ornamentações variam de lugar para lugar, assim como a arquitetura. As ornamentações dos tímpanos são mais importantes. Na Borgonha existe uma predominância de temas ligados ao demônio, mostrando a divergência entre o bem e o mal. “O Cristo de Autum” feito pelo escultor Gilesbertus, serviu de modelo para todos os outros, por isso seu escultor ficou famoso. Os espaços destinados à escultura deixados pela arquitetura são: Portais tímpanos As bases dos altares Os capitéis Lintéis PRINCÍPIOS DA ORGANIZAÇÃO DA ESCULTURA ROMÂNICA: 1o. A lei de domínio da arquitetura: essa decoração da escultura se localiza em pontos estratégicos da arquitetura como altares, portais etc. 2o. A lei do enquadramento: as figuras se enquadram em um espaço determinado no tímpano se ajeitando de modo que caiba e ocupe todo o espaço. 3o. A lei do maior número de contatos: encosta-se o máximo possível de uma escultura na outra e mesmo nas bordas, como se na escultura houvesse um horror de espaços vazios. Todo o espaço devia ser preenchido tendo o máximo de contato com as margens criando figuras tortas. 4o. A lei do formalismo interno: consiste em que algumas formas primordiais passem a gerar outras figuras com semelhança a ela. Era uma metamorfose feita com formas análogas. CARACTERÍSTICAS DA ESCULTURA ROMÂNICA: Maior número de contatos com as margens A maior parte das esculturas em alto e baixo relevo São figuras atarracadas Forma rígida com contorno simbólico Cabeça grande em relação ao corpo Não existe a escultura plena como no período romano Toda escultura era de caráter simbólico e didático, com diferenças regionais, sobretudo nos materiais. PINTURA MURAL: 39 Técnica do afresco com detalhes de encáustica que é o pigmento misturado comcera. Os artistas orientais viajavam muito havendo uma troca, sobretudo nas técnicas. Os temas tanto da pintura mural ou sobre madeira são de caráter educativo, didático e simbólico. São feitos três ou quatro composições num mesmo quadro. TEMAS: Vida de Cristo Virgem Maria Antigo e novo testamento Pintura sobre madeira: Era um quadro pequeno onde havia pinturas douradas, às vezes se apresentavam como díptico e outras como trípticos, que eram feitas com madeiras lado a lado e juntas por tiras de couro, e serviam para serem levadas nas procissões. As iluminuras ou miniaturas: São ornamentações feitas nos livros, na bíblia. Nestas pinturas temos a presença quase que constante da fauna e da flora. A primeira letra do texto também sempre é trabalhada. A pintura mural quase desapareceu. OS VITRAIS: Começa no período românico e se desenvolve no período gótico. O vitral é formado por pedaços de vidro incrustados com um perfil de chumbo. O vidro nesta época ainda tinha um aspecto rudimentar, eram bastante grossos. Ainda com o vidro quente se joga o pigmento. Percebe-se uma tonalidade amarelada nos vidros do período românico, provavelmente ao tipo de areia usada. A moldura e a estrutura dos vitrais no início do período românico eram feitos de madeira. Só a partir de 1200 que as estruturas passaram a ser de ferro fazendo ligações e estruturando a janela. Eles costumavam colocar muitos vidros brancos e alguns coloridos, e o contorno do chumbo fornecia uma linha de contorno. O esmalte era usado em pequenos objetos de culto com: candelabros, taças e etc... 40 O mosaico também teve seus momentos de utilização. ARTE GÓTICA (aprox. séc. XIII e XVI) Para a maioria dos historiadores a arte medieval é, desde muito, sinônimo de arte gótica. Esta concepção, que ignora as artes bizantinas e românicas, é em parte justificável pelo fato de a arte gótica ser a mais espetacular da Idade Média. A sua arquitetura é particularmente ousada e marca, de certo modo, no Ocidente, o apogeu de um período que os historiadores situam entre 395 d.C. e 1453 d.C. com a queda de Constantinopla. O termo gótico vem do nome “godos”, povo bárbaro, árabes, que invadiu o Império Romano. Essa revolução do estilo gótico começa quando um abade chamando Surger resolve fazer uma reforma na igreja Abadia de Saint-Denis. Percebendo o aspecto estrutural do arco de meio ponto ser limitado e exigindo paredes muito largas, ele resolve quebrar esse arco e retirar as paredes que o sustentava, colocando no lugar das paredes colunas que serviam agora de sustentação. Dessa maneira os espaços ficaram mais livres, e foram deixadas grandes aberturas que eram cobertas de vitrais. Em torno de 1140 começou o desenvolvimento do gótico e o desenvolvimento das cidades, consequentemente aumentando as profissões. As pequenas aldeias foram aumentando. A classe burguesa sentia necessidade de ter suas próprias catedrais, que foram construídas devido ao sentimento religioso e de união da comunidade. De 1145 a 1220 é construída a catedral de Chartres e em 1163, logo em seguida a catedral de Notre-Dame de Paris. As construções dessas catedrais foram se expandindo da França para Alemanha, Grã-Bretanha, Áustria e Norte da Itália. Cada lugar assimila o gótico de acordo com sua nacionalidade. O aspecto formal da catedral de Notre-Dame é simples: dividido em três partes na horizontal e três na vertical. Assim como a igreja romana, a igreja gótica tem seu eixo da nave principal leste-oeste, representando Jerusalém. A sua abside é voltada para o nascer do sol. CARACTERÍSTICAS DA ARQUITETURA GÓTICA: Arco ogival Grandes janelas (aberturas com vitrais) A rosácea nas fachadas e muitas vezes nas laterais (também aparece no românico, mas é do estilo gótico). Abóbada de arestas. O verticalismo (a catedral sobressai nas cidades, as torres são altas). Torres na fachada e às vezes no cruzeiro. 41 As ornamentações da arquitetura são com elementos derivados da natureza, sobretudo os pináculos, pequenas folhas que enfeitam arcos e flechas, que são elementos decorativos. As abóbadas de nervura cruzadas ou cruzadas de ogivas. As colunas adoçadas no interior das construções. Planta em cruz latina com três ou cinco naves. Capelas radiais. Deambulatório Cruzeiro Transepto Abside com capela-mor Cripta sob o altar Galeria Cleristório Telhado em duas águas normalmente com telhas de ardósia. Na França o gótico é mais clássico. Na Alemanha e na Inglaterra é mais decorativo. Na Itália ele aparece mais ao sul como elemento decorativo e a torre sineira era separada da igreja. ESCULTURA GÓTICA É uma arte independente, valorizando a arquitetura. Nos portais os temas mais importantes preenchem os tímpanos. O juízo final com o Cristo dentro da mandala, de um lado o céu e do outro o inferno com os apóstolos e anjos em volta. A virgem está sempre coroada como rainha mostrando a nobreza e a igreja. Os temas estão sempre ligados a nobreza. A verticalidade nos sarcófagos sempre decorados que ficavam e alguns nichos e capelas dentro das igrejas, com cenas da vida do morto. No mainel, umbrais e arquivoltas. No período gótico sempre vão existir esculturas nas partes dos portais. O bem sempre vence o mal. As esculturas são feitas fora e colocadas nos nichos com garras metálicas na parte de trás. O rosto da virgem é sempre “afetado” (expressão de piedade). Gestos nobres e expressões parecidas. A valorização do Novo Testamento, da vida de Cristo. A escultura se associa à arquitetura entrando em toda a parte, nos portais, nos altares, coberturas, etc. As gárgulas são elementos de arquitetura esculpidos em pedra, usados para canalizar as águas das chuvas que descem dos telhados. Baldaquino é uma cobertura que fica sobre o altar. Os nobres também ganharam suas esculturas nas igrejas, a medida que doavam grandes quantias. As armas e os cavaleiros também são representados nas esculturas. 42 As catedrais eram uma verdadeira Bíblia de pedra. A escultura assim como a arquitetura apresentava diferenças de acordo com a região. O púlpito, lugar onde o padre sobe para falar aos fiéis, todo esculpido, aparecendo sempre a figura do leão que representava a força. Em Veneza há muita presença do gótico com influência mourisca. O gótico que vai para Espanha também é de influência dos mouros. PINTURA GÓTICA: Pintura mural Pintura sobre madeira Iluminuras. A partir do século XII a pintura passa a ter um desenvolvimento muito grande onde foram acrescentados alguns elementos novos. O gótico na Itália não chegou a se expandir tanto, porque a escultura era muito cara. Na Itália a pintura começou desde o período românico com as sobras de paredes deixadas pela arquitetura. O gótico valorizava as esculturas como na França e nos países nórdicos. Foi a partir do século XIII que os artistas passaram a ser reconhecidos. TEMAS DA PINTURA: Valorização do Novo Testamento assim como na escultura. CARACTERÍSITCAS DA PINTURA: Hierarquia por tamanho Verticalismo Hierarquia por composição (a pessoa mais importante no centro da pintura) Não existia movimento (eram contidos) Gestos nobres Simetria Fundo dourado Representação de elementos da arquitetura gótica, sobretudo das molduras em forma de arco ogival, muitas vezes em flechas. Uma composição em dois ou três momentos simultâneos (diferentes momentos numa mesma composição). Aspecto simbólico Contraste entre o bem e o mal (anjos e demônios).A partir do século XIII começa com Giotto (pintor) elementos da perspectiva com ponto de vista central figurando as cenas, transformando o fundo dourado em azul, representando a paisagem não se distanciando do aspecto simbólico. Podemos dizer que Giotto foi o precursor do renascimento. 43 Na Itália começa a surgir as escolas de pintura. A escola de Florença foi a mais importante. Alguns pintores importantes da escola de Florença: Cimabue - (1249 - 1302), ele pintou São Francisco colocando no seu rosto uma tristeza humana (figuras com sentimentos humanos, valorizando a doutrina da vida de São Francisco). Giotto – (1276 - 1337) foi aluno de Cimabue, grande mestre gótico e precursor do renascimento. Fez duas obras importantes: Todo afresco da igreja de São Francisco. E as pinturas com toda a vida de Cristo na capela de Scrovegni, em Pádua. Alguns pintores da escola de Siena: Simone Martini Pietro Lorenzetti Todos esses artistas fizeram pintura em afresco, só no final do gótico que passaram a fazer detalhes dos afrescos em pintura a óleo. Na pintura sobre madeira usaram duas técnicas. Têmpera: mistura com gema para resultado fosco e mistura com clara para resultado brilhante. Encáustica: pigmento com cera. Detalhes a óleo. As iluminuras deixam de ser exclusivas da religião, os nobres começam a usar esses manuscritos para escreverem suas histórias. TEMAS: Vida de Cristo Virgem Maria Antigo e Novo Testamento Pintura sobre madeira: Era um quadro pequeno onde havia pintura dourada, as vezes se apresentavam como dípticos e outras como trípticos, que eram feitas com madeira lado a lado e juntas por tiras de couro (como dobradiças), e serviam para serem levadas nas procissões. As iluminuras ou miniaturas: São ornamentações feitas nos livros. Nestas pinturas temos a presença quase que constante da fauna e da flora. A primeira letra do texto também é sempre trabalhada. 44 Os Vitrais: Começa no românico e se desenvolve no período gótico. O vitral é formado por pedaços de vidro incrustados com perfil de chumbo. O vidro nesta época ainda tinha aspecto rudimentar, eram bastante grossos. Ainda com o período românico, provavelmente pelo tipo de areia. A moldura e a estrutura dos vitrais no início do período românico eram feitos de madeira. Só a partir de 1200 que as estruturas passaram a ser de ferro fazendo ligações e estruturando a janela. Eles costumavam colocar muitos vidros brancos e alguns coloridos, e o contorno do chumbo fornecia uma linha de contorno. O esmalte era usado em pequenos objetos de culto como: candelabros, taças etc. O mosaico também teve sés momentos de utilização. RENASCIMENTO (abrange os séculos XV e XVI) Renascimento significa “renascer”. O renascer das formas, ou pelo menos, do espírito, mostrando que a arte assim como a ciência, tinha as suas próprias leis e que essas leis já tinham sido descobertas pelos artistas gregos e romanos. Teve início nas primeiras décadas do século XV, com a redescoberta da literatura do mundo antigo, principalmente de Roma e Grécia, onde foi encontrada uma grande valorização da natureza, do corpo humano e do mérito pessoal, surgindo assim o humanismo, onde agora o homem é o centro e a medida de todas as coisas. Foi um período de grandes transformações na religião, nas idéias e no comportamento, que acabou por refletir nas produções artísticas. Foi o mais novo espírito que transformou as artes, as ciências, a literatura, a filosofia, a política, a educação, a religião e todos os modos de pensamento. O Renascimento se mostrou menos superficial, estudou mais os princípios do que as aparências da antiguidade. As figuras ficaram mais idealizadas, as formas mais monumentais e organizadas segundo composições geométricas. O Renascimento também incorporou certo número de idéias e atitudes que marcaram o mundo moderno, como: o otimismo, os interesses terreno, hedonismo (doutrina moral que considera o prazer à finalidade da vida), o naturalismo, o individualismo e o humanismo. João de Salisbury e Dante Aliguieri, dentre outros, foram os que se inspiraram na literatura grega e romana. As causas do Renascimento: Influência da civilização sarraceno (mouro, árabe, mourisco) principalmente bizantina. O florescimento do comércio. O crescente das cidades. 45 A revolução do interesse pelos estudos clássicos nas escolas dos mosteiros e das catedrais. A negação ao misticismo da Idade Média. O interesse pela intelectualidade (surgindo as universidades de direito e medicina). O desenvolvimento de um espírito de pesquisa científica. “Revival” dos estudos gregos e romanos. As famílias mais importantes: Médicis = Florença Sforza = Milão Ferrara = Nápoles Patronos eclesiásticos (alguns papas): Nicolau V Pio II Julio II Leão X Estes papas foram detentores das artes e das letras, protegendo os artistas. Os portos de: Veneza, Nápoles, Gênova e Pisa foram os portos mais importantes da Itália que se beneficiaram do comércio com o oriente. Na literatura temos: Francisco Petrarca (1304 – 74) o Pai da literatura italiana renascentista – pai do humanismo. o Sua escrita era semelhante a de Dante (Divina Comédia). o Acreditava no cristianismo como caminho da salvação do homem. Giovanni Boccaccio (contemporâneo de Petrarca) o Escreveu Decameron – centenas de histórias contadas por sete jovens mulheres e três rapazes – este grupo de pessoas tinha a finalidade de passar o tempo numa estada forçada, numa vivenda dos arredores de Florença para escaparem às devastações da peste negra. No teatro: o Temas ligeiros e alegres. o Comédias satíricas. o Nicolau Maquiáveal – Mandrágora e o Príncipe. Quattrocento (Alto Renascimento-século XV – 1400-1499) Período de paixão pelos estudos gregos. Centro de desenvolvimento em Florença A pintura foi a última de todas as artes a se afastar do modelo bizantino. Mas foi no quattrocento que a pintura atingiu sua maioridade. 46 A igreja no quattrocento deixa de ser a única protetora dos artistas, embora os assuntos bíblicos fossem bastante utilizados. Tornou-se mais popular a pintura de retratos que já havia começado na Idade Média. As pinturas tinham uma grande inspiração religiosa. Utilizavam a perspectiva matemática, ou seja, a tridimensionalidade representada no plano. A finalidade da pintura era: deleitar a vista com a opulência das cores e a beleza das formas. Introdução da pintura à óleo – importada dos Flandres (norte da Béligica), onde o pintor podia trabalhar mais devagar, fazendo correções. A maioria dos pintores era florentino. Na arquitetura Renascentista deste período as proporções são bem equilibradas. Percebemos isto nas construções onde a altura dos andares diminui progressivamente de baixo para cima e as paredes se tornam mais rugosas à medida que se aproxima do chão. Alguns pintores: Massacio; pintou - “A expulsão de Adão do paraíso” e a “Moeda do tributo”. Fra Lippo Lippi – pintor de uma irmandade religiosa. Botticelli – influenciado pelo neoplatonismo e sonhava com uma reconciliação dos pensamentos cristãos e pagãos.Pintou “A Alegoria da Primavera” e “ O Nascimento de Vênus”. Leonardo as Vinci – foi aluno de Verocchio, trabalhou para a família Médici e depois para a Sforza em Milão onde produziu suas melhores obras. “A Virgem das Rochas”, “A Última Ceia” e “Monalisa”. Luz e sombras e a técnica do sfumato são suas grandes característica de sua obra. Surge também nesse período a escola de pintura italiana – “Escola Venezziana” – onde encontramos: Ticiano, Giorgione, Tintoreto, as abras dessespintores reflete a vida luxuosa e o amor ao prazer. Não tinham preocupação com os temas filosóficos e psicológicos típicos dos trabalhos das escolas florentina. O Cinquecento:(Renascimento Pleno-1a. metade- século XVI –1500/1550). Alcançou a igualdade dos gregos chegando a originalidade tanto da forma como do conteúdo, atingiu o seu auge e surgiram também os primeiros sinais de decadência. Foi nesse período que se deu o início da construção da Basílica de São Pedro. A perspectiva surge com mais intensidade, começando a fase do Renascimento Clássico, que se desenvolveu em Roma. Na arquitetura aparecem ornamentações mais detalhadas em janelas e fachadas. Grandes pintores do apogeu na renascença viveram no cinquecento. Roma agora é o grande centro da Renascença. 