Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Brasília-DF. 
AvAliAção DiAgnósticA – 
iniciAis e complementAres
Elaboração
Luciana Raposo dos Santos Fernandes
Produção
Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração
Sumário
APRESENTAÇÃO ................................................................................................................................. 4
ORGANIZAÇÃO DO CADERNO DE ESTUDOS E PESQUISA .................................................................... 5
INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 7
UNIDADE I
AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA DO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA...................................................... 9
CAPÍTULO 1
CONSIDERAÇÕES INTRODUTÓRIAS ........................................................................................... 9
UNIDADE II
PSICOPATOLOGIA E NEUROPSICOLOGIA .............................................................................................. 24
CAPÍTULO 1
A COMPREENSÃO DO CÉREBRO COM TEA ............................................................................ 24
UNIDADE III
O DIAGNÓSTICO DO TEA .................................................................................................................... 46
CAPÍTULO 1
PRINCIPAIS INSTRUMENTOS DIAGNÓSTICOS PARA AVALIAR CRIANÇAS COM AUTISMO – TEA ... 47
UNIDADE IV
AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA COMPLEMENTAR – PARTE II ........................................................................ 85
CAPÍTULO 1
AVALIAÇÃO NEUROPSICOLÓGICA ......................................................................................... 85
PARA (NÃO) FINALIZAR ..................................................................................................................... 98
REFERÊNCIAS ................................................................................................................................ 101
4
Apresentação
Caro aluno
A proposta editorial deste Caderno de Estudos e Pesquisa reúne elementos que se 
entendem necessários para o desenvolvimento do estudo com segurança e qualidade. 
Caracteriza-se pela atualidade, dinâmica e pertinência de seu conteúdo, bem como pela 
interatividade e modernidade de sua estrutura formal, adequadas à metodologia da 
Educação a Distância – EaD.
Pretende-se, com este material, levá-lo à reflexão e à compreensão da pluralidade 
dos conhecimentos a serem oferecidos, possibilitando-lhe ampliar conceitos 
específicos da área e atuar de forma competente e conscienciosa, como convém 
ao profissional que busca a formação continuada para vencer os desafios que a 
evolução científico-tecnológica impõe ao mundo contemporâneo.
Elaborou-se a presente publicação com a intenção de torná-la subsídio valioso, de modo 
a facilitar sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida pessoal quanto na 
profissional. Utilize-a como instrumento para seu sucesso na carreira.
Conselho Editorial
5
Organização do Caderno 
de Estudos e Pesquisa
Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em unidades, subdivididas em 
capítulos, de forma didática, objetiva e coerente. Eles serão abordados por meio de textos 
básicos, com questões para reflexão, entre outros recursos editoriais que visam tornar 
sua leitura mais agradável. Ao final, serão indicadas, também, fontes de consulta para 
aprofundar seus estudos com leituras e pesquisas complementares.
A seguir, apresentamos uma breve descrição dos ícones utilizados na organização dos 
Cadernos de Estudos e Pesquisa.
Provocação
Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto antes 
mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para o autor 
conteudista.
Para refletir
Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça uma pausa e reflita 
sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em seu raciocínio. É importante 
que ele verifique seus conhecimentos, suas experiências e seus sentimentos. As 
reflexões são o ponto de partida para a construção de suas conclusões.
Sugestão de estudo complementar
Sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para aprofundamento do estudo, 
discussões em fóruns ou encontros presenciais quando for o caso.
Atenção
Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam para a 
síntese/conclusão do assunto abordado.
6
Saiba mais
Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/conclusões 
sobre o assunto abordado.
Sintetizando
Trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo, facilitando o 
entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos.
Para (não) finalizar
Texto integrador, ao final do módulo, que motiva o aluno a continuar a aprendizagem 
ou estimula ponderações complementares sobre o módulo estudado.
7
Introdução
[...] ainda não foi encontrado nenhum método, técnica, droga ou setting 
terapêutico que tenha se demonstrado eficaz para todas as crianças. 
Espero que nos próximos 20 ou 30 anos sejamos capazes de relatar um 
prognóstico mais esperançoso.
Leo Kanner
Entender o comportamento humano nunca foi uma tarefa fácil. Vivemos hoje em 
uma era de grandes transformações, com questões como fobias, estresse, anorexia, 
depressão, exclusão social e discriminação. A partir desse cenário, temos a Psicologia 
como a ciência que busca compreender os fenômenos psíquicos e o comportamento 
humano.
Esta disciplina se propõe a apresentar a importância da avaliação neuropsicológica do 
Autismo, bem como quais instrumentos vêm sendo utilizados para sua avaliação. Como 
resultado, nota-se que, entre os recursos disponíveis para avaliação neuropsicológica, 
ganham destaque a Escala de Avaliação de Autismo na Infância (CARS), PDDBI e 
Bayley, entre outros. 
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma desordem ainda sem etiologia e causas 
definidas, sua compreensão permanece complexa devido à falta de uniformidade 
clínica apresentada por indivíduos com essa condição. Esse transtorno é marcado por 
déficits no desenvolvimento que ocasionam prejuízos no funcionamento pessoal, social, 
acadêmico ou profissional. 
A avaliação neuropsicológica tem importante contribuição para identificar o Autismo, 
pois ela conta com instrumentos diagnósticos precisos.
Em 2002, no DSM-IV-TR (Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais), 
a categoria Transtornos Invasivos do Desenvolvimento passou a ser denominada 
de Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD). Em razão do senso comum 
na literatura, optou-se pelo vocábulo Autismo para se referir às pessoas com esses 
transtornos (GARCIA; MOSQUERA, 2011). 
A partir do DSM-V, o TGD, que antes era composto de transtornos específicos além do 
Autismo, transtornos como de Rett, Desintegrativo da Infância, Asperger e Transtorno 
Invasivo do Desenvolvimento sem outras especificações, deixa de usar essa classificação 
e tudo passa a ser considerado como transtorno do espectro autista. O nível do Autismo 
8
é mensurado por especificadores de gravidade. Esses especificadores dizem respeito 
ao comprometimento do indivíduo e eles podem ser de nível 3 – exigindo muito apoio, 
nível 2 – exigindo apoio substancial e nível 1 – exigindo apoio (DSM-V, 2014). 
Atualmente, no DSM-V o transtorno do espectro autista passou a integrar os transtornos 
do neurodesenvolvimento. Estes têm início no período do desenvolvimento, em 
geral antes de a criança ingressar na escola, sendo caracterizados por déficits no 
desenvolvimento que acarretam prejuízos no funcionamento pessoal, social, acadêmico 
ou profissional (DSM-V, 2014).
Esta disciplina apresenta a narrativa acerca da avaliação neuropsicológica do Transtorno 
do Espectro Autista (TEA), a partir de sua importância e dificuldade diagnóstica.
Objetivos
 » Identificar a importância da avaliação neuropsicológica para o diagnóstico 
do Transtorno do Espectro Autista (TEA).
 » Apresentar os instrumentos que vêm sendo utilizados para avaliação do 
Transtornovantagem em certos 
ambientes quando apenas uma cópia do gene está presente. 
 » Deficiência intelectual (DI). A porcentagem de indivíduos autistas 
que também atendem aos critérios de deficiência intelectual tem 
sido relatada como algo entre 25% e 70%, uma grande variação que 
ilustra a dificuldade de avaliar a inteligência de indivíduos no espectro 
do Autismo. Em comparação, para a PDD-NOS, a associação com 
deficiência intelectual é muito mais fraca, e, por definição, o diagnóstico 
de Asperger exclui a deficiência intelectual. A deficiência intelectual (DI), 
também conhecida como incapacidade geral de aprendizagem ou como 
retardo mental (RM), é uma desordem generalizada do desenvolvimento 
neurológico caracterizada por um funcionamento intelectual e adaptativo 
significativamente prejudicado. É definida por um QI abaixo de 70, além 
de déficits em dois ou mais comportamentos adaptativos que afetam a 
vida cotidiana e geral (DSM-5, 2013).
Uma vez focado quase inteiramente na cognição, a definição agora inclui um componente 
relacionado ao funcionamento mental e outro relacionado às habilidades funcionais dos 
indivíduos em seus ambientes. Como resultado desse foco nas habilidades da pessoa na 
42
UNIDADE II │ PSICOPATOLOGIA E NEUROPSICOLOGIA
prática, uma pessoa com um QI incomumente baixo pode não ser considerada como 
tendo deficiência intelectual (GLOOR,1997).
A sigla em inglês PDD-NOS significa Transtorno Invasivo do Desenvolvimento 
- Sem Outra Especificação. Alguns profissionais de saúde do desenvolvimento 
referem-se ao PDD-NOS como Autismo subliminar. Em outras palavras, é o 
diagnóstico que eles usam para alguém que tem algumas, mas não todas as 
características do Autismo ou que tem sintomas – traços – relativamente leves 
do TEA.
O PDD-NOS foi um dos vários subtipos de Autismo anteriormente separados 
que foram incluídos no diagnóstico único do Transtorno do Espectro do Autismo 
(TEA) com a publicação do manual de diagnóstico do DSM-5 em 2013. 
No passado, psicólogos e psiquiatras usavam frequentemente o termo 
Transtornos Invasivos do Desenvolvimento (TID) e Autismo de maneira 
intercambiável. Como tal, PDD-NOS tornou-se o diagnóstico aplicado a crianças 
ou adultos que estão no espectro do Autismo, mas não satisfazem totalmente os 
critérios para o diagnóstico de TEA, como o transtorno do espectro autista – às 
vezes, chamado de Autismo clássico, até o lançamento do DSM-5 – ou Síndrome 
de Asperger. Como todas as formas de Autismo, o PDD-NOS pode ocorrer em 
conjunto com um amplo espectro de capacidade intelectual. Suas características 
definidoras são desafios significativos no desenvolvimento social e linguístico 
(PANDYA; YETERIAN, 1985).
Para muitos, o PDD-NOS tem sido uma categoria de diagnóstico ilusória nos 
Transtornos do Espectro Autista (TEA). Temos pessoas com terraços de TEA – fato 
que ocorre com frequência – mas que não são diagnosticadas com Autismo. Ou 
seja, é TEA ou não? Pessoas que são taxadas de antissociais, estranhas, antipáticas. 
Mas que apresentam traços marcantes do Transtorno do Espectro Autista, 
contudo levam uma vida típica ou socialmente adequada. Elas mantêm contato 
visual, fazem a triangulação, há imitação, o desenvolvimento na infância ocorreu 
de forma adequada. Mas, ainda assim, existe algo de TEA. O TEA recebeu a maior 
parte da atenção no desenvolvimento de métodos diagnósticos, enquanto a 
categoria PDD-NOS foi ignorada do ponto de vista diagnóstico. Os sintomas que 
caracterizam a PDD-NOS em adultos com Deficiência Intelectual (DI), além da 
extrapolação de alguns estudos infantis, são em grande parte desconhecidos. 
Esse público precisa ter sua demanda atendida e avaliada por meio de escalas 
da mesma forma que crianças com a hipótese diagnóstica de TEA (ZILBOVICIUS; 
MERESSE. BODDAERT, 2006; SILVA; MULICK, 2009; RODRIGUES).
43
PSICOPATOLOGIA E NEUROPSICOLOGIA │ UNIDADE II
 » Transtornos de ansiedade. São comuns em crianças com TEA; não 
há dados firmes, mas estudos relataram prevalências variando de 11% 
a 84%. Muitos transtornos de ansiedade têm sintomas que são melhor 
explicados pelo próprio TEA ou são difíceis de distinguir dos sintomas 
do TEA. Os transtornos de ansiedade são um grupo de transtornos 
mentais caracterizados por sentimentos significativos de ansiedade e 
medo. Ansiedade é uma preocupação com eventos futuros, e o medo 
é uma reação aos eventos atuais. Esses sentimentos podem causar 
sintomas físicos, como ritmo cardíaco acelerado e tremores. Há uma 
série de transtornos de ansiedade, incluindo transtorno de ansiedade 
generalizada, fobia específica, transtorno de ansiedade social, transtorno 
de ansiedade de separação, agorafobia, transtorno do pânico e mutismo 
seletivo. O distúrbio difere pelo que resulta nos sintomas. As pessoas 
geralmente têm mais de um distúrbio de ansiedade (PEREIRA; RIESGO; 
WAGNER, 2008; WHITE et al., 2009; MUSKAT, 2014). 
 » Epilepsia. Com variações no risco de epilepsia devido à idade, ao nível 
cognitivo e ao tipo de distúrbio de linguagem. A epilepsia é um grupo 
de distúrbios neurológicos caracterizados por crises epilépticas. Crises 
epilépticas são episódios que podem variar de períodos breves e quase 
indetectáveis a longos períodos de agitação vigorosa. Esses episódios 
podem resultar em lesões físicas, incluindo ocasionalmente ossos 
quebrados. Na epilepsia, as convulsões tendem a recorrer e, como 
regra, não têm causa subjacente imediata. Convulsões isoladas que são 
provocadas por uma causa específica, como envenenamento, não são 
consideradas epilepsia. Pessoas com epilepsia podem ser tratadas de 
forma diferente em várias áreas do mundo e experimentam graus variados 
de estigma social devido à sua condição. A causa da maioria dos casos 
de epilepsia é desconhecida. Alguns casos ocorrem como resultado de 
lesão cerebral, acidente vascular cerebral, tumores cerebrais, infecções 
do cérebro e defeitos congênitos por meio de um processo conhecido 
como epileptogênese. Mutações genéticas conhecidas estão diretamente 
ligadas a uma pequena proporção de casos. As crises epilépticas são o 
resultado da atividade neuronal excessiva e anormal no córtex cerebral. 
O diagnóstico envolve a exclusão de outras condições que possam causar 
sintomas semelhantes, como desmaios, e determinar se outra causa 
de convulsões está presente, como a retirada do álcool ou problemas 
eletrolíticos. Isso pode ser parcialmente feito investigando o cérebro e 
realizando exames de sangue. A epilepsia pode ser confirmada com um 
44
UNIDADE II │ PSICOPATOLOGIA E NEUROPSICOLOGIA
eletroencefalograma (EEG), mas um teste normal não descarta a condição 
(SPENCE; SCHNEIDER, 2009).
 » Vários defeitos metabólicos. Como a fenilcetonúria, estão associados 
a sintomas autistas. 
Erros inatos do metabolismo formam uma grande classe de doenças genéticas que 
envolvem distúrbios congênitos do metabolismo. A maioria é devida a defeitos de 
genes únicos que codificam enzimas que facilitam a conversão de várias substâncias 
(substratos) em outras (produtos). Na maioria dos distúrbios, surgem problemas 
devido ao acúmulo de substâncias tóxicas ou que interferem na função normal, ou 
aos efeitos da redução da capacidade de sintetizar compostos essenciais. Erros inatos 
do metabolismo são, agora, frequentemente referidos como doenças metabólicas 
congênitas ou distúrbios metabólicos hereditários. O termo erros inatos do metabolismo 
foi cunhado por um médico britânico, Archibald Garrod (1857-1936), em 1908. Ele é 
conhecido pelo trabalho que prefigurou a hipótese de “um gene-uma enzima”, baseada 
em seus estudos sobre a natureza e a herança de Alkaptonuria. Seu texto seminal, Erros 
Inatos do Metabolismo foi publicado em 1923 (MANZI et al., 2008).
Duas sugestões de textos: o primeiro, o original, e o segundo, uma revisão de 
literatura.
EL HUSNY, A. S.; FERNANDES-CALDATOLL, M. C. F. Erros inatos do metabolismo: 
revisão de literatura. Rev. Para. Med., Belém, v. 20, n. 2,jun. 2006. 
Disponível em: .
 » Anomalias físicas. menores são significativamente aumentadas na 
população autista. 
Anomalias físicas menores (MPAs) são anormalidades físicas congênitas relativamente 
pequenas (geralmente indolores e, em si mesmas, inofensivas), consistindo em 
características como orelhas baixas, prega palmar transversal única, telecanto, 
micrognatismo, macrocefalia, hipotonia e língua sulcada. Embora possam ter uma base 
genética, também podem ser causadas por fatores no ambiente fetal: anoxia, sangramento 
ou infecção. Anomalias físicas menores têm sido associadas a distúrbios da gravidez e 
são consideradas por alguns como um marcador de atrasos no desenvolvimento neural 
fetal no final do primeiro trimestre. Assim, na literatura do neurodesenvolvimento, elas 
são vistas como indicações indiretas de interferências no desenvolvimento do cérebro 
(OZGEN et al., 2010).
45
PSICOPATOLOGIA E NEUROPSICOLOGIA │ UNIDADE II
 » Diagnósticos preempted. Embora o DSM-IV exclua diagnósticos 
concomitantes de muitas outras condições juntamente com Autismo, os 
critérios completos para o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade 
(TDAH), Síndrome de Tourette e outras condições frequentemente estão 
presentes e esses diagnósticos comórbidos são cada vez mais aceitos 
(STEYAERT; DELA MARCHE, 2008).
 » Os problemas do sono. Afetam cerca de dois terços dos indivíduos com 
TEA em algum momento da infância. Estes incluem mais comumente 
sintomas de insônia, como dificuldade em adormecer, despertares 
noturnos frequentes e despertares matinais. Os problemas do sono 
estão associados a comportamentos difíceis e estresse familiar, e são 
frequentemente um foco de atenção clínica para além do diagnóstico 
primário de TEA (RICHDALE; SCHRECK, 2009).
46
UNIDADE IIIO DIAGNÓSTICO 
DO TEA
Figura 11.
 
Avaliação Clínica. Não existe 
marcador ou exame específico. 
Realizado pelo médico (psiquiatra 
ou neurologista infantil) e equipe 
multidisciplinar.
ADOS / 
ADOS 2
ADI-R
ATA
VB-MAPP
M-CHAT
PEP-R
BOS
OERA
AVALIAÇÃO 
NEUROPSIC
OLÓGICA
ABC ou 
ICA
PORTAG
E
ASQ ou 
SQS
ATEC
VINELAN
D I e II
ECA
CARS
Fonte: Elaboração própria da autora.
Esta unidade enfatiza a importância de escalas meticulosos em relação à avaliação 
cognitiva, um método que pode ajudar a melhorar os processos cognitivos individuais 
de maneira direcionada. Os resultados de escalas sugerem que pode ser possível 
promover uma melhor coerência no planejamento das interveções. Em consonância 
com o modelo salutogênico, isso pode ser fundamental para a saúde e o bem-estar de 
pessoas com TEA (HA et al., 2015).
ZILBOVICIUS, M.; MERESSE, I.; BODDAERT, N. Autismo: neuroimagem. Rev. Bras. 
Psiquiatr., São Paulo, v. 28, n. 1, maio 2006. Disponível em: .
MARQUES, D. F.; BOSA, C. A. Protocolo de avaliação de crianças com autismo: 
evidências de validade de critério. Psic.: Teor. e Pesq., Brasília, v. 31, n. 1, pp. 43-
51, jan.-mar. 2015. Disponível em: .
47
CAPÍTULO 1
Principais Instrumentos Diagnósticos Para 
Avaliar Crianças com Autismo – TEA 
Identificação
Instrumentos confiáveis de detecção acurada dependem de duas perspectivas: 
comprometimentos sociocomunicativos, pela presença de comportamentos repetitivos 
e estereotipados, e comprometimentos na habilidade de atenção compartilhada.
Diversos rastreamentos segundo entrevista com 
pais/cuidadores
Poucos instrumentos baseados em observação semiestruturada.
 » Modified Checklist for Autism in Toddlers – MCHAT.
 » Autism Screening Questionnaire – ASQ. 
 » Autism Behavior Checklist – ABC.
Instrumentos baseados em observação 
semiestruturada
 » Autism Diagnostic Observation Schedule – ADOS (Diagnóstico clínico).
 » Childhood Autism Rating Scale – CARS.
 » Autism Mental Status Exam – AMSE (Versão abreviada com 8 itens da 
ADOS).
Observação Estruturada para Rastreamento de 
Autismo (OERA)
Primeiros resultados do OERA
 » Descrição do OERA (posteriores ajustes no instrumento). Factível, 
rápido, baixo custo, mas exige cuidado na aplicação e filmagem.
48
UNIDADE III │ O DIAGNÓSTICO DO TEA
 » Mais confiáveis a partir dos 3 anos. 
 » Treinamento breve para aplicação.
 » Exigem análise/pontuação por especialista.
Materiais OERA
 » Filmadora ou câmera de boa qualidade.
 » Brinquedos padronizados/simples para um jogo livre: “pular corda”.
 » Carrinho.
 » Boneca com mamadeira.
 » 1 bloquinho de lego.
 » Figuras de gato e cachorro.
 » Bolhas de sabão.
 » 2 vasilhames transparentes (Tupperware).
 » Bolinhas.
Base teórica
Provas baseadas nos sinais/sintomas nos domínios de comunicação social e 
comportamento repetitivo/estereotipado destacados na literatura como marcadores de 
TEA.
Provas
a. Resposta ao nome.
b. Iniciação da atenção compartilhada.
c. Resposta à atenção compartilhada.
d. Imitação funcional e simbólica.
e. Resposta ao sorriso.
f. Nomear figuras.
49
O DIAGNÓSTICO DO TEA │ UNIDADE III
g. Compartilhamento de prazer em jogo de bolha de sabão.
h. Apontar para objeto.
Aplicação pontuação
 » Durante aproximadamente 10-15 minutos, o avaliador interage com a 
criança (brinquedos/atividades) em uma seção filmada.
 » Treinamento 3 horas de duração – modelo estruturado (teórico-prático 
+ vídeos).
 » Manejo de comportamento durante a aplicação.
 » Um especialista em TEA realiza a pontuação segundo as 8 provas + 5 
itens considerando a prova completa.
PROVA 1 – RESPOSTA AO NOME
Objetivo 
Observar a presença e a qualidade do contato visual em direção ao avaliador 
após ser chamado pelo seu nome ou apelido. 
Descrição - 3 tentativas 
Primeira tentativa: aplicador se aproxima por trás do lado direito do examinando 
(cerca de 30 cm de distância do ouvido) sem ser notado e o chama pelo nome 
combinado. 
Segunda tentativa: após cerca de 5 segundos, do lado esquerdo, da mesma 
forma que a tentativa anterior. 
Terceira tentativa: o avaliador irá tocar no ombro direito do examinando e 
chamá-lo pelo nome combinado de modo simultâneo.
Pontuação – RESPOSTA AO NOME 
Uma resposta apropriada envolve direcionamento e contato visual em direção à 
pessoa que está chamando.
0 = Olha para o examinador e estabelece contato visual imediatamente em pelo 
menos um dos dois primeiros chamamentos feitos pelo examinador (i. e. apenas 
50
UNIDADE III │ O DIAGNÓSTICO DO TEA
se chama pelo nome). A criança precisa responder efetivamente ao olhar e não 
apenas uma reação ao som ou uma simples virada de cabeça. 
1 = Estabelece contato visual com o examinador somente na terceira tentativa 
do examinador ou não estabelece contato visual depois de o seu nome ser 
chamado por três vezes.
VALIDAÇÃO DO OERA: INSTRUMENTO CONFIÁVEL 
OERA – versão original 
Inicialmente, eram 22 itens (8 provas) + 13 itens prova completa nas áreas de: 
a. Linguagem e comunicação (ex.: quantidade/qualidade da vocalização 
dirigida ao outro; presença de ecolalia).
b. Interação social recíproca (ex.: adequação e intencionalidade da 
expressão facial).
c. Estereotipias motoras, maneirismos, comportamentos de 
autoagressão e comportamentos estereotipados.
Os resultados são muito positivos, principalmente por ser o 1o instrumento de 
rastreamento com dados de validação de constructo, via análise fatorial exploratória e 
confirmatória. 
Além disso, é de uso livre (após breve treinamento por nossa equipe), sendo rápido e 
barato. 
Componentes muito relevantes, principalmente em países em desenvolvimento e na 
atenção primária.
Limitações
 » Não testamos OERA em criançasDO TEA │ UNIDADE III
VB – MAPP – Avaliação Comportamental
Avaliação comportamental que compreende várias áreas do desenvolvimento infantil 
e que possibilita, sem dúvida, a construção de um currículo de ensino individualizado.
