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Processo penal e direito ambiental
Você vai estudar sobre sujeitos ativos, ação penal e medidas despenalizadoras nos crimes ambientais.
Profa. Gisele Bonatti
1. Itens iniciais
Propósito
Analisar os aspectos penais e processuais penais da Lei de Crimes Ambientais é essencial para garantir tanto
a proteção ambiental, como o direito de defesa do infrator. O conhecimento de tais aspectos permite o
operador do direito atuar de forma eficaz na investigação e em todas as demais fases do processo penal
ambiental.
Preparação
Tenha em mãos aLei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998 (Lei de Crimes Ambientais), aLei nº 9.099, de 26 de
setembro de 1995 (Lei dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais), oDecreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro
de 1940 (Código Penal), e oDecreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941 (Código de Processo Penal).
Objetivos
Analisar os aspectos importantes dos sujeitos ativos nos crimes ambientais.
Reconhecer os pontos relevantes da ação penal nos crimes ambientais.
Analisar a aplicação dos institutos da transação penal, da suspensão condicional do processo e do 
acordo de não persecução penal nos crimes ambientais.
Introdução
Estamos vivenciando uma crise ambiental. O modelo de desenvolvimento econômico assumido pelos países
resultou em grande desequilíbrio em nosso ecossistema, perceptível por meio de fenômenos como mudanças
climáticas, excesso de resíduos, perda da biodiversidade e contaminação e restrição dos recursos hídricos.
Em atenção a essas questões, o legislador constituinte instituiu, no §3º do art. 225 da Constituição Federal de
1988 (CF/88), a tríplice responsabilidade ambiental. Isso significa que aquele que causar dano ou colocar em
risco o equilíbrio ambiental poderá responder nas esferas civil, administrativa e penal.
Nota-se, ainda, grande preocupação em ampliar a tutela do bem jurídico ambiental, quando o legislador
estabelece que tanto pessoas físicas como jurídicas responderão por infrações ambientais, prevendo, de
forma inédita, a responsabilidade penal da pessoa jurídica.
Analisaremos os sujeitos ativos dos crimes ambientais, assim como os aspectos da ação e do processo penal
ambiental, enfatizando as medidas despenalizadoras, pois tais institutos são aplicados com frequência em
casos de delitos ambientais.
O conteúdo analisado em nosso estudo tem como base a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998 (Lei de
Crimes Ambientais), e aplicam-se subsidiariamente a essa lei as disposições do Código Penal e do Código de
Processo Penal. Sendo assim, para um melhor entendimento, sugerimos o complemento das lições de direito
penal e direito processual penal.
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1. Sujeitos ativos nos crimes ambientais
Responsabilidade penal da pessoa física
Neste vídeo, esclareceremos quem é o sujeito ativo nos crimes ambientais e discutiremos os limites da
responsabilidade penal da pessoa física. Assista!
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
De acordo com o §3º do art. 225 da Constituição Federal de 1988 (CF/88) “as condutas e atividades lesivas ao
meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas,
independentemente da obrigação de reparar os danos causados”. Em outras palavras, aquele que causar dano
ambiental ou colocar em risco o equilíbrio do meio ambiente, seja pessoa física, seja pessoa jurídica, poderá
responder nas três esferas: civil, administrativa e penal.
Lembre-se de que a responsabilidade civil é objetiva – isto é, independentemente da culpa, o sujeito será
obrigado a reparar o dano – e as responsabilidades penal e administrativa são subjetivas – ou seja, será
analisada a culpa do sujeito, se ele agiu com culpa ou dolo. Isso quer dizer que não existe responsabilidade
penal objetiva.
Confira a redação do art. 2º da Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998 (Lei de Crimes Ambientais):
“Quem, de qualquer forma, concorre para a prática de crimes ambientais, incide nas penas a estes
cominadas, na medida de sua culpabilidade, bem como o diretor, o administrador, o membro de conselho
e de órgão técnico, o auditor, o gerente, o preposto ou mandatário da pessoa jurídica, que, sabendo da
conduta criminosa de outrem, deixar de impedir sua prática, quando podia agir para evitá-la.”
A primeira parte do artigo repete a redação do art. 29 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940
(Código Penal). Cada autor, coautor ou partícipe receberá a pena condizente com o grau de sua
censurabilidade, na medida de sua reprovabilidade.
Autor é aquele que executa a ação nuclear (por exemplo, X caça ou desmata) e coautor é quem
executa, em conjunto com outros, a ação ou omissão que configura o delito (por exemplo, X e Y
pescam ilegalmente). Na coautoria, não há necessidade de existir ajuste prévio entre os indivíduos,
bastando a consciência de que um sujeito cooperava no empreendimento delituoso do outro.
A autoria pode se desdobrar na autoria colateral e na mediata. Ocorre a colateral quando não há consciência
da cooperação mútua (por exemplo, X e Y pescam ilegalmente em um rio, ignorando um a ação do outro).
Nesse caso, cada autor responderá isoladamente por sua ação.
A autoria pode se desdobrar na autoria colateral e na mediata:
A autoria colateral ocorre quando não há consciência da cooperação mútua (por exemplo, X e Y
pescam ilegalmente em um rio, ignorando um a ação do outro). Nesse caso, cada autor responderá
isoladamente por sua ação.
A autoria mediata acontece quando alguém comete um crime por intermédio de outra pessoa, que age
como um instrumento ou meio para a realização do crime. A pessoa utilizada como instrumento, o
executor, não tem capacidade de discernimento ou não age por vontade própria, sendo manipulada ou
coagida por outra pessoa que está no controle da situação. Por exemplo, uso de menor para soltar
balões que possam provocar incêndio em florestas.
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Vamos pensar em um exemplo de autoria mediata no âmbito empresarial. Imagine um funcionário de uma
indústria de tecidos que, cumprindo ordens superiores e atuando em conformidade com as diretrizes da
empresa, despeja resíduos tóxicos no rio, não sabendo que a substância química despejada está acima do
padrão permitido pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), e provoca mortandade de diversas
espécies de peixes. 
Nesses casos, o autor mediato é considerado o verdadeiro autor do crime, enquanto o executor é apenas um
instrumento. Por fim, o partícipe não realiza a conduta típica, só auxilia, coopera ou instiga outrem a realizá-la.
Exemplo
Imagine que um chefe ofereceu determinado valor para um funcionário lançar uma substância química
em um rio e que o funcionário o fez, mesmo sabendo que a substância química provocava a mortandade
de animais. Nesse caso, o funcionário seria autor do crime e seu superior hierárquico, partícipe. 
Embora possível, o recurso à autoria mediata tem sua aplicação restrita a situações excepcionais. Para a
autoria ser considerada mediata, deve ser comprovado que o funcionário estava cumprindo ordens e, na
realização do delito, não tinha noção de que o estava cometendo, ou o estava praticando sob coação.
Responsabilidade penal de diretores ou empregados?
Confira neste vídeo se um diretor ou empregado de pessoa jurídica tem responsabilidade penal ambiental.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Vamos realizar nossa análise com base na reflexão inicial sobre se o mero fato de a pessoa ocupar posição de
diretor ou chefe de determinado setor envolvido em crime ambiental seria suficiente para ela ser condenada.
Levantam-se questionamentos acerca dos pressupostos de imputação penal quanto à conduta omissiva dos
sujeitos indicados na segunda parte do art. 2º da Lei de Crimes Ambientais: “o diretor, o administrador, o
membro de conselho e de órgão técnico, o auditor, o gerente, o preposto ou mandatário de pessoa jurídica,
que, sabendo da conduta criminosa de outrem, deixar de impedir sua prática, quando podia agir para evitá-la”.De acordo com o princípio da culpabilidade, expresso no art. 5º, inciso XLV, da CF/88, “nenhuma
pena passará da pessoa do condenado”. Com isso, podemos concluir que, de acordo com esse
princípio, só poderá responder pelo crime aquele que, por ação ou omissão, der causa ao resultado,
desde que tenha agido com dolo ou culpa.
Seguindo o disposto no art. 13, caput, do Código Penal, não é qualquer causa que levará à responsabilidade
penal, mas somente aquela sem a qual o resultado não teria ocorrido. Note que uma interpretação menos
restritiva do art. 2º da Lei de Crimes Ambientais pode resultar na fragilização das garantias penais do Estado
democrático e levar ao rompimento da necessidade de estabelecimento de relações causais realmente
existentes, aproximando o sistema de responsabilização penal ao da responsabilidade objetiva.
As pessoas elencadas na segunda parte do art. 2º da Lei de Crimes Ambientais podem ser responsabilizadas
por atos de terceiros, desde que estejam cientes da conduta criminosa de outrem e deixem de impedir sua
prática, quando podiam agir para evitá-la. Trata-se de responsabilidade por omissão imprópria, isto é, por
descumprimento de um dever de controle ou vigilância.
Exemplificando na prática essas diretrizes, se determinado funcionário de uma fábrica têxtil realiza o descarte
inadequado dos resíduos do curtume, e seu superior hierárquico, sabendo de tal conduta e podendo evitá-la,
nada faz, poderá responder pelo delito de poluição previsto no art. 54 da Lei de Crimes Ambientais.
Atenção
Para evitar a responsabilidade penal objetiva, a jurisprudência atual do Supremo Tribunal Federal (STF) e
do Superior Tribunal de Justiça (STJ) não admite denúncias genéricas, que não estabeleçam o mínimo
vínculo entre a conduta omissiva do agente (sócio, diretor etc.) e o delito ambiental. Dessa forma, a mera
condição de sócio, diretor ou gestor de determinada pessoa jurídica não enseja a responsabilidade penal
por crimes praticados no seu âmbito, sendo necessário que o titular da ação (Ministério Público)
demonstre a mínima relação de causa e efeito entre a conduta do réu e os fatos narrados na denúncia,
permitindo-lhe o exercício da ampla defesa e do contraditório. A denúncia não precisa apresentar
detalhes minuciosos sobre a conduta perpetrada, até mesmo porque delitos de natureza empresarial,
geralmente, são esclarecidos durante a instrução processual. 
Não é necessária uma narração pormenorizada de cada indivíduo, mas é preciso narrar de forma geral,
demonstrando uma relação de causa e efeito, admitindo-se a denúncia geral, mas não a denúncia genérica.
Por exemplo, não é porque alguém se configura como sócio no contrato social de uma empresa envolvida em
um crime, que se pode presumir que essa pessoa é responsável por ele. 
Há, contudo, uma exceção, relativa à pessoa jurídica de pequeno porte. O STJ entende que “não sendo o caso
de grande pessoa jurídica, em que variados agentes poderiam praticar a conduta criminosa em favor da
empresa, mas sim de pessoa jurídica de pequeno porte, em que as decisões são unificadas no gestor e vem o
crime da pessoa jurídica em seu favor, pode então admitir-se o nexo causal entre o resultado da conduta
constatado pela atividade da empresa e a responsabilidade pessoal, por culpa subjetiva, de seu gestor”
(AgRg no RHC 113.500 e RHC 71.019).
Responsabilidade penal da pessoa jurídica
Acompanhe este vídeo sobre a responsabilidade penal ambiental das pessoas jurídicas. Você entenderá se é
possível que sejam responsabilizadas em tal esfera.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Vamos realizar nossa análise com base na reflexão inicial sobre se um ente fictício, sem vontade própria e
capacidade de ação, pode cometer um ilícito penal.
Apesar de hoje estar pacificado esse assunto, parte da doutrina divergia sobre o tema da responsabilidade
penal da pessoa jurídica. As principais teorias destacadas na doutrina são a teoria da ficção e a teoria da
realidade.
A teoria da ficção defende a ideia de que somente o homem é capaz de ser titular de relações jurídicas.
Feuerbach e Savigny (HAYASHI, 2015) entendem que a responsabilidade penal é, em sua essência, uma
característica inerente e exclusiva dos seres humanos, únicos dotados de consciência, vontade e capacidade
de compreensão do fato e de ação (ou omissão), conforme ou desconforme o direito.
Dessa forma, os sistemas constitucional e infraconstitucional não teriam acolhido a responsabilidade penal da
pessoa jurídica, pois a ela não se aplicam os princípios que regem a atividade punitiva estatal, sendo eles da
culpabilidade, da intervenção mínima e da pessoalidade. 
A pessoa jurídica, por ser um ente fictício, criado por lei, não responderia criminalmente por atos
ilícitos.
A teoria da realidade de Otto Gierke defende que a pessoa jurídica teria capacidade de atuação (societas
delinquere-potest). O intuito do legislador constituinte, segundo os defensores dessa teoria, foi penalizar
cumulativamente a pessoa física e jurídica, mas a responsabilidade da pessoa jurídica deve ser entendida
como uma responsabilidade social, detentora de princípios dogmáticos próprios, diversos da responsabilidade
penal tradicional que é fundada na culpa, individual e subjetiva.
Confira os argumentos utilizados pelos defensores da responsabilidade penal da pessoa jurídica quanto aos
crimes ambientais listados por Gomes e Maciel (2015):
O direito penal deve ser mais um aliado no combate às empresas criminosas e destruidoras do meio
ambiente, uma vez que as sanções administrativas e civis são insuficientes para coibir tais empreitadas
delituosas.
 
