Mormo fixação
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Mormo fixação


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aI. (2000). Esses achados
caracterizam a doença e auxiliam na indicação do diagnóstico, principalmente em regiões
endêrnicas para o mormo, quando os animais são submetidos à terapia para doença
respiratória e linfática, sem sucesso terapêutica. Contudo, as variáveis clínicas, hipertrofia de
nódulos linfáticos submandibulares e caquexia tiveram significância no teste de diferença
entre proporções para a análise de dispersão de freqüências, ou seja, esses achados podem ser
utilizados como indicadores clínicos principalmente na fase crônica da doença, muito embora
em alguns casos de campo seja difícil a diferenciação das fases, pois alguns sintomas são
comuns em ambas as fases.
A tosse e o lacrimejamento relatada por alguns autores não foram observados neste
estudo, e isto se deveu provavelmente ao não acompanhamento sistemático dos animais nas
propriedades por um período maior de tempo que possibilitasse essa observação. Em
contrapartida -a taquipnéia observada em 20% dos animais do G3 não foi citada na literatura
consultada.
Rabelo, S.S.A. et alo Indicadores clínicos em muares naturalmente infectados pela Burkholderia mallei. Veto e
Zootec. Y.13, n.1, p.54-62. 2006.
ISSN 0102-5716 Veterinária e Zootecnia 59
Artrite
Edema peitoral \u2022\u2022\u2022
Edema de prepúcio \u2022\u2022\u2022\u2022 1
Taquipnéia
Nódulos nos vasos linfáticos
Abscesso subcutâneo
Dispnéia
Úlcera nasal
Claudicação
Hiperterm ia
Cicatriz em estrela
Hiperemia de mucosa nasal
Edema de membros
Estertores respiratórios
Descarga nasal purulenta .3~331
Hipertrofia linfonodos submandibulares
Caquexia .3"3]
0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70%
Percentagem
80%
Gráfico 1. Distribuição percentual dos indicadores clínicos dos muares acometidos por
mormo, criados no estado de Pernambuco, 2003
Não houve diferença entre proporções para a análise de dispersão de freqüência para a
presença de descarga nasal purulenta, este indicador clínico esteve presente na grande maioria
dos animais do G3 e deve ser considerado no diagnóstico clínico do mormo. Ainda, com
relação a este indicador clínico, a freqüência foi mais elevada (Tabela 2) nos animais deste
grupo. A descarga nasal purulenta observada foi bilateral com ausência de sangue no
momento da realização do exame clínico, contrariando as observações feitas por Knottenbelt
& Pascoe (1998) que relataram somente corrimento unilateral em quase todos os casos de
mormo.
Rabelo, S.S.A. et alo Indicadores clínicos em muares naturalmente infectados pela Burkholderia mallei. Veto e
Zootec. v.13, n.l , p.54-62. 2006. '
ISSN 0102-5716 Veterinária e Zootecnia 60
Tabela 2. Teste de diferença entre proporções para análise de distribuição de freqüência de
algumas variações clínicas do sistema respiratório de muares acometidos por mormo, estado
de Pernambuco - 2003
Tipos de Alterações FA % Estatística *
Unilateral
Bilateral
Descarga Nasal
13,33 b
53,33 a
Ruídos Pulmonares
36,67 a
26,67 a
Mucosa Nasal
Com úlcera 11 36,67 a
Com cicatriz 14 46,67 a
4
16
2 2X Calco > X Tab.
X2 Calco = 7,20
Seco
Úmido
11
8
X2 2Calco < X Tab.
2X Calc. = 0,48
2 2X Calco < X Tab.
2X Calco = 3,20
* X2Tab·1GL = 3,84 em nível de 5%; FA - Freqüência absoluta
A presença de úlceras e cicatrizes na mucosa nasal, embora não tenha apresentado
diferença entre as proporções para análise de dispersão de freqüência, percebe-se que ambos
são freqüentes no quadro clínico de muares com mormo, o que também foi relatado por
Langenegger et al. (1960) e Mota et al. (2000).
A forma pulmonar da doença esteve presente em 63,33% dos animais doentes e apesar
de não ter sido constatada diferença entre proporções para a análise de dispersão de
freqüência, a presença de estertores e outros achados como a dispnéia inspiratória, taquipnéia
e respiração ruidosa comprometem o desempenho dos animais acometidos. De fato estes
transtornos estão associados às condições de cansaço ao realizar esforços físicos como
relatado por Langenegger et al. (1960) e Mota et al. (2000).