Características do VB-MAPP
 » O material é composto de um guia com todas as instruções de aplicação 
e análise de resultados e de um protocolo individual com as tabelas de 
registro. 
 » É baseado no Verbal Behavior, um ponto de referência no estudo da 
linguagem. 
 » O guia fornece uma breve revisão dessa teoria e de como utilizá-la para 
avaliar a linguagem de uma criança, bem como avaliar habilidades 
relacionadas.
 » Une os procedimentos e a metodologia de ensino da análise do 
comportamento aplicada e da análise skinneriana do comportamento 
verbal, em um esforço de fornecer um programa de avaliação da linguagem 
baseado na teoria comportamental, para todas as crianças com atrasos de 
linguagem. 
 » Fruto de 30 anos de pesquisas, trabalhos clínicos, testes de campo e 
revisões. 
 » Contou com a contribuição de analistas do comportamento, 
fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, professores de educação 
especial, psicólogos e pais de crianças com necessidades especiais.
O VB-MAPP avalia 5 áreas do desenvolvimento 
infantil (0 a 4 anos)
a. Social.
b. Motora.
c. Linguagem.
d. Brincar.
e. Habilidades acadêmicas.
52
UNIDADE III │ O DIAGNÓSTICO DO TEA
Objetivos do VB-MAPP
 » Identificar o nível de linha de base (Nível Operante) das habilidades da 
criança e compará-lo aos seus pares com desenvolvimento típico. 
 » Determinar habilidades específicas que estão presentes ou ausentes no 
repertório verbal e repertórios relacionados da criança. 
 » Fornecer informações essenciais para determinar os elementos básicos de 
um programa de educação individualizada e um currículo de linguagem.
Fornecer orientação em termos de: 
 » Que habilidades devem ser o foco da intervenção. 
 » Em que nível das habilidades o programa de intervenção deve começar. 
 » Que barreiras para a aprendizagem e aquisição da linguagem devem ser 
ultrapassadas (comportamentos inadequados, ecolalia ou fracasso em 
generalizar). 
 » Se for o caso, que tipo de comunicação alternativa é melhor. 
 » Que estratégias de ensino específicas devem ser as mais efetivas para a 
criança (ex.: tentativa discreta, ensino incidental).
 » Que tipo de contexto educacional deve melhor atingir as necessidades da 
criança (ex.: em casa, sala de aula 1 para 1, inclusão etc.).
Os avaliadores
Para obter o benefício máximo do VB-MAPP, é essencial que o avaliador tenha 
compreensão básica dos princípios da análise do comportamento e da análise 
skinneriana do comportamento verbal. Por exemplo:
 » ser capaz de discriminar os operantes verbais e diferenciar o controle 
de cada um (mandos – controle por operação estabelecedora X demais 
operantes – controle por estímulos discriminativos);
 » deve saber usar diferentes tipos de dicas. Devem, ainda, ter conhecimento 
acerca de substantivos, verbos, adjetivos, estrutura sintática, convenções 
gramaticais, etc.
53
O DIAGNÓSTICO DO TEA │ UNIDADE III
Orientações gerais para todas as etapas
Dicas para o avaliador:
 » Antes de começar a avaliação, faça uma pesquisa sobre reforçadores com 
os familiares. Esses itens serão úteis para você se aproximar e conquistar 
a criança. Além disso, tais itens poderão ser usados nos testes. 
 » Estabeleça uma comunicação com a criança. Gaste um tempo em 
atividades divertidas e liberação de reforçadores. 
 » Comece com demandas menores e mais fáceis e progrida cuidadosamente.
 » Mantenha controle dos itens de teste e dos reforçadores. 
 » Reforce respostas corretas. Use o esquema de reforçamento mais 
apropriado para cada criança. 
 » Reforce comportamentos desejáveis. Forneça reforçamento social natural 
para atenção, sentar-se, manter contato visual e sorrir. Use elogios 
descritivos.
 » Use tanto itens preferidos quanto itens novos que podem interessar à 
criança. Objetos de autoestimulação podem ser usados, se necessário.
 » Dê pequenos intervalos. Você pode dividir a avaliação em sessões, 
principalmente nas etapas de atividades na mesa. Não tenha pressa, não 
há tempo limite. 
 » Durante os intervalos, não permita que a criança manipule os reforçadores 
mais poderosos. Assim, você terá uma razão para ela voltar para a mesa 
quando você for recomeçar os testes. 
 » Dê de 3 a 5 segundos para a criança responder, se necessário.
 » Repita a apresentação da tarefa ou a questão 2 ou 3 vezes, se necessário. 
 » Use hierarquia de dicas (da mais leve para a mais intrusiva) para avaliar 
o nível de habilidade da criança. Isso ajuda a determinar o que a criança 
pode fazer de forma independente ou com dicas mínimas. 
 » Sempre termine um período de teste ou sessão com uma resposta correta.
54
UNIDADE III │ O DIAGNÓSTICO DO TEA
Etapas do VB-MAPP
Avaliação de marcadores: 
a. identificação dos comportamentos a maximizar/definição do currículo 
de ensino;
b. avaliação de barreiras: identificação dos comportamentos a minimizar;
c. avaliação de transição;
d. análise de tarefas e rastreamento de habilidades;
e. adequação e objetivos do programa de educação individualizada.
Avaliação de marcadores
 » Para a construção dessa etapa, foram identificados os marcadores do 
desenvolvimento infantil. 
 » Esses marcadores foram, então, reclassificados nos termos da Análise do 
Comportamento Verbal de Skinner. 
 » Também são utilizados medidores linguísticos padronizados, tais como: 
média de duração da expressão (MLU), tamanho de vocabulário, uso de 
convenções sintáticas e gramaticais.
 » Avaliação de 16 marcadores/habilidades do desenvolvimento infantil.
 » Visa a identificar o “nível operante” (linha de base) de cada marcador.
 » Permite nortear o currículo de aprendizagem da criança.
Procedimento
 » Teste formal: apresentar a tarefa para a criança e registrar a resposta, 
determinando diretamente se a criança pode ou não emitir a 
habilidade-alvo. 
 » Observação: observar se a habilidade acontece em uma determinada 
situação, sem apresentação formal de estímulos pelo avaliador. 
Nesta modalidade, não há limite de tempo. O objetivo é verificar se a 
habilidade-alvo ocorre de forma espontânea (sem dicas). 
55
O DIAGNÓSTICO DO TEA │ UNIDADE III
 » Observação ou teste direto: o avaliador pode escolher entre as duas 
modalidades de avaliação descritas anteriormente.
 » Observação cronometrada: a resposta-alvo deve ocorrer em um período 
de tempo limitado sem dicas do adulto. Esse período de tempo pode ser 
dividido em observações separadas.
 » Para cada marcador está indicada a modalidade de avaliação que deve ser 
usada, tanto no guia quanto no protocolo.
 » Ambientes: sala de aula; casa; comunidade; enfim, no local indicado para 
um determinado marcador ou, se este não estiver predefinido, onde a 
criança se sentir mais confortável. 
 » Acomodação: crianças menores ficam melhor no chão, já aquelas que já 
frequentam escola, podem fazer os testes na mesa. 
 » Duração total: depende do nível geral da criança, grau de cooperação, 
organização dos materiais etc.
Pontuação
Cada tarefa deve ser pontuada com 0, 1 ou ½, que correspondem a: 
 » 0 – a criança não emitiu a resposta testada ou essa habilidade nem foi 
testada por ser muito avançada para a criança. 
 » ½ – a criança emitiu a resposta esperada parcialmente (ex.: menor 
quantidade de emissões do que o pedido, verbalizações incompletas, 
respondeu com dicas etc.). 
 » 1 – a criança emitiu a resposta esperada de forma completa, ou a 
habilidade nem precisou ser testada porque era fácil demais para ela. Em 
cada tarefa há uma descrição do comportamento que deve ser pontuado 
com 1 e com ½.
ADI-R – Autism Diagnostic Interview-Revised 
(Entrevista Diagnóstica para Autismo Revisada) – 
Lord, Rutter & Le Couteur, 1994.
O ADI-R foi escrito por Michael Rutter. A versão original da Autism Diagnostic 
Interview, escrita em 1989, foi usada principalmentepara fins de pesquisa. O ADI foi 
56
UNIDADE III │ O DIAGNÓSTICO DO TEA
desenvolvido em resposta a quatro grandes desenvolvimentos no campo do diagnóstico 
do Autismo, o que levou a uma necessidade de ferramentas de diagnóstico atualizadas. 
Esses desenvolvimentos incluíram melhorias nos critérios diagnósticos, a necessidade 
de diferenciar entre Autismo e outros transtornos do desenvolvimento que parecem 
semelhantes no início da vida, e o desejo, na área da psicologia, de instrumentos 
diagnósticos padronizados. A IDA original poderia ser usada em indivíduos com uma 
idade cronológica de, pelo menos, cinco anos, e uma idade mental de, pelo menos, dois 
anos, mas o transtorno do espectro do Autismo é geralmente diagnosticado muito antes 
dessa idade. Essa descoberta levou Rutter, LeCouteur e Lord a revisarem a ADI em 
1994, para que ela pudesse ser usada para determinar um diagnóstico em indivíduos 
com uma idade mental de, pelo menos, 18 meses. Isso permitiria aos médicos usar 
a entrevista para diferenciar o Autismo de outros distúrbios que podem aparecer na 
primeira infância. 
A aplicação da ADI, que deve ser administrada junto aos pais, com o objetivo de 
obter descrições detalhadas dos comportamentos que são necessários ao diagnóstico 
diferencial de TEA. A versão original da ADI foi planejada com propósitos de pesquisa 
e visando a completar a avaliação comportamental de sujeitos com idade cronológica 
de 5 anos, e idade mental de, pelo menos, 2 anos. A versão revisada foi resumida e 
modificada para adequar-se a crianças com idade mental de aproximadamente 18 
meses até a vida adulta, e está vinculada aos critérios do DSM-V e da CID-10.
A ADI-R consiste em uma entrevista estruturada com 93 questões, que permite aos 
profissionais analisar, por meio dos pais ou cuidadores, a sintomatologia relacionada 
às perturbações do espectro autista.
Incide sobre três domínios de maior relevância diagnóstica: linguagem/comunicação; 
interação social; comportamentos/interesses restritos, repetitivos e estereotipados.
Para cumprir os critérios diagnósticos esboçados pela CID-10 e pelo DSM-V, o sujeito 
tem de satisfazer os critérios em cada um dos três domínios citados anteriormente 
(comunicação, interação social e comportamentos estereotipados), obtendo a pontuação 
mínima em cada um dos domínios, bem como exibir alguma anormalidade em pelo 
menos um desses domínios até os 36 meses de idade, obtendo uma pontuação mínima 
de ”1”.
Além disso, os itens da entrevista que recebem pontuação igual a ”3”, quando pontuados 
no algoritmo, recebem nota ”2”, para evitar julgamento impróprio de qualquer sintoma 
único.
57
O DIAGNÓSTICO DO TEA │ UNIDADE III
Assim, para se fazer um diagnóstico de Autismo Infantil, o comportamento do sujeito 
deve igualar ou exceder as notas de corte para todos os domínios avaliados.
Pesquisa sobre a validação do ADI-R no Brasil
BECKER, M. M. Tradução e validação da entrevista Autism Diagnostic 
Interview-Revised (ADI-R) para diagnóstico de autismo no Brasil. 2009. 84 f. 
Dissertação (Mestrado em Ciências Médicas). – Universidade Federal do Rio Grande do 
Sul, Faculdade de Medicina, Porto Alegre. Disponível em: .
Os principais objetivos dos roteiristas em revisar a ADI eram tornar a entrevista 
mais eficiente, mais curta e mais apropriada para as crianças menores. A maioria das 
revisões realizadas envolveu a organização da entrevista. As questões foram divididas 
em cinco seções distintas, e o comportamento inicial e atual foram consolidados em 
cada seção. A pesquisa levou a algumas modificações de perguntas específicas da 
entrevista. As modificações incluíram tanto fazer algumas perguntas se concentrar mais 
em aspectos específicos de Autismo de comportamentos e fazer outras perguntas mais 
generalizadas para melhorar a eficiência. Além disso, algumas perguntas adicionais 
foram adicionadas à entrevista, incluindo perguntas mais específicas sobre as idades 
em que os comportamentos anormais começaram. Outros itens irrelevantes foram 
removidos, a fim de aumentar a capacidade da entrevista para diagnosticar o Autismo 
em uma idade mais jovem. Essas revisões de perguntas também levaram os escritores a 
revisar o algoritmo de pontuação e as pontuações de corte, já que havia mais perguntas 
adicionadas a algumas seções. 
Autism Diagnostic Interview-Revised (ADI-R) é uma entrevista estruturada conduzida 
com os pais de indivíduos que foram encaminhados à avaliação de possíveis Autismo ou 
Transtornos do Espectro do Autismo. A entrevista, usada por pesquisadores e médicos 
durante décadas, pode ser utilizada para fins de diagnóstico para qualquer pessoa com 
uma idade mental de, pelo menos, 18 meses e mede o comportamento nas áreas de 
interação social recíproca, comunicação e linguagem e padrões de comportamento. 
Útil para diagnosticar o Autismo, planejar o tratamento e distinguir o Autismo 
de outros distúrbios do desenvolvimento. A entrevista cobre a história completa 
de desenvolvimento do indivíduo, geralmente é conduzida em um consultório, 
em casa ou em outro ambiente tranquilo por um psicólogo e leva de uma a duas 
horas. Aos cuidadores, são feitas 93 perguntas, abrangendo as três principais áreas 
comportamentais, sobre o comportamento atual do indivíduo ou o comportamento 
em um determinado ponto no tempo. A entrevista é dividida em cinco seções: 
questões de abertura, questões de comunicação, desenvolvimento social e questões 
58
UNIDADE III │ O DIAGNÓSTICO DO TEA
de jogo, questões repetitivas e de comportamento restrito e questões sobre problemas 
gerais de comportamento. Como a ADI-R é uma entrevista baseada em investigador, 
as perguntas são muito abertas e o investigador é capaz de obter todas as informações 
necessárias para determinar uma classificação válida para cada comportamento. 
Por essa razão, pais e responsáveis geralmente se sentem muito à vontade quando 
participam dessa entrevista, porque o que eles têm a dizer sobre seus filhos é valorizado 
pelo entrevistador. Ademais, participar dessa entrevista ajuda os pais a obter uma 
melhor compreensão do transtorno do espectro do Autismo e dos fatores que levam 
ao diagnóstico. 
A primeira seção da entrevista é usada para avaliar a qualidade da interação social 
e inclui perguntas sobre compartilhamento emocional, oferta e busca de conforto, 
sorriso social e resposta a outras crianças. A seção comportamental de comunicação 
e linguagem investiga enunciados estereotipados, inversão de pronomes e uso social 
da linguagem. Expressões estereotipadas são as poucas palavras ou sons que o 
indivíduo usa e repete com mais frequência. A seção de comportamentos restritos e 
repetitivos inclui perguntas sobre preocupações incomuns, maneirismos de mãos e 
dedos e interesses sensoriais incomuns. Por fim, a avaliação contém perguntas sobre 
comportamentos como autolesão, agressão e excesso de atividade que poderiam ajudar 
no desenvolvimento de planos de tratamento.
Confiabilidade
As perguntas da versão original da ADI que foram encontradas, por meio de pesquisa, 
como não confiáveis ou não aplicáveis foram removidas quando a entrevista foi revisada. 
O ADI-R também foi testado minuciosamente quanto à confiabilidade e validade, 
usando testes de confiabilidade interavaliadores, confiabilidade teste-reteste e validade 
interna. Os resultados dessa pesquisa levaram à aceitação da ADI entre pesquisadores 
e clínicos por décadas. O ADI-R é frequentemente usado em conjunto com outros 
instrumentos relacionados para determinar um diagnóstico de Autismo.
Os escritores publicaram resultados psicométricos que indicam tanto a confiabilidade 
quanto a validade do ADI-R. Tanto a confiabilidade entre avaliadores quanto a 
consistência interna foram boas em todas as áreas comportamentais investigadas na 
entrevista. A entrevista também foi encontrada para ter confiabilidade adequada ao 
longo do tempo. Pesquisas comparando os resultados de ADI-R de crianças autistase crianças com outros transtornos do desenvolvimento sugeriram que as questões 
individuais da entrevista eram um pouco mais válidas ao discriminar o Autismo do 
retardo mental do que o algoritmo como um todo. No entanto, pesquisas adicionais 
levaram à aceitação geral do algoritmo ADI-R. 
59
O DIAGNÓSTICO DO TEA │ UNIDADE III
Pontuação
Após a conclusão da entrevista, o entrevistador determina uma pontuação de 
classificação para cada questão, com base em sua avaliação da resposta do cuidador.
Escala de classificação
 » 0: “Comportamento do tipo especificado na codificação não está presente”.
 » 1: “O comportamento do tipo especificado está presente em uma forma 
anormal, mas não suficientemente severo ou frequente para atender aos 
critérios para um 2”.
 » 2: “Comportamento anormal definido”.
 » 3: “Gravidade extrema do comportamento especificado”.
 » 7: “Anormalidade definida na área geral da codificação, mas não do tipo 
especificado”.
 » 8: “Não aplicável”.
 » 9: “Desconhecido ou solicitado”.
Uma pontuação total é calculada para cada uma das áreas de conteúdo da entrevista. 
Ao aplicar o algoritmo, uma pontuação de 3 cai para 2 e uma pontuação de 7, 8 ou 9 
cai para 0, porque esses valores não indicam comportamentos autistas e, portanto, não 
devem ser considerados nos totais. A fim de criar o algoritmo para o diagnóstico, os 
autores escolheram perguntas da entrevista que estavam mais relacionadas aos critérios 
para o diagnóstico de Transtorno do Espectro do Autismo no DSM-IV e na CID-10. 
Um diagnóstico de Autismo é indicado quando as pontuações em todas as três áreas 
comportamentais atendem ou excedem as pontuações de corte mínimas especificadas. 
Esses pontos de corte foram determinados usando os resultados de muitos anos de 
pesquisa extensivamente revisada.
Pontuações de corte:
 » Interação social: 10.
 » Comunicação e linguagem: 8 (se verbal) ou 7 (se não verbal).
 » Comportamentos restritos e repetitivos: 3. 
60
UNIDADE III │ O DIAGNÓSTICO DO TEA
Instrumentos relacionados
O questionário de comunicação social (SCQ) é um questionário breve, com 40 itens, 
verdadeiro/falso, preenchido pelos pais sobre o comportamento de seu filho. Ele se 
assemelha ao conteúdo da ADI-R e é usado para uma breve triagem para determinar 
a necessidade de realizar uma entrevista ADI-R completa (LE COUTEUR; LORD; 
RUTTER, 2003; LORD; RUTTER; LE COUTEUR, 1994; SCHOPLER; MESIBOV, 1988).
O cronograma de observação diagnóstica do Autismo (ADOS) é um instrumento 
complementar dos mesmos autores centrais. É um conjunto semiestruturado de 
observações e é realizado em um ambiente de escritório como uma série de atividades 
envolvendo o indivíduo e um psicólogo ou outro examinador treinado e licenciado (LE 
COUTEUR et al., 1989; LORD; RUTTER; LE COUTEUR, 1994).
ADOS ou ADOS 2 - Autism Diagnostic Observation 
Schedule (Protocolo de Observação para 
Diagnóstico de Autismo) – Lord et al., 1989 
O ADOS consiste em uma série de tarefas estruturadas e semiestruturadas e geralmente 
leva de 30 a 60 minutos para ser administrado. Durante esse período, o examinador 
oferece uma série de oportunidades para o sujeito demonstrar comportamentos sociais 
e de comunicação relevantes para o diagnóstico do Autismo. 
Cada participante recebe atividades de apenas um dos quatro módulos. A seleção de um 
módulo apropriado é baseada no nível de desenvolvimento e de linguagem do indivíduo. 
O ADOS não deve ser usado para diagnóstico formal com indivíduos cegos, surdos ou 
seriamente prejudicados por distúrbios sensoriais ou motores, como a paralisia cerebral 
ou a distrofia muscular.
O módulo 1 é usado com crianças que usam pouco ou nenhum discurso. Os indivíduos 
que usam frases sintetizadas, mas não falam fluentemente, são administrados Módulo 
2. Como esses módulos exigem que o sujeito se mova pela sala, a capacidade de andar 
é geralmente considerada como um requisito mínimo de desenvolvimento para o 
uso do instrumento como um todo. O Módulo 3 é para indivíduos mais jovens que 
são verbalmente fluentes, e o Módulo 4 é usado com adolescentes e adultos que são 
verbalmente fluentes. Alguns exemplos dos Módulos 1 ou 2 incluem resposta ao nome, 
sorriso social e jogo livre ou com bolhas. Os módulos 3 ou 4 podem incluir brincadeiras 
recíprocas e comunicação, exibição de empatia ou comentários sobre as emoções dos 
outros.
61
O DIAGNÓSTICO DO TEA │ UNIDADE III
Uma revisão, o Cronograma de Observação de Diagnóstico do Autismo, segunda 
edição (ADOS-2), foi lançado pela WPS em maio de 2012. Inclui normas atualizadas, 
algoritmos aprimorados para Módulos 1 a 3 e um novo Módulo de Criança que facilita 
a avaliação em crianças de 12 a 30 meses. 
Existem várias organizações que oferecem treinamento no ADOS-2.
A WPS oferece um Workshop Clínico ADOS-2 para profissionais não familiarizados 
com o ADOS-2. Ele fornece aos participantes a oportunidade de observar um instrutor 
administrando o ADOS-2 a um indivíduo com ASD. Durante a administração, os 
participantes praticam a pontuação. O workshop se concentra principalmente nos 
Módulos 1 a 4, embora os participantes recebam materiais para estudar posteriormente, 
a fim de concluir o treinamento no Módulo Toddler.
O Workshop Clínico oferecido através da WPS é um pré-requisito para a formação 
de pesquisa mais completa oferecida pelos autores do ADOS-2 e seus colegas. O 
treinamento de pesquisa inclui exercícios para estabelecer a exatidão da codificação 
de itens para um critério específico, e é projetado para ajudar os indivíduos a alcançar 
a alta confiabilidade inter-sites entre os locais exigidos em pesquisas publicadas. O 
CADB também oferece outras oportunidades de treinamento, como workshops de um 
dia, focados exclusivamente no aprendizado do Módulo Toddler (para pesquisadores e 
clínicos que já são treinados nos Módulos 1-4 do ADOS ou ADOS-2).
A Escala de Observação para o Diagnóstico de Autismo 2 (ADOS-2) é uma avaliação 
padronizada e semiestruturada da comunicação, da interação social e jogo ou uso 
criativo de materiais para pessoas suspeitas de terem Perturbações do Espetro do 
Autismo. A escala está estruturada em cinco módulos (t, 1, 2, 3 e 4), cada um específico 
para determinada idade e nível de linguagem.
O ADOS é um protocolo padronizado de observação e avaliação dos comportamentos 
sociais e da comunicação da criança e do adulto autista, originalmente planejado para 
pessoas com idade mental de 3 anos ou mais.
O propósito desse roteiro é fornecer uma série de contextos padronizados, visando à 
observação do comportamento social e comunicativo de indivíduos com Autismo e 
transtornos relacionados.
A observação comportamental objetiva satisfazer duas finalidades. A primeira delas, 
diagnóstica, distingue Autismo de outros portadores de deficiência e de funcionamento 
normal.
62
UNIDADE III │ O DIAGNÓSTICO DO TEA
A segunda, de investigação, estuda diretamente a qualidade dos comportamentos 
sociais e comunicativos associados com o Autismo. Esse roteiro de observação consiste 
em oito tarefas apresentadas pelo examinador, com duração de aproximadamente 20 
a 30 minutos.
Há dois jogos de materiais que variam no conteúdo e exigência cognitiva, de acordo 
com a idade cronológica e nível de desenvolvimento do sujeito (AKSHOOMOFF; 
CORSELLO; SCHMIDT, 2006). 
