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ALFABETIZAÇÃO INICIAL
1. O que é escrita pelo aluno na
alfabetização inicial
Uma situação didática imprescindível
no ensino da língua escrita
A escrita pelo aluno na alfabetização inicial é uma situação didática em que
o professor cria condições para que o aluno escreva, antes mesmo de
dominar completamente o funcionamento do sistema alfabético. Os
principais exemplos dessa situação são as atividades de escrita de textos
memorizados (poemas, parlendas, canções, trava-línguas) e de listas de
palavras ou expressões de um determinado campo semântico familiar ao
aluno (nomes dos colegas da turma, ingredientes de uma receitas, títulos de
histórias conhecidas etc). O registro desses textos pode ser feito com letras
móveis ou com lápis e papel, a depender do conhecimento que a criança
possui sobre o alfabeto e sua grafia.
Nessas situações, os alunos são convidados a pensar sobre as relações
grafofônicas e as peculiaridades da língua escrita. A intenção é fazer com
que eles investiguem quais letras, quantas e onde usá-las para escrever.
Nesse contexto, as intervenções dos professores são fundamentais para
provocar a reflexão nos alunos. É preciso fazer questionamentos diversos
para ajudar a criança a pensar. Alguns exemplos de perguntas carregadas
de intencionalidade: a palavra que você vai escrever começa com que letra?
Termina com qual? É por meio de reflexões desse tipo que as crianças
entendem a ligação entre os sons e as possíveis grafias.
Isso não significa que a única intervenção possível é a pergunta e que os
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alunos precisam descobrir tudo sozinhos. O professor precisa perceber o
limite dos alunos e deve fornecer informações, conforme enfatiza a
pesquisadora argentina Ana Maria Kaufman "é importante que o professor,
seja como for, ensine. Porque erros muito sérios foram cometidos pensando
assim: ah, se isso é uma construção, a psicogênese, há que se ver como a
criança avança, temos de deixá-la... Não, o professor sempre deve ensinar,
ler e escrever com as crianças e propor situações de leitura e escrita e
fornecer informação."
Atenção: a situação de escrita pelo aluno não é a única atividade da
alfabetização inicial. Ela precisa ser articulada a outras três situações
didáticas fundamentais: a leitura pelo aluno, a leitura em voz alta pelo
professor e a produção de texto oral com destino escrito (também
conhecida como ditado para escriba). Confira abaixo quando esses roteiros
serão publicados:
Leitura pelo aluno - outubro
Leitura pelo professor - novembro
Ditado ao professor – dezembro
2. Por que ensinar
Porque mesmo as crianças não
alfabetizadas possuem hipóteses sobre o
sistema de escrita
O trabalho de escrita pelo aluno durante a alfabetização inicial é necessário,
pois essa situação faz com que a criança coloque em jogo tudo o que pensa
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sobre a escrita. Ela reflete sobre suas hipóteses, confrontando-as com as
dos colegas e com as informações oferecidas pela professora e pelo
ambiente. Esses confrontos fazem com que o aluno reforce ou reelabore
seus conceitos, avançando na compreensão do sistema alfabético de escrita.
Somente por meio dessa reflexão é que a criança terá condições de
compreender a relação grafofônica entre o que se escreve e o que se lê.
Trata-se, portanto, de um esforço intelectual, de reflexão, e não de um
exercício mecânico, de repetição ou memorização, como se acreditava até
pouco tempo atrás. Os alunos primeiro repetiam inúmeras vezes as sílabas
já formadas (ba, be, bi, bo, bu) e depois tentavam formar palavras e frases
utilizando as sílabas que já haviam aprendido ("O burro corria para o
correio", "Ivo viu a uva" e outras sem sentido algum). Só depois de guardar
todas as possibilidades, as crianças eram autorizadas a produzir pequenos
textos.
Há ainda uma última justificativa para realizar essa situação didática em
sala de aula: ao escrever por conta própria, os alunos tornam observáveis
suas ideias. Em outras palavras, é por meio da escrita do aluno que se pode
ter acesso às concepções elaboradas pela criança sobre o sistema alfabético.
A interpretação dessas escritas possibilitará ao professor conhecer melhor
seu aluno, o que é essencial para planejar boas situações didáticas,
melhores intervenções e parcerias mais produtivas entre as crianças.
3. O que ensinar
Práticas de linguagem escrita e sistema
alfabético junto
Ao trabalhar com situações de escrita pelo aluno na alfabetização inicial é
preciso desafiar os alunos a escrever por conta própria textos reais de
complexidade adequada ao seu estágio de alfabetização, ou seja, gêneros
que sejam acessíveis aos alunos. No esforço de entender como funciona o
sistema alfabético, as crianças vão inicialmente tentar escrever com base no
que conhecem sobre a escrita e onde ela aparece (cartazes, livros, jornais
etc.), utilizando o contexto para identificar quais letras "servem" para quais
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palavras ou partes delas. As questões que o professor faz para que a criança
justifique o que está escrito e os conflitos cognitivos decorrentes dessas
indagações e da interação com os colegas levam à revisão de suas
hipóteses.
Atenção: Os alunos precisam compreender a natureza do sistema de escrita
ao mesmo tempo em que se apropriam das práticas sociais de linguagem
presentes na vida social, lendo e escrevendo diferentes gêneros literários e
informativos.
De acordo com os PCNs:
"A compreensão atual da relação entre a aquisição das capacidades de
redigir e grafar rompe com a crença arraigada de que o domínio do bê-á-bá
seja pré- requisito para o início do ensino de língua e nos mostra que esses
dois processos de aprendizagem podem e devem ocorrer de forma
simultânea. Um diz respeito à aprendizagem de um conhecimento de
natureza notacional : a escrita alfabética; o outro se refere à aprendizagem
da linguagem que se usa para escrever." (p. 22)
"As propostas de escrita mais produtivas são as que permitem aos alunos
monitorarem sua própria produção, ao menos parcialmente. A escrita de
listas ou quadrinhas que se sabe de cor permite, por exemplo, que a
atividade seja realizada em grupo e que os alunos precisem se pôr de
acordo sobre quantas e quais letras irão usar para escrever. Cabe ao
professor que dirige a atividade escolher o texto a ser escrito e definir os
parceiros em função do que sabe acerca do conhecimento que cada aluno
tem sobre a escrita, bem como, orientar a busca de fontes de consulta,
colocar questões que apóiem a análise e oferecer informação específica
sempre que necessário." (p. 56)
Expectativas de aprendizagem
Confira, a seguir, as aprendizagens que são esperadas para os alunos de 1º e
2º anos em relação à escrita autônoma, com base nas orientações
curriculares de Língua Portuguesa da rede municipal de São Paulo.
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Escrita e produção textual para o 1º ano
- Conhecer as representações das letras maiúsculas do alfabeto de imprensa
e a ordem alfabética.
- Escrever o próprio nome e utilizá-lo como referência para a escrita.
- Produzir texto de memória de acordo com sua hipótese de escrita.
- Escrever usando a hipótese silábica, com ou sem valor sonoro
convencional.
- Reescrever histórias conhecidas - ditando para o professor ou para os
colegas e, quando possível, de próprio punho -, considerando as ideias
principais do texto-fonte e algumas características da linguagem escrita.
- Produzir escritos de autoria (bilhetes, cartas, instrucionais).
Escrita e produção textual para o 2º ano
- Escrever alfabeticamente, ainda que com erros ortográficos (ausência de
marcas de nasalização, hipo e hipersegmentação, entre outros).
- Reescrever histórias conhecidas, ditando-as ou de próprio punho.
- Produzir textos simples de autoria.
- Revisar textos coletivamente, com ajuda do professor e dos colegas, para
melhorá-los e, assim, compreender a revisão comoparte do processo de
produção.
- Aprender a se preocupar com a qualidade de suas produções escritas, no
que se refere tanto aos aspectos textuais como à apresentação gráfica.
4. Quando ensinar
Ao longo de toda a alfabetização
inicial
A escrita pelo aluno precisa ser planejada pelo professor para ser um
trabalho sempre presente na rotina da alfabetização inicial. Uma
distribuição de ações deve ser estabelecida com antecedência,
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contemplando atividades permanentes, sequências com prazos
determinados e projetos que durem várias semanas ou meses. Ao montar
essa programação, cabe ao professor abrir espaço para as situações em que
os alunos irão escrever por conta própria, vinculadas às outras três
situações didáticas essenciais para o sucesso na alfabetização: ler para os
alunos, fazer com que eles leiam mesmo antes de saber ler e assumir a
função de escriba para textos que a turma produz oralmente.
5. PLANOS DE AULA
5.1 Como ensinar
Você sabe quando usar planos, atividades, sequências ou projetos?
