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DIREITO EMPRESARIAL Títulos de Crédito Livro Eletrônico Presidente: Gabriel Granjeiro Vice-Presidente: Rodrigo Calado Diretor Pedagógico: Erico Teixeira Diretora de Produção Educacional: Vivian Higashi Gerente de Produção Digital: Bárbara Guerra Coordenadora Pedagógica: Élica Lopes Todo o material desta apostila (incluídos textos e imagens) está protegido por direitos autorais do Gran. Será proibida toda forma de plágio, cópia, reprodução ou qualquer outra forma de uso, não autorizada expressamente, seja ela onerosa ou não, sujeitando-se o transgressor às penalidades previstas civil e criminalmente. CÓDIGO: 250508458498 RENATO BORELLI Juiz federal e especialista em Direito Público, Direito Tributário e Sociologia Jurídica. Juiz federal do TRF-1. Foi juiz federal do TRF-5. Exerceu a advocacia privada e pública. Foi servidor público e assessor de desembargador federal (TRF-1) e ministro (STJ). Atuou no Carf/Ministério da Fazenda (antigo Conselho de Contribuintes) como conselheiro. É formado em Direito e Economia, com especialização em Direito Público, Direito Tributário e Sociologia Jurídica. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br 3 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli SUMÁRIO Apresentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5 Títulos de Crédito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 1. Aspectos Introdutórios: Noções Básicas, Legislação e Evolução Histórica . . . . . . 6 2. Conceito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7 3. Função dos Títulos de Créditos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9 4. Princípios do Direito Cambiário . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 4.1. Cartularidade (ou Documentalidade) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 4.2. Literalidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 4.3. Autonomia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 4.4. Abstração . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 4.5. Inoponibilidade de Exceções a Terceiros de Boa-Fé . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12 5. Natureza da Obrigação Cambial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12 6. Classificação dos Títulos de Crédito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15 6.1. Ponto Especial: Títulos Cambiais Versus Títulos Cambiariformes . . . . . . . . 15 7. A Informática e o Futuro do Direito Cambiário . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16 8. Rigor Cambiário . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17 9. Títulos de Crédito em Espécie . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17 9.1. Letra de Câmbio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17 9.2. Nota Promissória . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26 9.3. Duplicata . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28 9.4. Cheque . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32 10. Títulos de Crédito e Financiamento Rural, Industrial, Comercial e Imobiliário 38 11. Protesto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41 11.1. Conceito de Protesto (Art. 1º da Lei n. 9.492/1997) . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41 11.2. Finalidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41 11.3. Documentos Protestáveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42 O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 4 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli 11.4. Competência Funcional para o Protesto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44 11.5. Competência Territorial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44 11.6. Natureza Jurídica do Protesto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45 11.7. Fundamentos do Protesto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47 11.8. Prazo para o Protesto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48 11.9. Procedimento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48 11.10. Prazos para Pagamento, Sustação ou Desistência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50 11.11. Principais Entendimentos Jurisprudenciais sobre o Protesto . . . . . . . . . 51 12. Ação Cambial. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53 Questões de Concurso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55 Gabarito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 65 Gabarito Comentado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 66 referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 87 O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 5 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli apreseNTaÇÃoapreseNTaÇÃo Olá, querido(a) aluno(a), tudo bem? Seja bem-vindo(a) a mais uma aula sobre Direito Empresarial. Hoje o nosso encontro terá como tema todos os aspectos que permeiam o denominado Direito Cambial (ou Cambiário), que tem por objeto o estudo dos Títulos de Crédito. Dito disso, eu e toda a equipe do Gran desejamos a você uma boa leitura e sucesso nos seus estudos! O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.brsubscritor da Nota Promissória.” Aqui, vale lembrar que quem presta o aval é o avalista, e quem é garantido é o avalizado. Os dois são equiparados, pois, respondem da mesma forma, ou seja, não há benefício de ordem. Pelo que tanto um quanto outro podem ser cobrados indistintamente. Com efeito, sendo as duas obrigações distintas, mesmo que haja nulidade na relação jurídica do avalizado em relação ao credor, tal fato não implicará a nulidade da obrigação do avalista, visto que, como dito, são obrigações autônomas. As exceções pessoais do avalizado, também não alcançam o avalista. Somente o devedor pode ser avalizado. Na Nota Promissória, são devedores o emitente e os endossantes. 9 .2 .4 . VeNCimeNTo e paGameNTo Da NoTa promissÓria O vencimento e o pagamento da Nota Promissória seguem as mesmas regras da letra câmbio, retirada somente a existência do vencimento “até certo termo da vista”, pois, não existe aceite. O prazo do protesto também é de dois dias úteis, subsequentes ao vencimento, visando a garantir a possibilidade de cobrança dos coobrigados. Ademais, os prazos prescricionais da nota promissória também são os mesmos da letra de câmbio, com as diferenças de que, no lugar do aceitante, deve figurar o eminente e de que não há a figura do sacado. Como vimos, os prazos são os seguintes: 03 anos contra o devedor principal, o eminente e seu avalista, a partir do vencimento da promissória. 01 ano contra endossantes e seus avalistas, contado do protesto. 06 meses para regresso entre endossante, contados de quando foi efetuado o pagamento. Para finalizarmos, não se pode deixar de mencionar a Súmula 504 do STJ, segundo a qual JURISPRUDÊNCIA O prazo para ajuizamento de ação monitória em face do emitente de nota promissória sem força executiva é quinquenal, a contar do dia seguinte ao vencimento do título. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 28 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli 9 .3 . DUp9 .3 . DUpliCaTaliCaTa A Duplicata é o título príncipe do direito brasileiro, além de ser muito utilizada em substituição à letra de câmbio. É um título causal, o qual somente pode ser emitido para contratos de compra e venda (por empresários) e de prestação de serviços. Trata-se de uma ordem de pagamento, sempre vinculada ao contrato a ela subjacente, isto é, que motivou a sua emissão. Em tal espécie de título de crédito, há a figura do sacador (emitente, ou vendedor, nos contratos convencionais), isto é, aquele que emite a duplicata; há, também, a figura do sacado (ou seja, do comprador), que é aquele que paga para o beneficiário, que é o próprio vendedor. Assim, temos que: SACADO → é o devedor; BENEFICIÁRIO → é credor; SACADOR → é credor; Trata-se, em suma, de uma criação brasileira. O motivo real da implantação das duplicatas de fatura foi o interesse tributário do Governo (à época em que o imposto sobre vendas mercantis cabia à União). Era um título de emissão obrigatória, porquanto constituía o veículo de arrecadação e fiscalização do imposto. Hoje, sua emissão é uma faculdade do credor, sendo, na maioria dos casos, substituível por boletos ou Guias de Recolhimento. É um título emitido juntamente a uma fatura. A fatura não é, evidentemente, título representativo de mercadorias, mas é o documento do contrato de compra e venda mercantil, que enseja a emissão da duplicata, esta sim um título de crédito. O Prof. Waldemar Ferreira se refere à duplicata como “título de crédito, representativo da venda de mercadorias efetivamente entregues”. A rigor, segundo o 2º do at. 2 da Lei n. 5.474/1968, temos que “uma só duplicata não pode corresponder a mais de uma fatura”. Nada obstante, a jurisprudência já se posicionou favoravelmente à JURISPRUDÊNCIA [...] possibilidade de emissão de duplicata com base em mais de uma nota fiscal. É necessário que sejam parciais, isto é, correspondentes a vendas parceladas (cf. STJ., REsp 1.356.541/MG, Terceira Turma, da relatoria do ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 05/04/2016 – Info 581). Por fim, ressalta-se que não se admite a emissão de nova duplicata apenas para fins de correção monetária e de juros de mora. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 29 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli 9 .3 .1 . leGislaÇÃo apliCÁVel É a Lei n. 5.474/1968 (alterada pelo Decreto-lei n. 436/1969). 9 .3 .2 . CaraCTerÍsTiCas Da DUpliCaTa É um título causal. Emerge de uma compra e venda mercantil ou prestação de serviço. Trata-se de uma ordem de pagamento e de um título de modelo vinculado. Segundo o Superior Tribunal de Justiça, além do meio físico, a duplicata é admitida, também, em forma virtual, senão vejamos: JURISPRUDÊNCIA As duplicatas virtuais emitidas e recebidas por meio magnético ou de gravação eletrônica podem ser protestadas por mera indicação, de modo que a exibição do título não é imprescindível para o ajuizamento da execução, conforme previsto no art. 8º, parágrafo único, da Lei n. 9.492/1997. (EREsp 1.024.691-PR, Rel. Min. Raul Araújo, julgados em 22/8/2012). 9 .3 .3 . elemeNTos pessoais a) SACADOR – quem dá a ordem de pagamento / aquele que vende a mercadoria ou serviço; b) SACADO – quem recebe a ordem de pagamento / aquele que compra a mercadoria ou serviço. 9 .3 .4 . a DUpliCaTa e o priNCÍpio Da CarTUlariDaDe O regramento da duplicata em alguns momentos não age em observância ao princípio da cartularidade. Isso porque, após a emissão da duplicata pelo sacador/vendedor, ela deveria ser remetida para o sacado/comprador para o lançamento do aceite. Nesse sentido, vale conferir as regras no art. 6º e seguintes da Lei das Duplicatas6. 6 Art. 6º A remessa de duplicata poderá ser feita diretamente pelo vendedor ou por seus representantes, por intermédio de instituições financeiras, procuradores ou, correspondentes que se incumbam de apresentá-la ao comprador na praça ou no lugar de seu estabelecimento, podendo os intermediários devolvê-la, depois de assinada, ou conservá-la em seu poder até o momento do resgate, segundo as instruções de quem lhes cometeu o encargo. § 1º O prazo para remessa da duplicata será de 30 (trinta) dias, contado da data de sua emissão. § 2º Se a remessa for feita por intermédio de representantes instituições financeiras, procuradores ou correspondentes estes deverão apresentar o título, ao comprador dentro de 10 (dez) dias, contados da data de seu recebimento na praça de pagamento. Art. 7º A duplicata, quando não for à vista, deverá ser devolvida pelo comprador ao apresentante dentro do prazo de 10 (dez) dias, contado da data de sua apresentação, devidamente assinada ou acompanhada de declaração, por escrito, contendo as razões da falta do aceite. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 30 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli Esse procedimento gera um risco para o sacador / vendedor, pois a duplicata pode extraviar ou não ser devolvida pelo sacado/comprador. Ocorrendo uma dessas hipóteses, ficaria o sacador / vendedor impossibilitado de fazer a cobrança, por não possuir o título, se a Lei dasDuplicatas não tivesse criado alternativas para substituí-la. Em caso de perda ou extravio da duplicata, poderá o sacador / vendedor, então, emitir uma espécie de título denominado triplicata, visando à substituí-la (art. 23 da Lei das Duplicatas). Em caso de retenção da duplicata pelo sacado / comprador, poderá ser protestado o título por simples indicações do portador do título. 9 .3 .5 . o aCeiTe e a reCUsa O aceite na duplicata é obrigatório, por tratar-se de título causal. Nesse contexto, o aceite só poderá ser recusado de acordo com os artigos 8º e 21: a) Defeito na mercadoria; b) Mercadoria entregue diferentemente do que foi acertado; c) Avaria; d) Divergência nos prazos e nos preços ajustados. Em função do seu caráter obrigatório, o aceite da duplicata mercantil pode ser discriminado em três categorias: a) aceite ordinário – aquele em que o sacado lança sua assinatura no título; b) aceite por comunicação – aquele em que o sacado retém o título e expressa o aceite em carta/comunicado apartado; c) aceite por presunção – caracteriza aceite presumido quando o sacado/ comprador recebe a mercadoria e não reclama e quando o título é protestado, sem que haja obstáculo – art. 15 da Lei das Duplicatas. Princípio do suprimento do aceite – Ainda que não haja aceite, o título pode ser utilizado para ação executiva (constituindo-se em título executivo, portanto) nas seguintes hipóteses legais: § 1º Havendo expressa concordância da instituição financeira cobradora, o sacado poderá reter a duplicata em seu poder até a data do vencimento, desde que comunique, por escrito, à apresentante o aceite e a retenção. § 2º – A comunicação de que trata o parágrafo anterior substituirá, quando necessário, no ato do protesto ou na execução judicial, a duplicata a que se refere. (Redação dada pela Lei n. 6.458, de 1º.11.1977) Art. 8º O comprador só poderá deixar de aceitar a duplicata por motivo de: I – avaria ou não recebimento das mercadorias, quando não expedidas ou não entregues por sua conta e risco; II – vícios, defeitos e diferenças na qualidade ou na quantidade das mercadorias, devidamente comprovados; III – divergência nos prazos ou nos preços ajustados. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 31 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli a) quando o sacado, recebendo a duplicata, a retém com o consentimento do credor, tendo comunicado por escrito que a aceitou e a reteve (esta comunicação seria o título executivo); b) quando a duplicata ou triplicata não aceita, mas protestada, vem acompanhada de qualquer documento comprobatório da remessa ou da entrega da mercadoria (artigo 15). O título executivo seria a duplicada acompanhada da prova da remessa ou entrega da mercadoria; c) quando a duplicata ou triplicata não é aceita nem devolvida, mas o protesto (por falta de aceite ou de devolução) é tirado mediante indicações do credor, o qual deve provar que o devedor recebeu o título. Neste caso, como na situação de ‘b’, deve-se comprovar a remessa ou entrega da mercadoria. O título executivo seria o instrumento do protesto tirado mediante indicações, acompanhado da prova de remessa ou entrega da mercadoria. Observe-se que há um abrandamento do princípio da cartularidade. Se a duplicata não é aceita, mas o credor não dispõe de prova da remessa ou entrega da mercadoria, deverá mover ação de cobrança (ação de rito ordinário, pois não poderá se valer de ação executiva). Vale dizer, para finalizar que, segundo o STJ, JURISPRUDÊNCIA [...] o aceite lançado em separado à duplicata não possui nenhuma eficácia cambiária, mas o documento que o contém poderá servir como prova da existência do vínculo contratual subjacente ao título, amparando eventual ação monitória ou ordinária (cf. STJ, REsp 1.334.464/RS, Terceira Turma, da relatoria do ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 15/3/2016 – Info 580). 9 .3 .6 . o proTesTo Da DUpliCaTa O Protesto, na Duplicata, tem a mesma finalidade que dos outros títulos de crédito, ou seja, possibilitar a cobrança em desfavor dos demais coobrigados. Os motivos que dão ensejo ao Protesto das Duplicadas são os seguintes: • por falta de aceite; • por falta de devolução; • por falta de pagamento; • por indicação (art. 13, parágrafo 1º da Lei das Duplicatas); − O protesto da duplicata, em alguns casos, pode ser solicitado sem que o sacador a tenha em mãos. Se a duplicata foi remetida para aceite e não foi devolvida, po- derá haver protesto mediante simples indicações dos dados do título (retirados do livro de emissão de duplicatas – obrigatório para os empresários que emitem tais títulos) ao Cartório de Protestos. • Para garantir o direito de regresso contra os endossantes e seus avalistas, o protesto deve ser feito até 30 dias após o vencimento do título (art. 13, § 4º, da Lei das Duplicatas). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 32 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli 9 .3 .7 . a eXeCUÇÃo Da DUpliCaTa De início, vale dizer que a duplicata é título executivo extrajudicial, a ela se aplicando as disposições do CPC/2015 nesse sentido. É permitida a sua cobrança judicial quando se tratar de: 1) duplicata aceita, protestada ou não; 2) duplicata não aceita, desde que, nesse caso, haja (cumulativamente): protesto prévio; documento de comprovação da entrega e do recebimento da mercadoria; ausência de comprovação de recusa do aceite, pelo sacado; 3) Vale destacar que a cobrança judicial pode ser feita tanto quando se tratar de duplicata quanto de triplicata (cópia da duplicata em caso de perda ou extravio), sejam aceitas, protestadas ou não. Há, também, a possibilidade de ser executada a duplicata não aceita (isto é, daquela que não teve o aceite ordinário e nem por comunicação), que inicialmente pensou-se em aceite por presunção, que não foi confirmado pelo pagamento. Nesse caso são requisitos cumulativos: a) protesto (até contra o devedor principal; mesmo que o protesto seja por indicação); b) comprovante de entrega e recebimento da mercadoria; c) ausência de comprovação de recusa do aceite, pelo sacado. 9 .4 . CHeQUe9 .4 . CHeQUe O cheque é um título de crédito com previsão, inicialmente, na Lei n. 7.357/85 (Dispõe sobre o cheque e dá outras providências). Trata-se de uma ordem de pagamento, à vista (vide artigo 32), emita pelo devedor (ou emitente, por óbvio). Tal ordem é dirigida a um banco (instituição financeira) – leia-se, o sacado – responsável pelo seu cumprimento, que se dá com a efetivação do pagamento. Aquele que recebe o cheque é o beneficiário, isto é, o credor da importância. Vale dizer que o banco não tem qualquer responsabilidade pelo pagamento imediato de cheques, quando pós-datados. Foi elaborada, também na Convenção de Genebra, uma Lei Uniforme apenas para a disciplina dos cheques, inserida no ordenamento jurídico brasileiro por meio do Decreto 57.595, de 7 de janeiro de 1966. O Brasil, todavia, posteriormente, editou sua própria lei sobre cheques – a Lei n. 7.357, de 2 de setembro de 1985, como dito. Nada obstante, observa-se que a referida lei respeitou as normas constantes da Lei Uniforme que lhe antecedeu; seus escopos foram apenas os de assegurar uma redação mais condizente com as peculiaridades da legislação interna e de melhor harmonizar certos dispositivos a outros existentes na praxe doméstica. Alguns estudiosos levantam dúvidasquanto à sua caracterização como título de crédito. O cheque – é bem verdade – é um instrumento de pagamento, na sua forma mais simples. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 33 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli Todavia, ele também toma a feição de título de crédito, quando se apresenta com endosso e aval, pondo-se em circulação. Aplicam-se-lhe, portanto, os institutos próprios aos títulos de crédito. Agora, vejamos alguns pontos importantes relacionados ao tema: • Visto – É aposto pelo sacado, obriga-o a debitar à conta do emitente a quantia indicada no cheque e a reservá-la em benefício do portador legitimado, durante o prazo de apresentação, sem que fiquem exonerados o emitente, endossante e demais coobrigados. O visto se difere do aceite. • Provisão de fundos – O emitente deve ter fundos disponíveis em poder do sacado (artigo 4º). A infração deste preceito não acarreta a nulidade do cheque; este, todavia, não será pago pelo sacado. Vale dizer que tal prática pode, inclusive, caracterizar o delito de fraude previsto no art. 171, § 2º, inciso VI, do Código Penal (emitir cheque, sem suficiente provisão de fundos em poder do sacado, ou lhe frustrar o pagamento). Quanto aos cheques “pós-datados” (os chamados pré-datados), deve ser feita a seguinte Observação: o artigo 28 da Lei Uniforme determina que “o cheque apresentado a pagamento antes do dia indicado como data de emissão é pagável no dia da apresentação”. A data futura, ou a pré-data, é pela Lei Uniforme considerada como inexistente, e o beneficiário pode apresentá-la imediatamente ao sacado. Assim, não havendo provisão, caracteriza-se o cheque sem fundos; • Desapossamento – o artigo 24 da Lei Uniforme esclarece que desapossado alguém de um cheque, o novo portador legitimado não está obrigado a restituí-lo, se não o houver adquirido de má-fé. 9 .4 .1 . elemeNTos pessoais Do CHeQUe • EMITENTE ou SACADOR – é aquele que dá a ordem de pagamento; • BENEFICIÁRIO ou TOMADOR – é o favorecido da ordem de pagamento; • SACADO – é aquele que recebe a ordem de pagamento – o banco. 9 .4 .2 . Tipos De CHeQUe • Cheque cruzado – É aquele que recebe na frente (anverso) dois traços paralelos e transversais. O cruzamento do cheque faz com que ele só possa ser pago a um banco, para tanto deverá ser depositado em uma conta. Há cruzamento em branco (quando não se indica em que banco deve ser depositado) e em preto (quando, entre os traços, é feita indicação do banco em que deve ser depositado), conforme art. 44 da Lei do Cheque. • Cheque para ser levado em conta – É caracterizado quando o emitente proíbe o pagamento do título em dinheiro, exigindo que o cheque seja depositado em conta O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 34 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli (vide art. 46 da Lei do Cheque). Não tem utilização atualmente, pois o cheque cruzado é mais conhecido e atende ao mesmo objetivo. • Cheque administrativo – É aquele emitido pelo próprio banco. É, necessariamente, nominal. Usado em casos em que se quer ter a certeza quanto à existência de fundos (vide art. 9º, inciso III, da Lei do Cheque. • Cheque visado – É aquele em que o banco, a pedido do emitente, declara no verso a existência de fundos. Cabe ao banco reservar o valor visado na conta do emitente para que não sirva ao pagamento de outro cheque (art. 7º Lei do Cheque). 9.4.3. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DO CHEQUE (ART. 33 DA LEI DO CHEQUE) Difere-se do prazo prescricional do cheque. A sua perda, todavia, tem uma consequência, ainda que não seja a mesma da prescrição: a) 30 dias – se na mesma praça (localidade). b) 60 dias – se em praças diversas. A não apresentação do cheque no prazo de apresentação acarreta a perda do direito de regresso contra os endossantes e seus avalistas. Nada obstante, continua sendo possível a sua cobrança em desfavor do emitente. Obs.: por conta da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), o legislador estabeleceu que o cheque somente pode ser endossado uma única vez. A apresentação no prazo de pagamento, portanto, deve ser comprovada para que se mantenha o direito de regresso contra os endossantes e seus avalistas. Quando se trata de cheque, a comprovação da apresentação pode ser feita, alternativamente, via: a) protesto; b) declaração do sacado, escrita e datada, com indicação do dia de apresentação, por meio de um carimbo de devolução do cheque, por exemplo (vide art. 47 da Lei do Cheque). Obs.: quanto ao protesto, não é necessária a cobrança de coobrigados, visto que basta o carimbo do banco de que o cheque não tinha fundos, para suprir a necessidade de protesto. Se o cheque, por falta de fundos, voltar por duas vezes, não podem mais ser emitidos cheques e o nome do emitente vai para o rol dos emitentes de cheques sem fundos. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 35 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli 9 .4 .4 . sUsTaÇÃo Do CHeQUe Objetiva impedir a liquidação (ou seja, o pagamento) do cheque pelo banco sacado. Ocorre por: • Revogação ou Contraordem (art. 35): ato exclusivo do emitente. Somente pode ser manifestada após o fim do prazo de apresentação. Deve o emitente apresentar as razões motivadoras do ato. • Oposição (art. 36): ato de emitente ou do portador legitimado. Pode ser manifestada mesmo antes do término do prazo de apresentação. Deverá apresentar relevante razão de direito. Não cabe ao banco julgar a relevância da razão invocada para a oposição. Não se esqueça! A sustação não se confunde com a prescrição: Prescrição – O prazo é de 6 meses após o prazo de apresentação do cheque; uns dizem que seria após o término do prazo e outros que seria a partir do dia da apresentação (essa é majoritária na jurisprudência), tendo como marco final os trinta ou sessenta dias. Este é o dies a quo para quando o cheque não for apresentado. Se for apresentado e não pago, por qualquer motivo, inclusive falta de provisão de fundos, a prescrição começa a contar a partir do dia da primeira apresentação. Segundo a Súmula 503 do STJ, devemos salientar que “o prazo para ajuizamento de ação monitória em face do emitente de cheque sem força executiva é quinquenal, a contar do dia seguinte à data de emissão estampada na cártula”. 