A pena criminal tem uma simbologia muito mais forte do que qualquer outra espécie de sanção, o que
contribuirá para frear as empreitadas criminosas ambientais praticadas pelos entes morais.
 
Não é suficiente punir, exclusivamente, a pessoa física, que muitas vezes nenhum benefício tem com a
prática do crime e que acaba sendo o “escudo” para impedir a responsabilidade penal da empresa –
verdadeira beneficiaria do delito ambiental.
Hoje o assunto está pacificado na jurisprudência e encontramos expressamente a responsabilidade penal da
pessoa jurídica, tanto no texto constitucional (art. 225, §3º), como no infraconstitucional (art. 3º da Lei de
Crimes Ambientais).
Observe alguns aspectos em relação a essa responsabilidade penal!
 
A pessoa jurídica será responsabilizada penalmente nos casos em que a infração tenha sido cometida
por decisão de seu representante legal ou contratual, ou de seu órgão colegiado.
 
Para haver a responsabilidade, a infração precisa ter sido cometida no interesse ou benefício de sua
entidade. Por exemplo, no caso de uma empresa de pesca responsável por vazamento de óleo, em
razão de não ter feito manutenção dos barcos, há crime de poluição, conforme art. 54 da Lei de Crimes
Ambientais. O crime tem a ver com a atividade da empresa, tendo sido cometido em seu interesse, em
benefício da empresa, que não quis gastar dinheiro com a manutenção. Já no caso de um funcionário
de uma empresa de pesca decidir jogar óleo no mar propositalmente, sem nenhuma finalidade para a
empresa, não há responsabilidade penal da pessoa jurídica. Ou seja, condutas de agentes da empresa
que não tenham a ver com a pessoa jurídica não vão ser imputadas à pessoa jurídica.
 
