Prévia do material em texto
Visão Geral da Disciplina Clínica Médica 2
A disciplina de Clínica Médica 2 é uma continuidade da Clínica Médica 1, focando nos
grandes temas da clínica médica. O objetivo principal é uma abordagem orientada para a
vida real e a prática, diferente de um primeiro contato teórico com o conteúdo. Não há
redundância de conteúdo em relação à Clínica Médica 1, abordando temas diferentes,
embora vocês já tenham tido contato prévio com a maioria dos assuntos na grade teórica.
As aulas exercitarão como o conteúdo será aplicado na vida real.
As aulas abordarão:
• Doenças específicas, como a pneumonia.
• Síndromes clínicas ou sintomas específicos, como tosse, síndrome dispneica e
síncope, que são manifestações clínicas que se apresentam na vida real, onde o
paciente chega com um problema e não com um diagnóstico.
O raciocínio clínico é fundamental e deve estar enraizado, começando pela curiosidade e
detalhamento do problema, pois é nos detalhes que se consegue desenrolar casos
difíceis.
Aspectos Administrativos da Disciplina:
• Aulas: PDFs das aulas são sempre disponibilizados.
• Seminário: Os artigos para os seminários foram enviados para o WhatsApp da
representante, Tatiana.
• Grupos: Serão quatro grupos para a apresentação dos seminários, e não quatro
ou cinco como inicialmente considerado, para evitar que o tempo ficasse muito
corrido.
• Plano de Ensino: O plano da disciplina, que detalha o funcionamento, seminário,
distribuição de notas, etc., já foi enviado para a coordenação e será encaminhado
aos alunos após aprovação.
Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC) - Conceitos Gerais
A aula de hoje é especificamente sobre Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC),
também conhecida como Pneumonia Comunitária, termos sinônimos. Presume-se que
os alunos já tiveram contato com o assunto em pneumologia.
Definição de Pneumonia: É uma doença inflamatória aguda de causa infecciosa.
• Causa Infecciosa: Pode ser por patógeno viral, bacteriano ou fúngico. O mais
comum é ser bacteriana, seguida por viral, e fungos são menos comuns/raros.
Coinfecções (bactéria e vírus) não são raras.
• Acometimento: Afeta o parênquima pulmonar, que faz parte das vias aéreas
inferiores.
Importância da PAC:
• Frequência e Prevalência: É muito comum na prática, tanto em contexto
ambulatorial (UBS, pacientes de livre demanda) quanto na emergência (pronto
atendimento).
• Potencial Gravidade: É uma doença infecciosa que acarreta uma mortalidade
acumulada relevante devido à sua frequência.
Epidemiologia:
• A infecção do trato respiratório inferior é a doença infecciosa com maior
mortalidade no mundo.
• É a quinta causa de morte na Europa.
• A incidência é maior no sexo masculino e aumenta com a idade.
• No Brasil, a pneumonia é a primeira causa de internação por doença, sendo
muito frequente e custosa.
• Custo: O custo do tratamento de um paciente internado com pneumonia é 20
vezes maior do que o de um paciente tratado ambulatorialmente. É importante que
os profissionais de saúde considerem a gestão de recursos, evitando condutas
inapropriadas (pedir exames desnecessários, encaminhar pacientes que poderiam
ser resolvidos) para não sobrecarregar o sistema e prejudicar pacientes que
realmente precisam.
Mortalidade da Pneumonia:
• Comportamento epidemiológico em "U": Aumenta nos extremos de idade
(crianças abaixo de 5 anos e idosos acima de 60-75 anos). A mortalidade é menor
em jovens e adultos.
• Varia com o local de tratamento:
◦ Tratamento ambulatorial: Mortalidade baixa, abaixo de 1%.
◦ Hospitalizado (enfermaria): Mortalidade sobe para até 8%.
◦ Terapia Intensiva (UTI): Quase metade morre (muito alta).
