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PARALISIA BRAQUIAL OBSTÉTRICA Caracterizada por uma incapacidade que ocorre no período perinatal e resulta em paralisia e/ou paresia flácida associada ou não à perda da sensibilidade no membro afetado. ➔ Maior parte dos casos está associada ao estiramento do plexo braquial durante o parto . ANATOMIA Observar que o plexo braquial inerva todos os músculos do membro superior, exceto o trapézio. Além disso, as raízes superiores suprem primariamente os movimentos do ombro, enquanto as mais inferiores são responsáveis primariamente pela função da mão. FATOR DE RISCO O principal fator de risco é a distócia de ombro. ● O principal fator associado à distócia de ombro é o peso fetal, haja vista que fetos macrossômicos com peso superior a 4,5kg apresentam risco aumentado em dez vezes para lesões no plexo. ● Utilização de fórceps ● Apresentação pélvica (lesão bilateral decorrente de hiperextensão cervical) ● Anestesia epidural ● Parto prolongado ETIOLOGIA E stiramento do plexo durante o trabalho de parto ● Estiramento seria habitualmente causado pela dificuldade de desprendimento do ombro, a chamada distócia de ombro Na distócia, o ombro do feto permanece preso na sínfise púbica, abrindo o ângulo entre a clavícula e a parte cervical da medula espinhal, distendendo as raízes (em razão do maior gradiente de tensão na parte superior), justificando a alta incidência de lesões da parte superior do plexo braquial ● Alguns autores sugeriram que forças propulsivas maternas ou rotação deficiente do feto poderiam contribuir para o mecanismo de lesão. É válido pontuar baixo tônus nas extremidades envolvidas. Júlia Cardoso - Fisio 103 CLASSIFICAÇÃO As lesões nervosas periféricas podem ser classificadas em: - Neuropraxia: desmielinização segmentar das fibras de grande calibre sem interrupção axonal. - Axonotmese: lesão axonal e da bainha de mielina, porém com preservação do endoneuro, a axonotmese implica degeneração walleriana distal com potencial para recuperação adequada e espontânea devido à manutenção do endoneuro. - Neurotmese: consiste na transecção total do nervo, incluindo o perineuro, e implica degeneração axonal severa quando as extremidades nervosas separadas não são unidas cirurgicamente. Como não há continuidade axonal, não ocorre a regeneração por brotamento axonal. Classificadas quanto ao acometimento radicular ➔ PARALISIA DE ERB / Lesão dos níveis superior (raízes C5, C6) e médio (raízes C5, C6 e C7): Decorrente da lesão nas raízes C5 e C6, sendo C7 também afetada em 50% dos casos. ● Déficit dos movimentos de protração e retração escapular, abdução e rotação externa do ombro, flexão do cotovelo, supinação do antebraço e Æexão do punho e dos dedos. ● Reflexo de Moro assimétrico (lado acometido não apresenta reflexo), mantendo o membro comprometido junto ao corpo. Reflexo bicipital também não está presente. ● Déficit de Sensibilidade ● Sinal clássico da paralisia de Erb é a mão em gorjeta. ● Mais prevalente na prática clínica ➔ PARALISIA DE KLUMPKE / Lesão do nível inferior (raízes C8 e T1): acomete o tronco inferior do plexo braquial (C8-T1) e é rara, correspondendo a 2% de todas as PBP. ● Principal característica clínica da paralisia de Klumpke é a pobre função manual , haja vista que os músculos proximais estão intactos ● Abolição do reflexo de preensão palmar ● mão plégica, mantém a semi flexão das articulações interfalangianas e a extensão das metacarpofalangianas, o que evolui para a deformidade em garra ● Postura nos segmentos mais proximais se caracteriza por flexão e supinação do antebraço e extensão do punho. Júlia Cardoso - Fisio 103 ➔ PARALISIA TOTAL / ERB-KLUMPKE : Envolve as raízes de C5 a C8 e, algumas vezes, de C4 e T1. ● Segundo tipo mais comum de lesão, e a criança apresenta braço Æácido, podendo ocorrer dedos em garra e déficit de sensibilidade ● Caso acometa a raiz de C4 , a criança pode também