A responsabilidade das pessoas jurídicas não impede que pessoas físicas sejam também
responsabilizadas como autoras, coautoras ou partícipes do mesmo fato.
Assim, de forma resumida, a pessoa jurídica poderá responder criminalmente por condutas que lesem o meio
ambiente, nas hipóteses em que a infração decorra de decisão do representante legal ou contratual, ou do
órgão colegiado, para o interesse ou em benefício da entidade.
Teoria da dupla imputação e aspectos processuais
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Neste vídeo, falaremos sobre a responsabilidade da pessoa jurídica condicionada à da pessoa física que a
representa ou não, bem como trataremos de aspectos relevantes da açãopenal em face da pessoa jurídica.
Não perca!
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
A teoria da dupla imputação nos crimes ambientais
Na abordagem sobre responsabilidade penal da pessoa jurídica, cabe citar a discussão doutrinária e
jurisprudencial sobre a responsabilidade da pessoa jurídica estar condicionada ou não à da pessoa física que
atua em seu nome.
Os tribunais superiores interpretavam o parágrafo único do art. 3º da Lei de Crimes Ambientais, no sentido de
que era necessária a verificação da dupla imputação para que o ente coletivo pudesse ser penalizado por
dano ambiental. Em outras palavras, para que a pessoa jurídica fosse responsabilizada, era necessário que
a(s) pessoa(s) física(s) também fosse(m).
O STF, em 2013, apresentou um novo cenário ao delito ambiental cometido pela pessoa jurídica ao
entender que a necessidade da dupla imputação se tratava de inconstitucionalidade, tendo em vista
que o art. 225 da CF/88 expressa que a pessoa jurídica pode ser sujeito ativo de crime ambiental e,
em nenhum momento, faz referência a seus administradores (RE 548.181). Em 2015, o STJ passou a
ter o mesmo entendimento (AgRg no RMS 48.085).
Atualmente a dupla imputação não é mais necessária. Assim, o Ministério Público pode denunciar só a pessoa
jurídica, continuar investigando a pessoa física e, se for o caso, denunciá-la depois. Ou ambas podem ser
denunciadas, e o processo ser arquivado em relação às pessoas físicas (se for o caso de falta de provas
contra as elas), mas seguir tramitando com a pessoa jurídica. Vigora, portanto, a divisibilidade da ação penal
pública, podendo ser denunciada apenas a pessoa jurídica ou a pessoa jurídica mais a pessoa física.
Esse entendimento vem para evitar a impunidade pelos crimes ambientais, diante das imensas dificuldades de
identificação dos responsáveis nas corporações, e reforça, dessa forma, a proteção do bem jurídico ambiental.
Como não é simples identificar quais foram, entre as pessoas de uma grande empresa, as verdadeiras
responsáveis pelo crime, não seria nada benéfico para o meio ambiente, se, na falta dessa identificação da
pessoa física, a pessoa jurídica também ficasse isenta de responder pelo dano ambiental. Por essa razão, a
teoria da dupla imputação não é mais necessária.
Aspectos relevantes da ação penal contra pessoa jurídica
Confira alguns pontos de atenção relativos à ação penal contra pessoa jurídica:
 
A citação segue a forma do Código de Processo Civil (art. 242), ou seja, não segue a forma do Código
de Processo Penal. Logo, a citação será na pessoa de seu representante legal ou quem tenha poderes
para isso.
 
No processo penal, por se tratar de ato pessoal, quem é interrogado é o representante legal, não
podendo ser o preposto.
 
Medidas despenalizadoras, como transação penal, suspensão condicional do processo, acordo de não
persecução penal (ANPP), podem ser aplicadas à pessoa jurídica.
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É incabível habeas corpus, pois pessoa jurídica não sofre restrição a sua liberdade de locomoção.
Penas nos crimes ambientais
Assista a este vídeo sobre os aspectos relativos à fixação da pena nos crimes ambientais. Você entenderá
quais são as circunstâncias agravantes e atenuantes.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
A Lei de Crimes Ambientais segue a mesma linha do art. 5º, inciso XLVI, da CF/88, ou seja, leva-se em
consideração o princípio da individualização da pena. Sendo assim, veja os aspectos (art. 6º da Lei de Crimes
Ambientais) considerados para a imposição e gradação da pena.
1
A gravidade do fato
Por exemplo, um grande dano ambiental levará a uma pena maior que para um pequeno dano,
considerando as consequências para a saúde pública e para o meio ambiente. Outro fator da
gravidade é o motivo da infração, por exemplo, se X mata um animal para se alimentar, a razão será
causa de exclusão de pena, mas, se X mata o animal por prazer, a conduta será considerada mais
grave e a pena será maior
2
Os antecedentes do infrator quanto ao cumprimento da legislação ambiental
Por exemplo, se a pessoa já tinha o costume de cometer atos contra o meio ambiente, sua pena
será mais alta em relação à de uma pessoa que nunca o tenha feito.
3
A situação econômica do infrator
Por exemplo, X (recebe um salário mínimo por mês) e Y (milionário) estão pescando ilegalmente. A
conduta é a mesma, mas não se entende como justo o valor da multa ser o mesmo. Entretanto, esse
fator só é relevante no caso de imposição de pena de multa.
As sanções aplicáveis a pessoas jurídicas, por questões óbvias, não são privativas de liberdade, pois não
temos como realizar sua prisão. Aplicam-se, então, multas, restritivas de direitos e prestações de serviços à
comunidade, conforme previsto nos arts. 21, 22, 23 e 24 da Lei de Crimes Ambientais.
A pena de multa será calculada segundo os critérios do Código Penal. Se revelar-se ineficaz, ainda que
aplicada no valor máximo, poderá ser aumentada até três vezes, tendo em vista o valor da vantagem
econômica auferida (art. 18 da Lei de Crimes Ambientais).
As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as privativas de liberdade quando se tratar de
crime culposo ou for aplicada pena privativa de liberdade inferior a quatro anos. Para que a substituição seja
suficiente para efeitos de reprovação e prevenção do crime, examinam-se a culpabilidade, os antecedentes, a
conduta social, bem como os motivos e as circunstâncias do crime. Tais penas terão a mesma duração da
pena privativa de liberdade substituída (veja art. 7º da Lei de Crimes Ambientais).
Confira quais são as penas restritivas de direitos (art. 8º):
• 
 
Prestação de serviços à comunidade (art. 9º)
Interdição temporária de direitos (art. 10)
Suspensão parcial ou total de atividades (art. 11)
Prestação pecuniária (art. 12)
Recolhimento domiciliar (art. 13)
Veja quais são as circunstâncias atenuantes (art. 14):
 
