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Condutos Forçados Prof. Leonardo Duarte Batista da Silva UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE TECNOLOGIA DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DISCIPLINA: IT 503 – FUNDAMENTOS DE HIDRÁULICA Seropédica - RJ ❑ Introdução e Princípios Básicos; ❑ Propriedades Físicas dos Fluidos; ❑ Estática dos Fluidos; ❑ Hidrodinâmica; ❑ Hidrometria; ❑ Condutos Forçados; ❑ Bombas Hidráulicas; e, ❑ Condutos Livres. Programa da Disciplina Escada hidráulica ❑ Condutos forçados – considerações iniciais; ❑ Regimes de escoamento; ❑ Camada limite; ❑ Perfil de velocidade em condutos forçados; ❑ Natureza da perda de carga em condutos forçados; ❑ Perda contínua de carga; ❑ Perda localizada de carga. Tópicos da Aula Trata-se de todos os condutos de seção fechada, completamente cheios de um fluido qualquer, que operam sob uma pressão interna diferente da pressão atmosférica, ou seja, a pressão efetiva é diferente de zero. O movimento pode se efetuar em qualquer sentido do conduto. Condutos Forçados – Considerações Gerais Z2 Z1 REFERÊNCIA Movimento ocorre devido a energia de posição e pressão, sendo essa última a principal contribuição. Condutos Forçados – Considerações Gerais No caso dos condutos livres, o líquido escoante apresenta superfície livre, na qual atua a pressão atmosférica. A seção, quando de perímetro fechado, funciona parcialmente cheia. O movimento se faz no sentido decrescente das cotas topográficas Movimento ocorre devido a energia de posição. Equação de Bernoulli aplicada a fluidos reais Em condições reais, a viscosidade dá origem a tensões de cisalhamento, levando a uma “perda” de energia (hf), que nada mais é que a transformação de energia mecânica em calor e trabalho. Condutos Forçados – Considerações Gerais g2 v2 1 1P z2 z1 2P g2 v2 2 hf1-2 PCE LE LP g2 v2 1 1P z2 z1 2P g2 v2 2 hf1-2 PCE LE LP z2 1P hf1-2 z1 g2 v2 1 2P g2 v2 2 PCE LE LP Em nível Aclive Declive - Plano de carga efetivo (PCE): demarca a continuidade da altura da carga inicial; - Linha piezométrica (LP): é aquela que une as extremidades das colunas piezométricas; - Linha de energia (LE): representa a energia total do fluido. Fica acima da linha piezométrica de uma distância correspondente à energia cinética. Equação de Bernoulli aplicada a fluidos reais Quando existem peças especiais e trechos com diâmetros diferentes, as linhas de carga e piezométrica vão se alterar ao longo do conduto. Para traçá-las, basta conhecer as cargas de posição, pressão e velocidade nos trechos antes e após a singularidade presente na canalização. Condutos Forçados – Considerações Gerais Regimes de Escoamento Experimento de Reynolds (1883): Demonstrou a existência de dois tipos de escoamento: laminar e turbulento. Para quantificar adequadamente a perda de carga que ocorre durante o escoamento de um fluido em um conduto forçado, é fundamental o conhecimento do seu regime de escoamento. 