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GUIA DE CUIDADOS E MANEJO DE FILHOTES DE ANTA (Tapirus terrestris) FERNANDA CRISTINA JACOBY PAOLLA NICOLE FRANCO INCAB - IPÊ 2023 VICTOR HUGO SANCHES PEREIRA GUIA DE CUIDADOS E MANEJO DE FILHOTES DE ANTA (Tapirus terrestris) AUTORIA: LAYOUT: 3 ÍNDICE INTRODUÇÃO INSTALAÇÕES CONSIDERAÇÕES GERAIS MANEJO SANITÁRIO MANEJO NUTRICIONAL REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CUIDADOS VETERINÁRIOS Pág 4 Pág 5 Pág 9 Pág 20 Pág 29Pág 27Pág 23 INTRODUÇÃO Muitas instituições, como centros de triagem e de reabilitação de animais silvestres, recebem com alguma frequência filhotes de animais resgatados por conta de fatores que vieram a ocasionar a morte da mãe, como em atropelamentos, caça, queimadas e desmatamento. Nesses casos, é necessário garantir os cuidados essenciais para que esses indivíduos se desenvolvam e – em alguns casos – tenham chances de retornar à natureza. Em instituições zoológicas e criadouros, também pode ser necessário intervir na criação de um filhote em casos de rejeição ou óbito da mãe. Sabe-se que esta é uma fase crítica, a qual requer dedicação dos profissionais responsáveis pela criação do filhote, tendo em vista que esses animais chegam, geralmente, debilitados e necessitando de cuidados intensivos. É importante conhecer as características biológicas e anatômicas da espécie para que se possa fornecer as condições ideais para o desenvolvimento saudável do filhote. Assim que o animal é recebido na instituição, é essencial avaliar a situação e determinar se ele poderá retornar para a natureza ou se será necessária sua destinação para o cativeiro, instituindo-se, assim, o manejo mais adequado. No caso de animais que serão devolvidos à natureza, deve-se evitar o contato excessivo, sendo mantido em recinto ambientado, alimentado idealmente com itens que ele encontrará em seu habitat natural. Filhotes criados com muita proximidade do ser humano acabam sofrendo imprinting, não se adaptando à vida livre. Para o animal que será mantido sob cuidados humanos, é importante iniciar o condicionamento, minimizando o estresse e facilitando o manejo e realização de procedimentos. Diante disso, elaboramos este guia com informações básicas sobre a criação artificial de filhotes de antas mantidas sob cuidados humanos, a fim de auxiliar os profissionais nesse processo. 4 CONSIDERAÇÕES GERAIS As antas geralmente dão à luz a um único filhote, o qual nasce pesando em torno de 5 a 8 quilos. Até completar 12 meses de idade, esses animais apresentam uma pelagem de coloração amarronzada, com pintas e listras brancas por todo o corpo e a parte ventral mais clara. Esse padrão é importante para que o filhote consiga se camuflar na natureza e é mantida até os 8-9 meses de idade, sendo útil para a estimativa de idade dos filhotes. Com 10 meses de idade, praticamente não se vê mais as pintas e listras. Filhote com 4 meses de idade. Filhote com 36 dias de idade. 5 6 Segundo a literatura, os filhotes são amamentados pela mãe 5 a 10 vezes por dia, durante o primeiro mês de vida. Assim como outros ungulados, os filhotes permanecem escondidos na vegetação. Os filhotes saudáveis se colocam em estação em pouco tempo após o nascimento e ingerem o leite materno nas primeiras 2 a 5 horas de vida. Neste período, os filhotes ganham cerca de 250 gramas por dia, dobrando seu peso entre 14 e 21 dias após o nascimento. A decisão de resgatar um filhote deve ser tomada somente quando há extrema necessidade e, preferencialmente, sob auxílio de um profissional habilitado. Vale ressaltar que o processo de resgate pode gerar estresse, por conta de um esforço prolongado sem descanso, manuseio excessivo, contenção prolongada, transporte, exposição a estímulos que causem medo, podendo levar o animal a óbito. Filhote com 5 meses de idade. Filhote com 10 meses de idade. 