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Ano 6, nº 10, 2025
AGENDA 
BRASILEIRA
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
O USO DA INTELIGÊNCIA 
ARTIFICIAL NA 
IMPLEMENTAÇÃO DA 
POLÍTICA NACIONAL DE 
PROTEÇÃO E DEFESA CIVIL
Kenya Carla Cardoso Simões1
1 Consultora legislativa da área XI – Meio Ambiente, Planejamento Urbano, Desenvolvimento 
Regional e Ordenamento Territorial, da Câmara dos Deputados. Especialista em direito ambiental 
pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e mestre em ecologia pela Universidade de Brasília 
(UnB). 
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POLÍTICA NACIONAL DE PROTEÇÃO E DEFESA CIVIL
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1. INTRODUÇÃO
Nas últimas décadas, o mundo tem presenciado um aumento significativo na 
frequência e intensidade dos desastres naturais, impulsionado por fatores como 
mudanças climáticas, crescimento desordenado das cidades e degradação ambien-
tal. No Brasil, eventos como as enchentes no Rio Grande do Sul (2023 e 2024), os 
deslizamentos de terra em Petrópolis (2022), os incêndios no Pantanal e na Amazô-
nia, e a seca extrema na Região Norte ilustram a vulnerabilidade do país a diversos 
tipos de desastres .
Para enfrentar esses desafios, o Brasil conta com a Política Nacional de Pro-
teção e Defesa Civil (PNPDEC), instituída pela Lei n. 12.608/2012, que aborda as 
ações de prevenção, de preparação, de resposta e de recuperação destinadas a 
evitar ou a reduzir os riscos de acidentes ou desastres, a minimizar os impactos 
socioeconômicos e ambientais e a restabelecer a normalidade social, incluída a ge-
ração de conhecimentos sobre esses eventos. É essa norma que determina as ações 
a serem tomadas pelos diferentes entes federativos na gestão de risco e desastres.
Apesar de sua importância, diversos relatórios e auditorias – incluídas avalia-
ções do Tribunal de Contas da União (TCU) – indicam falhas estruturais na sua im-
plementação. Os principais problemas identificados incluem falta de coordenação 
entre os entes federativos, insuficiência de dados de qualidade para mapeamento 
de riscos, carência de investimentos em tecnologia e infraestrutura, e dificuldades 
na alocação de recursos para municípios mais vulneráveis.
Nesse contexto, a inteligência artificial surge como ferramenta estratégica 
para aprimoramento da gestão de riscos e desastres e proporciona maior precisão 
na previsão de eventos extremos e eficiência na resposta emergencial. A aplica-
ção de IA na defesa civil pode contribuir para identificação de padrões de risco, 
antecipação de catástrofes, otimização da logística de resposta e direcionamento 
de recursos de maneira mais eficaz. Modelos de aprendizado de máquina podem 
analisar grandes volumes de dados meteorológicos, geoespaciais e históricos para 
detectar anomalias, emitir alertas precoces e, assim, reduzir significativamente os 
impactos de desastres.
Além disso, tecnologias como redes neurais, visão computacional, processa-
mento de linguagem natural (PLN) e análise de big data já estão sendo implemen-
tadas em países como Estados Unidos, Japão e Alemanha para melhorar a tomada 
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de decisões em situações de emergência. O Brasil, ao incorporar essas soluções na 
execução da PNPDEC, pode aumentar sua capacidade de resposta e adaptação, 
promovendo um sistema de proteção e defesa civil mais moderno e eficiente.
Diante desse cenário, este artigo tem como objetivo analisar o papel da inte-
ligência artificial na implementação da PNPDEC e explorar suas potencialidades e 
desafios. Para isso, o trabalho está organizado em três seções principais:
1) uma abordagem conceitual sobre gestão de riscos e desastres, incluído 
o Marco de Sendai para Redução do Risco de Desastres;
2) uma análise detalhada da PNPDEC e seus desafios estruturais, com 
base em auditorias e estudos governamentais;
3) um levantamento das principais aplicações da IA na gestão de desas-
tres, com destaque para exemplos de sucesso e recomendações para 
sua adoção no Brasil.
Ao final, busca-se demonstrar como a integração entre inteligência artificial e 
defesa civil pode otimizar a gestão de desastres no Brasil e tornar as ações gover-
namentais mais ágeis, precisas e preventivas, em vez de reativas.