𝑅𝑒 = 𝜌𝑉𝐷 𝜇 𝑅𝑒 = 𝑉𝐷 𝜐 Em condutos forçados de são circular: ✓ Re ≤ 2000: Regime Laminar; ✓ 2000a uma potência da velocidade média; ✓ Inversamente proporcional a uma potência do diâmetro do conduto; ✓ Função da natureza das paredes, no caso do regime turbulento; ✓ Independente da pressão sob a qual o líquido escoa; e, ✓ Independente da posição da tubulação e do sentido de escoamento. hf – perda de carga, m; L e D – comprimento e diâmetro do tubo, m; V – velocidade média, m s-1; k – coeficiente que considera características do fluido e do conduto, adm; m e n – potências (teórica ou empiricamente). 1. Expressão Geral: Desde o século XVIII hidráulicos vem estudando a perda de carga nas canalizações. As dificuldades na análise analítica levaram a investigações empíricas. Após um longo estudo, Darcy e outros investigadores, com tubos de seção circular, concluiu-se que a resistência ao escoamento da água é: ℎ𝑓 = 𝑘 𝐿𝑉𝑚 𝐷𝑛 hf – perda de carga, mca; C – coeficiente de rugosidade, adm; L e D – comprimento e diâmetro do tubo, m; V – velocidade média do escoamento, m s-1; Q – vazão, m3 s-1; J – perda de carga unitária, mca m-1. 2. Equação de Hazen-Williams (Allen Hazen e Gardner S. Williams, 1903): Equação empírica que resultou da análise estatística cuidadosa, no qual foi considerado milhares de dados experimentais disponíveis, obtidos por mais de 30 pesquisadores, bem como, dados observados pelos próprios autores. Essa equação tem grande aceitação, devido ao amplo uso e às confirmações experimentais. Ela pode ser aplicada nos seguintes casos: ✓ Regime de escoamento turbulento; ✓ Diâmetros internos da canalização variando de 50 a 3500 mm; ✓ Água a temperatura ambiente (20 °C); e, ✓ Qualquer tipo de conduto e material. ℎ𝑓 = 10,641 𝑄1,852 𝐶1,852 . 𝐷4,87 . 𝐿 Perda contínua de carga 𝐷 = 10,641 . 𝑄1,852 𝐶1,852 . ℎ𝑓 . 𝐿 1 4,87 𝑉 = 0,355𝐶𝐷0,63𝐽0,54 𝑄 = 0,279𝐶𝐷2,63𝐽0,54 pc Highlight pc Highlight pc Highlight pc Highlight pc Highlight hf – perda de carga, mca; C – coeficiente de rugosidade, adm; L e D – comprimento e diâmetro do tubo, m; V – velocidade média do escoamento, m s-1; Q – vazão, m3 s-1; J – perda de carga unitária, mca m-1. 2. Equação de Hazen-Williams (Allen Hazen e Gardner S. Williams, 1903): Equação empírica que resultou da análise estatística cuidadosa, no qual foi considerado milhares de dados experimentais disponíveis, obtidos por mais de 30 pesquisadores, bem como, dados observados pelos próprios autores. Essa equação tem grande aceitação, devido ao amplo uso e às confirmações experimentais. Ela pode ser aplicada nos seguintes casos: ✓ Regime de escoamento turbulento; ✓ Diâmetros internos da canalização variando de 50 a 3500 mm; ✓ Água a temperatura ambiente (20 °C); e, ✓ Qualquer tipo de conduto e material. ℎ𝑓 = 10,641 𝑄1,852 𝐶1,852𝐷4,87 𝐿 Perda contínua de carga 𝐷 = 10,641 . 𝑄1,852 𝐶1,852 . ℎ𝑓 𝐿 1 4,87 𝑉 = 0,355𝐶𝐷0,63𝐽0,54 𝑄 = 0,279𝐶𝐷2,63𝐽0,54 Allen Hazen Perda contínua de carga Engenheiro Civil e Sanitarista Allen Hazen ( 28 de agosto de 1869, Norwich, Vermont, USA - 26 de julho de 1930, Miles City, Montana, USA ) era um especialista em hidráulica , controle de enchentes , purificação de água e tratamento de esgoto. A sua carreira estendeu 1888-1930 e ele é, talvez, mais conhecido por suas contribuições para o sistema hidráulico com a equação de Hazen -Williams . 