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Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro Tribunal de Justiça 9ª Câmara de Direito Público Gabinete do Desembargador Carlos Alberto Machado KC1 APELAÇÃO CÍVEL Nº 0005516-94.2014.8.19.0037 APELANTE: RENATIELE SAMPAIO DE OLIVEIRA APELADO: MUNICÍPIO DE NOVA FRIBURGO RELATOR: DESEMBARGADOR CARLOS ALBERTO MACHADO ACÓRDÃO Ementa: Direito Administrativo e Civil. Apelação Cível. Responsabilidade Objetiva do Estado. Ação Indenizatória. Erro Médico. Falha na Prestação de Serviço Público. Dano Moral. Manutenção do quantum indenizatório. Precedentes desta Corte. Negado provimento. I. Caso em exame 1. Ação ajuizada indenizatória, proposta por RENATIELE SAMPAIO DE OLIVEIRA em face do MUNICÍPIO DE NOVA FRIBURGO, objetivando à reparação dos danos morais decorrentes de erro médico ocorrido em hospital Maternidade Nova Friburgo. 2. Sentença que reconheceu a responsabilidade objetiva do Estado e fixou indenização por danos morais no valor de R$5.000,00 (cinco mil reais). II. Questão em discussão 3. A questão em discussão consiste em aferir se é caso de revisão do quantum indenizatório arbitrado. III. Razões de decidir Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro Tribunal de Justiça 9ª Câmara de Direito Público Gabinete do Desembargador Carlos Alberto Machado KC2 4. Responsabilidade objetiva reconhecida nos termos do art. 37, §6º, da CF/1988, diante da comprovação de conduta estatal e dano extrapatrimonial diretamente vinculado ao atendimento médico. 5. Prova pericial aponta que, apesar de não ser possível afirmar que o material apresentado pela autora através de fotos corresponda à alegação de gaze deixada em cavidade vaginal após o parto, a narrativa autoral mostra-se plausível. 6. Relato das testemunhas, ainda que tenha se dado por pessoas com a qualidade de informantes, se coaduna com a narrativa autoral e outros elementos apresentados nos autos. 6. Valor da indenização fixado com base nos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, levando em conta as peculiaridades do caso concreto e a função compensatória e pedagógica da reparação. 7. Precedentes deste Tribunal corroboram a manutenção de quantia ante o patamar que vem sendo fixado em hipóteses mais gravosas de erro médico. IV. Dispositivo e tese 8. Recurso desprovido. Tese de julgamento: “1. A responsabilidade civil do Estado por erro médico é objetiva, nos termos do art. 37, §6º, da CF/88. 2. A comprovação do nexo de causalidade por perícia técnica autoriza a reparação do dano moral. 3. O valor da indenização deve observar os critérios da razoabilidade e proporcionalidade”. _______________________ Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro Tribunal de Justiça 9ª Câmara de Direito Público Gabinete do Desembargador Carlos Alberto Machado KC3 Dispositivos relevantes citados: CF/1988, art. 37, §6º e art. 196; CPC/2015, art. 85, §11. Jurisprudência relevante citada: TJRJ, Apel nº 0030813- 34.2019.8.19.0068, Rel. Des(a). JOSE CLAUDIO DE MACEDO FERNANDES, 9ª Câmara De Direito Público, j. 28/08/2025; Apel nº 0012619-57.2011.8.19.0038, Rel. Des(a). JOSÉ ACIR LESSA GIORDANI, 1ª Câmara De Direito Público, j. 04/04/2024; Apel nº 0005463-07.2015.8.19.0061, Rel. Des(a). SÔNIA DE FÁTIMA DIAS, 22 Câmara De Direito Privado, j. 23/07/2024; Apel nº 0030791- 46.2016.8.19.0208, Rel. Des(a). NAGIB SLAIBI FILHO, 3ª Câmara De Direito Público, j. 16/08/2023; Apel nº 0071853-40.2019.8.19.0021, Rel. Des(a). SIRLEY ABREU BIONDI, 6ª Câmara De Direito Privado, j. 08/05/2025; Apel nº 0063048-90.2021.8.19.0001, Rel. Des(a). ALEXANDRE EDUARDO SCISINIO, 15ª Câmara De Direito Privado, j. 26/06/2024. Vistos, relatados e discutidos estes autos de Apelação