7 Quando um filhote é resgatado, os principais problemas enfrentados apresentam-se de forma bastante complexa e multifatorial, e envolvem questões ambientais, nutritivas, características individuais e da espécie. Assim como em qualquer outra espécie, os filhotes precisam de atenção na manutenção principalmente da hidratação, temperatura e índice glicêmico. A decisão de resgatar um filhote deve ser tomada somente quando há extrema necessidade e, preferencialmente, sob auxílio de um profissional habilitado. Vale ressaltar que o processo de resgate pode gerar estresse, por conta de um esforço prolongado sem descanso, manuseio excessivo, contenção prolongada, transporte, exposição a estímulos que causem medo, podendo levar o animal a óbito. 8 O QUE FAZER AO ENCONTRAR UM FILHOTE DE ANTA? O ANIMAL ESTÁ FERIDO? NÃO SIM NÃO SIM TEM PREDADORES POR PERTO? FIQUE DISTANTE E NÃO PEGUE O ANIMAL, OS PAIS DEVEM ESTAR POR PERTO. COLOQUE O ANIMAL EM UM LOCAL SEGURO. ACONDICIONE O ANIMAL EM UMA CAIXA GRANDE, LIGUE PARA A POLÍCIA AMBIENTAL, OU LEVE EM UM CRAS OU CETAS DE SEU MUNICÍPIO. Quando um filhote é resgatado, os principais problemas enfrentados apresentam-se de forma bastante complexa e multifatorial, e envolvem questões ambientais, nutritivas, características individuais e da espécie. Assim como em qualquer outra espécie, os filhotes precisam de atenção na manutenção principalmente da hidratação, temperatura e índice glicêmico. MANEJO NUTRICIONAL A alimentação é um dos pontos mais críticos para a saúde do filhote e requer atenção especial. Deficiências nutricionais podem interferir no desenvolvimento, causando sequelas, problemas nos ossos e cartilagens e até mesmo o óbito. O trato gastrointestinal dos filhotes ainda está em processo de transição quanto à sua permeabilidade e nessa fase a digestão é mais sensível devido à baixa atividade enzimática, o que torna os filhotes mais suscetíveis aos distúrbios gastrintestinais. Desta forma, quaisquer alterações na dieta devem ser realizadas de modo gradativo, a fim de evitar desequilíbrios da microbiota intestinal e outros problemas, como distensão abdominal, enterite, constipação intestinal e diarreia. 9 De maneira geral, o leite apresenta cor branca e aspecto aquoso. Na literatura, há poucas informações sobre a composição do leite da anta brasileira. Análises preliminares de nove amostras de leite de Tapirus terrestris de vida livre, apresentaram concentração média de 85,40% de matéria seca, com 4,33% de gorduras totais, 5,39% de proteína bruta e 89,68% de carboidratos, o que resulta em uma média de 62,77 kcal/100g (DADOS NÃO PUBLICADOS, Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira, IPÊ). Sabe-se que há variações no teor de proteínas, carboidratos, gordura e valor energético em diferentes etapas da lactação (Nieuwenhove et al., 2014). 10 Os órfãos devem ser alimentados por fórmulas que se assemelham nutricionalmente a composição do leite da espécie. Para o aleitamento artificial de filhotes de anta, pode ser utilizado leite de cabra sem desvantagens nutricionais, porém, esse substituto pode causar constipação intestinal. O leite de vaca, em geral, não produz constipação intestinal, entretanto, para ser nutricionalmente adequado, deve ser diluído e suplementado (M. J. Olocco, 2011, comunicação pessoal). Sugere-se a seguinte fórmula de leite substituto (leite de vaca) para antas (M. J. Olocco, 2011, comunicação pessoal). 