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2 A DIDÁTICA SOCIAL NO APRENDIZADO DA MATEMÁTICA THIAGO SILVA GODINHO RESUMO O processo de aprendizado passou por grandes mudanças no transcorrer da história humana. Primeiro, contamos histórias e explicamos os mitos. Na Idade Média, a Igreja Católica passou a dominar a educação ocidental. Com o rompimento com a Igreja, surgem os colégios, com um sistema de educação rígido, autoritário e padronizado, onde o indivíduo era ensinado a repetir o conhecimento que lhe era passado. No final do século XX, a didática flexível substitui a conservadora, acompanhando as transformações sociais oriundas da revolução tecnológica. A didática passa a ser flexível e adota técnicas variadas para auxiliar o aluno e o professor no processo ensino e aprendizado. No início do século XXI surge a didática social, onde o ensino passa a ser uma ferramenta para combater vulnerabilidade social e a marginalização, com o auxílio de novas tecnologias e técnicas mais eficientes de ensino. O ensino torna-se tecnológico, com recursos audiovisuais. A metodologia de ensino se flexibiliza para atender as necessidades do aluno, através da gestão participativa da educação. As provas, que antes puniam o aluno, passam a ser utilizadas para ensinar, através de jogos matemáticos e uso de resumos e relatórios de aula. Palavras-chave: didática, matemática, social. PASSOS 2023 INTRODUÇÃO Segundo Piletti (2007), a palavra didática é oriunda etimologicamente do grego didaskein, e significa ensinar ou instruir. Ela se tornou uma ciência reguladora do ensino em meados do século XVI, devido ao trabalho de Ratichius (1571-1635). Porém, foi através de Comenius (1592-1670) que a didática ganhou seu caráter de metodologia e arte de ensino e aprendizado, através de sua obra Didática Magna. Segundo Piletti (2007), o estudioso Perez Gomez conceitua a didática como “a ciência e a tecnologia do sistema de comunicação intencional onde se desenvolvem os processos de ensino aprendizado objetivando otimizar a formação intelectual”. O autor Gimeno conceitua a didática como a ciência que compreende e guia o processo de aprendizado, integrando a cultura para moldar a psique humana. O autor Benedito conceitua como a ciência e a tecnologia que se constrói desde a teórica até a prática, organizando a estrutura de relação e comunicação para desenvolver o processo de ensino e aprendizagem para a formação do educando. Zabalza classifica como o conhecimento, pesquisa e teoria centrada no processo de ensino de aprendizagem. Já Schimitz estuda a organização do sistema de aprendizado, a partir do aluno e para o alcance dos seus objetivos. Segundo Piletti (2007), a evolução do conceito de didática engloba mais que o processo de ensino e aprendizagem, englobando questões, como quem aprende, por que se aprende, a finalidade do aprendizado, onde se aprende e com quais recursos se aprende. Ensinar matemática é um grande desafio, devido a sua alta complexidade, e a quantidade de conceitos que se inter-relacionam em uma teia. A matemática, assim como a física e a química, é a matéria mais temida durante a trajetória estudantil e acadêmica. A DIDÁTICA MATEMÁTICA Segundo Rego e Lima (2010), a educação é o processo de transmissão de valores culturais, éticos, morais, legais e tecnológicos de geração em geração, perpetuando os traços característicos daquele grupo social. Como todo fator social, é extremamente complexo e suscetível de mudanças entre as sociedades e na própria sociedade. Trata-se de um processo contínuo no desenvolvimento do indivíduo. Conforme Delors (2007), a educação é inerente a vida humana e imprescindível para a vivencia em sociedade, garantindo a perpetuação da paz, liberdade e justiça social. Os conhecimentos matemáticos são primordiais no cotidiano do indivíduo, desde a realização do pagamento de uma conta, até o exercício profissional, como um pedreiro ou caixa de mercado. Segundo Rego e Lima (2010), a educação deve atentar as necessidades do indivíduo, enquanto ser individual e enquanto ser grupal. A educação deve integrar ciência, tecnologia, desenvolvimento econômico e ascensão social, além da inclusão social. Ele deve integrar a preservação ambiental e interagir com as tensões das tradições culturais e as