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28/04/2021 Protozoários sanguíneos e teciduais – Parte 1
https://cead.uvv.br/graduacao/conteudo.php?aula=protozoarios-sanguineos-e-teciduais-parte-1&dcp=parasitologia-geral&topico=02 1/13
Lição 02
Protozoários sanguíneos e
teciduais – Parte 1
Parasitologia Geral
Começar a aula
1. Introdução ao estudo dos protozoários
Denominamos de PROTOZOOLOGIA a ciência que estuda os protozoários (do
latim proto “primeiro” e zoon “animal”), que são microrganismos geralmente unicelulares,
eucariotas, aeróbios ou anaeróbios facultativos e heterotróficos (não produzem alimento próprio).
Estes organismos apresentam características parecidas com de animais, como locomoção, ingestão
de alimentos e ausência de parede celular rígida. Apresentam morfologia variada de acordo com o
seu estágio evolutivo e ao ambiente ao qual estão adaptados, podendo ser de vida livre
(encontrados em água doce ou solo), vivendo em simbiose ou na forma parasitária em hospedeiros.
28/04/2021 Protozoários sanguíneos e teciduais – Parte 1
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De uma forma geral, os protozoários são microrganismos de vida livre na água (água doce ou
salgada), locais úmidos ou mesmo em matéria orgânica em decomposição. Também podem agir
como parasitas, provocando doenças de variadas intensidades dependendo da espécie de parasita e
do seu hospedeiro.
Os protozoários podem ser móveis ou imóveis. Assim, são divididos quanto ao meio de locomoção
em:
1. Ciliados: possuem cílios numerosos e curtos que, por meio do batimento sincronizado,
propulsionam o parasito até locais de interesse, geralmente, em água doce, salgada e onde
existe matéria orgânica em decomposição;
2. Flagelados: possuem um único e longo flagelo para propulsão da célula, normalmente, de
vida livre, apesar de muitos parasitarem seres humanos;
3. Amebas: ou rizópodos moldam o corpo lançando-se extensões fluidas do corpo, o que permite
avançarem (se locomoverem). Esses prolongamentos são denominados pseudópodes (“falsos
pés”), muito encontrados nas Amebas;
4. Esporozoários: não possuem nenhum tipo de organela locomotora e nem vacúolos contráteis
(amebas). Todos os membros deste grupo se caracterizam como parasitas obrigatórios, ou seja,
somente se reproduzem dentro do organismo hospedeiro.
Normalmente, apresentam reprodução do tipo assexuada (mitose do núcleo), embora também
existam aqueles que realizam reprodução sexuada, onde ocorrerá a troca de material genético entre
os pares. Em relação à reprodução assexuada, temos a seguinte classificação:
1. Divisão binária: onde um protozoário se divide originando duas cópias de igual tamanho;
2. Brotamento: uma espécie de divisão binária, entretanto, uma célula permanece ativa, realiza
mitose e gera uma estrutura menor a partir de uma porção da membrana celular;
3. Endogenia: quando há formação de brotamento interno para a geração de duas ou mais
células;
4. Esquizogonia: quando a reprodução se caracteriza por múltiplas divisões, dando origem a
vários esquizontes;
5. Esporos: reprodução com formação de esporos, estruturas inativas de grande resistência, uma
ótima forma de disseminação do parasita no meio ambiente.
Os protozoários podem apresentar ciclos biológicos diferentes conforme a espécie estudada. Alguns
apresentam ciclos evolutivos mais completos (passando por todas as fases), outros apresentam
ciclos um pouco mais simples. Dentre as principais fases evolutivas pelas quais podem passar,
podemos listar abaixo as seguintes:
1. Trofozoíto: forma ativa do protozoário. Normalmente, é encontrada no hospedeiro;
2. Cisto: forma de resistência ou de latência. Há a formação de uma parede cística que o
protegerá de ambientes hostis (dessecação e temperaturas baixas) ou em fases de latência (em
tecidos ou fezes do hospedeiro);
3. Oocisto: também uma forma de resistência ou latência proveniente da reprodução sexuada.
28/04/2021 Protozoários sanguíneos e teciduais – Parte 1
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Em resumo, os protozoários podem se reproduzir de forma assexuada (divisão binária, brotamento,
endogenia e esquizogonia) ou de forma sexuada (conjugação e fecundação). Podem se locomover
por meio de pseudópodos, flagelos, cílios ou microtúbulos.
