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DESIGN DA INFORMAÇÃO AULA 3 Profª Caroline Winkelmann 2 CONVERSA INICIAL Vindo das aulas anteriores, construindo conhecimento sobre este campo do Design, linguagem e cognição, nesta aula refletiremos sobre como projetar a informação, traduzindo conteúdo para uma linguagem visual. O objetivo desta aula é aprender como pensar e projetar a informação de maneira visual, indo do planejamento e organização do conteúdo até sua representação em uma composição visual. Para isto, vamos primeiro abordar considerações funcionais e estratégicas a serem pensadas antes de partirmos para um layout. Após esta etapa de planejamento, veremos como traduzir o conteúdo de acordo com o que foi planejado, considerando algumas questões como a cor e a tipografia. CONTEXTUALIZANDO O design da informação se caracteriza, em parte, como método para informar um conteúdo específico para o usuário. Dada esta característica, não seria incomum perceber que algumas questões de metodologia e estratégia já comuns no design podem ganhar corpo ou serem usadas como ferramenta para a informação. Não há, no entanto, regras absolutas: o interessante é construir um repertório de possíveis ferramentas, mídias e técnicas para entender o usuário e seu contexto e, com isso, projetar da maneira mais eficaz possível. Hoje, o que desenvolveremos são reflexões sobre algumas coisas que são prudentes avaliar quando o objetivo é informar. O trabalho com informação pode tomar diferentes formas. Em aplicativos de delivery, o usuário consegue manipular os dados que precisa, como custo da refeição ou tempo de entrega. Neste caso, cabe ao designer desenvolver uma interface que facilite essa transição e observação de muitos dados ao mesmo tempo. Em um projeto de sinalização, o usuário deve transitar pelo ambiente de maneira natural, intuitiva, mesmo que possa não ter pleno conhecimento de tudo que um parque, hospital, cidade, shopping ou qualquer que seja o local possa oferecer. Com este tipo de projeto, o desafio pode ser imaginar e sugerir quais caminhos os transeuntes farão e garantir que o encontro de pontos relevantes, como banheiros, seja facilitado. Já placas de advertência, especialmente quando há risco de vida (por eletrocussão, por exemplo), ou orientações para emergências precisam estar e serem muito 3 visíveis, sem margens para acidentes. Nesse tipo de comunicação, o essencial é uso de todos os artifícios possíveis (cores chamativas, ícones, tipografia legível, entre outros) para chamar a atenção e serem imediatamente compreendidas. TEMA 1 – CONTEXTO DE USO O designer não deve se limitar aos processos gráficos. Deve abranger todo processo organizacional do projeto e da informação, incluindo a pesquisa sobre o público, o contexto de uso, a mídia e afins (Frascara, 2004, p. 98). Uma das primeiras coisas a ser considerada quando for planejar a execução de um material informativo é o seu contexto de uso, em que circunstâncias o usuário vai acessar aquela informação. Algumas questões que devem ser consideradas incluem a familiaridade com o material, seu tempo de uso, se é algo para situações emergenciais ou não, entre outros. É uma informação a ser consultada? Ou é uma informação nova a ser estudada por período prolongado? Para Pettersson (2012) e para Twyman (1985), o contexto e circunstância de uso serem pautados na construção do material influencia, inclusive, a eficácia da comunicação. Para exemplificar o contexto de uso, observe o material gráfico a seguir (Figura 1), que contém uma série de instruções em linguagem pictográfica e esquemática, orientando procedimentos em caso de emergência para viajantes de avião. Este tipo de material costuma estar disponível para os passageiros nos aviões, ficando acessível para a leitura durante a viagem. Estando nos bancos dos passageiros, também é um material de acesso rápido em caso de emergências. 4 Figura 1 – Material com instruções em caso de emergências em viagens de avião. A primeira fileira de instruções se refere à “pouso de emergência”. A seguir, o texto indica as instruções para “evacuação na água” Crédito: T.B. photo/Shutterstock. Perceba que, neste material, as escolhas estéticas foram feitas para uma leitura rápida, independente de idioma (excluindo o texto no canto superior esquerdo), com uso estratégico das cores. O desenho simplificado com os objetos mencionados com destaque em amarelo e as instruções em vermelho facilitam a leitura rápida em uma situação emergencial, em que o usuário precisa compreender tudo muito rapidamente. Este material possui, no entanto, algumas questões a serem revistas pensando no uso internacional, como parece ser o caso, já que o texto referente às instruções está em