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1 Psicologia Organizacional Unidade I José Bernardo Enéias de Oliveira 2 APRESENTAÇÃO DO PROFESSOR-AUTOR Doutor em Ciências Sociais/Antropologia-PUC/SP; Mestre em Ciências Sociais - PUC/SP; Formação de Psicólogo – OPEC; Licenciatura em Psicólogo - OPEC; MBA em Administração de Recursos Humanos - FECAP; Pós-Graduação “lato Senso”: Educação na Área de Formação de Professores para o Ensino Superior. Professor Universitário nos cursos de Graduação e Pós-Graduação (“Lato sensu” e “Stricto sensu”) e MBA, com ênfase em Planejamento estratégico; Psicologia Organizacional; Psicologia Positiva; Psicologia Social; Gestão de Pessoas; Formação de liderança; Desenvolvimento Organizacional e Gestão de negócios; Sistema de Políticas e Instituição de Saúde; Políticas Públicas; Antropologia Médica; Mudança Comportamental; Comportamento do Consumidor em Marketing; Ética e Legislação; Assessment Center - Ferramentas na avaliação de pessoas; Gerenciamento de equipes e Recursos Humanos em projetos; Mudança e inovação; Relações interpessoais. Professor dos cursos de pós-graduação a distância/Presencial híbrido; Produção de conteúdo audiovisual para transmissão por meio de plataforma eletrônica; Produção dos Livros didático das disciplinas Psicologia Organizacional e áreas afins; Psicologia Positiva e Sistema, Políticas e Instituições de Saúde no Brasil. Empresas com vínculo institucional: Votorantim Celulose e Papel S.A.- VPC; Grupo Saint Gobain – Cia Vidraria Santa Marina; Tapon Corona Metal Plástico Ltda. e, desde o ano 2000, atuando como Consultor de empresas em Desenvolvimento Organizacional/Mudança comportamental e estratégica. Expositor na Universidade Aveiro/Portugal - Tema: “Educação e Trabalho”; Universidade Autônoma/México- Tema: “Tecnologia, Sociedad e Innovación: Década para una Educación para La Sostenibilidade”. Link da Plataforma Lattes http://lattes.cnpq.br/4587217718400332. http://lattes.cnpq.br/4587217718400332 3 SUMÁRIO APRESENTAÇÃO DO LIVRO ............................................................................................... 4 1 Psicologia: definição e principais escolas .................................................................... 6 2 O que é Psicologia Organizacional .............................................................................. 11 3 A Psicologia Social: caracterização e fundamentação teórica social das Organizações ................................................................................................................. 22 4 Comportamento Organizacional .................................................................................. 33 REFERÊNCIAS ................................................................................................................... 59 4 APRESENTAÇÃO DO LIVRO Neste livro reunimos alguns conceitos sobre a psicologia organizacional, analisando a importante relação do comportamento individual e o comportamento coletivo das empresas, bem como os aspectos humanos que remete à saúde da organização. Nossa preocupação foi desenvolver nossas ideias de forma simples e didática, mesmo naqueles temas de pouca familiaridade, seguimos com definições e exemplos práticos do dia a dia, além de, sempre que possível, ilustrar com figuras pertencentes ao assunto. Diante da sua complexidade, resolvemos dividir os assuntos em dois módulos e, não por ordem de importância, mas para dar uma lógica e organização ao seu entendimento e desenvolvimento. Os temas foram ordenados e correlacionados numa sequência, direcionados para estudar os processos de aprendizagem e ensino. Sendo assim, o tema Psicologia Organizacional é sugestivo no que tange a modernidade, num cenário de mudanças e transformações e, em especial, sobre as questões que se referem aos problemas relacionados com a gestão de pessoas e o comportamento de uma forma ampla dentro de um ambiente organizacional, empresarial, institucional ou do trabalho. Assim como, as nomenclaturas especificamente tratadas por diferentes autores que, na verdade, tem o mesmo significado, dependendo do olhar de pesquisa e estudo, procuramos defini-las com base nas referências teóricas e nossas reflexões. Desse modo, a psicologia organizacional, será tratada nesse estudo, pela sua forma mais abrangente, reunindo as diferentes vertentes, focadas no equilíbrio entre os relacionamentos de seus colaboradores e a organização; As doenças do trabalho levadas por emoções não controladas e ações deteriorantes; O enfoque da saúde do negócio ou o Core business e as diferentes ferramentas preventivas e de ajustes, previstos no planejamento estratégico, seja o organizacional e da área de recursos humanos, direcionadas pelo estudo das competências individuais e organizacionais. Nesse estudo, também alinhamos algumas referências pertinentes a Psicologia nas suas diferentes áreas, procurando entender o comportamento nos níveis individual, das equipe de trabalho e organizacional, sob a influência dos ambientes internos e externos, conturbados pela vantagem competitiva e a reprodução social, ambos influenciados por um cenário econômico de transição e inovação, condições que mexem com a dinâmica das atitudes do indivíduo e do ambiente de trabalho, levando muitas vezes à problemas de conflitos e relacionamentos. A modernidade fez com que algumas ações de atuação dessas ciências sofressem mutação, exigindo com que seus focos fossem em direção aos estudos de alguns cientistas sociais, quanto aos processos da gestão organizacional, tema que faremos numa rápida descrição, a partir das etapas da evolução e importância ao longo da história, bem como suas influências no importante papel da gestão de pessoas, respeitando a condição e essência da personalidade e os aspectos individuais de cada pessoa. 5 De modo geral, ao longo desse livro texto, faremos um estudo sobre os fenômenos do comportamento humano e seu profundo relacionamento com a organização, cujas ações podem ser controladas mediante a descoberta das variáveis que impulsionam os seus comportamentos e que interferem na sua conduta. Por fim, vamos situar e provocar o leitor nas reflexões diante a psicologia, ao se referir em aspectos individuais, quando tratamos das diferenças de cada um; Inteligência emocional e aprendizagem; Competências individuais; Relações humanas e outros, que determinam um comportamento organizacional. Sejam bem-vindos e excelente estudo! 6 1 PSICOLOGIA: DEFINIÇÃO E PRINCIPAIS ESCOLAS A importância do estudo da psicologia, enquanto ciência do comportamento, segue seu desenvolvimento histórico em busca das constantes fundamentações dos modelos teóricos e seus fundadores e principais ideias, diante dos constantes processos de Mudanças que envolvem esse estudo comportamental. É notório que o surgimento das diferentes escolas que estudam a psicologia é a consequência da intensa complexidade do seu principal foco de estudo, ou seja, o Homem e a sua condição humana. A psicologia é uma ciência e como tal, trata do conhecimento que explica os fenômenos alinhados as leis e métodos experimentais, além da previsão e controles do que é observado. Diante desta premissa, as ferramentas e/ou métodos de verificação do comportamento humano devem ser constantemente reavaliados e aferidos os dados. As variáveis que interferem na personalidade e, consequentemente o comportamento individual, interferidos pelos diferentes ambientes e culturas, com significados importantes que, de maneira interdisciplinar, integra a sociologia e a antropologia em seu estudo. A origem etimológica da palavra Psicologia está na noção de alma… Deriva do latim: psique (alma) mais logos (razão). A Psicologia tem suas raízes na Filosofia e é nela que começa a sua história e definições das principais escolas, como explica a psicóloga Berenice Carpegianino dia-a-dia, pelos próprios agentes organizacionais; A adoção de métodos de análise que visem compreender a experiência cotidiana como sobre determinada pelas instituições que são partes da cultura do grupo social; A adoção de métodos de intervenção, cujo objetivo é libertar o grupo da determinação institucional, provocando sua explicitação pela fala e pela análise em situação; A missão de revelar, nos grupos, esse nível oculto de sua vida e funcionamento, ou seja, a dimensão institucional, assumindo, como método de intervenção, um caráter político que mobilize o trabalho organizativo dos grupos, dando passagem a heteronômica, digo, o oposto de autonomia e a liberdade e independência. A autonomia recoloca no colaborador sua capacidade de refletir sobre as limitações que lhe são impostas, e que observadas lhe dão a direção a seguir; Para a autoanálise, autogestão, autonomia; A distinção entre Análise Institucional (instrumento de análise das contradições sociais responsáveis pela dimensão oculta do que se passa nos grupos nível histórico) e Análise Organizacional (instrumento de análise dos fatores internos do cotidiano de uma empresa, muitas vezes considerada como uma realidade ou instância a-histórica, fechada em si mesma, sem conexão com o exterior); A Análise Institucional assume por objetivo o fazer surgir na sua realidade concreta (na expressão dos autores), o aspecto dialético, ao mesmo tempo positivo e negativo de todo grupamento organizado. Antes de dar mais profundidade à análise do comportamento organizacional, é importante fazer uma breve reflexão sobre o que trata esse termo, para que o leitor tenha um direcionamento a respeito do assunto a ser discutido. Aqui não se trata de uma definição, mas uma breve reflexão, a partir quando se discute como as pessoas ou determinados grupos agem, mais especificamente no trabalho e qual o reflexo de suas atitudes e implicam no comportamento organizacional e até na cultura da empresa. Nessa direção, partimos do princípio que cada empresa tem uma personalidade, a qual denominamos personalidade coletiva ou cultura organizacional. Da mesma forma que as pessoas têm sua própria personalidade e, para tal, a denominamos de personalidade individual, formada pela somatória de traços individuais. A gestão de pessoas por princípio trabalha com atitudes, crenças, valores e objetivos que identificam a cultura organizacional, a personalidade coletiva da organização, como vimos em parágrafos anteriores. Nessa direção, o estudo do comportamento organizacional se torna necessário e importante como garantia e manutenção estratégica no que tange a prevenção de situações indesejáveis ao bom andamento dos resultados, bem como nas ações de evitar conflitos pessoais e coletivos, que muitas vezes leva a deterioração organizacional. Um trabalho de pesquisa desenvolvido no livro Sucessão na Empresa Familiar: Conflitos e Soluções (OLIVEIRA, 2007) tem como princípio que o mundo globalizado contribui na formação de um novo cenário econômico nacional, influenciado pela competitividade internacional, as médias e grandes empresas. 37 O processo competitivo, alteraram a forma de gestão dos seus negócios, optando por outras formas de gestão e produção, terceirizando ou criando cooperativas de trabalho, inclusive, reduzindo o tamanho da empresa, (re)estruturando o quadro de pessoal e hierarquias, na tentativa de melhorar a eficiência e eficácia dos resultados operacionais. O processo de reengenharia e a robotização implicaram na melhoria da produção, rapidez e inovação. Todavia, desencadeou um universo de micro e pequenas empresas, oriundas deste processo, fundadas pelos ex-empregados, desenvolvendo através das suas competências técnicas a prestação de serviços às empresas de origem ou, criando outras formas de negócio, normalmente colocando em prática, antigos sonhos de propriedade, enquanto empregados. Essas empresas ao longo do tempo cresceram desordenadamente, afastando-se da administração sistêmica e profissional, muitas vezes sem o aproveitamento dos seus recursos e/ou uma análise mais específica das possibilidades externas. O modelo principal destas empresas era efetivamente técnico e operativo, pouco explorando os processos institucionais e estratégicos. A modernidade tornou-se exigente nos novos modelos de gestão, fazendo do conhecimento e a tecnologia o marco da nova era. As competências técnicas evoluíram, a qualidade dos serviços não mais se apoia no conhecimento aprendido, colocando as competências comportamentais e o empreendedorismo individual na frente do negócio. A sociedade produtiva entende que para a eficiência e eficácia do negócio, o trabalhador tem sua primazia. A solução dos problemas e a criatividade passam a ser a alma do negócio, recursos desenvolvidos no trabalhador a partir quando este tem o equilíbrio emocional e o ambiente de autoestima, capaz de prover a autonomia e participação, gerando o comprometimento. Mas, infelizmente, são características representadas de forma tímida ou, muitas vezes, inexistente nestas empresas de origem familiar ou não. A Figura 18, explica o grande problema de forma geral, nas condições de excesso de autoritarismo dos gestores, acabam impactando na tomada de decisão de alguns de seus colaboradores, pois no córtex pré-frontal acumulam células nervosas que podem levar a depressão e tem pessoas que não atingem a resiliência. 38 Figura 18 – Tomada de decisão no contexto do trabalho Fonte: Oliveira (2020). Todavia, ao tratar das empresas familiares, seus fundadores têm um forte perfil emocional e resistente as transformações, além de não possuir planejamento estratégico estruturado, bem como as decisões estão baseadas em laços afetivos, superando efetivamente a real competência do empregado, prevalecendo à antiguidade e a confiança mútua, muitas vezes do trabalhador que iniciou as atividades junto ao fundador. Percebemos a grande dificuldade de diferenciar o modelo emocional do racional, predominando o autoritarismo e o perfil centralizador do proprietário, com tentativas de neutralizar estas reações, mediante posturas paternalistas. As pequenas e médias empresas, registram a sua importante contribuição no equilíbrio econômico do país, razão pela qual perseguimos a ideia da (re)modelagem organizacional, ou melhor, a profissionalização, recurso requisitado entre a maioria destas empresas, as quais sentem a necessidade de mudança, dado às exigências do mercado interno e externo, embora mantendo as barreiras do descrédito e dificuldades para esta transição, como citado anteriormente. Acumula-se a essa intransigência o processo sucessório, esbarrando em conflitos pessoais e/ou consanguíneos, assim como a ausência de parâmetros de gestão, pois iniciaram numa administração estendida do contexto familiar e de caráter submisso e sem muita técnica de gestão, pois as suas origens eram estritamente técnicas e operacionais. Muitas vezes, a falta destes parâmetros e a ausência da estrutura de processos, são fatores da má formulação das políticas, definições de papéis, metas e outros, que levam a deterioração da organização pela falta da capacitação do corpo gerencial. Acompanhamos em algumas consultorias realizadas nessas empresas o sucesso no desenvolvimento organizacional, através de reuniões de 39 apoio e o uso da administração por Objetivos, como condutor da mudança organizacional. Todavia, ambas as técnicas estão fundamentadas nas resistências às mudanças de seus integrantes, partindo do princípio que o treinamento, nesses casos não age com eficácia, considerando que os bloqueios estão presentes no formato da vaidade do fundador, onde este considera à sua maneira de administrar e de seus seguidores, o caminho certo, caso contrário não existiria o equilíbrio da equipe. Segundo essas empresas não possuem modelos de gestão ou plano de ação, portanto desconhecemo caminho administrativo e, quaisquer modelos fora à realidade dos seus erros e acertos, não seriam validos. Tais motivos impedem o encaminhamento de cursos programados, de empresas especializadas no mercado. A técnica de reuniões tem seu papel importante, quando permite a reflexão de fatos do dia a dia, através de dinâmicas tipo tempestade de ideias ou Design Thinking, uma nova técnica para a resolução de problemas e tomada de decisão provocando a participação, desenvolvendo a comunicação e motivando, quando se sente valorizado nas suas exposições. A Figura 19, explica o processo desta ferramenta: Figura 19 – Processos de desenvolvimento de um projeto Fonte: Brown (2020). As forças propulsoras de cada reunião estão alavancadas em metas previamente definidas. O facilitador conduzirá as reuniões, aproveitando os erros e acertos, discutindo o motivo das falhas e entraves que prejudicaram na tentativa de atingir os objetivos. 