Prévia do material em texto
90 !"#$%&'()*+(%&,*-.%/.0!!%-&1*+2$/-3&4+$-.$!*&,$#$*/0&5)+6*// Think, Porto Alegre, v. 4, n. 2, p. 90-97, jul./dez. 2006 The evolution of sales promotion towards a new subject: Promotion Marketing Flávio Eduardo Vasconcellos Martins*, Priscila Viviane Burmann** * Mestre em gestão empresarial, professor da ESPM de graduação, Pós e MBA e especialista em Marketing, atuando como diretor da Alquimia Marketing Promocional em Porto Alegre. e-mail: fmartins@espm.br ** Aluna do curso de Publicidade e Propaganda com Ênfase em Marketing da ESPM-RS. e-mail: priburmann@terra.com.br RESUMO Este artigo busca apresentar a evolução na utilização da ferramenta promoção de vendas do composto mercadológico, que de instrumento operacional para fomentar vendas passa a ser utilizada pelas empresas e agências de comunicação de forma estratégica, sugerindo, a partir desse movimento, uma evolução da promoção de vendas para uma nova disciplina: o Marketing Promocional. PALAVRAS-CHAVE: mix de marketing, promoção de vendas, marke- ting promocional, gestão de relacionamento com clientes. ABSTRACT The purpose of this article is to describe the evolution in the use of the sales promotion tool of the marketing mix, which started as an operational instrument used for increasing sales and is now used strategically by companies and advertising agencies. This change suggests an evolution of sales promotion towards a new subject: Promotion Marketing. KEYWORDS: marketing mix, sales promotion, promotion marketing, CRM. Introdução A evolução da promoção de vendas rumo a uma nova disciplina: o Marketing Promocional O investimento das empresas brasileiras em marketing promocional registrou, em 2005, crescimento de 13% em relação a 2004, princi- palmente pelo incremento na utilização de ferramentas de incentivos e eventos, motivado por estratégias de construção de marca, capacidade de gerar receitas e ações de relacionamento (SIQUEIRA, 2005). Aaker (1996) afirma que ferramentas tradicionais do marketing nem sempre resolvem o problema de per- cepção de marcas, por isso, as empresas vêm optando por formas diferenciadas de se comunicar com seus públicos-alvo. Segundo estudo realizado pela AMPRO (Associação de Marketing Promocional), da maioria das empresas pesquisadas, 95% do total consideram o marketing promocional uma ferramenta estratégica, justificando, assim, o crescimento da sua utilização nos últimos anos. Há pouco tempo, as ações promocionais eram consideradas tampões, ações emergenciais para obtenção de resultados de curto prazo, adotadas princi- palmente no ponto de venda. Ocorre que, ao perceberem o potencial do marketing promocional, as empresas estão cada vez mais investindo nessa ferramenta já na fase de planejamento das campanhas. Considerando esta nova realidade, na qual o marke- ting promocional ganha um status diferenciado, o pre- sente artigo apresenta um estudo sobre essa ferramenta, sua evolução e contexto atual, realizando para tal fim uma revisão bibliográfica sobre o tema, principalmen- te através das idéias de Aaker (1996), Shimp (2001), Kotler (1998/2000/2006), McCarthy (1997), Peppers e Rogers (2001), De Simoni (1997), e Costa e Crescitelli (2003), assim como através da análise de entrevistas de profissionais do setor publicadas na revista Propaganda e Marketing no ano de 2006. A promoção de vendas no composto de marketing Para Dickson (2001), o composto de marketing de uma empresa representa os elementos controlá- veis de suas estratégias de marketing, consistindo no desenvolvimento de estratégias em quatro áreas de decisão: produto, preço, distribuição e promoção. Pinho (2001) contribui, afirmando que, por meio do mix de marketing, a empresa introduz produtos no mercado, dá conhecimento de sua existência aos compradores potenciais e induz os consumidores a darem preferência para a compra deste produto em detrimento dos da concorrência. De acordo com Kotler (2000), o composto promoção inclui as várias atividades de comunicação e promoção da empresa nos mercados-alvo. Também denominada como comunicação, é considerada uma ferramenta de sustentação do marketing, representando toda e qualquer 91 Think, Porto Alegre, v. 4, n. 2, p. 90-97, jul./dez. 2006 7&0#%!)89%&(*&:+%6%89%&(0�/(*-&+)6%&*&)6*&/%#*&($-.