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FÍSICA:ONDULATÓRIA E ÓPTICA Olá! Neste módulo, estudaremos a ressonância, um fenômeno característico dos sistemas oscilatórios, no qual a frequência de uma força externa coincide com a frequência natural do sistema, resultando em um aumento significativo na amplitude das oscilações. Esse fenômeno é importante tanto na física quanto nas aplicações práticas, desde a criação musical até as mais modernas técnicas médicas, como a ressonância magnética nuclear. Compreender as oscilações e suas características, como a frequência angular ω e o período T, é crucial para explicar como os sistemas reagem a estímulos externos e suas aplicações em diversas áreas da ciência e tecnologia. Bons estudos! AULA 03 – RESSONÂNCIA 3 RESSONÂNCIA A ressonância é um fenômeno relacionado a sistemas oscilatórios. Esse tipo de movimento pode ser descrito como periódico, ocorrendo em torno de um ponto de equilíbrio. Em outras palavras, trata-se de um movimento que se repete ao longo do tempo. No cotidiano, estamos cercados por exemplos de oscilações, como as ondas sonoras, o movimento dos pistões em motores de automóveis, as vibrações de cordas de instrumentos musicais, pêndulos e a oscilação de elétrons em antenas de rádio, entre outros. Vale notar que não são apenas objetos mecânicos que podem apresentar oscilações. Para compreender o fenômeno da ressonância, é essencial primeiro entender alguns conceitos fundamentais sobre oscilações e oscilações amortecidas. Oscilações e oscilações amortecidas Os osciladores, que são objetos ou sistemas que oscilam, exibem um movimento repetitivo ao longo do tempo. Se você registrar a posição de um objeto oscilante em função do tempo, obterá gráficos semelhantes aos ilustrados na Figura 1. Figura 1- Três gráficos da posição do oscilador versus o tempo Fonte: Adaptada de Knight (2009). Ao observar a Figura 1, você notará algumas características comuns entre os gráficos: os osciladores se movem em torno de uma posição de equilíbrio e o movimento se repete em um período T. O período está relacionado com a frequência do oscilador, que indica quantas oscilações são completadas por segundo. A relação entre período e frequência é dada pela equação: A unidade de frequência é o hertz (Hz), ou seja: 1 Hz = 1 oscilação por segundo = 1 s–1 As unidades de frequência geralmente usadas são kHz, MHz e GHz. O Quadro 1 a seguir mostra o equivalente dessas frequências em Hz e seus períodos T associados. Quadro 1 – Unidades de frequências Frequência f Período T = 1/f 1 kHz (quilohertz) = 103 Hz 1 ms (milissegundos) = 10–3 s 1 MHz (megahertz) = 106 Hz 1 μs (microssegundos) = 10–6 s 1 GHz (gigahertz) = 109Hz 1 ns (nanossegundos) = 10–9 s Fonte: https://shre.ink/DFM1 Uma forma de representar o movimento oscilatório é através de equações senoidais. Veja um exemplo: x(t) = Acos(ωt) Onde: A: é a amplitude da oscilação; ω: é a frequência angular dada por ω = 2πf = 2π/T; t:é o tempo; x(t): é a posição no tempo. Se A e ω forem constantes, o movimento é chamado de movimento harmônico simples (MHS). Reescrevendo a equação e substituindo ω, você tem: x(t) = Acos(2π t/T). Quando t = T, você fica com x(T) = Acos(2π). Consequentemente, x(t) = A, já que cos(2π) = 1. Essa posição se repetirá para todos os múltiplos do período T = 0, T, 2T, 3T, ..., já que cos (0) = cos(2π) = cos(4π) = ... = 1. A Figura 2 mostra o gráfico desse tipo de oscilação, indicando a posição da amplitude A e do período T. A unidade da frequência angular ω é radianos por segundo (rad/s). Figura 2- Oscilação simples Fonte: Knight (2009). Embora equações senoidais, como a mostrada anteriormente, possam representar oscilações simples, elas não são tão realistas. No mundo real, as oscilações são frequentemente amortecidas, o que significa que sua amplitude diminui ao longo do tempo devido à influência de forças externas. Um exemplo é o