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🦷 CIMENTO DE IONÔMERO DE VIDRO (CIV) — 
RESUMO EXPLICATIVO E CLÍNICO
💡 CONCEITO E HISTÓRICO
O cimento de ionômero de vidro (CIV) foi criado em 1971 por Wilson e Kent.
 Ele é o resultado da combinação química do cimento de silicato com o policarboxilato de 
zinco, reunindo:
a liberação de flúor do silicato e
a adesão química ao dente do policarboxilato.
🧠 Em resumo: é um material adesivo, anticariogênico e biocompatível, usado 
amplamente em dentística, endodontia, prótese, ortodontia, odontopediatria e 
odontologia preventiva.
⚙ TIPOS DE CIMENTO DE IONÔMERO DE VIDRO
1.  CIV Convencional → reação ácido-base clássica.
2.  CIV Resinoso (modificado por resina) → contém monômeros resinosos, polimeriza 
parcialmente por luz.
3.  Compômero (resina poliácido-modificada) → intermediário entre CIV e resina 
composta.
4.  Cermet → CIV com partículas metálicas (geralmente prata), usado em áreas que 
exigem maior resistência.
🧩 Resumo rápido:
Tipo Característica principal Indicação
Convencional Adesão química, liberação 
de flúor
Base, forramento, 
restauração temporária
Resinoso Polimeriza por luz, mais 
resistente
Restaurações definitivas
Compômero Mistura de CIV + resina Dentes decíduos, estética 
moderada
Cermet Partículas metálicas Dentes posteriores, maior 
carga mastigatória
🧪 COMPOSIÇÃO QUÍMICA
🔸 Pó:
Sílica (SiO₂) → dá resistência mecânica e forma o gel de sílica.
Alumina (Al₂O₃) → reforça a estrutura.
Fluoreto de cálcio (CaF₂) → responsável pela liberação de flúor.
🔸 Líquido:
Ácido poliacrílico ou polimaleico → agente ácido que reage com o vidro.
Ácido tartárico → reduz a viscosidade e aumenta o tempo de trabalho clínico.
🧠 Macete: “Sílica e alumina dão força, flúor dá proteção.”
⚛ MECANISMO DE ADESÃO
O CIV liga-se quimicamente ao dente por quelação:
Os grupos carboxílicos (-COOH) do ácido poliacrílico se ligam aos íons cálcio (Ca²⁺) da 
hidroxiapatita dentária.
Essa ligação é química e duradoura, diferente da adesão micromecânica das resinas 
compostas.
📍 A adesão ao esmalte é maior do que à dentina, pois o esmalte é mais rico em cálcio.
🧠 Macete: CIV “abraça” o dente — o ácido pega o cálcio e forma um sal estável.
⚙ REAÇÃO DE PRESA (ENDURECIMENTO)
O endurecimento é uma reação ácido-base iônica, dividida em 3 etapas:
1.  Ionização:
O ácido poliacrílico dissolve parte das partículas de vidro, liberando íons.
2.  Formação da matriz polissalina:
Os íons metálicos (Al³⁺ e Ca²⁺) reagem com os grupos carboxílicos, criando pontes 
iônicas.
3.  Formação do gel de sílica:
Estrutura final rígida e estável que endurece o cimento.
⚠ O CIV deve ser inserido enquanto ainda está brilhante e úmido.
 Se o brilho desaparece, a reação está avançada e o material não adere adequadamente.
🧠 Brilhou = bom pra inserir.
🔬 PROPRIEDADES FÍSICAS E CLÍNICAS
Propriedade Característica
Coeficiente de expansão térmica Semelhante ao do dente (evita 
infiltrações)
Liberação de flúor Maior nas 24–48h iniciais, com recarga 
posterior por cremes/enxaguantes
Biocompatibilidade Alta — não irrita polpa quando bem 
manipulado
Resistência mecânica Baixa à tração e compressão; não 
indicada em áreas de carga
Sensibilidade à água Sofre sinérese (perda de água) e 
embebição (absorção) se exposto 
precocemente
🧩 Resumo clínico: deve ser protegido logo após inserção para evitar ressecamento ou 
inchaço por água.
🧪 LIBERAÇÃO E EFEITO DO FLÚOR
Cerca de 20% dos íons de flúor liberam-se nas primeiras 48 horas.
O flúor difunde-se pela matriz e é absorvido pelo esmalte e dentina, reforçando a 
resistência à desmineralização.
Possui efeito anticariogênico e protege dentes adjacentes à restauração.
Pode recarregar flúor de dentifrícios e enxaguantes.
🧠 “CIV protege o dente vizinho sem nem encostar.”
👩‍🔬 TÉCNICA CLÍNICA — PASSO A PASSO
1.  Profilaxia do dente: remover placa, restos e umidade.
2.  Condicionamento da superfície: aplicar ácido poliacrílico a 10% por 10 segundos 
(melhora adesão química).
3.  Lavar e secar suavemente: sem desidratar — a dentina deve ficar úmida.
4.  Manipulação:
Proporção: 1 medida de pó : 1 gota de líquido.