Embora na Tabela 3 o teste de diferença de proporção para análise de distribuição de
freqüência do estado nutricional não tenha mostrado significância nos três grupos, houve a
predominância de caquexia, ou seja, animais com estado nutricional incluído nas categorias
regular e ruim. Mais uma vez, a condição clínica avaliada pelo estado nutricional dos animais
reforça a caracterização crônica da maioria dos animais do G3. A caquexia pode ser explicada
pela condição debilitante observada nos casos crônicos da doença, pelo quadro respiratório
que dificulta a alimentação e também pela qualidade do alimento oferecido aos animais, que
era insuficiente para atender as necessidades e animais utilizados para tração.
Tabela 3. Teste de diferença entre proporções para análise de distribuição de freqüência do
estado nutricional de muares acometidos por mormo, estado de Pernambuco - 2003
Estado Nutricional FA % Estatística&quot;
Bom 9 30,00a
Regular 13 43,33 a
Ruim 8 26,27 a
2 X2X Calco < Tab.
X2 Calc. = 0,72
*X2Tab. lGL= 3,84 em nível de 5%; FA - Freqüência absoluta.
A maioria dos autores tem referido predominância da coloração hiperêmica da mucosa
conjuntiva nos casos de mormo, contudo no presente trabalho, não houve diferença
significativa para esta variável (Tabela 4).
A análise da presença de edema nos membros, não revelou diferença significativa para
membros anteriores e posteriores (Tabela 5), contudo foi mais freqüente nos posteriores como
relatado por Menninger & Mocsy (1968). Os edemas de membros e prepúcio provavelmente
Rabelo, S.S.A. et a!. Indicadores clínicos em muares naturalmente infectados pela Burkholderia mallei. Veto e
Zootec. v. I3, n. I, p.54-62. 2006.
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ocorrem devido ao aumento da permeabilidade capilar causada pela lesão do endotélio
vascular (REED & BAYLY, 2000).
A claudicação esteve presente em 30% dos casos. Estes dados são compatíveis aos
relatados por Menninger & Mocsy (1968), que associaram este sintoma com à formação de
edema nos membros, bem como a processos inflamatórios articulares.
A forma cutânea observada no presente estudo foi a presença de nódulos endurecidos
ao longo do trajeto dos vasos linfáticos, principalmente na região abdominal, dorso e na face
medial dos membros posteriores. Estes nódulos muitas vezes com a evolução da doença se
tornam flácidos, fistulam e drenam um exsudato espesso, amarelo e purulento ou podem
ulcerar. Estes abscessos e tumefações nodulares ocorrem a distâncias aproximadamente
iguais, resultando num arranjo em forma de colar de pérolas. Tyler (2002) admite que este
aspecto deve-se à presença de válvulas nos vasos nas quais as bactérias invasoras tendem a
ficar retidas e provocam as tumefações nodulares.
Tabela 4. Teste de diferença entre proporções para análise de distribuição de freqüência da
coloração das mucosas de muares acometidos por mormo, estado de Pernambuco - 2003
Mucosas FA % Estatística *
Hiperêmicas 11 36,67a X2 Cale. < X2Tab.
Pálidas 9 30,00a X2 Cale. = 2,26
* X2 Tab. 1GL = 3,84 em nível de 5%; FA - Freqüência absoluta.
Tabela 5. Teste de diferença entre proporções para análise de distribuição de freqüência da
presença de edema dos membros de muares acometidos por mormo, estado de Pernambuco -
2003
Presença de Edema FA % Estatística ~
Membros Anteriores 5 16,67a
Membros Posteriores 11 36,67a
2 2X Cale. < X Tab.
7
X- Cale. = 2,26
* X2 Tab. 1GL = 3,84 em nível de 5%; FA - Freqüência absoluta.
CONCLUSÃO
Alguns sintomas como a caquexia, hipertrofia dos linfonodos submandibulares,
descarga nasal purulenta, estertores respiratórios, apatia e edema de membros, isoladamente
ou em associação são indicadores clínicos do mormo em muares.
REFERÊNCIAS
HUTYRA, F; MAREK, J.; MANNIGER, R. Patologia y terapéutica especiales de los
animales domésticos. l l.ed., v.l, Barcelona: Editorial Labor,