• A conduta no primeiro atendimento é crucial, pois retardo no diagnóstico ou
tratamento pode impactar a mortalidade.
• A maioria dos casos (80% nos EUA) são leves e podem ser tratados
ambulatorialmente.
Fisiopatologia da Pneumonia: Para que a doença infecciosa se desenvolva, é preciso
um desequilíbrio entre o sistema de defesa do organismo e a agressividade do agente
patogênico. Normalmente, estamos em contato constante com microrganismos, mas não
ficamos doentes devido aos nossos mecanismos de defesa.
Principais Mecanismos de Defesa das Vias Aéreas Inferiores:
• Narinas: Cílios, cornetos, microbiota da mucosa local.
• Sistema Mucociliar: Faz a limpeza mucociliar e expele agentes agressores.
• Reflexo de Tosse e Glote: Fechamento da glote e reflexo de tosse eficaz.
• Sistema Imunológico: Macrófagos e outras células de defesa nos alvéolos.
Fatores de Risco para Pneumonia: Qualquer fator que prejudique essas etapas de
defesa ou fragilize o organismo.
• Tabagismo: Compromete o sistema mucociliar.
• Imunodepressão: Seja por uso de imunossupressores, doenças
imunossupressoras, ou condição do paciente (idoso, que já é imunossuprimido).
• Neuropatias: Prejudicam o reflexo da tosse e o controle da glote, levando a
microaspirações.
• Fraqueza da musculatura torácica e abdominal.
• Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC).
• Abuso de álcool.
• Higiene oral deficiente: Pode levar a excesso de microbiota indesejável.
• Inibidores de Bomba de Prótons (IBP): Diminuem a acidez do estômago,
facilitando a proliferação de patógenos, o que ressalta a importância de usar esses
medicamentos apenas quando realmente necessário.
Mecanismo de Infecção e Resposta Inflamatória: Quando um patógeno consegue se
instalar e proliferar no parênquima pulmonar/alvéolos, isso gera doença e uma resposta
inflamatória. Essa resposta envolve o recrutamento de mediadores inflamatórios
(interleucinas, fator de necrose tumoral), resultando em inflamação local e sistêmica.
Vias de Infecção:
• Aspiração: A via mais comum, incluindo microaspirações imperceptíveis e
subclínicas.
• Inalação.
• Hematogênica.
• Extensão direta.
Etiologia da Pneumonia Comunitária: Os patógenos mais comuns que embasam a
escolha do tratamento empírico são:
• Principal: Streptococcus pneumoniae (pneumococo), independentemente do
grau de gravidade.
• Em pacientes não graves (ambulatoriais/enfermaria): Germes atípicos como
Mycoplasma pneumoniae e Chlamydia pneumoniae (ou Chlamydophila
pneumoniae).
• Vírus respiratórios.
• Em pacientes graves (UTI): Além do pneumococo, há uma maior variedade de
patógenos mais virulentos/resistentes, como gram-negativos (Haemophilus,
Pseudomonas), Legionella e Staphylococcus aureus.
• Fungos: Exceção, raros, e geralmente acometem pacientes com perfil clínico ruim/
imunocomprometidos, sendo mais difíceis de tratar.
• Prevalência percentual: Cerca de metade dos casos são por pneumococo;
quando se junta com germes atípicos, cobre cerca de 70-80% dos casos de PAC.
• Tabelas de fatores de risco específicos com patógenos relacionados (ex: DPOC
com Haemophilus e Pseudomonas) estão disponíveis para consulta, não para
memorização.
Quadro Clínico da Pneumonia
Definição Clínica de Pneumonia: É o conjunto de:
• Sintomas de doença aguda do trato respiratório inferior.
• Achados no exame físico do tórax compatíveis com pneumonia.
• Presença de pelo menos um achado sistêmico (devido à resposta inflamatória).
• Presença de imagem radiológica.
• Ausência de outro diagnóstico mais provável.
O diagnóstico é um conjunto de dados clínicos e não um exame único.