40 Nesse espaço de reflexões entram sugestões e levantamentos de ações incoerentes que prejudicam a produtividade, inclusive os aspectos pessoais e emocionais, desavenças e outros, que em treinamento padronizado estas oportunidades não existiriam. Importante fazer o alerta de que, se o profissional condutor das reuniões não estiver preparado, poderá gerar graves problemas, piores aos existentes, pois estamos numa armadilha chamada Gestão emocional, cujo processo sucessório é gerado em cima de conflitos e grande contágio de insatisfações, além do estágio de turbulência nesse processo de inúmeras expectativas. As organizações exercem uma forte interação na vida do ser humano, cuja influências está nas necessidades e motivos individuais, que pode ou não, incentivar ao comportamento positivo ou destrutivo, de acordo com as políticas adotadas nas áreas de seus recursos humanos, que devem estar preparados para todos impactos do dia-a-dia, diante da complexidade e o seu empenho em superar as pressões sociais, econômicas, culturais, tecnológicas e políticas. Podemos alinhar a essas questões uma análise do Comportamento Organizacional, a partir de um no estudo sistemático do comportamento humano focando ações sobre as atitudes dos indivíduos, grupos no ambiente das organizações. Nessa discussão faço uma ressalva em relação a utilização da ferramenta de análise de clima organizacional, utilizado por algumas empresas anualmente para avaliar o nível de percepção de cada colaborado. Todavia, dada as mudanças continuas que o cenário econômico, social e político, acompanhamos a rapidez das transformações, as quais nos levam a medir e acompanhar o comportamento de forma imediata para definir o impacto causado, dessa maneira sugere-se conduzir monitoramento contínuo e feedbacks individuais para ações preventivas, tais como o intuito de alcançar produtividade, reduzir o absenteísmo e a rotatividade e promover a cidadania organizacional. Portanto, o estudo do comportamento organizacional, tem a finalidade de prever e controlar o comportamento de seus colaboradores, identificando as causas ou razões que impulsionaram determinados fatos/acontecimentos/fenômenos. A previsão está direcionada para eventos futuros estabelecendo os resultados alcançados através de uma ação específica. O controle implica na contribuição que o comportamento organizacional acarreta para o trabalho, gerando eficácia. As organizações exercem uma forte interação na vida do ser humano, cuja influência está nas necessidades e motivos dos indivíduos, que pode ou não, incentivar ao comportamento positivo ou destrutivo, de acordo com as políticas adotadas nas áreas de seus recursos humanos, que devem estar preparados. Pela sua complexidade e o seu empenho em superar as pressões sociais, econômicas, culturais, tecnológicas e políticas. O Comportamento Organizacional, consiste no estudo contínuo e sistemático do comportamento humano em relação as diretrizes empresariais, analisando continuamente as ações dos indivíduos alinhado aos grupos do ambiente de trabalho. A ideia não é só pensar na produtividade alinhada a vantagem competitiva, mas pensar na qualidade de vida das pessoas, numa linha direcionada a cultura humanizada e promoção da cidadania organizacional, como pode ser verificado na Figura 20. 41 Figura 20 – Quebrando barreiras para a nova cultura organizacional Fonte: adaptado por Oliveira (2020). Assim, podemos dizer que o estudo do comportamento organizacional, tem a finalidade de prever e controlar o comportamento de seus colaboradores, identificando as causas ou razões que impulsionaram fatos e acontecimentos e até fenômenos sociais, imprescindíveis para a dinâmica da organização. Nesse processo contínuo o qual o gestor de pessoas deve ficar atento, sugerimos a utilização de métricas comportamentais, aplicadas periodicamente, para o controle não disciplinas que levam ao engessamento dos colaboradores, mas a busca da eficácia com o intuito de manter um Sistema de Informação Gerencial. Maximiano (2004), no livro Introdução à administração, faz um histórico da evolução da administração que referindo aos principais princípios, que seus respectivos cientistas sociais da época, viabilizou chegar nas Teorias Contemporâneas da gestão organizacional que, de certa forma, influenciados pelos seu princípios e diferentes escolas era atingir o máximo da produtividade com enfoque no trabalho e, para isso, os teóricos procuravam entender o comportamento dos trabalhadores e as relações das variáveis que empreendiam nos resultados anais. Em paralelo a este estudo resgatamos a análise feita no início deste trabalho, onde o leitor tem a oportunidade de lembrar as considerações de Chiavenato (2014), buscando a evolução das principais teorias à luz da sociologia, onde o autor traça um paralelo entre a evolução histórica das empresas, as correspondentes teorias que as influenciaram e propuseram os processos de mudanças sociais, podendo ser acompanhado pelo leitor deste processo histórico. A seguir fazemos breve resumo na concepção de Maximiano (2004), uma análise para contribuição da Psicologia Organizacional: 42 Escola do Movimento da ciência científica, Taylor (1900), com os principais princípios: Pagar salários altos e baixo custo de produção; Pesquisa do melhor processo de trabalho; Tarefas compatíveis com o empregado; Ambiente saudável para a produtividade. Escola do Processo administrativo, Fayol (1910), com os princípios: Planejar; Organizar; Dirigir e Controlar. Escola da Burocracia, Max Weber (1910), com os princípios: Normas e leis regem o comportamento das pessoas; Administração eficiente Independe dos interesses pessoais e Gestão Autoritária. Escola focada nas linhas de montagem, Henry Ford (1910), com os princípios: Produção massificada e controle de qualidade; Trabalhadores especializados. Escola Comportamental ou das relações humanas, Hawtorne (1920), com os princípios: Estudo da pessoa como indivíduos; Foco nas Competências; Traços de Personalidade (Natos e Inatos); Estudo das pessoas como membros do grupo (Motivação; Lideranças; Comunicação; Cultura). Escola da Teoria Geral dos sistemas, Ludwig (1930), com os princípios O Sistema tem entrada; Processamento e Saída; Base na relação de troca dos insumos, sistema e ambiente; todo sistema tem Feedback (realimentação). O leitor pode perceber a forte influência destas escolas e princípios para os dias de hoje, que levaram para os pesquisadores modernos a base para o desenvolvimento de novas teorias, a exemplo das citações dos pesquisadores Wagner e Hollenbeck (2002), no estudo sobre o: Comportamento Organizacional criando vantagem competitiva, apresentando resultados baseados ERP - Estrutura Analítica de Projeto ou a plataforma de software de informações do negócio e, estudos na tecnologia e inovação, os quais exercem forte influência no comportamento nas empresas modernas. Outra condição que envolveo comportamento social que interage diretamente no comportamento organizacional e individual, inclusive no que envolve modos de produção, conhecimento, competências, novas técnicas de gestão de pessoas e, de certa forma, a psicologia moderna, é o processo da reprodução social vista na ótica do desenvolvimento humano nas organizações, a pessoa busca metas intrínsecas representadas por ambiente de trabalho prazeroso e ganho de respeito como o status, as ambições, expectativas e ver seu crescimento pessoal e profissional. Da mesma forma, as metas extrínsecas, renda que permita a compra da casa própria, o carro novo, vestir-se bem, viajar, etc. Nessas perspectivas, encontramos em Limongi (2002) no livro Qualidade de vida no trabalho: Conceitos e práticas nas empresas da sociedade industrial, indicadores empresariais BPSO (Biológicos, Psicológicos, Sociais e Organizacionais), cuja contribuição define que é preciso entender o novo perfil do ser humano o qual não trabalha apenas pelo salário, ele fica frustrado, se aborrece com o descaso de seus gestores que cobram por tarefas que não foram explicadas de forma correta, que não passam as informações certas, o colaborador quer realizar sonhos, se sentir útil, saber que a empresa precisa dele, ser valorizado. Em outra citação feita por Limongi sobre qualidade de vida no trabalho , define que uma participação ativa dos colaboradores, cria um ambiente de integração e comunicação, condição explorada por Richard Walton (Apud Limongi Livro Qualidade de Vida no Trabalho Walton, 1973) que fornece um modelo de experimentos importantes de Qualidade de Vida no Trabalho - QVT, sendo ele o primeiro autor norte-americano que dá início a uma linha de pesquisa de satisfação do colaborador, explicitando critérios sob a ótica organizacional. 43 Segundo Limongi, para Walton (1973) tem sua contribuição quando o autor define: [...] A ideia que a QVT é representada na humanização do trabalho e na responsabilidade social, envolvendo o atendimento das necessidades e aspirações do indivíduo pela reestruturação do desenho de cargos e novas formas de organizar o trabalho, aliado à formação de equipes de trabalho, com um poder de autonomia e melhoria do ambiente organizacional. RODRIGUES, Carvalho (2001), na visão da qualidade de vida do trabalho numa concepção do comportamento organizacional e construindo nessa sua análise a psicologia organizacional, lista a as categorias conceituais propostas por Walton (1973): Condições de trabalho: Horários normais (Diminuição de horas extras); Condições Físicas (Diminuição do risco de Doenças; Limite de idade do menor; Segurança no emprego, Desenvolvimento da capacidade humana: Autonomia do trabalho; múltiplas habilidades; Tarefas completas e planejadas; Informações, Oportunidade de crescimento na empresa: Promoções de carreira; Educação formal; Utilização do conhecimento Integração social na organização: Socialização; Ausência de pré-conceitos; estreitamento dos níveis hierárquicos, Direitos e deveres: Respeito à privacidade; Livre dialogo – Direito a posicionamento; tratamento justo dos assuntos; Compensação justa do salário; Autoestima do trabalhador: Autonomia e Reconhecimento. A estrutura organizacional formada pelos níveis estratégicos táticos e operacionais de uma empresa devem saber que a equipe é a alma do negócio, portanto uma equipe bem estruturada, que saiba produzir e ser produtiva é o que vai fazer os resultados chegarem mais rápido. Nessa direção a comunicação eficiente e feedbacks contínuos é a melhor ferramenta para desenvolver novas cultura produtivas, vista com detalhes na Figura 21. Figura 21 – Como estabelecer um processo de mudança e engajamento Fonte: Oliveira (2020). 44 Reconhecemos que no mundo dos negócios não são todas as empresas que possuem uma cultura satisfatória nesse sentido. O modelo de Kopelman, Brief e Guzzo (1990), fornece uma teoria para mostrar as relações entre clima e estados cognitivos e afetivos, como satisfação no trabalho. Os resultados desse modelo mostram que o clima nas áreas administrativas tem um efeito significativo e possível na satisfação no trabalho, o que tem implicações importantes para o desenvolvimento de práticas inovadoras e recursos humanos que incentivam o bem-estar e o engajamento dos colaboradores na construção de um ambiente social saudável nas organizações. O movimento da psicologia positiva, segundo Kamei (2018), no livro Flow e Psicologia Positiva: estado de fluxo, motivação e alto desempenho, cita Seligman e Csikszentmihalyi (2000), no estudo do potencial dos fenómenos positivos, focando nesse tema de extrema importância, para o desenvolvimento de um comportamento organizacional produtivo. Neste sentido, a nossa primeira hipótese é que a percepção sobre o ambiente de trabalho influência a percepção da saúde e, quanto mais positiva for, melhor será a avaliação da saúde e consequentemente a produtividade. Figura 22 – Psicologia positiva Fonte: adaptado de Kamei (2018). Ainda no modelo de Kopelman, Brief e Guzzo, reunimos a seguir três teorias organizacionais e seus principais autores, bem como seus aspectos constituintes que promovem mecanismos de resultados, desenvolvidos no Quadro 1 a seguir: 45 Quadro 1 – Teorias organizacionais Teoria da Fisiologia Organizacional Teoria do comportamento organizacional Teoria da cognição Organizacional Principais Autores: o Robert Owen (1815) o Elton Mayo (1959) o Frederick Taylor (1987) o Kurt Lewin (1948) Aspectos Constituintes: o Ritmo de Produção o Estudo dos Tempos e da Fadiga Muscular o Custo da Produção o Capacitação Física do Trabalhador Principais Autores: o George Homans (1950) o Edgard Schein (1972) o Warren Bennis (1976) o Chris Argyris (1992) Aspectos Constituintes: o Estudo dos Processos e Stress o Qualidade de Vida no Trabalho o Valor da Produção o Capacitação Mental do Trabalhador o Utilização da Natureza Principais Autores: o Fritjof Capra (1993) o Peter Senge (1990) o Daniel Goleman (1996) Aspectos Constituintes: o Aprendizagem (comunicação) o Importância da Produção (processos) o Capacitação Emocional do Trabalhador (Relacionamento + Equilíbrio Emocional) Produtividade (Eficiência + Eficácia) Qualidade (Eficácia) Excelência (Efetividade) Fonte: adaptado de Kopelman, Brief e Guzzo (1990). Nessas três teorias do comportamento organizacional, existem pressupostos do comportamento social, para os atores deve ter: O comportamento humano é governado por normas sociais; o A estimulação sensorial: socialização, proteção social diante as ameaças; o comportamento sofre influência pela expectativa dos observadores; o ser prestativo a comunidade, é estimulado pelo sentimento de empatia ou custo benefício; o São decorrentes da dinâmica normativa e informativa; pressão da obediência e diante dos conflitos; o Adquirem atitudes por meio da experiência e da inferência; aprendizagem por meio da observação; o Estereótipos (padrões): as pessoas atribuem características positivas ao grupo que pertencem e negativas ao grupo que não pertencem. Para esse estudo que o sucesso ou fracasso da maioria dos projetos organizacionais depende do fator humano: É preciso saber lidar com pessoas de diferentes personalidades e saber se relacionar e se comunicar com elas, está compreensão do comportamento humano alcança a eficiência e eficácia nas organizações, sob o ponto de vista das competências atitudinais (Equilíbrio Emocional e relacionamento no trabalho). Sendo assim, o conceito de comportamento organizacional, refere-se ao estudo de indivíduos e grupos atuando em organizações, além do qual tem a seu principal seu foco a interação com a organização e as pessoas, através da constante troca uma com as outras. Nessa direção, é fácil compreender que a utilização de duas ferramentasimportantes, passam a estar presentes: 46 A negociação recíproca entre as pessoas e a organização. Comunicação e a informação. Seguindo a análise de Chiavenato (2014), no livro Administração: teoria, Processo e Prática, podemos considerar que o Comportamento Organizacional é dinâmico e assume as seguintes características: O Comportamento Organizacional está relacionado com as ações das pessoas no trabalho: Comportamento Individual: Personalidade; Atitudes; Percepção; Aprendizado; Motivação. Comportamento grupal (Norma; Papéis; Construção de equipes; Conflitos). O Comportamento Organizacional é visto nos aspectos: Aspectos Visíveis: Estratégias; Objetivos; Políticas e procedimentos; Estrutura organizacional; Autoridade formal; Cadeia de comando; Tecnologia; etc. Aspectos Invisíveis: Percepções; Atitudes; Normas grupais; Interações informais; Conflitos interpessoais e intergrupais. Unidades de análise (Modelo de Comportamento organizacional): Sistema Organizacional: Poder; Conflito; Política organizacional; Cultura organizacional; Valores e atitudes; Análise cultural. Grupo: Comunicação; Processos grupais; tomada de decisão grupal; Mudança comportamental; Mudança de atitude. Indivíduo: Percepção; Motivação; Aprendizagem; Personalidade; Liderança; Satisfação no trabalho; Desenho no trabalho; Estresse. d) Variáveis dependentes e independentes que afetam os sistemas: Variáveis Independentes: Nível Organizacional: Desenho Organizacional e Cultura Organizacional. Nível de grupos: Equipes e Empowerment; Cultura organizacional; dinâmica grupal e intergrupal. Nível dos Indivíduos: Diferenças individuais; Percepção e atribuição; Satisfação. Variáveis Dependentes: Produtividade; Absenteísmo; Rotatividade; satisfação com o trabalho; Cidadania Organizacional. O Comportamento Organizacional está relacionado com a maneira como as organizações se comportam na dinâmica e no constante desenvolvimento rápido da globalização, confrontando com as novas e mutáveis realidades do mundo do trabalho e, especialmente na Gestão dos Recursos Humanos. Contingencialmente, a tendência dos Gestores é desenvolver novos direcionamentos na organização e a do trabalhador, na retomada rápida do equilíbrio frente às mudanças do mercado de trabalho e a dinâmica do cenário econômico. 