47 Artistas: Rafael Sanzio (1483/1520) Artista mais popular do cinquecento, admirados de Leonardo da Vinci, desprezava o sentido intelectual. Algumas de suas obras: “Escola da Atenas” e “Madona Sixtina”. Michelangelo (1475/1564). Maior pintor do cinquecento. Obras mais conhecidas: “Capela Sixtina” (teto), quatro anos e meio, 560 metros quadrados de teto, cerca de 400 figuras, algumas medindo até 3m. Temos também obras como “ O juízo Final” e “Pietá”. Renascimento Tardio – século XVI – segunda metade. Consta de certo desequilíbrio temático e decomposição. Monumentalismo na escultura. Os itens anteriores levam as produções renascentistas deste período para o Maneirismo e para o Barroco perdendo a forte ligação com o homem. Renascimento em Veneza: Enquanto pintores e escultores trabalhavam em Florença e em Roma, o Renascimento desenvolveu-se de maneira diferente em Veneza. Era uma cidade enriquecida pelo comércio com o oriente, adquirindo um caráter exótico, único na Itália. Arquitetura renascentista: A Renascença européia não foi somente a redescoberta da arte e da arquitetura clássica da Grécia e de Roma antigas, mas também um período de grande expansão da filosofia, ciência e literatura e da abertura para um mundo novo em preparação para o mundo moderno que hoje conhecemos. Os três estados republicanos de maior força eram: Veneza, Florença e Roma. Florença era dominada pela família Médici, seus negócios mais importantes eram o comércio, bancos e política. Como outras famílias bem sucedidas de Florença, os Médicis foram patrocinadores das artes e das ciências. Entre seus amigos encontravam-se: pintores, escultores, estudantes, astrônomos e matemáticos. Os escultores e pintores voltaram a incluir a forma humana nua em sua arte, porém de uma maneira mais iluminada. Esse tipo de trabalho veio refletir quando os escritos de Vitrúvio, um engenheiro militar romano do século I a.C., sobre a arquitetura veio a ser totalmente absorvido, por se basear na arquitetura da figura humana; no circulo e na esfera, ou seja, para Vitrúvio a proporção era o símbolo da beleza em qualquer forma, que levou e,fim a um novo estilo de arquitetura. 48 Um dos fundadores da Renascença foi Brunelleschi. Ele projetou a cúpula da Catedral de Florença (1420), “Santa Maria Del Fiori”, “O Hospital dos Inocentes” dentro outros. Características da arquitetura renascentista: Utilização de elementos clássicos (ordens arquitetônicas, sobretudo as romanas), como a dórica, Jônica, Corinthia, toscana e Compósita. Utilização do arco romano de 180o. busca da simetria absoluta como a Igreja de Santo Antônio. Simplificação no aspecto construtivo. Racionalização das cidades e dos edifícios. No século XV, utilização das ordens corinthia e Compósita. Arquitetura elitista (principais construções: palácios e vilas). Arquitetura Religiosa: Planta: No início foi mantida a cruz latina (com certa modificação nos interiores). Depois cruz grega (típica do renascimento) com centro coberto por uma cúpula (ponto mais importante da igreja, tinha a função prejudicada mas a estética perfeita). Tinha também a planta circular como a Igreja de S. Andréa Del Quirinale com o diâmetro de 24m. Geralmente todo cruzeiro tinha uma cúpula. As Igrejas possuíam: nave principal, transepto, cruzeiro, coro, naves laterais e claustro. Tinham também pilastras nas fachadas, que foi muito usado no período da Renascença Tardia e no período barroco. No interior das igrejas geralmente o teto da nave central é plano com rebaixo onde linhas convergem para um plano de fuga (perspectiva). Nas fachadas encontramos s presença das ordens arquitetônicas: corinthia, dórica e jônica, que articulam as partes (inferior e superior). Construção da Basílica de São Pedro: Com as desordens políticas em Florença, os Médicis foram derrubados e o poder do papado ganhou força. Roma recebeu influência da arquitetura de Florença seguindo-se assim o período da Alta Renascença. Neste período deu-se o início da construção da Igreja de São Pedro. Bramante foi um dos maiores arquitetos em Roma, ganhando um concurso para a construção desta basílica. 49 Julio II, grande papa patriota desejava uma igreja que servisse para sua própria tumba, e a partir da demolição da velha igreja de São Pedro em 1506 com o projeto de Bramante dá-se início a construção da maior obra religiosa. Foi uma obra que demorou 120 anos para ficar pronta (1506-1626), passando por modificações no decorrer do tempo pelos arquitetos que eram nomeados como: Giuliano de Sangallo Francesco Giocondo Rafael Baldassare Peruzzi Antônio de Sangallo e Por último Michelangelo que também modificou o projeto de Bramante. Michelangelo foi nomeado aos 72 anos, e grande parte da igreja é trabalhjo seu, principalmente a cúpula. Na planta de Bramante para São Pedro, tinha um clássico exemplo de proporção e ritmo, era em cruz grega inscrita, completamente simétrica, com absides nas extremidades. Michelangelo reduziu o número de nichos e fez o deambulatório ao redor de sua enorme cúpula central, dentro de mais um quadrado. Carlos Moderna estendeu a nave principal na direção oeste transformando a planta em cruz latina acrescentando o enorme pórtico de entrada e a imponente fachada oeste. Só em 1655 e 1667 foi construída a praça em frente a igreja com colunatas formadas por colunas da ordem toscana do arquiteto barroco Gian Lorenzo Bernini, e foi ele também que fez o mais famoso trabalho para a igreja que foi o grande baldaquino barroco. Feito em bronze dourado sobre o altar principal. As colunatas torcidas do baldaquino com esculturas altamente decorativas, incluindo inscrições heráldicas. A altura do baldaquino é de 3,05m. O baldaquino e o altar-mor ficam no cruzeiro, onde se tornam pequenos pela grande dimensão da grande cúpula acima, cujo interior é decorado com afrescos e mosaicos. A cúpula foi obra prima de Michelangelo. Ela tem a distância do chão até o nível da base de 76m. O peso da cúpula e transmitido através de pendentes e arcos dos quatro gigantescos pilares de ordem corinthia com influência barroca. O exterior da igreja é acabado com pedra travertina. Arquitetura civil (privada): Palácios: Planta – forma de cubo com pátio central 3 pavimentos Arcada com série de janelas em arco no pavimento superior virada para o pátio. Fachada: 50 Cobertura irregular com pedras que diminuem o tamanho e a irregularidade à media que sobem. Sobreposição de ordens. Janelas sobrepostas (ordens nas janelas) Construção feita em pedra Tendência para a horizontalidade. Villa: Principal construção civil feita no campo. Cômoda e aberta para a natureza (para repouso). Construção aberta para o exterior e para o interior. Casa de minoria, bem luxuosa. Possuía pátio interno, arquitetura sólida, janelas e portas se abrindo para a natureza (com objetivo de repouso). Andréa Palladio que atuou nas construções de villas para pessoas abastadas, foi muito copiado. Este estilo era conhecido como estilo Palladiano. As plantas têm forma simétrica com pórticos e colunatas. Arquitetura civil (pública): Edifícios públicos Itália (casa e edifícios públicos) As construções seguiam certos regulamentos municipais como: proibição de saliências que poderiam obstruir a rua e prescrições de prevenção de incêndio. Havia também exigências de se manter a linearidade das ruas, o que exprime certa sistematização de planejamento urbano. Na decoração observa-se influência árabe devido a presença de elementos exóticos advindos dos descobrimentos (navegações), e do comércio. As praças são de grande importância na frente dos edifícios. Exemplos de edifícios públicos: câmaras municipais, mercados, teatros, hospitais, casas da moeda, universidades, edifícios administrativos das cidades mais ricas, biblioteca de São Marcos em Veneza. Donatello (1386/1466). Produziu a primeira estatua eqüestre monumental em bronze – “condotiere Gatamelata”. Arquitetura elitista – palácios e villas. Arquitetura religiosa: No início a planta das igrejas era em cruz latina com algumas modificações no seu interior, depois a cruz grega que se tornou típica do Renascimento. O centro era coberto com uma cúpula. Pilastras nas fachadas. 51 Teto da nave plano. Na fachada ordens arquitetônicas (coríntia, dórica e jônica). As igrejas possuíam: nave principal, transépto, cruzeiro, coro naves laterais e claustro. Arquitetura civil (privada). Palácios: Forma em cubo com pátio central. Três pavimentos. Arcada com séries de janelas viradas para o pátio. Na fachada: cobertura irregular com pedras que dividem o tamanho. E a irregularidade a medida que sobem. Sobreposição de ordens. Janelas sobrepostas. Horizontalidade. Villas: Principal construção civil no campo. Todos os cômodos abertos para a natureza. Casa de minoria bem luxuosa. Possuía pátios internos. Edifícios públicos: Câmaras municipais. Mercados. Teatros. Hospitais. Casa da moeda. Universidades. Edifícios administrativos. Bibliotecas. As praças em frente aos edifícios, no período romano eram fechadas impossibilitando o trânsito local. Agora elas são elementos fundamentais e funcionais da arquitetura urbana, serviam como ponto de encontro da burguesia e era palco de manifestações públicas, de mercado, mas em especial de espaços livres dando harmonia a todos os ângulos de visão com o objetivo de mostrar a beleza dos mesmos. A sua importância é tal que em Veneza só se pode chamar de “piazza” a praça de são Marcos. Arquitetura militar: Fortalezas: Função exclusivamente militar. Projetada para resistir às armas de fogo. Construídas com pedras, paredes grossas com poucas aberturas. 52 Torres redondas com alturas variadas, ou seja, eram altas e baixas para se enxergar de vários ângulos e evitar a destruição do todas as torres e quanto mais alta mais difícil de ser atingida. Presença de saliência que tem a função de defesa (ameias e merlões). Alguns nomes de arquitetos: Século XV (1a. metade) Brunelleschi: fundador do Renascimento Projetou a cúpula da Catedral de Florença (Santa Maria Dell Fiori-1420). Projetou o “Hospital dos Inocentes”, usado de modelo para orfanatos e asilos em várias cidades italianas (modelo estético e funcional). Alberti: projetou a igreja Santa Maria Novella. Projetou a igreja de Santo Andrés em Mântua que serviu de modelo para muitas igrejas. Templo Malatesta (Rimini) – utilizou neste templo muita ornamentação que significava teoricamente a arte renascentista. Século XV (2a. metade). Um dos motivos dessa época era participar da construção da basílica de São Pedro, dando status ao artista. Giuliano de Sangallo: Criação das villas. Criação da 1a. igreja com cúpula sobre a parte central (Santa Maria Della Carceri). Participou da construção de São Pedro em Roma, ganhando assim status. Bramante: Destacou-se como arquiteto, mas também foi pintor. Ex.: “Cristo na coluna”, “Templeto de São Pedro” (Roma), no suposto lugar da crucificação de São Pedro. Cúpula de “Santa Maria Della Gracie”. Recebeu título de arquiteto do Vaticano (1o. arquiteto). Século XVI. Antônio de Sangallo: Arquiteto do Vaticano. Claustro de São Pedro (Vaticano) –m lugar reservado somente aos papas. Andréa Palladio: Utilizou o pórtico clássico, geralmente em arco, colunas laterais e sustentando o frontão e o tímpano. Escreveu quatro livros sobre arquitetura dando base ao Neoclassicismo, que falava sobre elementos arquitetônicos estruturais e decorativos. Utilizou regras de Vitrúvius Pollio. Criou a Villa Rotonda ou Capra – estilo palladiano perto de Vicenza. 53 Giacomo Della Vignolla: Escreveu o livro “Cinco Disposições de Colunas”. Arquitetou a igreja “Il Gesú”, em Roma, que serviu de modelo para igrejas jesuítas no mundo inteiro, com uma só nave com capelas laterais dentro da igreja. Projetou a Villa Farnesi. Giacomo Della Porta: Aluno de Vignolla. Terminou “Il Gesú” e a cúpula de São Pedro. Obs.: Também trabalharam como arquitetos em São Pedro: Michelangelo e Leonardo Da Vinci. Escultura renascentista: Características: século XV Forma naturalística realística, ou seja, a busca do realismo. Temas religiosos, mundanos (temas pagãos) ou retratos (quem pagava a obra que escolhia os temas). Proporção correta e padrão de figura jovem (mais tarde pessoas de meia idade). Interesse pelo homem (humanismo). Século XVI: As características citadas acima e mais: Aspiração a monumentalidade (esculturas grandes). Utilização de esquemas compositivos geometricamente simples (vai de encontro à questão do equilíbrio, proporcionalidade). Utilização de linhas curvas e sinuosas. Estrutura piramidal. Caráter maciço na base. Rigor na composição. Materiais: diversos – mármore, bronze, barro esmaltado. Principais escultores: Século XV: Família Della Robia – Florença: Produziram peças em faiança que é o barro cozido e esmaltado. Produziam bustos jovens de preferência feitos de faiança. Madonas com menino Jesus. Ghiberti: Produzia peças em mármore e bronze. 54 “Cantoria” é o nome de um de suas obras (Florença). Esculpiu as portas do Batistério de Florença (porta do paraíso norte, representa Abraão oferecendo o filho ao sacrifício). Verrochio: Fez a 2a. figura de Davi, e era mais velho que Donatello. Fez a 2a. estátua eqüestre do Renascimento: “Condottiere Colleone” Veneza. Tinha uma ornamentação rica. Arte sofisticada e elegante. Criou a 1a. escultura em grupo de bronze: “Jesus e São Tomé” Donattello: Esculpiu a “maior” obra em bronze “Davi”, que foi o 1o. corpo representado desde o Império Romano. Foi atribuído a ele a 1a. estátua eqüestre desde a época do Império Romano, “Condottiere Gattamelata”. Usou o processo de esmagamento ou achatamento no baixo relevo. Século XVI: Michelangelo: Dominou a escultura, pintura, arquitetura e a poesia. Estudou a escultura na coleção dos Médicis. Esculpiu a “Pietá” (São Pedro – Vaticano). “Pietá Rondanini” (última obra), é chamado de tema da deposição. “Davi” com 4,10m de altura. Suas esculturas eram monumentais. Tinha preferência pelo mármore. Contraponto (certas partes do corpo em rotação). Conhecia bem a anatomia definindomuito os músculos em suas obras, com certos, volumes para dar melhor expressão e naturalidade. 55 Leonardo Da Vinci: Era considerado no seu tempo engenheiro e sábio. Fez pesquisas notáveis em hidráulica, aerodinâmica, geometria, botânica, zoologia, anatomia, física, matemática e astronomia. Tinha um ideal moderno que era: atingir a verdade por experiências objetivas. Produziu uma grande estátua eqüestre para o Duque de Sforza (Milão), com técnicas de fundição totalmente nova, ainda hoje em uso para peças grandes (essa estátua foi derretida para fazer armas). Pintura: Características: Utilização de projetos (cartões) serve para planejar a pintura. Busca da tridimensionalidade nas figuras humanas, Construção segundo esquemas geométricos (alguns são padrões – triangulo). Importância dos desenhos. Proporcionalidade. Humanismo (importância do homem como tema). Grande inspiração religiosa. Utilização da perspectiva. Liberdade contra os esquemas rígidos do Gótico. Temas mais pintados: O homem e seu meio. Retratos. Paisagens (urbanas, arquitetônicas, ilusionistas). Religiosos. Fatos importantes: Introdução de novas técnicas e métodos expressivos. Introdução da pintura a óleo que era mais eficaz que a têmpera. Introdução do uso da tela como suporte (durabilidade e mais facilidade no transporte). Novos processos de desenho como a sanguínea que é um pigmento de coloração avermelhada que é misturado com um aglutinante: cera ou gesso. Utilização de cartões (“spolvero”), para os afrescos. Principais pintores: Pré-renascimento: Simone Martini: Pintor religioso. Rigidez ainda gótica. 56 Madonas e anjos. Giotto: (transição do Gótico para o Renascimento) Pintava paisagens e começou a usar perspectiva. Afrescos em Florença, Pádua e Roma. Fra Angélico: Caráter mais linear. Pintura elegante. Usava duas diferentes técnicas: retábulo – pintura sobre madeira e com características da pintura gótica de pequenas dimensões, com a técnica da encáustica – pintura feita com cera de abelha misturada ao pigmento. E a técnica do afresco. Alto renascimento: Masaccio: Obra monumental, aspecto maciço. Figuras colocadas em espaço arquitetônico. Ex.: “A trindade” Igreja de santa Maria Novella, onde existe a presença da perspectiva matemática perfeita. Paollo Ucello: Aplicação da perspectiva matemática. Deformação dos corpos pela geometrização. Ex.: “Batalha de San Romano”. Pietro Della Francesca: Naturalismo nos afrescos. Contrastes de luz e sombra. Representação de pessoas da época. Escreveu e teoria da perspectiva. Ex.: “A sala dos esposos” – castelo de Urbino. Sua técnica de perspectiva leva à criação de uma nova forma de afresco. No Barroco recebe o nome de “Ilusionista”. Luca Signorelli: Afrescos. Um dos pintores mais dramáticos. Ex.: “Juízo Final” – Catedral de Orvieto. “Feitos e Morte de Moisés” – lateral da Capela Sixtina. Ghirlandaio: Mestre de Michelangelo. Estilo narrativo. Retábulos com composição rítmica. Mosaicos. 57 Pintava a sociedade florentina (retratos da época). Sandro Botticelli; Mais lírico. Temas mitológicos. Ex.: “Nascimento de Vênus”. Sensualidade e elegância. Flores e folhas como ornamento sobre planos leves. Caráter linear. Figuras em grupos harmoniosos. Figuras principais um pouco fora do centro. Leonardo Da Vinci: Utiliza no fundo de suas pinturas uma paisagem distante. Ex.: “Monalisa” e “Madona dos Rochedos”. Um dos maiores gênios da época “Sfumato” - tipo de técnica para sombreamento das figuras. Ex.: “A Última Ceia” (Santa Maria Della Gracie – Milão). Pleno Renascimento: Michelangelo: Aspecto escultórico (todas suas pinturas tinham aspectos robustos e volumosos como se fosse uma escultura). Utilizava as cores para obter volume. Utilização do contraponto (parte de uma mesma representação tomada de direção diferente). Escorço forte. Ex.: Capela Sixtina (344 figuras no teto). Rafael Sanzio: Cores sobre fundo distante para dar a impressão de perspectiva. Pintor de madonas. Ex.: “Madona da Pradaria”, “Madona Sixtina”. Inovação na pintura e nuvens que formam figuras de anjos (quase Barroco). Foi um precursor do Maneirismo e do Barroco. Inovou na pintura colocando cortinas na tela. No decorrer do século XVI a cultura renascentista expandiu-se para outros países da Europa Ocidental e para que isso ocorresse contribuíram as guerras e invasões vividas pela Itália. As ocupações francesa e espanhola determinaram um conhecimento melhor sobre as obras renascentistas e a expansão em direção a 58 outros países, cada um adaptando-o segundo suas peculiaridades, numa época de formação do absolutismo e de início do movimento de Reforma Religiosa. O século XVI foi marcado pelas grandes navegações, num primeiro momento estavam vinculadas ao comércio oriental e posteriormente à exploração da América. As navegações pelo Atlântico reforçaram o capitalismo de Portugal, Espanha e Holanda e em segundo plano da Inglaterra e França. Nesses "países atlânticos" desenvolveu-se então a burguesia e a mentalidade renascentista. Esse movimento de difusão do Renascimento coincidiu com a decadência do Renascimento Italiano, motivado pela crise econômica das cidades, provocada pela perda do monopólio sobre o comércio de especiarias. A mudança do eixo econômico do Mediterrâneo para o Atlântico determinou a decadência italiana e ao mesmo tempo impulsionou o desenvolvimento dos demais países, promovendo reflexos na produção cultural. O Renascimento no Norte da França. O renascimento Francês nasceu na Região do Loire, buscando inspiração na arte italiana. Francisco I convidou artistas da península como Leonardo da Vinci. Na arquitetura uma das características é que cada pavilhão possui um telhado independente, como se o edifício fosse construído de elementos separados, um ao lado do outro. No Louvre Pierre Lescot construiu de quatro em quatro janelas uma coluna adoçada, uma cimalha em relevo, um vão profundo e rica decoração. Elementos utilizados: Varias janelas sobrepostas. Frontões, colunas, arcos, ordens arquitetônicas. Relevos como losangos, conchas, arabescos, guirlandas, emblemas e arcos. Características: Gosto pela ornamentação. Presença de lucarnas (várias janelas no telhado para iluminação). Simetria e utilização de elementos clássicos. Edifícios religiosos com estrutura gótica e com ornamentação renascentista. Espelho d‟água. Jardins na frente dos palácios. Exemplos: Ala Lescot do Louvre, castelos da região do Loire, Castelo de Chambord, etc. A arquitetura assim como a escultura no Norte da França também é marcada na sua evolução, pela influência da Itália. 