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MATERIAL DIGITAL!
CÉSAR BRASIL SPERB
LILIAN CRUZ SOUTO DE OLIVEIRA SPERB
INVESTIGAÇÃO 
EM SAÚDE 
E ENFERMAGEM
Bibliotecária: Leila Regina do Nascimento - CRB- 9/1722.
Ficha catalográfica elaborada de acordo com os dados fornecidos pelo(a) autor(a).
Núcleo de Educação a Distância. SPERB, César Brasil; SPERB, Lilian 
Cruz Souto de Oliveira.
Investigação em Saúde e Enfermagem / César Brasil Sperb; Lilian 
Cruz Souto de Oliveira Sperb. - Florianópolis, SC: Arqué, 2025.
212 p.
ISBN papel 978-65-279-1175-3
ISBN digital 978-65-279-1145-6
1. Investigação 2. Saúde 3. Enfermagem 4. EaD. I. Título. 
CDD - 610.73 
EXPEDIENTE
Ano de impressão:
Impresso por: 
Coordenador(a) de Conteúdo 
Liliana Antoniolli
Projeto Gráfico e Capa
Arthur Cantareli Silva
Editoração
Alan Diego Hordina e Yago Luiz Nardelli
Design Educacional
Taísa Moreira
Revisão Textual
Carla Cristina Farinha
Ilustração
André Azevedo, Bruno Pardinho e 
Eduardo Aparecido Alves 
Fotos
Shutterstock e Envato
FICHA CATALOGRÁFICA
N964
03507560
https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/20897
RECURSOS DE IMERSÃO
Utilizado para temas, assuntos ou con-
ceitos avançados, levando ao aprofun-
damento do que está sendo trabalhado 
naquele momento do texto. 
APROFUNDANDO
Utilizado para desmistificar pontos 
que possam gerar confusão sobre o 
tema. Após o texto trazer a explicação, 
essa interlocução pode trazer pontos 
adicionais que contribuam para que 
o estudante não fique com dúvidas 
sobre o tema. 
ZOOM NO CONHECIMENTO
Este item corresponde a uma proposta 
de reflexão que pode ser apresentada por 
meio de uma frase, um trecho breve ou 
uma pergunta. 
PENSANDO JUNTOS
Utilizado para aprofundar o 
conhecimento em conteúdos 
relevantes utilizando uma lingua-
gem audiovisual.
EM FOCO
Utilizado para agregar um con-
teúdo externo.
EU INDICO
Professores especialistas e con-
vidados, ampliando as discus-
sões sobre os temas por meio de 
fantásticos podcasts.
PLAY NO CONHECIMENTO
PRODUTOS AUDIOVISUAIS
Os elementos abaixo possuem recursos 
audiovisuais. Recursos de mídia dispo-
níveis no conteúdo digital do ambiente 
virtual de aprendizagem.
Uma dose extra de 
conhecimento é sempre 
bem-vinda. Aqui você 
terá indicações de filmes 
que se conectam com o 
tema do conteúdo.
INDICAÇÃO DE FILME
Uma dose extra de 
conhecimento é sempre 
bem-vinda. Aqui você terá 
indicações de livros que 
agregarão muito na sua 
vida profissional.
INDICAÇÃO DE LIVRO
4
149U N I D A D E 3
PROJETO DE PESQUISA: METODOLOGIA DE PESQUISA 150
ANÁLISE DE DADOS EM PESQUISA 170
ESCRITA ACADÊMICA 190
7U N I D A D E 1
PESQUISA EM SAÚDE: ASPECTOS HISTÓRICOS 8
PESQUISA EM ENFERMAGEM 32
ÉTICA E BIOÉTICA EM PESQUISA 56
81U N I D A D E 2
ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DE PESQUISA 82
ACESSO À PESQUISA CIENTÍFICA NA ÁREA DA SAÚDE 
E AVALIAÇÃO DOS ESTUDOS 104
QUALIDADE E NÍVEIS DE EVIDÊNCIA DAS PUBLICAÇÕES CIENTÍFICAS 126
5
SUMÁRIO
UNIDADE 1
MINHAS METAS
PESQUISA EM SAÚDE: 
ASPECTOS HISTÓRICOS
Identificar os tipos de conhecimento e sua importância para a prática.
Compreender a relação entre teoria e reflexão crítica.
Refletir sobre a influência histórica, social e cultural na enfermagem.
Diferenciar os principais paradigmas científicos da pesquisa em saúde.
Relacionar as concepções teóricas da ciência.
Entender os paradigmas positivista, compreensivo e crítico na pesquisa. 
Refletir sobre o enfermeiro na produção e aplicação do conhecimento.
T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 1
8
INICIE SUA JORNADA
Você já pensou em quantos tipos de conhecimento estão envolvidos na for-
mação em enfermagem? De um lado, há o conhecimento técnico, essencial 
para garantir que os procedimentos sejam seguros e eficazes. De outro, há o 
conhecimento prático, que só se aprende no contato direto com os pacientes, 
com a equipe de saúde e na rotina diária. 
VOCÊ SABE RESPONDER?
Mas como articular esses dois saberes para construir uma atuação profissional 
mais completa e fundamentada?
A teoria é indispensável, pois permite compreender os processos de adoecimento, 
embasando decisões clínicas e aprimorando a assistência. No entanto a prática, 
frequentemente, desafia o que está nos livros. No cotidiano do cuidado, muitas 
situações exigem que o enfermeiro tome decisões rápidas, confie na sua expe-
riência e, em alguns casos, até utilize conhecimentos advindos do saber popular. 
Afinal, nem sempre há um protocolo específico para cada situação, e é nesse 
momento que entra a capacidade crítica e reflexiva do profissional.
Além disso, a aprendizagem na enfermagem vai muito 
além da memorização de conceitos. No estágio, por exem-
plo, observa-se que cada paciente é único e que a adaptação 
é uma habilidade essencial. Encontrar o equilíbrio entre a 
ciência baseada em evidências e a sensibilidade do cuida-
do não apenas qualifica a assistência, mas também torna o 
profissional mais preparado para lidar com a complexidade do sistema de saúde.
Além disso, há um elemento fundamental que precisa ser incorporado a esse 
processo: a reflexão crítica. O conhecimento não é neutro, ele carrega consigo 
Ciência baseada 
em evidências e 
a sensibilidade 
do cuidado 
UNIASSELVI
9
TEMA DE APRENDIZAGEM 1
influências históricas, sociais e culturais. Compreender essa inter-relação é essen-
cial para uma prática mais ética e consciente, porque o enfermeiro não é apenas 
aquele que executa técnicas, mas, sim, um agente ativo na produção e aplicação 
do conhecimento em saúde.
DESENVOLVA SEU POTENCIAL
A ciência não é apenas um conjunto de informações organizadas, mas um pro-
cesso contínuo de investigação. Diferentemente do que muitos imaginam, ela 
não surge espontaneamente da observação dos fatos, mas, sim, da necessidade de 
resolver problemas. Para isso, segundo Castro (2008), utilizamos hipóteses, que 
são suposições a serem testadas. Só assim podemos garantir que o conhecimento 
produzido é confiável e bem fundamentado. 
VAMOS RECORDAR?
Olá, estudante! Vamos relembrar as principais ideias 
sobre as teorias da enfermagem para reforçar a impor-
tância da base científica no cuidado em saúde. Então, ao 
pensar na assistência, lembre-se sempre desses concei-
tos e teorias que orientam a nossa atuação!
Você já parou para pensar como a ciência e o cuidado humani-
zado se encontram na enfermagem? Neste podcast, conhecere-
mos a história de Florence Nightingale, a pioneira da enfermagem 
moderna! Descubra como ela revolucionou o cuidado em saúde, 
alinhando-se ao positivismo e ao paradigma compreensivo.
PLAY N O CONHECIMENTO
1
1
https://www.youtube.com/watch?v=6zAvI8a5g54&t=24s
https://on.soundcloud.com/XV6XR5eSXIwOSY8nCG
Um aspecto essencial nesse processo é a testabilidade. Para Castro (2008), 
uma afirmação só pode ser considerada científica se puder ser verificada 
por meio da observação, da experimentação ou de cálculos. Se não houver 
uma maneira de confirmar ou refutar determinada ideia, ela não faz parte 
da ciência, mas, sim, do campo das crenças ou opiniões. 
No contexto da Enfermagem, o pensamento epistemológico permite 
que os profissionais questionem e compreendam as bases científicas que 
sustentam suas ações. O cuidado baseado em evidências, por exemplo, não 
deve ser apenas a adoção de protocolos previamente estabelecidos, mas, 
sim, um processo de análise crítica, onde se avaliam as melhores evidências 
disponíveis e sua aplicabilidade à realidade do paciente.
Além disso, a Epistemologia incentiva a reflexãotornando nosso cuidado mais eficaz, seguro e humano.
Outro ponto é que a pesquisa não pode ficar restrita apenas aos meios acadê-
micos. Donaldson e Crowley (1978) reforçam que o conhecimento gerado precisa 
ser levado diretamente à prática diária dos profissionais. Isso fortalece a auto-
nomia dos enfermeiros e aumenta o valor da enfermagem dentro do sistema de 
saúde, permitindo-nos oferecer cuidados cada vez mais eficientes e humanizados.
Apesar de Donaldson e Crowley (1978) enfatizarem a necessidade de aprimo-
rar constantemente as intervenções de enfermagem 
por meio da busca por evidências científicas sólidas, 
é essencial reconhecer que a enfermagem não pode 
se limitar exclusivamente à dimensão científica. O 
cuidado efetivo deve também abraçar a dimensão 
humana, ética e sensível ao contexto e às particularidades individuais. Assim, 
embora as práticas baseadas em evi-
dências sejam fundamentais, elas não 
podem substituir totalmente o valor do 
conhecimento empírico, da sensibilida-
de humana e das experiências pessoais 
dos pacientes, familiares e profissionais. 
Precisamos entender a pesqui-
sa não só como algo acadêmico, mas 
como uma ferramenta poderosa para 
transformar nossa profissão. Como 
ressaltam Donaldson e Crowley (1978), 
investir em pesquisa é investir no fu-
turo da enfermagem, preparando os 
profissionais para enfrentar os desafios 
atuais e garantir sempre o melhor cui-
dado possível para a sociedade.
O cuidado efetivo 
deve também abraçar 
a dimensão humana 
5
1
1. Para Horta (1979), o Ser-Enfermeiro é um ser humano, com todas as suas dimensões, po-
tencialidades e restrições, alegrias e frustrações; é aberto para o futuro, para a vida, e nela 
se engaja pelo compromisso assumido com a enfermagem. Esse compromisso o levou a 
receber conhecimentos, habilidades e formação de enfermeiro, sancionados pela socieda-
de que lhe outorgou o direito de cuidar de pessoas, de outros seres humanos.
De acordo com Horta (1979), qual é a principal característica do “Ser-Enfermeiro”?
a) Possuir uma atuação exclusivamente técnica e científica.
b) Ser uma entidade abstrata, separada das interações humanas.
c) Ser um agente exclusivamente de ações médicas prescritas previamente.
d) Ser um profissional que cuida de outros seres humanos, integrando habilidades técnicas 
e humanas.
e) Restringir-se apenas à execução de procedimentos médicos.
2. A enfermagem é uma ciência aplicada, que sai da fase empírica para a científica, desen-
volvendo teorias próprias, sistematizando seus conhecimentos e utilizando metodologia 
científica própria. Baseada nas necessidades humanas básicas, a teoria proposta por Wanda 
Horta (1979) fundamenta-se na teoria da motivação humana.
De acordo com Wanda Horta, em sua teoria das Necessidades Humanas Básicas, qual é o 
objeto principal da ciência da enfermagem?
a) O diagnóstico clínico das doenças.
b) A realização de procedimentos médicos prescritos previamente.
c) A aplicação exclusiva de técnicas e procedimentos médicos.
d) A intervenção autônoma em necessidades psicobiológicas, psicossociais e psicoespi-
rituais do paciente.
e) A execução restrita das prescrições médicas e protocolos hospitalares.
AUTOATIVIDADE
5
1
3. O pensamento rizomático na enfermagem sugere a possibilidade de desenvolver o conhe-
cimento da disciplina por meio de diferentes perspectivas e abordagens metodológicas. 
Essa perspectiva promove uma visão abrangente das questões enfrentadas na prática pro-
fissional, buscando explorar caminhos variados e inovadores para entender a complexidade 
inerente às práticas e teorias de enfermagem (Holmes; Gastaldo, 2004).
Sobre o pensamento rizomático proposto por Holmes e Gastaldo (2004) na enfermagem, 
analise as afirmativas a seguir:
I - Propõe uma visão linear e tradicional do desenvolvimento do conhecimento.
II - Busca estabelecer uma definição única e absoluta para a enfermagem.
III - Defende a necessidade de uma abordagem interdisciplinar e diversificada.
IV - Valoriza a multiplicidade de abordagens teórico-metodológicas.
É correto o que se afirma em:
a) I, apenas.
b) II e IV, apenas.
c) III e IV, apenas.
d) I, II e III, apenas.
e) I, II, III e IV.
AUTOATIVIDADE
5
2
REFERÊNCIAS
BOISVERT, Y. Postmoderne: analyse du discours sur la Postmodernité. Paris: Éditions 
L’Harmattan, 1996.
CARPER, B. A. Fundamental patterns of knowing in nursing. Advances in Nursing Science, v. 1, 
n. 1, p. 13-23, 1978.
DELEUZE, G.; GUATTARI, F. A Thousand Plateaus. Minneapolis: University of Minnesota Press, 1987.
DONALDSON, S. K.; CROWLEY, D. M. The discipline of nursing. Nursing Outlook, v. 26, n. 2, p. 
113-120, 1978.
HOLMES, D.; GASTALDO, D. Rhizomatic thought in nursing: an alternative path for the develop-
ment of the discipline. Nursing Philosophy, v. 5, p. 258-267, 2004.
HOLMES, D.; MURRAY, S. J. Civilizing the ‘Barbarian’: A critical analysis of behaviour modification 
programmes in forensic psychiatry settings. Journal of Nursing Management, v. 19, n. 3, p. 293-
301, abr. 2011.
HOLMES, D.; PERRON, A.; O’BYRNE, P. Evidence, Virulence, and the Disappearance of Nur-
sing Knowledge: A Critique of the Evidence-Based Dogma. Worldviews on Evidence-Based 
Nursing, v. 3, n. 3, p. 95-102, 2006.
HORTA, W. A. Processo de Enfermagem. São Paulo: EPU, 1979. 
NIGHTINGALE, F. Notes on Nursing: What it is and what it is not. London: Harrison, 1859. 
NIGHTINGALE, F. Notes on Hospitals. London: John W. Parker and Son, 1863. 
SACKETT, D. Evidence-based medicine: How to practice and teach EBM. New York: Churchill 
Livingstone, 2000.
STRAUS, S. E.; TETROE, J.; GRAHAM, I. Defining knowledge translation. CMAJ, v. 181, n. 3-4, p. 
165-168, 4 ago. 2009.
STRAUS, S. E.; TETROE, J.; GRAHAM, I. Knowledge translation in health care: moving from evi-
dence to practice. 2. ed. London: BMJ Books, 2013. 
WALKER, K. Why evidence-based practice now? A polemic. Nursing Inquiry, v. 10, n. 3, p. 
145-155, 2003.
5
3
1. Alternativa D.
A alternativa D está correta, pois Horta enfatiza que o Ser-Enfermeiro é um profissional 
que cuida de outros seres humanos, integrando habilidades técnicas com uma dimensão 
essencialmente humana e relacional. A alternativa A está incorreta, pois não menciona o 
aspecto essencial da relação interpessoal na enfermagem. A alternativa B está incorreta, 
pois está incompleta e ignora o aspecto técnico fundamental ao profissional enfermeiro. A 
alternativa C está incorreta, pois desconsidera o papel autônomo e integrado do enfermeiro. 
A alternativa E está incorreta, pois limita equivocadamente o enfermeiro apenas à execução 
de procedimentos médicos, ignorando suas competências próprias e o aspecto humano 
fundamental à profissão.
2. Alternativa D.
A alternativa D está correta, pois Wanda Horta enfatiza que o objeto principal da enferma-
gem é a intervenção autônoma para atender às necessidades humanas básicas do paciente, 
abrangendo suas dimensões psicobiológicas, psicossociais e psicoespirituais. A alternativa A 
está incorreta, pois a enfermagem não se limita à fase empírica, mas avança para um corpo 
de conhecimento científico próprio. A alternativa B está incorreta, pois o papel da enferma-
gem vai além de seguir exclusivamente prescrições médicas. A alternativa C está incorreta, 
pois limita inadequadamente a enfermagem apenas a ações não autônomas. A alternativa 
E está incorreta, pois reduzi a enfermagem apenas a ações médicas prescritas e protocolos 
hospitalares, ignorando a autonomia profissional na assistência integral.
3. Alternativa C.
A afirmativa I está correta, porque o pensamento rizomático valoriza justamente a multi-
plicidade das abordagens teórico-metodológicas, defendendo que não há apenas uma 
maneira correta de compreender a enfermagem, mas diversas possibilidades coexistindo 
simultaneamente. A afirmativa III está correta, porque o pensamento rizomático defende 
explicitamente a interdisciplinaridade e a diversidade na construção do conhecimento em 
enfermagem. A afirmativa II está incorreta, poiso pensamento rizomático rejeita a ideia de 
definição única ou absoluta da enfermagem, argumentando exatamente o contrário, que 
não há uma essência fixa e absoluta. A afirmativa IV está incorreta, porque o pensamento 
rizomático questiona precisamente as abordagens lineares e tradicionais, propondo, ao 
contrário, um modelo flexível, múltiplo e descentralizado para o desenvolvimento do co-
nhecimento na enfermagem.
GABARITO
5
1
MINHAS ANOTAÇÕES
5
5
MINHAS METAS
ÉTICA E BIOÉTICA EM PESQUISA 
Compreender os fundamentos éticos na pesquisa científica.
Explorar o histórico e a evolução das diretrizes éticas.
Analisar o papel do CEP e da Conep.
Utilizar instrumentos éticos: TCLE, registro e consentimento.
Aplicar os princípios da ética na pesquisa qualitativa em saúde.
Relacionar a bioética com suas aplicações em saúde e enfermagem.
Assumir a responsabilidade social e científica como pesquisador.
T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 3
5
1
INICIE SUA JORNADA
Você, estudante de Enfermagem, já se perguntou até onde vai a nossa responsa-
bilidade quando fazemos pesquisa? Durante a graduação, nós aprendemos muita 
coisa técnica e científica, mas nem sempre paramos para refletir sobre as questões 
éticas envolvidas no que fazemos. Quando começamos a participar de projetos 
ou estágios, é comum surgirem dúvidas: “Isso é certo?”, “Qual o impacto dessa 
decisão na vida de alguém?”. Essas perguntas fazem parte do crescimento como 
pesquisador e como profissional de saúde.
VOCÊ SABE RESPONDER?
Em meio à busca por resultados, nasce uma inquietação genuína: até que ponto 
nossas decisões respeitam os direitos e a dignidade do outro?
Esse questionamento leva a uma nova forma de enxergar o próprio papel profis-
sional. Ética e bioética se conectam diretamente com o cuidado, com o respeito 
ao ser humano e com a produção responsável do conhecimento, e não são apenas 
temas abordados na formação dos profissionais. O estudante começa a perceber 
que sua futura atuação exige mais do que conhecimento técnico: exige sensibili-
dade, consciência e compromisso com a vida em todas as suas dimensões.
O contato direto com práticas de pesquisa e situações reais oferece oportu-
nidades de aprendizado. Ao participar de estudos, aplicar questionários, coletar 
dados ou mesmo observar interações entre pesquisador e participante, surgem 
dilemas que exigem escolhas conscientes. Essas vivências concretas desafiam 
o estudante a alinhar teoria e prática, escutar mais atentamente e considerar 
o outro em sua singularidade.
Com o tempo, essas experiências se transformam em aprendizados profun-
dos. Olhar para trás e refletir sobre os próprios atos, perceber o que poderia ter 
sido feito de forma diferente e identificar os valores que orientaram as decisões 
UNIASSELVI
5
7
TEMA DE APRENDIZAGEM 3
ajuda a fortalecer uma postura profissional mais madura e comprometida. Assim, 
compreender a ética na pesquisa deixa de ser um conteúdo a ser memorizado 
e passa a ser uma parte indissociável da identidade profissional em construção.
DESENVOLVA SEU POTENCIAL
FUNDAMENTOS ÉTICOS NA PESQUISA CIENTÍFICA
A ética na pesquisa científica com seres humanos constitui um dos fundamen-
tos indispensáveis à produção responsável e justa do conhecimento. No campo 
da saúde, onde frequentemente estão em jogo condições de vulnerabilidade, 
VAMOS RECORDAR?
Você lembra o papel da Conep (Comissão Nacional de 
Ética em Pesquisa) na pesquisa com seres humanos? 
No vídeo Ética na Pesquisa com Seres Humanos, é apre-
sentada a importância da Conep na proteção dos partici-
pantes e na garantia dos princípios éticos fundamentais 
nas pesquisas científicas. Assista agora e fique por dentro 
desse assunto essencial para sua formação profissional.
Você sabe o que fazer quando seu projeto recebe uma pen-
dência do CEP? Neste episódio, acompanharemos Letícia e sua 
orientadora em um caso quase real, cheio de aprendizados so-
bre ética em pesquisa. Venha com a gente entender esse pro-
cesso na prática!
PLAY N O CONHECIMENTO
5
8
https://youtu.be/jgnzObbfy-c?si=REyawYMuehTt_UgD
https://on.soundcloud.com/cYYVbIARz9H5BR3vgK
sofrimento e desigualdade, os princípios éticos ganham relevância ainda maior, 
servindo como guia para ações que respeitem os direitos e a dignidade dos par-
ticipantes. Compreender esses fundamentos é imprescindível para formar profis-
sionais tecnicamente competentes, mas com sensibilidade às implicações sociais 
e humanas de suas práticas investigativas.
Segundo Melo e Melo (2023), a ética aplicada à ciência deve ser compreendi-
da como um elo entre o conhecimento e os direitos humanos, propondo que toda 
pesquisa, independentemente de sua área, seja orientada por valores universais, 
como respeito, equidade e solidariedade. Isso significa que o pesquisador deve 
atuar com consciência das implicações de sua atividade, buscando o bem-estar 
dos participantes e evitando qualquer forma de dano ou injustiça.
Segundo Gomes, Cardoso e Rocha (2018), entre os princípios mais ampla-
mente discutidos no campo da bioética, destacam-se a beneficência, a não ma-
leficência, a justiça e a autonomia. Esses conceitos orientam o planejamento e a 
execução das pesquisas e estabelecem critérios para avaliação ética dos projetos. 
A beneficência, por exemplo, pressupõe que a pesquisa deve oferecer algum tipo 
de benefício, seja individual ou coletivo, evitando intervenções que gerem apenas 
riscos. A não maleficência, por sua vez, exige um compromisso ativo com a 
prevenção de danos físicos, emocionais, sociais ou simbólicos aos participantes. 
Ainda segundo os autores, o princípio da justiça diz respeito à equidade no 
acesso aos benefícios da pesquisa e à distribuição justa dos encargos e riscos en-
tre os sujeitos envolvidos. Isso se reflete na necessidade de uma seleção ética dos 
participantes, especialmente, evitando a exploração de populações vulneráveis. A 
autonomia, finalmente, está relacionada ao respeito pela capacidade de decisão 
do indivíduo, o que se concretiza por meio do consentimento livre e esclarecido, 
uma etapa que garante que os participantes compreendam plenamente os obje-
tivos, os métodos e os possíveis desdobramentos da pesquisa.
Esses princípios devem ser interpretados dentro de contextos socioculturais 
específicos, especialmente em pesquisas qualitativas, onde o envolvimento com 
os sujeitos é mais próximo e relacional. O pesquisador precisa cultivar uma pos-
tura ética contínua, guiada pela escuta, pela empatia e pelo compromisso com 
o outro. Essa abordagem é especialmente importante em estudos que envolvem 
narrativas pessoais, histórias de vida e observações em campo, onde a sensibili-
dade ética se torna parte do próprio método.
UNIASSELVI
5
9
TEMA DE APRENDIZAGEM 3
Além dos aspectos individuais, há também uma 
dimensão coletiva e institucional da ética em 
pesquisa. É dever do pesquisador considerar 
o impacto social de sua investigação, promo-
vendo o avanço do conhecimento sem comprometer os direitos e o bem-estar 
das comunidades envolvidas. Isso implica responsabilidade com a divulgação 
dos dados, com a preservação da confidencialidade e com a devolutiva dos 
resultados às populações estudadas.
Nesse cenário, torna-se essencial que o processo de formação dos profissio-
nais de saúde inclua o desenvolvimento de competências éticas, que permitam 
uma atuação crítica e comprometida. A ética não deve ser tratada como uma 
formalidade ou um obstáculo à produção científica, mas como um alicerce que 
legitima o saber produzido e fortalece o vínculo entre ciência e sociedade.
É dever do pesquisador 
considerar o impacto 
social de sua investigação 
Assim, para se compreender os fundamentos éticos na pesquisa científica, é neces-
sário internalizar valores, construir uma postura profissional respeitosa e engajada 
e reconhecer que toda investigação que envolve seres humanos deve, antes de tudo, 
preservar sua dignidade, promover o bem-estar e fortalecer a justiça social.
1
1
HISTÓRICOE EVOLUÇÃO DAS DIRETRIZES ÉTICAS
A construção das diretrizes éticas na pesquisa com seres humanos está profun-
damente ligada ao contexto histórico do seu surgimento. Ao longo do século 
XX, episódios marcados por graves violações da dignidade humana revelaram 
a urgência de estabelecer parâmetros regulatórios para proteger os indiví-
duos envolvidos em estudos científicos. Tais acontecimentos provocaram uma 
transformação significativa na forma como a ciência passou a ser conduzida, 
principalmente, nas áreas da saúde e das ciências humanas e sociais.
De acordo com Motta, Vidal e Siqueira-Batista (2012), a preocupação com 
a ética em pesquisa surgiu como resposta aos abusos cometidos durante re-
gimes autoritários, especialmente os experimentos conduzidos na Alemanha 
nazista. Nesse período, pessoas eram submetidas a procedimentos cruéis sem 
qualquer consentimento, sendo tratadas como objetos de experimentação. 
Em reação a essas atrocidades, surgiu o Código de Nuremberg (1947), con-
siderado o primeiro documento internacional a estabelecer diretrizes éticas 
formais para a pesquisa científica, introduzindo, entre outros princípios, o 
consentimento voluntário e informado dos participantes.
Posteriormente, com o avanço das pesquisas biomédicas e o aumento da 
visibilidade de novos casos de violação ética, foi elaborada a Declaração de 
Helsinque (1964), que ampliou as diretrizes anteriores, incorporando aspectos 
mais detalhados sobre a proteção dos participantes e o papel dos comitês de 
avaliação ética. Esse documento consolidou a exigência de que todos os estu-
dos envolvendo seres humanos fossem previamente avaliados por instâncias 
independentes, com o intuito de assegurar o respeito à dignidade, à liberdade 
e ao bem-estar dos envolvidos (Melo; Melo, 2023).
O desenvolvimento das normativas éticas não ocorreu apenas por ini-
ciativa das instituições científicas, mas também como resultado de mobi-
lizações sociais e políticas que reivindicavam mais transparência, justiça e 
equidade na condução das pesquisas. Segundo Fonseca (2015), eventos, 
como o estudo Tuskegee, nos Estados Unidos, no qual homens negros in-
fectados com sífilis foram impedidos de receber tratamento mesmo após a 
descoberta da penicilina, foram fundamentais para escancarar os riscos da 
ciência descomprometida com os direitos humanos.
UNIASSELVI
1
1
TEMA DE APRENDIZAGEM 3
No Brasil, o processo de institucionalização das diretrizes éticas foi influenciado 
por esse movimento internacional, mas também precisou lidar com as especi-
ficidades culturais, sociais e acadêmicas do país. De forma progressiva, foram 
sendo criadas instâncias responsáveis por regulamentar a pesquisa científica com 
seres humanos, promovendo a implantação de comitês de ética e a elaboração de 
documentos normativos adaptados à realidade nacional.
É importante ressaltar que a ética em pesquisa não se restringe à formalidade dos 
documentos, mas deve ser uma prática viva, contextual e relacional. A ética precisa 
dialogar com as realidades sociais e culturais dos participantes, adaptando-se aos 
diferentes cenários onde a ciência é produzida. Isso significa compreender que a 
proteção ética vai além da obtenção de assinaturas, envolvendo escuta, respeito e 
corresponsabilidade entre os envolvidos no processo investigativo.
Em síntese, a evolução das diretrizes éticas reflete uma mudança no paradigma 
científico, no qual a centralidade da pessoa humana é reconhecida como condi-
ção para a legitimidade da pesquisa. Os marcos históricos que deram origem às 
normativas são expressões de lutas por justiça, reconhecimento e proteção dos 
sujeitos envolvidos na produção do saber. Entender esse percurso é fundamental 
para que estudantes e pesquisadores desenvolvam uma atuação crítica, sensível 
e comprometida com a integridade ética da ciência.
O PAPEL DO CEP E DA CONEP
O controle ético da pesquisa científica com seres humanos no Brasil é exercido 
por um sistema estruturado que visa garantir a integridade dos estudos e a 
proteção dos participantes. Nesse contexto, os Comitês de Ética em Pesquisa 
(CEP) e a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) desempenham 
funções complementares e fundamentais. Pesquisadores e estudantes da área 
da saúde, especialmente em campos, como a enfermagem, onde a interação 
com os sujeitos da pesquisa é constante e sensível, precisam compreender o 
papel de cada uma dessas instâncias.
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Os CEPs constituem instâncias institucionais responsáveis por avaliar os aspec-
tos éticos dos projetos de pesquisa em nível local. Estão presentes em univer-
sidades, institutos de pesquisa, hospitais e outras instituições que desenvolvem 
estudos com seres humanos. A sua atuação envolve a análise dos riscos e be-
nefícios das propostas, a verificação da clareza e adequação dos instrumentos 
de consentimento e a observância de princípios éticos fundamentais, como a 
autonomia, a justiça e a beneficência. O CEP é, portanto, a porta de entrada 
do processo de avaliação ética, funcionando como um mediador entre o pes-
quisador e os direitos dos participantes.
Já a Conep atua em instância nacional e coordena o sistema como um todo. 
A Conep possui papel regulador, normativo e deliberativo, sendo responsável por 
elaborar diretrizes éticas gerais, supervisionar os CEPs e avaliar pesquisas que 
envolvem temáticas de maior complexidade ou risco, como estudos com popu-
lações vulneráveis, tecnologias invasivas ou projetos multicêntricos de grande 
escala. A Conep também intervém quando há recursos contra decisões dos CEPs 
ou em casos de denúncias sobre condutas inadequadas.
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TEMA DE APRENDIZAGEM 3
O processo de submissão de projetos aos CEPs deve ser compreendido como 
uma etapa de proteção, e não como um obstáculo burocrático. É por meio dessa 
análise que se verifica se os participantes estão sendo devidamente informados, 
se os dados sensíveis estão protegidos e se o estudo está comprometido com os 
princípios da ética em pesquisa. Além disso, os CEPs realizam acompanhamento 
dos estudos, exigindo relatórios, e podem solicitar ajustes ou suspensões, caso 
identifiquem irregularidades (Soares et al., 2016).
Quando você submete um projeto ao CEP, ele passa, primeiro, por uma che-
cagem, é como uma triagem para verificar se todos os documentos necessários 
foram enviados corretamente. Depois disso, vem a análise inicial do CEP, onde 
se observa se o projeto está de acordo com os princípios éticos estabelecidos pelas 
resoluções vigentes, como a Resolução CNS nº 466/2012.
A partir dessa análise, há dois caminhos iniciais:
 ■ Se o projeto for aprovado diretamente, a tramitação é finalizada e você 
pode dar andamento à pesquisa.
 ■ Se houver pendências, o CEP pode solicitar ajustes. Nesse caso, você re-
ceberá uma devolutiva com as correções necessárias. Aí é o momento de 
responder, ajustar o que for solicitado e reenviar.
Esse retorno será novamente avaliado:
 ■ Se tudo estiver certo, o projeto será aprovado.
 ■ Porém, se ainda houver problemas, o parecer pode vir como pendente 
mais uma vez, e aí começa um novo ciclo de resposta.
 ■ Em situações em que o CEP identifica óbices éticos (problemas graves do 
ponto de vista da ética), o projeto pode não ser aprovado.
Caso o projeto não seja aprovado, é possível apresentar um recurso. Esse recurso 
será analisado novamente pelo CEP e pode levar à aprovação ou à manutenção 
da não aprovação. Se mesmo após o recurso o projeto continuar não aprovado, 
o pesquisador ainda tem uma última instância: apelar à Conep (Comissão Na-
cional de Ética em Pesquisa), que avaliará o caso. Agora, vejamos, na Figura 1, 
como funciona o fluxograma de tramitação dos protocolos de pesquisa.
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Figura 1 – Fluxograma de tramitação dos protocolos de pesquisa / Fonte: Conep (2122, p. 15).
Descrição da Imagem: a figura apresenta um fluxograma, colorido, que representa o processo de avaliação ética de 
projetos submetidos ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP). Na parte superiorcentral, há um retângulo azul-claro, 
no qual está escrito “Checagem”, ligado por uma seta pontilhada azul a outro retângulo logo abaixo, em azul-escuro, 
com o texto “Análise inicial do CEP”. A partir desse ponto, o fluxograma se divide em dois caminhos principais: um à 
esquerda e outro à direita. No lado esquerdo, aparece um retângulo verde, no qual está escrito “Aprovado”. Abaixo dele, 
há uma seta que leva a um retângulo cinza, no qual está escrito “Tramitação finalizada”. Ainda no lado esquerdo, há 
duas ramificações: a primeira, para cima, conduz a um retângulo laranja com a palavra “Retirado”, que também leva 
à “Tramitação finalizada” em cinza, e a segunda ramificação desce e leva a um retângulo amarelo-claro com o texto 
“Pendente”. De “Pendente”, uma seta segue para um retângulo laranja com a palavra “Resposta”, que, por sua vez, 
divide-se em dois caminhos: um leva a um retângulo verde com a palavra “Aprovado” e, depois, à “Tramitação finali-
zada”; o outro leva a um retângulo roxo com o texto “Óbice(s) ético(s)”. No lado direito da imagem, outro caminho parte 
da “Análise inicial do CEP” e conduz a um retângulo amarelo com a palavra “Pendente”. Abaixo dele, há três retângulos 
laranja empilhados com as seguintes etapas: “Resposta”, “Checagem documental” e “Análise - CEP”. Essa sequência 
leva a um retângulo vermelho com o texto “Não aprovado”. A partir de “Não aprovado”, há uma seta para um retângulo 
laranja com a palavra “Recurso”. Se o recurso for aceito, uma seta leva a um retângulo verde com o texto “Aprovado” e, 
em seguida, à “Tramitação finalizada” em cinza. Se o recurso for negado, a seta segue para outro retângulo vermelho 
com “Não aprovado”, que, por sua vez, leva a um novo “Recurso” (em laranja) e, por fim, a um retângulo azul-claro com 
o texto “Conep”. As cores utilizadas ajudam a identificar as etapas: azul para checagem e análise inicial; verde para 
aprovação; amarelo para pendência; laranja para ações intermediárias, como respostas e recursos; vermelho para 
reprovação; roxo para obstáculos éticos; e cinza para indicar tramitação finalizada. Fim da descrição.
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TEMA DE APRENDIZAGEM 3
A função pedagógica dos CEPs também deve ser ressaltada ao promover orien-
tações, dialogar com os pesquisadores e revisar as propostas de forma crítica e 
colaborativa. Esses comitês contribuem para a formação de uma cultura ética na 
ciência. Eles, além de fiscalizar, educam e promovem o desenvolvimento de uma 
consciência ética entre os profissionais e acadêmicos.
Um ponto importante é o compromisso dessas instâncias com a transpa-
rência e a justiça. A existência de uma estrutura, como o sistema CEP/Conep, 
assegura que a ciência esteja sujeita à supervisão da sociedade, evitando práticas 
abusivas e garantindo que os interesses dos participantes sejam priorizados frente 
às ambições acadêmicas ou institucionais. Essa mediação é essencial para manter 
a legitimidade da pesquisa científica e fortalecer a confiança pública na ciência.
Portanto, analisar o papel do CEP e da Conep é reconhecer que a ética em 
pesquisa é uma condição que perpassa todas as etapas do processo científico. 
Esses órgãos são responsáveis por garantir que a produção de conhecimento 
ocorra com responsabilidade, respeito e compromisso com a dignidade humana, 
promovendo uma ciência mais justa, transparente e socialmente comprometida.
INSTRUMENTOS ÉTICOS: TCLE, REGISTRO E CONSENTIMENTO
A proteção ética dos participantes de pesquisas científicas é um fator fundamen-
tal para garantir o respeito à dignidade humana e à autonomia individual. Dentre 
os instrumentos mais relevantes nesse processo, está o Termo de Consentimento 
Livre e Esclarecido (TCLE), cuja função é assegurar que os sujeitos envolvidos 
tenham plena compreensão sobre a pesquisa, seus objetivos, riscos, benefícios e 
direitos. O consentimento, entretanto, não deve ser entendido como um mero 
procedimento burocrático, mas como parte essencial do compromisso ético do 
pesquisador com a integridade da relação estabelecida com o participante.
O consentimento livre e esclarecido deve ser adequado ao contexto da pes-
quisa e às características socioculturais dos participantes. Isso significa que não 
há um único modelo de obtenção do consentimento que se aplique de forma 
universal. Em muitas situações, especialmente nas ciências humanas e sociais, a 
linguagem escrita formal pode não ser a melhor forma de garantir a compreen-
são e a voluntariedade, exigindo alternativas, como registros sonoros ou visuais.
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Essa diversidade de modalidades foi reconhecida pelas normativas para pesquisas 
em ciências humanas e sociais, que ampliaram o conceito tradicional de TCLE 
para contemplar outras formas de registro. O 
importante é garantir que o participante receba 
informações suficientes, em linguagem clara, 
e tenha a liberdade para aceitar ou recusar sua 
participação sem coerções, constrangimentos 
ou prejuízos. O pesquisador, por sua vez, deve estar atento ao processo de con-
sentimento como um diálogo contínuo, que pode e deve ser retomado ao longo 
do estudo, especialmente em pesquisas de longa duração ou com múltiplas etapas.
O termo de consentimento trata-se de estabelecer um vínculo de respeito e 
cooperação entre quem pesquisa e quem contribui com a pesquisa, sustentado 
pelo diálogo, pela compreensão mútua e pelo compromisso ético. Esse cuidado 
deve permanecer presente mesmo após o término da coleta de informações, prin-
cipalmente no momento em que os achados forem compartilhados, assegurando 
o sigilo dos dados e protegendo a identidade dos envolvidos.
Nas pesquisas em saúde, o TCLE assume uma importância ainda maior, 
considerando a possibilidade de riscos físicos, emocionais ou simbólicos aos 
participantes. Em contextos clínicos, o consentimento deve incluir os aspectos 
científicos do estudo e suas implicações práticas para o cotidiano dos participan-
tes, como a necessidade de deslocamento, o uso de medicamentos ou a realização 
de exames. Essa abordagem ampliada do consentimento reforça a centralidade da 
autonomia do sujeito e a necessidade de respeitar seus valores, crenças e decisões. 
Além disso, é importante considerar situações em que o consentimento 
deve ser obtido de forma diferenciada, como em pesquisas com populações 
vulneráveis, crianças, pessoas com deficiência ou em contextos comunitários. 
Nesses casos, o processo de consentimento exige atenção redobrada e, muitas 
vezes, o uso de instrumentos complementares, como o assentimento, que ga-
rante a manifestação da vontade do participante, mesmo quando ele não possui 
plena capacidade legal para consentir.
Portanto, discutir os instrumentos éticos de consentimento é reconhecer que 
a ética em pesquisa vai além da conformidade documental. Ela exige sensibili-
dade para identificar as melhores formas de comunicação com os participantes, 
responsabilidade para garantir sua proteção e compromisso com a construção 
de uma ciência ética, transparente e respeitosa.
Tenha a liberdade para 
aceitar ou recusar sua 
participação sem coerções 
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TEMA DE APRENDIZAGEM 3
ÉTICA NA PESQUISA QUALITATIVA EM SAÚDE
A pesquisa qualitativa, particularmente no campo da saúde, ocupa um lugar 
singular na produção do conhecimento, pois busca compreender as experiên-
cias humanas em sua complexidade, subjetividade e contexto social. Diferen-
temente das abordagens quantitativas, que operam com dados mensuráveis, a 
pesquisa qualitativa envolve um contato direto com os sujeitos, suas histórias, 
sentimentos e vivências. Essa característica torna o componente ético ainda 
mais central e desafiador, exigindo sensibilidade, respeito e constante reflexão 
por parte do pesquisador.
A ética na pesquisa qualitativa deve ser compreendida como um processo 
contínuo, não restrito à aprovação formal dos projetos por comitês de ética. Nesse 
tipo de investigação, a relação entre pesquisador e participante é marcada por in-
terações abertas e escuta ativa. Taisvínculos, embora fundamentais para o apro-
fundamento dos dados, também geram dilemas éticos que exigem discernimento 
constante, especialmente em relação à preservação da privacidade, à exposição 
de situações sensíveis e à manipulação da narrativa do outro (Amorim, 2019).
Segundo Minayo (2021), a reflexividade é um dos principais elementos éticos 
desse tipo de pesquisa. O pesquisador qualitativo não é um observador neutro, 
mas um sujeito que interfere e é interferido pelo campo. Essa consciência de si 
e da influência mútua no processo investigativo deve ser explicitada como parte 
da postura ética. Trata-se de reconhecer os próprios valores, limites e impactos 
na coleta e interpretação dos dados, de modo que a relação com os participantes 
seja horizontal e respeitosa. 
Outro aspecto essencial é a natureza relacional dos dados produzidos qua-
litativamente, onde os dados são construídos em conjunto com os sujeitos. Isso 
implica que o pesquisador tem a responsabilidade ética de representar com fi-
delidade as vozes que emergem no processo investigativo, evitando distorções, 
silenciamentos ou interpretações descontextualizadas que possam prejudicar os 
participantes ou suas comunidades.
A aprovação ética de projetos qualitativos por instâncias reguladoras sempre foi 
motivo de debate, sobretudo pela inadequação dos critérios utilizados inicialmente, 
que eram baseados em modelos biomédicos. O reconhecimento dessas especifi-
cidades levou à criação de diretrizes mais apropriadas, com a publicação de regu-
lamentações que contemplam as particularidades das ciências humanas e sociais. 
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Essas diretrizes representam um avanço, pois compreendem que, em vez de 
um termo padronizado de consentimento, muitas vezes, é necessário adaptar 
a linguagem, a forma de registro e o momento da autorização, respeitando as 
realidades e culturas dos participantes. As regulamentações para pesquisas em 
ciências humanas e sociais trouxeram, entre outras inovações, o reconhecimento 
de que nem todo estudo exige o mesmo tipo de consentimento formal, podendo 
adotar formas alternativas, como gravações ou registros visuais. 
No campo da saúde, onde as pesquisas qualitativas frequentemente envolvem 
contextos de sofrimento, exclusão e desigualdade, é necessário adotar práticas 
éticas que valorizem a dignidade dos sujeitos. Isso significa promover benefícios 
sociais, como o reconhecimento das narrativas marginalizadas e o estímulo à 
participação cidadã no processo científico, além de evitar danos.
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TEMA DE APRENDIZAGEM 3
Portanto, a ética na pesquisa qualitativa em saúde deve ser pensada como uma 
postura comprometida com o cuidado, a escuta e o reconhecimento do outro. 
Ao considerar a complexidade das relações humanas envolvidas, essa abordagem 
amplia o sentido da ética científica, promovendo um conhecimento que é, ao 
mesmo tempo, rigoroso e sensível às realidades vividas.
