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Habilidades Sociais assertivas e empáticas; do C (personalidade dependente, vo-compulsiva) grupo prevalecem os deficits de e, em um desses transtornos, associação com deficits mais diver- sificados cada de Habilidades Sociais, incluindo de empatia, resolu- ção de problemas e expressividade emocional. Os problemas de comportamento que concorrem com as Habilidades Sociais estão associados a deficits de Habilidades Sociais. Comportamentos como mutismo, alheamento, exigên- cias agressivas, recusa de alimentos são, de forma intermi- tente, consequenciados por meio de conselhos, exortações e mesmo advertências e punições. Esses procedimentos, na maioria das vezes, funcionam, fortalecendo tais comporta- mentos concorrentes. Programas de Treinamento de Habilidades Sociais (THS) Qualquer programa de intervenção terapêutica ou educati- va pode ser definido como o arranjo de condições estruturadas para a consecução de determinados objetivos previamente esta- belecidos. Essa noção relaciona dois componentes indispensá- veis a um programa: condições e objetivos. As "condições" refe- rem-se ao conjunto de técnicas, procedimentos e recursos utili- zados; os "objetivos" são os resultados esperados e desejáveis até final do programa. Esses dois componentes estão também na base da definição dos programas de Treinamento de Habilida- des Sociais (THS) orientados para a Competência Social. Programa de Treinamento de Habilidades Sociais orien- tado para a Competência Social é um conjunto de ativida- des planejadas que estrutura processos de aprendizagem, mediados e conduzidos por um terapeuta ou facilitador, visando não somente a aquisição e/ou aperfeiçoamento das Habilidades Sociais, mas também dos demais requisitos da Competência Social.A relevância dos objetivos de um programa de THS de- pende, em última instância, do impacto que possam ter sobre relações interpessoais e a qualidade de vida do cliente. Um programa as de THS orientado para a Competência Social deve ir dos quatro primeiros objetivos abaixo (usualmente rela- além cionados na literatura) e incluir os demais: Ampliar a frequência e a proficiência de Habilidades So- ciais já aprendidas, mas deficitárias. Aprender Habilidades Sociais novas e significativas. Extinguir ou reduzir comportamentos concorrentes com tais habilidades. Refinar a discriminação das tarefas presen- tes no ambiente social. Ampliar a variabilidade de Habilidades Sociais. Desenvolver valores de convivência na perspectiva do res- peito aos direitos humanos nas interações com os demais. Aprimorar a automonitoria e autoconhecimento asso- ciados ao desempenho social. Aplicações e clientelas de programas de THS Quando os processos de aprendizagem não ocorrem "na- turalmente", ou ocorrem para comportamentos problemáticos concorrentes, surgem os deficits em Habilidades Sociais cuja superação, quase sempre, requer atendimento especializado. Esse atendimento usualmente é feito por meio de condições es- truturadas de aprendizagem denominadas "programas". Os programas de Treinamento de Habilidades Sociais (THS) podem ser conduzidos em formato grupal ou individual. Eles podem ser caracterizados como preventivos, terapêuticos e profissionais e aplicados a diversas faixas etárias. No contexto educacional, destaca-se THS preventivo, dirigido às crian- ças e adolescentes, visando a redução de problemas como in- disciplina, agressividade, bullying, preconceito, drogadição etc.No contexto clínico, o THS terapêutico, em grupo ou indivi- dualmente, aplica-se a diferentes problemas em todas as faixas etárias. No âmbito profissional, o THS é indicado para atender desde a necessidade de preparação de jovens na transição para mercado de trabalho até, posteriormente, a melhora nas con- o dições interpessoais relacionadas à produtividade, à busca de novas oportunidades e à saúde na aposentadoria. A promoção de Habilidades Sociais tem sido amplamente utilizada no contexto escolar, na estimulação do desenvolvi- mento socioemocional, na prevenção de problemas de compor- tamento, como coadjuvante