47 Resumindo as diferentes premissas e leituras analisadas de diferentes autores até o presente momento podemos seguir a linha de pensamento para o desenvolvimento organizacional, enquanto diretrizes de ação: - desenvolver programas de mudança de cultura; - lideranças formadoras de opinião e equilíbrio emocional; - Inclusão da atitude como a competência principal nas pessoas, diante dos processos que estamos acompanhando. Monitorar os impactos que mexem com os comportamentos e as necessidades, diante das constantes adaptação ao cenário econômico, como segue: Mudanças rápidas: A Globalização gera mudanças rápidas e dinâmicas, necessitando a criatividade. Mudanças nos ambientes de negócio: Transição da Era Industrial (Maquina; equipamentos; Ferramentas; etc.) para a Era informática (Bens intelectuais) e constante inovação. Mudança na força de trabalho: Característica multifuncional; diversidade; polivalência; pressão e empreendedorismo: Valorização do comportamento das pessoas na direção de equilíbrio emocional e pronto para solução dos problemas. Mudança nas expectativas dos clientes e consumidores: Melhoria continua; Baixo custo; Atendimento às necessidades. Mudança na organização: Enxugar gordura; Reduzindo Tamanho; eliminando níveis hierárquicos; terceirização das atividades não essenciais; Tecnologias eficazes; Pressões competitivas e novos modos de produção. Mudanças no perfil de gestores: Condutor da equipe para atingir a sua sobrevivência (Necessidades e Satisfação), agindo líder de transformação. Mudança na gestão do conhecimento: Necessidade de novas ideias e conceitos no processo de inovação e transformação, fazendo com que o gestor saiba lidar com a diversidade da equipe e novas competências. A necessidade de desenvolver novas ideias e conceitos no processo de inovação e transformação, faz com que o gestor de pessoas aprenda a lidar com a diversidade da equipe e novas competências. Esse cenário mudou alguns processos, que indiretamente afetaram o comportamento organizacional: 1- Mudanças na força de trabalho: A mão de obra sofre uma completa mudança, deixando de ser simples executor e tornando mais participativo. (Terceirização; cooperativas de trabalho; parceiros do negócio; microempreendedores Individuais); o As mulheres e os jovens assumem a sua posição na organização, fomentando uma nova cultura de trabalho, diferentes da mão de obra masculina; o A mão de obra fica mais velha e é obrigada a (re)socializar no mercado de trabalho, enquanto os demais são menos estáveis. Necessidades de mudanças de habilidades: As tecnologias trazem novas funções e tornam as existentes mais complexas, com isso a as exigências passam a ser centrada em competências: Conhecimento); Vocação e mais Compreensão das complexidades e Atitudes, assumem o papel mais importantes para a gestão moderna. 48 Downsizing (Redução do tamanho da empresa). Reestruturação do quadro de pessoal e hierarquias para a melhoria da eficiência e eficácia. Papel do Gestor: minimizar os efeitos negativos tipo conflitos, fantasias emocionais, informações distorcidas. -Processo de melhoria contínua: Tem o foco voltado a mudança comportamental em busca do atendimento e desenvolvimento do processo de trabalho. Papel do Gestor: preparar as pessoas para a mudança e superar suas resistências. -Processo de reengenharia: Implicam na melhoria na produção na produção, rapidez e inovação. Papel do Gestor: Administrando os conflitos e aspectos emocionais face ao impacto da mudança; desenvolver condições de treinamento e novas atividades; Contratação de novos postos de trabalho; Administração de mão de obra terceirizada; Locais de trabalho descentralizados (escritórios domiciliares). -Envolvimento do empregado. Papel do Gestor: desenvolver no empregado à criatividade, inovação e comprometimento. Empowerment: Poder de autonomia ao empregado para realizar suas tarefas, reforçando a credibilidade e criatividade. -Trabalho em equipe: Compartilhamento de responsabilidades e ajustes de desvios (trabalho em grupo é diferente, pois cada componente executa separadamente os objetivos) Benchmarking: troca de experiências com o mercado. O mundo do trabalho está mudando rapidamente e a administração de Recursos Humanos está ligada a essas transformações, inclusive como mediadores e transformadores de todo processo, adequando o ponto de equilíbrio do sistema organizacional. Essa nova conjuntura implica em diretrizes e estratégias para o desenvolvimento macro organizacional e sócio econômico das tendências dos recursos humanos. Nesse novo olhar, surgem situações que envolve o papel estratégico do gestor, definindo condutas e desenvolvendo aprendizados às equipes, que denominamos comportamento organizacional, que leva ao equilíbrio entre a emoção e lógica do colaborador, diante dos impactos recorrentes de mudanças organizacionais. Em trabalho anterior, sobre Psicologia Positiva (OLIVEIRA, 2019), a motivação intrínseca direcionada nos caminhos da psicologia positiva, fortalecida por uma vida prazerosa com foco no equilíbrio das emoções positivas e negativas; Vida olhar, e com propósitos futuros (Metas); Vida Engajada, através do estado de fluxo da consciência (Flow) onde estabelece a harmonia entre o corpo e a mente e, finalmente, com a identificação de talentos humanos (Força de caráter e virtudes) que, levam ao desenvolvimento humano. Esse modelo de gestão vem crescendo no comportamento organizacional. 49 Diante da adaptação dos processos de transformação e cenários de mudanças. As mudanças são necessáriase faz parte da vantagem competitiva e da política de inovação. Todavia, toda mudança favorece a impactos e inseguranças, levando à deterioração comportamental, tipo angustias e conflitos e, se não for bem mediada pelos seus líderes que, ao mesmo tempo devem favorecer ambiente positivo e satisfatório para atingir resultados positivos, numa atitude preventiva de evitar a Deterioração Organizacional. Para Foguel (2006) no livro Desenvolvimento e Deterioração Organizacional, a deterioração organizacional é um processo intrínseco à vida das organizações, da mesma forma que o processo de desenvolvimento, isso nos remete a pensar que a deterioração e desenvolvimento organizacional coexistem simultaneamente. Depende das atitudes e decisões de seus integrantes, que pode ser evitado através de oportunidades de adequação aos problemas internos e externos (Resiliência) e aproveitamento do potencial de seus recursos humanos e aplicação de ferramentas específicas para previsão dos comportamentos, tais como Exame de Cultura, ao analisar a força do grupo, Exame de clima, ao verificar a sensação e percepção do grupo em relação a organização. Ainda em Foguel, retrata o Ciclo destrutivo das Organizações o qual sintetizamos como um processo que o autor chama de disfunção de primeiro grau, caracterizado por estruturas e políticas deficientes, objetivos e papéis indefinidos, técnicas e métodos inadequados, como destacamos a seguir na Figura 23: Figura 23 – Desenvolvimento organizacional Fonte: Foguel (2006). 50 Essa sequência de falhas surge comportamentos caracterizados por conflitos, excesso de controles que engessam as autonomias de seus colaboradores, desajustes, refúgios psicológicos e comunicação deficientes. Diante desses comportamentos, a disfunção de primeiro grau leva às consequências de ineficiência, competição destrutiva, baixa eficácia, etc. Para o autor, a disfunção de primeiro grau funciona como uma reação de febre e, ao fazer uma analogia ao corpo humano que, muitas vezes não é tomada uma medida série de cura, por pensar que é uma gripe passageira. Todavia, as consequências são piores, que leva as disfunções de segundo grau que, novamente fazendo a comparação do corpo humano, trata-se de uma grave infecção. Os resultados de uma disfunção do segundo grau são a criação de tabus, memória limitada, unilateralidade, visão de túnel, onde estas duas últimas, os integrantes da organização perdem a noção da inovação ou da mudança. As consequências levam as pessoas de confrontar com os problemas e dificuldade em dar soluções, baixa capacidade de aprendizagem e eficácia. De modo geral, a deterioração organizacional leva comportamentos sustentados por ansiedades e frustrações, levando ao fenômeno social também estudado pela psicologia social os conflitos do trabalho representando uma modalidade dos desajustes sociais, que decorrem das múltiplas relações interpessoais. Os conflitos trabalhistas atingem um elevado patamar de desequilíbrio e aumentam os índices de confrontos que nos levam a considerar que o trabalho é fonte primária de sobrevivência do indivíduo e desenvolvimento da organização; operando diretamente nas relações interpessoais e, consequentemente nas relações coletivas: Paralisação de trabalho ou greve. Nos comportamentos organizacionais deteriorados são decorrentes também das falhas de comunicação e definições de papéis ou informações deficientes. Falhas na elaboração das políticas organizacionais; falha e incompetência na linha de comando, desencadeamento de frustrações, hostilidades e ansiedades; aumento da coesão grupal em prol das ações; desvio de energias com baixa de produtividade. Doenças psicossomáticas; Geração de bloqueios emocionais e sociais. Os gestores de pessoas devem ter atenção continua na necessidade do trabalhador, pois a insatisfação individual torna-se coletiva, motivo dos mecanismos constantes de negociação, além de eliminar a comunicação deficiente (de cima para baixo) e a resistente (de baixo para cima). Campos (2008) no livro Atuando em Psicologia do Trabalho, Psicologia Organizacional e Recursos Humanos, refere à psicologia do trabalho, como sendo: [...] essa psicologia contribuiu para a adaptação dos trabalhadores aos ditames da produção a fim de obter máxima produtividade. Seu foco é examinar, classificar, selecionar e, portanto, constituir um conjunto de discursos e práticas de submissão e controle. No passado tendia a abordar o ser humano como uma máquina que deveria atingir o melhor funcionamento possível, e, por meio dos testes psicológicos, buscava identificar indivíduos aptos para as fábricas fazendo uma triagem dos potencialmente nocivos. 51 Ainda considera que: [...] Outra importante linhagem dessas relações surge na década de 1980 e aborda a interface entre o trabalho e a saúde mental sendo denominada de modelo de desgaste mental. Nessa análise, Campos destaca as diversas repercussões na saúde e nos transtornos mentais relacionados ao trabalho oriundos da organização do trabalho divisão e conteúdo de tarefas, relações de poder, etc. Ainda, destaca-se que essa psicologia (social) do trabalho visa compreender e intervir em diversos fenômenos do mundo do trabalho a partir de referenciais críticos e não positivistas, implicada na transformação da sociedade e na emancipação humana. Por fim, Campos afirma que: [...] um tema fundamental a ser tratado de modo interdisciplinar é o sofrimento e a necessidade de criação de novos dispositivos de atenção psicossocial tendo em vista os assédios e violências psicológicas no trabalho apontando novas práxis para o psicólogo do trabalho e suas articulações com o campo da saúde do trabalhador e seus dispositivos institucionais como os Centros de Referência em Saúde do Trabalhador […] Podemos considerar que no equilíbrio do comportamento organizacional e a aplicação da psicologia organizacional e não a deterioração organizacional, é necessário buscar alternativas e práticas do gestor de pessoas. Para Kozicki (1999), no livro Negociação criativa: Conselhos e técnicas para os melhores resultados, define algumas tendências, causa e soluções de conflitos, listados a seguir: Queixas pessoais tem como causas situações pessoais ou familiares; condições de trabalho; relacionamento com colegas e supervisão. As soluções: analisar todas as possibilidades verificando precedentes; isolar contaminações junto às outras pessoas. Desempenho pessoal tem como causas a disciplina; Conduta do subordinado; falta de informação e comando. As soluções: pesquisar a causa; oriente as partes implicadas e analise se as causas são emocionais ou políticas. Ações sindicais tem como causas as Influências internas via CIPA; “Líderes” da mobilização sindical. As soluções: Diagnosticar e Dialogar com o profissional e/ou o sindicalista envolvido. Práticas de RH inadequada: as causas podem ser falta do bom senso; falta ou deficiência na informação; omissão de ação; ação discriminada. Ao tratar da psicologia organizacional e o comportamento Organizacional, as necessidades impostas pelo mundo corporativo moderno têm obrigado as empresas e os empregados a pensar em alternativas para uma gestão cada vez mais eficiente. Alguns autores dentre outros, coincide com nossa ótica de que as tendências na gestão dos negócios e pessoas, ao considerar que as práticas tradicionais de gestão já não mais respondem às necessidades das corporações que buscam resultados competitivos. 