O Experimento da Prisão de Stanford, um dos mais conhecidos da 
psicologia, investigou como contextos institucionais influenciam 
comportamentos e relações de poder. Apesar da ampla divulga-
ção, o estudo é alvo de críticas éticas e metodológicas. Neste ví-
deo, você refletirá sobre seus ensinamentos para a Enfermagem, 
que lida com diversos contextos sociais e relações humanas.
E U I N DI CO
BIOÉTICA: PRINCÍPIOS E APLICAÇÕES EM SAÚDE 
E ENFERMAGEM
A bioética, enquanto campo transdisciplinar, surge da necessidade de refletir 
criticamente sobre as implicações éticas das práticas em saúde, especialmente 
diante do avanço das tecnologias biomédicas e das transformações nas relações 
entre profissionais e pacientes. Esse campo do saber propõe uma abordagem 
integrada entre ciência, filosofia e direitos humanos, sendo fundamental para 
orientar a conduta de enfermeiros e demais profissionais de saúde na tomada de 
decisões complexas que envolvem vida, morte, sofrimento, autonomia e justiça.
Além do ambiente clínico, a bioética também influencia diretamente a 
produção do conhecimento na área da saúde. Isso ocorre, por exemplo, nas 
decisões sobre os tipos de pesquisa a serem conduzidas, os métodos a serem 
utilizados e a forma como os resultados são divulgados. Dessa forma, a bioética 
impõe limites à ciência, lembrando que nem tudo o que é possível tecnicamen-
te deve ser feito, especialmente quando há riscos à dignidade humana. Essa 
perspectiva reforça a necessidade de submeter projetos de pesquisa à avaliação 
ética e de garantir que os interesses da sociedade estejam acima de interesses 
meramente acadêmicos ou econômicos.
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https://www.youtube.com/watch?v=kY_ioteYEHs
Outro aspecto importante diz respeito ao impacto das novas tecnologias nas 
práticas de saúde. O uso de dispositivos de monitoramento, inteligência artificial, 
manipulação genética e intervenções invasivas levanta questões bioéticas cada 
vez mais complexas. Nesse cenário, os profissionais de enfermagem, por estarem 
em contato direto com os pacientes, precisam estar preparados para lidar com as 
implicações dessas tecnologias, assumindo um papel ativo na defesa dos direitos 
dos usuários e na promoção de cuidados éticos.
O artigo Bioética: afinal, o que é isto? apresenta uma reflexão 
crítica sobre a origem, os conceitos e os principais desafios da 
bioética, destacando sua importância para lidar com questões 
éticas nas ciências da vida, na saúde pública, na pesquisa e na 
preservação ambiental. Confira!
E U I N DI CO
Portanto, a bioética é uma base essencial para a construção de práticas compro-
metidas com a vida, a justiça e a dignidade. No campo da enfermagem, ela se 
manifesta na escuta, na presença, na defesa dos vulneráveis e na constante refle-
xão sobre o agir profissional. A bioética contribui para formar profissionais mais 
conscientes, críticos e preparados para enfrentar os dilemas éticos do cotidiano 
com responsabilidade e humanidade.
RESPONSABILIDADE SOCIAL E CIENTÍFICA 
DOS PESQUISADORES
A produção científica, especialmente quando envolve seres humanos, é um exer-
cício técnico ou intelectual e um compromisso ético que transcende a metodo-
logia, atingindo diretamente a vida das pessoas, suas histórias e seus contextos 
sociais. Nesse sentido, a responsabilidade social e científica dos pesquisadores 
ocupa um lugar central na ética da pesquisa, exigindo uma postura que combi-
ne rigor metodológico com sensibilidade humana e consciência dos impactos 
sociais do conhecimento produzido.
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https://docs.bvsalud.org/upload/S/1679-1010/2012/v10n5/a3138.pdf
TEMA DE APRENDIZAGEM 3
Segundo Amorim (2019), o pesquisador não deve apenas observar regras éticas formais, 
mas incorporar a ética como atitude diante do outro, reconhecendo a alteridade, os direi-
tos e a dignidade dos sujeitos da pesquisa. Isso significa que, desde a fase de planejamen-
to, é preciso refletir sobre o objetivo social do estudo, os benefícios que ele pode gerar e 
os possíveis riscos que podem ser causados aos participantes e à comunidade envolvida.
A ciência, ao lidar com vidas humanas, deve ser orientada por valores, como 
solidariedade, justiça e respeito à diversidade. Essa orientação se traduz em práticas 
que vão desde a construção de perguntas de pesquisa socialmente relevantes até a 
escolha de métodos éticos e o tratamento respeitoso dos dados coletados. A res-
ponsabilidade do pesquisador não se encerra com a obtenção dos resultados, mas 
se estende à forma como esses resultados são interpretados, divulgados e utilizados.
Um dos pilares dessa responsabilidade é a transparência. A clareza na comuni-
cação dos objetivos, métodos e riscos da pesquisa é essencial para garantir o consen-
timento verdadeiramente informado dos participantes. Segundo Gomes, Cardoso e 
Rocha (2018), essa transparência deve estar presente também na relação com a socie-
dade, por meio da devolução dos resultados de forma acessível e útil para as comuni-
dades envolvidas. A pesquisa, especialmente em saúde, deve ser compreendida como 
um instrumentode transformação social, e não como um privilégio de especialistas.
A veracidade dos dados também é um aspecto fundamental da ética na pes-
quisa. Manipulações, omissões ou interpretações enviesadas comprometem a 
integridade científica e podem gerar impactos negativos sobre políticas públicas, 
práticas clínicas e a própria confiança da população na ciência. 
A relevância social da pesquisa é outro elemento que precisa ser considerado 
como parte da responsabilidade ética do pesquisador. 
Isso implica escolher temas que dialoguem com as ne-
cessidades reais da sociedade, evitando estudos que 
apenas reproduzam desigualdades ou reforcem estig-
mas. Nas ciências da saúde e humanas, é preciso ir além 
da preocupação com a validade científica, incorporan-
do a preocupação com o impacto social e cultural dos estudos.
A ética, portanto, não se limita à conformidade com normas institucionais. Ela se 
manifesta na postura do pesquisador diante dos desafios do campo, das ambiguidades das 
relações humanas e das tensões entre interesses acadêmicos, institucionais e sociais. Uma 
conduta ética exige coragem para questionar padrões estabelecidos, humildade para escu-
tar os sujeitos da pesquisa e compromisso com uma ciência voltada para o bem comum.
Temas que 
dialoguem com 
as necessidades 
reais da sociedade 
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Desse modo, estimular a reflexão crítica sobre a responsabilidade científica e 
social é uma etapa essencial na formação de pesquisadores conscientes e compro-
metidos. Mais do que produzir conhecimento, trata-se de produzir conhecimen-
to com sentido, respeito e propósito. Isso fortalece a ciência como ferramenta de 
justiça social e contribui para uma sociedade mais ética, inclusiva e democrática.
NOVOS DESAFIOS
Ao longo deste tema de aprendizagem, exploramos conceitos fundamentais sobre 
ética e bioética na pesquisa e na prática em saúde. Agora, é importante reconhe-
cer como esse conhecimento teórico se manifesta no dia a dia do enfermeiro. 
Cada tomada de decisão, cada escuta atenta e cada cuidado prestado é atraves-
sado por princípios éticos que foram discutidos aqui. Beneficência, autonomia, 
justiça e não maleficência deixam de ser apenas conceitos e passam a ser guias 
concretos que orientam a conduta profissional em situações reais, especialmente 
diante da vulnerabilidade dos pacientes.
Na prática, isso significa que o enfermeiro atua não apenas com base em pro-
tocolos técnicos, mas também com sensibilidade, escuta qualificada e responsa-
bilidade social. A formação ética se revela no modo 
como o profissional acolhe, respeita as escolhas dos 
pacientes, conduz consentimentos informados e 
participa de pesquisas com integridade. Dessa for-
ma, teoria e prática não caminham separadas: elas se 
entrelaçam na construção de uma identidade profissional comprometida com o 
cuidado humano e com a produção responsável de conhecimento na enfermagem.
Dessa forma, 
teoria e prática não 
caminham separadas 
Gostou do que discutimos até aqui? Tenho mais para conversar 
com você a respeito deste tema. Vamos lá? 
E M FOCO
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https://vimeo.com/1119443243/e1509c75f3
TEMA DE APRENDIZAGEM 3
O ser enfermeiro, no entanto, envolve mais do que 
dominar técnicas assistenciais, exige também com-
preender o compromisso ético que envolve a atuação 
profissional e a produção de conhecimento. Partici-
par de pesquisas de forma ética, conhecendo o papel 
fundamental do CEP e da Conep, assim como conduzir 
adequadamente o processo de consentimento com o uso 
do TCLE são práticas que reforçam a responsabili-
dade do enfermeiro na proteção dos direitos e da 
dignidade dos pacientes. Essa consciência e preparo 
ético tornam-se diferenciais importantes para uma 
atuação profissional íntegra, segura e alinhada às 
exigências contemporâneas da saúde.
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1. O controle ético da pesquisa científica com seres humanos no Brasil é exercido por um sis-
tema estruturado que visa garantir a integridade dos estudos e a proteção dos participantes. 
Nesse contexto, os Comitês de Ética em Pesquisa (CEP) e a Comissão Nacional de Ética em 
Pesquisa (Conep) desempenham funções complementares e fundamentais. Os CEPs são 
responsáveis pela avaliação ética local dos projetos, enquanto a Conep atua em nível na-
cional, elaborando diretrizes e avaliando pesquisas de maior complexidade, como aquelas 
que envolvem populações vulneráveis ou riscos elevados (Amorim, 2019; Fonseca, 2015).
Sobre o funcionamento do sistema de avaliação ética da pesquisa científica com seres 
humanos no Brasil, assinale a alternativa correta:
a) Os Comitês de Ética em Pesquisa (CEP) têm como principal função elaborar normas 
éticas nacionais aplicáveis às pesquisas científicas.
b) A Conep é uma instância local que avalia todos os projetos de pesquisa submetidos por 
instituições de ensino superior.
c) O sistema CEP/Conep tem por finalidade principal a aprovação de projetos em nível 
internacional, sem interferência em pesquisas locais.
d) A Conep é responsável por avaliar projetos de maior complexidade ética e coordena os 
CEPs, funcionando como instância nacional reguladora.
e) Os CEPs não possuem autonomia para emitir pareceres; todas as decisões são tomadas 
exclusivamente pela Conep.
2. A ética em pesquisas com seres humanos é um dos pilares fundamentais da produção 
científica na área da saúde. Ela se baseia em princípios que asseguram a dignidade, a li-
berdade e a segurança dos participantes, exigindo compromisso dos pesquisadores com 
práticas transparentes, informadas e responsáveis. A Resolução CNS nº 466/2012 e outras 
normativas são referências obrigatórias. No entanto, ainda, existem lacunas entre o co-
nhecimento teórico e sua aplicação na prática cotidiana, exigindo maior formação ética e 
conscientização por parte de todos os envolvidos (Lima et al., 2010).
Analise as afirmativas a seguir sobre a ética em pesquisas com seres humanos:
I - A ética em pesquisa busca garantir a proteção dos participantes, respeitando sua digni-
dade, autonomia e integridade.
II - A aplicação prática dos princípios éticos ainda enfrenta desafios, especialmente em 
relação à obtenção do consentimento livre e esclarecido.
III - As diretrizes éticas, como a Resolução CNS nº 466/2012, são fundamentais para orientar 
as práticas em pesquisa envolvendo seres humanos.
IV - O conhecimento sobre ética em pesquisa está consolidado entre os profissionais de 
saúde, sendo desnecessária a formação contínua.
AUTOATIVIDADE
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É correto o que se afirma em:
a) I, apenas.
b) II e IV, apenas.
c) III e IV, apenas.
d) I, II e III, apenas.
e) I, II, III e IV.
3. Pesquisas indicam que os acadêmicos de enfermagem reconhecem a importância da ética 
na pesquisa com seres humanos, mas apresentam lacunas em relação ao conhecimento 
das diretrizes normativas e do funcionamento do sistema CEP/Conep. O sistema brasileiro é 
estruturado para proteger os participantes das pesquisas, sendo formado pelos Comitês de 
Ética em Pesquisa (CEPs), em nível institucional, e pela Comissão Nacional de Ética em Pes-
quisa (Conep), em nível nacional. O fortalecimento da formação ética e bioética é essencial 
para garantir práticas científicas responsáveis (Cardoso; Gomes; Rocha, 2018; Amorim, 2019).
Com base nas informações apresentadas, avalie as asserções a seguir e a relação proposta 
entre elas:
I - O conhecimento ético dos estudantes de enfermagem sobre a condução de pesquisas 
com seres humanos ainda apresenta fragilidades.
PORQUE
II - O sistema CEP/Conep atua apenas na aprovação de projetos científicos desenvolvidos 
por instituições privadas e não se aplica ao contexto da formação acadêmica pública.
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta:
a) As asserções I e II são verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I.
b) As asserções I e II são verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I.
c) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
d) A asserção I é uma proposição falsa, e a IIé uma proposição verdadeira.
e) As asserções I e II são falsas.
AUTOATIVIDADE
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1
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MELO, R. P. de.; MELO, L. F. de. Ética e suas implicações na pesquisa com seres humanos. Hori-
zontes, v. 41, n. 1, p. 2023. Disponível em: https://revistahorizontes.usf.edu.br/horizontes/article/
view/1646. Acesso em: 3 jun. 2025.
MINAYO, M. C. Ética das pesquisas qualitativas segundo suas características. Revista Pesquisa 
Qualitativa, v. 9, n. 22, p. 521-539, 2021. Disponível em: https://editora.sepq.org.br/rpq/article/
view/506. Acesso em: 3 jun. 2025. 
MOTTA, L. C. de S.; VIDAL, S. V.; SIQUEIRA-BATISTA, R. Bioética: afinal, o que é isto? Revista da 
Sociedade Brasileira de Clínica Médica, v. 10, n. 5, 2012. Disponível em: https://pesquisa.bvsa-
lud.org/portal/resource/pt/lil-652309. Acesso em: 17 abr. 2025. 
SOARES, M. C. et al. Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Enfermagem da UFPel: sete 
anos de história. Journal of Nursing and Health, v. 6, 2016. Disponível em: https://periodicos.
ufpel.edu.br/index.php/enfermagem/article/view/8844. Acesso em: 3 jun. 2025. 
7
7
1. Alternativa D.
A alternativa D está correta, pois a Conep é a instância nacional responsável por coordenar o 
sistema CEP/Conep, elaborar diretrizes normativas e avaliar projetos com maior complexidade 
ética, como os que envolvem populações vulneráveis, riscos elevados ou multicentricidade. 
Sua função é reguladora, normativa e deliberativa, complementando a atuação dos CEPs. A 
alternativa A está incorreta, pois a elaboração de normas éticas nacionais é de competência 
da Conep, e não dos CEPs. Os CEPs aplicam essas normas em nível institucional/local. A 
alternativa B está incorreta, pois a Conep atua em nível nacional, e não como instância local. 
A avaliação de projetos submetidos por instituições ocorre, em regra, nos CEPs vinculados a 
essas instituições. A alternativa C está incorreta, pois o sistema CEP/ Conep é voltado à ética 
em pesquisa no contexto brasileiro, com foco na proteção de participantes, especialmente 
em nível local e nacional. Projetos internacionais podem ser avaliados, mas não são o foco 
exclusivo. A alternativa E está incorreta, pois os CEPs têm autonomia para emitir pareceres 
consubstanciados sobre os projetos de pesquisa, sendo a primeira instância do processo 
de avaliação ética. A Conep atua apenas em casos específicos ou como instância recursal.
2. Alternativa D.
A afirmativa I está correta, pois ressalta a função central da ética em proteger os participan-
tes. A afirmativa II está correta, pois aborda um dos principais desafios citados por Lima et 
al., que é a aplicação prática dos princípios, especialmente no processo de consentimento. 
A afirmativa III está correta, pois reconhece a importância da Resolução CNS nº 466/2012 
como diretriz normativa essencial para a condução ética das pesquisas. A afirmativa IV 
está incorreta, pois o texto destaca justamente a necessidade contínua de formação ética, 
indicando que o conhecimento sobre ética em pesquisa não está totalmente consolidado 
entre os profissionais.
3. Alternativa C.
A asserção I é verdadeira, pois estudos apontam lacunas no conhecimento ético de es-
tudantes de enfermagem, conforme evidenciado por Cardoso et al. (2018). A asserção II é 
falsa, porque o sistema CEP/Conep se aplica tanto a instituições públicas quanto privadas, 
incluindo o contexto da formação acadêmica e projetos desenvolvidos por estudantes e 
docentes. A Conep, inclusive, estabelece diretrizes normativas para todas as instituições de 
ensino e pesquisa no Brasil (Amorim, 2019).
GABARITO
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MINHAS ANOTAÇÕES
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UNIDADE 2
MINHAS METAS
ELEMENTOS CONSTITUTIVOS
DE PESQUISA
Olhar o currículo Lattes como instrumento de construção da identidade acadêmica.
Reconhecer o papel das agências de fomento no incentivo à pesquisa científica.
Entender a pesquisa como parte essencial da prática profissional em Enfermagem.
Identificar os elementos que compõem a estrutura de um projeto de pesquisa.
Estimular a elaboração de projetos de pesquisa desde a graduação.
Compreender a função ética da Plataforma Brasil na pesquisa com seres humanos.
Refletir sobre o enfermeiro como agente de transformação por meio da ciência.
T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 1
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2
INICIE SUA JORNADA
Durante a graduação em Enfermagem, é natural que muitas dúvidas surjam 
sobre os caminhos possíveis dentro da profissão. A maioria dos estudantes 
associa o futuro profissional à prática assistencial, o que é legítimo e fundamen-
tal, mas nem sempre se imagina também como alguém que pesquisa, escreve 
projetos, participa de editais ou organiza um currículo acadêmico. 
À medida que avançamos na formação, no entanto, percebemos que o desen-
volvimento profissional vai muito além do cuidado direto: ele também passa 
pela produção e aplicação do conhecimento.
Imagine que você esteja finalizando a graduação e precise decidir qual cami-
nho seguir: atuar diretamente na assistência, investir na docência, assumir 
funções de gestão ou se dedicar à pesquisa. Já parou para pensar em como sua 
formação pode abrir todas essas possibilidades? 
Mais do que cumprir exigências formais, aprender 
a lidar com instrumentos, como o Currículo Lattes, os 
projetos de pesquisa e a Plataforma Brasil, é uma forma 
de ampliar seus horizontes. Embora possam parecer dis-
tantes da prática clínica, esses elementos fazem parte de 
uma base que sustenta a Enfermagem como ciência, como 
profissão comprometida com evidências, com ética e com transformação social.
Suponha que, em breve, você esteja diante de uma vaga que exige conhe-
cimento em pesquisa científica ou participação em projetos institucionais. 
Você estaria preparado? O profissional que compreende o funcionamento da 
ciência e participa ativamente dela está mais capacitado para tomar decisões 
críticas, trabalhar em equipe de forma colaborativa e contribuir, de maneira 
significativa, para a melhoria do cuidado em saúde.
Neste tema de aprendizagem, vamos explorar esses caminhos que co-
nectam o mundo acadêmico à realidade profissional. O convite é para que 
você se reconheça como protagonista da sua formação e enxergue na pes-
quisa não apenas um requisito curricular, mas uma possibilidade concreta 
de crescimento e impacto na Enfermagem.
Como ciência, 
como profissão 
comprometida 
com evidências 
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TEMA DE APRENDIZAGEM 4
DESENVOLVA SEU POTENCIAL
CURRÍCULO LATTES: IDENTIDADEACADÊMICA 
Se você já participou de um processo seletivo para uma bolsa de iniciação cien-
tífica, submeteu um projeto a uma agência de fomento ou se candidatou a um 
programa de pós-graduação no Brasil, certamente, já ouviu falar ou preencheu o 
Currículo Lattes. Mais do que um formulário on-line, o Lattes é uma plataforma 
que compõe a base da organização da vida acadêmica e científica brasileira. Mas 
por que ele é tão central em nossa trajetória? E como surgiu essa ferramenta que, 
para muitos, é quase um “diário profissional”?
VAMOS RECORDAR?
Você se lembra da importância da pesquisa na prática da 
Enfermagem? A leitura do artigo a seguir convida você 
a recordar sobre como esses dois perfis profissionais se 
percebem e se relacionam no dia a dia.
Você já teve uma dúvida durante um estágio e pensou: “Isso 
daria uma boa pesquisa”? No podcast Do problema à pesquisa: 
como nasce um projeto científico?, conversaremos, de forma leve 
e prática, sobre como transformar uma ideia em um projeto de 
pesquisa estruturado.
PLAY N O CONHECIMENTO
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1
https://www.scielo.br/j/reben/a/hK5YLcXV4QyfhCb5ShVfGkw/?lang=pt
https://on.soundcloud.com/CL9Eei7KUd2ZxcFNYy
A Plataforma Lattes foi criada no final da década de 1990 (Brasil, 2025), pelo 
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), com 
o objetivo de unificar e padronizar os currículos da comunidade científica, tec-
nológica e acadêmica do país. Desde então, tornou-se referência nacional na 
catalogação da produção intelectual e no acompanhamento das atividades de 
ensino, pesquisa e extensão. Seu nome é uma homenagem ao físico brasileiro 
César Lattes, reconhecido mundialmente por suas contribuições à ciência.
A escolha de um nome emblemático não é por acaso. A plataforma carrega 
consigo uma dimensão simbólica: representar o compromisso com a excelência 
científica e com a valorização do conhecimento produzido no Brasil. Ao longo 
dos anos, ela se consolidou como ferramenta essencial em processos avaliativos 
nas universidades, institutos de pesquisa, órgãos públicos e agências de fomento.
Organização e estrutura do currículo
O Currículo Lattes é estruturado de forma a contemplar todas as dimensões da 
atuação acadêmica e profissional. Sua lógica é padronizada, o que permite com-
parar perfis de pesquisadores de diferentes áreas de conhecimento. 
Entre os campos disponíveis, estão: formação acadêmica, atuação profissio-
nal, produção bibliográfica (como artigos, livros e capítulos), produção técnica, 
participação em eventos científicos, orientações concluídas e em andamento, en-
tre outros. Já dentre as funcionalidades, destaca-se a possibilidade de integração 
com bases de dados, como o DOI (Digital Object Identifier) e a ORCID (Open 
Researcher and Contributor ID), contribuindo para a verificação da autoria e 
autenticidade das produções declaradas.
Essa organização não é aleatória. Ela responde a uma demanda histórica por 
critérios mais objetivos na avaliação de méritos acadêmicos. Em outras palavras, 
o Lattes facilita processos, como seleção de bolsistas, avaliação de programas de 
pós-graduação, credenciamento docente e análise de produtividade científica. 
A confiabilidade da plataforma decorre da responsabilidade do próprio pesqui-
sador pela atualização e veracidade das informações declaradas, podendo haver 
sanções em casos de fraudes ou inconsistências (Brasil, 2025).
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TEMA DE APRENDIZAGEM 4
Ele funciona como a nossa “identidade profissional” dentro do mundo acadê-
mico e da pesquisa. É nele que registramos todo o nosso caminho: a graduação, 
estágios, participações em projetos de extensão, iniciação científica, eventos, pu-
blicações e muito mais.
Para você, estudante, que está na graduação, pode parecer cedo para pensar 
nisso, mas é justamente agora que se constrói a base de uma trajetória. Manter o 
Lattes atualizado e organizado é uma forma de mostrar o seu envolvimento com 
a Enfermagem e com a produção de conhecimento na área da saúde.
Além disso, é por meio do Lattes que professores, pesquisadores, instituições 
de fomento — como o CNPq, a Capes (Fundação Coordenação de Aperfeiçoa-
mento de Pessoal de Nível Superior), as diversas Fundações de Amparo à Pesqui-
sa existentes nos estados brasileiros bem como os programas de pós-graduação 
— conhecem o seu perfil e avaliam o seu mérito acadêmico para bolsas, estágios, 
seleções ou futuros projetos. Por isso, compreender o funcionamento, os limites 
e as potencialidades dessa plataforma é fundamental para qualquer pessoa que 
atue na pesquisa, no ensino ou na gestão acadêmica. Atualizá-lo com responsa-
bilidade, refletir sobre seus critérios e propor melhorias são atitudes que também 
fazem parte do nosso compromisso com uma ciência mais ética, transparente e 
socialmente engajada.
FONTES DE FINANCIAMENTO DA PESQUISA NO BRASIL
Quando falamos em desenvolvimento científico e tecnológico no Brasil, é funda-
mental reconhecermos o papel das agências de fomento que viabilizam a realiza-
ção de pesquisas, a formação de recursos humanos qualificados e a consolidação 
da infraestrutura acadêmica. 
VOCÊ SABE RESPONDER?
Você sabia que o Currículo Lattes é muito mais do que uma lista de cursos e 
certificados?
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Conhecer essas fontes de fomento, seus editais, suas áreas de atuação e os critérios 
de avaliação é parte fundamental da vida acadêmica. Afinal, são esses recursos que 
possibilitam transformar ideias em projetos, hipóteses em descobertas e conheci-
mento em inovação com impacto social. Entre essas instituições, três se destacam 
pela abrangência e importância no cenário nacional: o CNPq, a Capes e as Funda-
ções Estaduais de Amparo à Pesquisa, presentes em diversos estados brasileiros.
CNPq 
O CNPq é uma das agências federais mais tradicionais do país. Vinculado ao 
Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o conselho atua tanto 
no fomento direto à pesquisa quanto no apoio à formação de pesquisadores em 
todos os níveis. Por meio da concessão de bolsas (de iniciação científica a pós-
doutorado), auxílios financeiros para projetos e editais de chamadas públicas, o 
CNPq desempenha papel central na promoção da ciência brasileira.
Além disso, o CNPq é o responsável pela Plataforma Lattes, ferramenta 
essencial para a avaliação da produtividade e trajetória dos pesquisadores, e 
pela Plataforma Carlos Chagas, utilizada na submissão e acompanhamento 
de projetos financiados. Outro destaque é o PQ, Bolsa de Produtividade em 
Pesquisa, considerada um dos principais reconhecimentos à trajetória de ex-
celência científica no Brasil.
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TEMA DE APRENDIZAGEM 4
Capes
A Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) 
está vinculada ao Ministério da Educação (MEC) e tem como foco principal 
a formação de recursos humanos qualificados, com ênfase na pós-graduação 
stricto sensu (mestrado e doutorado). A agência financia bolsas de estudo no 
país e no exterior, promove programas de cooperação internacional e realiza a 
avaliação periódica dos cursos de pós-graduação, sendo referência na indução 
de qualidade acadêmica.
Importante destacar que muitos programas de pós-graduação contam com bolsas 
da Capes para seus estudantes, o que contribui para a dedicação exclusiva à pes-
quisa e ao avanço das investigações científicas. 
A Capes também desenvolve programas estratégicos, como o Proex, o Proap e o 
PNPD, que apoiam a manutenção e expansão dos programas de pós-graduação.
O Proex (Programa de Excelência Acadêmica) é um programa da Capes 
voltado para cursos de pós-graduação que possuem alto desempenho acadêmico. 
Ele oferece apoio financeiro para que esses programas continuem desenvolvendo 
pesquisas de qualidade e promovendo a formação de mestres e doutores. Os 
recursos podem ser usados para custear bolsas, passagens, inscrição em eventos, 
publicação de artigos, entre outros.
Já o Proap (Programa de Apoio à Pós-graduação) também é uma iniciativa 
da Capes e tem como objetivooferecer suporte financeiro aos programas de 
pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado) que ainda não fazem parte 
do Proex. Ele contribui para o fortalecimento da formação acadêmica e científica, 
apoiando atividades, como pesquisa, capacitação de estudantes, participação em 
eventos e manutenção de laboratórios.
Por fim, o PNPD (Programa Nacional de Pós-Doutorado) é voltado para 
quem já concluiu o doutorado e deseja continuar pesquisando dentro de um 
programa de pós-graduação. Ele oferece bolsas de pós-doutorado para pes-
quisadores desenvolverem projetos em instituições de ensino superior. Esse 
programa ajuda a integrar doutores recém-formados às universidades, forta-
lecendo os grupos de pesquisa.
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Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa
Além das agências federais, existem Fundações Estaduais de Amparo à Pes-
quisa. Essas fundações têm papel complementar e estratégico, pois atuam em 
sintonia com as demandas regionais e contribuem para a descentralização 
do financiamento à ciência. 
A descentralização do financiamento à ciência permite que diferentes re-
giões do Brasil invistam em pesquisa de forma mais alinhada às suas realidades, 
promovendo equidade no desenvolvimento científico e fortalecendo capacida-
des locais. Isso significa que os recursos financeiros destinados à pesquisa cien-
tífica não ficam concentrados apenas no governo federal, mas são distribuídos 
entre diferentes esferas de governo, especialmente para os estados.
A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul 
(Fapergs) é um exemplo dessa atuação. Assim como ela, outras fundações 
estaduais, como a Fapesp (São Paulo), a Fapemig (Minas Gerais), a Facepe 
(Pernambuco) e a Fapesc (Santa Catarina), também, promovem editais para 
financiamento de pesquisas científicas e tecnológicas e concessão de bolsas de 
iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado, além de fomentar 
a inovação em parceria com empresas e instituições públicas.
As Fundações Estaduais, em geral, buscam articular o desenvolvimento 
científico com as necessidades locais, contribuindo para o fortalecimento 
dos ecossistemas de inovação regionais e para uma ciência mais próxima da 
realidade de cada estado.
A ARTICULAÇÃO ENTRE AS AGÊNCIAS
Apesar de atuarem em diferentes esferas (federal e estadual), essas institui-
ções, muitas vezes, trabalham de forma articulada, compartilhando critérios, 
cofinanciando projetos e promovendo programas conjuntos. Essa integração 
é essencial para garantir a continuidade das pesquisas, especialmente em 
tempos de restrição orçamentária.
Além disso, todas essas agências utilizam o Currículo Lattes como base para 
avaliação dos pesquisadores e projetos submetidos, reforçando a importância 
da transparência e da consistência na apresentação da trajetória acadêmica. 
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TEMA DE APRENDIZAGEM 4
ESTRUTURA E ELEMENTOS: DA IDEIA À CONSTRUÇÃO 
CIENTÍFICA
Elaborar um projeto de pesquisa é uma etapa essencial para quem deseja in-
vestigar um problema com rigor científico. Seja no início da graduação, no 
mestrado ou no doutorado, a construção do projeto permite ao pesquisador 
organizar seu pensamento, justificar a relevância do estudo e planejar o cami-
nho metodológico a ser seguido.
Como lembra Minayo (2014), a pesquisa científica é um processo sistemático 
que envolve tanto a construção teórica quanto a articulação com a realidade em-
pírica. Por isso, o projeto de pesquisa não é apenas um documento burocrático; 
ele é, acima de tudo, a expressão estruturada de um percurso investigativo que 
visa produzir conhecimento.
A seguir, apresentamos os principais elementos que compõem um projeto de 
pesquisa, discutindo suas funções, interconexões e cuidados na elaboração.
9
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Introdução. A introdução é o primeiro contato do leitor com o problema de 
pesquisa. Deve apresentar de forma clara e objetiva o tema investigado, seu 
contexto e relevância científica e social, além de sinalizar o foco do estudo. Aqui, 
o pesquisador começa a explicitar o que será investigado e por quê. É importan-
te evitar uma abordagem genérica, centrando-se em uma delimitação temática 
coerente com o campo de conhecimento. Segundo Lakatos e Marconi (2003), 
a introdução deve conduzir o leitor para o problema, ao mesmo tempo em que 
estabelece os contornos do estudo.
Problema e Objetivos da Pesquisa. O problema da pesquisa deve emergir 
de uma lacuna identificada na literatura ou de uma inquietação prática fun-
damentada. É a partir dessa problematização que o pesquisador formulará os 
objetivos gerais e específicos. O objetivo geral descreve a finalidade ampla do 
estudo, aquilo que se pretende alcançar. Já os objetivos específicos traduzem esse 
propósito em etapas ou metas operacionais, auxiliando na definição da metodo-
logia. Para Minayo (2014), os objetivos precisam estar intimamente articulados 
ao problema de pesquisa e refletir a coerência interna do projeto.
Fundamentação Teórica. A fundamentação teórica, também chamada de 
referencial teórico ou revisão de literatura, oferece o alicerce conceitual que sus-
tenta o projeto. Trata-se de revisar criticamente os principais estudos, autores, 
teorias e categorias que dialogam com o tema proposto. Nesta etapa, é funda-
mental demonstrar domínio do campo de conhecimento e capacidade analíti-
ca. A leitura não deve ser apenas descritiva, mas interpretativa e articuladora. 
Como orienta Minayo (2014), o pesquisador deve posicionar-se frente ao saber 
já produzido, identificando consensos, contradições e lacunas que justificam a 
realização do estudo, ou seja, significa que o pesquisador não deve apenas repetir 
ou resumir o que outros estudiosos já escreveram, mas, sim, assumir uma postura 
crítica e reflexiva diante dos conhecimentos existentes, identificar o que falta e 
justificar por que o novo estudo é necessário.
Metodologia. A seção metodológica é o coração técnico do projeto. É nela 
que se descreve o tipo de pesquisa (exploratória, descritiva, explicativa etc.), a 
abordagem (quantitativa, qualitativa ou mista), os instrumentos de coleta de 
dados, a amostra, o local do estudo e os procedimentos de análise dos dados. 
Minayo (2016), referência na pesquisa qualitativa em saúde, ressalta que a escolha 
metodológica deve ser compatível com o objeto de estudo e seus objetivos. Em 
outras palavras, não se trata apenas de aplicar técnicas, mas de construir estratégias 
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TEMA DE APRENDIZAGEM 4
coerentes com a lógica interna do problema investigado. Além disso, é aqui que 
se deve apresentar aspectos éticos da pesquisa, como a submissão ao Comitê de 
Ética, o uso de termos de consentimento e a proteção dos participantes.
Resultados esperados. Embora ainda não se tenha realizado o estudo, é 
importante sinalizar que tipo de resultados se pretende alcançar. Trata-se de 
uma projeção, uma hipótese do tipo de conhecimento que será produzido. 
Deve-se evitar previsões fechadas ou garantias de descobertas, valorizando a 
abertura ao inesperado.
Justificativa. Alguns projetos optam por incluir uma seção chamada “Justi-
ficativa”, na qual o pesquisador detalha por que o estudo é necessário e como ele 
pode contribuir para o campo científico, político ou social. Essa parte dialoga 
com a introdução, mas vai além ao mostrar o impacto potencial da pesquisa. É 
também um espaço estratégico para mostrar a atualidade do tema, responder a 
críticas antecipadas e reforçar a originalidade da proposta.
Cronograma e Orçamento. O cronograma deve distribuir as etapas do 
projeto ao longo do tempo, especificando o que será feito em cada período (por 
exemplo: revisão bibliográfica, coleta, análise, redação). Já o orçamento, quan-
do exigido, deve detalhar os recursos financeiros necessários para viabilizar a 
pesquisa (passagens, diárias, materiais, softwares etc.). Esses dois elementos são 
fundamentais para mostrar a viabilidade prática do estudo, especialmente em 
projetos submetidos a editais de fomento.
Referências. Ao finaldo projeto, devem constar todas as fontes bibliográ-
ficas utilizadas, seguindo as normas da instituição ou da ABNT (Associação 
Brasileira de Normas Técnicas). A qualidade da bibliografia revela muito sobre 
a densidade teórica do projeto e o comprometimento do pesquisador com a 
atualização científica. O projeto de pesquisa é um documento vivo: ele organiza, 
estrutura e dá sentido à investigação que está por vir. Mais do que cumprir eta-
pas formais, escrever um projeto é um exercício de reflexão crítica, planejamen-
to rigoroso e compromisso ético. Autores, como Minayo (2014), ensinam-nos 
que não existe método neutro ou tema trivial: toda escolha carrega intencio-
nalidades e implica posicionamento. Por isso, elaborar um projeto é, também, 
um ato de autoria, de inserção no campo científico e de responsabilidade com 
o conhecimento que se quer produzir.
Apêndices e Anexos. Quando elaboramos um projeto de pesquisa, é comum 
surgirem dúvidas sobre o que deve ser incluído no corpo principal do texto e o 
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que pode ser apresentado como material complementar. Nesse sentido, enten-
der a função dos apêndices e anexos é fundamental para organizar o trabalho 
de forma clara e coerente. Os apêndices são materiais elaborados pelo próprio 
pesquisador e servem para aprofundar ou complementar algum ponto tratado 
no projeto. Por exemplo, se você criou um questionário, um roteiro de entrevista 
ou um formulário específico para coletar os dados da pesquisa, esse material 
deve ser incluído como apêndice. Ele é parte do seu processo investigativo, mas, 
para não sobrecarregar o corpo do texto, fica separado ao final do trabalho. Já os 
anexos são diferentes, eles reúnem documentos que não foram produzidos por 
você, mas que são relevantes para embasar ou ilustrar o que está sendo discuti-
do no projeto. É o caso de legislações, diretrizes do Ministério da Saúde (MS), 
tabelas de dados de fontes oficiais (OMS), manuais técnicos, entre outros. Esses 
materiais ajudam a dar suporte à sua argumentação, mesmo não sendo de sua au-
toria. Tanto apêndices quanto anexos devem ser organizados após as referências 
bibliográficas, e cada um deles precisa ser identificado por letras (por exemplo, 
Apêndice A, Anexo A), sempre com títulos claros que indiquem do que se trata 
o conteúdo. Incluir esses materiais corretamente não é apenas uma questão de 
formatação: é uma prática que valoriza a transparência do processo científico e 
facilita a compreensão do leitor.
A PLATAFORMA BRASIL E A ÉTICA NA PESQUISA CIENTÍFICA 
Após compreendermos a importância do Currículo Lattes como identidade aca-
dêmica, conhecermos o papel das agências de fomento no incentivo à ciência 
e entendermos a estrutura fundamental de um projeto de pesquisa, é hora de 
abordar um elemento essencial para quem realiza estudos com seres humanos: 
a Plataforma Brasil. 
Trata-se do sistema nacional que centraliza e gerencia os processos de sub-
missão e avaliação ética dos projetos de pesquisa no país. Assim como manter o 
Lattes atualizado e elaborar projetos bem fundamentados são práticas indispen-
sáveis à vida acadêmica, conhecer e utilizar corretamente a Plataforma Brasil é 
um compromisso ético e legal de todo pesquisador. Ela representa o elo entre a 
produção científica e a garantia dos direitos dos participantes da pesquisa, for-
talecendo a integridade e a responsabilidade na condução dos estudos.
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TEMA DE APRENDIZAGEM 4
A Plataforma Brasil é um sistema on-line, gratuito, criado para registrar, avaliar 
e acompanhar pesquisas que envolvem seres humanos. Pois bem: esse é o espaço 
oficial onde os projetos são submetidos para avaliação ética. O objetivo principal 
é garantir que os estudos respeitem as normas éticas e protejam os direitos, a 
dignidade e o bem-estar das pessoas que participam da pesquisa.
Antes que qualquer coleta de dados comece, o projeto precisa ser enviado pela 
Plataforma Brasil e analisado por um Comitê de Ética em Pesquisa (CEP). So-
mente depois da aprovação ética é que a pesquisa pode ser iniciada. Isso vale para 
todos os estudos com seres humanos, da graduação ao pós-doutorado.
Desde que foi criada, em 2012, a Plataforma Brasil substituiu o antigo sistema 
Sisnep (Sistema Nacional de Ética em Pesquisa) e se consolidou como uma base 
nacional unificada. Isso facilitou muito o acompanhamento das pesquisas no Brasil: 
agora é possível monitorar todas as etapas do processo, desde a submissão inicial 
até os relatórios finais, promovendo mais transparência e controle (Brasil, 2025).
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Além disso, a Plataforma permitiu maior integração entre pesquisadores, 
Comitês de Ética e a própria sociedade, fortalecendo o compromisso com 
a responsabilidade científica. Ela também tornou o acesso ao sistema mais 
democrático, permitindo que pesquisadores de todas as regiões e áreas do 
conhecimento possam submeter seus projetos com mais facilidade.
Todo esse processo é regulado por normas éticas que evoluíram ao longo 
do tempo, como a Resolução nº 466/2012, que traz princípios, como a auto-
nomia, a beneficência, a justiça e a equidade. Mais recentemente, a Resolução 
nº 510/2016 passou a reconhecer as particularidades das pesquisas em Ciên-
cias Humanas e Sociais, trazendo diretrizes mais adequadas a essas áreas.
Assim, mais do que um sistema de envio de projetos, a Plataforma Brasil 
representa um verdadeiro instrumento de governança ética e científica. 
Ela fortalece a integridade das pesquisas realizadas no país e garante que 
os direitos das pessoas envolvidas sejam sempre respeitados. Entender seu 
funcionamento é um passo essencial para quem deseja atuar com respon-
sabilidade na produção do conhecimento. Veja como acessar:
1. O acesso à Plataforma Brasil é feito pelo site: plataformabrasil.
saude.gov.br.
2. Crie um cadastro pessoal, preenchendo dados, como CPF, nome, 
e-mail e formação.
3. Após o cadastro, você terá acesso ao painel do pesquisador.
4. Para submeter um projeto, será necessário preencher um formulário 
eletrônico e anexar o projeto completo, o Termo de Consentimento 
Livre e Esclarecido (TCLE), o cronograma, o orçamento (mesmo que 
estimado) e outras informações solicitadas.
5. Ao final, o projeto é enviado para o CEP da instituição, que irá avaliar 
e emitir parecer.
Mesmo o estudante de graduação, pode (e deve) submeter seu projeto caso 
ele envolva seres humanos. No entanto o projeto deve ter obrigatoriamente 
um orientador cadastrado na Plataforma Brasil que será o pesquisador res-
ponsável. Nesse caso, o estudante deve ser cadastrado como “integrante da 
equipe de pesquisa”. Por outro lado, os estudantes de pós-graduação podem 
ser cadastrados como pesquisadores responsáveis. 
Itens que devem ser submetidos na Plataforma Brasil: 
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TEMA DE APRENDIZAGEM 4
FOLHA DE ROSTO
Documento gerado automaticamente pela Plataforma Brasil após o preenchimento do 
formulário eletrônico. Deve ser assinado pelo pesquisador responsável e pelo repre-
sentante legal da instituição (como o diretor ou coordenador de pesquisa). Serve para 
formalizar o vínculo institucional da pesquisa.
CARTA DE ANUÊNCIA
Documento emitido por instituições, serviços ou locais onde a pesquisa será realizada 
(como hospitais, escolas, UBSs). Declara que essas entidades estão cientes e autorizam 
a realização do estudo em suas dependências.
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (TCLE)
Documento que deve ser entregue e assinado pelos participantes da pesquisa. Nele, o 
pesquisador explica os objetivos, procedimentos, riscos e benefícios do estudo, garan-
tindo a participação voluntária, com liberdade para desistência a qualquer momento.
TERMO DE ASSENTAMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (TALE)
Documento similar ao TCLE, mas voltado a crianças e adolescentes, escrito em lingua-
gem acessível. Deve ser usado junto ao TCLE dos responsáveis legais, garantindo que o 
menor compreenda a pesquisa. Utilizado somente quando for o caso.
TERMO DE COMPROMISSO DE USO DE DADOS
Utilizado quandosobre as práticas coti-
dianas, evitando que procedimentos sejam realizados de maneira acrítica, 
ou seja, sem questionamento, análise crítica ou reflexão sobre os motivos pe-
los quais são adotados. Realizar algo de maneira acrítica significa seguir mé-
todos ou rotinas apenas por hábito, tradição ou convenção, sem considerar 
sua eficácia, segurança ou adequação às necessidades atuais dos pacientes. 
Um enfermeiro que compreende a importância da reflexão epistemológica 
está mais apto a identificar e corrigir práticas obsoletas, aprimorando, assim, 
a qualidade e a segurança da assistência prestada.