59 *Era uma arte Maneirista, nas proporções, nos temas e nas atitudes. Em todos os países europeus a escultura evoluiu da mesma maneira, partindo de ligeiras modificações do Gótico para chegar a uma aceitação cada vez mais completa do Renascimento e do estilo italiano. O Renascimento na Espanha: Enquanto o Renascimento se estendia por toda a Europa, a Espanha continuava medieval. Na conhecia como a Itália ou a França, a vida luxuosa das cortes principescas, nem a aristocracia intelectual. A Espanha ainda acreditava que o rei e a igreja eram as únicas potências sociais, e se tornou pilar do catolicismo e o centroautêntico da Contra- Reforma. Na Espanha o Renascimento se deu ao estilo “Plateresco”, do século XV, onde traduzia a mesma exuberância dos castelos franceses. Havia uma mistura de elementos góticos, mouriscos e italianos. No século XVI na Espanha começa a se instalar o “Classicismo” que é oposto aos elementos exagerados do estilo “Plateresco”. É um estilo mais austero. Exemplo: O Escorial – (palácio/convento). Escultura na renascentista na Espanha: Evoluiu à partir do Gótico e evoluiu com influências do Renascimento italiano. Estava freqüentemente ligada a arquitetura. Uma característica peculiar é de que a Espanha tinha inspiração italiana com formas maneiristas. Recebeu influência da França. Pinturas renascentistas na Espanha: Tinham características peculiares à parte, mas eram de origem comum. Foi muito importante a técnica da pintura a óleo. El Greco (Doménikos Theotokópoulos) – grego, mas passou maior parte de sua vida na Espanha - formação artística em Veneza. Teve influência maneirista (figuras alongadas, misticismo, dinamismo com movimento ascendente). Trabalhou na maior parte com temas religiosos, mas também fez paisagens e retratos. Exemplo: “Vista de Toledo” e “O Enterro do Conde Orgaz”. O Renascimento na Alemanha: Teve influência do norte da Itália. A ornamentação era pesada. 60 Pintura a óleo de inspiração flamenga. Pintores Alemães Albert Dürer – pintor e gravador teve sua obra marcada pelo humanismo. Em seu trabalho constatamos as minúcias do Gótico com a distribuição da cena em espaço renascentista. Dürer levou o renascimento para o norte e o centro da Europa. Exemplo: “A adoração dos reis magos”. Matias Grünewala – apresenta características góticas e maneiristas. Exemplo: “Retábulo de Isenhein” – tom esverdeado, caráter fúnebre e fantástico. Lucas Cranach, o velho – usava temas religiosos ligeiramente maneiristas. Fez também temas mitológicos. Exemplo: “Vênus e o amor” Hans Holbein, o novo – Pintor da classe mercantil (retratista). Em seus trabalhos havia objetividade de representação e grande observação. Exemplo: “George Gisze”. Renascimento nos Países Baixos: Origem: contato inicial através do Renascimento Francês, depois adquire seu próprio estilo. Teve contato com as publicações dos tratados de arquitetura de Vignola e Palladio, onde temos como bom exemplo da arquitetura renascentista paladiana a “Câmara Municipal de Antuérpia”. Pintor Flamengo – (Flandres) Países Baixos - Holanda Peter Brueguel – teve pouca influência do renascimento. Foi um grande pintor de cenas populares. Também utilizou temas mitológicos, religiosos e representação da vida cotidiana. Exemplo: “A queda de Ícaro” e “Caçadores na Neve”. Hubert e Jan Van Eych – Obra normalmente religiosa, Exemplo: “O Cordeiro Místico” – é um tríptico, sua obra mais importante. O Renascimento na Grã-Bretanha. Origem: alguns artistas italianos que foram para lá. Aplicação de ornamentações renascentistas com arquitetura Gótica. Impossibilidade de melhor assimilação devido à ruptura com Roma. Renascimento em Portugal: 61 O Gótico floral evoluiu em contato com certos elementos estruturais do Renascimento italiano, vindo dar uma espécie de resistência a estes, que foi chamado de “estilo Manuelino”. De aspecto muito decorativo e inspirado na temática marinha muito de acordo com a época dos descobrimentos. Exemplo: “torre de Belém”. MANEIRISMO (1520 – 1600) Roma e Florença. Estilo de arte italiana. Caracterizado por figuras distorcidas, alongadas e serpententes. Composição pouca clara. Cores fortes. Exagero e uma impressão geral de tensão e discordância. Opõe-se às características da arte renascentista. É uma arte de “protesto” em relação ao renascimento. O maneirismo quebra a estrutura do espaço na renascença. O cenário passa a ser representado em separado. Diferentes valores espaciais, diferentes padrões, diferentes possibilidades de movimento, descontinuidade da unidade espacial. Você não sabe quem é o “ator principal”. No fim do maneirismo ele se mistura com as tendências barrocas. Pintores: Rosso Fiorentino – “Adescida da Cruz”. Pontorno – “Estudo de Uma Jovem”. Bronzino – “Eleonora e Teodora”. Pintores da escola veneziana: Tintiretto – “Cristo Perante Pilatos”. El Greco – “Enterro do Conde de Orgaz”. No norte da planície lombarda – em Bréscia e Verona – aparecem alguns artistas influenciados por Ticiano e GiorGione – tinham maior interesse pela realidade de os dias. Pintores: Savoldo - -“São Mateus”. Veronese - -“Cristo na Casa de Levi”. Escultores: Cellini - “Saleiro” Primáticcio – “figuras de estuque” 62 Giovanni Bolgna – “O Rapto das Sabinas” Arquitetura: Giorgio Vasari _ Edifício dos Uffizi” – em Florença. Andréa Palladio – “Rotonda” – pensa como Alberti – para ele a arquitetura deve reger-se pela razão e por certas regras universais. O seu tratado de arquitetura tem um caráter mais prático do que o de Alberti. Giacomo Vighnola –“Planta de Il Gesú” Giacomo Della Porta – “fachada de Il Gesú”. BARROCO (séc. XVII) O barroco tem suas primeiras manifestações na Itália, sendo Roma seu grande centro. O barroco é por excelência uma arte de propaganda religiosa. Podemos dizer também que o barroco é o fruto da Contra-reforma do século XVI, mesmo que só tenha se firmado no século XVII se prolongando até o século XVIII com o nome de Rococó. -A Reforma Protestante, teve início na Alemanha, de caráter religioso com o objetivo de que o povo se libertasse da submissão do Papa. -Com o objetivo de propagar o catolicismo e ampliar a sua influência a igreja se organiza na Contra-reforma no século XVI. Com a convocação do Concílio de Trento começam a surgir às ordens religiosas, entre elas a Companhia de Jesus que expandiu o catolicismo. -Não foram todos os países que assimilaram bem o barroco, cada um se desenvolveu de maneira diferente. -Um exemplo disso é a arte barroca do século XVII na Itália diferente da que se desenvolveu na Holanda nesse mesmo século. -Devido a luta da igreja pela sua supremacia contra os heréticos, a mesma começa e se fortalecer e acabou sendo o primeiro cliente dos arquitetos, escultores e pintores do século XVII e XVIII. -A fé deveria ser atingida mais pela emoção dos sentidos do que pelo pensamento. -A arte barroca tinha como objetivo provocar o fervor, criar a surpresa, o encantamento, com tendências para o espetáculo. -Era uma arte que combinava alguns meios de expressão artística: a arquitetura, a escultura e pintura, sugerindo a ilusão para o “além”, desligando-se do real para cair no mundo sobrenatural, onde tudo se torna mistério do além, onde a razão dá lugar a mística. -Comparando o Renascimento e o Barroco, o Renascimento era equilíbrio sobriedade, racionalismo e lógica, o Barroco foi um movimento que envolveu a ânsia da novidade, o amor pelo infinito, pelos contrastes, pelo fascínio, pelo dinamismo do movimento com o triunfo das linhas curvas e pela mistura 63 audaciosa de todas as artes. O Barroco foi dramático, exuberante, teatral e abusou dos ornamentos. -Barroco significa pérola de formato anômalo. Exprime a idéia de irregularidade, grandiosidade, solenidade, luxo, extravagância, luminosidade e colorido. -Os artistas foram exímios contadores de histórias, despertavam emoções. Cada um representava um mesmo tema de maneira própria, onde o espectador tinha a impressão de estar lendo um livro. -Além de trabalhar para a igreja os artistas também recebiam encomendas dos palácios e das vilas (a burguesia). CARASTERÍSTICAS DA ARTE BARROCA Uso da profundidade espacial:é o uso dos primeiros planos utilizando formas maiores do que o tamanho natural, de figuras reveladas trazidas para o alcance do observador, e de uma súbita redução de proporção dos motivos de fundo. O Barroco buscava a profundidade e o volume, diferente do Renascimento que buscava os planos e as superfícies. Um procurava a emoção e o outro a harmonia. O ponto de vista é cinemático, os acontecimentos parecem ter sido surpreendidos. A improvisação está relacionada com a falta de claridade na composição barroca. Diferença de tamanho dos objetos vistos em perspectiva. Composição rica e complicada. Impetuosas diagonais, luzes exageradas, efeitos de sombra, sendo isso a expressão do infinito. CARACTERÍSTICAS DA ARQUITETURA BARROCA Edifícios grandiosos e ornamentados de maneira complicada. Gosto cenográfico, adaptado do estilo renascentista. A parte central das igrejas tem importância maior que a lateral. Não renega a forma clássica mas transforma-as de uma maneira fantasiosa e subjetiva. Os frontões em geral triangulares ou em arco de círculo eram quebrados com partes diretas, curvas ou angulares em todo seu conjunto. Fachada com movimento ondulado. Cúpulas sobre plantas octogonais ou circulares. Uso das volutas. Grandes contrafortes com volutas chamadas “orelhões”. Valorização das fachadas através dos avanços e das curvas, dando maior destaque ao edifício (côncavo e convexo). Importância da luz para dar uma certa dramatização a atmosfera. As esculturas misturadas a arquitetura por toda a parte. 64 As escadas com o Barroco se tornam um dos elementos mais importantes de um edifício. Eram complicadas e movimentadas, mas unem-se para dar vida a imponentes máquinas arquitetônicas. Os arquitetos barrocos também decoradores, abusavam na decoração no uso das cores, misturas de materiais, empregos de mármores coloridos, bronze, dourados, lápis-lazúli, etc. ARQUITETOS BARROCOS ITALIANOS BERNINI, Giovanni Lorenzo. -Foi arquiteto e escultor. -Fez obras monumentais que exaltaram o poderio e a autoridade do papado. Suas obras foram: Palácio Barberini. O baldaquino em São Pedro (Roma – 1624 – 1623). A colunata na Praça de São Pedro. A escada régia do Vaticano. Santa Andréa Al Quirinal. Palácio Montecitório. O Êxtase de Santa Tereza se Ávila. BORROMINI, Francisco Castello. -Rival de Bernini. -Suas estruturas são complexas e extravagantes. Suas obras foram: Igreja de San Carlo Alle Quatro Fontane. Oratório dos Filippini – Roma. São Ivo na Sapienza. Igreja de Sant Agnese na Piazza Navona – Roma. Igreja de Sant Ivo Allá Sapienza – Roma. GUARINO, Guarini. -Sucessor de Borromini. -Estuda os monumentos árabes. -Antes de morrer deixa um manuscrito de “Arquitetura Civil”, onde professa que o arquiteto deve ser adaptar ao uso de seu tempo e do país em que constrói e, por conseguinte, cumprir as regras antigas e inventar novas. Suas obras foram: 65 Palácio Carignano. Igreja de São Lourenço. Cúpula da Capela do Santo Sudário. Igreja da Santa Maria da Saúde. ESCULTURA BARROCA NA ITÁLIA Na escultura barroca desaparece o equilíbrio, dando lugar a exaltação dos sentimentos. Propunha-se freqüentemente a contar uma história inteira, mostrando apenas o momento culminante, característica que marca as obras de Bernini. Efeito teatral, decorativo e com dinamismo único marcam todas as obras do Barroco. As linhas curvas, os drapeados das vestes e o uso do dourado são muito usados. Panejamento pesado, volumoso, flutuante, inflado e descomposto pelo vento, dando ideal dos violentos jogos de luz e sombra características do Barroco. Os materiais empregados são: o mármore, bronze, estuque, madeira e terracota. ESCULTORES BARROCOS ITALIANOS BERNINI -Foi o mais solicitado de Roma, enchendo a cidade de igrejas, praças e palácios para cardeais e papas. Suas obras: Êxtase de Santa Tereza na Capela de Santa Maria Della Vitória. Baldaquino. David matando Golias. O anjo com a inscrição. Estátua funerária da Beata Ludovica Albertoni. Escultura de São Atanásio. Esculturas e grupos mitológicos: A Cabra Amaltéia com o Bebê Jupter e um Fauno. Plutão e Perséfone. Apolo e Dáfne. Túmulos papais: Túmulo de Urbano VIII. 66 Túmulo de Alexandre VII. Retratos em busto: Busto de Thomas Baker. Busto de Luis XIV. Busto de Francesco D‟Este. PINTURA BARROCA NA ITÁLIA No início a pintura barroca se desenvolveu favorecida pela arquitetura. As cúpulas, grandes abóbadas internas com as naves alongadas nas igrejas, os grandes salões e longas galerias nos palácios favoreceram o uso da pintura. CARACTERÍSTICAS DA PINTURA BARROCA Utilização de recursos ilusionistas trompe l’oeil, buscando um caráter cenográfico e de infinito. Composição diagonal formada pela disposição dos elementos nos quadros. Uso de luz e sombra, causando um forte contraste. Temas: Religiosos. Vida dos reis e rainhas e do povo também. A pintura barroca não é só mural, mas, sobretudo óleo sobre tela. PINTORES BARROCOS DA ITÁLIA CARACCI, Annibale. - Fascínio pelas obras de Rafael. - Suas obras: - Pietá. - Domine, Quo Vadis? - Teto Farnese. - A escolha de Hércules. - A fuga para o Egito. CARAVAGGIO. - Não se interessou pela beleza clássica. - era pintor de cenas populares. - Suas obras: - São Tomé, o Incrédulo. 67 ROCOCÓ (séc. XVIII) Surge na França no século XVIII e na época chamado de “o gosto francês”. Mais tarde foi imitado por outras cortes e aristocracias européias, como aconteceu na corte barroca de Luís XIV, e agora na corte rococó de Luís XV. No decorrer do século as artes francesas se libertaram das convenções e abandonaram os modelos italianos. O Rococó é uma arte caracteristicamente decorativa e ornamental. Enquanto o Barroco era uma arte que expressava realismo e de inspiração popular, o Rococó manifestava os interesses da burguesia mercantil que evoluía para o capitalismo e para a conquista do poder. Assim não era possível adaptar o Barroco à classe burguesa que agora era o cliente maior das artes e deu-se então o inicio do Rococó. Na arte marca o retorno dos temas pequenos, paisagens estilizadas, cenas bucólicas de campo, temática mundana e erótica. Esta arte não se presta à religião e era feita para a decoração das casas dos burgueses. O que se desenvolveu nesse período foi à pintura, escultura e principalmente o mobiliário. A arquitetura era renascentista ou barroca e o interior era ornamentado com o estilo Rococó. Esta arte está vinculada aos “Luíses” e vai desaparecer com a Revolução Francesa. Era uma arte que não contava com o apoio da igreja. O Rococó é um atraente movimento artístico e suas qualidades estão ligadas a fantasia, ao espírito e a sensibilidade. A ornamentação Rococó reflete qualidades sedutoras e sutis visando a graça, a elegância, o requinte, a fantasia, a alegria, o bizarro, o fantástico, o exótico, o pitoresco enfim seu objetivo é dar prazer ao fruidor. O termo Rococó surge dos ateliês dos artistas de Paris, trata-se uma criação jocosa a partir de rocaille „estilo decorativo em voga sob Luís XV na França (Séc. XVIII) caracterizado pela representação de elementos da natureza (rochedos, conchas, grutas, folhagens...) em formas com contornos‟. Na ornamentação Rococó o colorido grave do Barroco clareia gradualmente predominando os tons pastéis, dourados e prateados, branco,marfim, rosa e seus vários matizes. ARQUITETURA ROCOCÓ: Na arquitetura o Rococó não pode se considerado a rigor um estilo, pelo fato de não interferir na planta e na estrutura que se conservam nas tradições renascentistas ou barrocas. 68 O Rococó manifesta-se principalmente na decoração de interiores, com as liberdades ornamentais que lhe são peculiares. Os interiores se transformam totalmente, com a profusa e delicada ornamentação. Os salões e as salas tornam-se ovais. Os ângulos retos formados pelas paredes e tetos também desaparecem porque se encurvam sob os ornamentos. As paredes se cobrem de espelhos, de ornamentos florais, de treliças ou pinturas de cores claras e suaves que representam episódios mitológicos, cenas de alegorias e paisagens. Algumas vezes salões com paredes revestidas de porcelana (gosto exótico e raro). Nos baixos-relevos, nas molduras e nos filetes, toda a decoração é espontânea e livre com predominância de curvas e contra curvas, motivos florais e também a representação da concha. Pela delicadeza e preciosismo os ambientes parecem de inspiração feminina, que são criados para a convivência e galanteria da mulher. AS FACHADAS: Permanecem com simplicidade do gosto clássico ou Barroco simplificado, característica da elegância própria do francês. Na época, entre os franceses não era de bom tom das mostras de riqueza do dono da casa nas fachadas das residências, evitava-se a ostentação. O Rococó define-se na arquitetura pela decoração e alguns tipos de construção civil que são: hotel particular, Maison de plaisance. Esse “hotel particular” é uma residência rica, afastada do alinhamento da rua, planta geralmente retangular, pátio na frente e jardins nos fundos. Grandes terraços e escadarias. A fachada simples e o interior ricamente decorado. O nome hotel surgiu quando Luís XV transferiu a corte para Paris e as pessoas que moravam em Versalhes sentiam a necessidade de fazer em Paris suas residências que eram consideradas não fixas, pois queriam voltar à Versalhes. Como Paris não tinha espaço para construir “hotel”, os arquitetos reformavam as casas ao gosto francês. ARQUITETOS: Boffrand: arquiteto e decorados fez o salão oval do Hotel Soubise, Palácio Ducal de Nancy, Maison de Plaisance, dentre outros. ESCULTURA ROCOCÓ: Surgiu para embelezar e dar graça às construções barrocas. O tema mundano começa a aparecer e o retrato surge por todas as partes. 