2. Principais doenças em humanos
provocadas por protozoários
Diversas são as doenças humanas já relatadas com o envolvimento de algum protozoário. Conforme
a região estudada: se rural, silvestre ou urbana; se predominada por condições higiênico-sanitárias
satisfatórias ou não; se predominada por população de alta ou baixa condição socioeconômica; se
negligenciada ou não pelos órgãos de saúde; o fato é que as doenças parasitárias podem apresentar-
se de forma alarmante, cursarem de forma menos intensa ou mesmo nem serem relatadas.
Antes que as doenças provocadas por protozoárias sejam devidamente abordadas na sequência
desta apresentação, o quadro abaixo (Quadro 1) lista de uma forma simplificada algumas
características gerais em relação às doenças causadas pelas leishmanias e os tripanossomas.
Quadro 1. Principais doenças de humanos provocadas por protozoários.
DOENÇA PROTOZOÁRIO TECIDOS ATINGIDOS
Leishmaniose tegumentar Leishmania braziliensis Tecido cutâneo
Leishmaniose visceral Leishmania chagasi Fígado, baço, linfonodos, medula óssea
Doença de Chagas Trypanosoma cruzi muscular
PARA REFLETIR: Afinal, qual a importância da Parasitologia na saúde pública?
28/04/2021 Protozoários sanguíneos e teciduais – Parte 1
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Clique aqui para Saber Mais sobre as principais doenças causadas por protozoários.
3. Leishmania
O gênero Leishmania compreende protozoários flagelados e apresenta as formas promastigota
(forma livre que apresenta flagelo curto na região anterior do corpo), paramastigota (aderida ao
aparelho digestório do hospedeiro invertebrado) e amastigota (parasito intracelular). Sua
reprodução ocorre por divisão binária.
Duas formas de parasitas de Leishmania spp., promastigotas flageladas, encontradas em flebótomos e meios laboratoriais
e amastigotas não flageladas, encontradas dentro de macrófagos.
https://midia.atp.usp.br/plc/plc0501/impressos/plc0501_06.pdf
https://cead.uvv.br/conteudo/wp-content/uploads/2019/02/aula_micger_top10_img02-768x513.jpg
28/04/2021 Protozoários sanguíneos e teciduais – Parte 1
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Para Saber Mais sobre a MORFOLOGIA DA LEISHMANIA, clique aqui.
3.1. Ciclo biológico da Leishmania
As leishmanias são protozoários digenéticos, ou seja, seu ciclo de vida acontece
em dois hospedeiros diferentes, a saber:
Hospedeiros invertebrados: fêmeas de Flebotomíneos do gênero Lutzomyia (mosquito-palha);
Hospedeiros vertebrados: mamíferos de várias espécies, como canídeos, primatas e seres
humanos. Nas áreas urbanas/periurbanas, os cães são os principais reservatórios da Leishmania.
A infecção do hospedeiro invertebrado ocorre quando a fêmea do inseto ingere o sangue de um
animal infectado, contendo as formas amastigotas. Dentro do intestino do inseto, as formas
amastigotas se transformam em formas paramastigotas e, após 3 a 4 dias, transformam-se em
promastigotas, tornando-se infectantes em um próximo repasto sanguíneo em outro hospedeiro
vertebrado.
Úlcera de Leishmaniose cutânea e vista aproximada de promastigotas (acima) e células histiocíticas humanas infectadas
por amastigotas (abaixo) de Leishmania.
http://www.dbbm.fiocruz.br/tropical/leishman/leishext/html/morfologia.htm
https://cead.uvv.br/conteudo/wp-content/uploads/2019/02/aula_micger_top10_img03-768x512.jpg
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Para Saber Mais sobre o CICLO DE VIDA DA LEISHMANIA, clique aqui.