A Ciência, quando utilizada sem consciência, pode perder seu propósito 
original de promover o bem-estar e a melhoria da vida. No campo da Saúde, 
essa consciência se torna ainda mais necessária, pois o impacto das decisões 
baseadas no conhecimento científico afeta diretamente a qualidade de vida 
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TEMA DE APRENDIZAGEM 1
dos indivíduos. Ao longo da história da ciência, diferentes paradigmas orienta-
ram a produção do conhecimento, influenciando a forma como compreendemos 
e aplicamos a Ciência. Dentre esses paradigmas, o positivismo se destaca como 
um dos mais influentes, especialmente nas ciências naturais e da saúde.
O PARADIGMA POSITIVISTA NA PESQUISA EM CIÊNCIAS 
DA SAÚDE E DA VIDA
O positivismo surgiu no século XIX com o filósofo Auguste Comte (1798–
1857) (Figura 1), que defendia a ideia de que o conhecimento científico deve-
ria basear-se exclusivamente em fatos observáveis e mensuráveis, rejeitando 
explicações metafísicas ou subjetivas (Comte, 1978). Esse paradigma consoli-
dou a Ciência como um campo pautado pela objetividade, pela busca de leis 
universais e pelo uso do método experimental.
Figura 1 – Augusto Comte (1798–1857)
Fonte: https://commons.wikimedia.
org/wiki/File:Auguste_Comte.jpg. 
Acesso em: 31 maio 2125.
Descrição da Imagem: a figura 
apresenta uma fotografia que re-
trata Auguste Comte em um re-
trato clássico em preto e branco. 
Ele aparece de frente, com uma 
expressão séria e olhar direto, 
transmitindo um ar de reflexão e 
rigor intelectual. Seu cabelo é cur-
to e penteado para trás, com uma 
entrada acentuada, e ele veste um 
casaco escuro sobre uma camisa 
de gola alta, típica do século XIX. 
O fundo é simples e claro, desta-
cando o rosto e a vestimenta de 
Comte. Fim da descrição.
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No campo da Saúde, o positivismo influenciou diretamente a Medicina e a En-
fermagem, promovendo o modelo biomédico baseado em diagnósticos clínicos, 
exames laboratoriais e intervenções baseadas em evidências quantitativas (Mina-
yo, 2001). Essa abordagem trouxe avanços significativos, como o desenvolvimen-
to de vacinas, antibióticos e técnicas cirúrgicas seguras, mas também foi alvo de 
críticas por reduzir o cuidado à dimensão biológica, desconsiderando aspectos 
subjetivos e sociais da saúde.
Na Enfermagem, o positivismo esteve presente na consolidação da profissão 
como uma ciência baseada em evidências, valorizando a padronização de proce-
dimentos e a mensuração de resultados. Autores, como Florence Nightingale, 
já demonstravam a importância da observação sistemática e da estatística na 
melhoria das condições sanitárias e na promoção da saúde (Nightingale, 1989).
A frase “Saber para prever, prever para prover” sintetiza a essência do pensa-
mento positivista, que enfatiza a importância da ciência baseada em evidências 
para a antecipação de problemas e a aplicação do conhecimento em benefício da 
sociedade (Comte, 1978). No campo da saúde, essa ideia se traduz na pesquisa 
epidemiológica, na medicina baseada em evidências e no planejamento de polí-
ticas públicas para prevenir doenças e promover o bem-estar coletivo. 
VOCÊ SABE RESPONDER?
Você já se perguntou por que a medicina e outras áreas da saúde dão tanta ênfase 
a números, estatísticas e experimentos? 
Isso se deve, em grande parte, à influência do positivismo. Essa abordagem, que 
surgiu no século XIX, propõe que, para entendermos o mundo, é preciso ob-
servá-lo, medi-lo e buscar padrões universais.
Auguste Comte, considerado o “pai” do positivismo, organizou o conhe-
cimento humano em três fases: teológica, metafísica e positiva (Comte, 1978). 
Na fase positiva, a ciência e a razão ganham protagonismo, guiando nossa com-
preensão sobre o mundo, inclusive sobre as doenças e os cuidados com a saúde.
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TEMA DE APRENDIZAGEM 1
O Positivismo e as pesquisas na saúde: 
como isso afeta a prática?
Você, estudante de enfermagem, certamente, já se deparou com o conceito de 
evidência científica. Esse princípio, fortemente influenciado pelo positivismo, 
fundamenta grande parte das práticas em saúde. Foi essa abordagem que permi-
tiu avanços, como o uso de estatísticas na epidemiologia para identificar fatores 
de risco, a implementação de ensaios clínicos controlados e o estabelecimento 
de protocolos de tratamento embasados em dados empíricos (Comte, 1978). 
Essa influência se manifesta de diversas formas, como no uso de escalas pa-
dronizadas para avaliação da dor, no monitoramento de indicadores de qualidade 
assistencial e na adoção de procedimentos validados cientificamente. 
Mas será que a pesquisa em saúde pode ser reduzida apenas à mensuração de 
dados e análises estatísticas? 
PE N SA N DO JUNTOS
O cuidado envolve mais do que números, e compreender os limites e possibili-
dades dessa abordagem é essencial para uma prática reflexiva e humanizada.
Durkheim e o positivismo: qual a relação com a saúde?
Você já ouviu falar em Émile Durkheim? Considerado um dos fundadores da 
sociologia, ele foi um dos pensadores que ampliou o impacto do positivismo 
para o estudo dos fenômenos sociais, incluindo aqueles relacionados à saúde. 
Para Durkheim, os fatos sociais deveriam ser analisados como “coisas”, ou seja, 
de maneira objetiva e desvinculada das percepções individuais (Durkheim, 2000, 
2007). Essa perspectiva buscava identificar padrões e regularidades por meio de 
métodos quantitativos, permitindo compreender como determinados compor-
tamentos e condições sociais influenciam a coletividade.
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Essa abordagem teve um impacto significativo na pesquisa em saúde. Ao aplicar 
essa lógica, estudos passaram a utilizar análises estatísticas para investigar fato-
res que afetam a saúde pública, como a distribuição de doenças, os determinantes 
sociais da saúde e os impactos das condições de vida no bem-estar populacional. 
Essa influência ainda pode ser observada nos indicadores epidemiológicos, nas 
políticas de saúde coletiva e nas pesquisas que buscam compreender a relação 
entre sociedade e adoecimento (Durkheim, 2000, 2007). 
Neste vídeo, você conhecerá melhor quem foi Émile Durkheim e 
como suas ideias revolucionaram a sociologia!
E U I N DI CO
Mas será que essa abordagem, centrada em dados e padrões, é suficiente para 
explicar toda a complexidade do cuidado?
PE N SA N DO JUNTOS
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https://www.youtube.com/watch?v=2zwXhDCuJgs
TEMA DE APRENDIZAGEM 1
Embora a abordagem positivista tenha sido fundamental para estruturar a pes-
quisa em saúde, trazendo rigor científico, padronização e embasamento estatís-
tico (Comte, 1978; Durkheim, 2000, 2007), ela não é suficiente para abranger 
toda a complexidade do cuidado. Isso porque a saúde não se restringe a nú-
meros e padrões; ela envolve dimensões subjetivas, culturais e emocionais que 
impactam diretamente a experiência do paciente e a qualidade da assistência 
prestada (Nightingale, 1989).
Na enfermagem, por exemplo, não basta apenas seguir protocolos baseados em 
dados epidemiológicos ou indicadores clínicos. É essencial considerar o significado 
que o adoecimento tem para cada indivíduo, as relações interpessoais no ambiente 
de cuidado e os fatores psicossociais que influenciam a recuperação (Nightingale, 
1989). Um paciente com dor crônica pode apresentar escores dentro de uma escala 
padronizada, mas será que essa mensuração captura integralmente o impacto da 
dor em sua vida cotidiana? Dao projeto não envolve contato direto com pessoas, mas, sim, o uso de 
dados secundários, como prontuários, bases de dados, registros públicos etc. Garante que 
os dados serão tratados de forma ética e confidencial. Utilizado somente quando for o caso.
PROJETO DE PESQUISA NA ÍNTEGRA
Documento completo do projeto, contendo: título, justificativa, objetivos, fundamenta-
ção teórica, metodologia, critérios de inclusão/exclusão, riscos e benefícios, instrumen-
tos de coleta, entre outros. Deve ser coerente com o que foi preenchido na plataforma.
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Compreender e utilizar corretamente a Plataforma Brasil é, portanto, mais do que 
cumprir uma exigência burocrática, é assumir uma postura ética e comprometida 
com a qualidade da ciência produzida no país. Ao garantir que as pesquisas res-
peitem os direitos dos participantes e estejam alinhadas às normativas vigentes, 
o pesquisador reafirma seu papel como agente responsável pela produção de 
conhecimento crítico, transparente e socialmente relevante. Dominar esse pro-
cesso é parte fundamental da formação científica e do exercício de uma pesquisa 
verdadeiramente comprometida com o bem coletivo.
CRONOGRAMA
Tabela com a previsão das etapas da pesquisa, desde a submissão, coleta de dados e 
análise até a divulgação dos resultados. Ajuda o sistema CEP/Conep a avaliar o realis-
mo do planejamento.
ORÇAMENTO
Descrição dos recursos financeiros necessários para a realização da pesquisa, incluindo 
custos com materiais, transporte, impressão, entre outros. Mesmo que não haja finan-
ciamento externo, é importante apresentar um orçamento estimado.
Gostou do que discutimos até aqui? Tenho mais para conversar 
com você a respeito deste tema. Vamos lá?
E M FOCO
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https://vimeo.com/1119443077/0d126e8cf5
TEMA DE APRENDIZAGEM 4
NOVOS DESAFIOS
Neste momento da sua formação, é essencial que você perceba como todo o 
conhecimento teórico construído até aqui se conecta com a prática e com o pro-
fissional que você está se tornando. Compreender a estrutura de um projeto 
de pesquisa, utilizar corretamente o Currículo Lattes, conhecer as agências de 
fomento e dominar o uso da Plataforma Brasil não são apenas exigências acadê-
micas. São competências que fortalecem sua trajetória científica e representam 
diferenciais importantes para sua atuação no mercado de trabalho.
No contexto atual, o enfermeiro não é apenas um cuidador, mas também um 
profissional crítico, pesquisador e protagonista na construção de políticas públi-
cas e práticas baseadas em evidências. Seja atuando 
em hospitais, unidades básicas de saúde, instituições 
de ensino ou em gestão, o domínio desses instru-
mentos amplia horizontes e prepara o graduando 
para uma atuação ética, reflexiva e comprometida 
com a qualidade do cuidado. Assim, teoria e prática se encontram na formação 
de um enfermeiro mais completo, preparado para os desafios e possibilidades 
do mercado de trabalho contemporâneo. 
E agora que você, estudante, conhece todos os passos para elaborar um pro-
jeto de pesquisa, será que bateu aquele receio de começar a escrever o seu? Se 
sim, saiba que é absolutamente normal sentir insegurança e faz parte de qualquer 
processo de aprendizado. Contudo lembre-se: ninguém nasce sabendo escrever 
projetos prontos e perfeitos. Cada pesquisador que você admira um dia começou 
exatamente como você, com dúvidas, rascunhos e muitos ajustes. 
O mais importante é dar o primeiro passo, com coragem e curiosidade. Você 
já tem uma base sólida: entende a importância da ética, sabe onde e como regis-
trar o projeto e conhece o papel do Currículo Lattes e das agências de fomento. 
Agora é hora de transformar essa bagagem em ação. Confie na sua trajetória, pro-
cure apoio nos professores e colegas e permita-se aprender fazendo. A pesquisa 
é, acima de tudo, um exercício de construção e você já está no caminho certo.
Unidades básicas de 
saúde, instituições de 
ensino ou em gestão 
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1. O Currículo Lattes é uma ferramenta fundamental para pesquisadores, professores e 
estudantes envolvidos na produção de conhecimento científico no Brasil. A plataforma 
possibilita o registro detalhado da trajetória acadêmica, incluindo formação, publicações, 
projetos, orientações, entre outros. Seu uso é obrigatório em diversos processos seletivos 
para bolsas, programas de pós-graduação, concursos e editais de fomento à pesquisa. 
Manter o currículo atualizado e bem organizado demonstra não apenas comprometimento 
com a carreira acadêmica, mas também habilidades, como gestão da informação e pla-
nejamento profissional.
Com base no texto anterior, assinale a alternativa que melhor expressa a competência profis-
sional predominante associada ao uso adequado do Currículo Lattes no contexto acadêmico.
a) Capacidade de aplicar métodos estatísticos avançados em projetos de pesquisa.
b) Habilidade em desenvolver softwares para registro de dados científicos.
c) Competência em gestão da trajetória acadêmica, com foco na organização, atualização 
e clareza das informações.
d) Domínio exclusivo de ferramentas bibliográficas internacionais.
e) Conhecimento aprofundado sobre a história da enfermagem e tecnologia no Brasil.
2. Um projeto de pesquisa deve refletir a capacidade do pesquisador em planejar uma in-
vestigação científica. Ele serve como guia tanto para a execução da pesquisa quanto para 
sua avaliação por comitês científicos e órgãos de fomento. A clareza e a consistência das 
informações apresentadas são indispensáveis, assim como a justificativa de sua relevância 
social e científica (Gil, 2021).
Com base no texto anterior e nos conhecimentos sobre elaboração de projetos de pesquisa, 
analise as afirmativas a seguir:
I - A relevância social e científica de um projeto é um dos critérios de avaliação por agências 
de fomento e comitês de ética.
II - A metodologia é parte fundamental do projeto, pois descreve como os objetivos serão 
alcançados na prática.
III - A clareza na apresentação das ideias fortalece a credibilidade e a viabilidade do projeto 
de pesquisa.
IV - O projeto de pesquisa deve conter objetivos e justificativa, mas não precisa de crono-
grama, pois esse é exigido apenas na etapa de execução.
AUTOATIVIDADE
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É correto o que se afirma em:
a) I, apenas.
b) II e IV, apenas.
c) III e IV, apenas.
d) I, II e III, apenas.
e) I, II, III e IV.
3. A Plataforma Brasil é um sistema nacional unificado, criado para registrar, avaliar e monitorar 
pesquisas envolvendo seres humanos. Sua utilização é obrigatória para qualquer projeto 
que pretenda envolver pessoas direta ou indiretamente, incluindo análises de prontuários, 
entrevistas, aplicação de questionários e testes. O sistema é gerido pela Conep e articula-se 
com os Comitês de Ética em Pesquisa (CEPs) em todo o país, promovendo a conformidade 
com as diretrizes e normas da Resolução CNS nº 466/12, além de garantir os direitos dos 
participantes de pesquisa (Brasil, 2025).
Com base nas informações apresentadas, avalie as asserções a seguir e a relação proposta 
entre elas:
I - A submissão de um projeto à Plataforma Brasil é obrigatória apenas quando há coleta 
de sangue ou exames físicos nos participantes da pesquisa.
PORQUE
II - A Plataforma Brasil é destinada exclusivamente às pesquisas clínicas com intervenções 
diretas em seres humanos.
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta:
a) As asserções I e II são verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I.
b) As asserções I e II são verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I.
c) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
d) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
e) As asserções I e II são falsas.
AUTOATIVIDADE
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REFERÊNCIAS
BRASIL. Resolução nº 466, de 12 de dezembro de 2012. Dispõe sobre as diretrizes e normas re-
gulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos. Gov.br, 2012. Disponível em: https://
www.gov.br/conselho-nacional-de-saude/pt-br/acesso-a-informacao/atos-normativos/reso-lucoes/2012/resolucao-no-466.pdf/view. Acesso em: 3 jun. 2025. 
BRASIL. Resolução nº 510, de 7 de abril de 2016. Dispõe sobre as normas aplicáveis a pesquisas 
em Ciências Humanas e Sociais. Gov.br, 2016. Disponível em: https://www.gov.br/conselho-na-
cional-de-saude/pt-br/acesso-a-informacao/atos-normativos/resolucoes/2016/resolucao-
-no-510.pdf/view. Acesso em: 3 jun. 2025.
BRASIL. Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. CNPq – Conselho Nacional de Desenvol-
vimento Científico e Tecnológico. A plataforma Lattes. c2025. Sobre a plataforma Lattes. Dispo-
nível em: https://lattes.cnpq.br/. Acesso em: 4 jun. 2025.
BRASIL. Ministério da Saúde. SUS – Sistema Único de Saúde. Plataforma Brasil. 29 maio 2025. Pá-
gina inicial. Disponível em: https://plataformabrasil.saude.gov.br/login.jsf. Acesso em: 4 jun. 2025.
GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2021.
LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. de A. Fundamentos de metodologia científica. 5. ed. São Paulo: 
Atlas, 2003.
MINAYO, M. C. de S. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 14. ed. São 
Paulo: Hucitec, 2014.
MINAYO, M. C. de S. Pesquisa social: teoria, método e criatividade. 35. ed. Petrópolis: Vozes, 2016.
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https://www.gov.br/conselho-nacional-de-saude/pt-br/acesso-a-informacao/atos-normativos/resolucoes/2012/resolucao-no-466.pdf/view
https://www.gov.br/conselho-nacional-de-saude/pt-br/acesso-a-informacao/atos-normativos/resolucoes/2012/resolucao-no-466.pdf/view
https://www.gov.br/conselho-nacional-de-saude/pt-br/acesso-a-informacao/atos-normativos/resolucoes/2012/resolucao-no-466.pdf/view
1. Alternativa C.
A Alternativa C está correta, pois expressa corretamente a competência predominante rela-
cionada ao uso eficaz do Currículo Lattes: gestão da trajetória acadêmica. Isso inclui saber 
organizar, atualizar e apresentar as informações de forma clara, o que é fundamental para 
o reconhecimento em processos seletivos acadêmicos e científicos. Já as alternativas A, B, 
D e E estão incorretas. Embora tratem de habilidades importantes no meio acadêmico, elas 
não correspondem à principal competência requerida para a boa manutenção do Lattes. A 
plataforma não exige conhecimento estatístico avançado (A), nem desenvolvimento de soft-
wares (B), tampouco é centrada em bibliografias internacionais (D) ou na história da ciência (E).
2. Alternativa D.
A afirmativa I está correta, pois a relevância social e científica é um critério central na ava-
liação de projetos por agências de fomento e comitês de ética. A afirmativa II está correta, 
pois a metodologia é fundamental, já que descreve os procedimentos e as técnicas que 
serão utilizados para alcançar os objetivos da pesquisa. A afirmativa III está correta, pois a 
clareza na apresentação das ideias é essencial para a credibilidade e a compreensão do 
projeto por parte dos avaliadores. Já a afirmativa IV está incorreta, pois o cronograma é um 
componente fundamental em projetos de pesquisa, sendo exigido para delinear o planeja-
mento temporal das atividades propostas. Sua ausência pode comprometer a avaliação e 
a viabilidade do projeto.
3. Alternativa E.
A asserção I é falsa, porque a submissão à Plataforma Brasil não se limita a procedimentos 
clínicos. Qualquer pesquisa com seres humanos (incluindo entrevistas, análises de dados 
secundários identificáveis, aplicação de questionários etc.) deve ser submetida. A asserção 
II também é falsa, porque a Plataforma Brasil não é exclusiva para pesquisas clínicas. Ela 
abrange todas as pesquisas envolvendo seres humanos, com ou sem intervenção direta.
GABARITO
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MINHAS ANOTAÇÕES
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MINHAS METAS
ACESSO À PESQUISA CIENTÍFICA
NA ÁREA DA SAÚDE E AVALIAÇÃO 
DOS ESTUDOS
Reconhecer a importância das bases de dados científicas para a Enfermagem baseada 
em evidências.
Identificar bases, como BVS, SciELO, PubMed, LILACS, MEDLINE e Cochrane.
Compreender o papel dos descritores DeCS e MeSH na padronização da pesquisa.
Selecionar e combinar descritores adequados aos temas de interesse.
Entender como usar AND, OR e NOT para refinar a busca científica.
Elaborar estratégias de busca eficientes e organizadas.
Realizar a busca de forma transparente para garantir reprodutibilidade.
T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 5
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INICIE SUA JORNADA
Você já se perguntou como tomar decisões em Enfermagem que realmente se 
baseiam nas melhores evidências disponíveis? Em um cenário de constante 
transformação, será que apenas dominar técnicas é suficiente para oferecer 
um cuidado qualificado? Ou será que também precisamos saber onde e como 
buscar informações confiáveis, interpretar os dados e aplicá-los de forma 
crítica na prática profissional?
Dentro desse contexto, o acesso às bases de dados especializadas, a escolha 
criteriosa de palavras-chave, o uso de ferramentas lógicas de combinação de 
termos e a elaboração de estratégias sistematizadas de busca se tornam compe-
tências essenciais para a formação acadêmica e a prática profissional em saúde. 
São esses recursos que permitem que o enfermeiro desenvolva uma atuação 
baseada em evidências, contribuindo para a qualidade do cuidado e para o 
avanço do conhecimento científico.
Quando você precisa investigar um tema, por exemplo, cuidados com feridas 
ou segurança do paciente, por onde começa sua busca? Quais palavras-chave es-
colher? Como combinar os termos para obter resultados mais relevantes? Será que 
você conhece os recursos das bases de dados científicas e sabe usá-los a seu favor?
Neste tema de aprendizagem, o convite é simples, mas essencial: vamos 
juntos explorar como planejar suas buscas, organizar os termos com lógica e 
acessar fontes que realmente façam sentido para sua formação. Mais do que 
aprender uma técnica de pesquisa, a proposta aqui é desenvolver compe-
tências que vão acompanhar você em toda a sua trajetória como estudante, 
pesquisador e enfermeiro. Preparado para começar essa jornada?
No episódio Quando a dúvida vira ação, o Sr. José, recém-diag-
nosticado com diabetes tipo 2, quer saber: o que pode comer? 
Ao lado de uma estudante de Enfermagem, vamos em busca 
das melhores evidências para transformar a dúvida em cuida-
do qualificado.
PLAY N O CONHECIMENTO
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https://on.soundcloud.com/J0oSPdnae3V6yLEHXf
TEMA DE APRENDIZAGEM 5
DESENVOLVA SEU POTENCIAL
DECS E MESH TERMS: DESCOMPLICANDO A PESQUISA EM SAÚDE
Imagine que você precisa fazer uma pesquisa científica para um trabalho da fa-
culdade. Você tem uma ideia em mente, abre o computador, entra no banco de 
dados da biblioteca virtual, digita algumas palavras soltas e, de repente, aparecem 
mil artigos diferentes! Uns até parecem falar do que você quer, mas outros nem 
tanto. Será que existe um jeito mais organizado e eficaz de buscar exatamente o 
que precisamos? Sim! E para isso, vamos conhecer dois aliados importantíssimos: 
o DeCS e o MeSH Terms.
Vamos começar pelo básico: DeCS significa “Descritores em Ciências da 
Saúde”. É como se fosse um grande dicionário organizado de palavras-chave para 
a área da saúde. Ele foi criado pela Bireme (Centro Latino-Americano e do Cari-
be de Informação em Ciências da Saúde) para padronizar os termos usados nas 
pesquisas em português, espanhol e inglês (Bireme, 2025).
MeSH, por outro lado, é a sigla para Medical Subject Headings. Criado pela 
National Library of Medicine (NLM) dos Estados Unidos, ele é uma lista con-
trolada de termos usados especialmente para indexar artigos no banco de dados 
PubMed (NLM, 2025).
VAMOS RECORDAR?
Vamos recordar o que é a pesquisa e qual seu papel na 
construção do conhecimento científico? No conteúdo a 
seguir, os autores refletem sobre a essência da pesquisa: 
suas finalidades, etapas, autoria e importância ética. Com 
uma abordagem didática, o texto ajuda a compreender 
como a investigação científica impulsiona o desenvolvi-
mento humano e coletivo, indo além dos resultados para 
transformar realidades.
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https://www.scielo.br/j/pob/a/Y7Zwy8rNNVf6TS6Sv78v6SN/?lang=ptEm resumo, o DeCS é como o MeSH para quem vai utilizar o descritor em português 
e espanhol. Já o MeSH é a linguagem oficial da NLM para a organização de artigos 
científicos em inglês.
E por que isso é importante para a Enfermagem? Utilizar descritores oficiais é 
fundamental para garantir que as buscas bibliográficas sejam mais precisas e 
eficientes. Imagine o seguinte cenário: ao pesquisar sobre o mesmo tema, uma 
pessoa utiliza o termo “pressão alta”, outra opta por “hipertensão arterial” e outra 
ainda por “alta de pressão”. Sem um padrão, os resultados obtidos seriam disper-
sos e desorganizados. No entanto, ao utilizar o descritor correto, como “Hiperten-
são”, reconhecido tanto no DeCS quanto no MeSH, estabelece-se uma linguagem 
comum e padronizada para a pesquisa científica (Bireme, 2025; NLM, 2025).
Adotar descritores controlados permite:
 ■ Localizar artigos mais relevantes e diretamente relacionados ao tema 
de interesse.
 ■ Realizar revisões bibliográficas com maior qualidade e rigor metodológico.
 ■ Elaborar projetos de pesquisa de forma mais estruturada e coerente.
 ■ Aprimorar a escolha de palavras-chave para futuros trabalhos científicos.
Assim, o uso adequado dos descritores não apenas facilita o acesso às melhores 
evidências, mas também contribui para a produção acadêmica de excelência 
em Enfermagem.
Como usar o DeCS e o MeSH na prática? Vamos supor que você queira pes-
quisar sobre aleitamento materno. Se você simplesmente digitar “amamentação” 
no PubMed, pode encontrar alguns artigos, mas também vai perder muitos ou-
tros. Agora, se você usar o MeSH Term “Breast Feeding”, a busca será muito mais 
eficaz. Se você estiver fazendo a pesquisa em português e quiser usar o DeCS, 
verá que o termo oficial também é “Aleitamento Materno”.
Dica prática: acesse o site do DeCS (https://decs.bvsalud.org/) para encontrar o 
termo oficial em português. Se estiver pesquisando em inglês no PubMed, busque 
o MeSH Term correspondente (https://meshb.nlm.nih.gov/).
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TEMA DE APRENDIZAGEM 5
E se eu não usar? Se você não usar os descritores corretos, corre o risco de:
 ■ Não encontrar tudo o que poderia sobre o seu tema.
 ■ Incluir artigos irrelevantes na revisão.
 ■ Ter o seu trabalho criticado por falta de rigor na metodologia.
Em pesquisas científicas, especialmente em revisões sistemáticas, usar correta-
mente os descritores é essencial para garantir a reprodutibilidade do estudo, ou 
seja, que outras pessoas consigam repetir a pesquisa com os mesmos critérios. 
Na enfermagem, saber buscar, organizar e aplicar o conhecimento científico de 
forma precisa é uma habilidade que faz toda a diferença. Então, da próxima vez 
que for montar um trabalho, lembre-se: consulte o DeCS ou o MeSH primeiro. 
ONDE BUSCAR INFORMAÇÕES CIENTÍFICAS?
Antes de aprender como montar estratégias de busca usando técnicas especí-
ficas, precisamos entender onde buscar as informações. Afinal, fazer uma pes-
quisa de qualidade não é apenas digitar palavras soltas no Google e escolher o 
primeiro artigo que aparece. Na área da saúde e, especialmente na Enfermagem, 
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é essencial utilizar bases de dados científicas, organizadas e atualizadas por 
instituições reconhecidas, que garantem a qualidade e a confiabilidade dos con-
teúdos. Essas bases reúnem artigos, dissertações, livros, revisões sistemáticas 
e outros materiais fundamentais para embasar práticas seguras e baseadas em 
evidências. Quer saber quais são as principais bases que você precisa conhecer?
A Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) é um grande portal que integra várias 
fontes de informação em saúde da América Latina e do Caribe. Ela reúne artigos, 
dissertações, livros e documentos oficiais, sempre revisados e classificados por 
especialistas (Bireme, 2025). Dentro da BVS, você pode encontrar conteúdos 
de várias bases, como a LILACS e a SciELO. E o melhor: é tudo em português, 
espanhol ou inglês. A BVS é excelente para quem está começando na pesquisa 
científica e precisa encontrar materiais em português.
A Scientific Electronic Library Online (SciELO) é uma biblioteca digital 
que disponibiliza gratuitamente artigos científicos de periódicos da América 
Latina, Caribe, Espanha, Portugal e África do Sul (Capes, 2025). Ela é muito 
usada porque oferece acesso aberto, ou seja, você não precisa pagar para ler os 
artigos. Na Enfermagem, a SciELO é uma fonte riquíssima, especialmente para 
trabalhos de conclusão de curso e revisões integrativas.
Se a BVS é um grande portal da América Latina, o Portal Internacional de 
Pesquisas Biomédicas (PubMed) é o gigante mundial. Ela é administrada pela 
National Library of Medicine (NLM) dos Estados Unidos e reúne milhões de 
artigos científicos, especialmente das áreas biomédicas, como Medicina, Enfer-
magem e Saúde Pública (NLM, 2025). Nesse portal, a maioria dos artigos está em 
inglês, e você precisa usar os MeSH Terms para fazer buscas mais precisas. Se o 
seu objetivo é buscar o que há de mais recente e internacional sobre um tema, a 
PubMed é uma excelente escolha.
A Base de Dados Biomédica (MEDLINE) é, na verdade, a principal base de 
dados que alimenta o PubMed. Ela seleciona os artigos mais relevantes das áreas 
biomédicas, com critérios rigorosos de qualidade editorial (NLM, 2025). Então, 
quando você pesquisar na PubMed, boa parte dos resultados vem da MEDLINE.
Se você quer saber o que há de melhor em evidência científica, precisa conhecer a 
Cochrane Library. Ela reúne revisões sistemáticas de altíssima qualidade, elaboradas 
por grupos de especialistas independentes (Cochrane Library, 2025). Essas revisões 
avaliam, resumem e analisam criticamente os estudos existentes sobre um tema, 
ajudando profissionais da saúde a tomar decisões baseadas nas melhores evidências.
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Podemos perceber que cada base tem seu valor. Saber onde buscar é tão impor-
tante quanto saber o que buscar. Escolher a base certa pode fazer toda a diferença 
para encontrar artigos relevantes, confiáveis e atualizados. Então, antes de come-
çar sua próxima pesquisa, pergunte-se:
 ■ Preciso de artigos em português? → BVS, SciELO, LILACS.
 ■ Quero evidências internacionais? → PubMed, MEDLINE.
 ■ Procuro revisões sistemáticas? → Cochrane.
Com essas ferramentas em mãos, você estará mais preparado para construir um 
trabalho de Enfermagem sólido e baseado em evidências.
OPERADORES BOOLEANOS - A CHAVE PARA UMA PESQUISA 
MAIS INTELIGENTE
Agora que você já conhece as principais bases de dados em saúde, talvez esteja 
se perguntando: “Mas como encontrar exatamente o artigo que eu preciso no 
meio de tantos milhares de documentos?”. É aqui que entram duas ferramentas 
essenciais para tornar suas buscas muito mais rápidas e precisas: os descritores em 
Ciências da Saúde (DeCS e MeSH Terms) e os operadores booleanos (AND, OR, 
NOT). Eles o ajudarão a escolher as palavras certas e combinar ideias de forma 
estratégica, otimizando seus resultados de pesquisa. Vamos aprender como usar 
essas ferramentas a nosso favor?
Quem foi Boole?
Os operadores booleanos recebem essa denominação em homenagem a Geor-
ge Boole (1815–1864), matemático do século XIX, que desenvolveu a chamada 
Álgebra Booleana (Figura 1). Esse sistema lógico, originalmente criado para 
resolver problemas matemáticos, estabeleceu as bases para a lógica formal 
aplicada em diversas áreas do conhecimento, como a computação e a ma-
temática, e, de maneira muito relevante, nas estratégias de busca científica 
contemporâneas (Rocha, 2018). 
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Figura 1 – George Boole (1815–1811) 
Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:George_Boole_color.jpg. Acesso em: 1 jun. 2125.
Descrição da Imagem: a figura mostra uma ilustração, colorida, de George Boole, representado como um homem 
de meia-idade, em busto, voltado ligeiramente para a esquerda. Ele está vestido com trajes formais do século XIX, 
incluindo paletó escuro, colete, camisa branca de colarinho alto e gravata borboleta escura. Boole tem cabeloescuro, 
repartido ao lado, e costeletas espessas que se estendem até a mandíbula. O fundo da imagem é neutro e claro, sem 
elementos adicionais. Fim da descrição.
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Os operadores booleanos são palavras usadas para combinar ou excluir termos 
durante uma busca. Eles ajudam você a:
 ■ Refinar os resultados.
 ■ Ampliar a pesquisa.
 ■ Eliminar informações indesejadas.
Estes três operadores principais, AND, OR e NOT, funcionam como comandos 
especiais. Vamos ver um por um?
AND, OR e NOT 
O operador AND (em português, “E”) é usado quando você quer que ambos 
os termos apareçam nos resultados. Por exemplo, em casos em que você queira 
artigos que falem sobre infecção hospitalar e cateter venoso, sua busca seria:
“Infecção hospitalar” AND “Cateter venoso”
Dessa forma, os resultados da busca incluirão exclusivamente documentos que 
abordam, de maneira conjunta, ambos os temas. Quanto mais termos você com-
binar com AND, mais específica e restrita será a sua pesquisa. 
O operador OR (em português, “OU”) é usado para buscar artigos que falem 
de um assunto ou de outro. Por exemplo, caso você queira pesquisar sobre feridas 
cirúrgicas ou úlceras por pressão, sua busca seria: 
“Ferida cirúrgica” OR “Úlcera por pressão”. 
Com esse operador booleano, você amplia a busca para encontrar qualquer artigo 
que fale de um ou de outro. Use OR quando você quiser expandir seus resultados 
e incluir sinônimos ou temas relacionados.
O operador NOT (em português, “NÃO”) é usado para excluir termos que 
você não quer que apareçam. Por exemplo, você quer pesquisar sobre infecção 
hospitalar, mas não quer artigos que falem de pediatria, sua busca seria:
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“Infecção hospitalar” NOT “Pediatria”. 
Assim, os resultados trarão apenas estudos de infecção hospitalar que não men-
cionam o público pediátrico. Use NOT com cuidado, você pode acabar excluindo 
artigos que poderiam ser importantes para sua pesquisa.
DA TEORIA À PRÁTICA: APLICANDO ESTRATÉGIAS 
DE BUSCA CIENTÍFICA
Agora que já compreendemos a importância dos operadores booleanos, dos 
descritores padronizados (como DeCS e MeSH) e das principais plataformas de 
busca científica, é o momento de colocar esse conhecimento em prática.
Saber a teoria é fundamental, mas é na aplicação prática que conseguimos 
realmente entender como essas ferramentas se articulam para encontrar infor-
mações relevantes, de forma precisa e eficiente.
Vamos aprender a realizar uma busca avançada em bases, como a Biblioteca 
Virtual em Saúde (BVS), utilizando tudo o que construímos até aqui para estru-
turar pesquisas de alta qualidade e alinhadas às exigências da prática profissional 
em Enfermagem.
A seguir, um passo a passo para facilitar sua busca:
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TEMA DE APRENDIZAGEM 5
1. Acesse a plataforma: 
Entre no site da BVS pelo endereço: https://bvsalud.org/. Na página inicial (Figu-
ra 2), você encontrará o campo de busca simples. Para estratégias mais refinadas, 
clique em “Busca Avançada”.
Figura 2 – Página inicial do Portal Regional da BVS / Fonte: https://bvsalud.org/. Acesso em: 1 jun. 2125.
Descrição da Imagem: a figura apresenta uma captura de tela do site “Portal Regional da BVS – Biblioteca Virtual 
em Saúde”, com o logotipo da BVS no canto superior esquerdo, seguido do título em azul-escuro “Portal Regional da 
BVS” e o subtítulo “Informação para Ação em Saúde”. No canto superior direito, há opções de idioma em texto azul 
(“Português”, “English”, “Español”) e um botão azul com o texto “Login em Minha BVS”. Abaixo, há um menu horizontal 
com fundo roxo e letras brancas contendo as opções: “Home”, “Sobre”, “Produtos e Serviços”, “Como pesquisar?” e 
“Pergunte ao Bibliotecário”. Centralizada na imagem, há uma faixa verde com uma mensagem em branco informando 
que o sistema de busca da BVS está passando por instabilidade e que a equipe está atuando para resolver o problema. 
Abaixo da faixa, há uma barra de busca branca com botão roxo à direita, no qual está escrito “Pesquisar” e há ícone 
de lupa, além de dois botões abaixo: um verde com ícone de filtro e texto “Busca avançada” e outro cinza com ícone 
de lista e texto “Busca DeCS/MeSH”. O plano de fundo é verde com círculos e partículas em diferentes tons de verde 
e branco. Fim da descrição.
2. Organize seus termos de pesquisa:
Antes de preencher os campos, planeje sua busca: defina os descritores relaciona-
dos ao seu tema (utilizando o DeCS) e estruture os termos utilizando operadores 
booleanos (AND, OR, NOT), conforme a lógica da sua pergunta de pesquisa.
Por exemplo, se o objetivo for encontrar estudos sobre “cuidados de enfer-
magem” em “pacientes com feridas”, pode-se usar: “cuidados de enfermagem” 
AND “pacientes com feridas”.
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A seguir, você verá uma simulação com uma parte da tela no site da BVS (Figura 3).
Figura 3 – Tela de Busca Avançada na BVS
Fonte: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/advanced/. Acesso em: 1 jun. 2125.
Descrição da Imagem: a figura apresenta uma captura de tela da seção “Busca Avançada” do site da BVS (Biblioteca 
Virtual em Saúde). No topo, à esquerda, há o título em preto “Busca Avançada” e, logo abaixo, a instrução em negrito 
“Use o formulário abaixo para construir sua expressão de busca”. Abaixo dessa instrução, há dois campos de texto 
alinhados horizontalmente: o primeiro com o termo entre aspas “cuidados de enfermagem” e o segundo com “pa-
cientes com feridas”, ambos acompanhados por menus suspensos à direita com a opção selecionada “Título, resumo, 
assunto”. Entre os dois campos, há um menu com a opção lógica «AND» selecionada. Abaixo de cada campo, aparece 
o link azul «Mostrar Índice». Há também, mais à esquerda, a caixa “Adicionar linha” com um ícone de “+ Adicionar 
linha”. No canto inferior direito da imagem, há um botão roxo com o texto branco “Pesquisar”. O fundo da página é 
branco. Fim da descrição.
3. Preencha os campos adequadamente: 
Na tela da busca avançada, no campo indicado para os termos de busca, insira os 
descritores selecionados. Utilize os operadores booleanos disponíveis no menu 
suspenso para combinar os termos. Se desejar, selecione o campo específico onde 
deseja buscar (por exemplo, título, assunto, autor).
A BVS também permite agrupar termos com parênteses para construir com-
binações mais complexas.
A seguir, você verá uma simulação com uma parte da tela no site da BVS 
(Figura 4).
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Figura 1 – Configuração de Filtros na Busca Avançada da BVS
Fonte: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/advanced/. Acesso em: 1 jun. 2125.
Descrição da Imagem: a figura mostra a tela da página “Busca Avançada” do Portal Regional da BVS, com fundo 
branco e letras pretas. No topo, há a trilha de navegação em azul com os links “Home”, “Pesquisa” e “Busca Avançada”. 
Abaixo, em negrito, aparece o título “Busca Avançada” e o texto “Use o formulário abaixo para construir sua expressão 
de busca”. O formulário contém dois campos de texto, um com a expressão “cuidados de enfermagem” e outro com 
“pacientes com feridas”, ambos com o link azul “Mostrar Índice” logo abaixo. À esquerda entre os campos, há um menu 
suspenso com a opção “AND” selecionada. Abaixo dos campos de busca, existe o botão “+ Adicionar linha”. À direita 
dos campos de texto, um menu suspenso está expandido e exibe várias opções, como: “Título, resumo, assunto” (se-
lecionado), “Título”, “Autor”, “Descritor de assunto”, “Assunto principal”, “Qualificador de assunto”, “Resumo”, “Revista”, 
entre outros. No canto inferior direito, há um botão roxo com a palavra “Pesquisar” em branco. No rodapé, em letras 
pequenas, lê-se “Powered by iAHx 3.1.39 - Portal Regional da BVS” e links em azul com os textos “Solicitar ajuda / 
Enviar comentário / Comunicar erro”. Fim da descrição.
4. Utilize filtros para refinar os resultados:
Após a busca, você pode aplicar filtros para tornar os resultados ainda mais relevantes: 
 ■ Idioma: Português, Espanhol, Inglês.
 ■ Tipo de documento: artigo científico,tese, revisão.
 ■ Ano de publicação.
 ■ Base de dados: LILACS, SciELO, MEDLINE, entre outras.
Esses filtros ajudam a focar nos estudos mais recentes ou no tipo de evidência 
que você precisa. 
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A seguir, você verá uma simulação com uma parte da tela no site da BVS (Figura 5).
Figura 5 – Resultados de pesquisa na BVS sobre cuidados de enfermagem a pacientes com feridas
Fonte: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/?output=&lang=pt&from=&sort=&format=&count=&fb=&pa-
ge=1&tab=&skfp=&index=&q=%28cuidados+de+enfermagem%29+AND+%28pacientes+com+feridas%29. 
Acesso em: 1 jun. 2125.
Descrição da Imagem: a figura mostra a tela de resultados de uma pesquisa realizada na Biblioteca Virtual em Saúde 
(BVS), com o termo de busca: (“cuidados de enfermagem”) AND (ti:(“pacientes com feridas”)). No topo da página, há uma 
barra de navegação com os links «Home» e “Pesquisa” e a consulta entre aspas. Abaixo, duas abas são exibidas horizon-
talmente: “Coleção LILACS Plus” com 13 resultados, destacada por uma linha azul, e “Coleção completa da BVS”, com 14 
resultados. À esquerda, há um menu vertical com o botão “Mais filtros” em roxo, seguido de diversas opções de filtragem 
com caixas de seleção à esquerda, incluindo: “Texto completo”, “Coleções”, “Base de dados”, “Assunto principal”, “Tipo de 
estudo”, “Idioma”, “Aspecto”, “Limite”, “País/Região como assunto”, “Ano de publicação” e “Tipo de documento”. Algumas 
dessas caixas estão marcadas. No centro superior da tela, há uma barra com o menu suspenso “Ordenar por” e a opção 
de exibir os resultados em grupos de “20 | 50 | 100”. Do lado direito, está indicado: “Resultados 1 - 13 de 13”. Em seguida, 
abaixo, os resultados aparecem em lista numerada. O primeiro artigo, com número 1 e um quadrado de seleção à esquerda, 
tem o título em azul: “Acompanhamento de pacientes com feridas crônicas em uma unidade básica de saúde do interior 
paulista / Follow-up of patients with chronic wounds in a basic health unit in São Paulo / Seguimiento de pacientes con heridas 
crónicas en unidad básica de salud en paulista interior”, seguido pelo nome da autora em preto e sublinhado: Zanoti, Marcia 
Diana Umebayashi. Abaixo, os dados da publicação em itálico: CuidArte, Enferm; 15(2): 196-204, jul.-dez. 2021, com nota de 
que é um artigo em português, da base BDENF – Enfermagem, com ID: biblio-1366271. O segundo artigo, também com 
caixa de seleção, tem o título em azul: “Nursing team knowledge on care for patients with fungating wounds / Conocimiento 
del equipo de enfermería sobre cuidados con pacientes con úlceras neoplásicas / Conhecimento da equipe de enfermagem sobre 
cuidados com pacientes com feridas neoplásicas”, seguido dos nomes dos autores em preto sublinhado: Schmidt, Fernanda 
Mateus Queiroz; Firmino, Flávia; Lenza, Nariman de Felício Bortucan. À direita da lista de resultados, há a opção “Ver mais 
detalhes” acompanhada de um botão deslizante desativado. Abaixo, há uma coluna com o título “ENVIAR RESULTADO:” 
e campos para envio por Email, Exportar, Imprimir, RSS e XML, cada um com seu respectivo ícone cinza dentro de uma 
caixa branca. Abaixo, há a seção “SELEÇÃO DE REFERÊNCIAS”, com o texto “Listar selecionados (0)” e “Limpar seleção”. No 
canto inferior direito da imagem, aparece um botão com ícone de seta apontando para cima. O fundo da página é branco, 
os textos aparecem nas cores preta, azul e cinza, e a interface está organizada em três colunas principais. Fim da descrição.
