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TEXTO: INTRODUÇÃO À QUALIDADE DO AR E LEGISLAÇÃO APLICADA 
 
1 
 
INTRODUÇÃO À QUALIDADE DO AR E LEGISLAÇÃO APLICADA 
 
POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA 
 
ATMOSFERA 
A atmosfera é uma camada de ar formada por uma mistura de gases com espessura de 800 km que 
envolve completamente o planeta Terra e representa essencialmente uma mistura de nitrogênio e 
oxigênio. A atmosfera controla as condições de temperatura da superfície da Terra por meio de (i) 
absorção da radiação ultravioleta solar e (ii) manutenção das propriedades de “estufa”. 
 
A atmosfera é dividida comumente em cinco camadas: troposfera, estratosfera, mesosfera, termosfera - 
também conhecida como ionosfera - e exosfera (SENAI, 2014). 
 
COMPOSIÇÃO DA ATMOSFERA 
 
A atmosfera terrestre é composta basicamente de uma mistura de gases, sendo 78% de Nitrogênio, 21% 
de Oxigênio e 1% de Argônio. Além desses, são encontrados traços de neônio (Ne), hélio (He), criptônio 
(Cr), xenônio (Xe), hidrogênio (H2), metano (CH4), ozônio (O3) e dióxido de nitrogênio (NO2). 
 
ESTRUTURA DA ATMOSFERA 
A atmosfera é dividida em cinco camadas: troposfera, estratosfera, mesosfera, termosfera e exosfera, 
apresentadas na figura 1. Seguem as principais características de cada uma dessas camadas. 
TROPOSFERA 
10 a 12 km de altitude acima da superfície (varia a espessura conforme latitude e época do ano); 
O ar atmosférico encontra-se na sua maioria (90%) nessa camada; Temperatura diminui com o 
aumento da altitude; 
Onde ocorrem os fenômenos climáticos da Terra (chuvas, geadas, ventos, neves, furacões entre 
outros). 
ESTRATOSFERA 
 Camada mais espessa de ozônio que protege a Terra das radiações ultravioleta do sol; 
Temperatura se eleva com o aumento da altitude. 
MESOSFERA 
Forte decréscimo da temperatura (temperaturas mais baixas da atmosfera); 
Ausência da absorção da radiação eletromagnética, ou por falta de espécies químicas que absorvem 
radiação, ou porque a radiação foi absorvida na termosfera. 
TEXTO: INTRODUÇÃO À QUALIDADE DO AR E LEGISLAÇÃO APLICADA 
 
2 
 
TERMOSFERA OU IONOSFERA 
Temperatura volta a crescer em função da altitude; Importante para as telecomunicações. 
EXOSFERA 
Camada superior da atmosfera, fica a mais ou menos 900 km acima da Terra; 
Ar muito rarefeito e as moléculas de gás se transformam em íons. 
 
 
 
Figura 1: Camadas da atmosfera 
 
Figura 2: Concentrações e Efeitos do Ozônio em diferentes altitudes 
 
DEFINIÇÃO DE POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA 
Qualquer forma de matéria em quantidade, concentração, tempo ou outras características, que tornem 
ou possam tornar o ar impróprio ou nocivo à saúde, inconveniente ao bem-estar público, danoso aos 
materiais, à fauna e flora, ou prejudicial à segurança, ao uso e gozo da propriedade ou às atividades 
normais da comunidade (CONAMA, 2025). 
 
GRANDES EPISÓDIOS DE POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA 
Bélgica, no vale do Rio Meuse, 1930 
No início do século 20, a região compreendida entre as cidades de Huy e Liége era famo- sa pelo seu 
grande parque industrial. Em dezembro de 1930, com condições meteorológi- cas desfavoráveis 
associadas à grande quantidade de gases lançados na atmosfera pelas indústrias, uma espessa névoa 
cobriu essa zona industrial e a população foi acometida por sintomas como tosse, dores no peito, 
dificuldade em respirar, irritação na mucosa nasal e olhos. Ao final de cinco dias, cerca de 60 pessoas 
haviam morrido - a maioria idosos ou com doenças cardíacas ou pulmonares - e centenas de outras 
pessoas ficaram enfermas, como decorrência da combinação de vários poluentes gasosos associados à 
TEXTO: INTRODUÇÃO À QUALIDADE DO AR E LEGISLAÇÃO APLICADA 
 