3.2. A Doença Leishmaniose
Basicamente, existem dois tipos de Leishmaniose: a Leishmaniose Tegumentar Americana
(LTA) e a Leishmaniose Visceral Americana (LVA). Entretanto, conforme a região, elas
podem ser provocadas por diferentes espécies (ou subspécies) de Leishmania. O quadro abaixo
(Quadro 2) apresenta um resumo da distribuição da Leishmaniose no Novo Mundo. Na sequência,
elas serão detalhadas de uma maneira mais ampla.
Quadro 2. Tipos de Leishmaniose do Novo Mundo e respectivos agentes causadores
Leishmaniose tegumentar Americana Leishmaniose visceral Americana
Complexo Braziliensis Complexo Mexicana Complexo Donovani
L. (V.) braziliensis* L. (L.) mexicana L. (L.) chagasi*
L. (V.) peruviana L. (L.) pifanoi L. (L.) donovani
L. (V.) guyanensis* L. (L.)amazonensis* L. (L.) infantum
L. (V.) panamensis L. (L.) venezuelensis  
*Ocorrência no Brasil. Adaptado de Rey (2002) e Neves (2004).
3.2.1 Leishmaniose Tegumentar Americana
A Leishmaniose tegumentar já foi registrada em mais de 80 países, com registros que variam de 1 a
1,5 milhões de casos por ano, e, no Brasil, tem ocorrência em quase todos os Estados.
As principais formas clínicas são:
1. Cutânea localizada: formação de úlceras indolores na pele que podem ser únicas ou múltiplas;
2. Cutaneomucosa: lesões severas em região da nasofaringe;
3. Disseminada: múltiplas úlceras cutâneas que são disseminadas por meio do sangue e/ou linfa;
4. Difusa: formação de lesões nodulares não ulcerosas.
http://www.ciencias.seed.pr.gov.br/modules/galeria/detalhe.php?foto=2099&evento=3
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No Brasil, podemos descrever 3 tipos de padrões de transmissão: Silvestre, Ocupacional e
Rural/Periurbano.
1. Silvestre: com ocorrência principal em animais silvestres em seu habitat natural, podendo
haver a transmissão para humanos quando se expõe ao ambiente silvestre com a presença da
Leishmania e do mosquito transmissor;
2. Ocupacional: relacionado à exposição do ser humano quando há exploração desordenada de
regiões de matas e florestas para instalação de povoados, instalações de hidrelétricas e
atividades agropecuárias, por exemplo. As atividades de ecoturismo e militares também se
enquadram neste padrão;
3. Rural/Periurbano: relacionado às matas secundárias ou residuais onde, geralmente, ocorrem
áreas de ocupação.
É interessante ressaltar que, em dois destes padrões, há o desequilíbrio ambiental como fator
determinante para que o mosquito transmissor se aproxime cada vez mais dos seres humanos.
3.2.2 Leishmaniose Visceral Americana ou Calazar
Doença crônica e, se não tratada, apresenta alta letalidade, principalmente quando acomete
crianças com desnutrição. Além disso, tem se tornado cada vez mais comum em portadores do HIV.
Assim, a Leishmaniose visceral se tornou uma das principais doenças da atualidade.
Apenas na América Latina, já foi descrita em mais de 12 países. 90% desses casos foram registrados
no Brasil, principalmente na região Nordeste.
Esta doença se caracteriza por febre de intensidade média e de longa duração, esplenomegalia,
hepatomegalia, anemia, leucopenia, trombocitopenia, hipergamaglobulinemia e hipoalbuminemia.
Pode causar também linfadenopatia periférica. No quadro abaixo, estão listados os sintomas de
acordo com o estágio da doença.
