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Aula 08 - 02 - Psicodinâmica
19 pág.

Psicologia Industrial e Organizacional Universidade Tecnológica Federal do ParanáUniversidade Tecnológica Federal do Paraná

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Resumo sobre Psicodinâmica do Trabalho e Saúde Mental O artigo de Flora Allain Carrasqueira e Neuzi Barbarini discute a inter-relação entre saúde mental e trabalho, utilizando a psicodinâmica do trabalho como uma lente teórica. A psicodinâmica, fundamentada nos estudos de Christophe Dejours, analisa como as diferentes formas de organização do trabalho influenciam as experiências de prazer e sofrimento dos trabalhadores. Através de uma revisão bibliográfica, os autores exploram como os mecanismos de defesa, tanto individuais quanto coletivos, são adotados em resposta ao sofrimento gerado pelas condições laborais, resultando em diversas patologias relacionadas ao trabalho. Além disso, o texto destaca a importância de compreender esses mecanismos como uma forma de investigar e buscar alternativas para o adoecimento no ambiente de trabalho. A introdução do artigo enfatiza a relevância do trabalho na vida do indivíduo, conforme argumentado por Dejours, que defende que a relação subjetiva com o trabalho se estende além do ambiente laboral, afetando a vida pessoal e social do trabalhador. Mendes e Morrone (2002) corroboram essa visão, afirmando que o trabalho é fundamental para a formação da identidade e pode, ao mesmo tempo, ser uma fonte de descompensação psíquica. A psicodinâmica do trabalho, portanto, investiga como os trabalhadores utilizam mecanismos de defesa para lidar com o sofrimento, e como esses mecanismos podem ser tanto benéficos quanto prejudiciais, dependendo do contexto organizacional. O artigo também traça um histórico da psicopatologia do trabalho, destacando contribuições de figuras como Paul Sivadon e Louis Le Guillant, que abordaram o trabalho como uma fonte de crescimento psíquico, mas também como um potencial gerador de conflitos e transtornos mentais. A transição do modelo fordista-taylorista para o paradigma da acumulação flexível é discutida, evidenciando como as mudanças nas formas de organização do trabalho impactam a saúde mental dos trabalhadores. O fordismo, caracterizado por uma estrutura hierárquica rígida e controle excessivo, é contrastado com a acumulação flexível, que exige criatividade e adaptabilidade, mas também gera novas formas de pressão e sofrimento. Mecanismos de Defesa e Patologias Sociais Os autores exploram os mecanismos de defesa que os trabalhadores desenvolvem em resposta ao sofrimento no trabalho, categorizando-os em defesas de proteção, exploração e adaptação. As defesas de proteção envolvem a racionalização e alienação das causas do sofrimento, enquanto as defesas de adaptação e exploração se baseiam na negação do sofrimento e na submissão às demandas da organização. Essas defesas podem proporcionar um equilíbrio psíquico temporário, mas também podem mascarar o sofrimento e levar a um estado patológico. A análise das patologias sociais emergentes das novas formas de organização do trabalho revela uma dominação social mais sutil e complexa. O artigo menciona a banalização da injustiça social, onde os trabalhadores se veem obrigados a aceitar condições de trabalho que infringem seus valores éticos e morais. As patologias sociais identificadas incluem a sobrecarga, a servidão voluntária e a violência, que refletem a degradação das relações de trabalho e a desestabilização da identidade do trabalhador. A precarização do trabalho e a pressão constante por desempenho exacerbam o sofrimento, levando a um ciclo de adoecimento que afeta não apenas o indivíduo, mas também o coletivo. Ressignificação do Sofrimento e Saúde Mental Por fim, o artigo propõe que o sofrimento, quando reconhecido e ressignificado, pode se tornar um motor de transformação e saúde. Os autores sugerem que a mobilização da inteligência prática, o espaço público da fala e a cooperação são recursos que podem ajudar os trabalhadores a transformar o sofrimento em prazer. A inteligência prática permite que os trabalhadores desenvolvam novas formas de realizar suas atividades, enquanto o reconhecimento e a cooperação fortalecem a identidade e promovem um ambiente de trabalho mais saudável. No entanto, a realidade muitas vezes não favorece essas dinâmicas, e a falta de reconhecimento pode levar à desestabilização da identidade e à crise de saúde mental. A psicodinâmica do trabalho, portanto, não busca eliminar o sofrimento, mas sim entender como ele pode ser gerido de forma a evitar o adoecimento. A análise das condições de trabalho e das relações sociais é fundamental para promover um ambiente laboral que favoreça a saúde mental e o bem-estar dos trabalhadores. O artigo conclui que a compreensão das interações entre trabalho, prazer e sofrimento é essencial para desenvolver estratégias que melhorem a qualidade de vida no trabalho e promovam a saúde mental. Destaques A psicodinâmica do trabalho analisa a relação entre saúde mental e as condições laborais, destacando a importância do trabalho na vida do indivíduo. Mecanismos de defesa são utilizados pelos trabalhadores para lidar com o sofrimento, podendo ser benéficos ou prejudiciais. As novas formas de organização do trabalho geram patologias sociais, como sobrecarga e servidão voluntária, que afetam a saúde mental. O sofrimento pode ser ressignificado e transformado em prazer através da mobilização da inteligência prática, reconhecimento e cooperação. A análise das condições de trabalho é crucial para promover a saúde mental e o bem-estar dos trabalhadores.

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