novas manifestações culturais, de modo a respeitar a pluridade de ideias e os variados valores éticos e morais da sociedade atual. Serão considerados dois sistemas básicos de ensino de matemática. O primeiro é o ensino conservador, baseado na repetição e na tutela do professor. Esta metodologia é mais mecanicista. A segunda é o modelo moderno, baseado na inovação e na prática. Cada estilo tem suas vantagens e desvantagens. Segundo Rego e Lima (2010), o modelo de ensino desenvolvido no século XX, foi baseado em uma metodologia conservadora e tradicional, proveniente da influência newtoniano-cartesiano, característico da ciência no século XIX e XX. Segundo Libaneo (2006), esse modelo dominou todos os níveis de ensino, levando a uma forte fragmentação e especialização do ensino, dividindo o ensino em áreas, as áreas em cursos, os cursos em disciplinas e as disciplinas em especificidades; levando ao isolamento do professor na sala de aula. Neste contexto, a função é a reprodução do conhecimento, sendo caracterizada por fragmentação, ações pedagógicas mecânicas e repetitivas, para que o aluno escute, leia, decore e repita. Esse método é muito comum em toda a história da educação. A pesquisa, sobre o assunto abordado em aula de aula, será realizada pelo professor. Cabe ao aluno o papel de espectador, onde este deve assimilar, memorizar e reproduzir o conteúdo proposto. O ideal seria que o aluno e o professor fossem sujeitos do processo de aprendizagem, porém, somente o aluno tem sido objetivo do aprendizado, geralmente passivo e totalmente receptivo. Neste sistema é comum aliar competência ao autoritarismo, promovendo um ambiente de silenciosa para o ensino reprodutivo e conservador. A avaliação é o critério de sucesso na memorização e assimilação, e o professor adquire credibilidade pelo número de alunos que são reprovados, uma prática muito abusiva e contrária a produtividade. Este processo permitiu formar indivíduos submissos e reprodutores de conhecimento alheio. As tendências pedagógicas englobariam a tradicional, escolanovista e tecnicista. Todas essas tendências tem como característica a reprodução de conceitos. A formação pedagógica deve incluir reflexão e delineamento entre teoria e prática, renovando o conhecimento, e não somente seguindo procedimentos estáticos. A reflexão crítica deverá ser contextualizada com a teoria e a prática, e principalmente, com as necessidades sociais e técnicas dos alunos, num processo contínuo de melhora. O critério conservador ou mecanicista demonstra eficácia nas matérias básicas e introdutórias, já que a matemática exige o conhecimento de teorias alinhados para o seu domínio. Para o domínio matemático, a criança aprende desde teoremas simples até os mais complexos, num sistema linear. Na didática moderna ou flexível podemos contar com novos meios de ensino, como os jogos matemáticos, problemas práticos e usar recursos audiovisuais para complementar o aprendizado. Segundo Rego e Lima (2010), a didática foi muito influenciada pelos novos avanços tecnológicos e científicos da sociedade atual. A tecnologia da informação e comunicação (TIC) permitiu a produção de uma gama gigantesca de informações (de qualidade e sem), que podem ser obtidas facilmente, através da quebra da barreira tempo e espaço, permitida pelas tecnologias informacionais. A sociedade do final do século XX e início do século XXI foi marcada profundamente pela revolução no trato da informação e do conhecimento. Essas mudanças sociais obrigaram os professores a repensar seus papeis na sociedade, e sua função como professor. Os profissionais da educação precisam tomar decisões rápidas e precisas, saber trabalhar em grupo, produzir por iniciativa própria e em constante aperfeiçoamento. O professor agora, passa a articulare mediar o aprendizado e a produção de conhecimento. A didática absorveu a física quântica, repensando o papel da educação, valorizando o diálogo, em um cenário mais holístico, ou seja, menos fragmentado e padronizado, numa visão mais ampla e global. A educação deve estar delineada a formação de uma sociedade justa, ordenada, humana, fraterna e estável. Precisamos repensar o sistema de valores da educação, observando o fato de que os seres humanos são independentes e interdependes, se