$:!$/*;&%&1*+push – que significa “empurrar“ - e pull – que significa “puxar”, sendo possível diversas combinações entre elas. Kotler e Keller (2006) referem-se à estratégia de push quando o fabricante empurra o produto para o intermediário que, por sua vez, empurra-o para o consumidor. Nesse caso, a ação promocional é voltada para o intermediário, tendo ênfase na venda pessoal e nas ações de incentivos de vendas dos agentes do canal de distribuição. Pull significa o estímulo que o produtor dá ao consumidor, para que este vá ao distribuidor à procura de seu produto, obrigando o intermediário a dispor do produto em estoque, sendo a ênfase, nesse caso, na propaganda e nas promoções ao consumidor final. Figura 1: Estratégia de Puxar e Empurrar !"#$%&'!#($)&*+,,-.&/012+3 92 !"#$%&'()*+(%&,*-.%/.0!!%-&1*+2$/-3&4+$-.$!*&,$#$*/0&5)+6*// Think, Porto Alegre, v. 4, n. 2, p. 90-97, jul./dez. 2006 Para Rocha e Christensen (1999), a promoção de ven- das difere-se da propaganda por visar, essencialmente, resultados de vendas de curto prazo, não produzindo efeitos de longo prazo sobre as vendas ou lealdade à mar- ca. Eles ainda afirmam que a promoção de vendas tem apresentado um crescimento superior ao da propaganda: segundo a Associação de Marketing Promocional, as ati- vidades de promoção de vendas estariam movimentando, no Brasil, em 1997, em torno de U$ 7,5 bilhões, sendo que, aproximadamente, metade dessa verba é destinada a descontos, ofertas e prêmios; 10% é investida em convenções; 10%, em eventos e patrocínio; e o restante, distribuído entre as demais formas de promoção. Las Casas (1997) também afirma que a verba desti- nada à promoção de vendas vem aumentando gradativa- mente em relação às verbas destinadas à comunicação com o mercado, sendo essa tendência identificada principalmente naquelas empresas que comercializam produtos de consumo de massa. Ainda segundo ele, a promoção como ferramenta mercadológica está sofrendo mudanças claras. De acordo com Kotler (2000), uma das habilidades mais importantes em marketing é a promoção, que é a parte da comunicação que se compõe das mensagens destinadas a estimular as pessoas a tomar consciência dos vários produtos e serviços da empresa, fazendo-as conhecer e interessar-se por eles. As empresas lançam mão da propaganda, da promoção de vendas, do pessoal de vendas e dos relações públicas para disseminar men- sagens destinadas a atrair a atenção e interesse. Ainda de acordo com Kotler (2000), a promoção de vendas comunica, incentiva e convida; a sua utilização como ferramenta de marketing causa um efeito mais rápido no comprador em curto prazo, pela forma com que chama a atenção do mesmo. Esta idéia é reforçada por Shimp (2001), que defende que a promoção de vendas é composta por atividades de marketing que procuram estimular ações rápidas dos compradores; em outras palavras, procuram promover vendas imediatas de um produto. Além disso, o autor a define como uso de qualquer estímulo por parte de um fabricante para induzir o canal de distribuição e/ou os consumidores a comprarem uma marca, além de enco- rajar a força de vendas a vender de forma agressiva. Sandhusen (1998) cita os objetivos da promoção de vendas separando-os por categorias: para o consumi- dor-usuário, o objetivo é estimulá-los a um nível mais alto de uso e atrair usuários de marcas concorrentes – a promoção de vendas deve estimular o consumidor não- usuário a experimentar o produto –; para o varejista, ela deve incentivá-los a ter níveis de estoque mais altos e a construir lealdade com a marca e se igualar às promo- ções dos concorrentes; para a força de vendas, ela deve oferecer assistência na introdução de novos produtos e modelos. O autor ainda sustenta que a promoção de vendas é aplicada com os membros do canal – a maioria