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5. Registre sua estratégia:
Ao encontrar os resultados, é importante registrar a estratégia de busca utilizada 
(descritores, operadores, filtros, data da busca), especialmente se você estiver 
desenvolvendo projetos de pesquisa ou trabalhos acadêmicos. Essa prática é 
fundamental para garantir transparência, reprodutibilidade e rastreabilidade na 
pesquisa científica.
Quando você faz uma busca na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), não pre-
cisa ficar copiando tudo manualmente. A plataforma permite que você imprima 
ou salve a lista dos artigos encontrados de forma rápida e organizada. Selecione 
os documentos que interessam e escolha a opção de exportar. Você pode gerar 
um arquivo em PDF, salvar como texto ou até enviar para o seu e-mail. 
Além disso, registre sua estratégia. Para manter a transparência e a reproduti-
bilidade da sua pesquisa, anote: a base de dados usada; os descritores e operadores 
booleanos aplicados; os filtros (idioma, ano, tipo de publicação); e a data da busca. 
Essa função é muito importante para manter um registro das pesquisas feitas ou 
montar um banco de dados pessoal para projetos e trabalhos acadêmicos.
6. Selecione os artigos para sua pesquisa:
Após realizada a busca científica em bases, como a BVS, SciELO ou PubMed, você 
pode se deparar com dezenas ou até centenas de resultados. Contudo atenção: nem 
todos os artigos que aparecem são, de fato, úteis para sua pergunta de pesquisa.
Aqui entra uma etapa fundamental do processo investigativo: avaliar critica-
mente cada resultado. Mas como saber se um artigo é pertinente? Pergunte-se:
1. O artigo realmente responde à minha pergunta de pesquisa?
2. O público estudado é semelhante ao que estou investigando?
3. A metodologia é adequada e clara?
4. Os resultados são coerentes com o que preciso discutir?
5. O texto é recente ou está desatualizado?
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Se a resposta for “não” para a maioria dessas perguntas, esse artigo provavelmente 
não será útil para sua revisão ou fundamentação teórica. E o que fazer com os 
artigos que parecem úteis? Esses devem ser lidos com mais atenção. Anote: o 
título, o autor, o ano e a fonte; os principais achados; e a relação direta com o seu 
tema. Faça uma tabela para facilitar sua organização. Esse registro não é só um 
requisito acadêmico, ele ajuda você a não se perder nas próximas etapas e permite 
que outros pesquisadores entendam como você chegou àquela seleção dos artigos.
Ao seguir cada etapa que vimos, como montar uma boa pergunta, escolher 
bem os descritores e usar os filtros com estratégia, você está se preparando para 
encontrar informações relevantes, atuais e confiáveis. Esperamos que esse passo 
a passo ajude você a se sentir mais seguro, crítico e confiante na hora de tomar 
decisões no cuidado, sempre com respaldo científico.
NOVOS DESAFIOS
Ao longo deste conteúdo, percorremos um caminho essencial para a formação 
crítica e científica dos futuros profissionais de Enfermagem. Estudamos a impor-
tância de identificar bases de dados confiáveis, a utilização de descritores padro-
nizados e a elaboração de estratégias de busca inteligentes, utilizando operadores 
booleanos para otimizar o acesso às melhores evidências disponíveis.
Esses conhecimentos não são apenas teóricos. Eles se conectam diretamen-
te ao ambiente profissional que você, estudante, encontrará em breve. Em um 
mercado de trabalho cada vez mais orientado pela 
prática baseada em evidências, o enfermeiro que 
domina a busca e a seleção de informações cientí-
ficas torna-se um diferencial nas equipes de saúde.
Ambiente profissional 
que você, estudante, 
encontrará em breve
Gostou do que discutimos até aqui? Tenho mais para conversar 
com você a respeito deste tema. Vamos lá?
E M FOCO
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https://vimeo.com/1119428377/cd956c5315
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Na prática clínica, a habilidade de localizar protocolos atualizados, diretrizes 
terapêuticas e estudos recentes é fundamental para a tomada de decisões 
seguras, o planejamento do cuidado individualizado e a promoção da qua-
lidade assistencial. Em projetos de educação em saúde, a utilização de fontes 
científicas sólidas confere legitimidade às ações educativas realizadas com 
pacientes e comunidades. Já na pesquisa e na gestão, dominar estratégias de 
busca é essencial para elaborar projetos, fundamentar relatórios técnicos e 
propor melhorias baseadas em dados concretos.
Além disso, o mercado de trabalho da Enfermagem vem exigindo, cada vez 
mais, profissionaisque saibam interpretar criticamente a literatura científica, 
elaborar revisões sistemáticas, participar de comissões de protocolos clínicos 
e contribuir para a inovação na assistência, na educação e na gestão em saúde.
Assim, o conhecimento aqui desenvolvido transcende a sala de aula: ele 
se torna uma ferramenta permanente de qualificação profissional, prepa-
rando-o para atuar com competência, responsabilidade e protagonismo no 
cenário da saúde contemporânea.
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1. O uso de vocabulários controlados, como o DeCS (Descritores em Ciências da Saúde) e 
o MeSH (Medical Subject Headings), é essencial para a padronização da terminologia nas 
pesquisas em saúde. Esses vocabulários são utilizados para indexação de artigos científi-
cos e para a recuperação mais precisa da informação. O DeCS, desenvolvido pela Bireme, 
é uma tradução e adaptação do MeSH ao contexto da América Latina e inclui descritores 
específicos em português, espanhol e inglês. Saber identificar e empregar corretamente os 
termos controlados aumenta a qualidade e a relevância dos resultados em bases, como a 
Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e PubMed.
Ao realizar uma pesquisa bibliográfica em saúde, um estudante opta por usar os descritores 
do DeCS em vez de termos livres. Com base no texto, qual é a principal vantagem do uso 
de vocabulários controlados, como o DeCS ou MeSH, em estratégias de busca científica?
a) Eles aumentam a quantidade de artigos encontrados, independentemente da relevância. 
b) Permitem recuperar somente artigos em inglês, garantindo maior qualidade científica.
c) Favorecem a padronização dos termos utilizados e aumentam a precisão da busca. 
d) São úteis apenas para pesquisas realizadas na área de medicina clínica. 
e) Tornam desnecessário o uso de filtros e operadores booleanos durante a busca.
2. Para realizar pesquisas científicas confiáveis na área da saúde, é fundamental compreender 
as particularidades das bases de dados disponíveis. A Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) 
integra diversas fontes, como LILACS, SciELO e Medline, permitindo buscas em portu-
guês, espanhol e inglês, com ênfase na produção latino-americana. A PubMed é um portal 
gratuito mantido pela National Library of Medicine dos EUA e permite o acesso à base 
MEDLINE, que indexa artigos de periódicos biomédicos revisados por pares. A Cochrane 
Library é especializada em revisões sistemáticas e é reconhecida mundialmente por sua 
metodologia rigorosa baseada em evidências.
Sobre as bases de dados científicas em saúde, analise as afirmativas a seguir:
I - A BVS permite o acesso integrado a diversas bases de dados com foco na produção 
científica da América Latina e Caribe.
II - A Cochrane Library publica revisões sistemáticas com rigor metodológico voltadas à 
tomada de decisão clínica.
III - A MEDLINE pode ser acessada gratuitamente por meio da plataforma PubMed.
IV - A PubMed é uma base de dados paga, acessada somente por instituições com assinatura.
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É correto o que se afirma em:
a) I, apenas.
b) II e IV, apenas.
c) III e IV, apenas.
d) I, II e III, apenas.
e) I, II, III e IV.
3. A busca por evidências científicas confiáveis exige mais do que inserir palavras soltas em 
um campo de pesquisa. É necessário compreender e aplicar descritores controlados, como 
DeCS e MeSH, além de operadores booleanos (AND, OR, NOT) para organizar logicamente 
os termos de busca. Isso permite localizar artigos com maior precisão e relevância, princi-
palmente em bases, como BVS, PubMed e Cochrane Library.
Com base nas informações apresentadas, avalie as asserções a seguir e a relação proposta 
entre elas:
I - A utilização de descritores controlados nas estratégias de busca contribui para aumentar 
a precisão na recuperação de artigos científicos relevantes.
PORQUE
II - Os descritores DeCS e MeSH são vocabulários controlados que padronizam a terminologia 
utilizada na indexação de documentos científicos.
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta:
a) As asserções I e II são verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I.
b) As asserções I e II são verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I.
c) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
d) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
e) As asserções I e II são falsas.
AUTOATIVIDADE
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REFERÊNCIAS
BIREME – CENTRO LATINO-AMERICANO E DO CARIBE DE INFORMAÇÃO EM CIÊNCIAS DA 
SAÚDE. BVS: biblioteca virtual em saúde. c2025. Página inicial. Disponível em: https://bvsalud.
org/. Acesso em: 4 jun. 2025.
CAPES – COORDENAÇÃO DE APERFEIÇOAMENTO DE PESSOAL DE NÍVEL SUPERIOR; CNPQ 
– CONSELHO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO CIENTÍFICO E TECNOLÓGICO; FAPESP – 
FUNDAÇÃO DE AMPARO À PESQUISA DO ESTADO DE SÃO PAULO. SciELO: scientific electronic 
library online. c2025. Página inicial. Disponível em: https://scielo.org/. Acesso em: 4 jun. 2025.
COCHRANE. Cochrane Library. c2025. Página inicial. Disponível em: https://www.cochraneli-
brary.com/. Acesso em: 4 jun. 2025.
NLM – NATIONAL LIBRARY OF MEDICINE. PubMed. c2025. Página inicial. Disponível em: https://
pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/. Acesso em: 4 jun. 2025.
ROCHA, A. C. da. Boole e a lógica vista como álgebra das operações do pensamento. Coletânea, 
Rio de Janeiro, v. 17, n. 34, p. 307-322, jul./dez. 2018. Disponível em: https://www.revistacoletanea.
com.br/index.php/coletanea/article/view/151. Acesso em: 4 jun. 2025.
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1. Alternativa C.
A alternativa C está correta, pois o uso de vocabulários controlados, como DeCS e MeSH, 
padroniza os termos e melhora a precisão da busca, permitindo recuperar artigos realmente 
relevantes ao tema. A alternativa A está incorreta, pois a quantidade de artigos pode aumentar 
com termos livres, mas a relevância tende a diminuir. A alternativa B está incorreta, pois o 
MeSH é em inglês, mas o DeCS está disponível em português e espanhol também, e o idioma 
também não determina qualidade. A alternativa D está incorreta, pois esses vocabulários 
são aplicáveis a várias áreas da saúde, não apenas à medicina clínica. A alternativa E está 
incorreta, pois os filtros e operadores booleanos continuam sendo essenciais mesmo com 
o uso de descritores.
2. Alternativa D.
A afirmativa I está correta, porque a BVS realmente oferece acesso a múltiplas bases com 
foco regional. A afirmativa II está correta, pois a Cochrane Library é reconhecida por suas 
revisões sistemáticas baseadas em evidências. A afirmativa III está correta, porque MEDLINE 
é acessível gratuitamente via PubMed. A afirmativa IV está incorreta, porque a PubMed é 
uma plataforma gratuita e de acesso aberto, não exige assinatura.
3. Alternativa A.
A asserção I é verdadeira, pois o uso de descritores controlados permite recuperar artigos 
com maior precisão, filtrando melhor os resultados. A asserção II também é verdadeira e 
justifica corretamente a I, já que tanto o DeCS (em português) quanto o MeSH (em inglês) 
são vocabulários padronizados criados para organizar os temas e facilitar a indexação e 
recuperação dos conteúdos nas bases científicas.
GABARITO
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MINHAS ANOTAÇÕES
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MINHAS METAS
QUALIDADE E NÍVEIS DE EVIDÊNCIA 
DAS PUBLICAÇÕES CIENTÍFICAS
Compreender que nem toda evidência científica tem o mesmo peso.
Diferenciar pesquisas quantitativas e qualitativas e valorizar ambas.
Refletir sobre o papel das revistas científicas. 
Conhecer o funcionamento do sistema Qualis CAPES e seus estratos.
Explorar a Plataforma Sucupira como ferramenta de consulta.
Valorizar a ciência aberta e o acesso livre ao conhecimento.
Reconhecer-se como parte da comunidade científica.
T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 1
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INICIE SUA JORNADA
Você já parou para pensar em como as decisões que tomamos na prática de 
enfermagem, desde a administração de um medicamento até a prescrição de 
enfermagem, devem ser baseadas em evidências? Essa abordagem, conhecida 
como prática baseada em evidências, tem se consolidado comoum dos pilares 
fundamentais da atuação profissional na área da saúde. Mas o que isso significa, na prática?
Significa que, antes da adoção de qualquer con-
duta, é necessário recorrer a informações confiáveis, 
produzidas por meio de pesquisa científica. Esse 
conhecimento é compartilhado principalmente por 
meio das publicações científicas, que funcionam 
como meio de disseminação do saber validado pela 
comunidade acadêmica. Dessa forma, ao acessar um artigo científico, tem-se a 
oportunidade de entrar em contato com uma parcela relevante do saber cons-
truído e validado pela comunidade científica.
Sendo assim, imagine as seguintes situações: ao se deparar com um paciente 
que apresenta uma ferida crônica, qual o curativo mais eficaz para promover 
a cicatrização? Ou, em um cenário de surto de uma doença infecciosa, qual a 
melhor estratégia de isolamento para conter a disseminação? Nessas e em outras 
situações, você poderá buscar em bases de dados científicas (como PubMed, 
LILACS ou Scielo) por artigos que comparem a eficácia de diferentes tipos de 
curativos, analisem o impacto de diversas estratégias de isolamento ou avaliem 
a segurança de novas técnicas de enfermagem. 
Ao analisar criticamente os resultados desses estudos, você será capaz de 
identificar o caminho mais seguro e eficaz para a resolução do problema. Por-
tanto, é fundamental, desenvolver a capacidade de avaliar a qualidade das evi-
dências e aplicá-las ao contexto individual do paciente, lembrando que decisões 
não embasadas em evidências científicas confiáveis podem levar a intervenções 
ineficazes, causar danos ao paciente e até mesmo comprometer a segurança e a 
credibilidade da assistência em enfermagem.
Nem todas as publicações, contudo, possuem o mesmo nível de qualidade. 
Algumas apresentam maior rigor metodológico, utilizam estratégias analíticas 
elaboradas e oferecem resultados mais consistentes. Outras, porém, podem 
Informações 
confiáveis, 
produzidas por meio 
de pesquisa científica
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TEMA DE APRENDIZAGEM 6
apresentar limitações ou lacunas que podem comprometer a confiabilidade dos 
dados. Por esse motivo, torna-se essencial que a qualidade das publicações seja 
avaliada de forma criteriosa, contribuindo para uma prática profissional mais 
segura, atualizada e fundamentada em evidências sólidas.
DESENVOLVA SEU POTENCIAL
Ao longo da graduação, especialmente em Enfermagem, é comum termos contato com 
artigos científicos nos mais diversos contextos: em disciplinas teóricas, nos estágios, 
nos projetos de pesquisa e até nos trabalhos de conclusão de curso. Porém surge uma 
pergunta essencial: como saber se um artigo é, de fato, confiável e de qualidade?
A avaliação da qualidade das publicações científicas envolve critérios 
fundamentais que orientam a seleção e o uso de evidências na prática profissional 
e acadêmica. Segundo Lakatos e Marconi (2003), a relevância do tema, sua 
atualidade, originalidade e a metodologia empregada são elementos essenciais para 
avaliar a consistência e validade de uma produção científica. A seguir, são citados 
três critérios importantes e relevantes quando se analisa um artigo científico.
Você já se perguntou de verdade o que é fazer ciência durante 
a graduação? No podcast Enfermagem: muito além da técnica, 
você vai perceber que Enfermagem também é ciência, método 
e investigação. Descubra como você já pode transformar o cui-
dado e elevar a profissão.
PLAY N O CONHECIMENTO
VAMOS RECORDAR?
O que é a CAPES? Neste vídeo, você vai descobrir o que 
ela faz, como atua, suas principais funções e por que é 
tão fundamental para todo acadêmico!
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https://on.soundcloud.com/VGZySxsU7c5nW8tioW
https://www.youtube.com/watch?v=OHm_CNgRCGw
Esses três critérios caminham juntos. Um estudo pode ser inovador, mas, se for mal 
conduzido, terá sua validade comprometida. Da mesma forma, uma pesquisa com 
bom método, mas que não dialoga com questões relevantes, terá impacto limitado.
O PROCESSO DA REVISÃO POR PARES
Quando um artigo é submetido a uma revista científica, ele geralmente passa 
por um processo chamado revisão por pares (peer review) (Barata, 2019). Isso 
significa que especialistas na área (os “pares”) avaliam o manuscrito antes de sua 
publicação. O objetivo é verificar se a pesquisa foi bem planejada, se os dados são 
confiáveis, se as conclusões são coerentes e se o estudo realmente contribui para o 
avanço do conhecimento. Nesse contexto, existem diferentes modelos de revisão:
ORIGINALIDADE
O estudo traz uma abordagem nova? Explora uma questão ainda pouco discutida ou 
propõe um olhar diferente sobre um tema já conhecido? A originalidade é o que impul-
siona o avanço do conhecimento.
RELEVÂNCIA
A pesquisa contribui para resolver problemas reais na prática de enfermagem ou em 
políticas de saúde? Um estudo relevante é aquele que se conecta com as necessida-
des da sociedade e da profissão.
RIGOR METODOLÓGICO
Aqui entram todos os cuidados que os autores tomam para garantir que os dados co-
letados e as análises feitas sejam confiáveis. Isso inclui uma boa definição da amostra 
e uso adequado de métodos estatísticos (nos estudos quantitativos) ou de estratégias 
bem fundamentadas de análise (nos estudos qualitativos), além da coerência entre ob-
jetivos, resultados e conclusões.
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TEMA DE APRENDIZAGEM 6
 ■ Revisão cega simples: o revisor sabe quem são os autores, mas os autores 
não sabem quem avaliou.
 ■ Revisão cega dupla: nem os autores nem os revisores sabem a identidade 
uns dos outros.
 ■ Revisão aberta: autores e revisores conhecem as identidades entre si.
Apesar de ser um processo amplamente adotado, o peer review não é isento de 
falhas. Há críticas quanto à demora nas avaliações, à possibilidade de viés (por 
exemplo, favorecendo autores mais conhecidos) e à falta de padronização entre 
revistas. Como resposta a essas limitações, novas formas de revisão estão sendo 
testadas, como a revisão aberta, a revisão colaborativa e os pré-prints, que tornam 
o processo mais transparente e acessível.
Além da análise do conteúdo, as publicações científicas também são avaliadas 
com base em indicadores de impacto. O mais tradicional é o fator de impacto, que 
mostra quantas vezes, em média, os artigos de uma revista são citados em outros 
trabalhos ao longo de dois anos. No entanto ele tem limitações, pois depende 
de critérios editoriais e varia conforme a área do conhecimento e depende de 
critérios editoriais específicos. Por isso, outros indicadores vêm sendo utilizados 
para complementar essa avaliação:
 ■ H-index: combina o número de publicações com o número de citações, 
indicando a consistência do impacto de um autor.
 ■ CiteScore: semelhante ao fator de impacto, mas calcula a média de 
citações em um intervalo de quatro anos, sendo disponibilizado pela 
base Scopus.
 ■ Altmetric: avalia o impacto social do artigo ao medir sua visibilidade em 
redes sociais, blogs, plataformas de notícias e gerenciadores de referência, 
como o Mendeley.
Essas métricas complementares ajudam a compreender não apenas a influência 
acadêmica de um estudo, mas também seu alcance na sociedade e nos meios 
digitais. Além disso, são ferramentas que auxiliam na avaliação da produção 
científica, mas não devem ser usadas isoladamente. O mais importante continua 
sendo o conteúdo do artigo e a forma como ele foi construído.
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Avaliar uma publicação científica com senso crítico é uma competência essencial 
para quem deseja atuar com responsabilidade. Com base em critérios claros e em 
ferramentas de análise confiáveis, é possível selecionar estudos de qualidade para 
embasar a prática profissional, os projetos de pesquisa e a formação continuada. 
E, ao produzir conhecimento, esses mesmos critérios ajudam a garantir que a 
ciência feita na Enfermagem seja sólida, ética e relevante.
NÍVEIS DE EVIDÊNCIA NOS ESTUDOS CIENTÍFICOS
Ao buscar informações para fundamentar a prática profissional na Enfermagem, 
especialmente natomada de decisões clínicas, é comum nos depararmos com 
diferentes tipos de estudos científicos. Porém nem todos oferecem o mesmo grau 
de confiabilidade para responder a determinadas perguntas. É aqui que entra o 
conceito de nível de evidência, uma classificação que ajuda a entender o peso e 
a força de cada tipo de estudo na produção do conhecimento científico.
Os níveis de evidência representam uma hierarquia da confiabilidade dos 
estudos científicos, especialmente para questões de eficácia de intervenções, 
acurácia diagnóstica, prognóstico e prevenção. Quanto mais alto o nível, mais 
rigoroso e confiável tende a ser o método utilizado e, portanto, mais seguro será 
utilizar seus resultados como base para a prática profissional.
Essa hierarquia é frequentemente apresentada em forma de pirâmide, 
organizada conforme o delineamento metodológico, especialmente das pesquisas 
quantitativas, que buscam medir, comparar, testar hipóteses e generalizar resultados.
Na Enfermagem, fundamentar a atuação em evidências confiáveis é essencial 
para garantir um cuidado seguro, ético e qualificado. No entanto a Enfermagem 
também lida com dimensões subjetivas, emocionais e culturais do cuidado, que 
nem sempre podem ser mensuradas. Por isso, além dos estudos quantitativos, as 
pesquisas qualitativas desempenham um papel indispensável.
A seguir, apresentaremos uma versão adaptada da pirâmide dos níveis de 
evidência, incluindo pesquisas qualitativas, que tradicionalmente não figuram 
nessas hierarquias, mas são essenciais para responder a perguntas sobre 
experiências, significados e contextos de cuidado.
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TEMA DE APRENDIZAGEM 6
NÍVEL 1
Metanálises de ensaios clínicos randomizados (ECRs) e revisões sistemáticas: síntese de 
resultados de estudos experimentais com alto rigor metodológico. Consideradas o nível 
mais alto de evidência quantitativa.
NÍVEL 2
Ensaios clínicos randomizados (ECRs): estudos que comparam grupos de forma aleató-
ria, permitindo forte controle de viés. Ideais para avaliar intervenções.
NÍVEL 3
Estudos de coorte: acompanham grupos ao longo do tempo, observando desfechos 
relacionados a exposições específicas.
NÍVEL 4
Estudos caso-controle: comparam grupos com e sem determinada condição para in-
vestigar fatores associados retrospectivamente.
NÍVEL 5
Estudos transversais (ou seccionais): descrevem características ou prevalência de fenô-
menos em um dado momento. São úteis para diagnósticos situacionais.
NÍVEL 6
Relatos de caso e séries de casos: descrevem situações clínicas específicas. Úteis para 
gerar hipóteses, mas com baixo poder de generalização.
NÍVEL 7
Opiniões de especialistas e consensos: baseados na experiência clínica, são considera-
dos níveis iniciais de evidência quando não há estudos empíricos disponíveis.
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Embora os ensaios clínicos randomizados sejam geralmente considerados o 
padrão ouro entre os níveis de evidência, é importante lembrar que nem todos 
são conduzidos com o rigor necessário, e seus resultados precisam ser avaliados 
com atenção crítica (Burns; Rohrich; Chung, 2011). 
Além disso, as pesquisas qualitativas não se encaixam diretamente nessa 
pirâmide tradicional porque respondem a outro tipo de pergunta. Enquanto os 
estudos quantitativos buscam responder “qual intervenção funciona melhor?”, os 
estudos qualitativos buscam responder “como os indivíduos vivenciam determinada 
situação?”, “o que significa para o paciente viver com uma doença crônica?” ou 
“quais são os sentidos atribuídos ao cuidado em determinado contexto?”. 
Apesar de não hierarquizados da mesma forma, os estudos qualitativos 
têm critérios próprios de rigor, como saturação teórica, triangulação, validade 
interna e coerência interpretativa. Eles são fundamentais em Enfermagem para 
compreender dimensões humanas do cuidado, a construção de vínculos, a 
comunicação com a equipe, as barreiras culturais ao tratamento, entre outros 
aspectos que os números, sozinhos, não captam. Portanto, não se trata de mais 
ou menos importante, mas de finalidades diferentes e complementares.
Níveis de evidência e os tipos de pesquisa na prática
Imagine a seguinte situação: um enfermeiro deseja implementar uma nova abordagem 
de escuta qualificada em uma unidade de saúde mental. Para tomar essa decisão de 
forma fundamentada, ele pode buscar diferentes tipos de estudos científicos. 
Uma revisão sistemática, por exemplo, pode oferecer uma visão ampla 
e confiável sobre a eficácia da escuta ativa em ambientes clínicos, sendo 
considerada um nível elevado de evidência. Um estudo de coorte, por sua 
vez, pode acompanhar pacientes antes e depois da implantação da estratégia, 
permitindo observar mudanças ao longo do tempo em um contexto real de 
cuidado. Já uma pesquisa qualitativa pode revelar como os próprios pacientes 
percebem o acolhimento recebido, oferecendo uma compreensão mais profunda 
e sensível da experiência vivida.
Perceba como cada uma dessas fontes traz uma contribuição diferente e 
complementar: enquanto uma responde sobre o que funciona, outra ajuda a 
entender em que contexto funciona, e a terceira mostra como essa prática é 
vivenciada pelas pessoas envolvidas. 
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TEMA DE APRENDIZAGEM 6
Por isso, compreender os níveis de evidência e os diferentes tipos de pesquisa, 
tanto quantitativos quanto qualitativos, é fundamental para que o profissional de 
Enfermagem desenvolva um olhar crítico diante das publicações científicas, saiba 
selecionar informações confiáveis para apoiar sua prática e contribua para 
a produção de conhecimento com ética, clareza metodológica e compromisso 
com o cuidado. Afinal, ciência de qualidade não é apenas aquela que mede com 
precisão, mas também aquela que ouve, interpreta e compreende a complexidade 
do ser humano em suas diversas formas de viver, sentir e cuidar.
O QUALIS CAPES E A AVALIAÇÃO DAS REVISTAS CIENTÍFICAS
Ao se buscar um periódico para publicar ou consultar artigos científicos, 
especialmente durante a graduação ou em projetos de iniciação científica, é 
comum surgir uma dúvida: essa revista é considerada de boa qualidade? Uma das 
formas de responder a essa pergunta no contexto brasileiro é por meio do Qualis, 
um sistema de avaliação de periódicos utilizado pela CAPES (Coordenação de 
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior).
O Qualis CAPES é um sistema criado para classificar os periódicos científi-
cos que veiculam a produção dos programas de pós-graduação no Brasil. Ele é 
utilizado como um dos critérios na avaliação quadrienal dos programas de mes-
trado e doutorado, sendo, portanto, uma ferramenta de regulação da qualidade 
da pesquisa científica nacional.
Cada área do conhecimento, incluindo a Enfermagem, possui uma comissão 
específica que define os critérios para classificar os 
periódicos. Esses critérios consideram, por exemplo, 
o fator de impacto, a indexação em bases internacio-
nais, a periodicidade, a qualidade editorial e a pre-
sença de revisão por pares.
No sistema Qualis CAPES, as revistas científicas são organizadas em 
estratos de qualidade, que indicam o nível de reconhecimento e impacto 
dessas publicações. Essa classificação vai desde o estrato A1, considerado 
o mais alto, até o estrato C, que representa revistas sem qualificação. Entre 
eles, existem os níveis intermediários: A2, B1, B2, B3, B4 e B5. A definição 
do estrato leva em conta tanto critérios quantitativos, como o número de 
Define os critérios 
para classificar os 
periódicos
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citações e a indexação em bases internacionais, quanto critérios qualitativos, 
como a relevância da revista para a área de conhecimento.
De maneira geral, revistas A1 e A2 são aquelas com maior prestígio e impacto 
internacional, enquanto os estratos B1 a B5 incluem periódicos com impacto mais 
moderado, mas que ainda cumprem critérios importantes de qualidade. Já o estrato 
C se refere a revistas que não atendem aos critérios mínimos definidos pela área.
É importante lembrar que essa classificaçãovaria de acordo com a área de 
avaliação. Uma revista que aparece como B1 em Enfermagem pode ser classificada 
como A2 em Saúde Coletiva, por exemplo, já que cada área estabelece seus próprios 
parâmetros com base em suas necessidades e características. Por isso, ao consultar o 
Qualis, é fundamental considerar em qual área do conhecimento a revista está sendo 
avaliada. A seguir, exemplos de revistas da Enfermagem segundo o Qualis CAPES.
REVISTA
ESTRATO 
QUALIS
DESCRIÇÃO
REVISTA LATINO-
AMERICANA DE 
ENFERMAGEM (RLAE)
A1
Publicada pela Escola de Enfermagem de 
Ribeirão Preto/USP. Tem alto impacto na 
América Latina e ampla indexação.
TEXTO & CONTEXTO 
ENFERMAGEM (UFSC)
A2
Revista com foco em práticas críticas 
e reflexivas na Enfermagem, com 
abordagem multidisciplinar.
REVISTA BRASILEIRA DE 
ENFERMAGEM (REBEN)
A3
Órgão oficial da Associação Brasileira de 
Enfermagem (ABEn), amplamente utilizada 
em TCCs e pesquisas nacionais.
REVISTA ENFERMAGEM 
EM FOCO (COFEN)
A4
Publicação de ampla circulação, vinculada 
ao Conselho Federal de Enfermagem, com 
impacto acadêmico moderado.
JONAH – JOURNAL OF 
NURSING AND HEALTH 
(UFPEL)
A5
Revista do Programa de Pós-Graduação 
em Enfermagem da UFPel, com foco em 
saúde, enfermagem e interdisciplinaridade.
Quadro 1 – Exemplos de Revistas Científicas em Enfermagem e seus Estratos no Qualis CAPES (Qualis vigente 
até o ciclo 2117–2121)
Fonte: adaptado de https://sucupira-legado.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/veiculoPublica-
caoQualis/listaConsultaGeralPeriodicos.jsf. Acesso em: 1 jul. 2125. 
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TEMA DE APRENDIZAGEM 6
Como consultar o Qualis de uma revista passo a passo
Para verificar a classificação de uma revista no sistema Qualis da CAPES, o primeiro passo 
é acessar o site oficial da plataforma, disponível na Plataforma Sucupira-Capes. Ao 
entrar na página, será necessário selecionar o campo “Evento de Classificação”, escolhendo 
o período desejado, por exemplo, “Classificações de Periódicos Quadriênio 2017–2020”.
Em seguida, é possível refinar a busca utilizando diferentes filtros, como a 
área de avaliação (por exemplo, “Enfermagem” ou “Saúde Coletiva”), o ISSN 
da revista (sem hífen), o título completo ou parcial do periódico, o estrato de 
classificação desejado, como A1, A2, B1, entre outros. Após preencher os campos 
necessários, basta clicar em “Consultar” para visualizar os resultados. No exemplo 
a seguir, é possível verificar uma busca por revistas A1 na área da Enfermagem: 
Figura 2 – Tela de Consulta ao Qualis CAPES – Plataforma Sucupira
Fonte: https://sucupira-legado.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/veiculoPublicacaoQualis/
listaConsultaGeralPeriodicos.jsf. Acesso em: 1 jul. 2125.
Descrição da Imagem: a figura mostra a página “Qualis Periódicos” da Plataforma Sucupira, com o logotipo no canto superior 
esquerdo, onde se lê “PLATAFORMA Sucupira Newton Sucupira (1920-2007)”. No canto superior direito, há um botão azul 
com o ícone de um computador e o texto “ACESSO RESTRITO”, além de duas bandeiras, uma do Brasil e uma dos Estados 
Unidos, que indicam a opção de troca de idioma. Abaixo do cabeçalho, está a trilha de navegação “Início >> Qualis >> Qualis 
Periódicos”, mostrando o caminho percorrido dentro do site. Em seguida, há o título da seção em destaque sobre uma faixa 
azul escura: “Qualis Periódicos”. Abaixo do título, encontra-se um formulário de consulta com os seguintes campos: “Evento 
de Classificação” (campo obrigatório, marcado com um asterisco vermelho), com a opção selecionada “CLASSIFICAÇÕES DE 
PERIÓDICOS QUADRIÊNIO 2017-2020”; “Área de Avaliação”, com a caixa de seleção marcada para “ENFERMAGEM”; um 
campo de texto em branco para “ISSN”; um campo de texto em branco para “Título”; e o campo “Classificação”, com a caixa de 
seleção marcada e a opção “A1” selecionada. Na parte inferior do formulário, há dois botões: “Consultar”, em azul, e “Cancelar”, 
em branco com borda cinza. Do lado direito da tela, há um ícone azul com a imagem de duas mãos brancas, que representa 
um recurso de acessibilidade em Libras (Língua Brasileira de Sinais), sinalizando que o site oferece tradução de conteúdo para 
usuários surdos. O fundo da página é claro e apresenta elementos gráficos com bolhas e linhas curvas. Fim da descrição.
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A plataforma apresentará uma lista com as revistas que atendem aos critérios 
informados, trazendo dados, como o título da revista, o ISSN, à área de avaliação 
e a classificação Qualis atribuída. É importante lembrar que uma mesma revista 
pode ter classificações diferentes conforme a área do conhecimento avaliada, o 
que torna essencial a escolha correta da área na hora da consulta.
Caso você deseje, há também a opção de baixar a lista completa de periódicos por 
área. Para isso, basta selecionar apenas a área de avaliação, clicar em “Consultar” 
e, em seguida, utilizar a opção de exportação disponível na página para gerar um 
arquivo com todas as revistas e suas respectivas classificações.
Qualis em transformação: entendendo a nova proposta da CAPES
A CAPES anunciou que, a partir do ciclo 2025–2028, adotará um novo modelo 
de avaliação, baseado na qualidade individual dos artigos, e não apenas na revista 
onde foram publicados. Isso significa que:
Figura 1 – Resultado de Consulta Qualis A1 na Área de Enfermagem - Plataforma Sucupira
Fonte: https://sucupira-legado.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/veiculoPublicacaoQualis/
listaConsultaGeralPeriodicos.jsf. Acesso em: 1 jul. 2125.
Descrição da Imagem: a figura mostra a tela de resultados da Plataforma Sucupira após uma consulta aos periódicos 
classificados como A1 na área de Enfermagem, dentro do ciclo de avaliação do Qualis CAPES referente ao quadriênio 
2017–2020. O quadro apresentado contém colunas com as seguintes informações: ISSN, título da revista, área 
com publicação no quadriênio, classificação e área mãe. É possível visualizar diversos periódicos com classificação 
A1, como Accident Analysis and Prevention, Acta Biomaterialia, Advances in Nursing Science e Advances in Wound 
Care. Embora todos estejam relacionados à área de Enfermagem, muitos pertencem a diferentes áreas mãe, como 
Medicina, Saúde Coletiva, Odontologia, Educação Física e Fisioterapia e Ciências Biológicas. A imagem ilustra como 
uma mesma revista pode ter sua classificação Qualis considerada em múltiplas áreas do conhecimento, dependendo 
do contexto da publicação. Fim da descrição.
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TEMA DE APRENDIZAGEM 6
• Artigos publicados em um mesmo periódico poderão receber classificações 
diferentes, de acordo com seus méritos.
• Haverá maior ênfase em indicadores do próprio artigo, como citações, visibilida-
de e contribuição científica.
• A análise qualitativa pelas áreas ganhará protagonismo, considerando pertinên-
cia temática, inovação e impacto do estudo.
Essa mudança visa tornar a avaliação mais justa, permitindo que produções 
relevantes sejam reconhecidas mesmo quando publicadas em revistas com 
menor fator de impacto. Ela representa um avanço no sentido de avaliar a ciência 
pelo conteúdo, e não apenas pela “embalagem” em que ela é publicada. Para 
estudantes e futuros pesquisadores, isso significa que a escolha do periódico 
deve ser feita com base em critérios, como adequação temática, público-alvo e 
qualidade editorial, e não somente no estrato Qualis.
Por que isso importa para a Enfermagem? Na Enfermagem, há um forte 
compromisso com a aplicação prática do conhecimento. Muitas pesquisas 
de alta relevância são realizadas em contextos regionais ou publicadas em 
revistas nacionais, com foco em saúde coletiva, atenção básica e gestão do 
cuidado. Por isso, é fundamental que a avaliação da produção científica 
valorize o conteúdo, e não apenas o prestígio da revista. Conhecer o Qualis 
e suas mudanças contribui para uma formação mais crítica, estratégica e 
alinhada às reais necessidades da ciência e da sociedade.
Outro desafio crescente é o de selecionar onde publicar e comodivulgar o 
conhecimento produzido. Em um cenário onde a CAPES caminha para avaliar a 
qualidade individual dos artigos, e não apenas das revistas, o acadêmico precisa 
entender que a relevância de uma pesquisa não depende somente de estar em 
um periódico A1, mas também da consistência metodológica, do rigor ético e da 
contribuição que aquele estudo oferece para a Enfermagem e para a sociedade. 
Nesse sentido, conhecer o funcionamento do Qualis CAPES e utilizar 
ferramentas, como a Plataforma Sucupira, são atitudes estratégicas para quem 
pretende construir uma trajetória sólida na pesquisa.
Você já se perguntou como uma revista científica pode “subir de nível” no 
Qualis CAPES? Embora o sistema esteja passando por mudanças, a lógica de 
valorização da qualidade editorial e do impacto científico continua sendo central.
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Imagine uma revista da área da saúde que, há alguns anos, era classificada como 
B3. Na época, publicava apenas em português, tinha pouca regularidade nas edi-
ções e não estava indexada em bases internacionais. Seus artigos eram relevantes, 
mas pouco citados em outras pesquisas, e o processo de avaliação por pares ainda 
estava em consolidação.
Com o tempo, os editores decidiram investir na melhoria da qualidade edi-
torial: adotaram a publicação bilíngue (português e inglês), passaram a seguir 
rigorosamente os critérios de revisão por pares, ampliaram a diversidade do cor-
po editorial com pesquisadores de diferentes regiões e universidades e buscaram 
indexação em bases, como SciELO e Scopus.
Além disso, a revista começou a atrair pesquisas mais robustas metodologi-
camente e com maior impacto prático, o que fez com que seus artigos passassem 
a ser mais citados. Como consequência desse conjunto de esforços, na avaliação 
seguinte da CAPES, a revista foi reclassificada como B1. Anos depois, com a 
consolidação do seu impacto e a presença crescente em bases internacionais, 
alcançou o estrato A2.
Esse exemplo mostra que a classificação Qualis não é algo fixo ou definitivo. 
Ela pode (e deve) refletir a trajetória de crescimento de uma revista científica. Para 
estudantes e futuros pesquisadores, isso significa que revistas hoje classificadas 
como B podem, com o tempo, tornar-se veículos de alto prestígio acadêmico. 
Por isso, mais do que apenas olhar a sigla A1 ou B2, é importante compreender 
o contexto da revista, seu escopo, seu público e sua evolução editorial.
AÇÃO ESTRATÉGICA IMPACTO NA REVISTA
CONTRIBUIÇÃO PARA 
O AVANÇO NO QUALIS
Adotar publicação 
bilíngue (português/
inglês)
Aumenta a visibilidade 
internacional e o acesso 
ao conteúdo
Maior alcance e potencial 
de citação
Aprimorar o processo 
de revisão por pares
Garante maior qualida-
de e credibilidade dos 
artigos publicados
Valoriza o rigor científico exigido 
pelas áreas de avaliação
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TEMA DE APRENDIZAGEM 6
AÇÃO ESTRATÉGICA IMPACTO NA REVISTA
CONTRIBUIÇÃO PARA
O AVANÇO NO QUALIS
Incluir a revista em 
bases indexadoras 
(SciELO, Scopus, 
DOAJ)
Aumenta a presença da 
revista em repositórios 
de pesquisa acadêmica
Critério importante nos 
indicadores bibliométricos
Cumprir com regula-
ridade a publicação 
das edições
Demonstra organização 
e compromisso editorial
Evita penalizações e melhora 
a avaliação da consistência 
da revista
Diversificar o corpo 
editorial
Atrai pesquisadores 
de diferentes regiões 
e instituições
Fortalece o caráter científico 
e plural da revista
Estimular a submissão 
de artigos com meto-
dologias robustas.
Melhora a qualidade 
geral da produção 
publicada
Atrai mais citações e amplia o 
reconhecimento da revista
Aderir à ciência aber-
ta e ao acesso livre 
(Open Access)
Facilita o acesso ao 
conteúdo sem barreiras 
financeiras ou 
institucionais
Melhora a disseminação do 
conhecimento e os indicadores 
de visibilidade
Divulgar os artigos 
em redes acadêmicas 
e mídias científicas
Aumenta a presença 
da revista fora dos 
meios tradicionais
Contribui para Altmetrics e 
engajamento com a 
comunidade científica
Representatividade 
com Foco na Diversi-
dade Institucional
Promover a pluralidade 
de perspectivas, meto-
dologias e abordagens 
que vêm de diferentes 
centros de pesquisa
Reduzir a percepção de que a 
revista está favorecendo auto-
res de sua própria instituição 
ou de instituições com as quais 
tenha laços mais próximos
Quadro 2 – Elementos que favorecem a reclassificação positiva de periódicos científicos no Qualis / Fonte: a autora.
Em um tempo em que a informação circula com velocidade, mas nem sempre 
com qualidade, seu papel, enquanto estudante de Enfermagem, torna-se ainda 
mais relevante: é preciso filtrar, analisar, questionar e, sobretudo, agir com cons-
ciência científica. Os desafios são muitos, é verdade. Mas cada etapa superada, 
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1
da leitura crítica à produção de conhecimento, da escolha da revista à aplicação 
ética das evidências, fortalece não só a formação individual, mas também a En-
fermagem como ciência e como prática social. 
Que este percurso de aprendizado inspire atitudes curiosas, críticas e compro-
metidas. E que você possa enxergar a si mesmo como parte ativa da construção 
de um cuidado fundamentado em evidências, guiado pela ciência, sustentado 
pela ética e sensível às realidades humanas. Isso porque, no fim das contas, o 
conhecimento que realmente transforma é aquele que se coloca a serviço da vida.
NOVOS DESAFIOS
Avançar no conhecimento científico exige mais do que ler artigos e realizar 
trabalhos acadêmicos. Para os estudantes e futuros profissionais da Enfermagem, 
os caminhos da formação estão cada vez mais conectados com a produção, a 
leitura crítica e o uso responsável da ciência. Os temas discutidos ao longo deste 
material, como a qualidade das publicações, os níveis de evidência, os critérios de 
avaliação das revistas científicas e as transformações do sistema Qualis CAPES, 
apontam para novos desafios e responsabilidades no percurso acadêmico.
Um primeiro desafio é o de compreender e interpretar criticamente as 
evidências científicas. Não basta apenas citar um artigo ou repetir conclusões 
de forma automática; é preciso saber de onde vêm os dados, qual o tipo de estudo 
realizado, qual o nível de evidência envolvido e se aquela informação é adequada 
para a realidade do cuidado em saúde. Para isso, conhecer a diferença entre 
estudos qualitativos e quantitativos, saber o que é uma revisão sistemática ou um 
estudo de coorte e reconhecer os limites de um relato de caso são competências 
essenciais para a prática baseada em evidências.
Gostou do que discutimos até aqui? Tenho mais para conversar 
com você a respeito deste tema. Vamos lá?