Baixo grau de instrução ou escolaridade do agente.
Arrependimento do infrator, manifestado pela espontânea reparação do dano, ou limitação significativa
da degradação ambiental causada.
Comunicação prévia pelo agente do perigo iminente de degradação ambiental.
Colaboração com os agentes encarregados da vigilância e do controle ambiental.
Verifique, agora, quais são as circunstâncias agravantes (art. 15):
Reincidência nos crimes ambientais (se o agente tiver cometido, por exemplo, o crime de homicídio no
passado, não se considera circunstância agravante, pois não é um crime ambiental).
Prática da infração para obter vantagem pecuniária.
Prática da infração coagindo outrem para a execução material da infração.
Prática da infração afetando ou expondo a perigo, de maneira grave, a saúde pública ou o meio
ambiente.
Prática da infração concorrendo para danos à propriedade alheia.
Prática da infração atingindo áreas de unidades de conservação ou áreas sujeitas, por ato do poder
público, a regime especial de uso.
Prática da infração atingindo áreas urbanas ou quaisquer assentamentos humanos.
Prática da infração em período de defeso à fauna.
Prática da infração em domingos ou feriados.
Prática da infração à noite.
Prática da infração em épocas de seca ou inundações.
Prática da infração no interior do espaço territorial especialmente protegido.
Prática da infração com o emprego de métodos cruéis para abate ou captura de animais.
Prática da infração mediante fraude ou abuso de confiança.
Prática da infração mediante abuso do direito de licença, permissão ou autorização ambiental.
Prática da infração no interesse de pessoa jurídica mantida, total ou parcialmente, por verbas públicas
ou beneficiada por incentivos fiscais.
Prática da infração atingindo espécies ameaçadas, listadas em relatórios oficiais das autoridades
competentes.
Prática da infração facilitada por funcionário público no exercício de suas funções.
A pessoa jurídica constituída ou utilizada, preponderantemente (atente para o uso do termo
preponderantemente, e não exclusivamente),com o fim de permitir, facilitar ou ocultar a prática de crime
definido na Lei de Crimes Ambientais terá decretada sua liquidação forçada. Seu patrimônio será considerado
instrumento do crime e, como tal, perdido em favor do Fundo Penitenciário Nacional.
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Maria é sócia-diretora de uma fábrica de cimento e descobre que seu funcionário Pedro está realizando
desmatamento ilegal na área, com o objetivo de abrir espaço para o depósito irregular dos resíduos. Maria,
ciente da ação de seu funcionário, nada faz, afinal ele está fazendo tudo por conta própria. Apesar disso, o
depósito será um benefício para empresa, uma vez que economizará, dispensando a contratação de coleta e
tratamento de resíduos. Sobre esse caso, assinale a alternativa correta:
A
Maria somente responderia por crime ambiental se tivesse dado ordens ao funcionário Pedro para realizar tais
ações.
B
Maria tem o dever de controle e vigilância em sua empresa. Sabendo da conduta de seu funcionário e não
fazendo nada para impedi-lo de continuar, poderá responder por crime ambiental. Trata-se de
responsabilidade por omissão imprópria.
C
Maria somente responderia por omissão imprópria se estivesse presente no local quando seu funcionário
Pedro estivesse desmatando a área.
D
Maria não responderá por omissão imprópria, pois a Lei de Crimes Ambientais prevê apenas duas modalidades
de autoria no ambiente empresarial (autoria mediata e coautoria).
E
Maria não cometeu crime algum. Contudo, a pessoa jurídica sim, afinal o delito foi cometido em seu interesse.
A alternativa B está correta.
De acordo com a segunda parte do art. 2º da Lei de Crimes Ambientais, os dirigentes das pessoas jurídicas
poderão ser responsabilizados por atos de seus funcionários, desde que estejam cientes da conduta
delituosa e não impeçam sua prática, quando o poderiam fazer. Dessa forma, diante do descumprimento de
um dever de controle ou vigilância, o dirigente poderá responder por omissão imprópria. Se Maria tivesse
dado ordens e Pedro, ciente da infração ambiental, cumprido, por livre e espontânea vontade, Maria seria
partícipe e Pedro autor. A pessoa jurídica poderia ser responsabilizada, pois teve benefício com a infração.
Questão 2
Em relação ao entendimento atual jurisprudencial sobre a teoria da dupla imputação e a responsabilidade
penal da pessoa jurídica, é certo afirmar que
A
a pessoa jurídica pode ser sancionada pela infração administrativa e penal, motivo pelo qual o nome da teoria
é teoria da dupla imputação.
B
a teoria da dupla imputação defende a ideia de que somente o homem é capaz de ser titular de relações
jurídicas, sendo assim, a pessoa jurídica não pode ser responsável por crime algum.
C
a teoria da dupla imputação defende a ideia de que a pessoa jurídica tem capacidade de atuação, contudo,
deve ser entendida como uma responsabilidade social, detentora de princípios dogmáticos próprios.
D
independentemente da condenação penal dos agentes da empresa, a pessoa jurídica poderá ser condenada
criminalmente.
E
a condenação da pessoa física que atua em nome da empresa é condição para a condenação da pessoa
jurídica.
A alternativa D está correta.
Desde 2013, o STF apresentou entendimento de que a pessoa jurídica poderá ser responsabilizada
criminalmente, independentemente da condenação de seus dirigentes. A decisão foi com base na
interpretação do art. 225 da CF/88, §3º, pela Suprema Corte, que entendeu que a teoria da dupla
imputação é inconstitucional, pois o dispositivo citado não faz nenhuma referência à necessidade da
condenação dos administradores para a punição da pessoa jurídica. Em 2015, o STJ passa a seguir o
mesmo entendimento.
2. Ação penal nos crimes ambientais
Modalidade da ação penal ambiental
Acompanhe este vídeo sobre os aspectos principais da ação penal nos crimes ambientais, assim como da
competência para seu julgamento.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Em conformidade com o art. 26 da Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998 (Lei de Crimes Ambientais), a ação
penal é pública incondicionada.
Entendemos que o legislador elegeu essa modalidade, por considerar que os delitos ambientais lesam bens
jurídicos de alta relevância de ordem pública, pois estão relacionados com a saúde e o bem-estar, sendo
essencial à sadia qualidade de vida das futuras e presentes gerações. Trata-se de grande interesse de ordem
coletiva, bem de uso comum do povo, interesse de todos.
Nesse sentido, não seria coerente, que o Estado submetesse a persecução criminal à manifestação de
vontade do particular e, muito menos, a delegasse ao particular, como se fossem bens jurídicos de interesse
particular.
Em circunstâncias de delitos ambientais, a polícia judiciária (polícia civil) poderá atuar de ofício, seja
instaurando inquérito policial para a apuração dos delitos, seja para a promoção da ação penal por
intermédio do ato processual denominado de denúncia, assim também podendo conduzir o
Ministério Público, titular absoluto da ação penal pública incondicionada.
Será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se esta não for intentada no prazo legal, de acordo
com o art. 5º, LIX, da Constituição Federal de 1988 (CF/88). Por exemplo, se o crime ambiental causar prejuízo
ao particular e o Ministério Público não oferecer denúncia no prazo assinalado pelo art. 46 do Decreto-Lei nº
3.689, de 3 de outubro de 1941 (Código de Processo Penal), não sendo caso de arquivamento. O art. 29 do
Código de Processo Penal complementa o entendimento sobre a admissão da ação privada.
Competência para o julgamento dos crimes ambientais