Cível nº 0005516- 94.2014.8.19.0037, em que consta como apelante a RENATIELE SAMPAIO DE OLIVEIRA e como apelado MUNICÍPIO DE NOVA FRIBURGO ACORDAM os Desembargadores que integram a Nona Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto do Relator. RELATÓRIO Trata-se, na origem, de Ação Indenizatória, proposta por RENATIELE SAMPAIO DE OLIVEIRA em face do MUNICÍPIO DE NOVA FRIBURGO, Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro Tribunal de Justiça 9ª Câmara de Direito Público Gabinete do Desembargador Carlos Alberto Machado KC4 visando à reparação dos danos morais decorrentes de suposto erro médico ocorrido em hospital Maternidade Nova Friburgo. Narra a autora, em síntese, que estava grávida e no mês de julho de 2013, compareceu ao hospital maternidade de Nova Friburgo para realização de uma consulta de pré-natal. Relata que, logo após o atendimento, sentiu fortes dores, mas seu pedido de internação foi recusado pelo médico, tendo sido admitido horas depois, somente após a sua avó intervir de forma exaltada. Ressalta que a criança nasceu muito roxa em razão da demora na realização do parto, segundo informações do serviço de enfermagem. Apesar disso, informa que o parto ocorreu sem maiores problemas. Relata, contudo, que no primeiro mês após o parto, sentia fortes dores na perna e na região do ventre que a impossibilitava de sentar-se até mesmo para amamentar o bebê. Relata que, no dia 1º de agosto de 2013 foi surpreendida, durante o banho, com uma saída de gazes (já apodrecida e com odor desagradável) de seus órgãos genitais, com volume aproximado de uma tangerina. Indica como testemunhas do fato, duas amigas que estavam no local para auxiliar a autora com os cuidados do bebê. Por fim, alega que realizou um exame citopatológico no mês de setembro de 2014 que constatou uma infecção decorrente do material expelido. Requer a condenação do réu ao pagamento de 25 salários-mínimos a título de dano material e 50 salários-mínimos por danos morais que alega ter experimentado. Pugna, pela produção da prova testemunhal, documental e o depoimento pessoal das partes. Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro Tribunal de Justiça 9ª Câmara de Direito Público Gabinete do Desembargador Carlos Alberto Machado KC5 Inicial (index 0000002), veio acompanhada dos documentos de index 000008-0000039. Decisão (index 0000041), deferindo o benefício da gratuidade de justiça. A parte ré apresentou Contestação (index 000046), veio acompanhada dos documentos de index 000048, na qual o réu alega, em síntese, que não há indícios de que o dano tenha sido causado pelos procedimentos médicos adotados por ocasião do parto. Ademais, sustenta que não se pode afirmar que, após um parto normal, seja utilizado materiais como gaze, para assepsia, no útero da autora, pois tal afirmação somente poderia ter sido atestada por um médico, conhecedor dos procedimentos e materiais utilizados após um parto normal. Requer sejam julgados improcedentes os pedidos formulados na Inicial e pugna pela produção da prova documental, pericial, testemunhal e depoimento pessoal da parte autora. Decisão saneadora (index 000094) deferindo a produção da prova pericial, documental e oral. Réplica apresentada no indexador 000089, a autora desistiu do pleito quanto aos danos materiais e pugnou pela produção da prova pericial. Quesitos da parte autora (index 000082), quedando-se inerte o réu. Instadas a se manifestarem sobre os honorários periciais pleiteados (000107). Não impugnados pela autora (index 000112). O réu sustentou que cabe à autora arcar com a verba honorária, por ser beneficiária da gratuidade de justiça (index 000109). Honorários homologados pela Decisão de index 000119. Laudo Pericial (index 000142). A parte ré desistiu da produção da prova testemunhal (index 000161). Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro Tribunal de Justiça 9ª Câmara de Direito Público Gabinete do Desembargador Carlos AlbertoMachado KC6 Assentada da AIJ no index 000248. Termos de depoimentos testemunhais nos indexadores 000251-000253. Sobreveio sentença (index 000250) que julgou procedentes os pedidos, nos termos do dispositivo abaixo transcrito: “(...) Posto isso, JULGO PROCEDENTE O PEDIDO para CONDENAR a parte ré ao pagamento de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a título de danos morais em favor da parte autora, os quais deverão ser acrescidos de juros legais de 1% ao mês contados desde a data do evento danoso e correção monetária desde a presente data. Observe-se que, no tocante aos consectários legais, deverão estes incidir as determinações contidas no artigo 1º - F, da Lei nº 9.494/1997, com as alterações realizadas, bem como os entendimentos consolidados pelos Tribunais Superiores sobre o tema. Diante da sucumbência da parte ré deverá a mesma arcar com o pagamento da taxa judiciária devida e, ainda, com honorários advocatícios em favor do patrono da primeira, o qual fixo em R$800,00 (oitocentos reais). Publique-se. Registre-se. Intimem-se. Transitada em julgado, após certificado o recolhimento das custas de estilo, dê-se baixa e arquivem-se”. Irresignada, a autora interpôs recurso de Apelação (index 000278), na qual reitera os argumentos lançados na Inicial, defendendo a desproporcionalidade do valor da indenização fixada. Diante disso, requer o provimento do recurso, com a reforma da sentença, para que seja majorado o valor dos danos morais arbitrados, no valor de R$5.000,00 (cinco mil reais), para 50 salários-mínimos, a fim de adequá-los aos danos sofridos pela apelante. Reforça que a saúde da apelante foi exposta a perigo ante a imperícia médica, além de todo o constrangimento sofrido. Conforme certificado no index 000298, intimada a apelada não apresentou contrarrazões ao recurso. É o relatório. Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro Tribunal de Justiça 9ª Câmara de Direito Público Gabinete do Desembargador Carlos Alberto Machado KC7 VOTO Satisfeitos os pressupostos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade, o recurso deve ser conhecido. Cinge-se a controvérsia recursal sobre a razoabilidade ou não dos valores arbitrados a título de condenação por danos morais, fixado no valor de R$5.000,00 (cinco mil reais). De início, destaca-se que a causa de pedir se fundamenta no direito fundamental à saúde, consagrado no art. 196 da Constituição Federal de 1988, de onde se extrai a responsabilidade solidária da União, Estados e Municípios de assegurar, mediante políticas públicas, o acesso universal e igualitário às ações e serviços que visem a promoção, proteção e recuperação da saúde à generalidade das pessoas. No que se refere ao dever de indenizar, destaca-se que a hipótese está sujeita ao regramento constitucional disposto no artigo 37, §6º, que adota a teoria da responsabilidade objetiva pelo risco administrativo, segundo a qual a administração pública apenas se exonera do dever de indenizar diante de excludentes do nexo causal. Confira-se: Art. 37. (...) § 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. Presentes os pressupostos da responsabilidade objetiva, quais sejam, o fato administrativo, o dano e o nexo causal está caracterizada a responsabilidade civil Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro Tribunal de Justiça 9ª Câmara de Direito Público Gabinete do Desembargador Carlos Alberto Machado KC8 objetiva do Estado. É desnecessário que o lesado prove a existência da culpa do agente ou do serviço. Nesse sentido, é a jurisprudência deste Egrégio Tribunal de Justiça em casos análogos: APELAÇÃO CÍVEL. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO. ERRO MÉDICO. OMISSÃO ESPECÍFICA. FALHA NO DIAGNÓSTICO. DÉFICIT FUNCIONAL E DANO ESTÉTICO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA DO MUNICÍPIO. DANOS MORAIS. QUANTUM INDENIZATÓRIO. MANUTENÇÃO. Ação de indenização por danos morais ajuizada em face de Município, fundada em falha no atendimento médico prestado em unidade hospitalar da rede pública. Autora, vítima de atropelamento, diagnosticada com fratura no pé e submetida a tratamento conservador, quando o caso exigia cirurgia imediata. Prova pericial que constatou erro no diagnóstico inicial, resultando em tratamento inadequado, com agravamento da lesão, gerando déficit funcional parcial e permanente para atividades que exijam deambulação prolongada, além de dano estético moderado. Responsabilidade objetiva do ente público reconhecida, nos termos do art. 37, §6º, da CF/88. Comprovação do nexo causal entre a conduta estatal e os prejuízos suportados. Dano moral configurado diante da violação à integridade física da autora, com impacto em sua dignidade e autoestima. Quantum indenizatório fixado em R$ 50.000,00, valor que observa os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, bem como o caráter punitivo-pedagógico da reparação civil. Sentença mantida. Pequena retificação de ofício quanto os honorários advocatícios, matéria de ordem pública cognoscível em qualquer tempo e grau de jurisdição. Recurso conhecido e desprovido. (0030813-34.2019.8.19.0068 - APELAÇÃO. Des(a). JOSE CLAUDIO DE MACEDO FERNANDES - Julgamento: 28/05/2025 - NONA CAMARA DE DIREITO PUBLICO). REMESSA NECESSÁRIA AÇÃO INDENIZATÓRIA. RESPONSABILIDADE CIVIL DO MUNICÍPIO. GAZE DEIXADA NO ABDÔMEN DA AUTORA QUANDO DA REALIZAÇÃO DE CESARIANA. CONSEQUÊNCIAS DANOSAS COMPROVADAS NOS AUTOS. DANOS MORAL E MATERIAL CONFIGURADOS. VERBAS CORRETAMENTE FIXADAS. CONSECTÁRIOS LEGAIS QUE MERECEM ADEQUAÇÃO. Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro Tribunal de Justiça 9ª Câmara de Direito Público Gabinete do Desembargador Carlos Alberto Machado KC9 OBSERVÂNCIA DOS TEMAS 905, DP STJ E 810, DO STF E DA EMENDA CONSTITUCIONAL 113/2021. 1. Ação indenizatória ajuizada em que a autora relatou ter sido vítima de erro médico ocorrido em hospital municipal, pois em cirurgia cesariana foi deixado dentro de seu abdômen um pedaço de gaze/compressa, o que resultou em contaminação de órgãos e tecidos e levou à perda da alça do intestino grosso, dois segmentos do intestino delgado, o ovário esquerdo, apresentando ainda complexa lesão de reto, passando a usar bolsa de colostomia. (...)3. Responsabilidade civil do Município que é objetiva, sendo suficiente, dessa forma, a demonstração do fato, do dano e do liame causal, conforme regra extraída do art. 37, §6º, da CRFB/1988. (...) (0012619-57.2011.8.19.0038 - REMESSA NECESSARIA. Des(a). JOSÉ ACIR LESSA GIORDANI - Julgamento: 04/04/2024 - PRIMEIRA CAMARA DE DIREITO PUBLICO) “grifos nossos”. Diante disso, é imperioso o reconhecimento do nexo de causalidade e, consequentemente, da responsabilidade civil objetiva do Estado, haja vista não haver comprovação de nenhuma de suas excludentes. Os danos morais experimentados pela parte autora mostram-se evidentes e se revelam in re ipsa, decorrendo da angústia experimentada pela autora, para além do mero aborrecimento, a justificar a indenização pretendida. O juízo de 1º grau reconheceu o dano moral causado a apelante, fixando a compensação em R$5.000,00, sob a seguinte fundamentação: (...) Desta forma, tenho que a introdução da compressa e sua permanência dentro do canal vaginal