do rendimento acadêmico e tam- bém como mecanismo de inclusão de crianças com deficiências sensoriais, motoras e mentais. Nesse contexto, geralmente com a participação dos pais e professores, os programas de THS dem ser aplicados em pelo menos três níveis (Gresham, 2009) relacionados a diferentes graus de atenção psicossocial: Universais: atendimentos destinados a todas as crian- ças de uma sala de aula ou à escola toda, independen- temente de problemas ou fatores de risco identificados. Seletivos: atendimentos destinados a pequenos grupos em situação de risco ou que não se beneficiaram de pro- gramas universais. Indicados: atendimentos em formato individualizado des- tinados a crianças com problemas, como na terapia, pre- cedida por avaliação funcional detalhada da queixa e de- mais comprometimentos associados. Esse mesmo esquema pode ser utilizado com outros estra- tos populacionais como, por exemplo, jovens em conflito com a lei, idosos em comunidade especial, mulheres vítimas de maus- -tratos etc. Os programas indicados se caracterizam como te- rapêuticos e têm como base uma avaliação multimodal e fun- cional que demanda mais tempo, incluindo necessariamente a participação dos pais e outros significantes. Os programas de THS para problemas ou transtornos psi- cológicos podem ser planejados e conduzidos: (a) como inter- 82venção principal do atendimento e (b) como in- complementar a um atendimento em que THS é indicado. Na Tabela são listados os principais problemas e transtornos de cada grupo para os quais THS é Tabela Problemas transtornos psicológicos para os quais o THS é indicado como intervenção principal ou complementar. INTERVENÇÃO PRINCIPAL INTERVENÇÃO COMPLEMENTAR Timidez/isolamento social Dificuldades de aprendizagem Ansiedade social TDAH € problemas de compor- tamento Fobia social Esquizofrenia espectro das psi- coses Agressividade DST e AIDS Delinquência TEA (Autismo) Depressão unipolar Deficiências sensoriais, mentais e físicas Problemas conjugais Dependência química Problemas familiares Depressão persistente Os problemas e transtornos para os quais o THS é indicado como intervenção principal são aqueles que apresentam maior comprometimento nas relações interpessoais, associados a de- ficits de Habilidades Sociais e/ou a comportamentos concor- rentes. Tais problemas têm sido encaminhados a diferentes pro- fissionais da área de saúde, como psicoterapeutas, psiquiatras, psicopedagogos etc. Uma análise dos dois grupos de aplicação do THS coloca em evidência o alcance desse tipo de interven- ção, além da importância da formação do psicólogo e de demais profissionais de saúde e educação nessa área.Os problemas e transtornos para os quais 0 THS é indicado uma intervenção complementar são aqueles em que como de Habilidades Sociais constituem um dos fatores en. volvidos, deficits sendo, portanto, incluído o THS em um atendimento multimodal. Na maior parte desses transtornos, não se de evidências conclusivas sobre o papel dos deficits em Habili- dades Sociais (se constituem causa ou consequência do trans- torno). Todavia, há evidência suficiente (Del Prette, Del Prette, Gresham & Vance, 2012; Monti, Kadden, Rohsenow, Cooney & Abrams, 2005; Ramirez-Basco & Thase, 2003) de que um bom repertório de Habilidades Sociais funciona como fator protetor do desenvolvimento saudável, da saúde mental e de respostas mais favoráveis ao tratamento. Entende-se que a formação profissional nessa área deve in- cluir a capacitação pelo menos nos seguintes quesitos: Compreensão sobre as bases conceituais do campo das Habilidades Sociais. Uso de recursos, técnicas e procedimentos de avaliação nessa área. Experiência na condução de grupos de THS e/ou de pro- gramas individuais de THS, com uso de recursos, técnicas e procedimentos de intervenções terapêuticas. Aplicação de instrumentos e materiais necessários para a avaliação e interpretação dos resultados com eles obtidos. Dada a amplitude de possibilidades de aplicação de progra- mas de THS, essa formação deveria fazer parte dos currículos de graduação em Psicologia e áreas afins. Infelizmente, ainda