Para preservar o sentido do conteúdo, evitar sua fragmentação e distribuir
os temas em função do tempo de aprendizagem, o ensino pode ser
organizado de acordo com as chamadas modalidades organizativas.
Abaixo, você confere um resumo sobre cada uma das modalidades:
Plano de aula Forma de organizar a aula com foco numa atividade
específica (leitura exploratória de um texto, resolução de um tipo de um
tipo de problema matemático etc.). Como dura apenas uma aula, costuma
ser usado para apresentar um conteúdo ou explorar um detalhe dele.
Atenção: Não se esqueça de incluir uma atividade diagnóstica inicial (para
verificar os alunos sabem sobre o assunto) e uma avaliação final (para
indicar o que aprenderam).
Atividade permanente Também chamada de atividade habitual, é realizada
regularmente (todo dia, uma vez por semana ou a cada 15 dias). Ela serve
para construir hábitos e familiarizar os alunos com determinados
conteúdos. Por exemplo: a escrita de parlendas e de listas, semanalmente,
faz com que os alunos reflitam sobre o sistema alfabético e, aos poucos,
compreendam a relação entre o que se escreve e o que se lê.
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Atenção Ao planejar esse tipo de tarefa, é essencial saber o que se quer
alcançar, que materiais usar e quanto tempo tudo vai durar. Vale sempre
contar para as crianças que a atividade em questão será recorrente. Com o
tempo, os alunos passam a prever a atividade que será proposta, de tão
habituados.
Sequência didática Conjunto de propostas com ordem crescente de
dificuldade. O objetivo é focar conteúdos particulares (por exemplo, a
regularidade ortográfica) numa ordenação com começo, meio e fim. Em
sua organização, é preciso prever esse tempo e como distribuir as
sequências em meio às atividades permanentes e aos projetos.
Atenção: É comum confundir essa modalidade com o trabalho do dia a dia.
A questão é: há continuidade? Se a resposta for não, você está usando uma
coleção de atividades com a cara de sequência.
Projeto didático Reunião de atividades que se articulam para a elaboração
de um produto final forte, em que podem ser observados os processos de
aprendizagem e os conteúdos aprendidos pelos alunos. Costuma partir de
um desafio ou situação-problema. Trabalhados com uma frequência diária
ou semanal, podem estender-se por períodos relativamente prolongados
(um ou dois meses, por exemplo), tornando os alunos especialistas num
determinado tema.
Atenção O erro mais comum é um certo descaso pelo processo de
aprendizagem, com um excessivo cuidado em relação à chamada
culminância (a elaboração do produto final).
5.2 Ditado para sondagem na
alfabetização
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Ano
1º e 2º ano
Tempo estimado
Uma aula.
Tematização
Você deve realizar a primeira sondagem no início do período letivo e,
depois, ao fim de cada bimestre, mantendo um registro criterioso do
processo de evolução das hipóteses de escrita das crianças. Ao mesmo
tempo, é fundamental uma observação cotidiana e atenta do percurso dos
alunos. Confira um exemplo de tabela para organizar o mapa de hipóteses
dos alunos da turma.
Introdução
Nos primeiros dias de aula, o professor alfabetizador tem uma tarefa
imprescindível: descobrir o que cada aluno sabe sobre o sistema de escrita.
É a chamada sondagem inicial (ou diagnóstico da turma), que permite
identificar quais hipóteses sobre a língua escrita as crianças têm e com isso
adequar o planejamento das aulas de acordo com as necessidades de
aprendizagem.
Tematização
Por que devemos fazer o diagnóstico inicial das hipóteses de escrita dos
alunos? Além de objetivos práticos como a organização de parcerias
produtivas de trabalho e o acompanhamento da evolução dos alunos, a
realização da sondagem pressupõe um respeito intelectual do professor em
relação ao conhecimento do aluno. Significa assumir que os alunos pensam
sobre a língua escrita - formulando hipóteses sobre o seu funcionamento - e
que é primordial para o desenvolvimento de um bom trabalho conhecer
detalhadamente o que eles pensam sobre o sistema alfabético.
Objetivo
Escrever uma lista de palavras e uma frase, ditadas pelo professor,
colocando em jogo todos os conhecimentos disponíveis
Tematização
A sondagem não é um momento para ensinar conteúdos e sim para o aluno
mostrar ao professor o que pensa sobre o sistema alfabético de escrita.
http://revistaescola.abril.com.br/alfabetizacao/mapa-hipoteses-alfa.pdf
http://revistaescola.abril.com.br/alfabetizacao/mapa-hipoteses-alfa.pdf
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Portanto, o único objetivo dessa atividade é fazer com que os alunos
escrevam da maneira como acreditam que as palavras devem ser escritas.
Material necessário
Papel e lápis.
Desenvolvimento
Atividade deve ser feita individualmente. Chame um aluno por vez e
explique que ele deve tentar escrever algumas palavras e uma frase que
você vai ditar. Escolha palavras do mesmo campo semântico, como por
exemplo: lista das comidas de uma festa de aniversário, frutas, animais etc.
O ditado deve ser iniciado por uma palavra polissílaba, seguida de uma
trissílaba, de uma dissílaba e, por último, de uma monossílaba. Ao ditar,
NÃO marque a separação das sílabas, pronunciando normalmente as
palavras. Após a lista, é preciso ditar uma frase que envolva pelo menos
uma das palavras já mencionadas, para poder observar se o aluno volta a
escrevê-la de forma semelhante, ou seja, se a escrita da palavra permanece
estável mesmo num contexto diferente.
Tematização
A escolha das palavras do ditado deve ser muito cuidadosa. Evite palavras
que tenham vogais repetidas em sílabas próximas, como ABACAXI, por
exemplo, por causar um grande conflito para as crianças que estão entrando
no Ensino Fundamental, cuja hipótese de escrita talvez faça com que
creiam ser impossível escrever algo com duas ou mais letras iguais. Por
exemplo: um aluno com hipótese silábica com valor sonoro convencional,
que utiliza vogais, precisaria escrever AAAI. Os monossílabos ficam para o
fim do ditado. Esse cuidado deve ser tomado porque, no caso de as crianças
escreverem segundo a hipótese do número mínimo de letras, poderão se
recusar a escrever se tiverem de começar por ele.
Três sugestões de grupos de palavras e frases para o ditado:
Sugestão 1
CENTOPÉIA
JOANINHA
FORMIGA
10
MINHOCA
ABELHA
LESMA
GRILO
RÃ
A FORMIGA MORA NO JARDIM.
Sugestão 2
MUSSARELA
ESCAROLA
TOMATE
PALMITO
PRESUNTO
ALHO
ATUM
COMEMOS PIZZA DE MUSSARELA COM TOMATE.
Sugestão 3
REFRIGERANTE
MORTADELA
PRESUNTO
MANTEIGA
QUEIJO
SUCO
PÃO
NO LANCHE DE HOJE TEREMOS PÃO COM MORTADELA.
Fique atento às reações dos alunos enquanto escrevem e anote o que eles
falam, sobretudo de forma espontânea, isso pode ajudar a perceber quais as
ideias deles sobre o sistema de escrita.
A cada palavra ditada, peça para que o aluno leia em voz altao que acabou
de escrever.
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Tematização
É imprescindível pedir que a criança leia o que escreveu. Por meio da
interpretação dela sobre a própria escrita, durante a leitura, é que se pode
observar se ela estabelece ou não relações entre o que escreveu e o que lê
em voz alta - ou seja, entre o falado e o escrito - ou se lê aleatoriamente.
Anote em uma folha à parte como o aluno faz a leitura, se aponta com o
dedo cada uma das letras, se lê sem se deter em cada uma das partes, se
associa aquilo que fala à escrita, em que sentido faz a leitura etc.
Avaliação
Finalmente, analise qual hipótese de escrita o aluno demonstrou na
atividade.
Hipóteses de escrita mais comuns:
Pré-silábica, sem variações quantitativas ou qualitativas dentro da palavra
e entre as palavras. O aluno diferencia desenhos (que não podem ser lidos)
de "escritos" (que podem ser lidos), mesmo que sejam compostos por
grafismos, símbolos ou letras. A leitura que realiza do escrito é sempre
global, com o dedo deslizando por todo o registro escrito.
Pré-silábica com exigência mínima de letras ou símbolos, com variação de
caracteres dentro da palavra, mas não entre as palavras. A leitura do escrito
é sempre global, com o dedo deslizando por todo o registro escrito.