2. DOS DESASTRES E DO MARCO DE SENDAI PARA 
REDUÇÃO DO RISCO DE DESASTRES
A Lei n. 12.608/2012, define desastre como resultado de evento adverso, de 
origem natural ou induzido pela ação humana, sobre ecossistemas e populações 
vulneráveis que causa significativos danos humanos, materiais ou ambientais e 
prejuízos econômicos e sociais.
No mesmo sentido, o Escritório das Nações Unidas para Redução do Risco de 
Desastres (UNDRR) conceitua desastre como:
uma perturbação grave no funcionamento de uma comunidade ou sociedade, 
em qualquer escala, devido a eventos perigosos que interagem com condições 
de exposição, vulnerabilidade e capacidade, e que levam a uma ou mais das 
seguintes situações: perdas e impactos humanos, materiais, econômicos e am-
bientais. (UNDRR, 2025)
O efeito do desastre pode ser imediato e localizado, mas geralmente é genera-
lizado e pode durar por longo período. Além disso, pode testar ou exceder a capaci-
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dade da comunidade ou da sociedade em lidar com a situação usando somente seus 
recursos. Assim, pode haver necessidade de ajuda de outras jurisdições no nível 
nacional ou internacional (UNDRR, 2025).
Nesse sentido, não é incomum que fique evidenciada a falta de capacidade do 
poder público local de atuar sozinho em situações de desastres, principalmente nas 
fases de resposta e recuperação. Essa questão foi bem demonstrada nas enchen-
tes que assolaram o Rio Grande do Sul em 2023 e, em especial, em 2024. Além 
das falhas relacionadas às fases de prevenção e preparo, a resposta a esse evento 
mostrou a necessidade da criação de uma força tarefa que envolveu os entes mu-
nicipais, estadual e federal, bem como a população e outras entidades, algumas sem 
fins lucrativos.
As falhas de atuação do poder público nas ações de proteção e defesa civil 
também estão relacionadas com a falta de recursos financeiros, técnicos e opera-
cionais para essas atividades em boa parte dos entes federativos do Brasil, o que faz 
grande parte das ações ser custeada pela União em valores que chegam a bilhões 
de reais.
No caso das enchentes do Rio Grande do Sul em 2024, só o governo federal 
destinou R$ 81,4 bilhões ao estado para custear ações emergenciais relacionadas à 
resposta ao desastre, reconstrução dos municípios atingidos e apoio à população, em-
presas, cooperativas e produtores (Almeida, 2025). Esse dado mostra que os custos 
da resposta a um desastre e da posterior reconstrução do que foi destruído podem 
ser maiores que o orçamento público de um município e traz o alerta da necessidade 
urgente de adoção de medidas preventivas em um contexto de aumento da quan-
tidade de eventos extremos em todo o mundo por conta das mudanças do clima.
Nesse sentido, o relatório da Organização Meteorológica Mundial, que avaliou 
dados relacionados a desastres em todo o mundo entre 1970 e 2021, informa que 
nesse período foram reportados 11.778 desastres, que resultaram em mais de 2 mi-
lhões de mortes e em 4,3 trilhões de dólares de perdas econômicas. Mais de 90% 
dessas mortes ocorreram em países em desenvolvimento (WMO, 2023).
No Brasil, a análise de dados do Sistema Integrado de Informações sobre De-
sastres (S2ID) do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional, referentes 
ao período de 1991 a 2023, mostra aumento significativo da quantidade de desas-
tres no país. A média anual de registros saltou de 725, na década de 1990, para 
4.077 desde 2020 (Unifesp, 2024).
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Nesse cenário, é importante que as nações estabeleçam medidas para pro-
teger a população de desastres. Uma dessas iniciativas é o Marco de Sendai 
para a Redução de Desastres, adotado em 2015 durante a 3ª Conferência Mun-
dial sobre Redução de Desastres, em Sendai, Japão. O marco busca fortalecer 
a resiliência de países e comunidades diante desses eventos e tem por objetivo 
alcançar como resultado, até 2030, a “redução substancial nos riscos de desas-
tres e nas perdas de vidas, meios de subsistência e saúde, bem como de ativos 
econômicos, físicos, sociais, culturais e ambientais de pessoas, comunidades e 
países” (ONU, 2015).
