Prévia do material em texto
TEMA 4 Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva uma dissertação, de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o seguinte tema: “O papel da escola na educação sexual de jovens e crianças" EIXO TEMÁTICO - EDUCAÇÃO Um dos caminhos para prevenir e combater o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes é ofertar educação sexual nas escolas. Pois, muitas famílias não trabalham a questão da sexualidade dentro de casa e acabam terceirizando para as instituições educacionais. Além disso, a maioria dos abusos são praticados por parentes das vítimas, assim, a escola acaba sendo o local mais acolhedor para receber as denúncias. A sexualidade é um dos temas mais frequentes dos produtos veiculados pela indústria do entretenimento, e reflete a moral de cada época. “Já sei namorar, já sei beijar de língua”, este verso dos Tribalistas é a realidade de muitos adolescentes, que começam a namorar cada vez mais cedo. O forte apelo sensual na TV, na moda etc. estimula a erotização precoce das crianças e adolescentes. Como contrabalançar com esta educação informal? Para a psicóloga Mary Neide Figueiró, autora do livro Educação sexual no dia a dia (EDUEL, 2013), cabe aos pais e educadores a consciência de trabalhar com temas relacionados à sexualidade, começando na infância para que a criança já possa crescer mais reflexiva e autoconfiante, reproduzindo menos estereótipos e preconceitos. “A educação sexual não se restringe ao ensino da biologia e fisiologia da sexualidade, ela ensina a pensar sobre todas as questões que envolvem o corpo e o relacionamento entre pessoas”, afirmou. É importante compreender que abordar a sexualidade não é falar só sobre sexo e não estimula a sexualização precoce. Segundo a psicóloga Elizabeth Sanada, coordenadora do curso de psicopedagogia do Instituto Singularidades, a educação sexual nas escolas contribui para um desenvolvimento das crianças baseado no autocuidado e na constituição de indivíduos conscientes de seus corpos, e é um dos caminhos para prevenir e combater o abuso sexual contra crianças e adolescentes. “É muito comum por volta dos três anos a criança começar a perguntar questões relacionadas à sexualidade, a querer saber como nascem os bebês. Nesta fase, o ensino é voltado a propiciar o aprendizado das crianças, primeiramente, de como seu corpo funciona e não é uma incitação à sexualização dessas crianças. Muito ao contrário, é preventivo. Porque aquela criança que aprende a desenvolver o autocuidado, a como diferenciar o que é o espaço do seu corpo e o espaço do corpo do outro, ela está mais protegida, em relação inclusive a poder perceber algum tipo de assédio, algum tipo de invasão dentro desse território”, reforça a psicóloga. Para a professora Tiara Siury Matos, atuante no ensino fundamental II e médio, é importante os pais, educadores e líderes religiosos tentarem contrabalançar com a influência negativa da mídia sobre a sexualidade das crianças e adolescentes. Pois, mesmo que o adolescente já tenha iniciado sua vida sexual, precisa de orientações sobre questões relacionadas ao corpo. “Durante a graduação estudei os temas transversais (ética, saúde, orientação sexual etc.), mas não somos preparados para abordar assuntos relacionados à sexualidade, pois o estado não oferece cursos de capacitação nessa área. Mas, tento fazer a minha parte, por exemplo: quando percebo que uma aluna bem novinha começou a namorar, procuro conversar com ela, orientando-a sobre os riscos de uma gravidez precoce, respeitando os limites para não ser invasiva”, relatou. https://www3.ufrb.edu.br/reverso/educacao-sexual-potencializa-o-combate-aos- crimes-sexuais-contra-criancas-e-adolescentes/ (adaptado). “Nos últimos anos, houve uma evolução no aprendizado e na consciência de pais, professores, gestores e alunos a respeito da importância da educação sexual nas escolas, no trabalho de diminuição das ISTs e das gravidezes precoces”, constata a psicóloga e educadora Mary Neide Damico Figueiró, doutora na área de educação sexual pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e uma das especialistas mais procuradas para projetos e palestras sobre o tema. “Mas o recuo produzido pelos conceitos ultraconservadores do novo governo pode colocar por terra o pouco que caminhamos”, acrescenta. Apesar dos avanços verificados nos últimos anos, Mary Neide e outra pesquisadora dedicada ao assunto, a pedagoga e escritora Caroline Arcari, mestre em educação sexual pela Unesp, estimam que o percen tual de escolas brasileiras públicas e privadas, do infantil ao médio, que tratam do tema de alguma maneira, de debates raros a programas consistentes, ainda não chega a 20% do total. “Particularmente, acho 20% até muito, uma parcela otimista demais, infelizmente”, lamenta Caroline, idealizadora do projeto Pipo e Fifi, de boas práticas de enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes, que rendeu um livro e conquistou vários prêmios. https://revistaeducacao.com.br/2019/11/07/educacao-sexual-nas-escolas TEXTO 1 TEXTO 2 TEXTO 3 “Nem sempre a busca pela expressão da afetividade e por prazer na juventude é amparada por uma Educação que aborde a sexualidade em seus aspectos biológicos, culturais e sociais, como recomendam os parâmetros curriculares de ciências do Ministério da Educação (MEC). O resultado disso é a continuidade de comportamentos de risco, como o não uso de proteção durante a relação sexual, por exemplo. De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense), em 2015, dos adolescentes do 9° ano do Ensino Fundamental sexualmente ativos, 33,8% disseram não ter usado camisinha na última relação sexual. Apesar disso, 7 em cada 10 afirmaram ter recebido informação a respeito na escola. Ou seja, apenas passar informação não é suficiente. Além disso, a falta de uma reflexão mais ampla sobre a sexualidade humana também favorece a persistência da intolerância e da violência, enfraquecendo o combate ao preconceito, ao abuso sexual infantil e à violência contra a população LGBTQI+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) e contra a mulher - tópicos fundamentais para o Brasil, que ainda convive com índices alarmantes de crimes dessas naturezas. Avançar em um ensino de Educação sexual de maior qualidade nas escolas é, portanto, literalmente, caso de vida ou morte. Vários documentos nacionais e internacionais dão suporte a uma Educação sexual que vá além da abordagem reprodutiva. A Orientação Técnica Internacional sobre Educação em Sexualidade, da Organização das Nações Unidas para a Educação, Cultura e Esporte (Unesco), de 2018, indica que o ensino deve servir para que os jovens desenvolvam conhecimento, habilidades e valores éticos para fazer escolhas saudáveis e respeitáveis sobre os relacionamentos, o sexo e a reprodução. O documento propõe a “educação sexual compreensiva”, cujo objetivo é nortear o processo de aprender e ensinar sobre os aspectos cognitivos, físicos, emocionais e sociais da sexualidade. O texto discute temáticas mais científicas, como fisiologia e anatomia sexual e reprodutiva, puberdade e menstruação, reprodução, métodos contraceptivos modernos, gravidez e partos, além das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs). Mas também trata de outras dimensões da sexualidade, como igualdade de gênero, amor, orientação sexual e identidade de gênero. Ou seja: tópicos antenados com as discussões contemporâneas e que podem afetar a saúde sexual e emocional dos jovens também aparecem como temas a serem discutidos pela escola - caso também de temas como cyberbullying e sexting (trocar mensagens de cunho sexual), por exemplo. https://www.todospelaeducacao.org.br/conteudo/para-que-serve-a-educacao-sexual-na-escola/ 41 A T E L I Ê D A R E D A Ç Ã O A P O S T I L A 2 0 2 3