2. Equação de Hazen-Williams (Allen Hazen e Gardner S. Williams, 1903): Determinação do coeficiente C O coeficiente de rugosidade dos tubos depende do material e do estado de conservação das paredes. TIPO DE CONDUTO NOVOS USADOS (+ 10 ANOS) USADOS (+ 20 ANOS) Aço corrugado (chapa ondulada) 60 --- --- Aço galvanizado roscado 125 100 --- Aço rebitado, novo 110 90 80 Aço soldado, comum (revestimento betuminoso) 125 110 90 Aço soldado revestimento epóxico 140 130 115 Chumbo 130 120 120 Cimento-amianto 140 130 120 Cobre 140 135 130 Concreto, com bom acabamento 130 --- --- Concreto, com acabamento comum 130 120 110 Ferro fundido, com revestimento epóxico 140 130 120 Ferro fundido, com revestimento de argamassa de cimento 130 120 105 Grés cerâmico, vidrado (manilhas) 110 110 110 Latão 130 130 130 Madeira, em aduelas 120 120 110 Tijolos, condutos bem executados 100 95 90 Vidro 140 --- --- Plástico (PVC) 140 135 130 AZEVEDO NETTO et al. (1998). Perda contínua de carga pc Highlight pc Highlight pc Highlight pc Highlight Determinação do coeficiente C Os condutos de ferro fundido ou de aço estão sujeitos a fenômenos de natureza química relativos aos minerais presentes na água. Essas condições se agravam com o tempo de utilização. Sua escolha deve ser criteriosa, pois pode levar a erros de avaliação apreciáveis. Perda contínua de carga Determinação do coeficiente C AZEVEDO NETTO et al. (1998). No caso de tubulações metálicas: ✓ Segundo Peres (2006) pode-se admitir que C diminui de 5 a 10 unidades para cada 5 anos de uso; ✓ Na seleção do coeficiente C deve-se prever a vida útil que se espera da canalização (AZEVEDO NETTO et al., 1998). Perda contínua de carga pc Highlight pc Highlight pc Highlight hf – perda de carga, mca; b – coeficiente de rugosidade, adm; L e D – comprimento e diâmetro do tubo, m; V – velocidade média do escoamento, m s-1; Q – vazão, m3 s-1; J – perda de carga unitária, mca m-1. 3. Equação de Flamant (Alfred-Aimé Flamant 1892): Equação empírica recomendada para o dimensionamento de condutos de pequeno diâmetro. Ela pode ser aplicada nos seguintes casos: ✓ Regime de escoamento turbulento; ✓ Diâmetros internos da canalização entre 12,5 e 200 mm; ✓ Água a temperatura ambiente (20 °C); e, ✓ Diversos tipos de material. ℎ𝑓 = 6,107 . 𝑏 . 𝑄1,75 𝐷4,75 . 𝐿 𝑉 = 0,453 𝑏0,57 𝐷0,714𝐽0,57 𝑄 = 0,356 𝑏0,57 𝐷2,714𝐽0,57 Perda contínua de carga 𝐷 = 6,107 . 𝑏 . 𝑄1,75 ℎ𝑓 . 𝐿 1 4,75 pc Highlight pc Highlight pc Highlight pc Highlight 3. Equação de Flamant (1892): Material b Tubos de ferro ou aço novos 0,000185 Tubos de ferro ou aço usados 0,000230 Tubos de chumbo 0,000140 Tubos de cobre 0,000130 Tubos de cimento amianto 0,000155 Tubos de PVC e de polietileno (PE) 0,000135 Fonte: AZEVEDO NETTO et al. (1998); NEVES (1989). Perda contínua de carga pc Highlight pc Highlight hf – perda de carga, mcf; f – coeficiente de atrito, adm; L e D – comprimento e diâmetro do tubo, m; V – velocidade média do escoamento, m s-1; Q – vazão, m3 s-1; J – perda de carga unitária, mcf m-1; g – aceleração da gravidade, m s-2. 4. Equação de Darcy-Weisbach (Equação Universal): Equação teórica deduzida por meio da aplicação da análise dimensional. Essa equação pode ser aplicada nos seguintes casos: ℎ𝑓 = 8 . 