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Marcelle Almeida – Acadêmica de Direito – FDCL Direito de Sucessões Sucessão Espécies a) Quanto à fonte: Os bens recebidos por ocasião da su- cessão causa mortis têm como fonte uma transmissão legítima ou testamen- tária. - LEGÍTIMA (art. 1786) → pela ordem pa- rental, obedecida a ordem de voca- ção hereditária - TESTAMENTÁRIA (art. 1786) → por ocasião de testamento, quando o autor da he- rança define a quem seu patrimônio será transmitido. - LEGÍTIMA E TESTAMENTÁRIA → A sucessão pode ter ainda dupla fonte, quando o testador assim o desejar fazendo um testamento parcial, ou quando a lei o impedir de testar a totalidade, caso da existência de herdeiros necessário. Qualquer pessoa capaz, maior de 16 anos pode fazer testamento, no en- tanto, a lei veda àqueles que possuam herdeiros necessários (descendentes, ascendentes e cônjuge – art. 1845) a transmissão da totalidade do patrimô- nio. Quem tem herdeiros necessários só pode testar ao limite de 50% do patri- mônio, designado pela lei como “legí- tima”. b) Quanto aos efeitos: - SUCESSÃO A TÍTULO UNIVERSAL → quando o herdeiro recebe a totalidade dos bens ou uma cota-parte não identificada da totalidade do patrimônio, ou seja, uma fração ideal dentro do todo. Por exemplo, um pai morre deixando apenas dois filhos, cada um deles re- cebe ½ da casa por herança. Ou ainda, apenas um filho que recebe a totalidade do imóvel. Essa sucessão re- cebe por efeito o nome de sucessão a título universal (o todo ou uma cota parte do todo sem especificação de qual seria a parte, apenas a fração). Esse efeito pode ocorrer tanto na suces- são legitima quanto na sucessão testa- mentária, quando, por exemplo o tes- tador deixar 30% de seus bens para duas pessoas. Essas pessoas estarão re- cebendo uma fração ideal dentro do todo, pela sucessão testamentária. - SUCESSÃO A TÍTULO SINGULAR (LEGADO) → so- mente ocorre na sucessão testamentá- ria, posto que o que identifica a singu- laridade do bem a ser transmitido é o testamento. O herdeiro recebe um bem individualizado que recebe o nome de legado. Ainda que apenas um herdeiro receba mais de um le- gado, isso não desconfigura a sucessão a título singular. A singularidade se en- contra na individualização do bem, e não no número de bens. Por exemplo: José deixou, por testa- mento, a casa situada na rua “tal” nº “1” para Marcela. Marcela recebeu pela sucessão testamentária a título sin- gular. Se José tivesse deixado duas ou mais casas, ainda assim Marcela rece- beria a título singular. Atente-se para o fato de que na sucessão a título singular o bem é individualizado, em razão disso esse efeito só é produzido pela suces- são testamentária. Podemos ter sucessão legítima e testamentária para um mesmo morto. A sucessão a título universal pode ocorrer tanto da sucessão legí- tima quanto na testamentária. Marcelle Almeida – Acadêmica de Direito – FDCL A sucessão a título singular so- mente ocorre na sucessão testa- mentária. Um mesmo herdeiro pode rece- ber em uma mesma sucessão pela sucessão legítima e testa- mentária. ______________________________________ Abertura de sucessão A morte, a abertura da sucessão e a transmissão da herança ocorrem a um só tempo. (art.1784). Princípio de saisine, palavra de origem francesa que significa agarrar, prender, apoderar-se. Esse princípio consagra uma ficção. Conforme falado na aula anterior, há a necessidade de se decla- rar a imediata transferência dos bens do falecido para que os bens não fi- quem sem titularidade por ocasião da morte e consequente perda da perso- nalidade jurídica do titular. Transmissão da herança ≠ transmissão da propriedade HERANÇA = acervo hereditário = ativo e passivo do morto O lugar do último domicílio do falecido é considerado como o lugar da aber- tura da sucessão, e, por consequência tem o foro competente para processa- mento do inventário. (art. 1785) A lei em vigor no momento da abertura da sucessão regula a sucessão e a legi- timação para suceder. (art. 1787). ______________________________________ Administração da Herança HERANÇA é o conjunto de direitos e de- veres que se transmite aos herdeiros le- gítimos ou testamentários, por ocasião da morte, exceto se forem personalíssi- mos