69 As esculturas de porcelana são típicas do Rococó eram peças pequenas, frágeis inspirados geralmente em temas mitológicos, campestres e mundanos, tratados com requinte e delicadeza. Eram criados os modelos e depois, produzidos industrialmente. Aparece o sorriso, o homem e a mulher entrelaçados, êxtase, sensualidade, erótico considerado, as vezes, atrevido. ESCULTORES: Clodion: Escultor de pequenas peças elaboradas dentro da idéias barrocas. Fazia estátuas de homens e mulheres entrelaçados, objetos pequenos, sensuais e eróticos. Falconet: Criador de modelos para manufatura de porcelana de Sèvres, como a mulher banhando-se, de galante sensualidade e ao mesmo tempo de composições monumentais como: Pedro o grande. As grandes esculturas que Falconet criou mais tarde foram utilizadas como modelos para a manufatura das miniaturas em porcelana. Seus temas favoritos: banhistas e ninfas. PINTURA ROCOCÓ: Desaparece a pintura religiosa agora os temas são mundanos e elegantes. Cenas de alcova, de salão ou de interiores luxuosos, festas e reuniões em parques e jardins e, sobretudo o nu feminino. Tudo vai falar quase que exclusivamente das graças da mulher, em suma o cotidiano da aristocracia com o galanteio à mulher como nunca tinha acontecido até então. A técnica também se transforma na pintura, não são mais pinceladas impulsivas e pastosas do Barroco, nem os contrastes de claro-escuro para surgir dramas, são pinceladas rápidas, curtas e leves. O desenho é decorativo, tonalidades claras e luminosas que predominam os rosas, os verdes, os azuis e os lilases. Os pintores tornam-se exímios na representação dos tecidos finos, sedas, brocados, tapetes, veludos, gazes e musselinas. Uma característica da época é o aparecimento de retratistas femininos. Outra técnica é o pastel (giz colorido pastoso e aderente, feito com terra bem moída). PINTORES: Watteau: Foi o maior realizador da pintura no espírito Rococó. Membro da academia real da escultura e pintura. 70 Estudou Rubens e Ticiano. Criou um estilo pessoal e inimitável, sobretudo na leveza transparente do colorido e na elegância decorativa dos desenhos. Pintou cenas de paisagens idealizadas, piqueniques, frescor juvenil, ninfetas em jogos eróticos. Arte voltada para a classe média baixa que ficou rica e quer assumir sua posição. Obras: Embarque para cítera. Pequeno concerto. Amor desarmado. Fragonard: Pintor de galanteria erótica, mas sem inclinações para o obsceno. Coloridos vaporosos, luminosos e musicais, desenho ágil. Temas: Pastoral edílica, que são momentos de galanteria em jardins embelezados de obras de arte. Episódios da mitologia, flagrantes sentimentais e amorosos. Obras: A bela adormecida e a ponte do amor. O doce bilhete. O balanço. Chardin: Gosto pelas cenas domésticas estabelece relação de forma e cores, organizados de modo pessoal nas naturezas mortas, pela modulação das tonalidades, impregnam de poesia e lirismo os utensílios mais insignificantes. Obra: O desenhista e o passeio. Vigee-Lebrum: Mulher tornou-se retratista oficial da rainha Maria Antonieta e da nobreza, da corte de Luís XVI. Criou padrão de beleza feminina idealizada, onde os retratos eram carregados na temática erótica. Obras: “Lê chapeau de paille”. “Ma. Antonieta e la rose”. 71 NEOCLÁSSICO (Fim do século XVIII e início do século XIX) Chama-se Neoclássico o estilo artístico que substituiu o Rococó nas artes européias no fim do século XVIII e início do século XIX. Se o Rococó havia sido a expressão artística da mentalidade e dos hábitos da aristocracia, o Neoclássico expressou os interesses e os hábitos da burguesia manufatureira e mercantilista. A estética que representada no Neoclássico é na verdade a restauração das artes da antiguidade clássica greco-romana por entender as mudanças do mundo contemporâneo, e pela busca de uma seriedade moral o que lhe deu fortes ligações com o Academicismo. Com as mudanças políticas a Inglaterra se torna o centro cultural da Europa. A revolução intelectual inglesa leva a racionalidade. Desta maneira há a valorização da razão e não da emoção, levando às abordagens do racionalismo dos romanos renascentistas e se aproximando das formas gregas pela beleza, perfeição e simplicidade. Foi um movimento racionalista contra o Barroco. O ressurgimento do interesse pelas artes clássicas evoca um mundo idealizado, o esplendor de uma civilização perdida: a liberdade da Grécia ou a dignidade de Roma? O Neoclassicismo tem ligações estreitas com o Iluminismo1 do século XVIII e com a Revolução Francesa. O Iluminismo foi um amplo movimento intelectual caracterizado pela ênfase dada à razão e ao racional. Os pensadores iluministas tendiam a procurar regras universais, padrões e objetivos em relação aos quais os valores e as práticas sociais deviam ser avaliados, e recursos objetivos e materiais pelos quais os seus benefícios ou desvantagens podiam ser medidos. Roma torna-se o centro de pesquisa dos artistas, por sero centro cultural desde o Renascimento. Foram feitas escavações que contribuíram para descobertas importantes de Herculano e Pompéia intensificando ainda mais a busca pelas referências estéticas das artes clássicas. Os neoclassicistas na se limitavam a reviver os estilos passados, pretendiam sim usar a arte para criar uma sociedade em simultâneo moderna e virtuosa. 1 Iluminismo foi o movimento cultural e intelectual europeu que, herdeiro do humanismo do Renascimento, fundava-se no uso e na exaltação da razão. Considerava que os objetivos do homem eram o conhecimento, a liberdade e a felicidade. O iluminismo avaliou com otimismo o poder e as realizações da razão humana, e a crença na possibilidade de reorganizar a sociedade segundo princípios racionais. Não ignorou a história, mas a encarou de modo crítico, sem aceitar a idéia de que a evolução da humanidade fosse determinada pelo passado. John Locke, inglês, de certo modo o primeiro iluminista, temos também Voltaire e jean-Jacques Rousseau. 72 Os neoclassicistas eram propensos a uma elevada seriedade moral com tendência para a austeridade. David é o mais importante pintor neoclássico do período. ARQUITETURA Nas construções de igrejas, palácios, alfândegas, quartéis ou escolas os edifícios são imitações ou adaptações de templos gregos e romanos ou mesmo edificações renascentistas italianas. A arte Neoclássica aparece com maior influência na arquitetura, pois na forma arquitetônica era mais evidente a tentativa de negar o exuberante, a falta de lógica e o apelo emocional das formas. Os jardins teriam que parecerem naturais. Tentavam recriar a natureza com os caminhos tortuosos, cenas idílicas, inclusiva com a presença de estatuas e templos. Colocavam templos e ruínas artificiais para despertar as dolorosas reflexões da alma. Este movimento se alastrou pelo continente principalmente pela França. Nas classes ricas e cultas havia na época verdadeira paixão pela arquitetura e o mãos pela Grécia. A aristocracia com o tempo passou a financiar aos arquitetos viagens até a Itália para que estudassem no local. Nas classes superiores era sinal de sensibilidade e bom nível cultural entenderem de arquitetura, especialmente a greco-romana que era considerada perfeita, incomparável e insubstituível. Seu maior cliente era a aristocracia que migrou para assumir os cargos de poder nas indústrias. Lord Burlington arquiteto e aristocrata ilustre era fanático pela arquitetura, construía pelo prazer. OBRAS E ARQUITETOS Chiswich house – Lord Burlington e Willian Kente. O panteão – no início de sua construção foi a igreja de Santa Genoveva. Hoje é a morada (onde estão sepultados) dos grandes homens que fizeram a história da França. Sua cúpula é baseada na igreja de São Paulo de Londres, seu pórtico é inspirado nos templos romanos e tem planta em cruz grega. 73 Universidade de Edimburgo – Adam - ocupa posição de destaque na arte Neoclássica, apesar da graciosa elegância de suas composições possuir sentimentos do Rococó. Adam morou muitos anos em Roma. Somerset house – Chambers – foi também jardinista e decorador, nas suas composições decorativas encontram-se elementos orientais e identifica-se também uma afinidade com o paladianismo (Andréa Paládio). ESCULTURA NEOCLÁSSICA Reflete o interesse da época pelo mundo clássico, manifestando as mesmas atitudes, tendências e características da escultura clássica. Mas identifica-se um esforço para alcançar a pureza dos contornos na tentativa de atingir um estilo sóbrio e equilibrado, capaz de comunicar solidez e simplicidade. ESCULTORES E OBRAS Antônio Canova: 1757 -1822 – Monumento de Clemente XIV, Modelo para monumento de Ticinano, Perseu, Paulina Borguese como Vênus e Cupido e Psique. HENRI-Joseph Ruxthiel – Zéfiro e Psique. Lorenzo Bartolini – Monumento fúnebre da condessa Sofia Zamoyska. PINTURA NEOCLÁSSICA Na ausência de originais da pintura clássica dos gregos, os pintores se inspiraram na estatuária grega e, sobretudo nos mestres do Renascimento italiano, de modo especial em Rafael, pelo equilíbrio da composição, harmonia do colorido e idealização da realidade. O Neoclássico estabelecia convenções dos temas, geralmente os da mitologia grega, da história da Grécia e Roma antiga, sentimentos grandes e heróicos. Os temas históricos e contemporâneos inclusive os retratos obedecem a mesma orientação. Os temas do cotidiano sem prestígio do passado foram praticamente excluídos. Na pintura o Neoclássico substitui o Barroco, agora se sente uma busca mais austera e séria, diferente do Barroco. É uma ruptura Britânica do Barroco, tudo que é supérfluo e sem função vai ser eliminado. Essa negação do Neoclássico ao Barroco é devido a revolução industrial, onde não há lugar para o Barroco. PINTORES E OBRAS Americanos: West – pintou heróis romantizados. - foi o primeiro pintor americano que reproduziu a pintura Neoclássica. Pintou “cenas de um naufrágio”. Copley – heróico e romantizado – pintou “Morte”. 74 Italino: Giovani Antônio Canal (Canaletto) “Os canais de Veneza” Francês: Jacques Louis David – “A morte de Sócrates”. Inglês: Joshua Reynlods – ROMANTISMO (Meados do século XVIII até meados do século XIX) O Romantismo surgiu como um movimento que privilegiava a subjetividade individual, em oposição à estética racionalista clássica, e representou a exaltação do homem, da natureza e do belo. Dá-se o nome de Romantismo à tendência estética e filosófica que dominou todas as áreas de pensamento e criação artística de meados do século XVIII até meados do século XIX. Como expressão do espírito de rebeldia, liberdade e independência, o Romantismo propôs-se a descortinar o misterioso, o irracional e o imaginativo na vida humana, assim como explorar domínios desconhecidos para libertar a fantasia e a emoção, reencontrar a natureza e o passado. Os românticos foram buscar suas inspirações nos romances medievais e nos contos e baladas que floresceram na Europa nos séculos XI e XII. ARQUITETURA A arquitetura romântica abandonou os ideais clássicos e recriou estilos da Idade Média, principalmente o Gótico, por sua exaltação espiritual, pois acreditava que este tipo de arquitetura proporcionava um mergulho às emoções. Partindo deste principio as referências arquitetônicas do Barroco também serviram de grandes inspirações. Construíram-se edifícios neogóticos, neo-românicos, neobarrocos, neobizantinos, e mesclaram-se estilos, numa reprodução dos cenários dos romances históricos. O neogótico desenvolveu-se principalmente no Reino Unido, onde se transformou em estilo oficial. ARQUITETOS E OBRAS Sir Charles Barry e Augustus Pugin – Parlamento de Westminter. Jean-Luis Charles Garnier – Ópera de Paris. Também de importância são as construções das catedrais neogóticas de Estrasburgo e Colônia na Alemanha. 75 PINTURA A visualização dos sentimentos dos personagens retratados e a expressividades das paisagens foram a tônica da pintura romântica, que exaltou o passado a morte e a loucura como fatal destino do homem. Priorizou a intimidade do individuo e o confronto com o desconhecido e o misterioso na busca do sentido da vida. A visão trágica do homem imerso na natureza poderosa e importante trouxe a idéia do sublime. PINTORES E OBRAS: John Constable – pintou paisagens com cores vívidas –obra- “A represa de Flatford”. Willian Turner – antecipou o impressionismo em seu trabalho coma s cores –obra- “Mar em tempestade”. Eugène Delacroix – cores fortese vivas, pinceladas livres e pastosas, Delacroix criou tonalidades até então desconhecidas e retratou com vívido realismo episódios literários e históricos de sua época –obra- “A liberdade guia o povo”. Théodore Géricault – chocou o público parisiense com “A balsa da Medusa”, que retratava os sobreviventes de um naufrágio ocorrido em 1816, à deriva e a mingua. Realizou também retratos de loucos. ESCULTURA A curva ascendente que na pintura vai do Romantismo ao Realismo e ao Impressionismo, corresponde, na escultura, a curva descendente que, de Canova, vai ao mais insosso e esquálido academicismo. Nunca de espalharam tantas estátuas nas praças, parques públicos, palácios governamentais e municipais quanto no século passado (e no atual), à grande quantidade, porém, geralmente corresponde puçá qualidade. A escultura permanece alheia à pesquisa artística da segunda metade do século: responde a demandas oficiais, mas a nenhuma exigência cultural. ESCULTOR E OBRA: François Rude – Relevo do Arco do Triunfo. 76 REALISMO (1850 a 1880) Realismo é um estilo artístico baseado na reprodução da realidade. Um artigo publicado em 1826 no Mercure Français du XIX ème Siecle apresentou a doutrina estética chamada realista. O movimento foi o primeiro a retratar a vida, problemas e costumes da classe média baixa, com seus fatos ordinários e banais. Em sentido amplo, o termo designa toda atividade artística baseada na reprodução da realidade. Assim compreendido o realismo se encontra, por exemplo, nas artes plásticas de diferentes períodos, como na obra de pintores do século XVII, como Caravaggio, Velázquez. Em sentido estrito, realismo é o movimento cultural predominante na França entre 1850 e 1880, mas estendido a toda Europa e a outros continentes, que adotou pela primeira vez a reprodução da realidade com programa estético, em substituição à arte inspirada em modelos do passado. Os teóricos franceses do realismo manifestavam seu repúdio à artificialidade do Classicismo e do Romantismo, e enfatizavam a necessidade de conferir verdade e contemporaneidade ao trabalho artístico. Os artistas integrantes do movimento propunham-se conscientemente a retratar aspectos até então ignorados da sociedade e da vida contemporâneas, no que diz respeito a atitudes mentais, condições materiais e ambientes físicos. O realismo foi estimulado por várias manifestações intelectuais da primeira metade do século XIX, entre as quais o movimento alemão anti-romântico, com sua ênfase no homem comum como objeto da obra de arte, o positivismo de Comte, que enfatizava a importância da sociologia como estudo científico da sociedade. o surgimento do jornalismo profissional, com sua propostas de um registro isento dos eventos contemporâneos, e o advento da fotografia, capaz de reproduzir mecanicamente e com extrema precisão as informações visuais. No início da década de 1830, um grupo de pintores, entre os quais Théodore Rousseau, Charles-François Daubigny e Jean-Fraçois Millet, estabeleceu-se no povoado francês de Barbizom com a intenção de reproduzir as características da paisagem local. Cada um com seu estilo enfatizaram em seus trabalhos o simples e ordinário, ao invés dos aspectos grandiosos da natureza. Millet foi o primeiro dos artistas a pintar camponeses dando-lhes um destaque ate então reservado a figuras de alto nível social. Outro importante artista francês freqüentemente associado ao Realismo foi Honoré Daumier, ardente democrata que usou a habilidade como caricatura a favor de suas posições políticas. O primeiro pintor a enunciar e praticar deliberadamente a estética realista foi Gustave Coubert. Como a enorme tela “O estúdio”, que foi rejeitada pela Exposition Universelle de 1855, o artista decidiu expor esse e outros trabalhos num pavilhão especialmente montado e deu à mostra o nome de “Realismo, G. 77 Coubert”. Adversário da arte idealista incitou outros artistas a fazer da vida comum e contemporânea motivo de suas obras, no que considerava uma arte verdadeiramente democrática. Coubert chocou o público e a crítica com a rude franqueza de seus retratos de operários e camponeses em cenas da vida diária. O Realismo socialista, adotado como estética oficial na União Soviética a partir dos primeiros anos da década de 1930, foi pouco fiel às características originais do movimento. Embora se propusesse também a ser um espelho da vida, sua veracidade deveria estar de acordo com a ideologia marxista e as necessidades da construção do socialismo. O maior teórico do Realismo socialista foi o húngaro Gyögy Lukács, para quem o Realismo não se limita à descrição do que existe, mas se estende à participação ativa do artista na representação das novas formas da realidade. Essa doutrina foi implementada na União Soviética pó Andrei Jdanov. Em pintura, destacou-se entre os soviéticos Aleksandr Gherassimov. Os retratos de intrépidos trabalhadores produzidos dentro da linha do Realismo socialista, no entanto, deixam transparecer um positivismo heróico, mas a ambição realista perde-se na idealização de uma organização social perfeita. No Brasil temos um grande representante da arte realista o pintor Almeida Junior (1851-1899). Cursou a Academia Imperial de Belas Artes, viajando após para Europa incentivado e financiado por D. Pedro II, tendo estudado durante três anos em Paris. Infelizmente teve more trágica, foi apunhalado por um desafeto, no Hotel Central, em Piracicaba. FOTOGRAFIA (aprox. 