relacionando num sistema de valores que variam e são extremamente flexíveis. Esses valores devem se associar a uma busca de conhecimento na sua totalidade, interdependência e ao trabalho colaborativo. O ambiente de ensino deve ser propício a produção de conhecimento. A grande questão é que essa abordagem engloba o construtivismo, inter-relacioanismo e foco sociocultural. A repetição do conhecimento é superada pela produção do conhecimento. A abordagem visa a produção de indivíduos éticos, reflexivos, críticos, autônomos e flexíveis, na procura de uma melhor qualidade de vida para o indivíduo, em uma sociedade justa e igualitária. A DIDÁTICA SOCIAL Segundo Libâneo (2006), a Constituição Federal de 1988 transforma a educação em um direito social, e inalienável de cada cidadão. O cidadão ganha o direito de acesso a educação pública e gratuita, garantida pelo estado. Porém, a grande questão é o aluno que sofre de fragilidade social, que precisaria de um suporte estatal para estar frequentando as aulas. Muitos alunos vão a escola para se alimentar, já que não possuem alimentos em casa. Um aluno mal nutrido, com necessidades básicas, terá o seu aprendizado comprometido. Cabe a instituição de ensino, garantir o seu aprendizado através de técnicas de ensino modernas e suporte didático adequado. Assim, este estudante poderá ter um futuro melhor. Aprender matemática não é só aprender a fazer contas e ser aprovado em provas. É muito mais do que isso. Precisamos da matemática quando vamos comprar algo, no peso, quantidade e preço. O engenheiro deve calcular as dimensões e a estrutura da edificação. A cozinheira deve mensurar o valor e a quantidade dos insumos. A didática social, é uma progressão da didática moderna, que trouxe à tona a função social da matemática, como uma ferramenta para melhorar a qualidade de vida dos alunos. O conhecimento matemático pode proporcionar ao aluno melhores decisões quanto a sua vida, reduzir a violência e reduzir a marginalização. Porém, para tal, o processo de ensino e aprendizagem deve ser elaborado conforme a necessidade do aluno. Segundo Rego e Lima (2010), Libâneo (2006), a metodologia didática deve englobar a construção da cidadania, capacidade política e possibilidade econômica (principalmente a laboral). O exercício da cidadania deve considerar direitos e deveres da pessoa em sociedade. Para o efetivo exercício da cidadania é necessário a inclusão do indivíduo na sociedade, não somente a sua existência. A escola é o principal órgão de inclusão social, pois além de poder combater qualquer forma de discriminação, ela pode ser uma via de inserção social, através da elevação cultural e técnica, e do acesso ao conhecimento. Algumas características devem ser inerentes ao ensino, como: 1. ser dialógica, ou seja, praticar o diálogo com naturalidade; 2. desenvolver a autonomia do aluno, preparando para lidar com a vida e o conhecimento; 3. praticar decisões coletivas e participar de grupos; 4. participar da solução de problemas sociais; 5. ser democrática e heterogêneo; 6. ser pluralista e integrar diferentes ideologias; 7. ter um projeto coletivo, integrando todos os alunos. Segundo Rego e Lima (2010), Smole (2007), o ensino atual exige uma escola democrática, e criar uma didática do sucesso, englobando conhecimento e permitindo a superação de preconceitos e limitações. A didática atual deve levar em conta a complexidade do aprendizado, considerando que cada aluno aprenderá melhor de uma determinada maneira. O aluno pode aprender por múltiplos caminhos, diversos meios e expressões. O educador deve valorar e desenvolver as competências naturais do aluno, e para isso deve abordar todas as competências intelectuais, como linguísticas, espaciais, corporais ou exatas (lógico-matemáticas). O professor, neste momento, será o intermediador do conhecimento, proporcionando aquisição e desenvolvimento da aprendizagem, sempre buscando variadas fontes, além das tradicionais, que são geralmente, essenciais. Segundo Rego e Lima (2010), Smole (2007), o processo de ensino e aprendizagem, na visão do aluno, é um processo onde ele assimila, constrói, modifica e enriquece seu conhecimento. O início do aprendizado é o significado, ligado a prática social, ligando os saberes prévios as práticas sociais. A