Quadro 3. Principais sintomas clínicos da Leishmaniose de acordo com o estágio de
desenvolvimento da doença
Sintoma Estágio inicial e de desenvolvimento Estágio final
Febre Presente Presente
Emagrecimento Ausente a moderado Acentuado
Palidez Discreta a moderada Acentuada
Hepatomegalia Discreta a moderada Acentuada
Esplenomegalia Discreta a moderada Acentuada
Hemorragias Ausente e discretas Frequente
A Leishmaniose visceral também pode ser transmitida via barreira transplacentária e, com menor
frequência, por acidentes laboratoriais e compartilhamento de agulhas por usuários de drogas.
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3.3. Prevenção da leishmaniose
Controle químico do vetor (flebotomíneo) direcionado em áreas urbanas, periurbanas e
peridomiciliares podem contribuir com a redução da população do mosquito. Entretanto, em áreas
rurais e florestas, além de inútil e oneroso, esta ação provoca um grande desequilíbrio ecológico,
alterando a fauna e flora.
O uso de repelentes e mosquiteiros contribui para evitar que o vetor chegue ao novo hospedeiro,
entretanto, pode ser pouco praticável em certos locais.
Medidas de caráter coletivo, como o manejo ambiental com a limpeza de quintais e terrenos,
evitando que o lixo orgânico se acumule, diminuem as chances de proliferação dos flebotomíneos
que encontram, exatamente nestes locais, um ótimo local de proliferação.
Embora muito se estude a respeito, ainda não existem vacinas disponíveis no mercado com eficácia
considerável. Portanto, a principal ferramenta de prevenção está no controle do vetor e melhoria
das condições ambientais de residência da população.
Para Saber Mais sobre as LEISHMANIOSES e suas estratégias de controle, consulte os materiais:
Manual de Vigilância e Controle da Leishmaniose Visceral
Manual de Controle da Leishmaniose Tegumentar Americana 
4. Trypanosoma Cruzi
O gênero Trypanossoma é caracterizado pelo formato de folha com um flagelo fixado ao corpo por
uma membrana ondulante. Reproduzem-se assexuadamente. 
Este gênero está na ordem Kinetoplastida, na qual a família Trypanosomatidae contempla um
grande número de espécies parasitas de insetos e de vertebrados. Isso se deve ao fato de possuírem
uma organela bastante singular, o cinetoplasto, que é formado por um segmento de sua extensa
mitocôndria com abundante DNA (kDNA).
Trypanosoma cruzi pode apresentar uma grande variabilidade conforme a região onde é isolado.
Variações morfológicas, fisiológicas, ecológicas, de infectividade e patogenicidade configuram
muitas das diferenças já detectadas entre as diferentes cepas ou linhagens detectadas.
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_vigilancia_controle_leishmaniose_visceral.pdf
http://www.saude.pr.gov.br/arquivos/File/zoonoses_intoxicacoes/leishmaniose/manu_leishman.pdf
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Trypanosoma cruzi no sangue, um parasita que é transmitido pelo barbeiro (Triatomíneo) e causa a doença de Chagas.
4.1. Ciclo biológico
Parte do ciclo biológico do T. cruzi ocorre no interior do Triatoma, inseto hematófago conhecido
popularmente por Barbeiro. O barbeiro, durante a sua alimentação, defeca e urina sobre a pele do
hospedeiro que, ao se coçar, transfere as excretas contaminadas com o parasito sob a forma de
tripomastigotas (forma móvel e ágil) para o interior do ferimento, alcançando a corrente sanguínea
e atingindo vários órgãos, como o coração e até o sistema nervoso central. No interior das células, o
parasito se transforma em amastigota (forma arredondada) e começa a se multiplicar por divisão
binária. Após as células estarem repletas de parasitos, eles voltam a se transformar em
tripomastigotas, rompem as células e voltam a se disseminar pela corrente sanguínea. Uma pessoa
infectada, ao ser novamente picada pelo barbeiro, infecta o inseto e o ciclo se reinicia.