11 Sabe-se que há variações no teor de proteínas, carboidratos, gordura e valor energético em diferentes etapas da lactação (Nieuwenhove et al., 2014). 12 FÓRMULA DE LEITE SUBSTITUTO Leite em pó integral: 100g. Leite em pó sem lactose: 50g Leite em pó desnatado: 50g Água: 800g Suplemento contendo VITAMINA E e SELÊNIO (de acordo com a especificação do laboratório) Diferentes fórmulas substitutas podem ser utilizadas no aleitamento artificial de filhotes deanta, porém, é de extrema importância administrar o alimento com cautela, devido ao risco de aspiração. Primeiramente, o leite deve ser aquecido em torno de 36°C para garantir a aceitação pelo filhote. A mamadeira sugerida é a mesma utilizada para bezerros com bico de borracha, evitando que o animal venha a engolir uma grande quantidade de ar pelo tamanho do bico, o que pode levar à formação de gases. Durante a alimentação, é importante manter a cabeça do filhote elevada e respeitar o tempo de sucção do animal, evitando assim a ocorrência de falsa via. Além do oferecimento da alimentação balanceada, é importante estimular o filhote a urinar e a defecar após cada seção de aleitamento, massageando a região urogenital com o auxílio de um algodão embebido em água morna. A quantidade de leite aumenta diariamente e a frequência da alimentação diminui ao longo do desenvolvimento do filhote e essas alterações devem ser realizadas gradualmente. Nos primeiros dias de vida, os recém-nascidos podem receber volume de leite equivalente a 10 a 15% de sua massa corporal por dia, o qual deve ser dividido e ofertado a cada 2 horas durante o dia, com dois intervalos de jejum de 4 horas, à noite. Com 5-7 dias de vida, o alimento pode ser oferecido a cada 4 horas ao longo do dia, com um intervalo de jejum de 6 horas durante a noite. Nessa fase, os filhotes devem receber leite em quantidades diárias equivalentes a 20-28% de seu peso corpóreo. Com duas semanas de vida, alguns alimentos sólidos, como brotos, alfafa, vegetais e frutas, podem ser ofertados em pequena quantidade. 13 14 A anta é um animal considerado herbívoro e frugívoro, alimentando-se principalmente de folhas verdes, sementes, talos, algas e capim quando adulto. De maneira gradativa, alguns itens alimentares podem ser acrescentados na dieta do filhote, conforme segue abaixo: 1. Folhas que podem ser ofertados na 10ª semana Embaúba, Braquiária-do-brejo, Alfafa, Capim-elefante, Mimosa sp. e Psidium sp. 2. Frutos que podem ser ofertados na 10ª semana Calophyllum brasiliense (GUANANDI), Hancornia speciosa (MANGABA), Mouriri elliptica (CROADINHA), Dimorphandra mollis (FAVA DE ANTA), Annona coriácea (ARITICUM), Allagoptera leucocalyx (PALMEIRA), Stryphnodendron adstringens (BARBATIMÃO), Guazuma ulmifolia (FRUTA-DE-MACACO), Ficus sp., Enterolobium contortisiliquum (TAMBORIL), Acrocomia aculeata (COCO-DE-ESPINHO), Alibertia edulis (MARMELADA), Annona cornifolia (ARATICUM-MIRIM), Smilax fluminensis (CIPÓ-QUINA), Zanthoxylum chiloperone (MAMIQUEIRA), Vitex cymosa (TARUMÃ), Dipteryx alata (BARU), Psidium sp. (ARAÇÁ), Mimosa sp. (DORMIDEIRA), Solanum viarum (JOÁ-BRAVO), Annona dioica (ARATICUM), Diospyros hispida (FRUTA-DE-BOI), Byrsonima orbignyana (CANJIQUEIRA). 