Agitar o pó antes para homogeneizar.
5.  Inserção: colocar o CIV enquanto estiver úmido e brilhante.
6.  Proteção superficial: aplicar vaselina, verniz protetor ou resina seladora.
7.  Remover excessos e reaplicar proteção superficial após presa inicial.
🧠 Macete clínico: “10-10-1-1: ácido 10%, 10s, 1 pó, 1 gota.”
🧱 INDICAÇÕES CLÍNICAS GERAIS
Forramento ou base cavitária.
Cimentos provisórios.
Restaurações de lesões cervicais não cariosas.
Restaurações de dentes decíduos.
Material restaurador de art (atraumatic restorative treatment).
Cimentação de coroas ortodônticas e pinos.
Reparo de pequenas cavidades em áreas sem alta carga.
⚠ LIMITAÇÕES
Baixa resistência mecânica — não indicado em áreas oclusais de alta carga.
Sensível à umidade e ao ressecamento — precisa ser protegido após inserção.
Tempo de presa mais longo que resinas.
Estética inferior à da resina composta.
Adesão limitada à dentina profunda.
🧩 COMPARATIVO RESUMIDO
Característica CIV Convencional CIV Modificado por Resina
Reação Ácido-base Ácido-base + 
polimerização
Liberação de flúor Alta Moderada
Resistência Baixa Alta
Tempo de presa Lento Rápido (fotopolimeriza)
Indicação Base, ART, 
odontopediatria
Restauração definitiva
Sensibilidade à umidade Alta Menor
🎯 MACETES DE PROVA
Inventores: Wilson & Kent (1971).
Adesão química → quelação.
Condicionamento: ácido poliacrílico 10% por 10 segundos.
Inserir material com brilho.
Proteção superficial é obrigatória.
Liberação e recarga de flúor = efeito anticariogênico.
Coeficiente térmico semelhante ao do dente → evita microfissuras.
🧠 Frase-macete:
“Wilson e Kent criaram o CIV que brilha, cola no cálcio e solta flúor pra salvar o vizinho.”
1.
Durante uma restauração cervical no elemento 33, o operador utiliza cimento de ionômero de 
vidro convencional. Após a inserção, nota que o material perdeu o brilho antes do assentamento.
 O erro mais provável foi:
A) Manipulação com proporção incorreta de pó e líquido, resultando em presa acelerada.
 B) Condicionamento ácido insuficiente, impedindo adesão adequada.
 C) Inserção do material em ambiente excessivamente úmido.
 D) Aplicação precoce do verniz protetor antes da presa inicial.
 E) Inserção do material sem remoção completa do ácido poliacrílico.
2.
Em um procedimento restaurador no dente 36, o profissional escolheu o CIV modificado por resina 
em vez do convencional.
 Essa escolha é mais justificada quando se deseja:
A) Maior liberação de flúor e menor tempo de trabalho clínico.
 B) Maior resistência mecânica e menor sensibilidade à umidade.
 C) Menor contração térmica e liberação mais rápida de íons de cálcio.
 D) Adesão exclusivamente química à estrutura dental.
 E) Menor translucidez e maior tempo de presa.
3.
Durante uma restauração atraumática (ART) em paciente infantil, o CIV convencional foi escolhido 
como material restaurador.
 Essa opção é clinicamente adequada porque:
A) É altamente estético e não requer proteção superficial.
 B) Apresenta liberação e recarga de flúor com boa adesão química.
 C) É radiopaco, polimeriza por luz e suporta altas cargas oclusais.
 D) Dispensa condicionamento e tem tempo de presa imediato.
 E) É resistente ao desgaste e à sinérese sem necessidade de selamento.
4.
Um paciente apresenta cárie cervical rasa em dente 23 e o profissional opta pelo uso do CIV 
convencional.
 O passo clínico essencial para garantir adesão química adequada é:
A) Condicionar o dente com ácido poliacrílico a 10% por 10 segundos antes da manipulação.
 B) Condicionar com ácido fosfórico a 37% por 15 segundos para aumento da rugosidade.
 C) Secar completamente a dentina antes da inserção do material.
 D) Aplicar verniz protetor antes da presa para evitar microfissuras.
 E) Manipular o pó sem homogeneização prévia para preservar os íons reativos.
5.
Em uma restauração do elemento 11, o operador observa falha de adesão do CIV ao esmalte, com 
pequenainfiltração marginal após uma semana.
 A causa mais provável é:
A) Falta de condicionamento ácido ou lavagem inadequada.
 B) Excesso de umidade na dentina durante a manipulação.
 C) Tempo de inserção prolongado após a perda de brilho do material.
 D) Contaminação salivar antes da proteção superficial.
 E) Todas as alternativas acima são corretas.
6.
Durante cimentação de uma coroa metálica, o operador escolhe o CIV convencional.
 Qual vantagem clínica desse material justifica seu uso nesse contexto?
A) Alta resistência à tração e abrasão.