Os triatomíneos (barbeiros), hemípteros da família Reduviidae, contêm as diversas espécies
(vetores) que podem ser potenciais transmissores do Trypanosoma cruzi. Eles se encaixam nos
gêneros Triatoma, Panstrongylus, Rhodnius e Eutriatoma que se apresentam naturalmente
infectados. São conhecidos no Brasil como “barbeiros”, “chupança”, “bicho de parede”, “fincão”,“bicudo” ou “chupão”.
Para Saber Mais sobre o TRYPANOSSOMA CRUZI, clique aqui.
4.2. Formas de transmissão
https://cead.uvv.br/conteudo/wp-content/uploads/2019/02/aula_micger_top10_img01-768x512.jpg
https://agencia.fiocruz.br/doen%C3%A7a-de-chagas
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A principal forma de transmissão e de relevância epidemiológica é a transmissão por vetor, na
qual os tripanosomas metacíclicos (eliminados nas fezes e/ou urina de triatomíneos durante a
hematofagia) penetram na pele ou mucosa íntegra. Entretanto, outras formas de transmissão já são
conhecidas e, em algum momento, podem também oferecer algum risco para certas populações
expostas. São elas:
Transfusão sanguínea: segundo mecanismo de maior importância epidemiológica;
Transmissão congênita: tem diminuído em função da redução dos casos de pessoas jovens e
em idade fértil;
Acidentes de laboratório: pode ocorrer entre pesquisadores e técnicos que trabalham com o
parasito;
Transmissão oral: diversas são as maneiras de se infectar, desde o leite materno a alimentos
em que o triatomíneo foi triturado junto com o alimento (caldo de cana, açaí, etc.). Nesses casos,
ocorrerá penetração ativa do parasito em mucosa íntegra;
Transplantes: pode provocar fase aguda grave pelo fato do paciente transplantado receber
medicamentos imunossupressores, tornado-o vulnerável à infecção.
4.2.1 Doença de Chagas
Nem todos os indivíduos que sofrem infecção pelo T. cruzi apresentarão sintomatologia clínica.
Após um período de fase aguda, muitos permanecem como portadores assintomáticos da infecção.
Também conhecida como Tripanossomíase Americana, a doença de Chagas, pode apresentar
duas formas clássicas.
Fase aguda: geralmente, apresenta sinais que passam desapercebidos. É oligossintomática,
apresentando febre pouco característica.
Eventualmente, podem ocorrer sintomas, ainda na fase aguda, que se iniciam entre 5 a 14 dias após
a picada do Triatoma. Em casos raros, o mal de Chagas pode ser transmitido por transfusão
sanguínea, então, os sintomas se iniciarão após 30 a 40 dias do contágio.
Fase crônica: pode demorar de 20 a 40 anos para se iniciarem os sintomas. Geralmente, se
divide nas formas:
1. indeterminada;
2. cardíaca;
3. digestiva e;
4. outras formas.
Geralmente, a fase crônica inicia-se com o fim da fase aguda, normalmente, pela forma
indeterminada e, depois, distribuindo-se nas formas viscerais (cardíaca, digestiva, etc.).
Os principais sintomas da Doença de Chagas são febre, mal-estar, hepatomegalia, esplenomegalia,
inflamação dos gânglios linfáticos e, nas fases mais avançadas, cardiomegalia, arritmias cardíacas e
até envolvimento das meninges e cérebro. Em alguns casos, são descritas a ocorrência de
inflamação no local da picada, denominado Chagoma de inoculação.
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Sinal muito característico, embora nem sempre frequente, é quando a lesão inicial ocorre no olho
ou em suas imediações. Ocorre uma reação inflamatória, conjuntivite e edema bipalpebral
unilateral que impede a abertura do olho. Este sinal clássico é conhecido como Sinal de Romanã.
Em 30% dos pacientes com mal de Chagas, a doença pode evoluir para problemas cardíacos,
digestivos e neurológicos, sendo uma doença notória na morte em adultos de 30 a 60 anos.