𝑓 . 𝑄2 𝜋2 . 𝑔 . 𝐷5 .𝐿 ✓ Qualquer regime de escoamento; ✓ Qualquer diâmetro da canalização; ✓ Qualquer líquido; ✓ Qualquer temperatura do líquido; e, ✓ Qualquer material de canalização 𝐽 = 8𝑓𝑄2 𝜋2𝑔𝐷5𝐽 = ℎ𝑓 𝐿 Perda contínua de carga 𝐷 = 8 . 𝑓 . 𝑄2 𝜋2 . 𝑔 . ℎ𝑓 .𝐿 1 5 pc Highlight pc Highlight pc Highlight pc Highlight pc Highlight 4. Equação de Darcy-Weisbach (Equação Universal): Julius Ludwig Weisbach (Mittelschmiedeberg (atual Mildenau), 10 de agosto de 1806 — Freiberg, 24 de fevereiro de 1871) Matemático e Engenheiro alemão. Perda contínua de carga Henry Philibert Gaspard Darcy 10 de junho de 1803 em Dijon, França - 3 de janeiro de 1858 (54 anos) Engenheiro. Perda de carga contínua 4. Equação de Darcy-Weisbach (Equação Universal): O coeficiente de atrito (f) é função do número de Reynolds (Re) e da rugosidade relativa (e/D) do conduto. a) Rugosidade Absoluta (e): é a altura média das asperezas da parede interna de um conduto (medida pelo rugosímetro); b) Rugosidade Equivalente: obtido pela equação universal, correspondente a um valor de f, aplicando-se a equação no sentido inverso; c) Rugosidade Relativa (e/D): é a razão entre a rugosidade absolutado conduto e o seu diâmetro interno. Ao se adotar um valor médio de e, considera-se a rugosidade do tubo uniforme. PERES (2006). pc Highlight Tabela. Rugosidade absoluta (e) de tubos de diferentes materiais. Material Tubos Novos Tubos Velhos Aço galvanizado 0,00015 a 0,00020 0,0046 Aço rebitado 0,0010 a 0,0030 0,0060 Aço revestido 0,0004 0,0005 a 0,0012 Aço soldado 0,00004 a 0,00006 0,0024 Chumbo lisos lisos Cimento-amianto 0,000025 Cobre ou latão lisos lisos Concreto bem acabado 0,0003 a 0,0010 Concreto ordinário 0,0010 a 0,0020 Ferro forjado 0,0004 a 0,0006 0,0024 Ferro fundido 0,00025 a 0,00050 0,0030 a 0,0050 Ferro fundido com revest. asfáltico 0,00012 0,0021 Madeira em aduelas 0,0002 a 0,0010 Manilhas cerâmicas 0,0006 0,0030 Vidro lisos** lisos** Plástico lisos lisos * Para tubos lisos, o valor é de 0,00001 ou menos; **Corresponde aos maiores valores de e/D. AZEVEDO NETTO et al. (1998). Perda contínua de carga 4. Equação de Darcy-Weisbach (Equação Universal): Determinação do coeficiente f Regime Laminar: O coeficiente de atrito (f) é função do número de Reynolds (Re), sendo independente da natureza do conduto. 𝑄 = 𝐴𝑉 = 𝜋𝐷2 4 𝑉ℎ𝑓 = 128 𝜐𝐿𝑄 𝜋𝑔𝐷4 ℎ𝑓 = 128 𝜐𝐿𝜋𝐷2𝑉 4𝜋𝑔𝐷4 ℎ𝑓 = 64𝜐𝐿𝑉 2𝑔𝐷2 ℎ𝑓 = 64𝜐 𝐷𝑉 𝐿𝑉2 𝐷2𝑔 𝑓 = 64𝜐 𝐷𝑉 𝑓 = 64 𝑅𝑒 Perda contínua de carga 4. Equação de Darcy-Weisbach (Equação Universal): Determinação do coeficiente f ❑ Diagrama de Moody: É a representação gráfica da expressão de Hagen- Poiseiulle e da fórmula de Colebrooke-White. Nesse gráfico logarítmico o f é apresentado em função do Re e da e/D. Pode ser aplicado tanto no regime laminar como no turbulento, e para qualquer líquido. Perda contínua de carga Regime Turbulento: O coeficiente de atrito (f) é função do número de Reynolds (Re) e/ou da natureza do conduto, ou seja, da Rugosidade Relativa (RR). pc Highlight pc Highlight pc Line Lewis Ferry Moody (1880-1953) foi um engenheiro norte-americano e professor, o mais conhecido para o gráfico de