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Intervenção Precoce em Autismo Baseada em Evidências
Lucelmo Lacerda
Neste último módulo de nossa disciplina, dissertamos sobre o processo
global de uma intervenção baseada em evidências em autismo, cujo
conhecimento fomos construindo no decorrer de todos estes módulos.
Tudo começa, portanto, com uma avaliação da criança, processo que
engloba ouvir os pais, observar a criança em seu ambiente natural e também
testar as habilidades que são pressupostas para a idade da criança.
Eventualmente, certos comportamentos podem também ser avaliados
separadamente, sobretudo quando representarem desafio especial à
aprendizagem, isto é feito por meio de folhas de avaliação de eventos,
duração, intervalos, amostra de intervalos, entre outras possibilidades.
Quando falamos em uma intervenção com evidência para esta fase, não
se trata de enfrentar um só comportamento, mas de uma avaliação global em
que todos os domínios do desenvolvimento são empurrados para cima ao
mesmo tempo e para a preparação deste processo, é necessária uma
avaliação mais ampla, normalmente utilizando um protocolo de avaliação, com
validação científica demonstrada por pesquisas publicadas demonstrando
efeito positivo.
Os protocolos mais adequados para as primeiras fases da infância não
se baseiam em critérios arbitrários para os comportamentos, mas naquilo a que
chamamos de Marcos do Desenvolvimento, que é o conjunto de habilidades
esperadas em cada domínio do desenvolvimento para os bebês de nossa
espécie. A Psicologia Desenvolvimental descreve quais são as habilidades
esperadas para cada faixa do desenvolvimento, baseada na média da
população e avaliações comportamentais podem medir a que distância deste
desenvolvimento esperado uma criança está e, a partir disso, programar um
ensino intensivo para suplementar a ação da biologia e empurrar o
desenvolvimento para o mais próximo possível da média estatística.
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Alguns dos mais importantes destes protocolos são:
Inventário Portage Operacionalizado – de origem desenvolvimental e
operacionalizado comportamentalmente pelas professoras Ayello e Williams,
cobre o período de 0 a 6 anos – mas é melhor na primeira faixa até 2 anos, por
não cobrir bem o Comportamento Verbal.
ESDM – protocolo de avaliação do Modelo Denver de intervenção precoce,
segue uma estrutura ligada ao modelo de intervenção, mas oferece subsídio
para uma intervenção que pode também usar de outros recursos interventivos.
Carolina Curriculum – de origem também alheia à Análise do Comportamento,
este currículo é bem operacionalizado e completo, incluindo a avaliação e a
programação interventiva. Infelizmente não existe em língua portuguesa.
VB-MAPP – protocolo de avaliação baseado nos marcos do desenvolvimento
já organizados de forma comportamental, é dividido em 3 níveis, 0 a 18 meses,
19 a 36 meses e 37 a 48 meses, avaliando habilidades, que também são
decompostas na Task Analysis, barreiras de aprendizagem e áreas de
transição, compondo um importante instrumento, já traduzido e validado no
Brasil.
Em resumo, esses protocolos avaliam os comportamentos em déficit no
repertório de um indivíduo, isto é, o que eles deveriam fazer que não fazem ou
o que eles deveriam fazer em uma certa frequência e fazem em uma
frequência muito mais baixa.
Alguns deles, com destaque para o VB-MAPP, nas Barreiras da
Aprendizagem, também avaliam os comportamentos em excesso (que se não
forem contempladas pelo próprio protocolo, devem ser avaliadas à parte), que
são os comportamentos que não deveriam ocorrer (como bater a cabeça ou
agredir a outras pessoas) ou que poderiam acontecer, mas não em um nível
tão alto (como gritar, que poderia ocorrer ocasionalmente em jogos de futebol
ou situação semelhante, mas não na escola ou em casa, falar somente de um
assunto, entre outros).
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A partir desse levantamento, é construído um planejamento de
intervenção, normalmente chamado de Plano de Ensino Individualizado – PEI
ou Plano de Tratamento Singular – PTS, que contem a identificação da criança,
os objetivos a serem alcançados, os programas de ensino para alcançar estes
objetivos e a as folhas de registro para se fazer o monitoramento dos
progresso.
Este planejamento deve conter estratégias para o desenvolvimento das
crianças. As estratégias consideradas aquelas com evidência para esta faixa
de idade pela Revisão Sistemática do NPDC são os que seguem:
Intervenção baseada em antecedentes: em que se manipulam os estímulos
discriminativos a partir dos quais os comportamentos ocorrem.
Reforço diferencial: trata-se de um conjunto de procedimentos para
tratamento de comportamento-problema, como DRA, DRI, DRL e DRO.
Ensino por tentativas discretas (dtt): procedimento de ensino estruturado,
que contem: Sd, dica (ou não), resposta, reforço ou procedimento de correção
de erro e intervalo entre tentativas.
Suporte visual: dica visual, como rotina ou agenda.
Video modelação: vídeos com comportamentos a serem imitados.
Atraso de dica: atraso da ajuda para favorecer a resposta independente do
aprendiz.
Instrução e intervenção auxiliadas por tecnologia: intervenções
que tenham como ferramenta principal uma ferramenta tecnológica.
Treino de habilidades sociais: ensino de diversas habilidades como iniciação
de interação, sustentação de um diálogo, cumprimentos, reconhecimento de
emoções, entre outros.
Narrativa social: histórias exemplificativas de comportamentos esperados que
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podem ser lidas e explicadas.
Roteiro: sequência de tarefas dentro de uma tarefa maior que o aprendiz usa
como ajuda para se comportar.
RIR (Response Interruption and Redirection): bloqueio de
comportamentos inadequados com função autoestimulatória, com
redirecionamento para outras atividades.
Reforçamento: a consequenciação de um comportamento que se quer
aumentar, com um estímulo preferido (com a função de reforçar, isto é, fazer
com que ele aumente de probabilidade)
Ajuda: suplementar o estímulo discriminativo de modo a aumentar a
propabilidade de a resposta ocorrer.
PRT: modelo de intervenção naturalística registrado por Koegel e Koegel.
PECS (Picture Comunication Exchange System): sistema de
comunicação por troca de figuras.
Intervenção mediada por pares: intervenção mediada por colegas de sala ou
irmãos.
Intervenção implementada por pais: intervenção implementada pelos
próprios pais.
Intervenção naturalística: estratégia realizada com a iniciativa da criança e
com o reforçamento natural da tarefa.
Modelação: ensino por meio da oferta de modelos a serem imitados.
Treino de Comunicação Funcional (Functional Comunication Training –
FCT): tipo especial de Reforço Diferencial de Resposta Alternativa em que um
comportamento inadequado é substituído por um comportamento adequado de
natureza comunicativa.
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