apresentar desconforto respiratório em virtude da lesão do nervo frênico. (raios-X é observada redução do ângulo costofrênico) ● Acometimento de T1 , a criança ainda pode apresentar síndrome de Horner em decorrência do envolvimento da cadeia simpática. - TRÍADE: Miose, ptose e anidrose Classificação de Narakas: classificação da lesão e o encaminhamento dos pais para centros especializados. O encaminhamento deve ser feito dentro de 1 mês após a ocorrência da lesão a fim de prevenir contraturas e deformidades e possibilitar a avaliação precoce, o monitoramento da recuperação e o início da intervenção com suporte e orientação às famílias. Grupo I (C5-C6): comprometimento de abdução e rotação externa do ombro e flexão do cotovelo. Grupo II (C5-C7): comprometimento de abdução e rotação externa do ombro, flexão do cotovelo e extensão do punho. Grupo III (C5-T1): paralisia completa do membro superior Grupo IV (C5-T1): paralisia completa do membro superior e síndrome de Horner PROGNÓSTICO ● A maioria das PBP é transitória. ● Paralisias totais têm pobre prognóstico diante de um tratamento conservador. (Síndrome de horner também) ● A não recuperação da função antigravitacional do bíceps entre os 3 e os 6 meses de idade é sinal de pobre prognóstico. ● As crianças com lesões C5-C6 ou C5-C6-C7 podem continuar a apresentar melhora entre os 3 e os 6 meses de idade, o que retarda a necessidade de cirurgias precoces. Júlia Cardoso - Fisio 103 TRATAMENTO FISIOTERAPÊUTICO mais precocemente possível e levar em consideração as restrições, limitações e deficiências apresentadas na avaliação inicial. OBJETIVOS: ● Aumentar as habilidades funcionais. ● Potencializar o desenvolvimento motor. ● Prevenir o não uso do membro acometido. ● Prevenir contraturas e deformidades. ● Aumentar ou manter a ADM. ● Aumentar a força muscular. ● Aumentar a densidade mineral óssea. ● Minimizar as assimetrias e/ou alterações posturais. ● Prevenir luxações e/ou subluxações de ombro e instabilidade escapular. ● Prevenir a diferença de comprimento de membros superiores. ● Orientar pais e/ou cuidadores. PRECAUÇÕES IMPORTANTES: ● Em crianças com histórico de fratura clavicular, o início do tratamento deverá ser postergado e será necessária uma radiografia recente para confirmar a cicatrização. ● O uso de modalidades térmicas deve ser evitado em caso de alteração ou perda de sensibilidade. ● Os exercícios devem ser realizados dentro da ADM livre de dor, bem como os movimentos devem ser suaves nos casos de lesão tecidual. ● Em casos de luxação/subluxação, a articulação envolvida deve ser estabilizada e devem ser priorizados exercícios em cadeia cinemática fechada. ESTÁGIO 1: Primeiras 2 semanas Com o objetivo de prevenir lesões secundárias e garantir maior recuperação, o braço é mantido imobilizado junto ao corpo por até 15 dias. Levar sempre para linha média. ESTÁGIO 2: Duas semanas a 5 meses Nessa fase, é importante orientar os pais quantoao manuseio e posicionamento corretos da criança. Júlia Cardoso - Fisio 103 ● Os pais devem ser instruídos a manter o braço em supinação e rotação externa, mantendo-o apoiado com o uso de travesseiros a fim de possibilitar um alongamento sustentado por mais tempo. ● Ao carregar a criança, o braço deverá estar bem estabilizado, de modo a evitar que ele fique livre, mantendo o cotovelo flexionado junto ao peito da criança, mas não por longos períodos. Essa orientação também é importante ao transportar as crianças na cadeirinha do carro. ● Ao vestir o bebê, deve-se iniciar pelo lado afetado e retirar a roupa pelo lado não afetado. ● Os braços devem estar sempre limpos e secos. Durante o banho, o ombro e a escápula afetados devem ser estabilizados com uma das mãos e o bebê lavado com a mão livre. ● Os bebês devem ser estimulados a permanecer na postura em prono (tummy time), segurando-os proximalmente no braço a fim de garantir suporte e proteção adequados ao braço afetado. ● Na