são raros os cursos do país que a contemplam. Programas de Habilidades Sociais no atendimento individual THS vem sendo bastante utilizado em contexto de atendi- mento individual (cf., por exemplo, Hagar, Goldstein & Brooks, 842006). embasamento conceitual, os objetivos as técnicas do THS em grupo e são aplicáveis ao atendimento A condução do progra- ma pode complementar atendimento terapêuti- CO ou se constituir o com- ponente principal desse atendimento. Em ambos os casos, algumas adap- tações nas estratégias e procedimentos usuais nos programas grupais podem ser necessárias. Com adultos, adolescentes e crianças, o programa de THS é planejado a partir da avaliação inicial de deficits, comporta- mentos concorrentes e recursos identificados pelo terapeuta em associação com a queixa principal. No caso de crianças, geral- mente é definido em resposta à solicitação dos pais que apre- sentam queixas específicas nessa área, baseadas em observações próprias, de professores ou de outros significantes. Em muitos casos, os pais vêm com um diagnóstico do tipo "problemas de "timidez", "agressividade"; na maioria das ve- zes estão corretos, porém, têm dificuldades de aceitar que eles também são parte do problema. Sobre Método Vivencial Uma análise dos manuais clássicos (por exemplo, Curran & Monti, 1982; Dowd & Tierney, 2005; Elliott & Gresham, 2007; mente Greene permite utilizados & identificar Burleson, nos procedimentos, 2003; programas Hargie, de Saunders THS. recursos Eles & e foram Dickson, técnicas desenvol- comu- 1994) vidos, em sua maioria, sob as abordagens comportamental, cog- nitiva e cognitivo-comportamental. 85gras comportamen- tais que sinalizam contingências esta- belecidas pela cul- tura (ou culturas): "quando" você fizer isso e "se" você fi- zer assim. singu- lar se refere exclu- sivamente à expe- riência de cada um, que é única, mas passível de diferentes interpretações. diz respeito aos comportamentos (observados em si e nos ideal mais) que são metas de um cliente ou de um grupo de cipantes. Pode ser o objetivo ou o comportamento-alvo cliente busca aprender ou desenvolver em compatibilidade que com a subcultura grupal, e também com a avaliação do terapeuta. Considerando as atividades que são denominadas de vivências em programas de THS, esse termo foi definido como: Vivência é uma atividade estruturada [...] que mobiliza mentos, ao pensamentos e desempenhos dos participantes senti- atingir terapeuta os objetivos ou facilitador do programa. adotar procedimentos específicos e permite para (A. Del Prette & Del Prette, 2001, 106) Vivências análogas e simbólicas vências modo, em programas duas de THS podem ser terapeuta, as vi- Conforme para as atividades desenvolvidas pelo classificação so modalidades: análogas categorizadas, gros- cias em programas está relacionada de THS. às diferentes funções e simbólicas. das vivên- Essa Nas elementos vivências análogas o terapeuta estrutura com da realidade do cliente. Por exemplo: a atividade a sala de 88empresa com cadeiras, uma interlocutores conhecidos As vivências análogas simu- mesa, (colegas de trabalho) e desco- lam situações cotidianas já nhecidos (clientes) etc. Pode-se experimentadas ou possíveis de serem experimentadas pe- alterar a situação inicial para los participantes. criar novas demandas, avalian- do e treinando o(s) participante(s). Por exemplo: em uma tarefa de entrevista de emprego, pode-se simular um chamado telefô- nico para o entrevistador e/ou a entrada do chefe do entrevista- dor na situação etc. As vivências simbólicas po- dem incluir alegorias, fábulas As vivências simbólicas si- mulam situações e tarefas, e jogos. Algumas, apresenta- em geral lúdicas, que não das adiante neste manual, são têm correspondência direta simbólicas, como, por exem- no cotidiano, mas que esta- plo, jogo do silêncio (cf. capí- belecem demandas para ha- tulo 9). Por seu caráter lúdico, bilidades relevantes na vida social. elas podem reduzir a ansieda- de, facilitando o processo de aprendizagem de comportamentos sociais novos, requisita- dos no cotidiano social. Ao utilizar o Mé- todo Vivencial, o tera- peuta cria condições para uma participa- ção ativa do cliente. A vivência favorece a constatação de que o 27 comportamento tem efeito no ambiente e de que os resultados das interações dependem do indivíduo, da díade e do grupo. Essa exposição aumenta a sensibilidade dos participantes a contingências razoavelmente similares às que ocorrem no seu ambiente natural. 