Para atingir esse resultado, o marco determina que os países devem buscar o 
seguinte objetivo:
Prevenir novos riscos de desastres e reduzir os riscos de desastres existentes, 
através da implementação de medidas econômicas, estruturais, jurídicas, sociais, 
de saúde, culturais, educacionais, ambientais, tecnológicas, políticas e institucio-
nais integradas e inclusivas que previnam e reduzam a exposição a perigos e a 
vulnerabilidade a desastres, aumentar a preparação para resposta e recupera-
ção, e, assim, aumentar a resiliência. (ONU, 2015)
Assim, a adoção de tecnologias como a IA é incentivada pelo marco e pode 
desempenhar papel fundamental na sua implementação, com aplicação no moni-
toramento e previsão de desastres, análise de risco e vulnerabilidade, alertas pre-
coces e comunicação, otimização da resposta a esses eventos, avaliação de danos e 
planejamento da recuperação.
Nesse quadro, a ONU lançou em 2024 a Iniciativa Global para a Resiliência a 
Ameaças Naturais através de Soluções de Inteligência Artificial, cujo objetivo prin-
cipal é a utilização dessas tecnologias para fortalecer a resiliência contra ameaças 
naturais e reduzir os riscos associados a desastres naturais. Para isso, as agências 
que compõem essa iniciativa irão atuar: na implementação de soluções de IA na 
gestão de desastres naturais, incluídos fenômenos sísmicos e meteorológicos; no 
fornecimento de suporte técnico; no desenvolvimento de normas para uso ade-
quado da tecnologia no contexto de desastres; e no estabelecimento de estruturas 
comuns para avaliação e aprimoramento das capacidades nacionais no uso dessas 
ferramentas para a gestão de riscos de desastres.
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3. DA POLÍTICA NACIONAL DE PROTEÇÃO E DEFESA CIVIL
A Constituição Federal de 1988, no art. 22, inciso XXVIII, determina que com-
pete privativamente à União legislar sobre defesa civil. Em 2011, após o desastre 
ocorrido na região serrana do Rio de Janeiro, o governo federal editou a Medida 
Provisória n. 547/2011 que estabelecia a PNPDEC. Essa MP foi alterada no Con-
gresso Nacional e deu origem à Lei n. 12.608/2012, que institui em nosso país a 
Política Nacional de Proteção e Defesa Civil PNPDEC.
Posteriormente, em 2023, após o rompimento da barragem da mina Córrego 
do Feijão, em Brumadinho (MG), essa norma foi alterada pela Lei n. 14.750/2023, 
com o objetivo de aprimorar os instrumentos de prevenção de acidentes ou de-
sastres e de recuperação de áreas por estes atingidas, assim como de implementar 
ações de monitoramento e produção de alertas antecipados.
A alteração acrescentou uma série de conceitos, entre os quais a definição 
de proteção e defesa civil como o conjunto de ações de prevenção, de prepara-
ção, de resposta e de recuperação destinado a evitar ou a reduzir os riscos de 
acidentes ou desastres, a minimizar seus impactos socioeconômicos e ambien-
tais e a restabelecer a normalidade social, incluída a geração de conhecimentos 
sobre acidentes ou desastres (Brasil, 2023). Essa abordagem mostra certa mu-
dança de visão que era centrada em ações meramente corretivas. Desde a Lei n. 
12.608/2012 há certa centralidade nas ações preventivas e na necessária gestão 
de riscos em todas as fases desse ciclo (Carvalho, 2020, p. 48).
Nesse sentido, a Lei n. 12.608/2012 define como diretrizes da PNPDEC: a 
atuação articulada entre a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios para 
redução de desastres e apoio às comunidades atingidas; a abordagem sistêmica das 
ações de prevenção, mitigação, preparação, resposta e recuperação; e a prioridade 
às ações preventivas relacionadas à minimização de desastres.
A atuação articulada entre os diferentes entes federativos é feita conforme 
as competências definidas nos arts. 6º a 8º da lei. À União cabem, principalmente, 
ações de âmbito nacional, como a expedição de normas para implementação e exe-
cução da PNPDEC e o apoio aos estados, municípios e Distrito Federal no mapea-
mento das áreas de risco, nos estudos de identificação de ameaças, suscetibilidades, 
vulnerabilidades e risco de desastre e nas demais ações de prevenção, mitigação, 
preparação, resposta e recuperação.
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Aos estados cabem ações de âmbito regional e de apoio a municípios, entre 
as quais: executar a PNPDEC em seu âmbito territorial; instituir o Plano Esta-
dual de Proteção e Defesa Civil; identificar e mapear as áreas de risco; realizar 
estudos de identificação de ameaças, suscetibilidades e vulnerabilidades; e fazer 
o monitoramento meteorológico, hidrológico e geológico.
