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Noelle Tavares Ferreira A sociedade mudou de forma acelerada na primeira revolução industrial, novos conhecimentos e formas de ver o mundo surgiram, trabalhos antes realizados pela força humana e animal foram substituídos pelas máquinas que também fez com que novas profissões surgissem. Desta forma, tais mudanças impactaram fortemente a forma como o ser humano da sociedade pré-industrial vivia e uma das esferas da vida deste: o trabalho, foi fortemente modificado. A partir do início da década de 80 e principalmente a partir da década de 90, o crescimento e a viabilidade dessas tecnologias permitiram ampliar o espectro das pesquisas acadêmicas, indo além dos aspectos puramente tecnológicos e os aspectos sociais presentes no contexto organizacional. Pensando nesse aspecto multidimensional do mundo do trabalho e como ele se constituiu. No texto “Organizações: conceitos e perspectivas de análise”, os autores nos fazem refletir sobre a extensa dimensão das organizações e suas diversas conceituações. Somos apresentados às três principais visões de organizações -cognitivista, culturalista e institucionalista. Nessas três visões não se assume a organização como uma entidade que exista independente das pessoas que a compõem. Na realidade, essas visões trazem a organização mais como um processo e não como uma entidade. A organização é fluida e resultado de vários processos sociais, onde os indivíduos que a compõem são os únicos agentes diretamente causais. Sendo assim, a organização seria um fenômeno que emerge tanto no nível individual, quanto grupal, ou seja, seria uma unidade multidimensional, socialmente construída, que articula processos individuais e coletivos. Desta forma, as visões apresentadas no texto se complementam e articulam entre si. Lendo e estudando o texto, também pensei na teoria de Pierre Bourdieu. O sociólogo francês apresenta uma proposta que tenta unir várias teorias sociais. O autor estuda o mundo social (e mais tarde as organizações que também o compõem), na medida em que se propõe a superar dicotomias como objetividade/subjetividade, ação/estrutura, e indivíduo/sociedade, além de receber influências de diversas perspectivas teóricas. Essa teoria busca ter um viés integrador, com marcas fundamentais do pensamento relacional e o uso da reflexividade. Para Bourdieu, o campo social é um espaço estruturado por agentes e organizações burocráticas, podendo ser científico, artístico, editorial, político, acadêmico, entre outros. Assim, com a teoria do sociólogo, percebemos como o mundo social e do trabalho é diverso e multifacetado e desta forma, está representado de forma dispersa e sem conformidade. Assim, no contexto organizacional, sobrepõem-se constantemente interações do indivíduo com diferentes grupos, com o seu trabalho e com a organização, como fenômenos distintos. Conforme Donaldson (1998), a Teoria da Contingência visa evidenciar que não existe um modelo de estrutura para todas as organizações. A partir dela, pode -se compreender os ambientes (estáveis e instáveis) e suas relações com as estruturas das organizações, enfatizando assim o processo de adaptação das organizações e seus ambientes. Necessitando de renovação constante de nossas teorias e visões.