1826) A fotografia nasceu de muitas experiências de alquimistas e químicos quanto à ação da luz. Desde 1525 sabia-se do escurecimento dos sais de prata. O trabalhos do físico alemão Johann Henrich Schulze, em 1727, e do químico suíço Carl Wolhelm Scheele, em 1777, comprovou que e enegrecimento dos sais se deve à ação da luz. Após inventar o “fisionotraço” e a litografia, o francês Joseph- Nicéphore Niepce obteve, em 1817, imagens com cloreto de prata sobre o papel. Em 1822, ele fixou uma imagem pouco contrastada sobre uma placa metálica: as partes claras em betume-da-judéia (insolúvel sob a ação da luz) e as sombras na base metálica. Quatro anos depois, Niepce produziu a primeira fotografia conseguida no mundo, tirada da janela de sua casa e preservada até hoje. O DAGUERREÓTIPO Louis-Jacques Mande Daguerre pesquisou com Niepce desde 1829 e dez anos mais tarde lançou a daguerriótipo, em que uma placa de cobre prateada e polida, 78 submetida a vapores de iodo, formava sobre si uma camada de iodeto de prata. Exposta à luz numa câmara escura (de quatro a dez minutos, conforme iluminação do objeto), essa placa era revelada em vapor de mercúrio aquecido, que aderia às partes onde a luz incidia e mostrava as imagens, fixadas por uma solução de tiossulfato de sódio. Este sistema foi muito difundido em todo o mundo, e as pesquisas também avançaram rapidamente, reveladores, fixadores etc. Pela dificuldade encontrada pelos inventores de patentear sua descoberta, foi preciso a intervenção do estado que depois de indenizá-los, colocou em domínio público com isso cria-se condições para um desenvolvimento contínuo. Houve muita divergência de posicionamento a respeito da grande descoberta. Inúmeros debates foram realizados sobre o tema, uns espantados a ponto de nem querer olhar para as fotografias, pois a nitidez das fisionomias assustava, e tinha- se a impressão de enxergarem. Um outro fotógrafo criou uma regra com seus modelos, “não olhem jamais para a Câmara”. Os pintores também mostraram resistência. De início, eles se sentiram ameaçados, pois o momento em Daguerre conseguiu fixar as imagens da câmara obscura, os técnicos substituíram nesse ponto os pintores, principalmente os retratistas, já que nesta época os retratoseram os principais temas das pinturas. Eles não se achavam capazes de fazer reproduções como a “câmara obscura”. Alguns pintores abrem mão em favor da fotografia o que causou no crescimento da mesma. A função dos retratos, que revelava o talento artístico de seu autor, estava resolvida de outra maneira senão a pintura. A pintura ao ar livre estava começando a abrir perspectivas inteiramente novas aos pintores mais progressistas. A realidade de suas pinturas era ligada a uma difusão de cores e imagens, e muitas vezes eles utilizavam materiais fotográficos para as suas produções como é o caso de Taulouse Lautrec e Degas. Mesmo com toda essa resistência o fascínio foi maior, a possibilidade de procurar nessa imagem a pequena centelha do acaso, do aqui e agora, com a qual a realidade impregnou a imagem, envolve o observador que começa a consumir essa imagem e também a produzir essa imagem, já que os aproveitadores se apoderam da nova técnica com fins lucrativos e facilitavam a compra das máquinas fotográficas. Muitas fronteiras foram rompidas com a invenção da fotografia, podemos falar, por exemplo, na difusão do conhecimento, foi a essa tarefa que se dedicou desde seu início. Os primeiros fotógrafos europeus saíram pelo mundo afora, quando o universo visual das pessoas ainda não passava da esquina mais próxima, regressando com imagens inéditas das Américas, África e da Ásia. Foi uma sensação e tanto. Ainda hoje esse papel perdura na reprodução das obras de arte, na documentação da arquitetura e dos monumentos importantes. Quem ainda hoje não conhece o museu Guggenheim de Bilbao? Dessa maneira o avanço do invento foi inevitável, a pessoa adquiria um equipamento, e logo ele se tornava obsoleto, assim como hoje temos os 79 computadores e as próprias câmaras fotográficas. Com tantas câmaras nas mãos, muitas produções passaram a existir e a fotografia foi construindo seu caminho, várias tendências foram surgindo e consequentemente grandes nomes como: Nadar, Hill, Julia Margaret Cameron, Alfred Stieglitz, André Kertèzs, Lê Gray, Man Ray, Claude Lév-Strauss, Cartier-Bresson, Duncan, Denise Colombo e Sabastião Salgado. No decorrer da história da fotografia, nos deparamos com o impacto causado pela reprodução, a partir de um negativo podia se reproduzir inúmeras cópias, que levou a arte a pressentir a proximidade de uma crise, levantando a discussão da “autenticidade das obras”, embora sabemos que em sua essência, a obra de arte sempre foi reprodutível. O que os homens faziam sempre podia ser imitado por outros homens. Ainda sobre a história da fotografia muito se escreveu, inclusive em torno da questão se a fotografia era ou não arte, sem que se colocasse a questão prévia de saber se a invenção da fotografia não havia alterado a própria natureza da arte. Andy Warhol nos mostrou essa alteração com muita propriedade. Dentro da evolução da fotografia chega-se ao cinema, onde se tem hoje a seqüência de vinte e quatro fotos por segundo, para dar “vida” aos atores e as cenas. Vale citar o filme “Sonhos” de Akira Kurossawa. Ele nos conta histórias que começam com cenas de reproduções de pinturas conhecidas, que tomam “vida” e assim se desenrolam as histórias. Kurossawa utiliza pintura, fotografia e cinema em perfeita harmonia. Como última evolução tecnológica tem a câmara digital, onde existe a possibilidade de interação com a fotografia, não com montagens ou alterações em negativos, mas com interferências diretas sobre as imagens, alterando-as de maneira radical antes da impressão, com auxílio de softwares. Entretanto, cria uma realidade subjetiva diferente daquela que tanto impressionou na época da invenção da fotografia. Temos que temer até que possa provocar uma involução, diante de muitas imagens deficientes, os profissionais não hesitam em declarar: “o Photoshop corrige!”. Não será apagando um poste inconveniente, trocando o céu (!) e tudo o mais que esse fantástico programa será capaz de fazer com que estejamos corrigindo um pensamento equivocado, um olhar insensível e enviesado. Antes de encerrar vale ressaltarmos uma questão primordial na fotografia, o olhar do fotógrafo, o enquadramento, a escolha, onde esta atitude aliada as técnicas nos faz mergulhar em um mundo mágico, capaz de transformar cenas tristes em belas, como é o caso da fotografia de Sebastião Salgado. Salgado consegue superar a tristeza do tema, com o recurso técnico aliado a percepção de seu olhar. Quando nos deparamos com uma fotografia de baixa qualidade, ou seja, enquadramento ruim, não se tem vontade de olhar para ela, mesmo que trate de um tema interessante. 80 IMPRESSIONISMO (1874 a 1886) O termo “impressionismo” surgiu num comentário jornalístico sobre primeira exposição de um grupo de jovens pintores realizada em Paris em 1874. O título de um quadro de Monet, “Impressão, sol nascente”, que mostrava reflexos solares sobre a água, sugeriu ao crítico Louis Leroy essa denominação para o grupo, em tom de zombaria. Os pintores impressionistas procuraram, a partir da observação direta do efeito da luz solar sobre os objetos, registrar em suas telas as constantes alterações que essa luz provoca nas cores da natureza. Na realidade, o impressionismo não era um movimento organizado, nem apresentava delineamento teórico particular. Constituía-se de um grupo de pintores que tinham em comum o desejo de reproduzir os aspectos instantâneos e mutantes da realidade em termos de pura luz. Mas seguiam algumas considerações que podem ser resumidas em: A pintura deve registrar as tonalidades que os objetos adquirem ao refletir a luz solar num determinado momento, pois as cores da natureza se modificam constantemente, dependendo da incidência da luz do sol. As figuras não devem ter contornos nítidos, pois a linha é uma abstração do ser humano para representar as imagens. As sombras devem ser luminosas e coloridas, tal como é a impressão visual que nos causam, e não escuras e pretas, como os pintores costumavam representá-las no passado. Os contrastes de luz e sombra devem ser obtidos de acordo com a lei das cores complementares. Assim, um amarelo próximo a um violeta produz uma impressão de luz e sombra muito mais real do que o claro-escuro tão valorizado pelos pintores barrocos. As cores e tonalidades não devem ser obtidas pela mistura das tintas na paleta do pintor. Pelo contrário, devem ser puras e dissociadas nos quadros, em pequenas pinceladas. É o observador que, ao admirar a pintura, combina as várias cores, obtendo o resultado final. A mistura deixa, portanto, de ser técnica para ser ótica. Os pintores impressionistas, rejeitados ou duramente criticados nos salões oficiais, realizaram oitos exposições conjuntas de 1874 a 1886 e se reuniam com freqüência para pintar no campo ou para conversar nos cafés parisienses. Os principais expoentes dessa tendência foram Édouard Manet, Claude Monet, Camille Pissarro, Pierre-Auguste Renoir, Alfred Sisley (inglês) e Edgar Degas. Conhecida a proposta impressionista, é fácil entender que um de seus temas prediletos fosse a água, com seu movimento contínuo e seu jogo de reflexos. Os pintores buscavam muitas vezes ambientes dos arredores de Paris, onde o Sena 81 ganhava a beleza adicional dos barcos a vela. As figuras humanas, as paisagens e os cafés também eram constantemente representados nas telas impressionistas. Édouard Manet, morto em 1883, havia levado sua pintura a um terreno que antecipava o impressionismo: libertou o artista da tradicional necessidade de um tema convencional para empenhar-se na busca da luz e da cor nas formas. Seus retratos e figuras “Almoço na relva” (1883), serviam-lhe de pretexto para criar formas com massas de cor, usando tons que atenuavam o efeito de profundidade.Manet que não participou de nenhuma das oito exposições do Impressionismo, foi, no entanto, uma figura fundamental na configuração de sua estética. Claude Monet (1840-1926) levou o Impressionismo as últimas conseqüências e, depois de realizar diversas séries denominadas “Catedral de Rouen” (1892-1894), que estudavam as variações da luz em diversos momentos e situações, desintegrou totalmente as formas nos quadros de luz e cor de sua última etapa, como a série das “Ninfeias”. Renoir foi o pintor impressionista que ganhou maior popularidade e chegou mesmo a ter o reconhecimento da crítica ainda em vida. Seus quadros manifestavam otimismo, alegria e a intensa movimentação da vida parisiense do fim do século XIX. Exemplo disso é o famoso “Baile no Moulin de la Galette”, em que as pessoas movimentam-se numa atmosfera feliz de cores e sorrisos. Degas (1834-1917) fez parte do grupo, mas apresentou uma característica muito particular. Sua formação acadêmica e sua admiração por Ingres fizeram com que valorizasse o desenho e não apenas a cor, que era a grande paixão do Impressionismo. Os ambientes de seus quadros são de interiores e a luz é artificial. Sua grande paixão era flagrar um instante da vida das pessoas, apreender um momento do movimento de um corpo ou da expressão de um rosto. Ficou conhecido como o pintor das bailarinas, pela série que desenvolveu de pinturas com este tema. A evolução do Impressionismo: o Pontilhismo – Em 1886 realizou-se a última exposição coletiva do grupo de artistas impressionistas. Dessa exposição dosi pintores que dariam uma nova tendência ao movimento: Georges Seurat (1859- 1892) e Paul Signac (1863-1935). Basicamente, o trabalho desses dois artistas aprofundou as pesquisas que os impressionistas realizaram quanto à percepção ótica. Seurat, principalmente, acabou reduzindo as pinceladas a um sistema de pontos uniformes que, no seu conjunto, dão ao observador a percepção de uma cena. Essa técnica foi chamada de Pontilhismo ou Divisionismo, porque as figuras, nas telas, são representadas em minúsculos fragmentos ou pontos, cabendo ao observador percebe-las como um todo plenamente organizado. 82 PÓS-IMPRESSIONISMO (a partir de 1886) Pós-Impressionismo é o nome que se dá a diferentes estilos e tendências artísticas cuja origem encontra-se no Impressionismo como uma reação contrária a ele como visando um desenvolvimento maior da escola. A maioria dos artistas considerados pós-impressionistas participou das exibições impressionistas, mas acabaram por tomar outros rumos na realização de sua arte. A forma das pinturas, o tratamento das cores ou a linha podiam ser objetos de discordância com os impressionistas. Tendências como o simbolismo até o expressionismo já se encontram nas obras de alguns desses pintores pós-impressionistas. As divergências dos principais nomes considerados pós-impressionistas com os impressionistas normalmente se concentravam na momentaneidade e extrema subjetividade enevoada em que os últimos baseavam seus trabalhos ou as tendências naturalistas do impressionismo. Essas divergências, entretanto, manifestavam-se de maneiras e intensidades diferentes nos vários estilos pós-impressionistas. Os movimentos modernistas, também, devem muito ao pós-impressionismo, principalmente pela figura de Paul Cézanne (1839 - 1906) e sua obstinação em alcançar a natureza real atrás das aparências, criar uma arte com vida própria, “concretizar“ suas impressões pessoais e “realizar o motivo“. Acredita-se que de uma forma ou de outra, como por, exemplo, a compreensão considerada errônea realizada pelo cubismo da pintura do artista, todos os artistas e movimentos expressivos do Século 20 tenham sido influenciados por Cèzanne. O Neo-Impressionismo de Seuraut e sua extrema valorização das cores também estão inseridos dentro dessa tendência maior pós-impressionista. Gauguin e a proximidade de sua obra com o movimento poético simbolista, sobrevalorizando as idéias e desprezando o naturalismo, também é considerado um pós-impressionista. Van Gogh, e seu mundo atormentado foi outro artista de extrema importância da pintura do Século 19, considerado um dos precursores do expressionismo que pode ser encaixado dentro dessas tendências pós-impressionistas. 83 Até mesmo Toulouse-Lautrec, conhecido pela particularidade de seu estilo, que se desenvolveu independentemente de escolas ou movimentos, pode ser visto como um artista afinado com as tendências pós-impressionistas. FAUVISMO (a partir de 1892) Movimento artístico de vanguarda do século XX. Ficou conhecido pelo seu desprezo ao realismo imediato e como precursor do abstracionismo. O Fauvismo foi um movimento pictórico onde os artistas integrantes desejavam libertar a cor das regras tradicionais da pintura registradas pelos ditos “intelectuais” da arte e do próprio condicionamento imposto pela natureza. Outro principio deste movimento artístico é a simplificação das formas. As figuras das composições fauvistas são apenas sugeridas, não são representadas realisticamente. O nome fauve (feras) foi dado pelo crítico de arte Louis Vauxcelles devido a violência com que estes artistas usavam as cores puras e de forma arbitrária do jeito que elas vinham nos tubos de tinta sem fazer gradações de tons. Os primeiros contatos entre os fauvistas têm registro em 1892, quando Henri Matisse conhece um grupo de artistas na Escola de Belas Artes: Albert Marquet, Henri Manguin e Charles Camoin, mais tarde também se junta a este grupo André Derain e Maurice Vlaminck, Othon Friesz, Raoul Dufy. Os artistas que mais se sobressaíram foram Matisse, considerado o “rei das feras”, (1869-1954), Derain (1880-1954) e Vlaminck (1876-1958). Os temas do fauvismo iam desde figuras humanas até paisagens, o mais importante era o registro da capacidade expressiva da cor uma de suas características. A primeira exposição dos fauvistas: Salão de Outono de Paris, em 1905. O grupo era diversificado, não tinha orientação teórica, mas tinha em comum apenas o uso agressivo e arbitrário das cores, que os artistas preferiam usar puras e quentes. 84 Alguns artistas ligados a outros movimentos influenciaram o fauvismo: Van Gogh, Gauguin e Cézanne. Em 1908 há um desmembramento do grupo, havendo uma diversificação maior da estética fauvista e a violência cromática da fase inicial aos poucos se perderam. Henri Matisse considerado pelos historiadores de arte como a maior expressão da pintura fauvista tem como forte característica de sua obra o descompromisso com o realismo, tanto em relação à forma como à cor. Matisse confessou certa vez que sempre que ia fazer um trabalho pensava primeiro na cor, depois na composição. Algumas obras de Matisse: Retrato de risca verde, 1905, 40,5 x 32,5cm. A conversação, 1909, 177 x 217cm. A dança, 1910, 2,60 x 3,90m. FUTURISMO (Começo do século XX) Surgiu na Itália no começo do século XX. No início este movimento é essencialmente literário, mas logo outras formas de expressão artística aderiram a linguagem do Futurismo como: pintura, escultura e até a música. O Futurismo tinha como referência: exaltação a beleza, a velocidade e a energia da vida moderna seus adeptos mostravam deslumbramento diante das novas máquinas criadas pela revolução industrial. Filippo Tommaso Marinetti, escritor, foi seu fundador, ele publica em 1909, um manifesto no jornal Le Figaro, alguns postulados que fundamentaram o Futurismo, onde ele desafiava os artistas a mostrarem “coragem, audácia e revolta” para comemorar “uma nova beleza, a beleza da velocidade”. O termo expressavauma rejeição da cultura tradicional e propunha a transformação da sociedade. A tecnologia, a velocidade, o movimento, a vida urbana, a máquina e a guerra foram elementos permanentemente exaltados pelos futuristas. Para os futuristas, os objetos não se esgotam no contorno aparente e seus aspectos se interpenetram continuamente devido à nossa visão, que é dinâmica e vê vários espaços a um só tempo, ou vários tempos num só espaço. 