Pré-silábica com exigência mínima de letras ou símbolos, com variação de
caracteres dentro da palavra e entre as palavras (variação qualitativa
intrafigural e interfigural). Neste nível, o aluno considera que coisas
diferentes devem ser escritas de forma diferente. A leitura do escrito
continua global, com o dedo deslizando por todo o registro escrito.
Silábica com letras não pertinentes ou sem valor sonoro convencional.
Cada letra ou símbolo corresponde a uma sílaba falada, mas o que se
escreve ainda não tem correspondência com o som convencional daquela
sílaba. A leitura é silabada.
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Silábica com vogais pertinentes ou com valor sonoro convencional de
vogais. Cada letra corresponde a uma sílaba falada e o que se escreve tem
correspondência com o som convencional daquela sílaba, representada pela
vogal. A leitura é silabada.
Silábica com consoantes pertinentes ou com valor sonoro convencional
de consoantes. Cada letra corresponde a uma sílaba falada e o que se
escreve tem correspondência com o som convencional daquela sílaba,
representada pela consoante. A leitura é silabada.
Silábica com vogais e consoantes pertinentes. Cada letra corresponde a
uma sílaba falada e o que se escreve tem correspondência com o som
convencional daquela sílaba, representada ora pela vogal, ora pela
consoante. A leitura é silabada.
Silábico-alfabética. Este nível marca a transição do aluno da hipótese
silábica para a hipótese alfabética. Ora ela escreve atribuindo a cada sílaba
uma letra, ora representando as unidades sonoras menores, os fonemas.
Alfabética inicial. Neste estágio, o aluno já compreendeu o sistema de
escrita, entendendo que cada um dos caracteres da palavra corresponde a
um valor sonoro menor do que a sílaba. Agora, falta-lhe dominar as
convenções ortográficas.
Alfabética. Neste estágio, o aluno já compreendeu o sistema de escrita,
entendendo que cada um dos caracteres da palavra corresponde a um valor
sonoro menor do que a sílaba e também domina as convenções
ortográficas.
5.3 Projetos didáticos
São fundamentais porque contemplam
propósitos didáticos e propósitos de
comunicação
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Trabalhar com projetos didáticos na alfabetização inicial significa
contemplar, na rotina da classe, um processo planejado com a
participação dos alunos que resulte em um produto final escrito (um
cartaz, um livro, indicações literárias para o mural etc.). Esse tipo de
organização do trabalho preserva a intenção comunicativa dos textos
(informar, entreter etc.), respeitando o destinatário real da produção.
Com isso, fornece um sentido maior para as atividades a ser
realizadas pelos alunos, já que eles sabem que o resultado final será
lido por outras pessoas, além da professora.
Nos projetos didáticos, as crianças enfrentam situações e desafios
reais de produção. "Com isso, aprendem usos e funções da escrita
enquanto aprendem a escrever", explica Cristiane Pelisssari. Uma
das principais vantagens do trabalho com projetos didáticos é a
possibilidade de articulação entre momentos de reflexão sobre o
sistema alfabético e sobre as práticas de linguagem. Outro ponto
positivo é a criação de um contexto para a leitura e a escrita: por
estarem debruçados sobre determinado assunto, os alunos
conseguem ativar um repertório de conhecimentos sobre o tema que
estão pesquisando para antecipar o que ler e saber o que escrever.
Erros mais comuns
- Focar o trabalho excessivamente no produto final. É preciso
lembrar sempre que os alunos aprendem muito mais com todo o
processo do que com a chamada culminância.
- Não aproveitar os projetos para refletir sobre o sistema alfabético.
Os alunos devem realizar registros e ter atividades de leitura e
escrita em diversas etapas, articulando o sistema de escrita com as
práticas de linguagem.
Lista de projetos didáticos:
5.3.1. Projeto 1: Escrita de textos instrucionais: regras de brincadeiras
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5.3.2. Projeto 2: Escrita de recomendações literárias
5.3.3. Projeto 3: Legendas para fotos
5.3.4. Projeto 4: Livro de parlendas preferidas
5.3.5. Projeto 5: Galeria de bruxas
5.3.1 Escrita de textos instrucionais: regras de
brincadeiras
Objetivos
Com este trabalho, pretende-se que os alunos sejam capazes de:
- Falar e ouvir em diversas situações nas quais faz sentido expor opiniões,
ouvir com atenção, sintetizar ideias, defender pontos de vista e replicar;
- Perceber as propriedades da escrita: letras como representação de
fonemas, direção da escrita, combinação das letras, formas e tipos de letras;
- Ler e escrever diversos tipos de textos em situações comunicativas
específicas;
- Valorizar o resgate das brincadeiras, comparando-as no espaço e no
tempo
Ano
2º ano
Tempo estimado
10 aulas
Introdução
Alfabetizar significa muito mais que simplesmente ensinar a traçar letras
ou decodificar palavras. Este plano de aula propõe, através do tema
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"brincadeiras: ontem e hoje", atividades em que a criança possa se
apropriar do sistema de escrita, ao mesmo tempo em que vai conhecendo a
linguagem escrita, ou seja, os diversos tipos de textos presentes na
sociedade. Os alunos vão pesquisar brincadeiras da infância de seus pais,
farão votação para determinar as brincadeiras preferidas de ontem e de hoje
e produzirão textos com instruções sobre essas brincadeiras para
divulgação em cartazes na escola.
Material necessário
Cartolina, papel sulfite, lápis de cor/cera e canetas coloridas.
Desenvolvimento
1ª Etapa
Faça com as crianças um roteiro de entrevista para que pesquisem junto aos
pais e familiares as brincadeiras de seu tempo de infância. Essa pesquisa
pode conter perguntas como: "Quais eram as brincadeiras preferidas
quando você era criança?", "Quais eram as regras dessas brincadeiras?" ou
"Quantas crianças podiam participar?". Solicite que algumas leiam a
pesquisa para a classe e que outras contem de memória o que os pais
explicaram sobre suas brincadeiras de criança;
2ª Etapa
Selecione algumas brincadeiras pesquisadas para, na lousa, junto com as
crianças, elaborar as instruções que explicam as brincadeiras escolhidas.
Dessa forma, você estará mostrando às crianças um modelo de texto que
deve atender a certas condições de produção para atender um objetivo
específico;
3ª Etapa
Agrupe as brincadeiras comuns numa lista e peça que cada dupla de alunos
escolha uma brincadeira que será divulgada para as outras turmas da escola
por meio de um cartaz com o nome da brincadeira e o jeito de brincar;
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4ª Etapa
Faça com os alunos uma lista de brincadeiras atuais, colocando-as em
ordemalfabética;
5ª Etapa
Faça um cartaz com as crianças no qual conste, de um lado, os nomes das
brincadeiras de hoje e, de outro, das brincadeiras de antigamente. Organize
a divulgação do cartaz na escola;
6ª Etapa
Elabore uma cédula (mimeografada, xerocada ou impressa) da qual
constem as brincadeiras levantadas pelos alunos e faça uma votação para
escolher três delas; Junto com as crianças, faça a apuração das mais
votadas, colocando na lousa o levantamento dos dados;
7ª Etapa
Divida a classe em três grandes grupos: cada grupo deverá elaborar as
regras de cada brincadeira mais votada. Cada grupo será subdividido em
duplas que organizarão suas regras no caderno;
8ª Etapa
Escreva na lousa as regras das três brincadeiras selecionadas. Para cada
brincadeira, as duplas darão, oralmente, suas contribuições que serão
negociadas com a classe toda até se chegar ao texto final que melhor
esclareça as regras das três brincadeiras selecionadas;
9ª Etapa
Estabeleça uma data, um espaço e os materiais necessários para que as
crianças coloquem em prática as três brincadeiras escolhidas e comparem-
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nas com as instruções dadas por escrito: estão claras? seguem o passo-a-
passo da brincadeira? ajudam na organização? quais modificações devem
ser feitas nos textos, tendo em vista sua eficácia no desenvolvimento das
brincadeiras selecionadas?
10ª Etapa
Finalizando a atividade, organize junto com as crianças cartazes com cada
uma das três brincadeiras mais votadas e suas regras. Estes cartazes
deverão ser afixados fora da sala de aula para divulgação do trabalho.
Produto final
Escrita de cartazes com regras de brincadeiras para ser divulgadas na escola
Avaliação
Ao longo do desenvolvimento da atividade, é possível avaliar como o
aluno:
a) utilizou a linguagem (oral e escrita) em determinadas situações nas quais
faz sentido falar, ouvir, ler ou escrever;
b) discutiu oralmente;
c) colaborou com o grupo no roteiro de pesquisa com os pais;
d) organizou individual e coletivamente os dados coletados na pesquisa;
e) escreveu as regras das brincadeiras, negociando com os colegas a
elaboração das instruções;
f) trabalhou os aspectos gráficos e os elementos lingüísticos dos textos
trabalhados: lista, texto de instruções e cartaz.
g) elaborou sínteses escritas para divulgação do trabalhos através de
cartazes;
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h) relacionou suas hipóteses de escrita com as propriedades da escrita
convencional, quando foi necessário ajustar o que fala ou ouve com o que
precisa escrever.