E M FOCO
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https://vimeo.com/1119443127/7bf54330aa
TEMA DE APRENDIZAGEM 6
Além disso, há um chamado para que os estudantes se engajem em práticas de 
ciência aberta, colaborativa e acessível. Isso significa 
considerar novas formas de comunicar a ciência, va-
lorizar revistas de acesso livre, participar de eventos 
científicos e buscar formação contínua em leitura 
crítica e produção acadêmica. Também envolve re-
fletir sobre o impacto social da pesquisa: como os 
resultados podem influenciar o cuidado? Como podem contribuir para políticas 
públicas, formação de profissionais e promoção da saúde?
Por fim, há um desafio ainda maior e talvez o mais importante: formar-se 
como profissional que alia competência técnica, sensibilidade ética e consciência 
crítica. A Enfermagem é, antes de tudo, uma ciência do cuidado. E o cuidado 
baseado em evidências exige responsabilidade não só com o conhecimento que 
se produz, mas com as pessoas que esse conhecimento pretende beneficiar.
Portanto, o convite final é este: que você, estudante de Enfermagem, possa se 
reconhecer como parte da comunidade científica, com voz, com potência e com 
compromisso. Produzir ciência não é privilégio de poucos, mas uma construção 
coletiva, e a Enfermagem tem muito a contribuir para que essa construçãomesma forma, um idoso institucionalizado pode ter 
suas necessidades fisiológicas atendidas, mas será que sua saúde emocional e 
social está igualmente contemplada?
Por isso, a enfermagem incorpora também abordagens qualitativas e com-
preensivas na pesquisa e na prática. Métodos, como entrevistas, narrativas e 
observação participante, permitem explorar os significados e as percepções 
dos pacientes, trazendo uma visão mais holística do cuidado (Minayo, 2001, 
2014). Além disso, a integração de diferentes paradigmas científicos — como 
o paradigma compreensivo e o crítico-estruturalista — amplia a compreensão 
dos desafios da assistência, permitindo intervenções mais humanizadas e con-
textualizadas (Minayo, 2001, 2014).
Portanto, ainda que a objetividade da análise positivista seja um alicerce es-
sencial na ciência da saúde, ela precisa ser complementada por abordagens que 
respeitem a subjetividade do paciente, a complexidade do contexto social e a 
singularidade do cuidado em enfermagem. Afinal, cuidar não é apenas tratar a 
doença, é compreender e acolher o ser humano em sua totalidade.
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O Positivismo como modelo de racionalidade científica
O positivismo ajudou a construir uma forma de pensamento que distingue o co-
nhecimento científico de outras formas de conhecimento, como o senso comum 
e as humanidades. Essa busca por uma verdade única e objetiva foi fortemente 
influenciada por grandes nomes, como Copérnico, Kepler, Galileu, Newton, Ba-
con e Descartes (Santos, 2010). 
Você já parou para pensar no impacto que essa visão teve na forma como trata-
mos a saúde e a pesquisa científica? Será que só existe uma única maneira de se 
conhecer a realidade?
PE N SA N DO JUNTOS
Muitas críticas ao positivismo surgiram exatamente por essa visão totalitária 
do conhecimento. Ao enfatizar apenas a mensuração e a quantificação, algu-
mas abordagens acabaram deixando de lado aspectos essenciais da experiência 
humana (Santos, 2010).
Desafios do positivismo: será que tudo pode ser medido?
Embora o positivismo tenha sido fundamental para avanços na saúde, ele tam-
bém enfrenta críticas (Santos, 2010). Nem tudo pode ser medido com precisão, 
especialmente quando falamos sobre experiências humanas, emoções e o impac-
to subjetivo de uma doença. O que você acha? Faz sentido tentar transformar 
tudo em números ou há espaço para abordagens diferentes?
A pesquisa qualitativa surgiu justamente para complementar essa visão. 
Metodologias, como a fenomenologia e a etnografia, dão voz aos pacientes e 
profissionais da saúde, permitindo uma compreensão mais rica do cuidado e da 
relação entre enfermeiros, médicos e pacientes (Minayo, 2001, 2014). E Agora? 
Como equilibrar as abordagens?
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TEMA DE APRENDIZAGEM 1
Atualmente, muitos pesquisadores acreditam que o caminho ideal é a integração 
entre abordagens quantitativas e qualitativas (Creswell, 2010). Ao mesmo tempo 
em que buscamos evidências concretas e mensuráveis, também, reconhecemos 
a importância de entender o contexto, a história e a experiência do paciente.
Em um mundo onde a ciência está sempre evoluindo, é essencial lembrar que 
o conhecimento não deve ficar restrito aos laboratórios e artigos acadêmicos. O 
verdadeiro desafio está em transformar esse conhecimento em algo acessível e 
útil para as pessoas, equilibrando rigor científico com empatia e compreensão 
humana. O que você pensa sobre isso? Como você vê a influência do positivismo 
na saúde e na sua própria experiência?
PARADIGMA COMPREENSIVO: UMA CONVERSA SOBRE 
A COMPREENSÃO SOCIAL
Imagine que você está conversando com um grupo de amigos sobre como as 
pessoas enxergam o mundo. Alguns acreditam que tudo pode ser medido e ex-
plicado com números, enquanto outros dizem que entender a sociedade é muito 
mais do que apenas contar e classificar. 
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Foi justamente assim que, no final do século XIX e ao longo do século XX, 
surgiu o Paradigma Compreensivo, desenvolvido por Weber (2022), uma 
abordagem que propõe olhar para os fenômenos sociais de uma maneira di-
ferente: a partir do significado que as pessoas dão às suas próprias ações. 
O que faz do paradigma compreensivo algo especial?
Você já entendeu que a abordagem positivista defende a ideia de que a rea-
lidade social pode ser estudada com a mesma objetividade que um cientista 
analisa a natureza. Porém o paradigma compreensivo veio para desafiar isso. 
Em vez de apenas medir comportamentos, ele busca interpretar as intenções 
e os significados por trás das ações das pessoas (Weber, 2022).
Vamos pensar em um exemplo simples: quando alguém sorri, nós podemos 
apenas contar quantos sorrisos aconteceram em um dia (como um positivista 
faria) ou tentar entender o que motivou esses sorrisos (como faria um pesqui-
sador compreensivo). Essa última abordagem nos ajuda a enxergar que um 
sorriso pode significar alegria, ironia, nervosismo ou mesmo um gesto educado.
Como esse paradigma se estrutura?
Os pesquisadores compreensivos seguem algumas direções para entender 
a sociedade:
SUBJETIVIDADE E SIGNIFICADO
As pessoas não são apenas números em uma tabela. Elas têm emoções, valores e cren-
ças que influenciam suas ações (Weber, 2022).
INTERPRETAÇÃO E EMPATIA
Para entender um grupo ou indivíduo, o pesquisador precisa se colocar no lugar das 
pessoas e tentar enxergar o mundo pelos olhos delas (Schütz, 2003).
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TEMA DE APRENDIZAGEM 1
MÉTODOS QUALITATIVOS
Em vez de usar apenas estatísticas, esse paradigma valoriza ferramentas, como entre-
vistas, observação participante e análise documental (Minayo, 2014).
CONTEXTO HISTÓRICO E SOCIAL
Nenhuma ação acontece no vácuo. É essencial entender o ambiente e a época em que 
as pessoas vivem para compreender suas atitudes (Durkheim, 2007).
Onde o paradigma compreensivo se aplica?
O paradigma compreensivo tem se consolidado como uma abordagem significa-
tiva para diversas áreas das ciências humanas e sociais, permitindo uma análise 
mais aprofundada da ação humana. Ao permitir que os pesquisadores acessem os 
significados subjetivos das ações humanas, o paradigma compreensivo enriquece 
a compreensão dos fenômenos sociais, políticos e culturais, promovendo análises 
mais sensíveis e contextualizadas sobre a realidade, reconhecendo a subjetividade 
como elemento essencial na construção do conhecimento. As ideias desse para-
digma podem ser encontradas em diversas áreas das ciências:
Na Sociologia, essa perspectiva foi desenvolvida por Max Weber (2002), que 
introduziu o conceito de ação social como chave para a compreensão do compor-
tamento humano. Para Weber, não basta observar o que os indivíduos fazem; é im-
prescindível compreender por que fazem, ou seja, identificar os sentidos subjetivos 
que orientam suas ações no contexto social em que estão inseridos (Weber, 2002).
Já na Antropologia, o paradigma compreensivo impulsionou metodologias de 
pesquisa baseadas na imersão cultural e na interpretação simbólica. Geertz (1989), 
por exemplo, propôs o conceito de “descrição densa”, enfatizando a necessidade de 
interpretar detalhadamente os significados atribuídos pelos próprios indivíduos às 
suas práticas e costumes. Essa abordagem permite que o pesquisador vá além da ob-
servação externa e compreenda a cultura a partir da perspectiva de seus membros.
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Na Ciência Política, essa abordagem possibilita 
uma compreensão mais refinada sobre os processos 
de tomada de decisão e participação política. Skin-
ner (2002) argumenta que os atos políticos devem ser 
analisados dentro de seus respectivos contextos históricos e intencionais, pois 
seu significado não se restringe apenas aos resultados finais, mas também às 
motivações e circunstâncias que levaram à ação.
No campo da História, o paradigma compreensivo contribui para a valori-
zação das experiências individuais dentro de grandes eventos históricos. Burke 
(1992) defende que a história social deve ser construída a partir de múltiplas pers-
pectivas, destacando como as narrativas individuaisseja 
mais ética, mais humana e mais transformadora.
Formas de 
comunicar a ciência, 
valorizar revistas 
de acesso livre
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1. A revisão por pares (peer review) é um processo central na validação de artigos científicos 
antes da publicação. Nesse modelo, pesquisadores da mesma área do autor analisam 
o manuscrito de forma crítica, avaliando a qualidade metodológica, a coerência dos 
resultados, a originalidade da proposta e a relevância do estudo para a área científica. 
Existem diferentes formas de revisão, como a cega simples (em que apenas o revisor 
conhece os autores), a cega dupla (em que autores e revisores não sabem quem são) e 
a aberta (em que ambos se identificam). Embora não seja isenta de limitações, a revisão 
por pares é amplamente reconhecida como um mecanismo fundamental de controle de 
qualidade na ciência (Barata, 2019).
Considerando o processo de revisão por pares, assinale a alternativa que descreve 
corretamente uma característica desse sistema de avaliação científica.
a) A revisão por pares garante que apenas artigos de revistas com fator de impacto elevado 
sejam aceitos.
b) O modelo de revisão cega dupla permite que os autores acompanhem diretamente 
quem avaliou seu manuscrito.
c) A revisão por pares é uma etapa obrigatória para todos os artigos publicados em 
periódicos científicos. 
d) A revisão por pares busca garantir a qualidade científica do manuscrito antes da 
publicação, sendo realizada por especialistas da área.
e) A principal vantagem da revisão por pares é acelerar o tempo de publicação dos artigos.
2. O sistema Qualis CAPES é uma ferramenta criada para classificar a qualidade da produção 
científica brasileira, especialmente a publicada em periódicos. Ele utiliza critérios, como 
impacto, indexação, periodicidade e avaliação por pares, para ranquear as revistas em 
estratos (A1, A2, B1, B2, B3, B4, B5 e C). No campo da Enfermagem, compreender o Qualis é 
essencial para que os acadêmicos possam reconhecer revistas com maior reconhecimento 
na área e fazer escolhas mais estratégicas quanto à submissão de seus trabalhos científicos 
(Capes, 2022).
Sobre o sistema Qualis CAPES na área da Enfermagem, analise as afirmativas a seguir:
I - O Qualis CAPES serve como um guia para avaliar a relevância dos periódicos onde os 
pesquisadores publicam seus estudos.
II - Na área da Enfermagem, revistas classificadas como A1 e A2 são consideradas de 
excelência acadêmica e científica.
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III - Conhecer a classificação Qualis dos periódicos pode ajudar estudantes a tomar decisões 
mais estratégicas sobre onde submeter seus trabalhos.
IV - O sistema Qualis classifica os periódicos com base na opinião dos autores dos artigos 
publicados, sem considerar critérios técnicos ou métricos.
É correto o que se afirma em:
a) I, apenas.
b) II e IV, apenas.
c) III e IV, apenas.
d) I, II e III, apenas.
e) I, II, III e IV.
3. A qualificação de periódicos científicos é influenciada por critérios, como consistência 
editorial, rigor metodológico e engajamento com a comunidade científica. Estratégias, como 
a submissão de artigos com metodologias robustas e a divulgação em redes científicas, 
favorecem a reputação e o reconhecimento das revistas no sistema de avaliação da CAPES 
(Capes, 2022).
Com base nas informações apresentadas, avalie as asserções a seguir e a relação proposta 
entre elas:
I - Estimular a submissão de artigos com metodologias robustas é uma estratégia que pode 
atrair mais citações e ampliar o reconhecimento da revista científica.
PORQUE
II - O rigor metodológico das publicações é valorizado nas áreas de avaliação da CAPES e 
pode contribuir para o avanço da revista nos estratos superiores do Qualis.
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta:
a) As asserções I e II são verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I.
b) As asserções I e II são verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I.
c) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
d) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
e) As asserções I e II são falsas.
AUTOATIVIDADE
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REFERÊNCIAS
BARATA, R. B. Desafios da editoração de revistas científicas brasileiras da área da saúde. Ciência 
& Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 24, p. 929-939, 2019. Disponível em: https://www.scielo.br/j/
csc/a/HJHZbydzcwtmBD3GLcJB5gQ/. Acesso em: 1 jul. 2025.
BURNS, P. B.; ROHRICH, R. J.; CHUNG, K. C. The levels of evidence and their role in evidence-ba-
sed medicine. Plastic and Reconstructive Surgery, v. 128, n. 1, p. 305-310, 2011. Disponível em: 
https://doi.org/10.1097/PRS.0b013e318219c171. Acesso em: 1 jul. 2025.
CAPES – COORDENAÇÃO DE APERFEIÇOAMENTO DE PESSOAL DE NÍVEL SUPERIOR. Classi-
ficação de periódicos no Qualis. c2022. Página inicial. Disponível em: https://sucupira-legado.
capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/veiculoPublicacaoQualis/listaConsultaGeral-
Periodicos.jsf. Acesso em: 1 jul. 2025.
LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. de A. Fundamentos de metodologia científica. 5. ed. São Paulo: 
Atlas, 2003.
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1. Alternativa D.
A alternativa D está correta, pois a revisão por pares é realizada por especialistas e tem como 
objetivo verificar a qualidade científica, o rigor metodológico e a relevância do manuscrito 
antes de sua publicação. Trata-se de uma prática consolidada na comunidade científica. A 
alternativa A está incorreta, pois a revisão por pares avalia o artigo em si e não está vinculada 
ao fator de impacto da revista. A alternativa B está incorreta, pois, no modelo cego duplo, 
justamente nenhum dos lados conhece a identidade do outro. A alternativa C está incorreta, 
pois, embora comum, nem todos os periódicos adotam revisão por pares — pré-prints, por 
exemplo, não passam por esse processo. A alternativa E está incorreta, pois revisão por pares 
pode, na verdade, aumentar o tempo de publicação, justamente por envolver avaliação 
crítica e possíveis revisões.
2. Alternativa D.
A afirmativa I está correta, pois o Qualis ajuda a avaliar onde a produção científica está 
sendo publicada, servindo como referência para a qualidade dos periódicos. A afirmativa 
II está correta, pois os estratos A1 e A2 representam revistas de maior prestígio e impacto 
científico na área da Enfermagem. A afirmativa III está correta, pois conhecer a classificação 
Qualis dos periódicos pode ajudar estudantes a tomar decisões mais estratégicas sobre 
onde submeter seus trabalhos. A afirmativa IV está incorreta, pois o Qualis utiliza critérios 
objetivos e técnicos, como o fator de impacto, indexações, regularidade da publicação e 
outros indicadores bibliométricos, e não a opinião dos autores.
3. Alternativa A.
A asserção I é verdadeira, pois a publicação de artigos com metodologias robustas 
aumenta a credibilidade científica, o que favorece as citações e o reconhecimento da 
revista. A asserção II é verdadeira e uma justificativa correta da I, pois, ao mesmo tempo, 
o rigor metodológico é um critério valorizado pela CAPES na avaliação das áreas, sendo 
um fator relevante para o avanço no Qualis.
GABARITO
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MINHAS ANOTAÇÕES
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UNIDADE 3
MINHAS METAS
PROJETO DE PESQUISA: 
METODOLOGIA DE PESQUISA
Compreender os fundamentos da construção da pesquisa científica.
Entender que a pergunta de pesquisa define o rumo da investigação.
Saber que a hipótese será testada com a investigação.
Conhecer o acrônimo FINER.
Perceber os diferentes tipos de pesquisa e como eles se classificam.
Compreender que a pesquisa qualitativa foca na experiência.
Assimilar que a pesquisa quantitativa busca medir e quantificar. fenômenos.
T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 7
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INICIE SUA JORNADA
Você já esteve em um estágio ou durante uma disciplina e pensou: “Isso aqui 
não faz sentido” ou “Por que isso sempre acontece assim?” Pois é, muitas vezes, 
essas situações cotidianas que parecem pequenas são, na verdade, grandes 
janelas para perguntas importantes.Uma dificuldade constante no cuidado, algo que os pacientes relatam com 
frequência, ou até uma falha na comunicação entre a equipe, tudo isso pode 
ser o início de um problema de pesquisa. E isso não precisa vir de um livro: 
vem da prática, do que você vive no hospital, no posto de saúde ou nas rodas 
de conversa com colegas e professores.
Mas por que isso importa? Porque é justamente a partir dessa inquietação 
real que nasce a pesquisa que faz sentido. Uma pesquisa que não fica só no 
papel, mas que tem potencial de transformar a prática, melhorar a vida dos 
pacientes e fortalecer a profissão. Quando você percebe que sua dúvida pode 
virar uma pergunta de pesquisa, está começando a trilhar o caminho de quem 
deseja mudar a realidade com conhecimento. É como se essa dúvida se tornasse 
uma bússola, guiando seu olhar, seus estudos e suas decisões acadêmicas. E o 
mais incrível: é você quem segura essa bússola.
E aí começa a parte mais interessante: experimentar. Isso não significa sair 
aplicando questionários de qualquer jeito, mas, sim, mergulhar nesse processo 
com curiosidade. Observar mais atentamente, conversar 
com quem já pesquisa, ler artigos, comparar experiências. 
É nesse movimento de busca que você vai percebendo que 
existe método, que há formas de transformar a dúvida em 
uma pergunta clara, objetiva e investigável. Às vezes, o 
primeiro rascunho da sua pergunta ainda está meio solto, 
e tudo bem. Aos poucos, com ajuda de professores, colegas e da própria prática, 
você vai afunilando até enxergar com mais nitidez o que quer investigar.
O que você observa como estudante hoje pode ser o ponto de partida para 
mudanças reais amanhã. Pesquisar não é só uma obrigação acadêmica, é uma 
escolha por olhar com mais atenção, perguntar com mais coragem e construir 
Observar mais 
atentamente, 
conversar com 
quem já pesquisa
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TEMA DE APRENDIZAGEM 7
com mais propósito. Quando você escolhe transformar uma inquietação em 
investigação, você está também se reconhecendo como parte ativa dessa profissão. 
E essa é uma das formas mais potentes de cuidar: cuidando do conhecimento, 
cuidando da prática e cuidando do futuro da Enfermagem.
DESENVOLVA SEU POTENCIAL
Você já se deparou, durante um estágio ou disciplina, com uma situação que 
parece exigir respostas mais profundas? Talvez, tenha notado algo que se repete 
entre os pacientes, uma dificuldade no cuidado, ou até mesmo uma lacuna na 
comunicação entre profissionais da equipe. Quando essas observações despertam 
em nós a vontade de compreender melhor uma realidade, estamos diante de um 
possível problema de pesquisa. 
No podcast Gestão do Tempo na Pesquisa Acadêmica em En-
fermagem, vamos falar sobre um dos maiores desafios da vida 
acadêmica: a gestão do tempo na pesquisa em enfermagem. 
Descubra estratégias práticas para organizar sua rotina. Dê o 
play e venha com a gente!
PLAY N O CONHECIMENTO
VAMOS RECORDAR?
Neste vídeo, você vai recordar, de forma clara e objetiva, 
o papel do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) na 
formação acadêmica, destacando sua importância como 
primeiro passo na trajetória científica.
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https://on.soundcloud.com/aSe3I38h4Jo1XgH1yK
https://www.youtube.com/watch?v=3UphFl6r1Rc
De forma conceitual, Gil (2010) refere que o problema de pesquisa pode ser 
definido como uma questão relevante, clara e delimitada, que expressa uma 
dúvida fundamentada e passível de investigação científica. Ele não é apenas 
uma curiosidade momentânea, mas uma inquietação que surge a partir de uma 
leitura crítica da realidade, algo que, por não estar bem compreendido, carece 
de estudo sistemático. 
Na Enfermagem, muitos problemas de pesquisa emergem diretamente da 
prática: do cuidado, da gestão, da educação, da saúde coletiva ou da saúde mental. 
Pesquisar, nesse contexto, é uma forma de transformar a prática por meio do 
conhecimento. O problema de pesquisa representa o alicerce de todo o processo de 
pesquisa, orientando a definição de objetivos, a escolha da metodologia e a análise 
dos dados. É, de fato, o norte que direcionará sua jornada no universo da pesquisa.
PROBLEMA DE PESQUISA: A BÚSSOLA QUE O GUIARÁ
Um problema de pesquisa, em sua concepção mais fundamental, é uma lacuna 
no conhecimento existente, uma questão que carece de respostas completas ou 
aprofundadas. Trata-se de uma inquietação que surge da observação da realidade, 
instigando o questionamento: “Será que...?” ou “Qual a relação entre...?” (Gil, 2017).
No contexto da enfermagem, essa lacuna, frequentemente, manifesta-se 
em aspectos relacionados à saúde, ao processo de cuidado, ao bem-estar dos 
pacientes e comunidades ou à dinâmica do trabalho da equipe de enfermagem. 
Por exemplo, a constatação de elevadas taxas de não adesão ao tratamento em 
pacientes com doenças crônicas ou a busca por estratégias mais eficazes de 
educação em saúde para familiares são exemplos de problemas que emergem 
da prática e demandam investigação.
A elaboração de um problema de pesquisa exige a observância de alguns 
critérios fundamentais. Para auxiliar na avaliação da qualidade de uma questão 
de pesquisa, muitos pesquisadores utilizam o acrônimo FINER, que destaca 
características essenciais, embora não seja a única forma de garantir a excelência 
da sua formulação (Hulley et al., 2003). Esses critérios incluem:
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TEMA DE APRENDIZAGEM 7
O problema deve ser formulado de maneira concisa, direta e inequívoca, evitan-
do generalizações. Quanto mais específico ele for, mais direcionada será a investi-
gação. Por exemplo, em vez de uma pergunta genérica, como “Como melhorar a 
saúde da população?”, uma formulação mais científica seria: “Quais as estratégias 
de intervenção de enfermagem mais eficazes na redução da taxa de readmissão 
hospitalar de pacientes idosos com insuficiência cardíaca no período pós-alta?”. 
F — FACTÍVEL (FEASIBLE)
Refere-se à exequibilidade da pesquisa. É fundamental que haja disponibilidade de 
recursos (financeiros, humanos, temporais), acesso à população de estudo e dados e 
expertise por parte do pesquisador para conduzir a investigação.
I — INTERESSANTE (INTERESTING)
A pesquisa deve despertar o interesse do investigador e da comunidade científica, ga-
rantindo motivação e engajamento ao longo de todo o processo.
N — NOVA (NOVEL)
Embora nem toda pesquisa precise ser radicalmente inovadora, ela deve trazer uma 
nova perspectiva, aprofundar um conhecimento existente ou aplicá-lo a um novo con-
texto. O ineditismo confere originalidade e contribui para o avanço da ciência.
E — ÉTICO (ETHICAL)
Qualquer investigação deve ser conduzida respeitando rigorosamente os princípios éti-
cos e bioéticos, garantindo a proteção e a dignidade dos participantes.
R — RELEVÂNCIA (RELEVANT)
A investigação deve gerar conhecimento que traga benefícios significativos para a en-
fermagem, para a saúde coletiva ou para a sociedade. Deve preencher uma lacuna de 
conhecimento que justifique o esforço da pesquisa.
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A identificação de um problema de pesquisa é um processo que combina ob-
servação crítica e revisão da literatura. Trata-se de um movimento investigativo 
que envolve a análise atenta da realidade, o conhecimento científico acumulado 
e a escuta de diferentes vozes no campo da saúde. Essa construção ocorre por 
meio de diferentes estratégias, que se complementam e se retroalimentam. 
Entre elas, destacam-se:
 ■ Observação da Prática Clínica: as vivências cotidianas nos campos 
de estágio e nas unidades de saúde, frequentemente, revelam desafios, 
lacunas no cuidado ou fenômenos que demandam explicação e melhoria.
 ■ Revisão de Literatura: o estudo aprofundado de artigos científicos, 
teses e dissertações permite identificar conhecimentos já estabelecidos, 
mas também aponta para áreas pouco exploradas ou inconsistências em 
achados de pesquisa, sugerindo a necessidade de novas investigações.
 ■ Diálogo e Discussão: a interação com professores, enfermeiros experientes 
e colegas pode catalisara formulação de problemas de pesquisa, à medida 
que diferentes perspectivas enriquecem o processo de questionamento.
 ■ Inquietação Pessoal: a curiosidade e o senso crítico do pesquisador são 
impulsionadores importantes, transformando questionamentos pessoais 
em investigações científicas.
O problema de pesquisa é, portanto, o “porquê” geral da sua pesquisa, a razão 
pela qual você está investigando. Ele é mais abrangente. A pergunta de pesquisa, 
por outro lado, é o “o quê” específico que você vai investigar para tentar preen-
cher aquela lacuna ou resolver o problema. Ela é mais delimitada e operacional. 
A relação é de progressão: primeiro, você identifica um problema (uma área 
de preocupação) e, então, a partir desse problema, você formula uma ou mais 
perguntas de pesquisa para investigá-lo de forma sistemática. A pergunta é uma 
versão mais específica e questionável do problema.
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TEMA DE APRENDIZAGEM 7
Em resumo, o problema de pesquisa define a área de interesse, enquanto a per-
gunta de pesquisa direciona o foco da investigação dentro dessa área.
ELABORANDO A PERGUNTA DE PESQUISA
A pergunta de pesquisa não é um adorno, mas, sim, a interrogação central que 
define o que você vai investigar. Se o problema de pesquisa aponta para uma 
lacuna no conhecimento, a pergunta de pesquisa formaliza essa lacuna em um 
questionamento direto. É ela quem orientará cada etapa do seu estudo, desde 
a escolha da metodologia, que será adequada para responder a essa pergunta 
específica, até a análise dos dados e a interpretação dos resultados (Gil, 2017). 
Uma pergunta de pesquisa bem formulada é o 
que confere propósito à sua investigação. Ela delimi-
ta seu campo de atuação, direciona seus esforços e 
impede que você se perca em informações irrelevan-
tes. É ela quem orientará cada etapa do seu estudo. 
A formulação do problema de pesquisa é comumente apresentada na forma 
de uma pergunta, embora possa ser uma afirmativa que delineie a questão a ser 
investigada. Para problemas de natureza clínica, a estrutura PICOD é amplamente 
recomendada por sua clareza e abrangência (Methley et al., 2014):
• P — População/Paciente: quem é o grupo de interesse da pesquisa? (Exemplo: 
pacientes hospitalizados com úlcera por pressão).
• I — Intervenção: qual a intervenção ou exposição a ser investigada? (Exemplo: 
uso de coberturas especiais de silicone).
• C — Comparação: com o que a intervenção será comparada? (Exemplo: 
comparado com as coberturas convencionais).
• O — Outcome/Desfecho: qual o resultado esperado ou medido? (Exemplo: 
tempo de cicatrização da lesão).
• D — Design: quais procedimentos metodológicos e instrumentos de coleta de 
dados foram empregados na pesquisa?
Ela delimita seu campo 
de atuação, direciona 
seus esforços
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Aplicando o PICOD, um problema de pesquisa poderia ser: “Em pacientes hospi-
talizados com úlcera por pressão (P), o uso de coberturas especiais de silicone (I) 
reduz o tempo de cicatrização da lesão (O) de forma mais eficaz do que as coberturas 
convencionais (C) em um estudo qualitativo com abordagem fenomenológica (D)?”
A cuidadosa formulação do problema de pesquisa não é meramente uma 
etapa formal do processo acadêmico. Ela é a base para a geração de conhecimento 
que impulsiona o avanço da enfermagem como ciência e profissão. É por meio da 
pesquisa que as práticas de cuidado são embasadas em evidências, a segurança 
do paciente é aprimorada e a autonomia profissional é fortalecida. Ao investir 
na identificação e formulação de um problema de pesquisa relevante, você, 
futuro enfermeiro e pesquisador, contribui diretamente para a transformação e 
qualificação da assistência à saúde.
HIPÓTESES: A RESPOSTA PROVISÓRIA À SUA PERGUNTA 
DE PESQUISA
Depois de identificar e formular um problema e a pergunta de pesquisa, o 
próximo passo na sua jornada investigativa é pensar nas hipóteses. Imagine 
a hipótese como uma aposta informada, uma resposta provisória ou uma 
previsão para a sua pergunta de pesquisa. Ela é uma afirmação que você vai 
testar com a sua investigação.
Basicamente, uma hipótese é uma declaração formal sobre a relação esperada 
entre duas ou mais variáveis (Lakatos; Marconi, 2017). Ela não é uma pergunta, 
mas, sim, uma afirmação que pode ser comprovada ou refutada pelos dados que 
você vai coletar e analisar.
EXEMPLIFICANDO
Por exemplo, se o seu problema de pesquisa é: “A educação em saúde focada no 
autocuidado é mais eficaz na melhoria da adesão ao tratamento em pacientes 
com diabetes tipo 2 do que na educação tradicional?”, uma hipótese seria: “Pa-
cientes com diabetes tipo 2 que recebem educação em saúde focada no auto-
cuidado apresentarão maior adesão ao tratamento do que aqueles que recebem 
educação tradicional”. 
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TEMA DE APRENDIZAGEM 7
Perceba que a hipótese transforma a pergunta em uma afirmação testável. Existe 
a hipótese nula, que é a hipótese da “não diferença” ou “não relação”. Ela afirma 
que não há efeito, não há diferença ou não há relação entre as variáveis. No 
nosso exemplo, a hipótese nula seria: “Não há diferença na adesão ao tratamento 
entre pacientes com diabetes tipo 2 que recebem educação em saúde focada no 
autocuidado e aqueles que recebem educação tradicional”. Em termos estatísticos, 
segundo Martins (2002), é essa a hipótese que você tenta refutar. 
Já a hipótese de pesquisa (ou hipótese alternativa) é a hipótese que você 
realmente acredita que é verdadeira. Ela afirma que existe uma diferença, um 
efeito ou uma relação entre as variáveis. Pode ser direcional (indicando a direção 
da relação, como “maior que”, “menor que”) ou não direcional (apenas afirmando 
que existe uma diferença, sem especificar a direção). Por exemplo:
 ■ Direcional: “pacientes com diabetes tipo 2 que recebem educação em 
saúde focada no autocuidado apresentarão maior adesão ao tratamento 
do que aqueles que recebem educação tradicional”.
 ■ Não Direcional: “existe uma diferença na adesão ao tratamento entre 
pacientes com diabetes tipo 2 que recebem educação em saúde focada no 
autocuidado e aqueles que recebem educação tradicional”.
Geralmente, na pesquisa quantitativa, você começa formulando a hipótese 
nula e tenta encontrar evidências que a permitam ser rejeitada em favor da 
hipótese de pesquisa. 
As hipóteses são mais comuns em pesquisas quantitativas, especialmente 
aquelas que buscam relações de causa e efeito, comparações ou associações entre 
variáveis. Segundo Minayo (2014), se você está fazendo um estudo descritivo 
(apenas descrevendo um fenômeno) ou uma pesquisa qualitativa (explorando 
experiências e significados), talvez, não precise de hipóteses formais. Nesses 
casos, a pergunta de pesquisa é a sua principal guia. 
Uma boa hipótese deve ser (Martins, 2002):
 ■ Clara e concisa: fácil de entender e sem ambiguidades.
 ■ Testável: você deve conseguir coletar dados para verificar se ela é 
verdadeira ou falsa.
 ■ Específica: definir claramente as variáveis e a relação esperada.
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 ■ Plausível: baseada em conhecimento prévio ou observações lógicas.
 ■ Orientada para o problema: deve responder diretamente (mesmo que 
provisoriamente) à sua pergunta de pesquisa, oferecendo um foco claro 
para a investigação.
A hipótese é, essencialmente, sua resposta provisória e testável à pergunta de pes-
quisa. Ela transforma um questionamento em uma afirmação clara e específica 
sobre a relação esperada entre variáveis, servindo como a principal predição que 
seu estudo buscará confirmar ou refutar com evidências empíricas. É o que você 
aposta que vai encontrar.
CLASSIFICAÇÕES E TIPOS DE PESQUISA: UM GUIA ABRANGENTE
A pesquisa científica é uma jornada de descoberta e, para que essa jornada seja 
bem-sucedida, é fundamental entender os diferentes tipos de pesquisa e como 
eles se classificam. A escolha do tipo de pesquisa adequado impacta diretamente a 
metodologia, os resultados e a relevância do seu estudo (Lakatos; Marconi, 2003). 
Vamos explorar as principais classificações:1. Quanto à Finalidade. Essa classificação diz respeito ao propósito 
principal do estudo.
 ■ Pesquisa Básica, ou Fundamental: o objetivo é gerar conhecimento novo, 
expandir teorias e princípios gerais, sem uma aplicação prática imediata 
em mente. É a pesquisa “pela pesquisa”, buscando entender fenômenos.
 ■ Pesquisa Aplicada, ou Tecnológica: diferentemente da básica, essa pesquisa 
tem um propósito prático e busca solucionar problemas específicos ou 
desenvolver novas tecnologias. Ela utiliza o conhecimento gerado pela 
pesquisa básica para criar soluções concretas.
2. Quanto à Natureza. Essa categoria se refere à forma como os dados são 
coletados e à intervenção do pesquisador.
 ■ Pesquisa Observacional: o pesquisador não manipula variáveis ou interfere 
no fenômeno estudado. Ele apenas observa e registra o que acontece de forma 
natural. Exemplos incluem estudos de caso ou surveys (questionários).
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TEMA DE APRENDIZAGEM 7
 ■ Pesquisa Experimental: nessa abordagem, o pesquisador manipula uma 
ou mais variáveis (independentes) para observar seus efeitos sobre outras 
variáveis (dependentes). Há controle rigoroso das condições para estabe-
lecer relações de causa e efeito.
3. Quanto à Forma de Abordagem. Refere-se à maneira como os dados 
são analisados e interpretados, focando em números ou em significados.
 ■ Pesquisa Qualitativa: foca na compreensão aprofundada de fenômenos, 
comportamentos, opiniões e experiências. Não busca a generalização 
numérica, mas, sim, a riqueza dos detalhes e dos significados, utilizando 
dados, como entrevistas, grupos focais e observação participante.
 ■ Pesquisa Quantitativa: baseia-se na coleta e análise de dados numéricos 
para identificar padrões, testar hipóteses e fazer generalizações. Utiliza 
métodos estatísticos para analisar dados obtidos por meio de questioná-
rios estruturados, censos, entre outros. Pode ser descritiva, em que se des-
creve as características de uma população ou fenômeno, sem manipular 
variáveis, ou analítica, que vai além da descrição, buscando entender as 
relações entre variáveis, causas e efeitos.
4. Quanto aos Objetivos. Essa classificação está ligada ao grau de aprofun-
damento que a pesquisa busca.
 ■ Pesquisa Exploratória: tem como objetivo principal familiarizar-se com um 
tema ou fenômeno, levantar problemas e hipóteses ou desenvolver novas 
ideias. É frequentemente o primeiro passo em áreas pouco estudadas.
 ■ Pesquisa Explicativa: visa explicar as causas dos fenômenos, identificando 
as relações de causa e efeito entre variáveis. É a mais complexa e aprofun-
dada, buscando o “porquê”.
5. Quanto aos Procedimentos Técnicos. A classificação se refere às téc-
nicas e fontes de coleta de dados utilizadas.
 ■ Pesquisa Bibliográfica: realizada a partir de materiais já elaborados, 
como livros, artigos científicos, teses e dissertações. É fundamental para 
qualquer pesquisa, pois fornece o embasamento teórico.
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 ■ Pesquisa Documental: utiliza documentos primários ou secundários que 
não foram publicados ou que não tiveram tratamento analítico, como 
relatórios, cartas, diários, filmes etc.
 ■ Pesquisa de Laboratório: envolve a coleta de dados em um ambiente 
controlado, como um laboratório, permitindo a manipulação de variáveis 
e o teste de hipóteses em condições ideais.
 ■ Pesquisa de Campo: a coleta de dados ocorre no ambiente natural onde o 
fenômeno acontece (ex.: comunidades, empresas, escolas). Pode envolver ob-
servações, entrevistas, questionários aplicados diretamente aos participantes.
6. Quanto ao Desenvolvimento no Tempo. Essa classificação considera o 
período de tempo em que a pesquisa é conduzida e os dados são coletados.
 ■ Pesquisa Transversal: os dados são coletados em um único ponto no tempo 
ou em um curto período, oferecendo um “instantâneo” da situação estudada.
 ■ Pesquisa Longitudinal: ocorre ao longo de um período estendido, com a 
coleta de dados em diferentes momentos. Permite observar mudanças e 
tendências ao longo do tempo.
 ■ Pesquisa Prospectiva: acompanha um grupo de indivíduos ou fenômenos a 
partir do presente para o futuro, registrando eventos à medida que eles ocorrem.
 ■ Pesquisa Retrospectiva: analisa dados de eventos ou fenômenos que já 
ocorreram no passado, buscando entender as causas ou o desenvolvimento 
de uma situação presente.
Compreender essas classificações é um passo essencial para planejar e executar 
uma pesquisa eficaz, garantindo que suas escolhas metodológicas estejam alinha-
das com seus objetivos e com a natureza do problema que você busca investigar.
MÉTODOS QUANTITATIVO, QUALITATIVO E QUANTI-QUALI 
Vamos entender sobre como nasce e se estrutura uma pesquisa científica, espe-
cialmente nas ciências sociais e da saúde. Tudo começa com uma inquietação, 
um tema ou problema que nos provoca. Porém transformar essa inquietação em 
um objetivo de pesquisa exige mais do que inspiração: requer método, leitura 
crítica e planejamento.
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TEMA DE APRENDIZAGEM 7
A primeira etapa é situar o tema no tempo e no espaço. Para isso, fazemos uma 
revisão bibliográfica, que não é apenas juntar textos sobre o assunto, mas com-
preender como ele foi discutido ao longo do tempo, dentro de diferentes contextos. 
Essa revisão ajuda a construir o marco teórico, que nada mais é do que o conjunto 
de ideias, teorias e conceitos que vão fundamentar a nossa investigação (Sautu, 
2005). Nesse momento, é importante já pensarmos na abordagem metodológica:
Será que nossa pergunta de pesquisa pede um olhar quantitativo, qualitativo ou 
uma combinação dos dois, quanti-quali (método misto)?
PE N SA N DO JUNTOS
Na pesquisa quantitativa, buscamos medir e quantificar fenômenos. Ela está mui-
to associada ao paradigma positivista e pós-positivista, com foco em variáveis, 
indicadores mensuráveis e na análise estatística dos dados. Aqui, os objetivos 
são definidos com clareza desde o início, e os instrumentos de pesquisa mais 
comuns são questionários estruturados, censos e formulários padronizados, além 
da análise de conteúdo quantitativa.
Já na pesquisa qualitativa, o olhar é outro. O pesquisador procura compreender 
a experiência, os sentidos e os significados atribuídos pelos sujeitos. A base aqui 
está no paradigma construtivista ou interpretativo, e os instrumentos são mais 
abertos e flexíveis: entrevistas não estruturadas ou em profundidade, observação 
participante, grupos focais, diários de campo, análise de discurso, entre outros. O 
marco teórico qualitativo, ao contrário do quantitativo, vai se construindo junto à 
coleta e análise dos dados; ele é mais fluido, e a teoria emerge ao longo do processo.
E se a pesquisa exigir tanto compreensão de significados quanto mensura-
ção de dados? Aí entra a abordagem quanti-quali, que propõe articular os dois 
olhares. Essa integração pode acontecer de várias formas, seja aplicando métodos 
diferentes em etapas distintas da pesquisa, seja combinando os dados qualitativos 
e quantitativos para responder a uma mesma pergunta de pesquisa.
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O objetivo da pesquisa se conecta a tudo isso por meio da teoria, mas precisa con-
versar com a prática. Ele deve ser factível, ou seja, possível de ser executado com os 
métodos e instrumentos escolhidos. Ao formular os objetivos, é fundamental pen-
sar nas implicações metodológicas das teorias utilizadas. Por exemplo, se a pesquisa 
pretende analisar desigualdades sociais a partir de uma perspectiva crítica, isso 
implica escolher métodos que captem a estrutura social, como análises estatísticas 
multivariadas (no caso quantitativo) ou narrativas de vida (no caso qualitativo).
Já o desenho da pesquisa atua como um roteiro de viagem, ele define qual 
teoria será usada, qual metodologia orientará a produção de evidências e qual 
será a estratégia de análise. Na pesquisa quantitativa, esse design é mais fechado, 
define-se logo de início quais são as variáveis, como serão medidas, quem será 
estudado (amostra) e qual técnica estatísticaserá aplicada. Na qualitativa, o 
design é mais flexível e adaptável, pois os significados podem mudar ao longo 
do contato com os participantes e com os dados coletados.
E qual o papel dos instrumentos de pesquisa? Os instrumentos de pesquisa 
são os meios pelos quais os dados são produzidos. 
Em uma pesquisa quantitativa, podemos utilizar 
escalas de avaliação, formulários eletrônicos, ban-
cos de dados institucionais ou registros médicos, 
por exemplo. Para que esses instrumentos sejam 
válidos, precisamos transformar conceitos teóricos em variáveis operacionais, 
ou seja, aquilo que conseguimos de fato medir.
Na pesquisa qualitativa, os instrumentos incluem roteiros de entrevistas, protocolo 
de observação, documentos institucionais, registros audiovisuais e materiais culturais, 
ou seja, o foco está na interpretação dos dados, e não na sua quantificação.
E como fica a validade do que se produz? Seja em que abordagem for, é sem-
pre a teoria que dá sentido aos dados. No caso da pesquisa quantitativa, isso sig-
nifica confiar que os números representam fielmente os conceitos teóricos (como 
saúde mental, adesão ao tratamento, bem-estar). Já na qualitativa, os dados são 
vistos como construções sociais, e a validade está na coerência interpretativa, na 
transparência do processo de análise e no diálogo com os sujeitos pesquisados.
Por fim, toda pesquisa nasce de uma pergunta, mas precisa caminhar de 
forma rigorosa para oferecer respostas úteis e confiáveis, seja quantitativa, qua-
litativa ou quanti-quali, cada abordagem tem suas forças, limites e exigências. 
Podemos utilizar 
escalas de avaliação, 
formulários eletrônicos
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TEMA DE APRENDIZAGEM 7
NOVOS DESAFIOS
A pesquisa em saúde está em constante evolução, impulsionada por avanços 
tecnológicos e uma crescente complexidade dos desafios de saúde globais. 
Nesse cenário dinâmico, novos desafios surgem, exigindo que pesquisadores 
e instituições repensem suas abordagens e metodologias para garantir que o 
conhecimento gerado seja relevante, ético e impactante.
Um dos campos mais promissores e, ao mesmo tempo, desafiadores é a 
Inteligência Artificial (IA) e o Big Data. A capacidade de processar e analisar 
vastos volumes de dados de saúde promete revelar padrões e percepções que 
antes eram invisíveis. No entanto o grande desafio reside em como integrar e 
utilizar essas ferramentas de IA de forma ética, garantindo a privacidade e a 
segurança dos dados dos pacientes e validando a confiabilidade dos algoritmos. 
