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24/01/13 Atos administrativos - Resumo de Direito - DireitoNet
www.direitonet.com.br/resumos/exibir/96/Atos-administrativos 1/2
DN DireitoNet Resumos
Atos administrativos
Distinção entre fato jurídico, ato jurídico, ato administrativo, fato administrativo, atos
da Administração Pública, além da conceituação do ato administrativo.
Em princípio, cabe fazer a distinção entre ato jurídico e fato jurídico.
Com efeito, ato administrativo é um ato jurídico, uma declaração de vontade do Estado destinada a
produzir efeitos jurídicos, assim, ensina Celso Antônio Bandeira de Mello que ato jurídico é toda dicção
prescritiva de direitos (oral, escrita, por sinais etc). O ato jurídico, faz parte do gênero fato jurídico. Fato
jurídico, por sua vez, é qualquer acontecimento a que o Direito imputa efeitos jurídicos e, por isso, fato
jurídico pode ser um evento material ou uma conduta humana, voluntária ou involuntária, preordenada
ou não a interferir na ordem jurídica.
Importante também distinguir ato administrativo (meio pelo qual a Administração Pública exprime uma
declaração de natureza constitutiva, declaratória, modificativa ou extintiva) de fato administrativo (meio
pelo qual a Administração Pública executa materialmente um ato).
Ademais, atos administrativos não se confundem com atos da Administração Pública, pois a noção de
ato administrativo surgiu para individualizar uma espécie de ato do Executivo (Administração Pública),
marcado por caracteres contrapostos aos atos privados e aos atos do Legislativo (Lei) e do Judiciário
(sentença). Há, assim, atos da Administração Pública que são regidos pelo Direito Civil, como, por
exemplo, o aluguel de uma casa para instalar um órgão público; atos materiais como, por exemplo, as
aulas dada por um professor público e, ainda, os atos políticos ou de governo, tal qual o ato de declarar
guerra. Eles não são atos administrativos na concepção de Oswaldo Aranha Bandeira de Mello e de Celso
Antonio Bandeira de Mello.
Conceito de ato administrativo
Declaração do Estado, ou de quem atue em seu lugar, por delegação, concessão ou permissão, no
exercício dos poderes-deveres públicos, manifestada mediante providências complementares da Lei e
sujeita a controle judicial.
Ou, ainda, ato administrativo é uma espécie de ato jurídico do qual se vale o Estado ou quem age em
nome dele, para exprimir, unilateralmente, uma declaração de vontade, fundada na Lei e dirigida ao
desempenho de funções administrativas na gestão do interesse coletivo.
Com isso, se a vontade do Estado é expressa em razão do exercício de uma função administrativa, com o
manejo de prerrogativas públicas, edita-se uma espécie de ato jurídico chamado ato administrativo.
Características
a) Declaração - manifestação que produz efeitos de direito, como sejam: certificar, criar, extinguir,
transferir, declarar ou de qualquer modo modificar direitos ou obrigações. b) Provém do Estado ou de
quem esteja investido em prerrogativa estatal. c) Exercida no uso das prerrogativas públicas, portanto,
de autoridade, sob regência do direito público. d) Consiste em providências jurídicas complementares da
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lei ou excepcionalmente da própria Constituição Federal, sendo aí estritamente vinculado. e) Sujeita-se a
exame de legitimidade por órgão jurisdicional - não possui definição perante o direito, uma vez que pode
ser invalidada por força de decisão emitida pelo Poder estatal que disponha de competência jurisdicional.
Perfeição, validade e eficácia
O ato administrativo é perfeito quando esgotadas as fases necessárias à sua produção - ato perfeito é o
que complementou o ciclo necessário à sua formação. O ato administrativo é válido quando foi expedido
em absoluta conformidade com as exigências do sistema normativo - quando se encontra adequado aos
requisitos estabelecidos pela ordem jurídica. E, por fim, o ato administrativo é eficaz quando está
disponível para a produção de seus efeitos próprios, ou seja, quando o desencadear de seus efeitos
típicos não se encontra dependente de qualquer evento posterior, como uma condição suspensiva,
termo inicial ou ato controlador a cargo de outra autoridade. Eficácia é a situação atual de
disponibilidade para produção dos efeitos próprios (típicos) do ato.
Efeitos típicos - é o próprio ato de nomeação para habilitar alguém a assumir um cargo; é próprio ou
típico do ato de demissão - desligar funcionário do serviço público. Efeitos atípicos - podem ser de dupla
ordem: efeitos preliminares e efeitos reflexos. Preliminares existem enquanto perdurar a situação de
pendência do ato, isto é, durante o período que intercorre desde a produção do ato até o
desencadeamento de seus efeitos típicos. Reflexos são aqueles que refluem sobre outra relação jurídica,
ou seja, atingem terceiros não objetivados pelo ato. São aqueles que alcançam terceiros, pessoas que
não fazem parte da relação jurídica travada entre a administração e o sujeito passivo do ato. Ex. locatário
do imóvel desapropriado.
Em decorrência do exposto, um ato administrativo pode ser: 1. perfeito, válido e eficaz - quando, concluído
o seu ciclo de formação, encontra-se plenamente ajustado às exigências legais e está disponível para
deflagração dos efeitos que lhe são típicos. 2. perfeito, inválido e eficaz - quando concluído o seu ciclo de
formação, e apesar de não se achar ajustado às exigências legais, encontra-se produzindo os efeitos que
lhe seriam inerente. 3. perfeito, válido e ineficaz - quando, concluído seu ciclo de formação e estando
adequado aos requisitos de legitimidade, ainda não se encontra disponível para eclosão de seus efeitos
típicos, por depender de um termo inicial ou de uma condição suspensiva por uma autoridade
controladora. 4. perfeito, inválido e ineficaz - quando, esgotado seu ciclo de formação, sobre encontrar-se
em desconformidade com a ordem jurídica, seus efeitos ainda não podem fluir por se encontrarem na
dependência de algum acontecimento previsto como necessário para a produção dos efeitos (condição
suspensiva ou termo inicial, ou aprovação ou homologação dependentes de outro órgão).
Bibliografia
Celso Antônio Bandeira de Mello, Curso de Direito Administrativo, 26º edição, Editora Malheiros,
2009.
Dirley da Cunha Júnior, Curso de Direito Administrativo, 7º edição, Editora Podium, 2009.
Histórico de atualizações deste conteúdo
19/out/2009 Revisado e ampliado com doutrina atualizada.
19/dez/2001 Publicado no DireitoNet.

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