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QUÍMICA TECNOLÓGICA Olá! A Química é a ciência que estuda a matéria e suas transformações. À medida que avançamos o estudo, você verá que os princípios químicos atuam em todos os aspectos da nossa vida, desde atividades cotidianas, até os processos mais complexos, como aqueles realizadas no meio ambiente. Utilizamos princípios químicos para compreender uma série de fenômenos, do funcionamento de uma bateria de lítio até o tratamento medicamentoso. Nesta aula oferecemos uma visão geral a respeito do significado da química e da função dos químicos, abordando a Química com uma ciência central, logo, veremos que muito do que se passa no mundo envolve química. As transformações que produzem a luminescência de animais, como vaga-lumes, a deterioração dos alimentos, a energia elétrica proveniente das baterias e as diversas maneiras que nosso corpo utiliza os alimentos para produzir energia são exemplos cotidianos de processos químicos. Bons estudos! AULA 3 – LIGAÇÕES QUÍMICAS 3 LIGAÇÃO QUÍMICA Muitas substâncias químicas podem ser encontradas na natureza na forma de moléculas – dois ou mais átomos do mesmo tipo ligados entre si. Por exemplo, a molécula de água que contem dois átomos de hidrogênio e uma molécula de hidrogênio, ou o gás oxigênio presente no ar que é formado por dois átomos de oxigênio. Conforme Figura 1, os átomos de oxigênio estão representados pela cor vermelha, enquanto que os átomos de hidrogênio estão ilustrados pela cor branca. Figura 1 - (a) Molécula de água do lado esquerdo e (b) Molécula de gás oxigênio do lado direito Fonte: Adaptada de BROWN; LEMAY, et al., (2016). Representamos essas moléculas com as fórmulas químicas, H2O e O2. O número subscrito indica a quantidade de átomos daquele elemento, ou seja, na molécula de água há dois átomos de hidrogênio e um átomo de oxigênio, já na molécula de gás oxigênio há dois átomos de oxigênio apenas. Observe como a composição de cada uma das substâncias é dada por sua fórmula química. Também é possível notar que essas substâncias são compostas apenas por elementos não metálicos. Grande parte das substâncias nas moléculas que iremos encontrar contém apenas não metais. Iremos ver detalhes destas ligações e representações. Os átomos normalmente podem ganhar, perder ou compartilhar elétrons para obter o mesmo número de elétrons que o gás nobre do mesmo período. Os gases nobres possuem distribuições eletrônica em que todos os orbitais estão ocupados com elétrons, dando estabilidade, fato evidenciado por sua alta energia de ionização, baixa afinidade eletrônica e, de modo geral, baixa reatividade química (BROWN, LEMAY, et al., 2016). Os gases nobres, com exceção do He, irão apresentar oito elétrons na camada de valência, esta observação nos leva a conhecida regra do octeto: átomos tendem a ganhar, perder ou compartilhar elétrons até que estejam com sua camada de valência preenchidos por oito elétrons. Em termos de orbitais, o octeto de elétrons consiste no preenchimento dos orbitais 𝑠2 e 𝑝6, totalizando oito elétrons. Pode-se representar simbolicamente os elétrons, pelo símbolo de Lewis, o octeto é formado por quatro pares de elétrons de valência dispostos em torno do símbolo do elemento, pode-se ver na tabela abaixo alguns elementos representados pelos símbolos de Lewis. Existem exceções à regra do octeto, mas ela é um caminho útil para introduzir muitos conceitos importantes de ligações químicas. Tabela 1 - Elementos químicos e suas estruturas de Lewis Elemento Estrutura de Lewis Elemento Estrutura de Lewis C H O Na N Ca Cl Al Fonte: Adaptado de Brown, Lemay et al. (2016). 3.1 Ligação iônica Substâncias iônicas geralmente resultam da interação entre metais do lado esquerdo da tabela periódica com os não metais do lado direito, exceto os gases nobres do grupo 8A. Por exemplo, quando sódio metálico, 𝑁𝑎(𝑠), é colocado em contato com o gás cloro, 𝐶𝑙2(𝑔), ocorre uma reação com liberação de energia. 