Aprofundamento do conteúdo
Este trabalho propõe uma articulação entre as duas aprendizagens que a
criança em início de alfabetização precisa empreender: o conhecimento do
sistema de escrita alfabético e a linguagem escrita expressa em vários
textos presentes na sociedade. Assim, todas as crianças deverão estar
envolvidas em todos os momentos do trabalho, mesmo aquelas que ainda
não escrevem convencionalmente. Neste caso, o professor deve ser
intérprete e, às vezes, escriba da produção do aluno. A atividade proposta
trabalha com três tipos de textos, a saber:
LISTA - texto com palavras do mesmo campo semântico com uma
disposição gráfica vertical ou horizontal. Texto que procura organizar
informações e que exercita a memória. Ao lado deste conhecimento textual,
pode-se contribuir para que a criança vá conhecendo as características do
sistema de escrita, se forem sendo estabelecidas comparações no que se
refere ao conhecimento/uso de letras como representação de fonemas, a
direção da escrita, a distribuição das unidades gráficas das palavras (quais e
quantas letras em cada vocábulo; quais iniciam com a mesma letra, quais
têm a última letra igual, etc), as formas e tipos de letras;
TEXTO INSTRUCIONAL - que prescreve ações/orientações precisas
para a realização de tarefas, no caso, as regras de brincadeiras infantis:
nome da brincadeira, lista de quantas pessoas e/ou materiais usados (se for
o caso), modo de brincar (com uso de verbos no imperativo que é o modo
da ordem ou pedido);
CARTAZ - possibilita registrar e divulgar as sínteses feitas pelos alunos no
decorrer do trabalho. O cartaz é um tipo de texto breve sobre cartolina ou
cartões cuja organização espacial no papel (diagramação, cores, tamanho
de letras) deve permitir a leitura à distância.
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Bibliografia
JOLIBERT, Josette. Formando crianças produtoras de texto. Volume II.
Porto Alegre: Artes Médicas, 1994
KAUFMAN, Ana Maria e RODRIGUEZ, Maria Elena. Escola, leitura e
produção de textos. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995
TEBEROSKY, Ana. Aprendendo a escrever. Perspectivas psicológicas e
implicações educacionais. São Paulo: Ática, 1994
5.3.2 Escrita de recomendações literárias
Objetivos
- Escrever recomendações literárias considerando as características textuais
e discursivas do gênero.
- Revisar os textos escritos em pequenos grupos ou coletivamente.
- Refletir sobre o funcionamento do sistema de escrita.
Conteúdos
- Procedimentos escritores.
- Características textuais das recomendações.
- Sistema de escrita.
Anos
1º e 2º anos
Tempo estimado
Um mês.
Material necessário
Livros de literatura infantil, catálogo de editoras, revistas para educadores
ou para o público infantil, sites de editoras e livrarias ou blogs literários.
Desenvolvimento
1ª etapa
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Converse com a turma sobre o projeto, contando o que será feito, qual será
o produto final e a quem se destina. Informe sobre as etapas necessárias
para elaborar o produto final e o que aprenderão em cada uma delas.
Flexibilização para deficiência física (cadeirante com dificuldade no
movimento dos membros superiores e na comunicação oral)
Tenha uma conversa individual com o aluno, enfatizando as etapas do
trabalho, situando quais serão as participações dele na atividade e o
estimulando a se expressar sempre que necessário. Procure esclarecer que
cada um terá sua participação e a produção será resultado do trabalho de
todo o grupo.
2ª etapa
Apresente alguns livros e combine uma agenda de leitura. Escreva uma
lista de títulos de leituras da semana (ou do mês) e deixe afixada na sala.
Antes de ler a história do dia, anuncie o título e solicite que encontrem na
agenda para marcá-lo (possibilitando que leiam autonomamente).
Flexibilização
Peça a colaboração da família e do AEE para que façam a leitura dos livros
com o aluno. Deixe acessivel ao cadeirante a lista de leituras e o estimule a
preenchê-la e consultá-la. Acrescente ilustrações de personagens e cenários
para que ele possa compreender com mais facilidade de que história se
trata.
3ª etapa
Sempre antes de começar a ler, proporcione variadas situações de
exploração, leitura e conversas sobre livros entre os alunos. Nessas
situações, os pequenos leitores terão a oportunidade de vivenciar diversas
práticas de leitor, por exemplo, decidir o que ler, compartilhar os efeitos
que as obras produzem, conhecer melhor o estilo de determinado autor e
recomendar textos lidos a outros leitores.
Flexibilização
Se a roda for no chão, posicione o aluno na parede ou utilize o apoio
próprio e/ou proponha roda com cadeiras.
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4ª etapa
É o momento de familiarizar as crianças com a linguagem das
recomendações. Ofereça catálogos de editoras e outros materiais que
tragam esse tipo de texto e deixe que os alunos explorem e descubram do
que se trata. Leia alguns exemplos e converse sobre sua utilidade, seus
possíveis leitores e suas características mais comuns (como o fato de serem
curtos, de estarem acompanhados pela capa do livro etc.).
Flexibilização
Faça perguntas direcionadas a esse aluno de modo que ele possa respondê-
las pela afirmação ou negação ou possa, por exemplo, apontar no livro ou o
mural qual é o personagem a que a professora está se referindo.
5ª etapa
Após esse primeiro contato com o estilo linguístico das recomendações,
planejeuma discussão mais aprofundada. Selecione e leia exemplos que
permitam discutir aspectos específicos da linguagem utilizada nesse tipo de
texto. Pergunte: como fazem os escritores de recomendações para
despertar no leitor o desejo de leitura? Como as recomendações podem ser
iniciadas e finalizadas? Que informações trazem? Que informações são
emitidas? Coletivamente, elabore uma lista de palavras e expressões
utilizadas para despertar o desejo de leitura. Registre os aspectos relevantes
da discussão em um cartaz e deixe afixado para que consultem no momento
da produção.
Flexibilização
Utilize vídeos de críticos literários de livros infantis encontrados na
internet. Isso irá ampliar, para o aluno e o grupo, as possibilidades de
compreensão e desenvolvimento nessa atividade.
6ª etapa
Peça que as crianças escolham um livro do repertório da turma para ser
recomendado. Elas devem ditar o texto para você (que fará o papel de
escriba). Um dos objetivos dessa etapa é que percebam a diferença entre a
linguagem oral e a linguagem escrita. Coloque questões que os ajudem a
refletir sobre a linguagem escrita: esta é a melhor forma de escrevermos
isso? Será que o leitor vai compreender o que queremos dizer? Será que,
22
escrito dessa forma, o texto despertará o desejo no leitor? Será que ele vai
entender um pouco da história? Estamos contando demais? Faça
interrupções para reler o que foi escrito, proponha a resolução de
problemas que o texto pode apresentar e, sempre que possível, remeta ao
cartaz elaborado na etapa anterior.
7ª etapa
Organize a turma em trios ou quartetos com diferentes hipóteses de escrita.
Disponibilize todos os livros lidos até o momento e oriente para quecada
grupo escolha um para fazera recomendação. Combine que o texto deverá
ser planejado por todos os integrantes e redigido por um deles (definido
previamente por você). Durante a produção circule pela classe, dando apoio
aos alunos, como reler fragmentos do livro selecionado.
Flexibilização
Peça auxílio dos colegas para que se efetive a participação do aluno no
grupo para que ele tenha acesso ao livro mesmo que necessite das mãos do
amigo para virar as páginas.
8ª etapa
Analise as produções e faça um levantamento dos problemas discursivos
mais recorrentes (repetição de elementos de ligação entre as orações - uso
do E, AÍ, -, falta de adequação ao gênero, trechos confusos etc.). Selecione
uma produção que represente as dúvidas mais comuns, copie-a em lousa ou
cartaz e proponha uma revisão coletiva que torne o texto mais agradável e
convincente ao leitor.
9ª etapa
Devolva as recomendações para cada grupo com um bilhete sinalizando os
problemas textuais. Peça que discutam e busquem soluções para torná-la
mais bem escrita assim como fizeram na revisão coletiva. Circule pelos
grupos tirando dúvidas e sugerindo alterações. Ao término da atividade,
informe às crianças que mesmo escritores experientes solicitam o apoio de
um revisor antes de publicar um texto e que, nesse caso, você fará esse
papel.