A Lei de Crimes Ambientais não estabelece regra sobre competência para julgar os crimes ambientais.
Contudo, com base na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça
(STJ), podemos concluir que, em regra, o crime ambiental será de competência da Justiça Estadual, sendo a
competência da Justiça Federal exceção.
Os crimes ambientais que não forem da competência da Justiça Federal, serão da Justiça Estadual.
Em regra, os delitos ambientais serão julgados pela Justiça Federal apenas nos casos de ofensa a interesse
direto e específico da União ou de suas entidades (empresas públicas e autarquias federais), conforme o art.
109, IV, da CF/88. Note que não se trata de interesse genérico. Por exemplo, a atividade de fiscalização
ambiental pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) configura
interesse genérico e não é suficiente para justificar a competência da Justiça Federal.
Confira exemplos de situações em que os delitos serão de competência da Justiça Federal:
1Envolvendo bens da União
Vale para bens estabelecido no art. 20 da CF/88, como terrenos da Marinha (inciso VII) e crimes
ambientais envolvendo sítio arqueológico (inciso X). Observe-se que o art. 20, III, da CF dispõe que
rio que banha mais de um estado é bem da União. Contudo, se o crime de pesca ocorrer nesse rio e
não houver comprovação de que o dano tenha repercutido em mais de um estado, a competência
será da Justiça Estadual.
2
Envolvendo unidade de conservação (UC) federal e sua respectiva zona de
amortecimento
Não vela se a administração da UC tiver sido delegada a outro ente. Nesse caso, segundo o STJ,
não existe lesão direta a interesse da União, e a competência será da Justiça Estadual.
3
Envolvendo tráfico internacional de animais
Conforme entendimento do STF, “Compete à Justiça Federal processar e julgar o crime ambiental de
caráter transnacional que envolva animais silvestres, ameaçados de extinção e espécimes exóticas
ou protegidas por compromissos internacionais assumidos pelo Brasil” (RE 835.558).
Em caso de conexão ou continência com crime de competência federal, segundo a Súmula 122 do STJ,
“compete à Justiça Federal o processo e julgamento unificado dos crimes conexos de competênciafederal e
estadual, não se aplicando a regra do art. 78, II, a, do Código Penal”.
Destaca-se, sobre crimes cometidos na Floresta Amazônica, Mata Atlântica, Serra do Mar, Pantanal e zona
costeira, que, de acordo com o art. 225, §4º, da CF, essas áreas são patrimônio nacional, mas isso não quer
dizer que sejam patrimônio na União. Logo, os crimes cometidos nessas áreas são de competência da Justiça
Estadual, salvo se atingirem interesse direto e específico da União. O mesmo raciocínio se aplica aos crimes
cometidos em área de preservação permanente ou em área de Cerrado.
Juizado especial criminal (Jecrim) e os crimes ambientais
Entenda neste vídeo os aspectos relevantes da tramitação de ações penais sobre crimes ambientais no
juizado especial criminal.
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Por meio da Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995 (Lei dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais), o
legislador buscou proporcionar uma justiça mais célere nos casos que precisam de aplicação imediata de pena
para que ela tenha o efeito esperado, que é a inibição de novas infrações.
Essa mesma lei prevê e regulamenta a possibilidade de transação penal para as infrações consideradas de
menor potencial ofensivo, mas o que seria um crime de menor pontencial ofensivo? De acordo com o art. 61
da Lei dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais, são as contravenções penais e os crimes a que a lei comine
pena máxima não superior a dois anos, cumulados ou não com multa.
O legislador deixa expressa, no art. 27 da Lei de Crimes Ambientais, a possibilidade da aplicação da transação
nos crimes ambientais de menor potencial ofensivo. Portanto, crimes ambientais podem tramitar no juizado
especial criminal.
Para pensar em quais seriam os crimes na Lei de Crimes Ambientais enquadrados como crimes de menor
potencial ofensivo e sabendo que não existe crime contra a administração pública que possa ser assim
considerado, veja os seguintes grupos de crimes ambientais:
Crimes contra a fauna (arts. 29,31, 32 e 41, na forma culposa).
Crimes contra a flora (arts. 44, 45, 46, 48, 49, 50, 51 e 52).
Crimes de poluição (arts. 55 e 60).
Crimes contra o ordenamento urbanístico e patrimônio cultural (arts. 64 e 65).
Esses crimes são passíveis de transação penal (se atendidos os demais requisitos legais), logo, serão 
competência do Jecrim. Atente-se, porém, ao fato de que, se a esses crimes ambientais listados houver
concurso material, concurso formal ou crime continuado, e da soma das sanções ou de seu acréscimo resultar
pena superior a dois anos, a competência passará para o juízo singular (vara criminal).
O contrário também se aplica. Se o processo inicia na justiça comum (vara criminal) e for verificado que é caso
de crime de menor potencial ofensivo, a competência passa a ser do Jecrim. Por exemplo, imagine que um
indivíduo foi acusado de poluir dolosamente um rio, crime com pena de reclusão de um a quatro anos. Por ser
a pena máxima superior a dois anos, tramitará na vara criminal. Contudo, se o juiz, ao verificar as provas,
perceber que se trata de um crime culposo, sendo a pena para a modalidade culposa de seis meses a um ano,
ele se declara incompetente, anula o processo na vara criminal e o encaminha para o Jecrim.
Apreensão do produto
Neste vídeo, explicaremos as regras sobre a apreensão de produto ou instrumento do crime ambiental e o que
será feito com ele. Assista!
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O art. 25 da Lei de Crimes Ambientais dispõe sobre a apreensão do produto e do instrumento do crime, uma
medida comum no contexto do direito ambiental. Trata-se de ferramenta importante capaz de:
Interromper atividades ilegais.
Coletar provas.
Prevenir danos adicionais ao meio ambiente.
A apreensão do produto e do instrumento de infração do crime, já vista em outros delitos, como na apreensão
do carro utilizado para transportar drogas, também é aplicável na esfera ambiental. Conforme o art. 25 da Lei
nº 9.605/1998:
“Verificada a infração, serão apreendidos seus produtos e instrumentos, lavrando-se os respectivos
autos”.
Trata-se de poder de polícia, dispensando autorização do poder judiciário para a apreensão quando for em
flagrante. Isso evita que as provas sejam destruídas e novos danos ambientais aconteçam. Sendo assim, a
titularidade para a apreensão é da autoridade policial ou administrativa.
Vejamos alguns exemplos dessa prática. Imagine que um indivíduo foi flagrado praticando a pesca ilegal.
Nesse caso, poderão ser apreendidos o barco, a vara e a rede. Em uma situação de desmatamento ilegal da
floresta, poderão ser apreendidas a madeira e a motosserra. Já se um caminhão estiver transportando
tartarugas sem autorização do órgão competente, o caminhão e os animais poderão ser apreendidos.
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Uma vez realizada a apreensão, deverá ser lavrado o auto pertinente, com a exata descrição relativa ao delito
ambiental e aos instrumentos (local onde foram achados, as circunstâncias em que se verificou o encontro
etc.).
Confira o que será feito com os produtos e instrumentos do crime ambiental:
Em caso de animais, eles serão prioritariamente libertados em seu habitat. Caso não seja possível, por
questões sanitárias, ou condições da saúde, serão entregues a zoológicos, fundações ou entidades
assemelhadas, para a guarda e cuidados sob a responsabilidade de técnicos habilitados, até que se
recuperem e possam voltar para seu habitat.
 