𝑵𝒂(𝒔) + 𝟏 𝟐 𝑪𝒍𝟐(𝒈) → 𝑵𝒂𝑪𝒍(𝒔) O cloreto de lítio é formado por íons 𝑁𝑎+ e 𝐶𝑙− em um arranjo cubico tridimensional, como mostrado na Figura 2: Figura 2 - Reticulo cristalino do cloreto de sódio Fonte: PORTELA, 2019. A formação dos íons sódio a partir do sódio metálico e de íons cloreto a partir do gás cloro, nos mostra que um elétron foi retirado do átomo de sódio e recebido pelo átomo de cloro. Podemos dizer que neste tipo de ligação ocorreu a transferência de elétrons do átomo de sódio para o cloro. A facilidade desta transferência ocorrer está diretamente ligada à propriedade: de energia de ionização (facilidade com que um elétron pode ser removido de um átomo) e afinidade eletrônica (capacidade de um átomo de ganhar um elétron) (BROWN, LEMAY, et al., 2016). Desta forma, pode-se concluir que o cloreto de sódio é um típico composto iônico formado por um metal com baixa energia de ionização e um não metal com alta afinidade eletrônica. Usando as estruturas de Lewis, podemos representar a reação da seguinte forma: Pode-se notar pela seta que o elétron do átomo de sódio, 𝑁𝑎, é transferido para o átomo de cloro, 𝐶𝑙−. Cada íon tem um octeto de elétrons: 𝑁𝑎+ = 1𝑠2𝟐𝒔𝟐𝟐𝒑𝟔 𝐶𝑙− = 1𝑠22𝑠22𝑝6𝟑𝒔𝟐𝟑𝒑𝟔. Quando olhamos a quantidade de elétron dentro de uma substância que é formada por ligações iônicas, vemos que existe duas espécies carregadas. Uma que recebeu elétron (íon negativo, ânion) e uma que doou o elétron (íon positivo, cátion). Estes cátions e ânions são muito importantes dentro da química, palavras comumente utilizadas. Substâncias iônicas apresentam propriedades em comum: são sólidos quebradiços, com alto ponto de fusão, quando misturados em água podem conduzir corrente elétrica. A estabilidade dos compostos iônicos está associada à atração entre os íons de cargas opostos, que se aproximam e liberam energia e fazem com isso um arranjo sólido, ou reticulo, conforme mostrado na Figura 2. Uma medida desta estabilidade resultante do arranjo das cargas opostas no sólido iônico é a energia reticular. A energia reticular é a energia necessária para separar complemente um composto iônico sólido em seus íons no estado gasoso (BROWN, LEMAY, et al., 2016). 𝑁𝑎𝐶𝑙(𝑠) → Na+(𝑔) + 𝐶𝑙−(𝑔) ∆𝐻𝑟𝑒𝑡𝑖𝑐𝑢𝑙𝑎𝑟 = +788 𝑘𝐽 Esta reação absorve +788 kJ de energia para separar os íons. Logo, pode-se concluir que para junta-los o processo liberará -788 kJ. Deste modo, vê-se que a estabilidade do sólido iônico é grande. A intensidade da energia reticular do sólido iônico depende da carga dos íons, seu tamanho e do arranjo do sólido. Avaliamos a equação de Coulomb para duas partículas com carga e a energia potencial. 3.2 Ligação covalente Muitas substâncias químicas não pertencem ao grupo de substâncias iônicas, como plásticos, ceras, ácidos, resinas entre outros. Para essa enorme quantidade de substâncias que não se comporta como substâncias iônicas, é preciso um modelo que descreva estas ligações. G. N. Lewis argumentou que átomos podem adquirir uma configuração eletrônica de gás nobre, compartilhando elétrons uns com outros. Está ligação ao qual Lewis se refere, onde par de elétrons são compartilhados, é chamada de ligação covalente. A molécula de H2, por exemplo, é formada por esse tipo de ligação, quando dois átomos de hidrogênio estão próximos suficiente para que seus elétrons sofram atração dos dois núcleos e repulsão devido à proximidade dos núcleos e também dos elétrons. Sabendo que a molécula é estável, pode-se concluir que as forças atrativas superam as repulsivas, chega-se, portanto, ao entendimento que os elétrons se encontram entre os dois núcleos de hidrogênio na forma (densidade eletrônica). O resultadoé que as interações eletrostáticas globais são atrativas. Assim, os átomos na molécula de H2 se unem, principalmente porque os dois núcleos positivos são atraídos para a concentração da carga negativa entre eles. Em resumo, o par de elétrons compartilhado em qualquer ligação covalente atua como uma espécie de ‘cola’ que une os átomos (BROWN, LEMAY, et al., 2016). A ligação covalente pode ser representada pela estrutura de Lewis, por exemplo, a molécula de H2 onde cada átomo de hidrogênio possui dois elétrons que podem ser compartilhados da seguinte forma: Na ligação covalente, cada hidrogênio adquire um segundo elétron, portanto, ficando com a configuração estável, semelhante à do hélio. Usando a molécula de gás cloro, como exemplo, vejamos a representação de Lewis: O compartilhamento do par de elétrons no ligação covalente no gás cloro seguirá a regra do octeto, chegando à configuração eletrônica do argônio. Estas estruturas circulares indicam o compartilhamento do elétrons na ligação covalente, entretanto, comumemente usa-se um traço no lugar dos circulos para indicar esta ligação e os pares de eletrons não-ligantes ou isolados, assim sendo, podemos representar as estruturas das moleculas de H2 e Cl2 como: Segundo Brown et al. (2016): [...] para não metais, o número de elétrons de valencia em um átomo neutro é igual ao número do grupo. Portanto, pode-se prever que os elementos