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Aula 4 Compreensão comportamental das emoções Prof Dr Fernando Del Mando Lucchesi THOMAZ, C.R.C; Episódios Emocionais como interações entre operantes e respondentes. Em: BORGES, N. B.; CASSAS, F. A. Clínica analítico-comportamental: aspectos teóricos e práticos. Porto Alegre: ARTMED, 2012 Behaviorista tem Emoções?? As Emoções a partir da visão do Behaviorismo Capítulo: Episódios Emocionais como interações entre operantes e respondentes ➢Compreensão analítico-comportamental das emoções. ➢Múltiplas funções de estímulos. ➢O cuidado na aplicação de termos subjetivos, tais como ansiedade. ➢Análise do comportamento complexo chamado ansiedade. Emoções Muito do senso comum nos diz que a causa do comportamento está dentro de nós (sob a pele). Mais comum ainda é a afirmação de que as emoções são a causa dos comportamentos: "ele brigou por que estava com raiva" "não consigo falar em público por que fico ansioso" . De acordo com o Behaviorismo Radical, a natureza de tudo que acontece dentro de nossa pele não difere da natureza de outros comportamentos públicos. Emoções A emoção não tem um papel especial diferente de qualquer outra resposta. Apesar disso, ainda é extremamente importante para a ciência do comportamento. Emoção é um Fenômeno Complexo! Interação entre Comportamentos Operantes e Comportamentos Respondente. Emoções Comportamento Respondente Estímulo ELICIA a resposta S -> R S é o eliciador, e pode ser incondicionado ou condicionado. Quando há um condicionamento clássico (pavloviano), um estímulo (S) que antes era neutro, ele passa a ser condicionado. Lembram disso? Exemplos......? Emoções Comportamento Operante Em um contexto, a resposta tem consequências da alteração do ambiente. S -> R -> C Pergunta: Quais são os tipos de consequência? E seus efeitos? O "S" é o contexto específico em que a resposta vai ocorrer ou não. A partir da experiência (histórico de respostas e consequências nesse mesmo ambiente) este ambiente vai EVOCAR as respostas que foram reforçadas no passado. Emoção e Análise do Comportamento Até agora vocês viram de forma didática exemplos de respondentes, exemplos de operantes, operações motivadoras, etc... No entanto, nosso comportamento é mais complexo que a contingência tríplice (S-R-C) utilizada como nossa ferramenta de análise. A emoção, em especial, é marcada por esta complexidade. Vamos ver as funções dos estímulos e a interação entre respostas. Exemplo: Tomar um sorvete. Emoção e Análise do Comportamento Simples como tomar um Sorvete! S R C Estímulo Antecedente: Com a experiência, ele passa a evocar respostas, sendo chamado de Sd C o m p o r t a m e n t o O p e r a n t e Resposta, a ação emitida Existem várias respostas, uma seguida da outra, no nosso dia.... Vamos chamar essa de Resposta 1 (R1) Estímulo Consequência: Pode ser Punição (SP) ou Reforçamento (SR), positivo ou negativo.... Emoção e Análise do Comportamento Simples como tomar um Sorvete! S R1 SR+ S Reforçador positivo Antecedente Sd para resposta R1 SR+ para resposta anterior (R0) Antecedente Sd para resposta R2O p e r a n t e R Respondente eliciado R Respondente eliciado Pode haver uma Operação Estabelecedora Emoção e Análise do Comportamento Simples como tomar um Sorvete! S R1 SR+ Tomei Sorvete!!! Antecedente Sorvete na mão! Sorvete na mão é Reforçador para comportamento de Comprar sorvete (R0) Sd Sinal para jogar o papel no lixo (R2) e lavar as mãos (R3). R Água na boca! R Dor de barriga... OE Faz meses que não tomo sorvete!! Sd R4 Operante Banheiro!! O p e r a n t e comer Emoção e Análise do Comportamento Apesar da forma didática que estudamos o comportamento nos cursos de psicologia comportamental, temos que entender que esse entrelaçamento de funções e tipos de resposta é o que acontece a todo momento. Além disso, algumas respostas e eventos são públicos (comprar o sorvete), mas outros são privados (dor de barriga). Para Skinner, portanto, o episódio emocional refere-se a relação entre eventos ambientais e todas as alterações em conjunto amplo de diferentes classes de respostas. E portanto, não pode ser reduzido a apenas uma resposta ou operação. Emoção e Análise do Comportamento Vamos a outro exemplo: ‘Ao ver seu time perder por conta de um erro do juiz, e ficar xingando o pobre juiz, uma pessoa pode se dizer com "raiva".’ Do ponto de vista da analista do comportamento, isso significa que: 1. Operantes com maior probabilidade de serem emitidos (OE) 2. Respondentes eliciados 3. Operação Abolidora de outros comportamentos Emoção e Análise do Comportamento S R C Sd? X i n g a r o J u i z Estímulo Consequência? Respondentes Eliciados? Operação Abolidora para quais respostas? Respondentes Eliciados? Operação Estabelecedora? Emoção e Análise do Comportamento 1. respostas que produzam dano ao outro. 