Abordagem Inicial para o Diagnóstico: Combinação de quadro clínico e exame físico
(avaliação clínica) + exame de imagem do tórax.
• Exame inicial indicado: Radiografia de tórax (PA e perfil), sempre duas
incidências.
• A tomografia de tórax pode ser usada, mas não é a primeira linha.
Sintomas Típicos Sugestivos de Pneumonia:
• Tosse
• Expectoração
• Dispneia
• Dor torácica (pleurítica): Dor ventilatório-dependente, que exacerba na ventilação
ou tosse, devido à inflamação do parênquima.
• Febre.
Achados Focais no Exame Físico do Tórax:
• Inspeção: Taquipneia (sinal precoce e importante, presente na maioria dos
pacientes, mesmo em idosos com quadrosatípicos), sinais de esforço respiratório
(batimento de asa nasal, uso de musculatura acessória), cianose.
• Palpação: Frêmito tóraco-vocal aumentado (consolidação), expansibilidade
diminuída.
• Percussão: Maciço (consolidação).
• Ausculta: Estertores crepitantes (ruído adventício mais comum), sibilos,
broncofonia, murmúrio vesicular diminuído.
• Taquicardia também pode estar presente.
Manifestações Clínicas Atípicas e Ressalvas: Nem todos terão um quadro típico.
• Ausência de achados de consolidação no exame físico em alguns pacientes.
• Até 20% dos pacientes podem apresentar queixas gastrointestinais (vômito,
náusea, diarreia).
• Idosos: Podem apresentar pneumonia sem febre e produzir pouco escarro
(sistema imunológico deprimido). Sinais clínicos mais comuns são taquicardia e
taquipneia. Manifestações gerais incluem confusão mental, alteração do estado
mental agudo, mudança na capacidade funcional, cefaleia, dor no corpo,
prostração, inapetência e descompensação de doença de base (diabetes
descompensado, insuficiência cardíaca descompensada).
• Até 2% dos pacientes hospitalizados com pneumonia comunitária podem ter
câncer de pulmão associado. A massa tumoral pode obstruir um brônquio e
predispor à pneumonia. Nesses casos, a imagem radiológica deve ser repetida
após 6 semanas de tratamento para diferenciar a consolidação da pneumonia de
uma massa pulmonar ou câncer.
Avaliação Complementar
Após a avaliação clínica e levantamento da hipótese diagnóstica, a confirmação
diagnóstica exige avaliação clínica e imagem radiológica. Outras avaliações
complementares (exames de sangue, rastreamento microbiológico) só são feitas em
casos selecionados com estratificação de risco maior.
Avaliação Radiológica:
• Opção Principal: Raio-X de tórax.
• Dissociação Clínico-Radiológica: Quando há forte suspeita clínica, mas o Raio-X
inicial não mostra nada (mais comum), pode-se repetir a radiografia em 24-72
horas ou fazer uma tomografia de tórax de imediato para definir logo. O
tratamento pode ser iniciado baseado na forte suspeita clínica, sem esperar a
confirmação radiológica.
• Indicações da Tomografia de Tórax:
◦ Dissociação clínico-radiológica (clínica exuberante com raio X normal).
◦ Diferenciar problemas relacionados a doenças infecciosas de massas/
neoplasias.
◦ Avaliar complicações em pacientes com falha de tratamento (abscesso,
derrame pleural septado).
• Ressalvas da Avaliação Radiológica:
◦ A progressão e resolução radiológica são tardias. A resolução pode
demorar até 6 semanas do início do quadro.
◦ Não é rotina repetir a imagem no final do tratamento da pneumonia.
◦ Quando repetir o Raio-X:
▪ Caso não haja melhora clínica esperada para verificar
complicações.
▪ Após 6 semanas para tirar a dúvida se a imagem era apenas da
infecção ou de uma neoplasia, especialmente em fumantes com
mais de 50 anos ou se a imagem inicial já gerou suspeita.