As codificações dos comportamentos observados em cada tarefa devem ser realizadas 
imediatamente após a entrevista.
Os comportamentos são classificados em quatro domínios:
 » interação social recíproca;
 » comunicação/linguagem;
 » comportamentos estereotipados/restritivos;
 » humor e comportamentos anormais não específicos.
A classificação geral é feita considerando-se uma gradação de três pontos:
 » 0 = dentro dos limites normais;
 » 1 = anormalidade rara ou possível;
 » 2 = anormalidade clara/distinta.
A pontuação 7 é eventualmente usada para indicar comportamento anormal, mas que 
não é abrangido pela codificação.
Essa escala não tem padronização brasileira, portantonão é uma escala 
reconhecida pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP).
Encontramos este material somente em português de Portugal e ou em espanhol. 
Não temos editoras no Brasil para comercialização desse teste. Neste link, será 
possível encontrar a escala para comprar em Portugal: .
ESCALA de diagnóstico do Autismo: o que é ADOS-2 E ADIR? Produção de Neuro 
Saber. Londrina, PR: Neuro Saber, 2018. YouTube (2m 59s): son., color. Port. 
Disponível em: .
63
O DIAGNÓSTICO DO TEA │ UNIDADE III
ADOS 2 (2012)
 » Revisão da ADOS – algoritmos. 
 » Inclusão de quinto módulo – Toddler – 12 a 30 meses. 
 » Atividades básicas, itens, codificação e procedimentos de score não foram 
modificados, mas atualizados.
 » Instrumento padrão-ouro para diagnóstico de TEA 
 » Anos de pesquisa e de validação do instrumento. 
 » Indicada para indivíduos com suspeita de TEA.
 » De 12 meses a adulto.
Quem pode utilizar?
Médicos, psicólogos clínicos, psicólogos escolares, fonoaudiólogos, terapeutas 
ocupacionais que atuam na área dos transtornos de desenvolvimento.
Objetivos específicos:
 » diagnóstico;
 » intervenção;
 » planejamento escolar;
 » plano de tratamento.
Importância do observador treinado ADOS baseada inteiramente na observação e na 
interação com o paciente.
Descrição do instrumento
 » Atividades padronizadas que fornecem oportunidades de observar 
comportamentos relevantes para o diagnóstico de TEA em diferentes 
níveis de desenvolvimento e idades cronológicas.
 » Ocasiões sociais planejadas que promovem contextos padronizados nos 
quais interações sociais, comunicação e comportamentos particulares 
tendem a aparecer.
64
UNIDADE III │ O DIAGNÓSTICO DO TEA
 » Apresenta sequências comunicativas/sociais que combinam situações 
estruturadas e desestruturadas.
 » Cada situação oferece um desencadeante diferente para a ocorrência de 
um comportamento social.
 » Avaliação padronizada da comunicação, da interação social e do brincar/
imaginação.
 » A administração e os escores apresentam padronização estabelecida e 
confiabilidade nos resultados em vários países e nas várias traduções.
 » 5 módulos (40-60min) = T, 1, 2, 3, 4.
 » Somente 1 módulo é administrado.
 » Seleção do módulo baseada na linguagem expressiva e idade cronológica.
 » Itens avaliados são somados em 2 algoritmos: 
 » afeto social – comunicação e socialização.
 » comportamentos restritos e repetitivos.
Limitações
 » Deve ser associado com dados de história do paciente, avaliação clínica e 
outros instrumentos.
 » Tempo de aplicação e avaliação.
 » Custo.
 » Experiência do examinador.
 » Filmagem.
 » Itens não avaliados.
 » Interação com os pares e com os outros.
65
O DIAGNÓSTICO DO TEA │ UNIDADE III
Especificadores do diagnóstico de TEA que estão 
relacionados com o prognóstico
Síndromes associadas: 
 » Comorbidades psiquiátricas (TDAH, TOC, ansiedade, transtorno de 
humor).
 » Transtornos de linguagem.
 » Transtornos sensoriais.
 » Comorbidades médicas (epilepsia, transtornos gastrointestinais).
 » Síndrome genéticas (X-frágil, esclerose tuberosa).
 » DI (Deficiência Intelectual).
 » Fatores ambientais (uso de ácido valproico na gravidez).
Comportamentos observados
Comunicação:
 » Frequência vocalização espontânea dirigida aos outros.
 » Apontar.
 » Gestos.
 » Entonação de vocalizações ou verbalizações.
 » Ecolalia.
 » Uso de palavras ou frases estereotipadas, idiossincráticas.
 » Uso do corpo do outro.
 » Oferecer/pedir informações.
 » Conversação.
Interação social recíproca
 » Expressões faciais dirigidas aos outros.
66
UNIDADE III │ O DIAGNÓSTICO DO TEA
 » Integração do olhar e outros comportamentos durante abordagens 
sociais.
 » Prazer compartilhado durante a interação.
 » Resposta ao nome 
 » Pedir.
 » Mostrar.
 » Iniciação espontânea de atenção compartilhada.
 » Resposta à atenção compartilhada.
 » Qualidade das abordagens sociais.
 » Quantidade de abordagens sociais - pais/cuidador.
O brincar
 » Brincar funcional com objetos.
 » Imaginação/criatividade.
 » Imitação funcional e simbólica.
 » Comportamentos restritos e repetitivos.
 » Interesse sensorial incomum nos materiais ou pessoas.
 » Maneirismos nas mãos ou dedos – postura.
 » Comportamentos estereotipados ou interesses repetitivos incomuns.
Os módulos
Módulo Toddler
Indicado para crianças que não falam ou não usam frases em sua linguagem verbal. 
Definido como uso de três palavras não ecoicas que, às vezes, envolve um verbo e que 
são espontâneas e têm significado: Idade cronológica de 12- 30 meses.
67
O DIAGNÓSTICO DO TEA │ UNIDADE III
Atividades administradas pelo examinador que permitem uma observação padronizada 
da criança:
 » atividades menos estruturadas utilizando material atraente e motivador 
para a criança;
 » observações são codificadas logo após a administração;
 » Toddler algoritmo fornece “níveis de preocupação”;
 » quantifica risco e necessidade de monitoramento;
 » indica escore de severidade (dependente de idade e nível de linguagem).
Módulo 1
 » Acima de 31 meses, com habilidades de linguagem que variam de ausência 
de fala ao uso de frases simples.
 » Atividades e brinquedos mais adequados para crianças com nível de 
desenvolvimento por volta de 3 anos.
 » Para adolescentes e adultos com nível de linguagem do módulo 1, mas 
requer alguma modificação das atividades.
Atividades
 » Jogo livre.
 » Resposta ao nome.
 » Resposta à atenção compartilhada.
 » Jogo com bolhas de sabão.
 » Antecipação de uma rotina com objetos.
 » Sorriso social responsivo.
 » Antecipação de rotina social.
 » Imitação funcional e simbólica.
 » Festa de aniversário.
 » Lanche.
68
UNIDADE III │ O DIAGNÓSTICO DO TEA
Módulo 2
 » Usado para crianças de qualquer idade que usam frases, mas não são 
verbalmente fluentes e para quem os brinquedos são apropriados. 
 » Para adolescentes e adultos não fluentes, algumas atividades podem ser 
modificadas (uso de brinquedos). 
 » Para crianças fluentes abaixo de 3 anos.
Módulo 3
 » Para crianças e adolescentes até 15 anos com fluência verbal (produção 
de tipos de sentenças flexíveis, apresentação de linguagem além do 
contexto imediato e descrição de conexões lógicas na sentença, embora 
possa mostrar erros gramaticais). 
 » Atividades são focadas em comportamentos sociais, de comunicação e 
linguagem. 
 » Promover iniciativa de abordagens sociais.
Módulo 4
 » Adolescentes adultos com fluência verbal (acima de 16 anos).
 » Envolve mais conversa e linguagem. 
 » Atividades que combinam conversa desestruturada com uma série 
de situações e questões de entrevista que podem desencadear tipos de 
comportamentos sociais e de comunicação.
CARS – Childhood Autism Rating Scale – (Escala de 
avaliação para Autismo Infantil) 
A Escala de Avaliação de Autismo Infantil (CARS) é uma escala de avaliação de 
comportamento destinada a ajudar a diagnosticar o Autismo. O CARS foi desenvolvido 
por Eric Schopler, Robert J. Reichier e Barbara Rochen Renner. A escala foi projetada 
para ajudar a diferenciar crianças com Autismo daquelas com outros atrasos no 
desenvolvimento, como deficiência intelectual.
Embora não exista um padrão-ouro entre as escalas de avaliação na detecção do 
Autismo, o CARS é frequentemente usado como parte do processo de diagnóstico. 
69
O DIAGNÓSTICO DO TEA │ UNIDADE III
Critério de avaliação
O CARS é um método de avaliação diagnóstica que classifica os indivíduos em uma 
escala que varia de normal a severa e produz um escore composto que varia de não 
autista a moderadamente autista, moderadamente autista ou severamente autista. A 
escala é usada para observar e avaliar subjetivamente quinze itens:
 » relacionamento com as pessoas;
 » imitação;
 » resposta emocional;
 » corpo;
 » uso de objetos;
 » adaptação à mudança;
 » resposta visual;
 » respostade escuta;
 » resposta e uso gosto-cheiro-toque;
 » medo e nervosismo;
 » comunicação verbal;
 » comunicação não verbal;
 » nível de atividade;
 » nível e consistência da resposta intelectual;
 » impressões gerais.
A CARS é baseada nas definições de Autismo apresentadas por Rutter, Ritvo e Freeman.
Os aspectos comuns entre essas definições são: desenvolvimento social comprometido 
em relação a pessoas, objetos e acontecimentos; distúrbio da linguagem e habilidades 
cognitivas; início precoce do transtorno, antes dos 30 meses de idade.
A escala é um instrumento para observações comportamentais, sendo administrada 
na primeira sessão de diagnóstico. É composta de 15 itens, cada um deles é pontuado 
em um continuum, variando do normal para gravemente anormal, todos contribuindo 
70
UNIDADE III │ O DIAGNÓSTICO DO TEA
igualmente para a pontuação total. De acordo com o manual da CARS, o Autismo é 
caracterizado por um resultado 30 pontos, em uma escala que varia de 15 a 60 pontos, 
o intervalo entre 30 e 36,5 é definido como característico de Autismo moderado. O que 
se apresenta entre 37-60 pontos é definido como Autismo grave.
A Childhood Autism Rating Scale (CARS) foi desenvolvida ao longo de anos e é 
especialmente eficaz na distinção de casos de Autismo leve, moderado e grave, além de 
discriminar crianças autistas daquelas com retardo mental.
É uma escala de 15 itens que auxilia na identificação de crianças com Autismo e as 
distingue de crianças com prejuízos do desenvolvimento sem Autismo. Sua importância 
consiste na diferenciação do Autismo leve-moderado do grave.
É breve e apropriada para uso em qualquer criança acima de 2 anos de idade. Sua 
construção foi realizada durante 15 anos e incluiu 1.500 crianças autistas. Para tal, 
levaram-se em conta os critérios diagnósticos de Kanner, Creak, Rutter, Ritvo e do 
Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-III).
A escala avalia o comportamento em 14 domínios geralmente afetados no Autismo, 
mais uma categoria geral de impressão de Autismo. Esses 15 itens incluem: relações 
pessoais, imitação, resposta emocional, uso corporal, uso de objetos, resposta a 
mudanças, resposta visual, resposta auditiva, resposta e uso do paladar, olfato e tato, 
medo ou nervosismo, comunicação verbal, comunicação não verbal, nível de atividade, 
nível e consistência da resposta intelectual e impressões gerais.
Os escores de cada domínio variam de 1 (dentro dos limites da normalidade) a 4 sintomas 
autistas graves). A pontuação varia de 15 a 60, e o ponto de corte para Autismo é 30.
Versão em português da CARS
I. Relações pessoais:
a. Nenhuma evidência de dificuldade ou anormalidade nas relações 
pessoais: o comportamento da criança é adequado à sua idade. Alguma 
timidez, nervosismo ou aborrecimento podem ser observados quando 
é dito à criança o que fazer, mas não em grau atípico.
b. Relações levemente anormais: a criança pode evitar olhar o adulto 
nos olhos, evitar o adulto ou ter uma reação exagerada se a interação 
é forçada, ser excessivamente tímida, não responder ao adulto como 
esperado ou agarrar-se aos pais um pouco mais que a maioria das 
crianças da mesma idade.
71
O DIAGNÓSTICO DO TEA │ UNIDADE III
c. Relações moderadamente anormais: às vezes, a criança demonstra 
indiferença (parece ignorar o adulto). Outras vezes, tentativas 
persistentes e vigorosas são necessárias para se conseguir a atenção da 
criança. O contato iniciado pela criança é mínimo.
d. Relações gravemente anormais: a criança está constantemente 
indiferente ou inconsciente ao que o adulto está fazendo. Ela quase 
nunca responde ou inicia contato com o adulto. Somente a tentativa 
mais persistente para atrair a atenção tem algum efeito.
II. Imitação:
a. Imitação adequada: a criança pode imitar sons, palavras e movimentos, 
os quais são adequados para o seu nível de habilidade.
b. Imitação levemente anormal: na maior parte do tempo, a criança imita 
comportamentos simples como bater palmas ou sons verbais isolados, 
ocasionalmente imita somente após estimulação ou com atraso.
c. Imitação moderadamente anormal: a criança imita apenas parte do 
tempo e requer uma grande dose de persistência ou ajuda do adulto, 
frequentemente imita apenas após um tempo (com atraso).
d. Imitação gravemente anormal: a criança raramente ou nunca imita 
sons, palavras ou movimentos mesmo com estímulo e assistência.
III. Resposta emocional:
a. Resposta emocional adequada à situação e à idade: a criança demonstra 
tipo e grau adequados de resposta emocional, indicada por uma 
mudança na expressão facial, postura e conduta.
b. Resposta emocional levemente anormal: a criança ocasionalmente 
apresenta um tipo ou grau inadequados de resposta emocional. Às 
vezes, suas reações não estão relacionadas a objetos ou a eventos ao 
seu redor.
c. Resposta emocional moderadamente anormal: a criança demonstra 
sinais claros de resposta emocional inadequada (tipo ou grau). As 
reações podem ser bastante inibidas ou excessivas e sem relação com a 
situação; pode fazer caretas, rir ou tornar-se rígida até mesmo quando 
não estejam presentes objetos ou eventos produtores de emoção.
72
UNIDADE III │ O DIAGNÓSTICO DO TEA
d. Resposta emocional gravemente anormal: as respostas são raramente 
adequadas à situação. Uma vez que a criança atinja um determinado 
humor, é muito difícil alterá-lo. Por outro lado, a criança pode 
demonstrar emoções diferentes quando nada mudou.
IV. Uso corporal:
a. Uso corporal adequado à idade: a criança move-se com a mesma 
facilidade, agilidade e coordenação de uma criança normal da mesma 
idade.
b. Uso corporal levemente anormal: algumas peculiaridades podem estar 
presentes, tais como falta de jeito, movimentos repetitivos, pouca 
coordenação ou a presença rara de movimentos incomuns.
c. Uso corporal moderadamente anormal: comportamentos que são 
claramente estranhos ou incomuns para uma criança dessa idade 
podem incluir movimentos estranhos com os dedos, postura peculiar 
dos dedos ou corpo, olhar fixo, beliscar o corpo, autoagressão, 
balanceio, girar ou caminhar nas pontas dos pés.
d. Uso corporal gravemente anormal: movimentos intensos ou frequentes 
dos tipos listados acima são sinais de uso corporal gravemente anormal. 
Esses comportamentos podem persistir apesar das tentativas de 
desencorajar as crianças a fazê-los ou de envolver a criança em outras 
atividades.
V. Uso de objetos:
a. Uso e interesse adequados por brinquedos e outros objetos: a criança 
demonstra interesse normal por brinquedos e outros objetos adequados 
para o seu nível de habilidade e os utiliza de maneira adequada.
b. Uso e interesse levemente inadequados por brinquedos e outros 
objetos: a criança pode demonstrar um interesse atípico por um 
brinquedo ou brincar com ele de forma inadequada, de um modo 
pueril (ex.: batendo ou sugando o brinquedo).
c. Uso e interesse moderadamente inadequados por brinquedos e outros 
objetos: a criança pode demonstrar pouco interesse por brinquedos 
ou outros objetos, ou pode estar preocupada em usá-los de maneira 
estranha. Ela pode concentrar-se em alguma parte insignificante 
73
O DIAGNÓSTICO DO TEA │ UNIDADE III
do brinquedo, tornar-se fascinada com a luz que reflete dele, 
repetitivamente mover alguma parte do objeto ou exclusivamente 
brincar com ele.
d. Uso e interesse gravemente inadequados por brinquedos e outros 
objetos: a criança pode engajar-se nos mesmos comportamentos citados 
acima, porém com maior frequência e intensidade. É difícil distrair a 
criança quando ela está engajada nessas atividades inadequadas.
VI. Resposta a mudanças:
a. Respostas à mudança adequadas à idade: embora a criança possa 
perceber ou comentar as mudanças na rotina, ela é capaz de aceitar 
tais mudanças sem angústia excessiva.
b. Respostas à mudança adequadas à idade levemente anormal: quando 
um adulto tenta mudar tarefas, a criança pode continuar na mesma 
atividade ou usar os mesmos materiais.
c. Respostas à mudança adequadasà idade moderadamente anormal: 
a criança resiste ativamente a mudanças na rotina, tenta continuar 
sua antiga atividade é difícil de distraí-la. Ela pode tornar-se infeliz e 
zangada quando uma rotina estabelecida é alterada.
d. Respostas à mudança adequadas à idade gravemente anormal: a 
criança demonstra reações graves às mudanças. Se uma mudança é 
forçada, ela pode tornar-se extremamente zangada ou não disposta a 
ajudar e responder com acessos de raiva.
VII. Resposta visual:
a. Resposta visual adequada: o comportamento visual da criança é 
normal e adequado para sua idade. A visão é utilizada em conjunto 
com outros sentidos como forma de explorar um objeto novo.
b. Resposta visual levemente anormal: a criança precisa, ocasionalmente, 
ser lembrada de olhar para os objetos. A criança pode estar mais 
interessada em olhar espelhos ou luzes do que o fazem seus pares, 
pode, ocasionalmente, olhar fixamente para o espaço ou pode evitar 
olhar as pessoas nos olhos. 
c. Resposta visual moderadamente anormal: a criança deve ser lembrada 
frequentemente de olhar para o que está fazendo, ela pode olhar 
74
UNIDADE III │ O DIAGNÓSTICO DO TEA
fixamente para o espaço, evitar olhar as pessoas nos olhos, olhar 
objetos de um ângulo incomum ou segurar os objetos muito próximos 
aos olhos.
d. Resposta visual gravemente anormal: a criança evita constantemente 
olhar para as pessoas ou para certos objetos e pode demonstrar formas 
extremas de outras peculiaridades visuais descritas acima.
VIII. Resposta auditiva: 
a. Respostas auditivas adequadas para a idade: o comportamento 
auditivo da criança é normal e adequado para a idade. A audição é 
utilizada junto com outros sentidos.
b. Respostas auditivas levemente anormais: pode haver ausência de 
resposta ou uma resposta levemente exagerada a certos sons. Respostas 
a sons podem ser atrasadas, e os sons podem necessitar de repetição 
para prender a atenção da criança. A criança pode ser distraída por 
sons externos.
c. Respostas auditivas moderadamente anormais: as respostas da 
criança aos sons variam. Frequentemente, ignora o som nas primeiras 
vezes em que é feito. Pode assustar-se ou cobrir as orelhas ao ouvir 
alguns sons do cotidiano.
d. Respostas auditivas gravemente anormais: a criança reage 
exageradamente e/ou despreza sons em um grau extremamente 
significativo, independente, do tipo de som.
IX. Resposta e uso do paladar, olfato e tato:
a. Uso e resposta normais do paladar, olfato e tato: a criança explora 
novos objetos de um modo adequado à sua idade, geralmente sentindo 
ou olhando. Paladar ou olfato podem ser usados quando adequados. 
Ao reagir a pequenas dores do dia a dia, a criança expressa desconforto, 
mas não reage exageradamente.
b. Uso e resposta levemente anormais do paladar, olfato e tato: a criança 
pode persistir em colocar objetos na boca; pode cheirar ou provar/
experimentar objetos não comestíveis. Pode ignorar ou ter reação 
levemente exagerada a uma dor mínima, para a qual uma criança 
normal expressaria somente desconforto.
75
O DIAGNÓSTICO DO TEA │ UNIDADE III
c. Uso e resposta moderadamente anormais do paladar, olfato e tato: a 
criança pode estar moderadamente preocupada em tocar, cheirar ou 
provar objetos ou pessoas. A criança pode reagir demais ou muito 
pouco.
d. Uso e resposta gravemente anormais do paladar, olfato e tato: a 
criança está preocupada em cheirar, provar e sentir objetos, mais 
pela sensação do que pela exploração ou uso normal dos objetos. A 
criança pode ignorar completamente a dor ou reagir muito fortemente 
a desconfortos leves.
X. Medo ou nervosismo:
a. Medo ou nervosismo normais: o comportamento da criança é adequado 
tanto à situação quanto à idade.
b. Medo ou nervosismo levemente anormais: a criança ocasionalmente 
demonstra muito ou pouco medo ou nervosismo quando comparada 
às reações de uma criança normal da mesma idade e em situação 
semelhante.
c. Medo ou nervosismo moderadamente anormais: a criança demonstra 
bastante mais ou bastante menos medo do que seria típico para uma 
criança mais nova ou mais velha em uma situação similar.
d. Medo ou nervosismo gravemente anormais: medos persistem mesmo 
após experiências repetidas com eventos ou objetos inofensivos. É 
extremamente difícil acalmar ou confortar a criança. A criança pode, 
por outro lado, falhar em demonstrar consideração adequada aos 
riscos que outras crianças da mesma idade evitam.
XI. Comunicação verbal:
a. Comunicação verbal normal, adequada à idade e à situação.
b. Comunicação verbal levemente anormal: a fala demonstra um atraso 
global. A maior parte do discurso tem significado; porém, alguma 
ecolalia ou inversão pronominal podem ocorrer. Algumas palavras 
peculiares ou jargões podem ser usados ocasionalmente.
c. Comunicação verbal moderadamente anormal: a fala pode estar 
ausente. Quando presente, a comunicação verbal pode ser uma 
mistura de alguma fala significativa e alguma linguagem peculiar, 
76
UNIDADE III │ O DIAGNÓSTICO DO TEA
tais como jargão, ecolalia ou inversão pronominal. As peculiaridades 
na fala significativa podem incluir questionamentos excessivos ou 
preocupação com algum tópico em particular.
d. Comunicação verbal gravemente anormal: fala significativa não 
é utilizada. A criança pode emitir gritos estridentes e infantis, sons 
animais ou bizarros, barulhos complexos semelhantes à fala, ou 
pode apresentar o uso bizarro e persistente de algumas palavras 
reconhecíveis ou frases.
XII. Comunicação não verbal:
a. Uso normal da comunicação não verbal adequado à idade e à situação.
b. Uso da comunicação não verbal levemente anormal: uso imaturo da 
comunicação não verbal; a criança pode somente apontar vagamente 
ou esticar-se para alcançar o que quer, nas mesmas situações nas 
quais uma criança da mesma idade pode apontar ou gesticular mais 
especificamente para indicar o que deseja.
c. Uso da comunicação não verbal moderadamente anormal: a criança 
geralmente é incapaz de expressar suas necessidades ou desejos de 
forma não verbal, e não consegue compreender a comunicação não 
verbal dos outros.
d. Uso da comunicação não verbal gravemente anormal: a criança utiliza 
somente gestos bizarros ou peculiares, sem significado aparente, e não 
demonstra nenhum conhecimento dos significados associados aos 
gestos ou expressões faciais dos outros.