89Os programas que adotam o Método Vivencial para a moção de Habilidades Sociais e dos demais requisitos da petência Social apresentam muitas vantagens, mas estas dem especialmente da atenção e observação do terapeuta utilizá-las de forma efetiva. Dentre algumas vantagens que esse método traz, uma é a de facilitar o acesso do terapeuta aos de. sempenhos dos participantes no "aqui-e-agora" da sessão, em programas de THS em grupo ou individual. Esse acesso permite que o terapeuta: Observe o desempenho do participante em tarefas terpessoais nas sessões, identificando seus recursos e dificuldades. Consequencie e forneça direções (prompts) para unidades menores do desempenho. Utilize modelos de desempenhos entre os participantes. Forneça feedback ao participante e, no caso de atendimen- to grupal, faça a mediação de feedback dos demais ao lega foco da vivência. Identifique e analise a tríplice relação de contingência (antecedente, comportamento e consequência) com os participantes. Altere características da vivência durante sua ocorrência, facilitando ou criando novas demandas de desempenhos. Como regra geral, o terapeuta deve considerar que vivências, principalmente as análogas, não são scripts de falas, mas indica- ções gerais de contextos interativos, cuja fala deve ser elaborada pelo cliente dentro das possibilidades de seu repertório de com- portamento. Salvo alguma instrução em particular, o participan- te em treinamento organiza seu desempenho na própria situação. A vivência pode envolver todos os participantes ou subdividi-los em dois grupos: os que estão em treinamento direto GV ou Gru- po de Vivência) e os que estão em treinamento indireto GO ou Grupo de Observação). Estes últimos são solicitados a observar (GO ou Grupo de Observação), por vezes, com instruções "se-gredadas" sobre quem irá obser- var e em quais desempenhos deverá prestar atenção. Nessas atribuições o te- rapeuta ou faci- litador deve ga- 27 rantir o envol- vimento e cooperação de determinados participantes e propi- ciar, ao longo das sessões, uma atenção distribuída de maneira mais equitativa possível para todos. Dependendo da necessida- de, o terapeuta pode alterar a composição dos grupos trocando um ou outro membro do GO para o GV, ou vice-versa. Portanto, nas vivências, todos estão sendo treinados simul- taneamente. Os participantes do GV aprendem diretamente de- sempenhando Habilidades Sociais novas ou melhorando as já aprendidas. Os demais, do GO, aprendem por observação e aperfeiçoam as habilidades de descrever, avaliar e prover feedback a comportamentos observados. Um programa não é uma mera sequência de vivências ou temas. As vivências devem ser escolhidas e utilizadas de acordo com as neces- sidades e objetivos estabelecidos para o grupo e para a sessão. Isso é feito comparando-se os objetivos do programa inferidos do portfólio dos participantes com os definidos nas vivências e, então, selecio- nando-se as vivências que estruturam o contexto favorável ao alcance desses objetivos. No capítulo 10 deste manual e em outros textos (A. Del Prette & Del Prette, 2001 e Z. Del Prette & Del Prette, 2005a) são disponibilizadas vivências simbólicas e análogas testadas em programas grupais de THS. Cada uma delas é especifica- da em termos de objetivos, material, procedimento, observa- ções e variações.6. SOBRE TÉCNICAS, PROCEDIMENTOS E RECURSOS ASSOCIADOS A VIVÊNCIAS A Psicologia não pode dizer às pessoas como devem viver suas vidas. Entretanto, pode proporcionar os meios para efetuarem sua mudança pessoal e a mudança social. Albert Bandura 0 contexto vivencial estabelece uma razoável quantidade de demandas para desempenhos que precisam ser aprimora- dos, bem como para desempenhos