3 
 
alta umidade relativa do ar. Foram formadas substâncias altamente tóxicas, como por exemplo o ácido 
sulfúrico (ALMEIDA, s.d.). 
Donora, Pensilvânia, Estados Unidos, 1948 
Um severo episódio de poluição atmosférica ocorreu em Donora, na Pensilvânia, no perí- odo de 25 a 
31 de outubro de 1948, devido às emissões de SO2, material particulado e CO, provenientes de fontes 
próximas à cidade. O episódio foi agravado por condições meteoro- lógicas adversas e causou a morte 
de 20 pessoas. 
Smog em Londres, 1952 
Um grave evento de poluição do ar afetou a capital britânica no início de dezembro de 1952. Condições 
meteorológicas adversas combinadas com as emissões geradas pelas in- dústrias e pelos aquecedores 
domiciliares, que usavam carvão como combustível, forma- ram uma espessa camada de poluentes sobre 
a cidade. Foi possível verificar relação entre o aumento da concentração desses poluentes e o número de 
óbitos registrados. Relatórios médicos do governo nas semanas seguintes ao episódio estimaram que 
4.000 pessoas morreram como resultado direto da poluição e mais de 100.000 ficaram doentes pelos 
efeitos da poluição no trato respiratório. 
Esses episódios foram denominados “big three”, e todos coincidiram com condi- ções meteorológicas 
conhecidas como inversão térmica. Normalmente, as massas de ar quente, localizadas próximo da 
superfície da terra, sobem; e o ar mais frio, prove- niente das camadas mais altas da atmosfera, desce, 
criando uma circulação natural que dispersa os poluentes atmosféricos. O fenômeno de inversão térmica 
ocorre quan- do o ar, nas camadas mais baixas da atmosfera, torna-se mais frio do que o ar sobre elas. 
A ineficiente circulação natural do ar prejudica a dispersão, o que mantém os po- luentes atmosféricos 
próximos ao solo, causando aumento significativo das concentra- ções e, consequentemente, episódios 
críticos de qualidade do ar. (STERN, et al., 1984). 
Cubatão, 1980 
No Brasil, em 1980, as indústrias localizadas em Cubatão (SP) lançavam no ar toneladas de partículas e 
gases tóxicos por dia na Vila Parisi, área residencial de baixa renda próxima a indústrias de petróleo, de 
fertilizantes e de metais. Crianças nasciam com graves malformações nos membros e no sistema nervoso 
e pelo menos 37 já nasceram mortas devido a problemas como a anencefalia - falta de cérebro. Apontada 
pela ONU como a cidade “mais poluída do mundo”, Cubatão ficou conhecida mundialmente como “Vale 
da Morte”. Além do ar, as indústrias também contaminavam a água e o solo da região, trazendo chuvas 
ácidas e deslizamentos na Serra do Mar (COSTA, 2017). 
 
 
 
TEXTO: INTRODUÇÃO À QUALIDADE DO AR E LEGISLAÇÃO APLICADA 
 
4 
 
POLUENTES ATMOSFÉRICOS 
Existem dois tipos de fontes de emissões de poluentes para a atmosfera: 
Emissões naturais 
Spray marinho, erupções vulcânicas, processos biológicos etc. Um vulcão em erupção emite 
material particulado e gases, como por exemplo: SO2 , CO2 e metano, que podem impactar o meio 
ambiente mesmo a distâncias consideráveis da fonte vulcânica. Esses poluentes podem permanecer 
na atmosfera durante longos períodos. A figura 2 mostra o Monte Saint Helens (Washington, 
USA), durante erupção em 1980. 
 
Figura 3: Saint Helens (Washington, USA), durante erupção em 1980 
 
Emissões antropogênicas 
São provenientes de atividades humanas, como indústrias, transporte e geração de energia. 
 
CLASSIFICAÇÃO DOS POLUENTES CONFORME SUA EMISSÃO 
 
➢ Emissões primárias 
➢ Poluentes emitidos diretamente pelas fontes para a atmosfera: SO2; NO2 etc. 
➢ Emissões primárias 
➢ Poluentes formados na atmosfera a partir da emissão de seus precursores: O3, aldeídos, H2SO4 
etc. 
Os poluentes reagem física e quimicamente na atmosfera, convertendo-se, às vezes, em outras formas 
ainda mais danosas, como, por exemplo, o ozônio - um composto formado na atmosfera a partir de 
hidrocarbonetos, óxidos de nitrogênio (NOx) e luz solar. 
TEXTO: INTRODUÇÃO À QUALIDADE DO AR E LEGISLAÇÃO APLICADA 
 
5 
 
A análise das emissões procedentes de várias fontes proporciona informações sobre o tipo e a quantidade 
de poluentes primários emitidos por essas fontes, geralmente em termos de es- pécie química e de seu 
estado físico. 
 
CLASSIFICAÇÃO DOS POLUENTES ATMOSFÉRICOS CONFORME ESTADOFÍSICO 
Os poluentes atmosféricos podem ser classificados em três categorias principais com base em seu estado 
físico: 
Material Particulado (MP): Este grupo inclui partículas sólidas e líquidas suspensas no ar, como 
poeira, fumaça, fuligem e aerossóis. O MP pode ser ainda subdividido em: 
✓ Partículas Totais em Suspensão (PTS): Inclui todas as partículas presentes no ar, 
independentemente do tamanho. 
✓ Partículas Inaláveis (MP10): Partículas com diâmetro aerodinâmico igual ou inferior a 10 
micrômetros, capazes de atingir as vias respiratórias superiores. 
✓ Partículas Inaláveis Finas (MP2,5): Partículas com diâmetro aerodinâmico igual ou 
inferior a 2,5 micrômetros, capazes de atingir as vias respiratórias inferiores e o sistema 
circulatório. 
✓ Fumaça (FMC): Material particulado fino, resultante da combustão incompleta. 
 
Gases: Poluentes que se apresentam em estado gasoso, como dióxido de enxofre (SO2), dióxido de 
nitrogênio (NO2), monóxido de carbono (CO) e ozônio (O3). 
Vapores: Substâncias que evaporam facilmente e se apresentam em estado gasoso à temperatura 
ambiente, como alguns compostos orgânicos voláteis (COV). 
 