ou inerentes à pessoa do de cujus. NATUREZA JURÍDICA DA HERANÇA. A sucessão aberta é considerada um bem imóvel por determinação legal (art. 80, II, do CC). INDIVISIBILIDADE DA HERANÇA. A herança constitui uma universalidade de direito (art. 91, do CC), sendo considerada in- divisível também por força de lei, pois conforme o art. 1791, “a herança de- fere-se como um todo unitário, ainda que vários sejam os herdeiros”. Por se tratar de bem indivisível, os her- deiros serão coerdeiros até que ocorra a partilha, havendo, portanto, um re- gime de condomínio fechado, indivisí- vel (semelhante a condôminos, mas não se pode falar em condomínio por- que não existe ainda propriedade). Da abertura da sucessão até o com- promisso do inventariante (no processo de inventário) o acervo hereditário terá um administrador provisório (art. 1797); que, bem como o inventariante velará pela sua guarda e manutenção até que seja feita a partilha. ______________________________________ Cessão de Direitos Hereditários (ou Cessão de Herança) “É certo e incontroverso que a herança é um valor jurídico com visível conteúdo patrimonial, mesmo não havendo indi- vidualização da cota-parte que cabe a cada um dos sucessores, uma vez que se trata de um bem universal e in- divisível. E, como todos os bens jurídicos são patrimoniais, comportam circula- ção jurídica, podendo ser objeto de co- mercialização pelo seu titular. Exatamente por se tratar de um bem ju- rídico de valor econômico, é admissível a transmissão da herança, por meio de negócio jurídico denominado cessão de direitos hereditários ou cessão de herança”. Marcelle Almeida – Acadêmica de Direito – FDCL A cessão de direitos hereditários, por- tanto, é o contrato bilateral, gratuito ou oneroso que um herdeiro realiza com uma pessoa, tendo por objeto a cota- parte da herança, da qual é titular. É bom frisar que o objeto da cessão de direitos hereditários não é, e não pode ser, a qualidade de herdeiro, posto que essa tem natureza personalíssima, mas tão somente o direito patrimonial ori- undo de determinada sucessão aberta. Se o herdeiro desejar transferir o seu qui- nhão hereditário (parte da universali- dade), deverá fazê-lo por forma pú- blica, não necessitando de autorização judicial para que essa disposição pro- duza efeitos. A cessão pode ser gratuita ou onerosa. Sendo onerosa há o direito de preferên- cia entre os coerdeiros. Ainda no artigo 1793, o parágrafo pri- meiro contempla a “substituição” e o “direito de acrescer” DIREITO DE ACRESCER: José falece deixando como patrimônio uma casa e como herdeiros apenas três filhos: A, B e C. Com a abertura da Sucessão de José A pode fazer uma cessão de direitos he- reditários (ou seja, transferir a parte que lhe cabe no acervo hereditário de José, a título oneroso ou gratuito). E ele assim o faz. Antes de terminado o inventário de José, B falece, sem deixar descen- dentes. Sendo assim a parte que lhe ca- beria passará para A e C. Quando A re- alizou a Cessão de Direitos Hereditários sua cota parte era uma, no entanto, por ocasião da morte de B sua cota parte foi acrescida. Esse acréscimo não está compreendido na cessão. SUBSTITUIÇÃO VULGAR: Uma pessoa pode, por testamento, fazer uma deixa em fa- vor de alguém, já designando um subs- tituto para o caso de o herdeiro originá- rio renunciar, no caso de pré-morte, ou de exclusão da sucessão (indignidade e deserdação – tópicos ainda a serem estudados). ______________________________________Lei seca LIVRO V Do Direito das Sucessões TÍTULO I Da Sucessão em Geral CAPÍTULO I Disposições Gerais Art. 1.784. Aberta a sucessão, a herança trans- mite-se, desde logo, aos herdeiros legítimos e testamentários. Art. 1.785. A sucessão abre-se no lugar do úl- timo domicílio do falecido. Art. 1.786. A sucessão dá-se por lei ou por dis- posição de última vontade. Art. 1.787. Regula a sucessão e a legitimação para suceder a lei vigente ao tempo da abertura daquela. Art. 1.788. Morrendo a pessoa sem testamento, transmite a herança aos herdeiros legítimos; o mesmo ocorrerá quanto aos bens que não forem compreendidos no testamento; e subsiste a su- cessão legítima se o testamento caducar, ou for julgado nulo. Art. 1.789. Havendo herdeiros necessários, o testador só poderá