varejistas – e com a força de vendas, assim como com os consumidores, preenchendo uma necessidade de estímulos de curto prazo. Costa e Crescitelli (2003) referem-se à promoção de vendas como uma estratégia de marketing e comunica- ção. Os autores afirmam tratar-se de “um conjunto de técnicas de incentivo, impactante, que age em curto pra- zo, objetivando estimular os diversos públicos à compra e venda mais rápida e/ou de maior volume, de produtos e serviços” (COSTA; CRESCITELLI, 2003, p. 69). Recentemente Kotler e Keller (2006) revisaram o conceito de promoção de vendas, definindo-o como um conjunto de ferramentas de incentivo, sendo a maioria de curto prazo, projetadas para estimular a compra mais rápida ou em maior quantidade, tanto por parte do con- sumidor quanto por parte do comércio. Os autores apre- sentam um comparativo entre propaganda e promoção, afirmando que aquela oferece uma razão para comprar, enquanto esta oferece um incentivo. Para Kotler (2006), a promoção inclui ferramentas para promoção de con- sumo (cupons, amostras, descontos, brindes, prêmios, recompensas, reembolsos, garantias, promoções combi- nadas, testes gratuitos, promoções cruzadas, displays de ponto-de-venda e demonstrações), promoção de comér- cio (concessões de propaganda, descontos, bonificações por exposição e amostra grátis) e promoção setorial e para equipe de vendas (convenções, feiras comerciais, propaganda dirigida e concursos para vendedores). Há dez anos, observa o autor, a proporção entre a propaganda e a promoção de vendas era, em média de 60% para 40%. Atualmente, em muitas empresas de bens de consumo, a promoção de vendas equivale a 75% do orçamento combinado, ou seja, 50% é destinado à promoção comercial e 25% à promoção ao consumi- dor, sendo crescente o percentual de investimentos em promoção de vendas dentro do orçamento anual das empresas. Isso tudo, segundo Kotler e Keller (2006), é decorrente da mudança de visão da alta gerência, que passou a ver a promoção como uma ferramenta eficaz de vendas, fazendo aumentar o número de gerentes de pro- duto qualificados para utilizar esse tipo de ferramenta. Dentre os motivos para o aumento da importância da promoção de vendas na estratégia de marketing das empresas, Kotler e Keller (2006) destacam as seguintes: o aumento da concorrência, com o surgimento de inúme- ras novas marcas; a adoção de freqüentes promoções por parte da concorrência; a similaridade entre as marcas; a mudança na percepção dos consumidores, que estão mais orientados pelo preço; a exigência por parte do co- mércio por mais promoções dos fabricantes; e por fim, a 93 Think, Porto Alegre, v. 4, n. 2, p. 90-97, jul./dez. 2006 7&0#%!)89%&(*&:+%6%89%&(0�/(*-&+)6%&*&)6*&/%#*&($-.$:!$/*;&%&1*+de marketing. De fato, trata-se de um conjunto de ações e atividades mercadológicas que pode proporcionar excelentes resultados para a em- presa e para os produtos, podendo, então, ser estudado como um composto, o marketing promocional. Segundo Siqueira, em artigo intitulado “A força do marketing promocional”, publicado na edição especial da revista Propaganda & Marketing (julho, 2006), o mercado promocional é um dos segmentos com maior crescimento no mundo. Atualmente, as empresas têm investido verbas significativas em campanhas promo- cionais. Além disso, houve crescimento de determinadas ferramentas de marketing promocional, como produtos promocionais, incentivos, eventos, dentre outros, moti- vados por estratégias de construção de marca, capacidade de gerar receita e relacionamento com o cliente. Gerson Cristensen (PROPAGANDA & MARKE- TING, agosto, 2006, p.10-12), vice-presidente da AM- PRO (Associação de Marketing Promocional), define o marketing promocional como uma “ferramenta de marketing aplicada a produtos, serviços ou marcas, vi- sando, por meio da interação junto ao seu público-alvo, alcançar os objetivos estratégicos e construção de marca, fidelização e vendas”. De acordo com Siqueira (PROPA- GANDA & MARKETING, julho, 2006), a comunicação integrada exige uma gama