15 Caso o filhote esteja bem adaptado e se desenvolvendo normalmente, a partir do décimo dia, o intervalo entre as mamadas pode ser ampliado para 6 horas durante o dia, e 8 a 10 horas à noite. A frequência de alimentação pode ser reduzida de acordo com o ganho de massa corporal, sendo necessário aumentar o volume de leite para suprir os requerimentos nutricionais do animal. Por este motivo, é imprescindível pesar o filhote diariamente e monitorar a taxa de crescimento para ajustar o volume e frequência de oferecimento do alimento. Os filhotes de anta crescem rapidamente e devem ter um ganho de massa corporal de 350 a 500 gramas por dia, dobrando seu peso dentro de 14 a 21 dias após o nascimento. O desmame ocorre entre 4 e 6 meses de idade e deve ser realizado gradativamente. Alguns filhotes aceitam o leite no pote, então, quando introduzir os alimentos sólidos, coloque o leite em um recipiente. EXEMPLO – PROTOCOLO UTILIZADO COM FILHOTES DE ANTA RESGATADOS DURANTE OS INCÊNDIOS DE 2020 NO PANTANAL (Faria, 2022 – DADOS NÃO PUBLICADOS). Para avaliação da dieta, foram utilizados os seguintes parâmetros: peso ao chegar para estimativa da idade, escore corporal e histórico clínico. Foram considerados, também, o leite disponível para o aleitamento, os frutos e os legumes de maior aceitação e a busca por fontes nativas de volumosos. A frequência da dieta e a frequência na pesagem variaram de acordo com a rotina de cada local. Por este motivo, apresenta-se aqui um resumo médio do manejo adotado nos diferentes locais. A fórmula utilizada para a necessidade energética diária foi 210 x (peso corporal) 0,75. O sucedâneo mais utilizado foi o leite de cabra (1,55 kcal/ml). Os animais foram pesados semanalmente e o ganho de peso variou entre 1 e 3 kg por semana. 16 17 A partir da 2ª semana de vida, foram inseridos itens sólidos como: ração para potro extrusada, frutas e legumes oferecidos com a casca, nativos e cultivados (ex. banana, mamão, cenoura, abóbora), além de fontes nativas de volumoso. Algumas das folhagens disponibilizadas foram: Embaúba (Cecropia sp.), Lixeira (Curatella sp.) e Braquiária do brejo (Brachiaria arrecta). A média calórica da dieta foi de 3.2 a 3.8 kcal/g de matéria seca. Além da dieta, foi utilizada suplementação para equinos em pasta (Organew®), durante as fases iniciais (primeiras 2 a 3 semanas). Toda a transição alimentar foi feita de forma gradativa para evitar cólicas e diarreias. 18 A tabelas abaixo apresentam o planejamento alimentar adotado para os filhotes. Os ajustes da dieta foram realizados a cada 7-10 dias. Semana Peso (kg) Itens alimentares % matéria seca/dia Frequência ao dia 1 até 16 Leite de cabra 100 5 – 6 2 – 6 16 – 20 Leite de cabra 80 4 – 5 Volumoso 10 2 Frutos/Legumes 5 2 Ração 5 2 7 – 15 20 – 40 Leite de cabra 60 3 – 4 Volumoso 20 2 Frutos/Legumes 10 2 Ração 10 2 Tabela 1. Planejamento alimentar adotado para filhotes da 1 - 15 semana. 19 Semana Peso (kg) Itens alimentares % matéria seca/dia Frequência ao dia 16 – 25 40 – 60 Leite de cabra 40 2 – 3 Volumoso 30 2 Frutos/Legumes 15 2 Ração 15 2 26 – 35 60 – 80 Leite de cabra 20 1 Volumoso 40 2 Frutos/Legumes 20 2 Ração 20 2 35 – 95 A partir de 80 Volumoso 65 2 Frutos/Legumes 10 2 Ração 25 2 Tabela 2. Planejamento alimentar adotado para filhotes da 16 - 95 semana. CUIDADOS VETERINÁRIOS O exame clínico é muito importante para detectar precocemente eventuais doenças ou problemas de saúde. Os filhotes devem ser submetidos a um exame físico geral nos três primeiros dias de vida e avaliados quanto ao seu estado geral, grau de hidratação, temperatura, coloração de mucosas, resposta de sucção, presenças de lesões, características das fezes, presença de fraturas, entre outros aspectos. Nesses animais, a veia jugular é geralmente o melhor local para punção venosa, caso seja necessário realizar coleta de sangue para exames laboratoriais. Em