Tratando-se de produtos perecíveis ou madeiras, eles serão avaliados e doados a instituições
científicas, hospitalares, penais e outras com fins beneficentes. A madeira poderá ser utilizada na
construção de um hospital, por exemplo.
 
Os produtos e subprodutos da fauna não perecíveis, como casco de tartaruga, penas de aves e pele de
crocodilo, serão destruídos ou doados a instituições científicas, culturais ou educacionais.
 
Quanto aos instrumentos utilizados na prática da infração, quando forem objetos lícitos, como
motosserra, barco e caminhão, serão vendidos, por intermédio de leilão público, mediante avaliação
prévia, destacando-se que a venda em leilão público somente poderá ser realizada depois do trânsito
em julgado formal do pronunciamento jurisdicional. Caso o objeto possa causar dano, será garantida
sua descaracterização, por meio de reciclagem. Por exemplo, uma arma de fogo será destruída e
reciclada.
Segundo o Informativo 685 do STJ, a apreensão do instrumento utilizado na infração ambiental (§4º, do art.
25) independe do uso específico, exclusivo ou habitual para a empreitada infracional (REsp 1.814.944/RN).
Assim, para que seja apreendido um veículo utilizado na prática de infração ambiental, não é necessário que
se comprove que o bem era utilizado de forma específica, exclusiva ou habitual na prática de ilícitos
ambientais.
Doutrinariamente, a aplicação do art. 25 da Lei de Crimes Ambientais é a mesma para a esfera penal e
administrativa. Entretanto, não existe entendimento pacificado no STJ em relação ao perdimento de bens na
esfera criminal, então pode ser que o instrumento do crime ambiental seja restituído.
Verificando o aprendizado
Questão 1
Em conformidade com a Lei de Crimes Ambientais, assinale a modalidade correta da ação penal ambiental:
A
Ação penal privada personalíssima.
B
Ação penal pública condicionada à requisição.
C
Ação penal privada exclusiva.
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D
Ação penal pública incondicionada.
E
Ação penal pública condicionada à representação.
A alternativa D está correta.
De acordo com o art. 26 da Lei de Crimes Ambientais, a ação penal é pública incondicionada. Somente será
admitida ação privada nos crimes de ação pública, se o crime ambiental causar prejuízo ao particular e o
Ministério Público não intentar no prazo legal e não for caso de arquivamento.
Questão 2
Os crimes ambientais podem ser julgados na Justiça Estadual e/ou na Justiça Federal. Será competência da
Justiça Federal julgar crime ambiental quando:
A
se tratar deáreas da Mata Atlântica.
B
se tratar de áreas do Pantanal.
C
se tratar de áreas de preservação permanente.
D
se tratar da zona costeira.
E
se tratar de terrenos da Marinha.
A alternativa E está correta.
São interesse direto da União os casos que envolvam seus bens, estabelecidos no art. 20 da CF/88, por
exemplo, terreno da Marinha (art. 20, VII, da CF/88). Mata Atlântica, Pantanal e zona costeira são
considerados patrimônio nacional, mas esse conceito não se confunde com o de bens da União. Logo, a
competência para julgar os crimes ambientais cometidos nessas áreas é da Justiça Estadual. Isso também
se aplica às áreas de preservação permanente.
3. Medidas despenalizadoras
Aspectos gerais da aplicação das medidas
despenalizadoras
É de extrema importância o estudo das medidas despenalizadoras no âmbito da Lei nº 9.605, de 12 de
fevereiro de 1998 (Lei de Crimes Ambientais), pois muitos delitos ambientais têm penas passíveis de aplicação
de tais medidas.
Os institutos despenalizadores que vamos analisar são:
Transação penal.
Suspensão condicional do processo.
Acordo de não persecução penal (ANPP).
Existem diversos crimes ambientais de menor potencial ofensivo passíveis de transação penal (se atendidos
os demais requisitos legais) e, nesse caso, em regra, o procedimento tramitará no juizado especial criminal
(Jecrim).
Além disso, será possível a aplicação da suspensão condicional do processo nos casos em que não for
possível a transação penal, e a lei mínima cominada for igual ou inferior a um ano. Nesse caso, poderá tramitar
o procedimento no Jecrim (se a pena máxima não for superior a dois anos) ou na vara criminal.
Por fim, de acordo com o art. 28-A do Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941 (Código de Processo
Penal), caberá o ANPP a todos os crimes a que não sejam cabíveis as medidas de transação penal, em que a
prática da infração penal tenha sido sem violência ou grave ameaça e com pena mínima inferior a quatro anos,
atendidos os demais requisitos da lei.
Analisando as penas dos crimes ambientais previstos na Lei de Crimes Ambientais, conclui-se que, em sua 
maioria, são passíveis das medidas despenalizadoras.
Composição do dano
Conheça neste vídeo as medidas despenalizadoras e os aspectos da reparação do dano ambiental.
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Todas as formas de acordos penais são condicionadas à composição do dano, ou seja, à reparação do dano
ambiental. Afinal, esse é um dos principais objetivos do direito ambiental. Não adianta apenas punir o infrator.
É preciso reparar o dano causado ao meio ambiente, pois o equilíbrio ambiental é essencial à sadia qualidade
de vida das futuras e presentes gerações, conforme expresso no art. 225 da Constituição Federal de 1988
(CF/88). 
Nesse sentido, a composição do dano é imprescindível para aplicação das medidas despenalizadoras. Em
outras palavras, o acordo para a efetiva reparação do dano ambiental será condição para a formulação da
transação penal, proposta do ANPP ou declaração da extinção da punibilidade, no caso de suspensão
condicional do processo.
Para o Ministério Público formular a transação penal, não é necessário que o dano ambiental já
esteja reparado. A composição do dano é um acordo em que o acusado se comprometerá a reparar
o dano. Assim, a composição é a promessa, o comprometimento, o acordo feito, que será
homologado pelo juiz.
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De acordo com o art. 74 da Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995 (Lei dos Juizados Especiais Cíveis e
Criminais), a composição dos danos será reduzida a escrito e homologada pelo juiz mediante sentença
irrecorrível, tendo eficácia de título executivo judicial, executado no juízo civil competente. Dessa forma, para
a realização da transação penal no Jecrim, deve ter sido feita previamente a composição do dano ambiental/
acordo que estabelece e especifica a reparação do dano, salvo impossibilidade.
Em algumas situações, pela natureza do dano, será impossível a reparação, e essa impossibilidade deve ser 
comprovada por laudo técnico. Nesse caso, não haverá o que reparar, podendo ser aplicada imediatamente a 
pena restritiva de direitos, ainda que não tenha sido feita a composição do dano, porque é impossível sua
reparação.
Uma vez que estamos falando de composição de danos, ainda que isso vá ter influência na esfera penal, se
houver descumprimento, a execução será no juízo cível. Obviamente, no caso de descumprimento, o acusado
perderá o benefício, e o processo continuará tramitando.
Atenção
É importante não confundir a composição dos danos na esfera penal (título executivo judicial) com o
termo de ajustamento de conduta (TAC), que ocorre na ação civil pública, quando o Ministério Público
elabora o TAC (título executivo extrajudicial) e a parte se compromete a cumpri-lo. 
A celebração de TAC com reparação do dano ambiental não exclui a tipicidade. De acordo com o Superior
Tribunal de Justiça (STJ):
“A assinatura de termo de ajustamento de conduta com a reparação do dano ambiental são
circunstâncias que possuem relevo para a seara penal, a serem consideradas na hipótese de eventual
condenação, não se prestando para elidir a tipicidade penal. Outrossim, a lavratura do referido termo,
com a extinção de ação civil pública, não implica a extinção da ação penal correspondente, haja vista a
independência da esfera penal em relação às esferas civil e administrativa” (AgRg no RHC, 121.611).
Em outras palavras, o TAC tem relevo na esfera penal, pois, na hipótese de eventual condenação, o juiz poderá
reduzir a pena do infrator, por ter reparado o dano. Entretanto, o TAC não se presta para afastar a tipicidade
penal, pois a esfera penal é independente das esferas cível e administrativa.
Nos casos de delitos de perigo (concreto ou abstrato), em que não há dano consumado – por exemplo, um
sujeito que penetra em unidade de conservação portando instrumentos próprios de caça, sem licença da
autoridade competente (art. 52 da Lei de Crimes Ambientais) –, não havendo dano a reparar, não será caso de
composição de dano. Nesse cenário, o Ministério Público não exigirá a composição do dano como parte do
acordo da transação penal, mas poderá impor todas as demais condições e penas restritivas de direitos e
multa.
Resumindo
Para a aplicação das medidas despenalizadoras, é necessária a composição do dano. O acordo de
reparação do dano ambiental deve ser homologado pelo juiz, assim sendo título executivo judicial. Não
sendo cumprido, o infrator perderá o benefício da medida despenalizadora, e o processo continuará
tramitando de acordo com a lei. 
Transação penal na Lei de Crimes Ambientais
Assista a este vídeo sobre o cabimento da transação penal nos crimes ambientais. Você verá também os
requisitos e as perguntas polêmicas relacionados a essa transação.
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A transação penal está prevista no art. 27 da Lei de Crimes Ambientais. Veja o que ele estabelece: 
“Nos crimes ambientais de menor potencial ofensivo, a proposta de aplicação imediata de pena restritiva
de direitos ou multa, prevista no art. 76 da Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995, somente poderá ser
formulada desde que tenha havido a prévia composição do dano ambiental, de que trata o art. 74 da
mesma lei, salvo em caso de comprovada impossibilidade”.
Confira as conclusões a que podemos chegar:
 
O crime ambiental se enquadra no requisito do art. 76, caput, pois é ação penal pública incondicionada.
 
Nos casos de crimes ambientais de menor potencial ofensivo (pena máxima não superior a dois anos,
cumulada ou não com multa), poderá ser formulada a proposta da aplicação imediata da pena restritiva
de direitos, ou seja, substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos.
 
Somente poderá ser formulada a transação penal, caso tenha havido a prévia composição do dano
ambiental.
Há casos em que não será admitida proposta de transação penal. Verifique os requisitos determinados peloart. 76, §2º, da Lei dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais, sendo os dois primeiros objetivos e o último
subjetivo:
 
O autor da infração já tenha sido condenado pela prática de crime, à pena privativa de liberdade, por
sentença definitiva.
 
Ter sido utilizado o mesmo benefício (transação penal) nos últimos cinco anos.
 