XIII. Nível de atividade:
a. Nível de atividade normal para idade e circunstâncias: a criança não é 
nem mais nem menos ativa que uma criança normal da mesma idade 
em uma situação semelhante.
b. Nível de atividade levemente anormal: a criança pode tanto ser um 
pouco irrequieta quanto um pouco “preguiçosa”, apresentando, 
algumas vezes, movimentos lentos. O nível de atividade da criança 
interfere apenas levemente no seu desempenho.
c. Nível de atividade moderadamente anormal: a criança pode ser 
bastante ativa e difícil de conter. Ela pode ter uma energia ilimitada ou 
77
O DIAGNÓSTICO DO TEA │ UNIDADE III
pode não ir prontamente para a cama à noite. Por outro lado, a criança 
pode ser bastante letárgica e necessitar de um grande estímulo para 
mover-se.
d. Nível de atividade gravemente anormal: a criança exibe extremos de 
atividade ou inatividade e pode até mesmo mudar de um extremo ao 
outro.
XIV. Nível e consistência da resposta intelectual:
a. A inteligência é normal e razoavelmente consistente em várias áreas: a 
criança é tão inteligente quanto crianças típicas da mesma idade e não 
tem qualquer habilidade intelectual ou problemas incomuns.
b. Funcionamento intelectual levemente anormal: a criança não é tão 
inteligente quanto crianças típicas da mesma idade; as habilidades 
apresentam-se razoavelmente regulares através de todas as áreas.
c. Funcionamento intelectual moderadamente anormal: em geral, a 
criança não é tão inteligente quanto uma típica criança da mesma 
idade, porém a criança pode funcionar próximo do normal em uma ou 
mais áreas intelectuais.
d. Funcionamento intelectual gravemente anormal:embora a criança 
geralmente não seja tão inteligente quanto uma criança típica da 
mesma idade, ela pode funcionar até mesmo melhor que uma criança 
normal da mesma idade em uma ou mais áreas.
XV. Impressões gerais:
a. Sem Autismo: a criança não apresenta nenhum dos sintomas 
característicos do Autismo.
b. Autismo leve: a criança apresenta somente um pequeno número de 
sintomas ou somente um grau leve de Autismo.
c. Autismo moderado: a criança apresenta muitos sintomas ou um grau 
moderado de Autismo.
d. Autismo grave: a criança apresenta inúmeros sintomas ou um grau 
extremo de Autismo.
78
UNIDADE III │ O DIAGNÓSTICO DO TEA
Pode ser pontuada utilizando valores intermediários = 1,5; 2,5 e 3,5.
15-30 = sem autismo 30-36 = autismo leve-
moderado 36-60 = autismo grave
Esse estudo traduziu e validou para a Língua Portuguesa do Brasil a CARS, uma 
escala mundialmente utilizada para diagnóstico e classificação do Autismo, pela sua 
importância, já está traduzida para o japonês, sueco, francês, entre outros idiomas.
O DSM-IV representa um sistema de classificação desenvolvido pela Associação 
Americana de Psiquiatria e utiliza as três características básicas do Autismo, enquanto os 
15 itens da CARS permitem um diagnóstico mais objetivo ao incluírem as características 
de Autismo primário descritas por Kanner, as observadas por Creak e Rutter e escalas 
adicionais (CID-10 e DSM-IV).
A correspondência entre os dois métodos pode chegar a 98%9, sendo, portanto, 
complementares no diagnóstico.
Download da Escala CARS padronização brasileira
Disponível em: .
Disponível em: .
MARQUES, D. F.; BOSA, C. A. Protocolo de avaliação de crianças com autismo: 
evidências de validade de critério. Psic.: Teor. e Pesq., Brasília, v. 31, n. 1, pp. 43-
51, jan.-mar. 2015. Disponível em: .
O diagnóstico do Autismo é clínico, portanto baseamos nossa observação nos indicadores 
de desenvolvimento e na história da criança ou adolescente.
Foram criados ao longo dos anos vários instrumentos (escalas, inquéritos, inventários 
e testes) que procuram sistematizar a maneira de diagnosticar o transtorno do espectro 
autista.
Essas tentativas de padronizar o diagnóstico utilizam duas fontes principais de 
informação:
a. descrições dos pais sobre o curso do desenvolvimento e padrões de 
comportamentos atuais da criança ou adolescente;
79
O DIAGNÓSTICO DO TEA │ UNIDADE III
b. informações a partir da observação direta do comportamento da criança 
ou adolescente.
No Estado de São Paulo, foi criado um Manual Protocolo para Diagnóstico de 
TEA que auxilia os profissionais da saúde a nortearem a pesquisa diagnóstica:
Download do Manual:
SÃO PAULO. Secretaria de Saúde. Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência. 
Protocolo do Estado de São Paulo de Diagnóstico Tratamento e 
Encaminhamento de Pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA). 1. 
ed. São Paulo: SEDPcD, 2013. Disponível em: .
Download do Manual:
SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Departamento Científico de Pediatria 
do Desenvolvimento e Comportamento. Triagem precoce para autismo/Transtorno 
do espectro autista. SBP, Rio de Janeiro, n. 1, 2017. Disponível em: .
ATA - Escala de Traços Autísticos (Avaliação de 
Traços Autísticos) 
Esta Escala, embora não tenha o escopo de avaliar especificamente uma função psíquica, 
é utilizada para avaliação de uma das patologias mais importantes da Psiquiatria Infantil 
– o Autismo. Seu ponto de corte é de 15. Pontua-se zero se não houver a presença de 
nenhum sintoma, 1 se houver apenas um sintoma e 2 se houver mais de um sintoma em 
cada um dos 36 itens, realizando-se uma soma simples dos pontos obtidos.
Download da Escala:
ATA: .
ATEC – Avaliação de Tratamentos do Autismo 
(Autism Treatment Evaluation Checklist) 
O Checklist de Avaliação do Tratamento do Autismo, ou ATEC, é uma das ferramentas de 
avaliação mais utilizadas na comunidade do Autismo. A lista de verificação é projetada 
para avaliar a eficácia dos tratamentos, bem como para monitorar como um indivíduo 
progride ao longo do tempo. O ATEC é usado por pais e pesquisadores, bem como por 
80
UNIDADE III │ O DIAGNÓSTICO DO TEA
escolas, clínicas médicas e comportamentais e companhias de seguros. Mais de meio 
milhão de ATECs foram concluídos nas últimas duas décadas. O ATEC contém um total 
de 77 questões classificadas em quatro subescalas: Fala/Linguagem/Comunicação, 
Sociabilidade, Sensibilidade Sensorial/Cognitiva e Física/Saúde/Comportamento. 
Além do inglês, o ATEC está disponível em 20 idiomas diferentes, como português, 
chinês, tcheco, japonês, francês, italiano e espanhol. 
Essa escala não tem padronização brasileira, portanto não é uma escala 
reconhecida pelo Conselho Federal de Psicologia.
Para responder à Escala ATEC, entre no link oficial dos EUA com tradução para 
o português: .
ABC ou ICA - Autism Behavior Checklist - (Lista de 
Checagem de Comportamento Autístico) 
O ABC ou ICA é um questionário constituído por 57 itens, elaborados para avaliação 
de comportamentos autistas em população com retardo mental, que tem ajudado na 
elaboração de diagnóstico diferencial de Autismo.
Essa lista de verificação foi desenvolvida a partir do registro de comportamentos, 
selecionados de nove instrumentos utilizados para se identificar o Autismo.
Os itens dessa escala, na forma de descrições comportamentais, foram agrupados 
em cinco áreas de sintomas: sensorial, relacionamentos, uso do corpo e de objetos, 
linguagem e habilidades sociais e de autoajuda.
A análise da escala propõe 17 itens comportamentais pontuados com nota 4, que são 
considerados altamente indicadores de Autismo, 17 itens pontuados com nota 3, 16 
itens pontuados com nota 2, e 7 itens comportamentais com nota 1, considerados pouco 
indicadores de Autismo.
O resultado médio dos estudos de validação do instrumento é 78 pontos para o Autismo 
e 44 pontos para o retardo mental grave. O ABC, aparentemente, é capaz de identificar 
sujeitos com altos níveis de comportamento autista.
81
O DIAGNÓSTICO DO TEA │ UNIDADE III
ASQ ou SQS - Autism Screening Questionnaire 
(Questionário de Triagem para Autismo) 
O ASQ consiste em 40 questões extraídas da ADI-R, que foram modificadas para 
tornarem-se mais compreensíveis aos pais. Há questões sobre as áreas abordadas pela 
ADI-R relativas à interação social recíproca, à comunicação e à linguagem, a padrões de 
comportamento estereotipados e repetitivos, além de questões sobre o funcionamento 
atual da linguagem.
Duas versões do questionário foram projetadas, uma para crianças menores de 6 anos 
e outra para crianças com 6 anos ou mais. As questões recebem pontuação “0” para 
ausência de anormalidade ou “1” para a presença dela.
A pontuação total varia de “0” a “39” para indivíduos com linguagem verbal e até 
“34” quando as questões sobre linguagem forem inaplicáveis. A nota de corte “15” é 
considerada pontuação padrão ótima para a diferenciação do transtorno do espectro 
autista, acima de “22” pode diferenciar Autismo de outros diagnósticos.
Este questionário foi avaliado desde 2009
Download Escala ASQ3: .
Inventário Portage Operacionalizado
No Portage, a criança é avaliada em cinco áreas: socialização, cognição, linguagem, 
autocuidados e desenvolvimento motor. É específico para a faixa etária de 0 a 6 
anos e é composto de cinco áreas: desenvolvimentomotor, linguagem, socialização, 
autocuidados e cognição.
Essa fase é muito importante porque, além de coletar informações a respeito da criança 
e sua família, é o momento de discussão e elaboração do processo de intervenção 
domiciliar ou escolar. Tal escala é válida no Brasil.
 (PEP- R) - Perfil Psicoeducacional 
O PEP-R é um instrumento de avaliação da idade de desenvolvimento de crianças 
com Autismo ou com outros transtornos da comunicação. Serve como alicerce para 
a elaboração de um planejamento psicoeducacional de acordo com os pressupostos 
teóricos do modelo TEACCH. Foi concebido para identificar padrões de aprendizagem 
irregulares e idiossincráticos, destinando-se a crianças cuja faixa etária vai de um a 
82
UNIDADE III │ O DIAGNÓSTICO DO TEA
doze anos. As áreas avaliadas são: coordenação motora ampla, coordenação motora 
fina, coordenação visuomotora, percepção, imitação, performance cognitiva e cognição 
verbal. Para cada área foi desenvolvida uma escala específica com tarefas a serem 
realizadas. Essa escala é válida no Brasil.
UNIVERSO AUTISTA. O PEP-R. 2015. Disponível em: .
Escala Vineland I e II – ECAV 
A Vineland avalia o comportamento adaptativo desde o nascimento até a idade adulta. 
Os conteúdos e as escalas da Vineland-II estão organizados em quatro grandes domínios, 
que se subdividem em 11 subdomínios:
a. comunicação – receptiva, expressiva e escrita;
b. autonomia – pessoal, doméstica e comunitária;
c. socialização – relações interpessoais, lazer e regras sociais;
d. função motora – fina e global.
A sua aplicabilidade é bastante vasta, justificando-se a sua utilização sempre que seja 
necessária uma avaliação da funcionalidade do sujeito. Mediante a Vineland-II, é 
possível avaliar o comportamento adaptativo de indivíduos com:
 » déficit intelectual;
 » déficit ao nível do desenvolvimento;
 » transtorno do espectro autista;
 » transtorno de déficit de atenção e hiperatividade;
 » traumatismo crânio-encefálico;
 » doença de Alzheimer/Parkinson.
Download da Escala Vineland: .
83
O DIAGNÓSTICO DO TEA │ UNIDADE III
Modified Checklist for Autism in Toddlers – M-CHAT 
(Escala para Rastreamento de Autismo Modificada) 
A M-CHAT é um instrumento de rastreamento precoce de Autismo, cujo objetivo é 
identificar indícios desse transtorno em crianças entre 18 e 24 meses.
Pode ser utilizada em todas as crianças durante visitas pediátricas, com o fim de 
identificar traços de Autismo em crianças de idade precoce.
Os instrumentos de rastreio são úteis para avaliar pessoas que estão aparentemente 
bem, mas que apresentam alguma doença ou fator de risco para doença, diferentemente 
daquelas que não apresentam sintomas.
A M-CHAT é extremamente simples e não precisa ser administrada por médicos.
A resposta aos itens da escala leva em conta as observações dos pais com relação ao 
comportamento da criança.
Essa escala é uma extensão da CHAT, consistindo em 23 questões do tipo sim/não, que 
deve ser autopreenchida por pais de crianças de 18 a 24 meses de idade, que sejam ao 
menos alfabetizados e estejam acompanhando o filho em consulta pediátrica.
O formato e os primeiros nove itens do CHAT foram mantidos. As outras 14 questões 
foram desenvolvidas com base em lista de sintomas frequentemente presentes em 
crianças com Autismo.
Resultados superiores a “3” (falha em 3 itens no total) ou em “2” dos itens considerados 
críticos (2, 7, 9, 13, 14, 15), após confirmação, justificam uma avaliação formal.
Foi traduzida e adaptada para português no Brasil por Mirella Fiuza Losapio e Milena 
Pereira Pondé, em 2008.
LOSAPIO, M. F.; PONDÉ, M. P. Tradução para o português da escala M-CHAT para 
rastreamento precoce de autismo. Rev. Psiquiatr. RS., v. 30, n. 3, p. 221-229, 
2008. Disponível em: .
CONHEÇA O M-CHAT: um instrumento de triagem para o TEA. Produção de 
Entendendo Autismo. Londrina, PR: Entendendo Autismo, 2016. YouTube (12m 
09s): son., color. Port. Disponível em: .
84
UNIDADE III │ O DIAGNÓSTICO DO TEA
Behavioural Observation Scale for Autism (BOS) de 
Freeman – BOS
O BOS é um instrumento desenvolvido com o objetivo de investigar o grau de severidade 
dos autistas em níveis comportamentais. A metodologia dessa escala compreende a 
observação por filmagem da criança em contexto de brincadeira ou jogo com brinquedos 
adequados à sua idade.
Echelle d’évaluation des Comportements 
Autistiques – ECA
O ECA é um procedimento de avaliação contínua, utilizado por todas as pessoas que 
trabalham com a criança e que aborda os domínios da comunicação, da percepção e da 
imitação.
85
UNIDADE IV
AVALIAÇÃO 
DIAGNÓSTICA 
COMPLEMENTAR – 
PARTE II
A avaliação neuropsicológica fornece uma análise profunda do funcionamento 
cognitivo em pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Indivíduos do 
espectro autístico frequentemente apresentam um alto nível de ansiedade e são afetados 
por comorbidades que influenciam sua qualidade de vida. No entanto, eles também 
têm pontos fortes cognitivos que devem ser identificados para desenvolver estratégias 
de apoio eficazes. Esta unidade apresenta uma visão geral das áreas cognitivas que são 
essenciais à avaliação neuropsicológica (isto é, inteligência, atenção, função executiva, 
cognição social e práxis).
CAPÍTULO 1
Avaliação neuropsicológica
Avaliação Neuropsicológica
 » Compreensão do funcionamento cognitivo e intelectual.
 » Auxílio diagnóstico.
 » Plano de intervenção terapêutico (desenvolvimento de programas 
individuais).
 » Pesquisa.
Etapas 
 » Anamnese.
 » Sessões de testagem.
 » Resultados: quantitativos e qualitativos.
86
UNIDADE IV │ AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA COMPLEMENTAR – PARTE II
 » Elaboração de laudo.
 » Entrevista devolutiva.
Funções cognitivas avaliadas 
 » Processos atencionais.
 » Processos motores.
 » Linguagem.
 » Comportamento social.
 » Processos mnésticos.
 » Repertório intelectual.
O objetivo principal é compreender a interação entre indivíduo e ambiente, mediada 
pelo Sistema Nervoso Central (SNC), por meio da observação do potencial adaptativo.
CLASSIFICAÇÃO do QI – Quociente de Inteligência 
Classificação QI Percentil
Muito Superior >130 100-98
Superior 120-129 91-97
Médio superior 110-119 75-90
Médio 90-109 25-74
Médio Inferior 80-89 9-24
Limítrofe 70-79 2-8
DI Leve 50-69 2>
DI Moderada 35-49 2>
DI Severa 20-34 2>
DI Profunda 0-20 2>
Fonte: Elaboração da autora com base em Schopler; Mesibov, 1988.
Marcos Tomanik Mercadante, psiquiatra, explica que mais de 60% dos autistas 
têm QI acima de 70. Produção de TV Senado. Brasília, DF: TV Senado, 2014. 
YouTube (03m 03s): son., color., Port. Disponível em: .
87
AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA COMPLEMENTAR – PARTE II │ UNIDADE IV
Base para as funções cognitivas
Inteligência
A inteligência reflete a soma das experiências aprendidas pelo indivíduo.
A inteligência é um conceito amplo e não se resume em testes de QI. É uma parte 
importante dentro da Avaliação Neuropsicológica. O QI será a base para a comparação 
com as demais funções cognitivas avaliadas.
As definições enfatizam: 
 » habilidade de se adaptar ao meio; 
 » habilidade de aprender; 
 » habilidade de pensar de modo abstrato (símbolos e conceitos).
Atenção
Uma vez que o cérebro tem capacidade limitada de processamento de informação, as 
habilidades de seleção de estímulos relevantes e inibição de estímulos distratores são 
essenciais à cognição.
Atenção Seletiva:
 » responder seletivamente a um estímulo em detrimento de outros;
 » responder a estímulos distratores;
 » deixar de responder quando deveria (omissão);
 » pedir para fazer uma coisa, mas faz outra ou responde outra coisa.
Atenção Sustentada:
 » manter o foco de atençãodo Espectro Autista (TEA).
9
UNIDADE I
AVALIAÇÃO 
DIAGNÓSTICA DO 
TRANSTORNO DO 
ESPECTRO AUTISTA
“Não existe ensinar sem aprender e com isto eu quero dizer mais do que 
diria se dissesse que o ato de ensinar exige a existência de quem ensina 
e de quem aprende.”
Paulo Freire
Diversos fatores podem ser abordados ao discutir a prática da Análise do Comportamento 
de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Nosso objetivo é apresentar um 
panorama introdutório dos assuntos aos quais o profissional deve estar atento: critérios 
diagnósticos, incidência, causas e trabalho conjunto.
CAPÍTULO 1
Considerações introdutórias
A Epistemologia, ou Teoria do Conhecimento, é a área que se ocupa do conhecimento 
humano. Entretanto, essa definição é pouco ou quase nada. Uma das melhores formas 
de abordar a Epistemologia da Psicologia Clínica é por meio do saber científico 
aprofundado em nossa área. 
O problema da definição do conhecimento: analisar a própria natureza do conhecimento. 
O que é o conhecimento da área da avaliação neuropsicológica? Qual a diferença entre o 
conhecimento e uma mera opinião ou crença? Até que ponto o senso comum interfere 
no saber científico da Neuropsicologia?
O problema da definição do conhecimento é compreender o significado do conceito de 
conhecimento e o que distingue conhecer algo de ter apenas uma opinião sobre algo. 
Esse problema vai suscitar outros e tocar em outras subáreas da epistemologia. Por 
exemplo, pense em uma teoria clássica da epistemologia que defende que conhecimento 
10
UNIDADE I │ AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA DO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA
envolve algo com justificação. Ou seja, alguém conhece algo, quando ele está justificado 
para acreditar naquilo.
Qual a natureza da justificação?
Qual a estrutura da justificação?
Outro ponto importante ao abordar a Epistemologia da Avaliação Neuropsicológica 
é identificar quais as fontes do conhecimento. Existem várias formas de obtenção do 
conhecimento. Podemos citar que o conhecimento é alcançado mediante a percepção, 
a memória, as vivências, a introspecção e a razão. 
A questão das fontes do conhecimento é saber:
 » que fontes são essas?
 » quando podemos usá-las com segurança?
Ou seja, nós – profissionais da equipe multidisciplinar e interdisciplinar – temos fontes 
de conhecimento confiáveis, caso contrário não seríamos pesquisadores de uma ciência. 
Cada um de nós, no escopo de sua atuação profissional, lida com dados científicos. 
Quando nos referimos à avaliação diagnóstica no Transtorno do Espectro Autista 
(TEA), tudo o que precisamos é de informações precisas para que nosso trabalho seja 
bem direcionado, com resultados eficientes pautados em estatísticas e dados abalizados 
cientificamente. 
Temos em nossas mãos a responsabilidade pelo desenvolvimento das habilidades de 
seres humanos e, paralelamente, não menos importante, a imensa dádiva de acolher as 
famílias das pessoas com TEA.
Figura 1.
Disponível: . Acesso em: 5 nov. 2018.
11
AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA DO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA │ UNIDADE I
Os cenários céticos visam a questionar os supostos casos de conhecimento. Devemos 
aqui pontuar que os supostos decorrem da interpretação pessoal do indivíduo 
cético. Isto é, o cético é um negativista. E, agindo assim, aprisiona sua possibilidade 
de autoconhecimento e de desenvolvimento pessoal à medida que limita o poder de 
expansão de seus conhecimentos e permanece com conceitos arraigados. 
A frase “pensar fora da caixa”, ou, em inglês, think outside the box, obviamente não 
pode ser aplicada aos céticos de plantão. Eles funcionam de acordo com a imagem 
apresentada (Figura 1), que remete a um cérebro enjaulado, caged brain.
O TEA não é um transtorno com uma causa, mas um grupo de transtornos relacionados 
com muitas causas diferentes. Na maioria dos casos, ele provavelmente é causado por 
uma combinação de fatores de risco genéticos que interagem com fatores de risco 
ambientais.
Assim, o TEA consiste em um distúrbio do desenvolvimento caracterizado por 
problemas de interação e comunicação social e por comportamento restrito e 
repetitivo. Os pais geralmente notam sinais durante os primeiros dois ou três anos 
da vida de seus filhos. Esses sinais em geral se desenvolvem gradualmente, embora 
algumas crianças com Autismo atinjam seus marcos de desenvolvimento em um 
ritmo normal antes de piorar. 
O Autismo está associado a uma combinação de fatores genéticos e ambientais. Os 
fatores de risco durante a gravidez incluem certas infecções, como rubéola e toxinas, 
incluindo ácido valproico, álcool, cocaína, pesticidas e poluição do ar. Controvérsias 
cercam outras causas ambientais propostas, por exemplo, as hipóteses vacinais, 
que foram rejeitadas pela comunidade acadêmica mundial. O Autismo afeta o 
processamento de informações no cérebro, alterando como as células nervosas e suas 
sinapses se conectam e se organizam; como isso ocorre não é bem compreendido. No 
DSM-5, Autismo e formas menos graves da doença, incluindo Síndrome de Asperger 
e transtorno invasivo do desenvolvimento sem outra especificação (PDD-NOS), foram 
combinados no diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) (BAHON-
COHEN, 2009; MINSHEW; WILLIAMS, 2007).
Intervenções iniciais de fala ou comportamentais podem ajudar as crianças com 
Autismo a adquirirem habilidades de autocuidado, sociais e de comunicação. Embora 
não haja cura conhecida, houve casos de crianças que se recuperaram. Poucas crianças 
com Autismo vivem independentes após atingir a idade adulta, algumas têm sucesso 
em terem uma vida com autonomia (trabalhar, manter um relacionamento afetivo 
etc.). Desenvolveu-se uma cultura Autista, com alguns indivíduos buscando uma cura 
e outros acreditando que o autismo deve ser aceito como uma diferença e não tratado 
como um transtorno (MINSHEW; WILLIAMS, 2007).
12
UNIDADE I │ AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA DO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA
Globalmente, a partir de 2015, estimou-se que o Autismo afeta 24,8 milhões de 
pessoas. Nos anos 2000, o número de pessoas afetadas foi estimado de 1 a 2 por 1.000 
pessoas em todo o mundo. Nos países desenvolvidos, cerca de 1,5% das crianças são 
diagnosticadas com TEA a partir de 2017, mais que dobrando de 0,7% em 2000 nos 
Estados Unidos. Ocorre de quatro a cinco vezes mais em meninos do que em meninas. 