recém-nascidos, é necessário realizar a desinfecção do umbigo com solução de iodo a 2%, para prevenir onfaloflebite, infecção ou miíase no local. O iodo age secando o umbigo, mumificando e fazendo com que o coto caia, interrompendo a comunicação da cavidade intra-abdominal com o ambiente (Bertagnon, 2013). O método consiste em imergir o mesmo, em uma solução de iodo por 30 segundos, durante 3-4 dias. O umbigo também pode ser lavado com clorexidina, e podem ser utilizados sprays que possuem inseticidas como: diclorvos 1,7%, cipermetrina 0,4%, alumínio metálico 5% e sulfadiazina de prata 0,1%. A sulfadiazina de prata apresenta ação repelente impedindo que os ferimentos tratados sejam infestados pelas moscas que causam miíases. É importante também, manter o ambiente limpo, para impedir a proliferação bacteriana e contaminação do umbigo. 20 21 A maioria dos problemas de saúde que acometem os filhotes de antas ocorrem devido ao manejo inadequado durante seu desenvolvimento, e podem ser prevenidos ou até eliminados. Para isso, é imprescindíveloferecer uma dieta balanceada, substrato não abrasivo, acesso à sombra, aquecimento interno, condições sanitárias e principalmente conhecendo as particularidades da espécie. 22 Entre os principais agravos à saúde dos filhotes pode-se citar: 1. Agressão intra ou interespecífica 2. Deficiência nutricional 3. Doenças respiratórias (pneumonia por aspiração durante aleitamento artificial, afogamento, recinto sem proteção e aquecedor) 4. Hipotermia 5. Inchaços mandibulares 6. Infecções parasitárias 7. Isoeritrólise neonatal 8. Problemas gastrointestinais (cólica, prolapso retal, diarreia crônica, podendo estar associados a dietas inadequadas) 9. Problemas oculares (úlceras) e de pele 10. Problemas odontológicos 11. Septicemia 12. Trauma (devido a histórico de atropelamento da mãe) 13. Ulcerações e infecções do pé (devido ao piso e cama inadequados no recinto) NOTA: Tuberculose já foi registrada em alguns animais. Exames fecais devem ser feitos pelo menos duas vezes por ano. 23 INSTALAÇÕES O ambiente onde o filhote é criado é de extrema importância para seu bom desenvolvimento. Esse deve seguir padrões estabelecidos considerando as particularidades da espécie, evitando dessa forma problemas futuros de saúde para o animal. Tamanho dos recintos Cada recinto deve medir pelo menos 3,6 m x 4,5 m ou 17 m2 por animal, sendo conectados por portões deslizantes com pelo menos 1,52 m de largura. As paredes devem ter 2 metros de altura, podendo ser de madeira ou concreto. Piso e cama As superfícies do piso não devem ser muito ásperas/abrasivas para evitar problemas podais crônicos e laminites. Caso o local seja de concreto, o piso deve ser forrado com cama de feno ou tapetes de borracha para fornecer isolamento térmico e garantir uma superfície antiderrapante para o filhote conseguir se manter em estação. Serragem e maravalha devem ser evitadas, pois podem ser ingeridas pelo filhote e causar problemas gastrintestinais. O substrato deve resistir ao pisoteio, como solo natural, grama ou terra batida. 24 Temperatura interna Os recém-nascidos devem ser mantidos em um recinto aquecido (21-29°C), com abrigo e sombra. As instalações para acondicionar o filhote devem ser protegidas de fortes chuvas, o sol deve entrar pela manhã. Árvores, vegetação, tetos artificiais podem ser utilizados para criar sombra em recintos externos. Se o recinto não apresentar uma quantidade apropriada de sombra durante as horas mais quentes do dia, as antas devem ser direcionadas para as instalações internas com menor temperatura e sombra adequada. Recintos externos Devem ter substratos macios como terra afofada. Areia deve ser evitada, uma vez que a sua ingestão pode causar problemas digestivos como cólicas, impactação intestinal e obstruções intestinais. Água Água potável fresca deve estar disponível A todo momento. Se uma piscina não estiver disponível, os bebedouros devem ser protegidos para que não possam ser derrubados. 