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Resumo para Prova: Integralidade e Gestão do Cuidado 1. O Princípio da Integralidade em Saúde A Integralidade é um princípio basilar do SUS, originado na Reforma Sanitária, que busca a superação da fragmentação das práticas de saúde111111111. É uma "bandeira de luta" e uma "imagem-objetivo" que se relaciona com o ideal de uma sociedade mais justa e solidária2. A. Sentidos da Integralidade O conceito abarca a necessidade de superação de três dicotomias principais3333: 1. Superação da fragmentação do sujeito (em partes do corpo, em doenças)4444. 2. Superação da divisão das atividades entre ações clínicas/curativas e ações de prevenção/promoção de saúde5555555. 3. Superação de políticas específicas e restritas que descontextualizam o sujeito6. B. Integralidade na Prática (Dupla Dimensão) Refere-se à capacidade de garantir, de forma articulada, ações sanitárias que abrangem7: • Promoção da Saúde8. • Prevenção de Enfermidades e Acidentes9. • Recuperação da Saúde (cura e reabilitação)10. • Na dimensão de gestão, significa a articulação dessas ações nas esferas individual e coletiva11. C. Valorização da Dimensão Subjetiva A Integralidade exige a valorização da dimensão subjetiva e social das práticas de saúde, que foi historicamente excluída pela Medicina Moderna121212121212121212. • Implica: Entender a saúde como um processo de produção de vida 131313, em que o profissional se relaciona com sujeitos, e não com objetos14. • Subjetividade: Reintegra o sofrimento e o adoecimento à condição humana, reconhecendo o caráter relacional e contingente do sujeito em suas identidades e historicidades15151515. • Finalidade: O objetivo é a co-construção da autonomia de usuários e trabalhadores 16161616, que se relaciona com os projetos de felicidade do usuário171717171717171717. 2. Tecnologias no Cuidado (Merhy) O trabalho em saúde é compreendido como trabalho vivo em ato (criador), produtor de cuidado e de relações, sendo consumido no mesmo momento em que é produzido18. As ferramentas utilizadas pelos trabalhadores (agentes produtores) são divididas em três tipos19: Tipo de Tecnologia Características Exemplos Duras Tecnologias já dadas, prontas, com processos objetivos e estruturados. Instrumentos, equipamentos em saúde, exames laboratoriais e medicamentos20. Leve-Duras Utilizam-se de trabalho anterior, mas possuem certa flexibilidade para serem particularizadas. Saberes clínicos e epidemiológicos (raciocínio clínico)21. Leves Tecnologias produzidas no encontro (na relação). São criativas e mais abertas à participação do usuário. Escuta, vínculo, acolhimento, comunicação profissional- paciente, ética profissional22. 3. Modelos de Atenção à Saúde Modelos são representações que organizam recursos para enfrentar problemas de saúde232323232323232323. Modelo Concepção de Saúde Objeto de Intervenção Estratégia Principal Biomédico (Hegemônico) Ausência de doença. Ênfase no biologismo e cura24242424. Sintoma materializado no corpo (organismo anátomo- patológico)25. Clínica individual (demanda espontânea), profissional- centrada e hospitalocêntrica26. Sanitarista Campanhista Ausência de doença. Agravos e riscos prevalentes em grupos populacionais27. Ações programáticas (programas para populações específicas, ex: PNI, PSF em sua origem)28. Em Defesa da Vida Processo saúde- doença vivido pelas pessoas29. As relações que as pessoas vivenciam na produção de sua saúde30. Acolhimento e Humanização nos serviços. Cuidado usuário-centrado e em rede31. 4. Gestão do Cuidado e Ferramentas Práticas O documento defende que todos fazem gestão (gestores, trabalhadores e usuários), pois tomam decisões que influenciam o cuidado e as políticas de saúde32. O modelo de gestão compatível com a Integralidade é um modelo participativo e dialógico33333333. A. Dispositivos da PNH e Clínicas Inovadoras • PNH (HumanizaSUS): Política que visa efetivar os princípios do SUS34. Seus princípios incluem: Transversalidade, Indissociabilidade entre Atenção e Gestão (todos fazem gestão), e Protagonismo, Corresponsabilidade e Autonomia35. • Acolhimento: Postura ética e política de escuta ativa e corresponsabilização pelas demandas. Não é apenas recepção, mas uma postura presente em todos os encontros36363636. • Clínica Ampliada: Dispositivo da PNH que busca incluir e articular diferentes enfoques no trabalho. Desloca o foco da doença para o sujeito concreto37373737. Exige compartilhamento de diagnósticos por equipe e intersetorialidade38. • Método Clínico Centrado na Pessoa (MCCP): Método integrado e sistematizado com foco no entendimento da pessoa e do contexto, incluindo a experiência da doença. Promove tomada de decisão compartilhada39393939. B. Ferramentas Estruturadas de Gestão do Cuidado 1. Projeto Terapêutico Singular (PTS): Combina discussão de casos clínicos com planejamento de ações de cuidado40. É utilizado para casos mais complexos41. o "Singular": Refere-se às especificidades únicas de cada caso e sujeito42. o Etapas (Convencionais): Diagnóstico (compartilhamento de narrativas), Definição de Metas (pactuadas a curto, médio e longo prazo), Divisão de Responsabilidades, e Reavaliação (monitoramento contínuo)43434343434343434343434343434343. 2. Projeto Singular do Território (PST): Semelhante ao PTS, mas voltado a problemas do território e aos determinantes sociais de saúde44. 3. Fluxograma Analisador: Ferramenta que demonstra o processo de trabalho existente em um serviço45. É uma representação gráfica elaborada de forma usuário-centrada para identificar ruídos/conflitos e problemas na micropolítica da organização do trabalho46464646. 4. Apoio Matricial: Tecnologia de gestão baseada nas equipes de referência e de apoio47. Busca superar o modelo de encaminhamento48. o Equipe de Referência: Principal vínculo ao usuário (responsável por uma clientela/território)49. o Equipe de Apoio: Retaguarda especializada (ex: eMulti, CAPS) que realiza ações50: ▪ Clínico-Assistencial: Ações diretas com o paciente51. ▪ Técnica-Pedagógica (Matriciamento): Ações junto à equipe de referência, compartilhando saberes e técnicas (ex: discussão de casos, EPS conjunta)52. ▪ Sociossanitária: Análise e intervenção sobre problemas do território (ex: diagnóstico situacional, PST)53. o O apoiador deve evitar a postura de expert, atuando no compartilhamento e ampliação da capacidade de análise e intervenção da equipe de referência545454545454