Avaliação Laboratorial:
• Não tem valor diagnóstico isolado (ex: leucocitose pode ser por outras causas).
• Ajuda em: Auxílio prognóstico, estratificação de risco, identificação de
descompensações de doenças de base.
• Quando solicitar: Em pacientes com comorbidades, idosos, ou hospitalizados.
Pacientes de baixo risco tratados ambulatorialmente não precisam de exames de
sangue obrigatórios.
• Marcadores Inflamatórios:
◦ PCR (Proteína C Reativa): Pedir quantitativa (número) para acompanhar a
resposta ao tratamento (a queda indica melhora).
◦ Procalcitonina: Aumentada em infecções bacterianas. Se for baixa
inicialmente, sugere agente viral, mas não é um parâmetro isolado e
garantidor.
Investigação Microbiológica:
• Não indicada de rotina.
• Quando indicada:
◦ Principalmente em pacientes com pneumonia grave (na UTI), onde é
mandatório.
◦ Pacientes internados com estágio moderado também podem ter indicação.
◦ Não é indicada para pacientes ambulatoriais.
• Possibilidades de Investigação Microbiológica:
◦ Cultura de escarro ou secreção traqueal: A amostra deve ser profunda
("da alma", "do âmago do ser"), colhida geralmente na primeira hora da
manhã e em jejum, após higiene oral.
◦ Hemocultura: O germe pode estar circulando no sangue. Tem baixa
positividade.
◦ Antígeno urinário: Não identifica o germe na urina, mas o antígeno
circulante eliminado na urina. Disponível para Legionella (muito utilizada,
pois é um germe virulento e não coberto por todos os tratamentos
empíricos) e para Pneumococo (menos usada na prática, pois o
pneumococo já é o mais comum e coberto empiricamente). O antígeno
urinário não permite determinar o perfil de sensibilidade antimicrobiana.
◦ Punção (se houver abscesso) ou broncoscopia (para coletar secreção
diretamente da via aérea inferior).
Estratificação de Risco de Gravidade e Ambiente de Tratamento
Após o diagnóstico, a estratificação de gravidade é crucial para definir o ambiente de
tratamento e guiar o antibiótico empírico.
Critérios de Gravidade:
• CURB-65: O mais simples, disseminado e recomendado. Cada item presente
equivale a um ponto:
◦ Confusão mental
◦ Ureia acima de 50 mg/dL (denota disfunção renal)
◦ Referência respiratória acima de 30 irpm
◦ Blood pressure (pressão arterial) abaixo de 90/60 mmHg
◦ 65 para idade maior ou igual a 65 anos
• Classificação do CURB-65:
◦ 0-1 ponto: Baixo risco, candidato a tratamento ambulatorial.
◦ 2 pontos: Risco intermediário, considerar internação.
◦ 3 ou mais pontos: Alto risco, geralmente encaminhado para UTI.
• CRB-65: Variação que não inclui a ureia, usada quando não há exame
laboratorial. Qualquer critério presente já pode levantar a consideração de
internação.
Julgamento Clínico é Fundamental:
• Não usar o CURB-65 cegamente. Ex: Um paciente de 68 anos pode ter um
CURB-65 alto apenas pela idade, mas estar clinicamente bem e poder ser tratado
ambulatorialmente.
• Outros critérios que o CURB-65 não contempla, mas que indicam internação:
◦ Comorbidades descompensadas (ex: insuficiência cardíaca
descompensada, cetoacidose diabética).
◦ Saturação de oxigênio abaixo de 92% em ar ambiente.
◦ Doença muito disseminada no Raio-X (pneumonia "feia" com infiltrado
difuso), com potencial de se tornar grave.
◦ Fatores psicossociais (paciente mora sozinho, dificuldade de locomoção,
sem suporte para seguir o tratamento em casa).
◦ Incapacidade de ingestão oral (vômito, vômito), o que impede a
medicação oral.