52 Em um ambiente de negócios em que a competição tem se acirrado, os gestores buscam, cada vez mais, ferramentas de medição de performances dos indivíduos e da empresa e essa, enquanto instituição, busca examinar a relação entre a teoria institucional moderna e os modelos de gestão tradicionais passados, para responder sua eficácia. Nos dias de hoje, a mudança organizacional está intimamente direcionada numaevolução como consequência da modernização de suas estruturas e sistemas, para enfrentar o novo cenário competitivo diante de um processo dinâmico e constante. A incorporação das novas tecnologias nas organizações extinguiu muitas atividades ou foram modificadas, bem como novas tarefas criadas, afetando diretamente as profissões e os sistemas de trabalho que, efetivamente, mexeu no comportamento das pessoas, fazendo com que as áreas de recursos humanos revessem seus processos estratégicos em decorrência das alterações no sistema de administração das empresas. Retemos para essa análise, sustentados pelo princípio que a história é um importante marco de refletir o presente diante da memória passada e, dessa forma apoiando em alguns autores tradicionais como Maximiano, Introdução à administração, 2004; Chiavenato, Gestão de Pessoas e o novo papel dos recursos humanos nas organizações, 2004; Robbins, Stephen, Administração, mudanças e perspectivas, 2000, elaboramos o esquema a seguir, para facilitar a reflexão da evolução do processo de mudança das eras da mudança organizacional. Para a professora e consultora de Recursos Humanos, Patrícia Maia (Fonte: Revista Conexão Comércio - Set/Out 2012), afirma que: A maior dificuldade é situar o papel dos profissionais de RH dentro da organização. A empresa que deseja crescer carece de colaboradores que demonstrem esse mesmo objetivo. A seleção de candidatos precisa avaliar os conhecimentos e habilidades, mas, principalmente, as atitudes. Analisa que nem todas as empresas possuem um departamento de Recursos Humanos, por exemplo, nas micro e pequenas empresas, esse papel é desenvolvido pelo próprio empresário. Ressalta que: [...] o comportamento organizacional apoiado nas ferramentas de recursos humanos vai de encontro ao equilíbrio da suade do trabalhador na instituição, no sentido de tratar diretamente e de seu talento em busca da produtividade organizacional... A psicologia organizacional tem seu foco na busca do equilíbrio institucional, no que tange a saúde do negócio ou o Core business [...] Maia aconselha para que o equilíbrio da saúde do negócio, o psicólogo organizacional conheça profundamente seu negócio; definir objetivos e metas; dimensione o volume e as características do trabalho; pelo currículo, selecione os candidatos que apresentem os conhecimentos e as habilidades necessárias; na entrevista individual e/ou coletiva, avalie seus comportamentos e atitudes. Assim o trabalho dos Recursos Humanos é contribuir para a mudança da gestão a partir do relacionamento entre seus colaboradores. 53 A professora faz uma diferença entre os recursos humanos operacional e estratégico: [...] RH Operacional está mais próxima ao Controle de ponto; Folha de pagamento; Recolhimento de impostos; Seleção de novos colaboradores. Enquanto o RH Estratégico tem a função de Capacitação e desenvolvimento da equipe; Orientação e avaliação de desempenho; Valorização e motivação dos profissionais; Alinhamento de objetivos e metas; Busca pelo comprometimento; Envolvimento de colaboradores; Gestão de informações; Conhecimento [...] (Fonte: Disponível em Revista Conexão Comércio - Set/Out 2012). No decorrer deste estudo, utilizamos de alguns estudos da teoria administrativa, para refletir a importância do papel do gestor e a utilização adequada das ferramentas de Recursos Humanos, na busca do equilíbrio das necessidades do trabalhador e da organização, tendo no centro dessa balança, o Gestor de pessoas ou, se pensar numa conduta mais técnica, o psicólogo institucional. Observamos em nossas pesquisas a evolução do papel da gestão de pessoas nas organizações, fazendo um paralelo das diferenças específicas de cada modelo administrativo e a função dos órgãos que administram as pessoas nesses momentos específicos da história. Dessa maneira, ressaltamos que hoje o modelo de Gestão de pessoas substitui todas outras nomenclaturas do passado no que tange a administração dos indivíduos nas organizações, tais como Departamento de pessoal; humanos, chegando à Gestão com Pessoas, que dá ênfase ao empregado como parceiro e colaborador do negócio da empresa. No estágio atual, suas ações estão focadas nas competências ou, no comportamento dos colaborados, remetendo ao empreendedorismo individual. A Psicologia Organizacional inicialmente denominada como Psicologia Industrial, já definida anteriormente, estuda os fenômenos psicológicos nas organizações, atuando sobre os problemas organizacionais ligados à gestão de recursos humanos (ou gestão com pessoas) com o foco na essência do ser humano diante das suas próprias necessidades, que explica nas fases da administração dos recursos humanos os diferentes focos e características, em especial sua ocorrência no Brasil. Dessa análise das fases da gestão de pessoas no Brasil, arriscamos resgatar e refletir sobre o processo de mudança percorrido nas três eras da mudança organizacional: Era Industrial Clássica; Era Industrial Neoclássica; Era da Informação, dessa vez com um olhar focado não só no comportamento organizacional, mas nas pessoas que estão envolvidas no processo de mudança, resumidos Quadro 2 a seguir: 54 Quadro 2 – Características da evolução de cada modelo de gestão na administração de Recursos Humanos Características Relações Industriais Administração de Recursos Humanos Gestão com pessoas Formato de Trabalho Centralização total das operações de RH Responsabilidade de linha de staff Descentralização, permitindo autogestão dos departamentos pelos seus gestores. Nível de Atuação Burocratizada e operacional. Rotinas trabalhistas Departamentalização e tática Focalização global e estratégica no negocio Comando De ação Decisões vindas da Cúpula da organização e ações centralizadas no órgão de RH Decisões vindas da cúpula da área e ações centralizadas no órgão de RH Decisões e ações do gerente e de sua equipe de trabalho. Tipo de Atividade Execução de serviços especializados. Centralização e isolamento da área. Consultoria interna e prestação de serviços especializados Consultoria interna. Descentralização e compartilhamento. Principais Atividades Admissão, demissão, controle frequência, legislação do trabalho, disciplina, relações sindicais. Recrutamento, seleção, treinamento, administração de salários, benefícios, higiene e segurança, relações sindicais. Acessória dos gestores nos processos estratégicos Missão da área Vigilância, coerção, coação, punições. Atrair e manter os melhores funcionários Criar a melhor empresa e a melhor qualidade de trabalho. Fonte: adaptado de Chiavenato (2004). Em Maximiano (2004), no livro a Introdução à Administração, o comportamento humano nas organizações, Explica: [...] não pode ser estereotipado em única teoria, mas fica evidente a aplicação de teorias antigas, ou partes delas, em várias organizações nos dias atuais. As características da administração dos recursos humanos em várias empresas demonstram traços das teorias X e Y criado por Douglas McGregor e Ouchi [...]. Ao pensar em gestão de pessoas, efetivamente no indivíduo, não existe uma fórmula perfeita para se obter resultados positivos com os recursos humanos, mas os estudos realizados apontam que, para se obter uma administração estratégica baseado em ferramentas ou, padrões previamente definidos ou copiados de outras empresas. Para Maximiano (2004): 55 [...] O maior capital existente em uma organização está intrinsecamente ligado aos recursos humanos e a sua capacidade de se desenvolver. Por exemplo, a teoria X e Y de Douglas McGregor (1950), quando a teoria X representa forte controle sobre os recursos humanos nas organizações, como demonstra os itens a seguir: O ser humano, em geral, não gosta intrinsecamente de trabalhar, e trabalha o mínimo possível. Poressa razão a maior parte das pessoas precisa ser coagida, vigiada, orientada, ameaçada com castigos a fim de fazer o devido esforço para alcançar os objetivos da organização. O ser humano médio prefere ser dirigido, desejando evitar responsabilidades; é pouco ambicioso, procurando segurança acima de tudo. Empregados evitarão responsabilidades e procurarão receber ordens formais, sempre que possível. A maioria dos trabalhadores põe a segurança acima de todos os fatores associados ao trabalho, exibindo pouca ambição. A teoria Y deixa evidente que, através do ambiente organizacional adequado, o desenvolvimento dos recursos humanos é muito mais otimizado e pode ser melhor aproveitado. Ainda para este autor, as características da teoria são: O esforço físico e mental no trabalho é tão natural como o lazer ou descanso. Controle externo e ameaça de castigo não são os únicos meios de suscitar esforços no sentido dos objetivos organizacionais. Movido pela auto-orientação e pelo autocontrole, o indivíduo se colocará a serviço dos objetivos que se empenhou a alcançar dentro da organização. O empenho em alcançar objetivos é função das recompensas atribuídas ao êxito da tarefa. Em condições apropriadas, o ser humano, em média, aprende não só a aceitar, mas a procurar responsabilidades. A capacidade de exercitar, em grau relativamente elevado, a imaginação, o talento e o espírito criativo na solução de problemas organizacionais, estão distribuídos, e não escassamente, entre as pessoas. Em continuidade as análises de Maximiano (2004), ao estudar a teoria Y deixa evidente que, através do ambiente organizacional adequado, o desenvolvimento dos recursos humanos é muito mais otimizado e pode ser melhor aproveitado. As características da teoria são: [...] O esforço físico e mental no trabalho é tão natural como o lazer ou descanso; Controle externo e ameaça de castigo não são os únicos meios de suscitar esforços no sentido dos objetivos organizacionais. Movido pela auto-orientação e pelo autocontrole, o indivíduo se colocará a serviço dos objetivos que se empenhou a alcançar dentro da organização. O empenho em alcançar objetivos é função das recompensas atribuídas ao êxito da tarefa; em condições apropriadas, o ser humano, em média, aprende não só a aceitar, mas a procurar responsabilidades. 56 A capacidade de exercitar, em grau relativamente elevado, a imaginação, o talento e o espírito criativo na solução de problemas organizacionais, estão distribuídos, e não escassamente, entre as pessoas […]. Nas considerações finais deste módulo, a Psicologia Organizacional analisa e foca na saúde do negócio, bem como no ponto de equilíbrio da saúde dos colaboradores, acompanhando as questões emocionais, tema que vamos desenvolver no módulo II deste livro, centralizando na performance e produtividade das pessoas que contribuem para o desenvolvimento organizacional. Portanto, ao tratar de quaisquer comportamentos individuais, é necessário estudar a personalidade do indivíduo, que pode ser definida através da somatória dos traços, ou como reage emocionalmente diante de situações ou em relação ao outro e ainda, da experiência individual. No que tange ao comportamento organizacional na ótica da psicologia organizacional, não é diferente, pois a organização também tem uma personalidade coletiva, desenvolvida através de hábitos e crenças estabelecidas através de normas, valores, atitudes e expectativas compartilhadas por todos os membros da organização. Para alguns ela é considerada como cultura organizacional, porém, para nós, adotamos tratar como personalidade coletiva, assim como as pessoas desenvolvem personalidades individuais específicas a personalidade coletiva possui significados compartilhados por seus membros, com grande diferenciação das demais organizações. O modo de pensar e agir em cada instituição, constitui o modo institucionalizado e a essência é expressa pela maneira como ela faz seus negócios e a maneira como ela trata seus clientes e funcionários, bem como o grau de autonomia ou liberdade que existe em suas unidades ou escritórios e o grau de lealdade expresso por seus funcionários com relação à empresa. A personalidade coletiva representa as percepções dos dirigentes e funcionários da organização, refletindo a mentalidade que predomina na organização. Em outras palavras, representa as normas informais e não escritas que orientam o comportamento dos membros de uma organização no dia-a-dia e que direcionam suas ações para o alcance dos objetivos organizacionais. Marcos Kisil (1998), no livro Gestão da mudança organizacional, define que para a organização possa sobreviver e se desenvolver, bem como para que existe a possibilidade de nela existir revitalização e inovação, deve-se mudar a personalidade coletiva. Para nosso entendimento, esse processo consideramos como organoplasticidade, ou seja, quando a organização como um grande cérebro organizacional, utiliza de seu potencial para mudar, traduzida como uma capacidade maior de suportar crises, transformações e principalmente, responder à retomada de equilíbrio em relação aos mercados. Ao fazermos uma analogia a personalidade individual, a Neuroplasticidade refere- se a capacidade do cérebro de modificar sua estrutura e função, em decorrência de experiências do processo de aprendizado ou de adaptação e transformação. Retomando Kisil, em relação ao processo de mudança, o autor sugere: 57 [...] a revitalização e a inovação são fatores importantes para as empresas, e de certo modo só se consegue isso mudando a sua personalidade e o esforço de entendimento mútuo dentro da empresa é uma maneira de garantir uma estrutura consistente e manter o ritmo de produtividade da organização. O desenvolvimento de uma personalidade coletiva está na Integração e comunicação, onde a estrutura da organização permite a comunicação interna entre os diversos níveis de forma simples e aberta. A colaboração e parceria como meio existente como auxílio mútuo, sendo tanto internamente entre os colaboradores ou clientes internos, quanto externamente os clientes externos. A importância da comunicação flexível, entre subordinados e gestores, caso A empresa for muito fechada, o desenvolvimento de uma personalidade coletiva, se dará num período de longo prazo, porém sendo um pouco mais flexível, se dará no curto ou médio prazo. A política de portas abertas deve ser incentivada pelos gestores até tornar-se comum na organização. Outro princípio no desenvolvimento de uma personalidade organizacional, é a abertura as novas ideias, ou seja, o grau em que a empresa é dinâmica quanto as mudanças e estabelece objetivos arrojados, criando um ambiente motivador. Nesse ambiente a empresa valoriza e incentiva as novas ideias de seus colaboradores e, como comentado anteriormente, pela nossa experiência, sugerimos tratar em reuniões aplicadas na forma de Design Thinking, numa abordagem que busca a solução de problemas de forma coletiva e colaborativa, em uma perspectiva de empatia com seus todos os envolvidos na ideia (trabalhos em equipes multidisciplinares são comuns nesse conceito). De acordo como trata o assunto, o autor do Design Thinking, Tim Brown (Versão nova em português ano 2020), em seu livro Design Thinking, é: Uma metodologia poderosa para decretar o fim das velhas ideias, explica que o processo consiste em tentar mapear e mesclar a experiência cultural, a visão de mundo e os processos inseridos na vida dos indivíduos, no intuito de obter uma visão mais completa na solução de problemas e, dessa forma, melhor identificar as barreiras e gerar alternativas viáveis para transpô-las. Não parte de premissas matemáticas, parte do levantamento das reais necessidades de seu consumidor; trata-se de uma abordagem preponderantemente humana e que pode ser usada em qualquer área de negócio. Nesse propósito, existemoutras formas de reuniões mais técnicas ou intervenções Desenvolvimento Organizacional- DO, cujos processos encaminham às Solução de problemas e Empowerment (Maior participação dos colaboradores); Treinamentos de sensibilidade (Em grupo procura mudar comportamentos pela interação); Levantamento de Feedback (Uso de questionários para identificar percepções dos membros, seguido de sugestões para problemas); Coaching de Negócios (Auxilia empreendedores a alavancar seu negócio a partir do desenvolvimento de competências empreendedoras); Construção de Equipes (Atividades coletivas de alta interatividade para aumentar a confiança entre membros) e Desenvolvimento de Intergrupos( Mudanças de atitudes, estereótipos e percepções). 