habilidade de aprender e reaprender, é dada ao aluno através do processo de investigação, desenvolvido após a administração do conteúdo. O professor, também, assume papel de aprendiz neste cenário, que deve ser composto por hipóteses e pensamentos divergentes e conflitantes. Adaptar e criar uma metodologia de ensino, que atenda a necessidade de todos os alunos, é o grande desafio. Cada aluno tem necessidades, sonhos e ambições únicas. Além de dificuldades, que precisam ser corrigidas pela conduta didática, no intuito de garantir o aprendizado do aluno. O planejamento didático é uma alternativa para realizar esta tarefa. PLANEJAMENTO PEDAGÓGICO Realizar o planejamento pedagógico é o primeiro passo para auxiliar os alunos no processo de aprendizagem. Segundo Rego e Lima (2010), Libâneo (1991), o planejamento pedagógico é uma revisão das atividades didáticas, sua distribuição e organização no decorrer do processo de ensino. Ele deve descrever as modalidades de planejamento ou etapas de construção e a dinâmica do processo de aprendizagem, enfatizando a prática e as referências fundamentadas. Segundo Rego e Lima (2010), o processo didático pode ser orientado por planos, programas e projetos. O plano de aula consiste em determinar o que, como, quando, com quem e o que fazer. Existem alguns tipos de planos. O plano nacional de educação é o plano educacional de um povo, baseado no contexto histórico, atuando em médio, longo e curto prazo. O plano escolar relaciona os resultados do planejamento global, e que influenciará o plano de curso, que delimitarão o conteúdo da matéria de um curso durante sua duração. O plano de ensino é a relação das disciplinas que serão expostas propriamente no curso. Geralmente, consta no plano curricular da instituição de ensino. O programa de ensino é constituído de um ou mais projetos de ensino por um determinado período. Nele, devem constar as realidades esperadas e desejadas. O projeto é o arquivo de proposições e ações futuras, propondo inovações e flexibilizações para melhorar e adaptar o ensino a realidade dos educandos. O planejamento pedagógico deve delinear as atividades de ensino, abordando contexto social, necessidades do aluno, conhecimentos prévios, objetivos específicos, questões práticas essenciais, instrumentos metodológicos, metodologias de construção e reconstrução do saber, e a visão do aluno. O plano de ensino determina os conteúdos para um ano ou semestre, e deve conter identificação, objetivos, conteúdos, metodologia e referência. O plano de aula é o detalhamento do plano do curso, com problematização, os conhecimentos prévios dos alunos, as fontes informacionais, sistema de construção do conhecimento, procedimentos avaliativos, e referências utilizadas. Os projetos didáticos devem apresentar tema de estudo, questões sobre o tema, negociação compartilhada, interdisciplinaridade e compreensão crítica do tema. O planejamento político pedagógico deve apresentar o envolvimento dos membros da comunidade escolar, indicar a finalidade da educação, propor objetivos de médio e longo prazo, organização das atividades curriculares, e conceito de avaliação e aprovação do aluno. A capacidade de ensinar está intrínseca aos conhecimentos específicosna sua área de atuação. Além da capacidade de lidar com informações específicas, o professor deve ser capaz de realizar a intervenção pedagógica, realizando atividades motivadores, revisão de conceitos prévios, negociação de atividades prévias e realização de atividades de construção de significados. A DIDÁTICA SOCIAL E A TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO Segundo Rego e Lima (2010), a mediação pedagógica envolve a tríade professor, conhecimento e aluno. Cabe ao docente compreender de forma ampla o tema abordado, e principalmente, compreender o contexto social do aluno, e assim gerir as teorias conforme a psicologia da aprendizagem. Instrumentos mediadores podem ser utilizados, como textos, folhetos, giz, lápis e vídeos. A mediação é algo místico, que deve integrar o conhecimento ao mundo do educando. Segundo Rego e Lima (2010), construir o conhecimento significa a forma própria e pessoal que cada pessoa conhece e compreende todas as dimensões da realidade e como expressa essa totalidade de forma mais