inglês e em língua árabe. Sendo um material cujo contexto de uso é internacional, seria relevante o uso de números ou letras para orientar a ordem de leitura das instruções. Neste caso, parece ser assumida a leitura da esquerda para a direita, como é o padrão ocidental de leitura. Outras culturas leem da direita para a esquerda, como é o caso da escrita árabe. As instruções serão lidas por cada usuário, como é o padrão de leitura aprendido por este, estando em linguagem verbal ou linguagem pictórica e esquemática. Por este motivo, no caso deste exemplo, é fundamental a 5 análise do contexto de uso. Para um usuário cujo padrão de leitura seja da direita para a esquerda, a falta de ordenação dos passos pode atrasar ou até impossibilitar a compreensão deste material, que, aparentemente, deveria se adequar para um uso mais amplo. TEMA 2 – TIPOS DE INFORMAÇÃO Retomando o que foi visto na aula anterior, devemos reconhecer como designers atuam na manipulação do conteúdo na comunicação de informações. Isto implica analisar como representar determinados dados e o que é relevante em determinado material. Nas palavras de Katz (2012, p. 33), saber como algo é não é a mesma coisa de saber como aquilo funciona. Parte do trabalho do designer de informação é filtrar e organizar os dados, o que dá certa autoria ao profissional, coisa de imensa responsabilidade, a depender do que está sendo tratado. É preciso estratégia para projetar o tipo de informação a ser trabalhado e como apresentar apenas o essencial sem descontextualizar e gerar desinformação ou ruído na comunicação. Considere a produção de uma peça gráfica de suporte para material didático sobre o sistema digestivo. Como você faria este tipo de projeto para uma apostila de uso no curso de medicina? E se fosse para uma apostila do ensino fundamental? É um material para compreender como este sistema funciona ou como ele é? Caso seja uma peça apenas para demonstrar o funcionamento, é possível usar alguma metáfora visual ou o realismo da representação deve estar presente? O mapa do metrô de Londres (Figura 2) projetado por Harry Beck em 1931 é um case interessante da área. Este, na realidade, é um diagrama simplificado que conta com as informações resumidas de acordo com o que é necessário para alguém se informar sobre o transporte público. Para orientação de passageiros sobre as linhas do metrô, este modelo resume as informações que são necessárias e as distorce, a fim de simplificar a visualização, facilitando assim compreensão dos trajetos feitos por cada linha pela cidade. Porém, se este mapa fosse usado no planejamento urbano ou para ensino de geografia, o modo como o conteúdo foi apresentado caracterizaria desinformação. 6 Figura 2 – Mapa do metrô de Londres desenhado por Harry Beck (1931) Crédito: T.B. photo/Shutterstock. Geograficamente, as estações do metrô e seu itinerário não se acomodam de um jeito tão cartesiano, tendo rotas retas e diretas. Veja que as indicações do mapa sinalizam de maneira muito linearo caminho das linhas do metrô. Neste caso, a simplificação e distorção da informação do trajeto foi benéfica e importante para dar ao usuário o dado que ele precisa de maneira rápida e simples. O mapa geograficamente correto poderia exigir mais tempo dos transeuntes, tentando interpretar as direções das linhas. Já o diagrama de Harry Beck apresenta a informação do trajeto das linhas de metrô de maneira rápida e simples. TEMA 3 – TRABALHANDO COM A INFORMAÇÃO O tipo de informação que quer se representar, e seu contexto de uso, guia o tipo de representação visual que será usada na composição visual. Além de se saber o que está sendo exposto e em que contexto, o designer deve considerar o repertório visual do seu público para projetar as representações visuais mais adequadas para o conteúdo. 7 É preciso atenção para não distorcer a interpretação dos dados ou os representar de uma maneira incorreta, dificultando sua compreensão. Representar informações de tempo não é a mesma coisa que representar informações de causa e consequência, por exemplo. Pensando nestes requisitos, podemos planejar qual configuração melhor se adapta ao conteúdo. Talvez você esteja pensando na representação de dados quantitativos representados em gráficos de barra ou de pizza. No entanto, a representação visual não se limita a dados numéricos e estatísticos. Roam (2008, p. 96-107) propõe um esquema para planejar a apresentação visual de informações que chama de SQVID (Simple, Quality, Vision, Individual atributes, Delta). Esta sigla é traduzida como “Simplicidade, Qualidade, Visão, Atributos Individuais e Delta”. Por Delta, o autor se refere ao símbolo grego Delta (Δ), que representa “mudança”. A legenda serve ao propósito de orientar