58 Pode ser feito incentivos financeiros como premiações por economia na mudança de algum processo, criar uma caixa de sugestões, terem reuniões periódicas entre setores na busca de melhorias, criarem um grupo de melhoria e outros. Depende muito da comunicação, ela deve ser aberta a ponto de o funcionário ter a ousadia de expor e criar novos métodos e procedimentos. É um trabalho que pode trazer resultados no curto, médio, ou longo prazo. Os mecanismos acima citados, realmente podem ser aplicados e são formas de fazer com que a organização mude sua personalidade coletiva ou corporativa, observando o tamanho e a estrutura de cada empresa, para adaptar as ferramentas conforme sua situação. A mudança de personalidade coletiva (Ou a cultura), certamente começa de cima para baixo, e podem e devem ser executadas pela Diretoria executivo, diretor geral ou Chefe. Dessa forma conclui-se que apenas com integração de todos é possível fazer com que se mude a personalidade de uma organização, levando a mudança de um comportamento organizacional sadio e, acima de tudo, o principal ingrediente de uma empresa inovadora é sua liderança e as pessoas, que tem a liberdade e estímulo ao empreendedorismo. Assim: A gerência que é destrutivamente crítica frente a erros cometidos, mata a iniciativa, é essencial ter pessoas com iniciativa se quisermos continuar a crescer... “Contrate bons funcionários e deixe-os em paz” (William Knight, 1948). 59 REFERÊNCIAS AGUIAR, M. A. F. de. Psicologia Aplicada à Administração. São Paulo: Excellus, 1999. ARONSSON, E. Psicologia Social. São Paulo: Editora LTC, 1999. BARROS, J. Inteligência Humana (https://educador.brasilescola.uol.com.br/orientaco es/inteligencias-multiplasnovo-conceito-educacao.htm). BERGAMINI, C. W. Motivação. São Paulo: Editora Atlas, 1990. BERGAMINI, C. W. Psicologia Aplicada a Administração de Empresa: Psicologia do Comportamento Organizacional. São Paulo: Editora Atlas, 1996. BERTHOZ, A. Lições sobre o corpo, o cérebro e a mente. Ed. Edusc, 2005. BOCCATO, A. I. O Teste Paleográfico na Avaliação da Personalidade. São Paulo: Ed. Vetor, 2004. BOCK, A. M. B. Psicologias: uma Introdução ao estudo da Psicologia. 13. ed. 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Foco: Estuda consciência humana. Teocêntrica: Base no dogma da Igreja Católica. Foco: A religião como centro das coisas. A segunda fase Razão e Ciência (Modernidade: Final século XV até à Idade das Revoluções no século XVIII), a Psicologia tratada como um ramo da Filosofia: Ganha status de Ciência. Iluminismo: (Descartes, Locke e Kant), Método racional e experimental que estuda os fenômenos mentais. Foco: Aprendizado e experiência na formação da mente (Rompe com Teocentrismo). Materialismo Científico: Método científico de observar e quantificar. Foco: Objetividade e Lógica (Positivismo). 7 Fenomenologia: Husserl (1859-1938) estuda a essência das coisas e como são percebidas. Foco: A experiência subjetiva entendida pela consciência. (Percepção). A terceira fase: Globalização e domínio do sistema capitalista: Psicologia Humanista (Década de 80). Ênfase na análise humana e emocional: um estudo sobre a insatisfação da pessoa! A. Maslow (1908-1970). Foco na Psicologia humanista: “O ser humano, através de pensamentos e emoções, transpõe barreiras”. (Motivação). A quarta fase (Para alguns autores considerada a continuação da terceira fase): Domínio da Psicologia humanista. Para melhor entendimento do leitor, faremos uma sequência de apresentação de figuras, organizadas por período, a evolução dos modelos teóricos da psicologia e seus fundadores e principais ideias: Figura 1 – Evolução dos modelos teóricos da psicologia, seus fundadores e principais ideias Fonte: adaptado de Carpegiani (2002). 8 Figura 2 – Wilhelm Maximilian Wundt Fonte: adaptado de Carpegiani (2002). Figura 3 – Evolução dos modelos teóricos da psicologia, seus fundadores e principais ideias Fonte: adaptado de Carpegiani (2002). 9 Figura 4 – Evolução dos modelos teóricos da psicologia, seus fundadores e principais ideias Fonte: adaptado de Carpegiani (2002). Figura 5 – Evolução dos modelos teóricos da psicologia, seus fundadores e principais ideias Fonte: adaptado de Carpegiani (2002). 10 Figura 6 – Psicologia positiva Fonte: Kamei (2018). 11 2 O QUE É PSICOLOGIA ORGANIZACIONAL O tema Psicologia Organizacional é sugestivo no que tange a modernidade vivida num cenário de mudanças e transformações e, em especial, sobre as questões que se referem aos problemas relacionados ao comportamento e a gestão de pessoas no ambiente organizacional. Na Figura 7, para facilitar o entendimento, fazemos rápida reflexão sobre as ciências do comportamento e seus focos, quando estes são tratados na organização, dessa forma situando o leitor no tema proposto: Figura 7 – As ciências do Comportamento Fonte: adaptado por Oliveira (2020). Para alguns autores a psicologia organizacional, também é conhecida como psicologia social, por analisar a interação das pessoas e como elas se influenciam e se rela acionam uma com as outras. A psicologia organizacional tem como principal foco procurar entender o comportamento dos colaboradores em relação a esses ambientes em transformação e de transição e inovação, dessa forma procurando estabelecer o equilíbrio e a dinâmica das atitudes positivas do indivíduo e do ambiente de trabalho. Assim, buscam alternativas, através de ferramentas e estratégias compatíveis a saúde da empresa ou o “Core Business”, acompanhando e orientado os níveis estratégico, tático e operacional para os resultados positivos. Ao compreender as atitudes dos indivíduos, se mal administrados, são recorrentes em crises organizacionais levando a deterioração organizacional e a lamentável queda de produtividade, muitas vezes de origem emocional diante da deficiência de liderança ou a falta de comunicação. Comumente geradas por 12 fantasias resultantes da comunicação deficiente de cima para baixo e resistente de baixo para cima, gerando comportamentos descontrolados. A importância da psicologia organizacional, na gestão de pessoas, implica nas práticas de buscar soluções e analisar o comportamento individual dos colaboradores, ao mesmo tempo em que este está alinhado ao comportamento organizacional. Ao analisar a trajetória dos modos de produção, diretamente relacionados as práticas deste estudo e a verificação no desenvolvimento histórico das diferentes épocas e respeitando o momento sócio político e econômico, sempre se buscou dar ênfase na competitividade e vantagem competitiva, não muito diferente dos tempos atuais, todavia, no passado, o estudo do comportamento não era entendida como variável importante, talvez por pelo fatos dos cientistas sociais não se preocuparem efetivamente com o ser humano para os resultados das metas organizacionais a serem atingidas e, de certa forma os experimentos estavam mais direcionados a velocidade da máquina ou na invenção de novos equipamentos para aumentar a produtividade, ou seja, a somatória da eficiência no que tange a quantidade produzida e a eficácia, quando referida a qualidade do resultado final produzido. Uma das análises deste estudo vem ao encontro do comportamento humano, alinhado à vocação e satisfação, o que levou, mais tarde, à preocupação dos cientistas sociais e humanistas o aprofundamento dos estudos da psicologia humanista, focando na capacidade do ser humano de, através de pensamentos e emoções, transpor barreiras (Abraham Maslow/1908-1970). Para Wagner e Hollenbeck (2006), no livro Comportamento Organizacional: Criando vantagem Competitiva, analisa o desenvolvimento histórico da administração nas organizações, para apoio deste estudo, que a vantagem competitiva não é presente somente na atualidade, como pode ser verificado a seguir nas Figuras 8 e 9: A evolução da Administração nas Organizações, ao fazer um breve resumo histórico das diferentes épocas, considerando a economia, com as devidas proporções, a sua importância para civilização. 13 Figura 8 – Evolução da administração nas organizações Fonte: adaptado por Oliveira (2020). Figura 9 – Evolução da administração nas organizações Fonte: adaptado por Oliveira (2020). 14 O sistema primitivo estava relacionado a sobrevivência e produção sem relação econômica e, consequentemente, o pouco interesse no estudo comportamental de seus integrantes na visão competitiva de um cenário econômico. O sistema capitalista asiático, dá início a uma base primitiva da economia agrícola, difundida na Ásia, Egito, Índia e China. O Sistema escravista, cujos escravos eram considerados moeda de transação de poder e, quanto maior a sua posse, era sinônimo de status e poder. Nessa direção, os indícios das necessidades da presença de uma política social e pública começa a surgir, quando verificado que os escravos após seu envelhecimento eram descartados da mão de obra ativa e, sem onde ir, buscavam a sobrevivência nas cidades, aumentando as doenças e pestes recorrentes da qualidade de vida. O Sistema Feudal, condição dessa trajetória econômica produtiva, inicia uma política precária das relações humana, quando se estabelece a organização social e política entre servo e senhor. Lembrando aqui a forte diferença entre o servo e o escravo, sendo o primeiro com características de direitos mínimos no sistema de troca da sua produção individual e o escravo, obviamente, sem quaisquer direitos,principalmente nas sociedades oriundas da Ásia, Egito e China. Na revolução industrial começam indícios de estudos dos direitos e deveres para um ambiente equilibrado entre capital e trabalho, justamente em consequência do surgimento das primeiras doenças do trabalho. Para tal, daí quando alguns autores entendem que a psicologia organizacional é também entendida como psicologia do trabalho diante da promoção de um ambiente de qualidade de vida e, diante do a amenização do sofrimento das pessoas no ambiente de trabalho surge as primeiras associações de representação dos trabalhadores, mais tarde os sindicatos, tomando a frente para redução das jornadas de trabalho e inserir tempo de descanso ou, até mesmo, indícios de mediação para um ambiente saudável equacionados diante dos interesses políticos e econômico para os resultados da produção. O Sistema capitalista, com a divisão de classes entre patrão e empregados, direcionado propriedade privada e produtiva com fins lucrativos, fortalecer os direitos e deveres, para equacionar limites de interesses e diminuir a consequente presença de conflitos trabalhistas e, necessariamente, a não deterioração organizacional, decorrente de uma mão de obra fragilizada por uma jornada de trabalho desumana. Trata-se, portanto, de um impulso para mais tarde, surgir cientistas sociais e do comportamento humano, desenvolver estudos cujo principal foco é o equilíbrio entre as necessidades do colaborador e a organização, tendo à frente no centro desta balança o gestor de pessoas, com ênfase na psicologia organizacional. Seguindo nossa linha de raciocínio, buscamos em LACOMBE, 2008, no livro Administração: princípios e tendências, o autor faz um estudo do processo de mudanças ao longo da história, resumindo em seis fases os modelos dos modos de produção e suas consequências, inclusive as interferências sociais, políticas e econômicas ao longo dessas datas. 1ª Fase: Artesanal (até 1780), Produção baseada no artesanato rudimentar, formado de mão de obra não qualificada e muitas vezes na condição de escravidão em oficinas, granjas e agricultura, com resquícios do feudalismo, com sistema comercial baseado em trocas. 15 2ª Fase: Do artesanato à industrialização (1780-1860), refere-se à 1ª Revolução Industrial, quando ocorre a crescente mecanização das oficinas e da agricultura. O carvão e o ferro passam a ter enorme importância para o desenvolvimento dos países. As oficinas transformam-se em fábricas e usinas, dotadas de grandes máquinas, que substituem o esforço físico humano. Nessa época, diante dos avanços nos setores de transporte e comunicação, propicia os processos de inovação nas organizações e, com isso, implica no comportamento das pessoas, pensando que no processo de mudança gera impacto e esse afeta a emoção, inteligência emocional; aprendizagem; competências individuais; relações humanas e outros, que determinam um comportamento. 3ª Fase: Desenvolvimento industrial (1860 1914), momento da 2ª Revolução Industrial, onde o aço e a eletricidade passam a ser fundamentais, em substituição ao carvão e ferro, direcionado ao crescente domínio da ciência e do avanço tecnológico sobre a indústria e surgimento do automóvel, avião, telefone, e telégrafo sem fio. […] essas mudanças, a nosso ver, fortalece um fenômeno social com a substituição do capitalismo industrial pelo capitalismo financeiro devido à necessidade e surgimento de grandes bancos e instituições financeiras e ampliação do mercado, o que mais tarde vem dar suporte à globalização. (OLIVEIRA, 2020). 4ª Fase: Gigantismo industrial (1914 1945), fase situada entre as duas grandes guerras onde se utilizavam tecnologias e organização com propósitos bélicos. As empresas atingem proporções enormes, passando a atuar tanto no mercado nacional como internacional. Predomínio de aplicações técnicas-científicas e ênfase em materiais petroquímicos, colaborando para o aprimoramento dos setores de transporte e comunicação. 5ª Fase: Era Moderna (1945 1980), tem como característica o foco no desenvolvimento tecnológico, especialmente para fins comerciais mediante produtos e processos mais sofisticados. Nessa época com o surgimento do alumínio, plástico, fibras têxteis, energia nuclear e solar viabiliza a presença das primeiras empresas nacionais de grande porte, inclusive no Brasil. Segundo o autor, surgem os primeiros problemas econômicos, trazendo a incerteza e a imprevisibilidade do que vai acontecer. 6ª Fase: incerteza (após 1980), de novos desafios, dificuldades, oportunidades, ameaças, tornando o ambiente complexo e de grandes transformações, próprio pela escassez de recursos humanos e materiais diante da acirrada concorrência no mercado interno e externo, dando o início da globalização, com destaque ao livre comércio e economia, mudam radicalmente no gerenciamento das organizações. Lacombe (2008) analisa como uma era de grande impacto ao homem, diante da revolução do computador, que passa a substituir o ser humano em termos físicos e intelectuais. Apoiados nas análises dos autores, Wagner e Hollenbeck (2002) e Lacombe (2008), nos deixa como referencial, algumas das principais características a respeito do processo histórico de evolução da administração organizacional, através das intervenções do cenário sociopolítico e econômico de cada época, que com certeza 16 dão origem ao desenvolvimento da psicologia organizacional que, como pudemos avaliar, o quanto os processos de mudanças e transformações, implicam na relação colaborador e organização e os efeitos produtivos. Ao estudar quaisquer fenômenos sociais, acreditamos ser relevante registrar nesse contexto o aparecimento da Psicologia Organizacional, como destaque ao processo de transformação que, com certeza, tem implicações na relevância comportamental a qual nos arriscamos a pensar que é afetado pela economia aqui tratada como uma ciência que analisa a produção, distribuição e consumo de bens e serviços. A política com o referencial de analisar o comportamento da sociedade que compõe a organização, tais como as que conduzem as áreas de recursos humanos, vendas, produção, financeiro dentre outras e, nessa situação, implica o estudo importante de estudar, enquanto sociedade organizacional o conjunto de seres que convivem de forma organizada e Ética para o atingimento dos resultados e metas a serem atingidas numa organização. Achamos de primordial importância, antes de analisar efetivamente os conceitos que nos levam ao estudo da psicologia organizacional, nos apoiar na referência de alguns autores para esta discussão inicial e, diante do envolvimento das três áreas que se interagem e implicam no estudo dos chamados fenômenos sociais, e aqui enquadramos a psicologia organizacional, encontramos em Chiavenato (2014), no livro Administração: teoria, processo e prática, o comparativo das principais características na concepção do processo histórico de evolução da administração organizacional, no que tange à concepção que envolve a sociedade, economia e política, como veremos em breve histórico apresentado na Figura 10, numa visão sobre as raízes filosóficas do conhecimento para a iniciativa e autonomia na visão organizacional. Figura 10 – Raízes filosóficas do conhecimento para a iniciativa e autonomia Fonte: adaptado por Oliveira (2020). 