CATEGORIAS DE FONTES DE EMISSÃO 
Fontes Pontuais 
Também conhecidas como fontes fixas ou estacionárias – incluem refinarias, indústrias químicas, 
indústrias metalúrgicas, dentre outras. Os poluentes são emitidos por chaminés, vents (dutos de 
ventilação de processo) e flares (tochas que queimam correntes gasosas industriais em situação de 
emergência, como queda de energia). 
Fontes móveis 
Não se encontram fixas em um local. Referem-se aos meios de transporte, 
sendo: 
Fontes móveis rodoviárias 
São as emissões devido à queima de combustíveis por veículos que circulam nas ruas e 
rodovias, por exemplo: carros, motos e caminhões; 
Fontes móveis não rodoviárias 
São os outros meios de transporte, com exceção de veículos que trafegam em rodovias. Incluem 
aviões, barcos, locomotivas etc. 
TEXTO: INTRODUÇÃO À QUALIDADE DO AR E LEGISLAÇÃO APLICADA 
 
6 
 
Fontes de emissões fugitivas 
São as emissões atmosféricas resultantes de vazamentos em tubulações e equipamentos, tais 
como: suspiros de tanques de estocagem de produtos químicos; emissões em gaxetas (aneis de 
vedação), bombas, válvulas e flanges; e pontos de tomada de amostra nas indústrias. 
Fontes volumes 
São fontes tridimensionais de emissão. Essencialmente são fontes áreas com a terceira 
dimensão (altura). Exemplo de fontes volumes: tanques de estocagem de produtos líquidos e 
esteiras transportadoras (STERN, et al., 1984). 
 
PRINCIPAIS POLUENTES ATMOSFÉRICOS 
Existem milhares de compostos químicos considerados poluentes atmosféricos, porém não é possível 
medir nem estudar todos eles. Desta forma e baseados em estudos científicos de toxicidade, os órgãos 
reguladores internacionais regulamentaram apenas alguns poluentes atmosféricos. Entre eles, destacam-
se: 
➢ Monóxido de carbono (CO): combustão incompleta; 
➢ Dióxido de enxofre (SO2): queima de combustível contendo enxofre (S); 
➢ Dióxido de nitrogênio (NO2): processos de combustão; 
➢ Ozônio troposférico (O3); 
➢ Materiais particulados e; 
➢ Chumbo (Pb). 
A medição sistemática da qualidade do ar é, portanto, restrita a alguns poluentes, definidos em razão de 
sua importância e dos recursos disponíveis para seu acompanhamento (CETESB, s.d.). 
A interação entre as fontes de poluição e a atmosfera vai definir o nível de qualidade do ar, que 
determina, por sua vez, o surgimento de efeitos adversos da poluição do ar sobre os receptores, que 
podem ser o homem, os animais, as plantas e os materiais (CETESB, s.d.). 
A seguir são fornecidas mais informações sobre os poluentes atmosféricos de maior relevância: 
Ozônio (O3) 
Composto por três átomos de oxigênio, o ozônio (O3) é um dos poluentes atmosféricos que causam 
mais danos à saúde humana. Por isso, sua presença no ar ambiente é atualmente uma das maiores 
preocupações quando se trata da qualidade do ar, principalmente nos grandes centros urbanos e 
suas proximidades, uma vez que são os veículos e as indústrias que emitem seus precursores - 
Compostos Orgânicos Voláteis e Óxidos de Nitrogênio. 
O ozônio é um gás reativo e oxidante, presente tanto na estratosfera quanto na troposfera. A figura 
4 apresenta essa distribuição nas duas camadas. O ozônio é um componente natural na estratosfera 
e funciona como uma barreira para os raios ultravioleta. Porém, próximo da superfície, onde é 
produzido através de vários mecanismos, ele é muito prejudicial à saúde e ao meio ambiente. É 
um poluente de difícil controle, devido à complexidade de sua formação. A troposfera possui 
apenas 10% do ozônio total da atmosfera. É na estratosfera que são encontradas as altas 
concentrações de O3 (NEVES, 2010). 
TEXTO: INTRODUÇÃO À QUALIDADE DO AR E LEGISLAÇÃO APLICADA 
 
7 
 
 
Figura 4:Concentrações e Efeitos do Ozônio em diferentes altitudes 
* Fonte: Fonte: Slanina, Sjaak 2003 apud Neves, 2009 
 
Material Particulado (MP) 
O material particulado é composto de uma mistura de partículas sólidas, inclusive metais e 
gotículas líquidas encontradas no ar. Algumas partículas, como poeira, sujeira, fuligem ou fumaça, 
são grandes ou escuras o suficiente para serem vistas a olho nu. Outras são tão pequenas que só 
podem ser detectadas com um microscópio eletrônico. 
 
A poluição por partículas inclui: 
➢ Partículas Totais em Suspensão: compreende as partículas cujo diâmetro aerodinâmico é 
menor ou igual a 50 µm. Elas não conseguem penetrar no nosso sistema respiratório. 
➢ MP10: partículas inaláveis, com diâmetro menor que 10 micrômetros; e 
➢ MP2,5: partículas inaláveis finas, com diâmetro menor que 2,5 micrômetros. 
As partículas inaláveis (MP10 e MP2,5) conseguem penetrar no nosso sistema respiratório, causando 
sérios impactos à nossa saúde, principalmente as partículas menores, pois conseguem alcançar as regiões 
mais internas do pulmão, como os alvéolos. Quanto menor o tamanho da partícula, maior a probabilidade 
de causar danos à saúde, devido à maior facilidade em penetrar o organismo pelas vias aéreas, podendo 
chegar até a corrente sanguínea. A figura 5 apresenta os impactos dos poluentes nas diferentes regiões 
do pulmão. 
TEXTO: INTRODUÇÃO À QUALIDADE DO AR E LEGISLAÇÃO APLICADA 
 
8 
 
 
Figura 5: Penetração das partículas de diferentes diâmetros no sistema respiratório 
 
Essas partículas existem em muitos tamanhos e formas e podem ser compostas por centenas de 
substâncias químicas diferentes. Por isso causam sérios impactos à nossa saúde (EPA, s.d.). Algumas 
são emitidas diretamente de uma fonte de emissão, tais como: canteiros de obras, estradas não 
pavimentadas, chaminés ou queimadas. A maioria das partículas se forma na atmosfera como resultado 
de reações complexas a partir de compostos químicos, como dióxido de enxofre e óxidos de nitrogênio, 
que são poluentes emitidos por usinas termoelétricas, indústrias e automóveis (EPA, s.d.). 
 