ampla. O processo de aprendizagem pode ser otimizado quando ocorre a adesão da teoria com a realidade, adaptando o conteúdo a realidade do estudante, e a prática, quando relacionamos teoria e prática juntos. Segundo Rego e Lima (2010), a metodologia de ensino foi afetada pela tecnologia da informação e comunicação. A facilidade de acesso a informação trouxe consigo várias vantagens e desvantagens. As desvantagens fazem referência, principalmente, a falta de qualidade das informações. Já as vantagens, fazem jus a facilidade de acesso a informação, de modo rápido, ilimitado e barato. O processamento lógico sequencial ajuda no aprendizado, mas hoje, o educador pode contar com as novas tecnologias da informação e comunicação, valendo-se de hipertextos e recursos multimídias. As TICs – Tecnologias da Informação e Comunicação tem interferido na fonética e grafia das palavras, além da construção de frases. Segundo Rego e Lima (2010), o processamento de forma hipertextual não segue uma trilha previsível, mas deve ser lógico e coerente. Ele ocorre com o uso de pesquisas em banco de dados, com variadas conexões, convergências e divergências. O processamento de forma multimídica é livre, mais liberal e aberta. Este ocorre de forma provisória e assimétrica, com convergências e divergências abruptas. Ela atende a demandas espontâneas, com trechos audiovisuais e informatizados. Segundo Rego e Lima (2010), o professor da era da informação precisa se adaptar aos meios de comunicação atual, aprendendo com a prática e com a rotina de aula. Uma conduta crítica deve ser utilizada para tais abordagem, visando a melhor aprendizagem para o aluno. Os recursos pedagógicos possuem significados culturais e podem influenciar, de modo positivo ou negativo, o comportamento individual e profissional do indivíduo. O uso das TICs no processo educacional baseia-se em: 1. integrar tecnologias, metodologias, atividades. 2. integrar textos escritos e comunicações orais, valendo-se de diversas mídias. 3. diversificar a forma de trabalhar o conhecimento, utilizando-se das diversas técnicas e dinâmicas de avalição. 4. valorizar os recursos mais comuns, e priorizar a melhoria da aprendizagem do aluno. Várias tecnologias surgiram com a revolução produzida pela informática. As TICs – Tecnologias da Informação e Comunicação surgiram para mudar totalmente a sociedade e a educação. Hoje em dia, temos acesso fácil a informação, porém não se tem certeza da qualidade da informação. Os cursos em ead (educação à distância) surgiram para garantir acesso aos alunos, que não possuíam condições de cursar um curso regular, para realizar o sonho de estudar e poder ter uma profissão melhor. Segundo Rego e Lima (2010), o processo de aprendizado e ensino é baseado nas tecnologias disponíveis, porém, não são os recursos utilizados que vão melhorar o aprendizado, mas a forma como vão ser transmitidos. O sucesso dos processos de ensino e aprendizagem dependem muito mais das pessoas envolvidas, do que dos recursos tecnológicos utilizados. Existem vários tipos de interações entre os personagens envolvidos no processo educacional. Elas podem ser unilaterais (quando o aluno é passivo) e bilaterais (quando ocorre troca de diálogos). Porém, para transformar dados em informações, e posteriormente, em conhecimento, é mais complexo. Será necessário um árduo trabalho de interação, reflexão, discussão, crítica e ponderações, que permitam um compartilhamento mais fácil com as pessoas. O livro didático é uma importante ferramenta, porém o professor pode usufruir de outros recursos, como jogos matemáticos e recursos audiovisuais. Segundo Rego e Lima (2010), o livro didático é uma importante ferramenta para auxiliar o aluno, principalmente no primeiro contato com a matéria. Embora seu uso tenha sido criticado, é uma ferramenta muito útil para criar um padrão para o aprendizado. O educador precisa estar atento a qualidade e coerência com os objetivos do curso, porém o livro didático não deve ser a única fonte para a prática didática. O conteúdo do livro didático não deve ser tratado como um fim, mas sim como um meio para auxiliar o professor. O ideal é trabalhar vários títulos para o assunto, abordando de forma diferente suas visões. O livro deve ser analisado quando aos erros