• A decisão de internar não significa que o paciente ficará internado durante todo o
tratamento; pode começar internado e ter alta para terminar em casa com
medicação oral quando houver melhora.
Tratamento da Pneumonia Adquirida na Comunidade
Racional do Tratamento:
• Sempre iniciar com terapia empírica. O rastreio microbiológico demora dias para
ficar pronto.
• A escolha do antibiótico é guiada pelos patógenos mais prevalentes
(epidemiologia).
Terapia Combinada vs. Monoterapia:
• Baixo risco: A terapia combinada não é superior à monoterapia, então
geralmente se faz monoterapia (um antibiótico).
• Alto risco/Pneumonia grave: Mandatório fazer terapia combinada (mais de um
antibiótico, com espectro maior).
Escolha do Antibiótico Empírico:
• Paciente ambulatorial, baixo risco, hígido (sem comorbidade):
◦ Macrolídeo (azitromicina, claritromicina) OU
◦ Beta-lactâmico (amoxicilina).
• Paciente ambulatorial, baixo risco, mas com doença associada (diabético,
renal crônico, cardiopata, DPOC, imunodeprimido):
◦ Terapia combinada: Beta-lactâmico com Macrolídeo OU
◦ Quinolona respiratória (levofloxacino, moxifloxacino).
◦ Ciprofloxacino NÃO é quinolona respiratória e não cobre pneumococo,
portanto não serve para pneumonia.
• Paciente internado (não UTI):
◦ Quinolona OU
◦ Beta-lactâmico com Macrolídeo.
• Paciente internado na UTI (pneumonia comunitária grave):
◦ SEMPRE associado: Beta-lactâmico + Macrolídeo.
• As doses dos medicamentos são importantes de saber, pelo menos uma
alternativa.
• Há diretrizes internacionaisque podem variar um pouco, mas são similares.
Duração do Tratamento:
• A tendência atual é o tratamento por um período curto.
• Pneumonia comunitária sem critério de gravidade: Tratamento de 5 a 7 dias.
• Tratamentos longos (10-14 dias) são obsoletos.
• Diretrizes mais recentes chegam a falar em 3 a 5 dias, mas na prática 5 a 7 dias é
o alvo.
Alívio dos Sintomas:
• Além do antibiótico, é crucial o tratamento sintomático (antitérmicos, analgésicos)
para alívio imediato da febre, calafrios, dor, etc.. O antibiótico atua na prevenção de
complicações e mortalidade.
Transição de Antibiótico Venoso para Oral: Quando o paciente internado for terminar o
tratamento em casa, a transição do venoso para oral pode ser feita quando houver:
• Deglutição adequada.
• Sinais vitais estáveis.
• Estado mental preservado.
• Doença de base compensada.
• Parte ventilatória compensada.
Falha Terapêutica
A falha terapêutica não é rara (7% em ambulatoriais, 10-20% em hospitalizados). Quando
o tratamento falha, deve-se:
1. Rever o diagnóstico: Será que é realmente pneumonia ou outro diagnóstico?
2. Avaliar fatores relacionados à droga:
◦ O paciente está usando na posologia correta?
◦ O antibiótico foi escolhido corretamente para o perfil do paciente?
3. Avaliar fatores relacionados ao patógeno:
◦ O patógeno é diferente do imaginado?
◦ Existe perfil de resistência (multirresistência)?
4. Avaliar fatores relacionados ao hospedeiro:
◦ Existe algum fator local (neoplasia, obstrução brônquica)?
◦ Houve alguma complicação (abscesso, derrame pleural, empiema)?
Prevenção
A prevenção é crucial, especialmente para pacientes com fatores de risco. Estratégias
genéricas de prevenção incluem:
• Imunização antipneumocócica e anti-influenza.
• Cessação do tabagismo: Momento oportuno para abordar, pois o paciente está
mais suscetível a mudanças após um problema de saúde.
Vacinação:
• Vacina contra Influenza (gripe): Anual para quem tem fatores de risco.