O número de pessoas diagnosticadas aumentou dramaticamente desde a década de 
1960, em parte devido a mudanças na prática diagnóstica; a questão de saber se as 
taxas reais aumentaram não está resolvida.
Causas
Há muito se presume que há uma causa comum nos níveis genético, cognitivo e neural 
da tríade característica dos sintomas do Autismo. No entanto, há uma crescente suspeita 
de que o Autismo é, em vez disso, um transtorno complexo cujos aspectos centrais têm 
causas distintas que frequentemente co-ocorrem. 
Três diagramas de pares de cromossomos A, B que são quase idênticos. 1: B está faltando 
um segmento de A. 2: B tem duas cópias adjacentes de um segmento de A. 3: A cópia de 
B do segmento de A está na ordem inversa.
Deleção (1), duplicação (2) e inversão (3) são todas as anormalidades cromossômicas 
existentes no Autismo (Figura 2). 
O Autismo tem uma forte base genética, embora a genética do Autismo seja complexa 
e não está claro se o ASD é explicado mais por mutações raras com efeitos importantes 
ou por interações multigênicas raras de variantes genéticas comuns. A complexidade 
surge devido a interações entre múltiplos genes, o ambiente e fatores epigenéticos que 
não alteram o sequenciamento do DNA, mas são hereditários e influenciam a expressão 
gênica. Muitos genes têm sido associados ao Autismo por meio do sequenciamento dos 
genomas dos indivíduos afetados e de seus pais. 
Figura 2.
Disponível em: . Acesso em: 5 nov. 2018.
13
AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA DO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA │ UNIDADE I
Explicando aem um estímulo por um período de tempo;
 » piora no desempenho com o tempo;
 » dificuldade de se manter atento por um período de tempo prolongado.
88
UNIDADE IV │ AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA COMPLEMENTAR – PARTE II
Atenção Alternada: 
 » dificuldade em lidar com duas tarefas ao mesmo tempo → rendimento 
cai;
 » capacidade de responder a mais de uma tarefa ou evento simultaneamente.
Memória
Questões pertinentes: 
 » Prestou atenção na informação a ser memorizada?
 » Houve consolidação da memória?
 » Consegue lembrar espontaneamente? Com dica? Alguma coisa ajuda a 
lembrar das informações?
Qual o tipo de prejuízo da memória? 
 » Verbal.
 » Visual.
 » Habilidade (motora).
 » Memória de curto prazo.
 » Memória de longo prazo.
Capacidade de aprender (aprende fácil ou não).
Melhor via aprendizado (verbal ou visual).
Funções executivas
Conjunto de processos cognitivos e metacognitivos que permitem o indivíduo perceber 
e responder de modo adaptativo aos estímulos, mudar planos de ação de modo flexível, 
antecipar objetivos e consequências futuras e responder de maneira integrada em face 
do objetivo proposto. Possibilitam o desenvolvimento de comportamentos adaptativos 
por meio de habilidades de planejamento estratégico, flexibilidade e regulação da ação 
baseada em pistas fornecidas pelo meio. 
 » Memória operacional.
89
AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA COMPLEMENTAR – PARTE II │ UNIDADE IV
 » Planejamento.
 » Solução de problemas.
 » Tomadas de decisão.
 » Controle inibitório.
 » Fluência e flexibilidade.
 » Cognitiva.
 » Categorização.
Do ponto de vista neuropsicológico, os estudos mostram disfunções cognitivas: 
Funções Executivas e Cognição Social.
Funções executivas
As funções executivas são as habilidades cognitivas que nos permitem controlar e 
regular nossos pensamentos, nossas emoções e nossas ações diante dos conflitos ou 
das distrações.
VOCÊ já ouviu falar sobre funções executivas? Produção de Neuro Saber. 
Londrina, PR: Neuro Saber, 2016. YouTube (04m 48s): son., color. Port. Disponível 
em: .
Cognição social
 » Processos cognitivos que facilitam as interações sociais.
 » Percepção → Conhecimento → Interpretação → Regulação.
 » Colocar-se no lugar do outro: empatia e coerência central.
 » Interpretação de estímulos do ambiente de maneira global, considerando 
o contexto.
Conhecimento
 » Papéis sociais, comportamentos sociais, regras e convenções. 
90
UNIDADE IV │ AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA COMPLEMENTAR – PARTE II
Interpretação 
 » Teoria da mente, perspectivas, empatia.
Regulação 
 » Adaptação do comportamento à situação.
 » Aprendizagem a partir do feedback.
 » Inibição de comportamento inadequado.
Cognição social e teoria da mente 
Explicar e predizer comportamento mediante hipóteses sobre pensamentos, 
sentimentos e padrões na interação social. Compreensão de significados abstratos na 
linguagem figurativa.
Habilidades sociais
Exemplos: 
 » Olha para as pessoas e coisas ao seu redor. 
 » Responde a saudações. 
 » Responde a perguntas sociais (ex.: “Como vai você?”, “Qual é o seu 
nome?”). 
 » Responde às propostas dos amigos. 
 » Inicia brincadeiras com colegas. 
 » Interage verbalmente com colegas (comenta, pergunta, oferece ajuda).
Habilidades visoespaciais e visoconstrutivas
Raciocínio através de imagens e figuras (ex.: Copiar figuras geométricas, montar 
quebra-cabeças, transposição com cubos).
91
AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA COMPLEMENTAR – PARTE II │ UNIDADE IV
Habilidades motoras
Fluência, precisão, coordenação e velocidade dos movimentos, preensão e traçado 
motor fino.
Exemplificando:
 » Copia, escreve. 
 » Calça e amarra o sapato, corre, anda. 
 » Manipula objetos (ex.: talheres, bolas, raquetes).
Linguagem receptiva e expressiva – comunicação
Receptiva: Compreender informações verbais.
Expressiva: Nomear, definição de conceitos, fluência verbal. 
 » Repertório de vocabulário.
 » Vocabulário receptivo.
 » Nomear figuras.
 » Fluência verbal, categorização fonêmica e semântica.
 » Abstração verbal.
 » Resolução de problemas.
Exemplos: 
 » Receptiva (“ouve atentamente a comandos. A criança olha e ouve o 
cuidador sem o interromper”, “demonstra entender o significado do sim 
e não”) – segue instruções de 1, 2 e 3 passos... 
 » Expressiva – faz pedidos, nomeia figuras, objetos, pessoas e verbos; pede 
itens desejados; permuta informações. 
 » Abstrata – conversa sobre coisas ausentes, responde a questões do 
tipo “por quê?”, antecipa consequências, explica ações, relata e inventa 
histórias.
92
UNIDADE IV │ AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA COMPLEMENTAR – PARTE II
Habilidades acadêmicas
Investigar formas de fazer cálculos matemáticos (erros por desatenção, lacunas no 
conhecimento), escrita e leitura (tipos de erro, trocas, omissões, leitura silabada).
 » Aritmética. 
 » Reconhecimento de letras, número e cor (avaliação qualitativa).
Funcionalidade:
 » Leitura. 
 » Escrita e organização. 
 » Habilidades de matemática e números. 
 » Habilidades de uso do computador. 
 » Habilidades acadêmicas – participa de um grupo, espera a vez.
Habilidades autocuidado
Exemplos:
 » Se alimenta de maneira independente. 
 » Escolhe a roupa, se veste. 
 » Habilidades de toalete. 
 » Habilidades de higiene – pentear cabelos, escovar os dentes, lavar o rosto 
e as mãos, tomar banho.
Funcionalidade
O que se espera dele? 
 » Independência. 
 » Rotina. 
 » Interesses e habilidades.
93
AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA COMPLEMENTAR – PARTE II │ UNIDADE IV
Avaliação cognitiva em TEA
 » Movimento biológico – movimento e sensibilidade a estímulos – 
precursores para a aquisição de novas habilidades sociais, como 
reconhecimento de face e atenção conjunta. 
 » Esses precursores sociais formam uma sequência temporal de eventos 
que podem ser necessários para dar lugar a um comportamento social 
adequado até lidar com as informações sociais mais complexas (exemplo: 
um grupo de pessoas).
 » Trabalhos anteriores mostraram que o desenvolvimento de habilidades 
sociais engloba uma interação complexa entre vários elementos, tais 
como: o sorriso, o contato visual, a imitação, a atenção conjunta, a 
linguagem e o próprio sistema motor.
 » Modelo do desenvolvimento de habilidades sociais em três níveis: 
neuronais, cognitiva e comportamental
Aos 9 meses de idade, as crianças começam a responder à atenção e, meses mais tarde, 
iniciam trocas sociais intencionais.
Aos 13 meses de idade, as atribuições sociais começam a ser mais refinadas, permitindo 
que a criança apresente preferências, intenções e crenças, mostrando os primeiros 
sinais de fazer previsões sobre o comportamento de outras pessoas.
Finalmente, esse desenvolvimento torna-se mais especializado e permite que as crianças 
tenham a capacidade de prever as ações dos outros.
Esse nível complexo de funcionamento cognitivo não emerge até, aproximadamente, os 
4 anos de idade em crianças com desenvolvimento típico.
Por isso, uma explicação puramente cognitiva para o TEA, falha em considerar sintomas 
autísticos nos primeiros anos de vida da criança.
Rastreamento de múltiplos objetivos no TEA
 » Uma capacidade diminuída de selecionar e manter a atenção em múltiplos 
alvos.
 » Dificuldade em dividir a atenção entre múltiplos alvos.
 » Interfere no entendimento de situações sociais complexas e interpessoais.
94
UNIDADE IV │ AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA COMPLEMENTAR – PARTE II
 » A habilidade de rastrear múltiplos alvos ao mesmo tempo também é 
importante para destreza em esportes e monitorar o tráfico ao cruzar 
ruas.
Um mapa congruente entre percepção física e visual do movimento pode ser 
necessário para a correta interpretação de padrão de movimentos externos, 
importante para a dinâmica social.
Problemas sensório-motores no TEA
Essa inabilidade de antecipar adequadamente o que virá na próxima esquina e frear 
ou desacelerar para que os requisitos espaciais da tarefa sejam cumpridos implica uma 
dificuldade específica temporo-espacialno controle dos movimentos no TEA, o que 
pode sugerir um problema de percepção-ação. 
Rastreamento do olhar – movimento biológico 
 » O olhar oferece a possibilidade de aprender com os outros, uma tarefa 
essencial do cérebro social em desenvolvimento.
 » Estudo apontou que as crianças de 12 dias de vida têm um comportamento 
de imitação. Imitam quatro diferentes gestos. A imitação pode ser uma 
habilidade inata.
 » A imitação inicial está presente também em primatas não humanos. 
Um estudo com macacos mostrou que as respostas imitativas já estão 
presentes desde o primeiro dia de vida.
 » Os mecanismos pelos quais os seres humanos podem interpretar as 
sequências complexas de ação de outros seres humanos.
 » Funções cognitivas podem ser mais confiáveis quando medidas com Eye 
Tracking (rastreamento do olhar).
 » Observar interesse e motivação.
 » Uso de tarefas simples para avaliar a atenção: olhar a duração, se 
acompanha, se alterna, se aponta, se reconhece fotos e figuras.
 » A intervenção deve se concentrar em otimizar interações entre crianças 
e cuidadores.
95
AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA COMPLEMENTAR – PARTE II │ UNIDADE IV
Temperamento
 » Conjunto de traços de personalidade, com base nos domínios de atividade, 
afetividade, atenção e autorregulação. É o produto de interações entre 
genética, fatores biológicos e ambientais e pode ser ligado a sistemas 
neurobiológicos. 
 » Os traços são observáveis desde os primeiros anos de vida e relativamente 
estáveis, são características capazes de modificar a apresentação de um 
quadro de TEA e contribuir para a heterogeneidade na sua apresentação 
e evolução.
 » O que é avaliado: emoções; reatividade emocional; engajamento com o 
meio ambiente; atividade e impulsividade; foco atencional (deslocamento, 
duração e orientação); controle inibitório e intensidade.
 » O controle de esforço na infância é modulado pela orientação, velocidade 
na percepção do perigo, desejo de proximidade com os outros, apreciação 
e aconchego no corpo de um cuidador.
 » Este domínio do controle de esforço e regulação está relacionado à função 
executiva. 
 » Em TEA, foram identificadas em uma grande amostra populacional (6 
meses e 2 anos de idade) características de temperamento compostas de:
 › Regulação da emoção
É definida como a modificação automática ou intencional do estado 
emocional de uma pessoa que resulta na adaptação do comportamento 
a determinadas situações. TEA está associado a respostas emocionais 
amplificadas e controle emocional pobre, mas pouco se sabe sobre esses 
mecanismos.
Alguns mecanismos que contribuem para uma má regulação da emoção em 
TEA:
 · diferenças no processamento de informação;
 · percepção;
 · fatores cognitivos (exemplo: rigidez);
 · comportamento sem objetivo específico;
 · emoção mais desorganizada.
96
UNIDADE IV │ AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA COMPLEMENTAR – PARTE II
Esses mecanismos na regulação emocional em TEA podem ter um impacto 
significativo sobre a funcionalidade; com elevado grau de irritabilidade, 
agressividade, autolesão, ansiedade e impulsividade. A regulação da 
emoção pode auxiliar na compreensão dos problemas emocionais e 
comportamentais observados no TEA.
O termo regulação implica esforços para modificar ou controlar a intensidade 
da reação emocional, geralmente a serviço de um objetivo. Também são 
consideradas a atenção e a motivação. 
Pesquisas mostraram jovens com TEA com respostas emocionais pouco 
diferenciadas, com menos afeto positivo e reduzida emoção e abstração. 
Crianças com TEA leve mostraram confiar em sinais evidentes para 
descrever sua emoção (exemplo: estava triste porque eu estava chorando). 
Pesquisas sugerem que os indivíduos com TEA geralmente não têm o 
discernimento emocional necessário à regulação da emoção.
 › Falhas na regulação da emoção
 · Motivação.
 · Percepção emocional e automonitorização.
 · Diferenças no processamento de informação e percepção em TEA 
são resultados de um processamento mais lento.
 · Sensibilidade maior às influências ambientais (exemplo: 
sensibilidade sensorial e resistência à mudança).
 · Hiper e hiporreatividade podem estar relacionadas à regulação da 
emoção.
 › TEA
 · Movimento biológico.
 · Funções executivas.
 · Temperamento: regulação das emoções.
 · Cognição: atenção sensório-motor.
 · Eye tracking: observar grupos de risco, treino parental.
97
AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA COMPLEMENTAR – PARTE II │ UNIDADE IV
 · Planejamento; flexibilidade; repertório cognitivo. Escalas que 
fornecem medidas de desenvolvimento e habilidades funcionais 
(exemplo: Vineland).
 · Observar diferenças no processamento da informação; percepção, 
regulação da emoção.
 · Processos atencionais: compartilhar, atenção dividida, atenção 
dirigida a objetivos, respostas e sensibilidade a estímulos.
 › Instrumentos
 · Sally-and-Anny Test.
 · Teoria da Mente – Nepsy II.
 · Reconhecimento de Emoções – Nepsy II.
 · Figura de Rey.
 · Cubos.
 · Wisconsin.
 · Trail Making Test.
 · Fluência Verbal.
 · Torre – Nepsy II.
98
Para (não) Finalizar
Figura 10.
Disponível em: . Acesso em: 21 nov. 2018.
É preciso uma aldeia inteira para educar uma 
criança
Esses dias recebi o convite da festa de aniversário de um colega do João. Uma festa 
do pijama, que começava às 19h de um dia, para terminar às 10h do outro. Gelei. 
Porque já está em mim pensar que, para o meu filho, os convites e as atividades vão 
ser sempre diferentes. Demorei para ligar para a outra mãe. Passei do limite da data de 
confirmação, acredito que em um boicote inconsciente. Dias antes, mandei um recado: 
“Cris, querida, escuta, acho que o João pode pelo menos ir e eu busco ele mais tarde, 
para participar, o que tu achas? Dormir não vai rolar, né”. Ao que ela me respondeu: Se 
tu topares, eu adoraria que ele dormisse.
Fiquei um pouco em choque com a resposta, porque não esperava. Quantas mães 
estariam dispostas, no lugar dela? Teve desdobramentos essa conversa, lógico. Eu 
explicando para ela – e para mim mesma – que de fato não existem muitas complicações, 
os remédios poderiam ser dados antes, ele come de tudo, dorme tranquilo a noite toda, 
e é um menino bem despachado, até. Decidimos juntas que tentaríamos.
O João não voltou para casa naquele sábado. Diz que aproveitou muito. Que estava 
feliz e muito bagunceiro. Diz que comeu cachorro-quente, derrubou cabaninhas, rolou 
para dentro de encontros secretos das meninas, foi o último a dormir, e antes de pegar 
no sono só fez uma pergunta: “Mama?”, e quando ouviu que no outro dia de manhã eu 
estaria lá com ele, se aconchegou.
99
PARA (NÃO) FINALIZAR
Essa noite me ensinou algumas coisas. Sobre a normalidade do meu próprio filho, 
sobre como medos podem barrar importantes experiências, sobre a minha coragem e a 
coragem do outro, que, quando se encontram, podem ser tão mais potentes. Sobre ter 
uma rede disposta, disponível, A FIM de ultrapassar as barreiras do “é mais difícil” para 
incluir uma criança com afeto. Me senti por algumas horas uma mãe normal. Grudada 
no celular a noite toda revisando se não tinha ligado o modo silencioso sem querer, mas 
normal.
É PRECISO UMA ALDEIA INTEIRA PARA EDUCAR UMA CRIANÇA, dizem. Até que 
essa criança tenha necessidades especiais, o que vira o limite desse provérbio africano 
bonito que tanto se fala hoje.
Quando se toca nessa maternidade “especial”, nessa maternidade que ninguém quer, 
ninguém vê, e todos têm medo de falar sobre, a aldeia se desfaz. Eu sempre neguei 
tudo isso, me fiz de desentendida por muito tempo. Até que, no processo de pesquisa 
sobre inclusão, me peguei em meio a entrevistas e papos chegando sempre perto nesse 
assunto. Não que não tenha sentido sempre essa solidão, pelo contrário. Acho que a 
gente sente tanto que se acostuma.
A verdade é que, se para as crianças com necessidades especiais não existe aldeia, isso 
significa que, para as mães ditas especiais, não existe rede. Ou existe, pequena e frágil. 
Mas,na maior parte dos casos, o que temos são amigos que não sentem vontade de 
se aproximar, parentes que têm medo e não querem se envolver, tios e “dindos” que 
nunca vão levar essa criança para um dia de passeio, mães de colegas que jamais vão 
chamar para dormir na sua casa. Convites de aniversário que nunca chegam. Avós que 
dizem não ter mais idade. Pais que estão, mas não muito. Pais que vão embora – e aqui 
não falo de separação do casal, falo do abandono do filho. A realidade é que, olhando 
profundamente, muitas vezes, a mãe é a aldeia inteira. E vai tentar ser, com toda a sua 
força, e vai se cobrar para que dê conta de tantos papéis, e vai falhar, invariavelmente. 
Ela não tem nenhuma chance.
Então vocês me perguntam: por onde posso começar a inclusão?
Sabe aquela amiga com o filho que tem paralisia cerebral? Liga para ela hoje e pergunta 
como ela está, com disponibilidade para escutar. Sabe aquela vizinha que tem o filho com 
Síndrome de Down? Puxa um papo a mais no elevador, convida eles pra virem tomar 
um chá e brincar. Ou aquela mãe de um coleguinha do seu filho que tem uma síndrome 
rara que você nem sabe o que é? Perde o medo, pergunta o que quiser perguntar sobre, 
olha nos olhos dela, e convida para o próximo parquinho. Chama para o aniversário. 
Arrisca pegar essa criança no colo. Tenta olhar com alguma normalidade. Não leva tão 
a sério – às vezes não é tão ruim assim, na maioria das vezes é só diferente. Chama para 
100
PARA (NÃO) FINALIZAR
dormir na tua casa – no máximo vai rolar uma ligação na madrugada e do outro lado vai 
estar uma mãe pronta para ir buscar (não é assim com todas as crianças?). Tenta passar 
um pouco do teu limite. Vai descobrir que ele é só medo. Existe vida depois do medo.
Crianças com necessidades especiais também necessitam de uma aldeia, como o 
seu filho. E como você, mães “especiais” também precisam de uma rede. E estão tão 
escaldadas da falta dela, que já nem perdem tempo esperando, pedindo, buscando. Nós 
assumimos a postura de fortaleza, fechada, para evitar frustrações. Nós damos conta. 
E erramos nisso, de certa forma. Mas é o jeito de proteger nossos filhos de um mundo 
quase sempre não receptivo.
Então hoje meu convite para vocês como um exercício de inclusão é: sejam a rede, 
sejam a aldeia.
Escolham uma pessoa nos próximos dias, e deem um passo para isso. Às vezes parece 
“forçar a barra” um pouco, e talvez até seja. Mas funciona. Tenho amizades incríveis 
com gente que “forçou a barra” comigo.
Precisamos ultrapassar obstáculos óbvios, urgentemente.
Precisamos fazer isso por desejo.
É difícil admitir, mas queremos e precisamos de uma aldeia para nossos filhos. E por 
mais que tudo sempre seja diferente para a gente, algumas coisas podiam ser mais 
iguais. E depende de tão pouco. Depende – também – de vocês.
(ÓBVIO que devem haver exceções para tudo isso que escrevi, crianças especiais com 
uma aldeia grande e linda ao redor, e fico imensamente feliz de acreditar nisso, mas 
está bem longe de ser a maioria, ou pelo menos um número equilibrado. A verdade é 
que 80% das mães que já conversei se sentem nesse lugar sem rede. Sem aldeia. Como 
a gente inverte isso?)
Texto de Lau Patrón, mãe do João Vicente, da página Avante Leãozinho
101
Referências
AGUIRRE, G.; D’ESPOSITO, M. Experimental design for brain fMRI. In: MOONEN, 
C.; BANDETTINI, T. W. (Eds.). Functional MRI. Heidelberg: Springer-Verlag Berlin, 
2000. 
AKSHOOMOFF, N.; CORSELLO, C.; SCHMIDT, H. The Role of the Autism 
Diagnostic Observation Schedule in the Assessment of Autism Spectrum 
Disorders in School and Community Settings. The California School Psychologist 
11, 2006.
ALLISON, T.; PUCE, A.; McCARTHY, G. Social perception from visual cues: role of the 
STS region. Trends Cogn Sci. v. 4, n. 7, 2000.
ALMEIDA, A. Avaliação neuropsicológica de crianças e adolescentes com 
autismo e outros transtornos invasivos do desenvolvimento. 2010. Trabalho 
de Conclusão de Curso (Especialização em Neuropsicologia). – Universidade Federal 
do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.
Autism Spectrum Disorder, 299.00 (F84.0). In: AMERICAN PSYCHIATRIC 
ASSOCIATION. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders. 5. ed. American 
Psychiatric Publishing, 2013.
BACIGALUPPI, M. et al. Weighing brain activity with the balance: Angelo Mosso’s 
original manuscripts come to light. Brain, v. 137, n. 2, 2014.
BARON-COHEN, S. Autism: the empathizing–systemizing (E-S) theory. Annals of the 
New York Academy of Sciences. 1156, 2009. 
BARON-COHEN, S.; LESLIE, A. M.; FRITH, U. Does the autistic child have a “theory 
of mind”? Cognition, v. 21, n. 1, 1985.
BECKER, M. M. Tradução e validação da entrevista Autism Diagnostic 
Interview-revised (ADI-R) para diagnóstico de autismo no Brasil. 2009. 84 
f. Dissertação (Mestrado em Ciências Médicas) – Universidade Federal do Rio Grande 
do Sul, Faculdade de Medicina, Porto Alegre.
BLAKEMORE, S. J.; DECETY, J. From the perception of action to the understanding of 
intention. Nat. Rev. Neurosci., v. 2, n. 8, 2001. 
BRAMMER, M. Correspondence: brain scam? Nature Neuroscience, v. 7, n. 10, 
2004.
102
REFERÊNCIAS
BUTLE, D. BOLD Physiology: Center for FMRI of the Brain. University of Oxford, 
2006.