conceituais, preconceitos pré-existentes, transposições didáticas inadequadas ou sem contexto, e exercícios que priorizem a memorização. Outros meios podem auxiliar o aluno a assimilar os conteúdos, como cinema e vídeo. Os meios audiovisuais podem levar a experiencias sensoriais únicas, permitindo ao aluno uma melhor percepção do assunto abordado. Segundo Rego e Lima (2010), a utilização da televisão e vídeos é bem comum desde a década de 90, quando o governo forneceu um aparelho de TV e um vídeo-cassete para cada escola. Porém, muitas vezes, era só para passar o tempo pedagógico, e não para elevar o aprendizado do aluno. O programa TV Escola (1996), realizado pelo Ministério da educação, é um marco do uso de recursos audiovisuais, porém, com o tempo o programa foi abandonado. Segundo Rego e Lima (2010), o vídeo pode ser utilizado com a finalidade de sensibilizar o aluno (despertar e motivar o interesse), ilustração (ver cenários que não poderiam ser vistos por outros meios), simulação (experiências químicas e físicas), produção (documentários, eventos e experiências), vídeo-espelho (compreender comportamentos, gestos e posturas) e conteúdo de ensino (apresentar assunto de forma expositiva ou problematizada) Segundo Rego e Lima (2010), a televisão aberta é outro meio de levar conhecimento a professores e alunos, principalmente, quanto a reflexão sobre os temas estudados, ampliando a realidade sociocultural. O aumento da temperatura global pode ser melhor visualizado em programas interdisciplinares, envolvendo múltiplas disciplinas, como física, química e biologia. Pode ajudar o professor a desenvolver a compreensão do assunto e aspectos não muito esclarecidos, além de auxiliar uma possível discussão grupal. Segundo Rego e Lima (2010), o computador permite uma comunicação com velocidade e sem limites. A sua única limitação é a financeira, onde a pessoa não possa arcas com as duras despesas de possui equipamentos informacionais. O aprendizado deve englobar o uso de aplicativos e banco de dados. O professor pode pesquisar na internet, buscando novas experiências e informações. O professor pode postar na internet um bando de dados com documentos para auxiliar na formação do aluno. Segundo Rego e Lima (2010), a pesquisa na internet precisa de orientação para assegurar sua qualidade, e pode ser realizada em grupo ou individual. O tema pode ser dado com referenciais específicas, ou sem referências, para que o aluno possa testar seus conhecimentos (é necessário um certo conhecimento prévio). A avaliação é uma parte do processo de ensino e aprendizagem, que tem por finalidade aprovar ou reprovar o aluno. Porém, desde as mudanças do processo de educação, e principalmente com a didática social,ela ganha outro caráter. Ao invés de punitiva, passa a ser um instrumento de aprendizado. Vários meios de avaliação podem ser utilizados para auxiliar o aluno no processo de aprendizado, como jogos matemáticos e resumo ou sínteses das matérias abordadas. Segundo Rego e Lima (2010), o conceito de avaliação tem sofrido debates. A aplicação de provas virou uma questão de punição e tortura, classificando e punindo o aluno com base em acertar questões respondidas. As novas técnicas avaliativas visam superar as visões tradicionais e tecnicistas. Segundo Rego e Lima (2010), a avaliação é um padrão estático, onde o aluno é avaliado, e posteriormente é promovido e qualificado. A grande questão é que os valores pontuais não permitem avaliar de forma precisa o real desenvolvimento das competências desenvolvidas durante o processo de ensino e aprendizado. A avaliação deve usar métodos adicionais, como apresentação oral, demonstração, relatórios e outros instrumentos auxiliares. A avaliação classificatória permite verificar e burocraticamente qualificar o aluno, porém a avaliação não deve se resumir a pontuação e notas. Os princípios do processo de avaliação são: 1. Transparência, com informações prévias acerca dos critérios e conteúdo. 2. Negociação, associando professores e alunos. 3. Articulação da gestão, projeto pedagógico, comunidade, professores, política educacional e conselho escolar. 4. Flexibilidade de novas oportunidades de ensino. 