dispor da metade da herança. Art. 1.790. A companheira ou o companheiro participará da sucessão do outro, quanto aos bens adquiridos onerosamente na vigência da união estável, nas condições seguintes: (Vide Recurso Extraordinário nº 646.721) (Vide Re- curso Extraordinário nº 878.694) I - se concorrer com filhos comuns, terá direito a uma quota equivalente à que por lei for atribu- ída ao filho; II - se concorrer com descendentes só do autor da herança, tocar-lhe-á a metade do que couber a cada um daqueles; III - se concorrer com outros parentes sucessí- veis, terá direito a um terço da herança; IV - não havendo parentes sucessíveis, terá di- reito à totalidade da herança. http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?incidente=4100069 http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?incidente=4100069 http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?incidente=4744004 http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?incidente=4744004 Marcelle Almeida – Acadêmica de Direito – FDCL CAPÍTULO II Da Herança e de sua Administração Art. 1.791. A herança defere-se como um todo unitário, ainda que vários sejam os herdeiros. Parágrafo único. Até a partilha, o direito dos co- herdeiros, quanto à propriedade e posse da he- rança, será indivisível, e regular-se-á pelas nor- mas relativas ao condomínio. Art. 1.792. O herdeiro não responde por encar- gos superiores às forças da herança; incumbe- lhe, porém, a prova do excesso, salvo se houver inventário que a escuse, demostrando o valor dos bens herdados. Art. 1.793. O direito à sucessão aberta, bem como o quinhão de que disponha o co-herdeiro, pode ser objeto de cessão por escritura pública. § 1 o Os direitos, conferidos ao herdeiro em con- seqüência de substituição ou de direito de acres- cer, presumem-se não abrangidos pela cessão feita anteriormente. § 2 o É ineficaz a cessão, pelo co-herdeiro, de seu direito hereditário sobre qualquer bem da he- rança considerado singularmente. § 3 o Ineficaz é a disposição, sem prévia autori- zação do juiz da sucessão, por qualquer her- deiro, de bem componente do acervo hereditá- rio, pendente a indivisibilidade. Art. 1.794. O co-herdeiro não poderá ceder a sua quota hereditária a pessoa estranha à sucessão, se outro co-herdeiro a quiser, tanto por tanto. Art. 1.795. O co-herdeiro, a quem não se der co- nhecimento da cessão, poderá, depositado o preço, haver para si a quota cedida a estranho, se o requerer até cento e oitenta dias após a trans- missão. Parágrafo único. Sendo vários os co-herdeiros a exercer a preferência, entre eles se distribuirá o quinhão cedido, na proporção das respectivas quotas hereditárias. Art. 1.796. No prazo de trinta dias, a contar da abertura da sucessão, instaurar-se-á inventário do patrimônio hereditário, perante o juízo com- petente no lugar da sucessão, para fins de liqui- dação e, quando for o caso, de partilha da he- rança. Art. 1.797. Até o compromisso do inventariante, a administração da herança caberá, sucessiva- mente: I - ao cônjuge ou companheiro, se com o outro convivia ao tempo da abertura da sucessão; II - ao herdeiro que estiver na posse e adminis- tração dos bens, e, se houver mais de um nessas condições, ao mais velho; III - ao testamenteiro; IV - a pessoa de confiança do juiz, na falta ou escusa das indicadas nos incisos antecedentes, ou quando tiverem de ser afastadas por motivo grave levado ao conhecimento do juiz. CAPÍTULO III Da Vocação Hereditária Art. 1.798. Legitimam-se a suceder as pessoas nascidas ou já concebidas no momento da aber- tura da sucessão. Art. 1.799. Na sucessão testamentária podem ainda ser chamados a suceder: I - os filhos, ainda não concebidos, de pessoas indicadas pelo testador, desde que vivas estas ao abrir-se a sucessão; II - as pessoas jurídicas; III - as pessoas jurídicas, cuja organização for determinada pelo testador sob a forma de funda- ção. Art. 1.800. No caso do inciso I do artigo antece- dente, os bens da herança serão confiados, após a liquidação ou partilha, a curador nomeado pelo juiz. § 1 o Salvo disposição testamentária em contrá- rio, a curatela caberá à pessoa cujo filho o testa- dor esperava ter por herdeiro, e, sucessivamente, às pessoas indicadas no art. 1.775. § 