Não indicarem bons antecedentes, conduta social e personalidade do agente, assim como adequação
da adoção da medida, nas circunstâncias do caso concreto.
O autor da infração não é obrigado aceitar a proposta da transação penal. De acordo com o art. 72 da Lei dos
Juizados Especiais Cíveis e Criminais, haverá uma audiência preliminar, presente o representante do Ministério
Público e o autor do fato (aquele que supostamente cometeu o crime ambiental), acompanhado por seu
advogado, em que o juiz esclarecerá sobre a possibilidade da composição dos danos e da aceitação da
proposta da transação penal – aplicação imediata de pena não privativa de liberdade. Nesse caso, em
conformidade com o art. 76, §§3º e 4º, aceita a proposta pelo autor da infração e seu defensor, e sendo
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acolhida pelo juiz, o juiz aplicará a pena restritiva de direitos ou multa. Caso o autor da infração não aceite, o
processo prosseguirá o trâmite comum previsto em lei.
Considera-se vantajoso, porém, para o autor da infração ambiental, aceitar a proposta da transação penal.
Além da possibilidade da pena privativa de liberdade ser substituída pela restritiva de direitos, não importará
em reincidência, sendo registrada apenas para impedir que o mesmo benefício seja aplicado no prazo de
cinco anos. Além disso, não constará na certidão de antecedentes criminais (art. 76, §4º, parte final, e §6º) e 
não terá efeitos civis.
Caso o infrator não cumpra com a reparação do dano ambiental estabelecido, a transação penal poderá ser
revogada, ou seja, o infrator pode ser processado criminalmente pelos atos originais que levaram à transação
penal. O não cumprimento da reparação em decorrência da impossibilidade da recuperação deve ser
constatado em laudo confeccionado por profissional legitimado para tal função.
Resumindo
A transação penal é cabível nos crimes ambientais de menor potencial ofensivo (art. 27 da Lei de Crimes
Ambientais), possibilitando ao Ministério Público propor um acordo substituindo a pena privativa de
liberdade por restritiva de direitos. A composição do dano é imprescindível para a proposta da transação
penal (salvo em caso de comprovada impossibilidade), assim como os requisitos objetivos e subjetivos
previstos no §2º do art. 76 da Lei dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais. Não cumprindo tais
requisitos, o autor da infração não será beneficiado. Será benéfico ao autor da infração aceitar a
transação penal, pois não constará na certidão de antecedentes criminais para fins de reincidência,
apenas para impedir que o mesmo benefício seja aplicado novamente no período de cinco anos. 
Suspensão condicional do processo
Entenda neste vídeo o que é a suspensão condicional do processo, seus requisitos e sua aplicabilidade aos
crimes ambientais.
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A suspensão condicional do processo é medida despenalizadora, e sua aplicabilidade não se limita às
infrações de menor potencial ofensivo, mas a qualquer infração cuja pena mínima seja igual ou inferior a um
ano.
Diferentemente da transação penal que ocorre antes da denúncia, em consonância com o art. 89 da Lei dos
Juizados Especiais Cíveis e Criminais, o Ministério Público, quando oferece a denúncia, poderá propor a
suspensão do processo, por dois a quatro anos, desde que o acusado não esteja sendo processado ou não
tenha sido condenado por outro crime. Além disso, devem ser atendidos os requisitos que autorizam a
suspenção condicional da pena previstos no art. 77 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940
(Código Penal).
Perceba que suspensão condicional da pena é diferente de suspenção condicional do processo (medida
despenalizadora). Na suspensão condicional da pena, o agente já foi condenado. Na suspensão condicional
do processo, caso o acusado aceite a proposta, o juiz recebe a denúncia e poderá suspender o processo,
desde que os requisitos legais sejam atendidos, tendo o agente a chance de não ser condenado.
De forma distinta do art. 77 do Código Penal, o art. 16 da Lei de Crimes Ambientais estabelece que a
suspensão condicional da pena pode ser aplicada nos casos de condenação a pena privativa de
liberdade não superior a três anos. Assim, é mais benéfica a lei ambiental, uma vez que o Código
Penal dispõe que tal suspensão poderá ser aplicada a pena não superior a dois anos.
Acerca da suspensão condicional do processo, aceita a proposta pelo acusado e seu defensor, na presença
do juiz, essa autoridade, recebendo a denúncia, poderá suspender o processo, submetendo o acusado a
período de prova (período que ficará suspenso o processo). Durante esse prazo de suspensão do processo,
não correrá a prescrição (art. 89, §6º, da Lei dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais). Caso o acusado não
aceite a proposta, o processo prosseguirá em seus ulteriores termos.
Confira as condições a serem cumpridas no período de prova, de acordo com os incisos do art. 89 da Lei dos
Juizados Especiais Cíveis e Criminais:
Reparação do dano (salvo impossibilidade de fazê-lo).
Proibição de frequentar determinados lugares (por exemplo, casas de jogos).
Proibição de ausentar-se da comarca onde reside, sem autorização do juiz (a pessoa pode viajar, mas
para isso será necessária autorização do juiz).
Comparecimento pessoal e obrigatório a juízo, mensalmente, para informar e justificar suas atividades
(por exemplo, estou fazendo um curso X ou estou trabalhando na empresa Y).
Além dessas, o juiz poderá especificar outras condições, desde que adequadas ao fato e à situação pessoal
do acusado (§2º, art. 89).
Constitui hipótese de revogação do benefício durante o período de prova se o beneficiário for processado por
outro crime ou não efetuar, sem motivo justificado, a reparação do dano. Se o beneficiário for processado por
contravenção ou descumprir qualquer outra condição imposta, o juiz poderá revogar, ou apenas advertir (§§3º
e 4º, art. 89).
Expirado o prazo sem revogação e apresentado o laudo de constatação de reparação do dano ambiental
(ressalvada impossibilidade), o juiz declarará extinta a punibilidade (art. 28, I, Lei de Crimes Ambientais). Caso
o laudo constate que a reparação não foi integral, o juiz poderá prorrogar o prazo de suspensão, até o período
máximo previsto no caput do art. 89 da Lei dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais (quatro anos), acrescido
de mais um ano, com suspensão do prazo de prescrição.
Destaca-se que, no período de prorrogação, as condições previstas nos incisos II, III, e IV do §1º do art. 89 não
serão aplicadas.
Exemplo
No período de prorrogação, a pessoa poderá viajar sem precisar da autorização do juiz. 
Finalizando o prazo da prorrogação, caso o novo laudo constate que o dano ainda não foi reparado
integralmente, poderá prorrogar novamente, no período máximo mencionado, sem suspensão da prescrição.
Esgotado o prazo máximo de prorrogação, a declaração de extinção de punibilidade dependerá de laudo de
constatação que comprove ter o acusado tomado todas as providências necessárias à reparação integral do
dano. Se o laudo apontar que o dano não foi reparado por culpa do réu, o processo continuará tramitando.
Acordo de não persecução penal
Assista a este vídeo e compreenda o que é o ANPP, quais crimes são compatíveis com ele e quais as
peculiaridades no processo penal ambiental.
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O ANPP abarca todos os crimes ambientais previstos na Lei de Crimes Ambientais que não sejam passíveis de
transação penal. O art. 28-A do Código de Processo Penal estabelece que, não sendo caso de arquivamento e
tendo o investigado confessado a prática de infraçãopenal sem violência ou grave ameaça e com pena
mínima inferior a quatro anos, o Ministério Público poderá propor ANPP, desde que necessário e suficiente
para reprovação e prevenção do crime, mediante condições ajustadas cumulativa e alternativamente.
Como não há crime ambiental com pena mínima superior a quatro anos, a todos os delitos que não se
encaixam na transação penal e suspensão condicional do processo, poderá o Ministério Público propor ANPP.
Os crimes ambientais que têm a pena mínima mais alta na Lei de Crimes Ambientais são:
Crime de maus tratos envolvendo cães e gatos (art. 32, §1ºA – pena mínima de dois anos).
Crime de desmatamento, exploração e degradação de floresta (art. 50-A – pena mínima de dois anos).
Crime de elaboração, apresentação de estudo, laudo, relatório ambiental falso ou enganoso (art. 69-A
– pena mínima de três anos).
Ressalta-se que a Lei nº 14.064, de 29 de setembro de 2020, incluiu o parágrafo 1ºA no art. 32 da Lei de
Crimes Ambientais, representando um grande avanço na proteção dos animais domésticos, estabelecendo
que, na hipótese de o indivíduo praticar ato de abuso, maus tratos, ferir ou mutilar cães ou gatos, o infrator
estará sujeito a pena de reclusão de dois a cinco anos, multa e proibição da guarda. Com esse aumento de
pena, não cabem medidas despenalizadoras como a transação penal e a suspensão condicional do processo. 
Contudo, há quem entenda que cabe ANPP, pois a classificação de não violência seria contra pessoa humana.
Por outro lado, existe a defesa pelo não cabimento da ANPP, por ser o crime cometido com violência contra
cães e gatos e, de acordo com a teoria do link, o praticante de violência contra cães e gatos está propenso a
praticar violência contra outros vulneráveis, como crianças, mulheres e idosos.
Veja as condições que o Ministério Público poderá estabelecer ao infrator nos casos de cabimento de ANPP
em crimes ambientais:
 
Reparar o dano ambiental, exceto na impossibilidade de fazê-lo.
 
Renunciar voluntariamente a bens e direitos indicados pelo Ministério Público, como instrumentos,
produto ou proveito do crime (isso está relacionado com o art. 25 da Lei de Crimes Ambientais, por
exemplo, o infrator renuncia a motosserra e as toras de madeira que foram apreendidos).
 
Prestar serviço à comunidade ou a entidades públicas por período correspondente à pena mínima
cominada ao delito diminuída de um a dois terços, em local a ser indicado pelo juízo da execução.
 