9 .4 .5 . aÇÕes CaBÍVeis para CoBraNÇa Do CHeQUe • Execução (prescrição de seis meses); • Ação de enriquecimento ou locupletamento indevido – está prevista no art. 61 da Lei de cheque; é uma ação de conhecimento e somente pode ser ajuizada depois de prescrito o cheque. Ela somente é cabível no prazo de 2 (dois) anos após a consumação da prescrição. Sobre a discussão da causa do cheque, há divergência jurisprudencial; • Ação monitória (para qualquer título de crédito). 9 .4 .6 . aspeCTos CrimiNais eNVolVeNDo o CHeQUe Como dito, a emissão de cheque, sem suficiente provisão de fundos em poder do sacado, ou frustração de seu pagamento, caracterizam o crime de Fraude no pagamento por meio de cheque (vide art. 171, § 2º, inciso VI, do Código Penal). Nesse sentido, vale observarque: - o cheque é do emitente; - a consumação ocorre com a recusa do pagamento; - o foro competente é o do local onde se deu a recusa do pagamento pelo sacado (Súmula 521 STF); - se o pagamento ocorre antes do recebimento da denúncia, a pena será reduzida de um a dois terços, em face do arrependimento posterior (art. 16 do Código Penal); - Segundo a Súmula 554 do STF, “o pagamento de cheque emitido sem provisão de fundos, após o recebimento da denúncia, não obsta ao prosseguimento da ação penal”. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 36 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli Outro crime envolvendo o cheque é o de Estelionato comum mediante falsificação de cheque (art. 171, caput). Vejamos os aspectos que o diferenciam do delito citado há pouco: - o cheque não é do emitente; - a consumação ocorre no momento em que o agente obtém a vantagem ilícita; - compete ao juízo do local da obtenção da vantagem ilícita processar e julgar (Súmula 48 STJ); 9 .4 .7 . priNCipais eNTeNDimeNTos JUrisprUDeNCiais eNVolVeNDo o CHeQUe No REsp 1.124.709/TO, da relatoria do ministro Luis Felipe Salomão (DJ 18/06/2013 – Info 528), o STJ decidiu que JURISPRUDÊNCIA É possível o protesto de cheque, por endossatário terceiro de boa-fé, após o decurso do prazo de apresentação, mas antes da expiração do prazo para ação cambial de execução, ainda que, em momento anterior, o título tenha sido sustado pelo emitente em razão do inadimplemento do negócio jurídico subjacente à emissão da cártula. Nessa mesma ocasião, decidiu-se também que: JURISPRUDÊNCIA A pós-datação do cheque não modifica o prazo de apresentação nem o prazo de prescrição do título. Assim, mesmo em caso de cheque pós-datado, o prazo para apresentação deve ser contado a partir da data da emissão, não importando o dia futuro combinado com o beneficiário. Lado outro, no REsp 1.423.464/SC (Info 584), o STJ decidiu que JURISPRUDÊNCIA Sempre será possível, no prazo para a execução cambial, o protesto cambiário de cheque com a indicação do emitente como devedor (STJ. 2ª Seção. REsp 1.423.464-SC, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 27/4/2016 – recurso repetitivo – Info 584). De acordo com o REsp 1.677.772/RJ, por sua vez, JURISPRUDÊNCIA O protesto irregular de cheque prescrito não caracteriza abalo de crédito apto a ensejar danos morais ao devedor, se ainda remanescer ao credor vias alternativas para a cobrança da dívida consubstanciada no título (STJ. 3ª Turma. REsp 1.677.772- RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 14/11/2017 – Info 616). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 37 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli Já conforme o REsp 1.509.178/SC, temos o importante entendimento segundo o qual JURISPRUDÊNCIA O banco sacado não é parte legítima para figurar no polo passivo de ação ajuizada com o objetivo de reparar os prejuízos decorrentes da devolução de cheque sem provisão de fundos emitido por correntista (STJ. 4ª Turma. REsp 1.509.178-SC, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 20/10/2015 – Info 574). Ainda, no REsp 1.297.353/SP, entendeu-se que JURISPRUDÊNCIA É cabível a indenização por danos morais pela instituição financeira quando o cheque apresentado fora do prazo legal e já prescrito é devolvido sob o argumento de insuficiência de fundos (STJ. 3ª Turma. REsp 1.297.353-SP, Rel. Min. Sidnei Beneti, julgado em 16/10/2012). Sob outro aspecto, no REsp 1.324.125/DF, decidiu-se que JURISPRUDÊNCIA A instituição financeira não deve responder pelos prejuízos suportados por sociedade empresária que, no exercício de sua atividade empresarial, recebera como pagamento cheque que havia sido roubado durante o envio ao correntista e que não pode ser descontado em razão do prévio cancelamento do talonário (motivo 25 da Resolução 1.631/1989 do Bacen) (STJ. 3ª Turma. REsp 1.324.125-DF, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 21/5/2015 – Info 564). No REsp 1.297.797/MG, tivemos dois entendimentos importantes envolvendo o cheque e o protesto. O primeiro definiu que JURISPRUDÊNCIA O protesto do cheque efetuado contra os coobrigados para o exercício do direito de regresso deve ocorrer antes de expirado o prazo de apresentação (art. 48 da Lei n. 7.357/85). Trata-se do chamado protesto necessário. O segundo, que JURISPRUDÊNCIA O protesto de cheque efetuado contra o emitente pode ocorrer mesmo depois do prazo de apresentação, desde que não escoado o prazo prescricional. Esse é o protesto facultativo. (STJ. 3ª Turma. REsp 1.297.797-MG, Rel. João Otávio de Noronha, julgado em 24/2/2015 – Info 556.) O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 38 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli Ademais, conforme o REsp 1.094.571/SP, tem-se que JURISPRUDÊNCIA Em ação monitória fundada em cheque prescrito, ajuizada em face do emitente, é dispensável menção ao negócio jurídico subjacente à emissão da cártula (Segunda Seção. REsp 1.094.571-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 4/2/2013 – Info 513). Segundo o REsp 1.556.834/SP, por sua vez, JURISPRUDÊNCIA Em qualquer ação utilizada pelo portador para cobrança de cheque, a correção monetária incide a partir da data de emissão estampada na cártula, e os juros de mora a contar da primeira apresentação à instituição financeira sacada ou câmara de compensação (STJ. 2ª Seção. REsp 1.556.834-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 22/6/2016 – recurso repetitivo – Info 587). Por fim, no REsp 1.354.934/RS, o STJ entendeu que JURISPRUDÊNCIA Os juros relacionados com a cobrança de crédito estampado em cheque são disciplinados pela Lei do Cheque (Lei n. 7.357/85). Segundo a referida Lei, os juros de mora devem ser contados desde a data da primeira apresentação do cheque pelo portador à instituição financeira. Não se aplica, portanto, a regra do art. 405 do CC, que conta os juros a partir da citação inicial. (STJ. 4a Turma. REsp 1.354.934-RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 20/8/2013 – Info 532.). 10 . TÍTUlos De CrÉDiTo e FiNaNCiameNTo rUral, 10 . TÍTUlos De CrÉDiTo e FiNaNCiameNTo rUral, iNDUsTrial, ComerCial e imoBiliÁrioiNDUsTrial, ComerCial e imoBiliÁrio Além dos títulos de crédito próprios (típicos ou nominativos) já estudados, há outros títulos de crédito também importantes para o mercado. Costumam-se denominar tais instrumentos pela expressão “títulos de crédito impróprios”, da qual são espécies: - Títulos de legitimação; - Títulos de investimento; - Títulos representativos; - Títulos de financiamento. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 39 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli 1. Títulos de Legitimação – São títulos que asseguram ao seu portador a prestação de um serviço ou o acesso a prêmios em certames promocionais ou oficiais. Exemplos: bilhete do metrô, passe deônibus, ingresso em cinema, volante sorteado de loteria. Aplicam-se a estes os princípios da cartularidade, da literalidade e da autonomia, ainda que não sejam títulos executivos. 2. Títulos de Investimento – Destinam-se à captação de recursos pelo seu emitente. Representam-se a parcela de um contrato de mútuo celebrado entre o sacador do título e os seus portadores. Exemplos: letras imobiliárias; certificado de depósito bancário. Vale dizer que há alguns tipos de títulos com esse perfil econômico (captação e investimento), mas enquadrados em conceito jurídico distinto. É o caso das debêntures, que são valores imobiliários. 3. Títulos representativos – Representam a titularidade de mercadorias custodiadas por um terceiro não proprietário. Podem tais instrumentos exercer, além dessa função meramente documental, a de título de crédito, na medida em que possibilitam ao proprietário da mercadoria custodiada a negociação dela, sem prejuízo da custódia. Exemplos: conhecimento de frete; warrant; conhecimento de depósito. 4. Títulos de financiamento – Há alguns instrumentos cedulares representativos de créditos decorrentes de financiamentos abertos por uma instituição financeira. Se houver garantia de direito real do pagamento do valor financiado, por parte do mutuário, esta garantia é constituída no próprio título, independentemente de qualquer outro instrumento jurídico. Os títulos de financiamento são, também, importantes meios de incrementos de atividades econômicas, sendo utilizados, por exemplo, para o financiamento de aquisição da casa própria. Tais títulos costumam chamar-se “Cédula de Crédito” quando o pagamento do financiamento a que se referem é garantido por hipoteca ou penhor (direito real de garantia sobre bom imóvel ou móvel). Inexistindo garantia de direito real, o título é comumente denominado “Nota de Crédito” (caso em que apenas gozam de privilégio especial sobre bens livres do devedor, em caso de sua insolvência ou falência). Os títulos de financiamento não se enquadram, completamente, no regime jurídico- cambial, por força de duas particularidades, a saber: - Possibilidade de endosso parcial; - Aplicação do princípio da cedularidade (estranho ao direito cambiário), segundo o qual a constituição dos direitos reais de garantia se faz no próprio instrumento de crédito, na própria cédula. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 40 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli Nessa categoria de títulos de crédito impróprios se enquadram os seguintes: a) Cédulas e notas de crédito rural (Decreto-Lei n. 167/1967), relacionadas com o financiamento de atividades agrícolas e pecuárias; Os títulos de crédito rural são vários. Em primeiro lugar, temos a cédula de crédito rural e a nota de crédito rural, disciplinadas pelo Decreto-Lei n. 167/1967. Trata-se de títulos causais, de natureza civil, resultantes de financiamento a cooperativa, empresa ou produtor rural. Outros títulos de crédito rural são a nota promissória rural e a duplicata rural, também disciplinadas pelo mesmo diploma legal. São títulos causais, fundados em operações de compra e venda de natureza rural, contratadas a prazo, não constitutivas de financiamento no âmbito do crédito rural. Por fim, há também a cédula de produto rural, disciplinada pela Lei 8.924/94. Trata-se de um título de natureza causal, emitido por produtor ou cooperativa rural, como promessa de entrega de produtos rurais, podendo conter garantia hipotecária, pignoratícia ou fiduciária. b) Cédulas e notas de crédito industrial (Decreto-lei n. 413/1969), referentes ao financiamento da indústria; c) Cédulas e notas de crédito comercial (Lei n. 8.640/1980), destinadas ao financiamento de atividade comercial ou de prestação de serviços; Ressalta-se que, dentre os títulos de crédito comercial, destacam-se o conhecimento de depósito e o warrant, disciplinados pelo Decreto n. 1.102/1903. Trata-se de títulos emitidos pelos armazéns gerais, referentes: i) às cédulas e notas de crédito à exportação (Lei 6.313/75), pertinentes ao financiamento de produção de bens para exportação, da própria exportação e de atividades complementares; ii) às cédulas hipotecárias (Decreto-lei 70/66), destinadas ao financiamento da casa própria pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH); iii) às cédulas e letras de créditos imobiliários (Lei 10.931/2004); iv) às cédulas de créditos bancários (Lei 10.931/2004); Para finalizarmos esse ponto, destacamos as seguintes Súmulas do nosso Superior Tribunal de Justiça acerca do assunto: JURISPRUDÊNCIA Súmula 16 – A legislação ordinária sobre crédito rural não veda a incidência da correção monetária. [...] Súmula 93 – A legislação sobre cédulas de crédito rural, comercial e industrial admite o pacto de capitalização de juros. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 41 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli 11 . proTesTo11 . proTesTo 11 .1 . CoNCeiT11 .1 . CoNCeiTO DE PROTESTO (ART. 1º DA LEI N. 9.492/1997)O DE PROTESTO (ART. 1º DA LEI N. 9.492/1997) Pois bem, de início, devemos destacar que, segundo o disposto no caput do art. 1º da Lei n. 9.492/1997, o protesto é “o ato formal e solene pelo qual se prova a inadimplência e o descumprimento de obrigação originada em títulos e outros documentos de dívida”. Em outras palavras, constitui elemento fundamental para o exercício do direito de regresso. Tal conceito, todavia, não é isento de críticas, vejamos o motivo: quando se trata de letra de câmbio (ordem de pagamento), onde se tem o sacador (quem dá a ordem), o sacado (quem recebe a ordem) e o tomador/beneficiário (credor), o sacado, caso concorde com a ordem de pagamento, dará o ato cambial chamado de aceite – isto é, o ato que representa a sua concordância (facultativa). Dessa forma, quando o sacado não dá o aceite, ele não está descumprindo nenhuma obrigação, pois o aceite, nessas situações, é facultativo. Daí, pergunta-se: como fica o protesto por falta de aceite? O sacado, que não dá o aceite, não estará descumprindo obrigação alguma. Outra observação importante que devemos fazer sobre o assunto se refere à cláusula “sem protesto” (ou “sem despesa”) – É possível inseri-la no título. Caso o seja, o portador pode exercer o seu direito de ação contra os coobrigados independentemente de protesto do título. Para o professor Fábio Ulhoa Coelho, protesto é o ato praticado pelo credor, perante o competente cartório, que visa a incorporar ao título de crédito a prova de fato relevante para as relações cambiais. 11 .2 . FiNaliDaDe11 .2 . FiNaliDaDe De acordo com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal: JURISPRUDÊNCIA Para o credor exigir judicialmente do aceitante ou do seu avalista a dívida cambiária, não é necessário o prévio protesto do título. O protesto é exigido “só para os casos de ação regressiva do portador contra o sacador, endossador e avalista” (RTJ 57/469). I – Em linhas gerais, podemos dizer que o protesto se presta às seguintes finalidades: II – Comprovar a falta de pagamento; III – Comprovar a falta ou a recusa do aceite; IV – Interromper o prazo prescricional (vide art. 202, inciso III, do CC/2002, que dispõe que “o protesto interrompe o prazo prescricional”; donde se extrai que não mais se aplica a Súmula 153 do STF7); 7 “O simples protesto cambiário não interrompe a prescrição.” O conteúdo deste livro eletrônicoé licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 42 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli V – Constranger” legalmente o devedor; VI – Funcionar como termo inicial da incidência de juros, se não houver outro prazo assinado (art. 40 da Lei n. 9.492/19978); VII – Comprovar a “impontualidade injustificada”, necessária para fins falimentares (vide art. 94, inciso I, da Lei 11.101/2005), que dispõe que só é válida se o título for protestado; VIII – Constituir em mora o devedor de alienação fiduciária, conforme o art. 2º, § 2º, do Decreto-lei 911/69, que dispõe que “a mora decorre do simples vencimento do prazo para pagamento e poderá ser comprovada por carta registrada expedida por intermédio de Cartório de Títulos e Documentos ou pelo protesto do título, a critério do credor”; IX – Definir o efeito do endosso póstumo (aquele dado após o vencimento do título). Se o endosso é dado após o protesto ou quando expirado o prazo do protesto, o endosso terá efeitos de cessão civil; e, por fim, X – Fixar o termo legal da falência (isto é, o lapso temporal que antecede a falência. Os atos praticados pelo falido dentro do termo legal serão considerados ineficazes pelo magistrado). Da data do primeiro protesto é que se conta o termo legal; 11 .3 . DoCUmeNTos proTesTÁVeis11 .3 . DoCUmeNTos proTesTÁVeis São os seguintes: • Contratos de aluguel; • Contratos de alienação fiduciária; • Cheques; • Confissões de dívida; • Certidões de dívida ativa; • Contratos de locação; • Contratos de mútuo; • Contratos de prestação de serviços; • Duplicatas; • Letras de câmbio; • Sentenças judiciais; • Termos de acordo; • Termos de conciliação da Justiça Laboral. Obs.: Tanto o título, como o documento de dívida levado a protesto devem ser certos, líquidos e exigíveis. 8 “art. 40. Não havendo prazo assinado, a data do registro do protesto é o termo inicial da incidência de juros, taxas e atualizações monetárias sobre o valor da obrigação contida no título ou documento de dívida.” O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 43 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli Ponto interessante! Um título em moeda estrangeira e emitido fora do Brasil pode ser protestado?Um título em moeda estrangeira e emitido fora do Brasil pode ser protestado? Resposta: SIM! O artigo 10 da Lei n. 9.492/1997 autoriza tal procedimento, desde que o documento de dívida esteja acompanhado de tradução elaborada por tradutor ou intérprete juramentado (“Art. 10. Poderão ser protestados títulos e outros documentos de dívida em moeda estrangeira, emitidos fora do Brasil, desde que acompanhados de tradução efetuada por tradutor público juramentado.”). Nada obstante, o documento deve ser registrado no Cartório de Títulos e Documentos e, posteriormente, levado ao Tabelionato de protestos (vide art. 148 da Lei n. 6.015/1963 – Lei de Registros Públicos). Outra pergunta... É possível o protesto de boleto bancário? Resposta: NÃO! O Superior Tribunal de Justiça entende que o boleto bancário não é um título de crédito (vide REsp 369.8089 e REsp 827.856). Quanto às Certidões de Dívida Ativa (CDA)... Alguns Estados da Federação não admitem o protesto de CDA. Contudo, existem outros que já editaram leis admitindo o protesto de CDA (p. ex., Lei 13.160/2008, de São Paulo). Para os Estados que admitem, a fundamentação jurídica encontra-se no Decreto 3.048/99 (art. 245). Nesse sentido, vale observar, também, a Portaria 321/2006 da PGFN, que recomenda a aceitação do protesto de CDA. Ainda, no que se refere ao protesto de cheques, há de se observar que existem situações em que estes não podem ser protestados, tais como as de furto, extravio, cancelamento de conta, dentre outras. Quanto ao motivo relacionado à devolução em razão de “devolução do cheque”, todavia, vale destacar que STJ entende que é admissível o protesto nesse caso. E o cheque prescrito, é possível o seu protesto? Segundo o professor Luiz Emygdio, não é possível, pois o título prescrito não é mais exigível. Nada obstante, a posição majoritária (seguida pelo STJ) é a de que o título prescrito, conquanto não possa ser objeto de execução, é exigível mediante o ajuizamento de ação monitória. De modo que é cabível, dessa forma, o protesto de título prescrito (vide REsp 671.486). Há, ainda, um posicionamento intermediário, qual seja, aquele segundo o qual o cheque prescrito, ainda que perca a sua característica cambial, passa a ser um documento, uma 9 “FALÊNCIA – DUPLICATA MERCANTIL – COMPROVAÇÃO – REMESSA PARA ACEITE – PROTESTO DE BOLETOS BANCÁRIOS – IMPOSSIBILIDADE – EXTRAÇÃO DE TRIPLICATAS FORA DAS HIPÓTESES LEGAIS. I – Para amparar o pedido de falência, é inservível a apresentação de triplicatas imotivadamente emitidas, eis que não comprovados a perda, o extravio ou a retenção do título pelo sacado. II – A retenção da duplicata remetida para aceite é condição para o protesto por indicação, inadmissível o protesto de boletos bancários. Recurso não conhecido.” O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 44 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli confissão de dívida. Assim, como o documento de dívida é protestável, o cheque prescrito também o será (veja, não como cheque, mas como documento de dívida), desde que atendido o prazo de prescrição da relação causal. 11 .4 . CompeTÊNCia FUNCioNal para o proTesTo11 .4 . CompeTÊNCia FUNCioNal para o proTesTo Pois bem, conforme o disposto no art. 3º da Lei n. 9.492/1997, temos que: Compete privativamente ao Tabelião de Protesto de Títulos, na tutela dos interesses públicos e privados, a protocolização, a intimação, o acolhimento da devolução ou do aceite, o recebimento do pagamento, do título e de outros documentos de dívida, bem como lavrar e registrar o protesto ou acatar a desistência do credor em relação ao mesmo, proceder às averbações, prestar informações e fornecer certidões relativas a todos os atos praticados, na forma desta Lei. Portanto, é da competência privativa do Tabelião de Protesto de Títulos proceder à lavratura e ao registro do protesto. Trata-se de um serviço de caráter privado, por delegação do Poder Público, e fiscalizado pelo Poder Judiciário. 11 .5 . CompeTÊNCia TerriTorial11 .5 . CompeTÊNCia TerriTorial Sobre a competência territorial, a regra geral é a de que prevalece o local do pagamento do título ou do documento de dívida. Na ausência do lugar de pagamento, todavia, será competente o lugar do domicílio do devedor. EXEMPLO Sentença condenatória transitada em julgado; como, via de regra, esta não traz o local em que deve ser realizado o pagamento, será considerado competente o domicílio do devedor. No caso específico dos cheques, segundo o disposto no art. 6º da Lei n. 9.492/1997, temos que (...) poderá o protesto ser lavrado no lugar do pagamento ou do domicílio do emitente, devendo do referido cheque constar a prova de apresentação ao Banco sacado, salvo se o protesto tenha por fim instruir medidas pleiteadas contra o estabelecimento de crédito. agora, pergunta-se: e se em uma determinada comarca tiver mais de um Tabelionato agora, pergunta-se: e se em umadeterminada comarca tiver mais de um Tabelionato de protesto?de protesto? Aqui, será necessária a existência do chamado “Ofício Distribuidor” conforme a redação do parágrafo único do art. 7º da mesma lei, a saber: Art. 7º Os títulos e documentos de dívida destinados a protesto somente estarão sujeitos a prévia distribuição obrigatória nas localidades onde houver mais de um Tabelionato de Protesto de Títulos. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 45 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli Parágrafo único. Onde houver mais de um Tabelionato de Protesto de Títulos, a distribuição será feita por um Serviço instalado e mantido pelos próprios Tabelionatos, salvo se já existir Ofício Distribuidor organizado antes da promulgação desta Lei. Por fim, devemos pontuar que, caso um título seja levado a protesto sem que tenha sido observada a precedência da atuação do Ofício Distribuidor, o Tabelião, caso o receba, poderá incorrer no crime de prevaricação (nos termos do art. 319 do Código Penal). 11 .6 . NaTUreZa JUrÍDiCa Do proTesTo11 .6 . NaTUreZa JUrÍDiCa Do proTesTo O protesto, em suma, tem natureza jurídica probatória e de pressuposto processual. A doutrina, ao classificar o protesto, diz que este pode ser: Necessário – É o protesto na sua concepção mais ampla, ou seja, aquele com natureza jurídica de ato probatório e de pressuposto processual. É o protesto indispensável para que o portador assegure o seu direito de regresso contra todos os codevedores do título, desde que apresentado de forma legal, regular e tempestiva. Facultativo – É aquele registrado para outra finalidade que não a de promover a ação regressiva contra os codevedores. O protesto é facultativo quando o credor pode exigir o cumprimento da obrigação, em juízo, sem a sua existência. Obs.: caso se pretenda executar o devedor principal de um título, não há necessidade de protesto (sendo aqui, pois, facultativo). Nada obstante, a execução dos codevedores, como vimos, tem como um de seus pressupostos a lavratura do protesto segundo os ditames da lei. EXEMPLO Na Letra de câmbio, temos: • sacador; • sacado – emite o aceite; • tomador beneficiário. Quando o sacado manifesta o aceite, ele se torna o devedor principal do título. O protesto será facultativo se a intenção é executar o sacador. Será necessário, contudo, se a intenção é executar o sacador ou eventual endossante. O avalista do sacado fica na mesma situação, ou seja, a de protesto facultativo. Para o avalista do sacador ou do endossante é, por sua vez, necessário. EXEMPLO Sobre a Duplicata, por sua vez, temos a seguinte situação: • sacador; • sacado – emite o aceite (é o devedor principal); • tomador. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 46 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli Será facultativo para se executar o sacado. Contudo, se a intenção for de executar os demais, o protesto será necessário. EXEMPLO Na Nota promissória: • emitente (promete pagar a nota); • tomador / beneficiário (pode realizar endosso). O emitente é o devedor principal. O credor, se quiser, pode endossar (no caso de transferência do título). O protesto será facultativo se a intenção for de executar o emitente. Se a vontade for de executar o endossante, o protesto será necessário. EXEMPLO No Cheque: • sacador (é o correntista); • sacado (é o banco); • tomador / beneficiário (é o credor). O devedor principal é o sacador. Se o credor quiser, poderá dar endosso do cheque. O protesto será facultativo se a intenção for a de executar o sacador-emitente. Nesse cenário, pergunta-se: será o protesto necessário para executar o endossante?será o protesto necessário para executar o endossante? Resposta: NÃO! O artigo 47, inciso II, da Lei n. 7.357/1985 (Lei de Cheques) afirma que não é obrigatório. O protesto, no cheque, até para o endossante é facultativo, senão vejamos: Art. 47. Pode o portador promover a execução do cheque: II – contra os endossantes e seus avalistas, se o cheque é apresentado em tempo hábil e a recusa do pagamento é comprovada pelo protesto ou por declaração do sacado, escrita e datada sobre o cheque, com indicação do dia de apresentação, ou, ainda, por declaração escrita e datada por câmara de compensação. Uma última observação antes de encerrarmos. Nos moldes do art. 44 da Lei n. 10.931/2004, temos que, quanto à Cédula de Crédito Bancário, o protesto sempre será facultativo. Nesse sentido, é o dispositivo: Art. 44. Aplica-se às Cédulas de Crédito Bancário, no que não contrariar o disposto nesta Lei, a legislação cambial, dispensado o protesto para garantir o direito de cobrança contra endossantes, seus avalistas e terceiros garantidores. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 47 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli 11 .7 . FUNDameNTos Do proTesTo11 .7 . FUNDameNTos Do proTesTo Os motivos que levam um título a ser protestado pelo seu possuidor são, em síntese, os seguintes: • Protesto por falta de aceite; • Protesto por falta de devolução; • Protesto por falta de pagamento; • Protesto para fins falimentares; Vejamos cada um deles: I – Por falta de aceite: • o título deve admitir o aceite. Exemplo: letra de câmbio e duplicata. Cheque não admite aceite, da mesma forma que a nota promissória; • deve ser feito antes do vencimento. Após o vencimento do título, o único protesto cabível é aquele “por falta de pagamento”; • decurso do prazo para o aceite. II – Por falta de devolução. É também chamado de protesto por indicações, pois não há mais a duplicata, que foi retida. Serão “indicados” os elementos mais relevantes da duplicata para o Tabelionato de Protestos. O protesto por indicações só é admissível para a duplicata. A letra de câmbio não admite o protesto por indicações, uma vez que é possível a emissão de segunda via. Vide a redação do § 3º do art. 21 da Lei n. 9.492/1997: § 3º Quando o sacado retiver a letra de câmbio ou a duplicata enviada para aceite e não proceder à devolução dentro do prazo legal, o protesto poderá ser baseado na segunda via da letra de câmbio ou nas indicações da duplicata, que se limitarão a conter os mesmos requisitos lançados pelo sacador ao tempo da emissão da duplicata, vedada a exigência de qualquer formalidade não prevista na Lei que regula a emissão e circulação das duplicatas. E a segunda via da duplicata? Só é possível nos casos de furto ou extravio (é a chamada “triplicata”). Obs.: as Cédulas de Crédito bancário também admitem protesto por indicações (vide o art. 41 da Lei 10.931/2004): “Art. 41. A Cédula de Crédito Bancário poderá ser protestada por indicação, desde que o credor apresente declaração de posse da sua única via negociável, inclusive no caso de protesto parcial.”. III – Por falta de pagamento; e IV – Para fins falimentares, conforme previsto no parágrafo único do artigo 23 da Lei n. 9.492/1997: “Somente poderão ser protestados, para fins falimentares, os títulos O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meiose a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 48 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli ou documentos de dívida de responsabilidade das pessoas sujeitas às consequências da legislação falimentar.”. De modo que só é admissível tal modalidade de protesto se o devedor principal puder ter sua falência decretada (é dizer, o devedor deve ser empresário ou sociedade empresária). 11 .8 . praZo para o proTesTo11 .8 . praZo para o proTesTo De início, vale dizer que a observância do prazo estipulado para o protesto é importante por se traduzir como pressuposto processual, nos casos de execução contra o codevedor. Vejamos o prazo para o protesto por falta de pagamento: Espécie de Título de Crédito Prazo para o Protesto Letra de câmbio 02 (dois) dias úteis, seguintes ao vencimento do título – art. 44 do Decreto n. 57.663/1966 – Nesse sentido, são Fran Martins e Fábio Ulhoa Coelho; Nota promissória É o mesmo da letra de câmbio (vide art. 77 do Decreto n. 57.663/1966). Duplicata 30 (trinta) dias, contados do vencimento (vide § 4º do art. 13 da Lei n. 5.474/1968). Cheque Antes do prazo de apresentação – 30 (trinta) dias se na mesma praça; 60 (sessenta), se em praça diversa (vide art. 48 da Lei n. 7.357/85). Atente-se ao fato de que se a apresentação ocorrer no último dia do prazo, o protesto pode ser feito no primeiro dia útil seguinte. 11 .9 . proCeDimeNTo11 .9 . proCeDimeNTo O procedimento do protesto não guarda complexidade, não obstante o seu conhecimento ser fundamental para o entendimento do assunto como um todo. Inicialmente, o título é protocolizado. Após, o Tabelião de Protesto, na posse do título, deverá proceder à análise do título ou do documento da dívida (vide art. 9º da Lei n. 9.492/1997): Art. 9º Todos os títulos e documentos de dívida protocolizados serão examinados em seus caracteres formais e terão curso se não apresentarem vícios, não cabendo ao Tabelião de Protesto investigar a ocorrência de prescrição ou caducidade. Parágrafo único. Qualquer irregularidade formal observada pelo Tabelião obstará o registro do protesto. Dito isso, pergunta-se: pode o Tabelião lavrar um protesto de um título que não seja Dito isso, pergunta-se: pode o Tabelião lavrar um protesto de um título que não seja de sua “competência territorial”?de sua “competência territorial”? Resposta: NÃO! Porém, se isso vier a ocorrer, o protesto será anulável, a pedido da parte interessada. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 49 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli Após a análise dos caracteres formais do título, o Tabelião providenciará a intimação do devedor: Art. 14. Protocolizado o título ou documento de dívida, o Tabelião de Protesto expedirá a intimação ao devedor, no endereço fornecido pelo apresentante do título ou documento, considerando-se cumprida quando comprovada a sua entrega no mesmo endereço. § 1º A remessa da intimação poderá ser feita por portador do próprio tabelião, ou por qualquer outro meio, desde que o recebimento fique assegurado e comprovado através de protocolo, aviso de recepção (AR) ou documento equivalente. § 2º A intimação deverá conter nome e endereço do devedor, elementos de identificação do título ou documento de dívida, e prazo limite para cumprimento da obrigação no Tabelionato, bem como número do protocolo e valor a ser pago. Aqui, vemos que aquele que apresenta o título para protesto deve informar onde o devedor se encontra. Obs.: da leitura do artigo acima destacado, verifica-se que é suficiente a comprovação da entrega da intimação no endereço fornecido. No caso de protesto para fins falimentares, porém, em homenagem ao teor da Súmula 361 do STJ, é de se perceber que se faz necessário, nesse caso, a comprovação da entrega da intimação no endereço, além da indicação do responsável pelo seu recebimento. mais uma vez, pergunta-se: é possível a intimação via eletrônica?mais uma vez, pergunta-se: é possível a intimação via eletrônica? Resposta: depende! Para o doutrinador Carlos Henrique Abrão, é possível a intimação eletrônica. Porém, a doutrina majoritária (Walter Cene Viva) entende que mesmo não havendo impedimento legal, a intimação eletrônica só seria possível se houvesse previsão legal. Lado outro, quanto à intimação por edital, observamos que, segundo o art. 15 da Lei n. 9.492/1997, são hipóteses que permitem a intimação por edital: a) Se a pessoa indicada for desconhecida; b) Se a sua localização foi certa ou ignorada; c) Se ninguém se dispuser a receber a intimação no endereço fornecido; e d) Se a pessoa indicada for domiciliada fora da competência territorial do Tabelionato. Art. 15. A intimação será feita por edital se a pessoa indicada para aceitar ou pagar for desconhecida, sua localização incerta ou ignorada, for residente ou domiciliada fora da competência territorial do Tabelionato, ou, ainda, ninguém se dispuser a receber a intimação no endereço fornecido pelo apresentante. § 1º O edital será afixado no Tabelionato de Protesto e publicado pela imprensa local onde houver jornal de circulação diária. § 2º Aquele que fornecer endereço incorreto, agindo de má-fé, responderá por perdas e danos, sem prejuízo de outras sanções civis, administrativas ou penais. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 50 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli Destaca-se que a jurisprudência, principalmente nos casos de contrato de alienação fiduciária, só entende possível a intimação por edital nos casos de competência territorial, quando o Tabelião tenha esgotado todos os meios de intimação à sua disposição. Por fim, quem deve ser indicado para ser intimado?Por fim, quem deve ser indicado para ser intimado? No caso de protestos por falta de aceite ou por falta de devolução, deverá ser indicado o sacado. Já no protesto por falta de pagamento, é o devedor principal do título quem deve ser indicado. 11 .10 . praZos para paGameNTo, sUsTaÇÃo oU DesisTÊNCia11 .10 . praZos para paGameNTo, sUsTaÇÃo oU DesisTÊNCia Nesse ponto, os artigos 12 e 13 da Lei n. 9.492/1997 nos ensinam que: Art. 12. O protesto será registrado dentro de três dias úteis contados da protocolização do título ou documento de dívida. § 1º Na contagem do prazo a que se refere o caput exclui-se o dia da protocolização e inclui-se o do vencimento. § 2º Considera-se não útil o dia em que não houver expediente bancário para o público ou aquele em que este não obedecer ao horário normal. Art. 13. Quando a intimação for efetivada excepcionalmente no último dia do prazo ou além dele, por motivo de força maior, o protesto será tirado no primeiro dia útil subsequente. Pois bem, devemos notar que o protesto é feito no 3º (terceiro) dia útil após a protocolização do título ou do documento de dívida. Nesse prazo, da data do protocolo até o protesto (tríduo legal), o Tabelião deve proceder à intimação do devedor. Porém, se a intimação foi feita no último dia útil, o protesto será feito no primeiro dia útil seguinte (conforme a redação do artigo 13 da Lei n. 9.492/1997). O prazo da data do protocolo até o protesto tem por finalidade o pagamento ou o ajuizamento de uma ação de sustação de protesto (ação declaratória de inexigibilidade de títuloou medida cautelar de sustação de protesto). Após o protesto, só será cabível uma ação de cancelamento de protesto. Sobre o assunto, algumas observações são valiosas: Obs.: o pagamento deve ser efetuado diretamente no Tabelionato de Protestos, ressaltando o fato de que cada estado tem um tratamento próprio, distinto. Quanto à sustação de protestos, devemos citar o art. 17 da Lei n. 9.492/1997: Art. 17. Permanecerão no Tabelionato, à disposição do Juízo respectivo, os títulos ou documentos de dívida cujo protesto for judicialmente sustado.” O título do documento de dívida, cujo protesto tiver sido sustado judicialmente, só poderá ser pago, protestado ou retirado com autorização judicial: § 1º O título do documento de dívida cujo protesto tiver sido sustado judicialmente só poderá ser pago, protestado ou retirado com autorização judicial. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 51 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli Obs.: é possível a desistência do protesto, a qual deve ser manifestada pelo apresentante, isto é, não necessariamente o credor. Veja a redação do artigo 16: “Art. 16. Antes da lavratura do protesto, poderá o apresentante retirar o título ou documento de dívida, pagos os emolumentos e demais despesas.” No que tange ao cancelamento do protesto – Com o protesto registrado, só é possível desfazê-lo a partir do seu cancelamento. É necessário, para tanto, o pagamento do valor da dívida, bem como dos emolumentos administrativos. Qualquer outra forma de protesto que não seja pelo pagamento da dívida, só pode ser feito por ordem judicial. Essa é a inteligência do art. 26 da lei: Art. 26. O cancelamento do registro do protesto será solicitado diretamente no Tabelionato de Protesto de Títulos, por qualquer interessado, mediante apresentação do documento protestado, cuja cópia ficará arquivada. § 1º Na impossibilidade de apresentação do original do título ou documento de dívida protestado, será exigida a declaração de anuência, com identificação e firma reconhecida, daquele que figurou no registro de protesto como credor, originário ou por endosso translativo. § 2º Na hipótese de protesto em que tenha figurado apresentante por endosso-mandato, será suficiente a declaração de anuência passada pelo credor endossante. § 3º O cancelamento do registro do protesto, se fundado em outro motivo que não no pagamento do título ou documento de dívida, será efetivado por determinação judicial, pagos os emolumentos devidos ao Tabelião. § 4º Quando a extinção da obrigação decorrer de processo judicial, o cancelamento do registro do protesto poderá ser solicitado com a apresentação da certidão expedida pelo Juízo processante, com menção do trânsito em julgado, que substituirá o título ou o documento de dívida protestado. § 5º O cancelamento do registro do protesto será feito pelo Tabelião titular, por seus Substitutos ou por Escrevente autorizado. § 6º Quando o protesto lavrado for registrado sob forma de microfilme ou gravação eletrônica, o termo do cancelamento será lançado em documento apartado, que será arquivado juntamente com os documentos que instruíram o pedido, e anotado no índice respectivo. Vale notar que quando o cancelamento se dá pelo pagamento, há os valores destinados tanto ao estado quanto ao Tabelião. No caso de cancelamentos por ordem judicial, porém, não haverá cobrança de valores do estado, mas apenas do Tabelião (art. 26, § 3º). 11 .11 . priNCipais eNTeNDimeNTos JUrisprUDeNCiais soBre o proTesTo11 .11 . priNCipais eNTeNDimeNTos JUrisprUDeNCiais soBre o proTesTo De início, segundo decidido no julgamento do REsp 1.398.356/MG, pelo STJ, JURISPRUDÊNCIA O tabelião, antes de intimar o devedor por edital, deve esgotar os meios de localização, notadamente por meio do envio de intimação por via postal, no endereço fornecido O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 52 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli por aquele que procedeu ao apontamento do protesto. (STJ. 2ª Seção. REsp 1.398.356- MG, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, Rel. para acórdão Min. Luis Felipe Salomão, Segunda Seção, julgado em 24/2/2016 – recurso repetitivo – Info 579). Nessa mesma ocasião, houve também pronunciamento no sentido de que: JURISPRUDÊNCIA É possível, à escolha do credor, o protesto de cédula de crédito bancário garantida por alienação fiduciária, no tabelionato em que se situa a praça de pagamento indicada no título ou no domicílio do devedor. Lado outro, segundo decidido pelo STJ no REsp 1.340.236/SP, JURISPRUDÊNCIA A legislação de regência estabelece que o documento hábil a protesto extrajudicial é aquele que caracteriza prova escrita de obrigação pecuniária líquida, certa e exigível. Portanto, a sustação de protesto de título, por representar restrição a direito do credor, exige prévio oferecimento de contracautela, a ser fixada conforme o prudente arbítrio do magistrado (STJ. 2ª Seção. REsp 1.340.236-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 14/10/2015 – recurso repetitivo – Info 571). Conforme vemos no REsp 813.381/SP, por sua vez: JURISPRUDÊNCIA A validade do protesto não está diretamente relacionada com a exequibilidade do título ou de outro documento de dívida, mas sim com a inadimplência e o descumprimento da obrigação representada nestes papéis. A inadimplência e o descumprimento não desaparecem com a mera prescrição do título executivo não quitado. Em outras palavras, o devedor continua sendo inadimplente, apesar de o título não poder mais ser cobrado mediante execução. Então, não pode o protesto ser cancelado simplesmente pelo fato de ele não poder ser mais executado. (STJ. 4ª Turma. REsp 813.381-SP, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 20/11/2014 – Info 562.) Sob outro aspecto, no REsp 1.339.436/SP, assentou-se o entendimento de que JURISPRUDÊNCIA No regime próprio da Lei 9.492/1997, legitimamente protestado o título de crédito ou outro documento de dívida, salvo inequívoca pactuação em sentido contrário, incumbe O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 53 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli ao devedor, após a quitação da dívida, providenciar o cancelamento do protesto (STJ. 2ª Seção. REsp 1.339.436-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 10/9/2014 – recurso repetitivo – Info 549). Para finalizar, registramos que o STJ, no julgamento do REsp 1.346.584/PR, entendeu que JURISPRUDÊNCIA Se o devedor paga ao banco um título de crédito que estava protestado, o banco deverá fornecer uma carta de anuência com a qual o devedor poderá cancelar o protesto. No entanto, o credor não tem o dever de fornecer este documento automaticamente. É necessário que haja um requerimento (um pedido) daquele que pagou (STJ. 4ª Turma. REsp 1.346.584-PR, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 09/10/2018 – Info 638). 12 . aÇÃo CamBial12 . aÇÃo CamBial É, no direito brasileiro, uma ação executiva típica. Por meio dela, o portador de um título pode acionar qualquer obrigado, sem estar adstrito à ordem, ou pode mover a ação contra todos, citando-os solidariamente.O prazo para o protesto, como visto, é decadencial; o da ação, prescricional. A propósito, sobre a prescrição da ação cambial, devemos mencionar que: a) contra o aceitante – prescreve em três anos a contar do vencimento; b) do portador contra os endossantes e contra o sacador – prescreve em um ano, a contar do protesto feito em tempo útil, ou da data do vencimento, se fora aposta a cláusula “sem protesto”; c) dos endossantes contra os outros e contra o sacador – prescreve em seis meses, a contar do dia em que o endossante pagou a letra ou, se for o caso, do dia em que ele foi acionado; Sob outro aspecto, temos que a prescrição pode ser interrompida, mas só produz efeitos em relação à pessoa contra quem foi dirigida (conforme o artigo 71 da Lei Uniforme de Genebra). Sobre a ação de enriquecimento ilícito (ação de in rem verso) – o próprio artigo 15 do Anexo II da Convenção de Genebra facultou aos países signatários a previsão do citado instrumento. Este tem como base a equidade, e não o direito creditório em si, visto que já prescrito. A sua causa de pedir não é, pois, a existência do crédito (que já prescreveu), mas o locupletamento ilícito. Segundo o § 3º do art. 206 do nosso Código Civil, o prazo, nesse caso, é de três anos. No mesmo sentido, também já decidiu o STJ que, quanto à nota promissória, JURISPRUDÊNCIA A pretensão do ressarcimento veiculada em ação de locupletamento pautada no art. 48 do Decreto n. 2.044/1908 prescreve em 3 anos, contados do dia em que se consumar O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 54 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli a prescrição da ação executiva (cf. REsp 1.323.468/DF, 3ª Turma, da relatoria do min. João Otávio de Noronha, DJ 17/03/2016 – Info 580). À derradeira, vale dizer que em tais ações, há julgados que se contentam com a juntada do título, entendendo caracterizado o prejuízo. Há, todavia, controvérsias a este respeito. Encerrados os aspectos teóricos da nossa aula de hoje, que tal treinarmos um pouco como os conhecimentos apreendidos já foram cobrados em prova?! Boa diversão! O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 55 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli QUESTÕES DE CONCURSOQUESTÕES DE CONCURSO 001. 001. (CESPE/OAB-SP/2009) Assinale a opção em que é apresentada declaração cambial que transmite, de modo imediato, a propriedade do título de crédito. a) endosso-mandato. b) endosso-penhor. c) endosso puro e simples. d) mera assinatura do beneficiário ou tomador no anverso do título. 002. 002. (CESPE/OAB/2/2008) Os títulos de crédito são tradicionalmente concebidos como documentos que apresentam requisitos formais de existência e validade, de acordo com o regulado para cada espécie. Quanto aos seus requisitos essenciais, a nota promissória: a) Poderá não indicar o nome do sacado, permitindo-se, nesse caso, saque ao portador. b) Precisa ser denominada, com sua espécie identificada no texto do título. c) Poderá ser firmada por assinatura a rogo, se o sacador não puder ou não souber assiná-la. d) Conterá mandato puro e simples de pagar quantia determinada. 003. 003. (FGV/2022/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XXXVI – PRIMEIRA FASE) Tamandaré emitiu nota promissória no valor de R$ 7.300,00 (sete mil e trezentos reais) em favor de Altamira. Esta endossou o título em branco para Ângulo Comércio de Tecidos Ltda. Sendo inequívoco que a nota promissória em branco circula ao portador, em caso de desapossamento é correto afirmar que a) Tamandaré ficará desonerado da responsabilidade cambial se provar que o desapossamento do título por parte de Ângulo Comércio de Tecidos Ltda. não pode lhe ser imputado. b) Ângulo Comércio de Tecidos Ltda. poderá obter novo título em Juízo bem como impedir que seu valor seja pago a outrem. c) Altamira não poderá opor ao novo portador exceção fundada em direito pessoal ou em nulidade de sua obrigação. d) A pessoa que se apoderar da nota promissória poderá exigir o pagamento de todos os obrigados, à exceção de Altamira. 004. 004. (FGV/2015/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XVI – PRIMEIRA FASE) Uma letra de câmbio no valor de R$ 13.000,00 (treze mil reais) foi endossada por Pilar com cláusula de mandato para o Banco Poxim S/A. Não tendo havido pagamento no vencimento, a cambial foi apresentada a protesto pelo endossatário-mandatário, tendo sido lavrado e registrado o protesto pelo tabelião. Dez dias após o protesto, Rui Palmeira, aceitante da letra de câmbio, compareceu ao tabelionato e apresentou declaração de anuência firmada apenas pelo endossante da O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 56 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli letra de câmbio, com identificação do título e firma reconhecida. Não houve apresentação do título no original ou em sua cópia. À luz das disposições da Lei n. 9.492/97 sobre o cancelamento do protesto, é correto afirmar que o tabelião a) não poderá realizar o cancelamento do protesto por faltar no documento apresentado a anuência do endossatário-mandatário. b) não poderá realizar o cancelamento do protesto, porque esse ato é privativo do juiz, diferentemente da sustação do protesto. c) poderá realizar o cancelamento do protesto, porque é suficiente a declaração de anuência firmada pelo endossante-mandante. d) poderá realizar o cancelamento do protesto, porque o pedido foi feito no prazo legal (30 dias) e pelo aceitante, obrigado principal. 005. 005. (FGV/2022/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XXXV – PRIMEIRA FASE) Riqueza Comércio de Artigos Eletrônicos Ltda. sacou duplicata na modalidade cartular em face de Papelaria Sul Brasil Ltda., que foi devidamente aceita, com vencimento no dia 25 de março de 2022. Antes do vencimento, a duplicata foi endossada para Saudades Fomento Mercantil S/A. No dia do vencimento, a duplicata não foi paga, porém, no dia seguinte, foi prestado aval em branco datado pelo avalista Antônio Carlos. Acerca da validade e do cabimento do aval dado na duplicata após o vencimento, assinale a afirmativa correta. a) É nulo o aval após o vencimento na duplicata, por vedação expressa no Código Civil, diante da omissão da Lei n. 5.474/1968 (Lei de Duplicatas). b) É válido o aval na duplicata após o vencimento, desde que o título ainda não tenha sido endossado na data da prestação do aval. c) É nulo o aval na duplicata cartular, sendo permitido apenas na duplicata escritural e mediante registro do título perante o agente escriturador. d) É válido o aval dado na duplicata antes ou após o vencimento, por previsão expressa na Lei de Duplicatas (Lei n. 5.474/1968). 006. 006. (FGV/2021/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XXXII – PRIMEIRA FASE) Bonfim emitiu nota promissória à ordem em favor de Normandia, com vencimento em 15 de março de 2020 e pagamento na cidade de Alto Alegre/RR. O título de crédito passou por três endossos antes de seu vencimento. O primeiro endosso foi em favor de Iracema, com proibição de novo endosso; o segundo endosso, sem garantia, se deu em favor de Moura; no terceiro e último endosso, o endossante indicou Cantá como endossatário. Vencido o título sem pagamento,6 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli TÍTULOS DE CRÉDITOTÍTULOS DE CRÉDITO 1 . aspeCTos iNTr1 . aspeCTos iNTroDUTÓrios: NoÇÕes BÁsiCas, oDUTÓrios: NoÇÕes BÁsiCas, leGislaÇÃo e eVolUÇÃo HisTÓriCaleGislaÇÃo e eVolUÇÃo HisTÓriCa Em poucas palavras, os títulos de crédito podem ser entendidos como instrumentos comerciais criados pelo homem para tornar as trocas de bens, mercadorias, produtos e créditos mais rápidas e seguras1. Segundo o nosso Código Civil2, adotando o conceito criado pelo jurista italiano Cesare Vivante, os títulos de crédito são documentos necessários ao exercício dos direitos literais e autônomos neles contidos, e que somente produzem efeitos quando preenchidos os requisitos previstos em lei. E por falar em legislação aplicável, devemos nos atentar, de início, aos diferentes diplomas legais que têm incidência sobre a matéria, de acordo com a espécie do título de crédito com o qual estejamos lidando, a saber: Letras de câmbio e notas promissórias – Decreto n. 57.663/1966 (Lei Uniforme de Genebra — LUG); Cheques – Lei n. 7.357/85; e Duplicatas – Lei n. 5.474/1968. Diante disso, pergunta-se: mas e as regras do Código Civil não devem ser observadas?mas e as regras do Código Civil não devem ser observadas? Pois bem, as regras trazidas pelo Código Civil de 2002 devem sim ser observadas, porém, a sua aplicação aos títulos de crédito possui caráter subsidiário, conforme o disposto no próprio art. 903 da nossa Lei Civil3. Dito isso, devemos prosseguir para entender que os títulos cambiais representam obrigações de natureza eminentemente pecuniária. Não se confundem com a obrigação em si. Nesse contexto, as obrigações representadas em um título de crédito ou têm origem extracambial, como é o caso daquelas originadas a partir da celebração de contratos, ou têm origem exclusivamente cambial, como na obrigação de um avalista, por exemplo. O credor de uma obrigação representada por um título de crédito tem direitos, de conteúdo operacional, diversos daqueles que teria se a mesma obrigação não se encontrasse 1 RAMOS, André Luiz Santa Cruz. Direito empresarial / André Luiz Santa Cruz Ramos. – 7. ed. rev. e atual. – Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2017. p. 530. 