10ª etapa
23
Ofereça cópias da capa dos livros recomendados e oriente a montagem do
painel de recomendações. Discuta com as crianças a importância da
apresentação do texto: o tipo e o tamanho da letra a ser usada, a disposição
da imagem e do texto, a distribuição das recomendações no painel, o uso
das reproduções das capas, elementos de destaque etc.
Produto final
Painel de recomendações para afixar na biblioteca da escola ou em um
espaço de circulação comum dos alunos das diferentes turmas.
Avaliação
Analise a adequação dos textos produzidos e a participação das crianças
nas diferentes etapas, avaliando o quanto conseguiram ampliar seus
conhecimentos acerca dos comportamentos leitores e escritores e das
características do texto.
5.3.3 Legendas para fotos
Objetivos
- Escrever legendas para fotografias considerando as características textuais
e discursivas do gênero.
- Revisar os textos escritos em pequenos grupos ou coletivamente.
Conteúdos
- Procedimentos de produção e revisão de textos escritos.
- Características textuais das legendas.
- Reflexão sobre o funcionamento do sistema de escrita.
Anos
1º e 2º anos.
Tempo estimado
Um mês.
24
Material necessário
Fotografias de um passeio feito com a turma (duas para cada dupla),
materiais que tenham legendas, como álbuns de fotografias, figurinhas,
revistas e jornais.
Flexibilidade para deficiência visual
Aparelho data show para reproduzir as imagens ampliadas na parede da
sala caso haja alunos com baixa visão.
Desenvolvimento
1ª etapa
Apresente a ideia de montar um álbum com fotos de um passeio realizado
pela turma. Peça que tragam as imagens de casa. Questione a garotada
sobre a necessidade de as imagens serem acompanhadas por legendas.
2ª etapa
A turma precisa se familiarizar com o estilo das legendas e observar como
são escritas. Proponha a leitura de revistas e jornais. Deixe os alunos
explorá-los livremente, peça que encontrem legendas parecidas com as que
pretendem escrever no álbum de fotos e justifiquem as escolhas. Discuta as
características linguísticas: são textos curtos? Descritivos? Diferentes do
que encontramos nos contos de fadas? Registre as conclusões.
Flexibilidade para deficiência visual
Coloque o aluno com deficiência junto a uma dupla e peça que um dos
videntes descreva detalhadamente as imagens e o outro leia as legendas em
voz alta. Estimule-o a fazer perguntas para os colegas para obter mais
informações.
3ª etapa
Coloque o aluno com deficiência junto a uma dupla e peça que um dos
videntes descreva detalhadamente as imagens e o outro leia as legendas em
voz alta. Estimule-o a fazer perguntas para os colegas para obter mais
informações.
Flexibilidade para deficiência visual
25
Inclua nessa apresentação as flexibilizações que serão realizadas para que o
estudante com deficiência visual participe do projeto ativamente.
4ª etapa
Distribua duas fotos para cada dupla e proponha a produção oral do texto.
Cada grupo dita as legendas que gostaria de escrever. Transcreva os textos
no quadro e faça uma revisão coletiva, considerando o leitor ausente, a
clareza do texto e a relação com a foto.
Flexibilidade para deficiência visual
Oriente o estudante a tocar nas fotos com as mãos, mostrando-lhe onde
estão dispostas e quantas são.
5ª etapa
Peça que as duplas escrevam a primeira versão das legendas. Nesse
momento, circule pela sala e faça intervenções que ajudem as crianças a
pensar sobre a escrita enquanto realizam a tarefa. Sugira que leiam o que
estão escrevendo, observem o trabalho do colega, comentem o que ainda
falta escrever e verifiquem se o escrito contempla quem ou o que é visto na
foto. Tire cópias dessa primeira versão do material produzido e identifique-
a antes de iniciar a próxima etapa.
Flexibilidade para deficiência visual
Peça aos estudantes que estão formando o trio com o aluno com deficiência
para explicarem a ele detalhadamente o que a foto exibe e oriente-os a
contar com a participação do colega na descrição do texto. Para estimular
essa competência, proponha atividades para casa ou para o AEE, para que
leiam para ele as legendas de imagens. Recomende que ele descreva como
imagina ser a foto e quais elementos estão presentes.
6ª etapa
Proponha uma revisão coletiva de metade das legendas. Nesse momento, o
objetivo é explicitar os problemas em relação à interpretação das
informações por parte dos alunos que não são seus autores. Assim, se
propõe a interação dos autores reais com leitores potenciais. Transcreva no
26
quadro as produções, pedindo à turma que proponha mudanças, justifique
cada uma delas e avalie o resultado final.
7ª etapa
Separe a outra metade dos textos para ser revisado em pequenos grupos.
Explicite que deverão ser explicados os problemas de interpretação, porém,
nesse momento, nãofaça intervenções diretas. Por fim, peça que revisem e
selecionem o material que fará parte do álbum.
Flexibilidade para deficiência visual
Privilegie o trio para que o aluno com deficiência tenha mais espaço de
participação. Estimule sua crítica, colocando-o no lugar de ouvinte do
texto.
Produto final
Um álbum de fotos de um passeio da turma, legendado pelas crianças.
Avaliação
Durante o processo de revisão, observe a qualidade e a propriedade dos
comentários das crianças. Avalie a adequação das legendas produzidas em
relação à função comunicativa, à forma e aos aspectos linguísticos e ao
conteúdo apresentado nas fotos.
5.3.4 Livro de Parlendas Preferidas
Objetivos
- Favorecer situações de escrita com base em textos memorizados.
- Possibilitar a reflexão sobre o sistema alfabético.
Conteúdo
- Escrita.
Anos
1º e 2º anos.
27
Tempo estimado
Nove aulas.
Material necessário
Livros de parlendas, canetas coloridas, giz de cera, lápis preto e letras
móveis.
Desenvolvimento
1ª etapa
Apresente parlendas aos alunos e conte que farão um livro com esse tipo de
texto para apresentar aos demais colegas da escola. Leia uma delas,
pergunte se conhecem outras e inicie a escrita de uma lista coletiva das
conhecidas. Leia outras e acrescente à lista.
Flexibilização para deficiência intelectual
Encaminhe para o aluno algumas parlendas como lição de casa para que a
família o ajude a memorizar partes da história e os títulos.
2ª etapa
Divida a classe em grupos. Distribua um conjunto com as letras móveis
necessárias para a escrita da parlenda para cada grupo da sala. Peça que
contem quantas letras receberam e confirmem a quantidade. Retome a
parlenda oralmente e anuncie qual será o primeiro trecho a ser escrito.
Enquanto observa as produções, faça perguntas que promovam a reflexão
sobre a própria escrita: "Com qual letra começaram a escrever o trecho da
parlenda?", "O nome de algum aluno pode ajudar nessa escrita?". Peça que
leiam o que escreveram - essa intervenção é fundamental para que ajustem
a fala à escrita.
3ª etapa
Forme duplas para a escrita de outra parlenda. A escrita será em conjunto,
por isso cada criança deve colocar uma letra de cada vez, anunciando ao
parceiro o que já está escrito para que este dê continuidade. Distribua as
letras e relembre oralmente a parlenda. Faça intervenções: "Quantas letras
28
deve ter esse pedaço?", "Com qual letra deve terminar o verso?". Peça que
leiam cada trecho escrito para que reflitam e reorganizem as hipóteses
iniciais.
Flexibilização para deficiência intelectual
Coloque o aluno com uma das duplas e considere os conhecimentos dele ao
realizar esse agrupamento.
4ª etapa
Após a escrita das parlendas, crie com a turma o título da coletânea,
escrevendo-o no quadro negro.
5ª etapa
Monte os livros e distribua-os aos alunos. Peça que cada um coloque seu
nome, inicie a ilustração da capa e escreva o título combinado.
6ª etapa
Proponha a escrita coletiva do convite para o lançamento do livro,
destinado a alguma turma da escola. No dia marcado, divida a sala em
grupos. Cada um recitará uma parlenda.
Produto final
Livro com parlendas eleitas pelo grupo.
Avaliação
Observe se os alunos aprofundaram seus conhecimentos a respeito do
sistema de escrita. Eles reviram suas escolhas com base nas intervenções e
da parceria com os colegas?
5.3.5 Galeria de Bruxas
29
Objetivos
- Avançar no conhecimento da linguagem escrita e na aquisição da leitura e
da escrita convencional.
- Aproximar os alunos de autores contemporâneos e clássicos, com textos
informativos e obras literárias.
Conteúdos
- Leitura.
- Escrita.
Anos
1º e 2º anos
Tempo estimado
Sete aulas.