Realizar prestação pecuniária a entidade pública ou de interesse social, a ser indicada pelo juízo de
execução, que tenha, preferencialmente, como função proteger bens jurídicos iguais ou semelhantes
aos aparentemente lesados pelo delito, ou seja, bens ambientais.
 
Cumprir, por prazo determinado, outra condição indicada pelo Ministério Público, desde que
proporcional e compatível com a infração penal imputada.
Ao ser o ANPP cumprido integralmente, o juízo competente decretará extinta a punibilidade (art. 28-A, §13º,
do Código de Processo Penal).
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Verificando o aprendizado
Questão 1
As medidas despenalizadoras foram criadas por meio da Lei dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais,
visando desburocratizar o sistema processual brasileiro por meio dos institutos despenalizadores. Sobre as
medidas despenalizadoras e os crimes ambientais, podemos afirmar que
A
os crimes ambientais não são passíveis de aplicação de medidas despenalizadoras.
B
as medidas despenalizadoras aplicáveis aos crimes ambientais são transação penal e suspenção condicional
da pena.
C
as medidas despenalizadoras aplicáveis aos crimes ambientais são transação penal, suspenção condicional
da pena e acordo de não persecução penal.
D
os crimes ambientais são passíveis de aplicação de medidas despenalizadoras, contudo, são poucos delitos
ambientais que têm penas passíveis de aplicação de tais medidas.
E
as medidas despenalizadoras aplicáveis aos crimes ambientais são transação penal, suspenção condicional
do processo e acordo de não persecução penal.
A alternativa E está correta.
Muitos delitos ambientais têm penas passíveis de aplicação de medidas despenalizadoras (transação
penal, suspensão condicional do processo e acordo de não persecução penal). Não se deve confundir
suspensão condicional da pena com suspensão condicional do processo, pois, na suspenção condicional
da pena, o infrator já foi condenado. Assim, não se trata de medida despenalizadora, mas sim de uma
faculdade do juiz em substituir a pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, em conformidade
com os requisitos legais.
Questão 2
Assinale a alternativa correta sobre as medidas despenalizadoras e a composição do dano.
A
Para a aplicação das medidas despenalizadoras, é necessária a composição do dano.
B
Para a realização da transação penal, não é necessária a composição do dano.
C
Nas hipóteses em que for comprovada a impossibilidade da composição do dano, o infrator não poderá ser
beneficiado das medidas despenalizadoras.
D
Para a realização da suspensão condicional do processo, não é necessária a composição do dano.
E
Para o acordo de não persecução penal, não é necessária a composição do dano.
A alternativa A está correta.
Todas as medidas despenalizadoras (transação penal, suspensão condicional do processo e acordo de não
persecução penal) são condicionadas à composição do dano, ou seja, acordo em que o infrator se
compromete a reparar o dano, salvo, se for comprovada a impossibilidade da reparação. Nesse caso,
aplica-se a medida despenalizadora, sem a composição do dano.
4. Conclusão
Considerações finais
De acordo com o art. 225 da Constituição Federal de 1988 (CF/88), §3º, aquele que cometer dano ambiental
ou colocar em risco o equilíbrio ecológico estará sujeito a responder nas esferas civil, administrativa e penal.
Poderá responder por crimes ambientais não apenas a pessoa física, mas também a pessoa jurídica, pois, de
forma inédita, o legislador constituinte estabeleceu a responsabilidade penal da pessoa jurídica nos crimes
ambientais.
A responsabilidade penal é subjetiva, e será analisada no caso concreto a culpa do sujeito, para verificação se
atuou com dolo ou culpa. Dependendo das circunstâncias e demais requisitos da lei, poderá responder com
pena mais grave ou leve.
O processo penal ambiental tem algumas especificidades, tratando-se de ação penal pública incondicionada.
A competência para julgar crimes ambientais, em regra, é estadual, exceto quando se tratar de interesse
direto da União e de empresas públicas e suas autarquias. Boa parte dos crimes ambientais, por terem pena
máxima inferior a dois anos, tramita no juizado especial criminal, que pode ser estadual ou federal. Dependerá
se, no caso concreto, o dano ambiental atingir interesse direto da União ou não.
De forma abstrata, todos os crimes ambientais são passíveis de medidas despenalizadoras, pois têm penas
pequenas, podendo se aplicar transação penal, suspensão condicional do processo e acordo de não
persecução penal (ANPP). Entretanto, deve se analisar, no caso concreto, se é hipótese de concurso material,
concurso formal ou crime continuado, pois, se assim for, a soma das sanções ou de seu acréscimo pode
resultar em pena superior, não se enquadrando mais no cabimento das medidas despenalizadoras.
Por último e não menos importante, para aplicação de qualquer medida despenalizadora, será imprescindível a
composição do dano (acordo/comprometimento do infrator em reparar o dano ambiental), exceto, se for
comprovada sua impossibilidade, ou seja, atestar-se que o dano ambiental não é passível de reparação.
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Para aprofundar seu conhecimento sobre a responsabilidade penal no âmbito empresarial, leia o livro 
Responsabilidade penal dos dirigentes de empresas por omissão, de Heloisa Estellita, publicado pela editora
Marcial Pons em 2017.
 
Confira no livro Responsabilidade penal da pessoa jurídica como Alamiro Velludo Salvador Netto aborda a
questão da possibilidade, ou não,de empresas cometerem crimes. A segunda edição foi publicada em 2020
pela Revista dos Tribunais.
 
Pesquise Direito Penal Empresarial: a omissão do empresário como crime, para uma contextualização na
realidade do Brasil dos crimes omissivos impróprios no direito penal empresarial. Esse livro de Renato de Mello
Silveira foi publicado pela Editora D´Plácido, em 2016.
Referências
GOMES, L. F.; MACIEL, S. Lei de Crimes Ambientais: comentários à Lei 9.605/1998. São Paulo: Método, 2015.
 
HAYASHI, F. E. H. Indiciamento de pessoa jurídica em inquérito policial federal por crimes ambientais. In
BONATO, G. (org.) Temas atuais de Direito Penal Ambiental. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2015, p. 23-60.
 
MARCÃO, R. Crimes ambientais: anotações e interpretação jurisprudencial da parte criminal da Lei n. 9.605, de
12-2-1998. 4. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2018.
 
MOSSIN, H. A. Crimes ecológicos: aspectos penais e processuais penais. São Paulo: Manole, 2015.
 
PRADO, L. R. Direito Penal do Ambiente. 6. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2016.
	Processo penal e direito ambiental
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Preparação
	Objetivos
	Introdução
	1. Sujeitos ativos nos crimes ambientais
	Responsabilidade penal da pessoa física
	Conteúdo interativo
	Exemplo
	Responsabilidade penal de diretores ou empregados?
	Conteúdo interativo
	Atenção
	Responsabilidade penal da pessoa jurídica
	Conteúdo interativo
	Teoria da dupla imputação e aspectos processuais
	Conteúdo interativo
	A teoria da dupla imputação nos crimes ambientais
	Aspectos relevantes da ação penal contra pessoa jurídica
	Penas nos crimes ambientais
	Conteúdo interativo
	A gravidade do fato
	Os antecedentes do infrator quanto ao cumprimento da legislação ambiental
	A situação econômica do infrator
	Verificando o aprendizado
	2. Ação penal nos crimes ambientais
	Modalidade da ação penal ambiental
	Conteúdo interativo
	Competência para o julgamento dos crimes ambientais
	Envolvendo bens da União
	Envolvendo unidade de conservação (UC) federal e sua respectiva zona de amortecimento
	Envolvendo tráfico internacional de animais
	Juizado especial criminal (Jecrim) e os crimes ambientais
	Conteúdo interativo
	Apreensão do produto
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	3. Medidas despenalizadoras
	Aspectos gerais da aplicação das medidas despenalizadoras
	Composição do dano
	Conteúdo interativo
	Atenção
	Resumindo
	Transação penal na Lei de Crimes Ambientais
	Conteúdo interativo
	Resumindo
	Suspensão condicional do processo
	Conteúdo interativo
	Exemplo
	Acordo de não persecução penal
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	4. Conclusão
	Considerações finais
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	Referências

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