Outro pilar fundamental para a pesquisa do futuro é a Pesquisa Multi-
disciplinar e Interprofissional. A saúde, por sua natureza, é um campo que 
transcende as fronteiras de uma única disciplina. O desafio aqui é romper as 
barreiras de linguagem e metodologia entre diferentes áreas do conhecimento, 
A escolha da abordagem depende da natureza da pergunta e da forma como o 
pesquisador concebe a realidade que quer investigar. O importante é manter a 
coerência entre teoria, objetivo, metodologia e instrumentos e lembrar sempre 
que a boa pesquisa é aquela que, com ética e método, ajuda-nos a compreender 
melhor o mundo em que vivemos.
Gostou do que discutimos até aqui? Tenho mais para conversar 
com você a respeito deste tema. Vamos lá?
E M FOCO
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https://vimeo.com/1119443150/0d371edadf
promovendo uma colaboração efetiva entre profissionais de saúde, engenhei-
ros, cientistas de dados, sociólogos e outros, para abordar os problemas de saú-
de de forma verdadeiramente holística e integrada. Somente assim poderemos 
construir soluções mais completas e eficazes.
A disseminação e aplicação rápida do conhecimento são um gargalo histó-
rico. Não basta produzir conhecimento; é preciso que ele chegue rapidamente à 
prática clínica e às políticas de saúde. O grande desafio é encurtar o tempo entre 
a descoberta científica e sua aplicação real, superando as barreiras de comunica-
ção e implementação que, muitas vezes, atrasam a translação dos achados para 
benefício direto da população.
Em um mundo em constante transformação, a validade e a confiabilidade 
em contextos de mudança rápida são uma preocupação crescente. Cenários 
de saúde que evoluem de forma acelerada, como pandemias ou mudanças 
demográficas significativas, exigem que os desenhos de pesquisa sejam fle-
xíveis e adaptáveis. O desafio é manter o rigor metodológico e a validade dos 
achados, garantindo que as conclusões sejam robustas mesmo diante de um 
ambiente em constante mutação.
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1. Quando você identifica que uma inquietação pode ser transformada em um questionamento 
científico, inicia o percurso de quem busca promover mudanças por meio do saber. Essa 
dúvida se transforma em um instrumento de orientação, direciona suas leituras, suas 
escolhas e o desenvolvimento do seu projeto. E o mais importante: é você quem conduz 
esse processo (Gil, 2008).
Com base no texto, identifique a alternativa que melhor expressa a finalidade do problema 
de pesquisa no desenvolvimento científico em enfermagem.
a) O problema de pesquisa é uma descrição detalhada do método estatístico a ser aplicado 
após a coleta de dados.
b) O problema de pesquisa corresponde à justificativa teórica do projeto e deve ser 
formulado somente após a conclusão da análise. 
c) O problema de pesquisa é uma questão específica e pontual, usada exclusivamente para 
a escolha dos instrumentos de coleta. 
d) O problema de pesquisa orienta a elaboração de toda a investigação, pois identifica uma 
lacuna no conhecimento que será explorada. 
e) O problema de pesquisa é substituído pela pergunta de pesquisa e não tem impacto na 
relevância da investigação. 
2. A hipótese é uma proposição provisória que o pesquisador formula com base no problema 
de pesquisa, na literatura e em sua observação da realidade. Ela expressa uma possível 
explicação ou relação entre variáveis e deverá ser testada ao longo do estudo. Em pesquisas 
quantitativas, a hipótese é mais comum e geralmente assume a forma de afirmações que 
serão confirmadas ou refutadas a partir da análise dos dados. Embora nem toda pesquisa 
exija hipóteses formais, sua formulação é importante porque contribui para o direcionamento 
dos objetivos, da coleta de dados e da interpretação dos resultados. Uma boa hipótese 
deve ser clara, testável e estar em consonância com o problema identificado (Gil, 2008).
Com base nas informações apresentadas, analise as afirmativas a seguir:
I - A hipótese é uma suposição que o pesquisador estabelece antes de iniciar a investigação 
e que será confirmada ao final do estudo.
II - Em pesquisas quantitativas, a formulação de hipóteses contribui para organizar o 
raciocínio científico e orientar o teste de relações entre variáveis.
III - Uma hipótese bem formulada precisa ser clara, testável e relacionada ao problema 
de pesquisa.
IV - A hipótese deve ser baseada em achismos e experiências pessoais, já que não precisa 
ter vínculo com dados prévios.
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É correto o que se afirma em:
a) I, apenas.
b) II e IV, apenas.
c) III e IV, apenas.
d) I, II e III, apenas.
e) I, II, III e IV.
3. Ao elaborar uma pergunta de pesquisa, é essencial observar características que garantam 
sua qualidade. Esses aspectos ajudam a construir uma investigação sólida, útil e aplicável 
à prática profissional. Ao elaborar uma pergunta de pesquisa, é essencial observar 
características que garantam sua qualidade. Esses aspectos ajudam a construir uma 
investigação sólida, útil e aplicável à prática profissional. Além disso, é importante que 
desperte interesse, tanto para quem conduz o estudo quanto para a comunidade científica, 
garantindo engajamento ao longo do processo (Hulley et al., 2003).
Com base nas informações apresentadas, avalie as asserções a seguir e a relação proposta 
entre elas:
I - A formulação cuidadosa da pergunta de pesquisa contribui diretamente para a relevância 
e aplicabilidade dos resultados do estudo.
PORQUE
II - Ao descrever critérios que ajudama identificar se uma pergunta de pesquisa é adequada, 
o acrônimo FINER destaca aspectos relevantes para a qualidade do estudo.
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta:
a) As asserções I e II são verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I.
b) As asserções I e II são verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I.
c) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
d) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
e) As asserções I e II são falsas.
AUTOATIVIDADE
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REFERÊNCIAS
GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2008.
HULLEY, S. B. et al. Delineando a pesquisa clínica: uma abordagem epidemiológica. 2. ed. Porto 
Alegre: Artmed, 2003.
LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. de A. Fundamentos de metodologia científica. 5. ed. São 
Paulo: Atlas, 2003.
MARTINS, G. de A. Princípios de Estatística. São Paulo: Atlas, 2002.
METHLEY, A. M. et al. PICO, PICOS and SPIDER: a comparison study of specificity and sensitivity in 
three search tools for qualitative systematic reviews. BMC health services research, v. 14, n. 1, p. 
1-10, 2014. Disponível em: https://bmchealthservres.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12913-
014-0579-0. Acesso em: 8 jul. 2025.
MINAYO, M. C. de S. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 14. ed. São 
Paulo: HUCITEC, 2014. 407 p.
SAUTU, R. Todo es teoria-objetivos y métodos de investigación. Buenos Aires: Lumiere, 2005. 
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1. Alternativa D.
A alternativa D está correta, pois o texto enfatiza que o problema de pesquisa é o ponto 
de partida da investigação e exerce papel central na construção do projeto. Ele representa 
uma lacuna que orienta as decisões sobre objetivos, metodologia e análise. A alternativa A 
está incorreta, pois o problema não trata de métodos estatísticos, mas de questões a serem 
respondidas. A alternativa B está incorreta, pois o problema é formulado no início da pesquisa, 
não após a análise. A alternativa C está incorreta, pois o problema não se resume à escolha 
de instrumentos de coleta, mas guia toda a pesquisa. A alternativa E está incorreta, pois o 
problema não é substituído, mas, sim, complementado pela pergunta de pesquisa.
2. Alternativa D.
A afirmativa I está correta, pois a hipótese é uma suposição inicial que será verificada com 
base nos dados coletados e analisados. A afirmativa II está correta, pois, em pesquisas 
quantitativas, as hipóteses orientam a análise estatística e a verificação de relações entre 
variáveis. A afirmativa III está correta, poia a clareza, a testabilidade e o vínculo com o problema 
são características fundamentais de uma boa hipótese. A afirmativa IV está incorreta, pois 
a hipótese deve ser fundamentada em evidências teóricas e empíricas, não em achismos.
3. Alternativa A.
A asserção I afirma que a formulação cuidadosa da pergunta melhora a relevância e 
aplicabilidade dos resultados. A asserção II explica como essa formulação cuidadosa pode 
ser feita, apresentando o FINER como um guia prático que ajuda a garantir critérios de 
qualidade na elaboração da pergunta. Em outras palavras, a aplicação do FINER é um meio 
concreto pelo qual se alcança o que é afirmado na I.
GABARITO
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MINHAS METAS
ANÁLISE DE DADOS EM PESQUISA
Identificar os métodos de análise qualitativo.
Conhecer os métodos de análise quantitativo.
Saber como organizar a análise dos dados.
Reconhecer ferramentas e aplicativos para análise de dados qualitativos.
Explorar ferramentas e aplicativos para análise de dados qualitativos.
Distinguir os diferentes métodos para aplicar na realidade da assistência.
Detectar como uma Junk Science prejudica a ciência.
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INICIE SUA JORNADA
Se você é estudante de Enfermagem, provavelmente, já se deu conta de como o 
trabalho do enfermeiro não se resume ao cuidado direto ao paciente. Ele também 
envolve analisar, refletir e tomar decisão sobre o que fazer para atender melhor 
cada pessoa, cada família e cada comunidade. 
É exatamente para responder a essas dúvidas que a avaliação de dados entra 
em cena. Parece complexo? Na realidade, é algo que faz parte do nosso dia 
a dia na Enfermagem. Sempre que observamos um paciente, anotamos suas 
queixas, compartilhamos opiniões com a equipe ou contamos o número de 
pacientes que melhoraram depois de um tratamento, estamos tentando com-
preender uma situação a partir de informações. A avaliação de dados consiste 
exatamente em usar métodos específicos para organizar, analisar e interpretar 
essas informações de forma científica.
O enfermeiro deve realizar suas ações a partir de evidências, ou seja, de dados 
obtidos de forma organizada, e é exatamente nesse ponto que surgem algumas 
reflexões importantes. Por que será que, apesar de coletarmos tantos dados no 
nosso dia a dia, ainda temos dificuldades para usá-los de forma efetiva? Por que, 
às vezes, determinados problemas na assistência permaneceram ao longo do 
tempo, apesar de toda a informação que temos?
Isso revela que não basta ter dados, é preciso saber como interpretá-los, como 
relacioná-los ao contexto do cuidado e como transformá-los em conhecimento 
para tomada de decisão. É preciso ir além de números e registros, é preciso 
refletir sobre o que esses dados representam na realidade da assistência e como 
se relacionam às necessidades das pessoas envolvidas, como os pacientes, as 
famílias, as comunidades e também a equipe de Enfermagem.
VOCÊ SABE RESPONDER?
Mas como saber o que está funcionando na assistência, o que precisa ser 
melhorado ou como provar que determinada abordagem deu resultado?
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TEMA DE APRENDIZAGEM 8
Ainda temos de considerar outras dificuldades. Por exemplo: como garantir a 
confiabilidade das informações que coletamos? Como minimizar a subjetividade 
na hora de registrar determinados achados? Como assegurar que o que estamos 
mensurando corresponde, de fato, ao que queríamos saber?
Essas dúvidas mostram que o caminho da avaliação de dados não é simples. 
Ele envolve uma combinação de conhecimento técnico, senso crítico, ética e 
responsabilidade. É preciso saber fazer as perguntas certas, eleger o que é rele-
vante, registrar de forma fiel o que foi observado e, depois, usar tudo isso para 
melhorar a assistência. 
DESENVOLVA SEU POTENCIAL
Você já percebeu então que o nosso trabalho não se limita ao cuidado direto 
ao paciente. Ele também envolve questionar, analisar e compreender o que está 
acontecendo na assistência, para que possamos atender cada pessoa da melhor 
Junk science na área da saúde? Descubra como ela engana, 
confunde e prejudica a ciência. Neste episódio, vamos descom-
plicar o assunto para você, futuro enfermeiro, fazer a diferença!
PLAY N O CONHECIMENTO
VAMOS RECORDAR?
Neste vídeo, vamos rever a diferença entre pesquisa 
qualitativa e quantitativa, para você consolidar o aprendi-
zado e usar o melhor caminho no seu TCC.
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https://on.soundcloud.com/M94EmXSy2l6yFbLBiv
https://www.youtube.com/watch?v=cgCgTfNzTl0
forma. Uma das maneiras de fazer isso é coletar e usar dados, transformando 
o que observamos na prática em informações que ajudam tanto na avaliação 
quanto na tomada de decisão.
Vamos olhar para os métodos de análise de dados qualitativos, que ajudam a 
compreender o porquê das ações, das opiniões e das experiências compartilhadas 
pelos pacientes e pelos membros da equipe. Vamos também explorar o método 
de análise de dados quantitativos, que proporciona uma visão mais numérica e 
mensurável da realidade, mostrando, por exemplo, quantos pacientes se recuperaram 
depois de um tratamento ou quanto tempo permaneceram hospitalizados.
E como fazer tudo isso na prática? É aí que entram as ferramentas e os aplica-
tivos para a análise de dados. Eles vêm para facilitar o nosso trabalho, organizan-
do as informações, auxiliando nas contagens, nas comparações e na avaliação de 
resultados, tanto qualitativos quantoquantitativos. Dessa forma, podemos usar 
a tecnologia como aliada na hora de apoiar nossas ações de cuidado e de buscar 
uma assistência cada dia melhor.
MÉTODOS DE ANÁLISE DE DADOS QUALITATIVOS
Você, provavelmente, já ouviu dizer que nem tudo na Enfermagem pode ser medido 
com números, não é? Por trás de cada paciente, de cada família e de cada situação 
clínica existem experiências, percepções, sentimentos, crenças e valores que também 
ajudam a dizer como o cuidado está sendo realizado. É exatamente para compreender 
essas dimensões que existem os métodos de avaliação de dados qualitativos.
Em outras palavras, a análise qualitativa se relaciona ao estudo de dados 
não numéricos, como textos de entrevistas, gravações de conversas, anotações 
de observação, diários de pacientes e outras fontes que ajudam a dar voz às 
pessoas envolvidas no cuidado. Dessa forma, ao invés de focar na quantidade, 
ela se relaciona principalmente à qualidade, ao significado e ao contexto das 
experiências compartilhadas (Minayo, 2014).
Por que usar métodos qualitativos na Enfermagem? Usar métodos qualitativos 
na Enfermagem é importante porque nos proporcionam uma compreensão mais 
profunda e humana do cuidado. Por exemplo:
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TEMA DE APRENDIZAGEM 8
EXEMPLIFICANDO
Revelam como o paciente vivenciou o período de internação, suas dificuldades, 
suas emoções e suas expectativas.
Revelam também a visão da equipe de Enfermagem sobre determinados proce-
dimentos, suas opiniões a respeito do trabalho, suas estratégias para atender às 
necessidades de cada paciente e até suas sugestões para a melhoria do serviço.
Fortalecem o modelo de assistência centrado na pessoa, considerando tanto o 
ponto de vista de quem recebe o cuidado quanto o de quem o presta.
Sendo assim, ao usar métodos qualitativos, o enfermeiro consegue ir além de 
números e índices, chegando à essência da experiência humana envolvida no 
cuidado. Isso proporciona uma avaliação mais completa, que revela tanto o que 
funciona quanto o que precisa ser modificado na assistência de Enfermagem.
Agora, vamos pensar em como podemos estruturar os dados coletados. A 
análise de dados qualitativos vai além da simples organização. É um processo que 
envolve a imersão nos materiais, a identificação de padrões, temas recorrentes e 
categorias emergentes com o objetivo de construir significados e compreender 
a complexidade dos fenômenos. Essa etapa exige sensibilidade, atenção aos de-
talhes e uma compreensão profunda das abordagens interpretativas que podem 
ser aplicadas. Seja utilizando a análise de conteúdo, a análise temática ou a teoria 
fundamentada, o foco é sempre o mesmo: extrair o máximo valor dos dados para 
que eles revelem as experiências, percepções e realidades dos participantes de 
forma precisa e rica (Minayo, 2014).
Ao longo desse processo, você pode se deparar com surpresas. Entrevis-
tas que pareciam desconexas podem, na verdade, revelar novos ângulos de 
visão. Da mesma forma, algumas expectativas iniciais podem ser redefinidas, 
enquanto outras perspectivas se mostram mais presentes do que o esperado. 
Essa flexibilidade e abertura a novas compreensões são essenciais, pois a análise 
de dados é um ciclo iterativo. Muitas vezes, a primeira leitura dos dados leva 
a novas indagações, que, por sua vez, podem sugerir a busca por mais depoi-
mentos ou uma reavaliação dos registros existentes, refinando continuamente 
a compreensão sobre o tema em questão.
A análise de dados em pesquisas qualitativas difere dos procedimentos quan-
titativos, pois não existem fórmulas ou receitas predefinidas para orientar os pes-
quisadores, dependendo muito da capacidade e do estilo do próprio investigador.
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Algumas abordagens e princípios da análise qualitativa incluem:
Etapas de Análise (Miles; Huberman, 1994): 
 ■ Redução: processo de seleção e simplificação dos dados brutos, trans-
formando-os em sumários organizados por temas ou padrões. Envolve 
seleção, focalização, simplificação, abstração e transformação.
 ■ Exibição: organização dos dados selecionados, de forma a permitir a 
análise sistemática de semelhanças, diferenças e inter-relacionamentos. 
Pode ser feita por meio de textos, diagramas, mapas ou matrizes.
 ■ Conclusão/Verificação: revisão dos dados para compreender seu sig-
nificado, regularidades, padrões e explicações. A verificação implica 
testar a credibilidade, defesa e capacidade das conclusões para suportar 
explicações alternativas.
Com essas estratégias, você consegue dar uma organização ao seu material de for-
ma clara e consistente. Contudo é importante dizer que a avaliação de dados na 
abordagem qualitativa não segue um caminho totalmente rigidamente estabeleci-
do. Na realidade, ela é um processo dinâmico, que se relaciona tanto com a forma 
como o pesquisador coleta as informações quanto com a maneira como ele as in-
terpreta. É nesse contexto que entram os princípios orientadores de Tesch, que aju-
dam o pesquisador a conduzir a avaliação de forma reflexiva, tentando ao máximo 
permanecer fiel ao significado compartilhado pelos participantes da investigação.
Princípios Orientadores (Tesch, 1990): 
 ■ A análise não é a última fase, mas é cíclica e concomitante à coleta de 
dados, iniciando-se já na própria coleta.
 ■ O processo é sistemático e abrangente, mas não rígido, terminando 
quando novos dados não acrescentam mais informações (saturação).
 ■ Inclui uma atividade reflexiva com notas de análise que guiam o 
processo conceitual.
 ■ Os dados são segmentados em unidades relevantes e significativas, mantendo 
conexão com o todo, com o objetivo de promover uma explicação.
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TEMA DE APRENDIZAGEM 8
 ■ As categorias são estabelecidas de forma predominantemente indutiva a 
partir dos próprios dados, sendo flexíveis e preliminares no início.
 ■ A comparação é a principal ferramenta intelectual, utilizada em diversos 
momentos para estabelecer categorias, definir sua amplitude, sumariar 
conteúdo e testar hipóteses.
 ■ A manipulação dos dados é eclética, não havendo uma única maneira de 
fazê-la, permitindo a criatividade do pesquisador.
 ■ Os procedimentos não são científicos nem mecanicistas; a interpretação 
desempenha um papel importante.
 ■ O resultado final é uma síntese de nível mais alto, buscando um 
quadro mais amplo e coerente, como a construção de uma teoria 
fundamentada nos dados. 
Em suma, ao aplicar esses princípios orientadores, o pesquisador consegue con-
duzir uma avaliação de dados que respeita tanto a complexidade das experiências 
compartilhadas quanto a riqueza do contexto em que ocorrem. Dessa forma, o 
conhecimento gerado não é apenas um fim em si mesmo, mas um ponto de par-
tida para reflexões, mudanças na prática clínica e melhorias no cuidado de En-
fermagem. Assim, o caminho da avaliação de dados qualitativos revela-se como 
um instrumento importante para a compreensão da realidade da assistência e 
para o desenvolvimento de uma prática baseada em evidências.
Principais métodos de avaliação de dados qualitativos
Agora que já entendemos como o processo de avaliação de dados qualitativos se re-
laciona tanto ao estilo do pesquisador quanto às diretrizes que ele segue, vale a pena 
conhecer algumas das estratégias mais utilizadas na prática. Esses métodos ajudam 
o enfermeiro-pesquisador a organizar, interpretar e dar sentido às experiências com-
partilhadas pelos participantes, transformando o que foi coletado em conhecimento 
relevante para o cuidado, o ensino e a administração em Enfermagem. A seguir, va-
mos explorar algumas das principais alternativas de avaliação de dados qualitativos.
A análise de conteúdo consiste em organizar, categorizar e interpretar o que 
os participantes disseram, tentando encontrar determinados temas recorrentes, 
que ajudam o pesquisador a compreender o fenômeno como um todo. É como 
se ele “mergulhasse” nas falas para encontrar o que se destaca.
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Bardin (2011) propõe algumas fases nesse caminho: a pré-análise,a exploração 
do material e o tratamento de resultados. Na pré-análise, o pesquisador faz uma 
leitura flutuante para se familiarizar com o texto. Na exploração, ele codifica o 
material, agrupando mensagens semelhantes. Por fim, ele faz o tratamento e a 
interpretação, tentando dar um significado ao que foi categorizado.
A análise de discurso quer ir além do que o texto diz na superfície. Busca 
compreender como determinados discursos representam relações de poder, 
ideologias e posições compartilhadas pelo grupo envolvido. Na Enfermagem, 
pode ajudar a refletir sobre como pacientes e enfermeiros percebem o cuidado, 
suas responsabilidades e suas dificuldades (Orlandi,1999).
A análise fenomenológica quer dizer: ir ao cerne da experiência vivida. 
Busca captar como o paciente, o enfermeiro ou o cuidador vivenciam determi-
nados fenômenos (como dor, doença, cuidado). Por meio de uma abordagem 
descritiva, o pesquisador revela o significado que a experiência possui para 
cada pessoa (Holanda, 2016).
A análise temática consiste em identificar, organizar e interpretar determi-
nados temas recorrentes nas mensagens compartilhadas pelos participantes. É 
particularmente útil para destacar o que determinados grupos consideram im-
portante, compartilhado ou relevante nas suas experiências (Braun; Clarke, 2006). 
Em outras pala-
vras, esses métodos 
de avaliação de dados 
qualitativos são como 
ferramentas que aju-
dam o enfermeiro a 
escutar, compreender 
e dar forma às expe-
riências compartilha-
das pelos pacientes, 
pelas famílias e tam-
bém pelos membros 
da equipe de Enfer-
magem. Cada um des-
ses caminhos, seja a 
Análise de Conteúdo, 
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de Discurso, Fenomenológica ou Temática, proporciona uma maneira especial 
de olhar para o que as pessoas vivenciaram, tentando captar o que é importante 
para elas, o que faz sentido nas suas histórias e como tudo isso se relaciona ao 
cuidado de Enfermagem. 
Assim, ao usar esses métodos, o pesquisador consegue ir além de números 
e índices, chegando ao olhar subjetivo, compartilhando uma compreensão 
mais humana e relevante, que fortalece tanto o cuidado ao paciente quanto o 
aprendizado, a avaliação e a melhoria permanente da prática de Enfermagem.
Ferramentas e aplicativos para análise de dados qualitativos
Com o avanço da tecnologia, o enfermeiro-pesquisador não precisa fazer toda a 
organização e avaliação de dados qualitativos só no papel. Ele pode usar algumas 
ferramentas e aplicativos específicos para facilitar o trabalho de armazenar, 
codificar, categorizar e interpretar o que os participantes compartilharam nas 
entrevistas, nas observações ou nas mensagens de grupos focais.
Essas ferramentas ajudam a organizar o grande volume de dados, encontrar 
determinados conteúdos, marcar trechos específicos e fazer relações entre 
diferentes categorias. Isso torna o processo de avaliação mais ágil, preciso e claro, 
principalmente quando temos um número maior de participantes ou muito 
material para trabalhar. Vamos conhecer algumas das alternativas mais utilizadas 
na avaliação de dados qualitativos:
ATLAS TI
É um software destinado à organização e avaliação de textos, gravações de áudio, ví-
deos e imagens. Ele proporciona recursos para você codificar determinados trechos, 
categorizá-la, relacionar esses conteúdos e preparar relatórios. Dessa forma, o Atlas.
ti torna o trabalho de avaliação mais dinâmico e preciso, auxiliando o pesquisador a 
encontrar padrões, conexões e relações nos dados.
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Ainda existem outras alternativas, algumas gratuitas, como o Taguette, que é open 
source (código aberto) e destinado a codificar textos de forma simples, sendo 
particularmente acessível para estudantes que estão começando a usar métodos 
qualitativos. Ainda temos o Dedoose, o Transana, entre outras alternativas, cada 
uma com suas particularidades e recursos específicos. 
Em suma, o uso de ferramentas e aplicativos na avaliação de dados qualitativos 
não substitui o olhar do pesquisador, mas proporciona recursos que ajudam a 
organizar o trabalho, identificar padrões, agilizar o processo de avaliação e dar 
uma base mais consistente às interpretações. Dessa forma, o futuro enfermeiro 
consegue focar no que é mais importante: compreender a realidade vivida 
pelos pacientes, pelas comunidades e pelos próprios membros da equipe de 
Enfermagem, tentando encontrar caminhos para atender às necessidades de 
forma cada vez mais humana, compartilhada e baseada em evidências.
MÉTODOS DE ANÁLISE DE DADOS QUANTITATIVOS
Agora que já falamos sobre como a avaliação de dados qualitativos funciona, 
é hora de focar na análise de dados quantitativos. Na Enfermagem, o 
NVIVO
Muito utilizado na pesquisa qualitativa, o NVivo proporciona uma plataforma onde você 
consegue armazenar diferentes tipos de dados (como textos de entrevistas, gravações, 
redes sociais, documentos PDF etc.). Ele também oferece recursos para categorizar, 
fazer anotações, marcar trechos relevantes e, depois, preparar relatórios e visualizações 
que ajudam a compreender o fenômeno que você quer estudar.
MAXQDA
O MaxQDA é um software destinado tanto à avaliação de dados qualitativos quanto mistos 
(qualitativos e quantitativos). Ele proporciona ferramentas para organização, categorização, 
criação de mapas mentais e redes semânticas, sendo particularmente útil para trabalhar 
com grandes volumes de texto, como várias transcrições de entrevistas ao mesmo tempo. 
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método quantitativo é usado principalmente para trabalhar com números, 
frequências, médias, porcentagens e outras medidas que ajudam a dizer com 
clareza o que aconteceu, com que frequência aconteceu e qual a intensidade 
de determinados fenômenos. Em outras palavras, ele responde a perguntas, 
como: quantos pacientes melhoraram depois de um tratamento? Quantos 
permaneceram hospitalizados depois de determinada doença? Qual é a 
média de idade de um grupo de pacientes?
Essa etapa exige atenção aos detalhes e uma compreensão profunda dos 
métodos estatísticos e das ferramentas que podem ser aplicadas. Seja utili-
zando softwares complexos ou planilhas simples, o foco é sempre o mesmo: 
extrair o máximo valor dos dados para que eles contem a história da sua 
pesquisa de forma precisa (Polit; Beck, 2019).
Ao longo desse processo, você pode se deparar com surpresas. Dados que 
pareciam não ter relação podem, na verdade, revelar resultados importantes. Da 
mesma forma, algumas hipóteses iniciais podem ser derrubadas, enquanto outras 
se mostram mais fortes do que o esperado. Essa flexibilidade e abertura a novas 
descobertas são essenciais, pois a análise de dados é um ciclo iterativo. Muitas 
vezes, a primeira análise leva a novas perguntas, que, por sua vez, exigem a coleta 
de mais dados ou uma reavaliação dos dados existentes, refinando continuamente 
o entendimento sobre o tema em questão.
Estatística descritiva
É o ponto de partida na avaliação de dados numéricos. Com ela, você consegue 
resumir e apresentar o conjunto de dados de forma simples e organizada 
(Rodrigues; Lima; Barbosa, 2017). 
 ■ Médias (como a média de idade de um grupo de pacientes).
 ■ Mediana (o valor que fica exatamente no meio).
 ■ Moda (o valor que aparece com mais frequência).
 ■ Desvios-padrão e variância (que ajudam a dizer quanto os valores estão 
concentrados ou dispersos).
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TESTE DE HIPÓTESES INDICAÇÕES DO TESTE ESTATÍSTICO
t de Student
Comparar médias de dois grupos cujos dados 
apresentaram distribuição normal
Amostras independentes ou amostras relacionadas
Anova
Comparar média de mais de dois grupos cujos dados 
apresentaram distribuição normal
Amostras independentes ou amostras relacionadas
Qui-quadrado
Analisar dados nominais de mais de 40 participantes 
independentemente da distribuição dos dados
Amostras independentes
Exato de Fisher
Analisar dados nominais de até 40 participantes 
independentemente da distribuição dos dados
Amostrasindependentes
U de Mann-Whitney
Analisar dados escalares e ordinais de dois grupos 
independentemente da distribuição dos dados
Amostras independentes
Estatística Inferencial
Vai além da simples organização de números. Com ela, você consegue tirar 
conclusões sobre uma população a partir de uma amostra, tentando dizer se o 
que você observou provavelmente vale para todos. A tabela, a seguir, proporciona 
uma referência geral para determinar qual teste estatístico utilizar.
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Ferramentas e aplicativos para análise de dados 
quantitativos
A análise de dados quantitativos é essencial para a interpretação objetiva de 
informações numéricas em pesquisas científicas, sociais e mercadológicas. 
Para isso, diversas ferramentas e aplicativos vêm sendo amplamente utilizados, 
proporcionando agilidade, precisão e visualizações avançadas.
Softwares, como Excel, SPSS, R e Python, auxiliam na organização, tratamento 
estatístico e interpretação dos dados, tornando-se aliados fundamentais na 
tomada de decisões baseadas em evidências. Com o avanço da tecnologia, o 
domínio dessas ferramentas tornou-se uma competência indispensável para 
pesquisadores e profissionais de diversas áreas.
 ■ Microsoft Excel: é um programa de planilhas muito utilizado tanto na 
academia quanto no trabalho. Ele faz cálculos, grava fórmulas automati-
camente, relaciona diferentes grupos de dados e ainda consegue preparar 
gráficos e tabelas para facilitar a visualização. Útil para análises descriti-
vas, como média, desvio-padrão, percentual e outras.
Postos sinalizados de 
Wilcoxon
Analisar dados escalares e ordinais de dois grupos 
independentemente da distribuição dos dados
Amostras relacionadas
Kruskal-Wallis
Analisar dados escalares e ordinais de mais de dois grupos 
independentemente da distribuição dos dados
Amostras independentes
Kolmogorov-Smirnov
Verificar se dados são da mesma população
Amostras independentes
Quadro 1 – Referência para a escolha do teste estatístico mais adequado. 
Fonte: Rodrigues, Lima e Barbosa (2117, p. 121).
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 ■ IBM SPSS (Statistical Package for the Social Sciences): é um software 
destinado à avaliação de dados. Ele cobre tanto a análise descritiva quanto 
a inferencial, sendo particularmente útil para aplicar testes de hipótese, 
análises de correlação, regressão e outras métodos específicos de avaliação. 
Uma das vantagens é a interface gráfica, que torna o uso mais intuitivo.
 ■ SAS (Statistical Analysis System): é um software robusto, destinado 
ao tratamento e à avaliação de grandes volumes de dados. Ele é muito 
utilizado nas áreas da saúde, principalmente na epidemiologia, pelo setor 
governamental e organizações hospitalares. Ele consegue trabalhar tanto 
análises descritivas quanto multivariadas, aplicar modelos de regressão, 
realizar análises de sobrevivência, série temporal e outras metodologias 
avançadas. Por ser pago e possuir uma linguagem de programação própria, 
ele apresenta uma curva de aprendizado maior, sendo, porém, uma das 
alternativas mais confiáveis e completas para a avaliação de dados.
 ■ R: é uma linguagem de programação e um software gratuito destinado à 
avaliação de dados. Ele proporciona maior liberdade, sendo usado tanto 
para análises simples quanto para métodos muito específicos, como 
modelos multivariados, redes neurais e outras aplicações avançadas. É 
preciso um treinamento especializado para usar, principalmente, para 
escrever determinados códigos, mas ele é muito poderoso e atualizado.
 ■ JAMOVI: é um programa gratuito, de código aberto, criado para facilitar a 
avaliação de dados. Ele possui uma interface gráfica moderna, sendo mais 
simples que o R, porém compartilhando o poder da mesma base estatística. 
Uma alternativa ao SPSS para ensino, pelo custo zero e pelo uso intuitivo.
 ■ JASP: com uma abordagem também open source, o JASP proporciona 
uma análise estatística robusta e relativamente simples de usar. Ele cobre 
tanto métodos descritivos quanto algumas hipóteses inferenciais. Uma 
alternativa para fazer uma avaliação de forma gráfica, simples e gratuita.
Em outras palavras, usar essas ferramentas para analisar seus dados faz toda 
a diferença para você, como futuro enfermeiro. Elas ajudam tanto a organizar 
quanto a entender melhor as informações que você coleta, sendo muito úteis 
para tomar decisões, preparar o seu TCC ou compartilhar o resultado de uma 
investigação para outras pessoas.
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TEMA DE APRENDIZAGEM 8
Com o uso desses recursos, você consegue apoiar suas ações por meio da ciência 
e transformá-las em evidências, ao invés de fazer tudo apenas pelo que acha ou 
pelo que vivenciou. 
NOVOS DESAFIOS
É importante dizer que o caminho não para por aqui. Você, futuro enfermeiro, 
será cada vez mais desafiado a usar essas habilidades para atender às demandas 
da profissão, que estão sempre mudando e se tornando mais complexas. Isso 
quer dizer que o enfermeiro do futuro também será um analista, capaz de usar 
diferentes métodos para compreender a realidade da assistência, encontrar 
problemas, implementar melhorias e provar a eficácia do cuidado que presta.
Portanto, ao se preparar para o mercado de trabalho, você deve dominar 
tanto métodos qualitativos quanto quantitativos, saber usar as ferramentas de 
avaliação de dados e, 
principalmente, de-
senvolver um olhar 
crítico e reflexivo, que 
o ajude a usar esses 
recursos para elevar a 
qualidade da assistên-
cia, atender às neces-
sidades da população 
e fazer a diferença na 
vida das pessoas.
Gostou do que discutimos até aqui? Tenho mais para conversar 
com você a respeito deste tema. Vamos lá?
E M FOCO
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https://vimeo.com/1119443173/4f3d2dc48e
1. A pesquisa científica na enfermagem exige rigor metodológico para garantir que os 
resultados sejam confiáveis e possam ser aplicados na prática clínica. Sem um método 
estruturado, as investigações podem gerar dados imprecisos e conclusões equivocadas 
e, consequentemente, comprometer a qualidade do cuidado prestado aos pacientes. 
Ter um método bem definido significa estabelecer diretrizes claras sobre como coletar, 
organizar e interpretar as informações. Isso é fundamental porque permite que outros 
profissionais compreendam exatamente como a pesquisa foi conduzida, possibilitando a 
reprodução do estudo e a validação dos achados. Além disso, a metodologia adequada 
garante que os dados sejam tratados de forma sistemática, reduzindo a influência de 
vieses pessoais do pesquisador (Minayo, 2014).
Com base no texto apresentado, assinale a alternativa que melhor descreve a análise 
qualitativa.
a) A análise qualitativa utiliza apenas dados numéricos e estatísticos para compreender 
os fenômenos.
b) A análise qualitativa foca exclusivamente na quantidade de dados coletados, priorizando 
amostras grandes.
c) A análise qualitativa estuda dados, como entrevistas e observações, focando no 
significado e contexto das experiências.
d) A análise qualitativa segue protocolos rígidos e fórmulas matemáticas específicas para 
garantir a objetividade dos resultados.
e) A análise qualitativa é utilizada apenas para validar dados quantitativos previamente 
coletados em pesquisas.
2. A importância dessa escolha metodológica reside no fato de que diferentes abordagens 
geram diferentes tipos de compreensão sobre o mesmo fenômeno. Enquanto algumas 
estratégias focam na identificação de padrões e regularidades nos dados, outras priorizam 
a compreensão das experiências individuais e subjetivas dos participantes. Ter domínio 
sobre essas diferentes possibilidades metodológicas capacita o enfermeiro-pesquisador 
a extrair o máximo valor dos dados coletados, contribuindo para o desenvolvimento de 
uma prática baseada em evidências e para o avanço do conhecimento científico em 
enfermagem (Minayo, 2014).
Com base nas estratégias de avaliação de dados qualitativos, analise as afirmativas a seguir:
I - A Análise de Discurso se relaciona ao modo como determinadosdiscursos representam 
relações de poder e ideologias compartilhadas.
II - A Análise Fenomenológica visa ao cerne da experiência vivida pelo paciente, pelo 
enfermeiro ou pelo cuidador.
AUTOATIVIDADE
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III - A Análise de Conteúdo organiza, categoriza e interpreta mensagens tentando encontrar 
determinados temas recorrentes.
IV - A Análise Temática quer ir além do que o texto diz na superfície, focando nas posições 
compartilhadas pelo grupo envolvido.
É correto o que se afirma em:
a) I, apenas.
b) II e IV, apenas.
c) III e IV, apenas.
d) I, II e III, apenas.
e) I, II, III e IV.
3. A avaliação de dados qualitativos na Enfermagem proporciona ao pesquisador diferentes 
caminhos para se aproximar das experiências compartilhadas pelos pacientes, pelas 
famílias e pelos membros da equipe. Entre esses caminhos, a Análise Temática apresenta 
uma abordagem particularmente relevante, sendo capaz de trabalhar o material de forma 
organizada e interpretativa. Dessa maneira, o enfermeiro consegue dar forma às mensagens 
compartilhadas e refletir sobre determinados aspectos presentes nas vivências das pessoas 
envolvidas no cuidado (Minayo, 2014).
Com base nas informações apresentadas, avalie as asserções a seguir e a relação proposta 
entre elas:
I - A Análise Temática é importante para destacar o que determinados grupos consideram 
importante nas suas experiências compartilhadas.
PORQUE
II - A Análise Temática proporciona uma compreensão mais humana e relevante, que 
fortalece tanto o cuidado ao paciente quanto o aprendizado e a avaliação da prática de 
Enfermagem.
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta:
a) As asserções I e II são verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I.
b) As asserções I e II são verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I.
c) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
d) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
e) As asserções I e II são falsas.
AUTOATIVIDADE
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REFERÊNCIAS
BARDIN, L. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70, 2011.
BRAUN, V.; CLARKE, V. Using thematic analysis in psychology. Qualitative
Research in Psychology, v. 3, n. 2. p. 77-101, 2006.
HOLANDA, A. F. Fenomenologia e Psicologia no Brasil: aspectos históricos. Estudos de Psicolo-
gia, Campinas, v. 33, p. 383-394, 2016.
MILES, M. B.; HUBERMAN, A. M. Qualitative data analysis: An expanded sourcebook. 2. ed. 
Thousand Oaks: Sage Publications, 1994.
MINAYO, M. C. de S. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 14. ed. São 
Paulo: HUCITEC, 2014. 407 p.
ORLANDI, E. P. Análise de discurso: princípios e procedimentos. Campinas: Pontes, 1999.
POLIT, D. F.; BECK, C. T. Fundamentos de pesquisa em enfermagem: avaliação de evidências 
para a prática da enfermagem. 9. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019.
RODRIGUES, C. F. S; LIMA, F. J. C. de.; BARBOSA, F. T. Importance of using basic statistics adequa-
tely in clinical research. Revista Brasileira de Anestesiologia, v. 67, p. 619-625, 2017.
TESCH, R. Qualitative research: analysis types and software. New York: Falmer Press, 1990.
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1. Alternativa C.
A alternativa C está correta, porque sintetiza adequadamente as principais características 
da análise qualitativa apresentadas no texto: o foco em dados não numéricos (entrevistas, 
observações, diários), a ênfase no significado e contexto das experiências. A alternativa A está 
incorreta, pois a análise qualitativa estuda dados não numéricos. A alternativa B está incorreta, 
pois a análise qualitativa, ao invés de focar na quantidade, relaciona-se principalmente 
à qualidade. A alternativa D está incorreta, pois a análise qualitativa contradiz a ideia de 
protocolos rígidos. A alternativa E está incorreta, pois a análise qualitativa não serve apenas 
para validar dados quantitativos, mas, sim, como um método independente para compreender 
experiências e percepções.
2. Alternativa D.
As afirmativas I, II e III estão corretas. A Análise de Discurso relaciona-se às posições 
compartilhadas pelo grupo e às relações de poder presentes nas mensagens. A Análise 
Fenomenológica quer captar o cerne da experiência vivida pelo sujeito. A Análise de Conteúdo 
organiza e interpreta mensagens tentando encontrar determinados temas recorrentes. A 
afirmativa IV está incorreta, porque a Análise Temática não quer ir além do que o texto diz na 
superfície, ao invés disso, quer destacar o que determinados grupos consideram importante 
nas suas experiências compartilhadas.
3. Alternativa A.
A afirmativa I é verdadeira ao dizer que a Análise Temática revela o que determinados 
grupos consideram importante nas suas experiências compartilhadas. A afirmativa II 
também é verdadeira, pois essa abordagem proporciona uma compreensão humana e 
relevante, fortalecendo tanto o cuidado ao paciente quanto o aprendizado e a avaliação da 
prática de Enfermagem. A II justifica a I ao destacar o motivo pelo qual a Análise Temática é 
particularmente útil para destacar o que determinados grupos vivenciam como importante.
GABARITO
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MINHAS ANOTAÇÕES
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MINHAS METAS
ESCRITA ACADÊMICA
Aprender a discutir dados de pesquisa com análise crítica.
Saber quando e como usar citação direta e indireta.
Reconhecer o valor das referências na produção científica.
Aplicar corretamente as normas ABNT e Vancouver.
Escrever as considerações finais com clareza e propósito.
Fortalecer a autoria na escrita acadêmica.
Usar a escrita científica como ferramenta de transformação.
T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 9
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INICIE SUA JORNADA
Você já parou para pensar em como a forma como escrevemos diz muito sobre 
a forma como pensamos? Na Enfermagem, escrever vai muito além de cumprir 
uma exigência da faculdade. É uma maneira de organizar ideias, registrar expe-
riências, comunicar descobertas e, principalmente, mostrar que o conhecimento 
construído tem base, propósito e responsabilidade.
A escrita acadêmica pode parecer, de início, algo distante, cheia de normas 
e palavras difíceis. É normal sentir certa insegurança. Contudo escrever bem 
não é dom, é prática, é construção. E, como tudo na Enfermagem, envolve 
técnica, sensibilidade e dedicação.
Cada vez que você organiza um raciocínio, fundamenta uma ideia ou 
apresenta uma conclusão com clareza, está exercendo um papel essencial na 
produção do saber em saúde. Está, também, apren-
dendo a se posicionar como futuro profissional, capaz 
de contribuir com decisões baseadas em evidências 
e comunicar-se com outros profissionais de maneira 
ética e eficiente. A escrita acadêmica, então, não pre-
cisa ser um obstáculo. Ela pode ser uma aliada. Um 
instrumento que ajuda a transformar vivências em conhecimento, observações 
em registros relevantes e reflexões em ações mais conscientes. E quanto mais 
você se aproxima dela, mais natural ela se torna.
Escrever academicamente é, também, uma forma de dar voz à Enfermagem. Du-
rante a formação, você se depara com muitas vivências, seja nas aulas, nos estágios, 
nas leituras e nas conversas com colegas e professores. Porém é por meio da escrita 
que todas essas experiências ganham forma, organizam-se e podem ser comparti-
lhadas com outras pessoas. É nesse momento que a prática encontra a teoria e que 
o conhecimento deixa de ser algo apenas aprendido para se tornar algo produzido.