da autora, até a expulsão natural, que felizmente ocorreu, foi apta a causar danos temporários à mesma, com desencadeamento de dor, desconforto perineal e forte odor, sentido pela própria parte quanto por visitas. Noutro giro, não houve repercussão sistêmica, ou seja, não existiu infecção no organismo da autora e nem mesmo outra repercussão mais gravosa,como constatado na prova pericial realizada. (...) Com efeito, a dor, o desconforto, o odor desagradável e mesmo o risco de infecção são aptos a demonstrar gravames à dignidade da postulante, configurando dano moral. (grifos nossos). Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro Tribunal de Justiça 9ª Câmara de Direito Público Gabinete do Desembargador Carlos Alberto Machado KC10 De acordo com o resultado do exame de Citopatologia Cérvico Vaginal (index 000008, fls. 36) realizado em 25/09/13, a apelante foi diagnosticada com “esfregaço de padrão inflamatório leve”. Conforme se verifica do Laudo Pericial anexado no index 000142, o Perito aponta que: “o esfregaço de padrão inflamatório leve é um resultado habitual em mulheres que demonstra uma resposta do próprio organismo a diversas situações do colo uterino”. Confira-se. Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro Tribunal de Justiça 9ª Câmara de Direito Público Gabinete do Desembargador Carlos Alberto Machado KC11 A doutrina e a jurisprudência vêm empregando, no arbitramento do dano imaterial, quatro critérios principais, quais sejam: (I) a gravidade do dano; (II) o grau de culpa do ofensor; (III) a capacidade econômica da vítima e (IV) a capacidade econômica do ofensor. Ademais, em tema de responsabilidade civil, o arbitramento da indenização deve levar em conta os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, bem assim as condições econômicas do agente e da vítima, sem descurar do caráter preventivo pedagógico punitivo da reparação. Dessa forma, a compensação deve ser arbitrada com moderação, a fim de que não seja tão elevada a ponto de ensejar enriquecimento sem causa para a Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro Tribunal de Justiça 9ª Câmara de Direito Público Gabinete do Desembargador Carlos Alberto Machado KC12 vítima, nem tão reduzida que não se revista do caráter preventivo-pedagógico capaz de desestimular a renovação da conduta. Assim, considerando a extensão do dano experimentado pela apelante, a compensação por dano moral no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil) reais estabelecida pelo juízo de 1ª instância mostrou-se adequada à finalidade do instituto, aplicando-se à presente hipótese o disposto no verbete sumular nº 343 deste Tribunal, a saber: SÚMULA TJRJ Nº 343 Dano moral. Verba indenizatória. Fixação do valor da condenação. Proporcionalidade e razoabilidade. “A verba indenizatória do dano moral somente será modificada se não atendidos pela sentença os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade na fixação do valor da condenação.” Referência: Processo Administrativo nº. 0013830- 09.2015.8.19.0000 - Julgamento em 14/09/2015 – Relator: Desembargadora Ana Maria Pereira de Oliveira. Votação por maioria. Neste sentido, é a jurisprudência do E. Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, em que a verba indenizatória foi fixada em patamar mais elevado, em razão da maior gravidade e extensão dos danos: APELAÇÕES CÍVEIS. AÇÃO INDENIZATÓRIA. ATO CIRÚRGICO. ERRO MÉDICO. RESPONSABILIDADE DO HOSPITAL E PROFISSIONAL. DANOS MORAIS. Sentença de procedência para condenar os réus, solidariamente, ao pagamento de indenização por danos morais no valor de R$50.000,00. Apelação de ambos os réus. A controvérsia consiste em verificar a responsabilidade civil atribuída aos réus, com eventual caracterização de falha na prestação de serviços e valor da indenização. Entendimento do STJ sobre a responsabilidade dos hospitais por danos causados ao paciente consumidor. Os apontamentos do laudo pericial não descrevem qualquer vinculação do hospital à eventual falha na prestação do serviço realizado pelo profissional, de modo que não se pode atribuir a responsabilidade do erro médico ao nosocômio. A conduta do profissional não seguiu a melhor literatura médica, com o esquecimento de gazes por vários meses no corpo da autora, além de que o resultado inconclusivo da biópsia se deu pela Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro Tribunal de Justiça 9ª Câmara de Direito Público Gabinete do Desembargador Carlos Alberto Machado KC13 ausência de médico patologista ou de exame histopatológico posterior, que obrigou a autora a se submeter a novo procedimento cirúrgico 9 meses depois, com retardo no tratamento, exacerbando a sintomatologia. O valor da indenização deve ser reduzido para R$15.000,00, corrigidos a partir desta data, este mais adequado, razoável e proporcional no caso dos autos. Precedentes. Correção monetária devida a partir desta data e juros de mora contados a partir da citação, considerando a relação contratual. Sentença reformada para julgar improcedentes os pedidos com relação ao 1º réu (Hospital) e, invertendo o ônus sucumbencial, condenar a parte autora ao pagamento das despesas processuais devidas em razão da inclusão e honorários advocatícios, fixados em 10% sobre o valor da causa, devendo ser observada a gratuidade de justiça concedida e para reduzir a indenização por danos morais para R$ 15.000,00. PROVIMENTO AO RECURSO DO 1º RÉU (HOSPITAL) e PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO DO 2º RÉU (PROFISSIONAL). (0005463-07.2015.8.19.0061 - APELAÇÃO. Des(a). SÔNIA DE FÁTIMA DIAS - Julgamento: 23/07/2024 - VIGESIMA SEGUNDA CAMARA DE DIREITO PRIVADO (ANTIGA 23ª CÂMARA CÍVEL) “grifos nossos”. Direito da Responsabilidade Civil. Ação indenizatória em face de hospital municipal. Gaze esquecida na paciente após realização de parto normal. Erro médico. Responsabilidade objetiva do hospital. Sentença de procedência. Danos morais fixados em R$ 15.000,00. Recurso da ré. Desacolhimento. A conduta culposa dos prepostos da ré e o nexo causal restaram comprovados pelo laudo pericial, tendo a Perita concluído que ¿não existe justificativa médica para a permanência de um tampão vaginal para controle de sangramento no pós-parto imediato por 3 meses no interior da vagina da autora. Tal fato poderia ter causado um quadro infeccioso grave na mesma. Como a própria ré admitiu, apesar de se tratar de procedimento normal e, muitas vezes necessário, o tampão vaginal geralmente é retirado logo no dia seguinte. A permanência da gaze esquecida no corpo da paciente por mais de dois meses, que só foi descoberta após a reação do seu organismo e que causou lhe infecção, configura evidente falha na prestação do serviço por erro médico a ensejar o dever de reparação. No caso, a autora necessitou de tratamento com antibiótico ambulatorial e pomada vaginal por cerca de 3 meses. O valor arbitrado na sentença é proporcional e razoável, atendendo bem à finalidade punitivo-pedagógica da indenização, Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro Tribunal de Justiça 9ª Câmara de Direito Público Gabinete do Desembargador Carlos Alberto Machado KC14 além de estar em consonância com os parâmetros fixados pela jurisprudência deste Tribunal de Justiça, devendo ser mantido. Desprovimento do recurso. (0030791-46.2016.8.19.0208 - APELAÇÃO. Des(a). NAGIB SLAIBI FILHO - Julgamento: 16/08/2023 - TERCEIRA CAMARA DE DIREITO PUBLICO (ANTIGA 6ª