de serviços especializados e, atualmente, há muitas empresas com grande expertise em determinados serviços, gerando certa segmentação do mercado, proporcionando um resultado muito maior aos clientes, além da otimização de custos. Cristensen (2006) apresenta resultados de uma pesquisa realizada em 2005 junto a 100 empresas, re- presentando aproximadamente 20% do PIB brasileiro, em que foram questionadas as seguintes questões: quais as ferramentas de marketing promocional mais utiliza- das, como se dá a distribuição da verba entre as ferra- mentas, quais os fatores determinantes de escolha das ferramentas e, por último, se o marketing promocional é estratégico ou tático. A pesquisa mostrou que campa- nhas de incentivo, ações de relacionamento e eventos, principalmente corporativos, obtiveram destaque. Para a maioria das empresas, 95% do total pesquisado, o marketing promocional é estratégico, justificando seu crescimento ao longo dos anos. Sabe-se que há pouco tempo as ações promocionais eram consideradas tampões, ações de emergência, principalmente quando se referiam a ponto-de-ven- da. Ocorre que, ao perceberem todo o potencial do Marketing Promocional, as empresas estão cada vez mais inserindo ações desta disciplina em seus pla- nejamentos. A pesquisa apontou ainda o marketing promocional como uma ferramenta de construção de marca, tanto em áreas corporativas como em pontos- de-venda, sendo este o principal fator de escolha das ferramentas. A informação mais relevante do estudo é o crescimento do marketing promocional em 2004 em relação a 2003. No levantamento referente a 2003, o mercado de marketing promocional foi de R$ 9,9 bi- lhões, enquanto que, em 2004, houve um crescimento bastante expressivo, passando para R$ 15 bilhões. Elza Tsumori (PROPAGANDA & MARKETING, agosto, 2006), presidente da AMPRO (Associação de Marketing Promocional), afirma que o setor de comu- nicação vem discutindo, nos últimos anos, o motivo da crescente valorização do marketing promocional, mas, para que se entenda esse crescimento, é necessário avaliar o comportamento do mercado. Segundo Tsu- mori (2006), houve uma mudança radical na sociedade durante os últimos vinte anos, alterando o comporta- mento dos consumidores com a introdução do “tempo real” no cotidiano. Essa alteração no comportamento dos consumidores ocasionou transformações em toda a área de comunicação e, conseqüentemente, provocou a revolução das suas diversas disciplinas. Dentro de um cenário onde todos trabalham com o marketing, fica mais fácil entender por que hoje todos do mercado produtor e distribuidor dão tanta importância ao valor agregado, 94 !"#$%&'()*+(%&,*-.%/.0!!%-&1*+2$/-3&4+$-.$!*&,$#$*/0&5)+6*// Think, Porto Alegre, v. 4, n. 2, p. 90-97, jul./dez. 2006 uma vez que o consumidor final deve ter realmente um produto ou serviço que atenda às suas necessidades. O marketing de relacionamento A gestão do relacionamento dos clientes, o CRM (Customer Relationship Management), modifica total- mente a maneira de realizar negócios, centrando-os no cliente, não no produto. Os “informeciais” (comerciais voltados para a grande massa, nos quais são apresentadas as características dos produtos ou serviços oferecidos, de forma impessoal) tornaram-se inadequados, pois são os exemplos mais radicais de marketing focado em pro- duto, ao invés de utilizar estratégias para manutenção de clientes a longo prazo (GREENBERG, 2001). Segundo o autor, o acelerado crescimento da Web e sua maturação no mundo empresarial fizeram do CRM uma forma de fazer negócios, e não uma maneira de apri- morar as formas já existentes. O avanço da tecnologia e a enorme velocidade de comunicação, além de acabar com as limitações geográficas e aumentar intensamente a competitividade, oferecem aos consumidores uma grande flexibilidade para escolher o que desejam de quem melhor lhes convier. Bird (2000) afirma que o marketing direto é um nome que, embora não reflita mais o seu significado inicial, caracteriza um marketing de relacionamento em oposi- ção ao marketing