Monóxido de Carbono (CO) 
O monóxido de carbono (CO) é um gás incolor e inodoro que pode ser prejudicial quando inalado 
em grandes quantidades. É formado por um átomo de carbono e um de oxigênio, sendo liberado 
durante a queima de combustíveis contendo carbono. As maiores fontes de CO 
 
são os carros, caminhões e outros veículos ou máquinas que queimam combustíveis (EPA, s.d.). 
 
Respirar o ar com uma alta concentração de CO reduz a quantidade de oxigênio que pode ser 
transportado na corrente sanguínea para órgãos essenciais como o coração e o cérebro (EPA, s.d.). A 
exposição à altas concentrações de CO pode causar tontura, confusão, inconsciência e até morte (EPA, 
TEXTO: INTRODUÇÃO À QUALIDADE DO AR E LEGISLAÇÃO APLICADA 
 
9 
 
s.d.). Com o avanço das tecnologias de controle das emissões veiculares, os níveis de CO reduziram-se 
muito, principalmente nos grandes centros urbanos. 
 
Dióxido de Enxofre (SO2) 
Compostopor um átomo de enxofre e dois de oxigênio, o dióxido de enxofre é liberado para a 
atmosfera por fontes naturais, como por exemplo, erupções vulcânicas e por fontes antropogênicas, 
principalmente as relacionadas com atividades industriais que processam combustíveis contendo 
enxofre, como termelétricas, fabricação de fertilizantes, fundição de alumínio e aço, produção de 
ácido sulfúrico e papel (CETESB, 2012). 
 
O SO2 também está presente na emissão veicular como resultado da queima de combustíveis fósseis que 
possuem enxofre em sua composição. Da mesma forma que o CO, a concentração ambiental do SO2 
vem decrescendo em razão do maior controle das emissões e da redução no teor de enxofre nos 
combustíveis (CETESB, 2012). 
O SO2 presente na atmosfera pode levar à formação de chuva ácida e é precursora dos sulfatos, um dos 
principais componentes das partículas inaláveis (MP10). Os sulfatos incorporados aos aerossóis são 
associados à acidificação de corpos d’água, redução da visibilidade, corrosão de edificações, 
monumentos, estruturas metálicas e condutores elétricos (CETESB, 2012). 
A exposição de curto prazo ao SO2 pode prejudicar o sistema respiratório e dificultar a respiração. 
Pessoas com asma, principalmente crianças, são mais sensíveis a esses efeitos (CETESB, 2012). 
 
Dióxido de Nitrogênio (NO2) 
O dióxido de nitrogênio faz parte de um grupo de gases altamente reativos conhecidos como óxidos 
de nitrogênio (NOx). Outros óxidos de nitrogênio incluem ácido nitroso e ácido nítrico. O NO2 é 
usado como o indicador para o grupo maior de óxidos de nitrogênio (EPA, s.d.). 
O NO2 se forma a partir da combustão de combustíveis em carros, caminhões, ônibus, usinas 
termoelétricas e equipamentos off-road devido à queima de combustível. O NO2 possui um átomo de 
nitrogênio e dois de oxigênio. Mesmo o gás natural, que é um combustível mais limpo, emite grandes 
quantidades de NO2 na queima, por isso é necessário controlar essas emissões usando queimadores “Low 
NOx”, dentre outros sistemas de controle disponíveis. 
Exposições a concentrações elevadas de NO2 podem contribuir para o desenvolvimento de asma e, 
potencialmente, aumentar a suscetibilidade a infecções respiratórias. Exposições por curtos períodos 
também podem agravar doenças respiratórias,particularmente asma, levando a sintomas, tais como: 
tosse, respiração ofegante ou dificuldade respiratória (EPA, s.d.). 
O NO2 pode, ainda, reagir com outros compostos no ar, por meio de reações fotoquímicas, formando o 
ozônio troposférico. Ambos também são prejudiciais quando inalados devido aos seus efeitos no sistema 
respiratório (EPA, s.d.). 
 Fumaça (FMC) 
A fumaça está associada ao material particulado suspenso na atmosfera proveniente dos processos 
de combustão. O método de determinação da fumaça é baseado na medida de refletância da luz 
TEXTO: INTRODUÇÃO À QUALIDADE DO AR E LEGISLAÇÃO APLICADA 
 
10 
 
que incide na poeira (coletada em um filtro). Esse parâmetro está diretamente relacionado ao teor 
de fuligem na atmosfera (CETESB, s.d.). 
 
Compostos Orgânicos Voláteis (COVs) 
São gases e vapores resultantes da queima incompleta e evaporação de combustíveis e de outros 
produtos orgânicos, sendo emitidos pelos veículos, pelas indústrias, pelos processos de estocagem 
e transferência de combustível etc. Muitos desses compostos participam ativamente das reações 
de formação do ozônio troposférico. 
 