Material necessário
Livros de contos sobre bruxas, como A Bruxa Salomé (Audrey Wood, 32
págs., Ed. Ática, tel. 11/3990-2100, 23,90 reais) e As Férias da Bruxa
Onilda (Enric Larreula e Roser Capdevila, 32 págs., Ed. Scipione, tel.
0800-16-1700, 22,90).
Flexibilização para deficiência auditiva
Acrescente trechos de filmes ou desenhos que retratem bruxas de tipos
variados.
Desenvolvimento
1ª etapa
Selecione contos que tenham bruxas como personagens principais. Durante
duas ou três semanas, incorpore nas atividades permanentes a leitura em
voz alta desses textos. Discuta com a turma que sensações elas despertam e
quais relações é possível fazer com contos já conhecidos. Releia trechos
para confirmar as interpretações, retomar parte da história ou notar a
maneira como o trecho foi escrito. Direcione a conversa para a bruxa em
questão: como é o comportamento dela? Quais suas qualidades e seus
http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/alfabetizacao-inicial/galeria-bruxas-555315.shtml
30
defeitos? Peça que citem os recursos usados para gerar suspense e medo,
por exemplo.
Flexibilização para deficiência auditiva
Solicite que a família e o AEE conversem com o aluno sobre o assunto,
usando a linguagem de libras ou materiais como livros, jogos, brinquedos e
outras formas de ampliar seu conhecimento sobre bruxas.
2ª etapa
Organize uma tabela para ficar exposta na sala com três colunas. Nomeie
cada uma delas: título do livro, nome da bruxa e características. A ideia é
que as crianças a completem com as informações pedidas ao fim de cada
leitura e que você seja o escriba. Colabore para que elas encontrem não só
as características descritas mas também as implícitas. Esse quadro também
deve ser usado para promover desafios de leitura e de escrita: oriente, por
exemplo, que localizem o que está escrito em algum trecho e o copiem.
Flexibilização para deficiência auditiva
Fale sempre de frente para o aluno, explique cada item, levando-
o próximo à tabela. Proponha a parceria dos colegas para que, junto a uma
dupla, complete a tabela.
3ª etapa
Proponha que, em dupla, os alunos escrevam informações importantes
sobre as bruxas, considerando todos os textos lidos. Esse procedimento é
próprio de leitores e escritores experientes, que organizam a informação
que consideram conveniente registrar. Levante algumas perguntas que
podem ajudar: onde vivem as bruxas? Com quem convivem? Elas se
casam? Existem bruxas boas?
Flexibilização para deficiência auditiva
Estimule a parceria dos colegas, revezando-os para que se sentem ao lado
do aluno e esclareçam as dúvidas.
4ª etapa
http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/alfabetizacao-inicial/galeria-bruxas-555315.shtml
31
Convide o grupo a criar uma galeria de bruxas para expor à comunidade
escolar. Proponha que ditem coletivamente um texto sobre o que
aprenderam a respeito das bruxas até então. Permita que nesse momento as
crianças tenham os contos para consultar e confirmar dados e ver como as
informações são escritas.
Flexibilização para deficiência auditiva
Antecipe essa atividade para ser desenvolvida com o AEE, que pode ser o
escriba das ideias desse aluno. E ele poderá levar o registro escrito dessas
ideias e participar da produção do texto coletivo.
5ª etapa
Reúna os alunos em duplas e proponha que elaborem um texto, com o foco
na descrição de uma bruxa. É importante que antes sejam eleitas as
informações para caracterizá-las, como nome, aspecto físico e
personalidade. No momento da escrita, deve ser discutido como colocar as
informações, quais palavras e expressões usar e pensar em problemas da
separação das palavras e, no caso dos alunos alfabéticos, na ortografia.
Cada dupla também deve desenhar a bruxa.
Flexibilização para deficiência auditiva
Antecipe a primeira parte dessa atividade para ser realizada junto ao AEE
da mesma maneira que na etapa anterior. Forme uma dupla com um aluno
mais competente na escrita e solicite que este fale sempre de frente para o
amigo e conte com sua participação na produção do texto.
6ª etapa
Escolha alguns textoscom problemas de escrita recorrentes - como o
escasso uso de recursos descritivos - para discuti-los com a turma. Depois,
devolva-os e oriente a revisão. Os alunos das duplas devem se alternar para
reescrever o texto definitivo. Sugira também que finalizem o desenho.
Reúna os trabalhos escritos e as ilustrações e monte a galeria em algum
lugar de destaque na escola.
Flexibilização para deficiência auditiva
http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/alfabetizacao-inicial/galeria-bruxas-555315.shtml
http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/alfabetizacao-inicial/galeria-bruxas-555315.shtml
32
Se o aluno ainda não estiver alfabético, combine com a dupla que ela não
fará alternância na reescrita do texto, mas o aluno que tem surdez terá de
trabalhar mais na organização para a atividade.
Produto final
Galeria de bruxas.
Avaliação
Ao longo do projeto, note se os alunos mostram preferências de estilos,
autor e temas, relacionam o que estão lendo com outros livros e opinam
sobre as obras lidas. No momento da escrita, veja se planejam o texto e o
revisam. Também analise se confrontam suas concepções sobre o sistema
de escrita e se avançaram em relação à escrita convencional.
5.4 Sequências didáticas de escrita pelo aluno
Trabalho focado e com progressão entre
uma etapa e outra
As sequências didáticas que priorizam a escrita pelo aluno na alfabetização
inicial devem ser compostas por uma série de atividades focadas num
conteúdo específico, em que uma etapa está ligada à outra.
Se o foco é a leitura, uma opção é ler com as crianças diferentes
exemplares de um mesmo gênero, variadas obras de um mesmo autor,
textos sobre um mesmo tema ou versões de uma mesma história (leia o
depoimento abaixo). A sequência deve estar ligada aos propósitos leitores
que se quer aprofundar. Se a ideia é ler para saber mais, a sequência deve
contemplar as diversas etapas de pesquisa, da localização ao registro de
informações. Se o objetivo é a leitura para entreter, a turma pode avaliar os
recursos linguísticos utilizados para provocar suspense, comicidade etc. e
criar um arquivo de expressões úteis para as próprias produções. Uma
sequência semelhante pode ser preparada para apresentar desafios
33
relacionados ao sistema de escrita. Numa lista de livros de bruxa, por
exemplo, a garotada pode ser convidada a criar um título que tenha
palavras específicas (como "a bruxinha malvada").
Erros mais comuns
- Prever atividades sem ligação ou continuidade. Uma atividade deve
preparar para a outra. Pode-se, por exemplo, começar lendo uma versão
tradicional de Chapeuzinho Vermelho e terminar com uma carta do Lobo a
Chapeuzinho.
- Não ter clareza dos objetivos da sequência didática. É fundamental ter em
mente o que se quer ensinar e o que deve ser avaliado.
Lista de sequências didáticas de escrita pelo
aluno:
5.4.1 Sequência didática 1: Escrita de títulos de contos conhecidos
5.4.2 Sequência didática 2: A agenda telefônica da turma
5.4.1 Escrita de títulos de contos conhecidos
Objetivos
- Favorecer a reflexão sobre o sistema de escrita.
- Refletir com os pares e avançar nas hipóteses de escrita.
Conteúdo
Escrita.
Anos
1º e 2º anos.
Tempo estimado
Dois meses.
34
Material necessário
Livros variados de contos acumulativos, lápis e papel, cartolina, tecido
TNT, tinta, papel e canetinha.
Desenvolvimento
1ª etapa
Apresente histórias de contos acumulativos aos alunos. Leia uma delas e
pergunte se conhecem outras. Proponha apresentar uma dessas histórias aos
demais colegas da escola. Nos dias seguintes, leia outras.
Flexibilização para deficiência auditiva
Fale sempre de frente para o aluno e antecipe a explicação da proposta para
ele. Encaminhe o livro como lição de casa antes da leitura com o grupo
para que ele possa explorar a história com o AEE ou com os pais. Ao
contar a história, explore a expressão facial e gestual, apresente a ilustração
ampliada em papel ou projete no telão.
2ª etapa
Relembre os títulos das histórias e peça que as crianças votem em qual
gostariam de apresentar para a outra turma. Organize a sala em duplas de
trabalho produtivas. É interessante ter como critério das duplas: hipóteses
de escrita diferentes, porém próximas, e a relação entre os alunos. Peça que
cada dupla escreva o título da história que deseja que seja lida para a outra
sala. Acompanhe a produção escrita e peça que leiam o que escreveram e,
assim, controlem sua produção.