85 Os futuristas recusaram toda representação realista e usara, além de linhas retas e curvas, cores que sugerissem a velocidade.Ex: “O carro passou”, de Giacomo Balla e “Formas únicas de continuidade no espaço” de Boccioni. Em seu desejo de renovação total, Marinetti chegou a dizer: frases que ficaram na história: “Queremos destruir os museus, as bibliotecas, as academias...”, “...um automóvel em movimento é mais belo que a Vitória da Samotrácia”. O núcleo original do Futurismo era constituído, entre outros, por Marinetti e pelos artistas Umberto Boccioni, italiano (1882-1916), Carlo Carrà, italiano (1881-1966), Luigi Russolo, italiano (1885-1947), Giacomo Balla, italiano (1871-1958) e Gino Severini, italiano (1883-1966). Em 1910 publicou-se em Milão o Manifesto dos pintores futuristas e, um ano depois, na mesma cidade, realizou-se a primeira exposição do movimento. Em 1912 o movimento se projeta internacionalmente e acontece em Paris outra exposição, de onde o movimento logo se estendeu a vários países da Europa. A pintura e a escultura futuristas se basearam na estética da velocidade e na sensação de dinamismo. Para isso empregou procedimentos semelhantes aos do Cubismo, como a representação simultânea dos objetos ou a decomposição das figuras em planos, combinado às cores fortes do Fauvismo. Às vezes os motivos se repetiam para descrever um movimento no espaço, de modo que objeto e ambiente criavam formas sem limites definidos. Esse sistema de representação foi levado à escultura por Boccioni, autor de “Desenvolvimento de uma garrafa no espaço” e “Formas únicas de continuidade no espaço”. Boccioni se recusou a estudar a arte acadêmica: “Quero pintar o novo, os frutos da nossa idade industrial”. Boccioni morreu em um acidente enquanto cavalgava, com a idade de 34 anos e com a sua morte o Futurismo também desaparece de forma rápida. Na pintura temos Carrà e Severini, ambos conseguiram plasmar o dinamismo mediante “linhas de força”, que simulavam o movimento geral da composição. Balla, também pintor, procurou captar o dinamismo e a simultaneidade com pequenas pinceladas, que imitavam técnicas fotográficas, ex: “Dinamismo de um cão na coleira”. 86 EXPRESSIONISMO (início do século XX) Surge na Alemanha nos anos que precedem a primeira guerra mundial. O Expressionismo surge como reação ao Impressionismo – não gostavam do seu caráter essencialmente sensorial. Não queriam fixar os efeitos efêmeros da luz sobre as coisas. Os expressionistas buscavam através da cor e da deformação proposital da realidade, fazer com que os seres reais nos revelassem seu mundo interior. A expressão do sentimento tem mais valor que a razão. Esta arte não expressava o fato em si, mas o sentimento do artista em relação a este, logo, uma visualidade subjetiva, mórbida e dramática peculiar aos indivíduos que viviam momentos de tensão que precediam a guerra. Os pintores deste movimento defendiam uma visão subjetiva, uma interpretação pessoal e apaixonada daquilo que a natureza lhes sugeria, portanto “expressão” se opunha a “impressão” e isto constituía a base da estética expressionista. Os expressionistas rejeitavam os valores da sociedade burguesa e o conceito tradicional de beleza. Os expressionistas fizeram de sua arte um instrumento de crítica político- social deformando as figuras para delas extrair uma visão crua e pessoal da realidade. Segundo o historiador e crítico de arte Giulio Carlo Argan o Impressionismo é um movimento do exterior para o interior: é a realidade (objeto) que se imprime na consciência (sujeito). O Expressionismo é um movimento inverso, do interior para o exterior: é o sujeito que por si imprime o objeto. Os expressionistas davam ênfase na solidão, na dor e nos horrores da guerra. Tiveram influência de alguns pintores pós-impressionistas como Vicente van Gogh e dos fauvistas. 87 Interessavam-se ainda pelos desenhos infantis e pela arte dos doentes mentais, por ser manifestações espontâneas sem interferência da academia. O expressionismo tinha como característica marcantes ângulos acentuados com contornos sombrios e as cores contrastantes - puras e ácidas – verdes, vermelhos, amarelos e pretos. Precursores do Expressionismo: Edvard Munch (1863-1944), James Ensor (1860-1949) e Georges Rouault (1871-1958). Estes artistas não tinham nenhuma relação entre si, mas coincidiam na subjetiva e patética de expressar a realidade. A primeira geração expressionista alemã foi formada por dois grupos: Die Brücke (a ponte) em Dresden, 1905 e o Der Blaue Reiter (o cavaleiro azul) em Munique, 1911. O Die Brücke era formado por Ernest Ludwig Kirchner (1880-1938), considerado o coração do Die Brücke, Erich Heckel (1883-1970) e Karl Schmidt-Rottluf (1884-1976). Todos estes artistas eram estudantes de arquitetura, abriram um ateliê onde trabalhavam a técnica da xilogravura e que mais tarde o traço da xilogravura influenciou a pintura: pinceladas incisivas e quebradas (interrompidas). O termo Die Brücke simbolizava a idéia de uma ponte para a arte do futuro. Em 1906 uniram-se ao grupo Emil Nolde (1867-1956) e Max Pechstein (1881-1955) e no mesmo ano se organizou a primeira exposição coletiva. Os quadros apresentavam geralmente: paisagens e figuras humanas. A técnica apresentada era óleo sobre tela com espesso empastamento de tinta. O grupo se dissolveu em 1913 por divergências internas. O Der Blaue Reiter fundado em 1911 era formado pela união dos russos Vassili Kandinsk (1866-1944), Alexei von Javlenski (1867-1941), dos alemães Grabriele Münter e Franz Marc (1880-1916) e do suíço Paul Klee (1879-1940). O Der Blaue Reiter é um grupo mais restrito, sem um programa preciso, mas com orientação espiritualista. A primeira proposta do Cavaleiro Azul foi 88 o lançamento do Almanach Der Blaue Reiter com gravuras e textos sobre estética. 1a. Exposição – 18/12/1911 – o internacionalismo – artistas alemães e estrangeiros deram à sua arte um teor puramente artístico, menos comprometido com a temática político-social. A busca de conteúdos espiritual fundamenta a obra de Kandinski, que mais tarde inaugura a abstração pictórica. Franz Marc trabalha a pureza das formas, cuja energia e natureza ele se propunha a captar através do simbolismo da cor. Para Paul Klee a arte é operação estética, e a operação estética é comunicação intersubjetiva, com uma clara função formativa ou educativa. Toda sua obra e inspirada no conceito de educação para liberdade. Para Klee também era importante o recurso gráfico usado na infância. Outros artistas que fizeram parte do movimento Expressionista: Max Beckmann (1884-1950) , Egon Schiele, austríaco (1890-1918), Osckar Kokoschka (1886-1980), Chaim Soutine (1893-1943). Depois da primeira guerra mundial, um novo movimento, Neue Sachildchkeit (Nova Objetividade), retomou a estética expressionista, agora um pouco mais agressiva. O Expressionismo aparece também em outras manifestações artísticas como na literatura,teatro, cinema e música. “Arte Degenerada” – com Hitler no poder muitos artistas alemães são praticamente destruídos sendo preciso em alguns casos fugir de seu país ou eram aprisionados em campos de concentração. O termo “arte degenerada” foi dado pelas autoridades para descrever obras artísticas que não apoiasse a ideologia nazista. Foram feitas exposições da “arte degenerada” onde atraiu milhares de visitantes. Alguns artistas que fizeram parte destas exposições já vinham trabalhando no início do Expressionismo dentre eles temos: Kirchner, Dix, Grosz etc. O expressionismo foi uma busca da expressão dos próprios conflitos e paixões de seus adeptos. Quase foi instinto pela perseguição dos nazistas, mas ainda assim marcou presença em manifestações artísticas posteriores. 89 ART NOUVEAU (1880 –1905) Com o florescimento da indústria na primeira metade do século XIX o governo britânico percebeu a necessidade de estabelecer uma colaboração entre as artes e a indústria artesanal visando o enriquecimento estético aliado a novos materiais. A partir desta necessidade surge então neste período escolas oficiais de desenho com intuito de acompanhar o crescimento da indústria e o aprimoramento do que era produzido. Um crítico de arte deste período chamado John Ruskin, que era professor nas escolas de design do governo inglês, acreditava também que a qualidade estética de novos produtos estava ligada a indústria artesanal, e afirmava isto relembrando a tradição artesanal da Idade Média. Ruskin encontrou apoio de suas idéias com o arquiteto e sociólogo Willian Morris. Morris como outros profissionais da época temia que o processo industrial vulgarizasse ou mesmo destruísse o conteúdo artístico dos objetos produzidos pela indústria, ou seja, Era necessário ter o profissional adequado para lidar com a novidade (novos materiais) da indústria e manter a qualidade artística. Morris com parceria de outro arquiteto monta uma firma de projetos de interiores e também projetos de outros produtos como: papel de parede, vitral, carpetes, tecidos, tapeçaria e móveis. A firma não acompanha a demanda da clientela que agora quer acompanhar a rapidez da indústria, que acaba de criar uma nova cultura, dificultando a associação da técnica artesanal e as novas matérias primas. Morris percebendo a necessidade de aceitar o trabalho artístico mecanizado constitui o Movimento das Artes e Ofícios (Arts and Crafts Moviments). Este movimento influenciou o desenho industrial e estabeleceu a possibilidade de objetos artísticos serem feitos pela indústria. É quando no final da última década do século XIX surge um movimento que fundiu diferentes tendências – novidades da indústria, Arts and Crafts, arte oriental, artes decorativas e também das iluminuras medievais – o estilo Art Nouveau. O Art Nouveau recebeu diferentes denominações pela Europa: 90 França - Art Nouveau, o nome que ficou mais conhecido. Alemanha – Jugendstil. Itália – Stile Floreale ou Stile Liberty. A essência do Art Nouveau é uma linha, uma extensa curva sinuosa que se encontra em cada design deste estilo. O Art Nouveau rejeitava a ordem da linha reta e do ângulo reto, a favor de um movimento mais natural. A natureza era a principal fonte de referência deste estilo, em particular o mundo das plantas: flores, caules, folhas, palmeiras, algas marinhas, insetos, pássaros coloridos e elegantes, cobras e galgos. A arte japonesa também era motivo de utilização. Outra fonte de inspiração decorativa podia se desenvolver a partir das curvas do corpo feminino, em especial quando combinados com longas, soltas e flutuantes cabeleiras que se confundiam entre caracóis e ondas. A medida que o estilo evoluiu foi crescendo a procura de formas originais. As cores eram pálidas, os tons frios e transparentes dando uma sensação de leveza principalmente quando associadas a sinuosidade das linhas. No estilo Art Nouveau o elemento ornamental perde o caráter de ornamento e se torna parte estrutural. A funcionalidade está ligada ao belo. O Art Nouveau foi o primeiro estilo aparentemente não possuir as suas raízes profundamente enterradas na história européia. Pelo contrário, parecia ser o verdadeiro primeiro novo estilo do século, apesar de apenas ter emergido nas últimas décadas. O estilo Art Nouveau é um movimento tipicamente urbano, que nasce nas capitais e se difunde para o interior. É o gosto da burguesia moderna: a alta burguesia consome os arquétipos deste estilo, a média e pequena consomem produtos do mesmo tipo, mas de qualidade inferior dos materiais. Alguns nomes ligados ao estilo Art Nouveau: Arquitetos: Hector Guimard – o portão do Castelo Béranger (1894-8), Paris. - entrada do Metro de Paris Victor Horta – Hotel Aubecq (1889-1903), Bruxelas, já destruído. Henry van de Velde: Villa Bloemnwaf (1895/6), Bruxelas. 91 August Endell: Atelier Elvira (1897), Munique, destruído pelos nazistas em 1944, como exemplo de arte degenerada. Antoni Gaudí – Parque Güell, Sagrada Família. Artes aplicadas: Charles Mackintosh – salão de Chá Willow em Glasgow. Alphonse Mucha – Vitrais. Jacques Gruber - vitrais na escola médica de Nancy. Vidros: Christopher Dresser Émile Gallé René Lalique Louis Comfort Tiffany Cerâmica: Ernest Chaplet Auguste Delaherche Grafismo: Eugène Grasset Aubrey Beardsley Joalheria: Archibald Knox Georges Fouquet Philippe Wolfers Metaloplastia (grades e objetos): Mackintoosh. Archibald Knox Christopher Dresser. Mobiliário: Émile Gallé habilidade em marchetaria. Georges Hoentschel Eugène Vallin Josef Hoffmam O SIMBOLISMO (1885-1910) O Simbolismo surge como movimento literário, onde seus representantes franceses: Mallarmé, Verlaine e Romboud viam na imaginação a mais importante fonte da criatividade. O Simbolismo como tendência estética surge com um grupo de artistas trabalhando em reação ao limitado modo representação do Realismo e o Impressionismo. 92 Os simbolistas achavam que deveriam superar a visualidade dos Impressionistas no sentido espiritualista não científico. Este grupo buscava o significado para suas representações por trás da realidade aparente das “coisas”. Eles acreditavam que a arte não representa – revela por signos uma realidade que está aquém ou além da consciência. Segundo este grupo era preciso estabelecer uma continuidade entre o mundo objetivo e subjetivo pela sua forma de representação onírica. O Simbolismo antecipa a concepção surrealista do sonho como relação da realidade profunda do ser, ser da existência do inconsciente. Os pintores desta tendência usavam cores emotivas e imagens estilizadas e pintavam às vezes cenas exóticas e oníricas. Os Simbolistas cultivavam o gosto pelas superfícies planas e achatadas, propunham a simplificação do desenho e valorizavam a cor pelouso de largas pinceladas em áreas cromáticas rigorosamente planas, limitadas por linhas de cor preta, o resultado se afastava bastante das formas visuais da natureza, levando para o mundo dos sonhos e do mistério. Alguns pintores: Gustave Moreau – Francês, (1826-1898) Foi contemporâneo do Realismo, mas seguiu a vertente do Simbolismo. Moreau misturava erotismo com mitologia e religiosidade. Foi professor da escola de Belas Artes (Paris) e teve como importantes alunos os representantes do Fauvismo. Algumas obras: Salomé – c. 1876,143x103 cm. Uma alusão ao tema “a mulher que destrói o homem”. A Aparição – c. 1875. Uma mistura de religiosidade e sensualidade. Odilon Redon – Francês, (1840-1916). 93 Artista que sempre trabalhou sozinho, tinha como forte expressão e preferência o desenho, a aquarela e o pastel à pintura como os artistas contemporâneos, ele achava a tinta óleo muito brilhante. Estudou muito a obra de Leonardo da Vinci e ia além de Leonardo quando indagava a estrutura secreta do ser humano, o mistério eterno da vida. Ficou conhecido por suas flores e seus fantasmas. Algumas obras: Anêmonas e lilases em vaso azul – c. 1912, 74x60cm. Nascimento de Vênus – c. 1912, 141x61cm. A flor do pântano – c. 1885, litogravura, uma homenagem a Goya. Orfeu – c. 1913. O mágico reino dos mortos. A pintura é uma alusão ao músico da mitologia grega – sua cabeça flutua ao lado de um fragmento da lira, ele perdeu sua amada Eurídice. Henri Rousseau – Francês, (1844-1910). Foi autodidata, e ficou conhecido pela sua ingenuidade, dizem que os artistas de sua época se divertiam muito com sua ingenuidade. Para entender sua obra e necessário consultar um dicionário de signos, pois para nós tudo parece sem sentido. Rousseau produziu paisagens fantásticas e infantis cheias de bichos estranhos e flores imensas. Suas representações eram limitadas por não ter passado pela academia. Dominava o material (pincel e tinta), mas suas figuras são chapadas sem proporção e a perspectiva é deformada. O que resulta para suas composições um ar de mistério de paisagem do ouro mundo. Algumas obras: A cigana adormecida, c. 1897. A guerra, c. 1894, 113x193cm. O pequeno cabriolé de pére Junier, 97x129cm. 94 Pierre-Cécile Puvios de Chavannes – Francês, (1824-1898). Alegoria e evocação clássica. Em suas pinturas fazia muita alusão a arte grega, tanto na maneira de representar como o uso da simbologia através da mitologia. Suas figuras humanas são semelhantes às estátuas gregas. Algumas obras: O verão – c. de 1891, 350x507cm, museu d‟Orsay. O verão – c. 1889/93, tela fixada na parede do Hôtel de Ville, Paris. OS NABIS (1888) Em 1888 surge o movimento chamado de “os Nabis” que em hebraico quer dizer “profetas”. O pintor e teórico de arte Paul Sérisier vai para Pont-Aven (Bretanha) ter algumas aulas com Gauguin – o objetivo nesse momento de Gauguin era o de superar o limite sensorial do Impressionismo. Quando Sérisier volta à Paris ele traz uma tela pintada, com acompanhamento de Gauguin, que tem o nome de “Bois d‟Amour”, um bosque de Pont-Aven, que também ficou conhecida como “ O Talismã” por ter sido considerada o símbolo de uma nova liberdade e trazer novas possibilidades artísticas de representação. Inspirados nesta tela os pintores Pierre Bonnard e Edouard Vuillard constituíra os Nabis. Outro Nabi bem conhecido era Maurice Denis. Os Nabis também admiravam a arte japonesa e adotaram muitos aspectos do misticismo oriental, principalmente Pierre Bonnard que ficou conhecido como “Nabi japonês”. Os Nabis tinham especial interesse nas cenas do cotidiano, era como se eles paralisassem um instante, gostavam também de registrar na pintura a intimidade de uma cena pessoal. 95 Os Nabis interessavam-se também pelas composições ritmadas, representações de texturas, cores vivas e infinitas possibilidades decorativas. Os esboços japoneses que simplificavam as formas também eram de interesse dos Nabis. Denis dá uma declaração dizendo que a partir daquele momento não existia mais significado subjetivo dos simbolistas e sim o quadro vale pelo que é, não por aquilo que parece ser. Alguns artistas: Paul Sérisier, francês, (1864-1927). Obra: Bois b‟Amour, c. 1888, 27x22cm. Paul Ranson, francês, (1862-1909). Pierre Bonnard, francês, (1867-1947). Obra: A Carta, c. 1906, 55x48cm. O Banho, c. 1925, 85x120cm. Escada no jardim do artista, c. 1942/44, 63x73cm. Édouard Vuillard, francês, (1868-1940). Obra: O vaso de flores sobre lareira, c. 1900, 36x30cm. Maurice Denis, francês (1870-1945). Obra: As Musas, c. 1893, 168x135cm. Aristide Maillol, escultor francês, (1861-1944). Seu tema preferido era o nu feminino. Obra: A noite, c. 1902, terracota, 18cm de altura. A ÉPOCA DO FUNCIONALISMO (Após a 1ª Guerra) 96 A primeira guerra determinou uma diminuição no ritmo da construção civil. Na retomada os construtores se encontram diante de uma situação social, econômica e tecnológica profundamente modificada. Crescimento das populações urbanas pelo apelo das industrias. O problema urbanista, que antes da guerra se apresentava como uma situação que ocorreria só no futuro, agora se apresenta com extrema gravidade e urgência. Agora a cidade possui um aspecto funcional: a cidade como organismo produtivo. Um aspecto social: a classe operária é, a partir de agora, o componente mais forte da comunidade urbana. Um aspecto higiênico, em sentido fisiológico e psicológico: a cidade fábrica é insalubre devido às emanações que a invadem e à densidade da população. Um aspecto político: para proporcionar à cidade certo coeficiente de agilidade e funcionalidade, isto é, para utiliza-la, é necessário tira-la das mãos de quem a explora simplesmente em benefício próprio. Objetivamente, o que impediu e ainda hoje impede a adequação da estrutura à função urbana, e é a causa primeira da desordem das cidades, é a especulação imobiliária. Um aspecto tecnológico: não só a tecnologia industrial substitui a técnica tradicional ou a artesanal das construções, como também, se o problema da arquitetura é colocado, como o é necessariamente, em escala urbanista e, portanto, de construção civil em série, tal problema não pode ter solução fora da tecnologia industrial. Esse conjunto de fatores modifica radicalmente a figura profissional do arquiteto: antes de ser um construtor, deve ser um urbanista, projetar o espaço urbano. A arquitetura moderna se desenvolveu, em todo o mundo, segundo alguns princípios gerais: 1. A prioridade do planejamento urbano sobre o projeto arquitetônico. 