Moody, um diagrama de capturar as relações entre diversas variáveis usadas no cálculo de fluxo de fluido através de um tubo. ❑ Diagrama de Moody pc Highlight Exemplo 1: Por uma tubulação de 60 mm de diâmetro está sendo bombeado 8,5 m3 h-1 de glicerina à temperatura de 20 °C (ρ = 1258 kg m-3; μ = 1,49 N s m-2). Sabendo-se que, a distância entre os pontos A e B é de 30 m e que as pressão relativas a esses pontos, são respectivamente, 2,0 e 3,8 atm, pede-se: a) Verificar o regime de escoamento; b) O sentido do escoamento; c) A perda de carga entre os pontos A e B da tubulação. PERES (2006). Perda contínua de carga Exemplo 2: Na irrigação por gotejamento pode ser utilizado um emissor de longo percurso. Calcule o comprimento de um emissor de longo percurso operando nas seguintes condições de projeto: vazão do emissor = 4 L h-1; pressão de serviço do emissor = 10 mca; diâmetro interno = 1 mm. Considere a viscosidade cinemática da água de 10-6 m2 s-1. PERES (2006). Perda contínua de carga Exemplo 3: Uma tubulação de ferro fundido conduz água a uma temperatura de 20 °C (υ = 1,01 10-6 m2 s-1) e velocidade de 3 m s-1. Se a tubulação tem 365 m de comprimento e 15 cm de diâmetro, encontre a perda de carga contínua que ocorre durante o escoamento. Exemplo 4: Uma tubulação nova de ferro fundido tem 125 mm de diâmetro interno e conduz água a temperatura de 30 °C (υ = 8,04 10-7 m2 s-1), com uma perda carga unitária (J) de 0,008 mca m-1. Calcule a vazão da tubulação. Exemplo 5: Uma tubulação de ferro fundido asfaltado de 100 m de comprimento, transporta uma vazão de 35 L s-1 de água à 20 °C (υ = 1,01 10-6 m2 s-1), com uma perda carga contínua de 2,25 mca. Calcule o diâmetro da tubulação, admitindo-se e = 0,12 mm. Perda contínua de carga Exemplo 6: Uma adutora de cimento-amianto (C = 140), conduzindo água a temperatura ambiente, com 1800 m de comprimento será dimensionada para conduzir uma vazão de 2 L s-1 entre dois reservatórios (figura abaixo), cuja diferença entre as cotas é de 21,72 m. Pede-se: a) O diâmetro teórico; b) O diâmetro comercial; c) A vazão efetiva para o diâmetro comercial adotado, caso a mesma não seja controlada; d) A perda de carga efetiva para o diâmetro comercial adotado, caso a vazão seja controlada em 2 L s-1 e a pressão a montante do registro. Perda contínua de carga (1) A B 21,72 m NR L = 1800 m Cimento-amianto (2) Exemplo 7: Por uma tubulação velha e encrustada de ferro fundido revestido de 150 mm de diâmetro interno, a água circula com uma velocidade média de 2,45 m s-1. Em um ponto A desse tubo a pressão atuante é de 27,35 mca, enquanto que em B, distante 30,5 m e 0,95 m abaixo de A, a pressão vale 23,80 mca. Qual o valor provável de C da equação de Hazen-Williams? (A) (B) 0,95 m NR Perda contínua de carga (A) (B) Nível de Referência 30,5 m 27 mca 20,8 mca Q Exemplo 8: Por uma tubulação com 100 m de comprimento, de PVC (b = 0,000135) escoa água com uma vazão de 2,5 L s-1 de um reservatório para um lago. Sabe-se que o desnível existente entre o nível de água do reservatório a descarga livre da tubulação é de 10 m. Qual o diâmetro teórico que deve ser usado na adutora? Cota 95 m (1) (2) Cota 