cinco variáveis a serem ponderadas quando queremos explicar algo através do desenho, sendo estas: a) Simplicidade ou elaboração: Demonstração de algo simples ou de algo elaborado. Se o que queremos apresentar precisa ser interpretado em um contexto ou pode ser visto isolado; b) Qualitativo ou quantitativo: Dados referentes à qualidade de algo, suas características ou dados numéricos e estatísticos; c) Visão ou execução: Apresentação de um exemplo ou dos procedimentos para realização de alguma coisa, como exemplo na Figura 3; d) Atributos individuais ou comparação: Abordar as características de algo ou fazer a comparação de diferentes objetos; e) Mudança ou status quo: Representação de algo como é ou suas transformações. 8 Figura 3 – Execução: como preparar café com a prensa francesa em cinco passos ilustrados Crédito: Andy Chipus/Shutterstock. Além destas considerações, pode-se contemplar o que determinado conteúdo ou informação quer responder ou explicar. As seis perguntas básicas a serem respondidas, de acordo com Roam (2008, p. 134-136), são: a) Quem: Representação qualitativa de alguém; b) Quanto: Representação quantitativa de números em gráficos, por exemplo; c) Onde: Posição no espaço geográfico em mapas; d) Quando: Posição no espaço temporal com linhas do tempo; e) Como: Causa e efeito, representados em diagramas; f) Porquê: Dedução e predição. Essas representações podem acontecer de maneira isolada ou simultânea, a depender do conteúdo e de sua complexidade. Você pode conhecer diversas maneiras de representar diferentes dados e informações pelo Projeto Dataviz. TEMA 4 – HIERARQUIA DA INFORMAÇÃO Parte do pensamento durante um projeto gráfico informativo, e que ajuda a traduzir o conteúdo em algo visual, são a organização, categorização e, principalmente, a hierarquia da informação. No caso de conteúdos complexos, a categorização e organização dos dados e informações facilitam a leitura do público. A hierarquização estipula uma ordem de leitura e/ou de importância, guiando o processo cognitivo do usuário. Este planejamento se transpõe no material gráfico, de acordo com o uso de recursos como texto em diferentes pesos e escala, ou com cores para https://www.shutterstock.com/pt/g/chipus 9 contraste, numeração para ordem de leitura, posicionamento no layout, entre outros. Inclusive, para Coates & Ellis (2014, p. 66), a organização da informação deveria ser o primeiro passo da estruturação da composição visual. Como foi visto no tema anterior, o conteúdo pode ser acessado dentro de diferentes contextos, simbolizar diferentes tipos de informação e responder diferentes questões. Organizar e categorizar o conteúdo é a etapa fundamental em que o designer avalia estas questões e planejar como fará a tradução do conteúdo para a forma visual. Esta etapa é estratégica pois a própria organização e categorização das informações guia sua hierarquização e, consequentemente, a composição visual. Com isto feito, é possível hierarquizar o conteúdo. A hierarquização pode ser usada tanto para guiar a leitura do usuário, como para destacar alguma informação mais relevante, ou ainda para chamar a atenção do usuário. Figura 4 – Hierarquia da informação: o peso e tamanho das tipografias e a numeração dos blocos de leitura da página direita cumprem o papel de orientar a ordem de leitura do usuário Crédito: MITstudio/Shutterstock. 10 Como é colocado por Frascara (2004, p. 93), “a organização de um projeto de design é um problema de design”. A parte de comunicação e visualização são o estudo do problema e o desenvolvimento de estratégias de acordo com os objetivos do projeto. O mapeamento e organização do conteúdo acontece de acordo com cada projeto, visto que diferentes projetos e diferentes públicos terão diferentes necessidades e requisitos. TEMA 5 – ASPECTOS GRÁFICOS Tendo a parte de planejamento, vista nos temas anteriores, concretizada, o designer pode projetar a composição visual da informação. Com a experiência, a tendência é fazer isto até de maneira intuitiva, ou nas palavras de Frascara (2004, p. 2), com “uso instruído da intuição”. Aspectos gráficos como formas, ícones, cores, estilos e até o uso da tipografia são poderosas ferramentas neste momento. Como já havia sido colocado, a estética, para o design da informação, é uma ferramenta para a comunicação. Um caso interessante para pensarmos neste tema foi levantado por Katz (2012, p. 45-47): a representação da pirâmide alimentar. A forma triangular elenca os grupos alimentares a serem consumidos e em qual quantidade pode implicar a ideia de “superioridade” para grupos alimentares posicionados no topo, mesmo que não seja esta a intenção. Uma alternativa para a representação dos grupos alimentares como partes igualmente importantes da alimentação poderia ser a sua representação em um gráfico circular. O uso desta forma permite a visualização dos grupos alimentares como partes de um todo, como está exemplificado na Figura 5. Além disto, apropria-se de uma forma que relacionamos à comida, ao prato e deixa mais intuitiva a visualização da proporção de cada grupo alimentar que é aconselhável consumir. 