de produto. É uma ação que define um tipo de comunicação-diálogo direta com o cliente, em oposição à propaganda-monólogo, dirigida ao público de massa. Sua base é a informação que, devido aos avanços tecnológicos ocorridos nas últimas décadas, pode ser fa- cilmente capturada e administrada. Seu propósito é isolar os clientes e compradores como indivíduos e construir um relacionamento prolongado, tendo como objetivo gerar benefícios para os consumidores e melhores lucros para as empresas, permitindo, através do conhecimento do cliente, identificar precisamente necessidades, fican- do, assim, muito mais fácil efetuar-lhe uma venda ou oferecer-lhe um serviço. Essa necessidade de se travar relacionamento estreito com clientes, segundo Vavra (1993), surgiu de mudanças ocorridas no mercado durante a década de 90, remetendo aos anos 50, época em que o varejo e a produção eram praticados em uma base individual. A produção em massa das décadas de 60, 70 e 80 ocasionou o abandono desses relacionamentos, dando lugar à ênfase na cobertu- ra e distribuição, fazendo com que parecesse impossível um retorno à base de relacionamentos. Nos anos 80, a estrutura do mercado tornou-se mais complexa, as ofer- tas de produtos proliferaram e o mercado consumidor fracionou-se. Lutando contra a complexidade que se havia instaurado, as empresas passaram a coletar dados e estudar volumes de informações sobre os segmentos consumidores típicos do mercado. Os relacionamentos com consumidores médios foram substituídos por relacionamentos pessoais com consumidores individuais, através de estudos de pesquisa sobre atitude e uso. Nos anos 90, além do mercado, os consumidores também estavam mudando, esperando e demandado maior variedade de produtos e serviços, fa- zendo com que o foco de marketing nas necessidades do mercado ocasionasse a expansão dos tipos e espécies de produtos e serviços, a fim de satisfazer as necessidades mais especializadas. Diversas marcas tradicionais estenderam suas linhas de produtos, pois, conforme Naisbitt (1985, apud RO- GERS & PEPPERS, 2001), acabou o tempo em que os consumidores se satisfaziam com telefones pretos, re- frigeradores brancos e cheques verdes. Segundo o autor, em mercados consolidados, como o norte-americano, um produto para todos é um produto para ninguém, sendo que a evolução da indústria de computadores proporcionou às empresas o armazenamento dos dados de seus clientes, fazendo pelo marketing o que a máquina a vapor fez pela produção. A tecnologia de bancos de dados oferece às empresas condições de atuarda mesma forma que os comerciantes da década de 30, quando os clientes eram atendidos de forma individual e personalizada. Atualmente, empre- sas de todos os segmentos se deparam com a crescente infidelidade dos clientes e com a queda das margens de lucro, porém, algumas delas estão obtendo surpreendente sucesso ao centrar seu foco em clientes individualizados, utilizando tecnologia para criar relacionamentos dura- douros (VAVRA, 1993). Conway (apud GREENBERG, 2001), presidente da PeopleSoft, Inc., define CRM como a capacidade de reconhecer esse processo – o consumidor que procura uma empresa com uma expectativa, ocorrendo uma experiência que determinará seu comportamento – e de geri-lo ativamente, constituindo a base da gestão de relacionamento. Para o executivo, a promessa do CRM é a disponibilização de aplicativos desenvolvidos para Internet diretamente para os navegadores, proporcionan- do uma força global de trabalho para que se conheçam, realizem, avaliem e aprimorem as funções dentro de uma estratégia comum, focada no cliente. As experiências do cliente determinam seus padrões de consumo, influen- ciando significativamente seu valor de ciclo de vida como cliente. Clientes verdadeiramente fiéis compõem uma fatia de mercado inacessível para a concorrência, significando uma importante vantagem competitiva. Vender para um cliente já existente tem um custo muito menor que a conquista de mercado, onde se busca esta- belecer relações de negócios com novos clientes. 