85 m (NR) Perda contínua de carga Perda localizada de carga Nas canalizações, qualquer elemento ou dispositivo que venha a causar ou elevar a turbulência, mudar a direção ou alterar a velocidade de um fluído é responsável por uma perda adicional de energia à perda contínua de carga. Peças especiais, tais como: curvas registros, luvas, cotovelos, tês de derivação, válvula de retenção, filtros, dentre outros; Singularidades, tais como: entrada e saída da tubulação, alargamento ou estreitamento de seções, entre outras. pc Highlight pc Highlight Perda localizada de carga ❑ Pode-se desconsiderar a contribuição da perda localizada de carga quando: a) o comprimento da canalização é ≥ 1000D e existem poucas peças especiais; e, b) quando a velocidade média de escoamento é 50.000 (escoamento plenamente turbulento), depende apenas do tipo de peça. pc Highlight pc Highlight Perda localizada de carga AZEVEDO NETTO et al. (1998). Perda localizada de carga Entrada de canalização Borda: k=1 Normal: k=0,5 Sino: k=0,05 Redução: k=0,05 Saída de canalização K entre 0,9 e 1 K = 1 Curvas de 90 ° Válvula gaveta D Perda localizada de carga Consiste em adicionar à extensão da canalização, um comprimento equivalente (comprimento virtual), o qual corresponda em perda contínua de carga às perdas localizadas de carga provocadas pela totalidade de peças especiais e singularidades existentesna canalização. Cada peça especial ou singularidade corresponde a um certo comprimento fictício adicional. 2. Método dos comprimentos virtuais : Registro gaveta 𝐿𝑉 = 𝐿 + 𝐿𝑓 pc Highlight Perda localizada de carga Pode-se obter o comprimento virtual da tubulação que corresponde a perda contínua equivalente a perda local, igualando-se: 2. Método dos comprimentos virtuais : Perda contínua de carga ℎ𝑓 = 𝑓 𝐿𝑉2 𝐷2𝑔 Perda localizada de carga ℎ𝑓 𝐿𝑜𝑐 = 𝑘 𝑉2 2𝑔 = 𝑓 𝐿𝑉2 𝐷2𝑔 = 𝑘 𝑉2 2𝑔 Simplificando: 𝐿 = 𝑘 𝑓 𝐷 O comprimento virtual é que deve ser utilizado na equação de perda contínua de carga, fornecendo a perda de energia total. pc Highlight Perda localizada de carga Para tubulações de ferro e aço, com aproximação aceitável para cobre e latão AZEVEDO NETTO et al. (1998). Perda localizada de carga Para tubulações de PVC rígido AZEVEDO NETTO et al. (1998). Perda localizada de carga Trata-se de uma particularidade do método anterior. Pela equação de comprimento virtual observa-se que a razão k/f é dependente do número de Reynolds. Porém, para o regime plenamente turbulento essa razão fica constante e passa a depender somente da rugosidade da tubulação. 3. Método dos diâmetros equivalentes : Como as perdas localizadas são pequenas em relação às contínuas, na prática considera-se k/f constante. Assim, tem-se: 𝐿 = 𝑘 𝑓 𝐷 𝐿 = 𝑘 𝑓 𝐷 ∴ 𝑘 𝑓 = 𝑛 𝑐𝑜𝑛𝑠𝑡𝑎𝑛𝑡𝑒 ∴ 𝐿 = 𝑛𝐷 n expressa o comprimento fictício de cada peça em números de diâmetros. pc Highlight Perda localizada de carga Tabela. Diâmetros equivalentes das principais peças especiais. TIPO DA PEÇA N DE DIÂMETROS Ampliação gradual 12 Curva de 90 30 Curva de 45 15 Entrada normal 17 Entrada de Borda 35 Junção 30 Redução gradual 6 Registro de gaveta, aberto 8 Registro de globo, aberto 350 Saída de canalização 35 