Aos munícipios cabe a maior parte das ações do ciclo de gestão de desastres, 
principalmente as de âmbito local, entre as quais: executar a PNPDEC em âmbito 
local; incorporar as ações de proteção e defesa civil no planejamento municipal; 
identificar e mapear as áreas de risco de desastres; promover a fiscalização das 
áreas de risco de desastre e vedar novas ocupações nessas áreas; realizar, em ar-
ticulação com a União e os estados, o monitoramento em tempo real das áreas 
classificadas como de risco alto e muito alto; produzir, em articulação com a União 
e os estados, alertas antecipados sobre a possibilidade de ocorrência de desastres, 
também por meio de sirenes e mensagens via telefonia celular, para cientificar a 
população e orientá-la sobre padrões comportamentais a serem observados em 
situação de emergência.
Apesar de lógica a definição do município como centro de atuação das ações 
de proteção e defesa civil, considerando-se a atuação mais próxima da população, 
faltam condições técnicas ou financeiras a grande parte dos poderes públicos mu-
nicipais para cumprimento do que determina a lei.
Nesse contexto, pesquisa realizada pelo Ministério da Integração e do Desen-
volvimento Regional mostra que, das 1.993 defesas civis municipais que participa-
ram da investigação: 59% são compostas por 1 a 2 pessoas; 24% por 3 a 5; 10% por 
6 a 10; 5% por 11 a 20; 1% por 21 a 30; e 2% por mais de 30 pessoas. Com relação à 
estrutura, 65% das defesas civis questionadas afirmaram que dividem espaço físico 
com outra secretaria ou setor (Brasil, 2021, p. 29). Sobre a falta de recursos mate-
riais, 67% não possuem viaturas; 72% não contam com telefone fixo exclusivo; 86% 
não têm radiocomunicador; 56% não dispõem de equipamentos de proteção indi-
vidual; e 53% não dispõem de telefone celular com acesso à internet (Brasil, 2021).
Essa pesquisa também constatou que apenas 28% dos municípios pesquisados 
possuem orçamento próprio para defesa civil. Segundo a pesquisa, os desafios para 
estruturação das defesas civis estão associados à falta de recursos, financeiros e 
humanos, de equipamentos e de reconhecimento do papel da defesa civil por parte 
de gestores municipais e comunidades (Brasil, 2021).
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A Lei n. 12.608/2012 instituiu também o Sistema Nacional de Proteção e De-
fesa Civil (SINPDEC), queé constituído por órgãos e entidades da administração 
pública federal, estadual e municipal e por entidades públicas e privadas de atua-
ção significativa na área de proteção e defesa civil. Esse sistema tem por finalidade 
contribuir no processo de planejamento, articulação, coordenação e execução dos 
programas, projetos e ações de proteção e defesa civil, e é coordenado pela União, 
através da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec).
Apesar da importância do pleno funcionamento do SINPDEC, auditoria do 
Tribunal de Contas da União (TCU) identificou deficiências na atuação dos mem-
bros desse sistema para redução do risco de desastres, especialmente dos órgãos 
municipais de defesa civil, bem como na estrutura e no preparo desses órgãos para 
enfrentamento de desastres (Brasil, 2020).
Os principais achados dessa auditoria foram:
a) falta de critérios técnicos para alocação de recursos;
b) infraestrutura e recursos humanos limitados;
c) deficiências na fiscalização e na prestação de contas;
d) desigualdade na distribuição de recursos.
As dificuldades na implementação da PNPDEC mostram que é relevante a 
avaliação de ferramentas tecnológicas que auxiliem na solução de problemas por-
que, quando aplicadas, essas ferramentas auxiliam na implementação da PNPDEC 
e do Marco do Sendai.
4. DOS USOS DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NAS AÇÕES DE 
PROTEÇÃO E DEFESA CIVIL
A IA tem se tornado uma ferramenta essencial para gerenciamento do ciclo da 
gestão de risco e desastre com aplicabilidade em suas diferentes fases: prevenção, 
preparo, resposta e recuperação (Abid et al., 2021). Tal questão está relacionada 
ao fato de que essas ferramentas permitem a análise de grandes volumes de dados 
de forma rápida, automatizada e precisa, o que auxilia a tomada de decisão pelos 
agentes envolvidos em ações de proteção e defesa civil.
Devido a essas características, a IA tem sido utilizada amplamente para 
melhorar a precisão e a velocidade das ações de resposta a desastres e, por isso, 
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emergiu como aliada fundamental na prevenção e gestão de riscos e tem desem-
penhado papel de importância crescente na previsão e resposta a esses eventos 
(Zhang et al., 2024).