95 Think, Porto Alegre, v. 4, n. 2, p. 90-97, jul./dez. 2006 7&0#%!)89%&(*&:+%6%89%&(0�/(*-&+)6%&*&)6*&/%#*&($-.$:!$/*;&%&1*+, acessado em novembro de 2006. BIRD, Drayton. Bom senso em marketing direto. 2. ed. São Paulo: McGraw-Hill/Makron, 2000. CHRISTENSEN, Gerson. Artigo A cara do marketing promocional. Revista Propaganda & Marketing. São Paulo, Pág 10 a 12 / agosto de 2005. a saturação da utilização da propaganda em função dos altos custos e baixos retornos de investimento, o que faz da utilização de ferramentas de promoção, hoje, uma excelente forma de garantir lucros. Costa e Crescitelli (2003) reforçam essa visão, afirmando a posição de destaque de ações de promoção de vendas num contexto mais estratégico, passando a possuir características próprias muito mais abrangentes e eficientes, apresentando inúmeras possibilidades de aplicação em todo o composto de marketing. Nesse contexto, os autores afirmam que a promoção de vendas funciona de forma mais ampla com uma série de con- tribuições de vital importância dentro da concepção de comunicação integrada. A partir da idéias dos autores e dos depoimentos dos profissionais de mercado que afirmam estar havendo uma utilização estratégica e mais abrangente das ferramentas de promoção de vendas, podemos entender essa ferra- menta dentro de um contexto mais amplo, denominado de Marketing Promocional. Essa nova utilidade da ferramenta promoção de vendasnão descaracteriza sua posição original como ferramenta do composto promoção, um dos quatro ele- mentos do mix de marketing, como definido por Dickson (2001). Porém a evolução na utilização da ferramenta por parte das empresas infere uma série de novas atividades desenvolvidas pela promoção de vendas, sendo clara uma distinção entre a definição de promoção de vendas e Marketing Promocional. Enquanto que a primeira é definida como uma técnica de promover, fomentar, dar impulso, provocar, desenvolver, originar e favorecer as vendas (SIMONI, 1997), a segunda tem uma proposta mais abrangente, sendo, portanto, um conjunto de ações e atividades mercadológicas que podem proporcionar excelentes resultados para a empresa e para os produtos, como descrito por Costa e Crescitelli (2003). A partir do exposto, podemos explicar essas dife- renças partindo do entendimento das atividades desem- penhadas por cada uma dessas ferramentas, conforme a figura a seguir: Figura 3 - Promoção de vendas x marketing Fonte: Autores Figura 4 - Promoção de vendas x marketing Fonte: Autores Conclusão A utilização da ferramenta promoção de vendas de forma mais estratégica, derivando a uma nova disciplina chamada de Marketing Promocional, é uma tendência do mercado atual, influenciado por um cenário empresarial de alta competitividade. A necessidade de resultados de curto prazo por parte das empresas, a mudança do comportamento do consumidor, mais informado e orien- tado a preços, e a inovação tecnológica, que cria novos produtos e serviços a uma velocidade impressionante, geram novos desafios aos executivos e profissionais de comunicação que precisam estar atentos a novas formas de interagir com seus públicos alvos. O marketing promocional apresenta algumas solu- ções a essas demandas. Em relação a incentivos, atua tanto nos públicos internos quanto externos, visando promover ações que fomentem resultados. O marketing de relacionamento utiliza as ferramentas do marketing promocional no sentido de criar ações de interatividade entre as empresas e os públicos que desejam cativar. Os eventos são excelentes oportunidades para os clientes vivenciarem a cultura das empresas e se relacionarem com seus produtos e serviços, sendo assim uma exce- lente ferramenta de construção de marca. Por todo o exposto até aqui, podemos perceber a importância do marketing promocional no composto de comunicação das empresas, justificando assim a sua evolução no contexto estratégico empresarial. 97 Think, Porto Alegre, v. 4, n. 2, p. 90-97, jul./dez. 2006 7&0#%!)89%&(*&:+%6%89%&(0�/(*-&+)6%&*&)6*&/%#*&($-.$:!$/*;&%&1*+