CÂMA) “grifos nossos”. Ação Indenizatória. Dano moral. Erro médico. Chumaço de gaze (tampão vaginal) esquecido dentro do corpo da 2ª autora quando do parto de seu primeiro filho. Sentença de procedência parcial fixando o valor indenizatório em R$ 15.000,00 (quinze mil reais), apenas em favor da 2ª autora. Apelo da 1ª autora (mãe da 2ª autora) e do nosocômio réu. Inconteste a relação de consumo mantida entre as partes, sob a égide do Código de Defesa do Consumidor. Inexistência de cerceamento de defesa. Nosocômio que não nega que o material tenha sido esquecido no corpo da 2ª autora. Ausência de requerimento de produção de prova no momento processual adequado. Chamamento aoprocesso dos profissionais que atenderam a 2ª autora, com fundamento no art. 130 do CPC, que não merece guarida, eis que a hipótese dos autos não se amolda a nenhum dos seus incisos. Inexistência de culpa exclusiva da vítima. Dano moral in re ipsa, que extrapola o mero aborrecimento do cotidiano. Verba indenizatória fixada em conformidade com os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, bem como a extensão dos danos experimentados pela parte autora. Precedentes desta Corte. Indenização à 1ª autora - mãe da 2ª autora - que é devida. Dano moral reflexo ou ricochete. Parte que acompanhou sua filha, que contava com apenas 20 (vinte) anos, por todo o processo, estando presente do parto, cuidando da 2ª autora quando apresentou graves sintomas decorrentes do erro médico narrado, e foi sua acompanhante durante sua posterior internação, decorrente de processo inflamatório causado pelo erro médico narrado. Sentença que merece parcial reforma. Honorários recursais aplicáveis à espécie. PROVIMENTO DO RECURSO 1 (apelo da 1ª autora) e DESPROVIMENTO DO RECURSO 2 (apelo do réu). (0071853-40.2019.8.19.0021 - APELAÇÃO. Des(a). SIRLEY ABREU BIONDI - Julgamento: 08/05/2025 - SEXTA CAMARA DE DIREITO PRIVADO (ANTIGA 13ª CÂMARA CÍVEL) “grifos nossos”. APELAÇÃO. RESPONSABILIDADE CIVIL. ERRO MÉDICO. SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA, CONDENANDO O RÉU AO PAGAMENTO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS NO VALOR DE R$15.000,00 (QUINZE MIL REAIS). Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro Tribunal de Justiça 9ª Câmara de Direito Público Gabinete do Desembargador Carlos Alberto Machado KC15 IRRESIGNAÇÃO DO HOSPITAL RÉU QUE NÃO MERECE ACOLHIDA. PROCEDIMENTO CIRÚGICO. APÓS ALTA MÉDICA DESCOBERTA DE GAZE NO INTERIOR DA FERIDA, CAUSANDO INTENSAS DORES AO AUTOR, QUE NECESSITOU SER SUBMETIDO A NOVA CIRURGIA. PROVA PERICIAL COMPROVANDO QUE ANTES DA PRIMEIRA ALTA HOSPITALAR, CONSTAVA NOS EXAMES DE IMAGEM A PRESENÇA DE CORPO ESTRANHO, NO ENTANTO NÃO FOI REALIZADO O PROCEDIMENTO ADEQUADO. ERRO MÉDICO CARACTERIZADO. NEXO DE CAUSALIDADE COMPROVADO. DANO MORAL IN RE IPSA. VERBA INDENIZATÓRIA QUE OBSERVA OS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE, BEM COMO AS CIRCUNSTÂNCIAS DO CASO CONCRETO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 343 DESTA CORTE DE JUSTIÇA. SENTENÇA QUE NÃO MERECE REFORMA. RECURSO NÃO PROVIDO. (0063048-90.2021.8.19.0001 - APELAÇÃO. Des(a). ALEXANDRE EDUARDO SCISINIO - Julgamento: 26/06/2024 - DECIMA QUINTA CAMARA DE DIREITO PRIVADO (ANTIGA 20ª CÂMARA CÍVEL) “grifos nossos”. Portanto, não merece qualquer reforma a sentença prolatada. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso interposto. Condeno a autora ao pagamento das custas processuais e em honorários advocatícios arbitrados em 10% sobre o valor da causa, nos termos do art. 85 do CPC, observada a gratuidade de justiça. Rio de Janeiro, na data da assinatura digital. Desembargador CARLOS ALBERTO MACHADO Relator 2025-09-16T11:13:16-0300 GAB. DES. CARLOS ALBERTO MACHADO