Não existe tratamento específico preventivo ou curativo para a tripanossomíase crônica devida ao
T. cruzi. Os medicamentos da atualidade são utilizados apenas para tratamento da fase aguda da
doença.
4.2.2 Prevenção à Doença de Chagas
Não existe vacina contra a doença de Chagas. Portanto, a profilaxia da doença se baseia em
melhorar as condições de vida da população, bem como modificar os maus hábitos de destruição de
fauna e flora.
A melhoria das condições de habitações rurais são ponto importante para se evitar entrada e
permanência do vetor (Triatoma) dentro das residências. O barbeiro tem o hábito de se instalar em
frestas nos telhados e em buracos nas paredes, o que o relaciona, muitas vezes, às casas de pau-a-
pique. Em regiões próximas às matas, é recomendado o uso de telas ou mosquiteiros, além de
repelentes.
Ações voltadas para o combate do vetor com o uso de armadilhas e aplicação de inseticidas fazem
parte de um programa de combate ao principal transmissor da doença. Porém, somente esta ação
isolada oferece poucos resultados satisfatórios.
Numa forma de controle mais amplo, ações voltadas para o controle na doação de sangue e
transplantes de órgãos é ferramenta importante. Como pode haver o contágio via oral, deve-se
sempre seguir as recomendações das Boas Práticas de Higiene e Manipulação de Alimentos.
Sabia dessa?
Outra forma de transmissão da Doença de Chagas, porém menos comum, é a oral, geralmente
associada ao consumo de açaí e caldo de cana contaminados!
Típica casa rural feita de madeira trançada e barro (casa de estuque) onde o vetor (triatomíneo) transmissor do T.
cruzicostuma se alojar.
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5. Conclusão
O Tópico 10 procurou abordar de uma maneira objetiva as características morfológicas e a biologia
geral dos protozoários, além de apresentar alguns dos principais protozoários sanguíneos e
teciduais de interesse médico-sanitário, destacando a importância dos hábitos de higiene na
prevenção da infecção.
6. Referências
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. Acesso em: 29
nov.2018.
BRASIL. Fiocruz. Doença de Chagas. Fundação Oswaldo Cruz. Rio de Janeiro, 2013. Disponível
em: . Acesso em: 29 nov.2018.
BRASIL. Gerência Técnica de Doenças Transmitidas por Vetores e Antropozoonoses. Manual de
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Disponível em:
. Acesso em 22nov.2018.
BRASIL. Governo do Paraná. Secretaria de Educação. Leishmaniose – ciclo biológico.
Secretaria da Educação do Paraná. Paraná. Disponível em:
. Acesso
em: 22 nov.2018.
BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de vigilância e controle da leishmaniose visceral.
Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2006. 120 p.: il. color – (Série A. Normas e Manuais
Técnicos). Disponível em:
. Acesso em: 22 nov.2018.
BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de vigilância e controle da leishmaniose visceral.
Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2006.
BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de Vigilância da Leishmaniose Tegumentar
Americana. 2. ed. atual. – Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2010.
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BRASIL. Saúde. Conheça os sintomas da Doença de Chagas e saiba como se prevenir.
Ministério da Saúde. Brasília, 21 ago.2018. Disponível em:
. Acesso em: 15 nov.2018.
FIGUEIRÓ FILHO, Ernesto Antonio et al. Leishmaniose visceral e gestação: relato de caso. Rev.
Bras. Ginecol. Obstet. vol.27, n.2, Rio de Janeiro: 2005.
MUÑOZ,Susana S.; FERNANDES, Ana Paula M. Principais doenças causadas por
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. Acesso em: 22 nov.2018.
NEVES, D. P. Parasitologia Humana. 11 ed. São Paulo: Atheneu, 2004.
PELCZAR Jr, M. J.; CHAN, E. C. S.; NOEL, K. R. Microbiologia - Conceitos e Aplicações. 2ª
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Youtube. (16 jan. 2017). Drauzio Varella. Leishmaniose Visceral. 5min35. Disponível em:
. Acesso em 26 nov.2018.

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