BYRNE, J. H. Learning in autism. In: ROEDIGER, H. L. Learning and memory: a 
comprehensive reference. Academic Press, 2008. v. 2.
CAVACO, N. A. Autismo: uma perspectiva neuropsicológica. Rev. Omnia, v. 3, pp. 
21-31, 2015. 
CHAKRABARTI, S.; FOMBONNE, E. Pervasive developmental disorders in preschool 
children. JAMA, v. 285, n. 24, 2001.
CONHEÇA O M-CHAT: um instrumento de triagem para o TEA. Produção de Entendendo 
Autismo. Londrina, PR: Entendendo Autismo, 2016. YouTube (12m 09s): son., color. 
Port. Disponível em: . 
Acesso em:
COSTA, D. I. et al. Avaliação neuropsicológica da criança e áreas de intervenção. J. 
Pediatr., v. 80, n. 2, S115-2, 2004.
CUNHA, J. A. Psicodiagnóstico. 4. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 2004.
ESCALA de diagnóstico do Autismo: o que é ADOS-2 E ADIR? Produção de Neuro Saber. 
Londrina, PR: Neuro Saber, 2018. YouTube (2m 59s): son., color. Port. Disponível em: 
. Acesso em:
EL HUSNY, A. S.; FERNANDES-CALDATOLL, M. C. F. Erros inatos do 
metabolismo: revisão de literatura. Rev. Para. Med., Belém, v. 20, n. 2, jun. 
2006. Disponível em: . Acesso em:
ESPERIDIÃO-ANTONIO, V. et al. Neurobiologia das emoções. Rev. Psiq. Clín., 
v. 35, n. 2, p. 55-65, 2008. Disponível em: . Acesso em:
FIELD, D. T.; INMAN, L. A. Weighing brain activity with the balance: A contemporary 
replication of Angelo Mosso’s historical experiment. Brain, v. 137, n. 2, 2014.
FRITH, U. Autism explaining the enigma. 2. ed. Oxford, UK: Blackwell Publishers, 
2005. 
GALLAGHER, J. Exames podem detectar autismo em crianças antes de aparecimento de 
sintomas. 2017. Disponível em: . 
Acesso em:
103
REFERÊNCIAS
GARCIA, P. M.; MOSQUERA, F. F. Causas neurológicas do autismo. Rev. O Mosaico. 
v. 5., pp. 106-10, 2011. 
GLOOR, P. The temporal lobe and limbic system. New York, US: Oxford, 1997. 
GRABOWNSKI, T.; DAMASIO, A. Investigating language with functional 
neuroimaging. San Diego, CA, US: Academic Press. 14, 2000.
GUEDES, N. P. da S.; TADA, I. N. C. A produção científica brasileira sobre autismo 
na psicologia e na educação. Psic.: Teor. e Pesq., Brasília, v. 31, n. 3, pp. 303-309, 
jul.-set. 2015. Disponível em: . Acesso em:
HA, S. et al. Characteristics of Brains in Autism Spectrum Disorder: Structure, Function 
and Connectivity across the Lifespan. Exp Neurobiol (Review), v. 24, n. 4, 2015.
HAMILTON, A. F. Goals, intentions and mental states: challenges for theories of autism. 
J Child Psychol Psychiatry,v. 50, n. 8, 2009. 
HAPPÉ, F.; FRITH, U. The weak coherence account: detail-focused cognitive style in 
autism spectrum disorders. Journal of Autism and Developmental Disorders, 
v. 36, n. 1, 2006.
HEBBEN, N.; MILBERG, W. Essentials of neuropsychological assessment. 2. 
ed. New Jersey: John Wiley & Sons, Inc., 2009. 
HILL, E.L. Executive dysfunction in autism. Trends Cogn. Sci., v. 8, n. 1, 2004. 
HUETEL, S. A.; SONG, A. W.; McCARTHY, G. Functional Magnetic Resonance 
Imaging. 2. ed. Massachusetts: Sinauer, 2009.
JESTE, S. S.; NELSON, C. A. Event related potentials in the understanding of autism 
spectrum disorders: an analytical review. J Autism Dev Disord., v. 39, n. 3, 2009.
KENWORTHY, L. et al. Understanding executive control in autism spectrum disorders 
in the lab and in the real world. Neuropsychol Rev., v. 18, n. 4, 2008.
KLIN, A. et al. The enactive mind, or from actions to cognition: lessons from autism. 
Philos Trans R Soc Lond B Biol Sci., v. 358, n. 1.430, 2003.
LAMEIRA, A. P; GAWRYSZEWSKI, L. G.; PEREIRA, A. Neurônios Espelho. Psicologia 
USP, v. 17, n. 4, 2006. 
LANDA, R. J. Diagnosis of autism spectrum disorders in the first 3 years of life. Nat 
Clin Pract Neurol., v. 4, n. 3, 2008.
104
REFERÊNCIAS
LE COUTEUR, A.; LORD, C.; RUTTER, M. Autism Diagnostic Interview-Revised 
(ADI-R). Retrieved Mar. 5, 2009, from Autism Genetic Resource Exchange, Los 
Angeles, CA., 2003.
LE COUTEUR, A. et al. Autism diagnostic interview: A standardized investigator-based 
instrument. Journal of Autism and Developmental Disorders, v. 19, n. 3, 1989.
LEVY, S. E.; MANDELL, D. S.; SCHULTZ, R. T. Autism. Lancet, v. 374, n. 9.701, 2009.
LORD, C.; RUTTER, M.; LE COUTEUR, A. Autism diagnostic interview-revised: A 
revised version of a diagnostic interview for caregivers of individuals with possible 
pervasive developmental disorders. Journal of Autism and Developmental 
Disorders, v. 24, n. 5, 1994.
LOSAPIO, M. F.; PONDÉ, M. P. Tradução para o português da escala M-CHAT para 
rastreamento precoce de autismo. Rev. Psiquiatr. RS., v. 30, n. 3, p. 221-229, 2008. 
Disponível em: . 
MADËR, M. J. Avaliação Neuropsicológica - Aspectos Históricos e Situação Atual. 
Psicologia Ciência e Profissão, ano 16, n. 3, 1996. 
MADER, T. Inteligência: um conceito amplo. In: ANDRADE, V. M., SANTOS, F. H.; 
BUENO, O. F. A. Neuropsicologia Hoje. São Paulo: Artes Médicas, 2004. 
MANZI, B. et al. Autism and metabolic diseases. J Child Neurol., v. 23, n. 3, 2008.
MINSHEW, N. J.; WILLIAMS, D. L. The new neurobiology of autism: cortex, 
connectivity, and neuronal organization. Arch Neurol., v. 64, n. 7, 2007.
MARCOS TOMANIK MERCADANTE, psiquiatra, explica que mais de 60% dos 
autistas têm QI acima de 70. Produção de TV Senado. Brasília, DF: TV Senado, 2014. 
YouTube (03m 03s): son., color., Port. Disponível em: . 
MARQUES, D. F.; BOSA, C. A. Protocolo de avaliação de crianças com autismo: 
evidências de validade de critério. Psic.: Teor. e Pesq., Brasília, v. 31, n. 1, pp. 43-51, 
jan.-mar. 2015.
MORTON, J. B. Funções Executivas. Enciclopédia sobre o desenvolvimento na 
primeira infância. Canadá: University of Western Ontario; CEECD/ SKCECD, 2013-
2015. 
MOTTRON, L. et al. Enhanced perceptual functioning in autism: an update, and 
eight principles of autistic perception. Journal of Autism and Developmental 
Disorders, v. 36, n. 1, 2006.
105
REFERÊNCIAS
MURRAY, D.; LESSER, M.; LAWSON, W. Attention, monotropism and the diagnostic 
criteria for autism. Autism, v. 9, n. 2, 2005.
MUSZKAT, M.; ARARIPPE, B. L.; ANDRADE, N. C. Neuropsicologia do autismo. In: 
Neuropsicologia: teoria e prática. Porto Alegre: Artmed, 2014. 
NATIONAL INSTITUTE OF MENTAL HEALTH. Autism Spectrum Disorder. 
Disponível em: . Acesso em:
NOLEN-HOEKSEMA, S. et al. Introdução à psicologia. 15. ed. São Paulo: Atkinson 
& Hilgard; Cengage Learning, 2012.
O’HEARN, K. et al. Neurodevelopment and executive function in autism. Dev 
Psychopathol., v. 20, n. 4, 2008.
OZGEN, H. M. et al. Minor physical anomalies in autism: a meta-analysis. Mol. 
Psychiatry., v. 15, n. 3, 2010.
PANDYA, D. N.; YETERIAN, E. H. Architecture and connections of cortical 
association areas. In: Cerebral Cortex. New York, London: Plenum Press; 1985. 
PEREIRA, A.; RIESGO, R. S.; WAGNER, M.B. Autismo infantil: tradução e validação 
da Childhood Autism Rating Scale para uso no Brasil. J. Pediatr., v. 84, n. 6, 2008.
RAJENDRAN, G.; MITCHELL, P. Cognitive theories of autism. Dev Rev., n. 27, v. 2, 
2007.
RICHDALE, A. L.; SCHRECK, K. A. Sleep problems in autism spectrum disorders: 
prevalence, nature, & possible biopsychosocial aetiologies. Sleep Med Rev., v. 13, n. 
6, 2009.
RODRIGUES, I. J.; ASSUMPÇÃO F. B. J. Habilidades viso-perceptuais e motoras na 
síndrome de Asperger. Temas Psicologia, v. 19, n. 2, 2011. 
ROMBOUTS, S. A.; BARKHOF, F.; SHELTENS, P. Clinical applications of 
functional brain. MRI, UK: Oxford University Press, 2007. 
SANDRONE, S.; BACIGALUPPI, M.; GALLONI, M.R.; MARTINO, G. Angelo Mosso 
(1846–1910). Journal of Neurology, v. 259, n. 11, 2012. 
SCARPARO, Mariella Ometto. Autismo e neuroplasticidade. Produção de TEDx 
Talks. São Paulo: TEDx, 2015. YouTube (10 min.): son., color. Legendado. Port. 
Disponível em: . 
106
REFERÊNCIAS
SÃO PAULO. Secretaria de Saúde. Secretaria dos Direitos da Pessoa com 
Deficiência. Protocolo do Estado de São Paulo de Diagnóstico Tratamento 
e Encaminhamento de Pacientes com Transtorno do Espectro Autista 
(TEA). 1. ed. São Paulo: SEDPcD, 2013. Disponível em: . 
SCHOPLER, E.; MESIBOV, G. B. Diagnosis and Assessment in Autism. New 
York: Plenum Press, 1988.
SIGMAN, M.; SPENCE, S. J.; WANG, A. T. Autism from developmental and 
neuropsychological perspectives. Annual Review of Clinical Psychology, n. 2, 
2006. 
SILVA, M.; MULICK, J. A. Diagnosticando o transtorno autista: aspectos fundamentais 
e considerações práticas. Psicol. Cienc. prof., v. 29, n. 1, 2009.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Departamento Científico de Pediatria 
do Desenvolvimento e Comportamento. Triagem precoce para autismo / Transtorno 
do espectro autista. SBP, Rio de Janeiro, n. 1, 2017. Disponível em: . 
SPENCE, S. J.; SCHNEIDER, M. T. The role of epilepsy and epileptiform EEGs in 
autism spectrum disorders. Pediatr. Res., v. 65, n. 6, 2009. 
STEYAERT, J. G; DELA MARCHE, W. What’s new in autism? Eur J Pediatr., v. 167, 
n. 10, 2008.
SUBBARAJU, V.; SUNDARAM, S.; NARASIMHAN, S. Identification of lateralized 
compensatory neural activities within the social brain due to autism spectrum disorder 
in adolescent males. European Journal of Neuroscience, 2017.
UNIVERSO AUTISTA. O PEP-R. 2015. Disponível em: . 
VOCÊ já ouviu falar sobre funções executivas? Produção de Neuro Saber. Londrina, 
PR: Neuro Saber, 2016. YouTube (04m 48s): son., color. Port. Disponível em: . 
WHITE, S. W. et al. Anxiety in children and adolescents with autism spectrum disorders. 
Clin Psychol Rev., v. 29, n. 3, 2009. 
ZAFEIRIOU, D. I.; VERVERI, A.; VARGIAMI, E. Childhood autism and associated 
comorbidities. Brain Dev., v. 29, n. 5, 2007.
107
REFERÊNCIAS
ZILBOVICIUS, M.; MERESSE, I.; BODDAERT, N. Autismo: neuroimagem. Rev. Bras. 
Psiquiatr., São Paulo, v. 28, n. 1, maio 2006.
Fonte de imagens
CALLAWAY, E. Brain scans spot early signs of autism in high-risk babies. 2017. 
Disponível em: . 
FERNANDA, M. Rosa vermelha. 2014. Disponível em: .
KISSPNG. BeyinFonksiyonu, İnsan vücudunun insan beyin Lobları - vektör 
insan beyni. 2018. Disponível em: . 
SOUSA, M. Saiba como e porque devemos podar uma planta. 2018. Disponível 
em: . 
TEIXEIRA, P. Como surgem os céticos (no marketing de rede). 2012. Disponível 
em: . 
WIKIPEDIA. Autism. 2018. Disponível em: . 
______. Functional magnetic resonance. 2018. Disponível em: .
______. Functional neuroimaging. 2018. Disponível em: .Figura 2:
1. Deleção.
2. Duplicação.
3. Inversão.
São todas as anormalidades cromossômicas existentes no Autismo.
Estudos com gêmeos sugerem que a herdabilidade é de 0,7 para o Autismo e de 0,9 
para o TEA. Irmãos com Autismo têm cerca de 25 vezes mais chances de serem autistas 
que a população geral. No entanto, a maioria das mutações que aumentam o risco de 
Autismo não foi identificada. Normalmente, o Autismo não pode ser atribuído a uma 
mutação mendeliana (gene único) ou a uma única anomalia cromossômica, nenhuma 
das síndromes genéticas associadas ao TEA causou seletividade (genética) no TEA. 
Numerosos genes candidatos foram localizados com apenas pequenos efeitos atribuíveis 
a qualquer gene em particular. A maioria dos estudos explica individualmente menos 
de 1% dos casos de Autismo. O grande número de indivíduos com TEA com membros da 
família não afetados pode resultar de variação estrutural espontânea – como deleções, 
duplicações ou inversões em material genético durante a meiose. Assim, uma fração 
substancial dos casos de Autismo pode ser rastreada a causas genéticas altamente 
hereditárias, mas não hereditárias: isto é, a mutação que causa o TEA não está presente 
no genoma parental. O Autismo pode ser subdiagnosticado em mulheres e meninas 
devido à suposição de que é principalmente uma condição masculina. 
Várias linhas de evidência apontam para a disfunção sináptica como causa do TEA. 
Algumas mutações raras podem levar ao TEA, interrompendo algumas vias sinápticas, 
como aquelas envolvidas com a adesão celular. Estudos de substituição de genes em 
camundongos sugerem que os sintomas do Transtorno do Espectro Autista estão 
intimamente relacionados a etapas posteriores de desenvolvimento que dependem da 
atividade em sinapses e em mudanças dependentes de atividade. Todos os teratógenos 
conhecidos (agentes que causam defeitos congênitos) relacionados ao risco de TEA 
parecem agir durante as primeiras oito semanas desde a concepção, e embora isso não 
exclua a possibilidade de que o Autismo possa ser iniciado ou afetado mais tarde, há 
fortes evidências de que o transtorno surge muito cedo no desenvolvimento. 
Os pais podem primeiro tomar consciência dos sintomas autistas em seus filhos no 
período de uma vacinação de rotina. Isso levou a teorias sem suporte que culpam a 
sobrecarga da vacina, um preservativo de vacina ou a vacina MMR por causarem o 
Autismo. Embora essas teorias careçam de evidências científicas convincentes e sejam 
14
UNIDADE I │ AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA DO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA
biologicamente implausíveis, a preocupação dos pais com uma potencial ligação vacinal 
com o Autismo levou a menores taxas de imunização infantil, surtos de doenças prévias 
da infância em alguns países e mortes evitáveis de várias crianças. 
Os sintomas do Autismo resultam de alterações relacionadas à maturação em vários 
sistemas do cérebro. Como o Autismo ocorre não é bem compreendido. Seu mecanismo 
pode ser dividido em duas áreas: a fisiopatologia das estruturas e processos cerebrais 
associados ao Autismo e as conexões neuropsicológicas entre estruturas cerebrais e 
comportamentos. Os comportamentos parecem ter múltiplas fisiopatologias. 
Poligênico, multifatorial, herdabilidade = 50%, já foram associadas alterações genéticas 
comuns e raras. Alta frequência de CNVs compartilhados com outras doenças do 
neurodesenvolvimento.
Neurodesenvolvimento no TEA 
Minicolunas no TEA:
 » Mais estreitas.
 » Mais numerosas.
 » Neurônios menores e mais dispersos.
ESPERIDIÃO-ANTONIO, V. et al. Neurobiologia das emoções. Rev. Psiq. Clín., v. 
35, n. 2, pp. 55-65, 2008. Disponível em: .
A região do STS (junção temporo-parietal e nos polos temporais) tem conexões 
recíprocas com a amígdala. Esta, por sua vez, é conectada ao COF, ao qual o STS também 
é conectado. O COF (córtex orbitofrontal) é conectado ao CPF (córtex pré-frontal), este 
é conectado ao córtex motor e aos gânglios da base, os quais completam, como descrito 
por Allison, Puce e McCarthy (2000), a via da percepção para ação.
Os núcleos da base ou núcleos de Giornando são constituídos por um conjunto 
de núcleos no cérebro com diferentes estruturas e atividades que atuam como uma 
unidade funcional. Emitem e recebem projeções entre si e com o córtex cerebral, tálamo 
e tronco cerebral, e são responsáveis por diversas funções como: coordenação motora, 
comportamentos de rotina (bruxismo), emoções e cognição.
Os principais constituintes dos gânglios da base são: corpo estriado (núcleo caudado e 
putâmen), globo pálido, núcleo subtalâmico e substância negra.
15
AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA DO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA │ UNIDADE I
ZILBOVICIUS, M.; MERESSE, I.; BODDAERT, N. Autismo: neuroimagem. Rev. Bras. 
Psiquiatr., São Paulo, v. 28, n. 1, maio 2006.
As disfunções das regiões temporais podem explicar grande parte dos sintomas 
clínicos (déficits perceptivo, emocional e cognitivo) observados no Autismo. Além 
disso, as regiões associativas temporais estão estreitamente conectadas aos sistemas 
sensoriais associativos frontais, parietais e límbicos (PANDYA; YETERIAN, 1985). 
Consequentemente, a disfunção do STS pode explicar também os componentes 
emocionais e cognitivos do Autismo.
Figura 3.
Disponível em: . Acesso em: 7 nov. 2018.
Pensa-se que o lobo temporal é central para o processamento de numerosos estímulos 
ambientais que ingressam no sistema nervoso por meio dos órgãos sensoriais visuais e 
auditivos. O lobo temporal é também essencial ao processamento desses estímulos em 
padrões estruturados de atividade neural, constituindo as experiências que dão sentido 
ao mundo ao nosso redor (GLOOR, 1997).
O STS é cada vez mais reconhecido como um componente essencial do cérebro social 
(ALLISON; PUCE; McCARTHY, 2000). Estudos de neuroimagem em indivíduos 
normais e de single-cell recording em macacos enfatizaram o papel dessa estrutura 
no processamento dos movimentos biológicos (movimentos dos olhos, boca, mãos e 
corpo) e na percepção social (ALLISON; PUCE; McCARTHY, 2000; BLAKEMORE; 
DECETY, 2001). Tal processamento pode ser um pré-requisito para a avaliação em um 
nível mais elevado do pensamento dos demais, é parte de um domínio cognitivo maior 
referido como “teoria da mente” ou cognição social, que está gravemente prejudicado 
16
UNIDADE I │ AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA DO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA
no Autismo (FRITH, 2005; BARON-COHEN; LESLIE; FRITH, 1985). As crianças com 
Autismo possuem também déficits na percepção do olhar, contato visual pobre durante 
a comunicação e dificuldades em acessar as informações para inferir os estados mentais 
dos demais. 
Crianças neurotípicas aos 3 anos de idade orientam-se por sincronia audiovisual e por 
movimentos biológicos em displays com pontos luminosos, mas crianças com TEA não 
são orientadas por nenhuma dessas informações.
Diagnóstico 
a. Déficits persistentes na comunicação e na interação social em múltiplos 
contextos. 
b. Déficit na reciprocidade emocional e social.
c. Déficits na comunicação não verbal.
d. Déficits em desenvolver, manter e entender relacionamentos, ajustar 
comportamentos de acordo com o contexto social, brincar imaginativo, 
ausência de interesse em pares.
Uma das características do Autismo é que, em alguns casos, os pais demoram a 
percebê-lo em seus filhos. Embora os sinais comecem a aparecer nos primeiros meses 
de vida da criança, pode acontecer de os pais não se darem conta deles. Mas um anúncio, 
feito por pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte (Estados Unidos), pode 
ajudar os pais e as crianças que sofrem com o Transtorno do Espectro Autista (TEA).
O Autismo está presente em uma de cada 100 pessoas. O problema afeta o comportamento 
e a interação social de quem é acometido por ele. Com a descoberta, é possível detectar o 
autismo com exames cerebrais de ressonância magnética antes mesmo da manifestação 
de qualquersintoma, segundo informa a BBC News.
GALLAGHER, J. Exames podem detectar autismo em crianças antes de 
aparecimento de sintomas. 2017. Disponível em: .
De acordo com uma pesquisa publicada na revista Nature, as origens do Autismo 
estão presentes no primeiro ano de vida de uma criança. Com a nova descoberta, será 
possível fazer um diagnóstico precoce e permitir que terapias sejam aplicadas de forma 
imediata.
17
AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA DO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA │ UNIDADE I
Como foi feita a pesquisa?
A pesquisa analisou 148 crianças com níveis de TEA variando do 1 ao 3, incluindo 
as que têm risco de desenvolvê-lo devido a irmãos mais velhos serem portadores 
do distúrbio. Elas passaram por exames de ressonância magnética em diferentes 
períodos: aos 6, 12 e 24 meses de vida.
O estudo descobriu diferenças no córtex cerebral, região responsável por 
funções de alto nível, tais como a linguagem, em crianças que, posteriormente, 
foram diagnosticadas com Autismo.
O médico Heather Hazlett, um dos pesquisadores do estudo, explica que: 
“Muito cedo, no primeiro ano de vida, vemos diferenças de área de superfície do 
cérebro que precedem os sintomas que as pessoas associam tradicionalmente 
ao Autismo. Os exames indicam que essas diferenças do cérebro podem ocorrer 
em crianças com alto risco de Autismo”.
A pesquisa abre as portas para outros avanços científicos para tratar e 
diagnosticar o distúrbio, como, por exemplo, a longo prazo, ser possível realizar 
exames de DNA em todas as crianças para identificar se elas teriam um alto risco 
de autismo.
O que a pesquisa constatou?
Quinze dos bebês de alto risco foram diagnosticados com Autismo aos 24 meses. 
Exames de ressonância magnética revelaram que o volume de cérebro desses 
bebês cresceu mais rapidamente entre 12 e 24 meses, em comparação a crianças 
que não foram diagnosticadas com ASD, e que esse crescimento acelerado 
ocorreu ao mesmo tempo em que apareceram sinais comportamentais de 
Autismo.
Os pesquisadores também descobriram mudanças cerebrais entre 6 e 12 meses, 
antes que os sintomas da ASD aparecessem. A área da superfície cortical – uma 
medida do tamanho das dobras do lado de fora do cérebro – cresceu mais 
rapidamente em crianças diagnosticadas com Autismo, em comparação àquelas 
que não receberam o diagnóstico.
18
UNIDADE I │ AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA DO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA
Figura 4.
Disponível em: . Acesso em: 2 nov. 2018.
Essas alterações cerebrais poderiam ser usadas 
para prever o diagnóstico de autismo em bebês?