2. respostas reflexas, eliciadas pela punição/extinção característica da condição da perda do jogo; 3. a efetividade reforçadora de outros estímulos pode diminuir, e a pessoa poderá relatar que “precisa ficar sozinha”. S (estímulo) R (reflexo) Emoção e Análise do Comportamento Diferentes análises devem ser feitas para diferentes emoções. Vamos pensar: Quais as diferenças entre Raiva e Ansiedade? É importante deixarmos um pouco de lado estes nomes de emoções (medo, ansiedade, raiva, nervosismo), pelo menos enquanto tentamos entender eles. Um mesmo nome pode ser usado sob controle de diferentes contingências. Ou seja, diferentes conjuntos de respostas. E, ao mesmo tempo, respostas fisiológicas iguais estão presentes em diferentes episódios emocionais. Emoção e Análise do Comportamento Por exemplo: “Raiva” pode ser usado tanto por uma pessoa que não consegue anotar o conteúdo da aula por não ter uma caneta quanto por outra que, depois de sofrer todo tipo de punição no trabalho, é agressivo com a esposa e os filhos. Mas são diferentes em vários sentidos. Skinner descreve enquanto "emoção total" aquele episódio emocional em que todo o repertório do organismo é alterado, havendo uma interação entre respostas operantes e respondentes. Emoção e Análise do Comportamento Estes casos, (diferentemente do caso da pessoa que fica com raiva do passarinho cantando na janela) é que merecem mais atenção clínica. Diferentemente de casos pontuais de raiva ou casos pontuais de ficar apreensivo, de forma saudável. Um transtorno de ansiedade é um exemplo de episódio emocional que implica todo o repertório comportamental. Ansiedade De acordo com Zamignani e Banaco (2005), devemos entender a ansiedade não apenas como as respostas fisiológicas: taquicardia, sudorese, alteração na pressão, etc... Eliciadas por estímulos do ambiente. Mas também os comportamentos operantes de Fuga e Esquiva de estímulos aversivos condicionados e incondicionados, bem como a interação entre estas respostas. (Fuga e Esquiva -> Reforçamento Negativo, ou seja, qualquer resposta que evite algo ruim, será emitido mais e mais vezes no futuro) Ansiedade Quando o comportamento de Evitação (Fuga ou Esquiva) pode ser emitido, ele será! Mas quando não pode, há uma Supressão Condicionada de outras respostas operantes. ((A Supressão Condicionada foi descoberta em um experimento com ratos, feitas por Estes e Skinner. Observou-se que, depois de o ratinho aprender a ter medo do som de um sino [condicionamento pavloviano], ele simplesmente parava de emitir outros operantes)) Ou seja, uma pessoa com ansiedade, quando sente estas respostas fisiológicas e não consegue escapar delas, fica praticamente paralisada para outras coisas (outros comportamentos operantes). Ansiedade Este paradigma é importante para destacar a interação entre respondentes e operantes durante o episódio emocional -> O sino, estímulo condicionado, tanto elicia respondentes quanto compromete o desempenho operante. Outra forma de entendermos este fenômeno é que, além de eliciar os respondentes,este estímulo funcionaria como Operação Abolidora, diminuindo a força de qualquer reforçador que não seja Fuga ou Esquiva, e aumentando a força do Aversivo. Vamos a outro exemplo: Ansiedade Joãozinho diz ficar ansioso para falar em público e que deve apresentar um seminário para passar em uma matéria. Ele diz que, com o passar do tempo, fica cada vez mais ansioso e que iria embora se pudesse. Relata: Taquicardia, sudorese, respiração ofegante e, na hora do almoço, diz que não vai comer porque perdeu o apetite. E quando os amigos o encontram, ele não se diverte e nem aproveita a companhia deles. Ansiedade Na hora do seminário ele gagueja, olha para o chão, e treme dos pés à cabeça. Podemos supor que aqui ocorre: 1) ?? 2) ?? 3) ?? • 1. uma alteração na predisposição para responder – respostas que reduzam ou evitem contato com público terão maior probabilidade de ocorrer, enquanto respostas que aproximem das pessoas terão menor probabilidade de ocorrer; • 2. eliciação de comportamentos respondentes, suar, ofegar e ter taquicardia; • 3. uma diminuição na efetividade reforçadora de outros estímulos, como alimento e companhia dos amigos. Emoção e Análise do Comportamento S R C Sd? E s q u i v a d a A p r e s e n t a ç ã o Estímulo Consequência? Respondentes Eliciados? Operação Abolidora para quais respostas? Respondentes Eliciados? Operação Estabelecedora? Ansiedade 1. Fuga e Esquiva 2. Respondentes 3. AO de outros operantes Ansiedade 1. Fuga e Esquiva 2. Respondentes 3. AO de outros operantes Ansiedade "Para um analista do comportamento, a ansiedade não seria aquilo que ocorre dentro da pele do sujeito, mas sim toda a relação que envolve tanto a situação ’ansiógena’ quanto as alterações no repertório do sujeito produzidas nesta situação." Na clínica • Geralmente, as emoções aparecem como queixa clínica, é um erro considerá-las apenas do ponto de vista respondente e realizar intervenções que alterem esse aspecto da emoção. Somos mais complexos que isso. • Outro erro é intervir apenas com medicamentos pois, apesar de poder alterar o padrão dos respondentes, não ensinaria operantes de enfrentamento, nem aumentaria a efetividade de outros estímulos como reforçadores positivos. • É importante olhar a emoção como um fenômeno comportamental complexo, avaliando alterações comportamentais envolvidas no episódio emocional e planejando intervenções clínicas que modifiquem toda a relação do indivíduo com o ambiente. • Obrigado