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RADIOLOGIA - BLOCO III - HABILIDADES 1. SINUSOPATIAS - São cavidades cheias de ar localizadas dentro dos ossos do crânio e da face. - Estão em íntima relação com a cavidade nasal, comunicando-se com ela por pequenos óstios. - Revestidos por mucosa respiratória (epitélio pseudoestratificado ciliado), que ajuda na limpeza e umidificação do ar. ➔ Funções - Redução do peso do crânio (ossos ficam mais leves). - Resonância da voz, influenciando timbre e projeção. - Aquecimento e umidificação do ar inspirado. - Proteção contra traumas, funcionando como “zonas de impacto”. - Produção de muco, que ajuda na defesa contra agentes infecciosos. ➢ ANATOMIA ➢ DESENVOLVIMENTO DOS SEIOS PARANASAIS - Seios maxilares → presentes desde o nascimento; expandem-se rapidamente até os 4 anos. - Seios etmoidais → presentes ao nascimento; formados por várias pequenas células aeradas, cada uma com sua abertura própria. - Seios esfenoidais → ausentes ao nascimento; começam a se desenvolver nos primeiros 2 anos; pneumatização completa por volta dos 5 anos; tamanho definitivo aos 12 anos. - Seios frontais → desenvolvimento variável; só são distinguíveis radiograficamente a partir dos 6 anos; desenvolvimento completo entre 9–10 anos. ➢ FISIOLOGIA DA DRENAGEM SINUSAL A drenagem sinusal é o processo pelo qual o muco produzido nos seios paranasais é transportado para a cavidade nasal. Esse mecanismo depende de: - Óstios de drenagem (pequenas aberturas que conectam os seios à cavidade nasal). - Batimento ciliar da mucosa respiratória. - Composição do muco, que possui duas fases: - Fase gel (mais viscosa, externa, retém partículas). - Fase sol (menos viscosa, interna, onde os cílios se movimentam). - Mecanismos fisiológicos - Ventilação sinusal: entrada e saída de ar pelos óstios, essencial para equilíbrio de pressão. - Transporte mucociliar: cílios empurram o muco em direção aos óstios. - Gravidade: auxilia, mas não é suficiente sem o batimento ciliar. - Importância clínica - Obstrução dos óstios → acúmulo de secreção → predisposição à sinusite. - Alterações anatômicas (desvio de septo, hipertrofia de conchas nasais) podem comprometer a drenagem. - Infecções crônicas estão ligadas à falha no transporte mucociliar ou ao espessamento do muco. ➢ MODALIDADE DE IMAGENS ➔ Raio X - Vantagens - Baixo custo, fácil acesso. - Útil para avaliação inicial. - Limitações - Baixa sensibilidade. - Sobreposição de estruturas → muitos falsos negativos. - Não diferencia bem os tipos de conteúdo (muco, secreção, lesões). - Incidências mais utilizadas - Caldwell (seios frontais e etmoidais). - Waters (principal: seios maxilares). - Perfil (seio esfenoidal). ➔ Tomografia computadorizada (padrão ouro) - Vantagens - Alta resolução óssea. - Excelente para anatomia cirúrgica. - Avalia extensão da doença. - Distingue muco, secreção, pólipos, massas. - Principais achados - Espessamento mucoso: laminar ou nodular. - Nível líquido: sinusite aguda. - Opacificação total do seio. - Pólipos: formações arredondadas, densidade de partes moles. - Cisto de retenção mucosa: abaulado, de limites regulares, sem erosão óssea. - Sinusite crônica: espessamento mucoso persistente, remodelamento ósseo. - Complicações: erosão óssea, celulite orbitária, abscesso subperiôsteo, intracraniana. ➔ TC de complicação: meningite - A sinusite bacteriana, especialmente quando não tratada ou em casos graves, pode se espalhar para estruturas vizinhas. - Os seios paranasais estão anatomicamente próximos da base do crânio e das meninges (membranas que envolvem cérebro e medula espinhal). - A infecção pode atingir o sistema nervoso central por: - Disseminação direta: erosão óssea ou passagem através de veias comunicantes. - Disseminação hematogênica: bactérias entram na corrente sanguínea e alcançam as meninges. - Fatores de risco - Sinusite não tratada ou mal tratada. - Imunossupressão (crianças pequenas, idosos, pacientes com doenças crônicas). - Alterações anatômicas que dificultam a drenagem sinusal. - Infecções recorrentes ou crônicas. - Manifestações clínicas de alerta - Quando a sinusite evolui para complicações intracranianas, podem surgir: - Febre alta persistente (>39°C). - Cefaleia intensa e difusa. - Rigidez de nuca. - Alterações visuais ou neurológicas (confusão mental, convulsões). - Edema em pálpebras ou face. ➔ TC de complicação: trombose de seio cavernoso - O seio cavernoso é um seio venoso da dura-máter localizado em ambos os lados da sela túrcica. - Estruturas importantes passam por ele: artéria carótida interna, nervos cranianos III, IV, V1, V2 e VI. - Comunica-se com veias da face (veia oftálmica superior e inferior) e com seios venosos intracranianos. - A sinusite esfenoidal e etmoidal são as mais associadas, devido à proximidade