17 Como o leitor pode observar nessa rápida análise do processo histórico, as transformações no momento que vivemos, impactam efetivamente na conduta humana que afetam o comportamento. Em nossas leituras sobre o processo de mudança das gestões organizacionais e a suas influências empreendedoras ao longo da história, as normas administrativas na organização pública foram se transferindo das instituições dos Estados, como no caso de Atenas e Roma, para as instituições oriundas da Igreja Católica e para as organizações militares. Essa transição foi lenta pois os princípiosfundamentais e estruturais na organização eclesiástica e na organização militar nem sempre eram encontradas na ação política que se desenvolvia nos Estados, geralmente movida por objetivos contraditórios de cada partido político, dirigente ou classe social. Retomando Lacombe (2008) a Organização Militar tem influenciado enormemente o desenvolvimento das teorias da administração ao longo do tempo. A organização linear na estrutura empresarial, por exemplo, tem suas origens na organização militar dos exércitos da antiguidade e da época medieval. A invenção da máquina a vapor por James Watt (1776) provocou mudanças políticas, sociais e econômicas, desse modo o trabalho artesanal é substituído pelas máquinas, dando produção e melhor qualidade do produto, diminuindo o custo da mão de obra, embora barata, mas com o interesse de diminuir as reivindicações dos trabalhadores em melhores condições de vida no ambiente de trabalho, ainda mais, quando a força muscular era substituída pela força da máquina a vapor. Dessa forma justifica que os engenheiros tidos como cientistas do comportamento, se preocupavam com o tempo e velocidade das máquinas e os primeiros treinamentos eram para capacitar os trabalhadores a acompanhar o tempo de produção e não a interferência das variáveis humanas. Queremos deduzir que com a entrada do investimento capital os conflitos organizacionais e colaboradores aumentaram, interferindo nos comportamentos e relacionamentos internos, com grande influência na saúde do negócio e, obviamente, na qualidade de vida do trabalhador. Wagner, Hollenbeck e Lacombe nos deixam como referencial algumas das principais características a respeito do processo histórico de evolução da administração organizacional, através das intervenções do cenário sociopolítico e econômico de cada época, que com certeza dão origem ao desenvolvimento da psicologia organizacional que, como pudemos avaliar, o quanto os processos de mudanças e transformações, implicam na relação colaborador e organização e os efeitos produtivos. Ao estudar quaisquer fenômenos sociais, acreditamos ser relevante registrar nesse contexto o aparecimento da Psicologia Organizacional, como destaque ao processo de transformação que, com certeza, tem implicações na relevância comportamental a qual nos arriscamos a pensar que é afetado pela economia aqui tratada como uma ciência que analisa a produção, distribuição e consumo de bens e serviços. A política com o referencial de analisar o comportamento da sociedade que compõe a organização, tais como as que conduzem as áreas de recursos humanos, vendas, produção, financeiro dentre outras e, nessa situação, implica a importância do estudo, enquanto sociedade organizacional, do conjunto de seres que convivem 18 de forma organizada e ética para o alcance dos resultados e metas a serem atingidas numa organização. A rápida análise do processo histórico, as transformações no momento que vivemos, impacta efetivamente na conduta humana que afetam o comportamento. Em nossas leituras sobre o processo de mudança das gestões organizacionais e a suas influências empreendedoras ao longo da história, as normas administrativas na organização pública foram se transferindo das instituições dos Estados, como no caso de Atenas e Roma, para as instituições oriundas da Igreja Católica e para as organizações militares. Essa transição foi lenta pois os princípios fundamentais e estruturais na organização eclesiástica e na organização militar nem sempre eram encontradas na ação política que se desenvolvia nos Estados, geralmente movida por objetivos contraditórios de cada partido político, dirigente ou classe social. A modernidade fez com que algumas ações de atuação dessas ciências sofressem mutação, exigindo com que seus focos fossem em direção a vantagem competitiva e inovação, dando ênfase na condição humana, respeitando a essência de cada pessoa no que tange ao desenvolvimento individual e específico de cada colaborador e de cada organização. Desse modo, reconhecendo a capacidade de mudança de ambas as personalidades, de um lado a cultura e a personalidade coletiva e de outro lado a personalidade individual de cada colaborador, no que tange a somatória de traços de cada pessoa, sob a regência da prática em Gestão dos Recursos Humanos, utilizando das ferramentas específicas em cada sub sistema, encontramos a seguir na Figura 11, a passagem de cada período na visão da psicologia organizacional, numa coletânea de dados de diferentes autores ao longo da preparação das aulas por nós, direcionadas aos cursos de pós-graduação: Figura 11 – Coletânea de dados de diferentes autores Fonte: adaptado por Oliveira (2019). 19 Lembrando de nossa reflexão anterior, todavia agora explorada e comentada em outro ângulo, mais comportamental, a origem da psicologia organizacional, foi a partir da metade do século XIX, com início da industrialização e a mudança dos modos de produção, exigindo o raciocínio do profissional, dessa vez caminhando para substituir o trabalhador braçal e mais consciente de suas obrigações e, consequentemente, de seus direitos e de sua condição humana. Para SAMPAIO, G. P. (1998 e 2002), no livro “Relações Humanas: a toda hora”, o autor faz um interessante estudo sobre as três fases ou momentos da história da Psicologia Organizacional que ocupou os aspectos fundamentais relativos ao homem e ao seu ambiente de trabalho, analisado a seguir: Primeira Fase – de 1924 a 1970: inicialmente, a Psicologia Organizacional era denominada Psicologia Industrial e se caracterizava pela focalização de seus estudos e intervenções no indivíduo que trabalhava”. Utilizava os conhecimentos da psicométrica (tinha sua atuação voltada à aplicação de testes), preocupavam-se com a orientação vocacional, estudos sobre as condições de trabalho e visava essencialmente adaptar o homem ao ambiente de trabalho, com o intuito de aumentar a lucratividade e produtividade. Segunda Fase – de 1970 a 1990: a Psicologia Organizacional volta suas atenções para os efeitos da estrutura organizacional e de outras variáveis sobre as disposições e ações do trabalhador. Temas como clima ou cultura organizacionais e qualidade de vida no trabalho aparecem como foco de estudo. Utiliza conhecimentos produzidos sobre a dinâmica dos grupos, desenvolvimento de equipes e estudos sobre liderança. Terceira Fase – de 1990 em diante: a partir dos anos 90 a Psicologia entra em sua terceira fase, compreendida como a Psicologia do Trabalho ou também denominada Psicologia Organizacional e do Trabalho. “Passa a se ocupar da saúde e bem-estar do trabalhador e de questões como ergonomia, abriu a discussão de temas como poder e conflitos. Para nosso interesse, direcionamos o processo de entender, os momentos que surgem os primeiros cientistas sociais, com o intuito de identificar os aspectos das condições de trabalho e estabelecer novas maneiras de desenvolver o equilíbrio entre os interesses do colaborador e as metas organizacionais em busca do equilíbrio organizacional e a consequente produtividade. Fizemos um breve resumo do livro “Administração: Teorias, Processo e Prática”, na visão de Chiavenato (2014), buscando a evolução das principais teorias à luz da sociologia, onde o autor traça um paralelo entre a evolução histórica das empresas, as correspondentes teorias que as influenciaram e propuseram os processos de mudanças sociais, podendo ser acompanhado pelo leitor deste processo histórico (adaptado por Oliveira, 2019). Administração Científica (1903): Taylor e Henry Ford, foco na tarefa e racionalização do trabalho no nível operacional. Burocrática (1909): Max Weber, foco na estrutura da organização formal e racionalização da estrutura formal. Administração clássica (1916): Henri Fayol, foco na organização formal e princípios gerais da administração, adotando divisão de áreas para facilitar os resultados finaisdo trabalho. 20 Relações humanas (1932): Elton Mayo e Victor Vroom, foco nas pessoas; Organização Informal; Motivação; Liderança e Comunicação. Estruturalista (1947): Levi Strauss; Marx; Weber, foco na estrutura social e análise intra e inter organizacional. Dos sistemas (1951): Ludwig von Bertalanffy, foco no ambiente; Cultura Organizacional e relações com cenário econômico. Social Técnica (1953): Trist e Emery, foco no Ambiente; tecnologia; Mudança Organizacional planejada e abordagem no sistema aberto. Neoclássica (1954): Peter Drucker, foco na estrutura organizacional e no sistema aberto. Comportamental (1957): McGregor; Maslow e Herzberg, foco nas pessoas; Integração dos objetivos organizacionais com as pessoas. Desenvolvimento Organizacional (1962): Leland Bradford, foco nas pessoas e Mudança organizacional planejada; Abordagem no sistema aberto. Da Contingência (1972): A Chandler, foco no ambiente, Tecnologia numa abordagem de sistema aberto (Ambiente). Novas abordagens administrativas (1990): Adam Smith e David Ricardo, foco na vantagem competitiva; Caos e complexidade; Aprendizagem organizacional e Capital Intelectual. Hoje, o estudo do comportamento está incorporado nas práticas de gestão, visando melhorar a produtividade, analisando o “Nexo causal” que leva à “Condição Humana” Ao fazer uma análise deste processo histórico, o interesse dos cientistas sociais e os novos empreendedores começam a ter um destaque na compreensão do papel das funções comportamentais e mentais, seja no individual e coletivo, surgindo a necessidade de conhecer a influência das emoções nos processos fisiológicos e biológicos ligados ao comportamento e às funções cognitivas, no que tange as atitudes e reações a cada estímulo condicionante as condições humanas, condicionantes a três elementos que se interligam: a) padrões de comportamento, que podem ser modificados através da neuroplasticidade cerebral, ou seja, a capacidade de adaptação que todos nós possuímos diante das adversidades e aprendizado, b) sistema neurológico, responsável pelas nossas reações conscientes e inconscientes e, c) linguagem, comunicação verbal, não verbal e a maneira como enxergamos o ambiente: Percepção, Sensação e Cognição. Dessa forma, esses estímulos acabam sendo responsáveis, pelo surgimento de ferramentas na busca da compreensão dos processos mentais e comportamental, para adequar alguns comportamentos e atitudes das reações humanas, quando solicitado na adequação do indivíduo no ambiente, um dos estudos da psicologia organizacional e, consequentemente o comportamento individual através de estímulos recebidos, como pode ser analisado na Figura 12 a seguir: 21 Figura 12 – Schultz & Schultz (2009) Para os atores Schultz & Schultz (2009), no estudo da psicologia moderna traz à tona alguns termos que utilizamos nos processos comportamentais, tais como: Percepção: como as funções cerebrais atribuem significado aos estímulos sensoriais (visão, audição, tato, paladar, olfato, propriocepção etc.); Cognição: os processos pelos quais as pessoas adquirem e desenvolvem conhecimento e habilidades; Atenção: como o ser humano se concentra mentalmente em algum assunto ou objeto; Emoção: experiências subjetivas, resultantes de um estímulo do ambiente; Inteligência: a capacidade de um indivíduo para diferentes funções, como a lógica, abstração, memorização, comunicação, aprendizado e outros; Personalidade: como as particularidades humanas influenciam o comportamento de um indivíduo ou grupo social; Comportamento: como as funções mentais interferem no comportamento dos indivíduos e grupos sociais; Relacionamentos interpessoais: como as pessoas se comunicam, o que garante o sucesso ou o fracasso dos processos comunicativos; Resiliência: a capacidade de um indivíduo lidar com problemas, adaptar-se a mudanças ou resistir à pressão e situações adversas. 22 3 A PSICOLOGIA SOCIAL: CARACTERIZAÇÃO E FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA SOCIAL DAS ORGANIZAÇÕES Podemos iniciar essa parte do texto afirmando que a psicologia social está alinhada a um fenômeno social que sofre influência de outras pessoas, seja no processo de percepção, cognição, sensação e até mesmo a persuasão. Sendo assim, é comum encontrar no ambiente social a tentativa de uma pessoa ou um grupo mudar o comportamento de uma pessoa e/ou de outro grupo, seja ele dominante ou não. Dessa forma, os cientistas sociais tentam estudar como os comportamentos, sentimentos e atitudes que influenciam as pessoas de maneira geral. Encontramos exemplos nas organizações, como as pessoas que trabalham em determinados ambientes adotam posturas semelhantes a de outras do mesmo grupo, a exemplo nas áreas de Vendas; Produção, etc., desenvolvendo subculturas. Segundo Aronson (1999), ao pensar na psicologia social, podemos dizer que ela trata de um ramo da psicologia, com o foco do estudo dos seres humanos dando ênfase nos processos psicológicos afetivos e mentais, representando as diferenças desses processos comportamentais em três áreas distintas de estudo, que se complementam nas relações individuais e sociais através dos processos psicológicos comuns as pessoas. Assim, para Aronson (1999): A Psicologia social é um ramo da psicologia que estuda como as pessoas pensam, influenciam e se relacionam umas com as outra..., a Psicologia Social surgiu no século XX como uma área de atuação da psicologia para estabelecer uma ponte entre a psicologia e as ciências sociais (sociologia, antropologia, geografia, história, ciência política). Quanto ao objeto de estudo, a Psicologia Social procura explicar os sentimentos, pensamentos e comportamentos do indivíduo na presença real ou imaginada de outras pessoas, diante da experiência social que o indivíduo adquire a partir de sua participação nos diferentes grupos sociais com os quais convive, bem como diante dos fenômenos sociais , tais como o desemprego, a inflação, o aumento na produção de riquezas, as taxas de mortalidade e o crescimento econômico, que influenciam no comportamento individual. Segundo Aroldo Rodrigues, um dos primeiros psicólogos brasileiros a escrever sobre o tema, no clássico sobre Psicologia Social em 1972: A psicologia social é uma ciência básica que tem como objeto de estudo as manifestações comportamentais suscitadas pela interação de uma pessoa com outras pessoas, ou pela mera expectativa de tal interação. A influência dos fatores situacionais no comportamento do indivíduo frente aos estímulos sociais. (https://siteantigo.portaleducacao.com.br). Nessa direção, podemos dizer que a psicologia social ocupa um lugar entre a sociologia e a psicologia da personalidade e tem seu foco nos estudos dos fenômenos sociais da instituição, tais diversidades; Movimentos grevistas; etc. De um lado a sociologia compartilha as influências do ambiente e os resultados dessa influência, quando trata em especial o indivíduo, no que tange aos aspectos da percepção, sensação e cognição, condições que estaremos tratando mais à frente. 