Dentre os compostos orgânicos voláteis presentes na atmosfera urbana estão os compostos 
aromáticos monocíclicos, em particular: benzeno, tolueno, etilbenzeno e xilenos. Os COVs, além 
de causarem efeitos adversos à saúde, também participam de reações fotoquímicas para formação 
do ozônio (CETESB, s.d.). 
Peroxiacetilnitrato (PAN) 
É uma ameaça não só para a saúde humana, mas também para a vegetação em muitas cidades do 
mundo. Foi identificado pela primeira vez na bacia aérea de Los Angeles, em 1940, onde ocorrem 
com frequência os episódios meteorológicos de estagnação das massas de ar. A poluição 
fotoquímica, como é denominada a produção de O3 e de outros oxidantes, é originada a partir das 
emissões de óxidos de nitrogênio e de hidrocarbonetos lançados na atmosfera pelos veículos e 
pelas indústrias (NEVES, 2010). 
Chumbo 
No passado, os veículos eram os principais contribuintes de emissões de chumbo para o ar, devido 
sua adição como antidetonante na gasolina. Em 1989, o Brasil começou a retirar o chumbo de sua 
gasolina automotiva, eliminando totalmente essa prática em 1992. Essa conquista deu-se graças à 
substituição do chumbo pelo etanol anidro como aditivo à gasolina. Como consequência, a 
concentração de chumbo na atmosfera das áreas urbanas diminuiu significativamente. Atualmente, 
o chumbo é encontrado em maior concentração em locais específicos, como próximo a fundições 
de chumbo e indústrias de fabricação de baterias chumbo-ácido (CETESB, s.d.). 
 
TEXTO: INTRODUÇÃO À QUALIDADE DO AR E LEGISLAÇÃO APLICADA 
 
11 
 
IMPACTOS DA POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA À SAÚDE HUMANA, AO MEIO AMBIENTE E 
À ECONOMIA 
O impacto adverso da poluição na saúde humana é o principal motivo para seu controle. A população 
em geral, principalmente a que vive nas zonas urbanas, sofre com os efeitos da poluição, mas, 
certamente, alguns subgrupos são mais sensíveis a esses impactos: 
✓ Crianças muito novas, nas quais os sistemas respiratórios e circulatórios ainda estão em 
formação; 
✓ Pessoas idosas, nas quais esses sistemas não funcionam mais de forma eficiente; e Pessoas 
que têm doenças como asma, enfisema e doenças cardíacas; 
Esses subgrupos mais sensíveis aos poluentes, em contato com a poluição, apresentam res- postas mais 
nocivas do que a população em geral. A poluição do ar afeta principalmente o sistema respiratório, 
circulatório e olfativo. 
 Os poluentes afetam vários constituintes do sistema respiratório. As áreas mais sensíveis vão desde as 
membranas mucosas até os pulmões. Os gases solúveis como o dióxido de enxofre (SO2) podem se 
dissolver nas mucosas e passar através das paredes dos alvéolos para a corrente sanguínea. 
Além dos problemas respiratórios causados pela exposição aos poluentes, outras áreas do corpo humano 
são afetadas, como os olhos, que são sensíveis a oxidantes como o peroxiace- tilnitrato (PAN), por 
exemplo. Porém, qualquer agente químico presente no ar exerce efeitos potencialmente danosos sobre 
as funções pulmonares e sobre todo o organismo. 
Quanto maior a concentração ou o tempo de exposição aos poluentes, maior será a probabilidade de 
causar danos à saúde. Outros efeitos da poluição atmosférica mais difíceis de mensurar são aqueles 
gerados no sistema imunológico, neurológico e reprodutivo. 
O sistema respiratório é dividido basicamente em três regiões, que são afetadas pela expo- sição aos 
poluentes 
➢ Nasal (composta do nariz, boca e garganta); 
➢ Traqueobrônquica (composta da traqueia, brônquios e saco alveolar); e 
➢ Pulmonar (terminação dos brônquios e saco alveolar). A traqueia se ramifica nos brônquios 
➢ direito e esquerdo. 
 
Figura 6: Diferentes impactos dos poluentes no corpo humano devido à sua solubilidade 
O CUSTO DA POLUÇÃO DO AR 
TEXTO: INTRODUÇÃO À QUALIDADE DO AR E LEGISLAÇÃO APLICADA 
 