que podem ser utilizados como modelos ou ilustrações de alternativas. Essas condições possibilitam promover a variabilidade em Habilidades Sociais demais requisitos da Competência Social, em associação com e uso de procedimentos, técnicas e recursos de intervenção. De- pendendo 0 do repertório e das necessidades dos participantes, de programa pode incluir módulos específicos para a redução ansiedade e a intervenção sobre crenças e comportamentos bem-sucedidas. encobertos identificados como disfuncionais para interações Considerando as práticas efetivas no Treinamento de Habili- dades são Sociais com ênfase na Competência Social, neste capítulo recursos apresentadas orientações específicas para uso de técnicas, e demais procedimentos que podem ser associados àsPode-se utilizar, nos programas de THS, técnicas vivências. exercícios instrucionais, exposição de casa. dialogada, ensaio que incluam comportamental e tarefas interpessoais incluir ainda o uso de feedback, reforçamento, to pode análise de contingências das interações cuidados e modelação (real gem, simbólica). São destacados alguns e possibilidades ou e quando usar) para essas diferentes estratégias dia, (como destinadas ou não para programas de THS. Principais técnicas e procedimentos A seguir são detalhados as principais técnicas, procedimen- tos e recursos que podem ser utilizados em programas grupais ou individuais de THS. Em cada um deles, há uma breve descrição, seguida de orientação sobre como e quando podem ser utilizados. Feedback. Descrição verbal do desempenho do participante, logo após sua ocorrência. Fazer e mediar seu uso ao longo de todo o programa, com ênfase no feedback positivo dos desempenhos ocorridos em sessão, inclusive para a melhoria nos relatos. Reforçamento e modelagem. Consequenciação e/ou media- ção de consequências para aproximações sucessivas ao com- portamento-alvo. Realizar nas sessões e de forma contingente a aquisições e melhoras no desempenho do cliente em direção aos objetivos. Modelação. Solicitação de observação e reprodução de desem- penhos específicos seguida por feedback e/ou nova reprodução. Utilizar principalmente no caso de dificuldade por meio de modelagem: pedir a um ou mais participantes para observar o desempenho de outro e depois para reproduzi-lo. Modelação simbólica. Solicitação de observação e reprodução de desempenho de modelos simbólicos, como personagens de histórias, bonecos, fantoches etc. Fazer uso quando observar di- ficuldade na aprendizagem via modelagem, especialmente comcrianças; pode-se pedir que a criança vá verbalizando que o personagem está fazendo como forma de apoio ao desempenho. Modelação Terapeuta e cliente criam modelo ima- ginario; terapeuta solicita que cliente "visualize" o desempenho de modelo, descreva seus comportamentos e os resultados obti- dos. Fazer uso quando o cliente tiver dificuldade na aprendiza- gem por modelagem ou quando mostrar recursos imaginativos que sugiram essa alternativa como efetiva e viável. Desempenho de papéis (role play). o role playing ou jogo de papéis é uma técnica que envolve simular interações em tarefas interpessoais relevan- tes para o cliente, podendo incluir a reversão de papéis, quando o cliente assume o papel do interlocutor. Fazer uso quando o cliente encon- trar dificuldade em relatar comportamentos do interlo- cutor, compreender o contex- to interativo e discriminar desempenhos e contingências. Ensaio comportamental (Behavioral Rehearsal). Arranjo de contexto interativo (estruturado ou minimamente estruturado, podendo envolver outros participantes) para o desempenho do cliente em ensaios a serem progressivamente aperfeiçoados. Es- truturar em sessão a partir dos relatos de Tarefa Interpessoal de Casa e de outros relatos de dificuldade em tarefas específicas que podem ser comuns à maioria dos participantes. Tarefas Interpessoais de Casa (TIC)5. Atribuição de desempe- nhos interativos com enunciado claro e sintético para que os participantes realizem fora da sessão. Atribuir ao final de cada 5, A sigla TIC está sendo usada sem variar singular e plural. 