11 Figura 5 – Roda alimentar simbolizando os grupos alimentares Crédito: ilusmedical/Shutterstock. O exemplo da Figura 1, visto no tema 1 desta aula, mostrava um uso moderado de cor para ressaltar apenas as informações necessárias. A cor é um aspecto gráfico de extrema relevância para a informação. Não só por escolhas estéticas para simplificar e direcionar o conteúdo, como no caso da Figura 1, como também por ser um elemento com significados próprios por si só. Além dos fatores culturais que guiam a interpretação da cor – e que devem ser levados em conta no projeto –, alguns usos da cor já são convencionados, e este é outro ponto importante no planejamento da comunicação. Imagine uma placa de “pare” em outra cor que não o vermelho, por exemplo. O uso de convenções, inclusive da cor, auxilia na compreensão. A cor pode ser usada para categorizar elementosdo conteúdo e facilitar a navegação do usuário entre diversas categorias de informação. O uso consistente de uma mesma cor para representar partes de uma interface digital interativa, como botões em sites e aplicativos, facilita a navegação do usuário. 12 Figura 6 – Interface digital de aplicativo com uso consistente de cores para informar o usuário partes interativas do layout Crédito: AlexanderTrou/Shutterstock. Perceba na Figura 6 como o laranja e o roxo foram usados, junto do uso consistente da forma de retângulos com cantos arredondados, para demarcar partes do layout em que o usuário pode “clicar”, enquanto áreas de preenchimento ficam destacadas em branco. Retomamos aqui um ponto visto na aula anterior: a comunicação visual pode persuadir ou informar, e materiais gráficos podem acomodar estes dois objetivos. Nestes casos, é necessário cuidado para não gerar ruído na comunicação ao usar um mesmo aspecto para organização e para decoração. Pettersson (2012, p. 55) reforça que “deve ser sempre claro e fácil para o receptor quando a cor e a tipografia são usadas para decoração e quando o uso deve ter alguma importância cognitiva”. Sobre a tipografia, Lupton (2013, p. 83) afirma que: O texto pode ser visto como um objeto – impávido e robusto – ou como um fluido derramado nos continentes da página e da tela. [...] Os designers abrem caminhos para dentro – e para fora – do fluxo de palavras, quebrando o texto em partes e oferecendo atalhos e rotas alternativas através da massa de informação. [...] a tipografia auxilia os leitores a navegarem pela correnteza do conteúdo. Eles podem procurar um dado específico ou esforçar-se para processar rapidamente um volume de conteúdo e dele extrair elementos para uso imediato. Embora muitos livros vinculem o propósito da tipografia à melhoria da legibilidade da palavra escrita, uma das funções mais refinadas do design é de fato ajudar os leitores a não precisar ler. Em outras palavras, o uso da tipografia deve propiciar a compreensão do conteúdo mesmo quando um leitor visualiza rapidamente o material, apenas 13 “passando os olhos” pelo conteúdo. Organizar o texto a fim de facilitar a leitura, com adequação de tamanho de fonte, espaço entrelinha, tamanho das linhas em si, contraste e respiro etc., é tão relevante quanto trabalhar diferentes pesos e tamanhos de uma fonte para hierarquizar a informação e esquematizar a leitura. Essa esquematização permite o “não precisar ler” citado por Lupton, e permite que o material possa ser consultado rapidamente se necessário. O uso estratégico da tipografia permite agilidade na leitura e rápido entendimento da hierarquia da informação, como pode ser visto na Figura 7, comparando o mesmo conteúdo trabalhado de diferentes maneiras. Figura 7 – Hierarquia da informação estabelecida apenas com uso da tipografia Fonte: Winkelmann, 2021. Provavelmente, você já tentou consultar a bula de algum medicamento para encontrar alguma informação específica e se frustrou ao desdobrar uma folha repleta de texto sem uma hierarquia clara. A depender do caso e da medicação, a falta de design da informação das bulas pode ainda agravar riscos de vida para os usuários, como em situações em que é preciso encontrar o que fazer em caso de sobredose – é uma informação que precisa ser encontrada com urgência e acaba “camuflada” diante de tantas outras em um bloco de texto corrido. 