postura supina, os pais devem incentivar as crianças a aumentarem seu repertório motor mediante a estimulação da cabeça para os dois lados, bem como o início do alcance, preensão e manipulação, quando possível. ➔ Os exercícios de ADM passiva, bem como alongamentos, devem ser iniciados precocemente nas articulações do ombro, cotovelo e punho. Pais orientados para fazer também. - estabilizar a articulação proximal e deslocar a distal ➔ Iniciam-se a estimulação dos movimentos ativos e o fortalecimento muscular por meio de atividades próprias para a idade motora, primeiro sem a gravidade e progredindo para posições contra a gravidade. ➔ A estimulação sensorial pode ser alcançada mediante a estimulação tátil no membro afetado com material apropriado de diferentes texturas. ➔ Os exercícios realizados na postura em prono que utilizem descarga de peso, como na postura de puppy, são importantes por promover maior input proprioceptivo, adequada co-contração muscular e estimular o desenvolvimento motor. ESTÁGIO 3: Seis meses a 1 ano de idade Objetivos anteriores e mais ênfase em: ● Aumentar ou manter ADM e força muscular. ● Aquisição dos marcos do desenvolvimento motor. ● Prevenir contraturas e deformidades. Mediante estimulação adequada de atividades apropriadas para a idade, o bebê deve ser estimulado a sentar, arrastar, engatinhar, ficar de pé e andar com adequado controle e coordenação dos movimentos - Nesse estágio, algumas crianças com pior prognóstico já serão submetidas às primeiras intervenções médicas. Propor objetivos e metas pré e pós intervenções ESTÁGIO 4: Um ano a 4 anos ou mais Continuar objetivos das fases anteriores e considerar complicações SECUNDÁRIAS que vão surgir a parte dessa idade, como: - Escápula alada - Assimetrias e compensações - Escolioses posturais - Discrepância de comprometimento de membros - Redução da densidade mineral óssea - Contraturas/encurtamentos e luxações: Pode usar calor superficial, massagem, técnicas de liberação miofascial; fisioterapia aquática (calor). Júlia Cardoso - Fisio 103 CONDUTAS: - Manejo da contratura é recomendado para aquelas crianças que apresentam contratura em flexão de cotovelo, como limitação de ADM > 30 graus de extensão de cotovelo, bem como queixas funcionais e estéticas. - A criança deve ser encorajada a realizar atividades bimanuais, como jogar bola, escaladas etc. Deve ser incentivada a estimulação das AVD mediante o aumento da força muscular e da coordenação motora. - A discrepância de membros e a redução da densidade mineral óssea devem ser minimizadas por meio de atividades que promovam o adequado suporte de peso a fim de estimular o crescimento ósseo. Programa de descarga de peso adequado: 1. Sentado no chão com o braço afetado apoiado, enquanto realizava brincadeiras de jogos. 2. Sentado (long-sitting) realizando exercícios contra dois blocos (localizados um de cada lado no chão). A criança deveria apoiar as mãos sobre os blocos enquanto realizava a extensão dos cotovelos em cadeia fechada. Os blocos progrediam em altura com o objetivo de aumentar a diFIculdade do exercício. 3. Posição de quatro apoios, passando para a posição de três apoios, retirando o apoio do membro superior não acometido. 4. Posição de quatro apoios, passando para a posição de três apoios, retirando o apoio do membro superior não acometido. 5. Posição de quatro apoios ou urso enquanto alcançava brinquedos com o lado não afetado. 6. Quatro apoios com os pés apoiados em um banco. 7. De pé, membros superiores apoiados em cadeia fechada sobre um espelho enquanto realizava atividades lúdicas, como deslizar no espelho utilizando sabão. 8. O terapeuta aplicava força leve através do ombro (sentido proximal para distal), enquanto a criança realizava as atividades apresentadas nos itens 1,3, 5, 7 e 8. Essa força tinha por objetivo aumentar a diFIculdade da tarefa. 9. Estimulação Elétrica Funcional (FES) Júlia Cardoso - Fisio 103