2 “Art. 887. O título de crédito, documento necessário ao exercício do direito literal e autônomo nele contido, somente produz efeito quando preencha os requisitos da lei.” 3 “Art. 903. Salvo disposição diversa em lei especial, regem-se os títulos de crédito pelo disposto neste Código.” O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 7 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli representada por um título de crédito. Isso porque, além do título crédito possibilitar uma negociação mais fácil do crédito decorrente da obrigação representada – isto é, do crédito “nele contido” –, sua cobrança judicial é mais eficiente e célere. A essas circunstâncias especiais costuma a doutrina se referir como os atributos dos títulos de crédito, denominados, respectivamente, de negociabilidade (que se traduz na facilidade de negociação) e executividade (relacionada à maior eficiência na cobrança). Dessa forma, portanto, há um regime jurídico-cambial próprio no Direito brasileiro, o qual estabelece regras que dão à pessoa que detém inicialmente o crédito (ou para quem o crédito é transferido) maiores garantias do que as do regime civil convencional. Entretanto, para termos uma noção completa de como o assunto é disciplinado hoje no ordenamento jurídico pátrio, necessário retomarmos o desenvolvimento histórico dos títulos de crédito. Nesse sentido, ainda que a origem do direito cambial se remeta à Idade Média, doutrinária e didaticamente, entende-se que quatro foram, ou são as fases do Direito Cambiário: Período Italiano – Até 1650: mercadores das cidades italianas, diante da necessidade de operarem com moedas diferentes em praças diversas, deram origem às letras de câmbio; Período Francês – De 1650 até 1848: Surge a figura do endosso e as letras de câmbio deixam de ser instrumentos de pagamento para se tornarem instrumentos de crédito; Período Germânico – De 1848 até 1930: São codificadas as normas disciplinadoras das letras cambial, separando-as das normas de direito comum; É criada, a partir disso, uma proteção especial ao terceiro adquirente de boa-fé, como forma de garantir a circulação do título; e Período Uniforme – São aprovadas, em 1930, as leis uniformes genebrinas sobre letras de câmbio e notas promissórias, e, em 1931, sobre cheques. 2 . CoNCeiTo2 . CoNCeiTo Como vimos, o nosso Código Civil adotou um conceito de título de crédito muito próximo à literalidade daquele inaugurado pelo italiano Cesare Vivante, para o qual estes se apresentam como “documentos necessários para o exercício do direito literal e autônomo neles mencionados”. Dizemos “muito próximo” tendo em vista uma pequena diferença semântica existente entre os termos “contido”, adotado pelo Código Civil, e “mencionado”, utilizado por Vivante. Diferença essa que se apresenta suficientemente relevante para suscitar críticas e comentários por parcela da doutrina, para quem houve equívoco quando da adoção do termo “contido” visto que o título não “contém” propriamente um crédito, mas tão somente o “menciona”. Prosseguindo, impende ressaltarmos, mais uma vez, que as disposições constantes do CC/2002 não se aplicam às seguintes espécies de títulos de crédito: letras de câmbio, notas promissórias, cheques e duplicatas. Isso porque, como dito, o artigo 903 da Lei Civil afirma que estão ressalvadas as leis especiais. As regras do CC/2002, desse modo, são supletivas O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 8 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli às leis especiais, isto é, só têm aplicação no silêncio de tais legislações específicas. Exemplo: o aval parcial, segundo o Código Civil, não é possível. Todavia, existem leis especiais que o permitem. Logo, não incidirá, para esses casos, a regência do CC/2002. Entendemos, de outro lado, que as normas contidas no CC/2002 são naturalmente aplicáveis: a) aos títulos de crédito cuja legislação de regência não determine a aplicação subsidiária da legislação sobre as letras de câmbio e notas promissórias, ou de qualquer outra lei sobre determinado título; b) aos títulos nominados, quando a lei de regência for silente sobre determinada matéria, como, por exemplo, título escritural (art. 889, § 3º, do CC/2002). Comentando o art. 903 do CC/2002, já mencionado, o professor Gustavo Tepedino afirma que há duas possibilidades para interpretação de tal artigo: 1) A primeira delas leva a crer que o Código pretendeu regular os chamados títulos de crédito atípicos ou inominados, isto é, aqueles que não encontram regulamentação expressa em leis, de modo que fixou requisitos mínimos dos títulos de crédito (na realidade, quis o autor referir-se aos títulos não regulados, na conceituação de Fábio Ulhoa Coelho); 2) A segunda pretende nos dizer que o a Lei Civil quis estabelecer uma teoria geral dos títulos de crédito, de modo que, quando não forem aplicáveis normas constantes de legislações especiais, incidirão as suas próprias regras. A crítica acerca de tal interpretação está em observar que quase todas as matérias que o CC/2002 regula já se encontram previstas também em leis especiais; regulou de forma contraditória,o portador poderá promover a ação de cobrança em face de O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 57 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli a) Bonfim, o emitente e coobrigado, e dos obrigados principais Iracema e Moura, observado o aponte tempestivo do título a protesto por falta de pagamento para o exercício do direito de ação somente em face do coobrigado. b) Bonfim, o emitente e obrigado principal, e do endossante e coobrigado Moura, observado o aponte tempestivo do título a protesto por falta de pagamento para o exercício do direito de ação em face do coobrigado. c) Normandia, primeira endossante e obrigado principal, e do endossante Moura, observado o aponte tempestivo do título a protesto por falta de pagamento para o exercício do direito de ação em face de ambos. d) Iracema, Normandia e Cantá, endossantes e coobrigados da nota promissória, dispensado o aponte do título a protesto por falta de pagamento para o exercício do direito de ação em face deles. 007. 007. (FGV/2014/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XXV – PRIMEIRA FASE) Sobre a distinção entre endosso e cessão de crédito, assinale a afirmativa correta. a) A cessão de crédito é a forma de transmissão dos títulos à ordem, enquanto o endosso é a forma de transmissão dos títulos não à ordem. b) A cessão de crédito ao cessionário pode ser parcial ou total, enquanto o endosso deve ser feito pelo valor integral do título, sob pena de nulidade. c) A eficácia do endosso em relação aos devedores do título depende de sua notificação; na cessão de crédito, a eficácia decorre da simples assinatura do cedente no anverso do título. d) O direito de crédito do endossatário é dependente das relações do devedor com portadores anteriores; o direito do cessionário é literal e autônomo em relação aos portadores anteriores. 008. 008. (FGV/2012/EXAME DA ORDEM UNIFICADO VII – PRIMEIRA FASE) Com relação ao instituto do aval, é correto afirmar que a) é necessário o protesto para a cobrança dos avalistas do emitente e dos endossantes de notas promissórias. b) o avalista, quando executado, pode exigir que o credor execute primeiro o avalizado. c) o aval pode ser lançado em documento separado do título de crédito. d) a obrigação do avalista se mantém, mesmo no caso de a obrigação que ele garantiu ser nula, exceto se essa nulidade for decorrente de vício de forma. 009. 009. (FGV/2011/EXAME DA ORDEM UNIFICADO IV – PRIMEIRA FASE) Em relação ao Direito Cambiário, é correto afirmar que a) o aceite no cheque é dado pelo banco ou instituição financeira a ele equivalente, devendo ser firmado no verso do título. b) a duplicata, quando de prestação de serviços, pode ser emitida com vencimento a tempo certo da vista. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 58 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli c) o protesto é necessário para garantir o direito de regresso contra o(s) endossante(s) e o(s) avalista(s) do aceitante de uma letra de câmbio. d) o aval dado em uma nota promissória pode ser parcial, ainda que sucessivo. 010. 010. (FGV/2016/ EXAME DA ORDEM UNIFICADO XX – PRIMEIRA FASE) Cícero sacou uma letra de câmbio em favor de Amélia, tendo designado como sacado Elísio, que acatou a ordem de pagamento. A primeira endossante realizou um endosso em preto para Dario, com proibição de novo endosso. Diante do efeito legal da cláusula de proibição de novo endosso, assinale a afirmativa correta. a) Caso Dario realize um novo endosso, tal transferência terá efeito de cessão de crédito perante os coobrigados e efeito de endosso perante o aceitante. b) Dario não poderá realizar novo endosso no título sob pena de desoneração de responsabilidade cambial dos coobrigados. c) Tal qual o endosso parcial, a proibição de novo endosso é nula por restringir a responsabilidade cambiária do endossante e do sacador. d) Amélia, embora coobrigada, não responde pelo pagamento da letra de câmbio perante os endossatários posteriores a Dario. 011. 011. (FGV/2013/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XII – PRIMEIRA FASE/ADAPTADA) Fontoura Xavier sacou letra de câmbio à ordem no valor de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) em face de Sales Oliveira, pagável à vista na praça de Itaocara, indicando como beneficiário Rezende Costa. Com base nos dados apresentados e na legislação sobre letra de câmbio, julgue o item: O vencimento da letra de câmbio ocorrerá na data de sua apresentação pelo beneficiário ao sacado, Sales Oliveira. 012. 012. (FGV/2013/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XII – PRIMEIRA FASE/ADAPTADA) Fontoura Xavier sacou letra de câmbio à ordem no valor de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) em face de Sales Oliveira, pagável à vista na praça de Itaocara, indicando como beneficiário Rezende Costa. Com base nos dados apresentados e na legislação sobre letra de câmbio, julgue o item: Se o sacador, Fontoura Xavier, inserir a cláusula “sem despesas” será facultativo o protesto por falta de pagamento. 013. 013. (FGV/2021/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XXXIII – PRIMEIRA FASE) Antenor subscreveu nota promissória no valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais) pagável em 16 de setembro de 2021. A obrigação do subscritor foi avalizada por Belizário, que tem como avalista Miguel, e esse tem, como avalista, Antônio. Após o vencimento, caso o avalista Miguel venha a pagar o valor da nota promissória ao credor, assinale a opção que indica a(s) pessoa(s) que poderá(ão) ser demandada(s) em ação de regresso. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 59 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli a) Antenor e Belizário, podendo Miguel cobrar de ambos o valor integral do título. b) Belizário e Antônio, podendo Miguel cobrar de ambos apenas a quota-parte do valor do título. c) Antenor e Antônio, podendo Miguel cobrar do primeiro o valor integral e, do segundo, apenas a quota-parte do valor do título. d) Antenor, podendo Miguel cobrar dele o valor integral, eis que os demais avalistas ficaram desonerados com o pagamento. 014. 014. (FGV/2021/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XXXIII – PRIMEIRA FASE) Socorro, empresária individual, sacou duplicata de venda na forma cartular, em face de Laticínios Aguaí Ltda. com vencimento para o dia 11 de setembro de 2020. Antes do vencimento, no dia 31 de agosto de 2020, a duplicata, já aceita, foi endossada para a sociedade Bariri & Piraju Ltda. Considerando-se que, no dia 9 de outubro de 2020, a duplicata foi apresentada ao tabelionato de protestos para ser protestada por falta de pagamento, é correto afirmar que o endossatário a) não poderá promover a execução em face de nenhum dos signatários diante da perda do prazo para a apresentação da duplicata a protesto por falta de pagamento. b) poderá promover a execução da duplicata em face do aceitante e do endossante, por ser facultativo o protesto por falta de pagamento da duplicata, caso tenha sido aceita pelo sacado. c) poderá promover a execução da duplicata em face do aceitante e do endossante, pelo fato de o título ter sido apresentado a protesto em tempo hábil e por ser o aceitante o obrigado principal. d) não poderá promover a execuçãoem face do endossante, diante da perda do prazo para a apresentação da duplicata a protesto por falta de pagamento, mas poderá intentá-la em face do aceitante, por ser ele o obrigado principal. 015. 015. (FGV/2019/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XXVIII – PRIMEIRA FASE) Filadélfia emitiu nota promissória à vista em favor de Palmas. Antes da apresentação a pagamento, Palmas realizou endosso-mandato da cártula para Sampaio. De posse do título, é correto afirmar que Sampaio a) poderá exercer todos os direitos inerentes ao título, inclusive realizar novo endosso sem as restrições daquele realizado em cobrança. b) poderá transferir o título na condição de procurador da endossante ou realizar endosso em garantia (endosso pignoratício). c) somente poderá transferir a nota promissória, por meio de novo endosso, na condição de procurador da endossante. d) não poderá realizar qualquer endosso do título, pois caso o faça será considerado como parcial, logo nulo. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 60 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli 016. 016. (FGV/2019/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XXIX – PRIMEIRA FASE) André de Barros foi desapossado de nota promissória com vencimento à vista no valor de R$ 34.000,00 (trinta e quatro mil reais), pagável em Lagoa Vermelha/RS, que lhe foi endossada em branco pela sociedade empresária Arvorezinha Materiais de Limpeza Ltda. Em relação aos direitos cambiários decorrentes da nota promissória, assinale a afirmativa correta. a) A sociedade empresária endossante ficará desonerada se o título não for restituído a André de Barros no prazo de 30 (trinta) dias da data do desapossamento. b) André de Barros poderá obter a anulação do título desapossado e um novo título em juízo, bem como impedir que seu valor seja pago a outrem. c) A sociedade empresária endossante não poderá opor ao portador atual exceção fundada em direito pessoal ou em nulidade de sua obrigação. d) O subscritor da nota promissória ficará desonerado perante o portador atual se provar que o título foi desapossado de André de Barros involuntariamente. 017. 017. (FGV/2018/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XXVI – PRIMEIRA FASE) Três Coroas Comércio de Artigos Eletrônicos Ltda. subscreveu nota promissória em favor do Banco Dois Irmãos S.A. com vencimento a dia certo. Após o vencimento, foi aceita uma proposta de moratória feita pelo devedor por 120 (cento e vinte) dias, sem alteração da data de vencimento indicada no título. O beneficiário exigiu dois avalistas simultâneos, e o devedor apresentou Montenegro e Bento, que firmaram avais em preto no título. Sobre esses avais e a responsabilidade dos avalistas simultâneos, assinale a afirmativa correta. a) Por ser vedado, no direito brasileiro, o aval póstumo, os avais simultâneos são considerados não escritos, inexistindo responsabilidade cambial dos avalistas. b) O aval lançado na nota promissória após o vencimento ou o protesto tem efeito de fiança, respondendo os avalistas subsidiariamente perante o portador. c) O aval póstumo produz os mesmos efeitos do anteriormente dado, respondendo os avalistas solidariamente e autonomamente perante o portador. d) O aval póstumo é nulo, mas sua nulidade não se estende à obrigação firmada pelo subscritor (avalizado), em razão do princípio da autonomia. 018. 018. (FGV/2018/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XXV – PRIMEIRA FASE) Para realizar o pagamento de uma dívida contraída pelo sócio M. Paraguaçu em favor da sociedade Iguape, Cananeia & Cia Ltda., o primeiro emitiu uma nota promissória à vista, com cláusula à ordem no valor de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 61 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli De acordo com essas informações e a respeito da cláusula à ordem, é correto afirmar que a) a nota promissória, na omissão dessa cláusula, somente poderia ser transferida pela forma e com os efeitos de cessão de crédito. b) a cláusula implica a possibilidade de transferência do título por endosso, sendo o endossante responsável pelo pagamento, salvo cláusula sem garantia. c) a cláusula implica a possibilidade de transferência do título por endosso, porque a modalidade de vencimento da nota promissória é à vista. d) tal cláusula implica a possibilidade de transferência do título por cessão de crédito, não respondendo o cedente pela solvência do emitente, salvo cláusula de garantia. 019. 019. (FGV/2018/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XXVII – PRIMEIRA FASE) Resende & Piraí Ltda. sacou duplicata de serviço em face de Italva Louças e Metais S/A, que a aceitou. Antes do vencimento, o título foi endossado para Walter. Há um aval em preto no título dado por Casimiro Cantagalo em favor do sacador. Após o vencimento, ocorrido em 11 de setembro de 2018, a duplicata foi levada a protesto por falta de pagamento, em 28 de setembro do mesmo ano. Com base nas informações dadas, assinale a opção que indica contra quem Walter, endossatário da duplicata, poderá promover a ação de execução. a) Italva Louças e Metais S/A, exclusivamente, em razão da perda do direito de ação em face dos coobrigados pela apresentação da duplicata a protesto por falta de pagamento além do prazo de 1 (um) dia útil após o vencimento. b) Resende & Piraí Ltda. e Casimiro Cantagalo, somente, pois a duplicata foi apresentada a protesto tempestivamente, assegurando o portador seu direito de ação em face dos coobrigados, mas não em face do aceitante. c) Resende & Piraí Ltda. e Italva Louças e Metais S/A, somente, em razão da perda do direito de ação em face do avalista pela apresentação da duplicata a protesto por falta de pagamento além do prazo de 1 (um) dia útil após o vencimento. d) Resende & Piraí Ltda., Italva Louças e Metais S/A e Casimiro Cantagalo, pois a duplicata foi apresentada a protesto tempestivamente, assegurando o portador seu direito de ação em face dos coobrigados e do aceitante. 020. 020. (FGV/2017/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XXII – PRIMEIRA FASE) Luiz emitiu uma nota promissória em favor de Jerônimo. No momento da emissão, ele não inseriu a quantia nem o lugar de pagamento. Na data do vencimento, o subscritor foi procurado por um procurador do beneficiário, que lhe exibiu a cártula com endosso-mandato e exigiu o pagamento. Luiz verificou, então, que o título havia sido preenchido abusivamente, pois constava o valor de R$ 15.000,00 (quinze mil reais), quando o correto seria R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais), e o lugar de pagamento era diverso de seu domicílio, em Cachoeiro de Itapemirim, ES. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 62 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli Procurado pelo devedor para analisar o caso e ciente de que o pagamento não foi realizado por ele, você, como advogado(a), responde que a) é possível alegar em juízo, com êxito, a nulidade do título, em razão de o lugar de pagamento ser domicílio diverso do subscritor, caracterizando má-fé do portador atual. b) não é possível ao subscritor se recusar validamente ao pagamento diante da autonomia das obrigações cambiárias edo endosso-mandato realizado na cártula. c) é possível ao subscritor da nota promissória opor exceção pessoal ao beneficiário Jerônimo quanto ao conteúdo literal do título, diante do preenchimento abusivo. d) não é possível a oposição de exceção ao pagamento, porque o subscritor da nota promissória é equiparado ao aceitante da letra de câmbio e, como tal, obriga-se a pagar na data do vencimento. 021. 021. (FGV/2017/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XXIII – PRIMEIRA FASE) Pedrinho emitiu quatro cheques em 26 de março de 2017, mas esqueceu de depositar um deles. Tendo um débito a honrar com Kennedy e sendo beneficiário desse quarto cheque, Pedrinho o endossou em preto, datando no verso “dia 20 de maio de 2017”. Sabe-se que o lugar de emissão do quarto cheque é o mesmo do de pagamento. Sobre esse endosso, assinale a afirmativa correta. a) O endosso produz seus efeitos legais porque a transmissão do cheque se deu dentro do prazo de apresentação. b) No endosso em preto, o endossatário fica dispensado da apresentação em tempo hábil do cheque ao sacado. c) O endosso do cheque tem efeito de cessão de crédito por ter sido realizado após o decurso do prazo de apresentação. d) Pedrinho ficou exonerado de responsabilidade pelo pagamento do cheque em razão do caráter póstumo do endosso. 022. 022. (FGV/2016/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XIX – PRIMEIRA FASE) Nanci, empresária individual, contraiu empréstimo com instituição financeira, formalizado em contrato de abertura de crédito. A esse contrato foi vinculada nota promissória avalizada, emitida pela mutuária em favor da mutuante. Em relação à obrigação firmada pelo avalista, assinale a afirmativa correta. a) A nota promissória vinculada ao contrato de abertura de crédito não goza de autonomia em razão da iliquidez do título que a originou. b) A nota promissória vinculada ao contrato de abertura de crédito goza de autonomia em razão do contrato de abertura de crédito ser título executivo extrajudicial. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 63 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli c) O avalista poderá arguir exceção de pré-executividade em razão da iliquidez do título que originou a nota promissória, mesmo que esta tenha força executiva e autonomia. d) A nota promissória gozará de autonomia somente com a anuência do avalista no contrato de abertura de crédito, além da sua assinatura no título. 023. 023. (FGV/2016/ EXAME DA ORDEM UNIFICADO XXI – PRIMEIRA FASE) Humaitá Comércio e Distribuição de Defensivos Agrícolas Ltda. sacou 4 (quatro) duplicatas de compra e venda em face de Cooperativa dos Produtores Rurais de Coari Ltda., em razão da venda de insumos para as plantações dos cooperados. Com base nestas informações, assinale a afirmativa correta. a) É facultado ao sacador inserir cláusula não à ordem no momento do saque, caso em que a forma de transferência dos títulos se dará por meio de cessão civil de crédito. b) Por se tratar de sacado cooperativa, sociedade simples independentemente de seu objeto, é proibido o saque de duplicatas em face dessa espécie de sociedade. c) Lançada eventualmente a cláusula mandato no endosso das duplicatas, o endossatário poderá exercer todos os direitos emergentes dos títulos, inclusive efetuar endosso próprio a terceiro. d) Sendo o pagamento das duplicatas garantido por aval, o avalista é equiparado àquele cujo nome indicar; na falta da indicação, àquele abaixo de cuja firma lançar a sua; fora desses casos, ao sacado. 024. 024. (FGV/2014/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XIII – PRIMEIRA FASE) Glória vendeu um automóvel a prazo para Valente. O pagamento foi realizado em quatro notas promissórias, com vencimentos em 30, 60, 90 e 120 dias da data de emissão. Os títulos foram endossados em branco para Paulo Afonso, mas foram extraviados antes dos respectivos vencimentos. Sobre a responsabilidade do emitente e do endossante das notas promissórias, assinale a afirmativa correta. a) Apenas o emitente responde pelo pagamento dos títulos porque o endossante não é coobrigado, salvo cláusula em contrário inserida na nota promissória. b) A responsabilidade do emitente e do endossante perante o portador subsiste ainda que os títulos tenham sido perdidos ou extraviados involuntariamente. c) O endossante e o emitente não respondem perante o portador pelo pagamento das notas promissórias em razão do desapossamento involuntário. d) O emitente e o endossante não respondem pelo pagamento dos títulos porque só é permitido ao vendedor sacar duplicata em uma compra e venda. 025. 025. (FGV/2014/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XIV – PRIMEIRA FASE) Na duplicata de compra e venda, entende-se por protesto por indicações do portador aquele que é lavrado pelo tabelião de protestos O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 64 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli a) em caso de recusa ao aceite e devolução do título ao apresentante pelo sacado, dentro do prazo legal. b) quando o sacado retiver a duplicata enviada para aceite e não proceder à devolução dentro do prazo legal. c) na falta de pagamento do título pelo aceitante ou pelo endossante dentro do prazo legal. d) em caso de revogação da decisão judicial que determinou a sustação do protesto. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 65 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli GABARITOGABARITO 1. c 2. b 3. b 4. c 5. d 6. b 7. b 8. d 9. d 10. d 11. C 12. C 13. a 14. c 15. c 16. b 17. c 18. b 19. d 20. c 21. c 22. a 23. d 24. b 25. b O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 66 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli GABARITO COMENTADOGABARITO COMENTADO 001. 001. (CESPE/OAB-SP/2009) Assinale a opção em que é apresentada declaração cambial que transmite, de modo imediato, a propriedade do título de crédito. a) endosso-mandato. b) endosso-penhor. c) endosso puro e simples. d) mera assinatura do beneficiário ou tomador no anverso do título. O endosso divide-se em próprio ou impróprio. O endosso próprio ou puro e simples transfere a propriedade imediata do título e torna o endossante responsável solidariamente (lembre-se: segundo o CC, apenas se contiver cláusula expressa, todavia, a legislação especial que rege os diversos títulos previu a responsabilidade solidária) pelo pagamento do crédito (Gabarito da questão). Por sua vez, o endosso impróprio é o que não transfere a propriedade do título, permitindo apenas ao endossatário exercer direitos relativos cártula. Da espécie endosso impróprio resultam as espécies endosso-mandato e endosso-caução. A FGV, no concurso para Procurador do TCM-RJ, em 2008, explorou este assunto, com a seguinte sentença: o endosso impróprio transfere o exercício dos direitos inerentes à cambial. O item deve ser analisado com muita cautela.O endosso impróprio transfere, sim, os direitos inerentes à cártula, exceto a transmissão da propriedade. Gabarito, portanto, correto. Endosso-mandato ou endosso-procuração é aquele através do qual o endossatário atua em nome do endossante, não possuindo a posse sobre o título. Com a morte ou a superveniente incapacidade do endossante, não perde eficácia o endosso-mandato (CC, art. 917, § 2º). Ademais, o título poderá ser novamente endossado, desde que nos mesmos poderes recebidos e, também, na qualidade de endosso-procuração. O endosso-caução, endosso-garantia ou endosso-penhor é utilizado quando o endossante deposita ou dá o título, perante o endossatário como garantia de uma dívida. São inseridas as expressões: “Valor em garantia” e “Valor em penhor”. O título endossado em garantia permanecerá com o endossatário até que haja a liquidação da dívida. Com o inadimplemento do endossante, o endossatário passará a ter a efetiva propriedade do título. Existe, ainda, o endosso após o vencimento do título, que é conhecido como endosso póstumo. Produzirá efeitos tal como tivesse sido feito antes do vencimento, salvo se feito após o protesto por falta de pagamento ou após a expiração do prazo para protestar. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 67 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli A letra d está incorreta. Lembrem-se de que dissemos que a simples assinatura no anverso do título será considerada como aval. Letra c. 002. 002. (CESPE/OAB/2/2008) Os títulos de crédito são tradicionalmente concebidos como documentos que apresentam requisitos formais de existência e validade, de acordo com o regulado para cada espécie. Quanto aos seus requisitos essenciais, a nota promissória: a) Poderá não indicar o nome do sacado, permitindo-se, nesse caso, saque ao portador. b) Precisa ser denominada, com sua espécie identificada no texto do título. c) Poderá ser firmada por assinatura a rogo, se o sacador não puder ou não souber assiná-la. d) Conterá mandato puro e simples de pagar quantia determinada. A nota promissória é uma promessa de pagamento. através de uma nota promissória determinada pessoa se compromete a pagar uma quantia a terceiro. A lei não estabelece uma forma X ou Y para a nota promissória (É o que, dentro da classificação já estudada, denominamos títulos de forma livre). Contudo, traz em seu bojo alguns requisitos que o título deve cumprir, a saber: Requisitos da nota promissória A denominação “nota promissória” inserta no próprio texto do título e expressa na língua empregada para a redação desse título; • a promessa pura e simples de pagar uma quantia determinada; • a Época do pagamento; • a indicação do lugar em que se efetuar o pagamento; • o nome da pessoa a quem ou ordem de quem deve ser paga (a nota promissória não pode ser emitida ao portador); • a indicação da data e do lugar onde a nota promissória é passada; • a assinatura de quem passa a nota promissória (subscritor). Esses requisitos estão todos insertos na Lei Uniforme de Genebra, em seu artigo 75. Ainda, segundo a lei, em seu artigo 76: Art. 76. O título em que faltar algum dos requisitos indicados no artigo anterior não produzirá efeito como nota promissória, salvo nos casos determinados das alíneas seguintes. A nota promissória em que não se indique a época do pagamento será considerada pagável à vista. Na falta de indicação especial, lugar onde o título foi passado considera-se como sendo o lugar do pagamento e, ao mesmo tempo, o lugar do domicílio do subscritor da nota promissória. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 68 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli A nota promissória que não contenha indicação do lugar onde foi passada considera-se como tendo-o sido no lugar designado ao lado do nome do subscritor. Feitas as considerações, passemos a responder à questão! a) Errada. A nota promissória não pode ser emitida ao portador. Gravem. Deve obrigatoriamente constar o nome da pessoa a quem ou ordem de quem deve ser paga. b) Certa. A assertiva está correta. Segundo a LUG, é requisito da nota promissória a denominação “nota promissória” inserta no próprio texto do título e expressa na língua empregada para a redação desse título. c) Errada. Assinar a rogo é apor a assinatura no lugar do outro que não tem condições para tanto. Coloca-se a impressão digital do analfabeto no documento e o outro coloca o nome e o número identidade ou CPF e assina, na presença de testemunhas. A nota promissória não pode ser firmada a rogo, uma vez que é requisito para sua validade a assinatura de quem passa a nota promissória (subscritor). d) Errada. A nota promissória se configura como promessa de pagamento e não mandato puro e simples. Letra b. 003. 003. (FGV/2022/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XXXVI – PRIMEIRA FASE) Tamandaré emitiu nota promissória no valor de R$ 7.300,00 (sete mil e trezentos reais) em favor de Altamira. Esta endossou o título em branco para Ângulo Comércio de Tecidos Ltda. Sendo inequívoco que a nota promissória em branco circula ao portador, em caso de desapossamento é correto afirmar que a) Tamandaré ficará desonerado da responsabilidade cambial se provar que o desapossamento do título por parte de Ângulo Comércio de Tecidos Ltda. não pode lhe ser imputado. b) Ângulo Comércio de Tecidos Ltda. poderá obter novo título em Juízo bem como impedir que seu valor seja pago a outrem. c) Altamira não poderá opor ao novo portador exceção fundada em direito pessoal ou em nulidade de sua obrigação. d) A pessoa que se apoderar da nota promissória poderá exigir o pagamento de todos os obrigados, à exceção de Altamira. A questão tem por objeto tratar da Nota Promissória. A nota promissória, assim como a letra de câmbio, também é regulada pelo Decreto-lei n. 57.663/1966, nos art. 75 ao 78. Pode ser aplicada a Nota Promissórias as disposições previstas no Código Civil (887 ao 926). A nota promissória representa uma promessa de pagamento em que o subscritor se compromete a efetuar o pagamento a um determinado credor. Inicialmente, temos duas O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 69 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli figuras: a) Promitente/emitente/subscritor – Tamandaré (devedor direito); b) credor originário e posteriormente endossante – Altamira (devedor indireto). Considerando que o título foi endossa para Ângulo Comércio de Tecidos Ltda, este passa a ser o novo credor (endossatário) – novo credor. O subscritor da nota promissória assume o compromisso de efetuar o pagamento de determinada pessoa, sendo o devedor direto/principal pelo pagamento da nota promissória e, nos termos do art. 78, LUG, responderá da mesma forma que o aceitante na letra de Câmbio. a) Errada. Tamandaré é o emitente da nota promissória, e, portanto, devedor direto do título. Para cobrança do devedor direito o protesto do título é ato facultativo. E Ainda que o credor (Ângulo Comércio – endossatário) tenha tido o título desapossado, a obrigação é devida pelo Subscritor. b) Certa. Nesse sentido, dispõe oart. Art. 909, CC que o proprietário, que perder ou extraviar título, ou for injustamente desapossado dele, poderá obter novo título em juízo, bem como impedir sejam pagos a outrem capital e rendimentos. c) Errada. É possível nos termos do art. 906, CC. O devedor poderá opor ao portador exceção somente quando fundada em direito pessoal, ou em nulidade de sua obrigação. d) Errada. Altamira e Tamandaré são devedores solidários. Altamira é endossante (devedora indireta), sendo o protesto condição indispensável para cobrança. Já Tamandaré (devedor direto), para cobrança o protesto é facultativo. Letra b. 004. 004. (FGV/2015/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XVI – PRIMEIRA FASE) Uma letra de câmbio no valor de R$ 13.000,00 (treze mil reais) foi endossada por Pilar com cláusula de mandato para o Banco Poxim S/A. Não tendo havido pagamento no vencimento, a cambial foi apresentada a protesto pelo endossatário-mandatário, tendo sido lavrado e registrado o protesto pelo tabelião. Dez dias após o protesto, Rui Palmeira, aceitante da letra de câmbio, compareceu ao tabelionato e apresentou declaração de anuência firmada apenas pelo endossante da letra de câmbio, com identificação do título e firma reconhecida. Não houve apresentação do título no original ou em sua cópia. À luz das disposições da Lei n. 9.492/97 sobre o cancelamento do protesto, é correto afirmar que o tabelião a) não poderá realizar o cancelamento do protesto por faltar no documento apresentado a anuência do endossatário-mandatário. b) não poderá realizar o cancelamento do protesto, porque esse ato é privativo do juiz, diferentemente da sustação do protesto. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 70 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli c) poderá realizar o cancelamento do protesto, porque é suficiente a declaração de anuência firmada pelo endossante-mandante. d) poderá realizar o cancelamento do protesto, porque o pedido foi feito no prazo legal (30 dias) e pelo aceitante, obrigado principal. Correta a alternativa c, com fundamento no art. 26, § 2º, da Lei n. 9.492/1997, que assim dispõe: Art. 26. O cancelamento do registro do protesto será solicitado diretamente no Tabelionato de Protesto de Títulos, por qualquer interessado, mediante apresentação do documento protestado, cuja cópia ficará arquivada. § 1º Na impossibilidade de apresentação do original do título ou documento de dívida protestado, será exigida a declaração de anuência, com identificação e firma reconhecida, daquele que figurou no registro de protesto como credor, originário ou por endosso translativo. § 2º Na hipótese de protesto em que tenha figurado apresentante por endosso-mandato, será suficiente a declaração de anuência passada pelo credor endossante. § 3º O cancelamento do registro do protesto, se fundado em outro motivo que não no pagamento do título ou documento de dívida, será efetivado por determinação judicial, pagos os emolumentos devidos ao Tabelião. § 4º Quando a extinção da obrigação decorrer de processo judicial, o cancelamento do registro do protesto poderá ser solicitado com a apresentação da certidão expedida pelo Juízo processante, com menção do trânsito em julgado, que substituirá o título ou o documento de dívida protestado. § 5º O cancelamento do registro do protesto será feito pelo Tabelião titular, por seus Substitutos ou por Escrevente autorizado. § 6º Quando o protesto lavrado for registrado sob forma de microfilme ou gravação eletrônica, o termo do cancelamento será lançado em documento apartado, que será arquivado juntamente com os documentos que instruíram o pedido, e anotado no índice respectivo. Letra c. 005. 005. (FGV/2022/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XXXV – PRIMEIRA FASE) Riqueza Comércio de Artigos Eletrônicos Ltda. sacou duplicata na modalidade cartular em face de Papelaria Sul Brasil Ltda., que foi devidamente aceita, com vencimento no dia 25 de março de 2022. Antes do vencimento, a duplicata foi endossada para Saudades Fomento Mercantil S/A. No dia do vencimento, a duplicata não foi paga, porém, no dia seguinte, foi prestado aval em branco datado pelo avalista Antônio Carlos. Acerca da validade e do cabimento do aval dado na duplicata após o vencimento, assinale a afirmativa correta. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 71 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli a) É nulo o aval após o vencimento na duplicata, por vedação expressa no Código Civil, diante da omissão da Lei n. 5.474/1968 (Lei de Duplicatas). b) É válido o aval na duplicata após o vencimento, desde que o título ainda não tenha sido endossado na data da prestação do aval. c) É nulo o aval na duplicata cartular, sendo permitido apenas na duplicata escritural e mediante registro do título perante o agente escriturador. d) É válido o aval dado na duplicata antes ou após o vencimento, por previsão expressa na Lei de Duplicatas (Lei n. 5.474/1968). a) Errada. O aval posterior ao vencimento tem previsão expressa previsão tanto no art. 900 do Código Civil, como Lei das Duplicatas (art. 12, p. único, Lei n. 5.474/1968). CC, art. 900. O aval posterior ao vencimento produz os mesmos efeitos do anteriormente dado. Lei n. 5.474/1968, art. 12 [...] Parágrafo único. O aval dado posteriormente ao vencimento do título produzirá os mesmos efeitos que o prestado anteriormente àquela ocorrência. b) Errada. É válido o aval na duplicata após o vencimento, ainda que o título ainda não tenha sido endossado na data da prestação do aval. Inexiste qualquer vedação legal nesse sentido. c) Errada. A Lei n. 5.474/1968 não impôs distinção entre a duplicata cartular (física) e a escritural (eletrônica/digital), sendo legítimo o aval. d) Certa. Sim, trata-se da previsão expressa no art. 12, parágrafo único, da Lei n. 5.474/1968. Letra d. 006. 006. (FGV/2021/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XXXII – PRIMEIRA FASE) Bonfim emitiu nota promissória à ordem em favor de Normandia, com vencimento em 15 de março de 2020 e pagamento na cidade de Alto Alegre/RR. O título de crédito passou por três endossos antes de seu vencimento. O primeiro endosso foi em favor de Iracema, com proibição de novo endosso; o segundo endosso, sem garantia, se deu em favor de Moura; no terceiro e último endosso, o endossante indicou Cantá como endossatário. Vencido o título sem pagamento, o portador poderá promover a ação de cobrança em face de a) Bonfim, o emitente e coobrigado, e dos obrigados principais Iracema e Moura, observado o aponte tempestivo do título a protesto por falta de pagamento para o exercício do direito de ação somente em face do coobrigado. b) Bonfim, o emitente e obrigado principal, e do endossante e coobrigado Moura, observado o aponte tempestivo do título a protesto por falta de pagamento para o exercício do direito de ação em face do coobrigado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 72 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli c) Normandia, primeira endossante e obrigado principal, e do endossante Moura, observado o aponte tempestivo do título a protesto por falta depagamento para o exercício do direito de ação em face de ambos. d) Iracema, Normandia e Cantá, endossantes e coobrigados da nota promissória, dispensado o aponte do título a protesto por falta de pagamento para o exercício do direito de ação em face deles. a) Errada. A ação de cobrança não pode ser promovida em face de Iracema, pois esta endossou o título a Moura, sem garantia, isto é, eximindo-se da responsabilidade do pagamento. b) Certa. Conforme o art. 78 da Lei Uniforme de Genebra (Decreto n. 57.663/1966) o subscritor da nota promissória é responsável da mesma forma que o aceitante da letra de câmbio: Art. 78. O subscritor de uma nota promissória é responsável da mesma forma que o aceitante de uma letra. As notas promissórias pagáveis a certo termo de vista devem ser presentes ao visto dos subscritores nos prazos fixados no artigo 23. O termo de vista conta-se da data do visto dado pelo subscritor. A recusa do subscritor a dar o seu visto é comprovada por um protesto (artigo 25), cuja data serve de início ao termo de vista. Logo, não havendo o pagamento, o portador poderá cobrar o subscritor, no caso, Bonfim. A nota promissória circulou por endosso, primeiramente, em favor de Iracema, que em seguida endossou o título a Moura, sem garantia. Moura, por seu turno, endossou a nota promissória a Cantá, portador da nota promissória quando do vencimento. Uma vez que na nota promissória a regra é que o endossante garante o pagamento (art. 15, LU), Moura é endossante e coobrigado. Observe: Art. 15. O endossante, salvo cláusula em contrário, é garante tanto da aceitação como do pagamento da letra. O endossante pode proibir um novo endosso, e, neste caso, não garante o pagamento às pessoas a quem a letra for posteriormente endossada. Vale lembrar que se aplicam os dispositivos que disciplinam a letra de câmbio à nota promissória, nos termos do art. 77 da LU: Art. 77. São aplicáveis às notas promissórias, na parte em que não sejam contrárias à natureza deste título, as disposições relativas às letras e concernentes: endosso (artigos 11 a 20); vencimento (artigos 33 a 37); pagamento (artigos 38 a 42); direito de ação por falta de pagamento (artigos 43 a 50 e 52 a 54); pagamento por intervenção (artigos 55 e 59 a 63); O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 73 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli Destarte, Cantá poderá promover ação de cobrança em face do sacador/emitente (Bonfim) e do coobrigado (Moura) na hipótese não pagamento, consoante dispõe o art. 43 da LU: Art. 43. O portador de uma letra pode exercer os seus direitos de ação contra os endossantes, sacador e outros coobrigados: no vencimento; se o pagamento não foi efetuado; mesmo antes do vencimento: 1º) se houve recusa total ou parcial de aceite; 2º) nos casos de falência do sacado, quer ele tenha aceite, quer não, de suspensão de pagamentos do mesmo, ainda que não constatada por sentença, ou de ter sido promovida, sem resultado, execução dos seus bens; 3º) nos casos de falência do sacador de uma letra não aceitável. c) Errada. Normandia, realmente, endossou a nota promissória em favor de Iracema, mas o fez com cláusula de proibição de novo endosso, o que lhe garantiu ser excluída da responsabilidade pelo não pagamento da nota promissória pelas pessoas a quem o título foi endossado em momento posterior. d) Errada. Iracema endossou o título a Moura, sem garantia, isto é, eximindo-se da responsabilidade do pagamento. Já Normandia endossou a nota promissória para de Iracema, mas com cláusula de proibição de novo endosso, o que lhe garantiu ser excluída da responsabilidade pelo não pagamento. Quanto à Cantá, ele é o portador do título no vencimento e legitimado a exigir o pagamento. Letra b. 007. 007. (FGV/2014/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XXV – PRIMEIRA FASE) Sobre a distinção entre endosso e cessão de crédito, assinale a afirmativa correta. a) A cessão de crédito é a forma de transmissão dos títulos à ordem, enquanto o endosso é a forma de transmissão dos títulos não à ordem. b) A cessão de crédito ao cessionário pode ser parcial ou total, enquanto o endosso deve ser feito pelo valor integral do título, sob pena de nulidade. c) A eficácia do endosso em relação aos devedores do título depende de sua notificação; na cessão de crédito, a eficácia decorre da simples assinatura do cedente no anverso do título. d) O direito de crédito do endossatário é dependente das relações do devedor com portadores anteriores; o direito do cessionário é literal e autônomo em relação aos portadores anteriores. O endosso é o meio pelo qual se processa a transferência do título de um credor para outro. Segundo o art. 893 do CC/2002, “a transferência do título de crédito implica a de todos os direitos que lhe são inerentes”. É entendido, assim, como ato cambiário que opera a O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 74 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli transferência e vinculação dos direitos inerentes ao título de crédito. Nesse sentido, vale dizer que não existe endosso parcial. Não se confunde, pois, com a cessão de crédito, tendo em vista apresentarem as seguintes distinções: a) o endosso é ato unilateral de declaração de vontade, enquanto a cessão é um contrato bilateral; b) a nulidade de um endosso não afeta os endossos posteriores; na cessão, a nulidade de uma acarreta a das posteriores; c) o endossatário não pode opor exceção senão diretamente contra o endossante que lhe transferiu o título; na cessão, o devedor pode opor ao cessionário a mesma defesa que teria contra o cedente (de acordo com o art. 294 do Código Civil, o devedor pode opor tanto ao cessionário como ao cedente as exceções que lhe competirem no momento em que tiver conhecimento da cessão). Letra b. 008. 008. (FGV/2012/EXAME DA ORDEM UNIFICADO VII – PRIMEIRA FASE) Com relação ao instituto do aval, é correto afirmar que a) é necessário o protesto para a cobrança dos avalistas do emitente e dos endossantes de notas promissórias. b) o avalista, quando executado, pode exigir que o credor execute primeiro o avalizado. c) o aval pode ser lançado em documento separado do título de crédito. d) a obrigação do avalista se mantém, mesmo no caso de a obrigação que ele garantiu ser nula, exceto se essa nulidade for decorrente de vício de forma. a) Errada. O protesto da nota promissória somente é exigido para a cobrança dos endossantes e dos avalistas dos endossantes. No que diz respeito a cobrança do emitente principal e o avalista do emitente principal é dispensável o protesto, sendo os devedores principais. b) Errada. O avalista responde do mesmo modo que o devedor principal, o que significa dizer que o credor pode cobrar desde a primeira vez tanto o principal devedor como o avalista, de modo que, nos termos do art. 899 do CC: Art. 899. O avalista equipara-se àquele cujo nome indicar; na falta de indicação, ao emitente ou devedor final. § 1º Pagando o título, tem o avalista ação de regresso contra o seu avalizado e demais coobrigados anteriores. c) Errada. Nos termos do art. 898 do CC: Art. 898. O aval deve ser dado no verso ou no anverso do próprio título. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição,sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 75 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli d) Certa. É o que dispõe o art. 899, § 2º, do CC: Art. 899 § 2º Subsiste a responsabilidade do avalista, ainda que nula a obrigação daquele a quem se equipara, a menos que a nulidade decorra de vício de forma. Letra d. 009. 009. (FGV/2011/EXAME DA ORDEM UNIFICADO IV – PRIMEIRA FASE) Em relação ao Direito Cambiário, é correto afirmar que a) o aceite no cheque é dado pelo banco ou instituição financeira a ele equivalente, devendo ser firmado no verso do título. b) a duplicata, quando de prestação de serviços, pode ser emitida com vencimento a tempo certo da vista. c) o protesto é necessário para garantir o direito de regresso contra o(s) endossante(s) e o(s) avalista(s) do aceitante de uma letra de câmbio. d) o aval dado em uma nota promissória pode ser parcial, ainda que sucessivo. a) Errada. Nos termos do art. 6º da Lei n. 7.357/1985: Art. 6º O cheque não admite aceite considerando-se não escrita qualquer declaração com esse sentido. b) Errada. As duplicatas apenas podem ser emitidas com data certa do vencimento ou à vista. Lei n. 5.474, art. 2º § 1º A duplicata conterá: III – a data certa do vencimento ou a declaração de ser a duplicata à vista; c) Errada. O protesto é ato necessário para garantir o direito de regresso contra os endossantes e os avalistas dos endossantes. d) Certa. Sim, o aval da nota promissória poder ser parcial. Nos termos do art. 30 da LUG: Artigo 30. O pagamento de uma letra pode ser no todo ou em parte garantido por aval. Quanto ao aval sucessivo, ensina o professor André Ramos Santa Cruz que: Os avais sucessivos, por sua vez, também chamados de aval de aval, ocorrem quando alguém avaliza um outro avalista. Nesse caso, todos os eventuais avalistas dos avalistas terão a mesma responsabilidade do avalizado, ou seja, aquele que pagar a dívida terá direito de regresso em relação ao total da dívida, e não apenas em relação a uma parte dela. Logo, tanto o aval poder ser parcial como inexiste vedação quanto ao aval sucessivo. Letra d. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 76 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli 010. 010. (FGV/2016/ EXAME DA ORDEM UNIFICADO XX – PRIMEIRA FASE) Cícero sacou uma letra de câmbio em favor de Amélia, tendo designado como sacado Elísio, que acatou a ordem de pagamento. A primeira endossante realizou um endosso em preto para Dario, com proibição de novo endosso. Diante do efeito legal da cláusula de proibição de novo endosso, assinale a afirmativa correta. a) Caso Dario realize um novo endosso, tal transferência terá efeito de cessão de crédito perante os coobrigados e efeito de endosso perante o aceitante. b) Dario não poderá realizar novo endosso no título sob pena de desoneração de responsabilidade cambial dos coobrigados. c) Tal qual o endosso parcial, a proibição de novo endosso é nula por restringir a responsabilidade cambiária do endossante e do sacador. d) Amélia, embora coobrigada, não responde pelo pagamento da letra de câmbio perante os endossatários posteriores a Dario. Correta a alternativa d, com fundamento no art. 15 da LUG, que assim dispõe: Artigo 15: O endossante, salvo cláusula em contrário, é garante tanto da aceitação como do pagamento da letra. O endossante pode proibir um novo endosso, e, neste caso, não garante o pagamento às pessoas a quem a letra for posteriormente endossada. Letra d. 011. 011. (FGV/2013/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XII – PRIMEIRA FASE/ADAPTADA) Fontoura Xavier sacou letra de câmbio à ordem no valor de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) em face de Sales Oliveira, pagável à vista na praça de Itaocara, indicando como beneficiário Rezende Costa. Com base nos dados apresentados e na legislação sobre letra de câmbio, julgue o item: O vencimento da letra de câmbio ocorrerá na data de sua apresentação pelo beneficiário ao sacado, Sales Oliveira. Nos termos dos artigos 2 e 34 da LUG: Artigo 2: A letra em que se não indique a época do pagamento entende-se pagável à vista. Artigo 34: A letra à vista é pagável à apresentação. Certo. 012. 012. (FGV/2013/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XII – PRIMEIRA FASE/ADAPTADA) Fontoura Xavier sacou letra de câmbio à ordem no valor de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) em face de O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 77 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli Sales Oliveira, pagável à vista na praça de Itaocara, indicando como beneficiário Rezende Costa. Com base nos dados apresentados e na legislação sobre letra de câmbio, julgue o item: Se o sacador, Fontoura Xavier, inserir a cláusula “sem despesas” será facultativo o protesto por falta de pagamento. Nos termos do artigo 46 da LUG: Artigo 46: O sacador, um endossante ou um avalista pode, pela cláusula “sem despesas”, “sem protesto”, ou outra cláusula equivalente, dispensar o portador de fazer um protesto por falta de aceite ou falta de pagamento, para poder exercer os seus direitos de ação. Certo. 013. 013. (FGV/2021/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XXXIII – PRIMEIRA FASE) Antenor subscreveu nota promissória no valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais) pagável em 16 de setembro de 2021. A obrigação do subscritor foi avalizada por Belizário, que tem como avalista Miguel, e esse tem, como avalista, Antônio. Após o vencimento, caso o avalista Miguel venha a pagar o valor da nota promissória ao credor, assinale a opção que indica a(s) pessoa(s) que poderá(ão) ser demandada(s) em ação de regresso. a) Antenor e Belizário, podendo Miguel cobrar de ambos o valor integral do título. b) Belizário e Antônio, podendo Miguel cobrar de ambos apenas a quota-parte do valor do título. c) Antenor e Antônio, podendo Miguel cobrar do primeiro o valor integral e, do segundo, apenas a quota-parte do valor do título. d) Antenor, podendo Miguel cobrar dele o valor integral, eis que os demais avalistas ficaram desonerados com o pagamento. Correta a alternativa a, com fundamento no art. 899, § 1º, do CC/02: Art. 899. O avalista equipara-se àquele cujo nome indicar; na falta de indicação, ao emitente ou devedor final. § 1º Pagando o título, tem o avalista ação de regresso contra o seu avalizado e demais coobrigados anteriores. Letra a. 014. 014. (FGV/2021/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XXXIII – PRIMEIRA FASE) Socorro, empresária individual, sacou duplicata de venda na forma cartular, em face de Laticínios Aguaí Ltda. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 78 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli com vencimento para o dia 11 de setembro de 2020. Antes do vencimento, no dia 31 de agosto de 2020, a duplicata, já aceita, foi endossada para a sociedade Bariri & Piraju Ltda. Considerando-se que, no dia 9 de outubro de 2020, a duplicata foi apresentada ao tabelionato de protestos para ser protestada por falta de pagamento, é correto afirmar que o endossatário a) não poderá promover a execução em face de nenhum dos signatários diante da perdado prazo para a apresentação da duplicata a protesto por falta de pagamento. b) poderá promover a execução da duplicata em face do aceitante e do endossante, por ser facultativo o protesto por falta de pagamento da duplicata, caso tenha sido aceita pelo sacado. c) poderá promover a execução da duplicata em face do aceitante e do endossante, pelo fato de o título ter sido apresentado a protesto em tempo hábil e por ser o aceitante o obrigado principal. d) não poderá promover a execução em face do endossante, diante da perda do prazo para a apresentação da duplicata a protesto por falta de pagamento, mas poderá intentá-la em face do aceitante, por ser ele o obrigado principal. Nos termos do art. 13, § 4º, da Lei n. 5.474/1968: Art. 13. A duplicata é protestável por falta de aceite de devolução ou pagamento. § 4º O portador que não tirar o protesto da duplicata, em forma regular e dentro do prazo da 30 (trinta) dias, contado da data de seu vencimento, perderá o direito de regresso contra os endossantes e respectivos avalistas. Portanto, como o protesto foi feito antes de completados os 30 dias, está garantida a possibilidade de cobrança dos endossantes, que poderá cobrar do aceitante, vez que este é o devedor principal da cártula. Letra c. 015. 015. (FGV/2019/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XXVIII – PRIMEIRA FASE) Filadélfia emitiu nota promissória à vista em favor de Palmas. Antes da apresentação a pagamento, Palmas realizou endosso-mandato da cártula para Sampaio. De posse do título, é correto afirmar que Sampaio a) poderá exercer todos os direitos inerentes ao título, inclusive realizar novo endosso sem as restrições daquele realizado em cobrança. b) poderá transferir o título na condição de procurador da endossante ou realizar endosso em garantia (endosso pignoratício). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 79 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli c) somente poderá transferir a nota promissória, por meio de novo endosso, na condição de procurador da endossante. d) não poderá realizar qualquer endosso do título, pois caso o faça será considerado como parcial, logo nulo. O art. 917 do CC disciplina a cláusula de mandato lançada no endosso. Observem: Art. 917. A cláusula constitutiva de mandato, lançada no endosso, confere ao endossatário o exercício dos direitos inerentes ao título, salvo restrição expressamente estatuída. § 1º O endossatário de endosso-mandato só pode endossar novamente o título na qualidade de procurador, com os mesmos poderes que recebeu. § 2º Com a morte ou a superveniente incapacidade do endossante, não perde eficácia o endosso-mandato. § 3º Pode o devedor opor ao endossatário de endosso-mandato somente as exceções que tiver contra o endossante. Do exposto, podemos concluir que a alternativa c é o gabarito. Letra c. 016. 016. (FGV/2019/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XXIX – PRIMEIRA FASE) André de Barros foi desapossado de nota promissória com vencimento à vista no valor de R$ 34.000,00 (trinta e quatro mil reais), pagável em Lagoa Vermelha/RS, que lhe foi endossada em branco pela sociedade empresária Arvorezinha Materiais de Limpeza Ltda. Em relação aos direitos cambiários decorrentes da nota promissória, assinale a afirmativa correta. a) A sociedade empresária endossante ficará desonerada se o título não for restituído a André de Barros no prazo de 30 (trinta) dias da data do desapossamento. b) André de Barros poderá obter a anulação do título desapossado e um novo título em juízo, bem como impedir que seu valor seja pago a outrem. c) A sociedade empresária endossante não poderá opor ao portador atual exceção fundada em direito pessoal ou em nulidade de sua obrigação. d) O subscritor da nota promissória ficará desonerado perante o portador atual se provar que o título foi desapossado de André de Barros involuntariamente. Correta a alternativa b, com fundamento no art. 909 do CC/02: Art. 909. O proprietário, que perder ou extraviar título, ou for injustamente desapossado dele, poderá obter novo título em juízo, bem como impedir sejam pagos a outrem capital e rendimentos. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 80 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli Parágrafo único. O pagamento, feito antes de ter ciência da ação referida neste artigo, exonera o devedor, salvo se se provar que ele tinha conhecimento do fato. Letra b. 017. 017. (FGV/2018/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XXVI – PRIMEIRA FASE) Três Coroas Comércio de Artigos Eletrônicos Ltda. subscreveu nota promissória em favor do Banco Dois Irmãos S.A. com vencimento a dia certo. Após o vencimento, foi aceita uma proposta de moratória feita pelo devedor por 120 (cento e vinte) dias, sem alteração da data de vencimento indicada no título. O beneficiário exigiu dois avalistas simultâneos, e o devedor apresentou Montenegro e Bento, que firmaram avais em preto no título. Sobre esses avais e a responsabilidade dos avalistas simultâneos, assinale a afirmativa correta. a) Por ser vedado, no direito brasileiro, o aval póstumo, os avais simultâneos são considerados não escritos, inexistindo responsabilidade cambial dos avalistas. b) O aval lançado na nota promissória após o vencimento ou o protesto tem efeito de fiança, respondendo os avalistas subsidiariamente perante o portador. c) O aval póstumo produz os mesmos efeitos do anteriormente dado, respondendo os avalistas solidariamente e autonomamente perante o portador. d) O aval póstumo é nulo, mas sua nulidade não se estende à obrigação firmada pelo subscritor (avalizado), em razão do princípio da autonomia. Pois bem, segundo o art. 900 do CC/2002, temos que “o aval posterior ao vencimento produz os mesmos efeitos do anteriormente dado”. No mesmo sentido, é o art. 20 da Lei Uniforme de Genebra (LUG), que dispõe que o endosso posterior ao vencimento tem os mesmos efeitos que o endosso anterior. Todavia, o endosso posterior ao protesto por falta de pagamento, ou feito depois de expirado o prazo fixado para se fazer o protesto, produz apenas os efeitos de uma cessão ordinária de créditos. Desse modo, correta está a afirmativa c, segundo a qual “o aval póstumo produz os mesmos efeitos do anteriormente dado, respondendo os avalistas solidariamente e autonomamente perante o portador”. Letra c. 018. 018. (FGV/2018/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XXV – PRIMEIRA FASE) Para realizar o pagamento de uma dívida contraída pelo sócio M. Paraguaçu em favor da sociedade Iguape, Cananeia & Cia Ltda., o primeiro emitiu uma nota promissória à vista, com cláusula à ordem no valor de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 81 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli De acordo com essas informações e a respeito da cláusula à ordem, é correto afirmar que a) a nota promissória, na omissão dessa cláusula, somente poderia ser transferida pela forma e com os efeitos de cessão de crédito. b) a cláusula implica a possibilidade de transferência do título por endosso, sendo o endossante responsável pelo pagamento, salvo cláusula sem garantia.c) a cláusula implica a possibilidade de transferência do título por endosso, porque a modalidade de vencimento da nota promissória é à vista. d) tal cláusula implica a possibilidade de transferência do título por cessão de crédito, não respondendo o cedente pela solvência do emitente, salvo cláusula de garantia. Pois bem, de início, cumpre registrar que, de acordo com o art. 77 da Lei Uniforme de Genebra (LUG), “são aplicáveis às notas promissórias, na parte em que não sejam contrárias à natureza deste título, as disposições relativas às letras e concernentes: endosso (artigos 11 a 20)”. Dito isso, devemos destacar os artigos 11 e 15 da LUG, segundo os quais: Art. 11. Toda letra de câmbio, mesmo que não envolva expressamente a cláusula à ordem, é transmissível por via de endosso. Art. 15. O endossante, salvo cláusula em contrário, é garante tanto da aceitação como do pagamento da letra. O endossante pode proibir um novo endosso, e, neste caso, não garante o pagamento às pessoas a quem a letra for posteriormente endossada. Desse modo, podemos concluir que, na situação apresentada, CORRETA está a alternativa B, segundo a qual a cláusula à ordem inserida na nota promissória pelo sócio devedor M. Paraguaçu “implica a possibilidade de transferência do título por endosso, sendo o endossante responsável pelo pagamento, salvo cláusula sem garantia”. Letra b. 019. 019. (FGV/2018/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XXVII – PRIMEIRA FASE) Resende & Piraí Ltda. sacou duplicata de serviço em face de Italva Louças e Metais S/A, que a aceitou. Antes do vencimento, o título foi endossado para Walter. Há um aval em preto no título dado por Casimiro Cantagalo em favor do sacador. Após o vencimento, ocorrido em 11 de setembro de 2018, a duplicata foi levada a protesto por falta de pagamento, em 28 de setembro do mesmo ano. Com base nas informações dadas, assinale a opção que indica contra quem Walter, endossatário da duplicata, poderá promover a ação de execução. a) Italva Louças e Metais S/A, exclusivamente, em razão da perda do direito de ação em face dos coobrigados pela apresentação da duplicata a protesto por falta de pagamento além do prazo de 1 (um) dia útil após o vencimento. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 82 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli b) Resende & Piraí Ltda. e Casimiro Cantagalo, somente, pois a duplicata foi apresentada a protesto tempestivamente, assegurando o portador seu direito de ação em face dos coobrigados, mas não em face do aceitante. c) Resende & Piraí Ltda. e Italva Louças e Metais S/A, somente, em razão da perda do direito de ação em face do avalista pela apresentação da duplicata a protesto por falta de pagamento além do prazo de 1 (um) dia útil após o vencimento. d) Resende & Piraí Ltda., Italva Louças e Metais S/A e Casimiro Cantagalo, pois a duplicata foi apresentada a protesto tempestivamente, assegurando o portador seu direito de ação em face dos coobrigados e do aceitante. Pois bem, de acordo com o art. 13, caput e § 4º, da Lei n. 5.474/1968 (Lei das Duplicatas), temos que “a duplicata é protestável por falta de aceite de devolução ou pagamento” e que “o portador que não tirar o protesto da duplicata, em forma regular e dentro do prazo da 30 (trinta) dias, contado da data de seu vencimento, perderá o direito de regresso contra os endossantes e respectivos avalistas”. Desse modo, na situação apresentada, podemos concluir que Walter poderá promover a execução do título contra “Resende & Piraí Ltda., Italva Louças e Metais S/A e Casimiro Cantagalo, pois a duplicata foi apresentada a protesto tempestivamente, assegurando o portador seu direito de ação em face dos coobrigados e do aceitante”. Letra d. 020. 020. (FGV/2017/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XXII – PRIMEIRA FASE) Luiz emitiu uma nota promissória em favor de Jerônimo. No momento da emissão, ele não inseriu a quantia nem o lugar de pagamento. Na data do vencimento, o subscritor foi procurado por um procurador do beneficiário, que lhe exibiu a cártula com endosso-mandato e exigiu o pagamento. Luiz verificou, então, que o título havia sido preenchido abusivamente, pois constava o valor de R$ 15.000,00 (quinze mil reais), quando o correto seria R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais), e o lugar de pagamento era diverso de seu domicílio, em Cachoeiro de Itapemirim, ES. Procurado pelo devedor para analisar o caso e ciente de que o pagamento não foi realizado por ele, você, como advogado(a), responde que a) é possível alegar em juízo, com êxito, a nulidade do título, em razão de o lugar de pagamento ser domicílio diverso do subscritor, caracterizando má-fé do portador atual. b) não é possível ao subscritor se recusar validamente ao pagamento diante da autonomia das obrigações cambiárias e do endosso-mandato realizado na cártula. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 83 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli c) é possível ao subscritor da nota promissória opor exceção pessoal ao beneficiário Jerônimo quanto ao conteúdo literal do título, diante do preenchimento abusivo. d) não é possível a oposição de exceção ao pagamento, porque o subscritor da nota promissória é equiparado ao aceitante da letra de câmbio e, como tal, obriga-se a pagar na data do vencimento. Correta a alternativa c, com fundamento no art. 891 do CC/02: Art. 891. O título de crédito, incompleto ao tempo da emissão, deve ser preenchido de conformidade com os ajustes realizados. Parágrafo único. O descumprimento dos ajustes previstos neste artigo pelos que deles participaram, não constitui motivo de oposição ao terceiro portador, salvo se este, ao adquirir o título, tiver agido de má-fé. Destarte, na hipótese narrada, podemos concluir ser possível ao subscritor da nota promissória opor exceção pessoal ao beneficiário Jerônimo quanto ao conteúdo literal do título, diante do preenchimento abusivo. Letra c. 021. 021. (FGV/2017/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XXIII – PRIMEIRA FASE) Pedrinho emitiu quatro cheques em 26 de março de 2017, mas esqueceu de depositar um deles. Tendo um débito a honrar com Kennedy e sendo beneficiário desse quarto cheque, Pedrinho o endossou em preto, datando no verso “dia 20 de maio de 2017”. Sabe-se que o lugar de emissão do quarto cheque é o mesmo do de pagamento. Sobre esse endosso, assinale a afirmativa correta. a) O endosso produz seus efeitos legais porque a transmissão do cheque se deu dentro do prazo de apresentação. b) No endosso em preto, o endossatário fica dispensado da apresentação em tempo hábil do cheque ao sacado. c) O endosso do cheque tem efeito de cessão de crédito por ter sido realizado após o decurso do prazo de apresentação. d) Pedrinho ficou exonerado de responsabilidade pelo pagamento do cheque em razão do caráter póstumo do endosso. Pois bem, segundo o art. 27 da Lei n. 7.357/1985 (Lei do Cheque), temos que o endosso posterior ao protesto, ou declaração equivalente, ou à expiração do prazo de apresentação produz apenas os efeitos de cessão. Salvo prova em contrário, o endosso sem data presume-se anterior ao protesto, ou declaração equivalente, ou à expiração do prazo de apresentação. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição,sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 84 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli Dito isso, é possível concluir que, na situação apresentada, CORRETA está a alternativa segundo a qual o endosso do cheque, realizado por Pedrinho, teve efeito de cessão de crédito, na medida em que feito em momento posterior ao do decurso do seu prazo para apresentação. Letra c. 022. 022. (FGV/2016/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XIX – PRIMEIRA FASE) Nanci, empresária individual, contraiu empréstimo com instituição financeira, formalizado em contrato de abertura de crédito. A esse contrato foi vinculada nota promissória avalizada, emitida pela mutuária em favor da mutuante. Em relação à obrigação firmada pelo avalista, assinale a afirmativa correta. a) A nota promissória vinculada ao contrato de abertura de crédito não goza de autonomia em razão da iliquidez do título que a originou. b) A nota promissória vinculada ao contrato de abertura de crédito goza de autonomia em razão do contrato de abertura de crédito ser título executivo extrajudicial. c) O avalista poderá arguir exceção de pré-executividade em razão da iliquidez do título que originou a nota promissória, mesmo que esta tenha força executiva e autonomia. d) A nota promissória gozará de autonomia somente com a anuência do avalista no contrato de abertura de crédito, além da sua assinatura no título. Vide Súmula n. 258 do Superior Tribunal de Justiça, que dispõe exatamente que “a nota promissória vinculada ao contrato de abertura de crédito não goza de autonomia, em face da própria iliquidez do título que a originou”. Letra a. 023. 023. (FGV/2016/ EXAME DA ORDEM UNIFICADO XXI – PRIMEIRA FASE) Humaitá Comércio e Distribuição de Defensivos Agrícolas Ltda. sacou 4 (quatro) duplicatas de compra e venda em face de Cooperativa dos Produtores Rurais de Coari Ltda., em razão da venda de insumos para as plantações dos cooperados. Com base nestas informações, assinale a afirmativa correta. a) É facultado ao sacador inserir cláusula não à ordem no momento do saque, caso em que a forma de transferência dos títulos se dará por meio de cessão civil de crédito. b) Por se tratar de sacado cooperativa, sociedade simples independentemente de seu objeto, é proibido o saque de duplicatas em face dessa espécie de sociedade. c) Lançada eventualmente a cláusula mandato no endosso das duplicatas, o endossatário poderá exercer todos os direitos emergentes dos títulos, inclusive efetuar endosso próprio a terceiro. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 85 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli d) Sendo o pagamento das duplicatas garantido por aval, o avalista é equiparado àquele cujo nome indicar; na falta da indicação, àquele abaixo de cuja firma lançar a sua; fora desses casos, ao sacado. a) Errada. Vide § 1º, inciso VII, do art. 2º da Lei n. 5.474/1968 (Lei das Duplicatas), que dispõe que dentre os requisitos da duplicata está a “cláusula à ordem”. b) Errada. Não há qualquer previsão ou vedação legal no sentido de proibir que duplicatas sejam sacadas em face de sociedades cooperativas. c) Errada. Vide o conceito de endosso impróprio, no qual não há transferência da propriedade do título, o que permite ao endossatário apenas o exercício dos direitos aplicáveis à cártula. Vale dizer que, a partir do conceito de endosso impróprio, temos também as ideias relativas ao endosso-mandato e endosso-caução. d) Certa. Vide art. 12 da Lei das Duplicatas, que dispõe exatamente que o pagamento da duplicata poderá ser assegurado por aval, sendo o avalista equiparado àquele cujo nome indicar; na falta da indicação, àquele abaixo de cuja firma lançar a sua; fora desses casos, ao comprador. Letra d. 024. 024. (FGV/2014/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XIII – PRIMEIRA FASE) Glória vendeu um automóvel a prazo para Valente. O pagamento foi realizado em quatro notas promissórias, com vencimentos em 30, 60, 90 e 120 dias da data de emissão. Os títulos foram endossados em branco para Paulo Afonso, mas foram extraviados antes dos respectivos vencimentos. Sobre a responsabilidade do emitente e do endossante das notas promissórias, assinale a afirmativa correta. a) Apenas o emitente responde pelo pagamento dos títulos porque o endossante não é coobrigado, salvo cláusula em contrário inserida na nota promissória. b) A responsabilidade do emitente e do endossante perante o portador subsiste ainda que os títulos tenham sido perdidos ou extraviados involuntariamente. c) O endossante e o emitente não respondem perante o portador pelo pagamento das notas promissórias em razão do desapossamento involuntário. d) O emitente e o endossante não respondem pelo pagamento dos títulos porque só é permitido ao vendedor sacar duplicata em uma compra e venda. Pois bem, a priori, conforme o art. 914 do CC/2002, temos que “ressalvada cláusula expressa em contrário, constante do endosso, não responde o endossante pelo cumprimento da prestação constante do título”. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 86 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli Nada obstante, a Nota Promissória recebe disciplinamento especial por meio do Decreto n. 57.663/1966 (LUG) que, em seus artigos 76 e 15, dispõe que “são aplicáveis às notas promissórias, na parte em que não sejam contrárias à natureza deste título, as disposições relativas às letras e concernentes: endosso (artigos 11 a 20) (...)” e que “o endossante, salvo cláusula em contrário, é garante tanto da aceitação como do pagamento da letra”. Logo, em razão do princípio da especialidade das leis, a norma constante do Decreto prevalece sobre as disposições do CC/2002. Pelo que CORRETA está a afirmativa b, segundo a qual “a responsabilidade do emitente e do endossante perante o portador subsiste ainda que os títulos tenham sido perdidos ou extraviados involuntariamente”. Letra b. 025. 025. (FGV/2014/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XIV – PRIMEIRA FASE) Na duplicata de compra e venda, entende-se por protesto por indicações do portador aquele que é lavrado pelo tabelião de protestos a) em caso de recusa ao aceite e devolução do título ao apresentante pelo sacado, dentro do prazo legal. b) quando o sacado retiver a duplicata enviada para aceite e não proceder à devolução dentro do prazo legal. c) na falta de pagamento do título pelo aceitante ou pelo endossante dentro do prazo legal. d) em caso de revogação da decisão judicial que determinou a sustação do protesto. Vide art. 13, caput e § 1º, da Lei n. 5.474/1968 (Lei da Duplicata), que assim dispõe: Art. 13. A duplicata é protestável por falta de aceite de devolução ou pagamento. § 1º Por falta de aceite, de devolução ou de pagamento, o protesto será tirado, conforme o caso, mediante apresentação da duplicata, da triplicata, ou, ainda, por simples indicações do portador, na falta de devolução do título. Desse modo, na situação apresentada, correta está a alternativa b, segundo a qual entende- se por protesto por indicações do portador aquele que é lavrado pelo tabelião de protestos “quando o sacado retiver a duplicata enviada para aceite e não proceder à devolução dentro do prazo legal”. Letra b. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada,porém em relação à proibição quanto ao aval parcial, por exemplo. Fabio Ulhoa Coelho, por sua vez, sustenta que as normas sobre títulos de crédito encontradas no CC/2002 se aplicam apenas aos títulos que não possuírem na lei específica a definição das regras pertinentes. É o que o autor denomina de título de crédito não regulado. Observa, contudo, que não há atualmente no direito brasileiro nenhum título de crédito sob tal condição. Para alguns tecnólogos (continua Fabio Ulhoa Coelho), encontra-se no artigo 903 do Código Civil a disciplina dos títulos de crédito atípicos ou inominados. Ocorre que referidos títulos são aqueles comumente criados por particulares, independentemente de específica previsão em lei. A maior dificuldade que a tese da introdução dos títulos atípicos no direito positivo nacional enfrenta, portanto, é a da identificação desses títulos e, via de consequência, da aferição de sua validade jurídica. Nesse contexto, como saber, diante de uma declaração de vontade de pagar quantia Nesse contexto, como saber, diante de uma declaração de vontade de pagar quantia líquida, se o instrumento que a materializa é um título de crédito líquida, se o instrumento que a materializa é um título de crédito atípicoatípico ou um ou um con-con- tratotrato atípicoatípico?? Pois bem, a resposta está na identificação da chamada cláusula cambiária, que, como veremos adiante, trata-se de um elemento que identifica um documento como um título O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 9 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli de crédito, nomeando-o; para os títulos de crédito inominados, porém, é evidente que não se pode estabelecer uma formalidade equivalente, porque eles costumam surgir de hábitos informais na prática cotidiana dos negócios. O CC/2002 não introduziu, nesse aspecto, a disciplina dos títulos de crédito inominados. Eles continuam regidos pelas respectivas normas consuetudinárias, ou seja, pelos costumes. Antes de avançarmos, devemos destacar que as normas do CC/2002 sobre títulos de crédito se diferem das especiais, como as aplicáveis às letras de cambito, nos seguintes pontos: 1) proibição das cláusulas de juros, “não à ordem”, e exoneração de despesas; 2) admissibilidade de títulos ao portador, se autorizado pela lei específica; 3) não vinculação do endossante ao pagamento do título como regra; 4) não cabimento de aval parcial; 5) títulos nominativos, que são os emitidos em favor de pessoa cujo nome conste do registro do emitente (art. 921), não se cuidando de identificação do credor no próprio título, como ocorre com a letra de cambio, mas sim em assentamentos externos à cártula. 3 . FUNÇÃo Dos TÍTUlos De CrÉDiTos3 . FUNÇÃo Dos TÍTUlos De CrÉDiTos A função primordial dos títulos de crédito é a de permitir a mobilidade de um crédito. Sua finalidade é, portanto, a circulação. O título de crédito só é verdadeiramente tal quando possível a sua circulação. Fora daí, ele deve ser visto mais como documento, do que como título propriamente dito. Essa visão, aliás, tem sido acolhida, inclusive, pela própria jurisprudência, que não mais aceita o documento formal como meio de o credor se beneficiar de uma situação de abstração ou de autonomia. Assim é que, em muitos casos, demonstrado que o título foi criado não para atender à sua função primordial de circulação e mobilização de um crédito, tem-se deixado de aplicar certos princípios favoráveis ao credor. São conhecidos acórdãos que veem em notas promissórias emitidas unicamente como garantia de certos contratos de financiamento, ou de abertura de crédito, não mais um título abstrato, mas um documento representativo de um direito, para cujo exercício se impõe a demonstração da origem do débito. Por exemplo: as notas promissórias emitidas em branco pelos titulares de contas com cheque especial, modalidade do contrato de abertura de crédito. Nesses casos, a cártula é preenchida pela própria instituição financeira (ainda que tal prática seja vedada, vide Súmula 604 do Superior Tribunal de Justiça), englobando todos os débitos constantes da conta, com os encargos contratuais. Ao executar apenas o título, o banco, em verdade, não está se utilizando do mesmo em sua função, mas como forma 4 É nula a obrigação cambial assumida por procurador do mutuário vinculado ao mutuante, no exclusivo interesse deste. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 10 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli de impedir ou dificultar ao extremo a defesa do executado, pois se executasse o contrato teria de anexar os demonstrativos contábeis. Por tal motivo, muitos comercialistas não veem como incorretas decisões que não aceitam o título para execução nessas condições, de modo a exigir a comprovação da origem dos débitos mediante a anexação do contrato e dos demonstrativos contábeis. 4 . priNCÍpios Do DireiTo CamBiÁrio4 . priNCÍpios Do DireiTo CamBiÁrio Segundo a melhor doutrina são princípios do direito cambiário a cartularidade, a literalidade e a autonomia, que se subdivide na abstração e na inoponibilidade de exceções a terceiros de boa-fé. Vejamos cada um deles: 4.1. CARTULARIDADE (OU DOCUMENTALIDADE)4.1. CARTULARIDADE (OU DOCUMENTALIDADE) Cártula é sinônimo de documento, isto é, de um título, de um direito textualmente registrado em meio físico. Nesse cenário, pode-se afirmar que o exercício dos direitos representados por um título de crédito pressupõe a sua posse. Quem não se encontra com o título em sua posse, não se presume credor. Com efeito, o princípio da cartularidade é uma garantia de que o sujeito que postula a satisfação do crédito é mesmo o seu titular, isto é, é uma garantia de que o próprio credor não negociou previamente o crédito dele constante. Aqui, vale destacar que cópias reprográficas, ainda que autênticas (ou autenticadas) não conferem a mesma garantia que o título original. Um exemplo da aplicação do princípio da cartularidade, portanto, é a exigência da exibição do original do título na petição inicial de uma ação de execução. Aqui, vale um jargão muito presentes nos livros que remetem à história dos títulos cambiais, segundo o qual “o que importa é a cártula!” Antes de seguirmos adiante, devemos observar que, mais recentemente, algumas exceções ao princípio da cartularidade têm ganhado força no ordenamento jurídico contemporâneo, reflexos da globalização e da evolução dos instrumentos de comércio ao redor do mundo: a) Nos negócios mercantis, diante da necessidade de maior informalidade, tem se aceitado como possível execução de um crédito representado por duplicatas, em alguns casos, mesmo sem apresentação da cártula respectiva; b) No que se refere à informatização, tem se observado a disseminação de títulos de crédito não cartularizados. Nesse aspecto, o Código Civil, ainda que tenha sido editado em 2002, já admitia, desde a sua promulgação, o título de crédito virtual, vide o § 3º do art. 889, segundo o qual “o título poderá ser emitido a partir dos caracteres criados em computador ou meio técnico equivalente e que constem da escrituração do emitente, observados os requisitos mínimos previstos neste artigo”. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-sepor quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 87 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli REFERÊNCIASREFERÊNCIAS CHAGAS, Edilson Enedino das. Direito empresarial esquematizado. 7ª. Ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2020. COELHO, Fábio Ulhoa. Novo manual de direito comercial. 31ª Ed. São Paulo: RT – Revista dos Tribunais, 2020. GARRIGUES, Joaquin. Curso de derecho mercantil. 7ª. Ed. Bogotá: Temis, 1987, v. 01. BORGES, João Eunápio. Curso de direito comercial terrestre. Rio de Janeiro: Forense, 1959, v. 01. ABREU, Jorge Manuel Coutinho de. Curso de direito comercial. Coimbra: Almedina, 1999, v. 01. FRANCO, Vera Helena de Mello. Manual de direito comercial. São Paulo: RT, 2001, v. 01. ROCCO, Alfredo. Princípios de direito comercial. Tradução de Ricardo Rodrigues Gama. Campinas: LZN, 2003. RAMOS, André Luiz Santa Cruz. Direito empresarial. 7. ed. rev. e atual. Rio de Janeiro: Forense, 2017. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br Abra caminhos crie futuros gran.com.br O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. Sumário Apresentação Títulos de Crédito 1. Aspectos Introdutórios: Noções Básicas, Legislação e Evolução Histórica 2. Conceito 3. Função dos Títulos de Créditos 4. Princípios do Direito Cambiário 4.1. Cartularidade (ou Documentalidade) 4.2. Literalidade 4.3. Autonomia 4.4. Abstração 4.5. Inoponibilidade de Exceções a Terceiros de Boa-Fé 5. Natureza da Obrigação Cambial 6. Classificação dos Títulos de Crédito 6.1. Ponto Especial: Títulos Cambiais Versus Títulos Cambiariformes 7. A Informática e o Futuro do Direito Cambiário 8. Rigor Cambiário 9. Títulos de Crédito em Espécie 9.1. Letra de Câmbio 9.2. Nota Promissória 9.3. Duplicata 9.4. Cheque 10. Títulos de Crédito e Financiamento Rural, Industrial, Comercial e Imobiliário 11. Protesto 11.1. Conceito de Protesto (Art. 1º da Lei n. 9.492/1997) 11.2. Finalidade 11.3. Documentos Protestáveis 11.4. Competência Funcional para o Protesto 11.5. Competência Territorial 11.6. Natureza Jurídica do Protesto 11.7. Fundamentos do Protesto 11.8. Prazo para o Protesto 11.9. Procedimento 11.10. Prazos para Pagamento, Sustação ou Desistência 11.11. Principais Entendimentos Jurisprudenciais sobre o Protesto 12. Ação Cambial Questões de Concurso Gabarito Gabarito Comentado Referênciasaos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 11 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli 4 .2 . liTeraliDaDe4 .2 . liTeraliDaDe Pela literalidade, somente produzem efeitos jurídico-cambiais os atos lançados no próprio título de crédito. A quitação da obrigação, do crédito respectivo, deve, necessariamente, estar representada por meio de uma manifestação de vontade escrita no corpo do título. Atos documentados em instrumentos apartados, ainda que válidos e eficazes entre os sujeitos diretamente envolvidos (p. ex. o aval concedido fora do título, que pode ser tido como fiança), não produzirão efeitos perante o portador da cártula. Todavia, também há exceções nesse contexto, tais como as relacionadas à quitação de duplicatas, que pode ser dada em documento em separado. 4 .3 . aUToNomia4 .3 . aUToNomia Quando um único título representa mais de uma obrigação (do emitente, do avalista, do endossante, dentre outros) a eventual invalidade de qualquer delas não prejudica as demais. Assim, por exemplo, a obrigação de um avalista subsiste ainda que seja nula a obrigação do avalizado, salvo se a nulidade decorrer de um vício de forma, na medida em que o avalista não tem a mesma obrigação do avalizado, mas sim uma obrigação autônoma, com existência própria. As implicações do princípio da autonomia representam a garantia efetiva de circulabilidade do título de crédito. De modo que o terceiro descontador não precisa investigar as condições em que o crédito foi transacionado. Tal princípio, para sua melhor compreensão, é didaticamente desdobrado em dois subprincípios, a saber: 4 .4 . aBsTraÇÃo4 .4 . aBsTraÇÃo Segundo o princípio da abstração, o título de crédito se desvincula da relação fundamental que lhe deu origem. Se houve algum vício na causa que originou o título, não haverá prejuízo às obrigações nele constantes. A abstração, nesse contexto, somente se verifica quando o título de fato circula para um terceiro de boa-fé, que não tem ciência de eventuais defeitos existentes no negócio que o originou. Nada obstante, deve-se observar que as relações causal e cartular não se confundem, embora coexistam harmonicamente. Isso porque, a criação do título de crédito não implica novação no que se refere à relação causal (obrigacional), vez que esta não se extingue. A relação causal enseja uma ação extracambiária (ações de cobrança, p. ex.), ao passo que a relação cartular enseja uma ação cambiária. Outrossim, devemos ressaltar que, ainda que todos os títulos de crédito sejam autônomos, nem todos são verdadeiramente abstratos. Explico: Determinados títulos de crédito podem O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 12 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli resultar de uma qualquer causa, isto é, de um fato jurídico determinado, ainda que dele se libertem após a sua criação. Todavia, isso não ocorre com os chamados títulos causais (duplicata, por exemplo), os quais, embora também possam ser colocados em circulação, mantêm vínculos intrínsecos com a causa que lhes deu origem. 4.5. INOPONIBILIDADE DE EXCEÇÕES A TERCEIROS DE BOA-FÉ4.5. INOPONIBILIDADE DE EXCEÇÕES A TERCEIROS DE BOA-FÉ Pela inoponibilidade, o executado em virtude de um título de crédito não pode alegar matéria de defesa estranha à sua relação direta com o exequente, salvo comprovada má- fé. Ou seja, não poderá lhe opor exceções pessoais (que tinha contra o antigo credor), salvo se o terceiro se tratar de um adquirente de má-fé. Portanto, não pode ser oposto, pelo executado, um vício da relação causal contra o terceiro de boa-fé. Se o título não circular, ele está preso à relação causal, ainda que possa ser oposto um vício formal. 5 . NaTUreZa Da oBriGaÇÃo CamBial5 . NaTUreZa Da oBriGaÇÃo CamBial A obrigação cambial (ou cambiária) resulta de uma declaração unilateral de vontade por parte do subscritor do título e não de um contrato celebrado com o beneficiário. Outrossim, para a Lei que rege as relações cambiárias, os devedores de um título de crédito são solidários entre si. Nesse sentido, o artigo 47 da Lei Uniforme de Genebra — LUG nos ensina que: Os sacadores, aceitantes, endossantes ou avalistas de uma letra são todos solidariamente responsáveis para com o portador. O portador tem o direito de acionar todas estas pessoas individualmente, sem estar adstrito a observar a ordem por que elas se obrigaram. A ação intentada contra um dos coobrigados não impede acionar os outros, mesmo os posteriores àquele que for acionado em primeiro lugar. Assim, temos que o devedor solidário que paga ao credor a totalidade da dívida poderá exigir, em regresso, dos demais devedores a quota-parte cabível a cada um. Nada obstante, há de se observar, na obrigação cambial, a existência de uma hierarquia entre os devedores de um mesmo título. Em relação a cada espécie de título, a lei de regência escolhe um dos devedores em cadeia para figurar na situação jurídica de devedor principal, reservando aos demais a de codevedores. Na mesma linha de compreensão, mesmo os codevedores só têm o direito de cobrar os codevedores que lhes antecedem, e assim por diante. Várias teorias tentam explicar a natureza dos títulos de crédito como, por exemplo, as teorias contratualistas, para as quais existem contratos entre os envolvidos na relação cambiária, e as contrapostas teorias da declaração unilateral de vontade, segundo as O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 13 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli quais a fonte da obrigação cambiária reside na mera declaração unilateral de vontade de quem apõem sua assinatura no título. Vejamos algumas delas: • Teoria do Contrato com Incerta Pessoa: essa teoria, adotada por Savigny e seguida por Jolly, Goldschmidt e Unger, enuncia que ao emitir um título de crédito, se contrata com alguém que não se sabe quem é, só o vindo a saber no momento da apresentação do título, ou seja, quando se verificar a sua exigibilidade. Nesse momento, e apenas a parti dele, é que se descobre quem é o credor do título. Parte Savigny da ideia de que quem emite o título geralmente o faz em massa, estando a posse de fato sempre unida à presunção de propriedade; • Teoria do Germe: enunciada pelo famoso jurista Von Ihering, se baseia na premissa segundo a qual o título seria como um germe que surge nas mãos do devedor, mas que se forma quando circula, sendo que esse era o momento da sua concepção. O título só tem sentido se posto em circulação, é esse o seu objetivo, sua razão. O credor é, pois, o último portador. Rubens Requião, ao comentar a teoria do germe, afirma que: A declaração de vontade do emissor produz imediatamente um vínculo passivo da obrigação, porém não o direito de crédito correspondente; durante a circulação este existe em germe, em potencial, não pertence, porém, ao patrimônio de ninguém. Amadurece quando deixa de circular. Vivante a classificou como artificiosa, e pergunta: os milhões de títulos nas Bolsas, objeto do comércio, não existem? • Teoria da Personificação do Título: formulada por Schweppe e Bekker, declara que o título é bastante em si, como se ele mesmo fosse o credor. Quando se assina um título, o devedor passa para ele um pouco de si, de sua personalidade, credibilidade e imagem. Como otítulo personifica o credor, quem vai pagá-lo, paga a ele mesmo, ou seja, quando se paga o título é porque se quer resgatá-lo, não importando nas mãos de quem ele esteja. A pessoa se reintegra com a aquisição do título que emitiu. Essa teoria foi contestada sob o argumento de que não pode haver crédito sem credor, uma vez que as coisas materiais não podem ser sujeitos de direitos; • Teoria da Promessa Unilateral: segundo essa teoria, que tem como precursores Einnert e Kuntze, o devedor, ao emitir a cártula, promete sozinho, unilateralmente. Essa teoria inspirou um pouco do pensamento moderno, no sentido de que o título não é simples documento probatório, tendo em vista que: a) é veículo de promessa; b) a promessa de pagamento é abstrata; independe da relação fundamental; c) não se trata de um contrato, mas de uma promessa unilateral. Mesmo assim, surgiu a dúvida se o título seria válido quando é emitido ou quando é criado, pois ele poderia ser extorquido. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 14 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli Apresentadas os diversos (e curiosos) pensamentos desenvolvidos sobre o assunto ao longo da história, agora veremos as teorias mais expressivas para o estudo dos títulos de crédito na atualidade: • Teoria da Emissão: abraçada por Stobbe e Windscheid, preconiza que o emitente do título se desvincula do mesmo quando o põe em circulação. Só após o abandono voluntário da posse, seja por ato unilateral, seja por tradição, é que nasce a obrigação do subscritor. Sem emissão voluntária não se forma o vínculo; • Teoria da Criação: formulada por Siegel e Kuntze, defende que o direito deriva da criação do título. A vontade do devedor já não importa para tal efeito obrigacional. É o título que cria a dívida. Observa Rubens Requião que “a consequência da teoria da criação é severa e grave. O título roubado ou perdido, antes da emissão, mas após a criação, leva consigo a obrigação do subscritor”; • Teoria do duplo sentido da vontade: segundo Vivante, autor desta teoria, há dois mundos, que não se comunicam: o mundo dos contratos e o mundo dos títulos. O devedor fica no meio dos dois. Não se pode trazer o fato de um contratante ter deixado de cumprir sua obrigação (no mundo dos contratos) para não pagar aquele que lhe apresentou o título (no mundo dos títulos). Assim, em relação ao seu credor, o devedor do título se obriga por uma relação contratual, motivo por que contra ele mantém intactas as defesas pessoais que o direito comum lhe assegura; em relação a terceiros, o fundamento da obrigação está na sua firma (do emissor), que expressa sua vontade unilateral de obrigar-se, e essa manifestação não deve defraudar as esperanças que desperta em sua circulação. Para o Direito brasileiro... O Código Civil brasileiro incluiu os títulos ao portador entre as obrigações por declaração unilateral de vontade. Resta saber, aqui, se foi adotada a subteoria da emissão (que exige, para o aperfeiçoamento do vínculo cambiário, que o título saia voluntariamente das mãos do subscritor) ou da criação (segundo a qual obrigação cambiária do sacador nasce a partir do momento em que este apõe sua assinatura no título). Pois bem, o art. 896 do CC/2002 reza que “o título de crédito não pode ser reivindicado do portador que o adquiriu de boa-fé e na conformidade das normas que disciplinam a sua circulação.” Portanto, vemos que essa norma claramente adota a teoria da criação, visto que considera legitimado o portador do título, ainda que tenha sido posto em circulação sem ou contra a vontade do emitente, dispondo, assim, da mesma maneira que o artigo 26 da Lei Uniforme de Genebra — LUG. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 15 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli 6 . ClassiFiCaÇÃo Dos TÍTUlos De CrÉDiTo6 . ClassiFiCaÇÃo Dos TÍTUlos De CrÉDiTo No que se refere à classificação didática dos títulos de crédito, as mais repetidas pela doutrina são as seguintes: a) Quanto ao Modelo: • Livre: podem dispor dos requisitos da melhor forma que aprovem. Ex.: nota promissória no caderno; • Vinculado: além dos requisitos, existe uma padronização a respeito da forma de sua emissão (padrão normativamente estabelecido). Ex.: cheque, duplicata. b) Quanto à Estrutura: • Ordem de Pagamento: ordem dada por uma pessoa (sacador) para que outro (sacado) pague ao beneficiário (tomador). Ex.: letra de câmbio; • Promessa de Pagamento: relação direta entre o emitente e o beneficiário. Ex.: nota promissória. c) Quanto à hipótese de emissão: • Causal: somente pode ser emitido para documentar determinadas operações. Duplicata (prestação de serviço e compra e venda); • Não Causal (ou abstratos): pode ser emitido por qualquer causa. Ex.: cheque. d) Quanto à Circulação: • Ao Portador: transmitidos por mera tradição; • Nominativo: à ordem (transmitidos por endosso) ou não à ordem (transmitidos por cessão de crédito). Em uma classificação mais moderna, tem-se que os títulos de crédito podem ser, também, ao portador, nominais ou nominativos. No Brasil, todavia, não se admite mais o título ao portador, exceto se houver previsão expressa em lei especial (p. ex., artigo 69 da Lei n. 9.069/1995, que autoriza tal hipótese para cheques de até R$ 100,00 [cem reais]). 6 .1 . poNTo espeCial: TÍTUlos CamBiais VersUs TÍTUlos CamBiariFormes6 .1 . poNTo espeCial: TÍTUlos CamBiais VersUs TÍTUlos CamBiariFormes Títulos cambiais, genuínos, são a letra de câmbio e a nota promissória. Todos os demais títulos de créditos, tais como o cheque e a duplicata, são considerados apenas assemelhados ou, como prefere a doutrina encabeçada por Pontes de Miranda, “cambiariformes”. Devemos observar, pois, que as regras aplicáveis às letras de câmbio e às notas promissórias incidem também sobre os títulos cambiariformes, em tudo o que lhes for adequado, inclusive quanto à ação de execução. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 16 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli No Direito brasileiro, são leis especiais que regulam, via de regra, os títulos de crédito, algumas usadas em larga escala, outros sem tanta observância nas práticas comerciais. Podem ser mencionados: a letra de câmbio; a nota promissória; o cheque; a duplicata; os títulos de crédito rural (nota promissória rural, duplicata rural, cédula rural pignoratícia, cédula rural hipotecária, cédula rural pignoratícia e hipotecária e nota de crédito rural); os títulos de crédito industrial (cédula de crédito industrial e nota de crédito industrial); as debêntures; os warrants; o conhecimento de transportes; as ações; os títulos da dívida pública; a letra imobiliária; e a cédula hipotecária. Vemos, assim, que alguns destes são civis e outros, empresariais. 7 . a iNFormÁTiCa e o FUTUro Do DireiTo CamBiÁrio7 . a iNFormÁTiCa e o FUTUro Do DireiTo CamBiÁrio No mundo atual, diante de todas as inovações tecnológicas que observamos dia após dia, temos que os meios eletrônicos e magnéticos vêm substituindo paulatina e decisivamente os meios físicos, comoo papel, enquanto suporte no qual se apõem informações. Os registros de concessões, cobranças e cumprimentos de créditos comerciais não ficam, por evidente, à margem desse processo, ao qual se refere a doutrina pela noção de desmaterialização do título de crédito. É certo que as informações arquivadas em banco de dados magnéticos são a base para a expedição de alguns documentos (em papel) relativos à operação, como, por exemplo: quando os bancos emitem documentos de quitação de dívida; quando os cartórios de protesto geram intimação ao devedor e lavram o instrumento de protesto. Contudo, há de se atentar ao fato de que nenhum desses papéis constitui um título de crédito, tal qual estudamos até o momento. Diante desse quadro, vale a pena conferir se são compatíveis os princípios do direito cambiário com o processo de desmaterialização do título de crédito. Quanto ao princípio da cartularidade, por exemplo, se o documento nem sequer é emitido (em meio físico), não há sentido algum em se condicionar a cobrança do crédito correspondente à posse de um papel inexistente. O princípio da literalidade, de igual modo, também não encontra guarida em tal processo evolutivo, na medida em que a inexistência de um papel faz com que não se possa limitar fisicamente os atos da eficácia cambial do título. O princípio da autonomia das obrigações cambiais, por fim, é um dos que se apresentam compatíveis com a desmaterialização dos títulos de crédito, visto que é a partir dele que o direito poderá reconstruir a disciplina da ágil circulação do crédito, quando não existirem mais registros da concessão deste em papel. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 17 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli 8 . riGor CamBiÁrio8 . riGor CamBiÁrio A Lei enumera os requisitos que devem constar de cada uma das espécies de títulos de créditos. Portanto, para valerem como tal, os títulos de crédito devem obedecer a certos requisitos legais. Sobre o tema, a Súmula 387 do Supremo Tribunal Federal dispõe que “a cambial emitida ou aceita com omissões, ou em branco, pode ser completada pelo credor de boa-fé antes da cobrança ou do protesto”. Segundo o art. 891 do Código Civil, por sua vez, temos que “o título de crédito, incompleto ao tempo da emissão, deve ser preenchido de conformidade com os ajustes realizados”. Assim, é de se ver que o Novo Código Civil adotou o princípio da liberdade de criação e emissão de títulos atípicos ou inominados, resultantes da criatividade da praxe empresarial, com base no princípio da livre iniciativa, pedra angular da ordem econômica (CF/1988, artigos 1º e 170), visando a atender às necessidades econômicas e jurídicas do futuro, tendo em vista a origem consuetudinária de toda a atividade mercantil. Adiante, passaremos à análise das espécies de título de crédito mais importantes para o Exame de Ordem. 9 . TÍTUlos De CrÉDiTo em espÉCie9 . TÍTUlos De CrÉDiTo em espÉCie 9 .1 . leTra De CÂmBio9 .1 . leTra De CÂmBio A letra de câmbio é um título de crédito clássico e que comporta todas as características que vimos até então. É mais utilizada em negócios internacionais (comércio exterior), na medida em que, no âmbito interno, é usualmente substituída pela duplicata. Está prevista no Decreto n. 57.663/1966 (que regulamente a Lei Uniforme de Genebra — LUG). Segundo André Luiz Santa Cruz Ramos, [...] a letra de câmbio é considerada pelos doutrinadores como o título mais apropriado para servir de referência no estudo da teoria geral dos atos cambiários, em razão de sua estrutura permitir, com mais facilidade, o exame dos aspectos mais relevantes relacionados à constituição e à exigibilidade do crédito cambial5. Aqui, devemos destacar a importância de uma leitura atenta ao que consta do anexo I da LUG (em vigor), sendo que o anexo II estabelece as reservas do que não vige no Brasil, hipótese em que deve ser aplicado o Decreto n. 2.044/1908. Trata-se de uma ordem dada, por escrito, a uma pessoa, para que pague a um beneficiário indicado, ou a outrem à ordem deste, uma determinada importância em dinheiro. 5 RAMOS, André Luiz Santa Cruz – Direito empresarial / André Luiz Santa Cruz Ramos. – 7. ed. rev. e atual. – Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2017. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 18 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli Nesse nosso estudo, outras expressões legais (institutos) também merecem ser analisadas (os). Por saque, entende-se a própria criação da letra de câmbio. O aceite, por seu turno, é o ato que vincula o sacado, em momento posterior ao da vinculação do sacador. É, pois, o ato formal segundo o qual o sacado se obriga a efetuar, no vencimento, o pagamento da ordem que lhe é dada (vide art. 28). Diz-se, então. Que o aceite é formalizado apenas com a assinatura do sacado no título (vide art.25). Quando o sacado aceita pagar o título, dizemos que ele passa a ser o devedor principal, denominando-o, a partir de então, de aceitante. Com efeito, o sacador continua sendo devedor, porém não mais o principal. Quanto ao aceite propriamente, temos que este pode ser parcial ou total. O aceite parcial equivale, em verdade, a uma recusa parcial, e pode ser tanto limitativo (do valor constante do título) quanto modificativo (de alguns requisitos, tais como o dia de pagamento ou a condição deste a algum ato ou fato). Devemos observar que a recusa do aceite pelo sacado, gera, para a Letra de Câmbio, o seu vencimento antecipado. Aqui, tem-se que o tomador do título poderá cobrá-lo integralmente do devedor originário (sacador), mesmo que o aceite tenha sido parcial. Todavia, não poderá o credor, diante do aceite parcial, submeter-se a quaisquer condições, restando ao sacador cobrar do sacado, nos termos do seu aceite. Ou seja, o credor não tem que ficar submetido a condições impostas pelo sacado. Ainda segundo a LUG, a recusa do aceite deve ser comprovada por meio de protesto do título respectivo (vide art.14). Agora vejamos alguns aspectos importantes no que se refere ao aceite. Aceite por procuração – cláusula-mandato – Segundo dispõe o art. 51, inciso VIII, do Código de Defesa do Consumidor, são nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos e serviços que “imponham representante para concluir ou realizar outro negócio jurídico pelo consumidor”. Como vimos, o ato de submeter a letra ao reconhecimento do sacado chama-se apresentação. Se o sacado a reconhece, assinando a letra, torna-se aceitante, obrigado principal pelo pagamento. O sacado somente irá assinar a letra se houver uma relação jurídica entre ele e o sacador. Vencida a letra, a apresentação não se faz mais para o aceite, mas simplesmente para o pagamento, se o portador não decaiu de seus direitos. A recusa total ou parcial do aceite acarreta o vencimento antecipado da letra, provado pelo protesto (art. 43 da LUG). Neste caso, o portador do título pode se voltar contra o sacador, é dizer, contra o emitente da letra. O sacador, destarte, ao emiti-la, pode proibir a apresentação do título para aceite. Nesse caso, se o portador não pode apresentá-la para aceite (e, consequentemente, não pode protestar por falta de aceite), fica afastada a possibilidade de vencimento antecipado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado paraADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 19 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli A letra sacada à vista se vence no ato em que o portador a apresenta ao sacado. Ao sacado é lícito, todavia, pedir ao portador ou detentor que a letra lhe seja reapresentada uma segunda vez no dia seguinte ao da primeira apresentação. Limitação do aceite – O aceite, em princípio, é puro e simples, mas admite que o sacado o limite a uma parte da importância sacada. Assim, se o sacado aceita uma letra pela metade de seu valor, a limitação resulta em recusa do aceite, mas o aceitante se vincula cambiariamente ao pagamento da importância reduzida. É o aceite parcial do qual tratamos há pouco, sendo certo que o sacador deverá suportar o pagamento pelo saldo não aceito. Cancelamento do aceite – A Lei Uniforme admite, também, o cancelamento do aceite, antes da restituição da letra, o que é considerado, então, aceite recusado. Aceite por intervenção – Em certas condições, a lei permite, ainda, que um estranho à relação cambiária nela intervenha, para firmar o aceite pelo sacado. Aqui, vale esclarecer qual a utilidade da intervenção: é que a recusa do aceite pelo sacado pode criar embaraçosas situações para o sacador e os endossadores, pois o portador, em consequência da recusa do aceite pelo sacado, tem o direito de usar do regresso contra o sacador ou endossantes, exigindo deles o pagamento da letra, antes mesmo do vencimento. Prorrogação do prazo de apresentação para aceite – Por fim, podemos afirmar que a decadência ou perda de certos direitos cambiários decorrem da não apresentação ou da tardia apresentação da letra. A Lei Uniforme admite, assim, que, havendo caso fortuito ou força maior, possa ser prorrogado o prazo de apresentação para aceite. Cessado o caso fortuito ou a força maior, o portador deve apresentar sem demora a letra para aceite, ou para pagamento. 9 .1 .1 . elemeNTos pessoais Da leTra De CÂmBio SACADOR – É o eminente da letra de câmbio, isto é, quem dá a ordem de pagamento; SACADO – É aquele que recebe a ordem de pagamento; TOMADOR – É o beneficiário da ordem de pagamento. 9 .1 .2 . reQUisiTos Da leTra De CÂmBio A letra de câmbio é um título de crédito de modelo livre, isto é, pode ser emitida em qualquer papel, de todos os tamanhos, porquanto não há modelo de padronização previsto na legislação de regência. Basta, portanto, o cumprimento dos requisitos legais para a transformação de um simples papel em letra de câmbio. Os requisitos ou elementos da letra de câmbio estão arrolados no artigo 1º da Lei Uniforme de Genebra: Artigo 1º – A letra contém: 1 – A palavra “letra” inserta no próprio texto do título é expressa na língua empregada para a redação desse título; O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 20 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli 2 – O mandato puro e simples de pagar uma quantia determinada; 3 – O nome daquele que deve pagar (sacado); 4 – A época do pagamento; 5 – A indicação do lugar em que se deve efetuar o pagamento; 6 – O nome da pessoa a quem ou a ordem de quem deve ser paga; 7 – A indicação da data em que, e do lugar onde a letra é passada; 8 – A assinatura de quem passa a letra (sacador). A doutrina, diante do texto legal em análise, divide os requisitos acima em essenciais e não essenciais. 9 .1 .3 . Formas De VeNCimeNTo Da leTra De CÂmBio Segundo o artigo 33 da LUG, temos as seguintes formas de vencimento das Letras de Câmbio: à vista: Vencimento a partir da “vista”, isto é, da apresentação; a dia certo: Vencimento no dia que consta no título, que já está ali fixado; a tempo certo da data (DO SAQUE): Vencimento contado a partir do saque (emissão); a tempo certo da vista (DO ACEITE): Vencimento de acordo com o aceite como marco inicial. A letra de câmbio deve ser apresentada para pagamento no dia do seu vencimento. Se for apresentada depois do vencimento ocorrerão as seguintes consequências (Decreto não está vigendo nesse sentido): Protesto extemporâneo – dois dias úteis seguintes ao pagamento. Para execução dos coobrigados é necessário o protesto do título. Se o protesto não for feito nesse prazo, o credor perde o direito de cobrança em relação aos coobrigados, na verdade, hoje em dia, o protesto assumiu um papel muito maior de meio de coerção extrajudicial. Mas, juridicamente a sua finalidade é permitir a cobrança principal não precisa de protesto. Artigo 70, da lei uniforme, estabelece três prazos prescricionais: 03 anos contra o devedor principal, o aceitante e seu analista; senão houver aceite, será o sacador. Prazo contado do vencimento da letra. 01 ano contra o sacador, endossantes e avalistas, contando do protesto. 06 meses para o regresso entre endossantes e sacador, contados de quando foi efetuado o pagamento. 9 .1 .4 . eNDosso Da leTra De CÂmBio O endosso é o ato unilateral de vontade de transferência dos direitos referentes aos títulos de crédito à ordem (artigo 14, primeiro parágrafo, da LUG). Não obstante, a transferência por endosso só é completa quando há a tradição do título (vide artigo 910, § 2º, do CC/2002). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 21 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli É entendido como ato cambiário que opera a transferência e vinculação dos direitos inerentes ao título de crédito. Nesse sentido, vale dizer que não existe endosso parcial. O endosso deve sempre constar do título (em nome da cartularidade – vide art. 13 da LUG). O local próprio apropriado é, pois, o verso do título, não precisando de indicação do ato. Se feito na frente, todavia, deverá constar como endosso. As partes envolvidas no endosso são as seguintes: ENDOSSANTE – aquele que transfere por endosso; ENDOSSATÁRIO – aquele que recebe o título por endosso. Outrossim, devemos observar que o endosso pode ser em preto (indicando a pessoa a quem é transferido o título) ou em branco (não indicando a pessoa a quem é transferido o título). Acerca da responsabilidade do endossante, temos que o endossante é responsável pelo aceite e pagamento do título, salvo se registrar que endosso é sem garantia – art. 15, da Lei Uniforme. Na jurisprudência, o Superior Tribunal de Justiça, apreciando a temática, já editou as Súmulas 475 e 476, que dispõem, respectivamente, que: JURISPRUDÊNCIA Responde pelos danos decorrentes de protesto indevido o endossatário que recebe por endosso translativo título de crédito contendo vício formal extrínseco ou intrínseco, ficando ressalvado seu direito de regresso contra os endossantes e avalistas.; e que O endossatário de título de crédito por endosso-mandato só responde por danos decorrentes de protesto indevido se extrapolar os poderes de mandatário. Com efeito, o endosso vincula o endossante ao pagamento do título de crédito, pois ele também vincula o endossante ao pagamento; existe uma solidariedade cambial, que consiste no fato de quem paga poder cobrar tudo do devedor principal, não participação da obrigação. Outras espécies de endosso são: Endosso pleno – transferência e vínculo; Endosso sem garantia – transferência, mas sem o vínculo do pagamento, que consta no título:“pague-se sem garantia”; Endossos impróprios: Endosso caução – títulos de crédito dados em garantia a outro negócio. Não há a transferência do crédito. Trata-se de garantia. “Pague-se em garantia”; Endosso mandato – quando o credor não tem disponibilidade para exigir o crédito, então ele transfere para outra pessoa a titularidade para receber em seu nome: “Pague-se por procuração”; o mandatário somente irá receber o valor e passar para o credor. Não há transferência do crédito. O endossatário-mandatário não tem legitimidade para ingressar em juízo cobrando o crédito; O protesto, aqui, é ato necessário para garantir o direito de regresso contra os endossantes e seus avalistas. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 22 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli Prosseguindo, temos que o endosso é o meio pelo qual se processa a transferência do título de um credor para outro. Segundo o art. 893 do CC/2002, “a transferência do título de crédito implica a de todos os direitos que lhe são inerentes”. Não se confunde, pois, com a cessão de crédito, tendo em vista apresentarem as seguintes distinções: a) o endosso é ato unilateral de declaração de vontade, enquanto a cessão é um contrato bilateral; b) a nulidade de um endosso não afeta os endossos posteriores; na cessão, a nulidade de uma acarreta a das posteriores; c) o endossatário não pode opor exceção senão diretamente contra o endossante que lhe transferiu o título; na cessão, o devedor pode opor ao cessionário a mesma defesa que teria contra o cedente (de acordo com o art. 294 do Código Civil, o devedor pode opor tanto ao cessionário como ao cedente as exceções que lhe competirem no momento em que tiver conhecimento da cessão). 9 .1 .5 . aVal Da leTra De CÂmBio O aval se trata de uma obrigação cambiária assumida por alguém no intuito de garantir o pagamento de título de crédito nas mesmas condições de outro obrigado. É, pois, um ato cambial de garantia, que pode ser total ou parcial (art. 30). Somente se verifica no âmbito dos títulos de crédito; em contratos, a garantia é a fiança. As partes envolvidas podem ser assim definidas: AVALISTA – aquele que oferece a garantia; AVALIZADO – aquele que recebe a garantia, é o devedor original do título de crédito. Semelhantemente ao que ocorre no endosso, aqui também se pode indicar a quem é dada a garantia – aval em preto (identifica o avalizado) – ou não – aval em branco (não identifica o avalizado). O aval em branco deve ser lançado na frente do título e é oferecido em favor do sacador (art. 31). O local apropriado é na frente (no anverso) da Letra de Câmbio. Se feito no verso, o aval deverá ser identificado como tal. Sendo feito em branco na frente do título, o sacador é o avalizado. Para avalizar o sacado, deve ser em preto. O avalista responde da mesma forma que o avalizado (art. 32). 9 .1 .6 . CaraCTerÍsTiCas Do aVal Equivalência – o avalista é obrigado nos mesmos termos que o avalizado (exceto se o aval for parcial). Não há benefício de ordem e pode ser acionado isoladamente. Autonomia – a obrigação do avalista independe da obrigação do avalizado. Mesmo que a relação do avalizado for nula, a do avalista permanece, mesmo que a do avalizado não. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 23 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli 9 .1 .7 . poNTo espeCial: aVal VersUs FiaNÇa AVAL FIANÇA É autônomo. A obrigação do avalista persiste mesmo com a nulidade do avalizado. É acessória. A nulidade da obrigação do afiançado abrange a obrigação do fiador. Não há benefício de ordem. Há benefício de ordem (fiador indica bens livres e desembaraçados do afiançado). Não era necessária a outorga uxória. Com o novo CC/2002 exige a outorga, exceto se houver o regime de separação de bens. Antes existia a necessidade de outorga uxória. Com o novo CC/2002 permanece a exigência da outorga uxória. Segundo o art. 897 do CC/2002, o pagamento de título de crédito, que contenha obrigação de pagar soma determinada, pode ser garantido por aval. Outrossim, conforme a Súmula 26 do Superior Tribunal de Justiça, JURISPRUDÊNCIA o avalista do título de crédito vinculado a contrato de mútuo também responde pelas obrigações pactuadas, quando no contrato figurar como devedor solidário. O aval é a garantia de pagamento da letra de câmbio, dada por um terceiro ou mesmo por um de seus signatários. O aval é materialmente autônomo, mas formalmente dependente. O avalista, se executado, não pode se opor ao pagamento, fundado em matéria atinente à origem do título. Recorde-se que nenhum obrigado pode opor ao exequente as exceções pessoais de outro devedor. O Supremo Tribunal Federal já afirmou que JURISPRUDÊNCIA não cabe ao avalista defender-se com exceções próprias do avalizado, esclarecendo que sua defesa, quando não se funda em defeito formal do título, ou em falta de requisito para o exercício da ação, somente pode assentar em direito pessoal seu (RE n. 67.378, in RTJ 57/474). Observe-se, ainda, a seguinte ementa, constante da Revista dos Tribunais: JURISPRUDÊNCIA Execução proposta contra o avalista – Pagamento parcial da dívida alegado em embargos – Exceção respeitante às condições objetivas e materiais do direito de crédito – Oposição admissível, eis que equiparado ao coobrigado – Incomunicabilidade apenas das que respeitem à pessoa do avalizado. (...) Se isso lhe fosse vedado [ao avalista], ficaria em posição inferior ao do avalizado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 24 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli Mulher casada e embargos de terceiro em defesa de sua meação – aval prestado pelo marido: a meação da mulher não responde pela dívida contraída pelo marido, salvo se avalizada era a empresa deste e se o empréstimo reverteu em benefício da família. Da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, extraímos que JURISPRUDÊNCIA Não é necessária prévia autorização do cônjuge para que a pessoa preste aval em títulos de crédito típicos (cf. REsp 1.526.560/MG, 3ª Turma, da relatoria do min. Paulo de Tarso Sanseverino, DJ 16/03/2017 – Info 604; REsp 1.633.399/SP, 4ª Turma, da relatoria do min. Luis Felipe Salomão, DJ 10/11/2016). Ademais, quanto ao aval prestado com infringência do contrato social, o STJ também já decidiu que é válido JURISPRUDÊNCIA Perante terceiros de boa fé. (...) A proibição de prestar aval, estabelecida no contrato, é válida somente entre sócios e obrigados, não sendo oponível a terceiros de boa-fé. Aval antecipado – o aval pode anteceder o aceite ou o endosso, ainda não lançados no título. A respeito do aval aposto antes do aceite, cumpre salientar que a recusa total ou parcial do aceite nenhuma influência exercerá sobre a responsabilidade do avalista, que independentemente do aceite assumiu a obrigação de garantir o pagamento do título. Diferentemente ocorre com o avalista antecipado de endosso: se o endosso não se realizar, nenhuma obrigação se originou para o avalista do endossante. 9 .1 .8 . paGameNTo Da leTra De CÂmBio A letra de câmbio é uma obrigação quérable pornatureza, pois o devedor, no dia do vencimento, não sabe nas mãos de quem e onde se encontra o título. O portador deve ir ao devedor apresentar o título para pagamento. A Lei Uniforme dispõe que a letra deve ser apresentada para pagamento no dia do vencimento ou em um dos dois dias subsequentes. O Brasil, todavia, usou da reserva, razão pela qual, em relação às letras pagáveis em seu território, deverá o portador fazer a apresentação no próprio dia do vencimento. Tal regra, evidentemente, não se aplica às letras à vista, as quais podem ser apresentadas em qualquer momento, no prazo de um ano. Efeitos da não apresentação – O portador que não apresentar a letra para pagamento, seja qual for a modalidade de prazo de vencimento, na época determinada, perde, em O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 25 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli consequência, o direito de regresso contra o sacador, endossadores e respectivos avalistas. Expirado o prazo de apresentação para pagamento, o portador somente terá direito de ação contra o aceitante (e respectivo avalista). Em consequência de o título ser documento essencial para o exercício do direito, a sua posse em mãos do devedor presume o pagamento. Tal presunção, contudo, admite prova em contrário (pode ser que haja o título sido roubado ou extraviado). O portador não pode recusar o pagamento que se lhe queira efetuar, seja total ou parcial, se for oferecido no dia do vencimento (no direito civil, o credor pode recusar o pagamento parcial). Art. 902, § 1º, CC: no vencimento, não pode o credor recusar pagamento, ainda que parcial. O pagamento antecipado, seja total ou parcial, pode ser recusado. Art. 902 CC: “não é o credor obrigado a receber o pagamento antes do vencimento do título, e aquele que o paga, antes do vencimento, fica responsável pela validade do pagamento”. Verificação dos endossos – Aquele que paga a letra é obrigado a verificar a regularidade da sucessão dos endossos, mas não a assinatura dos endossantes. A cadeia de endossos em preto deve estar perfeita, com as assinaturas dos endossantes se encadeando, um a um. Supremo Tribunal Federal – Somente se caracteriza a recusa do pagamento de título cambial pela sua apresentação ao devedor, demonstrada pelo protesto. Até este momento, o devedor não é culpado pelo atraso na liquidação da dívida (até porque pode nem saber quem é o portador do título). Não se olvide que a cambial é um título de apresentação. Lugar do pagamento – Na falta de menção no título, prevalece o lugar que constar ao lado do nome do sacado. Aquele que paga a letra antes do respectivo vencimento fica responsável pela validade desse pagamento. Assim é porque pode ocorrer que o título tenha sido extraviado, e se encontre na posse ilegítima do portador. Art. 902 CC: “não é o credor obrigado a receber o pagamento antes do vencimento do título, e aquele que o paga, antes do vencimento, fica responsável pela validade do pagamento”. O credor pode fazer uma oposição ao pagamento, nos casos em que o título estiver na posse ilegítima de outra pessoa. Esta oposição deve ser dirigida ao devedor por carta registrada. Quanto aos efeitos do pagamento, há que se distinguir duas situações: a) o pagamento efetuado pelo aceitante (obrigado principal) ou pelos respectivos avalistas desonera da responsabilidade cambial todos os coobrigados; b) o pagamento feito pelo sacador, endossantes ou respectivos avalistas desonera da responsabilidade apenas os coobrigados posteriores. Pagamento por intervenção: o que paga por intervenção (a intervenção é sempre voluntária) fica sub-rogado nos direitos emergentes da letra. Se a apresentação da letra ou o seu protesto não puderem ser feitos dentro dos prazos indicados por motivo insuperável (caso fortuito ou força maior), esses prazos serão prorrogados. É a mesma regra da apresentação para aceite. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 26 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli 9 .2 . NoTa promissÓria9 .2 . NoTa promissÓria De início, no que se refere ao estudo da nota promissória, temos que, por estar prevista na mesma legislação da letra de câmbio, há uma série de regras comuns a ambas. Contudo, deve-se observar que a nota promissória, diferentemente da letra de câmbio, constitui-se em promessa de pagamento, e não em uma ordem. Sobre os seus elementos constitutivos, devemos observar que emitente ou subscritor é o próprio devedor, o qual, quando emite a nota, se obriga ao seu pagamento. O beneficiário, por outro lado, é o credor, isto é, a pessoa favorecida na promessa de pagamento Na promissória, como o próprio devedor já se submete diretamente ao pagamento do título no momento de sua emissão, não se faz necessário o aceite. 9 .2 .1 . leGislaÇÃo apliCÁVel À NoTa promissÓria É o Decreto n. 57.663/1966 – Lei Uniforme de Genebra – LUG. 9 .2 .2 . CoNCeiTo De NoTa promissÓria A Nota Promissória é uma promessa de pagamento de certa quantia em dinheiro feita, por escrito, por uma pessoa, em favor de outra ou à sua ordem. Segundo o professor André Luiz Santa Cruz Ramos, a nota promissória se estrutura como uma promessa de pagamento, razão pela qual sua emissão dá origem a duas situações jurídicas distintas: a do sacador ou promitente (chamado na Lei Uniforme de subscritor), que emite a nota e promete pagar determinada quantia a alguém; e a do tomador, em favor de quem a nota é emitida e que receberá a importância prometida. 9 .2 .3 . apliCaÇÃo Das reGras Da leTra De CÂmBio À NoTa promissÓria Segundo o artigo 77 do anexo I da Lei Uniforme relativa às Letras de Câmbio e Notas Promissórias (a nossa LUG), temos que são aplicáveis às Notas Promissórias, na parte em que não sejam contrárias à natureza deste título, as disposições relativas às letras e concernentes a: “Endosso (Artigos 11º a 20º); Vencimento (artigos 33º a 37º); Pagamento (artigos 38 a 42º); Direito de ação por falta de pagamento (artigos 43º a 50º e 52º a 54º); Pagamento por intervenção (artigos 55 e 59º a 63º); Cópias (artigos 67º e 68º); Alterações (artigo 69º); Prescrição (artigos 70º e 71º); Dias feriados, contagem de prazos e interdição de dias de perdão (artigos 72º a 74º);” O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 27 de 88gran.com.br DireiTo empresarial Títulos de Crédito Renato Borelli A LUG continua as suas disposições para estabelecer também que: São igualmente aplicáveis às Notas Promissórias as disposições relativas às letras pagáveis no domicílio de terceiro ou numa localidade diversa da do domicílio do sacado (artigos 4º e 27), a estipulação de juros (artigo 5º), as divergências das indicações da quantia a pagar (artigo 6º), as consequências da aposição de uma assinatura nas condições indicadas no artigo 7º, as da assinatura de uma pessoa que age sem poderes ou excedendo os seus poderes (artigo 8º) e a letra em branco (artigo 10º). Quanto ao Aval (ato de garantia cambial), há uma ressalva no sentido de que no caso de este ser escrito na própria cártula ou em folha anexa, se não houver indicação da “pessoa por quem é dado, entender-se-á ser pelo