12 
 
O Banco Mundial lançou em 2016 a publicação: “O Custo da Poluição do Ar”, na qual estimou os custos 
econômicos da mortalidade prematura devido à poluição do ar, buscando motivar os governos a 
reduzirem a poluição. Como principais conclusões, o estudo estimou que: 
Em 2013, a exposição à poluição do ar ambiente e doméstico custou à economia mundial cerca de 5,11 
trilhões de dólares em perdas de bem-estar. Em termos de magnetude, as perdas de bem-estar no Sul da 
Ásia, no Leste Asiático e no Pacífico foram equivalentes a 7,4% e 7,5% do produto interno bruto (PIB) 
regional, respectivamente. 
Na extremidade inferior, as perdas ainda eram iguais a 2,2% do PIB no Oriente Médio eno Norte da 
África. A poluição do ar doméstico devido ao uso de carvão para cozinhar foi a maior causa de perdas 
no Sul da Ásia e na África Subsaariana. 
Em todas as outras regiões, as perdas foram causadas em grande parte pela poluição do ar ambiente por 
partículas finas (MP2,5). As perdas de renda do trabalho, embora fossem esperadas menores do que as 
perdas de bem-estar, foram substanciais em regiões com populações mais jovens. A renda perdida para 
os países do Sul da Ásia totalizou mais de 66 bilhões de dólares em 2013, o equivalente a quase 1% do 
PIB. Globalmente, as perdas de renda do trabalho totalizaram 225 bilhões de dólares em 2013. 
Crianças e as pessoas mais velhas continuam particularmente vulneráveis: em 2013, cerca de 5% das 
mortes de crianças menores de 5 anos e 10% das mortes de adultos com mais de 50 anos foram atribuídas 
à poluição do ar, em comparação com menos de 1% entre os adultos jovens. Esse padrão de mortalidade 
por idade permaneceu inalterado desde 1990 (WORLD BANK, 2016). 
Por outro lado, nos Estados Unidos, entre os anos de 1970 e 2018 as emissões combinadas de seis 
poluentes (PM2,5 e PM10; SO2; NOx, COV, CO e Pb) caíram 74%. Enquanto isso, no mesmo período, a 
economia dos Estados Unidos continuou a crescer, como apresenta o gráfico 1 - o Produto Interno Bruto 
aumentou 300% e a população aumentou 100%. O consumo de energia aumentou e a distância que os 
veículos percorreram (em milhas) também aumentou cerca de 200%. Entretanto, o aumento verificado 
nas emissões atmosféricas foi cerca de 20%, o que sig- nifica que, aplicando as tecnologias corretas, é 
possível desenvolver a economia e manter as emissões sob controle. Porém, se não forem considerados 
os métodos de controle de poluen- tes nem as leis ambientais, as consequências são muito graves, como 
apresentado no item 1.1.3, quando grandes episódios de poluição aconteceram, causando milhares de 
mortes, devasta- ção ambiental, impactos na saúde e na economia (EPA, 2019). 
TEXTO: INTRODUÇÃO À QUALIDADE DO AR E LEGISLAÇÃO APLICADA 
 
13 
 
 
Gráfico 1: Comparação entre o aumento da população e do consumo e a queda das emissões atmosféricas entre 1970 e 
2018 nos Estados Unidos 
 
VALORES GUIA E PADRÕES DE QUALIDADE DO AR 
Os Valores Guia não são padrões, nem critérios legais; seu objetivo é oferecer orientação na redução dos 
impactos da poluição do ar na saúde, com base na avaliação de especialistas e nas evidências científicas 
atuais. Devem ser aplicados em todas as regiões da Organização Mundial da Saúde (OMS) e apoiar uma 
ampla gama de opções de políticas para a gestão da qualidade do ar. O conhecimento das propriedades 
perigosas dos poluentes e a indicação do risco relacionado à sua exposição resumidos nas diretrizes 
fornecem uma contribuição científica essencial para o desenvolvimento de estratégias de gestão da 
qualidade do ar (OMS, 2006). 
Os Valores Guia são baseados em extensas evidências científicas sobre a poluição do ar e suas 
consequências para a saúde. Embora essas informações tenham lacunas e incertezas, oferecem uma base 
sólida para as diretrizes. Algumas conclusões gerais da pesquisa precisam ser enfatizadas em relação às 
diretrizes. Entre elas, as evidências para ozônio e MP que mostram riscos à saúde em concentrações 
atualmente encontradas em muitas cidades de países desenvolvidos. Os estudos epidemiológicos tam- 
bém indicam que as diretrizes podem não fornecer proteção total à população, uma vez que não foram 
identificados limites abaixo dos quais os efeitos adversos não ocorrem (OMS, 2006). 
Em 2021, a OMS atualizou os valores guia para as concentrações máximas recomendadas para os 
principais poluentes atmosféricos, indicando os valores que trariam maior proteção à saúde humana. 
No Brasil, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) estabeleceu novas diretrizes para os pa- 
drões de qualidade do ar com a publicação da Resolução nº 506, de 5 de julho de 2021, a qual fixou 
limites mais restritivos e incluiu outros compostos na lista de poluentes regulados. Seguindo essa 
Resolução, o Conama delega aos órgãos ambientais estaduais e distrital a elaboração, em até 3 anos a 
partir da sua entrada em vigor, de um Plano Regional de Controle de Emissões Atmosféricas. Com base 
nesse plano e também nos Relatórios de Avaliação da Qualidade do Ar elaborados pelos órgãos estaduais 
TEXTO: INTRODUÇÃO À QUALIDADE DO AR E LEGISLAÇÃO APLICADA 
 
14 
 
e distritais, serão adotadas as novas fases dos Padrões de Qualidade do Ar Intermediários (PI-1, PI-2, 
PI-3) e, na sequência, de forma conclusiva, será adotado o padrão de qualidade do ar final (PF). 
Quadro 1: Valores Guia da OMS para os Poluentes Atmosféricos 
POLUENTE 
ATMOSFÉRICO 
PERÍODO 2005 2021 
MP2,5 Anual 10 5 
24 horas 25 15 
MP10 Anual 20 15 
24 horas 50 45 
O3 Anual - 60 
24 horas 10 100 
NO2 Anual 40 10 
24 horas - 25 
SO2 24 horas 20 40 
CO 24 horas - 4 
 