movimento de um pêndulo, cuja oscilação diminui gradualmente devido ao atrito com o ar. Suponha uma massa presa a uma mola oscilando na presença de atrito (Figura 3a). A amplitude da oscilação inicial diminui com o tempo de maneira caracteristicamente exponencial (Figura 3b). A equação que descreve esse movimento amortecido é dada por: x(t) = Ae–bt/2m cos (ωat) Onde: A: é a amplitude inicial; m: é a massa do corpo; ωa: é a frequência angular do oscilador amortecido; b: é a constante de amortecimento. Figura 3 - Oscilação amortecida: (a) sistema formado por uma mola e um corpo de massa m, oscilando com velocidade v na presença de atrito; (b) oscilação amortecida, cuja amplitude apresenta um decaimento exponencial com constante de amortecimento b Fonte: Adaptada de Knight (2009). A constante de amortecimento varia conforme as características da forma do objeto e com a viscosidade do meio onde o objeto está inserido. Tal meio pode ser, por exemplo, o ar ou algum fluido. Essa constante é dada em unidades de massa por tempo, como kg/s. Quanto maior for b, mais rápido será o decaimento da amplitude. Exemplo 1: Suponha um oscilador amortecido, como o mostrado na Figura 3. Dado que a massa do corpo é m = 1,0 kg e que b = 50,5 g/s, qual é o tempo necessário para a amplitude diminuir seu valor inicial pela metade? A amplitude inicial é A, e a amplitude do oscilador amortecido é Ae–bt/2m. Assim, para encontrar o tempo, basta você igualar os seguintes termos: A/2 = Ae– bt/2m Para resolver essa equação, divida os dois lados pela amplitude e aplique o logaritmo natural dos dois lados. Assim: Isolando t, você fica com: Substituindo os valores, você obtém: Ou seja, o sistema levará cerca de 27,7 s para ter a sua amplitude diminuída pela metade. O fenômeno da ressonância Os fenômenos oscilatórios discutidos anteriormente são exemplos de oscilações livres. No entanto, os osciladores também podem ser influenciados por forças oscilatórias externas, cujo movimento resultante é chamado de oscilação forçada. Quando a frequência da força externa fext é igual à frequência livre, ou natural f0, do sistema em questão, a amplitude das oscilações aumenta, alcançando um valor máximo. Esse fenômeno é conhecido como ressonância, conforme ilustrado no esquema da Figura 4a. Por exemplo, se um diapasão vibrar na sua frequência natural, essa vibração se propagará pelo ar e poderá fazer vibrar outro diapasão que tenha a mesma frequência natural. A Figura 4b mostra curvas de amplitude de oscilações de sistemas sujeitos a oscilações forçadas com diferentes constantes de amortecimento b para diferentes valores de fext. Quando fext é igual a f0, ou fext / f0 = 1, a amplitude apresenta um pico. Esse pico também é dependente de b. Quando b for pequeno, ou seja, se o sistema tiver um amortecimento fraco, o pico será mais alto e estreito. Já se o amortecimento for forte, o pico será menor e mais largo. Figura 4 - (a) Diapasões vibrando em suas frequências naturais; (b) amplitude da oscilação dependente da frequência forçada fext, da frequência natural f0 e da constante de amortecimento b Fonte: Adaptada de Knight (2009). A ressonância e suas aplicações O fenômeno da ressonância possui diversas aplicações e efeitos significativos em sistemas físicos, químicos e biológicos. Ele está presente em lasers, rádios e televisores, emissão e absorção de luz, micro-ondas, instrumentos musicais e medicinais, entre outros. Fenômenos naturais também podem resultar em ressonância. Ondas sísmicas geradas por terremotos podem ter frequências que coincidem com as frequências naturais de estruturas. Um exemplo famoso é o caso do Elevado Nimitz, um viaduto na baía de São Francisco, na Califórnia. Em 1989, um terremoto atingiu a região, causando oscilaçõessignificativas no viaduto que levaram ao seu colapso (HALLIDAY; RESNICK; WALKER, 1996). Instrumentos de sopro utilizam ressonância para