A equipe de Hazlett e Piven então usou uma rede neural de aprendizagem profunda, 
uma forma de aprendizado de máquina, para perguntar se a ressonância magnética 
aos 6 e 12 meses em um conjunto maior de bebês de alto risco poderia prever um 
diagnóstico de Autismo aos 2 anos. Previu 30 dos 37 diagnósticos de Autismo (81%), 
enquanto produzia falso-positivos em 4 dos 142 bebês que não foram diagnosticados 
posteriormente.
O que será necessário para que esses resultados 
sejam usados na clínica?
Mesmo que os resultados sejam robustos, as aplicações clínicas podem se mostrar 
limitadas. Cynthia Schumann, especialista em imagens cerebrais do Autismo na 
Universidade da Califórnia, em Davis, observa que as descobertas se aplicam apenas a 
bebês de alto risco, e não à população em geral. Um grande estudo de acompanhamento 
seria necessário para testar se o Autismo pode ser previsto na população em geral, diz ela.
As diferenças entre os scanners de ressonância magnética e os métodos de extração 
de dados também podem afetar as sutis mudanças anatômicas detectadas no estudo, 
acrescenta Raznahan. A aplicação generalizada também dependeria de ter um “gráfico 
de crescimento para o cérebro” que seja amplamente aplicável em toda a população em 
geral – um enorme desafio, observa ele.
19
AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA DO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA │ UNIDADE I
Retornando ao diagnóstico
Padrões de comportamento, atividade e interesse restritos e repetitivos: 
»» movimentos restritos e estereotipados;
»» insistência na mesmice, aderência a rotinas, comportamento ritualizado;
»» interesses altamente restritos e fixos, anormais em intensidade/foco;
»» hiper ou hiporresposta a estímulos sensoriais ou interesse sensorial atípico;
»» sintomas devem estar presentes no período de desenvolvimento precoce.
Mas podem não aparecer completamente até que exista demanda social. 
»» sintomas causam prejuízo social, ocupacional ou em outra área importante 
do funcionamento de forma significativa.
Especificadores: 
 » com ou sem DI comórbida;
 » com ou sem distúrbio de linguagem (20-25%);
 » associada a uma causa genética ou ambiental conhecida (20%);
 » associado a outro transtorno de comportamento, mental ou do 
neurodesenvolvimento (TDAH);
 » com catatonia (Transtorno Mental Associado).
Diagnósticos diferenciais:
 » deficiência sensorial (surdez);
 » transtorno de linguagem;
 » transtorno reativo de vinculação;
 » DI;
 » TOC;
 » mutismo seletivo;
 » esquizo de início precoce;
 » TDAH.
20
UNIDADE I │ AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA DO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA
Comorbidades
 » 40% deficiência intelectual: para fazer o diagnóstico de TEA e deficiência 
intelectual, a comunicação social deve estar abaixo do esperado para o 
nível geral do desenvolvimento. 
 » 35% epilepsia.
 » 15% síndromes genéticas.
 » TDAH, ansiedade (40-60%), depressão.
 » Sintomas físicos associados.
Identificação precoce
 » Vigilância ativa do neurodesenvolvimento. 
 » Escalas de rastreio M-Chat 18, 24 e 36 meses – 3 x mais suspeita por 
pediatras – baixa especificidade, mas todos os positivos tinham algum 
distúrbio do neurodesenvolvimento.
Quadro 1 - O desenvolvimento socioemocional típico
Idade Características 
socioemocionais
Ação
3 meses Sorriso social Exploração sensorial
6 meses Procura por familiares 
Sorriso espontâneo
Jogo de esconde e “achou”
12 meses Dá tchau 
Expressa diversas emoções 
Inicia atenção compartilhada
Imita ações simples 
Apresenta ansiedade de separação
18 meses Reconhece e ‘faz festa’ para familiares 
Demonstra afeição 
Expressa emoções negativas
Imita comportamentos de adultos 
Realiza jogos de imaginação simples: falar ao telefone, tomar um chá.
Gosta de estar na presença de outras crianças e interagir com elas
24 meses Conversa sobre sentimentos Realiza jogos simbólicos 
Usa objetos de maneira simbólica
Fonte: Elaboração própria com dados de Costa, D. I. et al, 2004.
21
AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA DO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA │ UNIDADE I
Quadro 2 - Alguns sinais do desenvolvimento atípico
Habilidades 6 meses 6-12 meses 12 meses 18 meses 24 meses
Comportamento 
visual
Rastreamento visual 
atípico 
Atenção visual atípica 
Persistência visual
Atenção visual 
atípica ao 
estímulo
Dificuldade em 
desviar atenção 
Fixação visual 
não social
Comunicação e 
comportamento 
social
Alteração do contato ocular 
Rastreamento ocular pobre 
Diminuição do sorriso social 
Diminuição da resposta 
ao nome Diminuição da 
resposta positiva Diminuição 
da imitação Diminuição dos 
gestos comunicativos
Comportamento e 
temperamento
Irritabilidade 
Aumento da resposta a 
estímulos sensoriais 
Diminuição da regulação a 
emoções negativas 
Comportamentos orientados a 
estímulos sensoriais
Desenvolvimento 
da fala
Atraso no 
desenvolvimento da fala 
receptiva e expressiva
Brincar simbólico Ausência ou 
redução do 
jogo simbólico
Fonte: Elaboração própria com dados de Silva; Mulick, 2009.
Pródromo
 » Passividade. 
 » Sensibilidade perceptual aumentada. 
 » Orientação social espontânea reduzida (apesar de responder aos pais).
 » Atrasos motores inespecíficos.
Pródomo: que antecede a (algo); precursor, prenúncio, antecedente. 
GUEDES, N. P. da S.; TADA, I. N. C. A produção científica brasileira sobreautismo 
na psicologia e na educação. Psic.: Teor. e Pesq., Brasília, v. 31, n. 3, pp. 303-309, 
jul.-set. 2015. Disponível em: .
22
UNIDADE I │ AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA DO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA
Sinais de alerta
 » A partir dos 6 meses: não sorri, não apresenta expressão alegre.
 » A partir dos 9 meses: não compartilha sons, sorrisos e outras expressões 
faciais.
 » Aos 12 meses: não balbucia.
 » Aos 12 meses: não aponta, não gesticula.
 » Aos 16 meses: não fala palavras.
 » Aos 24 meses: não fala frases de duas palavras com significado (sem 
repetir).
 » Em qualquer idade: perda de habilidades sociais, fala ou balbucio (25% 
regressão).
Tratamento
Abordagem psicológica:
 » Early Start Denver Intervention Model. 
 » ABA. 
 » JASPER (joint attention, symbolic play, engagement regulation). 
 » SCERTS (social communication, emotional regulation, transactional 
support).
Fonoterapia:
 » Comunicação alternativa (PECS).
Terapia ocupacional:
 » Integração sensorial.
Farmacológico:
Sintomas-alvos:
 » Agitação. 
23
AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA DO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA │ UNIDADE I
 » Estereotipias. 
 » Auto e heteroagressividade. 
 » Distúrbios de sono. 
 » Comorbidades.
Ainda seguindo com os tratamentos...
 » Probiótico.
 » Ômega 3.
 » Ocitocina.
 » Diurético.
 » Melatonina.
 » Dieta sem glúten e sem lactose.
Fluxograma 1 - Interação genética versus meio ambiente
 
Fatores genéticos Fatores ambientais 
Alterações 
neurobiológicas 
TEA 
Infecção pré-natal 
Estresse 
Desnutrição 
Agentes tóxicos 
Fonte: Elaboração própria da autora.
24
UNIDADE IIPSICOPATOLOGIA E 
NEUROPSICOLOGIA
Ao contrário de muitos outros distúrbios cerebrais, como o de Parkinson, o Transtorno 
do Espectro Autista (TEA) não tem um mecanismo unificador claro no nível molecular, 
celular ou sistêmico. Não se sabe se o Autismo é um dos poucos distúrbios causados 
por mutações que convergem em algumas vias moleculares comuns, ou é (como a 
deficiência intelectual) um grande conjunto de distúrbios com diversos mecanismos.
CAPÍTULO 1
A compreensão do cérebro com TEA
O Autismo parece resultar de fatores de desenvolvimento que afetam muitos ou todos 
os sistemas cerebrais funcionais e de perturbações do tempo de desenvolvimento do 
cérebro mais do que o produto final. Estudos neuroanatômicos e associações com os 
teratógenos sugerem fortemente que o mecanismo do Autismo inclui a alteração do 
desenvolvimento cerebral logo após a concepção. Essa anomalia parece iniciar uma 
cascata de eventos patológicos no cérebro que são significativamente influenciados 
por fatores ambientais. Logo após o nascimento, o cérebro de crianças com Autismo 
tende a crescer mais rápido que o normal, seguido por um crescimento normal ou 
relativamente lento na infância. Não se sabe se o crescimento precoce ocorre em todas 
as crianças com Autismo. Parece ser mais proeminente em áreas do cérebro subjacentes 
ao desenvolvimento de uma especialização cognitiva superior. Hipóteses para as bases 
celulares e moleculares do supercrescimento patológico precoce incluem o seguinte:
 » excesso de neurônios que causam superconectividade local nas principais 
regiões do cérebro;
 » migração neuronal perturbada durante a gestação precoce;
 » redes inibitórias excitatórias desequilibradas;
25
PSICOPATOLOGIA E NEUROPSICOLOGIA │ UNIDADE II
 » formação anormal de sinapses e espinhas dendríticas, por exemplo, pela 
modulação do sistema de adesão de células neurexina-neuroligina, ou 
por síntese mal regulada de proteínas sinápticas. O desenvolvimento 
sináptico interrompido também pode contribuir para a Epilepsia, o que 
pode explicar por que as duas condições estão associadas.
O sistema imunológico é pensado para desempenhar um papel importante no Autismo. 
Crianças com Autismo foram descobertas por pesquisadores como tendo inflamação 
tanto do sistema imunológico periférico quanto central, como indicado pelo aumento 
dos níveis de citocinas pró-inflamatórias e ativação significativa da microglia. Os 
biomarcadores da função imune anormal também têm sido associados ao aumento de 
deficiências em comportamentos que são característicos das principais características 
do Autismo, tais como déficits nas interações sociais e na comunicação. 
As interações entre o sistema imune e o sistema nervoso começam cedo durante o estágio 
embrionário da vida, e o desenvolvimento bem-sucedido do neurodesenvolvimento 
depende de uma resposta imunológica equilibrada. Acredita-se que a ativação do 
sistema imunológico de uma mãe grávida, como por meio de substâncias tóxicas ou 
infecções ambientais, possa contribuir para causar o Autismo, ocasionando uma ruptura 
do desenvolvimento cerebral. Isso é apoiado por estudos recentes que descobriram que 
a infecção durante a gravidez está associada a um risco aumentado de Autismo.
A relação dos neurotransmissores com o Autismo não é bem compreendida; vários 
foram investigados, com a maior evidência do papel da serotonina e das diferenças 
genéticas em seu transporte. O papel dos receptores de glutamato metabotrópico do 
grupo I (mGluR) na patogênese da Síndrome do X frágil, a causa genética mais comum 
identificada do Autismo, levou ao interesse nas possíveis implicações para futuras 
pesquisas sobre o Autismo nessa via. Alguns dados sugerem um supercrescimento 
neuronal potencialmente relacionado a um aumento de vários hormônios de crescimento 
ou à regulação prejudicada de receptores do fator de crescimento. Além disso, alguns 
erros inatos do metabolismo estão associados ao Autismo, mas provavelmente 
respondem por menos de 5% dos casos. 
A teoria do Autismo do sistema de neurônios-espelho (MNS) supõe que a distorção 
no desenvolvimento da MNS interfere na imitação e leva a características centrais do 
Autismo de dificuldades sociais e dificuldades de comunicação. O MNS opera quando 
um animal realiza uma ação ou observa outro animal realizar a mesma ação. O MNS pode 
contribuir para a compreensão individual de outras pessoas, permitindo a modelagem 
de seu comportamento através da simulação incorporada de suas ações, intenções 
e emoções. Vários estudos testaram essa hipótese demonstrando anormalidades 
26
UNIDADE II │ PSICOPATOLOGIA E NEUROPSICOLOGIA
estruturais nas regiões do SNM de indivíduos com TEA, atraso na ativação do circuito 
central para imitação em indivíduos com Síndrome de Asperger e uma correlação entre 
a redução da atividade do SNM e a gravidade da síndrome em crianças com TEA. No 
entanto, indivíduos com Autismo também têm ativação cerebral anormal em muitos 
circuitos fora da MNS, e a teoria da MNS não explica o desempenho normal de crianças 
com Autismo em tarefas de imitação que envolvem uma meta ou objeto. 
Os padrões relacionados ao TEA de baixa função e ativação aberrante no cérebro 
diferem dependendo se o cérebro está realizando tarefas sociais ou não sociais. No 
Autismo, há evidências de conectividade funcional reduzida da rede padrão (uma 
rede cerebral em grande escala envolvida no processamento social e emocional), com 
conectividade intacta da rede positiva da tarefa (usada na atenção sustentada e no 
pensamento direcionado por objetivos). Em pessoas com Autismo, as duas redes não são 
negativamente correlacionadas no tempo, sugerindo um desequilíbrio na alternância 
entre elas, possivelmente refletindo uma perturbação do pensamento autorreferencial. 
A Teoria da Subconectividade do Autismo supõe que o Autismo é marcado por conexões 
neurais de alto nível e sincronização, além de um excesso de processos de baixo nível. 
Evidência para essa teoria foi encontrada em estudos de neuroimagem funcional em 
indivíduos autistas e por um estudo de ondas cerebrais que sugeriu que adultos com 
ASD têm overconectividade local no córtex e fracas conexões funcionais entre o lobo 
frontal e o resto do córtex. Outras evidências sugerem que a subconectividade está 
principalmente dentrode cada hemisfério do córtex e que o Autismo é um distúrbio do 
córtex de associação.
Figura 5.
Disponível em: . Acesso em: 5 nov. 2018.
27
PSICOPATOLOGIA E NEUROPSICOLOGIA │ UNIDADE II
A Figura 5 se refere à Ressonância Magnética Funcional, ou Ressonância 
Magnética Funcional (fMRI), que mede a atividade cerebral por meio da detecção 
de alterações associadas ao fluxo sanguíneo. Essa técnica se baseia no fato de 
que o fluxo sanguíneo cerebral e a ativação neuronal estão acoplados. Quando 
uma área do cérebro está em uso, o fluxo sanguíneo para essa região também 
aumenta. 
O conceito de Ressonância Magnética Funcional baseia-se na tecnologia anterior 
de Ressonância Magnética e na descoberta de propriedades do sangue rico em 
oxigênio. As Ressonâncias Magnéticas do cérebro usam um campo magnético 
forte, permanente e estático para alinhar núcleos na região do cérebro em estudo. 
Outro campo magnético, o campo gradiente, é então aplicado para localizar 
espacialmente diferentes núcleos. Finalmente, um pulso de radiofrequência (RF) 
é tocado para chutar os núcleos para níveis mais altos de magnetização, com o 
efeito agora dependendo de onde eles estão localizados. Quando o campo RF é 
removido, os núcleos voltam aos seus estados originais, e a energia que eles emitem 
é medida com uma bobina para recriar as posições dos núcleos. A Ressonância 
Magnética fornece, assim, uma visão estrutural estática da matéria cerebral. O 
impulso central por trás da fMRI foi estender a ressonância magnética para capturar 
alterações funcionais no cérebro causadas pela atividade neuronal. Diferenças nas 
propriedades magnéticas entre sangue arterial (rico em oxigênio) e venoso (pobre 
em oxigênio) forneceram essa ligação (AGUIRRE; D’ESPOSITO, 2000). 
Desde a década de 1890, sabe-se que mudanças no fluxo sanguíneo e na oxigenação do 
sangue no cérebro (coletivamente conhecidas como hemodinâmicas) estão intimamente 
ligadas à atividade neural. Quando os neurônios se tornam ativos, o fluxo sanguíneo 
local para essas regiões do cérebro aumenta, e o sangue rico em oxigênio (oxigenado) 
desloca o sangue exaurido (desoxigenado) pelo oxigênio cerca de 2 segundos depois. 
Isso sobe para um pico ao longo de 4 a 6 segundos, antes de cair de volta ao nível original 
(e tipicamente se desviar ligeiramente). O oxigênio é transportado pela molécula de 
hemoglobina nos glóbulos vermelhos. A hemoglobina desoxigenada (dHb) é mais 
magnética (paramagnética) do que a hemoglobina oxigenada (Hb), que é virtualmente 
resistente ao magnetismo (diamagnética). Essa diferença leva a um melhor sinal de 
RM, já que o sangue diamagnético interfere menos com o sinal magnético de RM. 
Essa melhora pode ser mapeada para mostrar quais neurônios estão ativos por vez 
(SANDRONE et al., 2014). 
28
UNIDADE II │ PSICOPATOLOGIA E NEUROPSICOLOGIA
Figura 6.
Disponível em: . Acesso em: 7 nov. 2018.
Durante o final do século XIX, Angelo Mosso inventou o “equilíbrio da circulação 
humana”, que poderia medir de maneira não invasiva a redistribuição do sangue durante 
a atividade emocional e intelectual. No entanto, embora brevemente mencionado por 
William James em 1890, os detalhes e o funcionamento preciso desse equilíbrio e os 
experimentos realizados por Mosso permaneceram em grande parte desconhecidos 
até a recente descoberta do instrumento original, bem como os relatórios de Mosso 
e Stefano Sandrone. Angelo Mosso investigou várias variáveis críticas que ainda 
são relevantes na moderna neuroimagem, como a “relação sinal-ruído”, a escolha 
apropriada do paradigma experimental e a necessidade de registro simultâneo de 
diferentes parâmetros fisiológicos. Os manuscritos de Mosso não fornecem evidências 
diretas de que o equilíbrio foi realmente capaz de medir mudanças no fluxo sanguíneo 
cerebral devido à cognição, entretanto uma réplica moderna realizada por David T. Field 
demonstrou usar técnicas modernas de processamento de sinais não disponíveis para 
Mosso, que um aparato de equilíbrio desse tipo é capaz de detectar mudanças no volume 
de sangue cerebral relacionado à cognição (SANDRONE et al., 2012; BACIGALUPPI et 
al., 2014; FIELD; INMAN, 2014).
Em 1890, Charles Roy e Charles Sherrington associaram experimentalmente a função 
cerebral ao fluxo sanguíneo, na Universidade de Cambridge (FIELD; INMAN, 2014). 
O próximo passo para resolver como medir o fluxo sanguíneo para o cérebro foi a 
descoberta de Linus Pauling e Charles Coryell em 1936 de que o sangue rico em oxigênio 
com Hb era repelido fracamente por campos magnéticos, enquanto o sangue pobre 
em oxigênio com dHb era atraído por um campo magnético, embora menos do que os 
elementos ferromagnéticos, como o ferro. 
Seiji Ogawa da AT & T Bell laboratórios reconheceu que isso poderia ser usado para 
aumentar a ressonância magnética, que poderia estudar apenas a estrutura estática do 
cérebro, uma vez que as diferentes propriedades magnéticas de dHb e Hb causadas pelo 
fluxo sanguíneo para regiões do cérebro ativadas causariam mudanças mensuráveis 
29
PSICOPATOLOGIA E NEUROPSICOLOGIA │ UNIDADE II
no sinal de Ressonância Magnética. BOLD é o contraste de Ressonância Magnética do 
dHb, descoberto em 1990 por Ogawa. Em um estudo seminal de 1990, baseado em 
trabalhos anteriores de Thulborn et al., Ogawa e seus colegas examinaram roedores 
em um forte campo magnético (7,0 T) de Ressonância Magnética. Para manipular o 
nível de oxigênio no sangue, eles mudaram a proporção de oxigênio que os animais 
respiravam. Como essa proporção caiu, um mapa do fluxo sanguíneo no cérebro foi 
visto na Ressonância Magnética. Eles verificaram isso colocando tubos de ensaio 
com sangue oxigenado ou desoxigenado e criando imagens separadas. Eles também 
mostraram que imagens gradiente-eco, que dependem de uma forma de perda de 
magnetização chamada decaimento T2, produziam as melhores imagens. Para mostrar 
que essas mudanças no fluxo sanguíneo estavam relacionadas à atividade cerebral 
funcional, elas modificaram a composição do ar respirado por ratos e as escanearam 
enquanto monitoravam a atividade cerebral com o EEG. A primeira tentativa de 
detectar a atividade cerebral regional usando Ressonância Magnética foi realizada por 
Belliveau e outros da Universidade de Harvard usando o agente de contraste Magnevist, 
uma substância ferromagnética remanescente na corrente sanguínea após injeção 
intravenosa. No entanto, esse método não é popular na fMRI humana, porque qualquer 
injeção clinicamente desnecessária é, até certo ponto, insegura e desconfortável, e 
porque o agente permanece no sangue apenas por um curto período de tempo. 
Três estudos em 1992 foram os primeiros a explorar o contraste BOLD em humanos. 
Kenneth Kwong e seus colegas usaram uma sequência Echo Planar Imaging (EPI) de 
gradiente-eco em uma força de campo magnético de 1,5 T para estudar a ativação no 
córtex visual. Ogawa e outros conduziram o estudo usando um campo mais alto (4,0 T) 
e mostraram que o sinal BOLD dependia da perda de magnetização T2. O decaimento 
T2 é causado por núcleos magnetizados em um volume de espaço perdendo a coerência 
magnética (magnetização transversal) tanto de colisões entre si quanto de diferenças 
intencionais na intensidade do campo magnético aplicado entre locais (inomogeneidade 
de campo a partir de um gradiente espacial). Bandettini e seus colegas usaram o EPI em 
1,5 T para mostrar a ativação no córtex motor primário, uma área do cérebro no último 
estágio do circuito que controla os movimentos voluntários. Os campos magnéticos, 
sequências de pulso e procedimentos e técnicas utilizadas por esses estudos iniciais 
ainda são usados em estudos atuais de fMRI. Mas hoje os pesquisadores normalmente 
coletam dados de mais fatias (usando gradientes magnéticos mais fortes), e 
pré-processam e analisam dados usando técnicas estatísticas (BRAMMER,2004).
30
UNIDADE II │ PSICOPATOLOGIA E NEUROPSICOLOGIA
Fisiologia
O cérebro não armazena glicose, sua principal fonte de energia. Quando os neurônios 
se tornam ativos, levá-los de volta ao seu estado original de polarização requer bombear 
ativamente os íons através das membranas das células neuronais, em ambas as direções. 
A energia para essas bombas de íons é produzida principalmente a partir da glicose. 
Mais sangue flui para transportar mais glicose, também trazendo mais oxigênio na 
forma de moléculas de hemoglobina oxigenada nos glóbulos vermelhos. Isto é, de uma 
taxa mais alta de fluxo sanguíneo e uma expansão dos vasos sanguíneos. A mudança do 
fluxo sanguíneo está localizada dentro de 2 ou 3 mm de onde a atividade neural está. 
Normalmente, o oxigênio trazido é mais do que o oxigênio consumido na queima de 
glicose (ainda não está resolvido se a maior parte do consumo de glicose é oxidativo), e 
isso causa uma diminuição na hemoglobina desoxigenada (dHb) nos vasos sanguíneos 
da área do cérebro. Isso altera a propriedade magnética do sangue, fazendo com que ele 
interfira menos com a magnetização e sua eventual decadência induzida pelo processo 
de ressonância magnética (SIGMAN; SPENCE; WANG, 2006; KENWORTH et al., 
2008; RAJENDRAN; MITCHEL, 2007; HAPPÉ; FRITH, 2006). 
O fluxo sanguíneo cerebral (FSC) corresponde à glicose consumida de maneira 
diferente nas diferentes regiões cerebrais. Os resultados iniciais mostram que há mais 
influxo do que o consumo de glicose em regiões como a amígdala, os gânglios basais, o 
tálamo e o córtex cingulado, todos recrutados para respostas rápidas. Em regiões mais 
deliberativas, como os lobos parietal lateral e frontal, parece que o fluxo de entrada é 
menor que o consumo. Isso afeta a sensibilidade BOLD (HUETTEL et al., 2009). 