do grupo 7A, assim como o F, formarão uma ligação covalente para chegar no octeto; os elementos do grupo 6A, como o O, formarão duas ligações covalente; os elementos do grupo 5A, como o N, formarão três, e os elementos do grupo 4A, formarão quatro. Essas previsões são confirmadas em muitos compostos, a exemplo dos compostos com hidrogênio. Chamamos o compartilhamento de um par de eletrons de ligação simples. Em outras moleculas podemos notar que o compartilhamento ocorrerá com mais de um par de eletrons para o mesmo elemento. Quando dois pares de elétrons são compartilhados por dois átomos, chamamos de ligação dupla. Escreveremos as estruturas de Lewis para a molecula de O2. Pode-se perceber que na ligação dupla, estão envolvidas dois pares de elétrons, ou 4 elétrons no total. No dioxido de carbono, por exemplo, a ligação ocorre entre dois átomos de oxigênio (6 elétrons) e um átomo de carbono (4 elétrons): Uma ligação tripla corresponde ao compartilhamento de três pares de elétrons, ou seja, 6 elétrons no total, pode-se ver tal ligação na molécula de gás nitrogênio, N2. 3.3 Ligação metálica ou ligas metálicas As ligas metálicas são tipo de ligações químicas que ocorrem entre os elementos metálicos da tabela periódica. Comumente, são estruturas cristalinas chamadas de ligas metálicas. Um modelo relativamente simples foi proposto e se aproxima da configuração deste tipo de ligação. Os materiais metálicos possuem um, dois ou no máximo três elétrons de valência. Nesse modelo da Figura 3, esses elétrons de valência não estão ligados ao núcleo do átomo, estão mais livres para se movimentarem ao longo do metal. Eles podem ser considerados pertencentes ao metal como um todo, ou como se fosse um ‘mar de elétrons’ ou uma ‘nuvem de elétrons’. Os elétrons restantes, os que não são os elétrons de valência, juntamente com os núcleos atômicos compõem o núcleo iônico de carga positiva. Os elétrons livres blindam os núcleos iônicos do metal, uma vez que haveria muito repulsão entre estes núcleos, deste modo, a ligação metálica possui uma natureza não direcional, diferente das outras ligações químicas. Concomitantemente, os elétrons livres colam os núcleos mantendo-os unidos (modelo na Figura 3). A ligação metálica pode apresentar caráter forte ou fraca, dependendo do metal variando entre 68 𝑘𝐽/𝑚𝑜𝑙 para o mercúrio, 𝐻𝑔, a 849 𝑘𝑗/𝑚𝑜𝑙 para o tungstênio, 𝑊. As temperaturas de fusão para esses metais são - 39°C e 3410°C, respectivamente (CALLISTER JR e RETHWISCH, 2016). Figura 3 - Modelo de elétrons livres e núcleos iônicos na ligação metálica Fonte: Adaptado de Callister Jr e Rethwisch (2016). As ligações metalicas são encontradas na tabela periodica para os elementos do grupo 1A e 2A, no entanto, pode-se encontrar com todos os metais, inclusive os metais de transição como 𝐹𝑒, 𝐴𝑢, 𝐴𝑔, 𝐶𝑢, 𝑍𝑛 e 𝑃𝑏. Abaixo encontra-se as principais ligas metalicas: Aço – composição: Fe (98,5%), C (0,5 a 1,7%), Si, S e O (traços) Aço – propriedade: alto ponto de fusão (1300°C) densidade de 7,7 g/cm3 e é mais resistente à tração do que o ferro puro. Aço – aplicação: fabricação de peças metálicas que sofrem elevada tração, principalemnte estruturas metálicas Aço INOX – composição: Aço (74%), Cr (18%) e Ni (8%) Aço INOX – propriedades: é inoxidavel; inerte as reações de oxirredução Aço INOX – aplicação: telhares, peças de carro, brocas, etc.. Bronze – composição: Cu (95% a 55%) e Zn (5% a 45%) Bronze – proprieades: fácil de moldar, flexibilidade e boa aparência Bronze – aplicação: peças de máquinas, instrumentos de sopro, tubos, armas e torneiras Amálgama – composição: Ag (70%), Sn(18%), Cu(10%) e Hg (2%) Amálgama – propriedades: baixo coeficiente de dilatação, resistencia à oxidação e alta maleabilidade Amálgama – aplicação: obturação debtárias Liga de Bismuto – composição: Bi (50%), Pb (27%), Sn (13%) e Cd (10%) Liga de Bismuto – propriedades: baixa temperatura de fusão (68°C) Liga de Bismuto – aplicação: em fusíveis elétricos que se fundem e se quebram, interrompendo a passagem de corrente elétrica (FOGAÇA, 2022). REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BROWN, T. et al. Química: a ciência central. Porto Alegre: Pearson, 2016. CALLISTER JR, W. D.; RETHWISCH, D. G. Ciência e engenharia de materiais: uma introdução. Rio de Janeiro: LTC, 2016. FOGAÇA, J. R. V. PreParaEnem. Ligas Metálicas, 2022. Disponível em: https://bit.ly/3AN11TU. Acesso em: dez, 2022. PORTELA, J. Ligações Químicas. NOIC, 2019. Disponível em: https://bit.ly/3Vuvyzt. Acesso em: dez, 2022.