Na fase de prevenção, que está relacionada à identificação de riscos e vulne-
rabilidades de forma antecipada, a IA pode: auxiliar no monitoramento de padrões 
climáticos e eventos meteorológicos, de forma a prever desastres naturais (Alruqi; 
Aksoy, 2023); analisar imagens de satélites e drones e detectar mudanças ambien-
tais, como desmatamento e erosão do solo, que aumentam os riscos de desastres 
naturais (Gupta; Roy, 2024); realizar modelagem preditiva de desastres, por meio 
de redes neurais que analisam históricos de eventos para gerar mapas de risco de-
talhados e prever regiões mais vulneráveis a eventos extremos (Abid et al., 2021; 
Zhang et al., 2024); elaborar planejamento urbano inteligente, com edifícios e es-
tradas projetados para suportar desastres; enviar alertas sobre alterações sísmicas, 
chuvas intensas e movimentação do solo por meio de sensores IoT para detecção 
precoce e permitir reação rápida antes que o desastre ocorra (Alruqi; Aksoy, 2023); 
atuar como sistema de alerta antecipado, mediante assistentes baseados em IA que 
processam dados meteorológicos e sismológicos para enviar avisos automatizados 
à população e autoridades, o que reduz o impacto de eventos extremos (Alruqi; 
Aksoy, 2023); e auxiliar nas simulações e treinamentos a desastres, mediante pla-
taformas interativas que utilizam realidade aumentada e IA para capacitar profis-
sionais e populações vulneráveis sobre protocolos de segurança e evacuação (Cui 
et al., 2020).
Para a etapa de resposta, em que a rapidez na tomada de decisões é crucial 
para salvamento de vidas e redução de danos, sistemas baseados nessas tecnologias 
podem analisar dados de sensores e redes sociais para identificar áreas mais afeta-
das e possibilitar o direcionamento de recursos de forma eficiente (Alruqi; Aksoy, 
2023; Gupta; Roy, 2024). Essas ações podem ser feitas, por exemplo, das seguintes 
formas: monitoramento em tempo real, por meio de redes neurais e aprendizado 
de máquina que permitem a análise de grandes volumes de informações de sen-
sores ambientais, redes sociais e comunicação pública para previsão do impacto 
e direcionamento das equipes de resgate (Zhang et al., 2024); uso de drones para 
sobrevoo de áreas afetadas e fornecimento de imagens detalhadas para melhor 
alocação de recursos; uso de robôs autônomos, que são empregados na busca e 
resgate em locais de difícil acesso (Gupta; Roy, 2024); auxílio na coordenação de 
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equipes de emergência para otimizar-lhes a distribuição e garantir que socorristas 
cheguem rapidamente aos locais necessários (Alruqi; Aksoy, 2023).
Na etapa de recuperação, a IA pode auxiliar na reconstrução da área atingida, 
bem como orientar as políticas públicas e investimentos a serem realizados no 
pós-desastre. Além disso, essa ferramenta pode: auxiliar na avaliação dos danos, 
mediante modelos que analisam imagens de satélite e relatórios de campo, com o 
objetivo de quantificar danos e prever os recursos necessários para reconstrução 
(Abid et al., 2021; Zhang et al., 2024); planejar infraestruturas resilientes e propor 
soluções que minimizam impactos futuros de desastres; monitorar a reconstrução, 
por meio de sensores IoT e aprendizado de máquina, acompanhar o progresso da 
recuperação e alertar sobre possíveis falhas estruturais em construções novas (Al-
ruqi; Aksoy, 2023).
No Brasil, pesquisas para uso de IA em áreas com risco de desastres já estão 
sendo realizadas. Alcântara e colaboradores (2025) utilizaram algoritmos de apren-
dizado de máquina para prever e mapear áreas suscetíveis a deslizamentos de 
terra em São Sebastião (SP). Em 2024, esse município foi atingido por chuvas que 
acumularam mais de 600 mm em 24 horas e deixaram um rastro de destruição, 
além de pessoas mortas e desabrigadas. A pesquisa tinha por objetivo selecionar o 
algoritmo mais eficiente para prever novos desastres, bem como identificar áreas 
com maior risco de deslizamento.
A aplicação da IA na gestão de desastres enfrenta desafios que dificultam 
sua implementação e eficácia. Esses desafios envolvem aspectos técnicos, éticos 
e organizacionais que precisam ser superados para que essa tecnologia possa ser 
utilizada de maneira mais eficiente e confiável.