anatômica. - A infecção pode se espalhar por: - Disseminação venosa retrógrada (veias sem válvulas permitem fluxo reverso). - Erosão óssea causada pela inflamação. - O resultado é uma tromboflebite séptica no seio cavernoso. - Manifestações clínicas - Febre alta e mal-estar. - Edema periorbitário e proptose (olho projetado). - Oftalmoplegia (paralisia dos músculos oculares) por acometimento dos nervos cranianos. - Alterações visuais e dor intensa retro-orbitária. - Sinais neurológicos graves se houver progressão intracraniana. - Importância clínica - A trombose do seio cavernoso é uma complicação rara, mas potencialmente fatal da sinusite. - Exige diagnóstico precoce com exames de imagem (ressonância magnética, angio-TC). ➔ Ressonância magnética - Não é exame de rotina, usada quando há suspeita de complicações ou massas. - Indicações - Diferenciar secreção espessa × pólipos × tumores. - Suspeita de complicações intracranianas ou orbitárias. - Avaliar doença fúngica. - Suspeita de mucormicose. ➔ RM de abscesso subperiosteal - Os seios paranasais estão em íntima relação com a órbita e os ossos da face. - A mucosa sinusal é contínua com a mucosa nasal e pode sofrer inflamações bacterianas (sinusite). - Quando a infecção se estende além da cavidade sinusal, pode atingir o periósteo (camada que recobre o osso), formando um abscesso subperiosteal. ➔ RM da sinusite fúngica alérgica - É uma forma não invasiva de sinusite crônica, caracterizada por uma reação de hipersensibilidade a fungos presentes na cavidade nasal e nos seios paranasais. - Diferente das sinusites bacterianas, não há invasão tecidual pelo fungo, mas sim uma resposta imune exagerada. - A SFA é considerada uma subcategoria da sinusite crônica. - O processo começa como uma sinusite persistente, mas em indivíduos predispostos (geralmente com histórico de asma ou rinite alérgica) ocorre uma resposta imunológica intensa contra os fungos. - Essa reação leva à produção de muco espesso e rico em eosinófilos, chamado de “muco alérgico fúngico”, que obstrui os seios e perpetua a inflamação. - Manifestações clínicas - Congestão nasal crônica. - Rinorreia espessa e de difícil eliminação. - Polipose nasal (formação de pólipos). - Redução do olfato. - Em casos avançados, pode causar erosão óssea e deformidades faciais devido à pressão do muco acumulado. - Diagnóstico - Tomografia computadorizada: mostra opacificação dos seios com áreas hiperdensas (muco fúngico). - Ressonância magnética: diferencia secreção de tecido inflamatório. - Exame histopatológico: confirma presença de fungos e eosinófilos sem invasão tecidual. - Tratamento - Cirurgia endoscópica funcional: para remover o muco e restaurar a drenagem sinusal. - Corticoterapia tópica ou sistêmica: para controlar a resposta inflamatória. - Antifúngicos não são indicados rotineiramente, já que o problema é imunológico e não infeccioso. - Acompanhamentoprolongado é necessário, pois há alta taxa de recorrência. ➢ QUADRO CLÍNICO ➔ Sinusopatia aguda - Nível hidroaéreo - Opacificação com secreção - Mucosa espessada sem remodelamento ósseo - Associado ao quadro clínico recente ➔ Sinusopatia crônica - Espessamento persistente da mucosa - Remodelamento ou alteração óssea - Anormalidades anatômicas da drenagem - Pólipos ou cistos - Tipos - Com polipose (20 a 30%) - Fúngica alérgica - Rinossinusite crônica sem polipose (60%) ➢ RINOSSINUSITE ➔ Etiologia - Viral (98%) - Rinovírus 50% - Coronavírus 10% a 15% - Influenza (5% a 10%) - Parainfluenza e vírus sincicial respiratório - Bactéria (2%) - Streptococcus pneumoniae - Haemophilus influenzae - Moraxella catarrhalis ➔ Classificação - Aguda - Menos de 4 semanas - Subaguda - Entre 4 e 12 semanas - Crônica - Mais que 12 semanas ➔ Quadro clínico - Obstrução e congestão nasal - Febre - Tosse seca ou produtiva - Cefaleia - Secreção pós-nasal ou gotejamento em retrofaringe - Halitose - Crostras em narinas - Dor à palpação dos seios paranasais - Rinossinusites virais e bacterianas - Tosse - Secreção nasal - Obstrução nasal - Febre - Dor facial e cefaleia - Rinossinusites bacterianas - Piora dos sintomas após o 5º dia (piora após melhora) - Persistência após 10 a 12 dias ➔ Diagnóstico - Clínico. - Indicação de TC - Casos de suspeitas de complicações orbitárias ou intracranianas - Tratamento refratário - Sinusite recorrente ➔ Tratamento - Uma pontuação total 8, quadro grave. - Viral - Lavagem nasal com solução salina. - Analgésicos e antitérmicos (se necessários) como sintomáticos. - Hidratação (de preferência via oral). - Orientação clínica, repouso e retorno para reavaliação se sinais de gravidade ou persistência dos sintomas. - Bacteriano - Leve/moderado - Amoxicilina 90 mg/kg/dia ou Amoxicilina-Clavulanato 45 mg/kg/dia - Grave - Amoxicilina-Clavulanato 90 mg/kg/dia