 B) Liberação contínua de flúor e adesão química à estrutura dental.
 C) Tempo de presa reduzido e baixa sensibilidade térmica.
 D) Isolamento total contra infiltração bacteriana.
 E) Liberação de íons metálicos que aumentam o brilho superficial.
7.
Um estudante utiliza CIV recém-manipulado, porém o material endurece prematuramente durante 
a inserção.
 O erro técnico mais provável é:
A) Proporção incorreta com excesso de líquido.
 B) Manipulação demorada após mistura do pó e líquido.
 C) Condicionamento ácido prolongado.
 D) Armazenamento do pó em ambiente úmido.
 E) Mistura em placa fria, que acelera a reação ácido-base.
8.
Durante a restauração do elemento 45, o operador busca material biocompatível, com liberação 
de flúor e boa adesão química, mas com resistência superior.
 O material mais adequado é:
A) CIV convencional.
 B) CIV modificado por resina.
 C) Compômero.
 D) Cermet.
 E) Amálgama modificado.
9.
Durante a manipulação do CIV, o operador utiliza proporção de duas medidas de pó para uma 
gota de líquido, buscando aumentar a resistência.
 A consequência clínica dessa alteração será:
A) Tempo de presa reduzido e adesão mais fraca.
 B) Maior resistência, porém com risco de fraturas marginais e pouca adaptação.
 C) Melhor adaptação marginal e liberação de flúor aumentada.
 D) Reação ácido-base retardada com baixa resistência final.
 E) Aumento da plasticidade e menor retração.
10.
Um paciente retorna após 3 meses da restauração com CIV convencional no dente 22, e observa-se 
mancha superficial e perda de brilho.
 Essa alteração está relacionada a:
A) Sinérese e embebição do material por troca hídrica.
 B) Excesso de flúor liberado pela matriz vítrea.
 C) Reação ácida incompleta entre vidro e polímero.
 D) Desgaste superficial pela ausência de cermet.
 E) Falta de recarga de flúor por higienização deficiente.
11.
Durante a confecção de uma base cavitária sob restauração de amálgama, o operador utiliza CIV 
convencional.
 Essa escolha é vantajosa porque:
A) O CIV é isolante térmico, anticariogênico e adere quimicamente à dentina.
 B) A base de CIV impede a contração de polimerização do amálgama.
 C) O material polimeriza por luz, formando barreira adesiva.
 D) O CIV aumenta a resistência oclusal do amálgama.
 E) O CIV libera flúor, mas não se adere à dentina.
12.
Em restaurações de dentes decíduos, o compômero pode ser preferido em relação ao CIV 
convencional, pois:
A) Possui melhor estética e polimeriza por luz, com boa liberação de flúor.
 B) É mais radiopaco e possui maior adesão química à dentina.
 C) Tem resistência semelhante e menor liberação de flúor.
 D) É mais biocompatível e menos sensível à umidade.
 E) Exige menor condicionamento e liberação de flúor contínua.
13.
Durante a manipulação do CIV, o operador observa que o material ficou muito fluido.
 Isso indica:
A) Excesso de pó na mistura.
 B) Quantidade de líquido aumentada, com menor proporção de vidro.
 C) Inserção precoce do pó no ácido.
 D) Secagem incompleta da cavidade.
 E) Tempo de manipulação excessivo.
14.
Em uma restauração com CIV, o operador não aplicou proteção superficial após a inserção.
 A consequência clínica mais provável é:
A) Contração volumétrica e bolhas internas.
 B) Perda de brilho e fissuração por sinérese e embebição.
 C) Aumento da resistência e tempo de presa reduzido.
 D) Contaminação por flúor residual.
 E) Aumento do pH local e dissolução do vidro.
15.
Durante uma aula prática, um aluno utiliza Cermet em uma cavidade classe I de molar decíduo.
 A principal justificativa para essa escolha é:
A) Elevada estética e transparência.
 B) Resistência aumentada devido à adição de partículas metálicas.
 C) Liberação maior de flúor e brilho superficial.
 D) Reação ácido-base mais lenta e adesão superior.
 E) Custo reduzido e tempo clínico menor.
1.
Explique detalhadamente o mecanismo químico de adesão do cimento de ionômero de vidro ao 
dente, destacando o papel dos grupos carboxílicos e dos íons cálcio.
2.
Compare os tipos de cimento de ionômero de vidro (convencional, modificado por resina, 
compômero e cermet) quanto à composição, propriedades, indicação e comportamento clínico.
3.
Descreva passo a passo a técnica clínica correta para inserção do CIV convencional, justificando a 
importância de cada etapa (condicionamento, manipulação, inserção e proteção superficial).
4.
Durante uma restauração cervical com CIV, o material apresentou fissuras e perda de brilho logo 
após inserção.
 Discuta as causas químicas e operatórias prováveis e explique como evitá-las.
5.
Explique o efeito anticariogênico do CIV, descrevendo o mecanismo de liberação, recarga e ação do 
flúor sobre os tecidos dentários e as restaurações adjacentes.