107sessão e pedir relato/análise no início da sessão (procedimento detalhado adiante). Reestruturação de análise de cognitiva. Questionamento verbal generalizantes, ções autodepreciativas crenças disfuncionais, etc. como as e de Adotar para 0 penho tos crenças ou regras que evidenciem esquiva ou fuga de necessário e oposto a comportamentos para compreensão e solução de problemas por meio das Resolução de problemas. Indução de processo metacognitivo vas, pas: (1) definição do problema, (2) levantamento de alternati. (5) (3) avaliação de cada alternativa, (4) escolha de uma implementação da alternativa escolhida e (6) avaliação resultados da alternativa. Pode ser usada quando cliente dos cisa resolver um problema e tem dificuldade de analisar e pre- processo de decisão de grupo. tificar possibilidades de solução; aplicar individualmente ou em Análise de contingências. Solicitações para identificação de lações entre 0 comportamento (observado ou relatado) e re- antecedentes e consequentes. Conduzir mais intensivamente seus pontâneas e análises cada vez mais refinadas. nas sessões iniciais e gradualmente incentivar manifestações es- mandas, Exposição dialogada. Exposição didática sobre situações, de- normas da cultura, análise de contingências associada aspectos importantes para a Competência Social, e outros momento a da outros procedimentos e recursos. Usar em podendo ser procedimentos, priorizando desempenho do(s) que cliente(s). os sessão, mas em menor proporção qualquer demais cação Exercícios de instrucionais. Tarefas lápis-papel para ilustrações conceitos, exemplificação, elaboração análises, apli- das em sessão etc. e/ou Aplicar como em tarefa articulação com exposições de respostas, dialoga- gens, e outros que ilustram desempenhos mensa- Uso de música recursos multimídia. Uso de textos, filmes, principalmente competentes ou não competentes e suas consequências. socialmente flexão para ilustrar desempenhos visando análise Utilizar e re- para modelação e apoio em exposiçãoDetalhando algumas técnicas e procedimentos Algumas das técnicas e procedimentos descritos no capí- tulo 6, importantes em programas de THS e usualmente pouco enfatizadas nos manuais técnicos, são apresentadas com mais detalhe a seguir. Sobre as Tarefas Interpessoais de Casa Os programas vivenciais também possibilitam o uso TAREFA INTERPESSOAL DE CASA de Tarefas Interpessoais de Data: / / Casa (TICs) desde a primeira sessão, salvo condições espe- Conversar com uma pessoa cíficas que venham dificultá- desconhecida por pouco tempo -las. tipo de tarefa atribuí- da depende dos recursos dos participantes e deve atender a vários objetivos, além daqueles usualmente associados a essa técnica. Algumas tarefas podem propiciar informações relevan- tes para ajustar o programa às necessidades do grupo (A. Del Prette & Del Prette, 2005a). Em termos gerais, os objetivos das TIC incluem experiência fora da sessão (realizar a tarefa) e dentro da sessão (expor, ana- lisar, avaliar a própria tarefa realizada e participar da análise das tarefas relatadas por colegas em programas grupais). Espera-se que essas condições sejam favoráveis para: Generalizar Habilidades Sociais novas, aprendidas em ses- são, para outros ambientes e interlocutores. Exercitar componentes da automonitoria, tais como: obser- var, descrever, analisar contingências no contexto natural. Experimentar as contingências do ambiente, melhorando a sensibilidade a elas. 109para a avaliação e feedback do facilitador e do gru- po Atentar sobre as tentativas realizadas e também prover feedback aos demais. Avaliar se as aquisições estão sendo suficientes para lidar com as demandas interativas de seu cotidiano. Descrever contingências identificadas nas tarefas relata- das pelos demais participantes, em termos de consequên- cias versus custo de realizá-las. No quadro, são apresentadas algumas sugestões de tarefas interpessoais genéricas de casa. No entanto, a lista de cada gru- deve ser feita de acordo com as necessidades identificadas no po portfólio e convertidas em objetivos do cliente. Supondo, por exemplo, que alguns participantes