14 Por fim, é preciso ressaltar que é indispensável para comunicação de informações considerar diferentes requisitos que diferentes usuários possam ter, como o daltonismo ou baixa visão. Por isto, questões de usabilidade e acessibilidade serão vistas dentro de temas específicos nas próximas aulas, mesmo que estes assuntos não tenham entrado na discussão na presente aula. TROCANDO IDEIAS Comentamos, nesta aula, como organizar, hierarquizar e pensar visualmente a informação. Vamos debater com os colegas no fórum online o conteúdo aprendido hoje através da análise de materiais gráficos. Procure ao menos um exemplo de interface aplicativo, embalagem ou página inicial de algum site e avalie o uso das cores, tipografia, grid e formas. As cores estão categorizando algo ou são decorativas? A tipografia foi usada para hierarquizar a informação? O grid colabora para a leitura ou visualização do conteúdo? Há alguma informação em destaque? Que formas estão presentes na composição visual? São decorativas ou informam algo? Compartilhe suas impressões sobre como os aspectos gráficos foram usados em favor (ou não) da informação. Colabore também com as avaliações dos colegas, complementando o que cada um analisou. NA PRÁTICA Solicitamos para a atividade desta aula a construção de um perfil ilustrado para uma revista ficcional. A partir das respostas básicas de Roam (2008) vistas no tema 3, você deve organizar, categorizar e configurar o perfil de uma personalidade da história do Design da Informação para a revista, e a partir daí projetar uma página A4 (210x297mm) como julgar necessário. O texto com o conteúdo pode ser replicado inteiramente ou ser usado em partes, dependendo do seu projeto. A seguir, o texto que seu colega jornalista da revista imaginária enviou para a produção do material: “Florence Nightingale foi uma enfermeira e estaticista britânica do Século XIX. Durante seu serviço cuidando de soldados feridos na Guerra da Criméia (1853-1856), Nightingale registrou dados sobre as mortes e protocolos de atendimento nos cuidados médicos. Após estes eventos, Florence percebeu 15 que a taxa de morte dos soldados era influenciada pelas condições sanitárias dos hospitais, tendo menor mortalidade com maior cuidado sanitário. Se tornou famosa no campo do Design da Informação por apresentar estes dados de maneira visual, uma atitude pioneira na época. Usou de um gráfico de pizza adaptado, que hoje chamamos de Nightingale Rose Graph (ou, gráfico de rosa Nightingale)”. Se achar necessário, consulte os conteúdos das aulas anteriores, sobre tipos de linguagem gráfica, Gestalt e ISOTYPE, para auxiliar o seu projeto. FINALIZANDO Nessa aula, estudamos como pensar a informação de maneira visual. Projetar o conteúdo de maneira estratégica envolve ponderar contexto de uso, tipo de informação e como a representar antes do desenvolvimento da composição visual. Ao longo dos temas, desenvolvemos os tópicos relacionados ao planejamento de projetos gráficos com conteúdo informacional: o contexto de uso, o tipo de conteúdo a ser trabalhado, como representar estas informações e como usar de alguns aspectos gráficos para o design destas informações. Na produção de materiais gráficos com objetivo de informar, é importante planejar com atenção a organização do conteúdo e observar bem o contexto de uso do material; afinal, estes requisitos interferem na composição visual. Nesta aula, pudemos ver como a estética pode ser usada como uma ferramenta da informação. Isso transparece quando considerado que o uso de cores, grid, peso visual e escolhas tipográficas guiam a leitura de um usuário. As cores ainda possuem próprios significados ou ainda aumentam ou diminuem a atenção para informações específicas. Nas próximas aulas, com base neste repertório construído até agora na disciplina, vamos estudar infografia, visualização de dados, wayfinding, sequências pictóricas de procedimento e tantas outras possibilidades de trabalho com o design da informação. 16 REFERÊNCIAS COATES, K; ELLISON, A. An introduction to Information Design. London: Laurence King Publishing, 2014. FRASCARA, J. Communication design: principles, methods, and practice. Allworth Communications, Inc., 2004. KATZ, J. Designing Information: human factors and common sense in information design. New Jersey, Published by John Wiley & Sons, Inc. Hoboken, 2012. LUPTON,E. Pensar com tipos. 2. ed. São Paulo: Cosac Naify, 2013. PETTERSSON, R. It Depends: Principles and Guidelines. Viena: Internacional Institute For Information Design, 2012. ROAM, D. The back of the napkin: solving problems and selling ideas with pictures. Nova Iorque: Penguin Group, 2008. TWYMAN, M. Using pictorial language: a discussion of the dimensions of the problem. In: DUFTY, T. M.; WALLER, R. (eds.). Designing usable texts. Orlando: Academic Press, 1985, p. 245-312.