Tê, passagem direta 20 Tê, saída bilateral 65 Válvula de pé com crivo 250 Válvula de retenção 100 AZEVEDO NETTO et al. (1998). Perda localizada de carga ✓ A existência de peças especiais, bem como o seu número, além do material constituinte da tubulação deverá ser de conhecimento prévio do projetista. Nos problemas práticos, a vazão Q é quase sempre um elemento conhecido. Normalmente o D é a variável desconhecida; ✓ O D deve ser minimizado, pois reflete diretamente nos custos da canalização. Por outro lado, se o escoamento não é por gravidade, um menor diâmetro provocará uma maior perda de carga que implicará em um maior consumo de energia (bombas menos potentes); ✓ A perda de carga pode ser um recurso útil para reduzir a pressão em situações especiais; ✓ Valores práticos de velocidade média são recomendados e podem orientar o projetista na definição do melhor diâmetro: Considerações práticas: Água com material em suspensão: v > 0,6 m s-1; Instalações de recalque: 0,6 m s-1Τ𝑚 𝑛 = 𝑘𝐷 Τ𝑚 𝑛 k - número de condutos em paralelo. Exemplo 3: Quantos tubos de 50 mm são necessários para equivaler a um tubo de 100 mm? Exemplo 4: Calcule a vazão total e a vazão de cada trecho referente ao sistema de adução esquematizado abaixo. As adutoras são de PVC (C = 150). A adutora 1 tem 50 mm de diâmetro e a 2 tem 75 mm de diâmetro, ambas com 100 m de comprimento. Enquanto a adutora 3 tem 150 m de comprimento e 100 mm de diâmetro. Desconsidere as perdas localizadas de carga. Condutos Equivalentes A B 25 mC = 150 Tipos de Tubos – Diâmetros Comerciais ❑ Ferro fundido (fofo): 50, 60,75,100, 125, 150, 175, 200, 250, 300, 350,400, 450, 500, 550, 600, 700, 800, 900, e 1000 mm. ❑ Aço soldado: 300 a 2400 mm, com variações de 50 em 50 mm. ❑ Aço galvanizado: 12,5, 25, 32, 38, 50, 60, 75, 100, 125, 150 e 200 mm. ❑ Cimento-amianto: entre 50 e 500 mm, para atender as pressões máximas de serviço de 5, 7,5, 10, 12,5 e 15 kgf cm-2. ❑ Concreto: 100, 120, 150, 170, 200, 220, 250, 300, 380, 400, 500, 600, 700, 800, 900, 1000, 1200, 1500 mm. Fabricados no Brasil PERES(2006). Tipos de Tubos – Diâmetros Comerciais ❑ Plástico: Tubos de polietileno: 6,25; 7,81; 9,38; 12,5; 18,75; 20; 25; 31,25; 50; 75; 100 mm. (3 a 4 kgf cm-2). PCV: 12,5; 19; 25; 38; 50; 60; 75; 100; 150; 200 mm (6 a 10 kgf cm-2). PCV: 250; 300; 350; 400; 450; 500 mm (6 a 20 kgf cm-2). Fabricados no Brasil PERES(2006). “Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir ” Cora Coralina Slide 1 Slide 2 Slide 3 Slide 4 Slide 5 Slide 6 Slide 7 Slide 8 Slide 9 Slide 10 Slide 11 Slide 12 Slide 13 Slide 14 Slide 15 Slide 16 Slide 17 - Hazen Williams Slide 18 Slide 19 Slide 20 Slide 21 Slide 22 Slide 23 - Flamant Slide 24 Slide 25 - Darcy (equaç universal) Slide 26 Slide 27 Slide 28 Slide 29 Slide 30 - Darcy - Diag de Moody Slide 31 Slide 32 Slide 33 Slide 34 Slide 35 Slide 36 Slide 37 Slide 38 Slide 39 Slide 40 Slide 41 Slide 42 - Borda Slide 43 Slide 44 Slide 45 - Comp. Virtuais Slide 46 Slide 47 Slide 48 Slide 49 - Diametros Equivalentes Slide 50 Slide 51 Slide 52 Slide 53 Slide 54 Slide 55 Slide 56 Slide 57 Slide 58 Slide 59 Slide 60 Slide 61 Slide 62 Slide 63 Slide 64 Slide 65