2. O máximo de economia na utilização do solo e na construção, a fim de resolver o problema da moradia. 3. A rigorosa racionalidade das formas arquitetônicas. 4. O recurso sistemático à tecnologia industrial, à padronização, à pré- fabricação em série, isto é, a progressiva industrialização da produção de todo tipo de objetos relativos à vida cotidiana (desenho industrial). 5. A concepção da arquitetura e da produção industrial qualificada como fatores condicionantes do progresso social e da educação democrática da comunidade.. 97 A arquitetura moderna cria então o que podemos chamar de ética fundamental, onde se distingui diversas formulações problemáticas e diversas orientações:1. Um racionalismo formal, que possui seu centro na França e tem à frente Le Corbusier. 2. Um racionalismo metodológico-didático, que possui centro na Alemanha, na Bauhaus, e tem à frente W. Gropius. 3. Um racionalismo ideológico, o do Construtivismo soviético. 4. Um racionalismo formalista, o do Neoplasticismo holandês. 5. Um racionalismo empírico dos países escandinavos, que tem seu expoente máximo em A. Aalto. 6. Um racionalismo orgânico americano, com a personalidade dominante de F. L. Wright. 1) Le Corbusier (1887-1965) – “O urbanista-arquiteto tem o dever de fornecer à sociedade uma condição natural e ao mesmo tempo racional de existência”. Le Corbusier encontrará a fórmula pitagórica: o homem como medida de todas as coisas, a medida humana, o Modulor. O edifício para ele não atrapalhará a natureza aberta colocando-se como um bloco hermético. O espaço é continuo, a forma deve se inserir, como espaço da civilização, no espaço da natureza, a cidade que entra nas vias internas dos edifícios. Os apartamentos serão encaixados uns nos outros em múltiplos níveis. Le Corbusier elaborou vários projetos urbanistas para várias cidades da Europa: (Genebra, Antuérpia, Barcelona< Marselha, Paris), da África (Argel), da América do Sul (Buenos Aires), Rio de Janeiro, Bogotá), da Índia (Chandigard, a única inteiramente realizada). Elaborou também vários projetos de móveis e as Capela Ronchamp, considerada uma escultura ao ar livre. 2) Walter Gropius (1883-1969) com sua escola democrática a Bauhaus que fundava-se sobre o princípio da colaboração, da pesquisa conjunta entre mestres e alunos. 1º diretor e fundador W. Gropius (1919- 1928 em Weimar), Hannes Meyer, intelectual e marxista, que com o afastamento de Gropius foi o 2o. diretor, mas agora com edifício novo em Dessau, que ficou até 1931. E por último Mies van der Rohe assume a direção da Bauhaus de 1932 a 1 933, com centro em Berlin, nesta data a escola foi fechada pelos nazistas, (assunto discutido em sala de aula). 3) Construtivismo soviético: as primeiras ações da vanguarda arquitetônica se enquadram no movimento construtivista, florescente nas artes plásticas que derrubava todas as barreiras tradicionais. 98 O grande representante deste movimento arquitetônico é o arquiteto que acredita nas possibilidades de técnicas modernas Mendelsohn que constrói uma grande fábrica em Leningrado (1925) . A estética do Construtivismo pretende que todos os acréscimos que a rua da grande cidade traz à construção (placas, propagandas, relógios, alto-falantes e até os elevadores internos) sejam incluídos na composição como pontos de igual importância: exatamente como fazia Mendelsohn para expressar na forma o conteúdo do edifício. Numa sociedade revolucionária, as construções, com a precisão e os movimentos de suas formas, constituem o símbolo visível da edificação do socialismo. A qualidade: a arquitetura é concebida como comunicação em ato. O limite: ainda que em sentido funcional e não representativo, a arquitetura tende a se tornar cenográfica e formalista, a responder a funções mais ideais e imaginárias do que raies. Uma das causas do limite é também a dificuldade de inserir a pesquisa num planejamento urbano concreto, que o novo regime ainda não tem condições de implantar. Só mais tarde é implantado , mas o movimento de vanguarda já havia sido oficialmente prescrito. O sucesso da vanguarda russa na Europa acontece em 1925, quando o pavilhão soviético executado por Melnikov para a Exposição Internacional das Artes Decorativas, em Paris, conquista o grande prêmio. 4) Racionalismo formalista, com o Neoplasticismo holandês – neste momento a Holanda possui uma escola arquitetônica entre as mais avançadas do mundo. Era dirigida por Berlage, uma escola aberta a todas as experiências européias e não-européias. Assim como no Neoplasticismo das artes plásticas este movimento valoriza as formas geométricas simples, que são resultado das horizontais e verticais, e as cores primárias em suas construções. Os holandeses encontram apoio intelectual na vanguarda russa, mas possui outras origens, e nasce da revolta moral contra a violência irracional da guerra que assolava a Europa. Theo van Doesburg (1883-1931), Thomas Gerrit Rietveld (1888- 1964), Willem Dudok (1884-1974), Johannes Brinkman (1902-1949), grandes representantes deste movimento holandês . Na poética neoplástica, o puro ato construtivo é estético: unir uma vertical e uma horizontal ou duas cores elementares já é construção. 99 5) Racionalismo empírico dos países escandinavos (Suécia, Noruega, Finlândia e Dinamarca): Seu grande expoente o arquiteto Alvar Aalto (1898-1976), pesquisava sobre os espaços internos não só como geradores das plantas, mas também da volumetria da construção. Não projetava partindo do exterior, e sim do interior, do local da vida: o espaço interno conquista o exterior, e deles se apropria. No seu discurso Aalto dizia que todo espaço é interno, mesmo os volumes externos do edifício estão envolvidos por um espaço concreto, que consiste em ar, luz, árvores, céu. Aalto projeta a partir do objeto, ás vezes do móvel ou da lareira: e como objetos cujo desenho demanda cuidado para que se tornem instrumentos familiares da vida, ele projeta a sala de estar, a escada, os quartos de dormir, as sacadas para tomar sol. Utiliza amplamente materiais locais, especialmente a madeira de bétula, mas não para estabelecer uma espécie de continuidade biológica entre a natureza e a casa, simplesmente porque têm qualidades de elasticidade e de textura que os tornam sensíveis à luz, quase congênitos ao espaço “empírico” da casa ou da natureza. Os racionalistas escandinavos não estão preocupados no problema da construção civil no âmbito da grande indústria, mas em criar uma industria para a casa, isto é, para vida, A Suécia contou com dois grandes arquitetos que trabalhavam junto a corrente do empirismo: G. Asplund (1885-1940) e S. Markelius (1889- 1972). 6) O racionalismo orgânico americano - para os mestres do racionalismo europeu, o problema central era urbanista: integrar o proletariado industrial à comunidade urbana. Não bastava dar-lhes moradias decentes, para que não permanecessem nos guetos, era preciso reformar toda a estrutura da cidade e da própria sociedade, transformando em unidade funcional a antiga estratificação de classe. A situação americana era diferente. Não havia uma estratificação de classes antiga e sedimentada. No início do século, o problema dominante é diferenciar a cultura americana da cultura européia, anular qualquer resquício de colonialismo, também na arte opor os valores do Novo aos do Velho Mundo. 100 Assim enquanto na Europa declina, nos EUA nasce o mito da obra- prima, do artista gênio – inaugurado por Frank Lloyd Wright (1869-1959). Ele propõe ao EUA uma arquitetura totalmente diferente, uma arquitetura ligada ao ideal de uma harmonia ou comunhão entre a natureza. Wright afirma que a arquitetura é pura criação, e enquanto tal não deriva da história. Ele nega a existência de uma relação entre a arte e a história, contesta o valor da história como ordem da experiência humana. Assim afirma, implicitamente, que apenas um povo como o americano, que não trazia nos ombros o peso de uma história, pode realizar uma arte plenamente criativa. Para Wright a casa não deve ser um espaço dado e rigidamente subdividido, que condiciona a existência, deve ser o meio de um contato com a realidade, onde cada qual realiza a si mesmo. Conseqüências disto no plano formal:eliminação da “caixa” espacial, redução das formas resultantes às horizontais e verticais e ao cruzamento de planos, planta livremente articulada, anulação das separações nítidas entre espaço interno e espaço externo, união entre o edifício e o ambiente natural entendido como local determinado, situado. Wright tem muita atração pela arquitetura antiga do Extremo Oriente. (homem x natureza) – constrói em Tóquio o hotel Imperial. Monta uma casa-escola: Taliesin, oposta ao da Bauhaus. Em sua escola Wright era tido como um sábio oriental e seus discípulos. Wright acredita que o princípio fundamental da arquitetura orgânica é o de que a construção deve ser natural como um crescimento. Para a arquitetura orgânica, dois pontos foram fundamentais: um deles é a integração do edifício na natureza, daí ter valorizado materiais como a madeira e a pedra; o outro, a humanização da arquitetura, principalmente como resposta ao utilitarismo excessivo. A arquitetura orgânica deixou de lado o princípio “a forma segue a função” para seguir outro, proposto por Wright: “a forma deve ser baseada no espaço em movimento”. Por isso, as construções orgânicas mais famosas são residências individuais, pois permitiam ao arquiteto maior liberdade de criação, já que ele não precisava projetar uma série de espaços iguais, como nos grandes arranha-céus, mas podia criar espaços desiguais harmônicos e de linhas dinâmicas. 101 Obras mais conhecidas: Museu Guggenheim (NY), A Casa Kaufmann (Casa Cascata - Pensilvânia). Muitos arquitetos europeus foram de mudanças para o EUA, os primeiros a escolher um país tecnologicamente mais avançado, como campo de trabalho foram: W. Lescaze, suiço (1896-1967), R. Neutra, austríaco (1892-1970) e E. Saarinen, finlandês (1910-1961). A perseguição nazista causou a emigração para os EUA de arquitetos e artistas de primeira grandeza: Gropius, Mies van der Rohe, Breuer e Moholy-Nagy. Os quais se adaptaram a arquitetura racionalista orgânica capitalista sem grandes problemas, pelo contrário com grande classe. ABSTRACIONISMO GEOMÉTRICO Arte abstrata é a denominação que se dá a uma série de estilos artísticos, desenvolvidos no século XX, que repudiam o tradicional conceito da arte como representação ou imitação da realidade. No Abstracionismo geométrico as formas e as cores devem ser organizadas de tal maneira que a composição resultante seja apenas a expressão de uma concepção geométrica. Pode se dizer que as pesquisas de Cézanne abriram caminho para o cubismo, movimento que reduziu a realidade a esquemas geométricos essenciais, ignorando as leis da perspectiva. Estes tipos de representação supõem um avançado grau de abstração. Em 1912 inaugurou-se em Paris a exposição La Section d’Or, organizada por pintores cubistas que tiveram como expositores: Frantisek Kupka, com a obra “Planos Verticais”, nos quais formas geométricas e massas de cor eram ordenadas de acordo com as dimensões e tonalidades, e Robert Delunay, que pintou o “Disco simultâneo”, círculo dividido em outros círculos concêntricos, subdivididos em quatro segmentos pintados com diferentes cores, o que produz efeito de rotação. Vladimir Tatlin, russo, (1885-1956) utilizou em suas esculturas materiais relacionados a indústria (vidro, metal e madeira), organizados de maneira linear e geométrica. Suas obras eram abstratas e foi à base para o movimento chamado Construtivismo. O movimento recebe este nome por que os artistas chamavam suas produções de “construções”. Antoine Pevsner (1886-1962) e Naum Gabo *(1890-1977) também fizeram parte deste movimento, onde o material mais utilizado era o metal. 102 Sob influência de Tatlin, Kazimir Malevitch, russo (1878-1935) desenvolve experiências onde tentava eliminar a linguagem do construtivismo e chegar à integração da arte com o desenho industrial, esta expressão foi denominada de suprematismo. O movimento De Stijl (O Estilo) – Os holandeses Theo van Doesbur, Piet Mondrian e Bart van der Leck, contemporâneos da primeira guerra mundial, promoveram uma depuração estética do abstracionismo geométrico. Mais tarde nasceu em 1917 a revista com o mesmo nome do movimento – De Stijl. Mondriam cria então o Neoplasticismo, usou exclusivamente linhas horizontais e verticais, cores primárias (vermelho, amarelo e azul) e não cores (preto, branco e cinza). Nos últimos anos da década de 1920, a adesão de alguns mestres do cubismo ao abstracionismo geométrico deslocou para Paris o centro da arte abstrata. O abstracionismo geométrico depois da segunda guerra mundial: Os movimentos que deram continuidade ao abstracionismo geométrico se multiplicaram depois da segunda guerra mundial, mas com algumas divergências de seus princípios originais, sendo assim surgiram novos movimentos – Op Art e minimalismo. CUBISMO (1907 e 1914) Considerada uma das tendências mais revolucionárias instaladas nas artes plásticas, foi criada em Paris, entre 1907 e 1914, por dois artistas: Picasso e Braque. O Cubismo destacou a superfície plana e bidimensional da pintura, rejeitou as técnicas tradicionais da perspectiva, do claro-escuro e da reprodução das formas e renegou a arte enquanto imitação do real. Embora às vezes fundamentado na natureza, os pintores cubistas não se dispunham a copiar suas formas, texturas, espaços e cores. Estes artistas 103 apresentaram uma nova visão do real em objetos totalmente fragmentados, cujos diferentes lados podem ser vistos simultaneamente. O movimento originou-se de duas fontes: influência da escultura africana vinda de alguns artistas parisienses que tiveram contato com esta arte e a obra de Paul Cézanne que já em sua pintura reduzia os objetos reais a seus elementos geométricos como: cilindros, cones, cubos e esferas. Os cubistas sugeriam as três dimensões apenas por meio de duas, e os diversos pontos de vista que temos de um objeto no espaço ao contorna-lo. O ponto de vista já não é único e fixo, mas móvel e múltiplo, apesar de ser traduzido por uma única imagem. Simultaneamente, profundidade e perspectiva perdem a importância que tinham para a criação do espaço pictórico. O primeiro quadro cubista pintado por Picasso foi “Lês demoiselles d’Avignon”, 1907, 244x 234cm. Nesta pintura Picasso tentou representar o rosto humano simultaneamente de frente e de perfil e as silhuetas aparecem fraturadas. Com o passar do tempo o Cubismo evoluiu em duas tendências chamadas: Cubismo analítico e Cubismo sintético. A primeira fase deste estilo denomina-se Cubismo analítico, uma vez que se trata de uma dissociação das formas em figuras geométricas feitas por análise intelectual onde as figuras são fragmentadas pelo jogo de linhas e dos planos. O Cubismo analítico teve como seus maiores representantes Picasso e Braque por volta de 1908 e 1911. Os temas são geralmente paisagens, pessoas e naturezas-mortas compostas de objetos do cotidiano, como garrafas, copos e instrumentos de música. No cubismo analítico, as linhas e os planos, muitas vezes transparentes, inclinados dão todos os aspectos de um objeto que o artista se lembra no momento em que pinta. As produções deste período aparecem com poucas cores – preto, cinza e alguns tons de marrom e ocre, os artistas estavam preocupados com o tema e a possibilidade de apresentá-lo de todos os lados simultaneamente. Ex: Violino e Cântaro, Braque,1910, 117cm x 73,5cm. 104 O Cubismo analítico é levado às últimas conseqüências no que diz respeito à fragmentação dos seres e dosobjetos, tornando impossível o reconhecimento das figuras nas pinturas. Ex: O Poeta, Picasso, 1911, 130cm x 89cm. A segunda tendência denominada de Cubismo sintético percebe-se a presença de letras, números, colagens de pedaços de jornais, papeis, bilhetes postais, tecidos, etiquetas, cartas de baralho etc, nas telas. Nesta fase a cor tem mais importância e volta as telas, as superfícies embora continuassem fragmentadas, eram mais amplas e decorativas. A novidade singular foi o uso de materiais não pictóricos. No Cubismo sintético os artistas além de criar novos efeitos plásticos e de ultrapassar os limites visuais da pintura, despertaram também ao observador as sensações táteis. Ex: Natureza-morta de Braque, 1911. Desdobramentos do Cubismo: Além dos dois mestres mencionados, houve uma série de artistas que praticaram um cubismo próximo ao de Picasso ou de Braque, mas com toques pessoais como: Juan Gris (1887-1927), Fernando Legér (1881-1955), Robert Delunay (1885-1914). Vale ressaltar o Cubismo de Delunay pela sua forma particular de representação que foi chamado Cubismo órfico (formas e cores são expressivas por si próprias e devem-se organizar segundo ritmos e harmonias semelhantes aos da música). Ex: Formas circulares, 1912, 127 x 192cm. Pode-se dizer que, com a guerra de 1914, o Cubismo se desintegrou como vanguarda artística, embora sua influência tenha sido determinante ao longo do século XX. POP ARTE (décadas de 1950 e 1960) O termo pop arte foi usado pela primeira vez pelo crítico britânico Lawrence Alloway na década de 50. A pop arte teve início em Londres, mas suas obras sempre foram baseadas nos meios de comunicação de massa dos Estados Unidos, onde ela atingiu seu auge nos anos 60. De acordo com McCarthy (2002, p. 16), a arte pop tem grande influência dos movimentos dadaísta e surrealista. O dadaísmo protestava contra a civilização que dera origem à Primeira Guerra Mundial. Com atitude irreverente, aceitava quase tudo em relação à arte. 105 Popularizou o uso do objeto achado (algo escolhido e exibido pelo artista sem sua interferência) e dos ready-mades (objetos manufaturados) que reforçavam a idéia de que a arte não era apenas manual, artesanal. Apesar de compartilhar destas idéias, os artistas pop, ao contrário dos dadaístas, não protestavam contra a civilização, nem atacavam a cultura comercial. Tampouco tinham a atitude agressiva dos dadaístas em relação à arte moderna e seus valores (JANSON, 2001, p. 983). O surrealismo perpetuou o uso dos objetos achados em suas obras, e aliou a essa técnica o interesse pela fantasia e pelo desejo, encontrado na arte pop em sua fascinação pelo consumismo. Os artistas pop acreditavam que as diferenças sociais tradicionais – entre baixa e alta cultura, elevado e inferior – eram passado. Eram “em favor de uma arte que era visual e verbal, figurativa e abstrata, criada e apropriada, artesanal e produzida em massa, irônica e sincera” (MCCARTHY, 2002, p.14). Era a volta da arte figurativa, em oposição ao expressionismo abstrato. A primeira obra inglesa reconhecida como pop foi „O que exatamente torna os lares de hoje tão diferentes, tão atraentes?