3ª etapa
Proponha um jogo de adivinhação do nome dos cinco contos vencedores da
eleição. Dê pistas sobre o enredo, personagens, cenário, número de partes
que compõem o título. Quando a turma acertar, convide algumas crianças
(de preferência, as com escrita não alfabética) para escrever no quadro.
Deixe as diferentes possibilidades de escrita registradas e aproveite para
35
lançar perguntas que contribuam para a observação das diferenças
(variedade, quantidade e ordem das letras). Eles devem colocar em jogo o
que sabem e pensam sobre o sistema. Repita a brincadeira com cada um
dos cinco títulos.
Flexibilização
Ao falar dos livros vencedores, se o aluno não estiver alfabetizado, elabore
um símbolo para cada livro.
4ª etapa
Converse com os alunos sobre os contos mais votados e elabore um cartaz
coletivamente. Eles devem ditar os títulos ao escriba (o professor ou algum
aluno que já tenha a escrita alfabética). Nesse momento, aproveite para
perguntar: quantos pedaços tem esse título? Qual a primeira palavra a ser
escrita? Qual a letra inicial? Qual a última letra? Como sabe que é tal letra?
Por que não pode ser outra letra? Combine detalhes sobre a roda de leitura
a ser feita para a outra sala.
5ª etapa
Espalhe os livros de contos preferidos da turma pela sala. Convide outra
sala para compartilhar uma roda de leitura de contos acumulativos. Como
são contos de fácil memorização, os próprios alunos podem ser os leitores.
Flexibilização
Divida as tarefas no grupo, eleja alguns alunos para contar a história e
outros para mostrar as ilustrações. Valorize a leitura de imagem desses
contos.
Avaliação
Observe se as crianças avançaram em suas hipóteses de escrita, se
ampliaram o repertório das relações que estabelecem, se começam a
interpretar a escrita durante e depois de sua produção e se pedem ou
fornecem informações ao colega durante a realização das atividades.
36
5.4.2 Agenda telefônica da turma
Objetivos
- Identificar a letra inicial dos nomes dos alunos.
- Utilizar a ordem alfabética para inserção de nomes na agenda telefônica.
- Reconhecer os contextos de uso da agenda telefônica.
Conteúdos
- Ordem alfabética.
- Procedimentos de uso da agenda telefônica.
Anos
1º e 2º anos.
Tempo estimado
Quatro aulas.
Material necessário
Vários modelos de agenda de telefone para reconhecimento e uma agenda
nova para cada aluno, fichas com os nomes de todos os estudantes do
grupo.
Flexibilização para deficiência intelectual
Desenvolvimento
1ª etapa
Apresente vários modelos de agenda e converse com as crianças sobre as
situações de uso. Pergunte a respeito das ocasiões em que elas costumam
ver os adultos utilizando esse objeto e sugira que citem situações em que
precisariam fazer isso também. Por exemplo, telefonar para um colega e
convidá-lo para ir à sua casa ou até uma pizzaria. Desafie-as a observar os
diferentes aspectos da organização de uma agenda: o tamanho, os espaços
reservados para a escrita dos diferentes dados, as letras que a subdividem
etc.
37
2ª etapa
Questione a necessidade dos nomes e dos números a serem registrados por
escrito na agenda. Por que não podemos guardar essas informações na
memória? Indagações como essa ajudam a compreender que a agenda
permite arquivar dados a serem consultados posteriormente.
3ª etapa
É hora deouvir o que todos têm a dizer sobre a função das letras que
aparecem dividindo as partes do caderninho. Por que elas sempre
aparecem? Por que estão em ordem alfabética? Essa reflexão contribui para
pensar na melhor maneira de organizar os nomes, de modo a facilitar a
consulta. Por fim, discuta com a turma quais informações podem ser
registradas na agenda. Onde devemos escrever o número do telefone? Há
um campo para escrever o endereço do amigo?
Flexibilização para deficiência intelectual
Como lição de casa, o aluno deve providenciar uma agenda usada por
algum familiar. Converse com ele anteriormente, antecipando o que
explicará ao grupo e use sua agenda como um dos exemplos na explicação.
4ª etapa
Momento de pensar como organizar os nomes que farão parte da agenda.
Distribua para o grupo fichas com o nome de todos e sugira que agrupem
aqueles que começam com a mesma letra, respeitando a ordem alfabética.
Oriente os estudantes a consultar o alfabeto disponível na parede da sala.
Crie oportunidades para que analisem detidamente as letras iniciais e finais,
identifiquem os nomes diferentes que começam ou terminam da mesma
forma e antecipem o número de letras necessárias para escrever
determinado nome. Concluída a lista, faça a preparação para o registro na
agenda, como ler as listas organizadas pela letra inicial para revisá-las e
certificar-se de que está correta e localizar as letras nas quais não há nomes
para serem escritos.
Flexibilização para deficiência intelectual
38
Organize as tarefas por grupos. Para o grupo do estudante com deficiência,
dê o nome dos alunos em tarjas e use a letra móvel para indicar a primeira
letra dos nomes que devem separar. Esses nomes devem ser conferidos por
um do grupo e encaminhado a outro grupo que fará a outra classificação.
5ª etapa
Escreva no quadro a lista em ordem alfabética feita pelos alunos. Cada um
deve registrar, ao lado do próprio nome, o número do seu telefone. Oriente-
os a copiar na agenda os nomes e telefones dos colegas em ordem
alfabética.
Flexibilização para deficiência intelectual
Preveja mais tempo para o aluno realizar essa atividade. Se ele ainda não
souber fazer cópia do quadro, dê os números em uma etiqueta para que cole
ao lado do nome correspondente.
Avaliação
A consulta à agenda passa a ser uma atividade permanente para que os
estudantes entrem em contato com os colegas. Além disso, eles podem, ao
longo do ano, incluir os dados de novas pessoas e, assim, o uso será
ampliado para além do contexto escolar. O trabalho será realmente um
sucesso se você planejar várias situações em que a agenda deva ser usada.
5.5 Atividades permanentes de escrita pelo
aluno
São aquelas que desenvolvem o hábito de
utilizar a linguagem escrita a serviço de demanadas
cotidianas
Prever atividades diárias para colocar os alunos em contato constante com
determinados conteúdos importantes para conseguir ler e escrever de forma
convencional. "No caso da escrita, o domínio do sistema alfabético requer
sucessivas aproximações e tentativas de escrever adequadamente", afirma
39
Neurilene Martins. Outro foco é a aprendizagem de procedimentos e
comportamentos leitores e escritores: por onde e como começo a ler? Como
tomar pequenas notas na hora de pesquisa? Como expressar preferências
literárias e trocar informações sobre os livros?
Em termos de escrita, destaque para listas, textos de memória (como
parlendas e poemas) e atividades com o nome próprio e os dos colegas de
classe e com a troca de recomendações literárias.
Erros mais comuns
- Não propor atividades com foco no sistema de escrita. É fundamental
incluir atividades permanentes que levem a pensar sobre as relações
grafofônicas.
- Deixar o aluno escrever sem intervir nem fornecer informações. A criança
só avança ao receber ajudas desse tipo do professor.
- Pedir que os alunos copiem textos. Esse exercício mecânico pode, no
máximo, ajudar a memorizar.
- Não desafiar os alunos a ler. Os processos de aprendizagem da escrita e
da leitura estão diretamente relacionados. Procurar nomes em listas, por
exemplo, é essencial para entender a lógica do sistema de escrita.
Lista de atividades permanentes:
5.5.1 Atividade permanente 1: Leitura e escrita de nomes próprios
5.5.2 Atividade permanente 2: Leitura e escrita de listas
(A partir de 18 de outubro)
5.5.1 Leitura e escrita de nomes próprios
Conteúdo
Leitura e escrita de nomes próprios
40
Ano
1º e 2º anos
Tempo estimado
Um mês
Introdução
Por que trabalhar com os nomes próprios? As crianças que estão se
alfabetizando podem e devem aprender muitas coisas a partir de um
trabalho intencional com os nomes próprios da classe.
Objetivos
- Diferenciar letras e desenhos.
- Diferenciar letras e números.
- Diferenciar letras umas das outras.
- A quantidade de letras usadas para escrever cada nome.
- Função da escrita dos nomes: para marcar trabalhos, identificar materiais,
registrar a presença na sala de aula (função de memória da escrita) etc.
Material necessário
Folhas de papel sulfite com os nomes das crianças da classe impressos,
etiquetas de cartolina, folhas de papel craft e letras móveis.
Desenvolvimento
1ª etapa
Peça que as crianças desenhem. Recolha as produções e questione os
alunos como fazer para que se saiba a quem pertence cada material. Ouça
as sugestões. Distribua etiquetas e peça que cada um escreva seu nome na
sua presença. Chame a atenção para as letras usadas, a direção da escrita, a
quantidade de letras etc.