23 Por ora, discutirmos a influência social, importante análise a ser feita em relação ao comportamento organizacional e, sob esse aspecto, nos ajuda a compreender a psicologia organizacional, tema deste trabalho. Em pesquisas anteriores (OLIVEIRA, 2015), buscamos nas Teorias de Vygotsky, psicólogo contemporâneo falecido em 1934, um rico material de análise abrangendo psicologia, antropologia, história, filosofia e sociologia, com interesse centrado no estudo da gênese dos processos psicológicos do ser humano, transformação e a influência social. Vygotsky aprofundou - se nos mecanismos psicológicos superiores, típicos da espécie humana: controle consciente do comportamento, atenção e lembranças voluntárias, memorização ativa, pensamento abstrato, raciocínio dedutivo, capacidade de planejamento, etc. Procurou identificar asmudanças qualitativas do comportamento que ocorrem ao longo do desenvolvimento humano e suas relações com o trabalho, inserido no contexto social, para o nosso estudo a organização. O trabalho humano, o uso de instrumentos e a interação dialética entre homem e natureza, serviram como fundamentos para o desenvolvimento humano e a influência social, profundamente enraizados na sociedade e na cultura empresarial produtiva. O ponto central do materialismo dialético, para Vygotsky, é que todos os fenômenos sejam estudados como processos em movimento e em mudança transformativa. Desta forma, a influência social, dependente da consciência do ser humano no que tange à aceitação de novos valores e, consequentemente, no comportamento integrado à sua identidade do grupo. A representação do processo de interação social do indivíduo, nas condições de homem social, inicia-se a partir do nascimento até os primeiros aprendizados de sobrevivência ao meio ambiente, a socialização primária. A socialização secundária promove a adaptação do aprendizado primário aos valores sociais, através da escolarização, do trabalho e dos agentes motivadores da reprodução social versus satisfação. (Figura 13). Segundo o sociólogo Pierre Bourdieu (1930 – 2002), existem quatro tipos de capital que contribuem para a reprodução social na sociedade: capital econômico, capital cultural, capital social e capital simbólico, passado de geração em geração e mantém as pessoas na busca de uma classe social ou reproduzindo a desigualdade. (Disponível em https: //pt.wikipedia.org/wiki/reprodu%c3%a7%C3%A3ttps). Os quatro tipos de capital são: Capital econômico: a renda e a riqueza de uma. Capital cultural: a perspectiva, as crenças, o conhecimento e as habilidades compartilhadas que são transmitidas entre as gerações, que podem, por sua vez, influenciar o capital humano. Capital humano: a educação e a capacitação profissional que uma pessoa recebe e que contribui para a probabilidade de ela adquirir capital social. Capital social: a rede social a que se pertence e que pode influenciar muito a capacidade de encontrar oportunidades, especialmente emprego. https://pt.wikipedia.org/wiki/Capital_cultural https://pt.wikipedia.org/wiki/Capital_humano https://pt.wikipedia.org/wiki/Educa%C3%A7%C3%A3o https://pt.wikipedia.org/wiki/Capital_social https://pt.wikipedia.org/wiki/Rede_social 24 Figura 13 – Gráfico da reprodução social versus satisfação Fonte: adaptado por Oliveira (2020). O gráfico representa a reprodução social na reta ascendente em direção as metas objetivas e subjetivas e esse alcance, está presente na relação do ciclo de vida e o desenvolvimento humano sobre a influência da motivação. Para tal, a Reprodução Social é a dinâmica necessária à sobrevivência do indivíduo na sociedade, que através de sua consciência, transforma a natureza e modifica a sua própria realidade. O processo ocorre com a adaptação do indivíduo ao longo da vida, utilizando mecanismos inerentes a sua estrutura psicobiossocial e as habilidades de transformação, sejam elas natas (primárias) ou inatas (aprendidas), através de potencial e capacidade de cada um. A Professora de História Juliana Bezerra–PUC/RJ (https://www.todamateria.com.br/processo-de-socializacao), comenta que o processo de socialização é fundamental para a construção das sociedades em diversos espaços sociais. É através dele que os indivíduos interagem e se integram por meio da comunicação, ao mesmo tempo em que constroem a sociedade. Para Bezerra, apud o sociólogo brasileiro Gilberto Freyre, a socialização pode ser definida da seguinte maneira: É a condição do indivíduo (biológico) desenvolvido, dentro da organização social e da cultura, em pessoa ou homem social, pela aquisição de status ou situação, desenvolvidos como membro de um grupo ou de vários grupos. A socialização (efeito de ser tornar social) está relacionada com a assimilação de hábitos culturais, bem como ao aprendizado social dos sujeitos. Isso porque é por meio dela que os indivíduos aprendem e interiorizam as regras e valores de https://www.todamateria.com.br/processo-de-socializacao 25 determinada sociedade. Nesse processo, todos os sujeitos sociais sofrem influência comportamentais, assim: A primeira fase da vida do indivíduo, na socialização primária, é interferida pela família, célula social, que aplica valores hereditários e de proteção da espécie. A segunda fase, a socialização secundária, decorre da interferência de novos grupos sociais, como escola e outras associações, que assumem papel ativo na incorporação de aspectos culturais e comportamentais, aculturando o indivíduo através de valores secundários, constituídos de relacionamentos e inter-relacionamentos, provocados pela troca de experiências relativas a cada grupo, reorganizando e mapeando os neurônios existentes. A terceira fase, socialização terciária, ocorre através do desenvolvimento de papéis sociais e adaptação as normas, esperadas pelo grupo, muitas vezes não pertinentes a vontade do indivíduo, onde este interage com novos status e destaques importantes na representação da curva de desenvolvimento da reprodução social. Juliana Bezerra – PUC/RJ (Disponível e https://www.todamateria.com.br/processo-de-socializacao). Finalmente, a socialização terciária, condição de revisão dos valores sociais e psicológicos do indivíduo, compatíveis às suas habilidades cognitivas, ou da maneira como se entende sob as várias interferências subjetivas e objetivas. Todas as fases da socialização e a influência social, são compatíveis ao desenvolvimento humano, conforme as variáveis biopsicossociais. Na sociedade contemporânea, a competência, a ser estudada no Módulo II, enquanto novo fator de reprodução social, passa a ser pertinente no sentido de possibilitar a transformação e a interação social, seja através do aprendizado, comunicação e o relacionamento, como forma de interação e transformação. Ao tratar do indivíduo, especificamente nas condições biopsicossociais, é uma questão que apresenta maior complexidade, pois não se discute somente o aprendizado e outras variáveis intervenientes, mas a condição social, no que tange aos conceitos de cidadania e à capacidade lógica de rever antigos valores e/ou de adquirir novos valores. O psicólogo Leon Festinger um dos principais teóricos que trata sobre esse assunto e considerado como um dos teóricos mais inovadores da psicologia social, orientado por Kurt Lewin, na época considerado o pai da Psicologia Social. Festinger entende que nós seres humanos somos organismos complexos pois somos levados a motivos, crenças e percepções, que ao longo da vida há ocasiões que seguimos em direções opostas, ou em dissonância. Essa questão é tratada por este pesquisador Leon Festinger, um dos teóricos mais inovadores da psicologia social, entende que nós seres humanos somos organismos complexos pois somos levados a motivos, crenças e percepções, que ao longo da vida há ocasiões que seguimos em direções opostas, ou em dissonância cognitiva. https://www.todamateria.com.br/processo-de-socializacao 26 […] O conceito de dissonância cognitiva remete à necessidade, do indivíduo, de procurar coerência entre suas cognições (conhecimento, opiniões ou crenças). A dissonância ocorre quando existe uma incoerência entre as atitudes ou comportamentos que acredita serem certos e o que realmente é praticado (Disponível em Wikipédia, a enciclopédia livre). Portanto, para aliviar a tensão interna, o sujeito modifica e interpreta suas próprias atitudes de maneira a eliminar ou diminuir a dissonância. A ausência de informação ou a comunicação deficiente leva à comportamentos desviantes, assim como a ausência de informação. Tais referências são condições trabalhadas na psicologia organizacional, como sendo umas das principais situações do desequilíbrio organizacional. Para algunsteóricos consideram que nas relações dos direitos e deveres impostos nas organizações, quando não condizentes aos colaboradores, bem como, a contratação de pessoas sem a real verificação da sua vocação, geram frustrações e, consequente baixa produtividade ao longo da trajetória profissional. Na abordagem da dissonância cognitiva, a trajetória profissional é um tema que deve ser tratada com muita atenção pela psicologia organizacional, quando o colaborador apresenta forte insatisfação, uma análise que inicia na contratação do candidato sem verificar sua real vocação e, essa situação se agrava ao longo de sua permanência na organização, levando-o a processos desmotivacionais, cuja situação leva o colaborador a dois caminhos deteriorantes, seja a apatia, ocasionando a baixa produtividade ou, a fuga em busca de novas oportunidades. Na prática, o coach na figura do gestor de pessoas preparado para ajudar o colaborador a descobrir as áreas de maior potencial (Forças e Virtudes) e está sendo muito usado para o equilíbrio das emoções, cujo processo que envolve mudança e aprendizado de novas atitudes é chamado de coaching, verificado nas Figuras 14 e 15. Figura 14 – O que é coaching? 27 Figura 15 – O processo de coaching Para José Roberto Marques do Instituto Brasileiro de Coaching (Disponível em https://www.shutterstock.com/pt/g/ra2studio, postado em 22.7.2019) [...] O ser Humano visa encontrar coerência entre suas cognições (comportamentos, conhecimentos, opiniões e crenças), sendo que quando esse equilíbrio não existe, ocorre a dissonância. Nela, a pessoa se depara com a distância entre o que ela acha correto e deseja, com o que de fato ela faz e realiza e isso causa estresse e desconforto mental e muitas vezes gerando conflitos. O coach Marques do IBC, cita alguns exemplos que caracterizam esse processo: Estacionar na vaga de portadores de necessidades especiais, mesmo sabendo que é proibido; o Jogar lixo na rua, mesmo ciente de que tal ação traz consequências negativas meio ambiente como um todo; o Não praticar exercícios físicos, mesmo entendendo o quanto eles são necessários para a saúde; o Dirigir após consumir bebida alcoólica, mesmo conhecendo todas as consequências negativas que isso pode causar. De modo geral, a Psicologia Social, é a ciência que estuda o comportamento de indivíduos no que ele é influenciado socialmente e como afirma a professora Silvia Lane de motivacionais (2009): “Nosso modo de agir e identidade é determinado pelo grupo social ao qual pertencemos, além de discutir o desenvolvimento da consciência social no grupo”. Na definição de Lane dois pontos importantes para tratar nesse estudo, para ser tratado na psicologia organizacional: http://www.shutterstock.com/pt/g/ra2studio 28 [...] a influência para existir deve ocorrer credibilidade e poder, habilidades importantes no processo de mudança comportamental, seja para o líder transformador, aquele que utiliza do aprendizado da sua equipe, ao mesmo tempo que trabalha o equilíbrio emocional dos subordinados, dessa forma é um agente de influência. (LANE, 2009). Outro elemento importante para estabelecer uma consciência social, é o poder, que pode ser utilizado em três situações: Pela Força; Apropriação das necessidades do outro e Persuasão & influência; A consciência permite que o indivíduo faça a mediação entre o ambiente interno, a mente, e o ambiente externo, ou seja a maneira como percebe, tem a sensação e entende, permitindo o ato de refletir sobre as coisas e de si mesmo. São processos que permite à pessoa interagir com os estímulos externos que formam a realidade e, a partir dessa interação e interpretação ocorre a consciência social. A consciência social busca o entendimento da pessoa sobre as necessidades do próximo e pretende cooperar através de diversos mecanismos sociais que levam a ação coletiva, ou a consciência social ou, a consciência de classe. Desse modo, é a capacidade de um sujeito em reconhecer-se enquanto membro pertencente a um grupo, podendo ou não ficar alienado ou prover de autonomia na busca de metas e resultados. Para uma sociedade produtiva o ideal é a consciência coletiva de autonomia, motivo que a Psicologia Organizacional na relação entre seus participantes, tenta estabelecer estratégias de endomarketing ou universidade corporativa para prover um DNA de engajamento ou simplesmente envolvimento, condição dependente da conduta do líder ou a cultura empresarial. No decorrer deste estudo falamos de Psicologia Organizacional e Psicologia Social, muito embora as duas estejam interligadas, elas não são exatamente a mesma coisa. Em um artigo da Por Faculdade IDE, (15 de junho de 2018) (Disponível em https://www.faculdadeide.edu.br/blog/o-que-e-a-psicologia- organizacional-e-do-trabalho-como-ela-atua), os professores citam algumas definições que nos ajudam a entender a diferença de ambas: [...] A Psicologia Organizacional, como o próprio nome diz, está ligada a uma organização se dedicando a entender os fenômenos do comportamento humano e atitudes no ambiente de trabalho, relacionados com a gestão de recursos humanos ou gestão de pessoas. A Psicologia Social, estuda o comportamento de indivíduos e como ele é influenciado socialmente, consequentemente, analisando os fenômenos sociais e suas intercorrências deste ambiente [...] https://www.faculdadeide.edu.br/blog/o-que-e-a-psicologia-organizacional-e-do-trabalho-como-ela-atua https://www.faculdadeide.edu.br/blog/o-que-e-a-psicologia-organizacional-e-do-trabalho-como-ela-atua 29 Outra abordagem muito comum no meio organizacional: [...] Psicologia do Trabalho ou industrial, para alguns autores tem o mesmo significado da Psicologia Organizacional , todavia, recebe maior relevância ao estudar o homem em seu ambiente laboral, garantindo a sua saúde física e mental e a segurança no trabalho, independentemente se é ou não em um ambiente empresarial [...] (Disponível em https://www.faculdadeide.edu.br/blog/o-que-e-a-psicologia-organizacional-e- do-trabalho-como-ela-atua). Nesse mesmo artigo, seus pesquisadores fazem uma abordagem histórica interessante, mesmo porque o passado traduz o presente e, ao comentar esses fatos históricos (Disponível em https://www.faculdadeide.edu.br/blog/o-que-e-a- psicologia-organizacional-e-do-trabalho-como-ela-atua): Entre 1920 e 1970, durante a fase industrial, o foco no aumento dos lucros e, para tal, a busca de talentos envolviam testes psicológicos que qualificavam e direcionavam os funcionários para suas melhores áreas de atuação. Entre 1970 e 1990) surge a abordagem organizacional, cuja qualidade de vida do trabalhador se torna importante, principalmente quando o resultado é o rendimento profissionais e, consequentemente, maior lucro. De 1990, surge uma nova abordagem desta teoria, abordagem conhecida como a psicologia organizacional, cujo foco é o resumo do que foi aplicado e criado desde 1920 no mercado trabalhista, com mais ênfase no comportamento psicobiológico da pessoa. Hoje se dá muito valor a saúde do trabalhador, seja a mental como física, passando a exigir do profissional que atua nessa área identificar possíveis falhas comportamentais, utilizando de ferramentas de certa forma diversificadas no acompanhamento da organização e seus colaboradores, tais como as técnicas de recrutamento e seleção; avaliação de desempenho; pesquisa de clima organizacional; exame de cultura; mapeamento de competências; remuneração; plano de desenvolvimento individual e outras que podem oferecer o equilíbrio e desenvolvimento organizacional. Pensando nas questões que envolve a produtividade, em