Primeiramente, a adoção da IA requer infraestrutura robusta de tecnologia 
da informação, o que pode ser um obstáculo em regiões de baixa renda ou severa-
mente afetadas por desastres. A disponibilidade de equipamentos como servidores 
e sensores inteligentes pode ser limitada, o que dificulta a implementação de solu-
ções baseadas nessas tecnologias (Zhang et al., 2024).
Outro ponto a ser avaliado é a qualidade e a disponibilidade de dados, pois 
os modelos de IA dependem de grande volume de dados precisos para operar de 
forma eficaz. Porém, em áreas remotas ou em uma situação de desastre, esses dados 
podem ser inconsistentes. Além disso, a escassez de dados históricos sobre deter-
minados tipos de desastres também pode comprometer a precisão das previsões 
geradas pelos algoritmos (Arora, 2025).
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A falta de interoperabilidade entre sistemas é outro ponto crítico a ser en-
frentado, pois as instituições e entes federativos utilizam plataformas distintas 
para gerenciar desastres, o que dificulta a integração de sistemas digitais. Essa 
falta de padronização no armazenamento e compartilhamento de dados impede 
uma respostacoordenada e eficiente durante emergências. (Abid et al., 2021; 
Gupta; Roy, 2024).
Há também falta de transparência e de confiabilidade dos modelos, que são, 
muitas vezes, verdadeiras “caixas-pretas”, o que dificulta a interpretação dos resul-
tados por especialistas e tomadores de decisão. Tal fato levanta preocupações sobre 
a confiabilidade das previsões e a capacidade de se validarem decisões baseadas em 
IA (Abid et al., 2021; Zhang et al., 2024).
Destacam-se, ainda, questões éticas, pois o uso de IA na gestão de desastres 
levanta preocupações sobre o monitoramento de dados pessoais e o uso de in-
formações sensíveis sem consentimento adequado. Além disso, algoritmos podem 
refletir vieses presentes nos dados de treinamento, o que resulta em respostas de-
siguais para diferentes populações. (Alruqi; Aksoy, 2023; Gupta; Roy, 2024). Não é 
incomum que imagens utilizadas em resgates sejam destruídas após o evento, para 
se evitar o uso dessas informações.
Por fim, são pontos-chave para o sucesso do uso dos sistemas inteligentes em 
desastres a capacitação de profissionais que operam os sistemas e a aceitação da 
população em confiar nas recomendações geradas pelos algoritmos. A resistência 
ao uso de novas tecnologias pode retardar sua adoção e limitar seus benefícios 
(Zhang et al., 2024; Arora, 2025).
5. CONCLUSÃO
A crescente ocorrência de desastres no Brasil reforça a necessidade da efe-
tiva implementação da Política Nacional de Proteção e Defesa Civil. Esse artigo 
demonstrou que, embora a legislação estabeleça diretrizes claras para a gestão de 
riscos e desastres, sua aplicação ainda enfrenta desafios significativos, como falta 
de estrutura, capacitação técnica e coordenação entre os entes federativos.
Nesse contexto, a inteligência artificial surge como ferramenta essencial para 
fortalecimentor da gestão do ciclo de desastres, desde a prevenção até a recupera-
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ção. Modelos baseados nessa tecnologia já vêm sendo utilizados em diversas partes 
do mundo para prever eventos extremos, analisar vulnerabilidades, emitir alertas 
precoces e otimizar respostas emergenciais. No Brasil, sua adoção pode representar 
avanço significativo na redução de impactos socioeconômicos e ambientais e pro-
mover maior eficiência e precisão nas ações de proteção e defesa civil.
No entanto, para que a IA seja plenamente integrada à PNPDEC, é fundamen-
tal que desafios sejam superados, como a necessidade de infraestrutura tecnológica, 
qualidade e disponibilidade de dados, além da capacitação de profissionais para 
operar esses sistemas. Além disso, a cooperação entre órgãos públicos, setor pri-
vado e centros de pesquisa será essencial para garantia do desenvolvimento e da 
implementação de soluções inovadoras e acessíveis.
Assim, a aplicação da inteligência artificial na defesa civil brasileira não deve 
ser vista apenas como alternativa tecnológica, mas como estratégia essencial para 
fortalecimento da resiliência nacional diante de eventos extremos, com garantia 
de gestão mais eficiente, ágil e integrada na proteção da população e do meio am-
biente.
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