produzir som. Esses instrumentos geralmente consistem em um tubo metálico preenchido de ar, onde é a vibração desse ar que gera o som. Ao soprar no instrumento, várias frequências vibratórias são produzidas. Quando uma dessas frequências coincide com a frequência natural da coluna de ar no tubo, ocorre ressonância. Isso resulta em altas amplitudes de vibração e produz o som audível característico do instrumento. No corpo humano, também existem ressonadores. As estruturas do sistema respiratório desempenham um papel crucial na produção do som da fala. A voz é gerada pela vibração das cordas vocais localizadas na laringe (Figura 5). De maneira semelhante aos instrumentos de sopro, o som da voz é produzido pela modulação do fluxo de ar expirado. Esse som pode ser moldado pela faringe, pela boca e pelas fossas nasais. A variedade de formas dessas estruturas permite a ressonância em um amplo espectro de frequências: as cavidades bucal, nasal, faríngea e laríngea ressoam na faixa de 300 a 500 Hz, enquanto os brônquios, com diâmetros maiores que 3 mm, ressoam em frequências de 1.000 a 1.700 Hz (GARCIA, 1998). Figura 5 - Elementos da geração da voz: (a) posição das cordas vocais; (b) processo da produção do som. As cordas vocais se fecham e se abrem, fragmentando a coluna de ar expirada Fonte: Adaptada de Garcia (1998). Uma aplicação extremamente importante da ressonância ocorre na medicina, especificamente na técnica de ressonância magnética nuclear (RMN). Esta é uma técnica de diagnóstico por imagem que utiliza campos magnéticos para interagir com os átomos específicos no corpo humano. A resposta desses átomos, principalmente o hidrogênio, abundante no corpo, é utilizada para gerar as imagens observadas (MAZZOLA, 2009). Basicamente, na ressonância, é aplicado um campo magnético. Os prótons dos átomos de hidrogênio se alinham com esse campo. Após o alinhamento inicial, é utilizado um segundo campo magnético, com um pulso, fazendo com que os prótons oscilem em ressonância (Figura 6a). A frequência de ressonância utilizada é específica para cada tipo de átomo. Ao voltar para o estado inicial, os núcleos emitem ondas eletromagnéticas captadas pelo equipamento. A intensidade do sinal emitido está relacionada à quantidade de átomos na região. Assim, é possível reconstruir uma imagem com essa informação. Quanto maior a intensidade, maior o brilho. A Figura 6b mostra uma imagem obtida por meio dessa técnica. Nela, você pode ver as seguintes estruturas do crânio em corte sagital: fossa nasal (FN), seio frontal (SF), hemisfério cerebral (H), corpo caloso (CC), trígono (T), protuberância (P), cerebelo (C), medula (M) e língua (L). Figura 6 - (a) Esquema da ressonância ocorrida nos átomos na técnica de ressonância magnética e (b) imagem obtida pela técnica de ressonância magnética nuclear Fonte: (a) Gattass ([200-?]); (b) Garcia (1998). A principal vantagem dessa técnica em relação a outras técnicas de imagem, como raios-x, é o uso de radiações que não são perigosas para os tecidos biológicos. Além disso, ela produz imagens que mostram os tecidos moles em alta resolução (GARCIA, 1998). REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS HALLIDAY, D.; RESNICK, R. E.; WALKER, J. Fundamentos de física, gravitação, ondas e termodinâmica. 4. ed. São Paulo: LTC, 1996. KNIGHT, R. D. Física: uma abordagem estratégica. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2009. GARCIA, E. A. C. Biofísica. São Paulo: Sarvier, 1998. GATTASS, R. et al. Fundamentos da ressonância magnética funcional. [200-?]. Disponível em: https://shre.ink/Dy9Y. Acesso em: 14 jun. 2024. MAZZOLA, A. A. Ressonância magnética: princípios de formação de imagens e aplicações em imagem funcional. Revista Brasileira de Física Médica, v. 3, n. 1, 2009. Disponível em: https://shre.ink/DyHN. Acesso em: 14 jun. 2024. 3 RESSONÂNCIA REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS