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DIREITO EMPRESARIAL
Teoria Geral do Direito Falimentar
Livro Eletrônico
Presidente: Gabriel Granjeiro
Vice-Presidente: Rodrigo Calado
Diretor Pedagógico: Erico Teixeira
Diretora de Produção Educacional: Vivian Higashi
Gerente de Produção Digital: Bárbara Guerra
Coordenadora Pedagógica: Élica Lopes
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do Gran. Será proibida toda forma de plágio, cópia, reprodução ou qualquer outra forma de 
uso, não autorizada expressamente, seja ela onerosa ou não, sujeitando-se o transgressor às 
penalidades previstas civil e criminalmente.
CÓDIGO:
250508439121
 
RENATO BORELLI
Juiz federal e especialista em Direito Público, Direito Tributário e Sociologia Jurídica. 
Juiz federal do TRF-1. Foi juiz federal do TRF-5. Exerceu a advocacia privada e 
pública. Foi servidor público e assessor de desembargador federal (TRF-1) e ministro 
(STJ). Atuou no Carf/Ministério da Fazenda (antigo Conselho de Contribuintes) como 
conselheiro. É formado em Direito e Economia, com especialização em Direito Público, 
Direito Tributário e Sociologia Jurídica.
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Teoria Geral do Direito Falimentar 
Renato Borelli
SUMÁRIO
Apresentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
Teoria Geral do Direito Falimentar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
1. Aspectos Introdutórios e Legislação de Regência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
2. Âmbito de Aplicação da Lei n. 11.101/2005 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8
2.1. Empresas Públicas (EP) e Sociedades de Economia Mista (SEM) . . . . . . . . . . 9
2.2. Sociedades Empresárias Sujeitas à Liquidação Extrajudicial . . . . . . . . . . . . 10
3. Ações Judiciais e Competência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
4. Intervenção do Ministério Público . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
5. Aplicação Subsidiária do Código de Processo Civil (Lei n. 13.105/2015) . . . . . . . 12
6. Sujeitos e Figuras Envolvidas no Processo Falimentar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
6.1. O Administrador Judicial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
6.2. O Comitê de Credores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
6.3. Destituição e Responsabilização do Administrador Judicial e dos 
Membros do Comitê de Credores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
6.4. A Assembleia-Geral de Credores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
Questões de Concurso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
Gabarito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24
Gabarito Comentado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29
 
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apreseNTaÇÃoapreseNTaÇÃo
Hoje, examinaremos os aspectos gerais relativos à Teoria geral do Direito Falimentar.
Desejo a você uma boa leitura e sucesso nos seus estudos!
 
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TEORIA GERAL DO DIREITO FALIMENTARTEORIA GERAL DO DIREITO FALIMENTAR
1 . aspeCTos iNTroDUTÓrios e leGislaÇÃo De 1 . aspeCTos iNTroDUTÓrios e leGislaÇÃo De 
reGÊNCiareGÊNCia
O instrumento legislativo atual responsável por regular a recuperação judicial, a 
extrajudicial e a falência do empresário individual e da sociedade empresária é a Lei n. 
11.101, de 9 de fevereiro de 2005.
Seu prazo de vacatio legis foi de 120 (cento e vinte) dias, de modo que a sua vigência se 
deu somente a partir de 9 de junho daquele mesmo ano. Importante notar, nesse aspecto, 
que o diploma normativo antecedente – Decreto-lei n. 7.661/1945 – permanece(u) aplicável 
aos processos nos quais a falência restou decretada com base nele. Ou seja, tem-se que a 
nova lei não se aplica aos processos que já estavam em curso quando da sua entrada em vigor.
Uma primeira observação importante que devemos fazer é a de que, até 9 de junho de 
2005, era possível requerer a chamada “concordata”, instituto jurídico não mais presente 
na atualidade. Se, a partir da referida data, houvesse uma concordata em trâmite, é certo 
que esta não seria transformada, por ocasião da nova lei, em uma recuperação judicial. 
Nada obstante, fala-se em convolação da concordata em falência.
Portanto, toda falência decretada após a entrada em vigor da Lei n. 11.101/2005 é por ela 
inteiramente regulada, ainda que resultante da convolação de uma concordata em falência.
Sob outro aspecto, também devemos destacar que a importância atribuída à nova lei 
(pela mídia, pelo Poder Executivo ou pelo próprio meio jurídico) se justifica não apenas 
pela defasagem e obsolescência do Decreto-lei anterior, mas também por deficiências 
normativas internas que até então se observavam, como veremos a seguir:
De início, tínhamos que a decretação de falência nos moldes do Decreto-lei n. 7.661/1945 
ocorria em duas hipóteses: Por impontualidade (art. 1º1) ou por atos de falência (art. 2º), 
enumerados na própria lei.
1 “Art. 1º Considera-se falido o comerciante que, sem relevante razão de direito, não paga no vencimento obrigação líquida, 
constante de título que legitime a ação executiva.
 § 1º Torna-se líquida, legitimando a falência, a obrigação provada por conta extraída dos livros comerciais e verificada, 
judicialmente, nas seguintes condições:
 I – a verificação será requerida pelo credor ao juiz competente para declarar falência do devedor (art. 7º) e far-se-á nos 
livros de um ou de outro, por dois peritos nomeados pelo juiz, expedindo-se precatória quando os livros forem de credor 
domiciliado em comarca diversa;
 II – se o credor requerer a verificação da conta nos próprios livros, estes deverão achar-se revestidos das formalidades 
legais intrínsecas e extrínsecas e a conta comprovada nos termos do art. 23, n. 2, do Código Comercial; se nos livros do 
devedor, será este citado para, em dia e hora marcados, exibi-los em juízo, na formapois é dispensável, em qualquer caso, a manifestação 
da assembleia de sócios para o pedido de recuperação judicial de sociedade limitada.
c) A conduta do sócio Irapuan Pinheiro foi lícita, pois, em caso de urgência, é possível a 
qualquer sócio titular de mais da metade do capital social autorizar os administradores a 
requerer recuperação judicial.
d) A conduta do administrador foi ilícita, pois deveria ter sido convocada assembleia de 
sócios para deliberar sobre a matéria com quórum de, no mínimo, 3/4 (três quartos) do 
capital social.
A questão encontra amparo no Código Civil, mas especificamente nos arts. 1.071, 1.072 e 
1.076.
Vejamos:
Art. 1.071. Dependem da deliberação dos sócios, além de outras matérias indicadas na lei ou 
no contrato:
I – a aprovação das contas da administração;
VIII – o pedido de concordata.
Art. 1.072. As deliberações dos sócios, obedecido o disposto no art. 1.010, serão tomadas em 
reunião ou em assembleia, conforme previsto no contrato social, devendo ser convocadas pelos 
administradores nos casos previstos em lei ou no contrato.
§ 4 No caso do inciso VIII do artigo antecedente, os administradores, se houver urgência e com 
autorização de titulares de mais da metade do capital social, podem requerer concordata 
preventiva.
Art. 1.076. Ressalvado o disposto no art. 1.061, as deliberações dos sócios serão tomadas.
III – pela maioria de votos dos presentes, nos demais casos previstos na lei ou no contrato, se 
este não exigir maioria mais elevada.
Letra c.
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REFERÊNCIASREFERÊNCIAS
ABREU, Jorge Manuel Coutinho de. Curso de Direito Comercial. Coimbra: Almedina, 1999, v. 
01;
BORGES, João Eunápio. Curso de Direito Comercial Terrestre. Rio de Janeiro: Forense, 1959, 
v. 01;
CHAGAS, Edilson Enedino das. Direito Empresarial Esquematizado. 7. ed. São Paulo: Saraiva 
Educação, 2020;
COELHO, Fábio Ulhoa. Novo Manual De Direito Comercial. 31. ed. São Paulo: RT – Revista dos 
Tribunais, 2020.
FRANCO, Vera Helena de Mello. Manual de Direito Comercial. São Paulo: RT, 2001, v. 01;
GARRIGUES, Joaquin. Curso de Derecho Mercantil. 7. ed. Bogotá: Temis, 1987, v. 01.
RAMOS, André Luiz Santa Cruz. Direito Empresarial. 7. ed. rev. e atual. Rio de Janeiro: 
Forense; São Paulo: MÉTODO, 2017.
ROCCO, Alfredo. Princípios de Direito Comercial. Tradução de Ricardo Rodrigues Gama. 
Campinas: LZN, 2003.
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	Sumário
	Apresentação
	Teoria Geral do Direito Falimentar
	1. Aspectos Introdutórios e Legislação de Regência
	2. Âmbito de Aplicação da Lei n. 11.101/2005
	2.1. Empresas Públicas (EP) e Sociedades de Economia Mista (SEM)
	2.2. Sociedades Empresárias Sujeitas à Liquidação Extrajudicial
	3. Ações Judiciais e Competência
	4. Intervenção do Ministério Público
	5. Aplicação Subsidiária do Código de Processo Civil (Lei n. 13.105/2015)
	6. Sujeitos e Figuras Envolvidas no Processo Falimentar
	6.1. O Administrador Judicial
	6.2. O Comitê de Credores
	6.3. Destituição e Responsabilização do Administrador Judicial e dos Membros do Comitê de Credores
	6.4. A Assembleia-Geral de Credores
	Questões de Concurso
	Gabarito
	Gabarito Comentado
	Referênciasdo disposto no art. 19, primeira 
alínea, do Código Comercial;
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Por impontualidade entendia-se o não pagamento, pelo comerciante, de obrigações 
líquidas (constantes de títulos executivos) na data de seu vencimento, sem a presença de 
“relevante razão de direito”. Era a chamada “falência técnica”.
Tal opção legislativa mostrava-se complicada no campo da prática comercial diária, na 
medida em que poucos empresários, no Brasil, não tinham (e talvez ainda não tenham) ao 
menos uma dívida sem pagamento quando do seu vencimento; de modo que, se levada “ao 
pé da letra”, a redação do art. 1º do Decreto-lei implicaria na quebra da grande maioria dos 
comerciantes, inclusive os pequenos e médios empresários, o que, por óbvio, acarretaria 
um sério problema social e econômico. A toda evidência, não havia – como ainda não o há – 
o mínimo interesse público ou social na falência generalizada dos empresários brasileiros.
Não ficou claro? Pois então imagine o seguinte exemplo:
EXEMPLO
Uma cidade inteira que se sustentava economicamente em razão de uma única, porém grande 
usina ou indústria, responsável pela geração da grande maioria dos empregos na região, direta 
ou indiretamente. Em tal cenário, não seria interessante para a Administração municipal, 
para a população local e, ainda, para o próprio credor de um crédito vencido, ver a usina ou a 
indústria mencionada em processo de falência. É como afirma o ditado segundo o qual “não 
pode o remédio ser pior do que a doença”.
Assim, a falência era mais vista como um modo, um instrumento de pressão para que os 
comerciantes honrassem com seus compromissos do que como um procedimento técnico 
de encerramento de atividades empresariais.
Inclusive, em razão desse mesmo quadro fático-jurídico, houve, em dado momento, a construção 
de uma corrente jurisprudencial que defendia que a falência não podia ser utilizada como 
meio de cobrança de dívida. De sorte que a falência somente podia ser utilizada quando a 
empresa, de fato, não detivesse condições mínimas de se sustentar ou permanecer ativa.
Como se observa, tal entendimento buscava privilegiar a economia e os credores que só 
tinham como objetivo o recebimento de seus créditos. Assim, os tribunais superiores, à época, 
passaram a acolher essa teoria para justificar o afastamento da falência nos casos em que 
o interesse público ou social não a justificassem.
 III – a recusa de exibição ou a irregularidade dos livros provam contra o devedor, salvo a sua destruição ou perda em vir-
tude de força maior;
 IV – os peritos apresentarão os laudos dentro de três dias e, julgado por sentença o exame, os respectivos autos serão 
entregues ao requerente, independentemente de traslado, não cabendo dessa sentença recurso algum;
 V – as contas assim verificadas consideram-se vencidas desde a data da sentença que julgou o exame.
 § 2º Ainda que líquidos, não legitimam o pedido de falência os créditos que não se possam na mesma reclamar.
 § 3º Para os efeitos desta Lei, considera-se obrigação líquida, legitimando o pedido de falência, a constante dos títulos 
executivos extrajudiciais mencionados no art. 15 da Lei n. 5.474, de 18 de julho de 1968. (Incluído pela Lei n. 6.458, de 
1º.11.1977)”
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Sob outro aspecto, mas ainda sobre as inconsistências do Decreto-lei n. 7.661/1945, 
cumpre registrar que o sistema falimentar anterior possuía natureza puramente “liquidatória”, 
ou seja, tinha por único objetivo a liquidação da empresa, o fechamento de suas portas e a 
alienação de seu patrimônio. Atualmente, isso já não mais se justifica.
Com efeito, a lógica por trás da Lei n. 11.101/2005 é a de que o importante é buscar 
a recuperação da empresa, e não a sua liquidação, visando à manutenção da unidade 
produtiva, tida por fonte de renda, de receita tributária e de empregos (diretos e indiretos). 
Tanto é que, como já explicado, a nova lei traz, na sua introdução, o escopo de “regular a 
recuperação judicial, a extrajudicial e a falência do empresário e da sociedade empresária”.
Para além disso, o instituto da concordata – compreendida como um benefício a que os 
empresários tinham de, em um prazo de até 2 (dois) anos2, pagar as dívidas quirografárias, 
o que se fazia a partir de uma parcela no final do primeiro ano de 40% (quarenta por cento) 
da dívida e, no final do segundo ano, dos 60% (sessenta por cento) remanescentes –, ainda 
que se afeiçoasse, de uma certa forma, como um meio (rudimentar) de recuperação 
empresarial, mas estava longe de atingir o mesmo objetivo desta.
É dizer, quem podia assegurar que aquele que solicitava a instauração do procedimento 
de concordata conseguiria pagar as suas dívidas em até 2 (dois) anos?
Pois bem, como não havia tal garantia de êxito na adoção de tal medida, não se atingia, 
na maioria dos casos, o objetivo de recuperação da atividade empresarial, visto que uma 
empresa que esteja enfrentando dificuldades econômicas deve ser, em verdade, “tratada”, 
localizando-se as origens dos problemas por ela enfrentados e solucionando-os, como se 
doente estivesse.
A concordata correspondia, então, a “um único e amargo remédio” ministrado para “toda 
e qualquer doença” enfrentada. De modo que, quando o empresário a requeria, muitos 
fornecedores, desde logo, simplesmente encerravam as suas relações com a empresa.
Ao final do primeiro ano, inclusive, caso não houvesse o pagamento das dívidas contraídas, 
era permitido ao juiz, até mesmo de ofício, decretar a falência, podendo fazê-lo, também, a 
partir de manifestação do Ministério Público ou de outro interessado legitimado para tanto.
A concordata, assim, se apresentava como um instrumento bastante ineficaz no âmbito 
do Direito Empresarial brasileiro.
2 Se optasse pelo pagamento à vista, ao devedor era concedido um desconto de 50% (cinquenta por cento) do valor devido.
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No quadro abaixo, compilamos as principais diferenças entre os institutos da extinta 
concordata e da recuperação judicial.
PRINCIPAIS DIFERENÇAS
Concordata Recuperação Judicial
Sujeita apenas os credores 
quirografários;
Limita-se à dilação de prazo para 
pagamento ou à remissão das dívidas;
Depende apenas de decisão judicial.
Sujeita os credores quirografários, os com 
garantia real, os privilegiados e os trabalhistas;
O plano de recuperação judicial abrange 
diferentes meios de reorganização patrimonial;
Depende de aprovação do plano pelos credores.
Diante do que expomos até aqui, é de se concluir, com segurança, que a Lei n. 11.101/2005, 
de fato, veio para trazer mudanças positivas e necessárias em relação ao diploma legal que 
até então regulava a matéria.
Não é por outro motivo que, segundo André Luiz Santa Cruz Ramos:
Dentre as principais alterações trazidas pela Lei n. 11.101/2005 (Lei de falênciae recuperação 
de empresas – LFRE), podemos citar as seguintes: (i) a substituição da ultrapassada figura 
da concordata pelo instituto da recuperação judicial; (ii) o aumento do prazo de contestação 
do processo de falência, de 24 horas para 10 dias; (iii) a exigência de que a impontualidade 
injustificada que embasa o pedido de falência seja relativo à dívida superior a 40 salários 
mínimos; (iv) a redução da participação do Ministério Público no processo falimentar, em razão 
do veto ao art. 4º; (v) alteração de regras relativas ao síndico, que passou a ser chamado de 
administrador judicial; (vi) a mudança na ordem de classificação dos créditos; (vii) a alteração 
nas regras relativas à ação revocatória; (viii) o fim da medida cautelar de verificação de contas; 
(ix) o fim do inquérito judicial para apuração de crime judicial; e (x) a criação da figura da 
recuperação extrajudicial.3
2. ÂMBITO DE APLICAÇÃO DA LEI N. 11.101/20052. ÂMBITO DE APLICAÇÃO DA LEI N. 11.101/2005
Pois bem, segundo o artigo 1º da Lei em referência, tem-se a seguinte redação: “Esta 
Lei disciplina a recuperação judicial, a recuperação extrajudicial e a falência do empresário 
e da sociedade empresária, doravante referidos simplesmente como devedor.”
3 RAMOS, André Luiz Santa Cruz. Direito empresarial. 3. ed. rev. e atual. Salvador/BA: JusPODIVM, 2020. p. 273.
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Disso se extrai que, além dos devedores civis – pessoas naturais insolventes que não 
sejam empresários individuais nos termos do artigo 966 do CC/20024 – também estão 
excluídas do regime falimentar as espécies de pessoas jurídicas previstas no artigo 44 da 
Lei Civil, à exceção das empresas individuais de responsabilidade limitada (EIRELI) e, por 
óbvio, das sociedades empresárias (não as simples5, ou as cooperativas):
Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado:
I – as associações;
II – as sociedades;
III – as fundações;
IV – as organizações religiosas;
V – os partidos políticos;
VI – as empresas individuais de responsabilidade limitada.
Para fins de registro, salienta-se que o fato de as EIRELI não terem constado da redação 
do artigo 1º da Lei de Falências se deve apenas à precedência desta norma em relação à 
Lei n. 12.441/2011, que alterou “a Lei n. 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), 
para permitir a constituição de empresa individual de responsabilidade limitada”. Assim, 
é pacífico o entendimento segundo o qual a Lei n. 11.101/2005 é perfeitamente aplicável 
às EIRELI, como pessoas jurídicas empresariais que são.
2.1. EMPRESAS PÚBLICAS (EP) E SOCIEDADES DE ECONOMIA MISTA (SEM)2.1. EMPRESAS PÚBLICAS (EP) E SOCIEDADES DE ECONOMIA MISTA (SEM)
Quanto às empresas públicas (EP) e às sociedades de economia mista (SEM), espécies 
de pessoas jurídicas de direito privado integrantes da estrutura orgânica da Administração 
Pública indireta (vide o artigo 4º, inciso II, alíneas ‘b’ e ‘c’, do Decreto-lei n. 200/676), o artigo 
2º, caput e inciso I, da Lei de Falências estabelece que:
Art. 2º Esta Lei não se aplica a:
I – empresa pública e sociedade de economia mista.
4 “Art. 966. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou 
a circulação de bens ou de serviços.
 Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, 
ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa.”
5 “Art. 982. Salvo as exceções expressas, considera-se empresária a sociedade que tem por objeto o exercício de atividade 
própria de empresário sujeito a registro (art. 967); e, simples, as demais.
 Parágrafo único. Independentemente de seu objeto, considera-se empresária a sociedade por ações; e, simples, a cooperativa.”
6 “Art. 4º A Administração Federal compreende:
 II – A Administração Indireta, que compreende as seguintes categorias de entidades, dotadas de personalidade jurídica própria:
 b) Empresas Públicas;
 c) Sociedades de Economia Mista.”
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Tal exclusão tem por fundamento, em verdade, o próprio texto Constitucional que, no 
inciso II do § 1º do art. 173, preceitua o que se segue:
§ 1º A lei estabelecerá o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de economia mista 
e de suas subsidiárias que explorem atividade econômica de produção ou comercialização de 
bens ou de prestação de serviços, dispondo sobre:
II – a sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto aos direitos 
e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários.
Vale dizer que a lei a que se refere o dispositivo da CF/88 em comento é a Lei n. 
13.303/2016, a qual, apesar de dispor “sobre o estatuto jurídico da empresa pública, da 
sociedade de economia mista e de suas subsidiárias, no âmbito da União, dos Estados, do 
Distrito Federal e dos Municípios”, nada traz quanto ao tema da falência, objeto do nosso 
estudo. Por tal motivo é que alguns doutrinadores defendem a aplicação da Lei de Falências 
às EP e às SEM, ainda que somente àquelas que têm por atividade central a exploração da 
atividade econômica (e não a prestação de serviços públicos).
2 .2 . soCieDaDes empresÁrias sUJeiTas À liQUiDaÇÃo eXTraJUDiCial2 .2 . soCieDaDes empresÁrias sUJeiTas À liQUiDaÇÃo eXTraJUDiCial
Semelhantemente ao que ocorre em relação às EP e às SEM, o artigo 2º da Lei de Falências, 
em seu inciso II, dispõe que:
Art. 2º Esta Lei não se aplica a:
II – instituição financeira pública ou privada, cooperativa de crédito, consórcio, entidade de 
previdência complementar, sociedade operadora de plano de assistência à saúde, sociedade 
seguradora, sociedade de capitalização e outras entidades legalmente equiparadas às anteriores.
Tratam-se, pois, de “agentes econômicos que atuam em mercados regulados”7, os quais, 
por possuírem diplomas normativos próprios – a exemplo da Lei n. 6.024/1974, quanto às 
instituições financeiras, e do Decreto-lei n. 73/1966, quanto às seguradoras –, submetem-se 
a um regime especial de liquidação extrajudicial que se difere dos procedimentos previstos 
na Lei n. 11.101/2005.
3 . aÇÕes JUDiCiais e CompeTÊNCia3 . aÇÕes JUDiCiais e CompeTÊNCia
Segundo o artigo 3º da Lei de Falências,
é competente para homologar o plano de recuperação extrajudicial, deferir a recuperação judicial 
ou decretar a falência o juízo do local do principal estabelecimento do devedor ou da filial de 
empresa que tenha sede fora do Brasil.
7 RAMOS, André Luiz Santa Cruz. Direito empresarial. 3. ed. rev. e atual. Salvador/BA: JusPODIVM, 2020. p. 276.
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Nesse cenário, importante definir que, “para fins do Direito Falimentar, o local do principal 
estabelecimento é aquele de onde partem as decisões empresariais, e nãonecessariamente 
a sede indicada no registro público” (Enunciado 466 da V Jornada de Direito Civil do CJF).
4 . iNTerVeNÇÃo Do miNisTÉrio pÚBliCo4 . iNTerVeNÇÃo Do miNisTÉrio pÚBliCo
Quando da tramitação do projeto que deu origem à Lei n. 11.101/2005, o artigo 4º, 
integralmente vetado, previa o seguinte:
Art. 4º O representante do Ministério Público intervirá nos processos de recuperação judicial e 
de falência.
Parágrafo único. Além das disposições previstas nesta Lei, o representante do Ministério Público 
intervirá em toda ação proposta pela massa falida ou contra esta.
Dessa forma, a partir redação vigente, é possível concluir que a atuação do Ministério 
Público no processo recuperacional ou falimentar se restringe a determinadas hipóteses 
que justificam a sua intervenção nos autos, a exemplo do que se observa nos artigos 22, 
§ 4º, e 142, § 7º:
Seção III 
Do Administrador Judicial e do Comitê de Credores
Art. 22. Ao administrador judicial compete, sob a fiscalização do juiz e do Comitê, além de 
outros deveres que esta Lei lhe impõe:
III – na falência:
e) apresentar, no prazo de 40 (quarenta) dias, contado da assinatura do termo de compromisso, 
prorrogável por igual período, relatório sobre as causas e circunstâncias que conduziram à 
situação de falência, no qual apontará a responsabilidade civil e penal dos envolvidos, observado 
o disposto no art. 186 desta Lei.
§ 4º Se o relatório de que trata a alínea e do inciso III do caput deste artigo apontar responsabilidade 
penal de qualquer dos envolvidos, o Ministério Público será intimado para tomar conhecimento 
de seu teor.
Art. 142. A alienação de bens dar-se-á por uma das seguintes modalidades
§ 7º Em qualquer modalidade de alienação, o Ministério Público e as Fazendas Públicas serão 
intimados por meio eletrônico, nos termos da legislação vigente e respeitadas as respectivas 
prerrogativas funcionais, sob pena de nulidade.
Sobre o tema, inclusive, mencionamos importante decisão do Superior Tribunal de 
Justiça no seguinte sentido:
JURISPRUDÊNCIA
COMERCIAL E PROCESSO CIVIL. PEDIDO DE FALÊNCIA A JUIZADO NA VIGÊNCIA DO DL N. 
7.661/45. INTERVENÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO EM AÇÃO CONEXA ANTES DO TRÂNSITO 
EM JULGADO DA DECISÃO QUE DECRETA A QUEBRA. POSSIBILIDADE. ANULAÇÃO DO 
PROCESSO. DEMONSTRAÇÃO DE PREJUÍZO. NECESSIDADE.
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1. Na vigência do DL 7.661/45 era possível a intervenção do Ministério Público durante 
todo o procedimento de quebra, inclusive em sua fase pré-falimentar, alcançando 
também as ações conexas.
2. Com o advento da Lei n. 11.101/2005, houve sensível alteração desse panorama, 
sobretudo ante a constatação de que o número excessivo de intervenções do Ministério 
Público vinha assoberbando o órgão e embaraçando o trâmite das ações falimentares. 
Diante disso, vetou-se o art. 4º da Lei n. 11.101/2005, que mantinha a essência do art. 
210 do DL 7.661/45, ficando a atuação do Ministério Público, atualmente, restrita 
às hipóteses expressamente previstas em lei.”
(Cf. REsp 1.230.431/SP, Terceira Turma, da relatoria da ministra Nancy Andrighi, DJe 
18/11/2011.)
5 . apliCaÇÃo sUBsiDiÁria Do CÓDiGo De proCesso 5 . apliCaÇÃo sUBsiDiÁria Do CÓDiGo De proCesso 
CIVIL (LEI N. 13.105/2015)CIVIL (LEI N. 13.105/2015)
Sobre o assunto, os artigos 189 a 191 da Lei n. 11.105/2005, com a redação dada pela 
recentíssima Lei n. 14.112/2020, nos ensinam que:
CAPÍTULO VIII 
DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS
Art. 189. Aplica-se, no que couber, aos procedimentos previstos nesta Lei, o disposto na Lei n. 
13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil), desde que não seja incompatível 
com os princípios desta Lei. (Redação dada pela Lei n. 14.112, de 2020)
§ 1º Para os fins do disposto nesta Lei: (Incluído pela Lei n. 14.112, de 2020)
I – todos os prazos nela previstos ou que dela decorram serão contados em dias corridos; e 
(Incluído pela Lei n. 14.112, de 2020)
II – as decisões proferidas nos processos a que se refere esta Lei serão passíveis de agravo 
de instrumento, exceto nas hipóteses em que esta Lei previr de forma diversa. (Incluído pela 
Lei n. 14.112, de 2020)
§ 2º Para os fins do disposto no art. 190 da Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de 
Processo Civil), a manifestação de vontade do devedor será expressa e a dos credores será obtida 
por maioria, na forma prevista no art. 42 desta Lei. (Incluído pela Lei n. 14.112, de 2020)
Art. 189-A. Os processos disciplinados nesta Lei e os respectivos recursos, bem como os processos, 
os procedimentos e a execução dos atos e das diligências judiciais em que figure como parte 
empresário individual ou sociedade empresária em regime de recuperação judicial ou extrajudicial 
ou de falência terão prioridade sobre todos os atos judiciais, salvo o habeas corpus e as prioridades 
estabelecidas em leis especiais. (Incluído pela Lei n. 14.112, de 2020)
Art. 190. Todas as vezes que esta Lei se referir a devedor ou falido, compreender-se-á que a 
disposição também se aplica aos sócios ilimitadamente responsáveis.
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Art. 191. Ressalvadas as disposições específicas desta Lei, as publicações ordenadas serão 
feitas em sítio eletrônico próprio, na internet, dedicado à recuperação judicial e à falência, e as 
intimações serão realizadas por notificação direta por meio de dispositivos móveis previamente 
cadastrados e autorizados pelo interessado. (Redação dada pela Lei n. 14.112, de 2020)
Ressalta-se que a mencionada Lei do ano de 2020 trouxe uma solução digna a complicações 
que até então se observavam em relação a determinados pontos da aplicação subsidiária do 
CPC à Lei de Falências, sobretudo quanto à espécie recursal adequada à impugnação das 
decisões interlocutórias proferidas nos processos falimentares (agravo de instrumento), 
bem assim quanto à forma adequada de contagem dos prazos previstos na Lei, isto é, se 
em dias corridos ou em dias úteis, apenas (cf., oportunamente, as decisões proferidas nos 
REsp 1.698.283/GO, 1.699.528/MG e 1.772.866/MT).
6 . sUJeiTos e FiGUras eNVolViDas No proCesso 6 . sUJeiTos e FiGUras eNVolViDas No proCesso 
FalimeNTarFalimeNTar
6 .1 . o aDmiNisTraDor JUDiCial6 .1 . o aDmiNisTraDor JUDiCial
Segundo o disposto no artigo 21 da Lei de Falências, tem-se que o administrador judicial 
é um profissional idôneo, “preferencialmente advogado, economista, administrador de 
empresas ou contador, ou pessoa jurídica especializada”.
Trata-se, pois, do síndico da falência – nomenclatura adotada em diversos pontos da Lei 
n. 11.101/2005 –, uma figura de destaque no processo falimentar e que atua como auxiliar 
do Juízo em diversos aspectos e como representante legal da massa falida.
Quando o administrador judicial é uma pessoa jurídica especializada, o p. único do 
artigo supra preceitua que deverá ser declarado “o nome de profissional responsável pela 
condução do processo de falência ou de recuperação judicial, que não poderá ser substituído 
sem autorização do juiz”.
Conforme o disposto no artigo 25, o administrador judicial deve ser remunerado pelos 
serviços prestados, seja pelo devedor (em caso de recuperação judicial), seja pela massa 
falida (em caso de falência). Valeressaltar que, havendo a contratação de pessoas para 
auxiliá-lo no desempenho de suas atribuições, essas também deverão ser remuneradas 
com quantias fixadas pelo juiz, de acordo com critérios que envolvem “a complexidade dos 
trabalhos a serem executados e os valores praticados no mercado para o desempenho de 
atividades semelhantes” (art. 21, § 1º).
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Acerca dos critérios de fixação do valor da remuneração percebida pelo síndico, o artigo 
24 e seus parágrafos nos dizem o seguinte:
Art. 24. O juiz fixará o valor e a forma de pagamento da remuneração do administrador judicial, 
observados a capacidade de pagamento do devedor, o grau de complexidade do trabalho e os 
valores praticados no mercado para o desempenho de atividades semelhantes.
§ 1º Em qualquer hipótese, o total pago ao administrador judicial não excederá 5% (cinco por 
cento) do valor devido aos credores submetidos à recuperação judicial ou do valor de venda dos 
bens na falência.
§ 2º Será reservado 40% (quarenta por cento) do montante devido ao administrador judicial 
para pagamento após atendimento do previsto nos arts. 154 e 155 desta Lei.
§ 3º O administrador judicial substituído será remunerado proporcionalmente ao trabalho 
realizado, salvo se renunciar sem relevante razão ou for destituído de suas funções por desídia, 
culpa, dolo ou descumprimento das obrigações fixadas nesta Lei, hipóteses em que não terá 
direito à remuneração.
§ 4º Também não terá direito a remuneração o administrador que tiver suas contas desaprovadas.
§ 5º A remuneração do administrador judicial fica reduzida ao limite de 2% (dois por cento), no 
caso de microempresas e de empresas de pequeno porte, bem como na hipótese de que trata 
o art. 70-A desta Lei.
Salienta-se que o artigo 154, mencionado no § 2º acima colacionado, diz respeito à 
apresentação das contas (relatório final) do administrador judicial ao juiz (no prazo de 
30 dias). O artigo 155, também mencionado, foi revogado. O artigo 156, por seu turno, 
estabelece que “apresentado o relatório final, o juiz encerrará a falência por sentença”, 
da qual cabe recurso de apelação (§ 6º do art. 154).
Por fim, cumpre registrar o rol de competências do administrador judicial, cuja leitura 
e compreensão são de grande importância o Exame da OAB. A partir da redação do caput 
do artigo 22, percebemos que o rol de atribuições, conquanto extenso, não é exaustivo 
(taxativo):
Art. 22. Ao administrador judicial compete, sob a fiscalização do juiz e do Comitê, além de 
outros deveres que esta Lei lhe impõe:
I – na recuperação judicial e na falência:
a) enviar correspondência aos credores constantes na relação de que trata o inciso III do caput do 
art. 51, o inciso III do caput do art. 99 ou o inciso II do caput do art. 105 desta Lei, comunicando 
a data do pedido de recuperação judicial ou da decretação da falência, a natureza, o valor e a 
classificação dada ao crédito;
b) fornecer, com presteza, todas as informações pedidas pelos credores interessados;
c) dar extratos dos livros do devedor, que merecerão fé de ofício, a fim de servirem de fundamento 
nas habilitações e impugnações de créditos;
d) exigir dos credores, do devedor ou seus administradores quaisquer informações;
e) elaborar a relação de credores de que trata o § 2º do art. 7º desta Lei;
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f) consolidar o quadro-geral de credores nos termos do art. 18 desta Lei;
g) requerer ao juiz convocação da assembleia-geral de credores nos casos previstos nesta Lei 
ou quando entender necessária sua ouvida para a tomada de decisões;
h) contratar, mediante autorização judicial, profissionais ou empresas especializadas para, 
quando necessário, auxiliá-lo no exercício de suas funções;
i) manifestar-se nos casos previstos nesta Lei;
j) estimular, sempre que possível, a conciliação, a mediação e outros métodos alternativos de 
solução de conflitos relacionados à recuperação judicial e à falência, respeitados os direitos 
de terceiros, na forma do § 3º do art. 3º da Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de 
Processo Civil); (Incluído pela Lei n. 14.112, de 2020)
k) manter endereço eletrônico na internet, com informações atualizadas sobre os processos 
de falência e de recuperação judicial, com a opção de consulta às peças principais do processo, 
salvo decisão judicial em sentido contrário; (Incluído pela Lei n. 14.112, de 2020)
l) manter endereço eletrônico específico para o recebimento de pedidos de habilitação ou a 
apresentação de divergências, ambos em âmbito administrativo, com modelos que poderão 
ser utilizados pelos credores, salvo decisão judicial em sentido contrário; (Incluído pela Lei n. 
14.112, de 2020)
m) providenciar, no prazo máximo de 15 (quinze) dias, as respostas aos ofícios e às solicitações 
enviadas por outros juízos e órgãos públicos, sem necessidade de prévia deliberação do juízo;
II – na recuperação judicial:
a) fiscalizar as atividades do devedor e o cumprimento do plano de recuperação judicial;
b) requerer a falência no caso de descumprimento de obrigação assumida no plano de recuperação;
c) apresentar ao juiz, para juntada aos autos, relatório mensal das atividades do devedor, 
fiscalizando a veracidade e a conformidade das informações prestadas pelo devedor; (Redação 
dada pela Lei n. 14.112, de 2020)
d) apresentar o relatório sobre a execução do plano de recuperação, de que trata o inciso III do 
caput do art. 63 desta Lei;
e) fiscalizar o decurso das tratativas e a regularidade das negociações entre devedor e credores; 
(Incluído pela Lei n. 14.112, de 2020)
f) assegurar que devedor e credores não adotem expedientes dilatórios, inúteis ou, em geral, 
prejudiciais ao regular andamento das negociações; (Incluído pela Lei n. 14.112, de 2020)
g) assegurar que as negociações realizadas entre devedor e credores sejam regidas pelos termos 
convencionados entre os interessados ou, na falta de acordo, pelas regras propostas pelo 
administrador judicial e homologadas pelo juiz, observado o princípio da boa-fé para solução 
construtiva de consensos, que acarretem maior efetividade econômico-financeira e proveito 
social para os agentes econômicos envolvidos; (Incluído pela Lei n. 14.112, de 2020)
h) apresentar, para juntada aos autos, e publicar no endereço eletrônico específico relatório 
mensal das atividades do devedor e relatório sobre o plano de recuperação judicial, no prazo de 
até 15 (quinze) dias contado da apresentação do plano, fiscalizando a veracidade e a conformidade 
das informações prestadas pelo devedor, além de informar eventual ocorrência das condutas 
previstas no art. 64 desta Lei; (Incluído pela Lei n. 14.112, de 2020)
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III – na falência:
a) avisar, pelo órgão oficial, o lugar e hora em que, diariamente, os credores terãoà sua disposição 
os livros e documentos do falido;
b) examinar a escrituração do devedor;
c) relacionar os processos e assumir a representação judicial e extrajudicial, incluídos os processos 
arbitrais, da massa falida; (Redação dada pela Lei n. 14.112, de 2020)
d) receber e abrir a correspondência dirigida ao devedor, entregando a ele o que não for assunto 
de interesse da massa;
e) apresentar, no prazo de 40 (quarenta) dias, contado da assinatura do termo de compromisso, 
prorrogável por igual período, relatório sobre as causas e circunstâncias que conduziram à 
situação de falência, no qual apontará a responsabilidade civil e penal dos envolvidos, observado 
o disposto no art. 186 desta Lei;
f) arrecadar os bens e documentos do devedor e elaborar o auto de arrecadação, nos termos 
dos arts. 108 e 110 desta Lei;
g) avaliar os bens arrecadados;
h) contratar avaliadores, de preferência oficiais, mediante autorização judicial, para a avaliação 
dos bens caso entenda não ter condições técnicas para a tarefa;
i) praticar os atos necessários à realização do ativo e ao pagamento dos credores;
j) proceder à venda de todos os bens da massa falida no prazo máximo de 180 (cento e oitenta) 
dias, contado da data da juntada do auto de arrecadação, sob pena de destituição, salvo por 
impossibilidade fundamentada, reconhecida por decisão judicial; (Redação dada pela Lei n. 
14.112, de 2020)
l) praticar todos os atos conservatórios de direitos e ações, diligenciar a cobrança de dívidas e 
dar a respectiva quitação;
m) remir, em benefício da massa e mediante autorização judicial, bens apenhados, penhorados 
ou legalmente retidos;
n) representar a massa falida em juízo, contratando, se necessário, advogado, cujos honorários 
serão previamente ajustados e aprovados pelo Comitê de Credores;
o) requerer todas as medidas e diligências que forem necessárias para o cumprimento desta 
Lei, a proteção da massa ou a eficiência da administração;
p) apresentar ao juiz para juntada aos autos, até o 10º (décimo) dia do mês seguinte ao vencido, 
conta demonstrativa da administração, que especifique com clareza a receita e a despesa;
q) entregar ao seu substituto todos os bens e documentos da massa em seu poder, sob pena 
de responsabilidade;
r) prestar contas ao final do processo, quando for substituído, destituído ou renunciar ao cargo;
s) arrecadar os valores dos depósitos realizados em processos administrativos ou judiciais 
nos quais o falido figure como parte, oriundos de penhoras, de bloqueios, de apreensões, de 
leilões, de alienação judicial e de outras hipóteses de constrição judicial, ressalvado o disposto 
nas Leis nos 9.703, de 17 de novembro de 1998, e 12.099, de 27 de novembro de 2009, e na Lei 
Complementar n. 151, de 5 de agosto de 2015. (Incluído pela Lei n. 14.112, de 2020)
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6 .2 . o ComiTÊ De CreDores6 .2 . o ComiTÊ De CreDores
O comitê de credores, órgão não obrigatório no processo falimentar, possui as seguintes 
atribuições, além de outras previstas na Lei n. 11.101/2005:
I – na recuperação judicial e na falência:
a) fiscalizar as atividades e examinar as contas do administrador judicial;
b) zelar pelo bom andamento do processo e pelo cumprimento da lei;
c) comunicar ao juiz, caso detecte violação dos direitos ou prejuízo aos interesses dos credores;
d) apurar e emitir parecer sobre quaisquer reclamações dos interessados;
e) requerer ao juiz a convocação da assembleia-geral de credores;
f) manifestar-se nas hipóteses previstas nesta Lei;
II – na recuperação judicial:
a) fiscalizar a administração das atividades do devedor, apresentando, a cada 30 (trinta) dias, 
relatório de sua situação;
b) fiscalizar a execução do plano de recuperação judicial;
c) submeter à autorização do juiz, quando ocorrer o afastamento do devedor nas hipóteses 
previstas nesta Lei, a alienação de bens do ativo permanente, a constituição de ônus reais e 
outras garantias, bem como atos de endividamento necessários à continuação da atividade 
empresarial durante o período que antecede a aprovação do plano de recuperação judicial.
(Art. 27 da Lei de Falências)
Devido à sua natureza facultativa, entende-se que, “não havendo Comitê de Credores, 
caberá ao administrador judicial ou, na incompatibilidade deste, ao juiz exercer suas 
atribuições” (Art. 28).
Nesse sentido, de acordo com o artigo 99, inciso XII, uma das faculdades reconhecidas 
ao juiz responsável pela condução do processo é justamente a de determinar, na sentença 
que decreta a falência do devedor,
quando entender conveniente, a convocação da assembleia-geral de credores para a constituição 
de Comitê de Credores, podendo ainda autorizar a manutenção do Comitê eventualmente em 
funcionamento na recuperação judicial quando da decretação da falência.
Sobre os membros, impende pontuar que o Comitê deve ser “constituído por deliberação 
de qualquer das classes de credores na assembleia-geral” (Art. 26.), sendo a sua composição 
a seguinte (incisos I a IV):
I – 1 (um) representante indicado pela classe de credores trabalhistas, com 2 (dois) suplentes;
II – 1 (um) representante indicado pela classe de credores com direitos reais de garantia ou 
privilégios especiais, com 2 (dois) suplentes;
III – 1 (um) representante indicado pela classe de credores quirografários e com privilégios gerais, 
com 2 (dois) suplentes;
IV – 1 (um) representante indicado pela classe de credores representantes de microempresas e 
empresas de pequeno porte, com 2 (dois) suplentes.
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Desse modo, conclui-se que o Comitê funciona com 4 (quatro) membros, em regra, 
na medida em que “a falta de indicação de representante por quaisquer das classes não 
prejudicará a constituição do Comitê, que poderá funcionar com número inferior ao 
previsto no caput deste artigo” (§ 1º do Art. 26).
Sobre o desempenho das atribuições, é importante dizer que, ao contrário do que ocorre 
com o administrador judicial,
os membros do Comitê não terão sua remuneração custeada pelo devedor ou pela massa 
falida, mas as despesas realizadas para a realização de ato previsto nesta Lei, se devidamente 
comprovadas e com a autorização do juiz, serão ressarcidas atendendo às disponibilidades de 
caixa (Art. 29).
À derradeira, cumpre acentuar que as decisões pelo Comitê de credores são tomadas 
por maioria, devendo também “ser consignadas em livro de atas, rubricado pelo juízo, que 
ficará à disposição do administrador judicial, dos credores e do devedor” (§ 1º do Art. 27). 
Nada obstante, “caso não seja possível a obtenção de maioria em deliberação do Comitê, 
o impasse será resolvido pelo administrador judicial ou, na incompatibilidade deste, pelo 
juiz” (§ 2º desse mesmo artigo).
6 .3 . DesTiTUiÇÃo e respoNsaBiliZaÇÃo Do aDmiNisTraDor JUDiCial 6 .3 . DesTiTUiÇÃo e respoNsaBiliZaÇÃo Do aDmiNisTraDor JUDiCial 
e Dos memBros Do ComiTÊ De CreDorese Dos memBros Do ComiTÊ De CreDores
Sobre o afastamento das funções das quais tratamos nos tópicos antecedentes, o artigo 
31 da Lei de Falência estabelece que “o juiz, de ofício ou a requerimento fundamentado 
de qualquer interessado, poderá determinar a destituição do administrador judicial ou 
de quaisquerdos membros do Comitê de Credores quando verificar desobediência aos 
preceitos desta Lei, descumprimento de deveres, omissão, negligência ou prática de ato 
lesivo às atividades do devedor ou a terceiros”.
Portanto, a destituição pode ocorrer por motivos de:
• Desobediência aos preceitos da Lei;
• Descumprimento de deveres;
• Omissão;
• Negligência;
• Prática de ato lesivo às atividades do devedor ou a terceiros.
Importante dizer também que, ao proceder de tal forma, deve o juiz, no próprio ato de 
destituição, nomear novo administrador judicial ou convocar os suplentes para recompor 
o Comitê (§ 1º). Na falência, caso a destituição ocorra em face do administrador judicial, 
deverá o substituído apresentar relatório – prestar contas – acerca de sua atuação até 
aquele momento, no prazo de 10 (dez) dias (§ 2º do art. 31), nos mesmos moldes do que 
ocorreria caso desempenhasse regularmente o seu papel até o final do processo (isto é, 
nos termos do art. 154).
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Lado outro, acerca da eventual responsabilização (subjetiva) pelos atos praticados, 
o artigo 32 da Lei n. 11.101/2005 dispõe que “o administrador judicial e os membros do 
Comitê responderão pelos prejuízos causados à massa falida, ao devedor ou aos credores por 
dolo ou culpa, devendo o dissidente em deliberação do Comitê consignar sua discordância 
em ata para eximir-se da responsabilidade”.
6.4. A ASSEMBLEIA-GERAL DE CREDORES6.4. A ASSEMBLEIA-GERAL DE CREDORES
Para encerrarmos, estudaremos um dos mais importantes – e recorrentemente cobrados 
– órgãos presentes nos processos falimentares, qual seja, a Assembleia-geral de credores, 
prevista nos artigos 35 a 46 da Lei n. 11.101/2005.
De início, devemos registrar que o artigo 41 da Lei de Falências nos traz as diferentes 
classes de credores que compõem a Assembleia-geral, a saber:
I – titulares de créditos derivados da legislação do trabalho ou decorrentes de acidentes de 
trabalho;
II – titulares de créditos com garantia real;
III – titulares de créditos quirografários, com privilégio especial, com privilégio geral ou 
subordinados;
IV – titulares de créditos enquadrados como microempresa ou empresa de pequeno porte.
Nesse ponto, há de se observar que um mesmo credor pode figurar em mais de uma 
classe no âmbito da Assembleia-geral, seja em razão das distintas naturezas dos créditos 
dos quais eventualmente é titular, seja por ocasião dos montantes aos quais tem direito. 
Prova disso é que o § 2º do artigo 41 dispõe que “os titulares de créditos com garantia real 
votam com a classe prevista no inciso II do caput deste artigo até o limite do valor do bem 
gravado e com a classe prevista no inciso III do caput deste artigo pelo restante do valor 
de seu crédito”. Perceberam a diferença?
Sobre a competência deliberativa da Assembleia-geral, por seu turno, o artigo 35 
dispõe o seguinte:
Art. 35. A assembleia-geral de credores terá por atribuições deliberar sobre:
I – na recuperação judicial:
a) aprovação, rejeição ou modificação do plano de recuperação judicial apresentado pelo devedor;
b) a constituição do Comitê de Credores, a escolha de seus membros e sua substituição;
d) o pedido de desistência do devedor, nos termos do § 4º do art. 52 desta Lei;
e) o nome do gestor judicial, quando do afastamento do devedor;
f) qualquer outra matéria que possa afetar os interesses dos credores;
g) alienação de bens ou direitos do ativo não circulante do devedor, não prevista no plano de 
recuperação judicial; (Incluído pela Lei n. 14.112, de 2020)
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II – na falência:
b) a constituição do Comitê de Credores, a escolha de seus membros e sua substituição;
c) a adoção de outras modalidades de realização do ativo, na forma do art. 145 desta Lei;
d) qualquer outra matéria que possa afetar os interesses dos credores.
A respeito do quórum necessário às decisões em Assembleia-geral, podemos afirmar que, 
a priori, estão são consideradas aprovadas quando obtidos votos favoráveis dos credores 
que representam “mais da metade do valor total dos créditos presentes à assembleia-
geral” (Art. 42), sendo que a regra supra não aplicável, porém, às deliberações que envolvam:
• a) Aprovação, rejeição ou modificação do plano de recuperação judicial;
• b) Composição do Comitê de Credores;
• c) Forma alternativa de realização do ativo.
Sobre as decisões acerca do plano de recuperação judicial, “todas as classes de credores 
referidas no art. 41 desta Lei deverão aprovar a proposta” (Art. 45). As regras específicas 
para as votações em cada uma das 4 (quatro) classes de credores estão delineadas nos §§ 
desse mesmo artigo8.
Sob outro aspecto, tem-se que, “na escolha dos representantes de cada classe no Comitê 
de Credores, somente os respectivos membros poderão votar” (Art. 44).
Por fim, caso a deliberação diga respeito à aprovação de forma alternativa de realização 
do ativo na falência (prevista no art. 145 da Lei), o artigo 46 estabelece que a sua aprovação 
“dependerá do voto favorável de credores que representem 2/3 (dois terços) dos créditos 
presentes à assembleia”.
Sobre a força das deliberações tomadas em Assembleia-geral de credores, é pacífico 
o entendimento segundo o qual, conquanto sejam soberanas – isto é, imunes à análise 
e interferência / modificação meritória por parte do Poder Judiciário –, submetem-se a 
um controle de legalidade, tal como ocorre, por exemplo, com os atos administrativos 
discricionários praticados no âmbito da Administração Pública (não passíveis de revogação, 
mas tão somente de anulação).
8 “§ 1º Em cada uma das classes referidas nos incisos II e III do art. 41 desta Lei, a proposta deverá ser aprovada por cre-
dores que representem mais da metade do valor total dos créditos presentes à assembleia e, cumulativamente, pela 
maioria simples dos credores presentes.
 § 2º Nas classes previstas nos incisos I e IV do art. 41 desta Lei, a proposta deverá ser aprovada pela maioria simples dos 
credores presentes, independentemente do valor de seu crédito. (Redação dada pela Lei Complementar n. 147, de 2014)
 § 3º O credor não terá direito a voto e não será considerado para fins de verificação de quórum de deliberação se o plano 
de recuperação judicial não alterar o valor ou as condições originais de pagamento de seu crédito.”
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Sobre o tema, inclusive já se manifestou o STJ no sentido de que
JURISPRUDÊNCIA
A assembleia de credores é soberana em suas decisões quanto aos planos de 
recuperação judicial. Contudo, as deliberações desse plano estão sujeitas aos requisitos 
de validade dos atos jurídicos em geral, requisitos esses que estão sujeitos a controle 
judicial (cf. REsp 1.314.209/SP, Terceira Turma, da relatoria da ministra Nancy Andrighi, 
DJe 1º/06/2012).
Apenas para expandir a sua noção acerca do assunto,sugerimos também a leitura dos 
Enunciados 44 a 46 da I Jornada de Direito Comercial do CJF, redigidos nos seguintes termos:
JURISPRUDÊNCIAS
Enunciado 44 – A homologação de plano de recuperação judicial aprovado pelos 
credores está sujeita ao controle judicial de legalidade.
Enunciado 45 – O magistrado pode desconsiderar o voto de credores ou a manifestação 
de vontade do devedor, em razão de abuso de direito.
Enunciado 46 – Não compete ao juiz deixar de conceder a recuperação judicial ou de 
homologar a extrajudicial com fundamento na análise econômico-financeira do plano 
de recuperação aprovado pelos credores.
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QUESTÕES DE CONCURSOQUESTÕES DE CONCURSO
001. 001. (FGV/XXXIII EXAME DE ORDEM UNIFICADO/2021) Na Comarca de Imperatriz/MA 
funcionam 4 (quatro) Varas Cíveis, com competência concorrente para o julgamento 
de causas de falência e recuperação judicial. Em 22 de agosto de 2019, foi apresentado 
requerimento de falência de uma sociedade empresária enquadrada como empresa de 
pequeno porte, com principal estabelecimento naquele município. O requerimento foi 
distribuído para a 3ª Vara Cível.
Tendo sido determinada a citação do devedor, no prazo da contestação, Coelho Dutra, 
administrador e representante legal da sociedade, requereu sua recuperação judicial, 
devidamente autorizado por deliberação dos sócios.
Com base nestas informações, assinale a afirmativa correta.
a) O requerimento de recuperação judicial não está sujeito à distribuição por dependência, 
podendo ser apreciado por qualquer um dos quatro juízos cíveis da comarca.
b) A distribuição do pedido de falência previne a jurisdição para o pedido de recuperação 
judicial formulado pelo devedor, de modo que será competente o juízo da 3ª Vara Cível.
c) Por se tratar de devedor enquadrado como empresa de pequeno porte, há tratamento 
diferenciado para o pedido de recuperação judicial, estando prevento o juízo que conheceu 
do pedido de falência.
d) Como o devedor não se enquadra na definição legal de microempresa (incluído o 
microempreendedor individual), o requerimento de recuperação judicial não está sujeito 
à distribuição por dependência.
002. 002. (FGV/XXVI EXAME DE ORDEM UNIFICADO/2018) Antes da decretação de falência da 
sociedade Talismã & Sandolândia Ltda., foi ajuizada ação de execução por título extrajudicial 
por Frigorífico Rio Sono Ltda., esta enquadrada como empresa de pequeno porte.
Com a notícia da decretação da falência pela publicação da sentença no Diário da Justiça, 
o advogado da exequente tomará ciência de que a execução do título extrajudicial
a) não será suspensa, em razão do enquadramento da credora como empresa de pequeno 
porte.
b) está suspensa pelo prazo improrrogável de 180 (cento e oitenta) dias, contados da 
publicação da sentença.
c) não será suspensa, em razão de ter sido ajuizada pelo credor antes da decretação da 
falência.
d) está suspensa, devendo o credor se submeter às regras do processo falimentar e ter seu 
crédito verificado e classificado.
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003. 003. (FGV/XXIV EXAME DE ORDEM UNIFICADO/2017) O empresário individual Ives Diniz, em 
conluio com seus dois primos, realizou empréstimos simulados a fim de obter crédito para 
si; por esse e outros motivos, foi decretada sua falência.
No curso do processo falimentar, o administrador judicial verificou a prática de outros atos praticados 
pelo devedor e seus primos, antes da falência; entre eles, a transferência de bens do estabelecimento 
a terceiros lastreados em pagamentos de dívidas fictícias, com nítido prejuízo à massa.
De acordo com o enunciado e as disposições da Lei de Falência e Recuperação de Empresas, 
o advogado contratado pelo administrador judicial para defender os direitos e interesses 
da massa deverá
a) requerer, no juízo da falência, a instauração do incidente de desconsideração da 
personalidade jurídica.
b) ajuizar ação revocatória em nome da massa falida no juízo da falência.
c) ajuizar ação pauliana em nome do administrador judicial no juízo cível.
d) requerer, no juízo da falência, o sequestro dos bens dos primos do empresário como 
medida antecedente à ação de responsabilidade civil.
004. 004. (FGV/VII EXAME DE ORDEM UNIFICADO/2012) Dentre as alternativas abaixo, indique 
aquela que corresponde a um crédito que deve ser classificado como extraconcursal:
a) Multas por infração do Código de Postura Municipal.
b) Custas judiciais relativas às ações e execuções em que a massa tenha sido vencida.
c) Créditos quirografários sujeitos à recuperação judicial pertencentes a fornecedores de bens 
ou serviços que continuaram a provê-lo normalmente após o pedido de recuperação judicial.
d) Os saldos dos créditos não cobertos pelo produto da alienação dos bens vinculados ao 
seu pagamento.
005. 005. (FGV/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XXXII/PRIMEIRA FASE/2021) A sociedade Nerópolis 
Fretamentos de Cargas Ltda. está passando por grave crise financeira e precisa, com a 
máxima urgência, pleitear recuperação judicial. A pedido de um dos administradores, o 
sócio Irapuan Pinheiro, titular de 70% do capital social, autorizou o pedido de recuperação 
judicial por esse administrador, o que foi feito.
Acerca da situação narrada, assinale a afirmativa correta.
a) A conduta do sócio Irapuan Pinheiro foi ilícita, pois somente por decisão unânime dos 
sócios é possível pleitear a recuperação judicial de sociedade limitada.
b) A conduta do administrador foi lícita, pois é dispensável, em qualquer caso, a manifestação 
da assembleia de sócios para o pedido de recuperação judicial de sociedade limitada.
c) A conduta do sócio Irapuan Pinheiro foi lícita, pois, em caso de urgência, é possível a 
qualquer sócio titular de mais da metade do capital social autorizar os administradores a 
requerer recuperação judicial.
d) A conduta do administrador foi ilícita, pois deveria ter sido convocada assembleia de sócios 
para deliberar sobre a matéria com quórum de, no mínimo, 3/4 (três quartos) do capital social.
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GABARITOGABARITO
1. b
2. d
3. b
4. b
5. c
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GABARITO COMENTADOGABARITO COMENTADO
001. 001. (FGV/XXXIII EXAME DE ORDEM UNIFICADO/2021) Na Comarca de Imperatriz/MA 
funcionam 4 (quatro) Varas Cíveis, com competência concorrente para o julgamento 
de causas de falência e recuperação judicial. Em 22 de agosto de 2019, foi apresentado 
requerimento de falência de uma sociedade empresária enquadrada comoempresa de 
pequeno porte, com principal estabelecimento naquele município. O requerimento foi 
distribuído para a 3ª Vara Cível.
Tendo sido determinada a citação do devedor, no prazo da contestação, Coelho Dutra, 
administrador e representante legal da sociedade, requereu sua recuperação judicial, 
devidamente autorizado por deliberação dos sócios.
Com base nestas informações, assinale a afirmativa correta.
a) O requerimento de recuperação judicial não está sujeito à distribuição por dependência, 
podendo ser apreciado por qualquer um dos quatro juízos cíveis da comarca.
b) A distribuição do pedido de falência previne a jurisdição para o pedido de recuperação 
judicial formulado pelo devedor, de modo que será competente o juízo da 3ª Vara Cível.
c) Por se tratar de devedor enquadrado como empresa de pequeno porte, há tratamento 
diferenciado para o pedido de recuperação judicial, estando prevento o juízo que conheceu 
do pedido de falência.
d) Como o devedor não se enquadra na definição legal de microempresa (incluído o 
microempreendedor individual), o requerimento de recuperação judicial não está sujeito 
à distribuição por dependência.
Segundo a Lei n. 11.101/2005:
Art. 6º A decretação da falência ou o deferimento do processamento da recuperação judicial 
implica:
§ 8º A distribuição do pedido de falência ou de recuperação judicial ou a homologação de recuperação 
extrajudicial previne a jurisdição para qualquer outro pedido de falência, de recuperação judicial 
ou de homologação de recuperação extrajudicial relativo ao mesmo devedor.
Letra b.
002. 002. (FGV/XXVI EXAME DE ORDEM UNIFICADO/2018) Antes da decretação de falência da 
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Com a notícia da decretação da falência pela publicação da sentença no Diário da Justiça, 
o advogado da exequente tomará ciência de que a execução do título extrajudicial
a) não será suspensa, em razão do enquadramento da credora como empresa de pequeno 
porte.
b) está suspensa pelo prazo improrrogável de 180 (cento e oitenta) dias, contados da 
publicação da sentença.
c) não será suspensa, em razão de ter sido ajuizada pelo credor antes da decretação da 
falência.
d) está suspensa, devendo o credor se submeter às regras do processo falimentar e ter seu 
crédito verificado e classificado.
Segundo a Lei n. 11.101/2005:
Art. 6º A decretação da falência ou o deferimento do processamento da recuperação judicial 
implica:
§ 4º Na recuperação judicial, as suspensões e a proibição de que tratam os incisos I, II e III do 
caput deste artigo perdurarão pelo prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contado do deferimento 
do processamento da recuperação, prorrogável por igual período, uma única vez, em caráter 
excepcional, desde que o devedor não haja concorrido com a superação do lapso temporal.
Letra d.
003. 003. (FGV/XXIV EXAME DE ORDEM UNIFICADO/2017) O empresário individual Ives Diniz, em 
conluio com seus dois primos, realizou empréstimos simulados a fim de obter crédito para 
si; por esse e outros motivos, foi decretada sua falência.
No curso do processo falimentar, o administrador judicial verificou a prática de outros atos 
praticados pelo devedor e seus primos, antes da falência; entre eles, a transferência de 
bens do estabelecimento a terceiros lastreados em pagamentos de dívidas fictícias, com 
nítido prejuízo à massa.
De acordo com o enunciado e as disposições da Lei de Falência e Recuperação de Empresas, 
o advogado contratado pelo administrador judicial para defender os direitos e interesses 
da massa deverá
a) requerer, no juízo da falência, a instauração do incidente de desconsideração da 
personalidade jurídica.
b) ajuizar ação revocatória em nome da massa falida no juízo da falência.
c) ajuizar ação pauliana em nome do administrador judicial no juízo cível.
d) requerer, no juízo da falência, o sequestro dos bens dos primos do empresário como 
medida antecedente à ação de responsabilidade civil.
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Segundo a Lei n. 11.101/2005:
Art. 130. São revogáveis os atos praticados com a intenção de prejudicar credores, provando-se 
o conluio fraudulento entre o devedor e o terceiro que com ele contratar e o efetivo prejuízo 
sofrido pela massa falida.
Letra b.
004. 004. (FGV/VII EXAME DE ORDEM UNIFICADO/2012) Dentre as alternativas abaixo, indique 
aquela que corresponde a um crédito que deve ser classificado como extraconcursal:
a) Multas por infração do Código de Postura Municipal.
b) Custas judiciais relativas às ações e execuções em que a massa tenha sido vencida.
c) Créditos quirografários sujeitos à recuperação judicial pertencentes a fornecedores de bens 
ou serviços que continuaram a provê-lo normalmente após o pedido de recuperação judicial.
d) Os saldos dos créditos não cobertos pelo produto da alienação dos bens vinculados ao 
seu pagamento.
Segundo a Lei n. 11.101/2005:
a) Errada.
Art. 83. A classificação dos créditos na falência obedece à seguinte ordem:
VII – as multas contratuais e as penas pecuniárias por infração das leis penais ou administrativas, 
inclusive as multas tributárias.
b) Certa.
Art. 84. Serão considerados créditos extraconcursais e serão pagos com precedência sobre os 
mencionados no art. 83 desta Lei, na ordem a seguir, os relativos a:
IV – custas judiciais relativas às ações e execuções em que a massa falida tenha sido vencida.
c) Errada.
Art. 67. Os créditos decorrentes de obrigações contraídas pelo devedor durante a recuperação 
judicial, inclusive aqueles relativos a despesas com fornecedores de bens ou serviços e contratos 
de mútuo, serão considerados extraconcursais, em caso de decretação de falência, respeitada, 
no que couber, a ordem estabelecida no art. 83 desta Lei.
d) Errada.
Art. 83. A classificação dos créditos na falência obedece à seguinte ordem:
VI – créditos quirografários, a saber:
b) os saldos dos créditos não cobertos pelo produto da alienação dos bens vinculados ao seu pagamento.
Letra b.
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005. 005. (FGV/EXAME DA ORDEM UNIFICADO XXXII/PRIMEIRA FASE/2021) A sociedade Nerópolis 
Fretamentos de Cargas Ltda. está passando por grave crise financeira e precisa, com a 
máxima urgência, pleitear recuperação judicial. A pedido de um dos administradores, o 
sócio Irapuan Pinheiro, titular de 70% do capital social, autorizou o pedido de recuperação 
judicial por esse administrador, o que foi feito.
Acerca da situação narrada, assinale a afirmativa correta.
a) A conduta do sócio Irapuan Pinheiro foi ilícita, pois somente por decisão unânime dos 
sócios é possível pleitear a recuperação judicial de sociedade limitada.
b) A conduta do administrador foi lícita,

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