A hemoglobina difere na forma como responde aos campos magnéticos, dependendo 
de ter uma molécula de oxigênio ligada. A molécula de dHb é mais atraída por campos 
magnéticos. Assim, distorce o campo magnético circundante induzido por um scanner 
de ressonância magnética, fazendo com que os núcleos percam magnetização mais 
rapidamente mediante o decaimento T2. Assim, sequências de pulso de RM sensíveis 
a T2 mostram mais sinal de RM onde o sangue é altamente oxigenado e menos onde 
não é. Esse efeito aumenta com o quadrado da força do campo magnético. O sinal 
fMRI precisa, portanto, de um campo magnético forte (1,5 T ou superior) e de uma 
sequência de pulsos como a EPI, que é sensível ao contraste T2 (HUETTEL et al., 2009; 
MOTTRON et al., 2006; MURRAY; LESSER; LAWSON, 2005; LEVY; MANDELL; 
SCHULTZ, 2009). 
A resposta fisiológica do fluxo sanguíneo determina, em grande parte, a sensibilidade 
temporal, ou seja, com que precisão podemos medir quando os neurônios estão ativos, 
na RMB em negrito. O parâmetro de resolução de tempo básico (tempo de amostragem) 
31
PSICOPATOLOGIA E NEUROPSICOLOGIA │ UNIDADE II
é designado TR; o TR determina com que frequência uma específica fatia do cérebro 
é excitada e deixa perder sua magnetização. TRs podem variar do muito curto (500 
ms) ao muito longo (3 s). Para fMRI especificamente, a resposta hemodinâmica dura 
mais de 10 segundos, aumentando multiplicativamente (isto é, como uma proporção do 
valor atual), atingindo o pico de 4 a 6 segundos e, depois, caindo multiplicativamente. 
Alterações no sistema de fluxo sanguíneo, o sistema vascular, integram respostas à 
atividade neuronal ao longo do tempo. Como essa resposta é uma função contínua e 
suave, a amostragem com TRs cada vez mais rápidos não ajuda, apenas dá mais pontos 
na curva de resposta obtida pela simples interpolação linear de qualquer maneira. 
Paradigmas experimentais, como o escalonamento quando um estímulo é apresentado 
em várias tentativas, podem melhorar a resolução temporal, mas reduzem o número 
de pontos de dados efetivos obtidos (HUETTEL et al., 2009; ZAFEIRIOU; VERVERI; 
VARGIAMI, 2007; CHAKRABARTI; FOMBONNE, 2001; MADËR, 1996). 
Utilização pela medicina 
Os médicos usam fMRI para avaliar o grau de risco de uma cirurgia no cérebro ou 
tratamento invasivo semelhante para um paciente e para saber como um cérebro 
normal, doente ou lesionado está funcionando. Eles mapeiam o cérebro com fMRI para 
identificar regiões ligadas a funções críticas, como falar, mover, sentir ou planejar. Isso 
é útil para planejar cirurgias e radioterapia do cérebro. Os médicos também usam fMRI 
para mapear anatomicamente o cérebro e detectar os efeitos de tumores, derrames 
cerebrais, lesões cerebrais e na cabeça, ou doenças como a doença de Alzheimer e 
deficiências de desenvolvimento, como o Autismo etc. (CUNHA, 2004; SUBBARAJU; 
SUNDARAM; NARASIMHAN, 2017; MADER, 2004). 
O uso clínico de fMRI ainda está aquém do uso de pesquisas. Pacientes com patologias 
cerebrais são mais difíceis de serem digitalizados com Ressonância Magnética 
Funcional do que os jovens voluntários saudáveis, a população típica de sujeitos de 
pesquisa. Tumores e lesões podem alterar o fluxo sanguíneo de formas não relacionadas 
à atividade neural, mascarando o HDR neural. Medicamentos como anti-histamínicos 
e até cafeína podem afetar o HDR. Alguns pacientes podem estar sofrendo de distúrbios 
como mentiras compulsivas, o que torna certos estudos impossíveis. É mais difícil para 
aqueles com problemas clínicos ficarem parados por muito tempo. Usar apoios de 
cabeça ou barras de mordida pode ferir os epilépticos que têm uma convulsão no interior 
do scanner; barras de mordida também podem incomodar as pessoas com próteses 
dentárias (HEBBEN; MILBERG, 2009; ROMBOUTS; BARKHOF; SHELTENS, 2007). 
Apesar dessas dificuldades, o fMRI tem sido usada clinicamente para mapear áreas 
funcionais, verificar assimetria hemisférica esquerda-direita em regiões de linguagem 
32
UNIDADE II │ PSICOPATOLOGIA E NEUROPSICOLOGIA
e memória, verificar os correlatos neurais de uma convulsão, estudar como o cérebro 
se recupera parcialmente de um derrame, testar quão bem uma droga ou terapia 
comportamental funciona, detectar o aparecimento da Doença de Alzheimer e observar 
a presença de distúrbios como a depressão. 
O mapeamento de áreas funcionais e a compreensão da lateralização da linguagem 
e da memória ajudam os cirurgiões a evitar a remoção de regiões críticas do cérebro 
quando precisam operar e remover o tecido cerebral. Isso é de particular importância 
na remoção de tumores e em pacientes com epilepsia do lobo temporal intratável. 
Tumores lesionantes requerem planejamento pré-cirúrgico para garantir que nenhum 
tecido funcionalmente útil seja removido desnecessariamente. Pacientes deprimidos 
recuperados mostraram atividade alterada de fMRI no cerebelo, isso pode indicar uma 
tendência à recaída. A Ressonância Magnética farmacológica, avaliando a atividade 
cerebral após a administração de medicamentos, pode ser usada para verificar quanto 
uma droga penetra na barreira hematoencefálica e informações de dose versus efeito 
da medicação (ALMEIDA, 2010; NOLEN-HOEKSEMA et al., 2012; ROMBOUTS; 
BARKHOF; SHELTENS, 2007). 
Figura 7.
Disponível em: . Acesso em: 7 nov. 2018.
A partir de estudos baseados em potenciais relacionados a eventos, mudanças 
transitórias na atividade elétrica do cérebro em resposta a estímulos, há considerável 
evidência de diferenças em indivíduos autistas relativamente à atenção, à orientação a 
estímulos auditivos e visuais, à detecção de novidade, à linguagem, ao processamento 
facial e ao armazenamento de informações. Vários estudos descobriram uma 
preferência por estímulos não sociais. Por exemplo, estudos de magnetoencefalografia 
33
PSICOPATOLOGIA E NEUROPSICOLOGIA │ UNIDADE II
encontraram evidências em crianças com Autismo de respostas atrasadas no 
processamento de sinais auditivos no cérebro (JESTE; NELSON, 2009; STEYAERT; 
DELA MARCHE, 2008).
Na área genética, foram encontradas relações entre o Autismo e a esquizofrenia com 
base em duplicaçõese deleções de cromossomos; pesquisas mostraram que a 
Esquizofrenia e o Autismo são significativamente mais comuns em combinação 
com a Síndrome de Deleção (1q21.1). Pesquisas sobre as relações entre Autismo e 
Esquizofrenia para o cromossomo 15 (15q13.3), cromossomo 16 (16p13.1) e cromossomo 
17 (17p12) são inconclusivas (ZAFEIRIOU; VERVERI; VARGIAMI, 2007; BYRNE, 
2008; CHAKRABARTI; FOMBONNE, 2001; WHITE et al., 2009).
Migração neuronal 
 » Início na 8ª semana gestacional. 
 » Ápice migratório: – 16 semanas. 
 » Continua até o 5º mês. 
 » Ordem de migração: – 1-6-5-4-3-2. 
 » Depois da formação hexalaminar, os neurônios iniciam a formação de 
dendritos e sinapses.
Figura 8.
Disponível em: . Acesso em: 7 nov. 2018.
34
UNIDADE II │ PSICOPATOLOGIA E NEUROPSICOLOGIA
Sobre a Figura 8: indivíduos autistas tendem a usar diferentes áreas do cérebro 
(amarelo) para uma tarefa de movimento em comparação a um grupo de 
controle (azul).
Estudos de conectividade funcional encontraram hipo e hiperconectividade em 
cérebros de pessoas com Autismo. A hipoconectividade parece dominar, especialmente 
para conectividade funcional hemisférica e cortico-cortical (HA et al., 2015; SPENCE; 
SCHNEIDER, 2009; MANZI et al., 2008;O’HEARN; ASATO; ORDAZ, 2008). 
Minicolunas 
A função mental requer conjuntos neuronais trabalhando juntos e em sincronia.
Módulos:
 » Células dividindo o mesmo estímulo/resposta.
 » Menor módulo = minicoluna.
Figura 9.
 
 
 
Minicolunas 
60-100 neurônios 
Macrocolunas 
60-80 minicolunas 
Circuitos de larga 
escala 
Disponível em: . Acesso em: 7 nov. 2018.
Nosso cérebro é totalmente etétrico! Cheio de células individuais e neurônios conectados 
uns aos outros pelos dentritos e axônios. Toda vez que pensamos, nos movimentamos, 
sentimos ou nos lembramos de algo, nossos neurônios estão em ação. Essa ação é 
realizada por pequenos sinais elétricos que se movem rapidamente de neurônio para 
neurônio – as chamadas sinapses. Esses sinais são gerados por potenciais elétricos 
diferentes carregados pelos íons na menbrana de cada neurônio. Todas as nossas 
percepções físicas são registradas em nosso cérebro físico. Contudo, nosso cérebro 
físico é um componente do holograma de nossa realidade 3D (LANDA, 2008; NIMH, 
2016; HILL, 2004). 
35
PSICOPATOLOGIA E NEUROPSICOLOGIA │ UNIDADE II
Minicolunas no TEA
 » Mais estreitas.
 » Mais numerosas.
 » Neurônios menores e mais dispersos.
Déficit inibitório
Cérebro hiperexcitado
 » Mais conexões a curta distância.
Maior discriminação
 » Menores conexões a longa distância.
Menor generalização
 » Maior risco de crise convulsiva.
Desbalanço excitatório/inibitório
 » Glutamato GABA.
Alteração atencional
 » Dificuldade em direcionar atenção para o que é socialmente relevante.
 » Dificuldade de trocar o foco atencional.
Poda neural
Figura 10.
Disponível em: . 
Acesso em: 7 nov. 2018.
36
UNIDADE II │ PSICOPATOLOGIA E NEUROPSICOLOGIA
Poda neural: 
 » 2 anos.
 » 4 anos.
 » 6 anos.
 » 13 anos.
Neuroplasticidade: 
 » Aumento no número de dendritos.
 » Alteração nos receptores de neurotransmissores.
AUTISMO e neuroplasticidade, por Mariella Ometto Scarparo. Produção de TEDx 
Talks. São Paulo: TEDx, 2015. YouTube (10 min.): son., color. Legendado. Port. 
Disponível em: .
De onde vem?
Genética:
 » Gêmeos monozigóticos:
 › Concordância em mais de 90%.
 » Gêmeos dizigóticos:
 › Concordância em cerca de 35%.
Quadro 3 - Red Flags
Em qualquer idade:
Perda de habilidades sociais, fala ou balbucio.
6 meses: não sorri, não apresenta expressão alegre.
9 meses: não compartilha sons, sorrisos e outras 
expressões faciais.
12 meses: não balbucia, não aponta, não gesticula.
16 meses: não fala palavras.
24 meses: não fala frases de duas palavras com 
significado (sem repetir).
Acervo pessoal
Apresentação complexa
 » 20 a 30% dos indivíduos são não verbais.
37
PSICOPATOLOGIA E NEUROPSICOLOGIA │ UNIDADE II
 » 20 a 25% deles há um retrocesso marcante em termos da linguagem 
previamente adquirida.
 » 40% deficiência intelectual.
 » 35% epilepsia.
 » 15% síndromes genéticas associadas.
 » Problemas gastrointestinais.
 » Insônia.
Neuropsicologia
Ramo da neurociência que estuda as relações entre cérebro e comportamento.
Duas grandes categorias de teorias cognitivas foram propostas sobre as ligações entre o 
cérebro autista e o comportamento.
A primeira categoria enfoca os déficits na cognição social. A teoria de sistematização 
empatia de Simon Baron-Cohen postula que indivíduos autistas podem sistematizar 
– isto é, eles podem desenvolver regras internas de operação para lidar com eventos 
dentro do cérebro –, mas são menos efetivos em empatizar lidando com eventos gerados 
por outros agentes. 
Uma extensão, a extrema teoria do cérebro masculino, hipotetiza que o Autismo é um 
caso extremo do cérebro masculino, definido psicometricamente como indivíduos 
nos quais a sistematização é melhor do que a empatia. Essas teorias são um tanto 
relacionadas à abordagem anterior da teoria da mente de Baron-Cohen, segundo a 
qual hipotetiza que o comportamento autista surge da incapacidade de atribuir estados 
mentais a si mesmo e a outros. 
A hipótese da teoria da mente é apoiada pelas respostas atípicas de crianças com 
Autismo ao teste de Sally-Anne para raciocinar sobre as motivações dos outros, e a 
teoria do sistema de neurônios-espelho do Autismo se encaixa bem na hipótese. No 
entanto, a maioria dos estudos não encontrou evidências de comprometimento na 
capacidade dos indivíduos autistas de compreender as intenções ou objetivos básicos 
de outras pessoas; em vez disso, os dados sugerem que deficiências são encontradas 
na compreensão de emoções sociais mais complexas ou na consideração dos pontos de 
vista dos outros (BARON-COHEN, 2009; HAMILTON, 2009).
38
UNIDADE II │ PSICOPATOLOGIA E NEUROPSICOLOGIA
A segunda categoria enfoca o processamento não social ou geral: as funções executivas, 
como memória de trabalho, planejamento, inibição. Em sua revisão, Kenworthy (2008) 
afirma que a alegação de disfunção executiva como um fator causal no Autismo é 
controversa, no entanto é claro que a disfunção executiva desempenha um papel nos 
déficits sociais e cognitivos observados em indivíduos com Autismo (KENWORTHY 
et al., 2008). Testes de processos executivos centrais, como tarefas de movimento 
ocular, indicam melhora do final da infância para a adolescência, mas o desempenho 
nunca atinge níveis típicos de adultos (HILL, 2004). Uma força da teoria é prever 
comportamentos estereotipados e interesses limitados; duas fraquezas são que a 
função executiva é difícil de medir e que os déficits de funções executivas não foram 
encontrados em crianças pequenas com Autismo (SIGMAN; SPENCE; WANG, 2006). 
Fraca teoria da coerência central hipotetiza que uma capacidade limitada de enxergar 
o quadro geral está subjacente à perturbação central no Autismo. Uma força dessa 
teoria é prever talentos especiais e picos de desempenho em pessoas autistas. Uma 
teoria relacionada – melhora o funcionamento perceptual – concentra-se mais na 
superioridade das operações localmente orientadas e perceptivas em indivíduos autistas. 
Ainda outro, o monotropismo, postula que o Autismo deriva de um estilo cognitivo 
diferente, tendendo a focalizar a atenção (ou processar recursos) intensamente, com a 
exclusão de outros estímulos. Essas teorias mapeiam bem a teoria da subconectividade 
do Autismo (HAPPÉ; FRITH, 2006; MOTTRON et al., 2006; MURRAY; LESSER; 
LAWSON, 2005). 
A fraca teoria da coerência central (CAC), também chamada de teoria da 
coerência central (CC), sugere que um estilo perceptivo-cognitivo específico, 
vagamente descrito como uma capacidade limitada de entendero contexto 
ou “enxergar o quadro geral”, fundamenta a perturbação central no 
Autismo e transtornos do espectro do Autismo relacionados. O Autismo é 
um distúrbio do neurodesenvolvimento caracterizado por interação social 
e comunicação prejudicadas, bem como comportamentos repetitivos e 
interesses restritos (MINSHEW; WILLIAMS, 2007; BAHON-COHEN, 2009; JESTE; 
NELSON, 2009; SUBBARAJU; SUNDARAM; NARASIMHAN, 2017; HUETEL et al., 
2009; BRAMMER, 2004).
A fraca teoria da coerência central tenta explicar como algumas pessoas 
diagnosticadas com Autismo podem mostrar habilidade notável em assuntos 
como matemática e engenharia, mas têm problemas com habilidades de 
linguagem e tendem a viver em um mundo social isolado. A teoria está entre os 
modelos conceituais mais proeminentes que tentam explicar as anormalidades 
dos indivíduos autistas em tarefas que envolvem processos cognitivos locais e 
39
PSICOPATOLOGIA E NEUROPSICOLOGIA │ UNIDADE II
globais (LANDA, 2008; BUTLE, 2006; FIELD; INMAN, 2014; BACIGALUPPI et al., 
2014; SANDRONE et al., 2012; AGUIRRE; D’ESPOSITO, 2000).
Uta Frith, da University College London, primeiro avançou a fraca teoria da 
coerência central no final da década de 1980. Frith supôs que as pessoas autistas 
tipicamente pensam sobre as coisas nas menores partes possíveis. Sua hipótese 
é que crianças autistas realmente percebem detalhes melhor do que pessoas 
neurotípicas (DSM-5, 2013; GRABOWNSKI; DAMASIO, 2000; HAMILTON, 2009; 
BARON-COHEN, 2009).
Nenhuma das categorias é satisfatória por si só. As teorias da cognição social mal 
abordam os comportamentos rígidos e repetitivos do Autismo, enquanto as teorias 
não sociais têm dificuldade em explicar o comprometimento social e as dificuldades 
de comunicação. Uma teoria combinada baseada em múltiplos déficits pode revelar-se 
mais útil (RAJENDRAN; MITCHELL, 2007).
O diagnóstico é baseado em comportamento, não causa ou mecanismo. Sob o DSM-5, 
o Autismo é caracterizado por déficits persistentes na comunicação social e interação 
entre múltiplos contextos, bem como padrões restritos e repetitivos de comportamento, 
interesses ou atividades. Esses déficits estão presentes na primeira infância, geralmente 
antes dos três anos de idade, e levam a um comprometimento funcional clinicamente 
significativo. Os sintomas da amostra incluem falta de reciprocidade social ou emocional, 
uso estereotipado e repetitivo da linguagem ou linguagem idiossincrática e preocupação 
persistente com objetos incomuns. A perturbação não deve ser melhor explicada pela 
Síndrome de Rett, incapacidade intelectual ou atraso global no desenvolvimento. A 
CID-10 usa essencialmente a mesma definição (ROMBOUTS; BARKHOF; SHELTENS, 
2007).
Vários instrumentos de diagnóstico estão disponíveis. Dois são comumente usados 
na pesquisa do Autismo: a Entrevista de Diagnóstico de Autismo Revisada (ADI-R) é 
uma entrevista de pai semiestruturada, e o Cronograma de Observação Diagnóstica do 
Autismo (ADOS) usa observação e interação com a criança. A Escala de Avaliação de 
Autismo na Infância (CARS) é usada amplamente em ambientes clínicos para avaliar a 
gravidade do Autismo com base na observação de crianças. A entrevista de Diagnóstico 
para Transtornos Sociais e da comunicação (DISCO) também pode ser usada (FRITH, 
2005).
Um pediatra geralmente realiza uma investigação preliminar, levando a história do 
desenvolvimento e examinando fisicamente a criança. Se necessário, o diagnóstico 
e as avaliações são conduzidos com a ajuda de especialistas em TEA, observando e 
avaliando fatores cognitivos, de comunicação, familiares e outros, usando ferramentas 
40
UNIDADE II │ PSICOPATOLOGIA E NEUROPSICOLOGIA
padronizadas e levando em consideração quaisquer condições médicas associadas. 
Um neuropsicólogo pediátrico é frequentemente solicitado a avaliar habilidades 
comportamentais e cognitivas, tanto para auxiliar o diagnóstico quanto para ajudar a 
recomendar intervenções educacionais. Um diagnóstico diferencial para o TEA nesse 
estágio também pode levar em consideração a deficiência intelectual, a deficiência 
auditiva e um distúrbio de linguagem específico, como a Síndrome de Landau-Kleffner. 
A presença de Autismo pode dificultar o diagnóstico de transtornos psiquiátricos 
coexistentes, como a depressão (KLIN et al., 2003).
Avaliações clínicas genéticas são feitas frequentemente quando o diagnóstico de TEA 
é diagnosticado, particularmente quando outros sintomas já sugerem uma causa 
genética. Embora a tecnologia genética permita que geneticistas clínicos vinculem 
cerca de 40% dos casos a causas genéticas, as diretrizes de consenso nos EUA e no 
Reino Unido estão limitadas aos testes de cromossomo de alta resolução e X frágil. Um 
modelo genótipo-primeiro de diagnóstico foi proposto, que avaliaria rotineiramente as 
variações do número de cópias do genoma. À medida que novos testes genéticos forem 
sendo desenvolvidos, várias questões éticas, legais e sociais surgirão. A disponibilidade 
comercial de testes pode preceder a compreensão adequada de como usar os resultados 
dos testes, dada a complexidade da genética do Autismo. Testes metabólicos e de 
neuroimagem às vezes são úteis, mas não são rotineiros (BARON-COHEN; LESLIE; 
FRITH, 1985).
Às vezes, o TEA pode ser diagnosticado aos 14 meses, embora o diagnóstico se torne cada 
vez mais estável nos primeiros três anos de vida: por exemplo, uma criança de um ano que 
atende aos critérios diagnósticos para TEA é menos provável do que uma criança de três 
anos para fazer isso alguns anos depois. No Reino Unido, o Plano Nacional de Autismo 
para Crianças recomenda no máximo 30 semanas desde a primeira preocupação até o 
diagnóstico e a avaliação completos, embora poucos casos sejam tratados rapidamente 
na prática. Embora os sintomas do Autismo e do ASD tenham início cedo na infância, 
às vezes eles são perdidos; anos mais tarde, os adultos podem buscar diagnósticos para 
ajudá-los, ou a seus amigos e familiares, a compreenderem a si mesmos, ajudarem seus 
empregadores a fazer ajustes ou, em alguns locais, reivindicarem subsídios de pensão 
por invalidez ou outros benefícios. As meninas geralmente são diagnosticadas depois 
dos meninos (BLAKEMORE; DECETY, 2001). 
O subdiagnóstico e o superdiagnóstico são problemas em casos marginais, e grande 
parte do aumento recente no número de casos de TEA relatados é provavelmente 
devido a mudanças nas práticas diagnósticas. A crescente popularidade das opções de 
tratamento de drogas e a expansão dos benefícios deram aos provedores incentivos 
para diagnosticar o TEA, resultando em algum superdiagnóstico de crianças com 
41
PSICOPATOLOGIA E NEUROPSICOLOGIA │ UNIDADE II
sintomas incertos. Por outro lado, o custo do rastreamento e do diagnóstico e o desafio 
de obter o pagamento podem inibir ou retardar o diagnóstico. É particularmente difícil 
diagnosticar o Autismo entre os deficientes visuais, em parte porque alguns de seus 
critérios diagnósticos dependem da visão e em parte porque os sintomas autísticos se 
sobrepõem aos das síndromes ou limitações da cegueira comum (ALLISON; PUCE; 
McCARTHY, 2000). 
Para Levy e Mandell (2009), várias outras condições são comuns em crianças com 
Autismo. Entre elas estão:
 » Distúrbios genéticos. Cerca de 10 a 15% dos casos de TEA apresentam 
uma condição mendeliana identificável (gene único), anormalidade 
cromossômica ou outra síndrome genética. Um distúrbio genético é um 
problema genético causado por uma ou mais anormalidades no genoma. 
A maioria dos distúrbios genéticos é bastante rara e afeta uma pessoa 
em cada vários milhares ou milhões de pessoas. Os distúrbios genéticos 
podem ser hereditários, o que significa que eles são transmitidos pelos 
genes dos pais. Em outros distúrbios genéticos, os defeitos podem ser 
causados por novas mutações ou alterações no DNA. Em tais casos, o 
defeito só será transmitido se ocorrer na linha germinativa. Alguns tipos 
de distúrbios genéticos recessivos conferem uma

Mais conteúdos dessa disciplina