5. Positividade e compromisso com o avanço do aluno; de modo a ampliar e preservar a autoestima do aluno; instigando a curiosidade e a descoberta. Segundo Rego e Lima (2010), a avaliação mediadora faz parte do processo de elaboração do conhecimento, porém, não deve ser meio para punir ou desestimular o aluno, e sim um meio de auxiliar a aprendizagem. A avaliação deve valorizar o conhecimento do aluno e desenvolver sua autoestima, buscando englobar suas dificuldades e considerando o modo como organiza seu pensamento, diversificando a situação de ensino. A avaliação não consiste somente em mensurar pontos em termos quantitativos, mas sim a qualidade do aprendizado. Segundo Rego e Lima (2010), os professores não são culpados pelas notas do aluno, mas são responsáveis. O conhecimento é construído lentamente, de uma visão menos integrada e diferenciada pra uma mais diferenciada e integrada, por meio de diferentes aproximações e formas. A avaliação precisa de um acompanhamento pedagógico, analisando reações e adaptando novas vertentes para englobar os alunos. A avaliação não pode ser linear e uniforme. Segundo Rego e Lima (2010), as questões de múltipla escolha devem evitar o enfoque memorístico total, não usar questões ambíguas, apresentar enunciado com uma situação problema e descartar as famosas questões cascas de banana. Nas questões dissertativas deve haver clareza na redação e previsão de critérios de correção para evitar subjetividade. Segundo Rego e Lima (2010), o erro pode ser oriundo da escola, currículo, prática educativa e esforço do aluno. O erro é somente um problema a ser superado. O aluno deve ser avaliado sobre o que ele sabe, e não sobre o que ele não sabe. A avaliação deve ser um meio para analisar a qualidade do ensino e do aprendizado, como um meio de mediação, e não de punição. A avalição deve ter como foco a aprendizagem, sempre a favor do processo educacional. O aperfeiçoamento acadêmico passou a ser visto como uma solução para problemas sociais de marginalização e discriminação. Para tal, outras ciências passaram a ser utilizadas para melhorar a didática, como a psicologia. O processo de assimilação de informações pode ser afetado por fatores. CONCLUSÃO A educação passou por grandes transformações ao longo da história, se adaptando a realidade social e tecnológica de cada época. A educação, nos primórdios da humanidade, foi realizada através dos contos e das lendas. Somente com o advento da Revolução Francesa, do Iluminismo e do fim do teocentrismo, ela ganhou caráter científico, sendo estimulado pelas revoluções tecnológicas. A primeira fase da didática foi extremamente conservadora, sendo baseada na exposição e cobrança através de avaliações escritas, onde o aluno era condicionado a repetir o conteúdo ensinado. A fase flexível da didática inicia-se com os movimentos sociais do final do século XX. Surgem novos métodos de ensino e aprendizado, buscando melhorar o aprendizado e reduzir a evasão escolar. A didática social surge no início do século XXI, quando a educação vira um direito de todo cidadão, como meio de inclusão social. Ela sofreu grande influencia das tecnologias da era da informação e comunicação. Novos métodos didáticos surgem, principalmente os audiovisuais e os bancos de dados. As avaliações, que antes puniam, agora ensinam. As avaliações mecânicas dão lugar para jogos matemáticos, relatórios, trabalhos apresentados e resumos dos conteúdos expostos. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CASTRO, Amélia Domingues. A trajetória da historia didática. São Paulo: Ática, 2018. CORDEIRO, Jaime. Didática. São Paulo: Contexto, 2007. DIAS BARRIGA, Angel. Didáctica y Currículum. México: Paidós, 1997. HAIDT, Regina Célia Cazaux. Curso de Didática Geral. 1ª ed. São Paulo: Ática, 2006. LIBANEO, José Carlos. Didática. São Paulo: Ática, 2006. LIBANEO, José Carlos. Didática. São Paulo: Corez, 1994. PILETTI, Claudino. Didática Geral. São Paulo: Ática, 2007. RÊGO, Luciane Borges do; LIMA, Maria Vitória Ribas de Oliveira. Didática. Recife: UPE, 2010. ROMERO, Luis Rico; MADRID, Daniel. Fundamentos didáticos de las áreas curriculares. Madrid: Sintesis, 2000. SANTOS, Humberto Correa. A didática no Brasil. Juiz de Fora: Estação Científica, 2015. SCHMITZ, Egidio. Fundamentos da Didática. São Leopoldo: Unisinos, 1993. 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