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1 DIREITOS AUTORAIS Esse material está protegido por leis de direitos autorais. Todos os direitos sobre ele estão reservados. Você não tem permissão para vender, distribuir gratuitamente, ou copiar e reproduzir integral ou parcialmente esse conteúdo em sites, blogs, jornais ou quaisquer veículos de distribuição e mídia. Qualquer tipo de violação dos direitos autorais estará sujeito a ações legais. 2 Intervenção Precoce em Autismo Baseada em Evidências Lucelmo Lacerda Neste último módulo de nossa disciplina, dissertamos sobre o processo global de uma intervenção baseada em evidências em autismo, cujo conhecimento fomos construindo no decorrer de todos estes módulos. Tudo começa, portanto, com uma avaliação da criança, processo que engloba ouvir os pais, observar a criança em seu ambiente natural e também testar as habilidades que são pressupostas para a idade da criança. Eventualmente, certos comportamentos podem também ser avaliados separadamente, sobretudo quando representarem desafio especial à aprendizagem, isto é feito por meio de folhas de avaliação de eventos, duração, intervalos, amostra de intervalos, entre outras possibilidades. Quando falamos em uma intervenção com evidência para esta fase, não se trata de enfrentar um só comportamento, mas de uma avaliação global em que todos os domínios do desenvolvimento são empurrados para cima ao mesmo tempo e para a preparação deste processo, é necessária uma avaliação mais ampla, normalmente utilizando um protocolo de avaliação, com validação científica demonstrada por pesquisas publicadas demonstrando efeito positivo. Os protocolos mais adequados para as primeiras fases da infância não se baseiam em critérios arbitrários para os comportamentos, mas naquilo a que chamamos de Marcos do Desenvolvimento, que é o conjunto de habilidades esperadas em cada domínio do desenvolvimento para os bebês de nossa espécie. A Psicologia Desenvolvimental descreve quais são as habilidades esperadas para cada faixa do desenvolvimento, baseada na média da população e avaliações comportamentais podem medir a que distância deste desenvolvimento esperado uma criança está e, a partir disso, programar um ensino intensivo para suplementar a ação da biologia e empurrar o desenvolvimento para o mais próximo possível da média estatística. 3 Alguns dos mais importantes destes protocolos são: Inventário Portage Operacionalizado – de origem desenvolvimental e operacionalizado comportamentalmente pelas professoras Ayello e Williams, cobre o período de 0 a 6 anos – mas é melhor na primeira faixa até 2 anos, por não cobrir bem o Comportamento Verbal. ESDM – protocolo de avaliação do Modelo Denver de intervenção precoce, segue uma estrutura ligada ao modelo de intervenção, mas oferece subsídio para uma intervenção que pode também usar de outros recursos interventivos. Carolina Curriculum – de origem também alheia à Análise do Comportamento, este currículo é bem operacionalizado e completo, incluindo a avaliação e a programação interventiva. Infelizmente não existe em língua portuguesa. VB-MAPP – protocolo de avaliação baseado nos marcos do desenvolvimento já organizados de forma comportamental, é dividido em 3 níveis, 0 a 18 meses, 19 a 36 meses e 37 a 48 meses, avaliando habilidades, que também são decompostas na Task Analysis, barreiras de aprendizagem e áreas de transição, compondo um importante instrumento, já traduzido e validado no Brasil. Em resumo, esses protocolos avaliam os comportamentos em déficit no repertório de um indivíduo, isto é, o que eles deveriam fazer que não fazem ou o que eles deveriam fazer em uma certa frequência e fazem em uma frequência muito mais baixa. Alguns deles, com destaque para o VB-MAPP, nas Barreiras da Aprendizagem, também avaliam os comportamentos em excesso (que se não forem contempladas pelo próprio protocolo, devem ser avaliadas à parte), que são os comportamentos que não deveriam ocorrer (como bater a cabeça ou agredir a outras pessoas) ou que poderiam acontecer, mas não em um nível tão alto (como gritar, que poderia ocorrer ocasionalmente em jogos de futebol ou situação semelhante, mas não na escola ou em casa, falar somente de um assunto, entre outros). 4 A partir desse levantamento, é construído um planejamento de intervenção, normalmente chamado de Plano de Ensino Individualizado – PEI ou Plano de Tratamento Singular – PTS, que contem a identificação da criança, os objetivos a serem alcançados, os programas de ensino para alcançar estes objetivos e a as folhas de registro para se fazer o monitoramento dos progresso. Este planejamento deve conter estratégias para o desenvolvimento das crianças. As estratégias consideradas aquelas com evidência para esta faixa de idade pela Revisão Sistemática do NPDC são os que seguem: Intervenção baseada em antecedentes: em que se manipulam os estímulos discriminativos a partir dos quais os comportamentos ocorrem. Reforço diferencial: trata-se de um conjunto de procedimentos para tratamento de comportamento-problema, como DRA, DRI, DRL e DRO. Ensino por tentativas discretas (dtt): procedimento de ensino estruturado, que contem: Sd, dica (ou não), resposta, reforço ou procedimento de correção de erro e intervalo entre tentativas. Suporte visual: dica visual, como rotina ou agenda. Video modelação: vídeos com comportamentos a serem imitados. Atraso de dica: atraso da ajuda para favorecer a resposta independente do aprendiz. Instrução e intervenção auxiliadas por tecnologia: intervenções que tenham como ferramenta principal uma ferramenta tecnológica. Treino de habilidades sociais: ensino de diversas habilidades como iniciação de interação, sustentação de um diálogo, cumprimentos, reconhecimento de emoções, entre outros. Narrativa social: histórias exemplificativas de comportamentos esperados que 5 podem ser lidas e explicadas. Roteiro: sequência de tarefas dentro de uma tarefa maior que o aprendiz usa como ajuda para se comportar. RIR (Response Interruption and Redirection): bloqueio de comportamentos inadequados com função autoestimulatória, com redirecionamento para outras atividades. Reforçamento: a consequenciação de um comportamento que se quer aumentar, com um estímulo preferido (com a função de reforçar, isto é, fazer com que ele aumente de probabilidade) Ajuda: suplementar o estímulo discriminativo de modo a aumentar a propabilidade de a resposta ocorrer. PRT: modelo de intervenção naturalística registrado por Koegel e Koegel. PECS (Picture Comunication Exchange System): sistema de comunicação por troca de figuras. Intervenção mediada por pares: intervenção mediada por colegas de sala ou irmãos. Intervenção implementada por pais: intervenção implementada pelos próprios pais. Intervenção naturalística: estratégia realizada com a iniciativa da criança e com o reforçamento natural da tarefa. Modelação: ensino por meio da oferta de modelos a serem imitados. Treino de Comunicação Funcional (Functional Comunication Training – FCT): tipo especial de Reforço Diferencial de Resposta Alternativa em que um comportamento inadequado é substituído por um comportamento adequado de natureza comunicativa. 6