2 o Os poderes, deveres e responsabilidades do curador, assim nomeado, regem-se pelas dispo- sições concernentes à curatela dos incapazes, no que couber. § 3 o Nascendo com vida o herdeiro esperado, ser-lhe-á deferida a sucessão, com os frutos e rendimentos relativos à deixa, a partir da morte do testador. § 4 o Se, decorridos dois anos após a abertura da sucessão, não for concebido o herdeiro espe- rado, os bens reservados, salvo disposição em contrário do testador, caberão aos herdeiros le- gítimos. Art. 1.801. Não podem ser nomeados herdeiros nem legatários: Marcelle Almeida – Acadêmica de Direito – FDCL I - a pessoa que, a rogo, escreveu o testamento, nem o seu cônjuge ou companheiro, ou os seus ascendentes e irmãos; II - as testemunhas do testamento; III - o concubino do testador casado, salvo se este, sem culpa sua, estiver separado de fato do cônjuge há mais de cinco anos; IV - o tabelião, civil ou militar, ou o comandante ou escrivão, perante quem se fizer, assim como o que fizer ou aprovar o testamento. Art. 1.802. São nulas as disposições testamentá- rias em favor de pessoas não legitimadas a suce- der, ainda quando simuladas sob a forma de con- trato oneroso, ou feitas mediante interposta pes- soa. Parágrafo único. Presumem-se pessoas interpos- tas os ascendentes, os descendentes, os irmãos e o cônjuge ou companheiro do não legitimado a suceder. Art. 1.803. É lícita a deixa ao filho do concu- bino, quando também o for do testador. CAPÍTULO IV Da Aceitação e Renúncia da Herança Art. 1.804. Aceita a herança, torna-se definitiva a sua transmissão ao herdeiro, desde a abertura da sucessão. Parágrafo único. A transmissão tem-se por não verificada quando o herdeiro renuncia à herança. Art. 1.805. A aceitação da herança, quando ex- pressa, faz-se por declaração escrita; quando tá- cita, há de resultar tão-somente de atos próprios da qualidade de herdeiro. § 1 o Não exprimem aceitação de herança os atos oficiosos, como o funeral do finado, os mera- mente conservatórios, ou os de administração e guarda provisória. § 2 o Não importa igualmente aceitação a cessão gratuita, pura e simples, da herança, aos demais co-herdeiros. Art. 1.806. A renúncia da herança deve constar expressamente de instrumento público ou termo judicial. Art. 1.807. O interessado em que o herdeiro de- clare se aceita, ou não, a herança, poderá, vinte dias após aberta a sucessão, requerer ao juiz prazo razoável, não maior de trinta dias, para, nele, se pronunciar o herdeiro, sob pena de se haver a herança por aceita. Art. 1.808. Não se pode aceitar ou renunciar a herança em parte, sob condiçãoou a termo. § 1 o O herdeiro, a quem se testarem legados, pode aceitá-los, renunciando a herança; ou, acei- tando-a, repudiá-los. § 2 o O herdeiro, chamado, na mesma sucessão, a mais de um quinhão hereditário, sob títulos su- cessórios diversos, pode livremente deliberar quanto aos quinhões que aceita e aos que renun- cia. Art. 1.809. Falecendo o herdeiro antes de decla- rar se aceita a herança, o poder de aceitar passa- lhe aos herdeiros, a menos que se trate de voca- ção adstrita a uma condição suspensiva, ainda não verificada. Parágrafo único. Os chamados à sucessão do herdeiro falecido antes da aceitação, desde que concordem em receber a segunda herança, pode- rão aceitar ou renunciar a primeira. Art. 1.810. Na sucessão legítima, a parte do re- nunciante acresce à dos outros herdeiros da mesma classe e, sendo ele o único desta, de- volve-se aos da subsequente. Art. 1.811. Ninguém pode suceder, represen- tando herdeiro renunciante. Se, porém, ele for o único legítimo da sua classe, ou se todos os ou- tros da mesma classe renunciarem a herança, po- derão os filhos vir à sucessão, por direito pró- prio, e por cabeça. Art. 1.812. São irrevogáveis os atos de aceitação ou de renúncia da herança. Art. 1.813. Quando o herdeiro prejudicar os seus credores, renunciando à herança, poderão eles, com autorização do juiz, aceitá-la em nome do renunciante. § 1 o A habilitação dos credores se fará no prazo de trinta dias seguintes ao conhecimento do fato. § 2 o Pagas as dívidas do renunciante, prevalece a renúncia quanto ao remanescente, que será de- volvido aos demais herdeiros. ______________________________________