‟, uma colagem de Richard Hamilton, datada de 1956. Com esta obra, Hamilton sugeria a inclusão de imagens do meio de comunicação de massa nas Artes. FIGURA 1 - „O que exatamente torna os lares de hoje tão diferentes, tão atraentes?‟ Segundo McCarthy (2002, p. 26), Richard Hamilton (1922) se comparava a um homem de negócios bem-sucedido. Ele se sentia “[...] à vontade no mundo da produção e do consumo do pós-guerra”. Em suas obras ele incentiva o consumo de produtos, incluindo sua própria arte. Em $he (1958-61), ele mistura aspirador de pó, porta de geladeira, torradeira e produtos enlatados, mostrando seu apelo pelo consumo. Hamilton pertencia ao Independent Group, um grupo de artistas e críticos britânicos jovens que surgiu no início dos anos 50. Desafiavam as idéias aceitas sobre a arte moderna. Acreditavam que a arte do pós-guerra deveria ser acessível e democrática e rejeitavam a dificuldade da arte moderna anterior. Nos Estados Unidos, o início da arte pop remete-se a Johns e Rauschenberg, ainda em 1955, considerados os precursores do movimento. Robert Rauschenberg (n. 1925) teve grande contribuição, no pós-guerra, na ruptura entre os artistas e o expressionismo abstrato. Queria livrá-los da compulsão de registrar as suas emoções. Criou sua forma própria de arte, reciclando lixo e sucata, fez algo como uma pintura-escultura ou assemblage2. Os temas de sua arte eram „multiplicidade, variedade e inclusão‟. De acordo com Strickland e Boswell (2004, p. 172), sua arte era baseada no risco. Para Rauschenberg, se não fosse surpresa, a arte não tinha significado. Numa manhã, sem dinheiro para comprar tela, pegou um velho edredom e criou „Cama‟ (1955). Afirmava ser uma de suas obras mais simpáticas. 2 Assemblages são obras que reúnem características de teatro, escultura, colagem, pintura. O artista utiliza diversos tipos de materiais e técnicas para romper o espaço entre realidade e imagens. Algumas vezes, os assemblages vão além das telas e ocupam o espaço físico que os rodeia (JANSON, 2001, p. 990). 106 Jasper Johns (n. 1930) utilizava objetos de duas dimensões e formatos simples, como alvos, mapas, bandeiras, números e letras („Alvo com quatro faces‟ – 1955 / „Três bandeiras‟ – 1958). Sua arte era intelectual fria e distanciada (ARCHER, 2001, p. 7). Criticava o enfoque dado ao centro da tela pelo expressionismo abstrato. Usava a repetição de imagens em suas obras como uma forma de utilizar todo o espaço com igual importância. Segundo Argan (1992, p. 575), ao pintar imagens emblemáticas, com apuro na execução, Johns mostrava que a presença do artista, naquela “sociedade prática e atarefada”, era inútil. Nos EUA, a arte pop foi reconhecida como movimento apenas no início dos anos 60. Ao contrário dos ingleses, os artistas americanos trabalhavam individualmente até o fim de 1962, quando algumas exposições (Arte 1963: um novo vocabulário – na Filadélfia – e Os novos realistas – em Nova York) revelaram vários artistas cujos trabalhos se identificavam (MCCARTHY, 2002, p. 13). Esses artistas eram: Roy Lichtenstein, Andy Warhol, Claes Oldenburg, Tom Wesselman, Robert Indiana e James Rosenquist. McCarthy (2004, p. 25) define bem as características da pop arte: “Essa nova sensibilidade, apesar de heterogênea, pode ser resumida através da atenção à forma e ao tema, assim como ao processo. A forma inclui, com freqüência, cores saturadas, falta de pinceladas pictóricas, formas simples, contorno e delineamento nítidos e supressão do espaço profundo. O tema freqüentemente deriva de fontes preexistentes e manufaturadas para consumo de massa. Entre essas fontes estão fotografias de jornais, anúncios coloridos, letreiros comerciais, histórias em quadrinhos e filmes. O processo pelo qual a arte é feita é às vezes abreviado no sentido de que os artistas abrem mão da preparação tradicional de esboços, estudos e acabamento, em favor de uma transferência direta de imagens através da colagem e da serigrafia”. Andy Warhol (1928) talvez seja o mais conhecido artista pop. Retratou mitos e objetos do cotidiano. Fez quadros de múltiplas imagens de Marilyn Monroe, Batman, Elvis Presley (Dois Elvis – 1963), garrafas de Coca-Cola, cenas de catástrofe, caixas de sabão, dinheiro e latas de sopa („100 latas‟ – 1962). Warhol utilizava a técnica da serigrafia para mostrar a impessoalidade do objeto produzido em massa e das personalidades públicas. Além disso, com essa técnica mais pessoas podiam comprar a mesma obra ou quase a mesma. Defendia que a artenão deveria ser apenas manual e que devia ser tratada como uma mercadoria. Para tanto, apelidou seu estúdio de „A Fábrica‟ e comparava a maneira como seus assistentes o ajudavam a uma espécie de linha de montagem (ARCHER, 2001, p. 11). Suas imagens populares levaram a arte para fora dos museus dando acesso à massa. Mas foi em 1962, com a morte de Marilyn Monroe, que Warhol encontrou o tema para sua reflexão sobre a fama. Escolheu uma imagem de Marilyn no auge da fama e fez uma série de telas com a estrela (Díptico de Marilyn, 1962 / Marilyn em azul, 1964). Andy Warhol fez mais de sessenta filmes, entre 1963 e 1968, usando técnicas fora dos padrões: câmera imóvel e ausência de roteiro, como no filme mudo „O Sono‟, em que grava seis horas de um homem dormindo. Warhol ficou famoso por suas 107 frases cínicas como „Pinto isso porque eu queria ser uma máquina‟ ou „Acho que seria sensacional se todo mundo fosse idêntico‟ e a célebre „Cada cidadão terá direito aos seus 15 minutos de fama‟ (STRICKLAND; BOSWELL, 2004, p. 175). Roy Lichtenstein (n. 1923) dedicou-se às histórias em quadrinhos. Em suas obras, isolava uma tira da historieta, ampliava-a para o tamanho de cartazes reproduzindo à mão, com fidelidade, os processos gráficos. De acordo com Argan (1992, p. 582), o trabalho de Lichtenstein era “metodologicamente irrepreensível”. Em suas obras, cores vibrantes e contorno negro. Empregou a técnica pontilhista para obter os efeitos de luz e sombra e de meio tons da impressão. Lichtenstein mostrava a banalidade da cultura americana parodiando os romances melosos (Crying girl – 1964) e a violência desmedida dos quadrinhos (Whaam! – 1963). O que o fascinava mais nas histórias era a rigidez de tal estilo, que o distanciava por completo da vida real (JANSON, 2001, p. 989). A justificativa de Lichtenstein sobre seu trabalho: “[...] era difícil fazer um quadro suficientemente desprezível, a ponto de ninguém querer pendurá-lo. Todo mundo pendurava tudo. Até pendurar um trapo gotejante era aceitável. [Mas] a única coisa que todo mundo odiava era a arte comercial. Ao que parece não a odiavam tanto assim também” (STRICKLAND; BOSWELL, 2004, p.174). Segundo Argan (1992, p. 584), o principal questionamento seria onde estava a arte nas obras de Warhol e de Lichtenstein. O autor afirma que existia a arte em suas obras, mas era a última coisa com que eles se importavam. No caso de Lichtenstein, ela vem através do pontilhismo; já Andy Warhol utiliza o expressionismo para “definir os aspectos traumáticos de suas imagens”. Entretanto, nos dois casos, a arte é usada puramente como técnica. De acordo com Lucie-Smith (2000, p. 166), a arte pop era descartável. E um exemplo dessa tendência era o happening. Era um acontecimento abstrato, de contexto emocional, onde pessoas e coisas se interagiam em certo lugar. E “quando a catarse terminava a obra de arte também terminava. Tinha cumprido seu propósito e desaparecido”. Claes Oldenburg (n. 1929) era um „escultor‟ pop. No início de sua carreira, era pintor de cartazes e participou de muitos happenings sob o pseudônimo Ray Gun (ARCHER, 2001, p. 12). Então começou a produzir objetos do cotidiano tridimensionais e em ampla escala. Utilizava sempre material surpreendente como pregadores de roupa feitos de aço („Clothespin‟ – 1976) e máquina de escrever de vinil mole. Em sua exposição „O armazém‟, em 1961, vendeu comidas e roupas de gesso. Segundo Strickland e Boswell (2004, p. 176), as obras de Oldenburg fazem alusão a Dalí e seus relógios derretidos. O próprio artista afirmava que usava essa técnica para que a força do objeto fosse reconhecida, já que o espectador não a percebia por só focar em seu uso. E era a gravidade quem dava a forma final às suas obras. Uma de suas obras mais conhecidas é o „Toalete mole‟ (1966), o qual ao invés de limpo e rígido é bambo e anti-higiênico. Além das esculturas, Oldenburg também tinha projetos para monumentos cívicos: substituir soldados e canhões por colheres, cigarros e bananas descascadas. Projetos que ficaram no papel. 108 Robert Indiana (n. 1928) se inspirou nos sinais de beira de estrada para criar sua linguagem pop (ARCHER, 2001, p. 16). Suas obras, de breves mensagens, serviam para expressar e questionar as atitudes e caráter americanos. Indiana, que utilizava o nome de seu estado natal era obcecado pelas imagens das palavras. Fez obras onde as representava em 3D, como „Love‟ (1966) e „Eat‟ (1962). Assim, mostra sua fé no poder da palavra (JANSON, 2001, p. 988). Como muitos outros artistas, Robert Indiana, no início de sua carreira, também reproduziu uma foto nua de Marilyn Monroe em „As metamorfoses de Norma Jean Mortenson‟ de 1967. Os primeiro trabalhos de Tom Wesselmann (n. 1931) lembravam a obra do inglês Richard Hamilton „O que exatamente torna os lares de hoje tão diferentes, tão atraentes?‟. Eram colagens de figuras de propagandas de alimentos. Segundo McCarthy (2002, p. 31), as obras de Wesselmann, como „Natureza-morta nº 24‟ (1962), celebravam a fartura e a prosperidade dos anos 60, em oposição à carência do período da Depressão. Usando produtos comerciais, cores vibrantes e preenchimento total do espaço, Wesselmann, transformava os produtos descartáveis em arte. Depois de 1961, sua produção alternava entre “naturezas mortas” e “nus femininos”. Tom Wesselmann produziu uma série de obras intitulada „O grande nu americano‟, onde mostrava prazeres disponíveis aos homens da década de 60. Na obra „O grande nu americano nº 4‟ (1961), ele pinta um corpo nu feminino em rosa no interior de em quarto. Em algumas obras, Wesselmann dava vida às suas cenas incluindo, por exemplo, um rádio e um telefone tocando sem parar em „O grande nu americano nº 54 (1964). Já em „Caixa teta quarto‟ (1968-70), ele vai além e exige a presença do busto nu de uma modelo para compor a obra (ARCHER, 2001, p. 14). James Rosenquist (n. 1933) também começou sua carreira como pintor de cartazes, o que influenciou muito em sua arte. Enquanto pintava os cartazes, Rosenquist apenas conseguia ver um fragmento de todo o cartaz por vez. Percebeu também que um objeto comum poderia ter certa força visual se ampliado. Assim, James Rosenquist se especializou em se apropriar de imagens fragmentadas e desproporcionais e combiná-las, lado a lado ou sobrepostas, de modo a formar uma „estória‟. Ele usava imagens de objetos familiares e quase os transformava em abstratos, devido a sua técnica (SMITH, 2007). Segundo McCarthy (2002, p.29), a promessa da América e de seu novo presidente para os anos 60 era a abundância, foi então que Rosenquist criou „Presidente eleito‟ (1960-61), onde entrelaça uma imagem de Kennedy com parte de uma propaganda de bolo e de um Chevrolet. Rosenquist, assim como Hamilton, logo percebeu o apelo erótico dado ao automóvel, mercadoria altamente popular, e em 1961, fez „Eu te amo com meu Ford‟, que sugeria que os americanos faziam amor com e em seus carros. Em 1965, ele ficou conhecido internacionalmente com a obra „F-111‟, que comentava diretamente a guerra do Vietnã, enquanto a maioria dos artistas evitava fazê-lo. Apesar das obras desses artistas terem alguma relação, a arte pop não possui um estilo próprio, nem categorias. Não existe uma obra típica. Por exemplo, Andy Warhol usava a serigrafia em imagens de celebridades e objetos do dia-a-dia e 109 queria que a arte deixasse de ser unicamente artesanal; Lichtenstein ampliava tiras de histórias em quadrinhos e usava o pontilhismo; Claes Oldenburg era um escultor de objetos sempre inusitado na escolha do material e do tamanho da obra; Indiana pintava palavras enormes e intimidadoras como „DIE‟ („MORRA‟); Wesselmann oscilava entre natureza-morta e nus femininos; James Rosenquist usava grandes imagens recortadas e unidas de forma a criar uma obra quase abstrata(LUCIE-SMITH, 2000, p. 162-3). Além de serem distintos entre si, os artistas pop americanos também se diferem dos britânicos. Segundo Archer (2001, p. 17), os britânicos também davam foco à cultura americana, porém de uma maneira mais fria, distanciada. De acordo com McCarthy (2002, p, 11), as escolas de arte britânicas ajudaram a impulsionar a arte pop. Eduardo Paolozzi e Richard Smith, bem como Richard Hamilton, lecionavam na Royal College of Art no fim dos anos 50. Paolozzi (n. 1924) fazia coleção de propagandas e revistas americanas e ajudou a formular a idéia relacionada aos meios de comunicação de massa da pop arte. Uma de suas primeiras colagens foi „Eu era o brinquedo de um ricaço‟ (1947), que mostrava o corpo feminino como um produto e tinha como destaque a capa de uma revista. Eduardo Paolozzi criava colagens, mesmo antes de Hamilton, como em „É um fato psicológico que o prazer melhora sua disposição‟ (1948). Depois começou a fazer esculturas consideradas pop apenas pela superfície brilhante do metal utilizado (LUCIE-SMITH, 2000, p. 163). Richard Smith (n. 1931) se inspirava em rótulos de embalagens de produtos para criar suas abstrações em cores vibrantes, como „Panatella‟ (1961). Já Peter Blake (n. 1932) estudou no Royal College of Art nos anos 50 (MCCARTHY, 2002, p. 11-13). Fazia obras pop recheadas de objetos relacionados à cultura de massa: cigarros, revistas, comidas enlatadas, celebridades, como „Na sacada‟ (1955-57). Peter Blake também desenhou capas de discos como „Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band‟, dos Beatles. Incluiu fotos de Elvis e outros cantores pop da época em „Arranjei uma garota‟ (1960-61). Em suas obras, Blake focava a passagem de tempo e a nostalgia. Em „Loja de brinquedos‟ (1962), ele reúne objetos que lembram a infância gerando, segundo McCarthy (2002, p. 59), um sentimento romântico. Nos anos 60, surge uma nova geração na escola de arte britânica formada por Peter Phillips e David Hockney, entre outros. Phillips (n. 1939), em suas primeiras obras, pintava uma mistura de mundo real e fantasia, incluindo pin-ups e máquinas de caça-níquel (LUCIE-SMITH, 2000, p. 163). Phillips demonstrava interesse pelo erotismo. Pintou estrelas de cinema e símbolos sexuais, como Marilyn Monroe e Brigitte Bardot. Em 62, pinta „Forças Armadas – Sincronizadas‟, e retrata corações e mulheres junto à fileira de estrelas, simbolizando a presença dos EUA na Grã-Bretanha durante a guerra (MCCARTHY, 2002, p. 49). Com freqüência, em suas obras, remete-se à música e às jukeboxes („A máquina de diversão‟ – 1961). David Hockney (n. 1937) mistura abstração e elementos figurativos. Segundo Archer (2001, p. 18), usa meio de comunicação das ruas da cidade (grafite) e linguagem adolescente em relação ao desejo e a sexualidade. Hockney é abertamente gay, e em „Homem no chuveiro em Beverly Hills‟ (1964) ele celebra a sedução do corpo masculino. 110 Na Grã-Bretanha, a arte pop tinha várias finalidades: tanto podia ser direcionada para a cultura comercial, celebrando-a, quanto para as guerras (MCCARTHY, 2002, p. 13). Segundo Ostrower (1983, p. 338-339), a arte pop pretendia ser uma arte de protesto contra a “banalidade da vida moderna” totalmente baseada na linguagem publicitária. Afirma ainda que, embora as obras fossem postas em museus, seu conteúdo não mudaria e nem se transformaria em mensagem de protesto. Porém, a arte pop não criticava nem protestava contra a cultura de massa ou o consumismo. De acordo com McCarthy (2002, p. 76), a arte pop foi parte do espírito de democracia que estava presente nas artes dos anos 60. As imagens familiares garantiam uma identificação do espectador com a obra, embora nem sempre fossem claramente compreendidas. Suas referências no dadá, surrealismo ou nas guerras mostrava que a arte pop queria entender o presente com base nos acontecimentos anteriores. Propunha a arte ao alcance de todos mostrando, assim, que havia uma necessidade de mudança no presente. Apesar de dúvidas e controvérsias, os artistas pop obtiveram sucesso. Suas obras foram aceitas pelo público e por colecionadores. A pop arte conquistou seu espaço e seus artistas “até ficaram ricos em um prazo de tempo espantosamente curto” (LUCIE-SMITH, 2000, p. 161).