 
POLUIÇÃO DO AR E MUDANÇAS CLIMÁTICAS 
 
POLUENTES CLIMÁTICOS DE VIDA CURTA 
Os poluentes climáticos de vida curta são forças climáticas poderosas que permanecem na atmosfera por 
um período muito mais curto do que o dióxido de carbono (CO2), mas seu potencial para aquecer a 
atmosfera pode ser muito maior. Certos poluentes climáticos de vida curta também são poluentes 
atmosféricos perigosos, com efeitos prejudiciais para as pessoas, os ecossistemas e a produtividade 
agrícola. 
Dos poluentes climáticos de curta duração, carbono negro, metano, ozônio troposférico e hi- 
drofluorocarbonos são os contribuintes mais importantes para o efeito estufa global causado pelo homem 
depois do dióxido de carbono. Eles são responsáveis por até 45% do aquecimento global atual. Se 
nenhuma ação para reduzir as emissões desses poluentes for tomada nas pró- ximas décadas, é esperado 
que eles sejam responsáveis por até metade do aquecimento da atmosfera causado pela atividade 
humana. 
Segundo a Direção Geral do Ambiente da União Europeia, as reduções contínuas na poluição do ar e 
nas emissões de gases de efeito estufa (GEE) são essenciais, pois ambos representam sérias ameaças à 
saúde das pessoas e ao meio ambiente. A gestão da qualidade do ar, alinhada com políticas climáticas 
eficientes, podem fornecer benefícios mútuos, tanto na mitigação dos efeitos adversos das mudanças 
climáticas como na redução da poluição do ar. 
De acordo com os pesquisadores, políticas de combate à poluição do ar local proporcionarão maiores 
benefícios, inclusive para a mitigação das mudanças climáticas. Os esforços de médio prazo para 
controlar a poluição do ar proporcionarão benefícios adicionais às estratégias de longo prazo que 
objetivam conter as mudanças climáticas (CCAC, s.d.). 
 
TEXTO: INTRODUÇÃO À QUALIDADE DO AR E LEGISLAÇÃO APLICADA 
 
15 
 
Carbono Negro 
O carbono negro (fuligem) é um poderoso componente de material particulado resultante da combustão 
incompleta de combustíveis fósseis, madeira e outros combustíveis. A combustão completa 
transformaria todo o carbono do combustível em dióxido de carbono (CO2), mas a combustão nunca é 
completa e o dióxido de carbono, monóxido de carbono, compostos orgânicos voláteis, carbono orgânico 
e partículas de carbono negro são todos formados no processo. A mistura complexa de partículas 
resultantes da combustão incompleta é frequentemente denominada de fuligem. 
O carbono negro é um poluente climático de curta duração, com uma vida útil de apenas alguns dias a 
semanas, após a liberação na atmosfera. Durante esse curto período, o carbono negro pode ter impactos 
diretos e indiretos significativos no clima, regiões glaciais, agricultura e saúde humana (CCAC, s.d.). 
 
Metano (CH4) 
O metano é um poderoso gás de efeito estufa emitido por atividades humanas, como vazamento de 
sistemas de gás natural e criação de gado, bem como por fontes naturais como pântanos. Tem uma 
influência direta no clima. 
O metano é um poluenteclimático de curta duração com um tempo de residência na atmosfera de cerca 
de 12 anos. Embora sua vida útil na atmosfera seja muito mais curta do que o dióxido de carbono (CO2), 
é muito mais eficiente na captura de radiação. Por unidade de massa, o impacto do metano nas mudanças 
climáticas ao longo de 20 anos é 84 vezes maior do que o CO2; em um período de 100 anos, é 28 vezes 
maior (CCAC, s.d.). 
 
Hidrofluorcarbonos (HFCs) 
Hidrofluorcarbonos (HFCs) é um grupo de produtos químicos industriais usados principalmente para 
resfriamento e refrigeração. Os HFCs foram desenvolvidos para substituir as substâncias destruidoras 
da camada de ozônio estratosférica que estão atualmente sendo eliminadas de acordo com o Protocolo 
de Montreal. Muitos HFCs são gases de efeito estufa muito poderosos e um número substancial deles 
são poluentes climáticos de curta duração com uma vida útil de 15 a 29 anos na atmosfera. Embora os 
HFCs representem atualmente cerca de 1% do total de gases de efeito estufa, seu impacto no 
aquecimento global pode ser de centenas a milhares de vezes maior do que o dióxido de carbono por 
unidade de massa (CCAC, s.d.). 
 
Ozônio Troposférico 
O ozônio troposférico é um poluente climático de curta duração com uma vida atmosférica de horas a 
semanas. Não existem fontes de emissões diretas de O3 - trata-se de um gás secundário formado pela 
reação da luz solar com hidrocarbonetos e óxidos de nitrogênio, que é emitido por veículos, usinas de 
combustível fóssil e outras fontes artificiais (CCAC, s.d.). Poluentes climáticos de vida curta como o 
ozônio troposférico e o carbono negro são perigosos poluentes atmosféricos responsáveis por mortes 
prematuras, por doenças cardíacas e pulmonares, acidentes vasculares cerebrais (avc), ataques cardíacos, 
doenças crônicas e respiratórias, como bronquite, asma agravada e outros sintomas cardiorrespiratórios. 
A redução dos poluentes climáticos de curta duração evitará milhões de mortes prematuras a cada ano 
devido à poluição do ar (OMS, 2015). 
TEXTO: INTRODUÇÃO À QUALIDADE DO AR E LEGISLAÇÃO APLICADA 
 