É importante lembrar que escrever academicamente não significa usar palavras 
difíceis ou fazer frases complicadas. Significa ser claro, coerente e responsável com 
o que se diz. É saber quando citar uma fonte, como construir uma argumentação 
sólida, como respeitar a ética na comunicação e como valorizar o conhecimento 
que já foi produzido por outros pesquisadores e profissionais da área. Além disso, 
escrever é um exercício de autonomia intelectual. Ao produzir um texto, você 
Capaz de 
contribuir com 
decisões baseadas 
em evidências
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TEMA DE APRENDIZAGEM 9
escolhe o que enfatizar, como organizarenriquecem a interpretação 
dos acontecimentos históricos e permitem uma visão mais complexa da realidade.
Nos Estudos Culturais, essa abordagem tem sido amplamente utilizada 
para investigar como os indivíduos ressignificam elementos culturais em suas 
práticas diárias. Hall (2006) propõe que as identidades culturais são construídas 
socialmente por meio da interação e da interpretação dos símbolos culturais, 
rejeitando a ideia de que as identidades são fixas ou imutáveis.
Nas Ciências da Saúde, a pesquisa qualitativa fundamentada no paradig-
ma compreensivo tem desempenhado um papel essencial na compreensão das 
percepções individuais sobre doenças, tratamentos e bem-estar. Minayo (2014) 
enfatiza que essa abordagem permite capturar os significados subjetivos que 
os indivíduos atribuem à sua saúde, favorecendo a implementação de práticas 
mais humanizadas e contextualizadas, especialmente na saúde pública, na en-
fermagem e na psicologia.
ORIGENS E CONCEITOS CENTRAIS DO ESTRUTURALISMO
O estruturalismo é uma abordagem teórica que surgiu no século XX e influen-
ciou diversas áreas do conhecimento, incluindo a linguística, a antropologia, a 
sociologia e, mais recentemente, as ciências da saúde. Sua premissa fundamental 
é a ideia de que os fenômenos sociais e culturais são organizados por estruturas 
subjacentes, ou seja, sistemas de regras e relações que moldam a forma como os 
indivíduos interagem e percebem a realidade (Saussure, 2006; Lévi-Strauss, 2008).
Seu significado não 
se restringe apenas 
aos resultados finais 
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TEMA DE APRENDIZAGEM 1
O estruturalismo teve como precursor Ferdinand de Saussure (1857–1913), que 
propôs que a linguagem é um sistema estruturado de signos, no qual o signi-
ficado de cada termo depende de sua relação com os demais (Saussure, 2006). 
Essa abordagem influenciou diretamente Claude Lévi-Strauss (1908–2009), que 
demonstrou que as culturas seguem padrões estruturais recorrentes, mesmo em 
sociedades distintas. Segundo ele, os mitos, as regras de parentesco e os rituais 
são expressões de uma estrutura social subjacente (Lévi-Strauss, 2008).
O impacto do estruturalismo também chegou à filosofia e às ciências huma-
nas, influenciando Michel Foucault (1926–1984) (Figura 2), que aplicou essa 
abordagem na análise das instituições e do poder, especialmente no campo da 
saúde e da biopolítica (Foucault, 1979). Foucault (1979) argumenta que as estru-
turas de poder dentro dos hospitais e sistemas de saúde moldam a forma como o 
cuidado é prestado e, consequentemente, como os profissionais de enfermagem 
desempenham seu papel.
Você já parou para pensar em como as estruturas sociais, políticas e institucionais 
organizam os fenômenos que vivenciamos na área da saúde?
PE N SA N DO JUNTOS
O estruturalismo permite compreender como os papéis profissionais são organiza-
dos dentro das instituições de saúde. A relação entre enfermeiros, médicos e outros 
profissionais da equipe multidisciplinar pode ser vista como parte de um sistema 
hierárquico e normativo que regula as práticas de cuidado (Foucault, 1979).
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Figura 2 – Michel Foucault (1921–1981)
Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Michel_Foucault_1971_Brasil.jpg. Acesso em: 2 jun. 2125.
Descrição da Imagem: a figuram apresenta uma fotografia, em preto e branco, que retrata Michel Foucault. Ele apa-
rece calvo, de óculos, vestindo um terno escuro e uma camisa clara, sentado atrás de uma mesa de madeira. Ele está 
gesticulando com as mãos enquanto fala. Atrás dele, há uma cadeira com encosto entalhado e um quadro negro na 
parede. Sobre a mesa, há alguns papéis. Fim da descrição.
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TEMA DE APRENDIZAGEM 1
Tendências contemporâneas
Conversaremos sobre as ideias principais de Thomas Kuhn e por que elas ainda 
são tão importantes para quem está se formando em áreas, como Enfermagem. 
Primeiro, lembremos que a obra de Kuhn (A Estrutura das Revoluções Cientí-
ficas, primeira edição publicada em 1962) defende que a ciência não evolui de 
forma cumulativa e linear, como se fosse só juntar um fato depois do outro. Em 
vez disso, Kuhn (1997) mostra que a ciência se organiza em torno de “paradig-
mas”: grandes modelos ou conjuntos de ideias que guiam como uma comunida-
de científica enxerga, pesquisa e resolve problemas em determinado momento.
Figura 3 – Thomas Kuhn (1922–1991)
Fonte: https://colunastortas.com.br/thomas-kuhn/. Acesso em: 2 jun. 2125.
Descrição da Imagem: a figura apresenta uma fotografia de Thomas Kuhn em preto e branco e apresenta um efeito 
visual de múltiplas exposições, criando a impressão de que sua imagem está sendo replicada e desvanecendo em 
camadas para a direita. Kuhn aparece vestindo um paletó e camisa, com sua característica calvície frontal e óculos 
de armação escura. O fundo da imagem mostra uma estrutura arquitetônica com arcos, sugerindo um ambiente 
acadêmico. Fim da descrição.
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Pense em um paradigma como um mapa detalhado de uma cidade. Enquanto 
todo mundo seguir esse mapa, as rotas e os caminhos parecem bem claros. É 
isso que Kuhn (1997) chama de “ciência normal”: os cientistas (ou, no nosso 
caso, profissionais de saúde) aceitam um conjunto de teorias e métodos e ficam 
aprimorando, ajustando e confirmando esse conhecimento, como se estivessem 
encaixando as peças de um quebra-cabeça cujo desenho final já conhecem.
De acordo com Thomas Kuhn (1997), paradigma é o conjunto de realiza-
ções científicas que uma comunidade reconhece como modelo, orientando tanto 
os problemas que devem ser investigados quanto as maneiras de solucioná-los. 
Em outras palavras, o paradigma oferece o “mapa” que guia a prática da ciência 
em determinado período, definindo o que se considera fato, quais métodos são 
legítimos e até mesmo quais perguntas podem (ou não) ser feitas. Quando esse 
conjunto de pressupostos fica em crise, por exemplo, quando surgem muitas 
anomalias que o paradigma não consegue explicar, abre-se caminho para uma 
possível revolução científica e a eventual adoção de um novo paradigma. 
Mas e quando algo novo surge ou algum resultado não se encaixa no que era 
esperado? Kuhn (1997) chama isso de “anomalia”. Às vezes, essas anomalias podem 
ser ignoradas, mas, se forem muito insistentes, acabam abrindo espaço para uma 
crise. É nesse momento que algumas pessoas passam a desconfiar do “mapa” 
antigo, talvez ele não sirva mais para explicar toda a cidade. Se a crise for forte o 
suficiente, surge uma “revolução científica”, com a adoção de um novo paradigma.
Kuhn (1997) usa como exemplo a revolução que Copérnico iniciou na astrono-
mia, ao dizer que a Terra se movia em torno do Sol. Na época, isso contradizia 
tudo o que era considerado “verdadeiro” pela ciência vigente. Foi preciso uma 
mudança completa de conceitos, como “Terra” e “movimento”, para que a nova 
teoria fizesse sentido. Kuhn (1997) mostra que essas mudanças levam tempo e 
não acontecem sem resistência: muita gente lutou para manter o modelo antigo, 
e nem todo mundo aceita o novo imediatamente. 
Para nós, que lidamos com cuidados de saúde, esse modo de pensar ajuda a 
perceber que o conhecimento científico não é apenas um conjunto de verdades 
eternas. Ele é fortemente influenciado pelo contexto histórico e social e pelos 
pressupostos (paradigmas) que orientam o que pesquisamos, como pesquisamos 
e até como interpretamos os achados.
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TEMA DE APRENDIZAGEM 1
As tendências contemporâneas trazidas por Kuhn (1997) rompem com a ideia 
de que o progresso da ciência é sempre linear e livre de influências culturais ou 
históricas. Assim, compreender Kuhn (1997) nos inspira a ficar abertos ao que 
surge de novo na pesquisa e na prática clínica, sem descartar resultados que não 
batem com o que achamos ser “certo” — afinal, essas contradições podem até 
indicar que estamos diante de uma nova e importante mudança de paradigma.
Pense a importância de entender a história da ciência para captar como os 
paradigmas se formam e, depois, transformam-se.suas ideias, quais referências utilizar e 
como dialogar com elas. Aos poucos, você vai percebendo que sua voz também 
tem lugar no universo acadêmico e que suas contribuições importam.
Não se cobre perfeição logo de início. Assim como aprender a aplicar uma 
técnica de enfermagem exige treino, a escrita também se desenvolve com o tem-
po, com paciência e com persistência. O importante é começar, errar, revisar, 
reescrever e continuar. Porque escrever, no fim das contas, é parte do cuidado: 
com o outro, com a profissão e com o próprio saber. Vamos juntos transformar 
esse desafio em oportunidade?
DESENVOLVA SEU POTENCIAL
A DISCUSSÃO DOS DADOS DE PESQUISA
Discutir os dados de uma pesquisa é mais do que simplesmente expor resultados; 
trata-se de interpretá-los a partir dos objetivos do estudo, da literatura científica 
Você sabe o que é plágio e como evitá-lo na pesquisa científica? 
Neste episódio, falamos sobre a integridade acadêmica na En-
fermagem e dicas para escrever com ética e responsabilidade. 
Dê o play e venha aprender com a gente!
PLAY N O CONHECIMENTO
VAMOS RECORDAR?
Está com dúvidas sobre como começar seu TCC? Vamos 
recordar o que escrever na introdução para garantir uma 
abertura clara e objetiva.
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https://on.soundcloud.com/iQPVzeTJx57pVoPp48
https://www.youtube.com/watch?v=NZLzp9RlQvg
consultada e do contexto em que a investigação se insere. É nesse momento que 
o pesquisador precisa refletir criticamente sobre o que os dados revelam e quais 
implicações eles carregam para a área de conhecimento.
Vamos pensar juntos: quando você lê que “70% dos participantes relataram x”, 
isso, por si só, não diz muita coisa, certo? É apenas uma informação descritiva. A 
discussão, por outro lado, busca responder: por que 70%? O que levou a esse resul-
tado? Como ele se relaciona com o que já se sabe? Aqui, o papel do pesquisador é, 
justamente, analisar essas evidências, contextualizá-las e atribuir-lhes significado. É 
como se os dados fossem peças de um quebra-cabeça. Na seção de resultados, você 
apresenta as peças; na discussão, você começa a montar e mostrar o que ele significa.
É muito comum confundir os limites entre a seção de resultados e a de dis-
cussão. A primeira é dedicada à apresentação objetiva dos dados, frequentemente 
com o apoio de gráficos, tabelas ou trechos categorizados (no caso das pesquisas 
qualitativas). Já a discussão exige um movimento analítico: comparar, interpretar, 
levantar hipóteses e dialogar com autores e teorias.
Uma boa estratégia para dar início a essa seção é retomar os principais acha-
dos da pesquisa de forma organizada e, a partir deles, estabelecer conexões com: 
os objetivos que orientaram o estudo; a literatura científica previamente revisada; 
o contexto em que o estudo foi realizado (institucional, social, político, cultural); 
e os modelos teóricos ou conceituais utilizados.
Dependendo do tipo de abordagem, a forma de discutir os dados varia. Em 
pesquisas quantitativas, a interpretação se apoia em médias, desvios padrão, 
testes estatísticos e significâncias. O olhar está voltado para os números e suas 
relações. Já em investigações qualitativas, a riqueza está na análise de significa-
dos, discursos, padrões de fala e sentidos atribuídos pelos participantes. Alguns 
deslizes são frequentes e podem comprometer a qualidade da análise, como: 
repetir os resultados sem ir além da descrição; omitir dados que não confirmam 
a hipótese inicial; ignorar os estudos já publicados sobre o tema; desconsiderar 
as implicações dos achados para a prática ou para a teoria; e fazer afirmações 
exageradas ou sem base nos dados coletados.
A discussão é o momento em que o pesquisador demonstra sua capacidade 
analítica e sua maturidade científica (Gil, 2002). Por isso, deve ser escrita com clareza, 
coerência e embasamento. Um bom texto de discussão não apenas descreve, mas 
também interage com a ciência: amplia o entendimento sobre o fenômeno inves-
tigado, aponta novas direções e fortalece o diálogo com a comunidade acadêmica.
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Outra questão importante na discussão de dados é a honestidade intelectual. 
Nem sempre os resultados vão ao encontro das nossas expectativas. Às vezes, eles 
mostram o oposto do que imaginávamos ou não apontam diferença significativa 
alguma. E tudo bem. Isso faz parte do fazer científico. O papel do pesquisador 
não é provar que estava certo desde o início, mas, sim, relatar o que os dados 
mostraram com fidelidade e maturidade. Quando você reconhece as limitações 
do seu estudo ou aponta incoerências nos dados, está sendo ético e contribuindo 
para o aprimoramento das investigações futuras.
As limitações fazem parte de toda pesquisa: podem estar relacionadas ao ta-
manho da amostra, ao recorte temporal, ao instrumento utilizado, ao acesso aos 
participantes, entre outros fatores. O que importa é que essas limitações sejam 
reconhecidas e explicadas, mostrando ao leitor que você tem consciência dos 
contornos do seu trabalho. Isso, longe de enfraquecer seu estudo, demonstra 
comprometimento com a qualidade científica.
Outro ponto que merece atenção é o encaminhamento dos achados para a 
prática profissional. Em Enfermagem, especialmente, espera-se que a pesquisa 
dialogue com o cuidado, com a gestão, com a forma-
ção, com as políticas públicas. Então, ao discutir seus 
resultados, pense: de que forma esses achados podem 
ser benéficos na prática do enfermeiro? Eles sugerem 
alguma mudança de conduta? Reforçam determinada 
política? Indicam uma lacuna na formação profissio-
nal? Trazer esses questionamentos para o texto fortalece a relevância do estudo 
e aproxima a ciência da realidade vivida nos serviços de saúde.
Por fim, lembre-se de que discutir dados não é uma tarefa solitária. Você está 
conversando com a literatura, com os autores que leu, com os dados que colheu 
e, também, com os profissionais que vão se beneficiar do que você descobriu. 
Escreva essa seção com responsabilidade, mas também com entusiasmo. A 
discussão é o lugar onde seu olhar de pesquisador ganha força e é exatamente aí 
que sua voz começa a se destacar no meio científico.
Vamos conversar agora sobre um aspecto que costuma gerar dúvidas: a or-
ganização do texto da discussão. Em geral, é importante manter uma estrutura 
lógica especialmente se você estiver trabalhando com várias categorias de análise 
ou variáveis. Subtítulos podem ser bem-vindos, pois ajudam o leitor a acompa-
nhar o raciocínio. Porém o mais importante é manter a coesão entre as ideias. 
Esses achados 
podem ser 
benéficos na prática 
do enfermeiro?
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Evite uma discussão fragmentada ou que pule de um ponto a outro sem conexão. 
Faça pontes, relacione os temas e vá construindo uma narrativa. 
Lembre-se também de que a discussão é um espaço para mostrar que você 
leu e compreendeu a literatura científica sobre o tema. Isso significa citar autores, 
mas não de forma solta. Evite usar a citação como um enfeite. O ideal é que ela 
dialogue com o que você está dizendo, que ajude a sustentar sua análise. Por 
exemplo: se você identificou que há resistência de enfermeiros ao uso de um novo 
protocolo, procure autores que já discutiram esse tipo de resistência, explique por 
que ela acontece e, se possível, aponte caminhos. A ideia é que a sua análise se 
fortaleça por meio desse intercâmbio com o conhecimento já produzido.
Outra dica importante: evite usar a discussão para defender o seu trabalho de 
forma apaixonada. 
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A pesquisa precisa ser defendida com argumentos, não com justificativas emocio-
nais. Frases, como “acredito que isso foi importante” ou “esse achado me emocio-
nou muito”, até podem aparecer em textos mais reflexivos ou “autoetnográficos”, 
mas, de modo geral, o tom da discussão deve ser mais analítico e fundamentado. 
Você pode mostrar envolvimento com o tema, isso é até desejável, mas o desta-
que deve estar na qualidade da interpretação dos dados. Outroaspecto que, às 
vezes, passa despercebido é o uso de linguagem acessível, sem perder a precisão 
científica. Isso não significa “simplificar demais”, mas, sim, tornar o conhecimento 
compartilhável. Pense que muitos profissionais da Enfermagem estão no campo, 
lidando com demandas intensas, e precisam de textos objetivos, apropriados 
e claros. Uma boa discussão respeita o tempo e o saber de quem vai ler, e isso 
também é uma forma de cuidado. E cuidado, aliás, é uma palavra-chave aqui. 
Porque quando discutimos dados, não estamos lidando apenas com números 
ou frases soltas. Estamos lidando com vidas, contextos e realidades complexas. 
Reconheça o valor do seu olhar como pesquisador. Você passou por todas 
as etapas da investigação, lidou com incertezas, coletou, organizou, analisou... 
Agora, na discussão, é o momento de dar voz aos dados com coragem analítica 
e sensibilidade ética. Mostre que você não está apenas cumprindo uma exigên-
cia metodológica, mas contribuindo para uma Enfermagem mais crítica, mais 
humana e mais comprometida com a transformação da realidade.
Agora que você já compreendeu a importância da discussão, vale a pena 
pensar: como encerrar essa etapa com consistência? Um bom caminho é fazer 
uma espécie de balanço dos achados. 
VOCÊ SABE RESPONDER?
Pergunte-se: o que meus dados mostraram de mais relevante? O que foi possível 
compreender com base neles? Que lacunas permaneceram? 
Isso ajuda a organizar o pensamento e, ao mesmo tempo, prepara o terreno para 
a seção seguinte, as considerações finais. E tem outro ponto interessante: se a sua 
pesquisa teve como base alguma teoria, conceito ou modelo, vale a pena voltar 
a eles aqui na discussão. Como essas ideias se confirmaram ou se modificaram 
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diante da realidade observada? A teoria deu conta do fenômeno? Ou os dados 
revelaram algo novo, que talvez exija outro olhar? Esse diálogo entre teoria e 
prática é importante, principalmente em Enfermagem, onde o cuidado se 
constrói no entrelaçamento entre o saber acadêmico e o cotidiano profissional.
Se você está escrevendo seu primeiro TCC ou artigo, talvez, venha aquela in-
segurança: “Será que eu posso mesmo argumentar sobre isso?” A resposta é: sim, 
pode e deve! A discussão dos dados é justamente o momento em que você começa 
a se colocar como pesquisador. E não se trata de “bater de frente” com autores 
consagrados, mas de apresentar seu ponto de vista com respeito e embasamento. 
Você está dialogando com a ciência, e isso é parte do crescimento acadêmico.
Agora, uma dica prática e preciosa: não precisa escrever demais, precisa 
escrever bem. Uma discussão objetiva, bem articulada e fundamentada é muito 
mais eficaz do que páginas e páginas repetitivas. Vá direto ao ponto, conecte 
ideias com clareza e, sempre que possível, peça para alguém ler com um olhar 
crítico. Às vezes, é na leitura em voz alta ou no retorno de um colega que perce-
bemos o que pode ser melhorado. Discutir dados é muito mais do que cumprir 
uma etapa do trabalho. É um ato de reflexão, de compromisso com a realidade 
e com a transformação do cuidado. 
Em Enfermagem, cada dado analisado com atenção pode virar uma mudança 
concreta: em protocolos, em atitudes, em políticas. Por isso, quando você for 
escrever essa parte, lembre-se de que sua voz tem potência e pode, sim, fazer 
diferença. E, por fim, uma última provocação: o que você espera que sua pesquisa 
inspire em quem a ler? Seja qual for o impacto, lembre-se: a ciência que nasce 
no cotidiano, com rigor e escuta sensível, tem poder transformador. E você, ao 
escrever, está assumindo esse papel de quem não apenas descreveu um problema, 
mas buscou compreendê-lo e contribuir com soluções ou reflexões. 
CITAÇÃO DIRETA E INDIRETA: QUANDO E COMO UTILIZAR
Na escrita científica, citar é mais do que uma formalidade: é uma prática de diálo-
go com a produção de conhecimento já existente. Ao utilizar as palavras ou ideias 
de outros autores, o pesquisador mostra que está situado dentro de um campo 
acadêmico e que suas reflexões estão fundamentadas em saberes consolidados. 
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No entanto é essencial saber quando optar por uma citação direta ou indireta 
e como fazê-lo de maneira ética e estratégica, evitando tanto o plágio quanto o 
excesso de transcrições literais.
O que são citações diretas e indiretas? Vamos esclarecer as diferenças:
A citação direta consiste na transcrição literal de um trecho retirado da fonte consul-
tada. Pode ser curta (até três linhas, incorporada ao parágrafo, entre aspas) ou longa 
(com mais de três linhas, destacada em bloco, com recuo e fonte menor, sem aspas).
Já a citação indireta ocorre quando o pesquisador reescreve a ideia original com 
suas próprias palavras, mantendo-se fiel ao conteúdo e à intenção do autor, sem-
pre com a devida referência.
Z OOM N O CONHECIMENTO
A citação direta é indicada em situações específicas, como:
 ■ Quando o texto original apresenta formulações técnicas, conceituais ou 
estilísticas que não podem ser substituídas sem perda de precisão.
 ■ Quando a escolha lexical do autor é essencial para sustentar um argumento 
ou provocar reflexão.
 ■ Quando se pretende fazer uma análise crítica específica do trecho citado.
 ■ Apesar de seu valor, o uso excessivo de citações diretas deve ser evitado, 
pois pode comprometer a fluidez do texto e reduzir a autonomia 
autoral do pesquisador.
A citação indireta é mais comum e desejável na redação acadêmica. Ela demons-
tra que o pesquisador compreendeu o conteúdo, conseguindo integrá-lo, de for-
ma coesa e reflexiva, ao seu próprio raciocínio. Esse tipo de citação contribui para 
a construção de um texto autoral, fluido e com maior domínio conceitual. Citar 
exige responsabilidade e atenção. Algumas orientações importantes incluem:
 ■ Sempre indicar a fonte, independentemente de ser uma citação direta 
ou indireta.
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 ■ Manter a fidelidade ao pensamento do autor original, sem distorcer suas ideias.
 ■ Seguir as normas de referência exigidas pela instituição ou periódico 
(ABNT, Vancouver etc.).
 ■ Evitar o uso de citações soltas, que não dialogam com o texto e não con-
tribuem para a argumentação.
Antes de inserir uma citação, vale a pena refletir: esta citação fortalece o argumen-
to que estou desenvolvendo? Posso reescrever essa ideia com minhas próprias 
palavras, mantendo seu significado? A inclusão da citação direta é realmente 
necessária neste ponto do texto? Dê preferência às citações indiretas para pre-
servar o tom autoral. Quando utilizar citações diretas, faça-o com parcimônia e 
apenas quando sua presença for justificável. E lembre-se: parafrasear não signi-
fica apenas trocar palavras, trata-se de reorganizar o pensamento do autor com 
profundidade, respeitando seu conteúdo e intenção.
Referências bibliográficas
Elaborar corretamente as referências bibliográficas é parte essencial da integridade 
científica. As referências indicam as fontes que sustentam a produção acadêmica 
e permitem que outros leitores e pesquisadores localizem os documentos citados. 
Entre os estilos mais adotados no meio acadêmico brasileiro e internacional estão 
o modelo autor-data da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) e o 
sistema numérico da Vancouver, amplamente utilizado nas ciências da saúde.
Seguir normas de referência não é apenas uma exigência formal: trata-se de 
uma prática que fortalece a integridade e a qualidade da produção científica. 
Essas normas cumprem pelo menos duas funções essenciais:
 ■ Ética e transparência: ao indicar corretamente as fontes utilizadas, o 
pesquisador reconhece o trabalho intelectual de outros autores, evita o 
plágio e demonstra honestidade acadêmica. Em outras palavras, dá os 
devidos créditos a quem contribuiu para a construção do conhecimento.
 ■ Rastreabilidade: referências bem feitas possibilitam que qualquer lei-
tor localize as obras citadas e aprofunde o estudo, o que é fundamental 
em um ambiente científico que preza pelareprodutibilidade e verifica-
ção das informações.
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Além desses aspectos, seguir um padrão normativo confere uniformidade ao 
texto, facilitando a leitura e a compreensão por parte de avaliadores, editores e 
demais pesquisadores. Um trabalho acadêmico que apresenta suas fontes de forma 
clara e padronizada transmite credibilidade, profissionalismo e respeito às boas 
práticas científicas. Por isso, mais do que cumprir uma exigência institucional, 
dominar as normas de referência é parte do compromisso do pesquisador com 
a ciência e com a sociedade que se beneficia dela.
Vamos conversar sobre referências no estilo ABNT?
Você já deve ter se perguntado como organizar corretamente as fontes que uti-
lizou ao longo do seu trabalho acadêmico, não é mesmo? É aí que entram as 
normas da ABNT, a Associação Brasileira de Normas Técnicas. Segundo essas 
diretrizes, todas as referências bibliográficas precisam ser apresentadas de forma 
padronizada, reunindo as fontes citadas ao longo do texto. Quando chega a hora 
de fazer as referências no final de um trabalho, muita gente fica insegura ou acha 
que é só copiar qualquer modelo da internet. Entretanto é bem mais simples do 
que parece. Primeiro, pense na referência como um endereço completo que você 
entrega para o leitor: é ali que a pessoa encontra a fonte original de tudo o que 
você usou para construir o seu texto. Assim, você mostra honestidade intelectual 
e também ajuda quem quiser aprofundar o assunto.
Na ABNT (2025), cada tipo de material (livro, capítulo de livro, artigo de 
revista, TCC, dissertação, tese, site, vídeo etc.) tem uma forma específica de ser 
referenciado, mas a lógica é a mesma: quem escreveu, o que escreveu, onde, 
quando e quem publicou. Por exemplo:
LIVRO
Você escreve o SOBRENOME em maiúsculas, o prenome normal, depois o título em 
destaque (pode ser negrito ou itálico), a edição (se não for a primeira), a cidade, a 
editora e o ano de publicação. Exemplo: OLIVEIRA, João. Metodologia Científica. 2. ed. 
São Paulo: Brasil, 2025.
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Perceba que tudo segue uma ordem lógica: começa pelo autor, mostra o título, 
diz onde saiu, quem publicou e quando. Assim, fica fácil para qualquer pessoa 
localizar essa mesma fonte. E se ainda tiver dúvida, consulte o manual da ABNT 
(NBR 6023) ou peça ajuda para um bibliotecário. 
Estilo Vancouver (sistema numérico)
No estilo Vancouver (Inoue et al., 2020), usado principalmente nas áreas da saúde 
e ciências biomédicas, as referências são numeradas por ordem de aparecimento 
no texto. A lógica também é simples: primeiro o sobrenome do autor, seguido 
pelas iniciais do(s) prenome(s) (sem vírgula e sem ponto entre as iniciais), o título 
da obra, depois os dados de publicação, como local, editora, ano, tudo de forma 
enxuta e com pontuação específica.
Veja como fica para cada tipo de material:
CAPÍTULO DE LIVRO
Aqui entra um detalhe importante: você indica quem escreveu o capítulo, depois diz “In:” 
e informa o autor ou organizador da obra, o título do livro, a editora, o ano e as páginas 
daquele capítulo. Exemplo: OLIVEIRA, Maria. Educação popular. In: SANTOS, João. (org.). 
Temas em Saúde Pública. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2025. p. 45-60.
ARTIGO DE REVISTA
Funciona quase igual, mas você acrescenta o nome da revista, a cidade, o volume, o 
número do fascículo, as páginas e o mês/ano de publicação. Exemplo: SANTOS, Ana. 
Humanização no cuidado. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, v. 70, n. 3, p. 456-
460, maio/jun. 2025.
TRABALHOS ACADÊMICOS (TCC, DISSERTAÇÃO, TESE)
Além do autor, título e ano, você diz o tipo de trabalho, o grau (graduação, mestrado, 
doutorado), a área, a instituição e a cidade. Exemplo: COSTA, João Pedro. Práticas de 
autocuidado em idosos. 2025. 120 f. Dissertação (Mestrado em Enfermagem) – Univer-
sidade Federal do Paraná, Curitiba, 2025.
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LIVRO
Começa com o(s) autor(es), depois o título do livro, edição (se não for a primeira), cidade, 
editora e ano. Exemplo: Oliveira M. Metodologia científica. 2. ed. São Paulo: Brasil; 2025.
CAPÍTULO DE LIVRO
Primeiro o autor do capítulo, depois o título do capítulo, seguido da expressão “In:” e os 
dados do livro (autor/organizador, título, cidade, editora, ano, páginas). Exemplo: Oli-
veira M. Educação popular. In: Santos J, organizador. Temas em saúde pública. Rio de 
Janeiro: Fiocruz; 2025. p. 45-60.
ARTIGO DE PERIÓDICO
Inclui o(s) autor(es), título do artigo, nome da revista abreviado (como no PubMed), ano, 
volume, número (se houver), e página inicial-final. Exemplo: Santos A. Humanização no 
cuidado. Revista Brasileira de Enfermagem. 2025;70(3):456-60.
TRABALHOS ACADÊMICOS (TCC, DISSERTAÇÃO, TESE)
Indique o autor, o título, o tipo de trabalho, o grau, a instituição, o local e o ano. Exem-
plo: Oliveira MJ. Práticas de autocuidado em idosos [dissertação]. Curitiba: Universidade 
Federal do Paraná; 2025.
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Perceba que, mesmo com outra formatação, a lógica se mantém: quem escreveu, 
o que escreveu, onde e quando publicou. A diferença está na pontuação, ordem 
dos elementos e uso de abreviações. Se estiver em dúvida, consulte o ICMJE 
Recommendations ou bases, como o PubMed, para confirmar a forma correta 
de citação. Mais do que uma formalidade, as referências bibliográficas são um 
convite para que o leitor possa ampliar seus estudos, conferir os fundamentos 
da pesquisa e dialogar com a produção científica existente. Por isso, não se trata 
apenas de “citar por obrigação”, mas de reconhecer e valorizar a contribuição 
intelectual de outros autores.
AS CONSIDERAÇÕES FINAIS DA PESQUISA
Chegamos agora à etapa de encerramento do trabalho: as considerações finais. 
Essa seção não é um simples “adeus” ao leitor é uma oportunidade significante 
de revisitar o caminho percorrido, reforçar o que foi descoberto e destacar a 
importância do estudo. E, como sempre, vamos pensar juntos: o que não pode 
faltar nesse fechamento?
Primeiro, é essencial retomar os objetivos da pesquisa. Vale a pena escrever algo 
como: [...] “O objetivo desta pesquisa foi compreender...” ou “Este estudo buscou inves-
tigar...”. Em seguida, você pode indicar se os objetivos foram alcançados, total ou par-
cialmente, e de que forma isso aconteceu com base nos dados analisados. Esse retorno 
aos objetivos mostra coerência e amarra bem a trajetória iniciada lá na introdução.
Depois, pense na sua pergunta de pesquisa: você conseguiu respondê-la? 
Se sim, diga como. Se não, explique o motivo — pode ter surgido uma limita-
ção inesperada ou o fenômeno se mostrou mais complexo do que parecia. O 
importante é refletir com honestidade e clareza. Lembre-se: a ciência não exige 
respostas definitivas o tempo todo, mas valoriza a capacidade de formular boas 
perguntas e analisar os caminhos trilhados.
Outro ponto que pode aparecer aqui são os principais resultados positivos do 
estudo. Não se trata de repetir a discussão, mas de fazer uma síntese objetiva: o que 
a sua pesquisa contribuiu para o conhecimento na área? O que ela revelou de novo, 
relevante ou válida para a prática da Enfermagem? Essa é a hora de deixar claro o 
motivo pelo qual seu trabalho importa para outros pesquisadores, para profissio-
nais de saúde, para a formação acadêmica, para os pacientes e para a sociedade.
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Nenhuma pesquisa, porém, é perfeita e é aí que entram as fragilidades ou limi-
tações do estudo (Minayo, 2001). Fale sobre elas com maturidade. Isso pode 
incluir o tamanho da amostra, o tempo disponível para coleta de dados, o acesso 
limitado a fontes ou mesmo restrições metodológicas. 
As considerações finais são o espaço onde o pesquisador demonstra, com clareza 
e responsabilidade, a relevância do caminho percorrido, a maturidade em reconhecer 
os limites do trabalho realizado e o compromisso com a produção de conhecimento 
que possa inspirar avanços futuros. Então vamos explorar alguns desses pontos:
Alcancedos objetivos: é imprescindível iniciar retomando explicitamente os 
objetivos traçados no início do trabalho. Pergunte-se: o que eu pretendia investigar 
ou compreender? E, depois, informe se isso foi efetivamente atingido. Por exemplo: 
“O objetivo deste estudo foi analisar as percepções de profissionais de 
Enfermagem sobre o cuidado humanizado em unidades de pronto atendimento. 
Esse objetivo foi plenamente alcançado por meio da coleta e análise das narrativas 
dos participantes, permitindo uma compreensão aprofundada sobre as práticas, 
os desafios e as potencialidades do cuidado humanizado nesse contexto”. 
Essa retomada garante coesão ao texto e demonstra que houve alinhamento 
entre o que foi proposto e o que foi executado.
Resposta à pergunta norteadora: a seguir, indique se a pergunta norteadora, 
aquela questão principal que guiou a investigação, foi respondida de forma 
satisfatória. Por exemplo: 
A pergunta central da pesquisa, “Como os profissionais de Enfermagem 
percebem e aplicam o cuidado humanizado em situações de alta demanda?”, 
foi respondida a partir dos relatos que evidenciaram estratégias de acolhimento, 
comunicação efetiva e manejo de recursos limitados, destacando a resiliência e 
o compromisso ético desses profissionais.”
Se a resposta não foi conclusiva, explique as razões de forma honesta:
“Embora a pesquisa tenha elucidado aspectos importantes sobre o tema, 
algumas lacunas permaneceram devido ao número reduzido de entrevistas, o que 
indica a necessidade de novos estudos para uma compreensão mais abrangente”.
Principais resultados positivos: depois, apresente uma síntese dos princi-
pais achados, destacando o que foi mais relevante ou inovador:
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“Entre os resultados mais significativos, destacam-se a identificação de práticas 
informais de apoio entre colegas, o protagonismo de profissionais na criação 
de estratégias de humanização em condições adversas e a percepção de que a 
escuta ativa é um fator central para fortalecer vínculos com os usuários”.
Deixe claro como esses achados contribuem para a área de Enfermagem:
“Esses resultados fortalecem a discussão sobre a necessidade de políticas 
institucionais que valorizem o cuidado humanizado, além de sugerirem inter-
venções voltadas à formação continuada e ao suporte emocional da equipe.”
Fragilidades e limitações: reconheça com transparência as limitações 
do seu estudo. Isso não diminui a pesquisa, ao contrário, demonstra ética, 
autocrítica e rigor científico:
“Este estudo apresentou como principais limitações o recorte geográfico 
restrito a uma única unidade de pronto atendimento, o que limita a generaliza-
ção dos resultados. Além disso, o período curto para realização das entrevistas 
pode ter influenciado na profundidade de algumas respostas”.
Esse cuidado mostra que o pesquisador sabe situar seus achados no 
contexto adequado.
Indicação de estudos futuros e reflexão final: por fim, aponte possi-
bilidades para investigações futuras e, se desejar, faça uma breve reflexão 
pessoal ou profissional sobre o aprendizado durante o processo:
“Sugere-se a realização de estudos multicêntricos, que incluam 
diferentes regiões e perfis de unidades de saúde, para ampliar a compreensão 
sobre o cuidado humanizado em situações de alta demanda. Recomenda-
se também explorar a perspectiva dos usuários. Além das contribuições 
acadêmicas, esta pesquisa possibilitou o desenvolvimento de habilidades 
de escuta, análise crítica e empatia, reforçando a convicção de que a 
Enfermagem, quando fundamentada em princípios éticos e humanos, 
tem um papel transformador na vida de pessoas e comunidades”. 
Para facilitar esse momento, realize o checklist a seguir que funciona 
como uma ajuda de última hora, quase como aquele amigo que revisa tudo 
com você antes de entregar. Nele, você confere se lembrou de retomar o 
objetivo do seu estudo, se conseguiu ou não responder à pergunta principal, 
se destacou os resultados mais importantes de forma clara e se lembrou de 
apontar as limitações que encontrou no caminho. 
UNIASSELVI
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TEMA DE APRENDIZAGEM 9
TÓPICO DESCRIÇÃO VERIFICAÇÃO
1. Retomada do 
objetivo
O texto retoma, de forma clara, o objetivo 
principal da pesquisa, mostrando coerência 
com a introdução.
[ ]
2. Resposta à 
pergunta de 
pesquisa
Indica se a pergunta norteadora foi respondida 
ou explica as razões caso não tenha sido possí-
vel respondê-la integralmente.
[ ]
3. Principais 
resultados
Apresenta uma síntese dos achados mais rele-
vantes e sua contribuição para a área.
[ ]
4. Limitações 
do estudo
Reconhece e descreve as limitações ou fragili-
dades do trabalho com clareza e ética.
[ ]
5. Estudos 
futuros
Indica sugestões de novas pesquisas, possíveis 
aprofundamentos ou lacunas a serem exploradas.
[ ]
6. Reflexão 
final e impacto
Traz uma mensagem de encerramento que 
destaque o impacto da pesquisa e, se desejar, 
uma breve reflexão pessoal.
[ ]
7. Coerência 
e fechamento
Garante que não foram inseridos dados ou aná-
lises inéditos nesta seção de fechamento.
[ ]
Quadro 1 – Checklist para considerações finais da pesquisa / Fonte: o autor.
Usar esse checklist é uma forma de garantir que suas considerações finais sejam 
mais do que um “adeus”, que sejam um convite para refletir, continuar pesquisando 
e transformar a prática. Lembre-se que encerrar uma pesquisa não é apenas uma 
formalidade; é um momento de síntese, reflexão e responsabilidade com tudo 
o que foi construído ao longo do estudo. As considerações finais representam o 
fechamento de um ciclo investigativo, no qual se retomam os objetivos propostos, 
destacam-se os principais achados e se discutem as implicações do trabalho para 
a prática, para a ciência e, muitas vezes, para a própria formação profissional. 
É nessa etapa que o conhecimento produzido ganha sentido, relevância e 
contribuição real para a Enfermagem e para a sociedade.
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NOVOS DESAFIOS
Depois de tantas reflexões e aprendizados, talvez, a pergunta que fique seja: “E 
agora, o que faço com tudo isso?” Essa é uma pergunta legítima e muito bem-
vinda. Porque mais importante do que conhecer as etapas da escrita científica é 
entender como transformar esse conhecimento em prática.
A partir daqui, é hora de experimentar. A escrita acadêmica, como qualquer 
habilidade, só amadurece com o tempo, o treino, os erros e os acertos do processo. 
Por isso, a principal recomendação é: comece. Não espere a escrita “perfeita” para 
escrever. Comece com rascunhos, com perguntas mal resolvidas, com inseguran-
ças; elas fazem parte do caminho de quem está realmente pensando. A pesquisa 
em Enfermagem precisa de vozes plurais, de olhares sensíveis, de análises com-
prometidas com a realidade dos sujeitos. E isso começa quando você se autoriza 
a escrever com autenticidade, com responsabilidade e com coragem de sustentar 
o que pensa sempre em diálogo com a ciência, é claro.
Também é hora de assumir sua posição como sujeito produtor de conhecimen-
to. Não apenas reproduza o que os autores disseram, converse com eles, confron-
te-os, complemente-os. E lembre-se: você não está sozinho. A escrita científica é 
coletiva. Envolve escuta, revisão, reescrita e, muitas vezes, dúvidas compartilhadas. 
Busque apoio nos seus orientadores, colegas e grupos de pesquisa. Aprender a es-
crever é também aprender a dialogar. Então, o que fazer a partir de agora? Escrever, 
revisar, refletir e continuar caminhando, com a certeza de que cada etapa vencida, 
por menor que pareça, é um passo a mais na construção de uma Enfermagem crí-
tica, comprometida e transformadora. Que você leve consigo, mais do que técnicas, 
uma postura, a de quem escreve com intenção, ética e cuidado.
Gostou do que discutimos até aqui? Tenho mais para conversar 
com você a respeito deste tema. Vamos lá?
E M FOCO
UNIASSELVI
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https://vimeo.com/1119443186/09eefb86af
1. Ao discutir os dados de uma pesquisa, o compromisso com a veracidade dos achados é 
essencial. Mesmo que os resultadosnão confirmem hipóteses iniciais, cabe ao pesquisador 
apresentar o que foi constatado com clareza e responsabilidade. Além disso, é esperado 
que se reconheçam possíveis fragilidades do estudo, como aspectos metodológicos que 
possam ter influenciado nos resultados. Outro ponto importante é refletir sobre a aplicação 
dos achados no contexto profissional, especialmente na Enfermagem, onde a conexão entre 
pesquisa e prática deve ser constantemente valorizada (Gil, 2002).
Com base no texto, assinale a alternativa que representa uma atitude condizente com a 
postura ética e científica na discussão dos dados de uma pesquisa em Enfermagem.
a) Ajustar os dados para que se adequem às hipóteses propostas inicialmente.
b) Ignorar limitações metodológicas para não enfraquecer o estudo.
c) Apresentar apenas os resultados que confirmam os objetivos da pesquisa.
d) Relatar com fidelidade os achados, reconhecer limitações e refletir sobre a contribuição 
prática dos resultados.
e) Utilizar a discussão para reforçar a importância do tema sem relacionar os dados à 
realidade profissional.
2. Ao discutir os dados de uma pesquisa, é importante destacar os principais achados e refletir 
sobre suas implicações. A retomada de conceitos teóricos utilizados na fundamentação 
pode enriquecer a análise, possibilitando a comparação entre o que foi previsto e o que foi 
observado. Esse processo favorece a construção de argumentos próprios e contribui para 
a consolidação da identidade do pesquisador em formação (Gil, 2002).
A partir do texto, analise as afirmativas a seguir sobre a etapa de discussão dos dados em 
um trabalho científico.
I - A discussão é o momento de destacar os dados mais relevantes da pesquisa e refletir 
sobre seu significado.
II - Retomar teorias ou modelos utilizados anteriormente pode contribuir para uma análise 
mais aprofundada dos resultados.
III - A argumentação na discussão dos dados contribui para o desenvolvimento da autonomia 
acadêmica do pesquisador.
IV - A discussão deve ser feita com neutralidade absoluta, sem apresentar qualquer ponto 
de vista do pesquisador.
AUTOATIVIDADE
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É correto o que se afirma em:
a) I, apenas.
b) II e IV, apenas.
c) III e IV, apenas.
d) I, II e III, apenas.
e) I, II, III e IV.
3. Em todo processo investigativo, é comum que o pesquisador enfrente desafios relacionados 
à amostragem, ao tempo de coleta, aos instrumentos utilizados ou à generalização dos 
resultados. O reconhecimento dessas limitações no relatório científico não fragiliza o estudo, 
pelo contrário, reforça sua credibilidade, pois evidencia a postura ética, o compromisso com 
a transparência e a capacidade de análise crítica por parte do autor (Minayo, 2001).
Com base nas informações apresentadas, avalie as asserções a seguir e a relação proposta 
entre elas:
I - Apontar as limitações de um estudo fortalece a credibilidade da pesquisa perante a 
comunidade científica.
PORQUE
II - Reconhecer as fragilidades do estudo demonstra uma postura ética e crítica do 
pesquisador.