diferentes textos desenvolvidos por nós, sobre a vantagem competitiva, firmamos as importantes relações entre a eficácia e eficiência se queremos atingir a produtividade de nossos colaboradores. Ressaltamos a necessidade de existir o ponto de equilíbrioentre a lógica e a emoção. A primeira nos referindo ao conhecimento e a experiência, condição que leva a eficácia e a segunda, a emoção, que leva à eficácia, resultado da interação de algumas competências específicas a cada pessoa, tais como a vocação; pró atividade; Interesse e outros, que levam à qualidade; criatividade e empreendedorismo individual. Nessa direção, o principal objetivo da psicologia organizacional é acompanhar a saúde e o bem-estar do trabalhador, com um olhar para a produtividade. Sabemos que os primeiros estudos da Psicologia Organizacional, ocorreu na França ao estudar as causas e efeitos da fadiga e à utilização de testes psicológicos para seleção de trabalhadores. Todavia, durante muito tempo limitavam-se ao recrutamento e em como localizar e selecionar talentos (bons trabalhadores) ou como fazê-los produzir mais e melhor, com foco apenas na aplicação de testes. Felizmente, essa orientação mudou em decorrência da pressão competitiva, ao entender que existe um conjunto formado entre a organização e os que trabalham https://www.faculdadeide.edu.br/blog/o-que-e-a-psicologia-organizacional-e-do-trabalho-como-ela-atua https://www.faculdadeide.edu.br/blog/o-que-e-a-psicologia-organizacional-e-do-trabalho-como-ela-atua https://www.faculdadeide.edu.br/blog/o-que-e-a-psicologia-organizacional-e-do-trabalho-como-ela-atua https://www.faculdadeide.edu.br/blog/o-que-e-a-psicologia-organizacional-e-do-trabalho-como-ela-atua 30 nela e, com isso, conforme falado anteriormente, surge a necessidade de ter um profissional capaz de estabelecer o equilíbrio organizacional, desenvolvendo e/ou aperfeiçoando ferramentas para esta prática. Para Luís Henrique da Costa Leão, Doutor em Saúde Pública pela Escola Nacional de Saúde Pública/ Fiocruz, no texto Psicologia do Trabalho: aspectos históricos, abordagens e desafios atuais, apud Zanelli & Bastos (2004) define: A psicologia do trabalho (Organizacional) pode ser designada como campo de compreensão e intervenção sobre o trabalho e as organizações, visando analisar a interação das múltiplas dimensões que caracterizam pessoas, grupos e organizações, com a finalidade de construir estratégias e procedimentos que promovam, preservem e restabeleçam o bem-estar. Para Geraldo Magela Machado, a psicologia do trabalho abrange, principalmente, três grandes campos de estudos: O homem e sua relação com o trabalho, abordando a personalidade do trabalhador, sua capacidade de aprendizagem e a origem das diferenças individuais entre os trabalhadores, seu nível de conhecimento e competência e sua motivação para o trabalho; o estudo do ambiente onde se dá o trabalho e que pode influir positiva ou negativamente no comportamento do indivíduo, sua relação com os instrumentos de trabalho, como lida com decisão e risco, sua postura frente às incertezas do cumprimento de metas. Desses estudos, surgem dados importantes para o estudo da ergonomia e adaptação do homem ao trabalho e vice-versa; o estudo das relações entre os componentes do conjunto, entre o homem e seu trabalho, às tarefas que este tem de realização em determinado momento e local. Busca-se saber como está definido, organizado e controlado o trabalho, tentando identificar a necessidade de pausas e as causas da monotonia. (Disponível em: infopedia.pt/$psicologia-do- trabalho). Em uma análise rápida que vem sendo discutido nesse livro, é possível entender que a psicologia pode atuar em diversas áreas, como empresas, consultorias e órgãos públicos, sendo a sua atuação de extrema importância na vantagem competitiva vista no cenário econômico, ao tratar da retenção de talentos e seu desenvolvimento, além do desenvolvimento organizacional. O gestor de áreas tem a missão de administrar o ponto de equilíbrio entre a empresa e os colaboradores, com a responsabilidade para esses últimos, em gerar ambientes propícios às suas condições físicas e emocionais, reproduzindo e fortalecendo suas habilidades. Contudo, esse processo vem ao encontro da atuação da psicologia organizacional como um todo, preocupada com o comportamento organizacional através do uso de ferramentas específicas na gestão dos recursos humanos. Ao tratar do aprimoramento da aplicação da psicologia nas organizações, percebeu-se que ela não deve ser trabalhada de modo isolado ao planejamento estratégico das empresas, devendo os recursos humanos fazer seu planejamento estratégico conforme o core business ou, na sua explicação mais próxima no mundo dos negócios, é a Saúde da Empresa. O principal objetivo do core business é fazer com que a organização explore sua maior vantagem competitiva, que se baseie em fatores importantes como seus 31 clientes, produtos, tecnologia, mercado, para poder traçar estratégias a fim de expandir e manter seu negócio. Consequentemente, as áreas de atuação da psicologia organizacional e do trabalho, que tinham suas ferramentas atribuídas para gestão operacional, hoje passa a ser direcionada a condição humana alinhadas as competências passíveis de serem desenvolvidas. Para melhor orientação do leitor, elaboramos de forma resumida o modelo de transição dos subsistemas de recursos humanos, para ferramentas de mudança comportamental dos colaboradores, apresentada na Figura 16, um Modelo de transição dos subsistemas de recursos humanos, para ferramentas de mudança comportamental: Figura 16 – Transição dos subsistemas de RH Fonte: adaptado por Oliveira (2019). (*) People Analytics, é um novo método de cruzar dados de fontes diversas, aplicado para sustentar decisões estratégicas sobre pessoas. (**) Inteligência de Negócios (Business Intelligence) por abranger todos os setores da empresa, desde o financeiro, operacional, comercial, até o marketing, com o objetivo central de interpretar e analisar os dados e informações, para identificar oportunidades ou riscos. Dessa forma, numa visão estratégica, o foco da psicologia organizacional é dar ênfase ao comportamento ou as competências dos envolvidos, remetidos em direção aos resultados da empresa. Assim, alinhado as essas práticas, surge a Gestão por Competências, a qual não é entendida como modelo de gestão, mas um modo de desenvolver talentos nas empresas, traçando a trajetória do empregado com base no plano organizacional ou no core business. 32 Através dessa gestão por competência entendemos que houve uma mudança radical na gestão de pessoas a partir do momento em que os subsistemas tradicionais de recursos humanos deixam de ser operacionais, para serem trabalhados numa ação conjunta e mais estratégica, que envolve cada colaborador, visando a autonomia e autogestão de suas habilidades, num desenvolvimento contínuo. Esse tema será tratado com mais propriedade e de forma mais explicativa no Módulo 2 deste livro, por ora queremos firmar que as ações das pessoas devem ter o intuito de colaborar na construção de uma organização eficaz, com o foco nas metas e seus objetivos traçados, conduzidas por um líder transformador, que desenvolva o contínuo aprendizado das pessoas de sua equipe e, sob o aspecto comportamental, elimine os impactos decorrentes das mudanças, desbloqueando os processos emocionais que afetam a produtividade. 33 4 COMPORTAMENTO ORGANIZACIONAL Ao falar de Psicologia Organizacional, direcionamos a uma abordagem da psicologia desenvolvida nas instituições, fundamentada no referencial sócio emocional, cujas habilidades fazem parte de um conjunto de aptidões desenvolvidas a partir da Inteligência Emocional de cada uma das pessoas, apontando para o comportamento intrapessoal e interpessoal, ou seja, o primeiro é a relação consigo mesmo e como consegue superar suas dificuldades em relação ao trabalho e auto resiliências e, o segundo, trata das relações com outras pessoas, superando conflitos de relacionamento e/ou crises emocionais no ambiente de trabalho, assegurando um ambiente positivoe produtivo. Para o psicólogo Daniel Goleman (1995), aponta para dois tipos de inteligência: [...] A Inteligência Cognitiva, avaliada pelo Q.I. (quociente de inteligência), representa o nosso lado intelectual e de raciocínio lógico. A Inteligência Emocional, medida pelo Q.E. (quociente emocional), diz respeito a capacidade de compreender e lidar com as emoções tanto a nível pessoal, quanto exterior. Para nosso entendimento, interpretamos e reproduzimos as ambas inteligências, na Figura 17, dando ênfase aos hemisférios cerebrais e ao mesmo tempo que relacionamos a produtividade (Performance versus Atividade laboral) destacando a eficiência com foco na lógica e a eficácia direcionando a emoção, mais especificamente a vontade do colaborador. Destacamos nessa análise que ambas devem caminhar juntas. Figura 17 – Hemisférios Cerebrais Fonte: adaptado de Kolb e Whishaw (2002). 34 Pensando na atuação da psicologia organizacional nas organizações, entendemos que o uso das ferramentas de recursos humanos, aquelas relacionadas à prática do Assessment Center (Tema a ser estudado no Módulo II), utilização de testes psicológicos, a seleção de pessoas, treinamentos e outras, devem estar orientadas a esse modelo na análise dos indivíduos, seja no conhecimento, análise das habilidades, interesse e outros perfis desejados. Numa abordagem mais ampla e didática, antes de começar a desenvolver com maior amplitude outras questões relacionadas a Psicologia Organizacional, podemos dizer que essa psicologia atua na saúde e equilíbrio da instituição, apoiada em técnicas e Desenvolvimento de Gestores de Pessoas, em direção às estratégias organizacionais. Em Zanelli e Bastos (2004), a prática da Psicologia Organizacional tem grande diversidade e subdomínios, os quais serão abordados a seguir: [...] A psicologia aplicada tem como foco conhecimentos psicológicos aplicados à lógica da produção e da racionalidade instrumental; Psicologia Organizacional tem como foco a Compreensão do comportamento humano no contexto organizacional de trabalho; Psicossociologia do Trabalho tem Abordagem do trabalho como um fenômeno psicossocial não circunscrito somente às ações humanas no trabalho, o ser humano e suas ações nas situações de trabalho e no contexto organizacional. Antecedentes e conseqüentes das ações humanas no trabalho têm como foco os antecedentes e consequentes destas ações para as pessoas, os grupos e as organizações; Contribuições conceituais e metodológicas têm como foco as contribuições da psicologia e de outras ciências que fornecem ferramentas conceituais e metodológicas para a psicologia organizacional e do trabalho; Relações de trabalho têm como foco os Aspectos sociais que envolvem poder e status nas relações de trabalho; Construção e desenvolvimento das organizações têm foco nas questões metodológicas da produção do conhecimento; sistemas de recursos humanos; desenhos e experiência no trabalho. Seleção e o desenvolvimento de pessoas tem foco nos fundamentos de seleção de pessoas; estratégias de seleção; avaliação individual e de desempenho; desenvolvimento de pessoas. Manutenção, expansão e encolhimento de organizações, tem foco nas Relações com o trabalho; construção de um ambiente positivo nas relações de trabalho; Gerenciamento de políticas e problemas organizacionais planejamento de mudanças e do futuro; interfaces com a sociedade. A psicóloga e pesquisadora Denise Marco Gazal (Disponível e https: // www.portaleducação.com.br/conteúdo/artigos/psicologia/psicologia- institucional/10960) cita o professor, psiquiatra e psicanalista Enrique Pichon-Rivière dentre os autores que empregam o termo Psicologia Institucional para designar uma determinada prática da psicologia em instituições, cuja linha de pesquisa justifica substituição da atividade psicoterápica que relaciona o doente e cura à da psico- higiene, aquela que busca uma população sadia, com o intuído de promover a saúde em seus colaboradores, condição para existência da psicologia organizacional. A pesquisa demonstra que a psicologia institucional ou organizacional, na concepção da psicóloga, é um modelo que difere da psicologia individual. Em linhas gerais, segundo a professora Maria de Lourdes Cysneiros de Moraes (Disponível em www.alemdavisao.com, visita em 19.09.2019), ao citar o http://www.portaleducação.com/ http://www.alemdavisao.com/ 35 psiquiatra argentino José Bleger (2001), quando este aborda temas de psicologia: Entrevistas de Grupos, a professora se refere sobre o campo da psicopedagogia e a área do conhecimento, para compreender o comportamento dos grupos e as instituições, a partir quando é possível prever e aprender novos comportamentos direcionados por um profissional especializado nessa área. Essa compreensão das premissas de Bleger quando o autor afirma que: Em Psicologia Institucional, interessa-nos a instituição como totalidade e podemos nos ocupar de parte dela, mas sempre em função da totalidade. Para isso, o psicólogo deduz sua tarefa de seu próprio estudo diagnóstico, diferentemente do psicólogo que trabalha em uma instituição, mas em funções que lhe são fixadas pelos diretores da mesma ou por um corpo profissional que não. Nesta diferenciação, Bleger afirma que o trabalho de Psicologia Institucional não deve ser desenvolvido por psicólogos em situação de empregado da instituição, mas sim, como assessor ou consultor, para evitar que a dependência econômica e profissional interfira no manejo técnico das situações. Uma vez analisada esta questão, ao dar início a um diagnóstico institucional, o psicólogo centra sua atenção na atividade humana no espaço e tempo em que ela tem lugar e no efeito da mesma para aqueles que desenvolvem tais atividades. (BLEGER, 2001). A professora Moraes, continua nas suas observações, comentando que a Psicologia Social, de onde originam as reflexões sobre a Psicologia Institucional, utilizam categorias adequadas ao caráter dos fenômenos das agrupações humanas (interação, comunicação, identificação, etc.) que, em grande parte, têm que ser descobertos e criados (Bleger, 2001). De modo geral, ao nosso ver, esses fenômenos podem ser controlados mediante a descoberta das variáveis que impulsionam as ações que interferem na conduta do grupo e/ou do indivíduo, condições previstas na psicologia organizacional. Resgatando a psicóloga Denise Marco Gazal, ela considera, que segundo Bleger, a Psicologia Institucional ou Organizacional: É uma forma de intervenção psicológica com significação social. Isto significa dizer que, no processo de intervenção institucional, o lugar dos profissionais de gestão de pessoas, é aquele que se reveste da capacidade de assinalar, pontuar e interpretar as defesas, as fantasias, e as ideologias do grupo (embasamento psicanalítico), no sentido de sua discriminação e de sua integração aos aspectos institucionalizados desses grupos. A partir da função social do gestor de pessoas, que vai permitir seu trabalho em torno das tarefas diárias de um grupo, promovendo o bem-estar, caberá a ele lidar com as relações interpessoais e com o desenvolvimento do grupo, a partir da aparição dos preconceitos, hábitos, atitudes, em situações comuns e /ou críticas, como momentos de crise ou mudanças. Uma prática intervencionista desenvolvida a partir de um método de trabalho clínico, marcado pelo enquadramento da técnica psicanalítica, que não será, apenas, um registro, mas uma indagação operativa: a observação dos acontecimentos. Ao retomar professora Morais, ao enfocar a Análise Institucional, num processo diagnóstico parte de algumas premissas básicas: 36 [...] O rompimento das relações de poder rígidas e hierarquizadas; A explicitação da dimensão oculta das instituições nas ações cotidianas; A convicção de que o papel do analista institucional é o de desencadeador do processo de análise, que deverá ser continuado,