Flexibilização para deficiência auditiva (perda auditiva parcial, tem
oralidade e está em fase de alfabetização)
Dê oportunidade de o aluno escrever da maneira que consegue.
41
2ª etapa
Questione os alunos como os professores podem fazer para saber o nome
da sala toda nos primeiros dias de aula. Ajude-os a concluir sobre a função
do uso de crachás.
Distribua cartões com a escrita do nome de cada um que deverá ser copiado
nos crachás. Priorize nesse momento a escrita com a letra de imprensa
maiúscula (mais fácil de compreensão e reprodução pelo aluno).
3ª etapa
Lance para a classe o problema: como podemos fazer para não esquecer
quem falta na aula? Apresente uma lista com todos os nomes da classe.
Escreva todos os nomes com letra de imprensa maiúscula. Peça que
localizem na lista da sala o próprio nome. O cartaz com essa lista pode ser
grande e fixado em local visível. Disponibilize letras móveis e peça para
cada um montar o próprio nome.
4ª etapa
Dê uma lista com todos os nomes da sala para cada criança. Dite um nome
e peça que encontre sua escrita e o circule. Em seguida, peça a um aluno
que escreva aquele nome na lousa. A turma deve conferir se circularam o
nome certo. Para que essa atividade seja possível, é importante fornecer
algumas ajudas. Diga a letra inicial e final, por exemplo.
Flexibilização para deficiência auditiva (perda auditiva parcial, tem
oralidade e está em fase de alfabetização)
Para o aluno saber melhor qual é o nome ditado, a professora pode pedir
que cada aluno se levante quando seu nome for dito.
5ª etapa
Peça que as crianças digam o nome dos alunos ausentes e que façam
circular esses nomes. Depois, peça para separarem a lista em duas colunas:
nomes das meninas e nomes dos meninos. É importante chamar a atenção
para a ordem alfabética utilizada nas listas. A nomeação das letras do
alfabeto é fundamental para ajudar o aluno a buscar a letra que necessita
42
para escrever. Em geral, as crianças chegam à escola sabendo "dizer" o
alfabeto, ainda que não associando o nome da letra aos seus traçados.
Aproveite esse conhecimento para que possam fazer a relação entre o
nome da letra e o respectivo traçado.
Avaliação
Observe se as crianças avançaram em suas hipóteses de escrita, ampliaram
o repertório das relações que estabelecem, começama interpretar a escrita
durante e depois de sua produção e se pedem ou fornecem informações ao
colega durante a realização das atividades.
6. Avaliação
A análise frequente do professor é a chave
para elaborar situações cada vez mais
desafiadoras para os alunos
Para avaliar se os alunos estão escrevendo cada vez melhor por conta
própria, observe se avançaram em suas hipóteses de escrita, se ampliaram o
repertório das relações que estabelecem, se começam a interpretar a escrita
durante e depois de sua produção e se pedem ou fornecem informações ao
colega durante a realização das atividades.
Tenha sempre como referência o diagnóstico inicial e para comparar com
as sondagens realizadas ao longo do ano.
Além de avaliar o desenvolvimento da escrita, preste atenção nas interações
entre os alunos. Todas as crianças devem estar envolvidas em todos os
momentos do trabalho, mesmo aquelas que ainda não escrevem
convencionalmente. Se for necessário, reorganize os grupos de trabalho
para que as trocas entre os alunos se tornem produtivas para todos.
7. Inclusão
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7.1 Alunos com deficiência visual
Uma máquina braille ou uma reglete são recursos indispensáveis
Ao planejar as atividades de produção de texto, selecione textos
disponíveis em braille para alunos cegos alfabetizados neste sistema.
Solicite a releitura dos textos trabalhados em aula atenciosamente no
contraturno. Uma máquina Braille disponível ou uma reglete para que
ele anote as informações que considerar relevantes e possa produzir as
sucessivas versões de seus próprios textos, é fundamental.
Os problemas encontrados nas produções textuais dos alunos devem ser
enumerados oralmente. Ao longo das produções coletivas, garanta a
participação do aluno com deficiência visual, mediando as contribuições
da turma toda. Conte com a ajuda do educador do Atendimento
Educacional Especializado (AEE) para que as versões dos textos e o
produto final sejam sempre copiados em Braille, para que o aluno cego
também tenha acesso ao resultado do trabalho.
7.2 Alunos com Deficiência Auditiva
Contar com um intérprete de Libras em sala de
aula é fundamental
A educação bilingue - sendo a Língua Brasileira de Sinais (Libras) a
primeira e a Língua Portuguesa, a segunda língua - é um direito dos alunos
surdos garantido pelo Decreto Federal nº 5.626 de 22 de dezembro de 2005.
O mesmo decreto assegura ainda a presença de tradutores e intérpretes de
Libras nas salas de todos os segmentos do ensino regular público, da
Educação Infantil ao Ensino Superior.
Ao chegar ao 1º ano, espera-se que os alunos com deficiência auditiva que
passaram pela Educação Infantil saibam comunicar-se em Libras e sejam
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capazes de escrever o próprio nome. Mas vale lembrar que essas crianças
começam o Ensino Fundamental sem conhecimento da Língua Portuguesa
falada e, por isso, não partem do mesmo princípio que os alunos ouvintes
para aprender a ler e a escrever.
Mesmo que, em um determinado prazo, não alcancem os mesmos
resultados obtidos pelos alunos ouvintes, os estudantes com deficiência
auditiva precisam participar de todas as aulas. Se o aluno surdo ainda não
for capaz de escrever um texto, faça com que ele contribua para as
atividades escrevendo listas ou frases sobre o tema abordado.
Produções coletivas ou em pequenos grupos também ajudam o aluno a se
expressar melhor pela escrita. O importante é que ele sempre conte com
algum apoio visual. O professor deve registrar todas as atividades e utilizar
recursos diferenciados - como letras móveis ou cores diferentes para
designar elementos distintos de uma frase, por exemplo. Fazer com que o
aluno surdo sente-se nas carteiras da frente é outra medida essencial, assim
como atuar em conjunto com o Atendimento Educacional Especializado
(AEE).
7.3 Alunos com deficiência física (sem
mobilidade nos membros superiores)
Flexibilização dos recursos garante a
participação de alunos sem mobilidade nos membros
superiores
Para trabalhar a produção de texto em alunos com deficiência física nos
membros superiores, é preciso encontrar alternativas para que possam
escrever. O importante é valorizar o que o estudante faz dentro das suas
possibilidades.
Para os que conseguem escrever com uma adaptação para o uso do lápis, é
possível que os traçados sejam disformes e distantes da representação
formal das letras e palavras. Nessa situação, o melhor é não se prender às
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diferenças de forma - ao contrário, procure se focar no conteúdo,
analisando o que o texto revela em termos de compreensão do assunto
abordado. Já para aqueles que necessitam da ajuda de um colega para
escrever, o ideal é observar a interação entre o aluno com deficiência e o
colega, em especial a maneira como ele dita e revisa o que está escrevendo.
7.4 Alunos com deficiência intelectual
Ajudar o aluno sem fazer as atividades por ele
O desafio principal na inclusão dos alunos com deficiência intelectual é
garantir que ele avance na aquisição da leitura e da escrita, contribuindo
com o trabalho da turma de alguma maneira e dentro das suas
possibilidades.
Antecipar as etapas e deixar que o aluno repita e execute atividades com
ajuda do professor responsável pela sala de recursos, é uma ação
importantíssima para que ele consiga discutir o tema junto dos colegas em
sala. Peça para que ele destaque nos textos lidos algumas palavras-chave, o
que pode ser feito no contraturno.
Flexibilize o gênero que está sendo trabalhado com a turma, propondo que
o aluno com deficiência intelectual elabore listas que serão utilizadas em
alguma etapa do projeto. Durante as produções coletivas, coloque imagens
e palavras-chave no quadro para que esse aluno possa consultá-las e assim,
contribua para o desenvolvimento da tarefa.
Nas atividades em grupo, organize uma equipe favorável à participação do
aluno com deficiência intelectual (amigos, crianças com facilidade de
relacionamento etc.). Quando necessário, coloque -o para trabalhar junto a
um colega, ainda dentro do grupo, que deverá dividir com ele as atividades
a serem realizadas.
Se a coordenação motora do aluno ainda não estiver tão desenvolvida,
inclua papéis em tamanho maior e lápis ou canetas com pontas mais
grossas. Oriente os pais ou o AEE em como ajudar o aluno em casa, sem
realizar a atividade por ele.
( São aquelas que desenvolvem o hábito de utilizar a linguagem escrita a serviço de demanadas cotidianas