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta:
a) As asserções I e II são verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I.
b) As asserções I e II são verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I.
c) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
d) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
e) As asserções I e II são falsas.
AUTOATIVIDADE
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REFERÊNCIAS
ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Venha ser um associado ABNT. 
c2025. Página inicial. Disponível em: https://abnt.org.br/. Acesso em: 9 jul. 2025.
GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Atlas, 2002.
INOUE, C. R. et al. Manual de normalização de trabalhos acadêmicos: citação e referência: 
Vancouver. São Paulo: Unesp, 2020. https://drive.google.com/file/d/1122KOAzlwGoWQomR-
bBDT2trMC-3BLJOv/view. Acesso em: 9 jul. 2025.
MINAYO, M. C. S. Pesquisa social: teoria, método e criatividade. 18. ed. Petrópolis: Vozes, 2001.
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1. Alternativa D.
A Alternativa D está correta, pois reflete a conduta ética e científica esperada: relatar os 
dados com fidelidade, apontar limitações e promover a articulação entre pesquisa e prática 
profissional. A Alternativa A está incorreta, pois manipular dados compromete a integridade 
da pesquisa. A Alternativa B está incorreta, pois ocultar limitações impede a avaliação crítica 
e transparente do estudo. A Alternativa C está incorreta, pois selecionar apenas resultados 
favoráveis distorce a análise e prejudica a validade científica. A Alternativa E está incorreta, 
pois a discussão precisa articular dados e prática, não apenas reafirmar o tema.
2. Alternativa D.
A afirmativa I está correta, porque expressa um dos propósitos centrais da discussão: 
selecionar os achados mais significativos e interpretar seu sentido no contexto do estudo. 
Trata-se de uma etapa analítica e reflexiva. A afirmativa II está correta, porque o retorno 
a conceitos teóricos na discussão é uma prática válida e recomendada, pois possibilita 
comparar o que foi observado com o que a literatura propõe, enriquecendo a análise dos 
dados. A afirmativa III está correta, porque, ao construir argumentos próprios e dialogar 
com autores da área, o pesquisador fortalece sua autonomia e identidade acadêmica. 
Essa é uma etapa formativa importante, especialmente para estudantes e pesquisadores 
iniciantes. A afirmativa IV está incorreta, porque, embora a argumentação deva ser baseada 
em evidências, a discussão é justamente o momento de o pesquisador apresentar sua 
interpretação e ponto de vista, com embasamento científico. Neutralidade absoluta pode 
levar à omissão de uma análise crítica importante.
3. Alternativa A.
Ambas as asserções são verdadeiras e relacionadas logicamente. Apontar as limitações 
fortalece a pesquisa porque evidencia a ética e a autocrítica do pesquisador, o que são 
fundamentos do rigor científico.
GABARITO
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MINHAS ANOTAÇÕES
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	unidade 1
	PESQUISA EM SAÚDE:
ASPECTOS HISTÓRICOS
	PESQUISA EM ENFERMAGEM
	ÉTICA E BIOÉTICA EM PESQUISA 
	unidade 2
	ELEMENTOS CONSTITUTIVOS
DE PESQUISA
	ACESSO À PESQUISA CIENTÍFICA
NA ÁREA DA SAÚDE E AVALIAÇÃO DOS ESTUDOS
	QUALIDADE E NÍVEIS DE EVIDÊNCIA DAS PUBLICAÇÕES CIENTÍFICAS
	unidade 3
	PROJETO DE PESQUISA: METODOLOGIA DE PESQUISA
	ANÁLISE DE DADOS EM PESQUISA
	ESCRITA ACADÊMICA
	Forms - Uniasselvi: 
	Botão 50: 
	Botão 51: 
	Botão 52: 
	Botão 53: 
	Botão 54: 
	Button 28:Às vezes, o que é considera-
do científico em determinado período acaba parecendo estranho quando olha-
mos com olhos de hoje, mas, na época, fazia sentido para aquela comunidade. 
Isso mostra que nossa forma de produzir e validar conhecimento não depende 
só de experimentos ou de “verdades” absolutas: ela também sofre influências 
sociais, culturais e educacionais. Isso vale bastante para a Enfermagem, pois 
evidencia que práticas de cuidado e protocolos de saúde podem se tornar “nor-
mais” em um momento, mas podem ser questionados mais à frente, conforme 
surgem novas pesquisas e realidades na assistência ao paciente. 
É por isso que a obra de Kuhn (1997) segue tão atual, mesmo décadas após 
seu lançamento: ela nos lembra que a mudança faz parte do processo de cres-
cimento da ciência e que é sempre bom ficarmos atentos às “anomalias” que 
podem indicar inovações ou transformações importantes.
Confira a aula referente a este tema.
E M FOCO
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https://vimeo.com/1119443210/d24e1d040a
NOVOS DESAFIOS
O ambiente profissional atual exige que os pesquisadores e profissionais 
da saúde e das ciências sociais sejam capazes de articular teoria e prá-
tica de maneira crítica e criativa. A pesquisa qualitativa, por exemplo, 
ao captar as subjetividades e os significados atribuídos às experiências 
humanas, torna-se essencial para compreender o comportamento dos 
indivíduos e das comunidades, fornecendo insumos estratégicos para 
intervenções mais eficazes no campo da saúde pública, da educação e 
das políticas sociais. Nesse contexto, alguns desafios emergem:
 ■ Integração entre pesquisa e atuação profissional: o conheci-
mento produzido não pode ficar restrito às universidades e centros 
de pesquisa. É necessário que os profissionais desenvolvam habi-
lidades para traduzir os achados científicos em soluções aplicáveis 
e acessíveis, seja no atendimento em saúde, na formulação de po-
líticas públicas ou no setor privado.
 ■ Novas exigências do mercado: o mundo do trabalho valoriza 
cada vez mais profissionais que saibam interpretar dados, tomar 
decisões informadas e lidar com a complexidade social. O domínio 
de metodologias de pesquisa, sejam elas qualitativas ou quantitati-
vas, passa a ser um diferencial competitivo.
 ■ Ética e responsabilidade social: em um cenário de rápidas trans-
formações, o pesquisador não pode se limitar à análise neutra da 
realidade. O compromisso ético e o engajamento na construção de 
soluções inovadoras e inclusivas são essenciais para que o conhe-
cimento produzido tenha impacto social positivo.
A conexão entre teoria e prática exige um olhar dialógico e interdisci-
plinar. O conhecimento não é um fim em si mesmo, mas um meio para 
compreender e transformar realidades. À medida que avançamos 
no século XXI, a pesquisa social continua a evoluir, enfrentando novos 
desafios e expandindo suas fronteiras. 
UNIASSELVI
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1. O positivismo, como corrente filosófica surgida no século XIX, estabeleceu a ideia de que o 
conhecimento científico deve ser construído com base em fatos observáveis, mensuráveis 
e verificáveis, eliminando explicações subjetivas ou metafísicas. Esse pensamento influen-
ciou significativamente a pesquisa em saúde, promovendo uma abordagem voltada para 
a objetividade, o uso do método experimental e a busca por padrões gerais (Comte, 1978; 
Nightingale, 1989).
O pensamento positivista teve grande influência na pesquisa em saúde. Qual das opções a 
seguir melhor caracteriza essa abordagem?
a) Ênfase na interpretação subjetiva das experiências individuais.
b) Priorização da observação, medição e busca de padrões universais.
c) Rejeição do método científico na prática da enfermagem.
d) Foco exclusivo em pesquisas qualitativas.
e) Defesa da intuição e do conhecimento popular como principais fontes para a tomada 
de decisão na enfermagem.
2. O paradigma compreensivo surge como uma abordagem que busca interpretar os fenô-
menos sociais de maneira mais profunda, considerando a complexidade das interações 
humanas. Diferentemente de modelos que focam na generalização de resultados, essa 
perspectiva reconhece a diversidade dos contextos e a influência de múltiplos fatores na 
construção do conhecimento. A pesquisa compreensiva se preocupa em captar a riqueza 
dos acontecimentos sociais, levando em conta as relações, os processos e as dinâmicas 
envolvidas. Esse paradigma permite uma visão mais detalhada das realidades estudadas, 
promovendo reflexões que vão além de padrões preestabelecidos e considerando a mul-
tiplicidade de fatores que influenciam o comportamento humano (Weber, 2022).
O paradigma compreensivo se diferencia do positivismo porque:
I - Valoriza a subjetividade e os significados atribuídos pelas pessoas às suas experiências.
II - Utiliza métodos, como entrevistas e observação participante.
III - É amplamente aplicado na enfermagem e na saúde pública para uma abordagem 
humanizada. 
IV - Rejeita completamente a importância da ciência na enfermagem.
AUTOATIVIDADE
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É correto o que se afirma em:
a) I, apenas.
b) II e IV, apenas.
c) III e IV, apenas.
d) I, II e III, apenas.
e) I, II, III e IV.
3. Na Enfermagem, a aplicação de normas e protocolos estruturados é essencial para garantir 
a qualidade e a segurança do cuidado. No entanto a prática profissional exige mais do que 
a simples aplicação de diretrizes fixas, pois cada paciente possui necessidades individuais, 
subjetividades e contextos específicos. Enquanto o estruturalismo enfatiza a influência 
das estruturas sociais e das normas na organização da sociedade, o cuidado em saúde 
demanda flexibilidade e adaptação, permitindo que a assistência seja centrada no paciente 
e respeite sua autonomia (Nightingale, 1989; Minayo, 2001).
Com base nas informações apresentadas, avalie as asserções a seguir e a relação proposta 
entre elas:
I - Na prática da Enfermagem, o estruturalismo pode ser insuficiente para abordar a com-
plexidade do cuidado, pois enfatiza a rigidez das normas e das estruturas sociais.
PORQUE
II - O cuidado de enfermagem exige flexibilidade e adaptação, levando em conta a indivi-
dualidade, a autonomia e as necessidades subjetivas de cada paciente.
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta:
a) As asserções I e II são verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I.
b) As asserções I e II são verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I.
c) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
d) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
e) As asserções I e II são falsas.
AUTOATIVIDADE
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REFERÊNCIAS
BURKE, P. A Escrita da História: novas perspectivas. São Paulo: Unesp, 1992.
CASTRO, S. Introdução à Filosofia. Petrópolis: Vozes, 2008.
COMTE, A. Curso de Filosofia Positiva. São Paulo: Abril Cultural, 1978.
CRESWELL, J. W. Projeto de pesquisa: métodos qualitativo, quantitativo e misto. 3. ed. Porto 
Alegre: Artmed, 2010.
DURKHEIM, É. O Suicídio: Estudo de Sociologia. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
DURKHEIM, É. As Regras do Método Sociológico. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
FOUCAULT, M. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Graal, 1979.
GEERTZ, C. A Interpretação das Culturas. Rio de Janeiro: LTC, 1989.
HALL, S. A Identidade Cultural na Pós-Modernidade. Rio de Janeiro: DP&A, 2006.
KUHN, T. S. A estrutura das revoluções científicas. 5. ed. São Paulo: Perspectiva, 1997.
LÉVI-STRAUSS, C. Antropologia estrutural. São Paulo: Cosac Naify, 2008.
MINAYO, M. C. S. Pesquisa social: teoria, método e criatividade. 18. ed. Petrópolis: Vozes, 2001.
MINAYO, M. C. S. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 14. ed. São Paulo: 
Hucitec, 2014.
NIGHTINGALE F. Notas sobre enfermagem: o que é e o que não é. São Paulo: Cortez, 1989.
SANTOS, B. de S. Um discurso sobre as ciências. São Paulo: Cortez, 2010.
SAUSSURE, F. Curso de linguística geral. 3. ed. São Paulo: Cultrix, 2006.
SCHÜTZ, A. El problema de la realidad social. Buenos Aires: Amorrortu,2003.
SKINNER, Q. Visions of Politics: Regarding Method. Cambridge: Cambridge University Press, 2002.
WEBER, M. Economia e sociedade: fundamentos da Sociologia Compreensiva. 4. ed. Brasília: 
Editora UnB, 2022.
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1. Alternativa B.
A alternativa B está correta, pois o positivismo prioriza a observação, medição e busca de 
padrões universais para garantir objetividade e previsibilidade na pesquisa em saúde. A alter-
nativa A está incorreta, pois o positivismo rejeita a subjetividade e valoriza dados concretos e 
mensuráveis. A alternativa C está incorreta, pois o positivismo fortaleceu o método científico 
na Enfermagem, não o rejeitou. A alternativa D está incorreta, pois o positivismo privilegia 
pesquisas quantitativas, não exclusivamente qualitativas. A alternativa E está incorreta, pois 
o positivismo baseia-se em evidências científicas, não na intuição ou conhecimento popular.
2. Alternativa D.
As afirmativas I, II e III são corretas, porque o paradigma compreensivo valoriza a subjetividade 
(I), utiliza métodos qualitativos, como entrevistas e observação participante (II), e é aplicado 
na Enfermagem e na Saúde Pública para promover uma abordagem mais humanizada (III). 
A afirmativa IV está incorreta, porque o paradigma compreensivo não rejeita a ciência na 
Enfermagem, mas complementa a prática científica com a compreensão dos significados 
e contextos sociais.
3. Alternativa A.
A afirmativa II justifica a I, pois a necessidade de adaptação no cuidado de enfermagem é 
um dos principais desafios à visão estruturalista rígida, que pode não dar conta da singu-
laridade do paciente. As asserções I e II são verdadeiras, porque o estruturalismo enfatiza 
normas e estruturas fixas, o que pode ser insuficiente para lidar com a complexidade do 
cuidado de enfermagem, que exige flexibilidade, adaptação e respeito à individualidade 
e autonomia do paciente.
GABARITO
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MINHAS METAS
PESQUISA EM ENFERMAGEM
Conhecer a história da Ciência na Enfermagem.
Entender o quanto as teorias embasam a prática diária da enfermagem.
Diferenciar os saberes empírico, ético, pessoal e estético na enfermagem.
Compreender a importância do saber científico na prática assistencial.
Saber equilibrar rigor científico e sensibilidade humana no cuidado.
Refletir sobre os limites e potenciais da prática baseada em evidências.
Desenvolver uma visão crítica sobre a aplicação prática da pesquisa científica.
T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 2
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INICIE SUA JORNADA
Imagine-se trabalhando em um hospital onde os pacientes enfrentam condições 
insalubres, infecções hospitalares são comuns e não há um método estruturado 
para organizar os cuidados. Como você se sentiria ao perceber que, apesar de seus 
esforços, os pacientes continuam adoecendo devido à falta de higiene e ventilação 
adequada? Essa era a realidade dos hospitais no século XIX, quando Florence 
Nightingale (1820–1910) chegou à Guerra da Crimeia (1853–1856) e encontrou 
soldados morrendo não apenas devido aos ferimentos, mas por doenças evitáveis.
Diante dessa situação, Nightingale (1859) não aceitou a enfermagem como 
um conjunto de ações desorganizadas e empíricas. Pelo contrário, ela utilizou 
dados, estatísticas e observação sistemática para demonstrar que a adoção de 
práticas sanitárias poderia reduzir drasticamente a mortalidade hospitalar. 
VOCÊ SABE RESPONDER?
Mas como essa abordagem científica pode ser aplicada ao seu desenvolvimento 
como estudante de enfermagem?
Ao longo da graduação, muitas vezes, somos levados a repetir práticas sem ques-
tionar sua base científica. No entanto Florence Nightingale (1859) nos ensina 
que a enfermagem não deve ser apenas um ato de cuidado, mas um campo de 
pesquisa, análise e reflexão. Em sua obra Notes on Nursing: What It Is and What 
It Is Not (Nightingale, 1859), ela destaca que a enfermagem eficaz depende da 
observação criteriosa e do uso do raciocínio clínico baseado na ciência.
Como estudante, você pode se perguntar: estou apenas reproduzindo práticas 
ou estou refletindo sobre o impacto delas no paciente? A pesquisa em enferma-
gem não acontece apenas em laboratórios ou artigos científicos; ela começa no 
dia a dia, na forma como olhamos para a prática e buscamos maneiras de me-
lhorá-la. Florence Nightingale (1859) abriu o caminho para uma enfermagem 
científica. Agora, cabe a você seguir os seus passos.
UNIASSELVI
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TEMA DE APRENDIZAGEM 2
DESENVOLVA SEU POTENCIAL
A PESQUISA EM ENFERMAGEM: CIÊNCIA E PRÁTICA 
Vamos refletir um pouco sobre algo muito importante na enfermagem: a pes-
quisa. Segundo Donaldson e Crowley (1978), para que qualquer ciência cresça 
e evolua, é fundamental que ela construa constantemente novos conhecimentos 
científicos. E com a enfermagem não poderia ser diferente! O que torna a nossa 
ciência especial é justamente a capacidade de combinar o rigor científico com 
a sensibilidade humana, para entender melhor os fenômenos que envolvem a 
saúde e o bem-estar das pessoas.
VAMOS RECORDAR?
Você lembra o que é o Positivismo e como ele impacta a 
ciência e a saúde? Assista ao conteúdo a seguir e relem-
bre como Auguste Comte propôs uma visão científica 
da sociedade, valorizando o conhecimento baseado em 
fatos observáveis. Um ótimo reforço para pensar sobre a 
prática de enfermagem baseada em evidências!
Você já parou para pensar em quem abriu os caminhos da en-
fermagem brasileira? No episódio de hoje, vamos dialogar so-
bre Anna Nery (1814–1880), uma mulher corajosa que se tornou 
símbolo do cuidado humanizado durante a Guerra do Paraguai.
PLAY N O CONHECIMENTO
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https://www.youtube.com/watch?v=0ki0ySUVaT8
https://on.soundcloud.com/4w9xmhGaLdYSzx3j2p
A enfermagem tem um objetivo muito claro e nobre: promover a saúde e oferecer 
cuidados de qualidade a indivíduos, famílias e comunidades. Para atingir esse 
propósito, Donaldson e Crowley (1978) afirmam que 
a pesquisa precisa ir além do aspecto teórico, focando 
também na aplicação prática dos conhecimentos ad-
quiridos. Em outras palavras, não basta apenas saber, 
precisamos usar o que aprendemos para melhorar o 
cuidado no dia a dia. Isso significa que as práticas de enfermagem precisam ser 
constantemente revisadas e atualizadas com base nas descobertas científicas.
A pesquisa em enfermagem se apoia em diferentes tipos de teorias, que po-
dem ser descritivas ou prescritivas. As teorias descritivas ajudam a compreen-
der fenômenos da realidade, enquanto as prescritivas orientam diretamente 
nossas ações e decisões no cuidado. Donaldson e Crowley (1978) destacam que, 
por ser uma ciência prática, a enfermagem precisa especialmente dessas teorias 
prescritivas, pois são elas que orientam nosso trabalho diário com pacientes.
Focando também 
na aplicação prática 
dos conhecimentos 
UNIASSELVI
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TEMA DE APRENDIZAGEM 2
Além disso, a pesquisa em enfermagem não envolve apenas técnicas e métodos 
científicos, mas também valores éticos muito claros. Um exemplo disso é a 
pesquisa clínica, que serve para testar teorias diretamente na prática profissio-
nal e resolver problemas reais do cotidiano da enfermagem. Como enfatizam 
Donaldson e Crowley (1978), é por meio da pesquisa que conseguimos clarear 
nossos conceitos principais, melhorar nossas abordagens e expandir continua-
mente nosso conhecimento.
DIALOGANDO COM FLORENCE NIGHTINGALE
As ideias de Florence foram revolucionárias para a época e seguem essen-
ciais nos dias atuais. A prática baseada em evidências, que é um dos pilares da 
enfermagem moderna, tem suas raízes no método adotado por Nightingale 
(1859, 1863). Ao aplicar estatísticas para comprovar a importância da higiene 
e do ambiente hospitalar na recuperação dos pacientes, ela transformou a en-
fermagem em uma ciência (Nightingale,1859, 1863). Assim, não basta apenas 
realizar os procedimentos corretamente, é necessário entender por que e como 
eles impactam a saúde dos pacientes. 
Mas como trazer essa visão científica para sua prática como estudante? Nos 
estágios,você pode perceber que determinadas práticas parecem ser feitas de for-
ma automática, sem que os profissionais reflitam sobre sua real eficácia. Florence 
Nightingale nos ensina que a enfermagem exige um olhar crítico sobre os processos. 
VOCÊ SABE RESPONDER?
Durante o estágio, você percebe que poucos profissionais seguem corretamente 
as práticas de higienização das mãos. Isso afeta a incidência de infecções 
hospitalares? A organização do ambiente do paciente impacta sua recuperação?
Nightingale responderia a essas perguntas com dados e evidências. Se queremos 
avançar na enfermagem, precisamos experimentar, testar hipóteses e registrar 
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nossas observações. Em Notes on Hospitals (Nightingale, 1863), ela demonstrou, 
com gráficos e estatísticas, que hospitais com melhores condições estruturais 
reduziam drasticamente a mortalidade. Assim, cada vez que observamos um 
problema no cuidado e buscamos embasamento para propor uma solução, es-
tamos seguindo seus passos.
Florence Nightingale 
O filme biográfico Florence Nightingale (2008) retrata a vida e o 
legado de Florence Nightingale, destacando sua contribuição 
na transformação da enfermagem em uma ciência baseada 
em evidências e cuidados humanizados.
I N DI CAÇÃO DE FILME
A enfermagem evoluiu porque pessoas, como Florence Nightingale, questiona-
ram e pesquisaram. Se ela tivesse aceitado o cuidado hospitalar como era prati-
cado na época, milhares de vidas teriam sido perdidas. Hoje, a pesquisa continua 
sendo fundamental para que a enfermagem avance e ofereça um cuidado cada 
vez mais seguro e eficaz.
UMA CONVERSA BASEADA EM WANDA HORTA
Quando pensamos em enfermagem, é comum lembrarmos imediatamente das 
técnicas, dos procedimentos e do cuidado direto que prestamos diariamente. 
Mas você já parou para refletir sobre como essas ações cotidianas estão embasa-
das cientificamente? Como destaca Wanda Horta (1979), a enfermagem é uma 
ciência aplicada em constante transição da prática empírica para uma abordagem 
científica mais estruturada. Ela afirma claramente que nenhuma ciência pode 
existir sem uma filosofia própria. Precisamos, então, de uma filosofia unificada 
que nos dê bases sólidas para continuar crescendo como ciência e profissão.
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TEMA DE APRENDIZAGEM 2
Horta (1979) levanta uma pergunta essencial: será que a enfermagem realmente 
é uma ciência? Ela analisa profundamente essa questão e conclui que sim, pois 
os fenômenos estudados pela enfermagem são reais, podem ser observados, tes-
tados e avaliados de maneira sistemática. As teorias na enfermagem são ferra-
mentas práticas, estruturadas logicamente, que nos ajudam a entender melhor os 
fenômenos que observamos diariamente e orientam nosso trabalho na prática.
Dentre essas teorias, Horta (1979) destaca especialmente a Teoria das Ne-
cessidades Humanas Básicas, que ela classifica como uma teoria prescritiva de 
nível IV, ou seja, uma teoria que orienta claramente como agir frente a situações 
específicas. Essa teoria fornece uma espécie de roteiro ou guia prático, ajudando 
os enfermeiros a identificar as necessidades humanas fundamentais de seus pa-
cientes e desenvolver um cuidado mais eficaz e direcionado.
O nível IV referido por Wanda Horta (1979) indica um tipo específico de 
teoria dentro da classificação das teorias de enfermagem proposta por ela. Hor-
ta estruturou as teorias em diferentes níveis conforme seu grau de abstração e 
aplicabilidade prática:
NÍVEL I – TEORIA FILOSÓFICA
Mais abstrata, relacionada a questões filosóficas gerais.
NÍVEL II – TEORIA EXPLICATIVA
Busca explicar fenômenos, mas sem prescrever ações específicas.
NÍVEL III – TEORIA PREDITIVA
Permite prever consequências ou desdobramentos futuros de determinadas situações.
NÍVEL VI – TEORIA PRESCRITIVA
Orienta especificamente como agir frente a situações concretas.
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Portanto, quando Horta classifica a Teoria das Necessidades Humanas Básicas 
como uma teoria prescritiva de nível IV, significa que essa teoria oferece dire-
trizes claras, objetivas e concretas para a prática profissional da enfermagem, 
orientando diretamente as ações que os profissionais devem adotar diante das 
necessidades humanas identificadas nos pacientes.
Ao propor uma teoria estruturada e um método claro, como o Processo de 
Enfermagem, Horta (1979) busca facilitar a introdução de uma metodologia 
científica rigorosa no cotidiano profissional. Ela afirma que a autonomia da pro-
fissão só será alcançada quando toda a categoria adotar e implementar, de forma 
sistemática, essa metodologia científica.
A publicação do livro Processo de Enfermagem tem impacto direto na for-
mação dos estudantes, apresentando desde cedo a importância da pesquisa e 
mostrando que é perfeitamente possível aplicar métodos científicos rigorosos 
na prática clínica. Segundo Horta (1979), adotar o processo de enfermagem não 
apenas contribui para a melhora contínua do nível teórico da enfermagem, mas 
também promove uma prática mais segura, eficaz e humanizada.
Ao implementar o processo de enfermagem com base no método científi-
co, o profissional consegue levantar precocemente os problemas dos pacientes, 
promovendo uma interação mais profunda e melhorando significativamente a 
comunicação e o relacionamento entre enfermeiros, pacientes e estudantes. Isso 
faz com que o cuidado deixe de ser apenas empírico e passe a ser um cuidado 
baseado em evidências e dados concretos. Confira a imagem a seguir para uma 
visão detalhada dos conceitos relacionados a Wanda Horta:
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Figura 1 – Mapa mental Wanda Horta / Fonte: a autora.
Descrição da Imagem: a figura apresenta um mapa mental ilustrado e colorido que apresenta os principais concei-
tos da teoria de Wanda Horta, enfermeira e teórica brasileira da enfermagem. No centro da imagem, há um círculo 
com o nome “Wanda Horta” destacado, escrito em letras rosa sobre um fundo azul-claro, com efeito pincelado. 
Várias setas partem desse círculo central, conectando-o a diferentes conceitos, formando um mapa mental. No 
lado esquerdo, há um grupo intitulado “Processo de Enfermagem”, escrito dentro de um círculo com destaque em 
marca texto rosa-claro e decorado com um clipe e com detalhe em desenho de coração. Esse grupo está ligado 
aos termos “Histórico”, “Diagnóstico”, “Planejamento”, “Implementação” e “Avaliação (evolução)”, cada um inserido 
em balões ovais. Acima, à direita do centro, encontra-se o grupo “Atendimento integral às necessidades humanas 
básicas”, com a palavra “necessidades” em destaque rosa. Três setas se conectam a esse grupo, levando aos tipos de 
necessidades: psicobiológicas, psicossociais e psicoespirituais. No canto inferior direito, há o grupo “Classificação das 
teorias”, destacado em marca texto lilás e um pequeno clip com uma flor. A partir dele, quatro setas apontam para 
os níveis filosófico (nível I), explicativo (nível II), preditivo (nível III) e prescritivo (nível IV). No canto inferior esquerdo, 
encontra-se o grupo “Importância”, destacado com marca texto azul-claro e um clipe em forma de coração. Ele está 
conectado aos conceitos de autonomia profissional, cuidado humanizado e prática baseada em evidências. Na parte 
inferior esquerda da imagem, há a ilustração, em preto e branco, de uma enfermeira com prancheta, desenhada em 
estilo desenho à mão. No lado direito, há também um ícone decorativo de estetoscópio em formato de coração, com 
detalhes em azul. Fim da descrição.
Um dos aspectos mais interessantes apresentados por Horta (1979) é como a 
avaliação contínua da assistência é fundamental para a prática clínica da enfer-
magem. A fase da “evolução de enfermagem”, descrita por ela como um registro 
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diário das mudanças no paciente, permite acompanhar e ajustar o cuidado de 
maneira precisa. Essa avaliação constante funciona como uma verdadeira análise 
de evidências, permitindo identificar novos problemas e revisar diagnósticos e 
planos de cuidado sempre que necessário.
Além disso,Horta propõe o conceito de “síndromes de enfermagem” como 
uma forma útil para reconhecer padrões comuns nas necessidades dos pacientes, 
tornando a prática clínica ainda mais assertiva. Assim, o processo de enferma-
gem, fundamentado na pesquisa e no método científico, torna-se uma ferramenta 
poderosa para melhorar continuamente a assistência prestada.
Wanda Horta ainda ressalta que a pesquisa não é uma atividade acadêmica 
distante, mas um instrumento essencial para o enfermeiro aplicar na sua rotina 
profissional, garantindo que o cuidado prestado seja sempre atualizado e eficaz. 
Em outras palavras, a pesquisa em enfermagem é indispensável não apenas para 
o crescimento da profissão, mas especialmente para o benefício daqueles que 
mais importam: os pacientes.
A PRÁTICA BASEADA EM EVIDÊNCIAS NA ENFERMAGEM
A Prática Baseada em Evidências (PBE), conhecida internacionalmente como 
Evidence-Based Nursing (EBN), emergiu com destaque no campo da saúde, re-
sultando na criação de periódicos especializados e diretrizes clínicas orientado-
ras. Na enfermagem, essa abordagem ganhou relevância crescente, pautando-se 
na ideia de que as ações clínicas devem se sustentar em investigações científicas, 
garantindo, assim, melhores resultados para os pacientes (Sackett, 2000). 
Essa perspectiva é frequentemente destacada pelo uso de termos, como 
“melhor evidência”, “melhor prática” e “melhor qualidade” (Walker, 2003), o 
que configura, segundo Holmes e Gastaldo (2004), um novo paradigma de 
verdade na prática profissional.
Embora muitos acreditem que a PBE garanta automaticamente o cuida-
do ideal (Walker, 2003), é fundamental que nós, estudantes e profissionais da 
área, questionemos o que realmente significa “evidência”. O predomínio dessa 
abordagem fez com que fosse amplamente aceita como o “padrão ouro” da 
profissão, promovendo frequentemente apenas um método específico de de-
senvolvimento do conhecimento. 
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Holmes, Perron e O’Byrne (2006) alertam sobre o perigo de estabelecer hierarquias 
rígidas entre diferentes métodos de pesquisa. Eles defendem que uma diversidade 
metodológica deve guiar tanto a pesquisa quanto a prática clínica, questionando 
a dominância do paradigma pós-positivista, que, frequentemente, privilegia os 
Ensaios Clínicos Randomizados (ECRs) como evidência superior. Essa simpli-
ficação pode não apenas reduzir a complexidade inerente à prática clínica, mas 
também restringir nosso olhar e nossa capacidade crítica enquanto profissionais.
Outro ponto relevante é o risco de a enfermagem perder sua autonomia pro-
fissional ao aderir, sem reflexão crítica, ao modelo da PBE inspirado diretamen-
te na medicina. Holmes e Murray (2011), Walker (2003) e Holmes e Gastaldo 
(2004) destacam que a enfermagem corre o risco de “medicalizar” sua prática 
ao buscar legitimidade científica por meio da imitação das características da 
medicina, como o uso rigoroso de terminologias semelhantes e a priorização 
exclusiva de ECRs. Esse movimento pode prejudicar a construção de uma iden-
tidade própria e diversificada da enfermagem (Holmes; Perron; O’Byrne, 2006).
Carper (1978) lembra-nos que a enfermagem é uma profissão caracterizada 
por múltiplas formas de conhecimento: o saber empírico, ético, pessoal e estético.
SABER EMPÍRICO
É aquele baseado em evidências científicas, obtido por meio de pesquisas e observa-
ções objetivas. Está relacionado ao uso de métodos científicos e resultados de estudos 
para orientar as práticas de cuidado.
SABER ÉTICO
Envolve a capacidade do enfermeiro de tomar decisões responsáveis diante de situa-
ções delicadas e dilemas morais na prática assistencial, buscando sempre preservar os 
direitos e o bem-estar dos pacientes.
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Portanto, é importante refletir sobre como essa diversidade pode ser afetada 
pela valorização exclusiva de um único tipo de evidência. A busca pela legiti-
midade científica não deve levar ao abandono ou à minimização das demais 
formas de saberes próprios da enfermagem, como o saber pessoal, que emerge 
das experiências clínicas individuais dos enfermeiros, o saber ético, relaciona-
do à tomada de decisões diante de dilemas morais na prática assistencial, e o 
saber estético, que permite ao enfermeiro perceber e responder às necessidades 
emocionais e subjetivas dos pacientes.
Uma visão pós-moderna sugere a necessidade de pluralismo metodológico e 
epistemológico (Boisvert, 1996). Isso significa que precisamos reconhecer e valo-
rizar diferentes formas de entender e produzir conhecimento, utilizando diversos 
métodos de pesquisa (quantitativos, qualitativos, mistos, entre outros) e diferentes 
perspectivas epistemológicas (como o positivismo, o construtivismo, entre outros). 
Holmes e Gastaldo (2004), por exemplo, propõem adotar uma perspectiva 
pós-estruturalista, utilizando o conceito de pensamento rizomático desenvolvido 
por Deleuze e Guattari (1987). Esse conceito desafia o tradicional pensamento 
linear e hierarquizado, propondo uma rede aberta e diversificada de conheci-
mentos, capaz de acolher múltiplas vozes e perspectivas.
SABER PESSOAL
Refere-se ao conhecimento que o enfermeiro desenvolve a partir de suas próprias ex-
periências clínicas, emoções e reflexões pessoais, permitindo uma compreensão mais 
profunda de si mesmo e dos pacientes.
SABER ESTÉTICO
Está relacionado à sensibilidade do enfermeiro em perceber e responder às necessida-
des emocionais e subjetivas dos pacientes, utilizando empatia, criatividade e intuição 
para proporcionar um cuidado mais humano e acolhedor.
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É essencial que, enquanto futuros profissionais, mantenhamos uma postura 
crítica diante da prática baseada em evidências, reconhecendo sua importância, 
mas também seus limites. Precisamos promover um diálogo aberto, plural e 
reflexivo, valorizando diferentes abordagens e metodologias para construir um 
conhecimento de enfermagem que seja não apenas cientificamente robusto, mas 
também sensível à complexidade e diversidade do cuidado em saúde.
COMPREENDENDO A TRADUÇÃO DO CONHECIMENTO (KT) 
NA PRÁTICA EM SAÚDE
Imagine que você realizou uma pesquisa inovadora na área da saúde, com resulta-
dos promissores. Mas você já se perguntou como esses resultados podem efetiva-
mente beneficiar pacientes, profissionais de saúde e todo o sistema de saúde? É exa-
tamente aí que entra a Tradução do Conhecimento (KT — Knowledge Translation).
A Tradução do Conhecimento, segundo Straus, Tetroe e Graham (2009, 
2013), é um processo dinâmico e interativo que envolve a síntese, disseminação, 
troca e aplicação ética do conhecimento, visando melhorar a saúde e os serviços 
oferecidos. De maneira simples, a KT conecta a pesquisa científica ao mundo real, 
garantindo que os avanços cheguem às pessoas certas, na hora certa.
Para compreender melhor esse processo, o modelo Conhecimento-para-A-
ção (KTA) proposto por Straus, Tetroe e Graham (2009, 2013) é especialmente 
resolutivo. Pense nesse modelo como um ciclo contínuo, flexível e interativo. 
Embora seja apresentado visualmente como um ciclo, suas etapas podem ocorrer 
em qualquer ordem, dependendo das necessidades específicas do projeto. 
Um ponto importante é envolver os usuários finais do conhecimento, como 
profissionais de saúde e pacientes, desde o início. Essa colaboração garante que as 
evidências sejam relevantes e utilizáveis no contexto prático.
O modelo KTA divide-se em duas grandes fases: a Criação de Conhecimento e o 
Ciclo de Ação, sendo essa segunda fase composta por sete etapas que podem ser 
realizadas simultânea ou sequencialmente, adaptadas às necessidades práticas. 
Veja mais detalhes no quadro a seguir:
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FASE ETAPA DESCRIÇÃO
CRIAÇÃO DE 
CONHECIMENTO
1. Investigação
É a produção direta de conhecimento 
por meio de pesquisas primárias.
2. Síntese do 
Conhecimento
Aqui, ocorre a reunião e análise rigorosa 
de diferentes estudos sobre um mesmo 
tema, frequentemente usando revisões 
sistemáticas,que garantem a robustez 
e a qualidade das evidências coletadas.
3. Ferramentas de 
Conhecimento
Os resultados mais relevantes são tra-
duzidos em ferramentas práticas, como 
diretrizes clínicas, algoritmos ou mate-
riais de apoio à decisão, facilitando sua 
aplicação direta na prática clínica.
CICLO DE AÇÃO
1. Identificação do problema clínico ou de saúde pública.
2. Seleção e revisão crítica do conhecimento disponível.
3. Adaptação das evidências ao contexto local.
4. Avaliação dos fatores que influenciam a implementação do 
conhecimento (facilitadores e barreiras).
5. Escolha e implementação de intervenções específicas para 
aplicar esse conhecimento.
6. Monitoramento e avaliação dos impactos das intervenções.
7. Estratégias para garantir a sustentabilidade dos resultados 
alcançados.
Quadro 1 – Fases do modelo KTA / Fonte: adaptado de Straus, Tetroe e Graham (2119, 2113).
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Além disso, existem dois tipos principais de KT:
 ■ KT ao final do estudo: visa, principalmente, à disseminação dos resul-
tados após a conclusão de um projeto. As ações variam de publicações 
científicas até eventos específicos para divulgar os achados.
 ■ Pesquisa de KT Integrada: envolve a participação ativa dos usuários 
finais desde o início do processo de pesquisa, garantindo maior relevância 
e facilidade de implementação das descobertas científicas.
Um desafio significativo no contexto da KT é o chamado “lacuna do conheci-
mento” (KTA Gap). Esse termo refere-se à distância entre a produção do co-
nhecimento científico e sua aplicação prática. Esse hiato pode ocorrer devido à 
ineficácia na disseminação das evidências ou porque as pesquisas não abordam 
necessidades reais dos usuários finais. Por isso, identificar barreiras e facilitadores 
é essencial para a KT ser eficaz.
As teorias e os modelos que embasam a KT incluem abordagens da psicologia 
cognitiva, teoria da ação planejada e modelos educacionais e organizacionais, 
além de teorias de melhoria contínua da qualidade. Avaliar continuamente o 
impacto das intervenções é importante para garantir que as práticas adotadas 
sejam eficazes e sustentáveis.
Vejamos agora um exemplo prático de implementação de diretrizes clínicas 
para prevenção de quedas em idosos hospitalizados:
1. Identificação do problema: uma equipe de enfermagem percebeu um 
alto índice de quedas entre idosos internados em uma unidade hospitalar, 
resultando em fraturas e internações prolongadas.
2. Síntese do conhecimento: realizou-se uma revisão sistemática sobre 
prevenção de quedas em idosos hospitalizados, identificando as inter-
venções mais eficazes, como avaliação sistemática do risco, adaptação de 
ambiência e treinamento da equipe.
3. Criação de ferramentas de conhecimento: as evidências foram sinte-
tizadas e traduzidas em um protocolo simples de prevenção de quedas e 
um checklist para avaliação diária do risco de queda dos pacientes.
4. Avaliação de barreiras e facilitadores: identificaram-se barreiras, como 
resistência dos profissionais devido à falta de tempo e facilitadores, como 
apoio institucional e disposição dos profissionais em melhorar a segu-
rança dos pacientes.
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5. Implementação: realizaram-se oficinas de treinamento com enfermeiros 
e técnicos sobre o uso do protocolo e checklist. Cartazes explicativos fo-
ram espalhados pelas unidades e lembretes foram inseridos nos sistemas 
eletrônicos de prontuários.
6. Monitoramento e avaliação: durante seis meses, o número de quedas 
foi monitorado regularmente, observando-se uma redução significativa 
após a implementação do protocolo.
7. Sustentabilidade: após comprovar o sucesso, o protocolo foi incorpo-
rado permanentemente à rotina hospitalar, com atualizações regulares 
baseadas em novas evidências científicas.
Nesse exemplo, a Tradução do Conhecimento garantiu que evidências científicas 
fossem aplicadas diretamente na prática clínica, resultando em benefícios cla-
ros para os pacientes e profissionais envolvidos. Dessa maneira, a Tradução do 
Conhecimento é essencial para transformar evidências científicas em melhorias 
concretas na saúde, promovendo uma prática baseada em evidências e colabo-
rativa, alinhada às necessidades reais dos usuários finais.
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O IMPACTO DA PESQUISA EM ENFERMAGEM 
A pesquisa em enfermagem tem papel essencial, não apenas para nós, futuros 
profissionais da área, mas também para toda a sociedade. Quando falamos em 
pesquisa, estamos falando de estudos organizados que buscam responder a per-
guntas importantes sobre a prática de enfermagem e a saúde das pessoas. Por 
meio desses estudos, construímos um conhecimento científico específico que 
nos diferencia claramente como profissão e disciplina dentro da área da saúde.
Ao realizar pesquisas, desenvolvemos uma compreensão única sobre os fenô-
menos relacionados à saúde humana, especialmente sobre a experiência e a qua-
lidade de vida das pessoas que cuidamos. Isso nos ajuda a consolidar a identidade 
profissional da enfermagem, fortalecendo nossa autonomia e responsabilidade 
profissional, também conhecida como accountability, ou seja, a capacidade de 
respondermos pelas nossas ações com base em evidências científicas e éticas.
Além disso, a pesquisa promove uma reflexão crítica permanente sobre nossa 
prática, levando-nos a questionar, inovar e melhorar continuamente o cuidado 
prestado aos pacientes. Comunicar esses resultados para outros profissionais e para 
a sociedade é essencial, pois mostra claramente o papel fundamental e único que a 
enfermagem desempenha no cuidado à saúde.
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É importante, no entanto, termos consciência de que existem desafios nessa tra-
jetória. Por exemplo, o excesso de valorização de pesquisas quantitativas pode 
reduzir ou desvalorizar outras abordagens igualmente válidas, como os estudos 
qualitativos, simplificando excessivamente a complexidade real da nossa prática 
clínica (Holmes; Perron; O’Byrne, 2006). Além disso, precisamos reconhecer 
que nossas pesquisas são influenciadas por diversos fatores sociais, econômicos 
e políticos que moldam o que consideramos conhecimento válido ou relevante.
Para a sociedade, o impacto da pesquisa em enfermagem é direto e signifi-
cativo. Nossas investigações buscam melhorar a qualidade de vida e entender 
melhor as necessidades dos pacientes, especialmente aqueles em situações mais 
vulneráveis. Por meio desse olhar atento à experiência das pessoas, somos capazes 
de identificar desigualdades, como vulnerabilidade e marginalização, e buscar 
soluções mais justas e eficazes. Dessa forma, a pesquisa em enfermagem não ape-
nas descreve realidades, mas também atua como agente de transformação social.
É fundamental lembrar que nossa pesquisa precisa ser relevante para diferen-
tes contextos globais, abordando questões importantes e com impacto na socie-
dade. Como futuros enfermeiros, temos a responsabilidade ética de desenvolver 
pesquisas que respondam às necessidades da população e promovam uma prática 
profissional ética e humanizada.
Portanto, investir em pesquisa é essencial para o fortalecimento da enferma-
gem como profissão e para a melhoria da saúde e do bem-estar da sociedade, con-
siderando sempre a diversidade e complexidade dos contextos em que atuamos.
Estudante, para expandir seus conhecimentos sobre o assunto 
abordado, gostaríamos de lhe indicar a aula que preparamos es-
pecialmente para você. Acreditamos que essa aula complemen-
tará e aprofundará ainda mais o seu entendimento sobre o tema. 
E M FOCO
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https://vimeo.com/1119443227/3869ebb1d1
TEMA DE APRENDIZAGEM 2
NOVOS DESAFIOS
A pesquisa não é um “luxo acadêmico”; ela é essencial para o crescimento da en-
fermagem como profissão. De acordo com Donaldson e Crowley (1978), quanto 
mais a enfermagem evolui teoricamente e na prática, maior será o impacto positi-
vo no cuidado aos pacientes. Ao pesquisarmos, conseguimos trazer informações 
relevantes de outras áreas,

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