16 
 
ACORDOS, PROTOCOLOS E CONVENÇÕES INTERNACIONAIS SOBRE O CLIMA 
GLOBAL 
As negociações internacionais sobre mudança do clima têm como marco inicial a criação da Convenção-
Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês), em 1992, que deu 
início às reuniões da Conferência das Partes (COP, na sigla em inglês). A COP congrega anualmente os 
países-parte em conferências mundiais para tomar decisões coletivas e consensuais sobre temas 
relacionados à mudança do clima (ADAPTACLIMA, s.d.). 
O primeiro grande acordo das COPs foi criado em 1997 e entrou em vigor em 2005: o Protocolo de 
Quioto, tratado que definiu metas de redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE) para países 
desenvolvidos. Durante o primeiro período de compromisso, entre 2008-2012, 37 países se 
comprometeram a reduzir 5% das suas emissões em relação a 1990. No segundo período de 
compromisso, as Partes se comprometeram a reduzir, de 2013 a 2020, as emissões em pelo menos 18% 
dos níveis de 1990. O Brasil ratificou o documento em 2002 (ADAPTACLIMA, s.d.). 
Na 21ª reunião da Conferência das Partes (COP 21), em 2015, foi aprovado um novo acordo global, o 
Acordo de Paris, que contempla metas de redução de emissões de GEE para todos os países, 
desenvolvidos e em desenvolvimento, definidas nacionalmente conforme as prioridades e possibilidades 
de cada um. Além disso, foi determinado um objetivo global para aumentar a capacidade de adaptação, 
fortalecer a resiliência e reduzir as vulnerabilidades à mudança do clima (ADAPTACLIMA, s.d.). 
Nesse histórico das negociações sobre clima, o foco sempre foi mitigação das emissões de GEE e o papel 
da adaptação era muito pequeno. Porém, a partir dos anos 2000, a adaptação ganha cada vez mais espaço 
nos debates e decisões tomadas nas Conferências (ADAPTACLIMA, s.d.). 
Um grande marco ocorreu em 2010, com a adoção pelos países do Quadro de Adaptação de Cancun 
(Cancun Adaptation Framework - CAF, em inglês) na COP16. Nos acordos, as Partes afirmam que ações 
em adaptação devem ter o mesmo grau de prioridade que as de mitigação. No que tange à implementação 
de ações em adaptação, o CAF propõe um processo para possibilitar que países menos desenvolvidos 
formulem e implementem Planos Nacionais de Adaptação, além de um programa de trabalho que 
considere abordagens para lidar com perdas e danos associados aos impactos da mudança do clima em 
países em desenvolvimento, os quais estão particularmente vulneráveis aos efeitos adversos da mudança 
do clima (UNFCCC, 2011 apud ADAPTACLIMA, s.d.). 
 
ESTRATÉGIAS NACIONAIS E EFEITOS SOBRE O CLIMA GLOBAL 
No Brasil, entre os marcos em nível nacional do combate e adaptação aos impactos associados à 
mudança do clima, cita-se como principal a Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC), 
instituída em 2009. O órgão responsável por sua implementação é o Comitê Interministerial sobre 
Mudança do Clima (CIM). A partir da legislação, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) lidera a 
definição de estratégias e propõe políticas relacionadas ao monitoramento e à implementação dos planos 
setoriais de mitigação e adaptação contidos na PNMC (ADAPTACLIMA, s.d.). 
O principal instrumento para levar adiante ações de adaptação é o Plano Nacional de Adaptação à 
Mudança do Clima (PNA), instituído em 2016. O PNA foi elaborado pelo governo federal em 
colaboração com a sociedade civil, setor privado e governos estaduais, e tem como objeti- vo promover 
a redução da vulnerabilidade nacional à mudança do clima e realizar a gestão do risco associada a esse 
fenômeno (ADAPTACLIMA, s.d.). 
TEXTO: INTRODUÇÃO À QUALIDADE DO AR E LEGISLAÇÃO APLICADA 
 
17 
 
A importância da implementação do PNA foi reforçada na Contribuição Nacionalmente Determinada 
(Nationally Determined Contributions - NDC, sigla em inglês) declarada pelo Brasil no contexto 
internacional do Acordo de Paris. A NDC brasileira é um compromisso assumido pelo país que entrou 
em vigor em 2016 e que prevê metas de mitigação e ações em adaptação. A meta de redução de emissões 
de gases de efeito estufa é de 37% até 2025 e há o indicativo de redução de 43% até 2030, ambas 
comparadas aos níveis de 2005. O documento descreve como fundamental a realização de ações na 
agenda de adaptação, coloca a dimensão social (proteção às populações vulneráveis) no cerne da 
estratégia de adaptação brasileira, e afirma que “o PNA fornecerá as bases para que o Brasil reforce sua 
capacidade de adaptação, de avaliação de riscos climáticos e de gestão de vulnerabilidades nos níveis 
nacional, estadual e municipal” (República Federativa do Brasil, 2015 apud ADAPTACLIMA, s.d.). 
Segundo informações do Atlas Global do Carbono (2019) o Brasil é o décimo terceiro país do mundo 
que mais contribui para o aquecimento global. A maior parte dos gases de efeito estufa emitidos no 
Brasil tem relação com desmatamento para pastagens e plantações. No setor elé- trico, a falta de chuva 
obriga o governo a ligar as térmicas, aumentando a poluição, e a situação seria pior, se não fosse a 
queima de biomassa, como o bagaço de cana, e o crescimento na geração de energia eólica e solar. 
O Ministério do Meio Ambiente criou o Sistema Nacional de Gestão da Qualidade do Ar - Monitor Ar 
e o Programa Nacional Ar Puro. O MonitorAr integra, consolida e disponibiliza dados atualizados 
gerados pelas estações de monitoramento da qualidade do ar localizadas nas Unidades Federativas. 
Também nesse sentido, o MMA elaborou um Guia Técnico para o Monitoramento e Avaliação da 
Qualidade do Ar. Publicado em 2020, o Guia está entre as medidas complementares tomadas pelo 
Ministério do Meio Ambiente para trabalhar com entes públicos e setor privado pelo ar limpo nas 
cidades, levando sustentabilidade, mais saúde e, consequentemente, melhoria da qualidade de vida a 
todosos brasileiros. 
 
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