• Vacina Antipneumocócica (para pneumococo):
◦ Pacientes com mais de 65 anos: Dose única (se for a primeira vez nessa
idade).
◦ Pacientes com comorbidades/fatores de risco (ex: DPOC, asplenia)
antes dos 65 anos: Se vacinados antes dos 65 anos, devem repetir a
vacinação após 5 anos quando atingirem os 65 anos. (Nota: O professor
menciona que as diretrizes mudam rápido e sugere verificar atualizações
sobre as vacinas 20 e 23 e reforços).
Discussão de Casos Clínicos
Caso 1: Homem, 44 anos, tabagista (15 maços/ano), com calafrios, febre, tosse
produtiva, dor pleurítica à direita. Exame físico: T: 38.8ºC, SatO2: 100%, sons pulmonares
claros com estertores crepitantes na base do pulmão direito.
• Diagnóstico mais provável: Pneumonia Comunitária. O quadro clínico favorece
(febre, calafrios, tosse produtiva, dor pleurítica, estertores).
• Confirmação: Necessita de Raio-X de tórax para preencher os critérios
diagnósticos de PAC.
• Estratificação de Gravidade (CRB-65):
◦ Confusão mental: Não.
◦ Frequência respiratória >30: Não (sinais vitais normais).
◦ Pressão arterial 65: Não (44 anos).
◦ CRB-65 = 0 (baixo risco).
• Outros critérios de internação: Saturação (100%), comorbidades (sem
descompensação), ingestão oral (não informada, mas presumida), fatores
psicossociais (não informados).
• Avaliação Complementar: Não precisa de nenhuma avaliação laboratorial ou
microbiológica adicional, pois é um paciente de baixo risco sem comorbidades.
• Tratamento: Paciente para tratamento ambulatorial.
◦ Antibiótico empírico: Macrolídeo OU Beta-lactâmico (monoterapia).
◦ Sintomático: Antipiréticos e analgésicos para febre, calafrios e dor.
◦ Prevenção: Cessação do tabagismo.
• Acompanhamento: Clínico para ver a resposta. Não é necessário repetir o
Raio-X de tórax no final do tratamento. No entanto, por ser tabagista com carga
considerável, pode-se considerar repetir a imagem após 6 semanas para descartar
neoplasia, caso haja dúvida.
Caso 2: Mulher, 54 anos, fumante, comorbidades (diabetes, hipertensão, doença
coronariana). História de 2 dias de tosse produtiva (expectoração amarelada), aperto no
peito e febre. Exame físico: T: 38.3ºC, PA: 150/95, FC: 85 bpm, FR: 20 irpm, SatO2: 95%.
Sons pulmonares distantes, crepitações na base esquerda. Raio-X revela infiltrado lobar.
• Diagnóstico mais provável: Pneumonia Comunitária (clínica + imagem
radiológica compatível).
• Avaliação Complementar: Além da história clínica e imagem, é bom fazer rotina
laboratorial (glicemia, função renal) devido às múltiplas comorbidades (diabetes,
hipertensão). Isso auxilia no manejo clínico e estratificação de risco, não no
diagnóstico.
• Estratificação de Gravidade (CRB-65):
◦ Confusão mental: Não.
◦ Frequência respiratória >30: Não (20 irpm).
◦ Pressão arterial 65: Não (54 anos).
◦ CRB-65 = 0.
• Decisão de Internação: Apesar do CRB-65 ser 0, as múltiplas comorbidades
(diabetes, hipertensão, doença coronariana) são um fator de risco. Inicialmente,
pode-se tentar o tratamento ambulatorial, mas com monitoramento rigoroso para
descompensação das comorbidades, o que pode exigir internação.
• Rastreamento Microbiológico: Não é necessário para este perfil de paciente.
• Tratamento empírico:
◦ Terapia combinada: Beta-lactâmico com Macrolídeo OU
◦ Quinolona respiratória.
◦ Sintomático.