manifestem dificuldades de autocontrole, o facilitador pode atribuir tarefas em que o auto- controle é condição presente a ser exercitada. Examinando Quadro de TIC, o leitor identificará pelo menos duas tarefas relacionadas ao autocontrole. EXEMPLOS DE TAREFAS INTERPESSOAIS DE CASA Conversar com desconhecido em ambiente público sem risco (far- mácia, padaria, shopping). Não responder a uma pergunta feita por um amigo. Elogiar adereço ou roupa de um colega. Pedir um favor não abusivo a um colega. Abraçar um familiar ou amigo. Solicitar mudança de assunto em uma conversa. Recusar um pedido. Deixar de responder pergunta inconveniente. Sair de uma situação semelhante à que costuma perder o controle. Na fase inicial do programa, são solicitadas as mesmas ta- refas denominadas de genéricas para todos os participan- tes. o uso de tarefas genéricas facilita o nivelamento do reper- tório do grupo e a correção de discrepâncias. Nas sessões sub- sequentes, o terapeuta passa a atribuir tarefas personalizadas, ou seja, diferenciadas, de modo a atender às necessidades decompartilham cada semelhantes. mesma tarefa a pequenos grupos que Eu puxei conversa com a garota nova Eu bem que do prédio. Teve queria, mas Esqueci de coisas e não tive fazer, mas me outras diferentes do lembro de uma oportunidade. vez... que aprendi aqui... Eu fiz, mas foi para mim... 4 3 1 2 Em geral os clientes, tanto no atendimento em grupo contudo, como eventualmente no podem ocorrer falhas nessa atividade. As justifi- individual, gostam de realizar as tarefas de casa, mais comuns são: (a) falta de oportunidade; (b) esqueci- cativas (c) autoavaliação de incapacidade para os desempenhos antes da requeridos; da tarefa, tal como mostra a ilustração exceção, mento; (d) lembrança de atividades feitas muito acima. Os solicitação b são os mais frequentes e podem, salvo rara de ser itens entendidos a e como comportamentos de esquiva ou mesmo dificuldade real de realização. de atentar à necessidade de ajustar a complexidade são úteis da tarefa Além ao repertório do cliente, alguns procedimentos probabilidade de para evitar da essas tarefa. primeiro procedimento realizando é pospor o então justificativas e aumentar a relato da realização tarefa não realizada para a semana seguinte, procedimen- intervalo de tempo. segundo partici- duas tarefas nesse esquecimento consiste em instruir utilizar os recursos to relacionado na ao sessão do programa, a ser um estímulo mnemônicos nas (lembretes). em que a tarefa pode ser costumam pantes, já primeira Esclarecer que deve realizada e pe- dir presente exemplos situações de mnemônicos que os participantes 111utilizar. Em relação à falta de oportunidade, o terapeuta pedir para os participantes observarem atentamente Os Pode tos em que as chances provavelmente ocorrem, criarem oportunidades por meio de perguntas ou Sobre 0 uso de recursos multimídia Os recursos multimídia são produtos de literatura (livros, estórias, contos, qua- drinhos etc.), vídeos educa- tivos, filmes, jogos e ilustra- ções diversas. Nos últimos tempos, eles vêm sendo seleciona- dos, planejados e utilizados como apoio a processos educativos e terapêuticos com crianças e com adultos. Alguns estudos ilustram, embora não esgotem tais recursos (Casagrande, Del Prette & Del Prette, 2013; Comodo, Del Prette, Del Prette & Manolio, 2011; Z. Del Prette & Del Prette, 2005b; Del Prette, Domeniconi, Amaro, Laurenti, Benitez & Del Prette, 2012; Dias, Del Prette & Del Prette [n.d.]; Lopes, & Del Prette, 2011; 2013; Rocha, Oliveira & Gonçalves, 2016). A escolha dos recursos multimídia deve ser objeto de atenção por parte do terapeuta, considerando os objetivos para os quais serão utilizados. De modo geral, recursos mul- timídia podem trazer informação relevante sobre as regras e valores do contexto social, bem como ilustrações que servem de modelo simbólico de Habilidades Sociais, especialmente com crianças. Os vídeos, filmes e outros materiais multimídia constituem excelentes recursos a inserir nos programas de THS. Filmes merciais geralmente não apresentam pretensões didáticas, mas co-