25 Entretanto, na primeira semana de vida, os filhotes de anta não devem ter acesso a uma piscina, devido ao risco de afogamento, pneumonia e óbito. Em seus ambientes naturais, as antas estão fortemente associadas a ambientes aquáticos e necessitam de recintos com tanques. Após os 2 meses de idade, o animal pode utilizar piscinas ou tanques com rampas de acesso, sempre sob supervisão e nos horários mais quentes do dia. Esse contato com a água permite que o animal desenvolva hábitos naturais, como nadar e defecar na água, sendo particularmente importante em regiões de climas quentes. A água deve ser limpa e renovada diariamente. Como mencionado anteriormente, quando esses animais não têm acesso a piscinas ou tanques, apresentam alto risco de prolapso retal. 26 27 MANEJO SANITÁRIO Para evitar o risco de contaminação, é muito importante a limpeza criteriosa de todo o material de preparo e fornecimento do leite (mamadeiras, bicos de borracha), seguindo os seguintes procedimentos: 1. Enxaguar a mamadeira, bicos, baldes e comedouros com água morna de forma a remover os contaminantes orgânicos (a água não pode ser muito quente, pois as moléculas dentro do objeto aderem as superfícies e acaba criando um biofilme, sendo difícil de ser removido posteriormente, abrigando as bactérias); 2. Mergulhar em água quente (60°C) com hipoclorito de sódio; 3. Esfregar com água morna e sabão dentro e fora do utensilio, utilizar escovas específicas para limpeza de mamadeiras e bicos; 4. Enxaguar com água morna e solução sanitizante ácida (vide modo de uso do fabricante) ou desinfetantes ácidos; 5. Deixar o objeto secar de cabeça pra baixo, escorrendo toda a água residual que ficou na parte de dentro, o ideal é deixá-lo em prateleiras, evitando empilhá-los. ESCOVA DE LIMPEZA 28 Durante a limpeza do recinto, o animal deve ser mantido no cambiamento. A retirada da cama, juntamente com as fezes e urina, deve ser realizada diariamente, para prevenir problemas pulmonares. A desinfecção pode ser realizada com desinfetantes contendo amônia (respeitando o tempo de ação de acordo com a recomendação do fabricante), sendo necessário enxaguar para remover quaisquer resíduos químicos antes do animal retornar ao recinto. 29 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AZA Tapir Taxon Advisory Group (TAG). 2013. Tapir (Tapiridae) Care Manual. Association of Zoos and Aquariums, United States. Barongi, R. 1999. Minimum husbandry standards: Tapiridae [Tapirs]. AZA Tapir TAG, United States. Paterson, J. 2014. Capture Myopathy. Zoo Animal and wildlife immobilization and anesthesia, 171–179. Ramos, C.A. 2019. Manual sobre alimentação de filhotes de animais silvestres. 1 Ed. Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil Simpson, W.J.; Archibald, J. L.; Giles, C.J. 2006. Protocol for assessing the sensitivity of hygiene test systems for live microorganisms and food residue. Report, United Kingdom. Soares, A.C.L. 2020. Cuidados fundamentais com neonatos bovinos: Revisão bibliográfica. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharel em Medicina Veterinária) - Centro Universitário do Planalto Central. Zorzi, B.T. 2009. Frugivoria por Tapirus terrestris em três regiões do Pantanal.